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Página 1 de 101 @mentoriaparatribunais @luizanicolle (86) 988021308 RESUMO ESQUEMATIZADO DIREITO ELEITORAL Página 2 de 101 @mentoriaparatribunais @luizanicolle (86) 988021308 Querido concurseiro e futuro aprovado, Este resumo esquematizado foi criado para permitir uma revisão rápida e prática dos conteúdos referentes à disciplina de Direito Eleitoral. Em 100 páginas, contemplaremos os tópicos mais importantes da disciplina. É importante lembrar que, para potencializar o seu aprendizado no conteúdo e o seu rendimento de acerto, você precisa associar o estudo deste resumo com a leitura constante da legislação correlata e com a resolução em massa de questões para maior fixação. Desejo a você muito sucesso nessa jornada! Estarei orando pela sua aprovação. Um novo tempo chegará na sua vida! Um grande abraço. Luiza Nicolle Lopes Pedrosa Tôrres1 Coordenadora do @mentoriaparatribunais 1 Bacharel em Direito pela Universidade Federal do Piauí e Pós-graduada em Direito do Trabalho e Processo do Trabalho pela Damásio Educacional. Atualmente, está Analista Judicial Área Judiciária do Tribunal Regional Eleitoral do Estado do Pará. Classificada nos seguintes concursos: Analista e Técnico do TRE-PA (2020); Analista e Técnico do TJ-PA (2020); Técnico Ministerial do MP-CE (2020); Advogado da ARSETE (2016). Aprovada com nota 9,9 na Segunda Fase da OAB; 10 na prova discursiva do TRE-PA; e 29,8 (de 30) na prova discursiva do TJ-PA. Atualmente, está Analista Judiciário Área Judiciária do TRE-PA. Página 3 de 101 @mentoriaparatribunais @luizanicolle (86) 988021308 SUMÁRIO Pág. Noções introdutórias sobre Direito Eleitoral......................................................................................04 Sistemas eleitorais.....................................................................................................................................08 Partidos políticos.......................................................................................................................................12 Justiça Eleitoral.........................................................................................................................................25 Ministério Público Eleitoral....................................................................................................................30 Alistamento eleitoral.................................................................................................................................32 Convenções partidárias e registro de candidaturas..........................................................................41 Condições de elegibilidade e causas de inelegibilidade...................................................................45 Arrecadação de recursos e prestação de contas nas campanhas eleitorais.................................52 Pesquisas eleitorais e propaganda política..........................................................................................59 Organização das eleições, garantias eleitorais e diplomação dos eleitos......................................66 Abuso de poder nas eleições, condutas vedadas aos agentes públicos em campanhas eleitorais e combate à violência contra a mulher..................................................................................................73 Ações e recursos eleitorais........................................................................................................................77 Processo penal eleitoral.............................................................................................................................87 Crimes eleitorais..........................................................................................................................................90 Página 4 de 101 @mentoriaparatribunais @luizanicolle (86) 988021308 NOÇÕES INTRODUTÓRIAS SOBRE DIREITO ELEITORAL ➢ Conceito: Direito Eleitoral é ramo de Direito Público que se dedica ao estudo de normas e de procedimentos que organizam e disciplinam o exercício do poder de sufrágio popular a fim de que haja correspondência entre a vontade do povo e atividade governamental. ➢ Objeto: Corresponde ao conjunto de atos relacionados à organização das eleições, ao registro de candidatos, ao período de campanha eleitoral, à votação, à apuração e à divulgação dos resultados. ➢ Objetivo: Promover a normalidade e a legitimidade do procedimento eleitoral. ➢ É importante frisar que é da União a competência privativa para legislar sobre direito eleitoral, conforme art. 22 da Constituição Federal (CF). ➢ Tipos de democracia: TIPOS DE DEMOCRACIA Direta Indireta ou representativa Semidireta ou participativa Há exercício do poder popular sem a presença de intermediários. Ex: Modelo aplicado na cidade de Atenas, na Grécia Antiga. Por meio do exercício do sufrágio, ao povo cabe escolher os representantes políticos de modo periódico. Este modelo preserva a representação política associada a meios de participação direta do povo na condução do poder soberano do Estado. Ex: Brasil – há previsão de institutos de democracia participativa como plebiscito, referendo e iniciativa popular de lei. ➢ Institutos da democracia participativa: previstos constitucionalmente e regulamentados pela Lei nº. 9.709/98. PLEBISCITO REFERENDO INICIATIVA POPULAR DE LEI - Podem ser conceituados como consultas formuladas ao povo para que delibere sobre matéria de acentuada relevância, de natureza constitucional, legislativa ou administrativa. - Em caso de relevância nacional e no caso de incorporação, subdivisão ou desmembramento de estado, com ou sem anexação a outro estado, são convocados mediante decreto legislativo, por iniciativa de 1/3, no mínimo, dos membros que compõem qualquer das casas do Congresso Nacional. - O resultado para aprovar ou rejeitar a medida é formado por maioria simples. - Pode ser conceituada como a apresentação de projeto de lei à Câmara dos Deputados: • Subscrito por, no mínimo, 1% do eleitorado nacional; • Distribuído pelo menos por 5 Estados; • Com não menos de 0,3% (três décimos por cento) dos eleitores de cada um deles. Página 5 de 101 @mentoriaparatribunais @luizanicolle (86) 988021308 OBS: EC 111/21 – acrescentou os §§ 12 e 13 no art. 14 da CF para prever que serão realizadas, concomitantemente às eleições municipais, as consultas populares que versam sobre questões locais, que forem aprovadas pelas Câmaras Municipais e encaminhadas à Justiça Eleitoral até 90 dias antes das eleições, desde que sejam observados os limites operacionais relacionados ao número de quesitos. Durante o período de campanha eleitoral, manifestações favoráveis e contrárias às questões a serem apreciadas ocorrerão, sem, contudo, utilizar propaganda de rádio e de televisão específica para essa finalidade. Convocado com anterioridade, previamente, ao ato legislativo ou administrativo. - Convocado com posterioridade ao ato legislativo ou administrativo. - Pode ser convocado no prazo de 30 dias a contar da promulgação da lei ou da adoção de medida administrativa. - Deve se limitar a um só assunto. O povo aprova ou denega o ato a ele submetido. Até que o resultado das urnas seja proclamado, o ato tem sua tramitação sustada. Ao povo cabe rejeitar ou ratificar o ato. - A tramitação sempre inicia na Câmara dos Deputados quando se tratar de projetonomeação, os nomes dos membros são publicados no diário oficial, podendo tais indicações serem impugnadas, no prazo de 3 dias, por qualquer partido. - Presidente e Vice- presidente da corte: dentre os ministros do STF. - Presidente e Vice- presidente da corte: dentre os desembargadores do TJ. - O juiz de direito preside a Junta e não necessariamente é o juiz eleitoral da zona eleitoral respectiva, havendo, 5 Considerando o interesse da administração ou a conveniência do serviço eleitoral, o TRE pode substituir o critério de antiguidade pelo de merecimento do magistrado, de forma excepcional, por cinco votos de seus membros. Página 27 de 101 @mentoriaparatribunais @luizanicolle (86) 988021308 - Corregedor-geral eleitoral: dentre os ministros do STJ. - Corregedor-geral eleitoral: TSE, em 2018, determinou administrativamente e contrariamente ao disposto em lei, que os vice- presidentes dos TREs devem atuar como corregedores regionais eleitorais de seus tribunais. contudo, preferência para este. - Os membros do TSE continuam a exercer suas atividades nos tribunais de origem e na advocacia concomitantemente. - Os advogados só não podem exercer advocacia na JE durante o seu mandato. - Os advogados, de acordo com a jurisprudência, devem ter 10 anos de efetiva atividade profissional. - Não podem fazer parte do TSE cidadãos que tenham entre si parentesco, ainda que por afinidade, até o quarto grau, excluindo-se o que houver sido escolhido por último. - Valem os mesmos comentários atinentes aos advogados que compõem o TSE. - Não pode atuar como juiz eleitoral o cônjuge, parente consanguíneo ou afim, até o segundo grau, de candidato a cargo eletivo registrado na circunscrição, durante o período entre o registro de candidaturas até a apuração final da eleição. - Em uma mesma zona eleitoral, podem haver mais de uma junta, podendo ser formadas tantas juntas quantos forem os juízes de direito que atuam na respectiva área territorial. - Não podem ser membros da Junta: ▪ os candidatos e seus parentes, ainda que por afinidade, até o segundo grau, assim como o cônjuge; ▪ membros de diretórios de partidos políticos, autoridades e agentes policiais; ▪ funcionários no desempenho de cargos de confiança no Poder Executivo; ▪ servidores da Justiça Eleitoral. Competência - Fixada nos arts. 22 e 23 do Código Eleitoral. - Processamento e julgamento originário de registros e cassação de registros de partidos políticos. - Conflitos de jurisdição entre TREs e juízes eleitorais de diferentes estados. - Crimes eleitorais e comuns a eles conexos, que forem cometidos por juízes da corte e por membros dos TREs. - Ação rescisória em casos de inelegibilidade. - Habeas Corpus e Mandado de Segurança, em matéria eleitoral, contra atos do presidente da república, dos ministros de estado e dos TREs. - Habeas Corpus quando houver perigo de que se consume a violência antes de o juiz competente analise a impetração. Competência - Fixada nos arts. 29 e 30 do Código Eleitoral. - Processamento e julgamento originário dos pedidos de registro e cancelamento de registros dos diretórios estaduais e municipais de partidos políticos; - Conflitos de jurisdição entre juízes eleitorais do respectivo estado; - Crimes eleitorais cometidos por juízes eleitorais; - Habeas corpus e mandado de segurança, em matéria eleitoral, contra atos de autoridades que respondem perante o TJ por crimes de responsabilidade. - Em grau de recurso, habeas corpus e mandado de segurança denegados ou concedidos por juízes eleitorais. - Constituir as juntas eleitorais; Competência - Fixada no art. 35 do Código Eleitoral. - Processamento e julgamento de crimes eleitorais e dos comuns conexos, que não sejam da competência originária do TSE e dos TREs; - Decisão sobre habeas corpus e mandado de segurança, ressalvada a competências das instâncias superioras. - Alistamento e expedição de títulos eleitorais; - Concessão de transferências de eleitores; - Divisão da zona eleitoral em seções eleitorais e designação dos locais de instalação; - Nomeação de mesários; - Fornecimento de justificativas de ausência nas eleições; - Exercício do poder de polícia previsto no art. 41 da Lei nº 9.504/97. Competência - Fixada no art. 40 do Código Eleitoral. - Apurar as eleições; - Resolver impugnações e demais incidentes verificados durante a contagem e apuração dos votos; - Expedir boletins de apuração; - Expedir os diplomas aos eleitos para cargos municipais. Neste caso, onde houver mais de uma junta eleitoral, a expedição dos diplomas será feita pela junta que for presidida pelo juiz eleitoral mais antigo. Página 28 de 101 @mentoriaparatribunais @luizanicolle (86) 988021308 - Não possui competência penal originária: pela prática de crimes eleitorais, ministros do TSE são julgados pelo STF; membros dos TREs e governadores de estado são julgados pelo STJ. - Organizar todas as fases das eleições para presidente e para vice-presidente da República. - Aprovar a divisão dos estados em zonas eleitorais ou a criação de novas zonas. - Expedir resoluções sobre legislação eleitoral; - Responder às consultas formuladas por autoridade com jurisdição federal ou órgão nacional de partido político. - Processar e julgar recurso especial das decisões dos TREs, quando estas contrariem expressa disposição de lei ou quando ocorrer divergência na interpretação da lei entre dois ou mais tribunais. ▪ Não cabe recurso especial eleitoral para simples reexame do conjunto fático- probatório (Súmula nº 24 TSE) ▪ É indispensável o esgotamento das instâncias ordinárias para a interposição de recurso especial eleitoral (Súmula nº 25 TSE) - Processar e julgar o recurso ordinário das decisões dos TREs que versarem sobre expedição de diplomas nas eleições federais e estaduais ou que denegarem habeas corpus ou mandado de segurança. - Responder a consultas em tese formuladas por autoridade pública ou partido político. - Dividir a circunscrição em zonas eleitorais e encaminhar para aprovação do TSE, assim como no caso de criação de novas zonas. - Súmula 22 do TSE: Não cabe mandado de segurança contra decisão judicial recorrível, salvo em casos de teratologia ou manifestamente ilegais. - Súmula 23 do TSE: Não cabe mandado de segurança contra decisão judicial transitada em julgado. Recorribilidade das decisões Recorribilidade das decisões Recorribilidade das decisões - É possível para os TREs. Página 29 de 101 @mentoriaparatribunais @luizanicolle (86) 988021308 - São irrecorríveis as decisões do TSE, salvo: denegatórias de habeas corpus ou mandado de segurança e as que das quais caiba recurso extraordinário para o STF. - Das decisões dos TREs, somente caberá recurso quando: (art. 121, §4º, da CF) * forem proferidas contra disposição expressa da CF ou se ocorrer divergência na interpretação da lei entre dois ou mais TREs; * quando versarem sobre inelegibilidade, expedição ou anulação de diplomas nas eleições para deputados federais, senadores, deputados estaduais, governadores e vice- governadores; * quando decretarem perda de mandato de deputados federais, senadores, deputados estaduais, governadores e vice-governadores; * quando denegarem habeas corpus, mandado de segurança, habeas data ou mandado de injunção. • Os magistrados eleitorais,por não integrarem carreira própria, não possuem garantia de vitaliciedade, possuindo apenas as de irredutibilidade de subsídios e de inamovibilidade. Os membros das juntas eleitorais gozam de garantia de inamovibilidade e das demais prerrogativas dos magistrados, no que for aplicável. • Os juízes dos tribunais eleitorais, salvo por motivo justificado, servirão durante dois anos, no mínimo, e nunca por mais de dois biênios consecutivos, sendo os substitutos escolhidos na mesma ocasião e pelo mesmo processo, em número igual para cada categoria. • Observar que nenhuma das listas de advogados que são membros das cortes eleitorais são formadas pela Ordem dos Advogados do Brasil. • Zona eleitoral – é o espaço territorial sob jurisdição do juiz eleitoral. Nem sempre coincide com o território de um município: grandes municípios são divididos em várias zonas eleitorais e vários municípios pouco populosos podem ser agrupados para compor uma única zona eleitoral. Zona eleitoral Seção eleitoral Circunscrição Corresponde ao espaço territorial sob a jurisdição de um juiz eleitoral. É uma subdivisão da zona eleitoral, correspondendo ao local onde os eleitores comparecem para votar. Também corresponde a uma divisão territorial, a qual varia de acordo com o pleito. Em eleições municipais, o município corresponde à circunscrição. Em eleições estaduais, o estado da federação corresponde à circunscrição. Nas eleições presidenciais, o país é a circunscrição. Página 30 de 101 @mentoriaparatribunais @luizanicolle (86) 988021308 Ministério Público Eleitoral ➢ O Ministério Público atua em todas as fases e instâncias do processo eleitoral, sendo legitimado para propor, perante o juízo competente, as ações para declarar ou decretar a nulidade de negócios jurídicos ou atos da administração pública, infringentes de vedações legais destinadas a proteger a normalidade e a legitimidade das eleições, contra a influência do poder econômico ou o abuso do poder político ou administrativo. ➢ É importante mencionar que o Ministério Público Eleitoral não tem sua existência prevista expressamente na CF/88 (não está contemplado na estrutura orgânica prevista no art. 128 da CF), havendo tal previsão de existência na Lei Complementar nº 75/93 e no Código Eleitoral (arts. 18, 24 e 27). ➢ O MP Eleitoral não possui quadro próprio de agentes públicos e de servidores de carreira. ➢ Princípios institucionais: • Princípio da federalização: ✓ Previsto no art. 37, I c/c art. 72 da LC 75/93; ✓ Compete ao Ministério Público Federal a atribuição de oficiar junto à Justiça Eleitoral, em todas as fases do processo eleitoral. ✓ Em razão da quantidade de zonas eleitorais existentes no Brasil, a aplicação do princípio da federalização se torna prejudicada, pelo que se faz necessária a aplicação do princípio da delegação. • Princípio da delegação: ✓ Previsto no art. 78 da LC 75/93; ✓ Delega-se aos membros dos Ministérios Públicos estaduais a atribuição de oficiar junto aos juízes eleitorais. ✓ Trata-se, portanto, de exceção ao princípio da federalização. ✓ O membro do MPE acumulará suas atribuições eleitorais com aquelas comuns ao seu cargo de origem. ➢ Resolução nº 30/2008 do Conselho Nacional do Ministério Público – regulamenta a escolha dos membros dos MP estaduais para atuarem como promotores eleitorais. • A designação é feita através de ato do Procurador Regional Eleitoral, a partir de indicação feita pelo Chefe do Ministério Público local; • A indicação é direcionada para o membro lotado em localidade integrante de zona eleitoral que por último tiver exercido a função eleitoral; • Nas indicações seguintes, é obedecida a ordem decrescente de antiguidade na titularidade da função eleitoral, prevalecendo, em caso de empate, a antiguidade na zona; ➢ A designação dura o prazo de dois anos ininterruptos, incluindo férias, licenças e afastamentos, admitindo-se a recondução quando houver apenas um membro na circunscrição eleitoral. ➢ As investiduras na função eleitoral não ocorrerão em prazo inferior a 90 dias da data do pleito eleitoral e não cessarão em prazo inferior a 90 dias após a eleição, sendo vedada a fruição de férias ou de licença voluntária no período de noventa dias que antecedem o pleito até 15 dias após a diplomação dos eleitos, salvo em situações excepcionais autorizadas pelo Chefe do MP. ➢ MP Eleitoral: Página 31 de 101 @mentoriaparatribunais @luizanicolle (86) 988021308 MP ELEITORAL Zona Eleitoral TRE TSE Membro do Ministério Público Eleitoral – Promotor Eleitoral Procurador Regional da República no Estado e no DF – Procurador Regional Eleitoral Procurador Geral da República – Procurador Geral Eleitoral ➢ Ações desempenhadas pelo MP Eleitoral: • Antes do pleito: ✓ opina em processos de registro de candidatura; ✓ fiscaliza propaganda política; ✓ acompanha as nomeações de mesários; ✓ acompanha as nomeações dos membros da junta eleitoral; ✓ ajuíza Ação de Investigação Judicial Eleitoral. • No dia do pleito: ✓ Impugnações contra atuação de mesário, fiscal ou delegado de partido; ✓ Fiscaliza entrega das urnas; • Durante a apuração: ✓ Fiscaliza a instalação da junta eleitoral; ✓ Acompanhamento da apuração dos votos; ✓ Impugnação de votos e de urnas; ✓ Permite ampla fiscalização pelos partidos; • Na diplomação: ✓ Fiscaliza a expedição de diplomas; ✓ Ajuíza Ação de Impugnação de Mandato Eletivo e Recurso contra a diplomação. ➢ Exercício de atividade político-partidária por membro do MP: • Antes da EC 45/04: era possível o exercício de atividade político-partidária por membros do MP, sendo que aqueles que ingressaram antes da promulgação da CF/88 podem exercer o cargo eletivo sem precisar se afastar do MP. • Após a EC 45/04: passou a ser expressa a vedação a tal atividade por membro do MP. Quem ingressa na carreira após a emenda e desejar se candidatar a cargo eletivo precisa se afastar definitivamente do cargo para se filiar a partido político. Tal filiação deve ter o prazo mínimo de 06 meses antes do pleito eleitoral. Página 32 de 101 @mentoriaparatribunais @luizanicolle (86) 988021308 ALISTAMENTO ELEITORAL ➢ Conceito de capacidade política: trata-se da aptidão conferida ao indivíduo para que integrar o poder de sufrágio, adquirindo cidadania e habilitando-se para exercê-la. ➢ Direito político é considerado como o direito que permite participar da organização e do funcionamento do Estado. ➢ O alistamento eleitoral permite que aquele que está no gozo dos direitos políticos se torne habilitado para participar de eleições, de consultas populares, para ajuizar ação popular, para ingressar com iniciativa popular de lei, para ser nomeado para cargos públicos. ➢ Aquisição da capacidade política: se concretiza por meio do alistamento eleitoral Aquisição da capacidade política Obrigatória Facultativa - Maiores de 18 anos e menores de 70 anos de idade, ressalvados os conscritos, durante o período do serviço militar obrigatório. - Maiores de 16 anos e menores de 18 anos; - Maiores de 70 anos; - Analfabetos. ➢ Adquirindo capacidade política, o cidadão se habilita ao exercício da capacidade eleitoral ativa (pode votar) e da capacidade eleitoral passiva (pode ser votado). ➢ Para compreender melhor os critérios para aquisição da capacidade política, faz-se necessário o estudo sobre nacionalidade e sobre o alistamento eleitoral. ➢ Nacionalidade: • Povo x População: A população é um mero conceito demográfico, consistindo na soma de todas as pessoas que estão no território de um determinado Estado em determinado momento, o que acaba por incluir os estrangeiros que estão no território e excluindo os nacionais que estão forado país naquela oportunidade. O povo, por sua vez, é constituído por pessoas que possuem prerrogativa para exercer direitos políticos. O povo possui, portanto, capacidade política. O conceito de povo inclui o nacional que viaja pelo exterior e exclui o estrangeiro que reside no Brasil, mas que não é naturalizado. • As regras sobre nacionalidade servem para que o Estado defina quem constitui o seu povo. Assim, algumas pessoas compõem o povo em razão de nacionalidade primária e outras por nacionalidade secundária. • Nacionalidade primária: decorre do nascimento; • Nacionalidade secundária: decorre de um ato de vontade que é a naturalização. • No Brasil, as regras sobre nacionalidade estão previstas no art. 12 da CF/88: Regras sobre nacionalidade Brasileiros natos (nacionalidade primária) Brasileiros naturalizados (nacionalidade secundária) - os nascidos no país, ainda que de pais estrangeiros, desde que estes não estejam a serviço do seu país; Naturalização ordinária: Página 33 de 101 @mentoriaparatribunais @luizanicolle (86) 988021308 - os nascidos no exterior, de pai ou mãe brasileira, desde que qualquer deles esteja a serviço do Brasil; - os nascidos no exterior, de pai ou mãe brasileira, que sejam registrados em repartição brasileira competente ou venham a residir no Brasil e optem, a qualquer tempo, depois de atingida a maioridade, pela nacionalidade brasileira. - os estrangeiros que na forma da lei (Lei 13.445/2017) adquiram a nacionalidade brasileira. - aos estrangeiros originários de países de língua portuguesa exigem-se apenas residência no Brasil por um ano ininterrupto e idoneidade moral. Naturalização extraordinária ou quinzenária: - aos estrangeiros de qualquer nacionalidade, residentes há mais de 15 anos ininterruptos e sem condenação penal, desde que requeiram a nacionalidade brasileira. São adotados os critérios do jus solis (são nacionais os nascidos no território) e do jus sanguinis (são nacionais os nascidos no exterior que possuem laços familiares com nacionais) • Tanto os brasileiros natos quanto os brasileiros naturalizados devem exercer direitos políticos.6 • Cargos privativos de brasileiros natos: BIZU = MP3.COM ✓ Presidente e vice-presidente da República; ✓ Presidente da Câmara dos Deputados; ✓ Presidente do Senado Federal; ✓ Ministro do Supremo Tribunal Federal; ✓ Cargos da carreira diplomática; ✓ Oficial das Forças Armadas; ✓ Ministro de Estado da Defesa. • Português equiparado ao brasileiro naturalizado: Os direitos inerentes aos brasileiros (salvo os casos previstos na CF/88) são atribuídos aos portugueses com residência permanente no Brasil, caso haja reciprocidade em favor dos brasileiros. Tal equiparação decorre do Tratado de Amizade, Cooperação e Consulta firmado entre Brasil e Portugal no ano 2000 (e promulgado pelo Decreto nº 3.927/2001). o Art. 11, §3º da Res. TSE nº 23.659/2021 – A aquisição do gozo dos direitos políticos por pessoa brasileira em Portugal não acarreta a suspensão de direitos políticos ou o cancelamento da inscrição eleitoral e não impede o alistamento eleitoral ou as demais operações do Cadastro Eleitoral. ➢ Alistamento eleitoral e gestão do cadastro eleitoral • O alistamento pode ser definido como o ato através do qual o eleitor se habilita como eleitor e sujeito de direitos políticos, diante da Justiça Eleitoral, conquistando a capacidade eleitoral ativa. Corresponde à primeira etapa do processo eleitoral. • Disciplina legal: Código Eleitoral – arts. 42 a 81; e Resolução TSE nº 23.659/2021. 