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Centro Universitário das Faculdades Metropolitanas Unidas – UniFMU 
Teoria Constitucional do Processo 
 
Professor Gustavo Belucci 
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A D V E R T Ê N C I A 
Este roteiro é apenas um esboço para o acompanhamento das aulas. Não é 
material suficiente para fins de estudo completo, que DEVERÁ SEMPRE ser 
complementado com a bibliografia indicada e com a leitura dos dispositivos 
legais. O estudo feito aqui pode eventualmente incluir conceitos de outros 
professores consagrados, pois é elaborado com fins meramente de orientação 
dos alunos para acompanhamento das aulas, sem finalidade de divulgação ou 
cópia das respectivas obras. 
 
Aula 16 – NULIDADES PROCESSUAIS. 
EMENTA: Compreender o sistema de nulidades do processo 
civil. Identificar e diferenciar as espécies de nulidades e suas 
consequências. 
 
Introdução. 
 Ovídio A. Baptista da Silva ensina que: “os atos processuais, como todos os atos 
jurídicos, podem apresentar certos vícios que os tornem inválidos e ineficazes. No 
campo do processo civil, estes vícios em geral, decorrem da inobservância de forma 
por meio da qual um ato determinado deveria realizar-se. Observe-se que o conceito 
de forma, aqui deve corresponder ao modo pelo qual a substância se exprime e adquire 
existência, compreendendo, além de seus requisitos externos, também as 
circunstâncias de tempo e lugar, que não deixam de ser igualmente modus por meio 
dos quais os atos ganham a existência no mundo jurídico”. 
 O ato defeituoso continuará a produzir seus efeitos na esfera do processo, isto 
ocorrerá até o mesmo ter sua invalidade decretada. 
 A decretação da invalidade do ato processual, pode ser realizada ex ofício, ou por 
provocação das partes e sempre será dotada de um caráter de sanção. 
 Para que o ato seja considerado invalido, este deve concomitantemente ser 
defeituoso processualmente e ocasionar em prejuízo. Entende-se por prejuízo a 
capacidade do defeito de impedir que a finalidade do ato seja atingida, tradicionalmente 
denominado na doutrina como o princípio da “pas de nullité sans grief”, isto é, princípio 
de que “não há nulidade processual sem prejuízo". 
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 O tema é tratado no CPC nos artigos 276 a 283. 
 
2. Sistema de nulidades no CPC – regras gerais. 
 O estudo dos artigos 276 a 283, do CPC, nos trazem as seguintes regras: 
1) Quando a lei prescrever determinada forma sob pena de nulidade, a decretação 
desta não pode ser requerida pela parte que lhe deu causa (artigo 276). 
 Trata-se da vedação da prática de ato contraditório dentro do processo – venire 
contra factum proprium. 
 Nada mais lógico do que impedir que a parte que deu causa ao defeito possa 
pretender alegar a nulidade, o que violaria a garantia constitucional da duração razoável 
do processo (artigo 5º, LXXVIII, da CF). 
 A doutrina aponta ser possível afirmar que as gradações às violações de forma se 
apresentam nas seguintes categorias (da mais grave para a menos grave): 
a) Inexistência; 
b) Nulidade absoluta (violação de norma de interesse público que pode ser 
reconhecida em qualquer tempo e grau de jurisdição – inclusive de ofício); 
c) Nulidade relativa (violação de norma cogente estipulada em favor da 
parte); 
d) Anulabilidade (relacionada à forma dispositiva) e; 
e) Mera irregularidade. 
 
2) Quando a lei prescrever determinada forma, o juiz considerará válido o ato se, 
realizado de outro modo, lhe alcançar a finalidade (artigo 277). 
 Trata-se manifestação do princípio da instrumentalidade das formas. Referido 
princípio traz a ideia de que, inexistindo prejuízo para a parte contrária e para o próprio 
andamento do feito, e tendo atingido a sua finalidade, aproveita-se o ato viciado, seja 
absoluto ou relativamente nulo. 
 
