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1 ARTE NA EDUCAÇÃO ESCOLAR 1 Sumário NOSSA HISTÓRIA .......................................................................................... 2 Introdução ........................................................................................................ 3 Breve Histórico: A Educação e a Arte .............................................................. 5 Fundamentos da disciplina de artes .............................................................. 17 A arte e a contribuição para a formação humana .......................................... 19 Importância do educador mediador de saberes ......................................... 20 O ensino de Arte e a sua finalidade a partir de seus segmentos ................... 21 REFERÊNCIAS ............................................................................................. 29 2 NOSSA HISTÓRIA A nossa história inicia com a realização do sonho de um grupo de empresários, em atender à crescente demanda de alunos para cursos de Graduação e Pós- Graduação. Com isso foi criado a nossa instituição, como entidade oferecendo serviços educacionais em nível superior. A instituição tem por objetivo formar diplomados nas diferentes áreas de conhecimento, aptos para a inserção em setores profissionais e para a participação no desenvolvimento da sociedade brasileira, e colaborar na sua formação contínua. Além de promover a divulgação de conhecimentos culturais, científicos e técnicos que constituem patrimônio da humanidade e comunicar o saber através do ensino, de publicação ou outras normas de comunicação. A nossa missão é oferecer qualidade em conhecimento e cultura de forma confiável e eficiente para que o aluno tenha oportunidade de construir uma base profissional e ética. Dessa forma, conquistando o espaço de uma das instituições modelo no país na oferta de cursos, primando sempre pela inovação tecnológica, excelência no atendimento e valor do serviço oferecido. 3 Artes na Educação Escolar Introdução Arte é uma maneira de viajar, um sistema de conhecimento de mundo, seja ela através da leitura da palavra ou da leitura visual. Estudar arte desde as séries iniciais é possibilitar que os estudantes tenham acesso às diversidades artísticas, pois a arte como diz Lukács (apud FREDERICO, 2013) é o modo de expressão mais alto da autoconsciência da humanidade. Oferecer esse ensino é a mesma coisa que formar cidadãos conhecedores da história humana. A Arte vai além de um momento de entretenimento, de inventar e de brincar. Ela, em seu conteúdo, oferece condições necessárias para entendermos e conhecermos o contexto histórico em que estamos inseridos, fazendo-nos perceber a realidade que nos cerca com outros olhos. 4 Assim, a cada dia deixaremos de ser seres condicionados, alienados, fetichizados e passaremos a ser seres autônomos, conhecedores da história, da realidade, seres críticos capazes de intervir na sociedade, em busca de condições igualitárias. A Arte oferece todas as condições necessárias para entendermos a história da humanidade, por isso, ela deve ser uma das disciplinas necessárias que compõem o currículo da Educação. A arte pode trazer benefícios para a educação de crianças e jovens, pois assim como ressaltam as autoras Ferraz e Fusari (2009) Com base nessa citação, podemos perceber que ao se trabalhar com artes é preciso explorar a imaginação e a criatividade dos educandos. Isso pode ser feito através de seus próprios desenhos, e não de modelos prontos formulados e padronizados pela própria educadora. Assim, qual é o fundamento de o educador formular modelos de desenhos para uma turma de aproximadamente vinte alunos? Esse é um processo que não traz muitos benefícios para a vida dos pequenos, como afirma Rego (2014): O essencial é incentivá-los a colocar em práticas suas imaginações, despertar suas emoções e sentimentos. Segundo Ferraz e Fusari (2009, p.19), a escola: 5 Por isso, a educação deve transformar a prática educativa atual, e aderir novos métodos que sejam relevantes para a formação de sujeitos construtores do futuro. É dever da escola, ampliar a concepção da arte para que possibilite aos educandos reconhecer e valorizar todas as produções artísticas. Breve Histórico: A Educação e a Arte A educação formalizada e constituída dentro dos espaços escolares, tal como a conhecemos hoje, surge no final do século XVI e vem substituir a aprendizagem como meio de educação. Até então as crianças aprendiam no espaço diário de convivência com os adultos, nos espaços da casa, nas oficinas, ou no campo. A escola surge na sociedade refletindo os interesses e a ideologia dessa sociedade. Segundo Varela (1992:7), 6 Assim simultaneamente ao surgimento do conceito de infância, surgem as formas diferenciadas de educação que irão preparar os filhos dos nobres para cargos e funções de mando, enquanto “o adestramento para os ofícios, a moralização e a fabricação de súditos virtuosos são os pilares sobre os quais se assenta a política de recolhimento dos pobres.” (1992:80) Do mesmo modo que a ideologia e a política dominante influenciam a educação geral, ministrada nas escolas, o ensino de arte tem refletido as influências pedagógicas, culturais e políticas nos diferentes períodos da educação brasileira. Embora os registros e estudos bibliográficos relacionados à nossa história educacional iniciem a partir da colonização, não