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Epidemiologia Introdução à Epidemiologia A epidemiologia é um termo de origem grega que significa “estudo sobre uma população”. Ciência que estuda o processo saúde-doença em coletividades humanas. Analisa a distribuição e os fatores determinantes das enfermidades, danos à saúde e eventos associados à saúde coletiva. Propõe medidas específicas de prevenção, controle ou erradicação de doenças. Constroi indicadores que sirvam de suporte ao planejamento, administração e avaliação das ações de rotina, em consonância com as políticas de promoção da saúde. Evolução Hipócrates (400 a.C.) cria o termo epidemia e ressalta a importância dos fatores ambientais na gênese das doenças. Teoria Miasmática de Hipócrates As doenças eram causadas por miasmas, ou seja, vapores ou emanações nocivas provenientes de matéria orgânica em decomposição. Teoria Humoral de Hipócrates e Galeno A saúde e a doença eram determinadas pelo equilíbrio ou desequilíbrio de quatro líquidos corporais, chamados humores. ● Sangue: associado ao coração e ao elemento ar. ● Fleuma: associado ao cérebro e ao elemento água. ● Bile amarela: associada ao fígado e ao elemento fogo. ● Bile negra: associada ao baço e ao elemento terra. Avicena (980-1037) pregava o registro sistemático e a abordagem numérica da ocorrência de doenças. Ele acreditava na importância da observação e da experiência direta no tratamento dos pacientes, descrevendo centenas de medicamentos e suas propriedades. Averrois (1126-1198) foi o precursor do higienismo. Discutiu a importância da higiene, do ambiente e da dieta para a manutenção da saúde e a prevenção de doenças. John Graunt (séc. XVII) quantificou os padrões de natalidade, mortalidade e a ocorrência de doenças através da identificação da existência de diferenças entre os sexos, distribuição urbano-rural, elevada mortalidade infantil e variações sazonais. William Farr (séc. XVIII) coleta e analisa sistematicamente as estatísticas de mortalidade na Inglaterra e no País de Gales. Pai da estatística vital e da vigilância. John Snow (séc. XVIII) estuda a frequência e a distribuição dos óbitos segundo a cronologia dos fatos e os locais de ocorrência, além de procurar outros fatores relacionados aos casos. John Snow e a Epidemia de Cólera Durante a epidemia, realizou uma investigação detalhada, com mapa das áreas afetadas. Através desse mapa, identificou o padrão da doença. Através da observação e coleta de dados, identificou a transmissão da doença pela água contaminada, com evidências de disseminação da cólera de pessoa a pessoa ou por fonte comum e a possibilidade da transmissão indireta por fômites. Introduz o conceito de fator de risco, como exemplo a falta de higiene, para a transmissão direta. Atribui a doença ao tempo, espaço e pessoa. Busca associações causais entre a doença e os determinados fatores de risco, examinando os fatos, hipóteses existentes e hipóteses específicas. Florence Nightingale introduz práticas sistemáticas de cuidado que enfatizam a higiene, organização e educação formal dos enfermeiros, reduzindo significativamente a taxa de mortalidade. Goldberger observou os surtos de pelagra e notou que a doença era mais prevalente em populações com dietas pobres em proteínas e ricas em milho, levantando a hipótese de que a doença era causada por um déficit nutricional. Doll & Hill estabelecem a associação entre o tabagismo e o câncer de pulmão através de um estudo de coorte longitudinal. Wade Hampton Frost assume a cátedra de Epidemiologia na Escola de Saúde Pública da Universidade Johns Hopkins. Considera a epidemiologia uma ciência quantitativa e metodológica, aplicando métodos estatísticos para investigar doenças e analisar os padrões de mortalidade e morbidade. International Epidemiological Association (IEA) Organização profissional, fundada em 1954, dedicada ao avanço da epidemiologia e à promoção da saúde global. Dedica-se ao estudo da doença na coletividade, incluindo os problemas como condições de habitação, saneamento, transporte, acesso à educação, entre outros. Objetivos da Epidemiologia 1. Descrever a distribuição e a magnitude dos problemas de saúde nas populações humanas. 