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Métodos Adequados de Solução de Conflitos Prof. Thiago Normando ∴ ATENÇÃO O CONTEÚDO AUDIOVISUAL A SEGUIR É PARA USO EXCLUSIVAMENTE ACADÊMICO E ESTÁ PROTEGIDO PELAS LEIS DE PROPRIEDADE INTELECTUAL, SENDO VEDADA SUA CESSÃO OU OUTRA FORMA DE UTILIZAÇÃO NÃO AUTORIZADA, DO TODO OU DE QUALQUER PARTE PARA QUE SUA PARTICIPAÇÃO NA AULA SEJA COMPUTADA COMO PRESENÇA, É IMPORTANTE QUE COLOQUE SEU NOME COMPLETO E RA SE ISTO NÃO TIVER SIDO FEITO AINDA, FAÇA NESTE MOMENTO EX: JOÃO DA SILVA 1234567890 AULA 7 • Arbitragem Arbitragem (ULTIMO ASSUNTO! ALELUIA!) Conceito A arbitragem pode ser definida como o meio privado, jurisdicional (se impõe às partes que a escolheram) e alternativo de solução de conflitos decorrentes de direitos patrimoniais e disponíveis por sentença arbitral, definida como título executivo judicial e prolatada pelo árbitro, juiz de fato e de direito, normalmente especialista na matéria controvertida. Histórico • Antigo método de solução de conflitos; • No antigo Direito Romano havia a obrigatória e a facultativa; • a arbitragem estava prevista no Código Civil de 1916 entre os meios indiretos de pagamento, sob o título de “compromisso” (arts. 1.037 a 1.048), mas não encontrou larga utilização como meio de solução de conflitos, tendo em vista que, nos arts. 1.085 a 1.102, o Código de Processo Civil de 1973 exigia a homologação do então denominado “laudo arbitral” (hoje equivalente à sentença arbitral), por sentença judicial com todos os recursos inerentes (Poder Judiciários era uma espécie de 2º grau de jurisdição) • Lei da arbitragem em 1996 (Lei nº 9.307 de 23 de setembro de 1996) Acabou com a necessidade de homologação judicial da sentença arbitral e equiparou o árbitro ao juiz togado no desempenho da arbitragem (art. 18), esclarecendo que a sua decisão é sentença e, como tal, constitui título executivo judicial (CPC, art. 515, VII), fazendo coisa julgada material ao decidir o mérito do conflito Características • Meio alternativo ou meio adequado de conflito; • Não obrigatório como a mediação – ausência de política pública; • Natureza jurídica de jurisdição Jurisdição significa “dizer o direito”, ou seja, é o poder conferido a alguém, imparcial, para aplicar a norma e solucionar o conflito por meio do processo, prolatando sentença capaz de produzir coisa julgada material e, nessa medida, pode ser imposta aos litigantes. Nelson Nery Junior a respeito da natureza jurisdicional da arbitragem: “A natureza jurídica da arbitragem é de jurisdição. O árbitro exerce jurisdição porque aplica o direito ao caso concreto e coloca fim à lide que existe entre as partes. A arbitragem é instrumento de pacificação social. Sua decisão é exteriorizada por meio de sentença, que tem qualidade de título executivo judicial, não havendo necessidade de ser homologada pela jurisdição estatal. A execução da sentença arbitral é aparelhada por título judicial...”. • Sentença arbitral – não cabe homologação pelo Judiciário Vantagens Lei 9307/1996 a) Especialização: As partes podem/devem escolher um profissional com competência técnica e específica na área. b) Rapidez: certamente muito rápido que o processo judicial c) Irrecorribilidade: sentença arbitral tem exatamente a mesma força de uma sentença judicial, não é necessário homologação pelo Judiciário e não é cabível recurso; d) Informalidade: é mínima a informalidade e não se assemelha ao processo judicial. A lei 9307/96 estabelece que as partes devem escolher os árbitros, o direito material e processual a ser usado na resolução do conflitos e) Confidencialidade: diferente do processo judicial que preza pela publicidade, a arbitragem é sigilosa, exceto se as partes definirem torna-la pública; • OBS: A execução da sentença pode acontecer no Poder Judiciário. Arbitragem como um Meio de resolução de conflitos I – Heterocomposição: haverá uma decisão por uma terceira pessoa alheia à causa; a) Jurisdição estatal; b) Arbitragem (jurisdição privada); • As partes escolhem e aceitam essa cláusula (Art. 18 e 31) Art. 18. O árbitro é juiz de fato e de direito, e a sentença que proferir não fica sujeita a recurso ou a homologação