6 HIPÓTESES DE PERDA DA NACIONALIDADE CONFORME EC Nº 131/2023: § 4º - Será declarada a perda da nacionalidade do brasileiro que: I - tiver cancelada sua naturalização, por sentença judicial, em virtude de fraude relacionada ao processo de naturalização ou de atentado contra a ordem constitucional e o Estado Democrático; II - fizer pedido expresso de perda da nacionalidade brasileira perante autoridade brasileira competente, ressalvadas situações que acarretem apatridia. § 5º A renúncia da nacionalidade, nos termos do inciso II do § 4º deste artigo, não impede o interessado de readquirir sua nacionalidade brasileira originária, nos termos da lei. Página 34 de 101 @mentoriaparatribunais @luizanicolle (86) 988021308 • Cada eleitor, através do alistamento, é inserido no Cadastro Eleitoral e possui um histórico, que detalha transferências, segundas vias, etc. Além disso, para o registro de informações no histórico da inscrição do eleitor no Cadastro Eleitoral são usados Códigos DE Atualização da Situação do Eleitor – ASE. Esses códigos são uma maneira de registrar claramente e de forma inequívoca as informações sobre alterações que impactam o exercício de direitos civis e políticos daquele eleitor. • O alistamento se faz por meio de qualificação e de inscrição do eleitor – art. 42 do Código Eleitoral: ✓ Qualificação – ato por meio do qual o indivíduo faz prova de que satisfaz às exigências legais para se tornar eleitor. ✓ Inscrição – registro da pretensão à condição de eleitor, realizado por servidor da Justiça Eleitoral, desde que requerido pelo cidadão. • Alistamento, revisão, segunda via e transferência – pedidos são formalizados por meio de preenchimento de RAE (Requerimento de Alistamento Eleitoral), que é preenchido por servidor da Justiça Eleitoral (na presença do eleitor ou, previamente, pelo próprio eleitor por meio do Título Net e tais pedidos são processados eletronicamente. ✓ Durante os atendimentos de alistamento, revisão, transferência ou durante revisão de eleitorado, serão coletados dados biométricos do eleitor (impressões digitais, foto no padrão ICAO e assinatura digitalizada do eleitor, salvo em caso de analfabetos ou de pessoas para as quais seja impossível manejar a caneta de coleta). ✓ No caso de revisão, transferência e segunda via, não haverá coleta de dados biométricos se a pessoa já estiver identificada digitalmente. ✓ Eleitor cuja identificação biométrica falhar no dia da eleição não será impedido de votar, sendo convocado posteriormente para regularizar as pendências. ✓ O alistamento será promovido para pessoas com deficiência, para pessoas que se encontram em prisão provisória e para adolescentes sob custódia em unidade de internação. ✓ Indígenas: Estas regras se aplicam, no que for compatível, a quilombolas e comunidades remanescentes. o Devem ser considerados sua organização social, seus costumes, línguas, crenças e tradições. o Não se exige fluência em língua portuguesa para o alistamento. o São dispensados de apresentar comprovação de domicílio eleitoral quando o atendimento eleitoral ocorrer dentro dos limites das terras em que habita ou quando for notória a vinculação do indivíduo à comunidade. o É assegurado à pessoa indígena indicar, no prazo estipulado pela Justiça Eleitoral para cada pleito, local de votação, diverso da seção de origem, no qual prefira exercer o voto, desde que seja dentro dos limites da circunscrição da eleição. ✓ Transgênero: o É direito fundamental da pessoa transgênera, preservando-se os dados do registro civil, fazer constar no Cadastro Eleitoral o seu nome social e sua identidade de gênero. o A Justiça Eleitoral não pode promover a divulgação do nome civil da pessoa quando esta for identificada por nome social que consta no Cadastro Eleitoral, exceto: as hipóteses em que for legalmente exigido o compartilhamento da informação; e para atendimento de solicitação formulada pelo titular dos dados. • Nos dias 1º e 15 de cada mês ou no primeiro dia útil que lhes seguir, será disponibilizada listagem que contém as inscrições eleitorais cujos requerimento de alistamento e de transferência foram deferidos e indeferidos. Terão acesso à lista partidos políticos e o Ministério Público Eleitoral, os quaispoderão interpor recurso contra o deferimento do alistamento ou da transferência, no prazo de 10 dias, contados da disponibilização da lista. Se o alistamento ou a transferência for indeferido, cabe recurso no prazo de 5 dias por qualquer eleitor ou pelo Ministério Público. • Arts. 29 a 40 da Resolução TSE nº 23.659/21: Página 35 de 101 @mentoriaparatribunais @luizanicolle (86) 988021308 PROCEDIMENTOS Alistamento Transferência Revisão Segunda via - Procedimento adotado quando o alistando requer sua inscrição no Cadastro Eleitoral e em seu nome não for identificada inscrição no Brasil ou em seções do exterior; ou no caso de que sua única inscrição estiver cancelada por determinação de autoridade judicial. - Procedimento a ser adotado quando o eleitor deseja alterar o seu domicílio eleitoral. - Procedimento a ser adotado quando o eleitor: deseja alterar local de votação dentro do mesmo município, ainda que haja mudança de zona eleitoral; deseja retificar dados pessoais ou regularizar situação de inscrição cancelada por falecimento, duplicidade/pluraridade, por deixar de votar em 3 eleições consecutivas; e revisão do eleitorado. Desde que inexistente outra inscrição regular ou suspensa do eleitor. - Procedimento a ser adotado quando o eleitor, inscrito e regular, deseja apenas a emissão de segunda via do título, sem que haja nenhuma outra alteração de dados. Nestes dois procedimentos, a data de domicílio do eleitor não será alterada. • Documentos necessários para o alistamento eleitoral: é necessário apresentar um documento do qual se infira a nacionalidade brasileira. Art. 5º , §2º, da Lei nº 7.444/85 ✓ Carteira de identidade ou carteira emitida pelos órgãos criados por lei federal, controladores do exercício profissional; ✓ Certidão de nascimento ou de casamento expedida no Brasil ou registrada em repartição diplomática brasileira e transladada para o registro civil; ✓ Documento público do qual se infira ter a pessoa requerente a idade mínima de 15 anos e do qual constem os demais elementos necessários à sua qualificação; ✓ Documento congênere ao registro civil, expedido pela FUNAI; ✓ Documento do qual se infira a nacionalidade brasileira, originária ou adquirida, da pessoa requerente; ✓ Publicação oficial de portaria do Ministro da Justiça e documento de identidade de que tratam os arts. 22 do Decreto nº 3.927 e 5º da Lei 7.116/83, para as pessoas portuguesas que tenham obtido o gozo dos direitos políticos no Brasil. • Quitação militar: ✓ Somente é obrigatória para alistandos do gênero masculino que pertençam à classe dos conscritos. ✓ São conscritos: brasileiros nascidos entre 1º de janeiro e 31 de dezembro do ano em que completarem 19 anos de idade, os quais compõem a classe para seleção para a prestação do Serviço Militar Inicial. ✓ Pode se alistar eleitor, sem necessidade de apresentação do certificado de quitação militar: o Brasileiro para o qual não tenha ainda se iniciado o período de conscrição, ainda que completados 18 anos, desde que esteja em curso o prazo de apresentação ao órgão de alistamento militar; o Brasileiro para o qual, após 31 de dezembro do ano que completar 45 anos, tenha findado o período de conscrição, ainda que permaneça sujeito ao serviço militar obrigatório. ✓ Se o eleitor se alistar antes do início do período de conscrição, sua inscrição será suspensa quando for comunicada pela autoridade competente o início da prestação do serviço militar inicial obrigatório. ✓ Transgêneros: o não se exigirá certificado de quitação militar da mulher transgênera ainda que até 31 de dezembro do ano em que completou 19 anos seu registro ainda indique o gênero masculino. o Exigir-se-á o certificado de quitação militar do homem transgênero que tenha promovido a retificação do seu gênero no registro civil até 31 de dezembro do ano em que completou 19 anos. Página 36 de 101 @mentoriaparatribunais @luizanicolle (86) 988021308 • Alistamento de menores de 16 anos: É facultado o alistamento, no ano em que ocorrerem eleições, para os menores com 15 anos de idade, desde que na data da eleição já tenha completado 16 anos. • Brasileiro nato que não se alista até os 19 anos ou o naturalizado que não se alista até um ano após a aquisição da nacionalidade brasileira incorre em multa imposta pelo juiz eleitoral e cobrada no ato de inscrição. ✓ A multa não será aplicada se o não alistado requerer sua inscrição até o 151º dia anterior à eleição subsequente à data em que completar 19 anos. ✓ Art. 33 da Res. TSE nº 23.659/21: Incorre em multa a ser imposta pelo juiz eleitoral e cobrada no ato de alistamento: o Brasileiro nato, nascido em território nacional, que não se alistar até os 19 anos; o Brasileiro nato, nascida em território nacional ou no exterior, filha de brasileiro ou de brasileira registrada em repartição diplomática brasileira, que não se alistar até os 19 anos; o Brasileiro naturalizado, maior de 18 anos, que não se alistar até um ano depois de adquirir a nacionalidade brasileira. • Brasileiros que moram no exterior realizam alistamento, transferência ou revisão por meio de atendimento eletrônico em sistema informatizado disponibilizado pelo TSE. ✓ Podem votar para Presidente e Vice-presidente da República os brasileiros natos ou naturalizados residentes no exterior que requerem seu alistamento ao juiz da zona eleitoral do exterior até 150 dias antes do pleito. ✓ O cadastro dos eleitores do exterior é de competência do juiz da zona eleitoral do exterior, vinculada ao TRE do Distrito Federal. • Artigos do Código Eleitoral referentes ao alistamento que não se aplicam mais: Art. 44, art. 45, art. 54, art. 55, §1º, III, art. 67. ➢ Domicílio eleitoral: • Conceito legal – art. 42 do Código Eleitoral: É o lugar de residência ou moradia do requerente e, verificado ter o alistando mais de uma, considerar-se-á domicílio qualquer delas. • Conceito jurisprudencial do TSE: O domicílio eleitoral não se confunde, necessariamente, com o domicílio civil. Há a possibilidade do domicílio eleitoral afetivo, no qual o eleitor reside em um determinado município, mas se alista como eleitor em outro, desde que com este outro mantenha vínculos profissionais, propriedades, etc. • Conceito da Resolução TSE 23.659/2021 (art. 23) – para fins de fixação do domicílio eleitoral no alistamento e na transferência, deverá ser comprovada a existência de vínculo residencial, afetivo, familiar, profissional, comunitário ou de outra natureza que justifique a escolha do município. • A data de fixação do domicílio eleitoral retroage à data em que requerida a operação de alistamento ou de transferência, independentemente da data em que seja processado o lote RAE ou venham a ser supridas as diligências que forem necessários. • No caso de procedimento de revisão ou de segunda via, não há alteração da data de fixação do domicílio eleitoral. • O eleitor só pode se candidatar na circunscrição eleitoral que abrange o município onde ele está inscrito como eleitor. Para que seja candidato a um cargo eletivo, o eleitor deverá ter domicílio eleitoral de 6 meses antes do pleito. • Transferência de domicílio eleitoral: ✓ Ocorre quando a pessoa deseja alterar seu domicílio eleitoral, em conjunto ou não com eventual retificação de dados ou regularização de inscrição cancelada, e for encontrado em seu nome, em município diverso ou no exterior, número de inscrição regular, suspensa ou, se cancelada, por motivo que permita sua reutilização. ✓ Requisitos: art. 38 da Res. TSE 23.659/21 Página 37 de 101 @mentoriaparatribunais @luizanicolle (86) 988021308 o Apresentação de requerimento perante a unidade de atendimento da justiça eleitoral do novo domicílio no prazo estabelecido pela legislação; o Transcurso de, pelomenos, um ano do alistamento ou da última transferência. o Tempo mínimo de 3 meses de vínculo com o município, dentre aqueles aptos a configurar o domicílio eleitoral, declarado, sob as penas da lei, pela própria pessoa; o Regular cumprimento das obrigações de comparecimento às urnas e de atendimento a convocações para auxiliar nos trabalhos eleitorais. ✓ Os prazos de 1 ano e de 3 meses (previstos nos incisos II e III do art. 38) não se aplicam à transferência eleitoral de: o Servidora ou servidor público civil e militar ou de membro de sua família, por motivo de remoção, transferência ou posse; o Indígenas, quilombolas, pessoas com deficiência, trabalhadoras e trabalhadores rurais safristas e pessoas que tenham sido forçadas, em razão de tragédia ambiental, a mudar a sua residência. ➢ Título eleitoral: • É o documento que comprova o alistamento realizado pelo eleitor e que prova a quitação do eleitor diante da Justiça Eleitoral até a data de sua emissão. Não possui foto, obrigando o eleitor a apresentar um documento oficial com foto para votar. • E-título – aplicativo móvel criado pelo TSE (RES. 23.537/2017) que substitui o título eleitoral para seus usuários. Eleitor que possui cadastro biométrico possui foto no E-título, substituindo o título tradicional e a obrigação de apresentar outro documento oficial com foto. • Título eleitoral não faz prova da quitação eleitoral ou de regularidade de obrigações eleitorais específicas. ➢ Batimentos de dados biométricos e biográficos: • O batimento é realizado para comparar dados mantidos nos cadastros do TSE para averiguar se o cidadão mantém apenas uma única inscrição eleitoral. • Da análise por meio do batimento, 3 situações podem surgir: ✓ Duplicidade – indício de que uma única pessoa possui duas inscrições eleitorais, em razão de inscrição indevida, seja por equívoco no atendimento realizado ou seja pela tentativa maliciosa de obter uma segunda inscrição eleitoral; ✓ Pluralidade – indício de que uma única pessoa possui três ou mais inscrições eleitorais, em razão de inscrição indevida, seja por equívoco no atendimento realizado ou seja pela tentativa maliciosa de obter múltiplas inscrições eleitorais; ✓ Incoincidências – ocorre quando, durante a transferência ou revisão eleitoral, os dados biométricos que foram coletados não coincidem com os já constantes no cadastro para a inscrição transferida ou revisada, indicando um possível equívoco de atendimento ou a utilização indevida de dados da pessoa por outrem. • Ocorrendo duplicidade ou pluralidade, o cancelamento recairá, preferencialmente, na seguinte ordem: ✓ Na inscrição mais recente, efetuada contrariamente às instruções em vigor; ✓ Na inscrição que não corresponda ao domicílio eleitoral do eleitor; ✓ Na inscrição que não foi utilizada para o exercício do voto pela última vez; ✓ Na mais antiga. • Competência para decidir sobre as inconformidades biométricas: ✓ Duplicidade – juízo eleitoral a que estiver vinculada a inscrição mais recente; ✓ Pluralidade: o Ao juízo eleitoral, quando envolver inscrições efetuadas em uma mesma zona eleitoral; o À Corregedoria Regional Eleitoral, quando envolver inscrições efetuadas entre zonas eleitorais de um mesmo Estado ou do Distrito Federal; o À Corregedoria-Geral Eleitoral, quando envolver inscrições efetuadas em zonas eleitorais de estados diversos. Página 38 de 101 @mentoriaparatribunais @luizanicolle (86) 988021308 ➢ Correção e revisão do eleitorado e procedimento revisional: • Hipóteses de cabimento de correição do eleitoral – art. 102 da Resolução TSE n 23.659/2021: ✓ Pela Corregedoria-Geral Eleitoral, quando: o O total de transferências ocorridas no ano em curso seja 10% superior ao do ano anterior; o O eleitorado for superior ao dobro da população entre dez e quinze anos, somada à de idade superior a 70 anos do território daquele município; e o O eleitorado for superior a 65% e menor ou igual a 80% da população projetada para aquele ano pelo IBGE. ✓ Pela Corregedoria regional, quando houver indícios consistentes ou denúncia fundamentada de fraude ou outras irregularidades no alistamento em zona ou município. • Se na correição do eleitorado for comprovada fraude em proporção que comprometa a higidez do Cadastro Eleitoral, o TER, comunicando a decisão ao TSE, ordenará a revisão do eleitorado, obedecidas as instruções contidas na Resolução e as recomendações que subsidiariamente baixar. • Não será feita a revisão de eleitorado: ✓ Em ano eleitoral, salvo se iniciado o procedimento revisional no ano anterior ou se, verificada situação excepcional, o TSE autorizar que a ele se dê início; ✓ Que abranja apenas parcialmente o território do município, ainda que seja este dividido em mais de uma zona eleitoral. • Após a revisão, o magistrado juntará aos autos relatório das operações de RAE realizadas, que é extraído do Sistema Elo, e, após ser ouvido o Ministério Público, determinará o cancelamento das inscrições relativas a eleitores que não tenham comparecido. • Não serão canceladas as inscrições que, embora pertinentes ao período de abrangência das revisões do eleitorado: ✓ Sejam atribuídas a eleitores já identificados biometricamente, desde que atendidos os requisitos de qualidade dos dados biométricos e que tenha havido expressa dispensa do comparecimento ao cartório eleitoral pela norma que determinar o procedimento revisional; ✓ Tenham sem eu histórico registro do comando alusivo a deficiência que impossibilite ou torne extremamente oneroso o cumprimento das obrigações eleitorais; ✓ Tenham em seu histórico registro ativo do comando alusivo à suspensão de direitos políticos fundada em condenação criminal. ➢ Perda e suspensão dos direitos políticos: • Tema abordado pelo art. 15 da CF/88. • Hipóteses: ✓ Cancelamento da naturalização por sentença transitada em julgado; ✓ Incapacidade civil absoluta; ✓ Condenação criminal transitada em julgado, enquanto durarem seus efeitos; ✓ Recusa de cumprir obrigação a todos imposta ou prestação alternativa, nos termos do art. 5º, VIII; ✓ Improbidade administrativa, nos termos do art. 37, §4º. • É vedada a cassação de direitos políticos. • A perda dos direitos políticos é definitiva, enquanto a suspensão é temporária. A única hipótese efetiva de perda seria o caso de o indivíduo perder sua nacionalidade, seja em ação de cancelamento de naturalização ou de forma voluntária.7 7 HIPÓTESES DE PERDA DA NACIONALIDADE CONFORME EC Nº 131/2023: § 4º - Será declarada a perda da nacionalidade do brasileiro que: I - tiver cancelada sua naturalização, por sentença judicial, em virtude de fraude relacionada ao processo de naturalização ou de atentado contra a ordem constitucional e o Estado Democrático; II - fizer pedido expresso de perda da nacionalidade brasileira perante autoridade brasileira competente, ressalvadas situações que acarretem apatridia. § 5º A Página 39 de 101 @mentoriaparatribunais @luizanicolle (86) 988021308 • A suspensão dos direitos políticos não impede a realização de operações no Cadastro Eleitoral, inclusive o alistamento, logo após o qual deve ser registrado o código ASE que indica o impedimento ao exercício daqueles direitos. • A perda dos direitos políticos, por sua vez, decorrente da perda da nacionalidade brasileira, impede o alistamento eleitoral e as demais operações do Cadastro Eleitoral, acarretando se for o caso o cancelamento da inscrição já existente, nos termos do art. 11, §§1º e 2º da Resolução TSE 23.659/21. • A regularização de situação eleitoral da pessoa com restrição de direitos políticos somente será possível por meio de comprovação de ter cessado o impedimento. Nesse caso, há uma lista de documentos comprobatórios de reaquisição ou restabelecimento de direitos políticos, a saber: ✓ Nos casos de perda dos direitos políticos – decreto, portariaou comunicação do Ministério da Justiça; ✓ Nos casos de suspensão dos direitos políticos para condenados – sentença judicial, certidão do juízo competente ou outro documento que comprove o cumprimento ou a extinção da pena ou da sanção imposta, independente da reparação de danos. ✓ Nos casos de suspensão dos direitos políticos para conscritos ou pessoas que se recursaram à prestação do serviço militar obrigatório – certificado de reservista, certificado de isenção, certificação de dispensa de incorporação, certificado de cumprimento de prestação alternativa ao serviço militar obrigatório, certificado de conclusão do curso de formação de sargentos, certificado de conclusão de curso em órgão de formação da reserva ou similares. • Suspensão dos direitos políticos por incapacidade civil absoluta e o Estatuto da Pessoa com Deficiência (Lei nº 13.146/2015): ✓ Em razão da edição do Estatuto da Pessoa com Deficiência, ocorreram alterações no art. 3º e 4º do Código Civil. Assim, pela legislação atualmente vigente, são considerados absolutamente incapazes de exercer pessoalmente os atos da vida civil apenas os menores de 16 anos. Desse modo, as demais hipóteses de incapacidade absoluta anteriormente previstas foram revogadas. ✓ Pessoas com deficiência que estavam com seus direitos políticos suspensos, por incapacidade civil absoluta, salvo nos casos de pouca idade, passam a ser aptas, a princípio, ao exercício desses direitos, podendo até mesmo disputar eleições caso sejam cumpridas as condições de elegibilidade e não incorram em inelegibilidades previstas em lei. ✓ O art. 76 do Estatuto da Pessoa com Deficiência aborda temas importantes: o Será assegurado à PCD o direito de votar e de ser votada; o Garantia de que os procedimentos, instalações, materiais e equipamentos para votação sejam apropriados, acessíveis a todas as pessoas e de fácil compreensão e uso, sendo vedada a instalação de seções eleitorais exclusivas para PCD. o Garantia de que os pronunciamentos oficiais, a propaganda eleitoral obrigatória e os debates transmitidos pelas emissoras de televisão possuam, pelo menos, os recursos elencados no art. 67 do estatuto. o Garantia de livre exercício do direito ao voto e, para tanto, sempre que necessário e a seu pedido, permissão para que a PCD seja auxiliada na votação por pessoa de sua escolha. ✓ Resolução 23.659/21 também disciplina normas sobre PCD: o Art. 14 – é direito fundamental da PCD, inclusive a que for declarada relativamente incapaz para a prática de atos da vida civil, estiver excepcionalmente sob curatela ou tiver optado pela tomada de decisão apoiada, a implementação de medidas destinadas a promover seu alistamento e o exercício de seus direitos políticos em igualdade de condições com as demais pessoas. o É assegurado à PCD: escolher, no ato de alistamento, transferência ou revisão, local de votação que permita sua vinculação a seção eleitoral com acessibilidade, dentro da zona eleitoral; indicar, no prazo estipulado pela Justiça Eleitoral para cada pleito, local de votação, diverso daquele em que está sua seção de origem, no qual prefere exercer o voto, desde que dentro dos limites da circunscrição do pleito; e ser auxiliada, no ato de votar, por pessoa de sua escolha, ainda que não o tenha requerido antecipadamente ao juízo eleitoral. renúncia da nacionalidade, nos termos do inciso II do § 4º deste artigo, não impede o interessado de readquirir sua nacionalidade brasileira originária, nos termos da lei. Página 40 de 101 @mentoriaparatribunais @luizanicolle (86) 988021308 • Suspensão dos direitos políticos em face de condenação criminal transitada em julgado: ✓ A condenação sem trânsito em julgado não gera suspensão de direitos políticos, embora possa gerar inelegibilidade, conforme a Lei da Ficha Limpa (LC nº 135/2010). ✓ Súmula nº 9 do TSE: a suspensão de direitos políticos decorrente de condenação criminal transitada em julgado cessa com o cumprimento ou a extinção da pena, independendo de reabilitação ou de prova de reparação de danos. ✓ TSE entende que a condenação com trânsito em julgado por contravenção penal gera a suspensão dos direitos políticos do réu. ✓ Em caso de sursis (suspensão condicional da pena), o TSE entende que, por continuar a existir a condenação criminal com trânsito em julgado, é mantida a suspensão dos direitos políticos do condenado. ✓ Em caso de suspensão condicional do processo, em razão de não ter havido condenação criminal transitada em julgado, o réu tem resguardados os seus direitos políticos. ✓ Em caso de transação penal imposta nos termos do art. 76 da Lei dos Juizados Especiais (Lei nº 9.099/95), também se mantém os direitos políticos do indivíduo já que não há sentença penal condenatória. ✓ Quando o indivíduo condenado com trânsito em julgado promove a revisão criminal, ele continuará com os direitos políticos suspensos até que o pedido de revisão seja julgado definitivamente procedente. • Suspensão dos direitos políticos por improbidade administrativa: ✓ Não cabe à Justiça Eleitoral processar e julgar os casos de improbidade administrativa, sendo, portanto, tais demandas de competência da justiça comum. ✓ A suspensão dos direitos políticos em razão de improbidade administrativa, ao contrário do que se dá nos casos de condenação criminal transitada em julgado, não constitui um efeito imediato da condenação, pelo que precisa constar expressamente na decisão para que se efetive. o Art. 20, Lei nº 8.429/92 – a perda da função pública e a suspensão dos direitos políticos só se efetivam com o trânsito em julgado da sentença condenatória. Página 41 de 101 @mentoriaparatribunais @luizanicolle (86) 988021308 CONVENÇÕES PARTIDÁRIAS E REGISTRO DE CANDIDATURAS ➢ Conteúdo disciplinado nos arts.7º a 16-B da Lei das Eleições (Lei nº 9.504/97) ➢ Convenções partidárias são a fase do processo eleitoral em que os partidos políticos se reúnem para definir os seus candidatos e definir também se irão se coligar ou não a outros partidos no pleito. ➢ Art. 8º - A escolha do candidatos pelos partidos e a deliberação sobre coligações deverão ser feitas no período de 20 de julho a 5 de agosto do ano em que se realizarem as eleições, lavrando-se a respectiva ata em livro aberto, rubricado pela Justiça Eleitoral, publicada em vinte e quatro horas em qualquer meio de comunicação. ➢ A forma de desenvolvimento das convenções, bem como as normas para escolha e para substituição de candidatos e para a formação de coligações deverão obedecer ao estatuto do partido às disposições legais estabelecidas na Lei das Eleições. ➢ Os partidos poderão usar gratuitamente prédios públicos para a realização das convenções de escolhas de candidatos, responsabilizando por eventuais danos ao patrimônio. ➢ Tipos de convenções partidárias: • Convenções municipais – nelas são escolhidos os candidatos a vereador, a prefeito e a vice-prefeito e há deliberação sobre as coligações partidárias em âmbito municipal. • Convenções regionais – nelas são escolhidos os candidatos a deputados estaduais, deputados federais, deputados distritais, senadores, governador e vice-governador. Tudo no âmbito da unidade federativa correspondente. • Convenções nacionais – há deliberação quanto aos candidatos a presidente e vice-presidente da república e quanto à formação de coligações para as eleições presidenciais. ➢ Art. 9º da Lei das Eleições – para concorrer às eleições, o candidato deverá possuir domicílio eleitoral na respectiva circunscrição pelo prazo de seis meses e estar com a filiação deferida pelo partido nesse mesmo prazo. ➢ O caso da filiação de militares para exercício da capacidade eleitoral passiva – O art. 142, §3º, da CF/88 dispõe que o militar, enquanto em serviço ativo, não pode estar filiado a partidos políticos. Assim,como é necessária a candidatura no Brasil por meio de partidos políticos, não será exigido do militar o prazo de filiação de 6 meses, bastando o pedido de registro de candidatura após a prévia escolha do militar em convenção partidária. Em outras palavras, o militar participa apenas da convenção e se for escolhido candidato é que então se vinculará ao partido e poderá concorrer ao pleito. ➢ O caso da filiação de magistrados e membros dos tribunais de contas – devem se afastar de seus cargos definitivamente nos prazos de desincompatibilização previstos na Lei Complementar 64/90 (seis meses antes do pleito). Havendo a desincompatibilização, os referidos agentes deverão se filiar imediatamente a partidos políticos para que possam concorrer ao pleito. ➢ O caso da filiação de membros do Ministério Público – Se ingressou no cargo após a EC 45/04, segue o mesmo caso dos magistrados e membros dos tribunais de contas. Se ingressou entre 05 de outubro de 1988 (Constituição Federal de 1988) e a EC 45/04, poderão se filiar a partidos políticos e se candidatar a cargos eletivos. Se eleitos, devem deixar o cargo no MP. Se entrou antes da Constituição de 1988, é possível a atividade político-partidária, a candidatura a cargos eletivos e o exercício do cargo eletivo sem necessidade de deixar o Ministério Público. OBS: TSE entende que o prazo mínimo de domicílio eleitoral na circunscrição é contado do requerimento de transferência do título de eleitor, mesmo que o deferimento ocorra posteriormente. Página 42 de 101 @mentoriaparatribunais @luizanicolle (86) 988021308 ➢ Candidatura nata – O art. 8º, §1º, da Lei das Eleições concedia privilégios aos detentores de mandatos de deputado federal, estadual ou distrital ou de vereador e aos que já tivesses exercido esses cargos em qualquer período da legislatura que estiver em curso, de forma que estes teriam direito ao registro de candidatura para o mesmo cargo pelo partido a que estejam filiados. Após o julgamento da ADI 2.530-9, o STF considerou a candidatura nata inconstitucional. Assim, todos os filiados de um partido que sejam postulantes a candidaturas deverão disputar as convenções partidárias, sem privilégios. ➢ Registro dos candidatos: • Número máximo de candidatos a serem registrados por cada partido político ou coligação partidária: Presidente da república, vice- presidente, governadores, vice- governadores, prefeitos e vice- prefeitos Senador Deputados federais, deputados estaduais, deputados distritais e vereadores Cada partido ou coligação só pode lançar um candidato para cada cargo Cada partido ou coligação partidária poderá lançar um único candidato ou dois candidatos a depender da eleição (renovação de 1/3 ou de 2/3) Cada partido ou coligação poderá lançar um número maior de candidatos do que o número de vagas em disputa. De acordo com a Lei 14.211/2021, cada partido poderá registrar candidatos no total de até 100% do número de lugares a preencher mais 1. Havendo coligações partidárias, o candidato a tais cargos pode ser de um partido e os candidatos a vice pode ser de outro partido coligado. Isso também pode ocorrer no cargo de senador e seus suplentes. Lembrando que não são mais permitidas coligações em eleições proporcionais. • Preenchimento mínimo de vagas para cada sexo: Do número de vagas previstas, cada partido ou coligação preencherá o mínimo de 30% e o máximo de 70% para candidaturas de cada sexo. Prevalece o entendimento de que esses percentuais consideram o número de candidatos efetivamente lançados por cada partido ou coligação e não o número de candidatos potencialmente lançáveis. • Documentos necessários para o registro de candidatura: ✓ Art. 11 da Lei das Eleições/Art. 93 do Código Eleitoral - O pedido de registro de candidatura deve ser formulado até às 19:00 horas do dia 15 de agosto do ano do pleito. ✓ Eleições municipais – o pedido de registro é direcionado ao juiz eleitoral da zona eleitoral competente. ✓ Eleições regionais – o pedido de registro é direcionado ao TRE respectivo. ✓ Eleições presidenciais – o pedido de registro é direcionado ao TSE. ✓ Lista de documentos – art. 11, §1º da Lei das Eleições – Cópia da ata da convenção partidária que homologou a candidatura; autorização do candidato por escrito; prova de filiação partidária; declaração de bens assinada pelo candidato; cópia do título de eleitor ou certidão emitida pelo cartório eleitoral, para comprovar que o candidato é eleitor da circunscrição e que atende ao prazo de domicílio eleitoral; certidão de quitação eleitoral; certidões criminais da justiça eleitoral, federal e estadual; foto do candidato; propostas defendidas pelo candidato a prefeito, governador e presidente da república. • Os processos de pedidos de registro de candidatura deverão estar julgados até vinte dias antes da data das eleições pelas instâncias ordinárias – art. 16 da Lei das Eleições. Tais processos terão prioridade sobre quaisquer outros. • A mera apresentação das contas da campanha eleitoral, independentemente de aprovação, já é fato suficiente para a emissão da certidão de quitação eleitoral – art. 11, §7º, Lei das Eleições. • Requerimento individual de candidatura – previsão legal no §4º do art. 11 da Lei das Eleições: Na hipótese de o partido ou coligação não requerer o registro de seus candidatos, estes poderão fazê-lo perante a Justiça Eleitoral, observado o prazo máximo de 48 horas seguintes à publicação da lista dos candidatos pela Justiça Eleitoral. • Momento para aferição das condições de elegibilidade e das causas de inelegibilidade: Página 43 de 101 @mentoriaparatribunais @luizanicolle (86) 988021308 ✓ Art. 11, §10º, Lei das Eleições – As condições de elegibilidade e as causas de inelegibilidade devem ser aferidas no momento da formalização do pedido de registro de candidatura, ressalvadas as alterações, fáticas ou jurídicas, que afastem a inelegibilidade. ✓ Critério da idade mínima: Regra