Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.
left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Experimente o Premium!star struck emoji

Acesse conteúdos dessa e de diversas outras disciplinas.

Libere conteúdos
sem pagar

Ajude estudantes e ganhe conteúdos liberados!

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Experimente o Premium!star struck emoji

Acesse conteúdos dessa e de diversas outras disciplinas.

Libere conteúdos
sem pagar

Ajude estudantes e ganhe conteúdos liberados!

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Experimente o Premium!star struck emoji

Acesse conteúdos dessa e de diversas outras disciplinas.

Libere conteúdos
sem pagar

Ajude estudantes e ganhe conteúdos liberados!

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Experimente o Premium!star struck emoji

Acesse conteúdos dessa e de diversas outras disciplinas.

Libere conteúdos
sem pagar

Ajude estudantes e ganhe conteúdos liberados!

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Experimente o Premium!star struck emoji

Acesse conteúdos dessa e de diversas outras disciplinas.

Libere conteúdos
sem pagar

Ajude estudantes e ganhe conteúdos liberados!

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Experimente o Premium!star struck emoji

Acesse conteúdos dessa e de diversas outras disciplinas.

Libere conteúdos
sem pagar

Ajude estudantes e ganhe conteúdos liberados!

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Experimente o Premium!star struck emoji

Acesse conteúdos dessa e de diversas outras disciplinas.

Libere conteúdos
sem pagar

Ajude estudantes e ganhe conteúdos liberados!

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Experimente o Premium!star struck emoji

Acesse conteúdos dessa e de diversas outras disciplinas.

Libere conteúdos
sem pagar

Ajude estudantes e ganhe conteúdos liberados!

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Experimente o Premium!star struck emoji

Acesse conteúdos dessa e de diversas outras disciplinas.

Libere conteúdos
sem pagar

Ajude estudantes e ganhe conteúdos liberados!

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Experimente o Premium!star struck emoji

Acesse conteúdos dessa e de diversas outras disciplinas.

Libere conteúdos
sem pagar

Ajude estudantes e ganhe conteúdos liberados!

