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7.1 Propriedades do jogo Nesse primeiro momento, iremos conhecer sobre o jogo e a brincadeira e como eles contribuem para que tenhamos momentos de prazer e alegria, tornando-nos mais descontraídos e vivendo melhor na sociedade de hoje. Conceitos e abordagens dos jogos Uma das mais clássicas obras produzidas sobre o jogo é Homo Ludens, de Johan Huizinga, que considera o jogo como algo que é anterior à própria civilização e que, portanto, necessita ser abordado com uma boa dose de reverência, isto é, com o devido zelo, e observado de acordo com suas relações históricas, culturais e sociais. Para ele: O jogo é uma atividade ou ocupação, exercida dentro de certos e determinados limites de tempo e de espaço, segundo regras livremente consentidas, mas absolutamente obrigatórias, dotado de um fim em si mesmo, acompanhado de um sentimento de tensão e de alegria e de uma consciência de ser diferente da “vida cotidiana”. (HUIZINGA, 1996, p. 33). Respeitando profundamente o pioneirismo de Huizinga e reconhecendo o valor de sua obra até os dias atuais, entendemos que a noção de jogo, ao longo dos anos, vem se transformando e se diversificando bastante. O jogo, desde suas primeiras manifestações, esteve imerso num ambiente muito dinâmico e de constantes modificações, quanto às suas definições, aplicações e dimensões. Alguns autores, entre eles Bruhns (1993), Freire (1989), Friedmann (1996) e Paes (1996), concordam com a ideia de que há muita controvérsia a respeito do jogo, especialmente sobre as noções de jogo, brincadeira, brinquedo, atividade lúdica e esporte. As fronteiras entre brincadeiras, lutas, danças, ginástica, jogo e esporte são muito tênues e permeáveis, permitindo uma grande aproximação e interação entre essas diferentes manifestações. Dessa maneira, segundo Brotto (2002), as distinções servem mais para uma exposição didática do assunto e menos a uma compreensão rígida e estanque sobre a dimensão lúdica da experiência humana. Definições e objetivos Jogo é uma atividade que apresenta regras, as quais são criadas por seu autor ou por um grupo de pessoas que o inventou. As regras são geralmente simples e podem ser alteradas de acordo com a situação do momento, faixa etária, material disponível, local para realização, entre outros. O objetivo dos jogos é geralmente dar prazer a quem joga; porém, eles são importantes para desenvolver algumas qualidades físicas como velocidade, destreza, força, coordenação motora, além de raciocínio lógico, concentração, memória, observação, sem contar com a sociabilidade e o espírito de grupo. Alguns jogos são individuais, porém a maioria é desenvolvida em equipes. Alguns deles utilizam materiais e outros não têm essa necessidade. Independentemente da forma, todos os jogos buscam contribuir com a educação e respeito mútuo; por exemplo, quando temos determinadas regras a serem seguidas, precisamos esperar nossa vez, respeitar os colegas de equipe e o adversário. No jogo podemos mudar as regras, adaptar o local, o número de participantes e improvisar o material. Já o desporto é diferente, por apresentar regras conhecidas mundialmente da mesma forma, as quais não podem ser alteradas em campeonatos oficiais. Tudo já é previsto nas regras oficiais que são publicadas pelas federações de cada esporte. Podemos utilizá-lo nas aulas e fazer algumas adaptações apenas como iniciação ou mesmo recreação. Como exemplo podemos citar, entre muitos: futebol, basquetebol, voleibol, handebol além de muitos outros esportes que são considerados oficiais. Sendo assim, podemos afirmar que quando jogamos entramos num mundo de ludicidade e não conseguimos deixar de mostrar nossa personalidade. De acordo com Johan Huizinga (1996), os elementos do jogo, são a livre atuação, a ausência do propósito concreto, a delimitação e a capacidade de reiteração. O instinto do jogo em crianças pequenas é um simples impulso de atividade, de ocupação com o próprio corpo (jogo funcional). A partir dos 2 anos de idade, elas começam a utilizar brinquedos e com isso a criar determinadas formas de jogo. Considera-se que o jogo serve para o desenvolvimento e a evolução das funções físicas e psíquicas da criança. Cada fase do desenvolvimento infantil apresenta formas de jogo concretas. A contraposição entre jogo e trabalho é de raiz social e cultural, não psicológica. Nos adultos, o jogo constitui uma atividade para espairecer ou divertir, que pode estar ligada a um esforço físico e que serve como liberação ante a opressão real ou como complemento da realidade mediante um mundo imaginário. Importância do jogo O jogo em sua prática mostra a importância do trabalho em equipe, além de desenvolver a concentração, percepções do ambiente, das estratégias do adversário, sem contar que desperta sentimentos de euforia, alegria, solidariedade e união. Em contrapartida, pode também estimular sentimentos negativos, dependendo da situação do jogo. Muitos jogos são de grande importância por contribuírem positivamente com o desenvolvimento das pessoas, movimentando os indivíduos, trazendo benefícios para comunidade. Alguns dos jogos estão diretamente ligados ao desenvolvimento corporal e intelectual, auxiliando ainda na mudança de comportamento de uma sociedade. Hoje em dia temos vários tipos de jogos; logo, é importante conhecê-los, para que possamos fazer nossas escolhas. Jogar é uma atividade natural do ser humano. Quando jogamos estamos envolvidos com sentimentos e emoções. Classificação dos jogos Os jogos são classificados de diferentes maneiras, segundo a visão de vários autores, dentre os quais podemos citar: Jean Piaget, Claparède e Wallon. Cada um deu sua contribuição para o estudo dos jogos com diferentes interpretações e objetivos. As principais classificações estão relacionadas à dificuldade de execução e às funções gerais. Para entender melhor, acompanhe a explicação a seguir: Quanto à dificuldade de execução: de acordo com Guerra (1984), ao classificar um jogo no que tange à dificuldade, temos: Grande: quando o jogo tem duração superior a 15 minutos, tem objetivos complexos e geralmente visam a noções de algum desporto. Por se tratar de jogo, não tem número limite, tanto pode ser jogado entre muitos ou poucos jogadores, dependerá do espaço disponível e do objetivo do profissional. Devem ser executados em espaços grandes, como por exemplo, quadras, campos ou pátios; Pequenos: são classificados como jogos pequenos os que apresentam duração rápida que varia até 10 minutos. O número de participantes é indiferente, podendo todos jogarem juntos ou mesmo divididos em times com diferentes formações. Quanto às funções gerais: os jogos apresentam diferentes funções, a saber: Sensoriais: trabalham os órgãos dos sentidos, percepção visual, auditiva e tátil, além da observação e memória. Não necessariamente devem ter jogadores sentados observando, podem ser bem ativos, com o objetivo de trabalhar o que for determinado em seu planejamento (BARROS; 1972); Motores: trabalham com bastantes deslocamentos, usando os movimentos naturais como: correr, pular, arremessar, lançar, pegar, subir, descer, além de movimentos criados pela proposta do jogo, cumprindo tarefas lúdicas. Desenvolvendo ainda a velocidade, resistência, destreza, força, entre outras qualidades físicas (BARROS; 1972); Recreativos: para Hurtado (1985), são classificados como recreativos os jogos que têm o objetivo, como o próprio nome diz, apenas de recrear ou de distrair as pessoas por meio de atividades integradoras; Intelectivos: são os jogos que desenvolvem principalmente, o raciocínio, a memória, a observação, a atenção e concentração, entre outras capacidades. Por exemplo, xadrez, dama, palavras cruzadas (HURTADO, 1985); Simbólicos ou dramatizados: são todos os jogos que desenvolvem a criatividade e espontaneidade, usando movimentos imitativos, gestuais, interpretativos e corporais (HURTADO, 1985); Pré-desportivos: são jogos que além de estimular as capacidades físicas e mentais do indivíduo, preparam para a prática formal de esportes individuais e coletivos.juntar-se com outra pessoa do grupo e amarrar seu balão no dela. Em outro sinal, formam-se grupos com quatro pessoas e amarram-se seus balões, e assim sucessivamente até formar um só cacho de balões. Todos deverão tocar nele e mantê-lo sempre no alto. O orientador da dinâmica deve dizer que cada balão está representando um componente do grupo, que eles devem manter o cacho sempre no alto como se estivessem apoiando seus amigos em qualquer situação, pois só unidos poderão vencer os obstáculos e chegar ao bem-estar para todo o grupo. A discussão sobre dinâmicas é ampla, já que elas podem ser aplicadas em diferentes situações. Para contribuir com esta nossa discussão, veja os principais mandamentos das relações humanas (Fritzen; 2001). São eles: · Fale com as pessoas. Não há coisa melhor do que uma palavra de saudação ou um sorriso amável; · Sorria para as pessoas. Para sorrir usamos 14 músculos e franzir a testa, 72 músculos; · Chame as pessoas pelo nome; · Seja cordial, fale e aja com sinceridade e faça as coisas com prazer; · Interesse-se pelos outros, você pode saber