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Caderno de Epidemiologia II 1 📊 Caderno de Epidemiologia II Conceitos iniciais Modelos de causalidade Modelo de Henle-Koch Modelo das Causas suficientes (Rothman) Critérios de causalidade de Bradford-Hill Causalidade na MBE Validade e Precisão Erros aleatório (precisão) Tipos de erros estatísticos Erros sistemáticos ou viés (validade) Viés de seleção Viés de aferição (informação) Viés de confusão ou confundimento Tipos de estudos epidemiológicos Estudos experimentais: Ensaio Clínico Randomizado Fase pré-clinica Ensaio clínico fase I Ensaio clínico fase II Ensaio clínico fase III Ensaio clínico fase IV Estudos observacionais longitudinais Estudos de coorte Caderno de Epidemiologia II 2 Conceitos iniciais Associação é um conceito matemático que significa que, conforme uma variável muda outra variável também muda, seja de forma diretamente proporcional ou inversamente proporcional Por ser um conceito matemático, a existência de uma associação não implica, necessariamente em causalidade. Quando existe uma associação entre duas variáveis sem existir nenhuma relação causa-efeito, chamamos de relação espúria Estudo de caso-controle Estudos observacionais transversais Estudo seccional (ou Transversal, Inqueritos e de Prevalência) Estudo ecológico Conceito de MBE Revisão sistemática Meta-Análise Forest Plot Avaliação da qualidade da Evidência Níveis de evidência - Oxford Grau de recomendação U.S Preventive Task Force Medidas de associação em estudos de incidência (Ensaio clinico randomizado e Coorte) Risco (incidência) absoluto Risco (incidência) relativo Medidas de associação em estudos caso-controle Chances e razão de chances (Odds ratio) Medidas de associação em estudos transversais Prevalência e razão de prevalência Possibilidades dos testes diagnósticos Parâmetros de avaliação do teste Acurácia Sensibilidade Especificidade Testes em série e em paralelo Curva ROC Parâmetros para avaliação de um indivíduo Valor preditivo positivo Valor preditivo negativo Caderno de Epidemiologia II 3 Modelos de causalidade Modelo de Henle-Koch Corresponde a uma série de critérios para determinar a relação causal entre um microrganismo específico e uma determinada doença infecciosa. Esses postulados são usados para estabelecer se um microrganismo específico é o agente causador de uma doença específica 1. A presença do micro-organismo deve ser comprovada em todos indivíduos que sofrem da doença 2. O Agente não poderá ser encontrado em casos de outras doenças 3. Um vez isolado, o agente deve ser capaz de produzir a doença em questão uma vez inoculado em animais experimentais 4. O mesmo agente deve poder ser recuperado desses animais experimentalmente infectados e de novo isolado em cultura Modelo das Causas suficientes (Rothman) Causa suficiente é um conjunto de causas componentes para uma determinada consequência Dentro das causas componentes existem alguns tipos como: Caderno de Epidemiologia II 4 Causa componente necessária: sem a qual a consequência não existiria (p.ex.: a presença do SARS-CoV 2 para existência de Covid-19) Causa componente desconhecida: é um fator ou condição que ainda não foi identificado ou compreendido completamente como uma causa de determinada doença Critérios de causalidade de Bradford-Hill Compõe uma série de critérios que seriam indicativos de causalidade em saúde Temporalidade (único obrigatório): a causa deve preceder a consequência no tempo Força da associação: o quão conectado estão as duas variáveis (p.ex.: o tabagismo aumenta o risco de câncer de pulmão em 30x) Consistência: se o resultado é replicável em diferentes condições Especificidade (critério pouco útil): se a causa leva a uma única consequência Gradiente biológico: se quanto maior (ou menor) a exposição maior (ou menor) o risco Plausibilidade biológica: se a associação é cientificamente plausível Coerência: se a associação não entra e conflito com o conhecimento cientifico atual Caderno de Epidemiologia II 5 Evidência experimental: se experimentos colaboram com o efeito causal Analogia: se a explicação causal é semelhante a outras (p.ex.: o tabagismo é causa de outras neoplasias, além do pulmão) Causalidade na MBE Os melhores estudos são aqueles que possuem maior capacidade de inferência causal. O novo modelo de pirâmide de evidencia estabelece que os limites entre os níveis hierárquicos são mais fluidos, uma vez que dependem muito da qualidade metodológica com a qual os estudos foram conduzidos Validade e Precisão Caderno de Epidemiologia II 6 Precisão: avalia se os resultados são consistentes quando repetidos, mesmo que não estejam necessariamente corretos Validade: avalia se o estudo é capaz de medir ou identificar corretamente o que se propõe a medir No entanto, não é possível medir a validade e precisão de um estudo de maneira direta, sendo preciso avaliar o seus opostos. O oposto de precisão é o erro aleatório O oposto de validade é o viés 💡 Tipos de validade Validade interna: Refere-se à validade dos resultados dentro do próprio estudo, ou seja, se as conclusões obtidas são consistentes e corretas dentro da amostra ou população estudada. Validade externa: Refere-se à validade dos resultados em relação à sua aplicabilidade a outras populações ou contextos além daqueles estudados inicialmente. Capacidade de extrapolação dos resultados para outras populações Caderno de Epidemiologia II 7 Erros aleatório (precisão) São os erros de precisão de um estudo e ocorrem por se trabalhar apenas com amostras de populações e não com populações inteiras 💡 Amostra: grupo de pessoas selecionadas com o objetivo de serem representativas da população fonte Caderno de Epidemiologia II 8 Tipos de erros estatísticos Erro tipo I (alfa): eu digo que há uma associação estatística (P 0,05), porém na realidade, há associação Erros sistemáticos ou viés (validade) Viés é qualquer erro sistemático no desenho, condução ou análise do estudo que resulte em uma estimativa equivocada do efeito da exposição no risco da doença Viés de seleção Distorção que ocorre na seleção dos indivíduos da amostra, de modo que eles não representem a população fonte Alguns exemplos de viés de seleção: Randomização inadequada: os grupos são muito diferentes Quando o grupo controle é muito saudável ou muito doente (viés do trabalhador saudável) Auto seleção: a pessoa se voluntaria para fazer o estudo Perda de seguimento: não consegue acompanhar a pessoa durante todo tempo de estudo Caderno de Epidemiologia II 9 Viés de aferição (informação) Ocorre quando os grupos são avaliados de maneira diferente. Um os mais importantes é na avaliação de ECR, em que é comparada uma intervenção contra um placebo. Nesses casos, os avaliadores tem uma tendência de avaliação a favor da intervenção, visto que é do seu interesse de pesquisa Um subtipo do viés de aferição é o viés de memória. Ele ocorre por exemplo em estudos que comparam doentes x não doentes, em geral há uma tendencia maior do indivíduos doentes lembrarem dos fatores que eles podem associar a sua doença em relação aos indivíduos não doente Caderno de Epidemiologia II 10 A principal estratégia para evitar seria o mascaramento (o avaliador não saber para qual grupo - intervenção ou controle - o participante foi) Viés de confusão ou confundimento Ocorre quando a associação medida entre a medida de duas variáveis e na verdade distorcida ou ocorre por uma terceira variamente não esperada Um exemplo seria uma associação entre café e IAM, na qual e necessária avaliar o uso concomitante de tabaco com café (indivíduos tabagista tendem a ter um consumo mais elevado de café), nesse caso o tabagismo pode ser um fator confundidor Tipos de estudos epidemiológicos Caderno de Epidemiologia II 11 Estudos experimentais: Ensaio Clínico Randomizado ECR é o principal estudo epidemiológico para avaliaçãode eficácia, uma vez que ele tem a maior capacidade de inferência causal. Por conta da sua robusteza, os ECRs, quando bem conduzidos, são capazes de encerrar questões de pesquisa, sem a necessidade de estudos posteriores (apesar de ser um fenômeno raro em saúde) São classificados como estudos individuados, longitudinais (acompanham pacientes ao longo do tempo) e de intervenção 💡 OBS: Caso o estudo tome como unidade de observação agregados ecológicos ou institucionais teríamos um Ensaio comunitário Caderno de Epidemiologia II 12 Existem 3 características que trazem esse poder aos ECR: Randomização: alocação aleatória dos pacientes para diferentes grupos de intervenção. Essa estratégia faz que pelas leis das probabilidades, os pacientes tenham as suas características do ponto inicial do estudo relativamente equiparáveis, assim qualquer intervenção realizada nos grupos seca a causa do desfecho observado. Busca minimizar o viés de seleção e confusão Mascaramento (ou cegamento): consiste em fazer com que alguém do estudo (sejam paciente, examinador ou estatístico) não saiba qual intervenção está sendo realizada em cada pessoa. Busca minimizar o viés de aferição Caderno de Epidemiologia II 13 Análise por intenção de tratar: imagine o exemplo de um