pelo Poder Judiciário. Art. 31. A sentença arbitral produz, entre as partes e seus sucessores, os mesmos efeitos da sentença proferida pelos órgãos do Poder Judiciário e, sendo condenatória, constitui título executivo. • Coercibilidade apenas pelo Judiciário II – Autocomposição: haverá uma terceira pessoa apenas para conduzir a decisão que é dada pela partes a) Conciliação; o conciliador sugere resoluções do problema Não pode impor a conciliação b) Mediação; o mediador aplica técnicas que levam às partes a resolverem o problemas c) Transação (CC, arts. 840 a 850). As parte negociam – há concessões recíprocas; Exemplo de uso de Arbitragem Celebração de um contrato de compra e venda de safra futura de soja (Produtor (v) e Empresa (c)) • Uma das cláusulas prevê que eventual quebra da safra, desde que o produtor rural tenha tomado determinadas providências de ordem técnica, será suportada pelo comprador, que se obriga, assim, a pagar integralmente o preço pela quantidade mínima estabelecida. • Verificada a quebra da safra, as partes podem, em razão da interpretação do contrato, se colocar diante de um impasse, ou seja, o vendedor não concorda com o recebimento do preço por valor inferior ao que foi contratado e o comprador pretende pagar o valor pela safra efetivamente entregue, com a alegação de inobservância, por parte do vendedor, da cláusula que o obrigava a tomar as providências determinadas no contrato. • Diante do fato, se não houver cláusula arbitral, o litígio em torno da entrega da safra e do valor do pagamento pode levar anos para encontrar solução junto ao Poder Judiciário. (PI, Contestação, Produção de provas periciais, audiência de conciliação, instrução, sentença, eventuais embargos de declaração, apelação com efeito suspensivo, contrarrazões ao recurso de apelação, acórdão, eventualmente os embargos infringentes, embargos de declaração novamente, recursos especial e extraordinário, eventual agravo de decisão que nega seguimento a esses recursos, decisão do relator dos recursos nos tribunais superiores com eventual agravo regimental, embargos de declaração novamente e embargos de divergência, entre outros recursos.) • Por outro lado, se houver uma cláusula arbitral, significa que, previamente, as partes concordaram em levar o litígio à solução de um árbitro ou de um tribunal arbitral, de tal sorte que a solução será rápida, informal e virá em tempo abissalmente menor que aquele necessário para a solução judicial. Ao final, de qualquer forma, o resultado será um título executivo judicial. Normas de Direito Material aplicáveis à solução de conflitos pela via arbitral Ao surgir um conflito, se não houver a cláusula ou o compromisso arbitral, as partes deverão procurar o Poder Judiciário e, para tanto, nos termos do art. 9º da LINDB, “para qualificar e reger as obrigações, aplicar-se-á a lei do país em que se constituírem” Destaque para o §2º do art. 9º “§ 2º A obrigação resultante do contrato reputa-se constituída no lugar em que residir o proponente.” Ou seja: Se o proponente brasileiro, que assume obrigação que deve ser cumprida no território nacional, residir no exterior, a obrigação poderá ser regida pela norma alienígena. • Se houver cláusula ou compromisso arbitral, nos termos dos art. 2º da Lei 9.307/1996, as partes podem livremente escolher a norma aplicável à solução de seus conflitos pela via arbitral, ainda que seja o direito estrangeiro. Normas de Direito Material aplicáveis à solução de conflitos pela via arbitral O que se quer dizer é que, se a decisão for pela solução arbitral do conflito, que substitui a via judicial, como os direitos são patrimoniais e disponíveis, as partes podem escolher quais normas de direito material serão aplicadas pelo árbitro. Logo, podem escolher: a) leis internacionais de comércio; b) lex mercatoria, ou seja, de acordo com IrineuStrenger, “o conjunto de regras emanadas de entidades particulares, organismos internacionais, ou de origem convencional, de natureza ‘quase legal’, que atua desvinculada das jurisdições específicas ou de sistemas legais de qualquer país”; c) leis internacionais; d) leis corporativas; e) equidade, ou seja, o que