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REGIMES DE CASAMENTO Módulo VII Patr ícia Presser E - M A I L S U P O R T E P r e s s e r @ p r a t i c a n o t a r i a l . c o m . b r P R Á T I C A S E X T R A J U D I C I A I S Diferenças entre o regime de bens do Código Civil de 1916 e do Novo Código Civil de 2002: Apesar de os regimes terem a mesma nomenclatura, existe diferença entre os regimes do CC/16 e do CC/02. As pessoas que casaram pelo regime legal do CC/16 seguem o regramento desta lei com relação ao direito sucessório e com relação à vênia conjugal. No CC/02, temos o cônjuge como sucessor (herdeiro necessário), o que não existia no CC/16. Pelo princípio da saisine, a transmissão dos bens ocorre no momento do óbito, mas aplica-se para a sucessão o regime de bens vigente na época do casamento: “Art. 2.039. O regime de bens nos casamentos celebrados na vigência do Código Civil anterior, Lei n o 3.071, de 1 o de janeiro de 1916 , é o por ele estabelecido”. Com o advento do CC/02, teremos a utilização de um regime de casamento para assinatura de contratos e escrituras públicas e outro regime de casamento para sucessões, tendo uma diferenciação entre o mesmo nome de regime, mas com regramentos diversos em função das diferenças entre o CC/16 e o CC/02. Na parte sucessória, temos a questão do cônjuge ser herdeiro necessário (CC/02) ou não (CC/16); e, em relação à vênia conjugal no regime da separação total de bens, pelo CC/16 era obrigatória e no Novo Código Civil está expressamente dispensada. REGIME DA COMUNHÃO PARCIAL DE BENS: O regime legal de bens foi alterado pela Lei 6.515/77, passando, a partir de então, ser o regime da comunhão parcial de bens. O que é o regime da comunhão parcial pelo Código Civil de 2002: - Bens havidos na constância da união de forma onerosa pertencem ao casal; - Qualquer situação gratuita, havida por herança ou outra forma de aquisição, é bem particular. P R Á T I C A S E X T R A J U D I C I A I S http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L3071.htm O regime da separação obrigatória tem função de comunhão parcial de bens em razão da Súmula 377 do STF que ainda está em vigor. Dispõe a súmula que os bens havidos na constância do casamento com esforço comum pertencem ao casal, havendo partilha do patrimônio. Por se tratar de direito contratual, a Súmula pode ser expressamente excluída em um testamento ou por declaração das partes no momento do inventário ou separação. Nos testamentos, quando há a solicitação unilateral de exclusão da Súmula 377, caberá aceite da parte sobreviva. Pelo regime da comunhão parcial, temos os bens particulares e os bens comuns. Como isso funciona em uma escritura pública ou contrato particular? Tratando-se de bens comuns, ambos são proprietários e ambos vendem o bem; tratando-se de bem particular de um dos cônjuges, apenas um deles é proprietário, ao outro cônjuge cabe dar a vênia conjugal. A vênia é necessária em razão de que o bem, apesar de particular, pode influenciar na vida patrimonial do casal, já que os frutos se comunicam. Art. 1.647. Ressalvado o disposto no art. 1.648, nenhum dos cônjuges pode, sem autorização do outro, exceto no regime da separação absoluta: I - alienar ou gravar de ônus real os bens imóveis; II - pleitear, como autor ou réu, acerca desses bens ou direitos; III - prestar fiança ou aval; IV - fazer doação, não sendo remuneratória, de bens comuns, ou dos que possam integrar futura meação. Parágrafo único. São válidas as doações nupciais feitas aos filhos quando casarem ou estabelecerem economia separada. Alienação de bens comuns: Na escritura pública ou contrato particular de alienação ou gravame de bem comum ambos transmitem. Na a escritura constará na qualificação das partes Fulano de Tal e sua esposa Fulana de Tal; a partir da qualificação constará “pelos vendedores foi dito que”. Assim, estará definido na escritura, ou no contrato, que ambos os cônjuges são vendedores. P R Á T I C A S E X T R A J U D I C I A I S Alienação de bens particulares: Sendo uma escritura pública ou contrato particular de alienação ou gravame de bem particular será realizada a qualificação daquele que for o proprietário: JOÃO, casado com Maria, por quem é assistido. No contrato particular poderá constar João como outorgante e como interveniente anuente Maria. Dívidas contraídas por um dos cônjuges: dívidas contraídas no exercício da administração do patrimônio do casal obrigam os bens comuns e os particulares de quem está administrando. Exemplo: contrai empréstimo no banco vinculando a conta particular de um dos cônjuges. Se o empréstimo foi contraído na constância do casamento obriga os bens comuns do casal. Art. 1.663. A administração do patrimônio comum compete a qualquer dos cônjuges. § 1 o As dívidas contraídas no exercício da administração obrigam os bens comuns e particulares do cônjuge que os administra, e os do outro na razão do proveito que houver auferido. § 2 o A anuência de ambos os cônjuges é necessária para os atos, a título gratuito, que impliquem cessão do uso ou gozo dos bens comuns. § 3 o Em caso de malversação dos bens, o juiz poderá atribuir a administração a apenas um dos cônjuges. P R Á T I C A S E X T R A J U D I C I A I S REGIME DA COMUNHÃO UNIVERSAL: Ambos os cônjuges alienam o bem. A única exceção é no caso de um dos cônjuges receber bem com cláusula de incomunicabilidade. A cláusula de incomunicabilidade torna o bem particular, e, no caso de alienação desse bem, é necessária vênia conjugal, aplicando o art. 1.647 CC. No art. 1.668 constam quais bens são excluídos da comunhão: Art. 1.668. São excluídos da comunhão: I - os bens doados ou herdados com a cláusula de incomunicabilidade e os sub- rogados em seu lugar; II - os bens gravados de fideicomisso e o direito do herdeiro fideicomissário, antes de realizada a condição suspensiva; III - as dívidas anteriores ao casamento, salvo se provierem de despesas com seus aprestos, ou reverterem em proveito comum; IV - as doações antenupciais feitas por um dos cônjuges ao outro com a cláusula de incomunicabilidade; V - Os bens referidos nos incisos V a VII do art. 1.659. Sub-rogação dos bens: aplica-se em qualquer regime que tenha bem particular. Recebi R$ 100.000,00 da venda de um bem particular e vou utilizar o valor para comprar outro bem. Como fazer a sub-rogação desse bem na esfera extrajudicial? Essa informação pode constar na escritura pública, contanto que seja feito no ato de aquisição. Exemplo: João, casado com Mariano regime da comunhão parcial de bens, vendeu patrimônio particular no valor de R$100.000,00 e está adquirindo um novo patrimônio no valor de R$ 200.000,00. R$ 100.000,00 é sub- rogação e R$ 100.000,00 é resultante do esforço comum do casal. P R Á T I C A S E X T R A J U D I C I A I S Para fazer a escritura pública de compra e venda, ambos os cônjuges devem comparecer, constando João como adquirente e Maria como adquirente e interveniente. Maria adquire 50% do patrimônio na constância do casamento e 50% do patrimônio será declarado no ato da escritura que foram havidos por sub-rogação de bem particular de João e que neste ato estão sendo integralizados para aquisição de 50% do imóvel. Maria dá a vênia de que os outros 50% do patrimônio é particular de João. No caso de partilha, o que for particular, não será partilhado; o que for comum será partilhado (50%), seja no direito de família, seja no direito sucessório. No caso de aquisição de bem por um dos cônjuges, tanto na comunhão universal, como na parcial, o outro cônjuge não precisa assinar a compra. No ato da aquisição constará que é casado e por qual regime, restando definido que o bem é dos dois. No regime de separação total de bens, ambos os cônjuges devem assinar, pois não existe mancomunhão do patrimônio. Ambos os cônjuges assinando serão proprietários em condomínio. REGIME DA SEPARAÇÃO DE BENS: No que se refere ao regime da separação de bens, os artigos previstos no CC/02 não dispõem sobre separação absoluta de bens (como menciona o art. 1.647 CC)e também não explica que este regime de separação de bens é diverso do regime da separação obrigatória de bens. Por isso, alguns doutrinadores entendem que o regime da separação de bens e o regime da separação obrigatória de bens são o mesmo regime, uma vez que a Súmula 377 STF é anterior ao CC/02 e entendia-se que ela não estava mais em vigor. Porém, a Súmula está em vigência e, assim, existem dois tipos de separação de bens: o regime da separação obrigatória, que não tem pacto antenupcial, e o regime da separação total (convencional), que tem pacto antenupcial e está previsto nos artigos 1.687 e 1.688 CC. P R Á T I C A S E X T R A J U D I C I A I S Pelo CC/16, regido o casamento pela