2. Proporcionar dados para o planejamento, execução e avaliação das ações de prevenção, controle e tratamento das doenças. 3. Identificar fatores etiológicos na gênese das enfermidades. História Natural da Doença Conjunto de processos interativos que criam o estímulo patológico no meio ambiente, ou em qualquer outro lugar, passando pela resposta do homem ao estímulo, até as alterações que levam a um defeito, invalidez, recuperação ou morte. ● Meio externo: onde se desenvolvem todas as etapas necessárias à determinação da doença. ● Meio interno: onde ocorrem as alterações fisiológicas, bioquímicas e histológicas próprias da doença. Pode ser dividida em 4 períodos diferentes a partir dos períodos da doença ou em 3 períodos consecutivos pelos períodos patogênicos. Períodos da Doença 1. Período de latência 2. Período de incubação 3. Período infeccioso 4. Período sintomático Período de latência Tempo que se passa desde a exposição a um agente patogênico até o início da transmissão infecciosa. ● Assintomática ● Não transmissível Período de incubação Tempo que se passa desde a exposição a um agente patogênico até o início dos sinais e sintomas. ● Assintomática ● Pode ser transmissível ou não Período infeccioso Intervalo durante o qual a pessoa infectada pode transmitir o patógeno, podendo ser variada a depender da doença. ● Pode ser sintomática ou não ● Período transmissível Período sintomático Intervalo em que se apresenta sinais e sintomas até o início do desfecho da doença (recuperação, óbito, invalidez). Períodos Patogênicos O processo compreende 3 períodos consecutivos a partir do período patogênico: 1. Pré-patogênese 2. Patogênese 3. Desfecho Pré-Patogênese Envolvem os agentes patogênicos, os quais podem ser físicos, químicos, biológicos, nutricionais e genéticos. Os agentes patogênicos são os fatores que produzem os efeitos diretos sobre as funções vitais do ser vivo, perturbando-as, e assim produzindo a doença. Patogênese Compreende os 4 níveis de evolução da doença: 1. Interação agente-sujeito 2. Alterações bioquímicas, histológicas e fisiológicas. 3. Sinais e sintomas 4. Cronicidade Desfecho O desfecho da doença pode ser variado, incluindo a reabilitação, morte, invalidez, entre outros. Níveis de Prevenção Os níveis de prevenção podem ser definidos pelo período patogênico e no objetivo da intervenção. 1. Prevenção primária 2. Prevenção secundária 3. Prevenção terciária Prevenção primária Objetiva evitar o aparecimento de doenças e promover a saúde antes de qualquer manifestação da doença. Envolve o período pré-patogênico, com a promoção à saúde e a proteção específica. Promoção da saúde Envolve ações destinadas a manter o bem-estar, sem visar nenhuma doença específica. Proteção específica Envolve a vacinação, uso de equipamentos de proteção e controle de riscos ambientais, voltados para impedir o aparecimento de uma doença específica. Prevenção secundária Objetiva detectar e tratar doenças em estágios iniciais para prevenir a progressão da doença e reduzir os impactos negativos. Envolve o período patogênico, com o diagnóstico precoce e tratamento imediato e a limitação do dano. Diagnóstico precoce e tratamento precoce Envolve triagens e exames para detectar doenças em seus estágios iniciais, antes do aparecimento de sintomas. Limitação do dano/ incapacidade Consiste em identificar a doença, limitar a extensão das lesões e evitar as complicações, como o acesso facilitado aos serviços de saúde e tratamentos adequados. Prevenção Terciária Objetiva reduzir as complicações e melhorar a qualidade de vida de indivíduos com doenças crônicas ou avançadas. Envolve o período patogênico, com a reabilitação da doença. Reabilitação Programas para recuperar as habilidades e funções remanescentes, como fisioterapia. Envolve também o suporte psicológicoe social, que favoreçam a reintegração na sociedade. Causalidade A epidemiologia estuda a distribuição e os fatores determinantes (causas) das doenças. As explicações para os fatores determinantes mudam de acordo com a cultura e o momento histórico. Postulados de Henle-Koch Utiliza a teoria da unicausalidade, pois acredita que a doença é derivada de uma única causa. Para o microorganismos ser considerado patogênico: ● Deve estar presente em todos os casos da doença. ● Não deve ocorrer de forma casual ou