o que sabe, porém outros poderão contribuir com seus conhecimentos; · Seja generoso em elogiar e cauteloso em criticar. Líderes elogiam; · Saiba considerar os sentimentos dos outros; · Preocupe-se com a opinião dos outros. Comportamento de um verdadeiro líder: ouvir, aprender e elogiar.; · Procure apresentar um excelente serviço. O que vale na vida é o que fazemos para o outro. image1.jpegColaborando com esta nossa classificação, Guedes (2007) apresenta ainda mais quatro modelos de jogos. São eles: Salão: jogos que podem ser desenvolvidos em locais fechados, visando à coordenação motora fina, percepção e observação. Ex.: tangram, quebra-cabeças, entre outros do gênero; Competição: são aqueles jogos que visam à vitória; são ações individualistas e, nesta classificação, somente alguns dos indivíduos participantes são beneficiados pelos resultados; Cooperativos: são jogos que eliminam o confronto e estabelecem um objetivo comum. Neles o confronto é eliminado e jogam-se uns com os outros. Por exemplo, construir um mural com ilustrações do que mais chamou atenção do indivíduo durante sua visita à cidade; Estafetas: são jogos de levar e trazer ou contornar algum objeto após um trecho de corrida. Além de despertar o espírito competitivo, desenvolve também atividades em equipe, trabalhando agilidade e velocidade com variadas formas e movimentos, além de equilíbrio, coragem, velocidade e confiança. Formações dos jogos Os jogos podem ser desenvolvidos em diferentes formações. Para cada tipo existe uma formação específica; por exemplo, as estafetas geralmente são em colunas, os jogos sensoriais em círculos. As formações podem até variar, mas é importante destacarmos que alguns jogos não apresentam definição quanto a isso. Logo, podemos dizer que sua formação é dispersa. De acordo com Guedes (2007) as formas mais utilizadas nos jogos são: · Coluna simples, quando os participantes ficam um atrás do outro; · Coluna aos pares, quando os indivíduos se organizam um atrás do outro em dupla; · Fileira, onde um participante fica ao lado do outro; · Círculo com lado para dentro (esquerdo ou direito); · Círculo de frente para o centro ou de costas; · Semicírculo; · Círculos concêntricos, onde os participantes ficam organizados em círculos de diferentes tamanhos, sendo organizados em um círculo dentro do outro, voltados para o centro do círculo ou um de frente para o outro; · Moinho, quando os indivíduos são organizados em quatro fileiras partindo de um só ponto, todos no mesmo sentido como um cata-vento. O jogo pode acontecer em: hotéis, acampamentos, escolas, praças públicas, clubes, condomínios e todos os locais que possibilitem a prática de jogos. Em cada um desses locais podemos trabalhar diferentes formas e aplicações de jogos com diferentes faixas etárias. Aproveitando os jogos Para que possamos ter bons momentos de jogos, é bom lembrarmos de alguns aspectos essenciais ao sucesso deles, a saber: · Escolha um lugar onde você possa observar bem o desenvolvimento do jogo; · Nunca fique de costas para o grupo; · Explique e tire dúvidas sobre o jogo, para todos os participantes juntos; · Faça com que o período do jogo seja alegre, participe, incentive e sorria com o grupo; · Fale pouco e, naturalmente, faça acordos com o grupo; · Zele pelas regras. Elas devem ser obedecidas; · Qualquer regra só poderá ser mudada se combinada com antecedência com o grupo; · Para cada nova partida, escolha um novo líder, para que todos tenham a oportunidade de liderar; · Use sinais previamente combinados, para pedir atenção. Quando os jogos forem de formações diferentes, não misture as formações, trabalhe os jogos com formações iguais, como por exemplo: na sua aula tem um jogo de círculo dois jogos de coluna e 3 de fileira, não misture, faça todos de uma mesma formação e só depois troque por outra. O jogo nos permite mostrar quem somos; dessa forma, para o bom aproveitamento da atividade, devemos zelar pela educação, ou seja, não devemos permitir palavras desrespeitosas, mas precisamos ter claro que é impossível o grupo jogar sem risadas, torcidas ou incentivos aos participantes. 7.2 Sugestão de jogos Como conversamos até aqui, os jogos são de extrema importância para o indivíduo. Independentemente de sua classificação, cada um tem objetivo específico a fim de contribuir muitas vezes com a socialização do indivíduo. Guedes (2005) apresenta alguns modelos de jogos que podemos utilizar na nossa prática profissional, ou mesmo social. Jogos sensoriais Estou vendo uma coisa: Peça para uma pessoa do grupo escolher um objeto qualquer, mas sem contar a ninguém. Essa pessoa será considerada a líder e deve dar pistas ao grupo, como por exemplo: “estou vendo uma coisa verde”. O grupo deverá citar tudo que há de verde no local, até que acerte qual é o objeto que o líder está vendo. Quem acertar passará a ser o líder. Bom dia: Neste jogo você deve organizar todas as pessoas de mãos dadas em círculo, exceto uma que ficará dentro dele com os olhos vendados. Na sequência, peça que o grupo rode dizendo “o macaco da dona Maria só sabe dizer bom-dia”. Quando a pessoa do centro apontar para frente, o círculo para e quem estiver à sua frente deverá lhe dizer “bom dia”, normalmente, ou fazendo outra voz. Então, a pessoa do centro deverá descobrir quem está falando com ela. Se adivinhar, irá para a roda e outro ficará no centro em seu lugar. Meu pai tem uma loja: Para realizar este jogo, peça que todos sentem à vontade. Escolha um líder que dirá: “meu pai tem uma loja que vende B” (ele terá em mente alguma coisa com a letra B). Todos tentarão adivinhar o que é o B que o líder está pensando. Quem conseguir trocará de lugar com ele. O que está mudado: Deixe o grupo à vontade, mas retire um dos integrantes, o qual deverá observar todo o local e, em seguida, sair do ambiente. Nesse momento os demais farão algumas mudanças em seu entorno. A pessoa que saiu deve então retornar e descobrir o que está mudado. O meu amigo é: Para este jogo escolha um líder que deverá pedir que cada um do grupo escolha uma qualidade diferente para o seu amigo, e diga em voz alta: “o meu amigo é legal”, por exemplo. Instrua os participantes para que evitem repetir a qualidade que já foi dita. Jogos motores: Contando as bolinhas Para realizar este jogo é necessário: Formação: organize duas fileiras com números iguais de participantes, cada uma numa extremidade da quadra ou ambiente em que você esteja; Materiais: duas caixas grandes com bolinhas coloridas dentro; Desenvolvimento: dado um sinal (você combina antes como será esse sinal) cada fileira deverá correr para sua caixa e pegar quantas bolinhas conseguir, durante um tempo determinado. Ao tocar novamente o sinal os participantes devem retornar para seus lugares; Resultado: conte, em voz alta, o número de bolinhas com cada participante; Vencedor: vence aquele grupo que conseguir pegar o maior número de bolinhas no tempo determinado. Apanhar as bolas Para realizar este jogo é necessário: Formação: delimite uma linha de partida e organize uma fileira, atrás dessa linha, deixando no centro quatro pegadores; Materiais: várias bolas de tamanho médio, atrás da linha final; Desenvolvimento: ao sinal, todos atravessarão o pátio (ambiente pré-delimitado) com objetivo de pegar as bolas do outro lado. Os pegadores tentarão impedir tanto na ida como na volta. Depois todos voltarão até a linha de partida com o maior número de bolas que conseguirem pegar, sendo que quem for tocado por um dos pegadores, se estiver indo ou voltando, voltará para a linha de partida e, se estiver com bolas nas mãos, devolverá e só depois retornará à linha de partida; Vencedor: as bolas que forem apanhadas ficarão em poder do grupo. Ao final serão contadas quantas bolas o grupo conseguiu pegar. E ganha quem pegou maior número. Quem tem menos Para realizar este jogo é necessário: Formação: organizar duas equipes em números iguais de participantes; Materiais: será necessária uma bola para cada pessoa (de tênis, de jornal ou de soprar), uma corda ou rede para dividir o local do jogo, com altura de aproximadamente 1,50 m a 1,80 m, do chão; Desenvolvimento: ao sinal todos deverão arremessar suas bolas de um lado para o outro, inclusive as que vierem do adversário, porém todas deverão passar por cima da corda ou rede; Vencedor: dado um segundo sinal, o jogo para e serão contadas quantas bolas há em cada lado. Vencerá a equipe que tiver menosbolas em seu campo. Passeando de barco Neste jogo é necessário: Formação: organize a equipe em círculo; Desenvolvimento: escolha um líder e peça que todos os outros integrantes fiquem de mãos dadas. O líder dirá: passeando de barco o mar ficou muito agitado, o barco está balançando (peça que todos façam movimentos ondulantes com os braços), e para não afundar será necessário formar grupos de X pessoas. Neste momento todos se agrupam de acordo com o número pedido; quem sobrar ficará afogado, até que se formem novos grupos, nos quais ele poderá tentar entrar, retornando para o jogo. Tecelagem Para realizar este jogo é necessário: Formação: organize o grupo em duas colunas; Desenvolvimento: o primeiro da fila passa pela sua coluna entre os colegas