Prévia do material em texto

Conceitos de saúde pública e saúde 
coletiva
Apresentação
Os conceitos de saúde coletiva e saúde pública, por vezes, são confundidos ou usados como 
sinônimos. Contudo, eles apresentam diferenças importantes nas suas concepções. Ao passo que a 
saúde pública tem como objeto o adoecimento do coletivo, baseada principalmente na 
epidemiologia tradicional, a saúde coletiva trabalha para a qualidade de vida da população, 
considerando os determinantes sociais na produção do processo saúde-doença.
Nesta Unidade de Aprendizagem, você vai aprender sobre esses conceitos e o impacto que eles 
podem ter na saúde dos indivíduos. Além disso, vai conseguir diferenciar um conceito do outro e 
entender como as abordagens podem ser aplicadas para a melhoria da saúde e da qualidade de vida 
da população.
Bons estudos.
Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
Identificar os conceitos de saúde pública e de saúde coletiva.•
Diferenciar os conceitos de saúde pública e de saúde coletiva.•
Combinar as potencialidades de ambos os conceitos para aplicar em situações-problema.•
Desafio
As infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) são um grupo de doenças infecciosas cuja 
transmissão ocorre principalmente por meio da relação sexual desprotegida. As ações de educação 
em saúde com foco na promoção da saúde e na prevenção de doenças e agravos, foco primordial 
da saúde coletiva, são essenciais para reduzir as infecções.
Diante disso, imagine a situação a seguir:
Considerando os conceitos de saúde pública e saúde coletiva, bem como os instrumentos de 
trabalho de cada um deles, epidemiologia tradicional e social, respectivamente, como você, 
enfermeiro da UBS, pode realizar o planejamento dessa ação?
Infográfico
Com muita frequência, na área da saúde, o conceito de saúde pública é confundido com o de saúde 
coletiva. Contudo, é importante destacar que existem diferenças fundamentais entre as duas. Essas 
distinções são responsáveis por impactos diretos na saúde dos indivíduos e das populações.
Neste Infográfico, você vai estudar as principais diferenças nos conceitos de saúde pública e saúde 
coletiva, como o objeto de trabalho de cada uma delas, as concepções teóricas e a interferência do 
Estado dos dois processos.
Conteúdo do livro
O SUS, instituído pela Constituição Federativa do Brasil em 1988, determina que a saúde é direito 
de todos e dever do Estado, que deve ser garantido por meio de políticas sociais e econômicas com 
o objetivo de reduzir o risco de doenças e de outros agravos, além de oferecer acesso universal e 
igualitário às ações e aos serviços para promoção, proteção e recuperação da saúde. Para apoiar e 
assegurar esse direito, temos o campo da saúde coletiva e o da saúde pública, cujos valores, 
características e objetivos são distintos.
No capítulo Conceitos de saúde pública e saúde coletiva, base teórica desta Unidade de 
Aprendizagem, você vai entender o que são a saúde pública e a saúde coletiva, além de 
compreender como esses dois campos de saberes podem ser articulados para atender às 
necessidades populacionais.
Boa leitura.
SAÚDE PÚBLICA
Andrei Valerio Paiva
Conceitos de saúde pública e 
saúde coletiva
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
 � Identificar os conceitos de saúde pública e de saúde coletiva.
 � Diferenciar os conceitos de saúde pública e de saúde coletiva.
 � Combinar as potencialidades dos dois conceitos para aplicar em 
situações problema.
Introdução
Os termos “saúde coletiva” e “saúde pública” são geralmente confun-
didos ou usados como sinônimos, provavelmente em razão de dife-
renças muito sutis entre eles. No entanto, eles pertencem a campos 
de saberes e práticas distintos, ainda que complementares. A saúde 
pública estuda o adoecimento com base principalmente na epide-
miologia tradicional. Por sua vez, a saúde coletiva trabalha para a qua-
lidade de vida da população, considerando os determinantes sociais 
na produção do processo saúde-doença.
Neste capítulo, você irá compreender o que diferencia a saúde 
coletiva da saúde pública e aprender como esses campos de saberes 
e práticas podem contribuir para a saúde das populações.
Doença, processo saúde-doença, vacinação e 
prevenção
Antes de conceituarmos saúde pública e saúde coletiva, vamos caracterizar 
alguns itens importantes. A doença não pode ser compreendida apenas por 
meio das medições fisiopatológicas, pois quem estabelece o estado da doença 