ECR que teste a efetividade de uma nova técnica cirúrgica comparado ao tratamento clínico padrão (a hipótese e que o tratamento cirúrgico é melhor). Entretanto após a randomização alguns pacientes do grupo clínico precisaram da cirurgia de urgência, e alguns do grupo cirúrgico desistiram da cirurgia e fizeram o tratamento clínico, nesse caso houve cruzamento entre os grupos de tratamento. A análise por intenção de tratar vai considerando grupos para os quais os pacientes foram randomizados e não a intervenção que eles receberam em si. Ao utilizar essa técnica, usamos um viés conservados, uma vez que “pioramos” o resultado da nossa hipótese, e “melhoramos” o resultado do nosso controle. Nesses caso, se o resultado do tratamento cirúrgico continuar sendo melhor, isso significa que ele é tão bom, que, mesmo introduzido esse viés, ele continua superior Caderno de Epidemiologia II 14 Fase pré-clinica Estudos laboratoriais e experimentos em animais Ensaio clínico fase I Pequeno grupo de voluntários (20-80) sem doenças que visam avaliar a segurança e não eficácia da droga. Sendo realizado em doses escalonadas, visa determinar uma dose da droga sem causar efeitos colaterais Ensaio clínico fase II Nesta fase, o medicamento ou intervenção é administrado a um grupo maior de pacientes com a doença-alvo. O objetivo é obter informações sobre a eficácia do medicamento, determinar a dose adequada e continuar a avaliação da segurança. Geralmente, o grupo é dividido em subgrupos para explorar diferentes doses, regimes de tratamento ou características dos pacientes. Ensaio clínico fase III Avaliação de eficácia (ECR propriamente dito), nesse momento o medicamento está liberado para comercialização Caderno de Epidemiologia II 15 Ensaio clínico fase IV Também conhecida como pós-comercialização, essa fase ocorre após a aprovação regulatória do medicamento. O medicamento é monitorado em um grande número de pacientes para avaliar a sua eficácia a longo prazo, identificar eventos adversos raros e investigar seu uso em diferentes populações ou condições clínicas. Estudos observacionais longitudinais Estudos de coorte O desenho desse estudo é muito semelhante ao ECR, pela diferença de que a divisão dos grupos não ocorre por randomização e tipo de intervenção realizada, mas sim pela exposição natural a um determinado fator do estudo (p.ex.: fumantes x não fumantes) Caderno de Epidemiologia II 16 Vantagens Por conseguirem acompanhar os pacientes ao longo do tempo para avaliar a presença ou não do desfecho, é possível calcular o risco (incidência). Entre os estudos observacionais é o menos suscetível a vieses de seleção Desvantagem Por ser um estudo observacional há sempre a possiblidade de influência de outras variáveis confundidores associadas as causas e desfechos. Além disso, é um estudo pouco eficiente para desfechos raros, pois precisaria de um recrutamento muito grande de indivíduos Coorte prospectivo e retrospectivo (histórica) Esses estudos em nada diferem quanto ao desenho do estudo, mas se diferenciam quanto a coleta de dados (antes ou depois da ocorrência do desfecho) Exemplo: Hipótese → Hospitalização COVID-19 é um fator de risco para fadiga crônica Coorte prospectiva: você ira recrutar um grupo de pacientes com Covid-19 e irá acompanhar os pacientes ao longo de um tempo que forma internados e não foram para a avaliar a diferença de ocorrência de fadiga crônica entre os 2 grupos Coorte retrospectiva: será o mesmo desenho, no entanto ele será realizado através de registros como prontuários. O pesquisador ira procurar dados de pacientes que tiverem Covid e olhar nos registros hospitalares aqueles que necessitaram ou não de hospitalização. Caderno de Epidemiologia II 17 Em seguida, o pesquisado irá procurar nos registros se houve relato de fadiga crônica para os pacientes de ambos grupos 💡 O desenho de estudo é exatamente o mesmo, o que muda é que na histórica o pesquisado fica mais suscetível a e dependente da qualidade dos registros passados Estudo de caso-controle Caderno de Epidemiologia II 18 É uma solução para avaliação dos desfechos raros que são pouco eficazes nos estudos de coorte. Nesse estudo parte-se do inicio um grupo de pacientes com o desfecho (caso) e outro grupo sem o desfecho (controle) e compara-se frequência da exposição a determinados fatores. Estudo individuado, longitudinal, observacional e retrospectivo 💡 Ex.: caso-controle sobre tabagismo e câncer de pulmão → selecionam-se dois grupos, um grupo com câncer de pulmão (casos) e outro sem o câncer de pulmão (controle). Então