como se estivesse costurando até o final e retorna por fora, toca no segundo, que deverá ir à frente e começar a costurar entre sua coluna, e assim sucessivamente até o último; Vitória: vencerá a equipe que terminar primeiro e executar corretamente o jogo. Colmeia Para realizá-lo é necessário: Materiais: duas bandeiras; Formação: duas colunas; Desenvolvimento: ao sinal, o último jogador da fila sairá correndo pela direita em direção ao começo da coluna, com a bandeira na mão. Ao retornar ao seu lugar, entregará a bandeira para o penúltimo; este passará por trás do último e irá até a frente contornando a coluna, voltará para o seu lugar e passará a bandeira para o jogador localizado à sua frente, até que todos façam esse mesmo percurso; Faltas: será considerada falta sempre que o participante não completar a volta, receber ou entregar a bandeira fora do lugar, ou passá-la a um jogador que não esteja imediatamente à frente; Vitória: ganhará o jogo a equipe que terminar primeiro e com menos faltas. Corrida em círculo Para organizar este jogo é necessário: Formação: organize duas equipes e peça que todos sentem em círculos; Desenvolvimento: dado o sinal, um jogador de cada equipe levantará, correrá em volta do círculo e, logo que sentar, o jogador à sua direita levantará e fará o mesmo, até que todos façam o percurso; Faltas: será considerada falta sempre que alguém levantar antes que o jogador que correu se sente, passe por dentro do círculo, ou que alguém entre no lugar errado; Vitória: vencerá o jogo a equipe que terminar primeiro e não tenha cometido nenhuma falta. Desde os primeiros momentos de nossas vidas temos a necessidade de brincar. Crescemos e essa brincadeira muitas vezes é uma competição, um jogo. Dos diferentes objetivos que o jogo permite, muitos estão relacionados à prática recreativa, que contribui por sua vez para a socialização do indivíduo. Portanto, é muito importante para você, realizar estas atividades com o grupo que estiver convivendo. 7.3 A brincadeira Já compreendemos os conceitos, as principais teorias, a importância e classificações dos jogos, agora falaremos um pouco sobre as brincadeiras. O que é brincadeira? Podemos considerar como brincadeiras todas as atividades com regras fáceis, flexíveis e informais que têm o objetivo de divertir. Figura 1 - Crianças brincando Fonte: Freepik Enquanto o jogo tem regras mais definidas, a brincadeira pode mudar a cada momento, com o objetivo de alegrar e distrair as pessoas. Brincadeiras devem, sem exceção, ser saudáveis, prazerosas e de qualidade para todo o grupo. Quem faz a cultura do brincar? Segundo Friedmann (2006), “ Na área prática, o brincar precisa deixar de ser um processo inconsciente, para ser trazido à consciência, como linguagem simbólica, essencial ao desenvolvimento do ser humano. Devem-se ampliar os limites do brincar, principalmente com relação a um tempo ou a um espaço pré-determinado. As atitudes do educador junto dos seus grupos devem passar a ideia de brincar não como “mais uma atividade”, definida em determinados horários e/ou espaços, mas, sim, como “atitude lúdica” a ser assumida em todas as propostas educacionais. É imprescindível divulgar e utilizar as diferentes culturas das várias regiões brasileiras, que traduzem seus respectivos valores por meio da linguagem transmitida pelos brinquedos e brincadeiras: dos artesanais, que ainda são criados pelas mãos de pessoas simples e sensíveis, até os industrializados, fabricados por interesses comerciais e não por objetivos lúdicos e educativos referentes a seu público-alvo. Com relação às brincadeiras, nosso país tem uma riqueza infindável do Norte ao Sul, determinando uma cultura lúdica ao mesmo tempo heterogênea, diversa e comum, pela influência das culturas europeia, africana e indígena. Assim como o tombamento de muitos monumentos materializam a história, o brincar constitui-se em um patrimônio lúdico da humanidade e, no nosso caso, da brasilidade: o conjunto de brincadeiras locais revela a linguagem cultural de cada região. A criança fala por meio do seu brincar. À guisa de conclusão, gostaria de colocar uma questão que me parece essencial para os rumos na área do brincar: a necessidade de nos voltarmos para a real distância e consequentes distorções entre as reflexões teóricas e os resultados das pesquisas na área, e as reais aplicações práticas de atividades lúdicas junto a crianças, jovens e adultos. Como são lidos e interpretados os estudos realizados, por aqueles que têm a responsabilidade do fazer? Existem, nas práticas, consciência e conhecimentos consistentes? As teorias não ficam engessadas em si mesmas, fora da realidade? “. Note que a autora se refere aos jogos como um grande colaborador para as pessoas no que se refere à convivência. Apesar de que quando estamos jogando entramos num mundo lúdico, que significa ilusão, mesmo assim isso contribui para nossa personalidade e convivência. Aprendemos a participar de equipe, conviver com outras pessoas, descobrir a importância da participação de cada elemento da equipe, além de seguirmos as regras determinadas. Porém não conseguimos mesclar nossa personalidade quando estamos em jogo. Sugestões de brincadeiras Brincar é essencial para toda e qualquer idade. Claro que na correria do dia a dia os adultos, principalmente, se esquecem da importância da brincadeira, da sensação de bem-estar que esta proporciona, para auxiliar a resgatar essa sensação apresentamos algumas sugestões: Adedonha: Esta brincadeira não tem número certo de participantes. O material é somente caneta e papel. Para iniciar, você deve selecionar itens para escrever com uma letra escolhida ou sorteada. Você pode indicar diversos itens como: nome, lugar, fruta, carro, entre outros. Marcamos um tempo para que todos escrevam e depois cada um vai falar o que escreveu de acordo com a ordem da tabela. A palavra que somente um jogador escreveu terá o valor de 10 pontos; se houver outra igual, valerá 5 pontos. No final da partida vence quem tem mais pontos. Corre cutia: Nesta brincadeira, todos ficam em círculo, com exceção de uma pessoa que fica fora com um lenço ou um pedaço de galho na mão, a qual vai andar em volta do círculo falando versos enquanto os integrantes do círculo vão respondendo. "Corre cutia – atrás da tia. Corre cipó – atrás da vó. Tem um cachorrinho chamado totó. Ele é bonitinho – de uma banda só. Corre Tereza – atrás da mesa. Corre João – atrás do pão." Após falar os versos, quem está fora deve colocar atrás de alguém o lencinho. Assim que a pessoa(criança ou adulto) perceber que o lencinho está nas suas costas, deverá correr atrás de quem colocou o lenço, em volta do círculo, para pegá-lo. Coelhinho sai da toca: Organize um círculo com pessoas em trios, nos quais dois integrantes serão a casa (toca) e um será o coelho. No meio do círculo, um coelho ficará sem casa (toca) e deverá comandar a mudança de lugares usando a frase: coelhinho da toca 1, 2, 3 e todos trocam de lugar. Quem estava no meio deverá também entrar numa casinha. Quem ficar sem casa vai comandar a brincadeira no meio. Brincar é essencial à saúde física, emocional e intelectual do ser humano, é altamente recomendado para manutenção da saúde mental das crianças e também dos adultos. 7.4 A importância das brincadeirasNesta aula conheceremos a origem e importância das brincadeiras e brinquedos no desenvolvimento humano, e na história da humanidade e qual é a influência e contribuição das brincadeiras no desenvolvimento da liderança, qualidades físicas como força, resistência, flexibilidade, além de estimularmos a percepção visual e tátil, a memória, a coordenação e principalmente a socialização. O histórico das brincadeiras As brincadeiras surgiram há muito tempo, quando as crianças brincavam na natureza e os adultos criavam brinquedos com recursos do próprio lugar onde viviam. Além disso, as crianças também brincavam por imitação: imitavam pássaros e outros animais, além de situações do cotidiano. No passado as crianças subiam em árvores, escorregavam nos morros com papelão, brincavam de pique de várias formas, entre outras brincadeiras, pois tinham mais espaço para brincar. Surgiram os parques nas praças públicas com escorregadores, balanços, rodas-gigantes (gira-gira), onde as crianças podiam brincar com prazer. Não é só a criança que precisa brincar. O brincar faz parte da vida do ser humano, faz com que as pessoas vivam melhor, com mais alegria e bom humor, além de contribuir com a saúde física e mental das pessoas. Algumas brincadeiras surgiram com as crianças observando a vida adulta, como brincar de casinha imitando as tarefas de casa, brincar de bonecas, de carrinhos, etc. Muitas brincadeiras são consideradas folclóricas, por não fazerem mais parte do cotidiano das crianças de hoje. Em alguns locais ainda vemos crianças brincando de amarelinha, de pular corda, de bola de gude, mas nem sempre elas têm essa oportunidade. As casas e quintais de hoje se tornaram menores e, com isso, o espaço para brincar tornou-se muito restrito, ficando a cargo muitas vezes da escola incentivar e reproduzir brincadeiras para seus estudantes. E não parou por aí. Tivemos o avanço