são sentimentos expressos pelo corpo subjetivo que adoece. É na dimensão do 
ser que ocorrem as definições do normal ou patológico. O considerado normal 
em um indivíduo pode não ser em outro; não há rigidez no processo. Assim, 
você deduz que o ser humano precisa se autoconhecer e avaliar as transforma-
ções sofridas por seu corpo e identificar os sinais expressos por ele. Esse pro-
cesso só é viável em uma perspectiva relacional entre o normal e o patológico. 
Muito se tem escrito sobre o processo saúde-doença no que se refere à dis-
tinção entre a doença (definida pelo sistema da assistência à saúde) e a saúde 
(percebida pelos indivíduos). É preciso levar em conta a dimensão do bem-
-estar, um conceito mais amplo, no qual a contribuição da saúde não é a única 
e nem a mais importante. O sofrimento experimentado por pessoas, famílias 
e grupos sociais não corresponde necessariamente à concepção de doença que 
orienta provedores como os profissionais da Estratégia de Saúde da Família. 
Por outro lado, uma alternativa para a superação dos modelos causais clás-
sicos, centrados em ações individuais (métodos diagnósticos e terapêuticos, 
vacinação, educação em saúde) seria privilegiar a dimensão coletiva do fenô-
meno saúde-doença por meio de modelos interativos que incorporassem ações 
individuais e coletivas. Uma nova maneira de pensar a saúde e a doença deve 
incluir explicações para os achados universais de que a mortalidade e a morbi-
dade obedecem a um gradiente que atravessa as classes socioeconômicas, de 
modo que menores rendas e status social estão associados a uma pior condição 
em termos de saúde. Essa evidência é um indicativo de que os determinantes da 
saúde estão localizados fora do sistema de assistência à saúde.
O conceito de prevenção é definido como ação antecipada, baseada no co-
nhecimento da história natural a fim de tornar improvável o progresso poste-
rior da doença. A prevenção apresenta três fases. A prevenção primária ocorre 
no período de pré-patogênese. O conceito de promoção da saúde é um dos ní-
veis da prevenção primária, definido como medidas destinadas a desenvolver 
uma saúde ótima. Um segundo nível da prevenção primária seria a proteção 
específica “contra agentes patológicos ou pelo estabelecimento de barreiras 
contra os agentes do meio ambiente”. A fase da prevenção secundária também 
se apresenta em dois níveis: o primeiro, diagnóstico e tratamento precoce, e o 
segundo, limitação da invalidez. Por fim, a prevenção terciária diz respeito a 
ações de reabilitação.
Políticas públicas de alimentação e nutrição2
Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) e Juan Cesar Garcia 
A Opas protagonizou a difusão do ensino da Medicina Preventiva na América Latina, 
patrocinando a realização dos seminários de Vina del Mar (Chile) e Tehuacan (México), 
na década de 1950 (OPS, 1976). Mais tarde, apoiou e promoveu o desenvolvimento da 
denominada Medicina Social Latino-Americana, com a brilhante atuação de Juan Cesar 
Garcia, médico e sociólogo argentino (Nunes, 1989). Garcia não apenas formulou as 
linhas gerais de um programa de estudos e ação, mas também desempenhou o papel 
de liderança política, mobilizando recursos institucionais para apoiar os programas 
emergentes de medicina preventiva e introduzir neles o ensino das ciências sociais 
em saúde de abordagem histórico-estrutural (Spinelli et al., 2012). A Opas contou com 
o financiamento da Fundação Milbank nessas atividades. Os programas visavam àfor-
mação de lideranças, permitindo que intelectuais críticos imprimissem direção ao pro-
cesso, cujas iniciativas eram vistas como inovadoras (Garcia, 1985).
Definição de saúde pública e saúde coletiva
Em 1920, Charles Edward A. Winslow, então professor de Medicina Experi-
mental da Universidade de Yale, foi procurado por dois estudantes da gradu-
ação que queriam uma orienta ção sobre as carreiras a seguir. Eles estavam 
particularmente interessados em entender o que era saúde pública. Winslow 
sentiu a necessidade de formular uma melhor definição que englobasse as 
tendências e possibilidades dessa estimulante área. Assim, elaborou um artigo 
para a revista Science definiu saúde pública:
Saúde Pública é a ciência e a arte de prevenir a doença, prolongar a vida, 
promover a saúde física e a eficiência através dos esforços da comunidade 
organizada para o saneamento do meio ambiente, o controle das infec-
ções comunitárias, a educa ção dos indivíduos nos princípios de higiene 
pessoal, a organiza ção dos serviços médicos e de enfermagem para o 