são coletadas informações sobre o histórico de tabagismo (exposição) em ambos grupos, e se comparam as prevalências de tabagismos entre os casos e controle Estudos observacionais transversais Estudo seccional (ou Transversal, Inqueritos e de Prevalência) Caderno de Epidemiologia II 19 É um estudo que busca descrever a frequência de um fenômeno numa população em um dado momento. Ex.: Estudo sobre uso de tabaco em uma determinada população → os pesquisadores selecionam uma amostra da população e coletam informações sobre o uso de tabaco por meio de questionários. Com isso, é possível calcular a prevalência do uso de tabaco na população em estudo, descrevendo a frequência e padrões de consumo Estudo ecológico Caderno de Epidemiologia II 20 Nesse caso, a unidade de estudo são áreas geográficas bem delimitadas, sendo investigadas as relações entre variáveis em nível de grupo ou população, em vez de examinar indivíduos específicos Ex.: Estudo que examina a associação entre o consumo de tabaco (variável ecológica) e a incidência de câncer de pulmão (variável de saúde) em diferentes países. Um erro é pode ocorre é a “Falácia Ecológica”, quando são feitas inferências incorretas sobre indivíduos com base em dados agregados em nível de grupo ou população Conceito de MBE A Medicina Baseada em evidências é a intersecção entre: experiência clinica, melhores evidências e valores do paciente Caderno de Epidemiologia II 21 Revisão sistemática Busca sistemática de estudos na literatura visando responder a uma questão de pesquisa, no qual o autor descreverá explicitamente os métodos de busca de artigos A revisão sistemática carregará consigo todas qualidades e defeitos dos estudos originais que ela conseguir buscar 💡 Viés de publicação É a tendência de apenas estudos com resultados postivos serem publicados. Nesse caso, estudos com resultados nulo ou contrários ao desejos são mais difíceis de serem publicados, gerando um viés na literatura a favor da hipótese Algumas etapas de uma revisão sistemática 1. Definição de uma questão de pesquisa Caderno de EpidemiologiaII 22 2. Escolha das bases de dados Quanto mais bases de dados, melhor a qualidade da RS É importante que seja incluídas bases de dados menos relevantes e até mesmo registros de congressos científicos, chamadas de “Literatura cinzenta) 3. Escolha das palavras chaves Quanto mais sinônimos forem utilizados melhores será a busca 4. Seleção dos artigos Análise dos artigos afim de descartar aqueles que não são úteis para a pergunta de pesquisa Primeira leitura: titulo e resumo Segunda leitura: artigo completo 5. Avaliar a qualidade dos dados encontrados Utilizar o manual RoB2 da Cochrane Caderno de Epidemiologia II 23 Meta-Análise Análise estatísticas quem combinam os resultados de vários estudos considerados semelhantes o suficientes. Em linhas gerais é como se fosse uma “média ponderada dos estudos encontrados” A possibilidade de se realizar uma meta-análise dependerá do cálculo da heterogeneidade (I^2). A heterogeneidade estima o quanto os resultados dos estudos diferem entre si sem ser por erro amostral. 💡 Ex.: Quando a diferença entre os estudos são apenas por erros amostrais, temos a heterogeneidade igual a zero. Quando a heterogeneidade é mais alta (50-70%) significa que as diferenças metodológicas entre os estudos não são desprezíveis, caracterizando estudos muito diferentes entre si. Quando a heterogeneidade é baixa, significa que os estudos são semelhantes, sendo possível realizar uma meta-analise Forest Plot Caderno de Epidemiologia II 24 Cada linha é um estudo diferente No canto direito temos a medida de de efeito estudada Estudos dicotômicos: Odds Ratio, Risco relativo e Diferença de risco Estudos contínuos: Diferença de médias O tamanho do quadrado representa o peso do estudo na média ponderada (estudos com muitas pessoas tem um quadrado maior) Posição do quadro é a estimativa central do tamanho do efeito nos estudos A linha horizontal de cada estudo é o intervalo de confiança Losango = média ponderada dos estudos (meta-análise) Avaliação da qualidade da Evidência Níveis de evidência - Oxford Caderno de Epidemiologia II 25 NÍVEL 1: Ensaio clínico randomizado A: revisão sistemática B: um único ECR com pequeno intervalo de confiança NÍVEL 2: Estudo coorte A: Revisão sistemática de estudos de coorte B: Vários coortes ou coortes grandes NÍVEL 3: Estudo caso-controle A: Revisão sistemática de caso-controle B: Caso-controle individuais NÍVEL 4: Série de casos NÍVEL 5: Opinião de especialistas Grau de recomendação NIVEL 1 → Grau