parecer coerente e justo ao árbitro; f) princípios gerais de direito. Se as partes nada disserem sobre quais normas querem utilizar? por evidente – e até se recomenda para evitar discussões acerca da afronta à ordem pública – será utilizado o direito nacional, tal qual determina o art. 9º da Lei de Introdução às normas do Direito Brasileiro. Normas de Direito Material aplicáveis à solução de conflitos pela via arbitral Podemos afirmar, portanto, e em resumo, que a arbitragem pode ser: a) de direito e, nesse caso, não afrontando a ordem pública (norma cogente que regule a matéria que se pretende submeter à arbitragem) e os bons costumes, as partes podem escolher a norma que querem ver aplicada pelo árbitro para solução do seu conflito decorrente de direito patrimonial e disponível. Caso não escolham, o árbitro decidirá com fundamento na lei nacional; b) de equidade, desde que, nesse caso, as partes convencionem a hipótese expressamente e desde que não haja, igualmente, afronta à ordem pública nacional. Ao aplicar a equidade, o árbitro se coloca na posição de legislador e aplica a solução que lhe parecer razoável, ainda que haja lei disciplinando a matéria, desde que não se trate de norma cogente; c) pela aplicação dos princípios gerais de direito; d) pelos usos e costumes. Normas de Direito Material aplicáveis à solução de conflitos pela via arbitral A fundamentação para o slide anterior: Lei da Arbitragem Art. 2º A arbitragem poderá ser de direito ou de equidade, a critério das partes. § 1º Poderão as partes escolher, livremente, as regras de direito que serão aplicadas na arbitragem, desde que não haja violação aos bons costumes e à ordem pública. § 2º Poderão, também, as partes convencionar que a arbitragem se realize com base nos princípios gerais de direito, nos usos e costumes e nas regras internacionais de comércio”. Art. 11 Poderá, ainda, o compromisso arbitral conter: (...) IV – a indicação da lei nacional ou das regras corporativas aplicáveis à arbitragem, quando assim convencionarem as partes” Limite Geral imposto à possibilidade de Solução Arbitral • Nos termos do art. 1º da Lei de Arbitragem (Lei 9.307/1996), a arbitragem se limita à capacidade de contratar e aos direitos patrimoniais e disponíveis. “Art. 1º As pessoas capazes de contratar poderão valer-se da arbitragem para dirimir litígios relativos a direitos patrimoniais disponíveis.” • Capacidade de direito. Ou seja, os incapazes podem ser representados ou assistidos • Direitos disponíveis patrimoniais Nessa medida, a afronta aos direitos indisponíveis, a exemplo dos direitos da personalidade, como é cediço, são indenizáveis e, quanto a essa indenização, cabe a arbitragem. Por exemplo: ninguém pode transacionar, abrindo mão do seu direito à honra, que é um direito da personalidade. Contudo, a afronta à honra da pessoa gera o direito de receber indenização por danos morais. Assim, diante da afronta ao seu direito, nada obsta que, através de compromisso arbitral com o ofensor, o valor da reparação seja arbitrado. Nesse contexto, o árbitro não pode decidir se a pessoa tem ou não o direito à honra, vez que este direito é indisponível. Porém, nada obsta que decida acerca do fato que enseja a afronta ao direito à honra e quanto à liquidação dessa afronta. CONVENÇÃO DE ARBITRAGEM • a arbitragem não é obrigatória, vez que ninguém pode ser compelido a se submeter à arbitragem; • se as “partes” convencionarem a arbitragem, em razão da manifestação volitiva livre e consciente, pelo princípio da autonomia da vontade, o que foi estabelecido entre elas se torna obrigatório; • Cláusula arbitral levantada anula a jurisdição. • Juiz deve extinguir sem julgamento do mérito. –Aceitação das partes. –Autonomia da vontade. –Pacta sunt servanda. OBS: Necessidade da parte levantar a cláusula arbitral CONVENÇÃO DE ARBITRAGEM Exemplo de jurisprudência: • Tribunal de Justiça de São Paulo: “Sistema Financeiro Imobiliário – Ação revisional de contrato de venda e compra de imóvel com pedido liminar de manutenção de posse e suspensão da consolidação da propriedade em favor do credor fiduciário – Contrato firmado para aquisição de imóvel pelo Sistema Financeiro