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Aula 01 
Acidentes de trabalho 
I – Pressupostos da responsabilidade civil 
Ação/omissão juridicamente qualificada 
Dano 
Nexo causal 
A previsão no Código Civil 
A previsão na CLT 
Art. 157, CLT – Cabe às empresas: I - cumprir e fazer cumprir as normas de segurança e medicina 
do trabalho; II - instruir os empregados, através de ordens de serviço, quanto às precauções a 
tomar no sentido de evitar acidentes do trabalho ou doenças ocupacionais; III - adotar as 
medidas que lhes sejam determinadas pelo órgão regional competente; IV - facilitar o exercício da 
fiscalização pela autoridade competente. 
Art. 158, CLT – Cabe aos empregados: I - observar as normas de segurança e medicina do 
trabalho, inclusive as instruções de que trata o item II do artigo anterior; II - colaborar com a 
empresa na aplicação dos dispositivos deste Capítulo. Parágrafo único - Constitui ato faltoso do 
empregado a recusa injustificada: a) à observância das instruções expedidas pelo empregador na 
forma do item II do artigo anterior; b) ao uso dos equipamentos de proteção individual fornecidos 
pela empresa. 
Art. 7º, XXII e XXVIII, CF – São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que 
visem à melhoria da sua condição social: XXII - redução dos riscos inerentes ao trabalho, por meio 
de normas de saúde, higiene e segurança; XXVIII - seguro contra acidentes de trabalho, a cargo 
do empregador, sem excluir a indenização a que este está obrigado, quando incorrer em dolo 
ou culpa; 
Além dos dispositivos transcritos acima, também algumas normas regulamentadoras (que são 
regulamentos técnicos do Poder Executivo, de hierarquia infralegal), auxiliam na base normativa 
deste conteúdo. Consoante o artigo 200, CLT, o Ministério do Trabalho pode realizar essa 
regulação direta, sem prejuízos. 
Art. 200, CLT – Cabe ao Ministério do Trabalho estabelecer disposições complementares às normas 
de que trata este Capítulo, tendo em vista as peculiaridades de cada atividade ou setor de 
trabalho, especialmente sobre: I - medidas de prevenção de acidentes e os equipamentos de 
proteção individual em obras de construção, demolição ou reparos; 
Em muitos casos, especialmente devido a letargia de atualização da CLT, as NRs acabam 
assumindo papel superior na condução e regulação de relações trabalhistas (tanto por serem 
aplicadas irrestritamente quanto por promoverem revogações tácitas de dispositivos da 
Consolidação). 
FRANCISCO ROSSAL DE ARAÚJO E FERNANDO RUBIN: “As Normas Regulamentadoras do Poder 
Executivo, exercendo competência derivada da lei, atuam fortemente na prevenção de acidentes 
e na criação de uma consciência de meio ambiente de trabalho, cuja principal preocupação é 
diminuir o número de acidentes. Não há questões relevantes levantadas na jurisprudência sobre 
a usurpação de competência legal por parte dos Regulamentos do Poder executivo (NR’s). Tratam-
se mais de uma relação de complementaridade e suplementariedade, e não de conflito.” 
Não há que se falar em previsão específica sobre responsabilidade trabalhista (tema que dialoga, 
intrinsecamente, com os acidentes de trabalho) na CLT. Segue-se o que é entendido de 
responsabilidade a partir da Constituição e do Código Civil. As disposições dos artigos 157 e 158, 
CLT, abordam apenas o compartilhamento desta entre empregado e empregador, com o 
fundamento, em si, sendo retirado de outros livros e diplomas. 
Na disciplina do Direito do Trabalho, em matéria de responsabilidade civil trabalhista, convivem, 
simultaneamente, ambos os pressupostos de responsabilidade civil objetiva e subjetiva, 
ocorrendo a sua repartição entre empregados e empregadores. 
Adota-se o modelo europeu de tratamento para acidentes de trabalho, em nosso ordenamento. 
Um mesmo evento, um acidente do trabalho, pode ensejar a incidência de normas de diversas 
naturezas e sistemas, tais como, por exemplo, administrativas, civis, trabalhistas, 
previdenciárias ou penais. A aplicação destas normas jurídicas distintas dará, igualmente, 
consequências jurídicas distintas para o caso concreto. Logo, trata-se de um objeto de estudo 
complexo. 
O acidente de trabalho respeita os mesmos pressupostos da responsabilidade civil, como visto. 
A sua formação, portanto, exigirá a presença de três requisitos: 
1. conduta (ação ou omissão); 
2. dano e 
3. nexo de causalidade 
O regime do Código Civil respeita o seguinte organograma: 
 
Art. 186, CC (RESPONSABILIDADE SUBJETIVA) – Aquele que, por ação ou omissão voluntária, 
negligência ou imprudência, violar direito e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente 
moral, comete ato ilícito. 
Art. 187, CC – Também comete ato ilícito o titular de um direito que, ao exercê-lo, excede 
manifestamente os limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boa-fé ou pelos bons 
costumes. 
Art. 188, CC – Não constituem atos ilícitos: I - os praticados em legítima defesa ou no exercício 
regular de um direito reconhecido; II - a deterioração ou destruição da coisa alheia, ou a lesão a 
pessoa, a fim de remover perigo iminente. Parágrafo único. No caso do inciso II, o ato será legítimo 
somente quando as circunstâncias o tornarem absolutamente necessário, não excedendo os 
limites do indispensável para a remoção do perigo. 
Art. 927, CC (RESPONSABILIDADE OBJETIVA) – Aquele que, por ato ilícito (arts. 186 e 187), causar 
dano a outrem, fica obrigado a repará-lo. Parágrafo único. Haverá obrigação de reparar o dano, 
independentemente de culpa, nos casos especificados em lei, ou quando a atividade normalmente 
desenvolvida pelo autor do dano implicar, por sua natureza, risco para os direitos de outrem. 
Não há predominância da responsabilidade subjetiva sobre ou sob a responsabilidade objetiva, 
podendo as duas, concomitantemente, aplicar-se nos acidentes de trabalho. 
FRANCISCO ROSSAL DE ARAÚJO E FERNANDO RUBIN: “O art. 7º, XXVIII, é fruto de uma longa 
evolução doutrinária e jurisprudencial. A adoção da teoria subjetiva, ou seja, responsabilidade civil 
do empregador por dolo ou culpa, no caso de acidente do trabalho, se deve ao fato de que, ao 
lado da responsabilidade civil, existem os benefícios previdenciários decorrentes dos acidentes de 
trabalho, que são inspirados na teoria objetiva (teoria do risco social). Entendeu-se que a 
reparação básica (previdenciária) seria orientada pela teoria do risco e a reparação mais severa 
(responsabilidade civil) teria que demonstrar culpa ou dolo do empregador. Saliente-se que a 
Constituição de 1988 trouxe um avanço, mesmo dentro da teoria subjetiva, ao afastar o conceito 
de culpa grave previsto na Súmula n. 229 do STF e dispor ser devida a reparação apenas por culpa 
(levíssima, leve ou grave).” 
Existirá, aqui, a avaliação de culpa, dolo ou risco, em uma análise do acontecimento que 
depreenderá do envolvimento do autor e, igualmente, da vítima. Ver-se-á, por exemplo, 
concausas ou culpa recíproca, no caso da vítima, e excludentes de ilicitude. 