patogênica em outra doença. ● Isolado do corpo e crescido em cultura pura, deve induzir a doença quando inoculado em suscetíveis. Modelo de Rothman Utiliza a teoria da multicausalidade, pois acredita que para a doença acontecer é necessário um conjunto de causas. Esse conjunto de causas podem atuar de forma independente ou interdependente para aumentar o risco de desenvolvimento da doença. Causa suficiente Presença de um conjunto específico de fatores pode levar inevitavelmente ao desenvolvimento da doença. Causa necessária Um fator pode ser necessário para a doença ocorrer, mas não é suficiente por si só. Modelo Ecológico Explora a interação entre o agente, hospedeiro e o ambiente (todos os fatores externos que afetam a interação entre agente e hospedeiro - pode incluir fatores físicos, sociais, econômicos, entre outros). Rede de Causas As redes de causa representam visualmente e conceitualmente como diferentes fatores causais estão interligados e como suas interações afetam o desenvolvimento de uma doença. Modelo Sistêmico Abordagem que considera a saúde e a doença como resultados de interações complexas entre diferentes sistemas e níveis de fatores, em vez de se focar apenas em causas isoladas. Determinantes Sociais de Saúde Referem-se às condições sociais, econômicas e ambientais nas quais as pessoas nascem, crescem, vivem, trabalham e envelhecem, que influenciam a saúde e o bem-estar. Critérios de Hill Envolve: ● Força da associação ● Consistência ● Especificidade ● Temporalidade ● Gradiente biológico ● Plausibilidade biológica ● Coerência ● Evidência experimental ● Analogia Força da associação Refere-se à magnitude da associação entre o fator de risco e a doença. Uma forte associação sugere uma maior probabilidade de causalidade. Consistência A associação deve ser aplicada em diferentes estudos, populações e condições. A consistência das evidências aumenta a probabilidade de uma relação causal. Especificidade Refere-se à medida em que a associação é específica para uma doença e um fator de risco. Se uma exposição está associada a várias doenças, a especificidade é menor. Temporalidade O fator de risco deve preceder o aparecimento da doença. A temporalidade é crucial para estabelecer uma relação causal. Gradiente biológico A relação causal é mais provável se o risco de doença aumenta com o aumento da exposição ao fator de risco. Plausibilidade biológica Deve haver um mecanismo biológico ou fisiológico que explique como o fator de risco pode causar a doença. Coerência A associação deve ser consistente com o conhecimento atual sobre a doença e o fator de risco. Evidência experimental A evidência de experimentos ou intervenções que alterem a exposição ao fator de risco e resultem em mudanças na frequência da doença podem fortalecer a evidência da causalidade. Analogia Comparar a associação com outras relações causais bem estabelecidas pode oferecer suporte adicional. Indicadores de Morbidade São medidas quantitativas usadas para descrever a frequência e a distribuição de doenças e condições de saúde em uma população. 1. Prevalência 2. Incidência Prevalência Permite estimar e comparar, no tempo e no espaço, a ocorrência de uma dada doença em relação a variavéis referentes à população, como idade, sexo, ocupação, entre outros. Atenção: os indicadores de morbidade e mortalidade podem ser multiplicados por 1.000, 10.000 ou 100.000, com exceção da letalidade, que é um percentual. A escolha deve levar em conta o total da população, ou seja, o valor escolhido não pode ser maior que o total da população. Prevalência pontual/ instantânea/ momentânea Frequência da doença em um ponto definido do tempo (dia, mês ou ano). Mede a proporção da população que apresenta a doença/ evento no tempo considerado. Prevalência por período ou lápsica Soma da prevalência pontual no começo do período especificado ou ao final do período anterior com todos os casos novos que ocorreram durante o período. Não leva em conta curas, óbitos e migrações. Incidência Significa a ocorrência de casos novos de determinada doença relacionados à unidade de intervalo de tempo. Intensidade com que estão surgindo novos doentes por dia, mês ou ano em determinada comunidade. 