diagnóstico precoce e o tratamento preventivo da doença e o desenvol-
vimento da máquina social que assegurará a cada indivíduo na comuni-
dade um padrão de vida adequado para a manutenção da saúde. (WINS-
LOW, 1920, p. 23).
Conceitos de saúde pública e saúde coletiva 3
As origens da saúde coletiva são situadas por Nunes (1994) na década de 
1950. Vieira-da-Silva, Paim e Schraiber (2014) reforçam o final da década de 
1970 utilizando como marco o surgimento do termo saúde coletiva no Brasil 
e a criação da Associação Brasileira de Pós-Graduação em saúde coletiva 
(Abrasco), sem negar as raízes apontadas por Nunes em períodos anteriores. 
A saúde coletiva consolidou-se, então, com esse nome e com suas especifi-
cidades no Brasil. Apesar de o nome não ter sido adotado em outros países, 
muitos autores percebem a saúde coletiva como parte de um movimento mais 
amplo da América Latina, como aponta o próprio Nunes (1994).
No Brasil, as intervenções sobre a saúde da coletividade ganham força 
durante a República Velha, como estratégia de saneamento dos espaços de 
circulação da economia cafeeira. É a época de Oswaldo Cruz e das campa-
nhas sanitárias, em que se destacam as medidas de saneamento voltadas à er-
radicação da febre amarela urbana e a vacinação obrigatória contra a varíola.
Então, a saúde coletiva abrange as necessidades sociais de saúde (e não 
apenas as doenças, os agravos ou os riscos) e entende a situação da saúde 
como um processo social (o processo saúde-doença) relacionado à estrutura 
da sociedade. Por fim, a saúde coletiva concebe as ações de atenção à saúde 
como práticas simultaneamente técnicas e sociais.
A saúde coletiva propõe a superação das intervenções sanitárias sob a 
forma de programas temáticos, voltados a problemas ou grupos populacionais 
específicos, com base em uma epidemiologia meramente descritiva e em uma 
abordagem normativa de planejamento e administração. Você verifica, então, 
que a saúde coletiva adota intervenções articuladas de promoção, proteção, 
recuperação e reabilitação da saúde, com base em uma abordagem multidisci-
plinar, com a contribuição das ciências sociais, da epidemiologia crítica e do 
planejamento e da gestão estratégicas e comunicativas.
Políticas públicas de alimentação e nutrição4
A expressão saúde coletiva era utilizada desde a década de 1960 para se referir a pro-
blemas de saúde no nível populacional (OPS, 1976) e em documentos oficiais que 
mencionavam uma dada matéria do currículo mínimo do curso médico, proposta 
pela Reforma Universitária de 1968. Essa matéria incluía a epidemiologia, a estatística, 
a organização e administração sanitária as ciências sociais, entre outras. Portanto, a 
introdução desses conteúdos na graduação dos profissionais de saúde foi iniciativa 
dos departamentos de Medicina Preventiva, junto a seus equivalentes nas escolas de 
enfermagem, farmácia, veterinária, odontologia etc. Nos cursos de aperfeiçoamento 
e especialização, essas disciplinas eram ministradas pelas escolas de saúde pública, 
que passaram a contribuir para a constituição da área. No final da década de 1970, 
a expressão saúde coletiva foi usada como título do primeiro encontro nacional de 
cursos de pós-graduação existentes no Brasil, denominados Medicina Social, Medicina 
Preventiva, Saúde Comunitária e saúde pública. Nessa oportunidade, foi proposta a 
criação da Associação Brasileira de Pós-graduação em saúde coletiva (ABRASCO), cuja 
formalização foi discutida em reuniões posteriores, sendo fundada em 1979 em Brasília.
Comparação entre saúde pública e saúde 
coletiva
Para comparar e identificar as diferenças entre a saúde pública e a saúde co-
letiva, parte-se do pressuposto teórico de que as necessidades de saúde e as 
intervenções sociais voltadas para atendê-las são determinadas pela estrutura 
da sociedade, em seus planos socioeconômico e político-ideológico. 
Características da saúde coletiva
A saúde coletiva teve suas origens nos anos 70, com o processo de institu-
cionalização da formação de recursos humanos e dos conhecimentos que se 
encontravam dispersos em escolas de saúde pública, Departamentos de Medi-
cina Preventiva e cursos de Medicina Social. Caracteriza-se como um movi-
mento contra-hegemônico que critica o modelo sanitário brasileiro.
Conceitos de saúde pública e saúde coletiva 5
Na mesma linha, afirma-se que a saúde coletiva representa um esforço de 
qualificar problemas de saúde pela temática da ‘modernização periférica’ em 