da tecnologia, a qual permite que muitos brinquedos, de diferentes formas, precisem apenas que se aperte um botão para brincar. Até que ponto é bom esse tipo de brinquedo? Alguns estudiosos de brincadeiras perceberam que a vida atual traz muita agitação para as pessoas e começaram a pensar não só nas crianças, mas também nos adolescentes, jovens e adultos, e criaram jogos para esse público também, como o paintball e o boliche, por exemplo. Histórico dos brinquedos Os brinquedos surgiram há muitos anos e foram importantes desde aquela época para vida das crianças. As crianças africanas, por exemplo, já brincavam de bolinha de gude. Na Grécia antiga os brinquedos eram barquinhos, espadas de madeira e bonecas. Os fantoches faziam parte dos brinquedos na Idade Média. Muitos brinquedos eram fabricados em casa artesanalmente, no século XIX. Já no século XX ocorreu um crescimento na fabricação de brinquedos, os quais passaram a ser industrializados. Com isso começaram a aparecer algumas regras a serem cumpridas, por exemplo, especificação do tipo de material usado na confecção dos brinquedos, tipo de brinquedos proibidos para crianças menores de três anos (brinquedos muito pequenos), entre outras. Esse cenário de industrialização deu espaço também às embalagens, que no início eram de madeira, depois de papelão e, finalmente, de plástico, o que melhorou muito, dando a oportunidade de se produzirem rótulos com desenhos, pois até então era colocada somente uma etiqueta na embalagem. História de alguns brinquedos mais comuns Quem nunca teve um fascínio por determinado brinquedo? Existem brinquedos que ficarão para sempre em nossa memória. Vamos relembrar alguns deles? Bola: A bola surgiu há 6.500 anos. No Japão ela era feita de fibra de bambu; já na China, era feita de pelos de animais. Os gregos e romanos usavam bexiga de boi. Em 1894 o inglês Charles Miller trouxe para o Brasil a bola de futebol; porém, foi um brasileiro que percebeu a necessidade de a bola ter a cor branca e, com sua ideia, os jogadores puderam enxergar a bola à noite. Bolinha de gude: Ainda não é conhecida a data da criação da brincadeira das bolinhas de gude. Há registro que surgiu na antiguidade, quando eram usadas sementes de frutas e pedras arredondadas. O jogo era popular no Império Romano. À medida que foi passando o tempo, foram mudando os materiais das bolinhas, destacando-se entre eles a argila, as pedras como ônix e ágata, além de vidro. Foram encontradas as primeiras bolas de vidro em Roma no século I a.C. Pieter Brueghel, pintor renascentista, apresentou, em seu quadro intitulado Jogos Infantis, crianças jogando bolas de gude, em 1560. Figura 1 - Bolas de gude Fonte: Wikipedia Muitos brinquedos são destinados à clientela infantil, porém ainda podemos conhecer e pesquisar outros que atendem adultos e crianças, como por exemplo: o xadrez, o baralho, a dama, o gamão e entre outros. Futebol de botão: Quem nunca quis comandar um próprio time? Esta é a realidade deste jogo do qual você é o técnico, jogador, juiz, ou seja, é você quem decide as ações do seu time. Foi um carioca chamado Geraldo Décourt quem criou este jogo. Inicialmente utilizavam-se os botões das cuecas e, posteriormente, passou-se a usar os botões das calças de uniforme escolar. Hoje em dia temos tabuleiros específicos para este jogo. Figura 2 - Jogo de botão Fonte: Pinterest Bonecas: As bonecas, um dos brinquedos mais populares, existem há muitos anos. Acredita-se que elas passaram a ser um brinquedo no Egito antigo, há 5.000 anos. De lá para cá, vários foram os materiais usados para fazê-las: barro, pano, papel, louça. Até 1930, elas costumavam ser feitas por costureiras e artesãos. Mas, outras vezes, quem fazia mesmo eram as vovós, as titias e, nos dias de hoje, acompanhando a evolução e as tecnologias, elas são feitas de plástico resistente ou borracha. Figura 3 - Bonecas Fonte: iStock Photo Bambolê: O bambolê foi criado no Egito há três mil anos. Nessa época, era feito com fios secos de parreira de uva. As crianças egípcias imitavam com os bambolês as artistas que dançavam com aros em torno do corpo. O bambolê de plástico colorido, como conhecemos, surgiu nos EUA em 1958. Figura 4 - Bambolê Fonte: Freepik É importante que resgatemos a maneira de brincar utilizando brinquedos que estimulem a criatividade, a socialização e as atividades do dia a dia. 7.5 As riquezas do folclore brasileiro Nesta aula poderemos conhecer vários assuntos relacionados com o folclore brasileiro: brincadeiras, brinquedos, cantigas, trava-línguas, adivinhas e danças folclóricas. Vamos lá! O que é folclore? Sabemos o quanto o folclore brasileiro é rico. Evidenciamos comumente em cada parte do país semelhanças de todo o povo brasileiro. O Brasil apresenta uma diversidade muito grande nesse campo, do qual, entre as muitas influências podemos citar: africana, indígena e portuguesa. Com essas influências, temos um país com culturas diversificadas; por exemplo, as danças têm às vezes influências indígenas, outras vezes, africanas ou ainda, europeias. Evidenciamos ainda a beleza do povo brasileiro através das cores, das tradições, dos brinquedos e das brincadeiras, das músicas, das lendas, dos folguedos e muito mais. Em 1846 surgiu o termo "folklore" (folclore) criado pelo arqueólogo inglês William John Thoms, sob o pseudônimo de Ambrose Merton. O significado dessa palavra é: sabedoria do povo. Com isso toda história, música, brincadeira, crença, dança que foi surgindo através do povo, transmitida de pessoa para pessoa oralmente, pela comunidade de geração a geração, principalmente no interior, não tendo autor conhecido e tendo aceitação coletiva, é considerada folclore. O Dia do Folclore é comemorado com eventos e festas, no dia 22 de agosto. Muitas festas populares que ocorrem no mês de agosto possuem temas folclóricos como destaque e também fazem parte da cultura popular. Brincadeiras do folclore brasileiro Em cada região brasileira percebemos brincadeiras que muitas vezes fizeram parte de nossas vidas ou das de nossos antepassados. Elas podem apresentar-se com algumas mudanças em certas palavras, versos ou formações, porémtrazem a mesma essência. Muitas usam corridas, pegas, versos e estratégias para participação de todos. Alguns exemplos dessas brincadeiras são: Pega-pega: geralmente praticado por crianças, é uma brincadeira em que uma criança corre para tocar em outra. A criança tocada passa a ter que fazer o mesmo, ou seja, correr atrás das outras até pegar alguém; Esconde-esconde: nesta brincadeira o objetivo é se esconder e não ser encontrado pelo outro participante que está procurando; O caracol (Natal): aqui os participantes, geralmente crianças, são organizados em um círculo em espiral no chão. A criança vai pulando com um pé só de quadro em quadro, até chegar no “Céu”. Descansa com os dois pés e volta pulando. Se não errar, faz coroa, no quadro que quiser, podendo colocar os dois pés nele. Não pode pular várias coroas. Deve pular o quadro mais perto ou os dos lados. As coroas devem ser marcadas com flores, letras, etc. Vence o jogo quem fizer maior número de coroas. O Brasil é um país rico em folclore, com diferentes povos de variadas origens, que se tornou de uma riqueza cultural inigualável. Apresenta variadas brincadeiras que passam de geração a geração, além de ritmos, costumes, culinária, artesanatos e outros. Como a brincadeira é o nosso assunto neste momento, é importante que resgatemos as folclóricas para que todos possam vivenciá-las, uns relembrando da infância e outros conhecendo um pouco mais dessa riqueza brasileira. Brinquedos rimados, cantados e cantigas de roda As cantigas de roda, também conhecidas como cirandas, são brincadeiras que consistem na formação de uma roda, com a participação de várias pessoas, que cantam músicas de caráter folclórico, seguindo coreografias. As cantigas são muito executadas em escolas, parques e outros espaços frequentados por crianças. As músicas e coreografias são criadas por anônimos, que adaptam músicas e melodias. As letras das músicas são simples e trazem temas do universo infantil na maioria das vezes. Alguns exemplos de cantigas de roda e brinquedos cantados, são: Clique aqui para versão em Libras Transcrição do vídeo Samba Lelê Samba Lelê está doente Está com a cabeça quebrada Samba Lelê precisava De umas dezoito lambadas. Samba, samba, Samba ô Lelê Pisa na barra da saia ô Lalá. (bis) Ó Morena bonita, Como é que se namora? Põe o lencinho no bolso Deixa a pontinha de fora. Ó Morena bonita, Como é que se casa? Põe o véu na cabeça Depois dá o fora de casa. Ó Morena bonita, Como é que cozinha? Bota a panela no fogo Vai conversar com a vizinha. Ó Morena bonita, Onde é que você mora? Moro na Praia Formosa Digo adeus e vou embora. O cravo e a rosa Clique aqui para versão em Libras Transcrição do vídeo O cravo brigou com a rosa Debaixo de uma sacada O cravo ficou ferido E a rosa despedaçada. (continua...) O cravo ficou doente A rosa foi visitar O cravo teve um desmaio A rosa pôs-se a chorar. Capelinha de melão Clique aqui para versão em Libras Transcrição do vídeo Capelinha de Melão É de São João É de cravo, é de rosa, é de manjericão (bis) São João está dormindo Não me ouve, não Acordar, acordai Acordai João (bis) (Repete mais 1x) Brinquedos folclóricos Muitos brinquedos que conhecemos na infância fazem parte do folclore e vêm sendo passados de geração a geração. Nos dias atuais, nas grandes cidades ou regiões metropolitanas, as crianças muitas vezes não têm a oportunidade de conhecer esses brinquedos, ficando por conta da escola ou nas comemorações do dia do folclore fazer o resgate dessa cultura. Exemplos comuns desses brinquedos que fazem parte da nossa história do folclore são: Pipa: também conhecida como papagaio, é feita de varetas de madeira (bambu) e papel de seda geralmente bem colorido. Brincar de pipa implica empiná-la nos dias de vento, com linha. Geralmente são os meninos que brincam com ela. Figura 1 - Pipa Fonte: Freepik Estilingue: feito de galhos de árvore (formato de forca) amarrados a pedaços de borracha. Serve para acertar alvos. Figura 2 - Estilingue Fonte: Freepik Bolas de gude: feitas de vidro, são jogadas no chão de terra. O objetivo deste brinquedo é bater na bolinha do adversário com outra bolinha. Pião: feito de madeira, é jogado com um cordão que chamamos de fieira. Ela é enrolada no pião e este é jogado com força no chão, desenrolando. Figura 3 - Pião Fonte: Freepik Trava-língua É uma brincadeira que apresenta desafios na pronúncia de palavras parecidas, as quais podem ser difíceis ou até fáceis. O que vai caracterizar o trava-língua é a maneira como as palavras são colocadas nas frases e a velocidade da fala do texto proposto, que deve ser bem rápida e sem interrupção. Observe os exemplos descritos a seguir: O sabiá não sabia Que o sábia sabia Que o sabiá não sabia assobiar. O doce perguntou pro doce Qual é o doce mais doce Que o doce de batata-doce. O doce respondeu pro doce Que o doce mais doce que O doce de batata-doce É o doce de doce de batata-doce. Olha o sapo dentro do saco O saco com o sapo dentro, O sapo batendo papo E o papo soltando o vento. Bote a bota no bote e tire o pote do bote. O rato roeu a roupa do rei de Roma. Rainha raivosa rasgou o resto. Três tigres tristes para três pratos de trigo. Três pratos de trigo para três tigres tristes. O trava-língua é uma brincadeira que descontrai diferentes grupos de pessoas, isso poderá ser útil em inúmeras situações, para descontrair um grupo de pessoas tímido ou até mesmo tornar um momento mais alegre. Danças folclóricas Em cada região do Brasil encontraremos danças das mais variadas origens. Em algumas vamos encontrar influências africanas e indígenas; porém, em outras, influências europeias. As danças folclóricas representam manifestações do povo, que podem ter ligação com religiosidade, costumes do lugar, origem de outros povos, além de acontecimentos históricos. No Brasil a diversidade é realmente valiosa. De norte a sul encontramos muitas danças com origens africanas, indígenas e europeias; só vai depender da localidade e dos antecessores do lugar. O brasileiro é um povo criativo e muito festeiro, gosta de dançar, cantar e festejar; com isso, nos tornamos um povo rico em cultura popular. É importante conhecermos as danças para que possamos entender as origens brasileiras, além de enriquecer o nosso saber. Para tanto, selecionamos alguns exemplos, para você: · Samba: essa melodia é tocada com instrumentos de percussão acompanhados por instrumentos de corda. São eles: cavaquinho, violão, pandeiro, surdo, tamborim, tantã e cuíca. Existem vários tipos de samba: samba-canção, samba de gafieira, samba de breque, samba-choro, partido alto, exaltação, carnavalesco, pagode, entre outros. O samba tem grandes nomes, dentre os quais podemos destacar: Noel Rosa, Pixinguinha, Carlos Lira, Ivone Lara, Cartola, Alcione, Beth Carvalho, João Nogueira, Diogo Nogueira, Jorge Aragão, Alexandre Pires e Zeca Pagodinho. · Jongo: dança de terreiro, executada por tambores com tocadores sentados sobre eles. Participam homens, mulheres e crianças. Em um círculo único, um solista no centro, improvisa passos fundamentados em saltitos e bamboleios. Os demais participantes batem palmas e evoluem em seus lugares, enquanto vão respondendo ao refrão da cantoria tirada pelo solista. · Dança dos velhos: dança de pares soltos com homens e mulheres vestidos de velhos, com roupas fora de moda, bigodes de algodão, perucas e bengalas. As músicas são o alegro, marcha e fadinho. O acompanhamento é feito por pistom, saxofone, violão e pandeiro, além das batidas das bengalas no chão. · Quadrilha: dança típica da época de festa junina. Esta dança é acompanhada por sanfona e pandeiro. A música é bem animada, com compasso bem marcado como uma marchinha. Aqui, como se fosse um baile na roça, os participantes se vestem com roupas coloridas, sendo as mulheres com vestidos rodados e floridos e os homens com camisas xadrez e chapéus de palha. Geralmentequem puxa a quadrilha é o casal que representa os noivos do casamento caipira. Durante a dança, um cantador de quadrilha vai falando o que deve ser feito, e os dançarinos vão seguindo. · Capoeira: esta dança foi introduzida no Brasil pelos escravos. Na Bahia, a capoeira luta com o adversário, mas possui um aspecto particular e curioso, exercitando-se amigavelmente ao som de cantigas e instrumentos de percussão, berimbau, ganzá, pandeiro, marcando o aceleramento do jogo o ritmo dessa colaboração musical. A capoeira é mais frequente nos estados do Rio de Janeiro, Bahia e Pernambuco. · Frevo: é caracterizado por uma dança de rua e de salão em grupos, com marcha de ritmo frenético. Uma sombrinha é usada como adereço, para os dançarinos fazerem evoluções. Existem mais de 300 passos diferentes. · Balainha: conhecida também com o nome de arcos floridos ou jardineira, a balainha é desenvolvida com os pares de dançantes (sempre mulheres), cada um deles, sustentando um arco florido. Balainha é uma dança observada no litoral dos estados do Paraná e Santa Catarina. Perceba que as danças folclóricas são danças recreativas e tradicionais do povo e podem ser realizadas em grupo, dupla ou individualmente. Elas surgiram com a vinda de diferentes povos para o nosso país, entre eles os africanos e europeus sem contar com os indígenas que já estavam aqui. Adivinhas Podemos brincar e nos divertir muito com as adivinhas, buscando soluções para perguntas que são elaboradas de forma capciosa para que nos levem a pensar, além de ser uma brincadeira muitas vezes curiosa. São feitas através de versos ou frases, para que possamos descobrir a resposta. Vejamos alguns exemplos: Qual a diferença entre o estado do Paraná e a agulha? O Paraná tem Ponta Grossa e a agulha ponta fina. O que usa meia, mas não é sapato? Relógio. O que cresce quando tira a cabeça? Travesseiro. Sou papa, mas não sou de Roma, converso, mas não sou homem. Quem sou? Papagaio. Qual é o mês do ano que termina diferente? Abril. As adivinhas são criadas por pessoas e fazem parte da nossa cultura popular. Quem nunca brincou de adivinhar? 7.7 O brincar e o conhecimento Nesta aula poderemos ampliar o conhecimento sobre a importância do jogo para humanidade, descobrindo a história das brincadeiras, seus países de origem e curiosidades que irão contribuir no aprendizado. Histórico dos jogos Foi com as escavações arqueológicas que se encontraram diversos jogos que datam centenas de anos antes de Cristo (a.C). Mas a ideia de jogo só pode ser relacionada às primeiras brincadeiras que pais fazem com os bebês, ou mesmo as crianças quando brincam de pega-pega ou esconde-esconde, e tais jogos sempre existiram na humanidade como forma de educar o corpo e a mente para sobrevivência. É grande a diversidade de jogos que encontramos nos dias de hoje. Os jogos de tabuleiro vêm desde o início da civilização conhecida, os quais podiam ser feitos para a realeza, como o Jogo Real de Ur, ou como muitos conhecem como os jogos de mancala. Temos também os jogos de cartas, que cresceram durante a Idade Média e se popularizaram até o presente. Atualmente são os jogos eletrônicos que dominam o mercado. Foi descoberto entre 1926 e 1927 por Sir Leonard Woolley nas catacumbas do que hoje seria o Iraque, sendo sua origem datada de 2500 a.C., na Primeira Dinastia de Ur. Nas ruínas foram achados dois tabuleiros, e um deles está em exibição nas coleções do Museu Britânico, em Londres. O vídeo a seguir conta um pouco sobre a evolução dos jogos e brincadeiras através do tempo. Clique aqui para versão em Libras Transcrição do vídeo Para que servem os jogos Os jogos existem em diferentes modalidades e têm diversas funções. Segundo Fritzen (1999), o jogos servem para: · Integrar a pessoa ao meio social; · Desenvolver o conhecimento mútuo e participação grupal; · Buscar a convivência com colegas da mesma idade; · Desenvolver ocupação para o tempo ocioso; · Desenvolver a comunicação verbal e não verbal; · Desenvolver a adaptação emocional; · Adquirir hábitos de relações interpessoais; · Descobrir habilidades lúdicas; · Descobrir sistemas de valores; · Dar evasão ao excesso de energia e aumentar a capacidade mental. Sendo assim, podemos afirmar que a função do jogo é muito ampla e você precisa conhecer diferentes jogos e sua indicação para cada faixa