podemos deixar de referir aqui a existência de uma cultura educacional anterior, que se desenvolvia entre os primeiros habitantes desta terra. Constituíam-se em aprendizagens integradas ao meio social e cultural, demonstrando profundo respeito pelo desenvolvimento humano e pela natureza, como podemos comprovar nesta passagem de Schaden (1993:39) a respeito da cultura Guarani no Sul do Brasil: A partir do descobrimento, os colonizadores europeus, majoritariamente portugueses, trazem consigo sua cultura e influências religiosas que tendem a predominar nas povoações brasileiras que vão se constituindo. Referindo-se à cultura missioneira do Rio Grande do Sul e à questão das origens de nossa dependência cultural, Trevisan (1995:10) nos diz que os jesuítas “estavam convencidos de que a cultura européia conquistara padrões universais, e que deveria ser transmitida aos 7 aborígenes, por uma questão não só de civilização, mas de caridade. Era necessário repartir com eles os bens espirituais e culturais que eles próprios tinham recebido.” Assim, no período que vai de 1549 a 1759, a educação brasileira está a cargo dos jesuítas. Estes priorizam as atividades literárias em detrimento das artes plásticas, talvez pelo preconceito com as atividades manuais e reforçam assim uma dicotomia entre o trabalho intelectual e manual. Preconceito compreensível na época, se nos referirmos ao aprendizado dessas artes que se davam nas chamadas “corporações de ofício, em cujas oficinas os filhos e aprendizes assimilavam as técnicas de seus pais e mestres". O estilo predominante nesse período é o Barroco que está em moda na Europa, principalmente em Portugal e que vêm carregado de religiosidade e de pompa, mas que no Brasil é recriado de forma original, autêntica e nacional. À semelhança dos espanhóis que desencadeiam saques e massacres de civilizações inteiras sobre os povos maias, astecas e incas, também Portugal necessitava de ouro e prata para intensificar seu comércio, indústria e acumular riqueza. Cerca de 50 anos depois de descoberto o Brasil, iniciaram-se as expedições em busca de ouro. Sua descoberta na região de Minas Gerais provoca o surgimento de cidades. Paralelo ao desenvolvimento dessas cidades, ocorretambém um grande desenvolvimento artístico, produzido por uma intensa religiosidade, grande fascínio pelo ouro e também um desejo de afirmação e autonomia que se manifesta na construção de oratórios, que evoluem para capelas e, posteriormente, vão dar lugar a suntuosas igrejas. A formação de artistas responsáveis por essas obras era feita em Minas. Segundo Brant (s/d. p. 25), os irmãos franciscanos fundaram em 1749 o Aprendizado Profissional de São Francisco de Assis: “Uma espécie de liceu, sem fins lucrativos e destinado à formação de candidatos vocacionais aos ofícios mecânicos, (...) que ensinava a arte da carpintaria, escultura, pintura, fundição, alfaiataria e olaria. Entre seus alunos figuraram artistas depois famosos, como o Aleijadinho, Ataíde e outros.” Em 1808, com a vinda da família real para o Brasil, D. João VI funda as primeiras escolas superiores no país. Traz a Missão Artística Francesa que passa a influenciar o ensino de artes, substituindo o Barroco Brasileiro pelo Neoclassicismo e 8 a concepção popular de arte por uma concepção burguesa. Barbosa (1982:15) esclarece que: O período seguinte, até 1901, foi de lutas contra a monarquia e a escravidão. A educação em geral, assim como o ensino de arte, situavam-se entre duas forças: o Liberalismo, de influência americana, e os Republicanos influenciados pelo Positivismo europeu, que dão grande importância ao ensino do desenho para as classes populares, no currículo das escolas primárias e secundárias. A partir de 1914 até 1927, surgem as primeiras influências da psicologia experimental na educação, os testes de QI e o uso de desenhos nos testes mentais. São desse período também os primeiros estudos sobre as características do desenho infantil. Em 1922, eclode o Movimento Modernista no Brasil. Alguns intelectuais como Mário de Andrade, Anita Malfatti e Osvald de Andrade, influenciados pelos movimentos modernistas que ocorriam na Europa, reúnem-se em torno de idéias inovadoras, com intenção de despertar, principalmente nos meios artísticos, uma consciência nacional, mostrando e valorizando aspectos da cultura brasileira, libertando-a da adoção das influências estrangeiras ou, pelo menos, recriando-as a partir dos valores e da cultura de nosso país. A partir de 1935 até 1948 aparecem os primeiros estudos brasileiros sobre a arte das crianças, na Universidade do Distrito Federal, sob a orientação de Mário de Andrade e influenciados por John Dewey. 