geral – é verificada tendo por referência a data da posse. Exceção – cargo de vereador – idade mínima de 18 anos é exigível na data-limite do pedido de registro de candidatura e não na data da posse. • Registro de candidatura sub judice: ✓ Art. 16-A, Lei das Eleições: O candidato cujo registro esteja sub judice poderá efetuar todos os atos relativos à campanha eleitoral, inclusive utilizar o horário eleitoral gratuito no rádio e na televisão e ter seu nome mantido na urna eletrônica enquanto estiver sob essa condição, ficando a validade dos votos a ele atribuídos condicionada ao deferimento de seu registro por instância superior. Parágrafo único: O cômputo, para o respectivo partido ou coligação, dos votos atribuídos ao candidato cujo registro esteja sub judice no dia da eleição fica condicionado ao deferimento do registro do candidato. ✓ Candidato com registro sub judice na data da eleição que seja definitivamente declarado inelegível, após a eleição, terá seus votos considerados inválidos. ✓ No caso de o candidato à eleição proporcional não ter registro sub judice na data da eleição, mas que tem seu registro cassado posteriormente, os votos a ele atribuídos serão computados para a legenda. ✓ Possibilidade de nulidade da eleição em caso de indeferimento do registro de candidatura do candidato mais votado – art. 224, §3º do Código Eleitoral: - Decisão da Justiça Eleitoral que importe o indeferimento do registro, a cassação do diploma ou a perda do mandato de candidato eleito em pleito majoritário acarreta nova eleição, independentemente do número de votos anulados. - Posicionamento do TSE e do STF: sempre que o candidato mais votado nas eleições tiver seu registro indeferido ou seu diploma cassado, independentemente de ter concorrido, no dia do pleito, com o registro deferido ou indeferido pela Justiça Eleitoral, nova eleição deverá ser imediatamenterealizada, sem necessidade, inclusive, de ocorrência do trânsito em julgado da decisão de indeferimento. • Candidatos expulsos dos seus partidos após o registro de candidatura: ✓ Art. 14 da Lei das Eleições - Havendo a expulsão após o registro de candidatura e antes das eleições, o candidato pode ficar sujeito ao cancelamento de seu registro, por meio de processo em que se assegure ampla defesa e o contraditório, bem como no qual sejam observadas as normas do estatuto do partido. • Variação nominal de candidatos: ✓ Art. 12 da Lei das Eleições – O candidato às eleições proporcionais indicará, no pedido de registro, além de seu nome completo, as variações nominais com que deseja ser registrado, até o máximo de três opções, que poderão ser o prenome, sobrenome, cognome, nome abreviado, apelido ou nome pelo qual não atente contra o pudor e não seja ridículo ou irreverente, mencionando em que ordem de preferência deseja registrar-se. ✓ Solução de homonímia no registro de candidaturas a cargos eletivos: - havendo dúvida, poderá exigir do candidato prova de que é conhecido por dada opção de nome, indicada no pedido de registro. - ao candidato que, na data máxima prevista para o registro, esteja exercendo mandato eletivo ou o tenha exercido nos últimos quatro anos, ou que nesse mesmo prazo se tenha candidatado com um dos nomes que indicou, será deferido o seu uso no registro, ficando outros candidatos impedidos de fazer propaganda com esse mesmo nome. - ao candidato que, pela sua vida política, social ou profissional, seja identificado por um dado nome que tenha indicado, será deferido o registro com esse nome, observado o disposto na parte final do inciso anterior. Página 44 de 101 @mentoriaparatribunais @luizanicolle (86) 988021308 - tratando-se de candidatos cuja homonímia não se resolva pelas regras dos dois incisos anteriores, a Justiça Eleitoral deverá notificá-los para que. Em dois dias, cheguem a acordo sobre os respectivos nomes a serem usados. - não havendo acordo no caso do inciso anterior, a Justiça Eleitoral registrará cada candidato com o nome e sobrenome constantes do pedido de registro, observada da ordem de preferência ali definida. OBS: Súmula 04 do TSE – Não havendo preferência entre candidatos que pretendam o registro da mesma variação nominal, defere-se o do que primeiro o tenha requerido. ✓ Identificação numérica dos candidatos: Presidente da república, governadores de estados e prefeitos Senado Federal Deputado Federal Deputado Estadual e Vereador Concorrem com os números identificadores dos seus respectivos partidos. XX Concorrem com o número de seus partidos acrescido de mais um algarismo à direita. XXX Concorrem com o número do partido a que são filiados, acrescido de dois algarismos, à direita. XXXX Concorrem com o número do partido a que são filiados, acrescido de três algarismos, à direita. XXXXX - Aos candidatos à reeleição é assegurada prioridade na manutenção do número pelo qual o candidato concorreu na eleição anterior, se por ventura ainda pertencer ao mesmo partido. • Substituição de candidatos após o término do prazo de registro de candidaturas: ✓ Art. 13 da Lei das Eleições – É facultado ao partido ou coligação substituir candidato que for considerado inelegível, renunciar ou falecer após o termo final do prazo do registro ou, ainda, tiver seu registro indeferido ou cancelado. ✓ A escolha do substituto far-se-á na forma estabelecida no estatuto do partido a que pertencer o substituído, e o registro deverá ser requerido até 10 (dez) dias contados do fato ou da notificação do partido da decisão judicial que deu origem à substituição. ✓ Tanto nas eleições majoritárias como nas proporcionais, a substituição só se efetivará se o novo pedido for apresentado até 20 (vinte) dias antes do pleito, exceto em caso de falecimento de candidato, quando a substituição poderá ser efetivada após esse prazo. ✓ Morte, desistência ou impedimento legal de candidato antes do segundo turno – Convoca-se dentre os candidatos remanescentes o de maior votação (Art. 77, §4º, CF). Ex: se um candidato com 48% dos votos válidos no primeiro turno das eleições venha a falecer antes do segundo turno, será substituído pelo terceiro colocado do primeiro turno e não pelo seu vice. Tal situação se aplica a candidatos a presidente, a governador e a prefeito. OBS.: No caso do vice – substitui apenas o vice ou a chapa toda? Segundo entendimento do TSE, em caso de necessidade de substituição do candidato a vice em chapa para presidente, governador ou prefeito entre o primeiro e o segundo turno, o substituto deverá ser filiado a partido político coligado já no primeiro turno, com preferência para o partido de origem do substituído, o qual poderá, no entanto, abrir mão do direito de preferência. ➢ Art. 88 do Código Eleitoral: Não é permitido registro de candidato embora para cargos diferentes, por mais de uma circunscrição ou para mais de um cargo na mesma circunscrição. ➢ Ação de impugnação de registro de candidatura (AIRC): • Disciplinada na Lei Complementar 64/90, art. 3º. • É proposta no prazo de 05 dias da publicação pela Justiça Eleitoral de edital contendo a relação nominal dos pedidos de registro de candidatura formulados. Página 45 de 101 @mentoriaparatribunais @luizanicolle (86) 988021308 CONDIÇÕES DE ELEGIBILIDADE E CAUSAS DE INELEGIBILIDADE ➢ Diretamente relacionados ao assunto de capacidade eleitoral passiva, estão os conceitos de condições de elegibilidade e de causas de inelegibilidade. ➢ Tem elegibilidade quem reúne as condições fixadas na lei (aspecto positivo) e que não incorre nas causas de inelegibilidade (aspecto negativo). Assim, os pressupostos de elegibilidade são requisitos que se devem preencher para que possa concorrer as eleições. As inelegibilidades, por sua vez, são impedimentos que, se não afastados por quem preencha os pressupostos de elegibilidade, lhe obstam concorrer as eleições, ou se forem supervenientes ao registro ou se de natureza constitucional servem de fundamento à impugnação de sua diplomação, se eleito. ➢ Condições de elegibilidade previstas na Constituição de 1988: Condições de elegibilidade previstas na Constituição de 1988 Art. 14, §3º, CF Nacionalidade brasileira Pleno exercício dos direitos políticos Alistamento eleitoral Domicílio eleitoral na circunscrição Filiação partidária Idade mínima: 35 anos – presidente, vice-presidente e senador 30 anos – governador, vice-governador 21 anos – deputado federal, deputado estadual ou distrital, prefeito, vice-prefeito e juiz de paz 18 anos - vereador Obs.: Um brasileiro polipátrida não é impedido para exercer as capacidades eleitorais ativa e passiva no Brasil. ➢ Causas de inelegibilidades: • Apresentam-se como impedimentos ao exercício da capacidade eleitoral passiva no Brasil. • Estão previstas na Constituição Federal e em Lei Complementar, tendo em vista que o art. 14, §9º da CF determina não ser possível fixar causas de inelegibilidade por meio de leis ordinárias. • Classificações: ✓ Podem decorrer de atos ilícitos (inelegibilidades sanção ou cominadas) ou de previsões do ordenamento para manter o equilíbrio nas disputas, a moralidade, a normalidade e legitimidade das eleições (inelegibilidades inatas). ✓ Inelegibilidades absolutas – valem para qualquer cargo, como é o caso dos analfabetos. Inelegibilidades relativas – só se referem a determinados cargos, originando-se de motivos funcionais ou de parentesco. • Hipóteses de inelegibilidades previstas na CF: Previstas nos §§4º a 7º do art. 14 da CF. – As inelegibilidades constitucionais podem ser arguidas ainda que passado o prazo para o ajuizamento da Ação de Impugnação de Registro de Candidatura. As inelegibilidades infraconstitucionais precisamrespeitar o prazo da referida ação para serem arguidas. Página 46 de 101 @mentoriaparatribunais @luizanicolle (86) 988021308 Hipóteses de inelegibilidades previstas na Constituição Federal Previsão legal Modalidade Observações importantes Art. 14, §4º Inalistáveis e analfabetos - São inelegíveis os inalistáveis e os analfabetos. - Inalistáveis: ▪ Estrangeiros, exceto portugueses beneficiados pelo Tratado de Amizade, Cooperação e Consulta; ▪ Conscritos; ▪ Menores de 16 anos; ▪ Quem teve seus direitos políticos perdidos ou suspensos. - Analfabeto funcional pode disputar eleições. - Teste de alfabetização: ▪ Deve ser feito individualmente e evitando constrangimentos. ▪ Súmula nº 15 do TSE: O exercício de cargo eletivo não é circunstância suficiente para, em recurso especial, determinar-se a reforma de decisão mediante a qual o candidato foi considerado analfabeto. ▪ Somente deve ser aplicado se o candidato não apresentar documento comprobatório de escolaridade com o requerimento de registro de candidatura. ▪ Súmula 55 do TSE: A CNH gera a presunção de escolaridade necessária ao deferimento do registro de candidatura. Art. 14, §5º Reeleição para cargos executivos - O presidente da república, os governadores, os prefeitos e quem os houver sucedido ou substituído no curso dos mandatos, poderão ser reeleitos por um único período subsequente. - Segundo o TSE, o vice-presidente, o vice-governador e o vice-prefeito não podem exercer tais cargos por três vezes consecutivas. - Segundo o TSE, candidato já com dois mandatos consecutivos de prefeito não pode por meio de alteração de domicílio eleitoral tentar concorrer ao terceiro em outro município. Art. 14, §6º Desincompatibilização de presidente, governador e prefeito a fim de concorrer a outro cargo - Para concorrem a outros cargos, o presidente da república, os governadores de estado e do Distrito Federal e os prefeitos devem renunciar aos respectivos mandatos até seis meses antes do pleito. - Para concorrer ao mesmo cargo em sede de reeleição, não é necessária a desincompatibilização. - Os respectivos vices não são abrangidos pela previsão constitucional, desde que, nos seis meses anteriores ao pleito, não tenham assumido ou substituído o titular. Art. 14, §7º Inelegibilidade reflexa - São inelegíveis, no território de jurisdição do titular, o cônjuge e os parentes consanguíneos ou afins, até o segundo grau ou por adoção, do presidente da república, de governador de estado ou território, do DF, de prefeito ou de quem os haja substituído dentro dos seis meses anteriores ao Página 47 de 101 @mentoriaparatribunais @luizanicolle (86) 988021308 pleito, salvo se já titular de mandato eletivo e candidato à reeleição. - Súmula Vinculante nº 18 do STF: A dissolução da sociedade ou vínculo conjugal, no curso do mandato, não afasta a inelegibilidade reflexa. - No território de jurisdição do titular: prefeito – município (parentes podem se candidatar em outro município ou cargos do mesmo estado); Governador – estado (parentes podem se candidatar em outro estado ou para cargos de âmbito nacional); presidente – Brasil (parentes só podem se candidatar se já forem titulares de mandato eletivo e pleitearem reeleição). - Súmula 06 do TSE: São inelegíveis para o cargo de chefe do Executivo o cônjuge e os parentes, indicados no §7º do art. 14 da CF, do titular do mandato, salvo se este, reelegível, tenha falecido, renunciado ou se afastado definitivamente do cargo até seis meses antes do pleito. - Segundo o TSE, a união estável atrai a inelegibilidade reflexa. - O mero namoro não tem efeitos para gerar a inelegibilidade reflexa. - A união homoafetiva atrai a inelegibilidade reflexa. ➢ Hipóteses de inelegibilidade previstas na Lei Complementar 64/908: Súmula nº 70 do TSE – O encerramento do prazo de inelegibilidade antes do dia da eleição constitui fato superveniente que afasta a inelegibilidade, nos termos do art. 11, §10, da Lei nº 9.504/97 (Lei das Eleições). Hipóteses de inelegibilidade previstas na Lei Complementar 64/90 Previsão legal Hipótese Observações importantes Art. 1º, I, a, da LC nº 64/90 São inelegíveis, para qualquer cargo, os inalistáveis e os analfabetos. Art. 1º, I, b, da LC nº 64/90 Ficarão inelegíveis para as eleições que se realizarem durante o período remanescente do mandato para o qual foram eleitos e nos oito anos subsequentes ao término da legislatura os parlamentares federais, estaduais e municipais que: - desde a expedição do diploma venham a: • Firmar ou manter contrato com pessoa jurídica de direito público, autarquia, empresa pública, sociedade de economia mista ou empresa concessionária de serviço público, salvo quando o contrato obedecer a cláusulas uniformes. • Aceitar ou exercer cargo, função ou emprego remunerado, inclusive os que sejam demissíveis ad nutum, nas entidades constantes da alínea anterior. - desde a posse venham a: • Ser proprietários, controladores ou diretores de empresa que goze de favor decorrente de contrato com pessoa jurídica de direito público, ou nela exercer função remunerada. • Ocupar cargo ou função de que sejam demissíveis ad nutum, em pessoas jurídicas 8 Art. 14, §9º da CF: Lei complementar estabelecerá outros casos de inelegibilidade e os prazos de sua cessação, a fim de proteger a probidade administrativa, a moralidade para o exercício do mandato, considerada a vida pregressa do candidato, e a normalidade e legitimidade das eleições, contra a influência do poder econômico ou o abuso do exercício de função, cargo ou emprego na administração direta ou indireta. Página 48 de 101 @mentoriaparatribunais @luizanicolle (86) 988021308 de direito público, autarquias, empresas públicas, sociedades de economia mista ou empresas concessionárias de serviço público; ou patrocinar causas em que sejam interessadas qualquer uma destas entidades. • Ser titulares de mais de um cargo ou mandato público efetivo. - tenham procedimento declarado incompatível com o decoro parlamentar. Art. 1º, I, c, da LC nº 64/90 O governador e o vice-governador e o prefeito e o vice-prefeito que perderem seus cargos eletivos por infringência a dispositivo da Constituição Estadual, da Lei Orgânica do DF ou da Lei Orgânica do Município, ficarão inelegíveis para as eleições que se realizarem durante o período remanescente e nos 8 anos subsequentes ao término do mandato para o qual tenham sido eleitos. Não abrange o presidente e nem o vice- presidente da república. Art. 1º, I, d, da LC nº 64/90 Serão inelegíveis para todos os cargos os que tenham contra sua pessoa representação julgada procedente pela Justiça Eleitoral, em decisão transitada em julgado ou proferida por órgão colegiado, em processo de apuração de abuso de poder econômico ou político, para a eleição na qual concorrem ou tenham sido diplomados, bem como para as que se realizarem nos 8 anos subsequentes. Art. 1º, I, h, da LC nº 64/90 Muito semelhante à alínea anterior São inelegíveis para todos os cargos os detentores de cargo na administração pública direta, indireta ou fundacional, que beneficiarem a si ou a terceiros, pelo abuso de poder econômico ou político, que forem condenados em decisão transitada em julgado ou proferida por órgão judicial colegiado, para a eleição na qual concorrem ou tenham sido diplomados, bem como para as que se realizarem nos 8 anos seguintes. - Súmula nº 69 do TSE: Os prazos de inelegibilidade previstos nas alíneas j e h do inciso I do art. 1º da LC 64/90 têm termo inicial no dia do primeiro turno da eleição e termo final no dia de igual número no oitavo ano seguinte. Art. 1º, I, e, da LC nº 64/90 Previsão de inelegibilidade desdea condenação por órgão colegiado até o prazo de 08 anos, a contar do término do cumprimento da pena, para os condenados, mesmo sem trânsito em julgado, pelos seguintes crimes: • Crimes contra a economia popular, a fé pública, a administração pública e o patrimônio público; • Crimes contra o patrimônio privado, o sistema financeiro, o mercado de capitais e os previstos na lei que regula a falência; • Crimes contra o meio ambiente e a saúde pública; • Crimes eleitorais, para os quais a lei comine pena privativa de liberdade; • Crimes de abuso de autoridade, nos casos em que houver condenação à perda do cargo ou à inabilitação para o exercício de função pública; • Crimes de lavagem ou de ocultação de bens, direitos e valores; • Crimes de tráfico de entorpecentes e drogas afins, racismo, tortura, terrorismo e hediondos; • Crimes de redução à condição análoga à de escravo; • Crimes contra a vida e a dignidade sexual; e • Crimes praticados por organização criminosa, quadrilha ou bando. - Súmula nº 61 do TSE: O prazo concernente à hipótese de inelegibilidade prevista projeta-se por 08 anos após o cumprimento da pena, seja ela privativa de liberdade, restritiva de direitos ou multa. - ADI 6630 – Min. Nunes Marques suspendeu a eficácia da expressão “a contar do término do cumprimento de pena” por causar insegurança jurídica quanto à detração do tempo de inelegibilidade cumprido anteriormente ao trânsito em julgado do processo criminal. - Caso a condenação se dê por outros crimes não previstos nesta lista, o eleitor terá apenas os seus direitos políticos suspensos enquanto durarem os efeitos da condenação (art. 15, III, CF). Página 49 de 101 @mentoriaparatribunais @luizanicolle (86) 988021308 Art. 1º, I, f, da LC nº 64/90 Os que forem declarados indignos do oficialato ou com ele incompatíveis serão declarados inelegíveis, para qualquer cargo, pelo prazo de 8 anos. Art. 1º, I, g, da LC nº 64/90 Serão declarados inelegíveis, para qualquer cargo, os que tiverem suas contas relativas ao exercício de cargos ou funções públicas rejeitadas por irregularidade insanável que configure ato doloso de improbidade administrativa, e por decisão irrecorrível do órgão competente, salvo se esta houver sido suspensa ou anulada pelo Poder Judiciário, para as eleições que se realizarem nos 08 anos seguintes, contados a partir da data da decisão. - Órgão competente que deverá proferir decisão irrecorrível: pode variar a depender do agente político cujas contas estão sendo julgadas ou com base na origem dos recursos auditados. • Câmara municipal, após emissão de parecer do TCE ou do TCM onde houver – prefeito. • TCU - Convênio União com Prefeitura - O dolo genérico é suficiente para que a conduta se enquadre na alínea g. - Eventual devolução integral ou parcial do valor recebido indevidamente não afasta a inelegibilidade. Art. 1º, I, j, da LC nº 64/90 São inelegíveis por 08 anos aqueles que forem condenados, em decisão transitada em julgado ou proferida por órgão colegiado da Justiça Eleitoral, por corrupção eleitoral, por captação ilícita de sufrágio, por doação, captação ou gastos ilícitos de recursos de campanha ou por conduta vedada aos agentes públicos em campanhas eleitorais que impliquem cassação do registro ou do diploma. - Súmula nº 69 do TSE: Os prazos de inelegibilidade previstos nas alíneas j e h do inciso I do art. 1º da LC 64/90 têm termo inicial no dia do primeiro turno da eleição e termo final no dia de igual número no oitavo ano seguinte. Art. 1º, I, k, da LC nº 64/90 São inelegíveis por 08 anos (a contar do término do mandato, sem prejuízo do tempo restante do mandato) o presidente da república, o Governador de Estado e do DF, o prefeito, os membros do Congresso Nacional, das Assembleias Legislativas, da Câmara Legislativa, das Câmaras Municipais, que renunciarem a seus mandatos desde o oferecimento de representação ou petição capaz de autorizar a abertura de processo por infringência a dispositivo da CF, da CE, da Lei Orgânica do DF ou da Lei Orgânica do Município. Art. 1º, I, l, da LC nº 64/90 São inelegíveis por 08 anos os que forem condenados à suspensão dos direitos políticos, em decisão transitada em julgado ou proferida por órgão judicial colegiado, por ato doloso de improbidade administrativa que importe lesão ao patrimônio público e enriquecimento ilícito (desde a condenação até 08 anos após o cumprimento da pena) TSE entende que é necessária a condenação por ato doloso de improbidade administrativa que implique, concomitantemente, lesão ao erário e enriquecimento ilícito. Art. 1º, I, m, da LC nº 64/90 São inelegíveis por 08 anos os que forem excluídos do exercício da profissão, por decisão sancionatória do órgão profissional competente, em decorrência de infração ético-profissional, salvo se o ato houver sido anulado ou suspenso pelo Poder Judiciário. Art. 1º, I, n, da LC nº 64/90 São inelegíveis por 08 anos (a contar da decisão que reconheceu a fraude) os que forem condenados, em decisão transitada em julgado ou proferida por órgão judicial colegiado, em razão de terem desfeito ou simulado desfazer vínculo conjugal ou de união estável para evitar caracterização de inelegibilidade Art. 1º, I, o, da LC nº 64/90 São inelegíveis por 08 anos (contados da decisão, salvo se o ato houver sido suspenso ou anulado pelo Poder Judiciário) os que forem demitidos do Página 50 de 101 @mentoriaparatribunais @luizanicolle (86) 988021308 serviço público em decorrência de processo administrativo ou judicial Art. 1º, I, p, da LC nº 64/90 São inelegíveis por 08 anos a pessoa física e os dirigentes de pessoas jurídicas responsáveis por doações eleitorais tidas por ilegais por decisão transitada em julgado ou proferida por órgão colegiado da Justiça Eleitoral, pelo prazo de 8 anos após a decisão, observando-se o procedimento do art. 22 da LC 64/90. Art. 1º, I, q, da LC nº 64/90 São inelegíveis por 08 anos os magistrados e os membros do Ministério Público que forem aposentados compulsoriamente por decisão sancionatória, que tenham perdido o cargo por sentença ou que tenham pedido exoneração ou aposentadoria voluntária na pendência de processo administrativo disciplinar. ➢ Prazos de desincompatibilização de titulares de determinados cargos ou funções como requisito para a disputa de mandatos eletivos (art. 1º, incisos II a VII, da LC 64/90): • Conceito de desincompatibilização: afastamento de cargo, emprego ou função, pública ou privada, exercido por cidadão brasileiro, de forma provisória ou definitiva, com o intuito de disputar mandato eletivo, de forma a afastar a inelegibilidade do titular ou até mesmo de seus parentes. • Membros do poder legislativo não são obrigados a desincompatibilizar-se dos seus cargos, mesmo que para disputar outros. • Vice-presidente, vice-governador e vice-prefeito não precisam se desincompatibilizar para disputar outros cargos, desde que, no prazo de desincompatibilização, não substituam, de forma temporária ou definitiva, os titulares. Também, no prazo de desincompatibilização, caso assumam, mesmo que de forma temporária, o mandato dos titulares, gerarão inelegibilidade reflexa dos seus parentes. – Art. 1º, §§2º e 3º da LC 64/90. Prazos de desincompatibilização de titulares de determinados cargos ou funções como requisito par a disputa de mandatos eletivos Prazo Cargo Observações importantes 6 MESES - Presidente da república, governadores de estado e prefeitos, para a disputa de outros cargos; - Interventor federal; - Magistrados, membros do Ministério Público, membros de Tribunais de Contas; - Advogado-Geral da União; - Chefes do Estado-Maiorde lei federal. ➢ Diferença entre sufrágio, voto e escrutínio: Sufrágio Voto Escrutínio - Poder pertencente ao povo para participar da gerência da vida pública. -Tipos: • Universal (de forma geral, o exercício do sufrágio se dá sem restrições desarrazoadas) x Restrito (há restrições ao exercício do sufrágio - Subtipos: censitário; capacitário; racial; por gênero; religioso). • Plural (um mesmo indivíduos tem o poder de exercer ais de uma vez o direito ao voto em um processo eleitoral) x Singular (a cada homem deve corresponder um voto). - No Brasil, aplicam-se os seguintes princípios: • Princípio da imediaticidade do sufrágio: o voto deve resultar imediatamente da vontade do - É o instrumento para materializar o poder de sufrágio. - De acordo com o art. 60, II, da CF, constitui cláusula pétrea o voto direto, secreto, universal e periódico (* voto obrigatório não é cláusula pétrea). - Há possibilidade de voto indireto quando houver a vacância concomitante dos cargos de prefeito e vice- prefeito, governador e vice-governador ou presidente e vice- presidente da República, nos últimos dois anos de mandato. - É a forma como se pratica o voto. Página 6 de 101 @mentoriaparatribunais @luizanicolle (86) 988021308 eleitor, sem a atuação de intermediários. • Princípio da universalidade do sufrágio: impõe o direito de sufrágio a todos os cidadãos de acordo com os parâmetros da razoabilidade. ➢ Fontes do direito eleitoral: • Fontes diretas: Constituição Federal; Código Eleitoral; Lei das Eleições; Lei das Inelegibilidades; Lei dos Partidos Políticos e resoluções do TSE. Resoluções – ferramenta de poder regulamentar instituída pelo Código Eleitoral de competência do Poder Judiciário para densificar o conteúdo de normas gerais e abstratas produzidas pelo Poder Legislativo. Referido poder regulamentar não é ilimitado. De acordo com o Código Eleitoral, no art. 23 – A, tal competência se restringe a matérias especificamente autorizadas em lei, sendo vedado ao TSE tratar de matéria relacionada com a organização de partidos políticos. • Fontes indiretas: Jurisprudência e doutrina. ➢ Consultas: • TSE e TREs podem responder a consultas em tese. • As consultas devem ser formuladas por autoridades públicas ou partidos políticos (para o TSE, por autoridade pública federal ou órgão nacional de partido político). • Devem sempre ser formuladas em tese, de forma desvinculada de situações concretas. • Devem versar sobre tema eleitoral previsto no Código Eleitoral, na Constituição Federal ou na legislação esparsa. • TSE decidiu que as consultas possuem caráter vinculante. Assim, não se conhece de consulta sobre matéria já apreciada pelo TSE. ➢ Princípios do Direito Eleitoral: • Princípio da lisura das eleições – Tem embasamento na busca da verdade real, permitindo até mesmo que o magistrado produza provas de ofício, no processo eleitoral, para que seja formado o seu convencimento acerca dos fatos. Positivado no art. 23 da Lei Complementar 64/90 (O tribunal formará sua convicção pela livre apreciação dos fatos públicos e notórios, dos indícios e presunções e provas produzidas, atentando para as circunstâncias dos fatos, ainda que não indicados ou alegados pelas partes, mas que preservem o interesse público da lisura eleitoral). • Princípio do aproveitamento do voto – Preconiza que o juiz deve se abster de pronunciar nulidades sem prejuízo (in dubio pro voto). Um exemplo de aplicação deste princípio é o famoso voto de legenda, que ocorre quando o voto dado a candidato inexistente mas que permite a identificação do partido é validado, conforme o art. 176 do Código Eleitoral. • Princípio da celeridade – Dado o caráter peculiar de tramitação do processo eleitoral, a qual, como um todo, ocorre em menos de 6 meses (entre o registro das candidaturas e a diplomação dos eleitos), exige- se que as decisões judiciais proferidas sobre tal matéria sejam rápidas. Como exemplo de aplicação de tal princípio, os prazos recursais no processo eleitoral são em regra de apenas 3 dias, inclusive para o Recurso Extraordinário. Como outro exemplo da necessidade de razoável duração do processo eleitoral Página 7 de 101 @mentoriaparatribunais @luizanicolle (86) 988021308 tem-se o art. 97-A da Lei das Eleições, o qual prevê que se considera como duração razoável do processo que possa resultar em perda de mandato eletivo o período máximo de 1 ano, contado de sua apresentação à Justiça Eleitoral. • Princípio da anualidade – Positivado no art. 16 da Constituição Federal, que determina que a lei que alterar o processo eleitoral entrará em vigor na data da sua publicação, não se aplicando à eleição que ocorra até um ano da data da sua vigência. Tal princípio busca respaldar a segurança jurídica para que as normas eleitorais não sejam modificadas a menos de um ano e um dia para as eleições e assim prejudique o equilíbrio da disputa com a alteração abrupta das regras do jogo. • Princípio da moralidade eleitoral – A aplicação de tal princípio remonta à discussão sobre os limites da presunção de inocência em face da necessidade de preservação da moralidade exigida para que alguém exerça cargos e funções públicas. A Lei da Ficha Limpa (LC 135/10) é um reflexo da expansão da moralidade. Por meio dessa lei, foram estabelecidos casos de inelegibilidade que têm como objetivo proteger a probidade administrativa e a moralidade no exercício do mandato. Página 8 de 101 @mentoriaparatribunais @luizanicolle (86) 988021308 SISTEMAS ELEITORAIS ➢ Conceito: trata-se de um conjunto de critérios usados para definição dos candidatos vencedores em um processo eleitoral. São, portanto, as regras usadas para que se atinja o resultado das eleições. ➢ Os sistemas mais conhecidos são: sistema majoritário; sistema proporcional; e sistema misto. ➢ Votos nulos e brancos não possuem valor na legislação eleitoral brasileira, sendo meramente desconsiderados. Um efeito importante da invalidade desses tipos de votos é que eles não se prestam nem mesmo para anular o pleito, conforme jurisprudência pacífica do TSE. Logo, votos brancos e nulos sufragados voluntariamente não configuram a hipótese de anulação da eleição prevista no art. 224 do Código Eleitoral, preservando-se a validade da eleição caso mais da metade dos eleitores decidam anular o voto ou votar em branco. ➢ Sistema majoritário: • No Brasil, é adotado para os cargos de presidente da república, governador de estado, prefeito e senador da república. • Por este sistema, é considerado eleito o candidato que obtiver a maioria dos votos em relação aos demais candidatos, de forma que os votos obtidos pelos demais são desprezados, prevalecendo a vontade da maioria. • Tipos: TIPOS DE SISTEMA MAJORITÁRIO Características Aplicação no Brasil SIMPLES • É necessária a mera maioria relativa dos votos para a aferição do candidato vencedor da eleição. • Exige apenas um único turno de eleições. Aplicado nas eleições para senadores e prefeitos de municípios com até 200 mil eleitores (não são habitantes!). ABSOLUTO • É necessária a maioria absoluta dos votos. • Só é declarado vencedor no primeiro turno o candidato que tenha a maioria absoluta dos votos válidos, possuindo, portanto, mais votos do que todos os seus concorrentes somados. Caso nenhum candidato obtenha a maioria absoluta, haverá segundo turno entre os dois candidatos mais votados no primeiro turno. • A maioria absoluta é aferida a partir dos votos válidos. Não são Aplicado nas eleições para presidente da república, governadores e prefeitos de municípios com mais de 200 mil eleitoresda Marinha, do Exército e da Aeronáutica. - Chefes dos gabinetes civil e militar de governador de estado ou do DF. - Presidente, superintendente ou diretor de autarquias, empresas públicas, sociedades de economia mista e fundações públicas ou mantidas pelo poder público. - Diretor-geral do Departamento de Polícia Federal. - Nomeados, pelo presidente da república, para cargos ou funções cuja nomeação esteja sujeita à aprovação prévia do Senado Federal. - Diretores de órgãos estaduais, sociedades de assistência aos municípios ou bancos estaduais. - Diretor de empresa pública internacional. - Dirigente de entidade de assistência a município que receba contribuição de órgão público. - Dirigente de fundação privada que receba verbas públicas imprescindíveis à sua manutenção. - Com exceção do Presidente da república, governadores e prefeitos, todas as outras pessoas deverão se desincompatibilizar dos seus cargos apenas 04 meses antes quando quiserem concorrer aos cargos de prefeito e de vice-prefeito (art. 1º, IV, a, LC 64/90). - Servidores da Justiça Eleitoral devem se afastar definitivamente do cargo no prazo de seis meses antes das eleições. 