etária, a fim de contribuir com o grupo no qual você esteja trabalhando. O jogo e a brincadeira como dimensões da linguagem humana Os jogos são de grande importância para a sociedade. Trazem em muitos momentos uma linguagem que se torna única nos eventos esportivos de grande porte, quando surgem diversas situações que levam as pessoas a se envolverem com o mesmo objetivo e a terem um comportamento de grupo. Desde muitos anos até mesmo a.C., os jogos têm o poder de unir os povos e nessas atividades todos se respeitam mesmo que sejam rivais políticos, religiosos ou de diferentes culturas. Cada um busca a glória sem interferir nos conceitos do adversário, defendendo com muita garra o seu grupo. Várias pessoas podem jogar umas com as outras sem falar a mesma língua, pois as regras nos esportes, por exemplo, são oficiais, isso quer dizer que no mundo inteiro valem da mesma forma, não havendo necessidade de interpretação através da língua falada, podendo porém ser utilizada uma linguagem de sinais para a comunicação. Os jogos, os brinquedos e as brincadeiras, fazem parte de uma cultura que precisa ser disseminada, passadas de geração a geração, de maneiras variadas, sem perder a essência. É importante que não se modifique o jogo para que ele possa se eternizar. Jogos de outras culturas Sabemos que cada povo tem sua maneira de enxergar o jogo; uns veem o jogo sob o ponto de vista social, outros, educativo, para a saúde ou simplesmente como recreação; alguns jogos são considerados até mesmo como cultura de um determinado povo. Sendo assim, precisamos ter consciência de que os jogos em geral são de grande importância para humanidade, pois fazem com que as pessoas se preocupem de uma forma ou de outra com o objetivo que eles (os jogos) vão levá-las a atingir, em qualquer parte do mundo. Agora que você já sabe da relevância dos jogos, vamos conhecer alguns praticados por outros povos. Assista ao vídeo a seguir que traz algumas práticas e depois explore os exemplos trazidos no texto. Clique aqui para versão em Libras Transcrição do vídeo Jogos de Moçambique Cheia Jogo para ser feito em local com areia. Divide-se o grupo em duas equipes, A e B, em fileira com aproximadamente 10m de distância de uma equipe para outra. Entre as duas equipes ficará uma garrafa e areia. Ao sinal, um jogador de uma das equipes correrá até o meio e tentará encher a garrafa; a outra equipe estará com uma bola e deve jogá-la no adversário a partir do terceiro passe; caso ele pegue a bola, deve jogar para longe e continuar a encher a garrafa. Quando conseguir, deve esvaziar e contar até 100 para marcar 1 ponto. Caso a bola toque no jogador que está enchendo a garrafa, este deve ser substituído por outro. Figura 1 - Jogo cheia Fonte: CRESTANI, Eliana L. 2021 Garrafa perdida Para este jogo é necessário organizar o grupo em círculo e solicitar que um jogador fique no centro com uma garrafa no chão. Este pede outro do círculo para indicar uma qualidade qualquer. O jogador do meio gira a garrafa e aquele para o qual a boca da garrafa ficar apontando receberá a qualidade escolhida. Homa Para esta brincadeira é necessário haver duas equipes, uma bola pequena e um pau para cada jogador (normalmente ramos de palmeira encurvados na ponta e duas balizas pequenas). O objetivo do jogo é jogar a bola na baliza do adversário. Figura 2 - Jogo homa Fonte: CRESTANI, Eliana L. 2021 Macothi Todos os jogadores devem se organizar em uma roda. No meio fica o dirigente do jogo, o Mbuie. Cada grupo tem o seu chefe, que é o mais velho do grupo e denomina-se de Lombue. Negação de impostos Para realizar este jogo é necessário ter uma área livre com dois grandescírculos desenhados no chão. Num ficará somente um jogador, que será o “sipaio” e no outro todos os outros jogadores que serão a “população”. O jogo tem um diálogo: Sipaio – meus amigos, venham cá! População – temos medo. Sipaio – medo de quê? População – do imposto. Sipaio – podem vir, não há problema. Todos os jogadores saem do círculo para o círculo do jogador (sipaio); quem ele tocar e for levado para o outro círculo terá que ajudá-lo a pegar os outros na próxima jogada. O jogo termina quando todos tiverem sido pegos. Brincadeira mexicana Pinhata A piñata é uma gamela cheia de balas e doces, toda enfeitada com papel e lantejoulas para ficar na forma de estrela. Esta estrela, a “piñata”, fica pendurada por uma corda, coloca-se um monte de balas dentro, e as crianças, de olhos vendados, têm que acertá-la com um bastão (com um cabo de vassoura) até que a gamela se rompa e as balas caiam. Figura 3 - Pinhata Fonte: Site Eu ando pelo mundo Brincadeira portuguesa Sirumba Para realizar esta brincadeira são necessárias três pessoas ou mais. Para iniciar devem ser desenhados (mareados) com giz no chão seis retângulos. Depois se escolhe quem vai ser o Sirumba. Se estiverem jogando poucas pessoas, só haverá um Sirumba, mas se estiverem jogando muitas pessoas, serão dois Sirumbas. Os que não são Sirumbas só podem andar nos retângulos. O(s) Sirumba(s) não podem entrar nos retângulos e têm que tentar pegar os outros. Quem for pego fica parado. Depois que o jogo acabar o primeiro que foi pego passará a ser o Sirumba. Figura 4 - Jogo sirumba Fonte: Site Jogos Tradicionais Brincadeiras australianas Down down down Esta brincadeira começa com uma bola de tênis (ou similar) sendo jogada continuamente de um jogador para o outro, até que alguém a deixe cair; então, você diz “down on one knee” (para a pessoa que deixou a bola cair ficar com um joelho no chão); na segunda vez que a mesma pessoa deixar a bola cair, você diz “down on two knees”; na terceira vez, “down on one elbow” (cotovelo); na quarta, “down on two elbows”; depois, é o queixo (chin) e então o jogador está fora! Stuck in the mud Nesta brincadeira uma pessoa do grupo deve tentar tocar nas outras o jogo inteiro. Ao ser tocada, a pessoa deve ficar “congelada”, sem se mover e com os pés separados. O único modo de “descongelar” é outra pessoa passar por entre suas pernas. O jogo continua até que todos sejam pegos e o último a ser “congelado” deve ser o próximo a ir atrás dos outros. Note que o jogo existe em diferentes localidades espalhadas mundo afora. O jogo é uma manifestação tão antiga quanto o próprio homem. A humanidade sempre jogou, e uma análise cuidadosa permite constatar que são muitas as funções do jogo que atribuem um estatuto privilegiado nos atos de preparação para a vida. Jogos chineses Weiqi ou GO (圍棋) Esse é um jogo estratégico em que dois jogadores devem "conquistar território" através de um tabuleiro com pedras brancas e pretas. O jogador que cercar a maior parte do território é o vencedor. As pedras devem ser colocadas nos cruzamentos do tabuleiro, uma vez colocada a pedra não pode ser retirada, exceto de ela perder a sua "liberdade". Ou seja, as pedras que são cercadas por pedras do adversário são eliminadas do jogo. Os territórios são somados pelas sequências de pedras da mesma cor. Figura 5 - Tabuleiro GO Fonte: Site Wikimedia Mahjong (麻将): Um dos jogos mais populares da China, as peças são posicionadas lado a lado e sobrepostas, com as faces voltadas para cima, para formar um determinado formato (mapa). A dificuldade do jogo varia de acordo com esse formato e, consequentemente, com o número de peças presente. O objetivo é usar as peças livres para formar pares e, assim, conseguir eliminar todas elas do jogo. Uma peça é considerada livre quando segue estas duas condições: 1. Não existe outra peça em cima dela; 2. Apresenta uma ou nenhuma peça ao seu lado (esquerdo ou direito) Xianqi ou Xadrez Chinês (象棋): O Xadrez Chinês, comumente confundido com a Dama Chinesa, pode ser comparado ao xadrez comum internacionalmente conhecido. Cada peça e seu movimento específico são utilizados para derrotar o oponente, mas o tabuleiro é diferente do xadrez tradicional que todos conhecemos, pois possui o desenho de um rio. Dessa forma, o tabuleiro configura-se, na verdade, como um campo de batalha, e as peças se referem a um exército, e não à nobreza, como no xadrez convencional. Figura 6 - Tabuleiro de xadrez chinês Fonte: Site Pixnio. Jogos Russos P‘yanitsa: Neste jogo podem participar de 2 a 4 jogadores. Geralmente, as crianças usam 36 cartas para este jogo, incluindo as que possuem figuras e as que vão do número 6 ao 10. No início, um jogador reparte as cartas viradas para baixo em quantidades iguais para todos os jogadores, depois cada um revela uma carta e o jogador que tiver a carta mais alta leva as dos demais jogadores e a adiciona a sua pilha. As cartas são valorizadas de acordo com os números de suas figuras, exceto quando um ás e um seis aparecem ao mesmo tempo, neste caso o seis sempre ganha, quando ocorre um empate, os jogadores devem revelar outra carta para determinar quem será o ganhador. O gato e os ratos Neste jogo podem participar 5 ou mais crianças, para começar o jogo uma criança é o gato e os outros são os ratos. O gato deve manter os olhos fechados enquanto os ratos falam e o desafiam para que ele possa os pegar, quando os ratos aplaudirem, o gato pode começar a tentar pegar os ratos. O primeiro rato que for pego torna-se o gato, e aí o jogo se