voga nos anos 60 e 70, com a atenção voltada para a expansão dos aglome-
rados humanos nos grandes centros urbanos, a mudança nos padrões demo-
gráficos do mercado de trabalho, a intensificação da conflitividade social e as 
práticas de regulação desfechadas pelo Estado de Bem-estar Social, em sua 
fraca versão local.
A filiação teórica e metodológica da saúde coletiva, no seu nascimento, 
liga-se ao materialismo histórico e tinha como desafio principal integrar o 
indivíduo aos processos coletivos.
A saúde coletiva se fundamenta na interdisciplinaridade como condição 
necessária à produção de um conhecimento ampliado da saúde, em que se 
fazem presentes os desafios de trabalhar com as dimensões qualitativas e 
quantitativas, sincrônicas e diacrônicas, objetivas e subjetivas do processo 
saúde-doença. 
Mais recentemente, saúde coletiva foi definida como: 
[...] campo de produção de conhecimentos voltados para a compreensão 
da saúde e a explicação de seus determinantes sociais, bem como âmbito 
de práticas direcionadas prioritariamente para a sua promoção, além de 
voltadas para a prevenção e o cuidado a agravos e doenças, tomando 
por objeto não apenas os indivíduos, mas, sobretudo, os grupos sociais, 
portanto, a coletividade.
Características da saúde pública
Quanto à saúde pública, além da definição do professor Winslow, mencio-
nada antes, é possível dizer que ela envolve ações do Estado e da sociedade 
civil para proteger e melhorar a saúde das pessoas. Não é uma disciplina aca-
dêmica, mas uma prática social interdisciplinar. Não é sinônimo de atuação 
estatal na área da saúde, pois engloba ações não estatais e não abarca tudo o 
que o Estado pode fazer em matéria de saúde.
O documento da Opas (Organização Pan-Americana de Saúde) menciona 
a dificuldade de separar, nitidamente, as responsabilidades próprias da saúde 
pública, relacionadas à prevenção de doenças e à promoção da saúde de grupos 
populacionais definidos, e aquelas relativas à organização da atenção individual 
curativa. Seria obrigação da saúde pública dedicar-se às primeiras, ao passo que 
Políticas públicas de alimentação e nutrição6
as segundas são objetos de sua preocupação quanto ao acesso equitativo e o 
controle da qualidade, mas não são objetos de sua intervenção direta.
Com base nessas concepções, a Opas enumera onze funções essenciais 
da saúde pública: 1) monitoramento, análise e avaliação da situação de saúde; 
2) vigilância, investigação,controle de riscos e danos à saúde; 3) promoção 
da saúde; 4) participação social em saúde; 5) desenvolvimento de políticas e 
capacidade institucional de planejamento e gestão pública da saúde; 6) capa-
cidade de regulação, fiscalização, controle e auditoria em saúde; 7) avaliação 
e promoção do acesso equitativo da população aos serviços de saúde neces-
sários; 8) administração, desenvolvimento e formação de recursos humanos 
em saúde; 9) promoção e garantia da qualidade dos serviços de saúde; 10) 
pesquisa e incorporação tecnológica em saúde; 11) condução da mudança do 
modelo de atenção à saúde. 
No Brasil, o Conselho Nacional de Secretários de Saúde assume o prota-
gonismo na adoção da abordagem, adaptando esse rol de funções às caracte-
rísticas do SUS, em especial, ao princípio da integralidade, que não admite 
a separação entre as ações dirigidas à coletividade e aquelas destinadas aos 
indivíduos, nem permite que o Estado se ocupe apenas das primeiras. 
Objetos de trabalho da saúde pública e da saúde coletiva
A saúde pública toma como objeto de trabalho os problemas de saúde, defi-
nidos em termos de mortes, doenças, agravos e riscos. A concepção da saúde 
pública é a ausência de doenças. 
A saúde coletiva, por sua vez, toma como objeto as necessidades de saúde, 
ou seja, todas as condições necessárias não só para evitar a doença e prolongar 
a vida, mas também para melhorar a qualidade de vida e permitir o exercício 
da liberdade humana na busca da felicidade. Assim, duas ordens de diferenças 
se destacam nessa comparação. A conceituação de saúde pública menciona 
“ciência e arte”. A conceituação de saúde coletiva cita “campo de conheci-
mentos” e “práticas de saúde”. 
Essas menções distintas indicam, essencialmente, a adesão dos pensa-
dores da saúde pública, de um lado, e dos da saúde coletiva, de outro, a dife-
rentes marcos conceituais. 
A segunda ordem de diferenças significativas é observada quando se con-
sideram os momentos constituintes do processo de trabalho – o objeto, os 