9 A Pedagogia Nova ou Escolanovismo foi implantada no Brasil nos anos 30, aliás, como têm sido de forma sistemática, as pedagogias na educação brasileira: implantadas de outros contextos sócio-culturais, raras vezes construídas ou discutidas com nossos educadores. As origens da Pedagogia Nova no Brasil remontam ao final do século XIX, trazidas da Europa e Estados Unidos e influenciada por estudos da psicologia e da psicanálise. Alguns professores brasileiros, seguidores do filósofo americano John Dewey, apresentam uma ruptura com o tradicional ensino baseado em cópias de modelos e passam a valorizar os estados psicológicos das pessoas. Dewey trabalha com a idéia da “educação pela arte”, divulgada no Brasil por Augusto Rodrigues, um dos criadores da “Escolinha de Arte do Brasil”, influenciadas pelo filósofo Herbert Read e pelo educador Viktor Lowenfeld. O ensino de arte é centrado no aluno produtor, tem a função de liberar as emoções, cabendo ao professor o papel de propiciar um ambiente adequado para que o aluno possa expressar seu potencial criador. Para Fusari & Ferraz (1992:36) A Escola Nova perde a liderança educacional do país durante a ditadura de Vargas, ressurgindo em 1945 até 1958, durante um período de redemocratização do país. 10 De 1958 a 1963, há uma retomada na política desenvolvimentista. O Brasil vive um período de afirmação de um modelo nacional e na educação são marcantes as influências de Paulo Freire, que vão até o início do golpe militar em 1964. Na educação brasileira, segundo Barbosa ( 1982:21) “depois de 1964, instala-se o modelo tecnocrático, e predomina a preocupação pela quantificação com um sistema de controle e expansão." Nos anos 70, em plena ditadura militar, a reforma na educação brasileira através da nova Lei de Diretrizes e Bases, 5692/71, determina a obrigatoriedade da arte no currículo do Ensino Fundamental, e em alguns currículos do 2o. grau. Assim, Fusari; Ferraz (1992:37) esclarecem que: Depois de sancionada a Lei, verificou-se a inexistência de professores de educação artística para atender a demanda das escolas. Criaram-se então licenciaturas de curta duração (2 anos), que tinham a pretensão de formar um professor habilitado a lecionar artes visuais, música e teatro para os alunos do ensino fundamental. Complementadas com mais dois anos de licenciatura, este mesmo professor estava habilitado a trabalhar no ensino de 2o. Grau, atualmente Ensino Médio. Dessa política, resultaram professores que se transformaram em simples aplicadores de técnicas e atividades, sem uma fundamentação teórica aprofundada em qualquer uma das três áreas de conhecimento. Nos anos oitenta, dez anos depois da obrigatoriedade da Educação Artística nos currículos escolares, as práticas dos professores encontravam-se fragmentadas, completamente desvinculadas do mundo da arte e dos artistas, constituindo-se em uma mistura de educação tradicional, escola nova e livre expressão. As aulas 11 constituíam-se em uma sequência de técnicas para a realização de objetos decorativos, artesanatos, estudos de geometria, perspectiva e ou desenho técnico. Descoladas umas das outras, superficiais, essas "atividades" eram justificadas com objetivos que não eram claros nem ao próprio professor. Esse estado de coisas levou os professores a organizarem, em 1981, a Primeira Semana de Arte e Ensino, realizada na Universidade de São Paulo, com o objetivo de discutir a situação da Educação Artística no Brasil. A partir daí os professores começam a se organizar em Associações de arte- educadores nas diversas cidades, promovendo discussões, fóruns e simpósios para uma reflexão sobre a arte-educação. Esses movimentos propiciam a construção de uma identidade de grupo e, ao mesmo tempo, conseguem avanços teóricos que passam a se refletir nas práticas pedagógicas dos educadores. Surgem as primeiras organizações, como a Associação de Arte- Educadores do Estado de São Paulo - AESP - fundada em 1982. No Rio Grande do Sul, cria-se a Associação Gaúcha de Arte Educadores - AGA- com intensa participação das Escolinhas de Arte até 1985. Trata-se de um movimento articulado, com posicionamentos políticos claros. Posteriormente, a partir de 1986 há uma participação mais efetiva dos professores de educação artística que atuam nas escolas do ensino formal, buscando através desse movimento, que era essencialmente político, mudar algumas questões relacionadas ao ensino da arte na escola. A mudança dos rumos das discussões provoca um retraimento da participação das Escolinhas de arte nesse mesmo período. A Associação Gaúcha de Arte-educadores prosseguiu muito atuante principalmente no interior do Rio Grande do Sul, tendo como presidentes, Marly Meira, Marcos Vilela, Maria Benites, Alice Benvenutti, e coordenadoras como Suzana Rangel Vieira da Cunha, que atuou de 1983 a 1988 levando as discussões para os mais distantes lugares do Estado, através da realização de fóruns, simpósios e seminár. 12 Outras organizações foram surgindo e culminaram com a Federação Nacional de Arte-Educadores do Brasil – FAEB - em 1987, que passaram a discutir também os cursos de formação dos professores, já que, ao final dos anos oitenta ainda não existia no Brasil programas de mestrado e doutorado em arte- educação, com exceção da Universidade de São Paulo,onde havia o único programa de mestrado e doutorado em artes do país. Com a promulgação da Constituição em 1988, iniciam-se as discussões sobre a nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, sancionada em dezembro de 1996. Essa nova lei, através de uma Resolução do Conselho Federal de Educação, propõe a não obrigatoriedade do ensino da arte, educação física, e educação moral e cívica, através da substituição de um termo na Lei 5692/71. O resultado é que a disciplina de Educação Artística passa a ser retirada dos currículos ou diluída em outras áreas do conhecimento( Cunha, 1992). Esse fato provoca uma intensa mobilização dos arte- educadores que encaminham um documento à Assembléia Nacional Constituinte enfatizando a importância do ensino da arte, por possibilitar a ampliação das leituras de mundo e as relações entre a escola e a