repete. Cruzando linhas: Desenhe duas linhas separadas por uma distância de três a seis metros. Uma criança deve ser o líder e deve ficar entre as duas linhas. Atrás de uma das linhas ficam as outras crianças. O líder anuncia uma cor e então as crianças devem procurar a cor anunciada em suas roupas. Se encontrarem, mostram para o líder e correm para atravessar a outra linha. O líder tenta pegá-los, e o primeiro a ser pego fica em seu lugar. Figura 7 - Jogo cruzando linhas Fonte: CRESTANI, Eliana L. 2021 7.8 Jogos competitivos, cooperativos e eletrônicos Nesta aula, serão apresentadas as diferenças entre jogos cooperativos e competitivos, perceber a importância do uso da tecnologia nos jogos e conhecer o histórico dos jogos. Clique aqui para versão em Libras Transcrição do vídeo · · · · · Competição A competição está cada dia mais presente em nossas vidas. Para tudo que se faça, sempre estamos envolvidos direta ou indiretamente com ela. Em muitos momentos de nossa vida precisamos provar que somos os melhores, na escola, no trabalho, na família, enfim, em diferentes situações. A competição vem estimular algo dentro de nós que pode fazer com que superamos os obstáculos que jamais acreditávamos conseguir superar; porém, isso tem um preço muito alto, pois para competir é necessário entender que alguns vão perder e outros vão vencer. Os que vencem sempre serão bem vistos; e os que perdem, como serão vistos? A vitória é supervalorizada, nos tornando muitas vezes cegos à sociedade. Buscamos mais e até podemos ultrapassar barreiras, porém às vezes prejudicando o outro e vendo todos como adversários. É importante que aprendamos a competir para vencer obstáculos e as propostas que nos são oferecidas, mas sempre lembrando de valorizar os caminhos e as pessoas que contribuíram para a vitória. Sendo assim, podemos ver a competição como algo bom para o crescimento social, caso contrário não haveria evolução na sociedade em todos os sentidos. Para entender melhor esta nossa discussão, análise, por exemplo, dentro do esporte coletivo: temos ídolos famosos pelo bom desempenho, porém eles não se fizeram sozinhos; foi preciso uma equipe trabalhar junto com o mesmo objetivo para que eles se sobressaíssem e fizessem o nome. E assim acontece com todos nós. Portanto, os jogos competitivos são os que têm como principal objetivo obter a vitória, superando o adversário e utilizando estratégias que facilitarão atingir a meta proposta. Logo, eles podem causar rivalidade,euforia e sentimentos de derrota, provocando tanto a alegria quanto a tristeza, tanto a união quanto a desavença. São praticados em equipes ou individualmente dependendo da proposta. Competição e cooperação Segundo o professor Brotto (2002 p. 26), competição e cooperação são processos sociais e valores presentes no jogo, no esporte e na vida. Porém não representam, nem definem e muito menos substituem a natureza do Jogo, do Esporte e da Vida. Somente o melhor conhecimento desse processo pode oferecer condições para dosar competição e cooperação adequadamente. Para Brotto (2002, p. 27), a “cooperação é um processo onde os objetivos são comuns, as ações são compartilhadas e os resultados são benéficos para todos e a competição é um processo onde os objetivos são mutuamente exclusivos, as ações são individualistas e somente alguns se beneficiam dos resultados”. Corroborando com nossa discussão, Sobel (1983, p. 1) afirma que: O jogo cooperativo consiste em jogos e atividades onde os participantes jogam juntos, ao invés de uns contra os outros, apenas pela diversão. Através deste tipo de jogo, nós aprendemos a trabalhar em grupo, confiança e coesão grupal. A ênfase está na participação total, espontaneidade, partilha, prazer em jogar, aceitação de todos os jogadores, dar o melhor, mudar regras e limites que restringem os jogadores, e o reconhecimento que todo jogador é importante. O autor destaca ainda que “ninguém joga ou vive sozinho. Bem como, ninguém joga ou vive tão bem, em oposição e competição contra outros, como se jogasse ou vivesse em sinergia e cooperação com todos” (SOBEL, 1983, p. 59). Outro destaque importante feito pelo autor é que: Exercitando no Jogo e no Esporte a reflexão criativa, a comunicação sincera, a tomada de decisão por consenso e a abertura para experimentar o novo, todos podem descobrir que são capazes de intervir positivamente na construção, transformação e emancipação de si mesmos, do grupo e da comunidade onde convivem. (SOBEL, 1983, p. 63). Observe o quanto é importante para o professor Brotto a visão da competição e cooperação. Ele não apresenta a proposta de anular ou competir, porém orienta que deve haver um equilíbrio entre o competir e cooperar. É importante que saibamos o momento certo de chegarmos ao objetivo proposto, entendendo e participando sem perder a essência do jogar. Jogos competitivos e cooperativos Seria muito bom se todos nós pudéssemos ser mais cooperativos, pois a sociedade seria mais justa e teríamos mais união das pessoas. Se a competição apresentasse como foco mais humanismo, poderíamos ter o melhor desempenho em todos os setores da vida. Competir não deixa de ser importante, quando nos referimos à cooperação, ela contribui com as descobertas e evolução em vários setores da vida. Importante seria se pudéssemos unir as duas coisas, para que predominassem o bom senso, a amizade e a harmonia. Porém, no jogo não conseguimos segurar as emoções que ele nos leva a ter, além de nos deixar totalmente vulneráveis e, se percebemos, para nos proteger assumimos muitas vezes um comportamento que não nos é comum, às vezes agressivo demais para ultrapassar o obstáculo que estamos vendo diante do jogar. Se começarmos a pensar que todos nós precisamos uns dos outros em vários aspectos da vida, cresceremos no pensamento cooperativo, mesmo que tenhamos que competir. Observe: quando um jogo de profissionais termina, independentemente do placar, os jogadores se cumprimentam, trocam seus uniformes, entre outras gentilezas. Pense nisso! Jogos eletrônicos Os jogos eletrônicos surgiram em meados do século XX, quando estudantes de eletrônica testaram um jogo em um computador da época nos Estados Unidos, quando não havia computadores domésticos, e os que existiam eram bem grandes. Os jogos eletrônicos começaram a ficar populares nos anos 1970, quando surgiu o primeiro videogame. Na sequência foi lançado também um videogame programado para congelar o jogo e alterar o tempo de velocidade. Uma empresa chamada Atari também lançou jogos de fliperama para lanchonetes, assim como de robôs e jogos familiares. Posteriormente surgiu a Nintendo e foi criado um jogo com o nome de Mario. Houve uma grande expansão deste mercado quando os computadores começaram a ser produzidos por várias empresas do mundo, entre elas, a Sony, Panasonic, Sharp e outras. Apresentavam um melhor desempenho do que os videogames da época, na década de 80. Em meados da década de 1990 a Sony entra no mercado de jogos com o Playstation. Um dos jogos mais vendidos na década de 1990 foi o Super Mario da Nintendo. No final dessa década a Nintendo lançou um aparelho portátil colorido chamado Game Boy. No início do século XIX surgiu no mercado de jogos eletrônicos o Playstation 2; em contrapartida, a Nintendo lança o GameCube e continua investindo em Game Boy. Já a Microsoft lançou o Xbox 360 e ao final de 2006 a Sony lançou o Playstation 3, no Japão. Hoje os jogos eletrônicos são uma das maiores fontes de lazer do século XXI, já que estão cada vez mais fáceis de serem adquiridos. Podemos jogar em lan house ou até mesmo em nossas residências, nos aparelhos de videogame, no computador, no celular, etc. Esse avanço tecnológico dos jogos permite inclusive que possamos interagir com outras pessoas de várias localidades do mundo. O interesse por esse tipo de jogo não é somente de um tipo de pessoa ou faixa etária. Apesar de ser mais popular entre crianças, adolescentes e jovens, uma boa parcela de adultos vem se interessando por ele. Muitos jogos vêm contribuir com a socialização quando tratam de tarefas domésticas, de família, de trabalho ou mesmo de negócios, como, o jogo The Sims. Outros jogos tratam de batalhas medievais, mostrando estratégias de guerras, manutenção dos locais, conquistas de territórios, que simulam situações as quais contribuem com a cultura dos jogadores. Infelizmente são apresentados também jogos muito violentos, simulando roubos, atropelamentos, entre outros, os quais devem ser evitados. As tecnologias estão aí e vieram para ficar, logo, precisamos nos unir a ela e aproveitar o que pudermos, buscando conhecer o melhor tipo de jogo a ser utilizado nos momentos de lazer, sempre considerando a cultura e a faixa etária envolvida. Desde que foram criados, os jogos eletrônicos passaram e passam por diversas atualizações, acompanhando a constante evolução tecnológica. Assista ao vídeo a seguir em é trazida a história dos jogos eletrônicos e as suas diversas evoluções até a atualidade. Clique aqui para versão em Libras Transcrição do vídeo Sugestões de jogos competitivos e cooperativos Agora que já vimos as diferenças, potencialidades e restrições dos jogos competitivos e