10n corresponde à base do coeficiente. Trata-se de uma unidade de referência que corresponde ao número de habitantes, sendo considerado um número arbitrário. Densidade de incidência Taxa média de ocorrência de uma doença na população exposta em um período de tempo. Pessoas-tempo (PT): soma dos tempos individuais de exposição. Número de pessoas multiplicado pelo somatório do tempo de exposição de todas as pessoas. Relação entre Prevalência e Incidência D: duração da doença Indicadores de Mortalidade Razão entre frequências absolutas de óbitos e números de sujeitos expostos ao risco de morrer. Taxa de Mortalidade Geral Nº de óbitos correspondentes a todas as causas em um determinado ano, circunscritos a uma área determinada, e multiplicando-se por 1000. Taxa de Mortalidade por Causas Calculadas mediante divisão do nº de óbitos ocorridos por determinada causa e a população exposta ao risco de morrer por qualquer causa. Mortalidade Infantil Calculado dividindo-se o nº de óbitos de crianças menores de um ano pelos nascidos vivos daquele ano, em uma determinada área, multiplicando-se por 1000 o valor encontrado. Neonatal precoce Óbitos de 0 a 6 dias em relação ao total de nascidos vivos por 1000. Neonatal Óbitos de 0 a 27 duas em relação ao total de nascidos vivos por 1000. Neonatal tardia Óbitos de 7 a 27 dias em relação ao total de nascidos vivos por 1000. Pós neonatal ou infantil tardia Óbitos de 28 a 364 dias em relação ao total de nascidos vivos por 1000. Mortalidade Materna Representa o risco de óbitos por causas ligadas à gestação, ao parto ou ao puerpério, sendo um indicador da qualidade de assistência à gestação e ao parto numa comunidade. Mortalidade Proporcional Razão entre dois conjuntos de óbitos, em que o numerador é composto pelos óbitos de uma determinada faixa etária e o denominador pelo total de óbitos ocorridos em uma dada população, em um período definido de tempo. Classificação do nível de saúde da população a partir do Indicador de Swaroop & Uemura Nível 1: RMP ≥ 75% - países desenvolvidos. Nível 2: RMP entre 50% e 74,9% - países com certo desenvolvimento econômico. Nível 3: RMP entre 25 e 49,9% - países com atraso no desenvolvimento. Nível 4: RMP 50 anos Coeficiente de Letalidade Razão entre o nº de óbitos devidos a determinada patologia e total de pessoas que foram realmente acometidas pela doença. Esperança de Vida Nº médio de anos que ainda restam para serem vividos pelos indivíduos que sobrevivem até a idade considerada. Para o cálculo da esperança de vida ao nascer, leva-se em consideração o risco de mortalidade infantil de um país ou região e todo o histórico de mortalidade de crianças, adolescentes, jovens, adultos e idosos. Coeficiente Geral de Natalidade Taxa de Fecundidade O índice de fecundidade corresponde ao número médio de filhos por mulher em idade fértil, que, por convenção, é considerada entre 15 e 49 anos. CadeiaEpidemiológica A deterioração dos recursos naturais e a produção de poluentes têm impacto na saúde, desencadeando efeitos em nível macro como o aquecimento global, que está produzindo uma redistribuição das doenças transmitidas por vetores. Essa redistribuição atribui-se também à urbanização, à intensidade do comércio e às viagens internacionais, ao desflorestamento e ao deslocamento populacional provocado pelos conflitos sociais, guerra e, até mesmo, ao clima. As técnicas para o estudo e investigação de doenças transmissíveis, não são totalmente aplicáveis às doenças crônicas. Para pesquisar um surto de gastroenterite infecciosa, a fonte de infecção é procurada nos dias prévios à ocorrência da doença. No caso das doenças crônicas, a exposição costuma ocorrer de 10 a 20 anos antes. Por outro lado, a magnitude dos efeitos da exposição no caso das crônicas costuma ser pequena e moderada. Enquanto as doenças transmissíveis tendem a ser graves. Conceito Doença transmissível é qualquer doença causada por um agente infeccioso específico ou seus produtos tóxicos, que se manifesta pela transmissão deste agente ou de seus produtos, de um reservatório a um hospedeiro suscetível, seja diretamente de uma pessoa ou animal infectado, ou indiretamente por meio de um hospedeiro intermediário, de natureza vegetal ou animal, de um vetor ou do meio ambiente inanimado. Fatores contribuintes para reemergência Sociais Empobrecimento