3) A nulidade dos atos deve ser alegada na primeira oportunidade em que couber 
à parte falar nos autos, sob pena de preclusão. Não se aplica às nulidades que o 
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juiz deva decretar de ofício, nem prevalece a preclusão provando a parte legítimo 
impedimento (artigo 278). 
 O CPC estabelece que se houver ato nulo no processo que caiba à parte alegar, 
esta deverá fazê-lo na primeira oportunidade em que tiver de falar nos autos, sob pena 
de precluir a possibilidade de alegação, exceto se provar ter havido legítimo 
impedimento de se manifestar sobre a nulidade, caso em que não haverá preclusão. 
 Neste ponto, é conveniente explicitar as diferenças entre nulidades relativas e 
absolutas: 
 RELATIVAS e suas consequências: devem ser arguidas na primeira 
oportunidade em que couber à parte falar nos autos. Estão, portanto, 
sujeitas à preclusão. 
 ABSOLUTAS e suas consequências: o juiz pode conhece-las de ofício. 
Não se sujeitam à preclusão. 
 
4) É nulo o processo quando o membro do Ministério Público não for intimado a 
acompanhar o feito em que deva intervir. Se o processo tiver tramitado sem 
conhecimento do membro do Ministério Público, o juiz invalidará os atos praticados a 
partir do momento em que ele deveria ter sido intimado. A nulidade só pode ser 
decretada após a intimação do Ministério Público, que se manifestará sobre a 
existência ou a inexistência de prejuízo (artigo 279). 
 Sempre que o Ministério Público tiver de intervir no processo, seja como fiscal da 
ordem jurídica, assistente do incapaz ou substituto processual e não seja ele intimado 
para tanto, reconhece-se a nulidade do feito, a partir do momento em que deveria 
ocorrer a intervenção. 
 A nulidade só poderá ser decretada após a intimação do Ministério Público que se 
manifestará sobre a existência ou não de prejuízo. 
ATENÇÃO: É somente a falta de intimação que gerará a nulidade nesta 
hipótese, dispensando-se a efetiva participação do membro do MP. 
Exemplo: se o membro do MP se manifesta no processo alegando que não 
há interesse da instituição, não haverá nulidade. A regra enfatiza a intimação 
e não necessariamente a efetiva participação (que ficará condicionada à 
própria manifestação do órgão). 
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5) As citações e as intimações serão nulas quando feitas sem observância das 
prescrições legais (artigo 280). 
 As regras de citação e intimação foram vistas em aulas passadas – artigos 
238/259 e 269/275, todos do CPC. 
 Haverá nulidade quando da não observância das regras contidas nos artigos 
acima referidos. 
 
6) Anulado o ato, consideram-se de nenhum efeito todos os subsequentes que 
dele dependam, todavia, a nulidade de uma parte do ato não prejudicará as outras 
que dela sejam independentes (artigo 281). 
 Trata-se aqui da projeção ou reflexo da nulidade nos demais atos processuais. 
Anulado um ato, reputam-se nulos todos aqueles que dele dependam. Contudo, a 
nulidade, quando parcial, não prejudicará os atos independentes. 
Logo, tem-se que: 
a) Os atos processuais praticados ANTERIORMENTE ao ato nulo, são 
considerados válidos e eficazes. 
b) Os atos processuais praticados POSTERIORMENTE ao ato nulo 
dependem de uma análise de dependência ou independência: se 
dependentes serão também nulos, se independentes, não serão tocados 
pela nulidade. 
 
7) Ao pronunciar a nulidade, o juiz declarará que atos são atingidos e ordenará as 
providências necessárias a fim de que sejam repetidos ou retificados. O ato não 
será repetido nem sua falta será suprida quando não prejudicar a parte. Quando 
puder decidir o mérito a favor da parte a quem aproveite a decretação da nulidade, o 
juiz não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe a falta (artigo 282). 
 O artigo 282 trata das consequências processuais daanulação de atos e a 
atividade do juiz diante da nulidade. 
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 O juiz, ao decretar a nulidade do ato, delimitará a extensão e a projeção de tal 
nulidade, determinando, ainda, as providências necessárias a regularizar o processo. 
 O parágrafo 1º, do artigo 282, do CPC traz uma regra importantíssima em direito 
processo – “não há nulidade sem prejuízo” – pas de nullité sans grief – se o ato 
alcançou sua finalidade e, com isso, não causou prejuízo às partes, não há que se falar 
em nulidade. 
 
