Prévia do material em texto
1. PNEUMONIA COMUNITARIA A pneumonia ocorre pelo agente infeccioso Streptococcus pneumoniae, sendo o mais comum, porém não o único. · Staphylococcus aureus · Haemophilus influenzae Geralmente não ocorre em adultos jovens saudáveis, porém pode ocorrer em caso de infecção respiratória viral antecedente. · Ocorre aumento da adesão bacteriana às células epiteliais respiratórias e danifica o mecanismo de ação ciliar. = ↓ defesa · A infecção pelo vírus influenza aumenta muito a suscetibilidade à pneumonia causada: * Staphylococcus aureus * Haemophilus influenzae * Streptococcus pneumoniae · Se já teve uma pneumonia bacteriana provavelmente tem uma ou mais condições predisponentes subjacentes. Epidemiologia A gente das vias aéreas superiores, mortalidade da PAC naqueles que necessitam de hospitalização varia de 5% a 15% e aumenta para 20% a 50% em pacientes que necessitam de cuidados em unidade de terapia intensiva (UTI). · Colonização frequente em crianças Pré-disposição de a pneumonia bacteriana · DPOC · Fibrose cística · Bronquiectasia · Outras anormalidades estruturais do pulmão predispõem muito à pneumonia bacteriana · Uso de corticosteroides contínuos. · Tabagista · Doença hepática ou renal, ambas diminuindo a formação de anticorpos e a função dos leucócitos. Patogênese A configuração das vias respiratórias superiores garante: · Fluxo fino e laminar de ar passe sobre os e as superfícies pegajosas > Retendo as partículas potencialmente infecciosas. · O fechamento da epiglote evita que partículas de alimentos passem para a traqueia durante a deglutição. · A laringe impede a passagem de secreções para a traqueia e possibilita a produção da pressão intrapulmonar necessária para uma tosse efetiva. Imunoglobulina A (IgA) secretora, que constitui 10% das proteínas das secreções nasais, neutraliza os vírus. · Inibem a colonização também. Microaspiração que é comum durante o sono, muito comum em idosos, as bactérias que normalmente colonizam as vias respiratórias superiores · Alcançam os alvéolos, onde podem causar pneumonia. A inalação direta de microrganismos aerossolizados também pode causar pneumonia, sendo mais comum em: · Mycobacterium tuberculosis · Bacillus anthracis · SARSCoV-2 · Entre outros... Podem precipitar a pneumonia por disseminação hematogênica é mais raro de acontecer. · S. aureu - se houver um infecção endovascular endocardite · Escherichia coli Entrada do patógeno · Microaspiração: Mais comum; pequenos volumes de secreções colonizadas do trato respiratório superior chegam aos pulmões. · Inalação de gotículas contaminadas: Ex.: infecção viral ou por bactérias como Streptococcus pneumoniae. · Disseminação hematogênica: Raro, mas pode ocorrer em infecções sistêmicas. Fase inicial: colonização e invasão 1. Patógenos chegam ao trato respiratório inferior e colonizam o epitélio 2. O sistema imunológico inato tenta eliminar os microrganismos com · Macrófagos alveolares, que fagocitam os agentes. · Liberação de citocinas pró-inflamatórias (ex.: IL-1, TNF-α), que recrutam neutrófilos e outras células de defesa. 3. Resposta inflamatória Inflamação alveolar: · A ativação de neutrófilos leva à liberação de enzimas e produção de exsudato rico em proteínas. · Vai preencher os alvéolos com líquido, células inflamatórias e fibrina, prejudicando as trocas gasosas. Fases da inflamação pulmonar: · Congestão inicial (primeiras 24h): Alvéolos se enchem de líquido seroso, bactérias e proteínas. * Clinicamente: Febre alta, tosse seca, calafrios. · Hepatização vermelha (2-3 dias): Aumento de eritrócitos, fibrina e neutrófilos, deixando o pulmão com aparência vermelha e firme. * Clinicamente: Tosse produtiva com escarro ferruginoso, dor pleurítica. · Hepatização cinzenta (4-6 dias): Degradação dos