MAURÍCIO GODINHO DELGADO: “Há circunstâncias que atenuam tal responsabilidade, 
podendo, em certos casos, até mesmo, eliminá-la. Em primeiro lugar, a não comprovação do dano 
ou pelo menos, a não comprovação do fato deflagrador do dano, especialmente nos casos de 
dano moral. Em segundo lugar, a não comprovação do nexo causal entre o dano e o ambiente 
laborativo ou entre aquele e atos ou omissões do empregador e seus prepostos. Em terceiro lugar, 
a comprovação, pela empresa, de culpa exclusiva pelo trabalhador no tocante ao surgimento da 
lesão. A culpa exclusiva obreira, evidentemente, afasta a responsabilidade empresarial. A culpa 
obreira concorrente, entretanto, não tem o condão de excluir essa responsabilidade; mas pode, 
sem dúvida, atenuá-la, em conformidade com as circunstâncias do caso examinado. A atenuação 
da responsabilidade repercutirá na atenuação indenizatória, reduzindo-se, proporcional e 
adequadamente, o montante da respectiva reparação.Outro fator de exclusão ou atenuação da 
responsabilidade é a força maior ou o caso fortuito (art. 393, CCB/2002) — circunstância que se 
verifica relativamente ao fato necessário, cujos efeitos não era possível evitar ou impedir 
(parágrafo único do art. 393, CCB/2002). A doutrina e a jurisprudência têm apontado ainda o fato 
ou o ato de terceiro como circunstância excludente da responsabilidade. Entretanto, essa 
ressalva também tem de ser vista com cautela: é que mesmo tratando-se de fato ou de ato de 
terceiro, incidirá a responsabilidade do empregador caso o evento danoso igualmente se insira 
dentro do risco inerente à atividade do trabalhador ou da empresa. É o que se passa, por exemplo, 
com os acidentes de trânsito, relativamente ao empregado motorista; também com os ferimentos 
e danos resultantes de assalto, relativamente ao empregado vigilante.” 
O conceito de dano é fundamental para essa aplicação. Deverá importar em um prejuízo aferível, 
necessariamente. Se a existência de dano for reparada, autonomamente, pelo autor, não 
subsistirá o dano (restará retificado), por exemplo. 
O prejuízo é que dá o direito à reparação. 
E a reparação, por sua vez, requer uma análise que inclua a ideia de responsabilidade (por 
exemplo, da responsabilidade em um caso de um condutor terceiro que dirigia o veículo da 
empresa). Assim, temos que: 
 
MAURÍCIO GODINHO DELGADO: “Há requisitos essenciais para a responsabilização empresarial. 
Sem a conjugação unitária de tais requisitos, não há que se falar em responsabilidade do 
empregador por qualquer das indenizações acima referidas. Tais requisitos, em princípio, são: 
dano; nexo causal; culpa empresarial. 
No tocante ao dano alegado, é necessária a evidenciação de sua existência ou, pelo menos, a 
ocorrência do fato deflagrador do próprio dano. Tratando-se de dano moral, naturalmente que 
não cabe exigir-se a prova específica do dano (prova que pode ser até mesmo impossível), porém 
a demonstração do fato que o provocou (caso este fato não seja incontroverso). Nessa linha é que 
se afirma que o dano moral pode ser inclusive autoevidente, insuscetível de prova, embora seu 
fato deflagrador tenha de estar evidenciado (por exemplo, a doença; as condições materiais 
degradantes de trabalho; as ofensas morais; o assalto sofrido em face do exercício de função 
contratual perigosa, etc.). Tratando-se de dano material, a ordem jurídica exige a comprovação 
não apenas do fato deflagrador do dano, porém da própria materialidade desse dano (ou seja, as 
perdas materiais sofridas; as despesas feitas; as despesas que devam ser realizadas em 
decorrência do dano; os lucros cessantes em face da perda sofrida, etc.). Isto é o que deflui das 
regras dispostas no art. 949 e 950 do Código Civil de 2002, por exemplo. Não sendo viável 
quantificar-se o montante da perda material (além do gravame inerente ao dano moral, esclareça-
se), é possível, dependendo das circunstâncias do caso concreto, fixar-se por arbitramento esse 
valor (parágrafo único do art. 953 do CCB/2002). Esclareça-se com relação a este primeiro 
requisito — ocorrência do dano — que nas situações envolventes a acidentes de trabalho, doenças 
ocupacionais e doenças profissionais o dano é considerado presumido, se não autoevidente. É 
que tal tipo de agressão à higidez física e psíquica do ser humano já traduz, em si, uma lesão ao 
patrimônio moral, emocional, psíquico do indivíduo. 
O segundo requisito é o nexo causal. É também decisivo que haja evidência bastante da relação 
de causalidade entre a conduta do empregador ou de seus prepostos e o dano sofrido pelo 
empregado. A relação de causa e efeito não é, evidentemente, jurídica, mas de caráter fático. 
Nos casos de lesão acidentária a relação investigada poderá passar pela pesquisa concernente ao 
meio ambiente laborativo: se esse meio ambiente é poluído, por exemplo, de modo a provocar 
certa doença nos empregados, confirma-se o nexo causal. Esclareça-se no tocante a este segundo 
requisito — existência de nexo causal — que nos casos de doenças profissionais, ocupacionais e 
acidentes de trabalho, é possível a verificação de diversidade de causas com respeito à lesão, 
algumas fora da alçada do empregador (multicausalidade ou concausalidade). Essa peculiaridade 
não elimina a presença do nexo investigado, desde que haja fator próprio ao ambiente laborativo 
que tenha atuado para a ocorrência do malefício. 
O terceiro requisito é, finalmente, a culpa empresarial. De maneira geral, segundo a doutrina e 
jurisprudência dominantes desde o momento de afirmação jurídica de tais tipos de indenização, 
a contar da Constituição de 1988, é necessária a configuração da culpa do empregador ou de 
suas chefias pelo ato ou situação que provocou o dano no empregado. É que a responsabilidade 
civil de particulares, no Direito brasileiro, ainda se funda, predominantemente, no critério da 
culpa (negligência, imprudência ou imperícia), na linha normatizada pelo velho artigo 159 do 
CCB/1916 e art. 186 do CCB/2002. Contudo, mesmo nessa dimensão, a Constituição trouxe 
importante avanço. É que no período anterior à sua vigência o STF havia sedimentado 
entendimento de que a indenização acidentária devida pelo empregador ao empregado somente 
permitiria em caso de dolo ou culpa grave do comitente da falta (antiga Súmula 229, STF). A contar 
da nova Constituição, a simples culpa, em qualquer grau, seria bastante para atender a esse 
requisito responsabilizatório (art. 7º, XXVIII, CF/88). É bem verdade que, por coerência, sendo 
levíssima a culpa empresarial, tal circunstância deve, sem dúvida, afetar a estipulação do valor 
indenizatório, atenuando-o. Esclareça-se, por fim, com respeito a este terceiro requisito — culpa 
empresarial — que, configurada a presença do dano e do nexo causal em situações de acidente 
de trabalho, doenças ocupacionais ou profissionais, a culpa do empregador deve até mesmo ser 
presumida. É que tem o empresário a direção da estrutura e da dinâmica do ambiente laborativo, 
atuando diretamente sobre a forma de prestação de serviços que se realiza no estabelecimento e 
na empresa; nesse quadro, presume-se sua negligência, imprudência ou imperícia nos casos de 
disfunções surgidas no ambiente sob suas ordens.” 
Relevante demonstrar, contudo, que há uma tendência que encaminha à disciplina ao campo 
da responsabilidade objetiva. Nos termos seguintes, Godinho demonstra o referido movimento: 
“Com os avanços produzidos pela Constituição, a reflexão jurídica tem manifestado esforços 
dirigidos a certa objetivação da responsabilidade empresarial por danos acidentários. Tal 
tendência à objetivação, evidentemente, não ocorre no campo dos danos morais e à imagem que 
não tenham relação com a infortunística do trabalho. De fato, essencialmente na seara da 
infortunística é que as atividades laborativas e o próprio ambiente de trabalho tendem a criar para 
o obreiro, regra geral, risco de lesões mais acentuado do que o percebido na generalidade de 
situações normalmente vivenciadas pelos indivíduos na sociedade. Nesta linha aponta Sebastião 
Geraldo de Oliveira “a tendência na doutrina e leis mais recentes de avançar para a culpa 
objetiva, mesmo no caso da responsabilidade civil. Por essa teoria, basta a ocorrência do dano 
para gerar o direito à reparação civil, em benefício da vítima”. O autor aponta, em sua obra, 
distintas regras jurídicas já existentes de responsabilidade sem culpa, as quais podem ter 
influência maior ou menor no próprio campo laborativo. Essa tendência de objetivação da 
responsabilidade por danos materiais, morais e estéticos de origem acidentária recebeu 
importante reforço por meio do novo Código Civil. Este diploma, é bem verdade, mantém a 
regra geral responsabilizatória vinculativa do dever de reparar à verificação de culpa do agente 
causador do dano, na linha tradicionalmente assentada pelo velho Código Civil (art. 159, 
CCB/1916).Em seu art. 186 dispõe o novo CCB: “Aquele que, por ação ou omissão voluntária, 
negligência ou imprudência, violar direito e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente 
moral, comete ato ilícito”. Entretanto, o novo diploma civil fixa também em seu artigo 927 e 
parágrafo único preceito de responsabilidade objetiva independente de culpa “quando a 
atividade normalmente desenvolvida pelo autor do dano implicar, por sua natureza, risco para 
os direitos de outrem”.” 