Imobiliário, regido pela Lei 9.514/1997 – Existência de cláusula arbitral ou compromissória – Correta a extinção do feito com fundamento no art. 267, VII, do CPC [atual art. 485, VII]. Recurso não provido, com observação. A cláusula compromissória ou arbitral é a espécie de convenção de arbitragem mediante a qual os contratantes se obrigam a submeter seus futuros e eventuais conflitos que possam surgir do contrato à solução arbitral, somente podendo ser adotada em razão da vontade das partes. Por tal razão, se e quando adotada, torna-se obrigatória e caso uma das partes resolva acionar o Judiciário, o juiz será obrigado a extinguir o processo sem resolução do mérito, conforme ditam os arts. 267, VII, e 301, IX, do Código de Processo Civil [atuais arts. 485, VII, e 337, X] (TJSP, 11ª Câmara de Direito Privado, Apelação 7218265-7, Rel. Des. Gilberto dos Santos, j. 17.04.2008)”. Espécies de CONVENÇÃO DE ARBITRAGEM Art. 3º da Lei 9.307/1996: “As partes interessadas podem submeter a solução de seus litígios ao juízo arbitral mediante convenção de arbitragem, assim entendida a cláusula compromissória e o compromisso arbitral”. Convenção de arbitragem é gênero do qual são espécies a cláusula arbitral (ou cláusula compromissória) e o compromisso arbitral. Espécies de CONVENÇÃO DE ARBITRAGEM • Cláusula arbitral • Acordada antes do conflito • Não importa se contemporânea ou posterior ao contrato • art. 4º da Lei de Arbitragem trata do assunto: “A cláusula compromissória é a convenção • através da qual as partes em um contrato comprometem-se a submeter à arbitragem os litígios que • possam vir a surgir, relativamente a tal contrato. § 1º A cláusula compromissória deve ser estipulada • por escrito, podendo estar inserta no próprio contrato ou em documento apartado que a ele se refira”. • Compromisso arbitral • Após o conflito • (i) Judicial, referindo-se à controvérsia já ajuizada perante a justiça ordinária, celebrando-se, então, por termo nos autos, perante o juízo ou tribunal por onde correr a demanda. Tal termo será assinado pelas próprias partes ou por mandatário com poderes especiais (CC, arts. 851 e 661,§2°; CPC, art. 38, com redação da Lei n°8.952/94; Lei n°9.307/96, art. 9°, §1°). Feito o compromisso, cessarão as funções do juiz togado, pois os árbitros decidirão ; e • (ii) Extrajudicial, se ainda não existir demanda ajuizada. Não havendo causa ajuizada, celebra-se á compromisso arbitral por escritura pública ou particular, assinada pelas partes e por duas testemunhas (CC. Art. 851; Lei n°9.307/96, art. 9°, §2°). Espécies de CONVENÇÃO DE ARBITRAGEM CLÁUSULA ARBITRAL (OU CLÁUSULA COMPROMISSÓRIA): Art. 853, do Código Civil: “Admite-se nos contratos a cláusula compromissória, para resolver divergências mediante juízo arbitral, na forma estabelecida em lei especial”. Surge, assim, a cláusula arbitral, espécie de convenção de arbitragem mediante a qual os contratantes se obrigam a submeter seus futuros e eventuais conflitos que possam surgir do contrato à solução arbitral. Portanto, o que caracteriza uma cláusula arbitral é o momento de seu surgimento: anterior à existência do conflito. Espécies de CONVENÇÃO DE ARBITRAGEM CLÁUSULA ARBITRAL (OU CLÁUSULA COMPROMISSÓRIA): CHEIA: É aquela que contém os requisitos mínimos para que possa ser instaurado o procedimento arbitral (as condições mínimas que o art. 10 da Lei de Arbitragem impõe para o compromisso arbitral), como, por exemplo, a forma de indicação dos árbitros, o local etc., tornandoprescindível o compromisso arbitral. Sendo assim, ao surgir o conflito, as partes não precisam firmar compromisso arbitral e qualquer delas pode dar início ao procedimento arbitral. Art. 10. Constará, obrigatoriamente, do compromisso arbitral: I - o nome, profissão, estado civil e domicílio das partes; II - o nome, profissão e domicílio do árbitro, ou dos árbitros, ou, se for o caso, a identificação da entidade à qual as partes delegaram a indicação de árbitros; III - a matéria que será objeto da arbitragem; e IV - o lugar em que será proferida a sentença arbitral. Espécies de CONVENÇÃO DE ARBITRAGEM CLÁUSULA ARBITRAL (OU CLÁUSULA COMPROMISSÓRIA): VAZIA: A cláusula