separação total de bens, com pacto antenupcial, ainda assim era necessária a vênia conjugal para dispor sobre o patrimônio. Exemplo: João, casado com Maria pelo regime de separação total de bens na década de 90. Para ele vender seu patrimônio Maria terá que assinar dando a vênia conjugal. REGIME DA PARTICIPAÇÃO FINAL NOS AQUESTOS: O casal poderá definir o que é patrimônio comum e o que é patrimônio particular. De forma sucinta, temos o regime da separação de bens na constância do casamento e o regime da comunhão parcial na dissolução do casamento. Art. 1.672. No regime de participação final nos aquestos, cada cônjuge possui patrimônio próprio, consoante disposto no artigo seguinte, e lhe cabe, à época da dissolução da sociedade conjugal, direito à metade dos bens adquiridos pelo casal, a título oneroso, na constância do casamento. Por este regime, se um dos cônjuges não quiser que o outro tenha que dar vênia conjugal nas contratações dos bens particulares, deve constar no pacto antenupcial o artigo 1.656: “No pacto antenupcial, que adotar o regime de participação final nos aquestos, poder-se-á convencionar a livre disposição dos bens imóveis, desde que particulares”. Caso não conste esta disposição, a vênia conjugal continua necessária. Dissolução da sociedade conjugal: Art. 1.683. Na dissolução do regime de bens por separação judicial ou por divórcio, verificar-se-á o montante dos aquestos à data em que cessou a convivência. O que é bem comum e o que é bem particular, já que pelo art. 1.672 todos os bem são particulares? Não há como definir o que é bem comum e particular, cabendo às partes produzir provas no sentido de se tratar de bem comum ou particular. P R Á T I C A S E X T R A J U D I C I A I S Art. 1.674. Sobrevindo a dissolução da sociedade conjugal, apurar-se-á o montante dos aqüestos, excluindo-se da soma dos patrimônios próprios: I - os bens anteriores ao casamento e os que em seu lugar se sub-rogaram; II - os que sobrevieram a cada cônjuge por sucessão ou liberalidade; III - as dívidas relativas a esses bens. Parágrafo único. Salvo prova em contrário, presumem-se adquiridos durante o casamento os bens móveis. No caso de divorcio, na participação final dos aquestos, não pode deixar o bem em condomínio para depois fazer a venda. Provavelmente o registrador não irá registrar a venda por não ter sido definido se era um aquesto ou não. A definição de aquesto se dá no momento da dissolução. Outra situação que se tem na participação final dos aquestos e que não existe nos demais regimes é a definição dos patrimônios a serem divididos no momento da dissolução da sociedade. O que for adquirido após a dissolução permanece sendo só do cônjuge que adquiriu porque é bem particular. Pode se estipular na escritura pública de dissolução que determinado bem, adquirido em determinada data, já não estava em mancomunhão, sendo patrimônio particular de um dos cônjuges, pois adquirido após a dissolução da sociedade de fato do casal. INCONSTITUCIONALIDADE DO ARTIGO 1.790 CC: Por este dispositivo, a companheira era herdeira e meeira dos bens havidos na constância do casamento. O artigo foi declarado inconstitucional na íntegra. O companheiro é equiparado ao cônjuge. Art. 1.790. A companheira ou o companheiro participará da sucessão do outro, quanto aos bens adquiridos onerosamente na vigência da união estável, nas condições seguintes: (Vide Recurso Extraordinário nº 646.721) (Vide Recurso Extraordinário nº 878.694) P R Á T I C A S E X T R A J U D I C I A I S http://www.stf.jus.br/portal/processo/verProcessoAndamento.asp?incidente=4100069 http://www.stf.jus.br/portal/processo/verProcessoAndamento.asp?incidente=4744004 I - se concorrer com filhos comuns, terá direito a uma quota equivalente à que por lei for atribuída ao filho; II - se concorrer com descendentes só do autor da herança, tocar-lhe-á a metade do que couber a cada um daqueles; III - se concorrer com outros parentes sucessíveis, terá direito a um terço da herança; IV - não havendo parentes sucessíveis, terá direito à totalidade da herança. Tema 809 STF: "É inconstitucional a distinção de regimes sucessórios entre cônjuges e companheiros prevista no art. 1.790 do CC/2002, devendo ser aplicado, tanto nas hipóteses de casamento quanto nas de união estável, o regime do art. 1.829 do CC/2002". P R Á T I C A S E X T R A J U D I C I A I S