eritrócitos; fibrina persiste, e o pulmão se torna esbranquiçado. * Clinicamente: Redução da febre, melhora dos sintomas gerais. · Final (pós 7 dias) Macrófagos removem o exsudato e iniciam a recuperação. * Clinicamente: Melhora significativa, mas tosse residual pode persistir. Consequências clínicas Comprometimento das trocas gasosas · Hipoxemia: Redução na oxigenação sanguínea devido à má ventilação/alvéolos preenchidos. · Hiperventilação compensatória: O paciente tenta compensar a baixa oxigenação aumentando a frequência respiratória. Hipoxemia: Resulta do comprometimento da ventilação/perfusão (V/Q). Sintomas clássicos: Tosse, febre, produção de escarro, dor torácica pleurítica e dispneia. Diagnostico Exame físico · Inspeção: Uso de músculos acessórios, sinais de esforço respiratório. · Ausculta: · Estertores crepitantes (indicam infiltração alveolar). · Redução do murmúrio vesicular em áreas de consolidação. · Percussão: Submacicez ou macicez em áreas de consolidação. · Frêmito toracovocal: Aumento sobre áreas de consolidação. Laboratorial · Hemograma: Leucocitose com desvio à esquerda (neutrofilia). Em infecções graves, leucopenia pode indicar imunossupressão. · Procalcitonina (PCT): Aumentada em infecções bacterianas; útil para diferenciar de infecções virais. · PCR: Elevada em inflamação; ajuda a monitorar a resposta ao tratamento. · Cultura de escarro: Identifica o patógeno, mas resultados podem ser contaminados por flora orofaríngea. · Hemoculturas: Indicadas em pacientes graves ou com sinais de sepse. SCORE CURB – 65 Escore clínico é utilizado para avaliar a gravidade da PAC · CURB-65 é um acrônimo que representa cinco fatores prognósticos Confusão; Ureia; Respiração; Baixa pressão arterial; e Idade 65 anos ou mais. Limitação é a não-inclusão das doenças associadas. Ureia sérica elevada (U): Nível de ureia > 7 mmol/L (ou > 20 mg/dL). · Indica possível insuficiência renal ou hipovolemia. Frequência respiratória elevada (R): ≥ 30 incursões por minuto. · Sugere insuficiência respiratória ou hipoxemia. Pressão arterial baixa (B): Pressão sistólicasão condições caracterizadas pela função inadequada do sistema imunológico, que pode ser: · Congênita (primária, devido a defeitos genéticos) · Adquirida (secundária, causada por fatores externos). Ambas afetam a capacidade do corpo de combater infecções, Imunodeficiência Congênita (Primária) Doenças decorrentes de mutações genéticas que afetam o desenvolvimento ou função de células, moléculas e vias do sistema imunológico. Geralmente detectadas na infância, mas algumas podem se manifestar tardiamente. Defeitos de imunidade humoral Envolvem deficiência na produção de anticorpos pelas células B. Exemplo: · Agamaglobulinemia de Bruton: Ausência de células B funcionais devido a mutação no gene BTK. · Deficiência de IgA: Mais comum; geralmente assintomática, mas pode predispor a infecções respiratórias e intestinais. Defeitos de imunidade celular Envolvem células T e prejudicam tanto a imunidade celular quanto humoral. Exemplo: Síndrome de DiGeorge: Hipoplasia do timo causada por deleção no cromossomo 22q11.2, levando à baixa produção de células T. Imunodeficiências combinadas Comprometem células T e B. Exemplo: Imunodeficiência combinada grave (SCID): Pode ser causada por mutação em IL2RG (ligada ao X) ou ADA. Altamente letal sem tratamento precoce. Defeitos na imunidade inata Problemas com fagócitos, sistema complemento ou receptores PRRs. Exemplo: Doença granulomatosa crônica (CGD): Deficiência na produção de espécies reativas de oxigênio por neutrófilos. Defeitos na regulação imunológica Envolvem respostas autoimunes ou inflamatórias inadequadas. Exemplo: Síndrome IPEX: Deficiência na função do gene FOXP3, levando a autoimunidade. Manifestações Clínicas · Infecções recorrentes, graves