instrumentos e o trabalho propriamente dito – de cada um dos movimentos.
Conceitos de saúde pública e saúde coletiva 7
Como instrumentos de trabalho, a saúde pública mobiliza a epidemiologia 
tradicional, o planejamento normativo e a administração taylorista, em abor-
dagens caudatárias da clínica e, portanto, da concepção biologista da saúde. 
De fato, são as ações isoladas da Vigilância Epidemiológica e da Vigilância 
Sanitária ou o desenvolvimento de programas especiais, desarticulados das 
demais ações, como a Saúde Materno-Infantil ou o Programa Nacional de 
Imunização, que configuram os meios de trabalho característicos da saúde 
pública.
Já a saúde coletiva se propõe a utilizar como instrumentos de trabalho 
a epidemiologia social ou crítica que, aliada às ciências sociais, prioriza o 
estudo da determinação social e das desigualdades em saúde, o planejamento 
estratégico e comunicativo e a gestão democrática. Além disso, abre-se às con-
tribuições de todos os saberes – científicos e populares – que podem orientar a 
elevação da consciência sanitária e a realização de intervenções intersetoriais 
sobre os determinantes estruturais da saúde. Assim, os movimentos como 
promoção da saúde, cidades saudáveis, políticas públicas saudáveis, saúde em 
todas as políticas compõem as estratégias da saúde coletiva. 
Quanto ao trabalho em si, o agente da saúde pública desempenha as ati-
vidades das vigilâncias tradicionais (epidemiológica e sanitária), aplica os 
modelos de transmissão de doenças (controle de riscos), realiza ações de edu-
cação sanitária e fiscaliza a produção e a distribuição de bens e serviços con-
siderados de interesse da saúde na perspectiva reducionista do risco sanitário, 
definido pela clínica biomédica. Além disso, é o agente que assume as tarefas 
do planejamento normativo, define objetivos e metas considerando apenas o 
ponto de vista estatal, sem levar em conta a distribuição do poder na socie-
dade. Também assume as tarefas da administração sanitária, orientada pelas 
tentativas de controle burocrático de colaboradores subalternos.
Por outro lado, o agente da saúde coletiva tem um papel abrangente e es-
tratégico: a responsabilidade pela direção do processo coletivo de trabalho, 
seja na dimensão epidemiológica e social de apreensão e compreensão das 
necessidades de saúde, seja na dimensão organizacional e gerencial de seleção 
e operação de tecnologias para o atendimento dessas necessidades. Você ou-
virá dizer que o profissional da saúde coletiva é um técnico de necessidades 
de saúde e um gerente de processos de trabalho em saúde, comprometido com 
os valores de solidariedade, igualdade, justiça e democracia. É, portanto, um 
militante sociopolítico da emancipação humana. Para a saúde pública, o Es-
tado é o ator político por excelência, capaz por si só de assegurar a prevenção 
das doenças.
Políticas públicas de alimentação e nutrição8
Para a saúde coletiva, além do Estado, há outros atores e poderes na socie-
dade civil que devem atuar para promover a democratização da saúde. Essa 
comparação revela que são distintas as articulações desses dois movimentos 
ideológicos com a atual estrutura da sociedade. A saúde pública encontra-se 
institucionalizada nas atividades cotidianas dos serviços do SUS. A saúde 
coletiva inspirou o projeto da Reforma Sanitária que deu origem ao SUS, mas 
persiste como alternativa contra-hegemônica.
Concluindo, a saúde pública, em seu atual formato institucionalizado, 
tenderia a ficar dialeticamente superada, aproveitando-se seus elementos téc-
nicos de modo a integrá-los nas estratégias da atenção integral à saúde. E, em 
um cenário otimista em que o SUS constitucional encontrasse um ambiente 
favorável para sua conversão em realidade concreta, a saúde coletiva teria um 
papel político a cumprir especialmente na definição de rumos condizentes 
com as propostas preconizadas pela Reforma Sanitária Brasileira. 
Em termos concretos, haveria um ambiente propício para a multiplicação 
de centros de produção e reprodução de conhecimento, tecnologias e inova-
ções, tendo em vista o aprimoramento do SUS e o avanço da democratização 
da saúde. 
GARCIA, J. C. Juan Cesar Garcia entrevista Juan Cesar Garcia. In: NUNES, E. D. (Ed.). As 
ciências sociais em saúde na América Latina: tendências e perspectivas. Brasília, DF: OPAS, 
1985. p. 21-28.
NUNES, E. (Org.). Medicina social: aspectos teóricos e históricos. São Paulo: Global, 1983.
NUNES, E. D. As contribuições de Juan Cesar Garcia às ciências sociais em saúde. In: 