econômico, conflitos civis, crescimento populacional e migração e deterioração urbana. Atenção à saúde Novos dispositivos médicos, transplantes de órgãos e tecidos, drogas imunossupressoras e uso massivo de antibióticos. Produção de alimentos Globalização de produtos alimentares, mudanças na preparação, processamento e embalagem de alimentos. Conduta humana Comportamento sexual, uso de drogas, viagens, dietas, atividades ao ar livre e uso de creches. Mudanças ambientais Desmatamento, reflorestamento, mudanças nos ecossistemas da água, inundações, secas, desastres naturais, fome e aquecimento global. Infraestrutura de saúde pública Restrição ou redução de programas preventivos, inadequada vigilância de doenças transmissíveis, escassez de pessoal preparado. Adaptação e mudanças microbianas Mudanças na virulência e produção de toxinas, desenvolvimento de resistência a drogas, micróbios como fatores associados a doenças crônicas. Tríade Epidemiológica Modelo tradicional de causalidade das doenças transmissíveis, onde a doença é o resultado da interação entre o agente, o hospedeiro suscetível e o ambiente. Cadeia Epidemiológica Compreensão de como os elementos se relacionam para que uma doença ocorra e das relações entre os diferentes elementos que levam ao aparecimento de uma doença transmissível. O esquema tradicional é a denominada cadeia epidemiológica, também conhecida como cadeia de infecção. O esquema procura organizar os chamados elos que identificam os pontos principais da sequência contínua da interação entre o agente, o hospedeiro e o meio. Sistema cíclico através do qual um agente etiológico é eliminado da fonte de infecção e atinge o hospedeiro susceptível. Componentes da Cadeia Epidemiológica Agente causal específico É um fator que pode ser um microorganismo, substância química, ou forma de radiação, cuja presença, presença excessiva ou relativa ausência é essencial para a ocorrência da doença. Um dos fatores responsáveis pela doença. Com ele a doença se desenvolve (mas só ele, não resulta, necessariamente, na doença). Pode ser um agente biológico (fungos, vírus, bactérias) ou não biológico (químicos e físicos). Hospedeiro Pessoa ou animal vivo, incluindo as aves e os artrópodes que, em circunstâncias naturais, permite a subsistência e o alojamento de um agente infeccioso (permite o agente se multiplicar e ser eliminado). Às vezes o hospedeiro (ele elimina, transmite, sendo a fonte de infecção) pode ser: ● Doente ● Portador Doente Doente típico é aquele que manifesta sinais clínicos típicos da doença. Doente atípico é aquele que manifesta sinais clínicos não clássicos ou pouco característicos da doença. Doente em fase prodrômica é aquele que manifesta sinais clínicos de início da doença, que não são suficientes para caracterizar a doença. Portador É um hospedeiro vertebrado que está albergando e eliminando o agente etiológico, em ausência de sinais típicos da doença (assintomático). Portador em incubação corresponde ao hospedeiro vertebrado que é capaz de eliminar o seu agente etiológico durante o período de incubação (tempo que transcorre desde a infecção até a apresentação dos sintomas) de uma determinada doença. Portador convalescente corresponde ao hospedeiro vertebrado que continua eliminando o seu agente específico, mesmo após a recuperação da enfermidade que o acometeu. Portador são ou sadio corresponde ao hospedeiro vertebrado que não apresenta manifestações clínicas da doença e tão pouco se encontra no período de incubação da mesma, entretanto é capaz de eliminar o agente etiológico. Reservatório Ser humano, animal, artrópode, planta, solo ou matéria inanimada, onde normalmente vive e se multiplica um agente infeccioso e do qual depende para sua sobrevivência, reproduzindo-se de forma que possa ser transmitido a um hospedeiro suscetível. O reservatório pode ser humano ou extra-humano (animais infectados). Portas de eliminação do agente É a via através do qual o agente etiológico abandona seu hospedeiro para alcançar o meio exterior e, assim, um novo hospedeiro suscetível. Podem ser carcaças de animais, leite, sangue, secreções, urina, fezes, entre outros. Modo de transmissão do agente Elemento vivo ou inanimado que pode levar o agente etiológico até um novo