A NÍVEL 2 e 3 → Grau B NÍVEL 4 → Grau C NÍVEL 5 → Grau D Caderno de Epidemiologia II 26 U.S Preventive Task Force Medidas de associação em estudos de incidência (Ensaio clinico randomizado e Coorte) Risco (incidência) absoluto Representa a incidência do desfecho nos expostos e nos não expostos Caderno de Epidemiologia II 27 Risco (incidência) relativo É uma forma de comparar a incidência no grupo exposto e não exposto pela divisão de riscos absolutos do expostos sobre o não expostos Interpretação do valor: lembre que os conceitos de “protetor” e “fator de risco” são subjetivos, depende das variáveis estudadas Caderno de Epidemiologia II 28 Medidas de associação em estudos caso-controle Chances e razão de chances (Odds ratio) 💡 Apesar do Odds ratio ser uma medida classicamente usada em estudos caso-controle, ela também pode ser utilizada em estudos de incidência Medidas de associação em estudos transversais Caderno de Epidemiologia II 29 Prevalência e razão de prevalência O cálculo da prevalência e razão de prevalências é igual a fórmula do risco absoluto e relativo Possibilidades dos testes diagnósticos Ao se relacionar um padrão-ouro com um novo teste diagnóstico, podemos chegar as seguintes possibilidades: Verdadeiro positivo: o indivíduo é doente e o teste veio positivo Falso negativo: o indivíduo é doente porém o teste veio negativo Falso positivo: o indivíduo é saudável, porém o teste veio positivo Verdadeiro negativo: o indivíduo é saudável e o teste veio negativo Caderno de Epidemiologia II 30 Parâmetros de avaliação do teste Acurácia É o percentual de acertos total do teste (tanto verdadeiros positivo quanto negativo). Logo uma acurácia 100% significa que todos os casos são ou verdadeiros positivos, ou verdadeiros negativos. Um teste inútil seria um teste com 50% de acurácia, uma vez que a probabilidade do teste ser verdadeiro é a mesma de ser falso. Caderno de Epidemiologia II 31 Sensibilidade É a probabilidade de um indivíduo doente ter um resultado positivo, nesse sentido ele é calculado apenas com base na coluna dos indivíduos doentes. Ele é calculado pelo total de pessoas verdadeiras positivas pelo total de doentes. Um teste com sensibilidade alta indica que a maioria dos doentes terá resultado positivo, isto é, poucos doentes terão resultado falso negativo, logo a presença de um resultado negativo é pouco comum de ocorrer em pessoas doentes, fazendo com que seja um teste bom para descartar doenças, sendo muito utilizados em testes de rastreamento populacional Caderno de Epidemiologia II 32 Especificidade É a probabilidade de um indivíduo saudável ter um resultado negativo Ele é calculado pelo total de verdadeiros negativos pelo total de saudáveis Um teste com especificidade alta indica que a maioria dos saudáveis terá um resultado negativo, portanto se o resultado vier positivo é pouco provável que o indivíduo seja saudável, nesse sentido é um teste bom para confirmar doenças Testes em série e em paralelo Testes em paralelo aumentam a sensibilidade do teste em relação aos testes individuais Testes em série aumentam a especificidades do teste em relação ao testes individuais Caderno de Epidemiologia II 33 Curva ROC É útil para determinar o ponto de corte ideal para um teste com variável contínua, um exemplo de variável contínua é se quiser diagnosticar DM através de uma glicemia de jejum de Caderno de Epidemiologia II 34 100, o que ocorreria que que seria um teste muito sensível (diagnosticaria a maioria dos diabéticos) mas também levaria a muitos falsos positivos (pessoas sem diabetes também podem ter glicemia acima de 100). Por outro lado, se quiser utilizar o corte de 150, raros indivíduos saudáveis teriam essa glicemia, tendo poucos falsos positivos, porém existem diabéticos que tem glicemia abaixo desse valor (diminuição da sensibilidade) Essa curva é construída por um gráfico de ordenada verdadeiros positivos, e abscissa falsos positivos. O melhor ponto de corte é aquele mais próximo do canto superior esquerdo. Já um ponto de corte ruim seria aquele próximo a linha de referência, cuja acurácia é de 50%. A acurácia do teste é calculada pela área abaixo da curva Parâmetros para avaliação de um indivíduo Valor preditivo positivo É a probabilidade de doença entre todos que tiveram resultado positivo Quanto maior a prevalência, maior o VPP Quanto maior a especificidades maior o VPP Valor preditivo negativo É a probabilidade de ser saudável entre todos que tiveram um resultado negativo Caderno de Epidemiologia II 35 Quanto maior a seNsibilidade maior o VPN