4 MESES - Dirigentes de entidades de classe mantidas, total ou parcialmente, por contribuições impostas pelo poder público, bem como os dirigentes sindicais. 3 MESES - Servidores públicos civis, estatutários ou não, dos órgãos ou entidades da administração direta ou indireta da União, dos estados, do DF, dos municípios e dos territórios, inclusive as fundações mantidas pelo público, garantido o direito à percepção dos seus vencimentos integrais (art. 1º, II, j, LC 64/90) - Segundo o TSE, membros de Conselhos Tutelares. - Defensores públicos - De acordo com o TSE, empregados de empresas públicas e de sociedades de economia mista também possuem o mesmo direito à manutenção dos vencimentos durante o afastamento. Página 51 de 101 @mentoriaparatribunais @luizanicolle (86) 988021308 - No caso dos defensores públicos, estes também devem se desincompatibilizar das funções, de forma temporária, garantidos os vencimentos integrais, três meses antes do pleito, salvo se estiverem concorrendo ao cargo de prefeito ou vice- prefeito, quando a desincompatibilização deverá ocorrer quatro meses antes da eleição, caso estejam em exercício na comarca onde desejem se candidatar. Página 52 de 101 @mentoriaparatribunais @luizanicolle (86) 988021308 ARRECADAÇÃO DE RECURSOS E PRESTAÇÃO DE CONTAS NAS CAMPANHAS ELEITORAIS ➢ Conteúdo previsto nos arts. 17 a 32 da Lei 9.504/97 (Lei das Eleições). ➢ No Brasil, adota-se um modelo misto de financiamento de campanhas eleitorais: há recebimento de recursos públicos e de recursos privados. ➢ A partir do julgamento da ADI 4.650/15, não há mais previsão de financiamento de campanhas eleitorais por pessoas jurídicas. ➢ Pré-requisitos para arrecadação de recursos para campanha eleitoral: • Para candidatos: ✓ Requerimento do registro de candidatura; ✓ Inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ); ✓ Abertura de conta bancária específica destinada a registrar a movimentação financeira de campanha; ✓ Emissão de recibos eleitorais. • Para partidos: ✓ Registro ou anotação no respectivo órgão da Justiça Eleitoral; ✓ Inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ); ✓ Abertura de conta bancária específica destinada a registrar a movimentação financeira de campanha; ✓ Emissão de recibos de doação na forma regulamentada pelo TSE nas prestações de contas anuais. ➢ Recursos admitidos para serem destinados às campanhas eleitorais: • Recursos próprios dos candidatos; • Doações financeiras ou estimáveis em dinheiro de pessoas físicas; • Doações de outros partidos políticos e de outros candidatos; • Comercialização de bens e/ou serviços ou promoção de eventos de arrecadação realizados diretamente pelo candidato ou pelo partido político; • Recursos próprios dos partidos políticos, desde que identificada a sua origem e que sejam provenientes: ✓ Do Fundo Partidário; ✓ Do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC); ✓ De doações de pessoas físicas efetuadas aos partidos políticos; ✓ De contribuição de seus filiados; ✓ Da comercialização de bens, serviços ou promoção de eventos de arrecadação; ✓ De rendimentos decorrentes da locação de bens próprios dos partidos políticos; • Rendimentos gerados pela aplicação de suas disponibilidades. ➢ Administração financeira das campanhas eleitorais: • Cabe ao candidato a responsabilidade pela administração financeira da sua campanha, que poderá ser realizada por ele mesmo ou por meio de pessoa por ele designada. • Caso o candidato designe pessoa para administrar as finanças de sua campanha em seu nome, haverá responsabilidade solidária entre o mesmo e a pessoa designada, de forma que ambos assinarão a prestação de contas correspondente. • Os bancos são obrigados a acatar, em até três dias, o pedido de abertura de conta realizado por comitê financeiro ou por candidato escolhido em convenção partidária, sendo vedado aos bancos condicioná-la a depósito mínimo e à cobrança de taxas ou outras despesas de manutenção. • Usar recursos financeiros que não venham da conta específica para pagamento de gastos de campanha implica desaprovação da prestação de contas do partido ou do candidato, configurando o chamado abuso de poder econômico. Página 53 de 101 @mentoriaparatribunais @luizanicolle (86) 988021308 • A Justiça Eleitoral fornecerá em até três dias úteis após o recebimento do pedido de registro da candidatura o número do registro do candidato no CNPJ. A partir de então, o candidato estará autorizado a promover a arrecadação de recursos e a realização de despesas relacionadas à campanha eleitoral. • Atentar para o crowfunding (vaquinhas eletrônicas em páginas de financiamento coletivo na internet). Requisitos para o financiamento coletivo (art. 22 da Resolução TSE 23.607/19): ✓ Cadastro prévio na Justiça Eleitoral pela instituição arrecadadora, observado o atendimento, nos termos da lei e da regulamentação expedida pelo Banco Central do Brasil, dos critérios para operar arranjos de pagamento. ✓ Identificação obrigatória, com o nome completo e o número de inscrição CPF de cada um dos doadores, o valor das quantias doadas individualmente, a forma de pagamento e as datas das respectivas doações. ✓ Disponibilização, em sítio eletrônico, de lista com identificação dos doadores e das respectivas quantias doadas, a ser atualizada instantaneamente a cada nova doação, cujo endereço eletrônico, bem como a identificação da instituição arrecadadora, devem ser informados à Justiça Eleitoral, na forma por ela fixada. ✓ Emissão obrigatória de recibo de comprovação para cada doação realizada, sob a responsabilidade da entidade arrecadadora. ✓ Envio imediato para a Justiça Eleitoral, na forma por ela estabelecida, e para o candidato de todas as informações relativas à doação. ✓ Ampla ciência a candidatos e leitores acerca das taxas administrativas a serem cobradas pela realização do serviço. ✓ Não incidência em quaisquer das hipóteses de fontes vedadas. ✓ Observância do calendário eleitoral para arrecadação de recursos. ✓ Movimentação de recursos captados na conta bancária destinada ao recebimento de doações para campanha. ✓ Observância dos dispositivos da legislação eleitoral relacionados à propaganda na internet. • Para a comercialização de bens e/ou serviços e/ou a promoção de eventos que se destinem a arrecadar recursos para a campanha eleitoral, o partido ou o candidato deve: ✓ Comunicar a sua realização, formalmente e com antecedência mínima de 05 dias úteis, à Justiça Eleitoral, que poderá determinar a sua localização. ✓ Manter à disposiçãoda Justiça Eleitoral a documentação necessária à comprovação de sua realização e de seus custos, despesas e receitas obtidas. ➢ Doações realizadas por pessoas físicas para campanhas eleitorais: • Pessoas físicas podem fazer doações em dinheiro ou estimáveis em dinheiro para campanhas eleitorais. • As doações deverão ser limitadas a 10% (dez por cento) dos rendimentos brutos auferidos pelo doador no ano anterior à eleição. • Doação de quantia acima do referido limite sujeita o infrator ao pagamento de multa no valor de até 100% (cem por cento) da quantia em excesso. • Doação pela internet: ✓ Mediante recibo preenchido em formulário eletrônico. ✓ Pode se dar por meio de cartão de crédito, atendidos os requisitos de identificação do doador e de emissão de recibo eleitoral. ✓ Fraudes ou erros cometidos pelo doador sem conhecimento de candidatos, partidos ou coligações não ensejarão a responsabilidade destes nem a rejeição de suas contas eleitorais. ✓ Doadores poderão ceder bens móveis ou imóveis ou prestar serviços próprios no valor de até R$ 40.000,00 (quarenta mil reais) a candidato, partido ou coligação, independentemente do limite de doações anuais de pessoas físicas. ✓ São dispensados de comprovação na prestação de contas: o Cessão de automóvel de propriedade do candidato, do cônjuge e de seus parentes até o terceiro grau para seu uso pessoal durante a campanha. o Cessão de bens móveis limitada ao valor de R$ 4.000,00 (quatro mil reais) por pessoa cedente. Página 54 de 101 @mentoriaparatribunais @luizanicolle (86) 988021308 o Doações estimáveis em dinheiro entre candidatos ou partidos, decorrentes do uso comum tanto de sedes quanto de materiais de propaganda eleitoral, cujo gasto deverá ser registrado na prestação de contas do responsável pelo pagamento da despesa. ✓ Doações financeiras devem ser comprovadas obrigatoriamente por meio de documento bancário que identifique o CPF/CNPJ dos doadores, sob pena de configurar o recebimento de recursos de origem não identificada. ✓ Doação por cartão de crédito: recibo eleitoral deve ser emitido no ato da doação, sendo cancelado em caso de estorno, de desistência ou de não confirmação da despesa do cartão. ✓ O candidato poderá usar recursos próprios em sua campanha até o total de 10% (dez por cento) dos limites previstos para gastos de campanha no cargo em que concorrer. ✓ Doações financeiras de valor igual ou superior a R$ 1.064,00 (mil e sessenta e quatro reais) só podem ser realizadas por meio de transferência eletrônica entre as contas bancárias do doador e do beneficiário da doação ou por meio de cheque cruzado e nominal. – art. 21, §1º, da Res. TSE 23.607/19. ✓ Valores que caracterizem sobras de campanha, ainda que pertençam ao patrimônio pessoal, devem ser destinados ao partido político. Sobra é sobra, não importa a origem. Precisa ser devolvida ao partido. ✓ Doação por pessoa física estrangeira: Segundo TSE, não configura, por si só, uma fonte vedada. Somente há irregularidade quando há elementos do caso concreto que indiquem a origem estrangeira do recurso doado. ➢ Os gastos advocatícios e de contabilidade referentes a consultoria, assessoria e honorários, relacionados à prestação de serviços em campanhas eleitorais e em favor destas, bem como em processo judicial decorrente de defesa de interesses de candidato ou partido político, não estão sujeitos a limites de gastos ou a limites que possam impor dificuldade ao exercício da ampla defesa. ➢ Gastar recursos acima dos limites estabelecidos obriga os responsáveis ao pagamento de multa no valor equivalente a 100% (cem por cento) da quantia que exceder o limite estabelecido, a qual deverá ser recolhida no prazo de 5 duas úteis contados da intimação da decisão, podendo os responsáveis responderem por abuso do poder econômico, conforme procedimento previsto no art. 22 da LC 64/90, sem prejuízo de outras sanções cabíveis. ➢ Receitas vedadas a candidatos e a partidos políticos em campanha eleitoral – art. 24 da Lei das Eleições. RECEITAS VEDADAS A CANDIDATOS E A PARTIDOS POLÍTICOS EM CAMPANHA ELEITORAL Partidos e candidatos não poderão receber, direta ou indiretamente, inclusive por meio de publicidade de qualquer espécie, doações em dinheiro ou estimáveis em dinheiro das seguintes pessoas: • Entidade ou governo estrangeiro; • Órgão da administração pública direta e indireta ou fundação mantida com recursos provenientes do poder público; • Concessionário ou permissionário de serviço público; • Entidade de direito privado que receba, na condição de beneficiária, contribuição compulsória em virtude de disposição legal; • Entidade de utilidade pública; • Entidade de classe ou sindical; • Pessoa jurídica sem fins lucrativos que receba recursos do exterior; • Entidades beneficentes e religiosas; • Entidades esportivas; • Organizações não governamentais que recebam recursos públicos; • Organizações da sociedade civil de interesse público (OSCIP). * Cooperativas cujos cooperados não sejam concessionários ou permissionários de serviços públicos, desde que não estejam sendo beneficiadas com recursos públicos, podem fazer doações, limitadas a 2% (dois por cento) do faturamento bruto no ano anterior. * Candidato ou partido que receber recursos oriundos de fontes vedadas ou de origem não identificada deverá proceder à devolução dos valores recebidos ou, não sendo possível a identificação da fonte, transferi-los para a conta única do Tesouro Nacional. ➢ Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC): Página 55 de 101 @mentoriaparatribunais @luizanicolle (86) 988021308 • Foi criado por meio da reforma eleitoral ocorrida em 2017 (Lei 13.487/2017); • Trata-se de um fundo de recursos públicos criados para abastecer os partidos políticos no financiamento de campanhas eleitorais. • Art. 16-C da Lei das Eleições - O FEFC é constituído por dotações orçamentárias da União em ano eleitoral, em valor equivalente: ao definido pelo TSE, a cada eleição, com base nos parâmetros legais; e ao percentual do montante total dos recursos da reserva específica a programações decorrentes de emendas de bancada estadual impositiva, que será encaminhado no projeto de lei orçamentária anual. • Os recursos do FEFC que não forem utilizados nas campanhas eleitorais deverão ser devolvidos ao Tesouro Nacional, integralmente, no momento da apresentação da respectiva prestação de contas. • Critérios de distribuição entre os partidos políticos dos recursos do FEFC para o primeiro turno das eleições: ✓ 2% (dois por cento), divididos igualitariamente entre todos os partidos com estatutos registrados no TSE; ✓ 35% (trinta e cinco por cento), divididos entre os partidos que tenham pelo menos um representante na Câmara dos Deputados, na proporção do percentual de votos por eles obtidos na última eleição geral para a Câmara dos Deputados; ✓ 48% (quarenta e oito por cento), divididos entre os partidos, na proporção do número de representantes na Câmara dos Deputados, consideradas as legendas dos titulares; (§3º - [...] ressalvados os casos dos detentores de mandato que migraram em razão de o partido pelo qual foram eleitos não ter cumprido os requisitos previstos no § 3º do art. 17 da Constituição Federal.) ✓ 15% (quinze por cento), divididos entre os partidos, na proporção do número de representantes no Senado Federal, consideradas as legendas dos titulares. (§4º - [...] bem como os Senadores filiados ao partido que, na data da última eleição geral, encontravam-se no 1º (primeiro) quadriênio de seus mandatos.) • Por meio de resolução (Res. 23.568/2018), o TSE estabeleceu que na distribuição dos recursos do FEFC devem se observar os percentuais mínimos de candidatura por gênero, conforme determinado pelo STF no julgamento da ADI nº 5.617. • Art. 17 da Resolução 23.607/2019 – inexistindo candidatura própria ou em coligação nacircunscrição, é vedado o repasse dos recursos do FEFC para outros partidos políticos ou candidaturas desses mesmos partidos. • TSE entende que é possível usar a verba do FEFC para pagamento de fiscais partidários que atuem nas seções eleitorais no dia da eleição. • Resolução 23.605/19 dá diretrizes para a gestão e para distribuição dos recursos do FEFC. • Federação: no caso de os partidos comporem federação, os recursos do FEFC serão distribuídos aos diretórios nacionais na proporção do direito de cada um dos partidos que integram a federação. • Distribuição de Fundo Partidário e de FEFC com base em candidaturas negras – os votos dados a candidatas ou candidatos negros para a Câmara dos Deputados nas eleições realizadas de 2022 a 2030 serão contados em dobro para fins de distribuição dos recursos. Essa contagem em dobro se aplicará apenas 1 vez. (Res. TSE 23.664/21) ➢ Prestação de contas nas campanhas eleitorais: • Conteúdo previsto nos arts. 28 a 32 da Lei das Eleições. • Não mais existem as figuras dos chamados comitês financeiros de campanhas das eleições proporcionais. • Prestação de contas dos candidatos às eleições majoritárias: serão feitas pelo próprio candidato, sendo acompanhadas dos extratos das contas bancárias referentes à movimentação de recursos financeiros usados na companha e da relação de cheques recebidos, com indicação dos números, valores e emitentes. • Prestação de contas dos candidatos às eleições proporcionais: também serão feitas pelo próprio candidato. • Prazo para apresentação da prestação de contas: ✓ Os candidatos deverão encaminhar as prestações de contas finais até o 30º dia posterior à realização das eleições. ✓ Se houver segundo turno, candidatos que o disputarem deverão encaminhar as prestações de contas, relativas aos dois turnos de campanha, até o 20º dia posterior à sua realização. Quem não for disputar segundo turno, precisa apresentar a prestação de contas normalmente até o 30º dia posterior ao primeiro turno. Página 56 de 101 @mentoriaparatribunais @luizanicolle (86) 988021308 • É importante lembrar que os prazos acima se referem à apresentação das prestações de contas finais. Os partidos, “coligações” e candidatos têm ainda o dever de apresentar relatórios parciais (prestação de contas parcial) referentes à arrecadação e aos gastos dos recursos na campanha. Havendo atraso na apresentação da prestação de contas parcial, de acordo com o TSE, tal fato não enseja desaprovação automática das contas de campanha, devendo-se analisar as justificativas e consequências da irregularidade. • O não cumprimento dos prazos para apresentação da prestação de contas impede a diplomação dos eleitos, enquanto perdurar o atraso. • TSE entente que candidato que renuncia, desiste ou, de qualquer forma, é impedido de prosseguir na sua campanha (por exemplo, tem o registro indeferido pela JE), deverá também prestar contas em relação ao período em que participou do processo eleitoral, no prazo de 30 dias após a realização da eleição, sob pena de não obter quitação eleitoral. • Se o candidato falecer, a obrigação de prestar as contas referente ao período em que realizou campanha será de responsabilidade de seu administrador financeiro ou, na sua ausência, no que for possível, da respectiva direção partidária. • Sistema simplificado de prestação de contas: art. 28, § 8º e seguintes, da Lei das Eleições e art. 62 da Res. 23.607/2019 do TSE. Trata-se de uma análise informatizada e simplificada da prestação de contas. Aplica- se a: ✓ Candidatos que apresentarem movimentação financeira correspondente, no máximo, ao valor de R$ 20.000,00 (vinte mil reais), atualizado pelo INPC. ✓ Eleições para prefeito e vereador em municípios com menos de 50 mil eleitores. (ATENÇÃO: Não são habitantes!!!) *Poderão ser submetidas ao exame simplificado as contas dos candidatos não eleitos. • Os valores transferidos pelos partidos políticos oriundos de doações serão registrados na prestação de contas dos candidatos como transferência dos partidos e, na prestação de contas anual dos partidos, como transferência a candidatos. • Limites em relação ao total de gastos de campanha: ✓ Alimentação de pessoal que presta serviços às candidaturas ou aos comitês eleitorais – 10% ✓ Aluguel de veículos automotores – 20% • Não são consideradas gastos eleitorais e não se sujeitam à prestação de contas as seguintes despesas de natureza pessoal do candidato: (Tal desconsideração só ocorre se os recursos usados forem privados. Se tais despesas forem pagas com recursos públicos, estarão sujeitas à fiscalização pela Justiça Eleitoral.) ✓ Combustível e manutenção de veículo automotor usado pelo candidato na campanha; ✓ Remuneração, alimentação e hospedagem do condutor do veículo usado pelo candidato em campanha; ✓ Alimentação e hospedagem própria; ✓ Uso de linhas telefônicas registradas em seu nome como pessoa física, até o limite de 3 linhas. • Qualquer eleitor poderá realizar gastos, em apoio a candidato, até a quantia equivalente a mil UFIR, não sujeitos a contabilização, desde que não sejam reembolsados. • Partidos, “coligações” e candidatos são obrigados, durante as campanhas eleitorais, a divulgar em site criado pela JE na internet: ✓ Os recursos em dinheiro recebidos para financiamento de sua campanha eleitoral em até 72 horas de seu recebimento. ✓ No dia 15 de setembro, relatório discriminando as transferências do Fundo Partidário, os recursos em dinheiro e os estimáveis em dinheiro recebidos, bem como os gastos realizados. • É obrigatória a constituição de advogado para a prestação de contas. • São obrigados a prestar contas: ✓ O candidato; ✓ Os órgãos partidários, ainda que constituídos sob forma provisória: nacionais, estaduais, distritais e municipais. Página 57 de 101 @mentoriaparatribunais @luizanicolle (86) 988021308 ➢ Verificação da regularidade das contas pela Justiça Eleitoral: • A decisão sobre a regularidade das contas poderá ser dos seguintes tipos: art. 30 da Lei das Eleições. ✓ Aprovação das contas: quando as contas estiverem regulares. ✓ Aprovação das contas com ressalvas: quando são verificadas falhas que não comprometem a regularidade. ✓ Desaprovação das contas: quando verificadas falhas que comprometam a regularidade das contas. ✓ Não prestação das contas: quando não apresentadas as contas após notificação emitida pela JE, na qual constará a obrigação expressa de prestar contas no prazo de 72 horas. • Erros formais e materiais que são corrigidos ou irrelevantes no conjunto da prestação de contas não comprometem o seu resultado, não autorizando a rejeição das contas, nem a cominação de sanções a candidatos ou partidos políticos. • A decisão que julgar as contas será publicada em sessão até 03 dias antes da diplomação. • Da decisão que julgar as contas caberá recurso no prazo de 03 dias ao órgão superior da JE, a contar da publicação da decisão no diário oficial. • Decisão que julga as contas como não prestadas acarreta: ✓ Ao candidato: o impedimento de obter a certidão de quitação eleitoral até o fim da legislatura, persistindo os efeitos da restrição após esse período até a efetiva apresentação das contas; ✓ Ao partido: perda do direito ao recebimento da quota do Fundo Partidário e do FEFC; e suspensão do restrito ou anotação do órgão partidário, após decisão, com trânsito em julgado precedida de processo regular que assegure ampla defesa. • Até 180 dias após a diplomação, candidatos e partidos deverão conservar a documentação atinente às suas contas. Caso as contas ainda estejam pendentes de julgamento, após este prazo de 180 dias, a documentação deve ser guardada até a decisão final. ➢ Representação do art. 30-A da Lei das Eleições: • Diante de irregularidade na arrecadação e nos gastos de recursos na campanha, poderá ser movida Ação por Captação e Gastos ilícitosde recursos - art. 30-A da Lei das Eleições. • Possui o mesmo procedimento previsto para AIJE – Art. 22 da LC 64/90; • Qualquer partido ou “coligação” poderá representar à JE no prazo de 15 dias da diplomação, relatando fatos e indicando provas sobre a arrecadação ou os gastos. • Comprovados os ilícitos, será negado o diploma ao candidato ou cassado se já houver sido diplomado. • Para o TSE, é necessária a prova sobre a relevância jurídica do ilícito praticado pelo candidato, ainda que não haja potencialidade de dano ao pleito eleitoral, ou seja, ainda que o ilícito não tenha o potencial de alterar o resultado das eleições. ➢ Sobras de campanha: • Art. 31 da Lei das Eleições. • Se houver, após o fim da campanha, sobras de recursos arrecadados, estas devem ser declaradas na prestação de contas final e, após julgados todos os possíveis recursos, transferidas ao partido político: ✓ no caso de candidato a Prefeito, Vice-Prefeito e Vereador, esses recursos deverão ser transferidos para o órgão diretivo municipal do partido na cidade onde ocorreu a eleição, o qual será responsável exclusivo pela identificação desses recursos, sua utilização, contabilização e respectiva prestação de contas perante o juízo eleitoral correspondente; ✓ no caso de candidato a Governador, Vice-Governador, Senador, Deputado Federal e Deputado Estadual ou Distrital, esses recursos deverão ser transferidos para o órgão diretivo regional do partido no Estado onde ocorreu a eleição ou no Distrito Federal, se for o caso, o qual será responsável exclusivo pela identificação desses recursos, sua utilização, contabilização e respectiva prestação de contas perante o Tribunal Regional Eleitoral correspondente; ✓ no caso de candidato a Presidente e Vice-Presidente da República, esses recursos deverão ser transferidos para o órgão diretivo nacional do partido, o qual será responsável exclusivo pela identificação desses recursos, sua utilização, contabilização e respectiva prestação de contas perante o Tribunal Superior Eleitoral; Página 58 de 101 @mentoriaparatribunais @luizanicolle (86) 988021308 • O órgão diretivo nacional do partido não pode ser responsabilizado nem penalizado pelo descumprimento das normas do art. 31 por parte dos órgãos diretivos municipais ou regionais. • De acordo com o TSE, recursos próprios de candidato usados na campanha e que configurem sobra de campanha, mesmo sendo de origem de patrimônio pessoal, devem ser destinados ao partido político. Página 59 de 101 @mentoriaparatribunais @luizanicolle (86) 988021308 PESQUISAS ELEITORAIS E PROPAGANDA POLÍTICA ➢ Pesquisas eleitorais: • Conteúdo previsto nos artigos 33 e seguintes da Lei nº 9.504/97 (Lei das Eleições); • Há obrigatoriedade, para as entidades e empresas de opinião pública, de registro das pesquisas junto à Justiça Eleitoral, até cinco dias antes da divulgação. O art. 33 ainda elenca as informações que devem ser registradas no órgão da Justiça Eleitoral competente para fazer o registro dos candidatos, pela entidade ou empresa de opinião pública realizadora da pesquisa: ✓ Identificação de quem contratou a pesquisa ✓ Valor e origem dos recursos despendidos no trabalho ✓ Metodologia e período de realização da pesquisa ✓ Plano amostral e ponderação quanto a sexo, idade, grau de instrução, nível econômico e área física de realização do trabalho a ser executado, intervalo de confiança e margem de erro ✓ Sistema interno de controle e verificação, conferência e fiscalização da coleta de dados e do trabalho