hospedeiro suscetível. Transmissão direta precisa existir contato físico entre a fonte de infecção e o suscetível. Transmissão indireta não há contato físico direto entre a fonte de infecção e suscetível, sendo necessários alguns fatores ambientais para colocar o agente e o suscetível em contato, como objetos ou materiais contaminados ou por um vetor. Portas de entrada no hospedeiro Local de penetração do agente etiológico no novo hospedeiro. Hospedeiro suscetível É todo hospedeiro vertebrado que é susceptível à infecção por um determinado agente etiológico e pode se tornar uma futura fonte de infecção Patogenicidade da doença Importância Entender a cadeia epidemiológica é importante para aplicar medidas de prevenção de doenças adequadas e de controle adequado e eficaz de doenças. Tipos de Estudos Antes de iniciar uma pesquisa, é preciso definir a população de estudo, o tamanho da amostra, o delineamento do estudo e o método de seleção dos participantes. O eixo estruturante da pesquisa epidemiológica se refere ao tipo operativo da pesquisa. Pode-se classificar ainda de acordo com o posicionamento do investigador, e segundo a dimensão temporal do estudo. Tipo operativo da pesquisa Individuado: O pesquisador coleta os dados de cada sujeito individualmente. Geralmente são realizadas entrevistas com uma amostra da população. Agregado: Os dados são referentes à área geográfica bem delimitada (países, estados, municípios, bairros, regiões). O pesquisador acessa os dados por meio de um sistema de informação. Não são feitas entrevistas individuais. Posicionamento do investigador Observacional: O pesquisador só observa. Não faz nenhum tipo de intervenção. Intervenção: O pesquisador faz alguma intervenção. A ação do pesquisador influencia o resultado da pesquisa. Exemplo: teste de novos medicamentos e novas técnicas cirúrgicas. Dimensão temporal do estudo Transversal: O estudo revela um “retrato” da população em um momento específico. A coleta de dados é feita apenas uma vez. Longitudinal: O estudo é feito durante um período que possibilita acompanhar a evolução no tempo. Estudos ecológicos São agregados, observacionais e transversais. Abordam áreas geográficas bem delimitadas. Podem ser classificados como: ● Investigações de base territorial (bairros,distritos, estados, países e continentes). ● Estudos de agregados institucionais (fábricas ou empresas). Exemplo: Correlações entre indicadores socioeconômicos e ocorrência de neoplasias através dos dados do Registro Nacional de Patologia Tumoral em 23 estados brasileiros no ano de 2009. Vantagens: Fácil de executar, baixo custo, simplicidade de análise dos dados, capacidade de geração de hipóteses. Desvantagens: Baixo poder analítico e vulnerabilidade à “falácia ecológica” (deduz informações sobre indivíduos a partir de um grupo). Estudos de tendências ou de séries temporais São estudos agregados, observacionais e longitudinais. Subtipo do estudo ecológico. Estuda uma mesma área ou população investigada em momentos distintos do tempo. Exemplo: Avaliação das tendências de mortalidade infantil em Cuba durante o período de 1977 a 1986. Ensaios comunitários São estudos agregados, intervencionistas e longitudinais. Tomam como unidade de observação e análise os agregados ecológicos ou institucionais, e que incorporam alguma intervenção de alcance coletivo. Exemplo: Efeitos de uma inundação ou seca na vida da população de uma cidade, ou o estudo de Snow para esclarecer as causas da cólera. Estudos seccionais São estudos individuados, observacionais e transversais. Investigações que produzem instantâneos da situação de saúde de uma população com base na avaliação individual do estado de saúde de cada um dos membros do grupo. Vantagens: Baixo custo, alto potencial descritivo, simplicidade analítica. Desvantagens: Vulnerabilidade à seleção incorreta da amostra e inadequado para testar hipóteses causais. Subtipos ● Estudos de grupo em tratamento ● Inquéritos na atenção primária ● Inquéritos domiciliários ● Estudo multifásico Estudos de grupo em tratamento Estudo de grupos de pessoas que estão em tratamento em determinada instituição. Utiliza como fonte dos dados os registros (prontuários) dos pacientes. Utiliza dados de fontes secundárias. Inquéritos na atenção