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1. Os gastos com políticas públicas relativas à educação, à saúde, à transferência de renda (bolsa-família, benefício continuado e outras) justificam a carga tributária atual no Brasil? O Brasil é um país com caraterísticas socioeconômicas e culturais continentais e isso desafia governantes e gestores a pensar em como arrecadar recursos para custear políticas públicas das mais diversas áreas, previstas pela própria Constituição como áreas de atuação do Setor Público, o que, enquanto população, muitas vezes não sentimos é se esses mesmos agentes políticos e públicos também pensam com o mesmo compromisso, em modelos de gestão eficientes capazes de comportar a distribuição da renda, a mitigação das falhas de mercado e a estabilidade econômica. Logo, a ausência do sentimento de responsabilidade fiscal com o recurso público pelos representantes do Povo, em conjunto com a falta de conhecimento da sociedade em compreender como funciona o financiamento de políticas públicas (não existe cafezinho de graça!) somadas a demora em reformas estruturantes (reforma previdenciária; reforma tributária; reforma do judiciário; reforma administrativa; reforma eleitoral, dentre outras...) faz com que enquanto sociedade não se aceite a atual carga tributária brasileira. Portanto, não é que a carga tributária não se justifique é como os recursos gerados por ela têm sido priorizados e direcionados para o crescimento e desenvolvimento, real, da Economia e População do País. 2. Um imposto sobre o consumo de um bem de uso massivo (por exemplo, produtos da cesta básica) é intrinsicamente. Considerando que um imposto sobre o consumo de um bem de uso massivo seria um tipo de imposto que afetaria a todos de maneira igual, ou seja, a ser cobrado de forma igual, em porcentagens iguais a todos os contribuintes, independente da sua renda, ou de seu poder aquisitivo, e os bens de uso em massa tendem a estar ligados ao consumo imediato, diário; contudo, considerar que a Cesta Básica tem a regressividade como característica não é correta, pois, as pessoas com renda inferior, tenderão a sentir mais a cobrança de tais impostos por conta da proporcionalidade da alíquota do imposto x renda familiar (orçamento). 3. A instituição de uma taxa de manejo de resíduos sólidos (taxa do lixo) pela Prefeitura da Cidade Alfa, usando o tamanho do imóvel como parte do critério para calcular o valor da taxa, trata-se de um tributo do tipo progressivo? A Característica da progressividade tributária está atrelada a compreensão do princípio do benefício que representa: quanto mais for o contribuinte beneficiado (pela oferta de bens e serviços) pelo Estado, maior deve ser sua parcela de pagamento do tributo. E considerando EXCLUSIVAMENTE esse entendimento (visto que é um assunto atualíssimo e com controvérsias jurídicas e orçamentárias, principalmente considerando que a capital da nossa Cidade recentemente a instituiu...) podemos dizer que é sim, a TAXA DE MANEJO DE RESÍDUOS SÓLIDOS trata-se de um tributo progressivo, pois há a presunção de que quanto maior for o imóvel, maior é a renda/patrimônio do proprietário que por sua vez possui maior capacidade contributiva, além disso, inclusive, sobre O USO DO CRITÉRIO TAMANHO DO IMÓVEL já tem entendimento pacificado, conforme súmula vinculante nº 29 do STF que prevê: “É constitucional a adoção, no cálculo do valor de taxa, de um ou mais elementos da base de cálculo própria de determinado imposto, desde que não haja integral identidade entre uma base e outra.” 4. Além da simplificação tributária, a reforma tributária aprovada em 15/12/2023 (Emenda Constitucional 132 oriunda da PEC 45-/19) trata também dos impostos regressivos, dos impostos progressivos e de novos tributos do tipo impostos sobre valor agregado (IVA)? As expectativas são que a reforma tributária traga resultados positivos para a economia, devido aos seus aspectos distributivos? Depois de 40 anos de discussão e expectativa iniciada ainda nos governos passados, finalmente, a reforma tributária foi aprovada em 2023. A Reforma trouxe como inovação a extinção de cinco tributos (PIS, Cofins, IPI, ICMS e ISS), sendo três deles, de competência da União (Programa de Integração Social (PIS), Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), um de competência dos Estados e Distrito Federal (ICMS) e um de competência dos municípios e Distrito Federal , o Imposto Sobre Serviços (ISS). Ainda sobre a EC 132/2023 há a previsão da progressividade aplicados aos impostos “Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) e Imposto de Transmissão Causa Mortis e Doação (ITCMD)” onde, para o IPVA haverá a previsão de pagar mais conforme o impacto ambiental do veículo. Quem polui mais, pagaria mais e para o ITCMD, a previsão de alíquota ser progressiva conforme o valor da transmissão; transferência do bem. Outra inovação trazida pela Reforma Tributária é o Imposto sobre Bens e Serviços – IBS, de competência compartilhada entre Estados, Municípios e Distrito Federal, e a Contribuição Social sobre Bens e Serviços – CBS, de competência da União, esses dois tributos, compõem o chamado Imposto sobre Valor Adicionado – IVA Dual, além disso, há previsão ainda para o Imposto Seletivo – IS, de competência da União, com natureza regulatória, para desestimular o consumo de bens prejudiciais à saúde e ao meio ambiente. Considerando os efeitos reestruturantes da Reforma Tributária no Governo, através do Federalismo Fiscal, há indícios da ampliação da rede de redistribuição de recursos, visto que está previsto a compensação de eventual redução dos montantes do Fundos de Participação dos Estados e do Fundo de Participação dos Municípios, em razão da substituição do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI pelo Imposto Seletivo, bem como compensação de valores destinado a compor o Fundo de Compensação de Benefícios Fiscais ou Financeiro-Fiscais do ICMS, de que trata o art. 12 da Emenda Constitucional nº 132. Quanto as expectativas da aplicação da atividade distributiva sob o ponto e vista dos representantes políticos, o Presidente da Câmara, Arthur Lira, acredita que a “reforma vai acelerar a economia, fortalecer o empreendedorismo, gerar milhares de empregos e mudar para melhorar a vida de milhões de brasileiros”¹. ¹Fonte: Agência Senado.