NUNES, E. D. (Ed.). Juan Cesar Garcia: pensamento social em saúde na América Latina. 
São Paulo: Cortez, 1989, p. 11-33.
ORGANIZATION PANAMERICANA DE LA SALUD. Enseñanza de la medicina preventiva y 
social: 20 años de experiencia latinoamericana. Washington, D. C.: OPS, 1976. (OPS - 
Publ. Cient., 234).
PAIM, J. S.; ALMEIDA FILHO, N. (Org.). Saúde coletiva: teoria e prática. Rio de Janeiro: Me-
dBook, 2014.
SCHRAIBER, L. B. Saúde coletiva: um campo vivo. In: PAIM, J. Reforma sanitária brasileira: 
contribuição para a compreensão e crítica. Salvador: EDUFBA; Rio de Janeiro: Fiocruz, 
2008. p. 9-19.
Referências
Conceitos de saúde pública e saúde coletiva 9
SOUZA, L. E. P. F. de. Saúde pública ou saúde coletiva?. Revista Espaço para Saúde, Londri-
na, v. 15, n. 4, p. 7-21, out./dez. 2014.
VIANNA, L. A. C. Processo saúde-doença: módulo político gestor. [2010?]. Disponível em: 
. Acesso em: 20 jun. 2016.
VIEIRA-DA-SILVA, L. M.; PAIM, J. S.; SCHRAIBER, L. B. O que é saúde coletiva? In: PAIM, J. 
S.; ALMEIDA-FILHO, N. (Org.). Saúde coletiva: teoria e prática. Rio de Janeiro: MedBook, 
2014. p. 3-12.
WINSLOW, C. E. A. The untilled fields of Public Health. Science, Washington, DC, v. 51, n. 
1306, p. 23-33, jan. 1920.
Leituras recomendadas
LIMA, N. T. et al. (Org.). Saúde e Democracia: histórias e perspectivas do SUS. Rio deJaneiro: Fiocruz, 2005.
PAIM, J. S. Desafios para a saúde coletiva no século XXI. Salvador: EDUFBA, 2006.
PAIM, J. S.; ALMEIDA FILHO, N. Saúde coletiva: uma “nova saúde pública” ou campo 
aberto a novos paradigmas?. Revista de Saúde Pública, São Paulo, v. 32, n. 4, p. 299-316, 
jun. 1998.
Políticas públicas de alimentação e nutrição10
Dica do professor
Os Determinantes Sociais da Saúde (DSS) são entendidos pela Comissão Nacional sobre os 
Determinantes Sociais da Saúde (CNDSS) como sendo os fatores sociais, econômicos, culturais, 
étnicos/raciais, psicológicos e comportamentais que influenciam a ocorrência de problemas de 
saúde e de fatores de risco na população, tais como moradia, alimentação, escolaridade, renda e 
emprego. Assim, é importante considerar como os DSS influenciam a saúde das populações e 
individual.
Nesta Dica do Professor, você vai aprender mais sobre os conceitos de saúde coletiva e como os 
determinantes da saúde influem nas condições de saúde das populações e dos sujeitos.
Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar.
Audiodescrição da Dica do Professor:
Clique aqui
https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/cee29914fad5b594d8f5918df1e801fd/19e68889a3bdf80c7b3eea2e5eddd990
https://publica.sagah.com.br/publicador/objects/attachment/1183662121/DICAConceitosdesadepblicaesadecoletiva.docx?v=835156272
Exercícios
1) Os conceitos de saúde pública e saúde coletiva são comumente utilizados como sinônimos 
pelos profissionais de saúde. No entanto, têm características distintas uma da outra.
Considerando os conceitos apresentados sobre saúde pública, assinale a alternativa correta:
A) É sinônimo exclusivo de atuação estatal na área da saúde.
B) Abarca tudo o que o Estado pode fazer em matéria de saúde.
C) É uma prática social interdisciplinar.
D) É exclusivamente uma disciplina acadêmica.
E) Não embasa sua prática na epidemiologia tradicional.
2) A saúde pública é entendida como um conjunto de ações e serviços de cunho sanitário, cujo 
objetivo é prevenir ou combater as doenças e/ou riscos à saúde da população. Assim, a 
saúde pública apresenta características distintas da saúde coletiva.
Sobre as características da saúde pública, assinale a alternativa correta:
A) É um movimento contra-hegemônico.
B) Está fundamentada na interdisciplinaridade.
C) Caracteriza-se pelo planejamento estratégico e pela gestão democrática em saúde.
D) Uma das características é o controle de riscos, vigilância e danos à saúde.
E) Trabalha as dimensões objetivas e subjetivas.
3) A dinâmica das mudanças a serem promovidas pelo profissional da saúde é mais um ponto 
de divergência entre os conceitos de saúde pública e saúde coletiva. Na saúde pública, as 
mudanças são localizadas e graduais, de acordo com as possibilidades do Estado. Já, na 
saúde coletiva, as mudanças devem ser resultantes de esforços e vontades entre Estado e 
sociedade.
A partir dessa afirmação, assinale a resposta correta:
A) A saúde pública é baseada em discussões sobre as formas de atenção à saúde, 
problematizando a relação profissional-usuário.