8) O erro de forma do processo acarreta unicamente a anulação dos atos que não 
possam ser aproveitados, devendo ser praticados os que forem necessários a fim 
de se observarem as prescrições legais. Dar-se-á o aproveitamento dos atos 
praticados desde que não resulte prejuízo à defesa de qualquer parte (artigo 283). 
 O artigo 283 tratada do aproveitamento dos atos processuais e do erro de 
forma do processo. 
 Tem-se aqui a ideia de economia processual, conservação de atos e 
instrumentalidade das formas, ao determinar que os atos praticados são aproveitados 
sempre, desde que não ocasionem prejuízo à defesa das partes, nem importem redução 
da ampla defesa e do contraditório. 
 
3. Espécies de invalidade1. 
 Como se colocou rapidamente acima, as invalidades processuais podem ser 
classificadas de acordo com a sua gravidade, existe a irregularidade, que a rigor nem 
chega a ser considerada uma invalidade, a nulidade relativa, menos gravosa e nulidade 
absoluta que é mais gravosa. Vejamos cada uma delas com mais detalhes neste 
momento. 
A) Mera irregularidade: é caracterizada como o defeito processual incapaz de 
gerar prejuízo às partes ou terceiros, tampouco à jurisdição. 
• Exemplo: o escrivão certifica a juntada de uma “sentença”, quando na 
verdade tratava-se de uma decisão interlocutória. 
 
 
1 Mais informações em: http://www.ambito-
juridico.com.br/site/?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=17485&revista_caderno=21 
http://www.ambito-juridico.com.br/site/?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=17485&revista_caderno=21
http://www.ambito-juridico.com.br/site/?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=17485&revista_caderno=21
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B) Nulidade relativa: emana de uma norma que tutela um interesse disponível da 
parte. Tal nulidade depende de arguição da parte interessada, não sendo possível 
a sua decretação de ofício, tendo como regra geral o prazo de cinco dias, como 
expressa o artigo 218, §3˚ do CPC (deverá ser alegada em preliminar de 
contestação). 
• Exemplos: casos de incompetência relativa: territorial (regra geral) e em 
razão do valor da causa (quando ficar aquém do limite estabelecido por lei). 
 
C) Nulidade absoluta: decorre da violação de norma cogente que tutela interesse 
indisponível da parte ou do próprio Estado-Jurisdição. Esta nulidade deve ser 
decretada de ofício pelo juiz, podendo esta ser feita a qualquer tempo. Para este 
tipo de nulidade não se aplica o caput do artigo 278 do Código de Processo Civil, 
mas sim o seu parágrafo único. O ato eivado de vício que acarrete na nulidade 
absoluta, não pode ser consertado, tendo, obrigatoriamente, que ser retirado do 
processo e substituído pela pratica de novo ato. 
• Exemplos: casos de incompetência absoluta: em razão da matéria; em 
razão da pessoa; funcional; territorial (em alguns casos – vide no caso de 
ação civil pública – artigo 2º, da Lei nº 7.347/852); em razão do valor da 
causa (quando extrapolar os limites estabelecidos pelo legislador). 
 
D) Ato inexistente: lhe faltam os elementos constitutivos, não estando presentes 
sequer os elementos nucleares para a sua configuração, não lhe é configurado 
uma identidade ou fisionomia particular. A inexistência jurídica nunca se convalida, 
nem mesmo com o, suposto, trânsito em julgado, afinal se o ato nunca existiu 
como poderá ter transitado em julgado. 
• Exemplos: sentença proferida por quem não é juiz, ou a sentença que 
não tenha a parte dispositiva, ou mesmo a proferida por juiz desprovido de 
jurisdição, ou constitucionalmente incompetente. 
 