II – Caracterização dos acidentes de trabalho 
A) Espécies 
Acidente típico 
FRANCISCO ROSSAL DE ARAÚJO E FERNANDO RUBIN: “Acidente típico é o que provoca lesão 
corporal ou perturbação funcional que cause a morte ou a perda ou a redução, permanente ou 
temporária, da capacidade para o trabalho. O Decreto n. 3.048/1999, que regulamenta a Lei n. 
8.213/1991, refere-se a evento de qualquer natureza ou causa, de origem traumática e por 
exposição a agentes exógenos (físicos, químicos e biológicos), que acarrete lesão corporal ou 
perturbação funcional que cause a morte, a perda ou a redução permanente ou temporária da 
capacidade laborativa.” 
Os acidentes de trabalho típicos são os mais comuns, representando quase 80% dos casos totais. 
Envolvem todos os eventos, ocorridos na atividade de trabalho, que causam perda da 
capacidade laboral total ou parcial, permanente ou temporária, com ou sem morte. Requer-se, 
nesse âmbito, para a determinação da afinidade entre fato e trabalho, a análise de institutos 
como o nexo causal. 
Exemplo: um trabalhador alega que, ao levantar determinado objeto, teve uma lesão causada a 
sua coluna. A empresa sustenta que isso não se deu devido ao peso, mas em função de doença 
degenerativa do sujeito, prévia ao fato, por conseguinte. O nexo causal trataria, nesse quadro 
hipotético, de determinar se o dano na coluna se originou do ato em si, atinente ao trabalho, ou 
se, por outro lado, é algo pretérito. 
Geralmente, os acidentes de trabalho típicos são definidos por exclusão e abrangem ocorrências 
traumáticas como fraturas, esmagamentos, quedas, contusões, envenenamento, asfixia. Em 
grande parte, incidem no âmbito industrial, no contato com máquinas cilíndricas, esferas ou 
prensas. 
Acidentes pequenos, com afastamento de 15 dias ou menos, são tidos por ônus dos 
empregadores, que deverão pagar os salários respectivos ao período. Consideram-se por 
interrupção (no qual não há prestação de trabalho, mas, ainda assim, há o recebimento de 
parcelas salarias). Acidentes mais graves, superiores a 15 dias, são considerados suspensão e 
pagos pelo sistema previdenciário. 
Doenças ocupacionais 
FRANCISCO ROSSAL DE ARAÚJO E FERNANDO RUBIN: “As doenças profissionais (idiopatias) são 
as produzidas ou desencadeadas pelo exercício do trabalho peculiar a determinada atividade e 
constante da respectiva relação elaborada pelo Ministério do Trabalho. São doenças próprias de 
um determinado tipo de atividade e que por sua incidência estatística passam a ser relacionadas 
em uma norma jurídica. As doenças do trabalho (mesopatias) são patologias comuns, que podem 
afetar a qualquer indivíduo, mas que aparecem por condições especiais em que o trabalho é 
realizado. Em geral, admite-se que as doenças profissionais (idiopatias) são objeto de relação 
normativa, enquanto que as doenças do trabalho (mesopatias) devem ter seu nexo de causalidade 
verificado no caso concreto. A listagem de doenças ocupacionais é uma presunção relativa de 
nexo de causalidade, invertendo o ônus da prova, e admite interpretação extensiva desde que 
seja demonstrado o nexo de causalidade no caso concreto de alguma doença não constante da 
relação elaborada pelo Ministério da Previdência.” 
MAURÍCIO GODINHO DELGADO: “As distintas lesões acidentárias podem se traduzir em 
deteriorações físico-mentais do indivíduo em decorrência do ambiente laborativo ou da forma ou 
postura durante o cumprimento da prestação de serviços (doenças ocupacionais, regra geral) 
ou da prática de certo ofício profissional específico impregnado de agentes agressores ao 
organismo humano (doenças profissionais, especificamente). Podem ainda tais lesões resultar 
de acidente do trabalho, que se traduz em fato ou ato unitário, regra geral, ou pelo menos 
concentrado no tempo, que produz significativa agressão à higidez físico-mental do trabalhador. 
As lesões acidentárias podem causar perdas patrimoniais significativas ao trabalhador. Em 
primeiro lugar, no tocante aos próprios gastos implementados para sua recuperação (além 
daqueles previdenciariamente acobertados, se for o caso). Em segundo lugar, podem produzir 
restrição relevante ou, até mesmo, inviabilização da atividade laborativa do empregado, 
conforme a gravidade da lesão sofrida. Tais perdas patrimoniais traduzem dano material, que 
envolve, desse modo, duas dimensões, segundo o Direito Civil: aquilo que efetivamente se perdeu 
(dano emergente: despesas efetivadas, por exemplo) e aquilo que razoavelmente se deixou ou 
deixar-se-á de ganhar (lucro cessante: por exemplo, redução ou perda da capacidade laborativa). 
As lesões acidentárias também podem causar dano moral ao trabalhador. Este, conforme visto, 
consiste em toda dor física ou psicológica injustamente provocada em uma pessoa humana. Nesse 
quadro, a doença ocupacional, a doença profissional e o acidente do trabalho podem, segundo 
sua gravidade, provocar substanciais dores físicas e psicológicas no indivíduo, com intensidade 
imediata ou até mesmo permanente. É irrelevante, registre-se, que os danos material e moral 
sejam oriundos do mesmo fato, uma vez que os bens tutelados são claramente distintos. Por essa 
razão tornam-se cumuláveis, sem dúvida, as duas indenizações. Nesta linha a Súmula 37 do 
Superior Tribunal de Justiça, editada após a Constituição de 1988.” 
- Doenças profissionais: tecnopatias e ergopatias 
- Doenças do trabalho (mesopatias) 
As doenças ocupacionais se dividem em doenças profissionais (que se suborganizam em 
tecnopatias e ergopatias) e doenças do trabalho (também chamadas de mesopatias). 
- Doenças profissionais são listadas pelo Ministério do Trabalho, através de Portaria. Podem 
ocorrer por contaminações químicas (cromo, arsênico, sílica, etc.), hipótese na qual enquadrar-
se-ão como tecnopatias; ou podem ocorrer por fatores físicos, quando serão denominadas por 
ergopatias. Carecem de um alto rigor técnico para o seu enquadramento enquanto tal. Realiza-
se um teste técnico epidemiológico que constata, a partir de fatores qualitativos e 
quantitativos, a existência da doença ou não. Com o teste, inverte-se o ônus da prova e exige-
se da empresa elementos probatórios que permitam afastar a aplicação da legislação no caso 
concreto. 
FRANCISCO ROSSAL DE ARAÚJO E FERNANDO RUBIN: Sobre o NTEP (Nexo Técnico 
Epidemiológico): “A partir de estudos estatísticos e científicos sobre as atividades profissionais 
das empresas e os principais infortúnios que vinham se sucedendo nos empregados, em razão 
dessas atividades, foi montado, no país, quadro que estabelece um elo apriorístico entre a doença 
e o ramo de atividade profissional. A presunção “pró-operário” instituída pelo NTEP não é 
absoluta (presunção juris tantum – que admite prova em contrário).” 