primária A coleta de dados pode se basear em registros ou aplicação de instrumentos nos indivíduos que procuram o serviço de saúde. Inquéritos domiciliários Técnica de coleta direta na comunidade. Defini-se uma clara base populacional, através de amostragem ou recenseamento. Estudo multifásico Aplicam-se instrumentos simplificados a toda população (ou amostra), e posteriormente procede a investigação mais cuidadosa nos que atingiram pontuação de corte para detecção de anormalidade. Estudos de coorte Estudos individuados, observacionais e longitudinais. Também chamados de prospectivos porque partem da observação de grupos comprovadamente expostos a um fator de risco suposto como causa de uma doença a ser detectada no futuro. Vantagens: Produz medidas diretas de risco, alto poder analítico, facilidade de análise. Desvantagens: Longos períodos de acompanhamento, amostras grandes, caro e trabalhoso, exposto aos riscos de mudanças nos métodos diagnósticos. Estudos de coorte concorrente A população é observada desde a exposição até a data prevista para o encerramento das observações. Exemplo: Estudo da relação entre o hábito de fumar e a ocorrência de doenças cardiovasculares. Cada pessoa foi avaliada bienalmente desde o início do estudo até hoje, mais de 50 anos. Estudos de coorte histórica retrospectivos A seleção e classificação da população ocorre no presente e o início e fim do acompanhamento ocorrem no passado. Exemplo: Cerca de 110.000 prontuários de pacientes que foram submetidos à raio X durante as décadas de 30 e 40 foram analisados para estabelecer a relação com a ocorrência de cânceres de mama e pulmão. Estudos de caso-controle São estudos individuados, observacionais, longitudinais. Levantamento dos casos de uma doença em uma população. Seleção de um grupo de casos e um grupo de controles (sujeitos sem a doença). A doença é parte inicial, a partir da qual, devem ser buscados fatores de risco suspeitos no passado. Podem ser pareados ou não. Exemplo: Estudo que descobriu que a infecção por rubéola era fator de risco para malformações congênitas. O grupo de casos era composto por crianças com catarata congênita, e o controle por crianças que não possuíam a doença. Vantagens: Adequado para estudar doenças raras, alto potencial analítico, relativamente barato. Desvantagens: Incapaz de estimar risco, vulnerável a seleção errada da amostra e rememoração. Estudos experimentais Estudos individuados, intervencionistas e longitudinais. O pesquisador introduz algum elemento que vai transformar o estado de saúde dos indivíduos. São utilizados para testar hipóteses e avaliar a eficácia de procedimentos e medicamentos. Podem ser controlados ou não controlados. Quanto a composição dos grupos podem ser: ● Randomizado ou não randomizado ● Pareado ● Rotativo ● Duplo-cego Medidas de efeito e associação Descritivos: determinam a distribuição de doenças segundo o tempo, o lugar e/ou as características dos indivíduos. Quando, onde e quem adoece? Analíticos: examinam a existência de associação entre uma exposição a uma doença. Medidas segundo desenhos de estudo Estudos seccionais: odds ratio, razão de prevalências, diferença entre prevalências. Caso-controle: odds ratio. Coorte: risco relativo, risco atribuível, odds ratio. Experimentais: risco relativo, risco atribuível e odds ratio. Risco relativo (RR) Mede força de associação. RR = 1 | O risco igual em expostos e não expostos. Não há associação. RR > 1 | O risco é maior em expostos do que em não expostos. Associação positiva, causal. RR 1 | Odds em casos é maior que em controles. Associação positiva, causal. ORdos grupos mais jovens para grupos mais idosos. ● Transformação de uma situação onde há predomínio de mortalidade, para outra onde a morbidade é dominante. Estágios 1. Períodos de pragas e da fome – doenças infecciosas, desnutrição, problemas de saúde reprodutiva. 2. Período de desaparecimento das pandemias. 3. Período de doenças degenerativas e provocadas pelo homem. 4. Período de declínio da mortalidade por doenças cardiovasculares, envelhecimento populacional, modificações no estilo de vida, doenças emergentes e ressurgimento de doenças transmissíveis. 