em campo ✓ Questionário completo aplicado ou a ser aplicado ✓ Nome de quem pagou pela realização do trabalho e cópia da respectiva nota fiscal. • A divulgação da pesquisa sem prévio registro das informações obrigatórias na JE sujeita o responsável à multa, em valor definido em resolução específica do TSE para cada eleição. • Divulgação de pesquisa fraudulenta constitui crime, gerando ao responsável, além do pagamento de multa, pena de detenção de seis meses a um ano. ➢ Propaganda política: • Regulação da propaganda política: Lei 9.096/95 (propaganda partidária) e Lei 9.504/97 (propaganda eleitoral). • A violação às regras de propaganda política sujeita o responsável pela divulgação da propaganda, e quando comprovado o seu prévio conhecimento, o beneficiário da mesma, à multa no valor de R$ 5.000,00 a R$ 25.000,00, ou ao equivalente ao custo da propaganda, se este for maior. • A responsabilidade pelo pagamento de multas decorrentes de propaganda eleitoral é solidária entre os candidatos e os respectivos partidos, não alcançando outros partidos mesmo quando integrantes de uma mesma coligação. • Princípios da propaganda política: ✓ Princípio da legalidade – lei federal regula a propaganda por meio de normas de ordem pública, cogentes. ✓ Princípio da liberdade – o direito de propaganda é livre nos limites da lei. ✓ Princípio da responsabilidade – a propaganda é de responsabilidade dos partidos políticos e coligações, solidários com os candidatos e correligionários, de forma que todos são responsáveis pelos abusos e excessos cometidos. ✓ Princípio da igualdade – todos possuem direito ao acesso à propaganda. ✓ Princípio da disponibilidade – Os partidos, as coligações e os candidatos podem dispor da propaganda política lícita, sendo punível com sanções penais e administrativas as propagandas por ventura ilícitas. ✓ Princípio do controle judicial da propaganda – A JE possui a competência de aplicar as normas jurídicas relacionadas à propaganda política, podendo exercer poder de polícia. • Espécies de propaganda política: ✓ A propaganda política é gênero do qual são espécies: propaganda partidária, propaganda intrapartidária e propaganda eleitoral. ✓ Propaganda partidária: Tem como objetivo promover a difusão dos programas partidários; a transmissão de mensagens dirigidas aos filiados; e a divulgação da posição dos partidos em relação a temas relevantes. A reforma eleitoral do ano de 2017 havia extinguido essa modalidade de propaganda partidária gratuita no rádio e na TV, mas tal instituto foi recriado pela Lei 14.291/22. Página 60 de 101 @mentoriaparatribunais @luizanicolle (86) 988021308 ✓ Propaganda intrapartidária: art. 36, §1º da Lei das Eleições. Ao postulante a candidatura a cargo eletivo é permitida a realização, na quinzena anterior à escolha pelo partido, de propaganda intrapartidária com vista à indicação de seu nome, vedado o uso de rádio, de televisão e de outdoor. ✓ Propaganda eleitoral: disciplinada nos art. 36 a 59-A da Lei das Eleições. Direcionada para a conquista do voto do eleitor. É permitida apenas após o dia 15 de agosto do ano eleitoral. • Propaganda eleitoral antecipada: art. 36-A e 36-B da Lei das Eleições. Art. 36-A. Não configuram propaganda eleitoral antecipada, desde que não envolvam pedido explícito de voto, a menção à pretensa candidatura, a exaltação das qualidades pessoais dos pré-candidatos e os seguintes atos, que poderão ter cobertura dos meios de comunicação social, inclusive via internet: I - a participação de filiados a partidos políticos ou de pré-candidatos em entrevistas, programas, encontros ou debates no rádio, na televisão e na internet, inclusive com a exposição de plataformas e projetos políticos, observado pelas emissoras de rádio e de televisão o dever de conferir tratamento isonômico; II - a realização de encontros, seminários ou congressos, em ambiente fechado e a expensas dos partidos políticos, para tratar da organização dos processos eleitorais, discussão de políticas públicas, planos de governo ou alianças partidárias visando às eleições, podendo tais atividades ser divulgadas pelos instrumentos de comunicação intrapartidária;III - a realização de prévias partidárias e a respectiva distribuição de material informativo, a divulgação dos nomes dos filiados que participarão da disputa e a realização de debates entre os pré-candidatos; IV - a divulgação de atos de parlamentares e debates legislativos, desde que não se faça pedido de votos; V - a divulgação de posicionamento pessoal sobre questões políticas, inclusive nas redes sociais; VI - a realização, a expensas de partido político, de reuniões de iniciativa da sociedade civil, de veículo ou meio de comunicação ou do próprio partido, em qualquer localidade, para divulgar ideias, objetivos e propostas partidárias. VII - campanha de arrecadação prévia de recursos na modalidade prevista no inciso IV do § 4o do art. 23 desta Lei. § 2o Nas hipóteses dos incisos I a VI do caput, são permitidos o pedido de apoio político e a divulgação da pré- candidatura, das ações políticas desenvolvidas e das que se pretende desenvolver. Art. 36-B. Será considerada propaganda eleitoral antecipada a convocação, por parte do Presidente da República, dos Presidentes da Câmara dos Deputados, do Senado Federal e do Supremo Tribunal Federal, de redes de radiodifusão para divulgação de atos que denotem propaganda política ou ataques a partidos políticos e seus filiados ou instituições Parágrafo único. Nos casos permitidos de convocação das redes de radiodifusão, é vedada a utilização de símbolos ou imagens, exceto aqueles previstos no § 1o do art. 13 da Constituição Federal. ✓ A arrecadação de recursos, até mesmo por meio de crowfunding, não configura propaganda eleitoral antecipada vedada. ✓ TSE entende que se aplicam aos atos de pré-campanha as mesmas proibições impostas durante o período eleitoral. Ex: não pode distribuir brindes aos eleitores; impulsionamento eletrônico contratado por pessoa natural. ✓ De acordo com o TSE, discurso de ódio a pré-candidatos em publicação realizada por cidadão comum em perfil privado nas redes sociais durante o período pré-eleitoral pode configurar propaganda eleitoral antecipada negativa. ➢ Propaganda eleitoral em geral: • Conteúdo disciplinado nos arts. 36 ao 41 da Lei das Eleições. • Condutas permitidas e vedadas na propaganda eleitoral: Condutas permitidas e vedadas na propaganda eleitoral Conduta Disciplina legal Propaganda eleitoral nos bens cujo uso dependa de cessão ou permissão do poder público, ou que a ele pertençam, e nos de uso comum, inclusive postes de iluminação pública e sinalização de tráfego, viadutos, passarelas, pontes, paradas de ônibus e outros equipamentos urbanos. É vedada a veiculação de propaganda de qualquer natureza, inclusive pichação, inscrição a tinta e exposição de placas, estandartes, faixas, cavaletes, bonecos e assemelhados – art. 37, caput. https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm#art13%C2%A71 Página 61 de 101 @mentoriaparatribunais @luizanicolle (86) 988021308 Propaganda em cinemas, clubes, lojas, centros comerciais, templos, igrejas, estádios, ainda que de propriedade privada. Aplica-se a vedação do art. 37, caput, da Lei das Eleições, tendo em vista que os referidos bens são considerados de uso comum, para fins eleitorais. Propaganda eleitoral em bens públicos e particulares Não é permitida a veiculação de material de propaganda eleitoral em bens públicos ou particulares, exceto de: I – bandeiras ao longo de vias públicas, desde que móveis e que não dificultem o bom andamento do trânsito de pessoas e veículos; II – adesivo plástico em automóveis, caminhões, bicicletas, motocicletas e janelas residenciais, desde que não exceda a 0,5 m² (meio metro quadrado). Propaganda eleitoral nas dependências do Poder Legislativo Permitida, a critério da Mesa Diretora da Casa – art. 37, §3º. Propaganda eleitoral em árvores e jardins localizados em áreas públicas Proibida – art. 37, §5º. Propaganda eleitoral em árvores e jardins localizados em áreas privadas Proibida – art. 37, §2º. Propaganda eleitoral em muros, cercas e tapumes divisórios Não é permitida a colocação de propaganda de qualquer natureza – art. 37, §5º. OBS: A JE, contudo, tem interpretado o referido dispositivo admitindo de forma geral a propaganda em muros, cercas e tapumes divisórios privados. Outdoors É vedada, inclusive em outdoors eletrônicos, sujeitando-se a empresa responsável, os partidos, as coligações e os candidatos à imediata retirada da propaganda irregular e ao pagamento de multa no valor de R$ 5.000,00 a R$ 15.000,00. Colocação de mesas para a distribuição de material de campanha e bandeiras ao longo de vias públicas Permitida, desde que móveis e que não dificultem o bom andamento do trânsito de veículos e de pessoas. A mobilidade está caracterizada com a retirada dos meios de propaganda após as 22 horas até as 06 horas da manhã – art. 37, §6º e §7º. Distribuição de folhetos, volantes e outros impressos editados sob a responsabilidade do partido, coligação ou candidato. Independe de obtenção de licença municipal e de autorização da JE. Todo o material impresso de campanha eleitoral deverá conter o número do CNPJ ou CPF do responsável pela confecção, bem como de quem a contratou, e respectiva tiragem. Adesivos distribuídos poderão ter a dimensão máxima de 50 centímetros por 40 centímetros. Plotagem de veículos É proibido colar propaganda eleitoral em veículos, exceto adesivos micro perfurados até a extensão total do para-brisa traseiro e, em outras posições, adesivos de até 0,5 m² - art. 37, §2º. Atenção em relação a possível conflito de normas com o art. 38, §4º. Realização de ato de propaganda em recinto aberto ou fechado Independe de licença da polícia, mas é necessária a comunicação à autoridade policial com, no mínimo, 24 horas de antecedência – art. 39. Carros de som Permitida até as 22 horas do que antecede às eleições. Deve ser observado o limite de oitenta decibéis de nível de pressão sonora, medido a 7 metros de distância do veículo, apenas em carreatas, caminhadas e passeatas ou durante reuniões e comícios. Auto falantes ou amplificadores de som Permitido entre as 08 e as 22 horas, vedada a instalação a menos de 200 metros das sedes dos poderes executivo e legislativo da união, estados, DF e municípios; tribunais judiciais; quartéis e outros estabelecimentos militares; hospitais e casas de saúde; escolas; bibliotecas públicas; igrejas; teatros em funcionamento. Aparelhagem de sonorização fixa em comícios Permitida entre as 08 e as 24 horas. Alto falantes, amplificadores de som ou promoção de comícios ou carreatas no dia da eleição. Vedada, constituindo crime punível com detenção de 06 meses a 1 ano, com alternativa de prestação de serviços à comunidade e multa – art. 39, §5º. Boca-de-urna no dia da eleição Vedada, constituindo crime punível com detenção de 06 meses a 1 ano, com alternativa de prestação de serviços à comunidade e multa – art. 39, §5º. Página 62 de 101 @mentoriaparatribunais @luizanicolle (86) 988021308 Showmício ou evento assemelhado para promoção de candidatos, mesmo que o artista não venha a ser remunerado Vedado – art. 39, §7º. Trios elétricos em campanhas eleitorais Vedada, exceto para sonorização dos comícios – art. 39, §10. Confecção, utilização, distribuição por comitê, candidato, ou com a sua autorização, de camisetas, chaveiros, bonés, canetas, brindes, cestas básicas ou quaisquer outros bens ou materiais que possam proporcionar vantagem ao eleitor Vedada – art. 39, §6º. Manifestação de preferência do eleitor por partido político, coligação ou candidato no dia da eleição Permitida, desde que revelada exclusivamente por meio de uso de bandeiras, broches, dísticos e adesivos, de forma individual e silenciosa. Uso de vestuário ou objeto que contenha propaganda de partido político, coligação oude candidato, no recinto das seções eleitorais e juntas apuradoras Permitido, salvo para servidores da JE, mesários e escrutinadores. Aos fiscais partidários, nos trabalhos de votação, só é permitido que, em seus crachás, constem o nome a sigla do partido político ou coligação a que sirvam, vedada a padronização de vestuário. Uso de símbolos, frases ou imagens, associadas ou semelhantes às empregadas por órgão de governo, empresa pública ou sociedade de economia mista. Vedada, constituindo crime punível com detenção de 06 meses a 01 ano, om a alternativa de prestação de serviços à comunidade pelo mesmo período, e multa – art. 40. Propaganda eleitoral na imprensa escrita São permitidas, até a antevéspera das eleições, a divulgação, na imprensa escrita, e a reprodução na internet do jornal impresso, de até 10 anúncios de propaganda eleitoral, por veículo, em datas diversas, para cada candidato, no espaço máximo, por edição de 1/8 de página de jornal padrão e ¼ de página de revista ou tabloide. Pode ser propaganda paga e é mais flexível do que nos demais meios de comunicação. Propaganda eleitoral no rádio e na TV Restrita ao horário eleitoral gratuito e aos debates eleitorais, vedada a propaganda paga. Disciplinada nos arts. 44 a 57 da Lei das Eleições. TSE entende que a distribuição do tempo de propaganda eleitoral no rádio e na TV deve observar os percentuais mínimos de candidatura por gênero. Há vedações importantes às emissoras de rádio e TV no caput do art. 45: Art. 45. Encerrado o prazo para a realização das convenções no ano das eleições, é vedado às emissoras de rádio e televisão, em sua programação normal e em seu noticiário: I - transmitir, ainda que sob a forma de entrevista jornalística, imagens de realização de pesquisa ou qualquer outro tipo de consulta popular de natureza eleitoral em que seja possível identificar o entrevistado ou em que haja manipulação de dados; II - usar trucagem, montagem ou outro recurso de áudio ou vídeo que, de qualquer forma, degradem ou ridicularizem candidato, partido ou coligação, ou produzir ou veicular programa com esse efeito; III - veicular propaganda política ou difundir opinião favorável ou contrária a candidato, partido, coligação, a seus órgãos ou representantes; IV - dar tratamento privilegiado a candidato, partido ou coligação; V - veicular ou divulgar filmes, novelas, minisséries ou qualquer outro programa com alusão ou crítica a candidato ou partido político, mesmo que dissimuladamente, exceto programas jornalísticos ou debates políticos; VI - divulgar nome de programa que se refira a candidato escolhido em convenção, ainda quando preexistente, inclusive se coincidente com o nome do candidato ou com a variação nominal por ele adotada. Sendo Página 63 de 101 @mentoriaparatribunais @luizanicolle (86) 988021308 o nome do programa o mesmo que o do candidato, fica proibida a sua divulgação, sob pena de cancelamento do respectivo registro. Art. 45, §1º - A partir de 30 de junho do ano da eleição, é vedado, ainda, às emissoras transmitir programa apresentado ou comentado por pré-candidato, sob pena, no caso de sua escolha na convenção partidária, de imposição da multa prevista no § 2o e de cancelamento do registro da candidatura do beneficiário. Propaganda eleitoral na internet Permitida após 15 de agosto do ano da eleição, sempre de forma gratuita, em sítio de candidato, partido ou coligação, com endereço eletrônico comunicado à JE, em provedor de serviço de internet estabelecido no Brasil. Também é permitida a propaganda por meio de blogs, redes sociais, sítios de mensagens instantâneas e assemelhados e e-mails. Vedam-se o anonimato e a veiculação de propaganda em sítios de pessoas jurídicas, com ou sem fins lucrativos, ou sítios oficiais ou hospedados por órgãos ou entidades da administração pública direta ou indireta da União, estados, DF e municípios. É permitido o impulsionamento pago de propaganda eleitoral na internet, exceto no dia da eleição, desde que financiado por partido, coligação ou candidato. Atenção aos crimes previstos nos §1º e §2º do art. 57-H, referentes ao combate à profissionalização dos ataques à honra ou à imagem de candidatos. Possibilidade de solidariedade entre o provedor de conteúdo e de serviços multimídia que hospeda a divulgação da propaganda eleitoral de candidato, partido ou coligação, no que tange à imputação de penalidades previstas na lei, se, no prazo determinado pela JE, contado a partir da notificação da decisão sobre a existência da propaganda irregular, não tomar as providências para a cessão da irregularidade (art. 57-F). Propaganda eleitoral dos candidatos a vice e a suplentes de senador Na propaganda dos candidatos a cargo majoritário deverão constar, também, os nomes dos candidatos a vice ou a suplentes de senador, de modo claro e legível, em tamanho não inferior a 30% (trinta por cento) do nome do titular. – art. 36, §4º da Lei das Eleições. Fonte: NETO, Jaime Barreiros. Direito Eleitoral. 12ª ed. São Paulo: Editora Juspodivm, 2022. • As representações por propaganda eleitoral irregular em rádio, TV e internet tramitarão preferencialmente em relação aos demais processos em curso na JE. Tais reclamações ou representações tramitarão de acordo com o disposto no art. 96 da Lei das Eleições. • Poder de polícia: em face da propaganda eleitoral, será realizado pelos juízes eleitorais e pelos juízes designados pelos Tribunais Regionais Eleitorais. Tal poder se restringe às providências necessárias para inibir práticas ilegais, vedada a censura prévia sobre o teor de programas a serem exibidos na televisão, no rádio ou na interne – art. 41, §1º e §2º da Lei das Eleições. • Debates eleitorais no rádio e na TV: Art. 46 da Lei das Eleições. ✓ Independentemente da veiculação de propaganda eleitoral gratuita no horário definido nesta Lei, é facultada a transmissão por emissora de rádio ou televisão de debates sobre as eleições majoritária ou proporcional, assegurada a participação de candidatos dos partidos com representação no Congresso Nacional, de, no mínimo, cinco parlamentares, e facultada a dos demais. ✓ Será admitida a realização de debate sem a presença de candidato de algum partido, desde que o veículo de comunicação responsável comprove havê-lo convidado com a antecedência mínima de setenta e duas horas da realização do debate. ✓ É vedada a presença de um mesmo candidato a eleição proporcional em mais de um debate da mesma emissora. Página 64 de 101 @mentoriaparatribunais @luizanicolle (86) 988021308 Eleições majoritárias Eleições proporcionais A apresentação dos debates poderá ser feita: a) em conjunto, estando presentes todos os candidatos a um mesmo cargo eletivo; b) em grupos, estando presentes, no mínimo, três candidatos; Os debates deverão ser organizados de modo que assegurem a presença de número equivalente de candidatos de todos os partidos a um mesmo cargo eletivo e poderão desdobrar-se em mais de um dia, respeitada a proporção de homens e mulheres. • Horário eleitoral gratuito: art. 47 e seguintes da Lei das Eleições. ✓ Ocorre nos trinta e cinco dias anteriores à antevéspera das eleições, no caso do primeiro turno. ✓ Havendo segundo turno, inicia a partir da sexta-feira seguinte à realização do primeiro turno e até a antevéspera da eleição. É dividido em dois blocos diários de 10 minutos para cada eleição, tendo os blocos início às sete e as doze horas, no rádio, e às treze e às vinte horas e trinta minutos, na TV. ✓ Distribuição do horário entre todos os partidos e coligações que tenham candidato: - 90% (noventa por cento) distribuídos proporcionalmente ao número de representantes na Câmara dos Deputados, considerado, no caso de coligação para as eleições majoritárias, o resultado da soma do número derepresentantes dos 6 (seis) maiores partidos que a integrem; - 10% (dez por cento) distribuídos igualitariamente. - Ocorrendo segundo turno, o tempo de cada período diário de propaganda eleitoral gratuita no rádio e na TV será dividido igualitariamente entre os candidatos. ✓ No primeiro turno, as emissoras de rádio e de TV e os canais de assinatura mencionados no art. 57 reservarão 70 minutos diários para a propaganda eleitoral gratuita, a serem usados em inserções de 30 (trinta) e 60 (sessenta) segundos, a critério do respectivo partido ou coligação, assinadas obrigatoriamente pelo partido ou coligação, e distribuídas, ao longo da programação veiculada entre as 5 e as 24 horas. A distribuição levará em conta os blocos de audiência entre as 5 e as 11 horas, as 11 e as 18 horas, e as 18 e as 24 horas. No segundo turno, as emissoras e canais reservarão, por cargo em disputa, 25 minutos para serem usados em inserções de 30 (trinta) e de 60 (sessenta) segundos. ✓ Do horário eleitoral gratuito e das inserções, poderão participar, apoiando candidatos, qualquer cidadão não filiado a partido político e qualquer indivíduo filiado ao partido do candidato ou partido coligado. É vedada a participação de pessoa filiada a partido não coligado formalmente. No segundo turno, não será permitida a participação de filiado a partido que tenha formalizado apoio a outro candidato. ✓ Punição de retirada de tempo de propaganda eleitoral: De acordo com o art. 55, parágrafo único da Lei das Eleições, o tempo correspondente à punição sofrida por partido ou coligação decorrente de decisão da Justiça Eleitoral que retira tempo de propaganda eleitoral deverá ser cumprido após o programa dos demais candidatos com a informação de que a não veiculação do programa resulta de infração da lei eleitoral. • Direito de resposta: ✓ O art. 58 da Lei das Eleições determina que a partir da escolha de candidatos em convenção, é assegurado o direito de resposta a candidato, partido ou coligação atingidos, ainda que forma indireta, por conceito, imagem ou afirmação caluniosa, difamatória, injuriosa ou sabidamente inverídica, difundidos por qualquer veículo de comunicação social, nos seguintes prazos a contar da ofensa: - 24 horas: quando a ofensa se der em horário eleitoral gratuito. - 48 horas: quando a ofensa se der em programação normal das emissoras de rádio e de TV. - 72 horas: quando a ofensa se der em imprensa escrita. ✓ O procedimento relacionado ao direito de resposta varia de acordo com o meio de comunicação em que a ofensa aconteceu, conforme previsão do art. 58, §3º. Página 65 de 101 @mentoriaparatribunais @luizanicolle (86) 988021308 ✓ Direito de resposta em caso de ofensa promovida na internet: o ofendido ou seu representante legal poderá pedir o exercício do direito de resposta à JE, a qualquer tempo, quando se tratar de conteúdo que esteja sendo divulgado na internet ou em 72 horas após a sua retirada. ✓ Caso a ofensa ocorra em momento que inviabilize a reparação nos prazos apresentado acima, a resposta será divulgada em horários a serem determinados pela JE, ainda que nas 48 horas anteriores ao pleito. ✓ Os pedidos de direito de resposta tramitarão preferencialmente em relação aos demais processos em curso na JE. Página 66 de 101 @mentoriaparatribunais @luizanicolle (86) 988021308 ORGANIZAÇÃO DAS ELEIÇÕES, GARANTIAS ELEITORAIS E DIPLOMAÇÃO DOS ELEITOS ➢ Organização das seções eleitorais: • As zonas eleitorais são divididas em seções eleitorais, as quais correspondem ao local onde os eleitores comparecem para votar. • Em cada seção, há uma urna e uma mesa receptora de votos, formada por uma equipe de mesários nomeada pelo juiz eleitoral. • O art. 117 do Código Eleitoral dispõe que as seções eleitorais devem ter em regra, pelo menos, 50 eleitores e no máximo 400 eleitores nas capitais e 300 nas demais localidades. Por outro lado, o art. 84 da Lei das Eleições estabelece que cabe à JE fixar o número de eleitores por seção, podendo ser estabelecido um número de eleitores além do limite máximo permitido pelo Código Eleitoral, conforme juízo de conveniência e oportunidade da JE. • As seções devem funcionar, preferencialmente, em edifícios públicos. O uso de edifícios particulares é a exceção. • Até 60 dias antes das eleições, o juiz eleitoral designará os locais de votação onde irão funcionar as mesas receptoras, sendo vedada a escolha de locais que sejam de propriedade de candidatos, de membros de diretórios ou de delegados de partidos políticos ou de coligação, autoridade judicial ou cônjuges e parentes consanguíneos, por adoção ou afins, até o 2º grau, de candidato. • São proibidas seções eleitorais em propriedades rurais privadas. • Divulgados os locais de votação, inicia o prazo de 03 dias para impugnação, contados da publicação, sendo legitimados para impugnar os locais de votação os partidos políticos, as coligações e o Ministério Público Eleitoral. • O eleitor é quem escolhe, no momento de seu alistamento, o local de votação de preferência, a partir da lista dos locais de votação disponíveis na sua respectiva zona eleitoral. • Seções especiais – organizadas para pessoas com deficiência possam utilizar. O número de eleitores das seções especiais poderá ser completado por outros eleitores que não estejam com condição de deficiência. ➢ Organização das mesas receptoras de votos: • Art. 120 do Código Eleitoral – cada mesa receptora de votos é composta de 6 membros: 1 presidente, 1 primeiro e 1 segundo mesário, 2 secretários e 1 suplente. Res. TSE 23.218/2010 – TSE facultou aos TREs a dispensa do segundo secretário e do suplente. Nomeados pelo Juiz Eleitoral 60 dias antes das eleições. • Não podem ser nomeados para compor mesas receptoras – art. 120 do Código Eleitoral c/c art. 63, §2º da Lei das Eleições: ✓ Candidatos, seus cônjuges e parentes, ainda que por afinidade até o 2º grau; ✓ Membros de diretórios de partidos políticos que exerçam função executiva; ✓ Autoridades e agentes policiais, bem como funcionários no desempenho de cargos de confiança no poder executivo; ✓ Servidores da JE;9 ✓ Eleitores menores de 18 anos de idade. • Art. 64 da Lei das Eleições – não podem participar da mesma mesa receptora parente em qualquer grau ou servidores da mesma repartição pública ou empresa privada. • Qualquer partido pode reclamar ao juiz eleitoral, no prazo de 5 dias, da nomeação da mesa receptora, devendo a decisão ser proferida em 48 horas. Da referida decisão, caberá recurso ao TRE no prazo de 03 dias. – art. 63 da Lei das Eleições. • Atribuições do presidente da mesa receptora: ✓ Durante o período de votação, exerce o poder de polícia na sua respectiva seção, podendo até requisitar força policial se for necessário. ✓ É a autoridade superior na seção, devendo zelar pela ordem do pleito, podendo retirar do recinto quem não guardar a devida compostura ou estiver praticando ato atentatório à liberdade eleitoral. 