Os critérios qualitativos e quantitativos ficam mais claros, para fins de explicação, quando nas 
tecnopatias. Uma substância química, por exemplo, pode ter alto grau de contaminação para 
câncer, de tal modo que não se requeira que o seu uso, na atividade laboral, tenha sido tão 
reiterado. Tratar-se-ia de um critério qualitativo. A utilização, mesmo que por poucas vezes, de 
um produto cancerígeno já poderia resultar em um laudo técnico positivo, logo. Estas hipóteses 
e os seus graus de cotação não são eternas e tendem, com o tempo, a serem alteradas, 
agravadas ou pormenorizadas, a depender de pesquisas da área da saúde, trabalho, etc. 
- Nas doenças do trabalho, o ônus da prova caberáao empregado. É ele que deve provar o nexo 
causal para que se constitua o seu direito. São exemplos: hérnias, doenças psicológicas, etc. 
Respondem por cerca de 12 a 15% dos eventos de acidentes de trabalho. 
Concausas 
FRANCISCO ROSSAL DE ARAÚJO E FERNANDO RUBIN: “As concausas além de aumentar a 
proteção aos trabalhadores, por força da ampliação dos casos possíveis de caracterização de 
acidentes de trabalho, também propiciam uma melhor adaptação ao caso concreto, por atribuir 
as consequências específicas a múltiplos fatores agressivos à saúde do trabalhador. Ainda com 
relação às concausas, diversamente do acidente típico, a doença ocupacional não tem origem 
exclusiva no ambiente de trabalho, sendo evidente que ao lado de fatores laborais, coexistem 
fatores externos (constitucionais, fisiológicos) que somados dão corpo a um estágio mais evoluído 
de incapacidade. Tal aspecto é notadamente verificado nos quadros psíquicos (depressivos) em 
que há estabelecimento do nexo de causalidade – quando ao lado da pressão pro produtividade, 
estresse/concorrência do ambiente de trabalho e eventual assédio moral (fatores laborais), se 
somam as características próprias da personalidade do empregado, a história pregressa de 
problemas mentais, inclusive na família, e a gravidade de outros eventos pretéritos ou atuais da 
vida penosa do trabalhador (fatores externos ao labor).” 
As concausas são agentes que, não sendo os principais, concorrem com estes para a concreção 
do resultado, tanto em agravamento quanto em atenuação. 
Exemplo: gerente de banco desenvolve síndrome do pânico, diante de episódios de violência e 
ameaça constantes, oriundos da profissão. Embora não seja passível na jurisprudência, poderia 
existir um enquadramento com a atividade exercida, per se, como concausa (a depender, por 
óbvio, da realidade da relação laboral e da argumentação construída). 
As concausas podem ser antecedentes, concomitantes ou supervenientes. 
Exemplo: sujeito ajuíza ação requerendo reparação por acidente de trabalho em função de 
perda de audição suportada em grau de 60%, contudo, ao avaliar-se minuciosamente o caso, 
revela-se que, na realidade, incorreu hipótese de concausa superveniente (uma vez que já 
possuía perda auditiva anterior, de 10%). 
Neste instituto, também cabe analisar concausas naturais, oriundas do envelhecimento. Uma 
pessoa mais velha, naturalmente, terá mais prejuízos de saúde prévios a um eventual acidente 
de trabalho do que em comparação a outra, mais jovem. 
Acidente de trajeto 
Os acidentes de trajeto são acidentes de deslocamento. 
São os acidentes que ocorrem por qualquer meio de transporte, isto é, do empregado ou 
fornecido pelo empregador, entre a residência e o local de trabalho (e vice-versa, ou seja, tanto 
para ida quanto para a volta) ou em função do trabalho. 
Exemplo inicial: um evento em que um empregado atropela terceiros, no trânsito, gera 
responsabilidade da empresa para com estes terceiros. Essa hipótese não seria um acidente de 
trabalho. Neste mesmo evento, contudo, todos os danos causados no motorista, que é 
funcionário, ingressariam no regime de análise desta disciplina. 
Exigem, além do nexo causal: 
1. nexo topográfico. Na rota exercida no trânsito a ser considerado, não podem existir desvios 
significativos. Deve se tratar de um deslocamento em função do trabalho, para o trabalho; e 
2. nexo cronológico. Considerando-se o tempo do turno de trabalho e do deslocamento em si. 
Exemplo: sujeito sai do trabalho rumo a uma confraternização. Permanece lá por quatro horas 
e, depois, volvendo a casa, acidenta-se. Não se teria, aí, a consideração de um acidente in itinere. 
Os acidentes de trajeto são considerados para fins previdenciários (se ficar mais de 15 dias 
afastado, terá um ano de estabilidade quando voltar). Se o empregador fornecer a condução e 
o acidente ocorrer, além do benefício previdenciário, existirá também a responsabilidade deste. 
Discute-se, nesse caso do transporte por veículo fornecido, tudo o que é típico do conteúdo de 
acidente de trânsito, ou seja, condições como tempo de frenagem, embriaguez, uso de 
equipamentos eletrônicos, etc. 
FRANCISCO ROSSAL DE ARAÚJO E FERNANDO RUBIN: “Após alguma evolução legislativa, o 
modelo atual parte dos pressupostos de que a indenização por acidentes de trajeto é de natureza 
previdenciária e está inspirada pela teoria do risco. Por essa razão (a legislação) menciona o trajeto 
de ida e vinda e qualquer meio de locomoção. Haverá de ter apenas o nexo de causalidade (nexo 
topográfico e nexo cronológico) e a comprovação do dano, para fins de gozo de benefício 
previdenciário. Para fins de indenização paga diretamente pelo empregador, exige-se um nexo de 
causalidade qualificado ou, segundo outro entendimento, a ocorrência de culpa ou dolo do 
empregador. Se não for desta maneira, todos os acidentes de trânsito ocorridos com transporte 
coletivo ensejariam a possibilidade de indenização acidentária (benefícios pagos pelo INSS) e 
também indenizações pelos empregadores.” 
A culpa exclusiva da vítima afasta a culpa do empregador. Se um caminhoneiro estiver utilizando 
o celular, não poderá alegar responsabilidade do empregador, via de regra. A práxis concreta 
poderá relativizar a hipótese de culpa exclusiva, entretanto, já que todos os vetores da situação 
deverão ser considerados. Por exemplo, um trabalhador que dormiu ao volante, ainda assim, 
poderá comprovar que tal situação não se deveu a sua culpa, tão-somente, já que o cansaço que 
o acometeu se deveu a trabalho excessivo. 
Toda esta discussão entre culpa concorrente ou exclusiva entra no regime dos acidentes de 
trajeto, para fins da responsabilidade. Geralmente, abarcam ações de valores indenizatórios 
muito altos. 
Outros eventos equiparados 
São equiparados a acidente de trabalho por expressa regulamentação legal. Normalmente, 
servem para fins previdenciários, mas não para responsabilidade do empregador. 
São exemplos: força maior (inundações, incêndios, desabamentos, desastres naturais, etc.) e 
casos de culpa exclusiva de terceiros (sabotagem, terrorismo, vandalismo, etc.). Vão gerar 
indenização da previdência, por terem ocorrido no ambiente de trabalho, mas não a 
responsabilidade do empregador. 
Em geral, o empregador não tem responsabilidade de proteção contra crimes tipicamente 
urbanos, como assaltos. Uma floricultura, quase sempre, não precisará ter seguranças armados. 
Isso pode ser relativizado, todavia, a depender de regulamentação, que pode obrigar que, em 
determinados casos, como em bancos, por exemplo, tenha-se alguma excepcionalidade no 
controle de determinado episódio (bancos tem o dever de segurança). Outro modelo é a Lei 
Maria da Penha, que traz um artigo que prevê que, uma vez ameaçada, a mulher tenha direito 
a seis meses de pagamentos previdenciários e afastamento da empresa. 