ou oportunistas (ex.: Pneumocystis jirovecii, micobactérias). · Infecções incomuns em pessoas saudáveis. · Retardo no crescimento ou desenvolvimento. · Autoimunidade ou câncer (linfomas, leucemias). Diagnóstico: · Hemograma completo (linfopenia pode sugerir SCID). · Dosagem de imunoglobulinas (IgG, IgA, IgM). · Estudo funcional de células T e B. · Sequenciamento genético para identificar mutações. Tratamento · Reposição de imunoglobulinas: Terapia com Ig intravenosa ou subcutânea. · Antibióticos profiláticos: Para prevenir infecções recorrentes. · Transplante de medula óssea: Em imunodeficiências graves como SCID. · Terapia gênica: Promissora para defeitos específicos, como CGD e SCID. Imunodeficiência Adquirida (Secundária) Causada por fatores externos que comprometem o sistema imunológico previamente funcional. Infecções: Exemplo HIV/AIDS. · O vírus HIV infecta células T CD4+, levando à imunossupressão progressiva. · Caracterizado por infecções oportunistas e neoplasias como sarcoma de Kaposi. Desnutrição: · Reduz a produção de citocinas e compromete células imunológicas. · Comum em países com insegurança alimentar. Terapias imunossupressoras: Uso de medicamentos como corticoides, quimioterapia ou imunomoduladores (ex.: ciclosporina). Utilizados em transplantes, doenças autoimunes ou câncer. Doenças malignas: Leucemia ou linfoma que destrói células do sistema imunológico. Outras condições: · Diabetes mellitus. · Doenças renais ou hepáticas crônicas. · Esplenectomia (remoção do baço). Manifestações Clínicas · Infecções oportunistas: Candida, Cryptococcus, Mycobacterium avium. · Maior susceptibilidade a infecções bacterianas e virais comuns. · Cânceres associados à imunossupressão: linfomas, carcinoma cervical. Diagnóstico História clínica: Uso de medicamentos imunossupressores, história de doenças crônicas ou HIV. Exames laboratoriais · Contagem de CD4+ e carga viral para HIV. · Avaliação de funções hepáticas, renais e hematológicas. Tratamento · HIV/AIDS: Terapia antirretroviral altamente ativa (HAART). · Correção de deficiências nutricionais: Suplementação proteico-calórica e vitamínica. · Suspensão de imunossupressores: Quando possível. · Profilaxia de infecções: Com antibióticos ou antifúngicos. Aspecto Congênita Adquirida Causa Defeitos genéticos. Fatores externos (HIV, drogas, câncer). Idade de início Infância (geralmente). Qualquer idade. Progressão Crônica; manifesta precocemente. Pode ser reversível (ex.: drogas). Tratamento Terapia gênica, transplantes. Terapia direcionada ao fator causal. 3. MICROBIOMA DO TRATO RESPIRATORIO Bactérias Staphylococcus aureus: Normalmente coloniza o nariz e a pele. · Pode causar pneumonia necrosante, abscessos pulmonares e infecções pleurais, especialmente em imunossuprimidos ou portadores de dispositivos. Streptococcus pneumoniae: Comensal das vias aéreas superiores. · Causa comum de pneumonia, sinusite e otite média, podendo evoluir para formas invasivas (sepse, meningite). Moraxella catarrhalis: Habitante comum do trato respiratório superior. · Pode causar sinusite, otite média e infecções respiratórias em idosos ou pacientes com doenças pulmonares crônicas. Klebsiella pneumoniae: Reside em pequenas proporções no microbioma de alguns indivíduos. · Agente oportunista grave, associado à pneumonia necrosante, especialmente em alcoolistas ou imunossuprimidos. Pseudomonas aeruginosa: Coloniza pacientes hospitalizados ou com dispositivos respiratórios. · Comum em fibrose cística, DPOC avançada e traqueostomias. Fungos Candida albicans: Presente em pequena quantidade no trato respiratório superior. · Pode causar candidíase oral, traqueal ou pulmonar em pacientes imunossuprimidos. image5.png image6.png image7.png image8.png image9.png image2.png image3.png image4.png image10.png