colaborativos, vamos conhecer alguns exemplos dessa prática. · O velho apressado: neste jogo é necessário: duas colunas, roupas, duas cadeiras e dois bastões. O primeiro jogador estará vestido com uma camisa, um boné, usará uma bengala (bastão) e deverá andar apressado até contornar a cadeira; quando retornar, deve passar a roupa e o bastão para o próximo da coluna e assim sucessivamente. Vencerá o grupo da coluna que chegar primeiro. Figura 1 - Jogo o velho apressado Fonte: CRESTANI, Eliana L. 2021 · Tecelagem: organize o grupo em duas colunas. Ao sinal, o primeiro da coluna deverá correr entre os componentes dela indo até o último e retornar ao seu lugar. O segundo passará pela frente do primeiro, irá até o final e retornará para o seu lugar. E assim até chegar ao final, contornando todos da coluna. Vencerá a equipe que conseguir terminar primeiro. · Corrida das habilidades: para este jogo há necessidade de duas colunas, duas bolinhas e quatro fundos de garrafas plásticas. Ao sinal, os primeiros sairão jogando a bola de um fundo de garrafa para o outro até um local de retorno determinado pelo instrutor do jogo. Votarão e entregarão ao segundo da coluna e assim sucessivamente.Vencerá quem chegar primeiro. Caso a bolinha caia no percurso, o jogador deverá partir de onde deixou a bolinha cair. Figura 2 - Jogo corrida das habilidades Fonte: CRESTANI, Eliana L. 2021 · Soldado herói: são necessárias duas colunas. Na frente de cada coluna, algumas tarefas. · 4 bambolês para passar pulando com os dois pés juntos; · 4 bambolês para passar por dentro (duas pessoas seguram); · 3 pneus e uma tábua (ponte) – para passar por cima; e · 1 cadeira para contornar ou sentar e contar até 3 (três) em voz alta. Cada um da coluna deve cumprir as tarefas propostas. Quem terminar primeiro tem que correr até a corneta que estará em cima de uma outra cadeira e tocá-la. · Socorra o amigo: os grupos devem ser organizados em trios, sendo que um ficará dentro de um lençol. Ao sinal, os outros dois deverão carregá-lo até uma determinada linha. · Estafeta cooperativa: os participantes devem ser organizados em duas colunas. Separe um lençol para cada quatro pessoas de cada coluna, duas bolas ou caixas, para os dois da frente, além de obstáculos para serem ultrapassados. Ao sinal, os quatro primeiros, devem segurar nas pontas do lençol os dois da frente segurando uma bola cada, ultrapassando todos os obstáculos, sempre segurando o lençol. Quando retornarem à coluna, mais quatro pessoas devem continuar até terminar o jogo. Vencerá quem chegar primeiro, porém sem soltar o lençol e as bolas ou esquecer de algum parceiro. · O voo da águia: em grupos, escolher um para carregar, fazendo movimentos ondulantes. Quem é carregado deverá abrir os braços. · Corredor cooperativo: são necessárias duas fileiras. As pessoas passarão no corredor e receberão elogios e abraços das que estão nas fileiras. À medida que passam vão trocando de lugar para que todos passem. · Amigos inseparáveis: os participantes devem formar duas colunas duplas de um lado do pátio e, em frente a estas, outras duas colunas, do outro lado. Ao sinal os dois primeiros deverão vestir uma única camiseta e cumprir o trajeto até o outro lado, passar a camiseta para a dupla à sua frente que voltará ao local de partida. E assim sucessivamente. Figura 3 - Jogo amigos inseparáveis Fonte: CRESTANI, Eliana L. 2021 7.9 Dinâmicas de grupo como atividades de lazer Na aula de hoje teremos a oportunidade de conhecer o conceito e o histórico das dinâmicas, diferenciar os tipos de dinâmica e entender o uso das dinâmicas como atividades de lazer. Mas, você sabe o que é lazer? Antes de tudo vamos explorar um pouco desse conceito nos vídeos abaixo. Bons estudos! Clique aqui para versão em Libras Transcrição do vídeo Clique aqui para versão em Libras Transcrição do vídeo Conceito e histórico de dinâmica Quando alguns estudiosos começaram a usar as dinâmicas, elas não apresentavam esse nome, eram apenas jogos e não tinham o objetivo de analisar comportamentos. Desde muito tempo na história, elas já apareciam, por exemplo, na Idade Média, quando surgiu a ideia de simulações de situações com jogos infantis de arco e flecha e cabo de guerra. Com o passar dos tempos, o interesse por essa prática foi aumentando, foram sendo observadas melhoras de rendimento e redução de estresse em trabalhadores que recebiam condições favoráveis para execução de suas tarefas. Considerando o cenário favorável dessa prática, hoje é de grande importância o uso de dinâmicas em diferentes setores da sociedade, sendo possível executá-las em grupos de trabalho, religiosos, adolescentes, jovens, adultos, amigos e família. Sendo assim podemos desenvolver as dinâmicas em todos os grupos dos quais participamos, desde que estejamos certos do que queremos desenvolver. Tipos de dinâmica Segundo Serrão e Baleeiro (1999), as dinâmicas podem ser de acordo com as temáticas, a saber: · Identidade: o nome próprio, quem sou eu, como me vejo/autoimagem; · Integração: semelhanças e diferenças, proximidade e distância, afinidades, confiança, etc.; · Comunicação: verbal e não verbal, escrita, ruído na comunicação, ouvir e falar, valores pessoais e familiares; · Grupo: como vejo o grupo, como o grupo me vê, liderança, limites individuais e coletivos, a construção do grupo; · Sexualidade: masculino e feminino, sexo e sexualidade, mitos e tabus, escolha sexual, gravidez na adolescência, etc; · Cidadania: ser cidadão, direitos e deveres, discriminação e preconceito, mitos e pobreza, responsabilidade social, valorização do saber social e produção da cultura; · Projeto de vida: meu presente/meu futuro, estabelecimento de metas, tomada de decisão, o papel da escola, escolha profissional e valorização da vida. Entendendo o uso da dinâmica Observando todos esses temas, vimos o quanto é importante a dinâmica para a vida das pessoas, podendo trazer o repensar em todos os sentidos, além de proporcionar a liberdade de expressão em grupo, sendo respeitadas e ouvidas, sugerindo saídas para situações que pareciam não ter solução. É muito bom poder entender o comportamento humano e o momento certo para trazer de volta as emoções, como a alegria e o bem-estar mútuo. As dinâmicas vieram para favorecer o conhecimento de pessoas e grupos, dando a oportunidade de observarmos cada um, desenvolvendo valores e atitudes que os levarão a uma boa convivência. Considerando a relevância da dinâmica, é importante que quem lidere as dinâmicas tenha alguns cuidados, tais como: · Planejar; · Ter objetivos; · Organizar o ambiente; · Preparar materiais com antecedência; · Ter equilíbrio emocional; · Ser imparcial; · Pautar-se pela ética; · Incentivar a participação de todos; · Conduzir o grupo a respeitar a opinião dos colegas; · Construir a união do grupo; · Ser educado com o grupo; · Verificar a origem do grupo com quem vai trabalhar; · Elaborar estratégias para a aplicação da dinâmica; · Trabalhar dinâmicas que tragam o repensar, a alegria e o prazer para o grupo. Sugestões de dinâmicas Considerando a diversidade existente de dinâmicas para serem trabalhadas em grupo, observe algumas sugestões que selecionamos para você. Em cada lugar uma ideia: Para realizar esta dinâmica é necessário dividir o grupo em quatro equipes, para que realizem as seguintes atividades: · Equipe 1: desenhará o coração. · Equipe 2: desenhará as mãos. · Equipe 3: desenhará a cabeça. · Equipe 4: desenhará o pé. A equipe que desenhar o coração, deverá escrever seus sentimentos em relação ao grupo. A equipe responsável por desenhar o pé, deverá escrever suas contribuições para o grupo com o seu caminhar. O grupo que desenhar as mãos, deverá descrever o que pode oferecer para o grupo. A equipe responsável por desenhar a cabeça, deverá relatar as ideias para conviver no grupo. A ilha: Nesta dinâmica cada participante deve ganhar uma folha de jornal e ficar em cima dela. Ao primeiro sinal, deverá sair de cima da folha e andar pelo local. Ao segundo sinal, terá que retornar para a folha; como já foram retiradas algumas folhas, os participantes terão que ficar uns juntos com os outros até que só reste uma folha; nesse momento, todos deverão ficar na mesma folha de jornal. Anel da sabedoria: para realizar esta dinâmica você deve organizar o grupo em círculo, com os participantes de mãos dadas, separá-los em pares, numerando-os 1 e 2. Quem recebeu o número 1 inclinará o corpo para dentro, e o 2, para fora. Uns devem confiar nos outros. Cadeira livre: Organize um círculo de cadeiras, deixando uma livre. Ao sinal, os dois integrantes próximos à cadeira livre a disputam; quem sentar dirá: “eu sentei!”, o próximo: “no jardim!”, o terceiro, como meu amigo, deve dizer o nome de alguém que sentará ao seu lado. Nesse momento ficará livre outra cadeira, e tudo recomeça. Central telefônica: Com o grupo em círculo, todos dançando vão passando um telefone. Quando a música parar, quem estiver com o telefone deverá responder a alguma pergunta do animador, que terá também um telefone. Dinâmica de balões: Nesta dinâmica cada participante recebe um balão vazio. Inicialmente é necessário enchê-lo para jogar sozinho. Ao sinal, é preciso