Se se provou o evento danoso, sempre haverá o pagamento da quota previdenciária. Isso não 
se discute. O que se debate, na maioria dos casos, é a responsabilidade da empresa. 
B) O procedimento administrativo 
Quando ocorre um acidente de trabalho, há a emissão, por parte da empresa, da CAT 
(comunicação de acidente de trabalho). 
FRANCISCO ROSSAL DE ARAÚJO E FERNANDO RUBIN: A CAT deverá ser preenchida formalmente 
com “a explicitação do fato gerador, do agente emitente e incidência da ocorrência. A emissão da 
/CAT é obrigatória por parte do empregador, sob pena de multa pelo Ministério do Trabalho. De 
acordo com Portaria MPAS n. 5.817/1999, a CAT deverá ser emitida para todo acidente ou doença 
relacionados com o trabalho ainda que não haja afastamento ou incapacidade. Isso porque a 
emissão da CAT serve para fins de controle estatísticos e epidemiológicos junto aos órgãos 
Federais.” 
Se a empresa se negar a emitir, um médico do sindicato, de clínica particular, etc. (decreto 
3048/98) poderão, em seu lugar, realizar a emissão. 
As empresastêm a obrigação de ter um SESMT (serviço especializado em segurança e medicina 
do trabalho). Empresas grandes geralmente têm o seu próprio setor; empresas menores 
costumam terceirizar (em casos como exames admissionais, etc.). 
Após a emissão do documento de comunicação, ocorre o seu enquadramento no INSS. O INSS 
abre um procedimento administrativo para verificar as informações, podendo requerer a 
juntada de documentos, registros testemunhais, requisição de novas perícias, etc. 
Encerrado o procedimento administrativo, poderá ser deferido ou indeferido o benefício. 
Se for indeferido, caberá recurso administrativo para o CRPS (conselho de recursos da 
previdência social). Embora seja em via recursal, permite-se a reabertura da dilação probatória, 
neste caso. 
C) Ações judiciais 
FRANCISCO ROSSAL DE ARAÚJO E FERNANDO RUBIN: “Por certo, não é possível qualquer 
participação do Poder Judiciário em estágio anterior à negativa de benefício na via administrativa, 
devendo ser oportunizado que perícia, a cargo dos médicos do INSS, avaliem primeiramente a 
condição de saúde do trabalhador e se manifestem sobre os dois grandes objetos de 
questionamento: a extensão da incapacidade contemporânea (concluindo se o segurado está ou 
não inapto para o trabalho ao tempo da perícia) e o nexo causal (concluindo se o problema de 
saúde está ou não realmente vinculado ao trabalho). A partir daí, existindo inconformidade do 
segurado com a decisão administrativa tomada, poder-se-ia admitir o ingresso na via judicial para 
discussão de lesão a direito), mesmo sem o exaurimento das instâncias recursais administrativas 
(Súmula n. 89 do STJ).” 
Neste campo recursal, posto o indeferimento, poderão ser impetradas dois tipos de ações: ações 
acidentárias e ações indenizatórias. 
- As ações acidentárias são do segurado contra o INSS. Busca-se um benefício previdenciário, 
geralmente, auxílio doença por acidente, que poderá ser convertido em aposentadoria por 
invalidez. 
A aposentadoria por invalidez nunca é concedida desde logo (havendo a transformação do 
auxílio doença em aposentadoria somente se existir 100% de perda da capacidade laborativa). 
Até o trâmite de investigação do caso, o sujeito receberá apenas o auxílio doença. 
FRANCISCO ROSSAL DE ARAÚJO E FERNANDO RUBIN: Dos aspectos relevantes do auxílio-doença 
e auxílio-acidente: “Lei de Benefícios (Lei n. 8.213/1991), art. 59, in verbis: “o auxílio-doença será 
devido ao segurado que, havendo cumprido, quando for o caso, o período de carência exigido 
nesta Lei, ficar incapacitado para o seu trabalho ou para a sua atividade habitual por mais de 15 
dias consecutivos.” Trata-se de benefício provisório, concedido por prazo indeterminado, mantido 
até que seja formada conclusão segura sobre a estabilização do quadro infortunístico. É um 
benefício que substitui a renda do trabalhador. Diversamente do auxílio-doença, o auxílio-
acidente é um benefício definitivo do sistema, concedido quando formada convicção de que a 
lesão acidentária é irreversível e irá trazer prejuízo definitivo ao obreiro, que é suficiente para 
diferenciá-lo de outro trabalhador sem qualquer tipo de sequela. Trata-se de benefício definitivo, 
concedido então a partir da alta do benefício provisório (auxílio-doença) – nunca cumulável com 
este -, de natureza indenizatória, que excepcionalmente não substitui a renda do trabalhador, mas 
sim complementa a renda, podendo ser cumulado com a remuneração paga pelo empregador ao 
tempo de retorno do obreiro ao mercado de trabalho. 
Pode-se dizer que há similitude entre o auxílio-doença e a aposentadoria por invalidez no que toca 
à possibilidade de retorno imediato ao mercado de trabalho à medida que ocorre a recuperação 
da capacidade laborativa. No caso de aposentadoria por invalidez a hipótese é mais rara, já que 
se houve concessão do benefício definitivo, presume-se que o caso é realmente diferenciado e 
deverá, por regra, determinar o afastamento permanente do trabalhador; mas não se pode 
esquecer que o sistema prevê a situação excepcional de, a qualquer tempo, o segurado recuperar 
a capacidade de trabalho.” 
Esta ação terá cabimento na Justiça comum estadual, conforme artigo 109, I, CF. A competência 
estadual construiu-se por questão meramente histórico-política, que excepciona a regra de 
competência federal para ações que envolvam o INSS. 
Art. 109, I, CF – Aos juízes federais compete processar e julgar: I - as causas em que a União, 
entidade autárquica ou empresa pública federal forem interessadas na condição de autoras, rés, 
assistentes ou oponentes, exceto as de falência, as de acidentes de trabalho e as sujeitas à Justiça 
Eleitoral e à Justiça do Trabalho; 
- A ação indenizatória é dada entre o empregado e o empregador. Busca uma indenização por 
perda de capacidade laborativa, com competência da Justiça do Trabalho, conforme artigo 114, 
VI, CF. A indenização desta categoria pode ser uma pensão vitalícia, atinente a próteses, 
curativos, etc. 
Art. 114, VI, CF – Compete à Justiça do Trabalho processar e julgar: VI as ações de indenização 
por dano moral ou patrimonial, decorrentes da relação de trabalho 
Estas ações judiciais, acidentária e indenizatória, geralmente aparecem associadas. Não é 
preciso entrar com uma e depois com a outra. Pode-se ingressar com as duas 
concomitantemente. É comum que o sujeito, em função da perícia da Justiça do Trabalho ser 
mais célere, acione ambas as Justiças e, depois, obtenha dois resultados de perícia divergentes 
(Trabalho x comum estadual). Nestas hipóteses, torna-se extremamente dificultosa a tarefa de 
uma determinação conclusiva. Tudo depende de como o magistrado avaliar o processo. 
O fato de tramitar um processo administrativo pedindo o benefício previdenciário não 
interrompe a prescrição das ações. O período para ajuizar é de cinco anos, no curso do trabalho. 
Terminada a relação contratual, o prazo é de dois anos. 
O trâmite do processo administrativo não suspende nem interrompe tais prazos, tampouco o 
gozo do benefício previdenciário. Se a pessoa tiver o benefício e gozá-lo por mais de cinco anos, 
por exemplo, e não entrar com ação indenizatória, terá o seu direito prescrito. 
 
Aula 02 
Acidentes de trabalho 
I – Dano 
Dano natural x dano abstrato 
O conceito original de dano diz respeito à destruição de uma coisa. 