cultura. Graças à grande mobilização dos arte- educadores do país inteiro, consegue- se, a partir da Lei 9.394/96, tornar o ensino da arte um componente curricular obrigatório nos diversos níveis da educação básica, revogando as disposições anteriores. A pós-modernidade traz consigo a crise dos modelos vigentes e aponta para a necessidade de buscar alternativas de construção de um campo teórico capaz de orientar as práticas educacionais na área da arte-educação. Neste sentido as pesquisas e estudos desenvolvidos por Barbosa (1998:33) nos anos oitenta, trazem a experiência da Proposta Triangular. Para a autora, essa Proposta deriva de uma dupla triangulação: 13 A proposta foi sistematizada entre 1987 e 1993 e testada no Museu de Arte Contemporânea da USP, tendo sido experimentada nas escolas da rede municipal de São Paulo de 1989 a 1992, conduzida por Ana Mae Barbosa e posteriormente por Cristina Rizzi. As realizadoras desse trabalho o avaliam como uma experiência muito significativa e orientadora das discussões posteriores sobre o ensino da arte. Em 1989, inicia-se em Porto Alegre uma pesquisa financiada pela Fundação Ioschpe, em convênio com a UFRGS e a Prefeitura Municipal e coordenada por Analice Pillar e Denyse Vieira, com o objetivo de experimentar a Proposta Triangular a partir do uso do vídeo para a leitura da obra de arte. Os resultados otimistas obtidos nesta pesquisa resultaram na montagem de uma videoteca, doada pela Fundação Ioschpe e que seria sediada pela UFRGS. Esta deveria manter um serviço de empréstimo, assim como a produção de material de apoio para orientar o uso dos vídeos e a organização de cursos preparando professores para explorarem as diferentes possibilidades da leitura de imagens da arte. O Projeto Arte na Escola foi o nome escolhido para divulgar esse trabalho, do qual passaram a fazer parte os professores envolvidos na pesquisa assim como outros interessados em discutir a arte e a educação na escola. O “Arte na Escola”, através de Pólos Regionais, se estendeu a várias regiões do interior e também a outros Estados. Barbosa reconhece os equívocos causados por ter usado em seu livro “A imagem no Ensino da Arte", a denominação de “Metodologia Triangular”, “um apelido” dado por professores à Proposta, que causou muitas manifestações de protesto, principalmente entre os educadores de viés mais modernista. Publicações da autora nos anos 90/(1998) explicitam melhor as influências que contribuíram para constituir 14 a Proposta Triangular, considerando “metodologia” o modo como cada professor desenvolve seu trabalho em aula. Acreditamos que a preocupação e a crítica que se levantou em relação ao uso da Proposta Triangular no ensino de arte justifica-se, em parte, pela preocupação com a formação dos professores. Precária ou inexistente esta lacuna permite uma adesão a modismos, à repetição de técnicas e métodos, sem uma profunda avaliação de suas implicações, sem o conhecimento das bases teóricas e filosóficas dessas propostas, o que as leva gradativamente a um empobrecimento e uma deturpação. Estas preocupações são reconhecidas como pertinentes por Barbosa, ao tomar conhecimento dos resultados de pesquisas de Mestrado e Doutorado realizadas em várias regiões do país. Podemos citar o exemplo da utilização da “releitura” de obras de arte, pelos professores, um dos eixos da Proposta Triangular. A releitura tem sido um instrumento muito utilizado pelos profissionais da mídia e dos meios de comunicação na atualidade. Trata-se da utilização de imagens ou textos, principalmente da arte, que fazem parte do universo cultural da humanidade, para recompô-las e apresentá- las de outras formas ou em um contexto totalmente novo. Esta ressignificação de imagens ou textos em um contexto novo implica uma dimensão criativa e crítica, tanto da parte de quem elabora, quanto para quem lê, pois se utiliza do pensamento divergente, infelizmente muito rara no universo escolar, propondo várias respostas para um mesmo contexto ou pergunta. No entanto, a compreensão de releitura que muitos professores passaram a utilizar em suas aulas nada tinham a ver com a Proposta Triangular de Barbosa, (1998:35), para quem "leitor e objeto constroem a resposta à obra numa piagetiana interpretação da compreensão do mundo". A falta de fundamentação teórica de alguns professores fez com que passassem a usar em suas aulas, as reproduções de imagens da arte, propondo aos alunos a cópia dos mesmos, sem um estudo mais minucioso do artista, ou uma contextualização histórica, ou mesmo dos dados mais elementares da obra, chamando a essa atividade de releitura. 