B) A saúde coletiva problematiza a relação profissional-usuário, trazendo para a discussão as 
possibilidades do usuário em aplicar o projeto terapêutico.
C) A saúde pública traz para a discussão de atenção à saúde a perspectiva do processo de 
trabalho das equipes.
D) A saúde coletiva é promotora de discussões sobre o fazer em saúde que proporciona uma 
abordagem profissional-paciente com base em ações centradas nos profissionais de saúde.
E) A saúde pública é um campo de prática em que a saúde coletiva traz discussões, objetivando 
melhorias da relação profissional-paciente em ações centradas nos profissionais de saúde.
4) A saúde coletiva é um campo científico que utiliza a epidemiologia social ou crítica, aliada às 
ciências sociais, visando a priorizar o estudo da determinação social, das desigualdades e das 
iniquidades em saúde, permitindo, assim, o planejamento estratégico e comunicativo e a 
gestão democrática.
Sobre a contribuição da saúde coletiva para o fortalecimento e a qualificação do SUS, 
assinale a alternativa correta:
A) Gestão sem restrições econômicas ou orçamentárias.
B) Atividades isoladas e orientadas para o controle de riscos e a prevenção de doenças.
C) Atividades das vigilâncias tradicionais e aplicação dos modelos de transmissão de doenças.
D) Incapacidade de resistência como projeto contra-hegemônico.
E) Seleção e operação de tecnologias para o atendimento das necessidades epidemiológicas e 
sociais.
5) A saúde coletiva se baseia no trabalho interdisciplinar como condição necessária à produção 
de um saber ampliado da saúde. Nesse sentido, existem desafios para se trabalhar com as 
dimensões qualitativas e quantitativas, sincrônicas e diacrônicas, objetivas e subjetivas do 
processo saúde-doença. 
Considerando que a saúde coletiva propõe o pressuposto filosófico-teórico da saúde e da 
vida, assinale a alternativa correta: 
A) O agente de saúde coletiva é militante partidário que acredita na emancipação humana.
B) O agente de saúde coletiva trabalha na perspectiva de organizar o sistema de saúde de forma 
centralizada e especializada.
C) A saúde coletiva adota também o filosófico-teórico da doença e da morte como ponto de 
partida para a explicação da situação de saúde.
D) O profissional da saúde coletiva é um técnico de necessidades de saúde e um gerente de 
processos de trabalho em saúde.
E) A saúde coletiva entende o Estado como único ator capaz de, por si só, assegurar a 
prevenção.
Na prática
Epidemiologicamente, é indicada a vacinação contra o papilomavírus humano (HPV) antes do início 
da vida sexual. Ela é uma medida essencial para a prevenção dessa infecção. Contudo, não é uma 
estratégia exclusiva. As ações de educação em saúde com foco na conscientização de famílias, 
crianças e adolescentes também são igualmente essenciais.
Neste Na Prática, você vai ver alguns paradigmas relacionados ao processo de vacinação contra o 
HPV nas crianças e nos adolescentes.
Aponte a câmera para o 
código e acesse o link do 
conteúdo ou clique no 
código para acessar.
https://statics-marketplace.plataforma.grupoa.education/sagah/91f64852-c3db-46fe-837c-4c0eec79747d/1f63ec6e-fbde-4547-b064-046724443091.png
Saiba +
Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor:
Sistema Único de Saúde (SUS) aos 30 anos
O artigo apresenta os aspectos positivos, os obstáculos e as ameaças para a consolidação do SUS, 
além de enfatizar a falta de prioridade dos governos, o subfinanciamento e os ataques perpetrados 
à saúde pública.
Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar.
O futuro do SUS: impactos das reformas neoliberais na saúde 
pública – austeridade versus universalidade
O artigo apresenta os impactos das políticas de austeridade fiscal, ou seja, de redução dos gastos 
públicos com saúde no Brasil.
Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar.
Mudanças na Política Nacional de Atenção Básica: entre 
retrocessos e desafios
O presente artigo reflete sobre a Política Nacional de Atenção Básica (PNAB) em suas diversas 
versões. Seus objetivos foram discutir os contextos da revisão da PNAB em sua edição de 2017, 
comparar com a versão de 2011 e identificar elementos de continuidade, descontinuidade e 
possíveis agregações.
https://www.scielo.br/j/csc/a/Qg7SJFjWPjvdQjvnRzxS6Mg/?format=pdf&lang=pt
https://www.scielo.br/j/sdeb/a/JLN5qfhCmLh4ZwY4sm4KWPt/?format=pdf&lang=pt
Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar.
https://www.scielo.br/j/sdeb/a/Vs4dLSn6T43b6nPBCFg8F3p/?format=pdf&lang=pt

Mais conteúdos dessa disciplina