O dano, hodiernamente, contudo, superou esta definição. Já não é mais tido apenas pelo dano 
concreto, mas também pela sua implicação em campos abstratos. Quebrar o celular de uma 
pessoa, dano natural, pode igualmente desencadear uma humilhação, uma avaria à psique do 
sujeito. O dano abstrato é ligado ao dano original, natural, concreto. 
O dano abstrato é depreendido da expressão “extensão”, no caput do artigo 944 do Código Civil. 
Art. 944, CC – A indenização mede-se pela extensão do dano. Parágrafo único. Se houver excessiva 
desproporção entre a gravidade da culpa e o dano, poderá o juiz reduzir, eqüitativamente, a 
indenização. 
FRANCISCO ROSSAL DE ARAÚJO E FERNANDO RUBIN: “O Código Civil de 2002 dispõe que a 
indenização mede-se pela extensão do dano. Ao adotar tal locução, verifica-se que a norma opta 
pela reparação integral do dano, em todos os pontos que constituem a sua extensão. Isso inclui 
os efeitos pretéritos do dano (dano emergente), com a reposição do equilíbrio rompido, assim 
como a sua projeção futura (lucro cessante). Ademais da recomposição material pretérita e futura, 
o Código Civil também inclui na noção de dano, os danos morais diretos e indiretos, bem como as 
despesas com honorários advocatícios, atualização monetária e juros. Tudo isso não afasta a 
possibilidade de a reparação ter uma função pedagógica e punitiva.” 
MAURÍCIO GODINHO DELGADO: “Registre-se que a quantia indenizatória por dano moral, mesmo 
o derivado de lesão à saúde do trabalhador, não tem como ser fixada com a objetividade inerente 
à indenização por danos materiais.Prevalecerá, em tais casos, inegável juízo de equidade pelo 
julgador.” 
Dano expansão e contração 
Trata-se de instituto dinâmico. É medido, pois, pela sua extensão nas mais diversas esferas. Uma 
das partes na relação do dano, aquele que o aferiu, buscará ampliar o seu conceito e majorar a 
indenização; a outra, o autor, buscará comprimi-lo, alegando, para tal, elementos como culpa 
recíproca, causas preexistentes (perda de capacidade auditiva anterior ao dano no acidente, por 
exemplo), excessiva desproporção entre a conduta e o dano (uma ação ínfima que causa um 
dano muito grandioso, poderá, a depender da análise judicial, resultar em indenização reduzida, 
equitativamente), etc. É uma relação de discussão e de contraditório, apresentação de provas, 
etc. 
A todo esse conjunto supracitado de arrazoamento denomina-se expansão e contração da 
apreciação do dano, que pode ser representado pela ilustração que se segue: 
 
Dano e prejuízo 
Dano e indenização 
A reparação dos danos causados poderá compreender ato da própria pessoa que o realizou, 
diretamente, ou de contratado desta, como ocorre no caso de planos de saúde. Tanto a 
modalidade concretizada pelo autor quanto a por terceiro contratado recebem o nome de 
ressarcimento espontâneo. 
A indenização adequa-se pela medida do dano e do prejuízo. Será, ao máximo, isto é, no seu 
teto, o próprio dano causado, nunca o ultrapassando, uma vez que a indenização tem como sua 
razão de ser o grau proporcional de consideração do dano. 
FRANCISCO ROSSAL DE ARAÚJO E FERNANDO RUBIN: “No sistema vigente, segue a dicotomia 
implantada na década de 1960. De um lado, o acidente de trabalho gera um tipo de reparação 
previdenciária (benefício previdenciário), que tem natureza de obrigação de Direito Público, tendo 
em vista a existência de um sistema de custeio público de Seguridade Social, alicerçado em 
contribuições dos empregados e das empresas, tendo por base a responsabilidade objetiva. De 
outro, o acidente do trabalho gera a responsabilidade civil do empregador (indenização de Direito 
Privado) quando houver responsabilidade subjetiva (culpa e dolo). Entretanto, uma parte da 
doutrina e da jurisprudência começa a defender, também nesse caso, a responsabilidade objetiva, 
com base na redação do art. 7º, XXI, da CF. Existe uma lenta evolução conceitual que parte do 
conceito de culpa, para culpa presumida até chegar ao conceito de risco criado.” 
Dano e responsabilidade 
O dano vai impor uma responsabilidade. Fixada a indenização, deve-se avaliar quem será o 
responsável pelo seu pagamento. 
A responsabilidade poderá ser direta ou indireta. 
1. A responsabilidade direta é de quem comete o ato. 
2. A lei permite, em determinadas situações, que um terceiro, não causador, seja 
responsabilizado, como ocorre no caso da responsabilidade indireta (931 e 932 do CC). 
Exemplo: empregado que é agente em evento danoso, desencadeando responsabilidade 
indireta para o seu empregador. 
Se o acidente de trabalho ocorrer em hipótese de sucessão empresarial, aplicar-se-á o disposto 
nos artigos 10 e 448 da CLT, mais o dos institutos de transformação, fusão, cisão e incorporação 
do Código Civil. Nesta modalidade, o sucessor paga os danos causados pelo antecessor, 
podendo, excepcionalmente, haver uma cláusula que restrinja essa responsabilidade em série, 
hipótese em que continuaria o pagamento da indenização no encargo do antigo empregador. 
Art. 931, CC – Ressalvados outros casos previstos em lei especial, os empresários individuais e as 
empresas respondem independentemente de culpa pelos danos causados pelos produtos postos 
em circulação. 
Art. 932, CC – São também responsáveis pela reparação civil: I - os pais, pelos filhos menores que 
estiverem sob sua autoridade e em sua companhia; II - o tutor e o curador, pelos pupilos e 
curatelados, que se acharem nas mesmas condições; III - o empregador ou comitente, por seus 
empregados, serviçais e prepostos, no exercício do trabalho que lhes competir, ou em razão 
dele; IV - os donos de hotéis, hospedarias, casas ou estabelecimentos onde se albergue por 
dinheiro, mesmo para fins de educação, pelos seus hóspedes, moradores e educandos; V - os que 
gratuitamente houverem participado nos produtos do crime, até a concorrente quantia. 
Dano emergente e lucro cessante 
MAURÍCIO GODINHO DELGADO: “Nos infortúnios ocorridos na seara trabalhista, os danos 
emergentes tendem a se traduzir nas despesas sofridas pelo trabalhador em vista da lesão, além 
das despesas necessárias a ocorrer no período seguinte (se for o caso), ao passo que os lucros 
cessantes tendem a se traduzir na compensação pela perda parcial ou total da capacidade de 
exercer o trabalho em decorrência da lesão. No que diz respeito aos danos emergentes, 
envolvem as despesas de tratamento até o fim da convalescença (nesta linha, art. 1538, 
CCB/1916; art. 949, CCB/2002). Naturalmente que podem ainda envolver a reparação “de algum 
outro prejuízo que o ofendido prove haver sofrido” (art. 949, CCB/2002). No que diz respeito aos 
lucros cessantes, também devem ser reparados “até o fim da convalescença” (art. 1.538, 
CCB/1916; art. 949, CCB/2002). Ou seja, reparados não necessariamente por determinado 
número de anos de idade da vítima, porém até o fim da convalescença – para a sua vida toda, se 
for o caso. Claro que se verificando a convalescença, cessa o dever de continuar pagando a pensão 
estipulada.” 
A noção geral de dano, construída na Idade Média, é definida por aquilo que se perdeu e pelo 
que razoavelmente deixou-se de ganhar. 
Seus efeitos pretéritos são os chamados danos emergentes. 
Lucro cessante é a sua expressão futura. Dá-se, via de regra, por perda da capacidade laboral, 
ou seja, daquele sujeito que, por exemplo, para o resto da vida, contrai, em acidente, um 
prejuízo em 30% da sua potência de trabalho. 
Os lucros cessantes vinculam-se a esta perda, sendo admitidos nas modalidades: 
1. totais (100%) ou parciais (normativo específico 
a contar da Constituição de 1988.” 
O dano emergente compreende, além disso, danos imateriais. 