15 Vinculado ao "Projeto Arte na Escola”, surgiu o “Grupo Reflexão”, com a coordenação da professora Elizabeth Aguiar, que agregava inicialmente os professores participantes da pesquisa sobre a Metodologia Triangular, realizada em Porto Alegre, para discussões e trocas de experiência. Aos poucos passaram a fazer parte do grupo, outros educadores interessados em discutir a questão da arte na educação. Estes professores compreendiam a necessidade de discussões permanentes da Proposta e busca de adequações da mesma a cada realidade escolar. Os propósitos deste grupo, do qual fui fazer parte em 1992, eram de manter uma instância de discussão e reflexão sobre o trabalho desenvolvido na educação e na arte, realizando leituras, estudos e publicações de experiências que viessem contribuir para formação de professores. Os encontros desenvolviam-se na Universidade, com reuniões semanais e se constituíram em um importante espaço de formação entre os educadores até o ano de 1998. Neste mesmo ano, este espaço de discussão, reflexão e qualificação dos arte-educadores, que se revelou fundamental para a sua formação, foi encerrado por falta de continuidade nas políticas e incentivos que lhe davam sustentação. Em 1996, o MEC – Ministério de Educação e Cultura, divulga os Parâmetros Curriculares Nacionais em sua versão preliminar, para que sejam analisados pelas instituições de ensino superior e especialistas das diversas áreas da educação. O parecer sobre a versão preliminar, elaborado pela Faculdade de Educação da UFRGS, parte de um questionamento em relação à própria existência dos parâmetros que, em síntese, é o estabelecimento de conteúdos mínimos para o ensino fundamental, numa proposta de currículo nacional. Tratando-se de um país de dimensões continentais, de características muitos diferentes no que diz respeito à cultura, hábitos e condição econômica, tem sentido um currículo único? Outra questão diz respeito ao fato de os PCN terem sido estabelecidos por um número limitado de especialistas, em que estão ausentes as vozes dos professores do ensino Fundamental e Médio, assim como as de outros segmentos da sociedade, como sindicatos e movimentos sociais. Para a Faculdade de Educação da UFRGS “a 16 discussão deveria ser reaberta, numa situação de plena participação e pluralidade,em todas as fases decisórias.” (UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL, 1996) Barbosa (1997:13), em um Congresso da Federação de Arte Educadores do Brasil, faz várias críticas aos PCNs, referindo-se a alguns “equívocos teóricos” contidos no texto. Na sua opinião, o grupo que elaborou os textos fez um trabalho de boa qualidade teórica, mas diz que: Se por um lado, os parâmetros curriculares podem servir de referência para a constituição de políticas educacionais, há, por outro lado, uma distância entre a ação do professor de ensino fundamental e o que os parâmetros preconizam. Dificilmente o professor irá lançar mão dos parâmetros curriculares para nortear suas práticas pedagógicas. Se as proposições que constam dos parâmetros curriculares se constituírem em temas de estudo e discussão para os educadores, num processo de reflexão e análise crítica, aí sim poderão influenciar a prática pedagógica cotidiana. Porém, se usados simplesmente como receita, constituir-se-ão como uma listagem de conteúdos atualizada, contribuindo para reforçar o papel do professor como mero executor de atividades pensadas e consideradas importantes em outras instâncias, reforçando a dicotomia entre os produtores de teorias e aqueles que efetivamente exercem as práticas pedagógicas. 17 Fundamentos da disciplina de artes Todas as formas de expressão, todas as linguagens de comunicação são meios que despertam a imaginação das crianças. Portanto, Ferraz e Fusari (2009, p.72) acreditam que: Tudo que faz parte do meio ambiente da criança é preciso ser considerado pelo educador de artes para que assim ele possa elaborar sua metodologia de trabalho, como enfatiza as autoras Ferraz e Fusari (2009, p. 38) que “[...] a educação em arte não acontece no vazio, nem desenraizadas das práticas sociais vividas pela sociedade como um todo”. Portanto, o educador pode se espelhar no cotidiano dos educandos para preparar suas atividades educacionais, de forma que possa estimular a percepção baseando-se em elementos naturais ou culturais referentes à sua comunidade. A percepção pode ser desenvolvida através das observações, do ver, do sentir, do ouvir e do tocar, mas para ampliar a percepção, é necessário que observemos as situações: Partindo disso, a disciplina de arte deverá garantir que os educandos conheçam todas as diversas modalidades artísticas, para que possam compreender e atuar no mundo em que vivem como “agentes transformadores”. E o educador como mediador pode conduzir para uma nova compreensão da sociedade e garantir que os educandos tenham conhecimento dos processos mais importantes de nossa cultura. 18 Precisamos mostrar aos pequenos suas origens, suas contradições, e isso pode ser transmitido e ampliado através de obras artísticas, mostrando suas concepções sobre o ser humano, seus valores, e “[...] que os auxilie na descoberta de novos caminhos, bem como na compreensão do mundo em que vivem e suas contradições [...]” (FERRAZ e FUSARI, 2010, p.19). A disciplina de artes não é preenchimento dos espaços vazios, no entanto, ela deve ter uma relação de parceria entre as demais disciplinas. Para que haja essa relação não só na teoria, mas na práxis, é preciso que haja profissionais altamente competentes que lutam para romper com a ideia de que arte é preenchimento das horas vagas. Promover uma educação em arte não é apenas aderir aos métodos de “expressão livre”, mas promover a alfabetização estética em todo o contexto, “é ensinar a ver como se ensina a ler” (ROSSI, 2009). Esse é um princípio fundamental para a formação, pois, observar faz parte do processo de interpretação de mundo. Rossi (2009) ainda ressalta que as leituras de mundo interpretado por cada criança constituem em um rico universo a ser explorado. É necessário observar, analisar e julgar, pois para Rossi (2009), “o julgamento tem um relevante papel na construção do conhecimento em