9 Só podem compor mesas exclusivamente formadas para recepção de justificativas de ausência de eleitores ao pleito – art. 10, §3º da Res. TSE nº 23.218/2010. Página 67 de 101 @mentoriaparatribunais @luizanicolle (86) 988021308 ✓ Somente o juiz eleitoral (nenhuma outra autoridade estranha à mesa) poderá intervir na mesma. ✓ Forças armadas ficarão a cem metros da seção eleitoral e não poderão se aproximar do local de votação ou nela penetrar sem ordem do presidente de mesa. ➢ Sistema eletrônico de votação e de totalização dos votos: • Conteúdo previsto no art. 59 e seguintes da Lei das Eleições. • Primeiramente, a urna eletrônica exibe para o eleitor os painéis de votação para os cargos das eleições proporcionais e, posteriormente, exibe os painéis relativos aos cargos das eleições majoritárias. Ex.:primeiro se vota para vereador e depois para prefeito. • No caso da votação para as eleições proporcionais, serão computados para a legenda partidária os votos em que não seja possível a identificação do candidato, desde que o número identificador do partido seja digitado de forma correta. • Ao fim da votação, no dia da eleição, a urna eletrônica procederá à assinatura digital do arquivo de votos, com aplicação do registro de horário e do arquivo do boletim de urna. • A votação inicia às 08:00 hrs da manhã e encerra às 17:00 hrs. Se o presidente de mesa constatar, às 17:00 hrs, a presença de eleitores ainda na fila, deverá distribuir senhas a todos os presentes, solicitando aos eleitores da fila a entrega de seus documentos de identificação para que possam ser admitidos a votar. • Antes de ser iniciada a votação, será emitida a zerésima, um documento que comprova a ausência de votos depositados previamente na urna eletrônica. Após o fim da votação, são emitidos os boletins de urna e de justificativas e deve ser preenchida a ata. • Prioridades para votar: ✓ Candidatos; ✓ Juízes eleitorais, servidores da JE e pessoas a serviço da JE, promotores eleitorais, policiais militares em serviço, fiscais e delegados de partidos políticos ou coligações, idosos, enfermos, gestantes, lactantes e pessoas portadoras de necessidades especiais. • Documentos necessários para o eleitor votar: ✓ O art. 91-A da Lei das Eleições determina que, além da exibição do título, o eleitor deve apresentar documento de identificação com foto. ✓ Em julgamento de ADI 4467, que discutiu a constitucionalidade da obrigatoriedade de apresentação de dois documentos pelo eleitor, o STF decidiu que, para o exercício do direito ao voto, não se exige a apresentação de título eleitoral no dia do pleito, mas de qualquer documento oficial com foto. • Dúvida sobre a identidade do eleitor: ✓ Havendo impugnação à identidade do eleitor, o presidente da mesa receptora poderá exigir dele a apresentação de outros documentos de identificação e interrogar acerca dos dados constantes no título eleitoral. ✓ Persistindo a dúvida, o presidente poderá confrontar a assinatura do título com assinatura feita pelo eleitor em sua presença. ✓ Persistindo ainda a dúvida, o presidente deverá solicitar a presença do juiz eleitoral, que decidirá sobre a questão. • Eleitor não consegue concluir a votação: Se o eleitor se recusar, por qualquer motivo, a votar ou a concluir o procedimento de votação ou ficar impedido por fato alheio a sua vontade, o presidente de mesa suspenderá a votação do eleitor na urna digitando o comando específico para isso e reterá o comprovante de votação do eleitor e consignará em ata, assegurando o exercício do direito de voto até o encerramento da votação, caso ainda seja possível realizá-lo. Página 68 de 101 @mentoriaparatribunais @luizanicolle (86) 988021308 • Voto em trânsito para presidente da república: ✓ A Lei 12.034/2009 instituiu o art. 233-A no Código Eleitoral – aos eleitores em trânsito no território nacional é igualmente assegurado o direito de voto nas eleições para presidente e vice-presidente da república em urnas especialmente instaladas nas capitais dos estados e na forma regulamentada pelo TSE. ✓ Com a Lei 13.165/2015, a regra acima foi ampliada para permitir o voto em trânsito de eleitores também para pleitos de circunscrição estadual e/ou distrital (governadores, deputados e senadores). O eleitor pode votar em trânsito se estiver em qualquer município do estado (no caso das eleições com circunscrição estadual) ou do país (no caso das eleições presidenciais), que tenham mais de 100 mil eleitores. ✓ Para votar em trânsito é necessário que o eleitor se habilite perante a JE no período de até 45 dias da data marcada para a eleição, indicando o local em que pretende votar. ✓ Segundo o TSE: - Eleitor que estiver em cidades diferentes nos dois turnos da eleição pode solicitar a habilitação para votar em trânsito para cada turno e realizar indicações de cidades distintas; - Se a transferência temporária para voto em trânsito ocorrer dentro do mesmo estado do domicílio eleitoral, a pessoa poderá votar nas eleições para presidente da república, governador, senador, deputado federal e deputado estadual. Se a transferência temporária ocorrer para um município de estado diferente do estado de origem, a pessoa poderá votar em trânsito apenas para presidente da república. - As pessoas inscritas no exterior, que estiverem no Brasil em trânsito, poderão votar apenas para presidente da república. - Não é permita a votação em trânsito no exterior. • Votação por cédulas: ✓ Aplicada em casos de extrema necessidade, como defeito irrecuperável da urna e a impossibilidade de sua substituição. ✓ Surgindo a necessidade, o juiz eleitoral mandará entregar ao presidente da mesa receptora a urna de lona lacrada, lacre para fenda da urna (usado após a votação) e cédulas oficiais amarelas (para eleições majoritárias) e brancas (para eleições proporcionais). ✓ Nesse tipo de votação, o eleitor poderá escrever o número ou o nome do seu candidato de preferência ou apenas o número da legenda no caso das eleições proporcionais. • Nulidades na votação: ✓ O juiz atenderá sempre aos resultados a que a lei eleitoral se dirige, abstendo-se de pronunciar nulidades sem demonstração de prejuízo – art. 219 do Código Eleitoral. VOTAÇÃO NULA Art. 220 do Código Eleitoral VOTAÇÃO ANULÁVEL Art. 221 do Código Eleitoral ✓ Quando feita perante mesa não nomeada pelo juiz eleitoral ou constituída com ofensa à letra da lei; ✓ Quando efetuada em folhas de votação falsas; ✓ Quando realizada em dia, hora ou local diferentes do designado e encerrada antes das 17:00 horas; ✓ Quando preterida formalidade essencial do sigilo dos sufrágios; ✓ Quando a seção eleitoral tiver sido localizada em local proibido pela legislação. ✓ Quando houver extravio de documento reputado essencial; ✓ Quando for negado ou sofrer restrição o direito de fiscalizar, e o fato constar em ata ou de protesto interposto, por escrito, no momento; ✓ Quando votar eleitor excluído por sentença não cumprida por ocasião da remessa das folhas individuais de votação à mesa, desde que haja oportuna reclamação de partido; ✓ Eleitor de outra seção ou alguém com falsa identidade em lugar do eleitor chamado. ✓ A nulidade do ato deverá ser arguida imediatamente, sob pena de preclusão, sempre que possível, salvo quando se tratar de motivo de ordem constitucional – art. 223 do Código Eleitoral. Página 69 de 101 @mentoriaparatribunais @luizanicolle (86) 988021308 ✓ TSE entende que a cassação de mandato ou do diploma de candidato eleito pelo sistema proporcional em ação autônoma pela prática dos ilícitos eleitorais enseja a anulação dos votos recebidos e, consequentemente, o recálculo dos quocientes eleitoral e partidário. Será afastada a incidência do art. 175, §4º do Código Eleitoral e os votos recebidos pelo candidato cassado não serão aproveitados pelo partido pelo qual foi eleito. • Fiscalização e auditoria do sistema eletrônico de votação: ✓ Disciplinado na Resolução 23.673/2021 do TSE. Etapas da fiscalização Entidades fiscalizadoras Cerimônia de geração de mídias Cerimônia de preparação de urnas Testes feitos pelos TREs - Durante do desenvolvimento, a compilação, a assinatura digital e a lacração dos sistemas eleitorais; - Durante as cerimônias destinadas à geração de mídias e preparação das urnas eletrônicas; - Durante a cerimônia destinada à verificação da integridade e autenticidade dos sistemas eleitorais instalados no TSE; - Na audiência destinada à verificação dos sistemas destinados à transmissão de Boletins de Urna; - Durante os procedimentos preparatórios para realizaçãode teste de integridade e no dia da votação; - Durante o teste de integridade das urnas; - Durante o teste de autenticidade dos sistemas eleitorais; - Após os procedimentos de totalização das eleições. - Partidos políticos, federações e coligações; - OAB; - MP; - Congresso Nacional; - STF; - Controladoria- Geral da União; - Polícia Federal; - Sociedade brasileira de computação; - Conselho Federal de Engenharia e Agronomia; - CNJ; - Conselho Nacional do Ministério Público; - TCU; - Forças Armadas; - Confederação Nacional da Indústria, demais integrantes do Sistema Indústria e entidades corporativas pertencentes ao Sistema S; - entidades privadas brasileiras, sem fins lucrativos, com notória atuação em fiscalização e transparência da gestão pública, credenciadas junto ao TSE; - Departamentos de tecnologia da informação de universidades As entidades fiscalizadoras poderão verificar a integridade e a autenticidade do Gerenciador de Dados, Aplicativos e Interface com a Urna Eletrônica (GEDAI-UE), Subsistema de Instalação e Segurança (SIS) e HotSwapFlash (HSF). - As entidades fiscalizadoras poderão verificar a integridade e autenticidade dos sistemas eleitorais instalados em urnas eletrônicas. - É feita uma verificação por amostragem em até 3% das urnas preparadas, escolhidas por representantes das entidades fiscalizadoras presentes na cerimônia. Podem ser escolhidas urnas de votação e urnas de contingência (urnas reservadas para substituição de outras que derem problema no dia da eleição). - Deve ser observado o mínimo de 1 urna por município para cada zona eleitoral nas eleições municipais e 1 urna por zona eleitoral nas eleições gerais. - Os TREs realização dois tipos de testes por amostragem no dia da votação. - Teste de Integridade das Urnas Eletrônicas, em ambiente controlado, em cada unidade da Federação, em local público e com expressiva circulação de pessoas, designado pelo TRE, no mesmo dia e horário da votação oficial, em ambos os turnos. - Verificação de autenticidade e integridade dos sistemas instalados nas urnas, em cada unidade da Federação, nas seções eleitorais escolhidas ou sorteadas. Página 70 de 101 @mentoriaparatribunais @luizanicolle (86) 988021308 credenciadas junto ao TSE. ➢ Justificativa de não comparecimento à eleição: • Quando brasileiros natos ou naturalizados, alfabetizados, maiores de 18 e menores de 70 anos de idade não comparecem à votação ocorre uma não quitação das obrigações eleitorais, o que pode gerar algumas sanções, além do pagamento de multa, previstas no art. 7º, §1º do Código Eleitoral: ✓ Vedação à inscrição em concurso ou prova para cargo ou função pública, bem como a investidura e posse nos mesmos; ✓ Proibição de recebimento de vencimentos, remuneração, salário ou proventos de função ou emprego público, autárquico ou paraestatal, bem como fundações governamentais, empresas, institutos e sociedades de qualquer natureza, mantidas ou subvencionadas pelo governo ou que exerçam serviço público delegado, correspondentes ao segundo mês subsequente ao da eleição; ✓ Vedação à participação em concorrência pública ou administrativa da União, estados, territórios, DF ou municípios, ou das suas respectivas autarquias; ✓ Proibição de obtenção de empréstimos nas autarquias, sociedades de economia mista, caixas econômicas federais ou estaduais, institutos e caixas de previdência social, bem como em qualquer estabelecimento de crédito mantido pelo governo, ou de cuja administração este participe, e com essas entidades celebrar contratos; ✓ Vedação para a obtenção de passaporte ou carteira de identidade; ✓ Proibição de renovação de matrícula em estabelecimento de ensino oficial ou fiscalizado pelo governo; ✓ Vedação à prática de qualquer ato para o qual se exija quitação do serviço militar ou imposto de renda. • Se o eleitor apresentar justificativa da ausência no pleito não incorrerá nas referidas sanções e estará quite com as suas obrigações eleitorais. • Eleitor no Brasil – poderá justificar sua ausência no dia da realização do pleito ou, se preferir, até 60 dias após, em cartório eleitoral. • Eleitor fora do país – terá até 30 dias contados do seu retorno ao país para promover a justificativa. • Será cancelada a inscrição do eleitor que se abstiver de votar em 3 eleições consecutivas, salvo se apresentar justificativa para a falta ou se realizar o pagamento de multa. Importante lembrar que cada turno do pleito é considerado uma eleição para fins de contagem consecutiva. ➢ Fiscalização das eleições: • Partidos políticos, coligações, candidatos, MP e a própria JE realizam a fiscalização. • Os partidos fiscalizam as eleições, em todas as suas fases, por meio de fiscais e delegados credenciados junto à JE. • Fiscal eleitoral – designado por partidos ou coligações; atua junto às mesas receptoras de votos, no dia da eleição, podendo apresentar impugnações. Cada partido ou coligação poderá credenciar no máximo 2 fiscais por seção eleitoral para acompanhar a votação. • Delegado de partido – tem atuação mais ampla do que o fiscal; representam o partido junto à JE na defesa de diversos interesses, durante o pleito; pode atuar no dia da eleição, inclusive apresentando impugnação perante as juntas eleitorais no momento da apuração dos votos. ➢ Cabos eleitorais: • São pessoas que trabalham, de forma gratuita ou onerosa, em campanhas eleitorais de candidatos, coligações ou partidos. Página 71 de 101 @mentoriaparatribunais @luizanicolle (86) 988021308 Limites ao número de cabos eleitorais em campanhas Prefeito Presidente da República e Senador Governador de estado ou do DF Deputado federal Deputado estadual ou distrital Vereador 1% do eleitorado por candidato em municípios com até 30.000 eleitores; 0,1% por candidato em municípios com maior número de eleitores e no DF. Em cada estado, o número estabelecido para o município com o maior número de eleitores. Dobro do limite estabelecido para o município com maior número de eleitores e, no DF, até 0,2% do eleitorado. Na circunscrição, 70% do limite estabelecido para o município com o maior número de eleitores, e, no DF, esse mesmo percentual aplicado sobre o limite calculado sob a base de 0,1% do eleitorado, considerado o eleitorado da maior região administrativa. Na circunscrição, 50% do limite estabelecido para deputados federais. 50% do número de contratados pelos candidatos a prefeito observado o limite de 80% do número máximo permitido para contratação de cabos eleitorais de candidatos a deputado estadual. *Os candidatos a vice e suplentes seguem o mesmo limite dos titulares em razão da unicidade das candidaturas. • São excluídos desses limites acima, os militantes não remunerados, pessoal contratado para apoio administrativo e operacional, fiscais e delegados credenciados e os advogados dos candidatos ou dos partidos ou coligações. ➢ Garantias eleitorais: • Art. 235 do Código Eleitoral – O juiz eleitoral ou o presidente da mesa receptora pode expedir salvo- conduto com a cominação de prisão por desobediência até 05 dias, em favor do eleitor que sofrer violência, moral ou física, na sua liberdade de votar, ou pelo fato de haver votado. Essa medida será válida no período entre 72 horas antes até 48 horas depois do pleito. • Art. 236 do Código Eleitoral – Nenhuma autoridade poderá, desde 5 dias antes e até 48 horas depois do encerramento da eleição, prender ou deter qualquer eleitor, salvo em flagrante delito ou em virtude de sentençacriminal condenatória por crime inafiançável, ou, ainda, por desrespeito a salvo-conduto. • Membros das mesas receptoras e os fiscais de partidos, durante o exercício de suas funções, não poderão ser, detidos ou presos, salvo o caso de flagrante delito; De igual modo, os candidatos, desde 15 dias antes da eleição. ➢ Apuração e proclamação dos resultados: • A apuração se inicia tão logo se encerre a votação. • Competência para apuração: ✓ Eleições municipais – Junta eleitoral; ✓ Eleições federais (deputado federal e senador), estaduais (governador, vice e deputados estaduais) e distritais (governador e vide do DF e deputados distritais) – TREs respectivos. ✓ Eleições presidenciais – TSE. • É importante lembrar que, mesmo nas eleições federais, estaduais, distritais e presidenciais, as juntas eleitorais possuem papel importante na apuração pois transmitirão os dados apurados nos disquetes dessas eleições. Assim, eventuais impugnações às urnas deverão ser feitas às juntas eleitorais. As impugnações não recebidas podem ser apresentadas ao TRE em 48 horas, acompanhada da declaração de 02 testemunhas. Página 72 de 101 @mentoriaparatribunais @luizanicolle (86) 988021308 • Encerradas as apurações, as instâncias competentes da JE proclamarão os resultados, marcando a data da diplomação dos eleitos. • A apuração dos votos em urnas de lona: só pode ser iniciada a partir das 17 horas, devendo ser concluída até 05 dias após o pleito; fiscais e delegados dos partidos e coligações podem acompanhar e fiscalizar os trabalhos; deve ser feita a geração de mídia com os dados recuperados da urna que deu problema para que se contabilize os votos até então colhidos antes da interrupção; será usada urna eletrônica (sistema de apuração) de forma que cada cédula apurada terá seus votos digitados na urna e o disquete com os votos já computados pela urna problemática será inserido na urna do sistema de apuração; Nesse caso, será emitida zerésima dessa nova urna para que fique comprovado que não havia votos nela. Após digitados todos os votos, será emitido boletim de urna e será feita a transmissão dos votos apurados. ➢ Diplomação: • A diplomação é o ato pelo qual a JE, por meio de solenidade própria, concede aos candidatos eleitos o diploma e o direito de assumirem e exercerem o respectivo mandato eletivo para o qual foram eleitos. • A diplomação ocorre por meio de audiência pública, que pode ser realizada até o dia 19 de dezembro do ano da eleição. • São diplomados os candidatos e os respectivos suplentes. • A cerimônia de diplomação é um ato meramente declaratório, de forma que o candidato que não comparece não fica impedido de exercer o cargo, podendo comparecer posteriormente ao órgão competente da JE para receber o diploma. • Competência para expedição dos diplomas: ✓ TSE – presidente e vice; ✓ TREs – governador, vice, deputados federais, deputados estaduais e distritais, senadores e suplentes. ✓ JUNTA ELEITORAL – prefeito, vice e vereadores. ➢ Posse dos eleitos: • EC nº 111/2021 – a partir das eleições de 2026, as datas das posses do presidente da república e dos governadores serão 5 e 6 de janeiro, respectivamente. "Art. 28. A eleição do Governador e do Vice-Governador de Estado, para mandato de 4 (quatro) anos, realizar-se-á no primeiro domingo de outubro, em primeiro turno, e no último domingo de outubro, em segundo turno, se houver, do ano anterior ao do término do mandato de seus antecessores, e a posse ocorrerá em 6 de janeiro do ano subsequente, observado, quanto ao mais, o disposto no art. 77 desta Constituição. "Art. 82. O mandato do Presidente da República é de 4 (quatro) anos e terá início em 5 de janeiro do ano seguinte ao de sua eleição." • Demais cargos permanecem com a data normal: Prefeitos e vices – 1º de janeiro; Deputados e Senadores – 1º de fevereiro. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Constituicao.htm#art28.1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Constituicao.htm#art82.0 Página 73 de 101 @mentoriaparatribunais @luizanicolle (86) 988021308 Abuso de poder nas eleições, condutas vedadas aos agentes públicos em campanhas eleitorais e combate à violência política contra a mulher ➢ São fatores que caracterizam abuso de poder nas eleições: abuso de poder político; abuso de poder econômico e abuso na utilização de meios de comunicação. O abuso de poder configura-se a partir da ocorrência de práticas que desestabilizam a normalidade e a legitimidade do processo democrático. ➢ Abuso de poder político ocorre quando a estrutura da administração pública é utilizada em benefício de determinada candidatura, para prejudicar a campanha de eventuais adversários ou para coagir servidores a aderirem a esta ou àquela candidatura. ➢ Abuso de poder econômico se dá quando candidato utiliza recursos financeiros vedados ou acima dos limites permitidos pela legislação, provocando um desequilíbrio no pleito. ➢ Condutas vedadas aos agentes públicos em campanhas eleitorais: • É considerado agente público aquele que exerce, ainda que transitoriamente ou sem remuneração, por eleição, nomeação, designação, contratação ou qualquer outra forma de investidura ou vínculo, mandato, cargo, emprego ou função nos órgãos ou entidades da administração pública direta, indireta ou fundacional. Condutas vedadas aos agentes públicos em campanhas eleitorais Previsão legal Hipótese de conduta Observações importantes Art. 73, I, da Lei das Eleições Cessão ou uso em benefício de candidato, partido político ou coligação, de bens móveis ou imóveis pertencentes à administração direta ou indireta da União, dos estados, do DF, dos territórios e dos municípios, exceto a realização de convenção partidária. Não se enquadra na vedação o uso em campanha de transporte oficial pelo presidente da república e o uso de residências oficiais, pelos candidatos à reeleição para os cargos de presidente e vice, governador e vice ou prefeito e vice, para a realização de reuniões ou contatos pertinentes à campanha, desde que não tenham caráter público. Art. 73, II, da Lei das Eleições Uso de materiais ou serviços, custeados pelos governos ou casas legislativas, que excedam as prerrogativas consignadas nos regimentos e nas normas dos órgãos que integram. Segundo o TSE, é possível o fornecimento por deputados em ano eleitoral, de trabalhos gráficos desde que relativos à atividade parlamentar e com obediência às normas estabelecidas em ato da mesa, vedada sempre qualquer mensagem que tenha conotação de propaganda eleitoral. Art. 73, III, da Lei das Eleições Ceder servidor público ou empregado da administração direta ou indireta federal, estadual ou municipal do Poder Executivo, ou usar de seus serviços, para comitês de campanha eleitoral de candidato, partido político ou coligação, durante o horário de expediente normal, salvo se o servidor ou empregado estiver licenciado. Há discussão doutrinária se o inciso abrange só o Poder Executivo ou se inclui os demais poderes. O inciso não veda que o servidor ou empregado trabalhe para candidato fora do horário de expediente. Art. 73, IV, da Lei das Eleições Uso promocional em favor de candidato, partido político ou coligação, de distribuição gratuita de bens e serviços de caráter social custeados ou subvencionados pelo poder público. TSE entende que não há proibição de prestação de serviço social custeado ou subvencionado pelo poder público durante o período eleitoral (três meses antes das eleições), mas sim o uso para promover candidato, partido ou coligação. § 10. No ano em que se realizar eleição, fica proibida a distribuição gratuita de bens, valores ou benefícios por parte da Administração Pública, exceto nos casos de calamidade pública, de estado de emergência ou de programas(não são habitantes!). Página 9 de 101 @mentoriaparatribunais @luizanicolle (86) 988021308 considerados os votos em branco, os votos nulos e as abstenções. ➢ Sistema proporcional: • Este sistema tem como objetivo a repartição aritmética das vagas de forma a permitir que a representação política em um território seja distribuída de maneira proporcional às correntes ideológicas ou às correntes de interesses que se refletem nos partidos políticos concorrentes. • Comumente, são adotadas duas técnicas para definir a representação proporcional: Técnica do número uniforme Técnica do quociente eleitoral O número de votos correspondentes ao preenchimento de uma vaga, em cada circunscrição, é um número previamente estabelecido por Lei. Tantas vezes esse número seja atingido corresponde a tantas vagas que serão obtidas. É a técnica adotada no Brasil nas eleições para deputados e vereadores. Constitui operações aritméticas sucessivas até que seja obtida a representação proporcional. • Técnica do quociente eleitoral no Brasil: Votação no Município de Tucumã: Total de votos válidos: 2.000.000 (dois milhões) Número de cadeiras em disputa para vereador: 200 (duzentas) Votos válidos do partido A: 1.550.000 Votos válidos do partido B: 375.000 Votos válidos do partido C: 75.000 ✓ A primeira etapa é determinar o quociente eleitoral: art. 106 do Código Eleitoral Número de votos válidos* 2.000.000 Quociente eleitoral = __________________________________ = ___________ = 10.000. Número de lugares a preencher 200 *Votos válidos – votos distribuídos aos candidatos e às legendas, excluindo-se votos brancos e nulos. ✓ A segunda etapa é determinar o quociente partidário: art. 107 do Código Eleitoral2 Número de votos válidos dados à legenda ou coligação Quociente partidário = ____________________________________________________ Quociente eleitoral 1.550.000 Quociente partidário do partido A = ___________ = 155 – 155 CADEIRAS 10.000 2 Art. 107, CE – Determina-se para cada partido o quociente partidário dividindo-se pelo quociente eleitoral o número de votos válidos dados sob a mesma legenda, desprezada a fração. Página 10 de 101 @mentoriaparatribunais @luizanicolle (86) 988021308 + 375.000 Quociente partidário do partido B = ___________ = 37,5 – 37 CADEIRAS 10.000 + 75.000 Quociente partidário do partido C= ___________= 7,5 – 7 CADEIRAS 10.000 SOMA DAS CADEIRAS OCUPADAS= 199 CADEIRAS 200 cadeiras a preencher – 199 cadeiras ocupadas = SOBRA DE 1 CADEIRA ✓ Art. 108, CE - Estarão eleitos, entre os candidatos registrados por um partido que tenham obtido votos em número igual ou superior a 10% do quociente eleitoral (exigência de votação nominal mínima), tantos quantos o respectivo quociente partidário indicar, na ordem da votação nominal que cada um tenha recebido. ✓ O resultado do quociente partidário comumente não é um número inteiro, mas um número decimal. Se um partido obtém quociente partidário = 7,5, estão garantidas sete cadeiras no parlamento, sendo a fração 0,5 desprezada, o que desencadeia o surgimento de sobras. ✓ A consequência da existência das sobras é que a soma das cadeiras distribuídas a todos os partidos políticos ou coligações não atinge o número total de cadeiras a se distribuir, pelo que será necessário redistribuir entre os partidos ou coligações as sobras de cadeiras. No exemplo acima, houve a sobra de 1 cadeira, que será redistribuída. ✓ A redistribuição das sobras se dará de acordo com os artigos seguintes: Art. 109. Os lugares não preenchidos com a aplicação dos quocientes partidários e em razão da exigência de votação nominal mínima a que se refere o art. 108 serão distribuídos de acordo com as seguintes regras: (Redação dada pela Lei nº 13.165, de 2015) I - dividir-se-á o número de votos válidos atribuídos a cada partido pelo número de lugares por ele obtido mais 1 (um), cabendo ao partido que apresentar a maior média um dos lugares a preencher, desde que tenha candidato que atenda à exigência de votação nominal mínima; (Redação dada pela Lei nº14.211, de 2021) Considerando o nosso exemplo: Disputa pela sobra de 1 cadeira: Partido A: 1.550.000/156 (155 cadeiras + 1) = 9.935,89 Partido B: 375.000/38 (37 cadeiras + 1) = 9.868,42 Partido C: 75.000/8 (7 cadeiras + 1) = 9.375 Nesse caso, o partido A apresentou a maior média (9.935,89), pelo que conquistará a cadeira em sobra caso tenha candidato que atenda à exigência de votação nominal mínima. https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13165.htm#art4 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/Lei/L14211.htm#art1 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/Lei/L14211.htm#art1 Página 11 de 101 @mentoriaparatribunais @luizanicolle (86) 988021308 II - repetir-se-á a operação para cada um dos lugares a preencher; (Redação dada pela Lei nº 13.165, de 2015) III - quando não houver mais partidos com candidatos que atendam às duas exigências do inciso I deste caput, as cadeiras serão distribuídas aos partidos que apresentarem as maiores médias. (Redação dada pela Lei nº14.211, de 2021) § 1º O preenchimento dos lugares com que cada partido for contemplado far-se-á segundo a ordem de votação recebida por seus candidatos. (Redação dada pela Lei nº14.211, de 2021) § 2º Poderão concorrer à distribuição dos lugares todos os partidos que participaram do pleito, desde que tenham obtido pelo menos 80% (oitenta por cento) do quociente eleitoral, e os candidatos que tenham obtido votos em número igual ou superior a 20% (vinte por cento) desse quociente. (Redação dada pela Lei nº14.211, de 2021) ... Art. 111. Se nenhum partido alcançar o quociente eleitoral, considerar-se-ão eleitos, até serem preenchidos todos os lugares, os candidatos mais votados. ✓ Frise-se que, com as alterações promovidas pela Lei nº 14.211/2021, nem todos os partidos poderão participar da distribuição das sobras, já que é necessário que o partido tenha votos equivalentes a, no mínimo, 80% do quociente eleitoral. Ademais, o candidato só será habilitado a ocupar uma das vagas se tiver conquistado votos equivalentes a 20% do quociente eleitoral. • Pelo exposto, verifica-se que, no Brasil, nas eleições para deputados e vereadores adota-se o sistema eleitoral proporcional de lista aberta, cabendo aos eleitores definir os nomes dos candidatos que ocuparão as vagas que forem conquistas pelos partidos ou coligações partidárias. No sistema proporcional de lista fechada, os eleitores votam na legenda e cabe aos partidos definirem previamente à eleição a ordem em que os candidatos aparecerão na lista. ➢ Sistema misto: • No mundo, há dois modelos principais de sistema misto: o modelo originado na Alemanha e o modelo originado no México. • Modelo alemão: combina as regras decisórias do sistema majoritário e do proporcional, dividindo o voto em duas partes, de maneira que se elege metade dos deputados por circunscrições e a outra metade por meio de listas de base estadual. • Modelo mexicano: tem como base predominante o sistemasociais autorizados em lei e já em execução orçamentária no exercício anterior, casos em que o Ministério Público poderá promover o acompanhamento de sua execução financeira e administrativa. § 11. Nos anos eleitorais, os programas sociais de que trata o § 10 não poderão ser executados por entidade nominalmente vinculada a candidato ou por esse mantida. Página 74 de 101 @mentoriaparatribunais @luizanicolle (86) 988021308 Art. 73, V, da Lei das Eleições Nomear, contratar ou de qualquer forma admitir, demitir sem justa causa, suprimir ou readaptar vantagens ou por outros meios dificultar ou impedir o exercício funcional e, ainda, ex officio, remover, transferir ou exonerar servidor público, na circunscrição do pleito, nos três meses que o antecedem e até a posse dos eleitos, sob pena de nulidade de pleno direito, ressalvados: a) a nomeação ou exoneração de cargos em comissão e designação ou dispensa de funções de confiança; b) a nomeação para cargos do Poder Judiciário, do Ministério Público, dos Tribunais ou Conselhos de Contas e dos órgãos da Presidência da República; c) a nomeação dos aprovados em concursos públicos homologados até o início daquele prazo (três meses antes das eleições); d) a nomeação ou contratação necessária à instalação ou ao funcionamento inadiável de serviços públicos essenciais, com prévia e expressa autorização do Chefe do Poder Executivo; e) a transferência ou remoção ex officio de militares, policiais civis e de agentes penitenciários; Art. 73, VI, da Lei das Eleições Condutas vedadas aos agentes públicos nos três meses anteriores ao pleito Realizar transferência voluntária de recursos da União aos Estados e Municípios, e dos Estados aos Municípios, sob pena de nulidade de pleno direito, ressalvados os recursos destinados a cumprir obrigação formal preexistente para execução de obra ou serviço em andamento e com cronograma prefixado, e os destinados a atender situações de emergência e de calamidade