O dano moral é o dano imaterial típico, podendo ser imaterial direto ou indireto. 
MAURÍCIO GODINHO DELGADO: Godinho elenca os seguintes exemplos de dano moral: pré-
contratação trabalhista ("caso verificada a ocorrência de forte expectativa injustamente frustrada 
e/ou de despesas necessárias efetivadas"), dinâmica da seleção e da contratação trabalhistas 
("podem incidir temas relativos a discriminação”), abuso de prerrogativas empresariais (abuso de 
direito), ofensas morais e à imagem; à utilização de meios abusivos de seleção, como agressivos 
e desrespeitosos testes psicológicos (dinâmicas de grupo hobbesianas, por exemplo, ou, até 
mesmo, testes de polígrafos), ofensas físicas, ofensas morais, assédio sexual, revistas íntimas, 
revistas em pertences obreiros (embora não íntimas), limitação do uso de banheiros, divulgação 
de nomes e dados contratuais de empregados (especialmente salários), câmaras televisivas de 
segurança em banheiros, dinâmica de metas de desempenho e respectivas cobranças, uso de 
técnicas motivacionais abusivas e desrespeitosas, assédio moral, controle de correspondências e 
telefonemas no ambiente laborativo, controle de correspondências eletrônicas (e-mails), controle 
de uso de equipamentos eletrônicos de informática (inclusive acesso à internet), quebra de sigilo 
bancário de empregado de Banco, danos derivados de acidentes do trabalho, doença ocupacional 
e doença profissional, condições degradantes no ambiente de trabalho, atrasos reiterados de 
salários, exercício de função perigosa (não integrante do contrato), afronta à inviolabilidade física 
e à segurança ou estresse acentuado, conduta de discriminação no ambiente laborativo, 
desrespeito a direitos intelectuais (especialmente relativos a autoria), violação à imagem, 
acusação não comprovada de ato ilícito, anotação desabonadora em Carteira de Trabalho, 
dispensa discriminatória, supressão injustificável de plano de saúde, elaboração ou divulgação de 
"lista suja" de trabalhadores, dano existencial, síndrome de esgotamento profissional. 
Em casos de acidentes de trabalho, com prejuízo à saúde física, sempre existirá o dano imaterial 
indireto (chamado in re ipsa), que é presumido. Quando o sujeito tem uma doença, queimadura, 
amputação, etc., resultante da atividade laborativa desenvolvida, a simples existência deste 
dano material fará, por extensão, com que tenha direito, ainda, a indenização por dano 
imaterial. A noção é de que tais agravos à saúde, pela sua gravidade, per se, suscitam uma carga 
moral bastante nociva à pessoa, igualmente. Basta demonstrar o dano material para, em 
decorrência deste, comprovar-se também o imaterial. 
Exemplo: um sujeito que perde a mão tem por presumido que sofreu um abalo psicológico, por 
exemplo. 
- O dano estético (que é a perda da unidade morfológica do indivíduo) é imaterial indireto; 
- O dano material será a queimadura, neste caso. 
A indenização decorrerá do dano material (amputação do membro, cicatriz, queimadura, etc.), 
estético e do moral. Ambos estes últimos podem ser cumulados, não sendo hipótese de non bis 
in idem, uma vez que não se confundem. Danos estéticos guardam relação com aspectos do 
belo e do feio, enquanto danos morais constituem-se ideias de bem e mal. Posicionou-se o STJ 
neste sentido, com Súmula 387. 
Súmula 387, STJ – É lícita a cumulação das indenizações de dano estético e dano moral. 
MAURÍCIO GODINHO DELGADO: “As lesões acidentárias também podem causar dano estético à 
pessoa humana atingida. A indenização caberá, segundo Sebastião Geraldo de Oliveira, no caso 
de a lesão comprometer “a harmonia física da vítima”. Esclarece o autor que não se está diante, 
rigorosamente, “de um terceiro gênero de danos, mas de uma especificidade destacada do dano 
moral”. Na verdade, a própria diferenciação feita pela Constituição (dano moral ou à imagem) 
permite vislumbrar-se a necessária inserção do dano estético nesse quadro constitucional: é que, 
caso não se acolha o dano estético como parte específica do plano moral protegido, ele se 
encontraria englobado, de todo modo, no dano à imagem explicitamente tutelado pela 
Constituição. A ordem jurídica acolhe a possibilidade de cumulação de indenizações por dano 
material, dano moral e dano estético, ainda que a lesão acidentária tenha sido a mesma. O 
fundamental é que as perdas a serem ressarcidas tenham sido, de fato, diferentes (perda 
patrimonial, perda moral e, além dessa, perda estética). Completa Sebastião Geraldo de Oliveira, 
que a doutrina e a jurisprudência, inclusive do STJ (esta mais recentemente, desde 1998/2000), 
efetivamente têm evoluído nessa direção, “quando esses danos forem passíveis de apuração em 
separado, com causas inconfundíveis”.” 
III – Lucro cessante 
Perda de capacidade laboral 
O lucro cessante requer que se estipule a grandeza da perda de capacidade laborativa. Isto é 
feito por perícia técnica. Em geral, as perícias se formam para estudo de dois temas: 
1. existência de nexo causal. Trabalhador alega ter machucado o joelho no trabalho quando, na 
realidade, o fez durante um jogo de futebol, em ambiente externo ao laboral; e 
2. pelo dimensionamento da perda de capacidade laborativa. Este grau da perda de capacidade 
pode variar de 0% a 100%, calculando-se os valores com base na tabela DPVAT (mais favorável 
as empresas) ou na tabela CIF (mais favorável aos trabalhadores). O Tribunal, em geral, aplica a 
tabela DPVAT (a mesma aplicada em acidentes de automóveis). 
Pensão 
MAURÍCIO GODINHO DELGADO: “Em se tratando de acidente do trabalho, doença ocupacional 
ou profissional — fatos equiparados, sob a perspectiva jurídica —, a indenização pertinente 
deverá corresponder à fixação de “uma pensão correspondente à importância do trabalho, para 
que se inabilitou, ou da depreciação que ele sofreu” (art. 1.539, CCB/1916; art. 950, CCB/2002). 
É o que dispõe o art. 950 do Código Civil de 2002: “Se da ofensa resultar defeito pelo qual o 
ofendido não possa exercer o seu ofício ou profissão, ou se lhe diminua a capacidade de 
trabalho, a indenização, além das despesas do tratamento e lucros cessantes até o fim da 
convalescença, incluirá pensão correspondente à importância do trabalho para que se 
inabilitou, ou da depreciação que ele sofreu”. O montante dessa pensão será fixado com base 
no complexo salarial mensal do empregado, envolvendo também o duodécimo do 13º salário e 
a média mensal incorporada de outras verbas salariais habitualmente por ele recebidas. O valor 
da pensão, naturalmente, deverá ser proporcional ao percentual estimado de perda da 
capacidade de trabalho do empregado vítima do acidente (art. 950, in fine, CCB/2002). Além 
disso, será proporcionalmente diminuído se a vítima também tiver concorrido culposamente 
para o evento danoso (art. 945, CCB/2002). A proporcionalidade também poderá ocorrer nas 
situações de multicausalidade do evento danoso, em que se mostrar modesta a participação dos 
fatores sob responsabilidade do empregador. A pensão, em princípio, durará até o fim da 
convalescença (art. 949, CCB/2002). Se o empregado autor da ação, contudo, fixar limite etário 
máximo para seu pagamento (até 65 anos, por exemplo), a sentença, por razões processuais, 
não pode extrapolar o pedido exordial (art. 5º, LIV, CF/88; arts. 128 e 460, CPC/1973; arts. 141 e 
492, CPC/2015); nesse contexto, deverá estipular a pensão “até o fim da convalescença, limitada 
a 65 anos, prevalecendo o que ocorrer primeiro”.” 