arte”. Julgar é criticar, apreciar e complementar a nossa compreensão estética, apreciar a beleza estética da vida a partir do nosso meio da nossa cultura. Para apreciar é preciso analisar e ver com bons olhos a essência da vida, do nosso meio natural. O desejo estético é despertado a partir do prazer de ver, analisar, criticar e julgar todo o conjunto, partindo da essência. As autoras Ferraz e Fusari (2010, p.58) enfatizam que a educação estética poderá “contribuir para a ampliação das habilidades já existentes, estabelecendo no processo educacional a ponte entre o fazer e o refletir”. No entanto, é importante salientar que cabe à disciplina de artes ampliar compreensão das diferentes formas 19 de expressão, conhecer as diversas manifestações culturais, a linguagem artística, a linguagem corporal, e as formas visuais. Esses elementos básicos fazem parte dos procedimentos educativos e poderão contribuir para a construção de valores da vida. Pois, a arte é um sistema de conhecimento do mundo. A atividade de desenhar contribui no processo de criar, inventar, e imaginar. É uma maneira que as crianças trazem para mediar o cenário do cotidiano com seus desejos, experiências e fantasias. Portanto, “ensinar a representar por meio de imagens é ensinar a reorganizar o mundo a partir do seu ponto de vista” (AROUCA, 2012, p.39). Assim, a arte de criar é relacionar a experiência do estudante com a linguagem artística. Segundo Arouca (2012), ensinar a ler imagens é ensinar a ler o mundo. Portanto, para ele “é extremamente importante estimular situações de leitura (de textos e imagens) e escrita nas aulas de arte”. Pois, esse processo de apropriação estimula novos olhares e fortalece o aprendizado não só da disciplina, mas do contexto histórico representado a partir de tal obra. Arouca ressalta também que: A expressão visual é parte de um processo de complementação da leitura das palavras. Ao preparar o estudante para ler imagens, o educador poderá organizar estratégias onde ocorra a interação da turma para que haja uma troca de informações e conhecimentos. Isso poderá estimular a socialização de diversos discursos, sejam interpretativos ou argumentativos. A arte e a contribuição para a formação humana Educação em arte é ter conhecimento de suas múltiplas linguagens, seus procedimentos e técnicas. Porém, as atividades precisam ser planejadas a partir de fundamentação artística, de modo que instiguem os estudantes a realizar 20 comparações, seja entre suas próprias produções ou de alguma obra apresentada pelo educador. Essa análise comparativa pode ser despertada a partir de intermédio de conversa, leitura de livros ou leituras visuais. Com isso, os pequenos poderão observar as características da obra, realizar questionamentos, expor opiniões e críticas sobre o objeto analisado. Essa atividade proporciona aos estudantes a possibilidade de formalizar conceitos, mas é necessário que o educador tenha conhecimento da importância desse conteúdo para a formação estética dos alunos. Cada linguagem artística possui sua particularidade no processo de ensino aprendizagem, sejam elas linguagens visuais ou teatrais. No entanto, o desenho, a pintura, o vídeo, a fotografia, a leitura (dentre outros) são elementos que compõem a linguagem visual. Essas diversas modalidades artísticas proporcionam aos estudantes um amplo conhecimento da disciplina de artes, troca de experiência, troca de saberes e informações, além de promover diálogo e a interação na turma. Assim, será despertada uma nova maneira de conhecer o mundo. Partindo desses aspectos da linguagem visual, é importante que o educador integre alguns procedimentos de produção e apreciação artísticas, pois apreciar é criar e imaginar. Importância do educador mediador de saberes É importante que o educador adquirisse práticas educativas que despertem nascrianças um ser crítico, cujo objetivo é o reconhecimento das diversas manifestações culturais que compõem cada comunidade e que é representada por diferentes estudantes, a autoconsciência de seu relacionamento e a convivência com a diversidade dos seres sociais, independente de raça, classe ou gênero. Despertar um ser crítico é fazer com que ele seja “um ser pensante” capaz de reconhecer no outro a si mesmo, um indivíduo apto para se adaptar às diversas 21 interpretações de mundo, e que saiba trabalhar coletivamente. É necessário ressaltar também a importância de educadores adotarem uma postura de mediador de saberes, e que também possam inserir em suas práticas pedagógicas novos métodos que ampliem o processo de ensino/aprendizagem, como projetos interdisciplinares, leituras de imagens, atividades lúdicas, teatro, desenhos, pinturas, dentre outros. Com essas atividades, é possível que: O lúdico é uma atividade incentivadora da prática estética. Porém, é necessário que adotemos esses elementos pedagógicos. Ferraz e Fusari (2009, p.129) apontam que a partir das atividades lúdicas: O processo de preparar aulas não seria apenas planejá-las, mas, transformá- las em algo prazeroso, um processo metodológico de educação libertadora com valores de mundo onde os sujeitos sejam instigados a mudar a realidade e criarem uma nova concepção de mundo pautada em outros valores. Portanto, segundo Galvão (2014, p.101), “isso significa que o planejamento das atividades escolares não deve se restringir somente à seleção de seus temas, isto é, do conteúdo de