arbitral vazia (ou em branco) é aquela em que as partes simplesmente se obrigam a submeter seus conflitos à arbitragem, sem estabelecer, contudo, as regras mínimas para desenvolvimento da solução arbitral e, tampouco, indicar as regras de uma entidade especializada, tornando necessário, ao surgir o conflito, que as partes, antes de dar início à arbitragem, firmem, além da cláusula arbitral, um compromisso arbitral. Ao surgir o conflito, a par da existência da cláusula arbitral, será necessário que as partes firmem um compromisso arbitral para estabelecer os requisitos dos art. 10 da Lei de Arbitragem – As partes se obrigam a arbitragem, mas não fornecem detalhes; – As definições são feitas a partir do surgimento do conflito; – Havendo discordância é possível a execução da cláusula – vontade das partes – necessário acordo para definição de árbitro; Art. 6º Não havendo acordo prévio sobre a forma de instituir a arbitragem, a parte interessada manifestará à outra parte sua intenção de dar início à arbitragem, por via postal ou por outro meio qualquer de comunicação, mediante comprovação de recebimento, convocando-a para, em dia, hora e local certos, firmar o compromisso arbitral Espécies de CONVENÇÃO DE ARBITRAGEM COMPROMISSO ARBITRAL: O compromisso arbitral nada mais é que a convenção de arbitragem mediante o qual as partes pactuam que o conflito já existente entre elas será dirimido através da solução arbitral e pode ser: a) Judicial, na medida em que as partes decidem colocar termo no procedimento judicial em andamento e submeter o conflito à arbitragem; b) Extrajudicial, firmado depois do conflito, mas antes da propositura de ação judicial. Portanto, o que o caracteriza é o momento de seu nascimento: posterior à existência do conflito, podendo se manifestar antes ou durante a demanda judicial e, se for antes, impede, em razão da vontade das partes, o acesso ao Poder Judiciário para dirimir o conflito. Espécies de CONVENÇÃO DE ARBITRAGEM REQUISITOS DO COMPROMISSO ARBITRAL: Como se sabe, a validade dos negócios jurídicos requer a forma prescrita ou não proibida por lei (arts. 104, III, e 166, IV, do CC). Art. 9º da Lei de Arbitragem estipula: “O compromisso arbitral é a convenção através da qual as partes submetem um litígio à arbitragem de uma ou mais pessoas, podendo ser judicial ou extrajudicial. § 1º O compromisso arbitral judicial celebrar-se-á por termo nos autos, perante o juízo ou tribunal, onde tem curso a demanda. § 2º O compromisso arbitral extrajudicial será celebrado por escrito particular, assinado por duas testemunhas, ou por instrumento público”. Espécies de CONVENÇÃO DE ARBITRAGEM REQUISITOS DO COMPROMISSO ARBITRAL: • Pode ser escrito – Nos autos do processo – Em acordo extraprocessual • Requisitos obrigatórios do compromisso arbitral – Art.104 CC – Art. 10 Lei 9307 OBS: Além de objeto lícito, possível e determinável precisa apresentar a cláusula por escrito; OBS: Cláusula vazia é possível e não gera nulidade AUTONOMIA DA CLÁUSULA ARBITRAL Nos termos do art. 8º da Lei 9.307/1996, “a cláusula compromissória é autônoma em relação ao contrato em que estiver inserta, de tal sorte que a nulidade deste não implica, necessariamente, a nulidade da cláusula compromissória”. Sendo assim, de acordo com o parágrafo único do mesmo dispositivo legal, “caberá ao árbitro decidir de ofício, ou por provocação das partes, as questões acerca da existência, validade e eficácia da convenção de arbitragem e do contrato que contenha a cláusula compromissória”. A cláusula arbitral ou compromissória não é acessória do contrato. Portanto, como é autônoma, a nulidade do contrato não implica em nulidade da cláusula arbitral. O significado do dispositivo, portanto, indica que qualquer alegação de nulidade do contrato ou da cláusula arbitral, diante de sua existência e seguindo o espírito da lei, deve ser dirimida pela arbitragem e não pelo Poder Judiciário. A lei pretendeu, neste sentido, “fechar uma brecha” que permitiria às partes, sempre que alegassem a nulidade da cláusula arbitral ou do contrato, ignorar o pacto de arbitragem e acessar o Poder Judiciário para dirimir o conflito. Prof. Thiago Normando∴