 
2 Art. 2º As ações previstas nesta Lei serão propostas no foro do local onde ocorrer o dano, cujo juízo terá 
competência funcional para processar e julgar a causa. Parágrafo único. A propositura da ação prevenirá a 
jurisdição do juízo para todas as ações posteriormente intentadas que possuam a mesma causa de pedir 
ou o mesmo objeto. 
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OBSERVAÇÃO: o tema nulidade dos negócios jurídicos será visto em DIREITO 
CIVIL, no estudo dos artigos 166 a 184, do Código Civil (negócios jurídicos nulos e 
anuláveis): 
Art. 166. É NULO o negócio jurídico quando: 
I - celebrado por pessoa absolutamente incapaz; 
II - for ilícito, impossível ou indeterminável o seu objeto; 
III - o motivo determinante, comum a ambas as partes, for ilícito; 
IV - não revestir a forma prescrita em lei; 
V - for preterida alguma solenidade que a lei considere essencial para a sua 
validade; 
VI - tiver por objetivo fraudar lei imperativa; 
VII - a lei taxativamente o declarar nulo, ou proibir-lhe a prática, sem cominar 
sanção. 
Art. 167. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido 
for na substância e na forma. § 1o Haverá simulação nos negócios jurídicos quando: I - 
aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se 
conferem, ou transmitem; II - contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não 
verdadeira; III - os instrumentos particulares forem antedatados, ou pós-datados. § 2o 
Ressalvam-se os direitos de terceiros de boa-fé em face dos contraentes do negócio jurídico 
simulado. 
Art. 168. As nulidades dos artigos antecedentes podem ser alegadas por qualquer 
interessado, ou pelo Ministério Público, quando lhe couber intervir. Parágrafo único. As 
nulidades devem ser pronunciadas pelo juiz, quando conhecer do negócio jurídico ou dos seus 
efeitos e as encontrar provadas, não lhe sendo permitido supri-las, ainda que a requerimento das 
partes. 
 Art. 169. O negócio jurídico nulo não é suscetível de confirmação, nem convalesce 
pelo decurso do tempo. 
 Art. 170. Se, porém, o negócio jurídico nulo contiver os requisitos de outro, subsistirá este 
quando o fim a que visavam as partes permitir supor que o teriam querido, se houvessem previsto 
a nulidade. 
 Art. 171. Além dos casos expressamente declarados na lei, é ANULÁVEL o negócio 
jurídico: 
I - por incapacidade relativa do agente; 
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II - por vício resultante de erro, dolo, coação, estado de perigo, lesão ou fraude 
contra credores. 
 Art. 172. O negócio anulável pode ser confirmado pelas partes, salvo direito de 
terceiro. 
 Art. 173. O ato de confirmação deve conter a substância do negócio celebrado e a vontade 
expressa de mantê-lo. 
 Art. 174. É escusada a confirmação expressa, quando o negócio já foi cumprido em parte 
pelo devedor, ciente do vício que o inquinava. 
 Art. 175. A confirmação expressa, ou a execução voluntária de negócio anulável, nos 
termos dos arts. 172 a 174, importa a extinção de todas as ações, ou exceções, de que contra 
ele dispusesse o devedor. 
 Art. 176. Quando a anulabilidade do ato resultar da falta de autorização de terceiro, será 
validado se este a der posteriormente. 
 Art. 177. A anulabilidade não tem efeito antes de julgada por sentença, nem se 
pronuncia de ofício; só os interessados a podem alegar,e aproveita exclusivamente aos 
que a alegarem, salvo o caso de solidariedade ou indivisibilidade. 
 Art. 178. É de quatro anos o prazo de decadência para pleitear-se a anulação do 
negócio jurídico, contado: I - no caso de coação, do dia em que ela cessar; II - no de erro, dolo, 
fraude contra credores, estado de perigo ou lesão, do dia em que se realizou o negócio jurídico; 
III - no de atos de incapazes, do dia em que cessar a incapacidade. 
 Art. 179. Quando a lei dispuser que determinado ato é anulável, sem estabelecer 
prazo para pleitear-se a anulação, será este de dois anos, a contar da data da conclusão do 
ato. 
 Art. 180. O menor, entre dezesseis e dezoito anos, não pode, para eximir-se de uma 
obrigação, invocar a sua idade se dolosamente a ocultou quando inquirido pela outra parte, ou 
se, no ato de obrigar-se, declarou-se maior. 
 Art. 181. Ninguém pode reclamar o que, por uma obrigação anulada, pagou a um incapaz, 
se não provar que reverteu em proveito dele a importância paga. 
 Art. 182. Anulado o negócio jurídico, restituir-se-ão as partes ao estado em que antes 
dele se achavam, e, não sendo possível restituí-las, serão indenizadas com o equivalente. 
 Art. 183. A invalidade do instrumento não induz a do negócio jurídico sempre que este 
puder provar-se por outro meio. 
 Art. 184. Respeitada a intenção das partes, a invalidade parcial de um negócio jurídico 
não o prejudicará na parte válida, se esta for separável; a invalidade da obrigação principal 
implica a das obrigações acessórias, mas a destas não induz a da obrigação principal.

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