ensino, mas necessita atingir várias dimensões que compõem o meio”. O ensino de Arte e a sua finalidade a partir de seus segmentos 22 Assim como em qualquer outra disciplina do currículo escolar, Arte também exige planejamento. O planejamento das aulas é um dos quesitos fundamentais para o sucesso do professor no aprendizado dos seus alunos, pois, é através dele que se percebem os erros e acertos de suas aulas, além de possibilitar adaptações às formas de ensinar, conforme o aproveitamento da turma e do indivíduo. A partir dessa análise, o professor pode também se autoavaliar, observando e levantando suposições, buscando melhorar e proporcionar aos alunos um melhor aprendizado, além da satisfação pelo que faz. Nas palavras de Zabala, o planejamento é: Para que os conteúdos e atividades possam ser planejados, se faz necessária a prática da pesquisa. A pesquisa inicia no momento em que o professor estuda o currículo, sente as necessidades dos seus alunos e busca entendimento e suporte para apresentar novos conhecimentos. Para Paulo Freire todo professor é um pesquisador, afirmando que “faz parte da natureza da prática docente a indagação, a busca, a pesquisa” (1996, p.32), porém, é necessário que o professor se reconheça como tal para estar em formação permanente. Fusari também reafirma a importância do planejamento ao dizer que “nada substitui a tarefa de preparação da aula em si” (2008, p. 47). O planejamento, segundo a autora, é uma competência teórica do professor que busca meios de adequação pelos quais a sua turma terá mais facilidade e interesse pelo assunto, pensando também nas formas mais compatíveis de 23 assimilação e apreensão dos contextos visualizados. É fato que tudo começa pelo senso comum, pela cultura que cada um traz em sua bagagem pessoal ou pela curiosidade ingênua. Este é o ponto de partida da aprendizagem e deve ser encarado pelo professor como uma oportunidade para uma nova busca pelo saber, tornando o conhecimento ou acontecimento comum em um questionamento a ser sanado. Partindo deste ponto, a criança passa a absorver e a entender mais informações a respeito do que procura, o que torna essa curiosidade ingênua em curiosidade intelectual, daí o aprendizado. As aulas de Arte para a Educação Infantil e Anos Iniciais do Ensino Fundamental devem partir da soma da ludicidade com a instigação do interesse do aluno pelo conteúdo apresentado. É a união destes fatores que podem gerar no aluno a vontade pela prática, fazendo com que formule argumentos e questionamentos. Trata-se em instigar a curiosidade dos alunos para motivar a capacidade criadora. Segundo Freire: Neste sentido, o professor deve agir como mediador, estimulando o diálogo e práticas artísticas como expressividade e fruição dos pensamentos, a fim de que o aluno chegue a um senso de conhecimento e aprendizado. As ideias devem ser colocadas e a partir disso, deixar o educando exprimir o que sente e consequentemente causar uma movimentação na mente, considerando a possibilidade de participação e as particularidades de cada indivíduo. Freire, neste mesmo sentido, já relatava: No planejamento das aulas de Arte, o professor precisa levar em conta os quatro segmentos da arte (Artes Visuais, Dança, Música e Teatro), considerando que 24 todos são de grande importância e que com suas peculiaridades conseguem promover a expressão e a autonomia dos alunos. Além disso, é preciso considerar a faixa etária e o desenvolvimento dos alunos, apresentando atividades dinâmicas adaptadas ao nível em que cada turma se encontra. Mesmo sendo alunos pequenos, dentro de suas possibilidades perceptivas, eles conseguem apreender os conteúdos e refletir sobre aquilo que produzem. Acerca disso, Martins, Picosque e Guerra afirmam que a “arte é a linguagem básica dos pequenos e deve merecer um espaço especial, que incentive a exploração, a pesquisa, o que certamente não será obtido com desenhos mimeografados e exercícios de prontidão” (1998, p. 102). Nas Artes Visuais, é importante salientar que os objetivos principais são aguçar a imaginação, o conhecimento e a sensibilidade das crianças, por meio de obras de artistas conceituados e pelos desenhos e pinturas criados na escola. Isso os incentiva a serem mais criativos e posicionados, sabendo opinar e reconhecer os seus lugares no mundo. Segundo Moreno: Infelizmente, ainda nem todas as escolas desenvolvem um trabalho conveniente em matéria de arte. O Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil (RCNEI) indica que há “um descompasso entre os caminhos apontados pela produção teórica e prática pedagógica existente” (BRASIL, 1998, p. 87). Não considerando a relevância que a Arte possui no desenvolvimento humano, muitos professores a consideram apenas como um mero passatempo. O documento revela que “atividades de desenhar, colar, pintar e modelar com argila ou massinha são destituídas de significados” (IDEM), quando não, “outra prática corrente considera que o trabalho deve ter uma conotação decorativa, servindo para 25 ilustrar temas de datas comemorativas, enfeitar as paredes com motivos para os pais, etc.” (IDEM). Neste ultimo caso, os Referenciais apontam que “é comum que os adultos façam grande parte do trabalho, uma vez que não consideram que a criança tem competência para elaborar um produto adequado” (IDEM). Já para o Ensino Fundamental, os PCNs (BRASIL, 1997) indicam que no trabalho de Artes Visuais devem