pública; (inciso a) Com exceção da propaganda de produtos e serviços que tenham concorrência no mercado, autorizar publicidade institucional dos atos, programas, obras, serviços e campanhas dos órgãos públicos federais, estaduais ou municipais, ou das respectivas entidades da administração indireta, salvo em caso de grave e urgente necessidade pública, assim reconhecida pela Justiça Eleitoral; (inciso b) Fazer pronunciamento em cadeia de rádio e televisão, fora do horário eleitoral gratuito, salvo quando, a critério da Justiça Eleitoral, tratar-se de matéria urgente, relevante e característica das funções de governo; (inciso c) Segundo o TSE, é vedada, em obras públicas, a manutenção de placas que possuam expressões ou símbolos identificadores da administração de candidato a cargo eletivo, independentemente do momento do início da veiculação ou da autorização para a mesma. Segundo o TSE, veiculação de postagens sobre atos, programas, obras, serviços e/ou campanhas de órgãos públicos federais, estaduais ou municipais em perfil privado de cidadão em rede social não se confunde com propaganda institucional, não se enquadrando na vedação em tela. De acordo com o §3º do art. 73, as vedações dos incisos b e c se aplicam apenas aos agentes públicos das esferas administrativas cujos cargos estejam em disputa na eleição. Art. 73, VII, da Lei das Eleições Empenhar, no primeiro semestre do ano de eleição, despesas com publicidade dos órgãos públicos federais, estaduais ou municipais, ou das respectivas entidades da administração indireta, que excedam a 6 (seis) vezes a média mensal dos valores empenhados e não cancelados nos 3 (três) últimos anos que antecedem o pleito (Redação dada pela Lei nº 14.356, de 2022) (Vide ADI 7178) (Vide ADI 7182) Art. 73, VIII, da Lei das Eleições Fazer, na circunscrição do pleito, revisão geral da remuneração dos servidores públicos que exceda a recomposição da perda de seu poder aquisitivo ao longo do ano da eleição, a partir do início do prazo estabelecido no art. 7º desta Lei (início do período de convenções partidárias) e até a posse dos eleitos. Para o TSE, reestruturação de carreira de servidores não se enquadra em revisão geral de remuneração, não estando, portanto, vedada pelo art. 73 em tela. Art. 74 da Lei das Eleições Configura abuso de autoridade infringir o disposto no art. 37, §1º da CF (A publicidade dos atos, programas, obras, serviços e campanhas O responsável, se candidato, fica sujeito ao cancelamento do registro ou do diploma. https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2022/Lei/L14356.htm#art3 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2022/Lei/L14356.htm#art3 https://portal.stf.jus.br/processos/detalhe.asp?incidente=6417402 https://portal.stf.jus.br/processos/detalhe.asp?incidente=6418640 Página 75 de 101 @mentoriaparatribunais @luizanicolle (86) 988021308 dos órgãos públicos deverá ter caráter educativo, informativo ou de orientação social, dela não podendo constar nomes, símbolos ou imagens que caracterizem promoção pessoal de autoridades ou servidores públicos). Art. 75 da Lei das Eleições Nos três meses que antecederem as eleições, na realização de inaugurações é vedada a contratação de shows artísticos pagos com recursos públicos. O responsável, se candidato, agente público ou não, fica sujeito ao cancelamento do registro ou do diploma. Art. 77 da Lei das Eleições É proibido a qualquer candidato comparecer, nos 3 (três) meses que precedem o pleito, a inaugurações de obras públicas. • O descumprimento do disposto neste artigo acarretará a suspensão imediata da conduta vedada, quando for o caso, e sujeitará os responsáveis a multa no valor de cinco a cem mil UFIR. Nos casos de descumprimento do disposto nos incisos do caput e no § 10, sem prejuízo do disposto no § 4o, o candidato beneficiado, agente público ou não, ficará sujeito à cassação do registro ou do diploma. ➢ Representação prevista no art. 96 da Lei das Eleições – cabível no caso de prática de condutas vedadas pelo art. 73 e seguintes da Lei das Eleições. ➢ Captação ilícita de sufrágio: • A compra de votos se encontra disciplinada no art. 41-A da Lei das Eleições: Art. 41-A. Ressalvado o disposto no art. 26 e seus incisos, constitui captação de sufrágio, vedada por esta Lei, o candidato doar, oferecer, prometer, ou entregar, ao eleitor, com o fim de obter-lhe o voto, bem ou vantagem pessoal de qualquer natureza, inclusive emprego ou função pública, desde o registro da candidatura até o dia da eleição, inclusive, sob pena de multa de mil a cinqüenta mil Ufir, e cassação do registro ou do diploma, observado o procedimento previsto no art. 22 da Lei Complementar no 64, de 18 de maio de 1990. § 1o Para a caracterização da conduta ilícita, é desnecessário o pedido explícito de votos, bastando a evidência do dolo, consistente no especial fim de agir. § 2o As sanções previstas no caput aplicam-se contra quem praticar atos de violência ou grave ameaça a pessoa, com o fim de obter-lhe o voto. § 3o A representação contra as condutas vedadas no caput poderá ser ajuizada até a data da diplomação. § 4o O prazo de recurso contra decisões proferidas com base neste artigo será de 3 (três) dias, a contar da data da publicação do julgamento no Diário Oficial. • Ao contrário do que ocorre na Ação de Investigação Judicial Eleitoral e na Ação de Impugnação de Mandato Eletivo, na Ação por captação ilícita de sufrágio não é preciso restar configurada a potencialidade lesiva, que seja capaz de alterar significativamente o resultado das eleições. Basta a compra de um único voto para que a captação reste configurada. • Se o eleitorse insinuar para a captação, sem que haja a complacência do candidato, não há configuração da captação ilícita de sufrágio. • A vantagem prometida pode ser de qualquer tipo. Não precisa ser dinheiro propriamente. Pode ser a promessa de um emprego ou aumento de prestígio e influência políticos. • Promessas genéricas, sem um destinatário específico e conhecido, não caracterizam a captação ilícita de sufrágio. ➢ Transporte de eleitores e alimentação – disciplinados na Lei 6.091/74: • Transporte: ✓ Oferecer transporte indevido de eleitores no dia da eleição configura abuso de poder econômico. ✓ Art. 5º - Nenhum veículo u embarcação poderá fazer transporte de eleitores desde o dia anterior até o posterior à eleição, salvo aqueles a serviço da JE, os veículos coletivos de linhas regulares e não fretados, os de uso individual do proprietário (para o exercício do próprio voto e de sua família), bem como os veículos de aluguel (mototáxi, táxi, etc.). https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/LCP/Lcp64.htm#art22 Página 76 de 101 @mentoriaparatribunais @luizanicolle (86) 988021308 ✓ Apenas a JE poderá fornecer transporte gratuito a eleitores, que sejam residentes na zona rural. Tal transporte ocorre dentro dos limites do respectivo município e quando a distância entre as zonas rurais e as mesas receptoras forem de pelo menos 02 quilômetros. ✓ 15 dias antes do pleito, a JE fará a divulgação dos percursos e dos horários programados para o transporte de eleitores. ✓ É importante mencionar que a indisponibilidade ou a deficiência de transporte no município, no dia da eleição, não exime o eleitor do dever de votar. • Alimentação: ✓ Art. 8º - Apenas a JE poderá, quando for imprescindível, em face da absoluta carência de recursos de eleitores da zona rural, fornecer-lhes refeições, correndo, nesta hipótese, as despesas por conta do Fundo Partidário. ✓ Pessoas convocadas para trabalhar nas eleições, tais como mesários, recebem vales-refeições ou dinheiro da JE. ➢ Combate à violência política contra a mulher: Lei 14.192/2021. • A violência política contra a mulher se configura como toda ação, conduta ou omissão com a finalidade de impedir, obstaculizar ou restringir os direitos políticos da mulher. Também configura tal violência qualquer distinção, exclusão ou restrição no reconhecimento, gozo ou exercício de seus direitos e de suas liberdades políticas fundamentais, em virtude do sexo. • A referida lei criou um novo tipo penal – art. 326-B do Código Eleitoral: Art. 326-B. Assediar, constranger, humilhar, perseguir ou ameaçar, por qualquer meio, candidata a cargo eletivo ou detentora de mandato eletivo, utilizando-se de menosprezo ou discriminação à condição de mulher ou à sua cor, raça ou etnia, com a finalidade de impedir ou de dificultar a sua campanha eleitoral ou o desempenho de seu mandato eletivo. Pena – reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa. Parágrafo único. Aumenta-se a pena em 1/3 (um terço), se o crime é cometido contra mulher: I – gestante; II – maior de 60 (sessenta) anos; III – com deficiência. • A referida lei criou um novo inciso no art. 243 do Código Eleitoral: Art. 243. Não será tolerada propaganda: ... X – que deprecie a condição de mulher ou estimule sua discriminação em razão do sexo feminino, ou em relação à sua cor, raça ou etnia. Página 77 de 101 @mentoriaparatribunais @luizanicolle (86) 988021308 Ações e recursos eleitorais AÇÕES ELEITORAIS10 Ação Ação de impugnação de registro de candidatura (AIRC) Ação de investigação judicial eleitoral (AIJE) Ação de impugnação de mandato eletivo (AIME) Representação do art. 96 da Lei nº 9.504/97 Representação por captação ilícita de sufrágio Representação para a apuração de arrecadação e gastos ilícitos Recurso contra a Expedição do Diploma Ação rescisória eleitoral Previsão legal Art. 3º a 17 da LC 64/90 Art. 22 da LC 64/90 Art. 14, §§10 e 11 da CF/88 Art. 96 da Lei nº 9.504/97 Art. 41-A da Lei 9.504/97 C/C Art. 22 da LC 64/90 Art. 30-A da Lei nº 9.504/97 Art. 262 do Código Eleitoral Art. 22, I, j, do Código Eleitoral11 Objeto Impedir que candidato escolhido em convenção partidária seja registrado em razão do não atendimento de algum requisito legal ou constitucional. Apuração de abuso de poder político ou econômico cuja gravidade influencia a normalidade e a legitimidade do sufrágio popular, bem como apuração de condutas em desacordo com as normas da Lei das Eleições relacionadas com a arrecadação e gastos de recursos (art. 30-A) e a doação de pessoas físicas ou jurídicas acima dos limites legais (art. 81)12. Invalidação do diploma do candidato que tenha praticado abuso do poder econômico, corrupção ou fraude durante o procedimento eleitoral. - Abuso de poder econômico: Segundo o TSE, não engloba o abuso de poder político nem o abuso de autoridade. - Corrupção: práticas descritas no art. 299 do CE. - Fraude: Segundo o TSE, é qualquer artifício que induza o eleitor a erro, não se restringindo apenas ao momento da votação ou da apuração. Reclamações relativas ao descumprimento da Lei das Eleições, especialmente quanto às normas sobre propaganda eleitoral. Captação ilícita de sufrágio Apuração de condutas em desacordo com a lei, relativas à arrecadação e gastos de recursos. Não é necessário analisar a potencialidade lesiva da conduta, bastando a mera relevância jurídica do ilícito para que as sanções sejam aplicadas. Art. 262. O recurso contra expedição de diploma caberá somente nos casos de inelegibilidade superveniente ou de natureza constitucional e de falta de condição de elegibilidade. 1º A inelegibilidade superveniente que atrai restrição à candidatura, se formulada no âmbito do processo de registro, não poderá ser deduzida no recurso contra expedição de diploma. 2º A inelegibilidade superveniente apta a viabilizar o recurso contra a expedição de diploma, decorrente de alterações fáticas ou jurídicas, deverá ocorrer até a data fixada para que os partidos políticos e as coligações apresentem os seus requerimentos de Serve para questionar decisões transitadas em julgado que versam sobre inelegibilidades. As hipóteses de cabimento da ação rescisória eleitoral são extraídas da aplicação supletiva do Código de Processo Civil brasileiro (CPC) em seu art. 966.14 10 Art. 96-B, §3º, da Lei das Eleições – Impede o conhecimento de nova ação que verse sobre o mesmo fato apreciado em outra ação, transitada em julgado, mesmo que seja ação de outra natureza. 11 A parte da alínea j que possibilita o exercício do mandato eletivo até o trânsito em julgado da ação rescisória foi julgada inconstitucional pelo STF. 12 Art. 22 da LC 64/90, XVI – Para a configuração do ato abusivo, não será considerada a potencialidade de o fato alterar o resultado da eleição, mas apenas a gravidade das circunstâncias que o caracterizam. 14 Ac.-TSE, de 30.6.2017, na AR nº 192707: tratando-se de inelegibilidade, mudança de jurisprudência ocorrida no mesmo pleito autoriza a abertura da via rescisória. Página 78 de 101 @mentoriaparatribunais @luizanicolle (86) 988021308 registros de candidatos.13 Legitimidade ativa Se a autoridade judicial15 não indeferir o registro ex officio em caso de ausência de condição de procedibilidade do registro16, são legitimados: - qualquer candidato17; - partido político18; - coligação19; - Ministério Público eleitoral20. - qualquer candidato; - partido político; - coligação; - Ministério Público eleitoral. - candidato; - partido político21; - coligação; - Ministério Público eleitoral. Eleitorisoladamente não tem legitimidade para propositura. - candidato; - partido político; - coligação; - Ministério Público eleitoral. - candidato; - partido político; - coligação; - Ministério Público eleitoral. - partido político; - coligação; - Ministério Público eleitoral (segundo o TSE).22 - partidos políticos; - candidato (ver jurisprudência de 2022 listada após a tabela). - coligação (segundo o TSE); - Ministério Público eleitoral. 23 Legitimados indicados no art. 967 do CPC. Legitimidade passiva Pré-candidatos que tenham incorrido em causa de inelegibilidade ou que não tenham cumprido as condições de elegibilidade e as condições de procedibilidade do registro. Candidato ou pré- candidato e o cidadão que não é candidato, mas que tenha concorrido para a prática do abuso do poder econômico ou político. Pessoas Jurídicas não figuram no polo passivo.24 Diplomados que praticaram abuso de poder, fraude ou corrupção de eleitoral.25 Quem viola as normas previstas na Lei das Eleições. Candidatos ou pré- candidatos com requerimento de registro de candidatura formalizado.26 + Art. 41-A, §2º - outras pessoas que pratiquem os atos de violência ou grave ameaça a pessoa, com o fim de obter-lhe voto – esses se submetem apenas à pena de multa. Candidatos que praticaram arrecadação ou gastos ilícitos. Candidatos eleitos e seus suplentes, desde que diplomados. Prazo para interposição Prazo decadencial e improrrogável de 05 dias contados da A legislação não estabeleceu prazo inicial e final para a Até 15 dias após a diplomação. Antes Os atos condenados devem ser praticados desde o registro de Deverá ser interposto no prazo de 3 (três) dias após o último dia Prazo decadencial de 120 dias da decisão irrecorrível. 13 Súmula nº 47 do TSE – A inelegibilidade superveniente que autoriza a interposição de recurso contra expedição de diploma é aquela de índole constitucional ou, se infraconstitucional, superveniente ao registro de candidatura, e que surge até a data do pleito. 15 Súmula nº 45 do TSE – Nos processos de registro de candidatura, o juiz eleitoral pode conhecer de ofício da existência de causas de inelegibilidade ou da ausência de condição de elegibilidade, desde que resguardados o contraditório e a ampla defesa. 16 Res. TSE nº 23.221/2010 – qualquer eleitor poderá, no prazo de 05 dias contados da publicação do edital relativo ao pedido do registro, dar notícia de inelegibilidade ao juiz eleitoral, mediante petição fundamentada em duas vias. 17 Quando a lei fala em candidato, refere-se ao pré-candidato que tenha sido escolhido em convenção partidária e que tenha requerido o registro de candidatura para concorrer à eleição na mesma circunscrição do candidato impugnado. 18 Segundo o TSE, qualquer partido político coligado não tem interesse de agir para a propositura de ações eleitorais enquanto perdurar a coligação, salvo quando estiver contestando a própria validade da mesma. 19 Segundo o TSE, coligações que lançam candidatos a cargos majoritários possuem legitimidade e interesse processual para impugnar candidaturas de eleições proporcionais. 20 Res. TSE nº 23.221/2010 – não poderá impugnar o registro de candidato o representante do MP que, nos 02 anos anteriores, tenha disputado cargo eletivo, integrado diretório de partido político ou exercido atividade político-partidária. 21 Segundo o TSE, o partido que disputou a eleição por meio de coligação poderá, isoladamente, propor a AIME, pois a coligação se desfaz com a ocorrência do pleito e o termo inicial da ação é justamente o fim do pleito. 22 Segundo o TSE, aos candidatos não é concedida a prerrogativa de propor a representação do art. 30-A da lei das Eleições. 23 Segundo o TSE, é possível ao juiz eleitoral ou ao TRE competente o indeferimento de ofício de candidato sujeito a inelegibilidade superveniente ao seu registro de candidatura, que venha a obstar a expedição de diploma. 24 Segundo o TSE, há possibilidade de formação de litisconsórcio passivo necessário, em AIJE por abuso de poder político, entre o agente público autor da conduta e o candidato beneficiado. 25 Segundo o TSE, não há litisconsórcio passivo necessário entre o diplomado e seu partido. 26 Segundo o TSE, não é necessário que o ato seja diretamente praticado por eles, bastando a participação ou o mero consentimento. Página 79 de 101 @mentoriaparatribunais @luizanicolle (86) 988021308 publicação do registro do candidato. Há preclusão da matéria não impugnada em tempo hábil em sede de AIRC, salvo se se tratar de matéria constitucional, quando a inelegibilidade poderá ser arguida posteriormente, inclusive em sede de Recurso Contra a Diplomação (RCD). propositura. A doutrina majoritária entende que o termo inicial do prazo se inicia após o registro das candidaturas. TSE entende que é possível o ajuizamento de AIJE mesmo antes de iniciado o período eleitoral e o termo final se dá com o ato de diplomação dos eleitos, operando a decadência após esse prazo.27 da diplomação não pode ser proposta. candidaturas até o dia da eleição. O termo inicial é a data do pedido de registro e não a data em que ele é deferido. limite fixado para a diplomação e será suspenso no período compreendido entre os dias 20 de dezembro e 20 de janeiro, a partir do qual retomará seu cômputo. Competência - Juízes eleitorais: impugnações ao pedido de registro de candidatos a prefeito e vice e vereador; - TREs: governador e vice, senadores e suplentes, deputados federais, estaduais e distritais (não há suplentes para deputados). - TSE: presidente e vice. - Juízes eleitorais: prefeito e vice e vereador; - Corregedor- Regional Eleitoral: governador e vice, senadores e suplentes, deputados federais, estaduais e distritais. - Corregedor-Geral Eleitoral: presidente e vice. - Juízes eleitorais: impugnações ao pedido de registro de candidatos a prefeito e vice e vereador; - TREs: governador e vice, senadores e suplentes, deputados federais, estaduais e distritais. - TSE: presidente e vice. - Juízes eleitorais: impugnações ao pedido de registro de candidatos a prefeito e vice e vereador; - TREs: governador e vice, senadores e suplentes, deputados federais, estaduais e distritais. - TSE: presidente e vice. - Juízes eleitorais: impugnações ao pedido de registro de candidatos a prefeito e vice e vereador; - TREs: governador e vice, senadores e suplentes, deputados federais, estaduais e distritais. - TSE: presidente e vice. Segundo o TSE, haverá competência dos juízes auxiliares para processamento e julgamento dessas ações durante o período eleitoral. - TREs: em se tratando de eleições municipais (O RCD é ajuizado perante o juiz eleitoral e se conhecido, enviado ao TRE para processar e julgar); - TSE: em se tratando de eleições federais e estaduais (O RCD é ajuizado perante o TRE e se conhecido, enviado ao TSE para processar e julgar); 28 29 Compete ao TSE processar e julgar ação rescisória nos casos de inelegibilidade. Segundo o TSE, a referida ação só é cabível em face de decisões proferidas pelo TSE, não cabendo ao TRE o processamento ou julgamento da ação rescisória. Procedimento - Interposição já com indicação de meios de prova com que o legitimado pretende demonstrar a veracidade do alegado – testemunhas: número máximo de 6. - Prazo para contestação: 7 dias. - Ajuizamento; - Notificação do representado para que, no prazo de 05 dias, apresente defesa, juntando documentos e rol de testemunhas. - Julgador poderá determinar a suspensão do atoque deu motivo à representação, quando houver Tramita em segredo de justiça, mas seu julgamento é público. Prevalece a gratuidade, salvo comprovada má-fé. A propositura exige que a petição inicial seja acompanhada de prova pré- constituída do - Recebimento da representação; - Notificação do representado para apresentar defesa em 48 horas; - Apresentada ou não a defesa, será proferida decisão, publicada em até 24 horas; - Prazo de 24 horas para recurso; Observado o rito do art. 22 da LC 64/90, mesmo da AIJE. Observado o rito do art. 22 da LC 64/90, mesmo da AIJE, conforme determina o art. 30-A, §1º. O prazo para recurso contra as decisões proferidas nestas ações é de 03 dias, contados de sua publicação. 27 Segundo o TSE, o encerramento do mandato eletivo não acarreta a perda superveniente do interesse processual em AIJE, quando o ilícito eleitoral em discussão puder implicar também a declaração de inelegibilidade. 28 ADPF nº 167 (2018) – STF entende que o TSE é o órgão competente para julgar o RCD nas eleições presidenciais e gerais (federais e estaduais). 29 Súmula nº 37 do TSE – Compete originariamente ao TSE processar e julgar recurso contra expedição de diploma envolvendo eleições federais ou estaduais. Página 80 de 101 @mentoriaparatribunais @luizanicolle (86) 988021308 - Se não se tratar de matéria apenas de direito, serão designados os 04 dias seguintes para inquirição das testemunhas. - Nos 05 dias subsequentes, realização de diligências requeridas pelas partes ou determinadas de ofício. - Prazo de 05 dias, comum a todas as partes, para apresentação de alegações finais. - Eleição municipal: juiz eleitoral terá 03 dias para proferir sentença. Se o processo tramitar em TRE ou no TSE, recebidos os autos na secretaria, serão encaminhados ao presidente, que distribuirá a um relator e abrirá vistas ao MP, se for o caso, pelo prazo de 02 dias. Findo o prazo, com ou sem parecer, os autos serão conclusos ao relator, que os apresentará em mesa para julgamento em 03 dias. - Da decisão, caberá recurso no prazo de 03 dias, mesmo prazo a ser aberto para apresentação de contrarrazões.30 relevante fundamento e a sua manutenção resulte ineficiência da medida, caso seja julgada procedente. - Com ou sem defesa, findo o prazo, abre-se prazo de 05 dias para inquirição de testemunhas, até o máximo de 06 para cada parte. - 03 dias subsequentes para diligências determinadas de ofício ou requeridas pelas partes. - Alegações finais no prazo comum de 02 dias. - No dia seguinte, apresentação de relatório conclusivo sobre o que foi investigado. - O relatório e os autos da AIJE serão encaminhados ao órgão julgador competente para inclusão em pauta na primeira sessão subsequente para julgamento. - Vistas ao Procurador-Geral ou Regional, no tribunal, em 48 horas. abuso de poder econômico, da corrupção e da fraude. Aplica-se o mesmo rito previsto na LC 64/90 para a AIRC. - Prazo para oferecimento de contrarrazões: 24 horas. - Julgamento do recurso no prazo de 48 horas. 30 Dispõe o art. 16 da LC 64/90 que os prazos da AIRC são peremptórios e contínuos, correndo em cartório ou secretaria, não se suspendendo aos sábados, domingos e feriados, a partir da data de encerramento do prazo legal para pedido de registro de candidatos. Página 81 de 101 @mentoriaparatribunais @luizanicolle (86) 988021308 Efeitos Transitada em julgado a decisão que declarar a inelegibilidade do candidato, será negado a ele o registro ou este será cancelado, se já tiver sido feito, ou terá o diploma declarado nulo se já expedido. Antes do trânsito em julgado, o candidato poderá continuar participando do processo eleitoral por sua conta e risco (art. 16-A da Lei das Eleições). Art. 22, XIV, LC 64/90 – Julgada procedente a representação, ainda que após a proclamação dos eleitos, o Tribunal declarará a inelegibilidade do representado e de quantos hajam contribuído para a prática do ato, cominando-lhes sanção de inelegibilidade para as eleições a se realizarem nos 8 anos subsequentes à eleição e que se verificou, além da cassação do registro ou diploma do candidato diretamente beneficiado pela interferência do poder econômico ou elo desvio ou abuso do poder de autoridade ou dos meios de comunicação, determinando a remessa dos autos ao MP Eleitoral, para instauração de processo disciplinar, se for o caso, e de ação penal, ordenando quaisquer outras providências que a espécie comportar. Invalidação do diploma Enseja multa e cassação do registro ou do diploma Comprovada a captação ou os gastos ilícitos de recursos, será negado o diploma ao candidato ou este será cassado quando já tenha sido outorgado. Decretação da inelegibilidade ou incompatibilidade de candidato diplomado. A eficácia do julgamento só ocorre após o trânsito em julgado da decisão, de forma que o diplomado poderá exercer seu mandato em plenitude, não havendo que se falar em antecipação da tutela em RCD. Segundo o TSE, não é admissível a concessão de tutela antecipada em ação rescisória eleitoral, salvo na presença de situações teratológicas, que venham a causar dano grave e evidente, de difícil reparação, ou em situações que possam vir a comprometer o processo eleitoral como um todo. No mérito, se procedente, haverá desconstituição/reforma da decisão outrora proferida sobre a inelegibilidade. ➢ Súmula nº 38 do TSE – Nas ações que visem à cassação de registro, diploma ou mandato, há litisconsórcio passivo necessário entre o titular e o respectivo vice da chapa majoritária. ➢ Súmula nº 39 do TSE – Não há formação de litisconsórcio necessário em processos de registro de candidatura. ➢ Jurisprudências importantes sobre Recurso contra Expedição de Diploma: Página 82 de 101 @mentoriaparatribunais @luizanicolle (86) 988021308 • Ac.-TSE, de 29.9.2022, no REspEl nº 060031833: a ausência de quitação eleitoral constitui matéria infraconstitucional, que só poderá ser objeto de RCED na hipótese de se tratar de circunstância superveniente. • Ac.-TSE, de 29.9.2022, no REspEl nº 060031833: legitimidade ativa de candidato para interpor recurso contra expedição de diploma, ainda que não tenha benefício direto com o provimento do recurso. • Ac.-TSE, de 24.8.2021, no RCED nº 060200947: “[...] para fins de Recurso Contra Expedição de Diploma (RCED), considera–se como data de surgimento da inelegibilidade aquela em que proferida a decisão geradora do óbice à candidatura pelo órgão competente [...]”. • Ac.-TSE, de 5.12.2019, no AgR-AI nº 1976: “A ausência de desincompatibilização de fato do serviço público configura inelegibilidade superveniente apurável em sede de recurso contra expedição de diploma”. • Ac.-TSE, de 7.5.2019, no REspe nº 14242: inexistência de preclusão em inelegibilidade constitucional. • Ac.-TSE, de 21.2.2019, no AgR-AI nº 70447: “A condenação criminal transitada em julgado após o pleito e antes da diplomação pode embasar recurso contra expedição de diploma [...]”. • Competência do TSE para julgar RCED: Ac.-STF, de 7.3.2018, na ADPF nº 167 (eleições presidenciais e gerais); Ac.-TSE, de 28.5.2009, no RCED nº 703 (diploma expedido em favor de senador, deputado federal e seus suplentes, governador e vice-governador). • Ac.-TSE, de 3.2.2011, no AgR-AI nº 11450: o prazo para propositura do RCED tem natureza decadencial, mas a superveniência do recesso forense autoriza a prorrogação de seu termo final para o primeiro dia útil subsequente. • Ac.-TSE, de 5.8.2008, no RCED nº 728: “Quem perdeu os direitos políticosnão tem legitimidade para interpor recurso contra a expedição de diploma”; Ac.-TSE, de 17.3.1992, no Ag nº 8659: ilegitimidade ativa de eleitor. • Competência do TRE para julgar RCED: Ac.-TSE, de 16.2.2006, no AgRgREspe nº 25284 e, de 11.2.1999, no REspe nº 15516 (vereador); Ac.-TSE, de 2.8.2012, no REspe nº 22213 (prefeito). • Ac.