Perda: total (com morte ou sem morte) ou parcial ; temporária ou definitiva 
Indenização 
Fixada a extensão da perda de capacidade laborativa, constituir-se-á um parâmetro para o 
pagamento da indenização. Este será conjugado com um segundo parâmetro, o do salário do 
empregado na data do acidente. Da reunião destes dois, estabelecer-se-áa pensão final devida. 
Se a pessoa tiver perda de 100% da sua capacidade laboral, de modo definitivo, receberá esta 
pensão pelo resto da sua vida (pensão vitalícia). A pensão vitalícia não necessariamente será a 
mais gravosa, monetariamente, para as empresas. Se o pensionista morrer, pagar-se-á o valor 
para os herdeiros. Os herdeiros são verificados na forma do artigo 1º da lei 6848, ou seja, quase 
sempre serão os dependentes do sujeito no INSS (se não houver inscrição deste tipo na 
Seguridade Social, seguir-se-á o rito civil). 
A pensão é sempre paga em 13 parcelas (pois submete-se ao regime do décimo terceiro salário). 
Exemplo: uma pessoa, com 30 anos de idade e salário de R$ 2.000,00 teve um acidente laboral 
e morreu. A expectativa de vida a ser considerada, para ela, dependerá de uma série de fatores, 
como: 
- o seu sexo. Porque a expectativa de vida é maior para mulheres; 
- a sua idade. Pessoas que morrem jovens teriam, em tese, menor sobrevida do que alguém que 
morre mais tardiamente. Se a morte data da faixa dos 20 anos, calcula-se a idade presumida de 
vida restante para a casa dos 70 anos, por exemplo. Se, por outro lado, a morte ocorre em um 
tipo com 50 anos, calcular-se-á para bases dos 85. Considera-se, nessa lógica, que esta pessoa, 
mais velha, resistiu a situações de risco mais comumente, como doenças, acidentes, etc., 
conjunturas que o sujeito mais novo, falecido, em teoria, ainda haveria de enfrentar, 
vindouramente. 
Uma perda total sem morte, mas definitiva, desencadeará uma pensão vitalícia, igualmente 
(obviamente que, nesse caso, sem cálculo hipotético atinente a falecimento). 
Se a perda é temporária, enquanto durar, existirá o direito ao recebimento dos salários e, 
quando existir o retorno ao trabalho, incidirá o regime de estabilização por um ano. 
Constituição de capital 
A regra geral, quando o pensionamento é a longo prazo, é a da adoção da constituição de capital 
para a garantia do pagamento da pensão. Respeita-se o CPC. 
A constituição de capital advém do direito arcaico, sendo uma renda que assegura o pagamento 
do valor mensal indenizatório. É representada por imóveis, títulos da dívida pública ou 
aplicações financeiras. 
Inclusão em folha 
Art. 475-Q, Pár. 2º, CPC – O juiz poderá substituir a constituição do capital pela inclusão do 
beneficiário da prestação em folha de pagamento de entidade de direito público ou de empresa 
de direito privado de notória capacidade econômica, ou, a requerimento do devedor, por fiança 
bancária ou garantia real, em valor a ser arbitrado de imediato pelo juiz. 
Nos anos 1990, acrescentou-se a possibilidade de inclusão em folha, nos casos de empresas com 
notória capacidade financeira. Nesta hipótese, a indenização, paga mensalmente, seria incluída 
na folha de pagamentos da empresa. 
Pagamento de uma só vez  redutor 
O credor, se assim optar e requerer, receberá a indenização de uma só vez, em pagamento 
integral, na forma do artigo 950, parágrafo único do Código Civil. 
Art. 950, CC –Se da ofensa resultar defeito pelo qual o ofendido não possa exercer o seu ofício ou 
profissão, ou se lhe diminua a capacidade de trabalho, a indenização, além das despesas do 
tratamento e lucros cessantes até ao fim da convalescença, incluirá pensão correspondente à 
importância do trabalho para que se inabilitou, ou da depreciação que ele sofreu. Parágrafo único. 
O prejudicado, se preferir, poderá exigir que a indenização seja arbitrada e paga de uma só vez. 
No caso do sujeito que falece com 30 anos, com salário de R$ 2.000,00, haveria de receber 13 
(número de meses no ano, considerando-se o décimo terceiro salário) vezes 50 (anos 
considerados de sobrevida) vezes 2.000 (remuneração), resultando, ao total, em um montante 
expressivo e eventualmente muito oneroso ao caixa da empresa. 
Prevendo esta situação, se o credor preferir o pagamento em uma só vez, deverá, 
respectivamente, pagar também uma taxa, denominada “taxa de descapitalização” ou 
“redutor”. Este ônus é construção jurisprudencial, não estando previsto em lei. Existem critérios 
matemáticos, financeiros e atuariais para a sua determinação, em geral adotando-se o de 1% ao 
ano. O pagamento do redutor é justificado, na disciplina, porque, de súbito, é dispendioso para 
a empresa levantar um valor exorbitante, em comparação com as outras formas de pagamentos 
de indenização, que podem ser parceladas e distribuídas sem restrições tão imediatas. É um 
instituto que serve para equalizar a relação, não deixando que apenas um lado suporte prejuízo 
desmedido. 
Não há Súmula para tal, mas todas as turmas do TST aplicam a hipótese do redutor. 
Indenização de perda de chance 
Se o lucro cessante diz respeito, geralmente, a eventos futuros, a indenização por perda de 
chance é ainda mais prospectiva. No lucro cessante há a certeza do prejuízo. Na perda de 
chance, há apenas a sua probabilidade. 
Exemplo: trabalhador se acidenta na terça-feira, tendo recebido um e-mail, no domingo, que 
anunciava a sua promoção, de modo que passaria a receber um salário maior a partir da semana 
seguinte. 
O critério fixo, para o exemplo, seria o de pagar o salário do dia do acidente. Mas seria esta uma 
hipótese verdadeiramente razoável? A jurisprudência é bastante controversa nas hipóteses de 
indenização de perda de chance, ora decidindo em favor, ora contra. 
Dano por ricochete 
O dano por ricochete é aquele no qual o dano a saúde do trabalhador é tão devastador que 
implica em reflexos para a vida de seus parentes, como cônjuges, ascendentes e descendentes. 
Estes indivíduos têm a sua vida modificada em função do infortúnio. Exemplo: pessoa que, em 
acidente, ficou tetraplégica. Necessitará de máximos cuidados, geralmente prestados pelas 
figuras supracitadas, que, por ricochete, teriam agravamentos à vida que levavam 
anteriormente. O sujeito que requer indenização deste tipo a realiza em nome próprio, 
independentemente da ação onde o trabalhador é o autor, diretamente. 
Prescrição e acidente de trabalho 
A prescrição dos acidentes de trabalho é a do artigo 7º, XXIX da Constituição. 
Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de 
sua condição social: XXIX - ação, quanto aos créditos resultantes das relações de trabalho, com 
prazo prescricional de cinco anos para os trabalhadores urbanos e rurais, até o limite de dois 
anos após a extinção do contrato de trabalho. 
Se houver findado o contrato, poder-se-á ingressar com a ação em até 2 anos contados do 
término, com possibilidade de abrangência de fatos ocorridos nos últimos 5. 
Se não houver a extinção do contrato, contar-se-á a prescrição de 5 anos. 
 
A suspensão do contrato não interrompe o curso da prescrição, conforme jurisprudência do TST 
(não se aplica, assim, o artigo 199, inciso I do CC). 
Art. 199, CC (NÃO APLICÁVEL A PRESCRIÇÃO DA DISCIPLINA ORA ESTUDADA) - Não corre 
igualmente a prescrição: I - pendendo condição suspensiva; 
Existem casos excepcionais na jurisprudência, no entanto, como o de vigilante que cuidava de 
alimento radioativo e contraiu câncer. Alegou, no processo, que a prescrição dizia respeito a 
descoberta da doença, e não da chegada do alimento contaminado. O Tribunal julgou a seu 
favor, muito embora tivesse passado cerca de duas décadas desde o acidente nuclear que deu 
causa a situação.

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