se relacionar aos conteúdos e às experiências os materiais, as técnicas e as formas visuais de diferentes momentos históricos. Precisam ser considerados diferentes tipos de visualidades, como as tradicionais (a pintura, a escultura, o desenho, etc.) e também as contemporâneas advindas dos avanços tecnológicos, como a fotografia, o cinema e a televisão. Segundo o documento, “a escola deve colaborar para que os alunos passem por um conjunto amplo de experiências de aprender e criar, articulando percepção, imaginação, sensibilidade, conhecimento e produção artística pessoal e grupal” (BRASIL, 1997, p. 45). Quanto à Dança, este é o segmento que unifica o pensar, o sentir e o movimento do corpo, fazendo com que a criança situe-se no espaço, note as suaslimitações e possibilidades, desenvolvendo o aspecto motor, a concentração e a espontaneidade. A dança permite que a criança se torne mais desinibida e participativa individual ou coletivamente, desenvolvendo a autonomia e o reconhecimento e respeito pela diversidade. Segundo Ávila e Silva, o ritmo, exigido na dança, “leva a ordenação do pensamento, e suas características de organização do tempo exigem das funções cerebrais maior agilidade e maior presteza” (2003, p.78). Assim, os PCNs afirmam que “a ação física é necessária para que a criança harmonize de maneira integradora as potencialidades motoras, afetivas e cognitivas” (BRASIL. 1997, p. 49), complementando que a escola ao possibilitar o entendimento 26 do corpo, leva o aluno a “usá-lo expressivamente com maior inteligência, autonomia, responsabilidade e sensibilidade” (IDEM). O segmento da Música permite aos alunos momentos de interação e sensibilização emocional, ativando a criatividade e o entendimento da realidade e do próprio ser em si, além da compreensão da atividade social na qual está inserido. Para Nogueira, a referência musical: A prática musical na escola pretende oportunizar à criança “vivências de tempo, duração de sons, por meio do acento dos movimentos, utilizando deslocamentos naturais, canções, percussão com instrumentos ou utilizando o próprio corpo, palavras e frases ritmadas” (PALLARÉS, 1981, p. 10). Isso, segundo Pallarés (1981), proporciona aos alunos desenvolver a afetividade, aguçar a capacidade de entender e reagir a mudanças e obter aprimoramentos na percepção, na comunicação e na atenção. A música objetiva propiciar e oportunizar o desenvolvimento dos alunos, desconsiderando as ações mecânicas que ocorrem ao se fazer uso de cantigas infantis conhecidas e decoradas para ocasiões peculiares da rotina escolar. Mais do que um simples “cantarolar”, o segmento da Música deve se constituir de atividades planejadas e contextualizadas com finalidades concretas. Os PCNs destacam que todos os alunos precisam “participar ativamente como ouvintes, intérpretes, compositores e improvisadores, dentro e fora da sala de aula” (BRASIL, 1997, p. 54). 27 Afirmam ainda que a partir do segmento musical, “a escola pode contribuir para que os alunos se tornem ouvintes sensíveis, amadores talentosos ou músicos profissionais” (IDEM). Do mesmo modo que ao incentivar a participação de eventos culturais que envolvem a música “pode proporcionar condições para uma apreciação rica e ampla onde o aluno aprenda a valorizar os momentos importantes em que a música se inscreve no tempo e na história” (IDEM). No segmento do Teatro, para que as expressões teatrais aconteçam, é necessário que o indivíduo libere “a sua presença de forma completa: seu corpo, sua fala, seu gesto, manifestando a necessidade de expressão e comunicação” (BRASIL, 1997, p. 57). Com o objetivo de que o teatro ocorra dentro da sala de aula, existe a necessidade de observar se a criança se adapta e sente atração pela atividade, pois, mesmo sendo um exercício de interação, pode persistir a inibição em participar. Havendo desconforto, deve-se então, ser trabalho lentamente o envolvimento de cada um. De início, é interessante inserir jogos teatrais e improvisos, que são espontâneos e considerados também como brincadeiras, além da contação de histórias, que envolve interação e não leva a nenhuma necessidade de exposição, mas somente de expressão. Conforme a evolução, tanto de faixa etária quanto de desenvoltura e sociabilidade, surgirão na prática teatral o cumprimento de regras e uma nova visão coletiva, ensinando também a contribuição da ação grupal. A partir disso, amparado em imaginações, saberes e emoções, o teatro promove aos alunos a análise e a compreensão de si próprios e de outros com quem convive além da percepção de sentimentos e valores, sendo que cada um se exprime nos próprios personagens que interpreta, mesmo sem a real intenção. Os Parâmetros Curriculares Nacionais, afirmam que o ensino teatral permite ao aluno: 28 Conforme podemos verificar, o ensino de Arte, com seus segmentos, possibilita o desenvolvimento de diferentes aptidões necessárias à vida do ser humano. É neste sentido que reiteramos a importância de a escola servir como base artística e dispor aos alunos aulas de Arte pautadas nas propostas curriculares dos documentos nacionais, dispondo de um ambiente propício às práticas artísticas. 29 REFERÊNCIAS AROUCA, Carlos Augusto Cabral. Arte na escola: como estimular um olhar curioso e investigativo nos alunos dos anos finais do ensino fundamental. São Paulo: Editora Anzol, 2012. 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