5. Período de longevidade paradoxal, emergência de doenças enigmáticas e capacitação tecnológica para sobrevivência. Transição nutricional Mudanças no perfil alimentar e nutricional da população. Rápido declínio da prevalência de desnutrição em crianças e elevação, num ritmo mais acelerado, da prevalência de sobrepeso/obesidade em adultos. Vigilância epidemiológica A vigilância em saúde deve estar cotidianamente inserida em todos os níveis de atenção da saúde. Conjunto de ações que proporcionam conhecimento, detecção ou prevenção de qualquer mudança nos fatores determinantes de saúde individual ou coletiva, visando recomendar e adotar medidas de prevenção e controle das doenças. ● coleta de dados; ● análise e interpretação dos dados processados; ● recomendação das medidas de controle apropriadas; ● promoção das ações de controle indicadas; ● avaliação da eficácia e efetividade das medidas adotadas; ● divulgação de informações pertinentes. Notificação compulsória Comunicação obrigatória à autoridade de saúde, sobre a ocorrência de suspeita ou confirmação de doença, agravo podendo ser imediata ou semanal. ● Dengue, coqueluche, difteria, chagas, acidente de trabalho por material biológico, acidente de trabalho grave fatal e em crianças e adolescentes, acidente com animais peçonhentos, raiva, botulismo, cólera. Calendário epidemiológico As semanas epidemiológicas são contadas de domingo a sábado. A primeira semana do ano é aquela que contém o maior número de dias de janeiro e a última a que contém o maior número de dias de dezembro. Saúde ambiental: Conhecimento, detecção ou prevenção de qualquer mudança nos fatores determinantes e condicionantes do ambiente que interferem na saúde humana; recomendar e adotar medidas de prevenção e controle dos fatores de risco, prioritariamente qualidade da água, ar e solo; desastres de origem natural, substâncias químicas, acidentes com produtos perigosos, fatores físicos, e ambiente de trabalho. Saúde trabalhador: Conjunto de atividades destinadas à promoção e proteção, recuperação e reabilitação da saúde dos trabalhadores submetidos aos riscos e agravos advindos das condições de trabalho. Vigilância sanitária: Conjunto de ações capazes de eliminar, diminuir ou prevenir riscos à saúde e de intervir nos problemas sanitários decorrentes do meio ambiente, da produção e circulação de bens e da prestação de serviços de interesse da saúde, abrangendo controle de bens de consumo que se relacionem com a saúde, compreendidas todas as etapas e processos, da produção ao consumo e o controle da prestação de serviços que se relacionam com a saúde. ● Controle sanitário as tecnologias utilizadas na construção de sistemas de abastecimento de água potável, na proteção de mananciais, no controle da poluição do ar, na proteção do solo, no controle dos sistemas de esgoto sanitário e dos resíduos sólidos, visando à proteção dos recursos naturais e à garantia do equilíbrio ecológico ● O ambiente de trabalho, relativo às condições dos locais de trabalho Regulamento sanitário internacional (RSI 2005): Instrumento jurídico internacional. Ajudar a proteger os países contra a propagação internacional de doenças, incluindo-se os riscos para saúde pública e as emergências de saúde pública. Emergência de Saúde Pública de Importância Nacional: Evento que apresente RISCO de propagação ou disseminação de doenças para mais de uma unidade federada ou outros eventos de saúde pública que possa necessitar de resposta nacional coordenada. Sistema de informação em saúde: Mecanismo de coleta, processamento, análise e transmissão da informação necessária para planejar, organizar, operar e avaliar os serviços de saúde. ● Sistema Nacional de Agravos de Notificação ● Sistema de Informação de Mortalidade ● Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos Exemplo: OR = (65 x 3980) / (20 x 1935) = 258700/38700 = 6,68. Existe associação positiva entre hábito de fumar e doença coronariana. Fumantes têm 6,68 vezes mais chance de desenvolver a doença do que não fumantes. RR = (65/2000)/(20/4000) = 0,0325/0,005 = 6,5 Existe associação positiva entre hábito de fumar e doença coronariana. Fumantes têm RISCO 6,5 vezes maior de desenvolver a doença do que não fumantes. RA = 0,0325-0,005 = 0,0275 Fumantes tem risco de desenvolver doença coronariana aumentado em 2,75% em relação aos não fumantes.