-TSE, de 16.2.2006, no AgR-REspe nº 25284 e, de 16.3.2004, no RCED nº 647: não há litisconsórcio passivo necessário de partido político ou de coligação no recurso contra expedição de diploma de candidatos da eleição proporcional. Página 83 de 101 @mentoriaparatribunais @luizanicolle (86) 988021308 RECURSOS ELEITORAIS Recursos contra decisões de Junta Eleitoral Recursos contra decisões de juiz eleitoral Recursos contra decisões de TRE Recursos contra decisões do TSE Recurso Parcial • Art. 169, §2º, do Código Eleitoral; • Interposto contra o julgamento feito pelas juntas de eventuais impugnações feitas às urnas, às cédulas e aos votos durante o processo de apuração das eleições. • Interposto de forma escrita ou verbal, devendo ser fundamentado no prazo de 48 horas para que seja dado seguimento. Recurso Inominado • Art. 265, 266 e seguintes do Código Eleitoral; • Interposto contra sentença proferida em todas as ações processuais de primeira instância; • Procedimento: intimação do recorrido para apresentação de razões, acompanhadas ou não de documentos, no mesmo prazo para interposição; Se houver novos documentos, vista ao recorrente por 48 horas; Juiz Eleitoral envia os autos, em até 48 horas, ao TRE, salvo se reformar a decisão; Exercido o juízo de retratação pelo juiz eleitoral, o recorrido poderá requerer a subida do recurso como se por ele interposto, no prazo de 03 dias. Recurso Parcial • Interposto contra as decisões de impugnações proferidas pelo TRE em eleição cuja apuração for de sua competência, como é o caso de eleições federais e estaduais. • O procedimento é o mesmo aplicado ao recurso parcial em face da junta eleitoral. Recurso Ordinário • Art. 281 do Código Eleitoral – São irrecorríveis as decisões do TSE, salvo as que declararem a invalidade de lei ou ato contrário à Constituição Federal e as denegatórias de habeas corpus ou mandado de segurança, das quais caberá recurso ordinário para o Supremo Tribunal Federal (STF). • Prazo de interposição: 03 dias. Recurso inominado • Art. 265 do Código Eleitoral; • É processado da mesma forma que o recurso parcial. Apelação Criminal • Art. 362 do Código Eleitoral; • Interposta contra decisões finais de condenação ou absolvição em crimes eleitorais; • Prazo de interposição e de apresentação de razões pelo recorrido: 10 dias. • Esse recurso possui efeito suspensivo. Embargos de Declaração • Art. 275 do Código Eleitoral; • Cabimento contra qualquer decisão judicial que contenha: obscuridade ou contradição; omissão; erro material. • Não tem preparo. • Prazo de interposição: 03 dias. • Julgamento dos embargos em 05 dias. • Interrompem o prazo para a interposição de outro recurso. Recurso Extraordinário • Art. 121, §3º da CF; • Cabível contra decisão do TSE que contrariar a Constituição. Recurso em sentido estrito • Aplicação subsidiária do art. 586 do Código de Processo Penal; • Prazo de interposição: 05 dias. • Ex.: Juiz Eleitoral rejeita a denúncia oferecida pelo Promotor Eleitoral. Recurso Ordinário • Art. 276, II, do Código Eleitoral; • Cabimento: decisões que versarem sobre inelegibilidades ou expedição de diplomas nas eleições federais ou estaduais; anulação de diploma ou decretação de perda de mandatos eletivos federais ou estaduais; decisões denegatórias de habeas corpus, mandado de segurança, habeas data ou mandado de injunção. • Prazo de interposição: 03 dias, contados da decisão ou da seção de diplomação, a depender do caso. Agravo de Instrumento • Aplicado quando o recurso ordinário ou o recurso extraordinário não tiver sido recebido/seguimento denegado. • Se processa da mesma forma do agravo de instrumento contra decisões do TRE. Recurso Especial Agravo Regimental Página 84 de 101 @mentoriaparatribunais @luizanicolle (86) 988021308 • Art. 276, I, do Código Eleitoral; • Cabimento: contra decisões proferidas contra expressa disposição legal; quanto ocorrer divergência na interpretação de lei entre 02 ou mais TREs. • Prazo de interposição: 03 dias, salvo quando se tratar de recurso especial contra decisão de juiz auxiliar em pedido de direito de resposta, quando o prazo será de 24 horas.31 • Art. 264 do Código Eleitoral; • Cabível contra as decisões tomadas pelo Presidente do TSE, na forma prevista no regimento interno. Agravo de Instrumento Eleitoral • Art. 279 do Código Eleitoral; • Interposto quando não for recebido o recurso especial pelo TRE, objetivando a sua subida para o TSE; • Prazo de interposição e para apresentação de contrarrazões pelo recorrido: 03 dias. Embargos de Declaração • Art. 275 do Código Eleitoral; • Cabimento contra qualquer decisão judicial que contenha: obscuridade ou contradição; omissão; erro material. • Não tem preparo. • Prazo de interposição: 03 dias. • Julgamento dos embargos em 05 dias. • Interrompem o prazo para a interposição de outro recurso. Agravo Regimental • Art. 264 do Código Eleitoral; • Interposto contra atos, resoluções ou despachos proferidos pelo Presidente do TRE. • É julgado pelo Pleno do TRE. • Prazo de interposição: 03 dias. 31 Ac.-TSE, de 6.3.2007, no REspe nº 27839: prazo de 24 horas para a interposição de recurso especial contra decisão de juiz auxiliar em pedido de direito de resposta. Página 85 de 101 @mentoriaparatribunais @luizanicolle (86) 988021308 Jurisprudência • Ac.-TSE, de 25.8.2022, no AgR-AREspE nº 060032353: o término do período eleitoral não excepciona a contagem do prazo processual em dias corridos e contínuos, não incidindo a regra do art. 219 do CPC. • Ac.-TSE, de 8.2.2011, no AgR-AI nº 12139: cabimento de recurso especial somente contra decisão judicial, ainda que o processo cuide de matéria administrativa. • Ac.-TSE, de 4.11.2010, no AgR-REspe nº 340044: não equiparação de recurso especial a recurso ordinário em razão de o primeiro julgamento do requerimento de registro de candidatura ter sido realizado por TRE. • Ac.-TSE, de 28.10.2010, no AgR-RO nº 89490: incumbe à parte comprovar a tempestividade do recurso especial no momento de sua interposição. • Ac.-TSE, de 1º.9.2022, no REspEl nº 060029249: alegação de ofensa a portaria do Tribunal Superior Eleitoral não se enquadra no conceito de lei federal para fins de interposição de recurso especial. • Ac.-TSE, de 3.11.2010, no AgR-RESPE nº 403877: enunciado de súmula de tribunal superior não se equipara a lei federal para fins de interposição de recurso especial. • Não comprovam o dissídio jurisprudencial: Ac.-TSE, de 11.5.2023, nos ED-AREspE nº 060036293 e, de 2.2.2006, no AgR-AI nº 6061 (decisões monocráticas); Ac.-TSE, de 16.2.2023, no AgR-AREspE nº 060061114 e, de 18.8.2022, no AREspe nº 060619238 (transcrição de ementas); Ac.- TSE, de 17.3.2022, no AgR-REspEl nº 060260376 e, de 19.12.2005, no AgR-AI nº 6208 (julgados do mesmo Tribunal); Ac.-TSE, de 15.9.2009, no AgR-REspe nº 27947 (transcrições de excertos de pareceres do Ministério Público Eleitoral); Ac.-TSE, de 3.11.2008, no AgR-REspe nº 31512 (súmulas do TSE); Ac.-TSE, de 9.11.2006, no REspe nº 26171 (resoluções oriundas de consultas administrativas); Ac.-TSE, de 26.8.2021, no AgR- REspEl nº 060013282 e, de 16.6.2005, no REspe nº 25094 (julgados do STJ); Ac.-TSE, de 1º.3.2001, no Ag nº 2577 (julgados de Tribunal de Justiça); Ac.-TSE, de 24.10.2000, no AgR-REspe nº 17713 (julgados do STF). • Ac.-TSE, de 13.12.1994,no REspe nº 11663: possibilidade de acórdão do mesmo Tribunal comprovar dissídio quando verificada a diversidade de componentes. • Ac.-TSE, de 10.3.2022, no AgR-RO-El nº 5827; de 27.11.2014, no REspe nº 44853 e, de 26.11.2013, no REspe nº 504871: cabimento de recurso ordinário se o feito versa sobre inelegibilidade ou envolve cassação de diploma ou mandato nas eleições federais ou estaduais. • Ac.-TSE, de 8.5.2008, na MC nº 2323: cabimento de recurso especial na hipótese de perda de mandato eletivo municipal. • Ac.-TSE, de 26.10.2000, no Ag nº 2447 e, de 14.9.1994, no Ag nº 12265: os recursos especiais relativos a registros de candidaturas não estão sujeitos a juízo de admissibilidade no TRE. • Ac.-TSE, de 5.6.2012, nos ED-AgR-AI nº 10301: “A contradição que autoriza a oposição dos embargos é a que existe entre os fundamentos do julgado e sua conclusão e não entre aqueles e as teses recursais”. Súmula- TSE nº 24 Não cabe recurso especial eleitoral para simples reexame do conjunto fático-probatório. Súmula- TSE nº 25 É indispensável o esgotamento das instâncias ordinárias para a interposição de recurso especial eleitoral. Súmula- TSE nº 28 A divergência jurisprudencial que fundamenta o recurso especial interposto com base na alínea b do inciso I do art. 276 do Código Eleitoral somente estará demonstrada mediante a realização de cotejo analítico e a existência de similitude fática entre os acórdãos paradigma e o aresto recorrido. Súmula- TSE nº 29 A divergência entre julgados do mesmo Tribunal não se presta a configurar dissídio jurisprudencial apto a fundamentar recurso especial eleitoral. Súmula- TSE nº 30 Não se conhece de recurso especial eleitoral por dissídio jurisprudencial, quando a decisão recorrida estiver em conformidade com a jurisprudência do Tribunal Superior Eleitoral. Súmula- TSE nº 31 Não cabe recurso especial eleitoral contra acórdão que decide sobre pedido de medida liminar. http://www.tse.jus.br/legislacao/codigo-eleitoral/sumulas/sumulas-do-tse/sumula-tse-no-24 http://www.tse.jus.br/legislacao/codigo-eleitoral/sumulas/sumulas-do-tse/sumula-tse-no-25 http://www.tse.jus.br/legislacao/codigo-eleitoral/sumulas/sumulas-do-tse/sumula-tse-no-28 http://www.tse.jus.br/legislacao/codigo-eleitoral/sumulas/sumulas-do-tse/sumula-tse-no-29 http://www.tse.jus.br/legislacao/codigo-eleitoral/sumulas/sumulas-do-tse/sumula-tse-no-30 http://www.tse.jus.br/legislacao/codigo-eleitoral/sumulas/sumulas-do-tse/sumula-tse-no-31 Página 86 de 101 @mentoriaparatribunais @luizanicolle (86) 988021308 Súmula- TSE nº 32 É inadmissível recurso especial eleitoral por violação à legislação municipal ou estadual, ao Regimento Interno dos Tribunais Eleitorais ou às normas partidárias. Súmula- TSE nº 71 Na hipótese de negativa de seguimento ao recurso especial e da consequente interposição de agravo, a parte deverá apresentar contrarrazões tanto ao agravo quanto ao recurso especial, dentro do mesmo tríduo legal. ➢ Observações importantes sobre os recursos eleitorais: • Em regra, os recursos eleitorais não possuem efeito suspensivo – art. 257 do Código Eleitoral. ✓ Exceções: - Recurso contra expedição de diploma – art. 216, CE. - Decretação de inelegibilidade só produz efeitos a partir do trânsito em julgado da sentença – art. 15 da LC 64/90. - Recurso ordinário que resulte em cassação de registro, afastamento do titular ou perda de mandato eletivo – art. 257 do CE. • Os prazos para interposição são de 03 dias, salvo disposição em contrário. • Nas decisões finais em processo que apura crime eleitoral que resulte em condenação ou absolvição (art. 362 do CE), o prazo recursal é de 10 dias. • Os prazos para interposição de recursos são preclusivos, salvo quando houver discussão de matéria constitucional. • Em geral, as decisões interlocutórias são irrecorríveis de imediato, devendo ser atacadas quando do recurso contra a decisão final. Exceção: interposição de agravo de instrumento quando não conhecido o recurso pelo TRE. • Os recursos eleitorais são gratuitos. Não há exigência de preparo. • Súmula nº 26 do TSE – É inadmissível recurso que deixa de impugnar especificamente fundamento da decisão recorrida que é, por si só, suficiente para a manutenção desta. • Súmula nº 27 do TSE – É inadmissível recurso cuja deficiência de fundamentação impossibilite a compreensão da controvérsia. ➢ Aplicação do Código de Processo Civil ao processo eleitoral: • Há uma resolução do TSE de nº 23.478/16, que regulamenta a aplicação do CPC ao processo eleitoral. • Feitos eleitorais são gratuitos. Não são exigidos custas, preparos ou honorários. • Amicus curiae não se aplica aos feitos eleitorais. • Regras sobre conciliação e mediação não se aplicam ao processo eleitoral. Também não é admitida a autocomposição, tal como previsto nos arts. 190 e 191 do CPC (negócio jurídico processual). • Não se aplica ao processo eleitoral a contagem de prazos em dias úteis. • Sempre que a lei eleitoral não fixar prazo para o recurso, este será de 03 dias e não os prazos previstos no CPC. • A suspensão de prazos nos dias 20 de dezembro a 20 de janeiro é aplicada. • A sistemática de recursos repetitivos prevista no CPC não se aplica aos feitos eleitorais que versem ou possam ter reflexo sobre inelegibilidade, sobre registro de candidatura, sobre diplomação e sobre resultado ou anulação de eleições. http://www.tse.jus.br/legislacao/codigo-eleitoral/sumulas/sumulas-do-tse/sumula-tse-no-32 http://www.tse.jus.br/legislacao/codigo-eleitoral/sumulas/sumulas-do-tse/sumula-tse-no-71 Página 87 de 101 @mentoriaparatribunais @luizanicolle (86) 988021308 PROCESSO PENAL ELEITORAL ➢ O crime eleitoral é qualificado como crime comum e não como um crime de responsabilidade. Tal afirmação tem impactos importantes em relação à forma de investigar e à competência para processar e julgar tais delitos. ➢ Os crimes eleitorais são de ação penal pública incondicionada – art. 355 do Código Eleitoral. ➢ Resolução TSE nº 23.640/21 – disciplina a apuração dos crimes eleitorais e a instauração do inquérito policial eleitoral: • Inquérito é a parte da persecução penal (perseguição do crime) que se destina a investigar/apurar a autoria e a materialidade do delito. • A Polícia Federal exercerá, com prioridade sobre suas atribuições regulares, a função de polícia judiciária em matéria eleitoral. Onde não houver órgão da PF, a Polícia do respectivo estado terá atuação supletiva. • Qualquer pessoa que tenha conhecimento da existência de infração penal eleitoral deverá, verbalmente ou por escrito, comunicar a autoridade policial, MP ou o Juiz eleitoral. • Confirmada a veracidade e a autenticidade das informações, a autoridade policial instaurará o inquérito. • Prisão em flagrante: as autoridades policiais prenderão quem for encontrado em flagrante pela prática de crime eleitoral, salvo quando se tratar de infração de menor potencial ofensivo. Após o recebimento do auto de prisão em flagrante, no prazo máximo de 24 horas após a prisão, o juiz realizará audiência de custódia, na qual deverá, fundamentadamente: relaxar a prisão ilegal; ou converter a prisão em flagrante em prisão preventiva, quando presentes os requisitos do art. 312 do Código de Processo Penal e não forem adequadas e suficientes as medidas cautelares diversas da prisão; ou conceder liberdade provisória, com ou sem fiança. • Aplica-se de forma subsidiária ao inquérito policial eleitoral as disposições do Código de Processo Penal – CPP. ➢ A ação penal eleitoral observa os procedimentos previstos no Código Eleitoral, aplicando-se os artigos 395, 396, 396-A, 397 e 400 do CPP. ➢ Fase de conhecimento do processo penal eleitoral: • Ministério Público oferece denúncia no prazo de 10 dias após verificada a infração penal (se o MP achar que não é cabível ingressar com a ação penal, ele faz o requerimentopelo arquivamento da comunicação do crime). • Recebida a denúncia32, Juiz designa dia e hora para depoimento pessoal do acusado. • O réu e seu defensor terão prazo de 10 dias para oferecer resposta e para arrolar testemunhas. • Instrução: são ouvidas as testemunhas da acusação e da defesa; são praticadas as diligências requeridas pelo MP ou ordenadas pelo Juiz. • Abre-se prazo de 05 dias a cada uma das partes – acusação e defesa – para alegações finais. • Juiz terá prazo de 10 dias para proferir sentença. • Da sentença, caberá recurso ao TRE no prazo de 10 dias. ➢ Competência para julgamento dos crimes eleitorais: • As regras para definição da competência para julgamento dos crimes eleitorais são extraídas do CPP. • Competência em razão do lugar – art. 70 do CPP – A competência será, em regra, definida pelo lugar em que se consumar a infração ou, no caso de tentativa, pelo lugar onde foi praticado o último ato de execução. • Competência em razão do domicílio ou residência do réu – Não sendo conhecido o lugar da infração, a competência será determinada pelo domicílio ou residência do réu. Se houver mais de um 32 A denúncia poderá ser rejeitada quando o fato não constituir crime; já estiver extinta a punibilidade pela prescrição, etc.; for manifesta a ilegitimidade da parte; faltar condição exigida em lei para o exercício da ação penal. Página 88 de 101 @mentoriaparatribunais @luizanicolle (86) 988021308 domicílio, a competência será determinada pela prevenção. Se não tiver residência certa, será competente o juiz eleitoral que primeiro tomar conhecimento do fato. • Competência em razão da matéria – Os crimes eleitorais e os crimes a eles conexos são, em regra, da competência da Justiça Eleitoral, salvo quando praticados por pessoas com for privilegiado no STF ou no STJ. Aplicam-se, assim, o disposto nos artigos 102, I, b e c e 105,I, a da Constituição Federal. • Competência em razão da pessoa – A regra geral é de que o processamento e julgamento dos crimes eleitorais seja da competência do juiz eleitoral. Contudo, existem pessoas que possuem foro privilegiado, de acordo com a Constituição Federal. Desse modo, algumas pessoas, em razão da prerrogativa de função, são julgadas originariamente por crimes eleitorais em tribunais que não fazem parte da estrutura da Justiça Eleitoral – STJ e STF. Outras pessoas, também em razão da prerrogativa de função, serão julgadas diretamente pelo TRE e não pelo juiz eleitoral. REGRAS DE COMPETÊNCIA EM RAZÃO DA PESSOA33 Pessoa que praticou crime eleitoral Órgão competente Observações Menor de idade que pratica ato infracional equiparado a crime eleitoral Vara Especializada da Infância e da Juventude O julgamento na vara especializada ocorrerá ainda que o ato infracional seja conexo a crime eleitoral praticado por maior de idade. Haverá, então, a separação de processo e de julgamento dos autores das práticas ilícitas. • Presidente e vice presidente da república; • Membros do Congresso Nacional; • Ministros de Estado; • Procurador-Geral da República; • Comandantes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica; • Membros de tribunais superiores; • Membros do Tribunal de Contas da União; • Chefes de missão diplomática de caráter permanente. STF Art. 102, I, “b” e “c” da CF. • Governadores e vice governadores de estados e do DF; • Membros dos tribunais de contas dos estados e do DF; • Membros dos tribunais regionais federais, tribunais regionais eleitorais e tribunais regionais do trabalho; • Membros dos tribunais de contas dos municípios; • Membros do Ministério Público da União que oficiem perante tribunais; • Desembargadores dos tribunais de justiça estaduais. STJ Art. 105, I, “a” da CF. • Todas as pessoas que possuem privilégio de foro nos tribunais de justiça estaduais, de acordo com a previsão específica de cada Constituição Estadual ou Lei Orgânica do DF. • Prefeitos municipais; • Promotores de Justiça; • Deputados Estaduais. TREs • Pessoas sem privilégio de foro • Ex: vereadores e vice prefeitos. Juiz eleitoral 33 Se o crime eleitoral é praticado por candidato durante o período de campanha eleitoral, a competência para julgá-lo será do juiz eleitoral, salvo se o candidato tiver foro privilegiado. Ao ganhar as eleições, o candidato poderá passar a gozar de foro privilegiado a depender do cargo para o qual foi eleito, a partir da diplomação, gerando a transferência de competência para o processamento e julgamento do crime para o novo órgão. De acordo com o TSE, cessa a prerrogativa de foro com a extinção do mandato. Página 89 de 101 @mentoriaparatribunais @luizanicolle (86) 988021308 • Conexão e continência: Conexão Art. 76 CPP Continência Art. 77 CPP ✓ Intersubjetiva: ocorre quando duas ou mais infrações tiverem sido praticadas, ao mesmo tempo, por várias pessoas reunidas, ou por várias pessoas em concurso, embora diverso o tempo e o lugar, ou por várias pessoas, uma contra as outras. ✓ Objetiva ou teleológica: ocorre quando infrações são praticadas para facilitar ou ocultar as outras ou para conseguir impunidade ou vantagem em relação a qualquer delas; ✓ Probatória: quando a prova de uma infração ou de qualquer de suas circunstâncias elementares influir na prova de outra infração. ✓ Concursal ou subjetiva: quando duas ou mais pessoas forem acusadas pela mesma infração; ✓ Objetiva: quando a infração for cometida em concurso formal (quando o agente, mediante uma só ação ou omissão, pratica dois crimes idênticos – concurso homogêneo - ou de espécies distintas – concurso heterogêneo). - Tanto a conexão quanto a continência implicam a unificação de processos, gerando unidade de julgamento. - Há a chamada competência eleitoral prevalente: A Justiça Eleitoral tem a competência para processar e julgar os crimes conexos ou em continência com crimes eleitorais, atraindo, portanto, para sua competência o crime eleitoral e o não eleitoral. - Segundo o STF, a JE é competente para processar e julgar crime comum conexo com crime eleitoral ainda que haja o reconhecimento da prescrição da pretensão punitiva do delito eleitoral. - Súmula nº 704 do STF: Não viola as garantias do juiz natural, da ampla defesa e do devido processo legal a atração por continência ou conexão do processo do co-réu ao foro por prerrogativa de função de um dos denunciados. Assim, havendo conexão entre crimes eleitorais praticados por pessoa com prerrogativa de função e por pessoa sem prerrogativa, deverá ocorrer a atração da competência para o processamento e julgamento de ambos os crimes, por conexão, para o foro privilegiado. ➢ Revisão criminal eleitoral: • Aplicação do artigo 621 do CPP; • Hipóteses de cabimento: ✓ Existência de sentença penal condenatória transitada em julgado contrária à expressa disposição legal ou à evidência dos fatos; ✓ Existência de sentença penal condenatória transitada em julgado fundada em documentos, exames ou depoimentos comprovadamente falsos; ✓ Descoberta de novas provas de inocência do condenado ou de circunstância que determine ou autorize a diminuição da pena, após o trânsito em julgado de sentença penal condenatória. • Poderá ser requerida a qualquer tempo, até mesmo após a extinção da pena. • Legitimados: réu, procurador habilitado ou cônjuge, irmão, ascendente e descendente de réu morto. Página 90 de 101 @mentoriaparatribunais @luizanicolle (86) 988021308 CRIMES ELEITORAIS ➢ Estão previstos: Código Eleitoral (arts. 289 a 354); LC nº 64/90 (art. 25); Lei nº 6.091/74 (art. 11); e Lei das Eleições. ➢ O Código Eleitoral não prevê sanções penais a título de culpa (não há, portanto, crimes culposos, apenas dolosos). ➢ Em muitos crimes, o Código Eleitoral não prevê pena mínima, apenas a máxima.Nesses casos, deve ser considerada a pena mínima de 15 dias para a detenção e 01 ano para a reclusão, conforme art. 284 do CE. ➢ Art. 285 do CE: quando a lei determinar a agravação ou a atenuação da pena sem mencionar o “quantum”, deverá o juiz fixar entre 1/5 e 1/3, guardados os limites da pena cominada ao crime. ➢ Art. 286 do CE: as penas de multa devem considerar o dia-multa. A quantidade de dias-multa imputáveis ao réu (no valor de no mínimo de 1 e no máximo de 300) será fixada conforme arbítrio do juiz, considerando a situação econômica do condenado, não podendo ser inferior ao salário mínimo diário da região, nem superior ao salário mínimo mensal. A multa pode ser ainda aumentada até o triplo pelo juiz em face da situação econômica do réu e da necessidade de combate à ineficácia da medida. ➢ Para os fins penais, equipara-se a servidor público quem, embora transitoriamente ou sem remuneração, exerce cargo, emprego ou função pública, além de quem exerce cargo, emprego ou função em entidade paraestatal ou em sociedade de economia mista. Ademais, são considerados, para fins penais, membros e funcionários da Justiça Eleitoral os magistrados a serviço da JE; cidadãos que integrem temporariamente órgãos da JE ou que tenham sido nomeados para atuar em mesas receptoras ou apuradoras de votos; e os funcionários públicos requisitados pela JE, além dos servidores do quadro efetivo, juízes e membros dos tribunais eleitorais. ➢ Crimes em espécie: CRIMES CONCERNENTES À FORMAÇÃO DO CORPO ELEITORAL Atentam contra o processo de alistamento eleitoral Previstos nos artigos 289 a 295 do Código Eleitoral Previsão legal Observações Art. 289. Inscrever-se fraudulentamente eleitor: Pena – reclusão até 5 anos e pagamento de 5 a 15 dias- multa. Sujeito ativo: pessoa maior de 18 anos. Sujeito passivo: Estado Depende da produção de resultado Admite tentativa Segundo o TSE, o crime se consuma quando o eleitor comparece à JE para requerer o alistamento. Ac.-TSE, de 3.3.2015, no REspe nº 571991: a prestação de auxílio material à inscrição fraudulenta de eleitor caracteriza participação no crime previsto neste artigo Art. 290. Induzir alguém a se inscrever eleitor com infração de qualquer dispositivo deste código: Pena – reclusão até 2 anos e pagamento de 15 a 30 dias- multa. Sujeito ativo: qualquer pessoa. Sujeito passivo: qualquer pessoa e o Estado Se consuma com o ato de induzir a pessoa à realização da inscrição ilícita, independente do efetivo deferimento desta inscrição. Não admite tentativa Ac.-TSE, de 3.3.2015, no REspe nº 571991: o crime previsto neste dispositivo somente pode ser praticado pelo eleitor, não admitindo coautoria, mas participação. Ac.-TSE, de 26.2.2013, no REspe nº 198: o tipo descrito neste artigo deve ser afastado quando houver o concurso de vontades entre o eleitor e o suposto autor da conduta. Art. 291. Efetuar o juiz, fraudulentamente, a inscrição de alistando: Pena – reclusão até 5 anos e pagamento de 5 a 15 dias-multa. Sujeito ativo: Juiz eleitoral. Sujeito passivo: qualquer pessoa com idade para o alistamento Depende da emissão do título eleitoral para sua consumação. Admite tentativa Art. 292. Negar ou retardar a autoridade judiciária, sem fundamento legal, a inscrição requerida: Pena – pagamento de 30 a 60 dias-multa. Sujeito ativo: Juiz eleitoral. Sujeito passivo: qualquer pessoa com idade para o alistamento Página 91 de 101 @mentoriaparatribunais @luizanicolle (86) 988021308 Art. 293. Perturbar ou impedir de qualquer forma o alistamento: Pena – detenção de 15 dias a 6 meses ou pagamento de 30 a 60 dias-multa. Sujeito ativo: qualquer pessoa. Sujeito passivo: alistando ou servidor da JE. Admite tentativa Art. 295. Reter título eleitoral contra a vontade do eleitor: Pena – detenção até dois meses ou pagamento de 30 a 60 dias- multa. Lei nº 9.504/1997, art. 91, parágrafo único: "a retenção de título eleitoral ou do comprovante do alistamento eleitoral constitui crime, punível com detenção, de um a três meses, com a alternativa de prestação de serviços à comunidade por igual período, e multa no valor de cinco mil a dez mil Ufirs". CRIMES RELATIVOS À FORMAÇÃO E FUNCIONAMENTO DOS PARTIDOS POLÍTICOS Previstos no Código Eleitoral Previsão legal Observações Art. 319. Subscrever o eleitor mais de uma ficha de registro de um ou mais partidos: Pena – detenção até 1 mês ou pagamento de 10 a 30 dias- multa. Tenta impedir que um mesmo eleitor contribua com a sua assinatura para o apoiamento mínimo necessário à constituição de mais um partido, ao mesmo tempo. Sujeito ativo: qualquer cidadão Sujeito passivo: partidos políticos e o Estado. Admite tentativa. Art. 320. Inscrever-se o eleitor, simultaneamente, em dois ou mais partidos: Pena – pagamento de 10 a 20 dias-multa. Tornou-se crime impossível em razão de a dupla filiação não ser mais viável, já que quando o cidadão filiado a um partido se filia a outro, há o cancelamento automático da filiação anterior. Art. 321. Colher assinatura do eleitor em mais de uma ficha de registro de partido: Pena – detenção até dois meses ou pagamento de 20 a 40 dias- multa. Busca punir a conduta do terceiro agenciador que promove a colheita reiterada de assinaturas para tal fim. Art. 338. Não assegurar o funcionário postal a prioridade prevista no art. 239: Pena – pagamento de 30 a 60 dias-multa. Prioridade postal aos partidos políticos durante os 60 dias anteriores à eleição, para remessa de material de propaganda de seus candidatos registrados. Não é admitida a tentativa. Art. 346. Violar o disposto no art. 377: Pena – detenção até seis meses e pagamento de 30 a 60 dias- multa. Art. 377. O serviço de qualquer repartição, federal, estadual, municipal, autarquia, fundação do Estado, sociedade de economia mista, entidade mantida ou subvencionada pelo Poder Público, ou que realiza contrato com este, inclusive o respectivo prédio e suas dependências, não poderá ser utilizado para beneficiar partido ou organização de caráter político. CRIMES RELATIVOS À INELEGIBILIDADE Previsto na LC 64/90 Previsão legal Observações Art. 25. Constitui crime eleitoral a argüição de inelegibilidade, ou a impugnação de registro de candidato feito por interferência do poder econômico, desvio ou abuso do poder de autoridade, deduzida de forma temerária ou de manifesta má- fé: Pena: detenção de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e multa de 20 (vinte) a 50 (cinqüenta) vezes o valor do Bônus do Tesouro Nacional (BTN) e, no caso de sua extinção, de título público que o substitua. Exige o dolo para sua consumação, o qual pode ser dolo direto ou dolo eventual. Não admite a modalidade culposa. Página 92 de 101 @mentoriaparatribunais @luizanicolle (86) 988021308 CRIMES RELATIVOS À PROPAGANDA ELEITORAL Previstos tanto no Código Eleitoral quanto na Lei das Eleições Previsão legal Observações Art. 323 do CE. Divulgar, na propaganda eleitoral ou durante período de campanha eleitoral, fatos que sabe inverídicos em relação a partidos ou a candidatos e capazes de exercer influência perante o eleitorado: Pena – detenção de dois meses a um ano ou pagamento de 120 a 150 dias-multa. § 1º Nas mesmas penas incorre quem produz, oferece ou vende vídeo com conteúdo inverídico acerca de partidos ou candidatos. § 2º Aumenta-se a pena de 1/3 (um terço) até metade se o crime: I – é cometido por meio da imprensa, rádio ou televisão, ou por meio da internet ou de rede social, ou é transmitido em tempo real; II – envolve menosprezo ou discriminação à condição de mulher ou à sua cor, raça ou etnia. Sujeito ativo: qualquer pessoa; Sujeito passivo: partido político atingido e os candidatos alvo das mentiras proferidas. Admitida a tentativa. Ac.-TSE,de 25.6.2015, no AgR-RMS nº 10404: o tipo penal indicado não exige que os fatos tenham potencial para definir a eleição, bastando que sejam “capazes de exercerem influência perante o eleitorado”. Art. 324 do CE. Caluniar alguém, na propaganda eleitoral, ou visando fins de propaganda, imputando-lhe falsamente fato definido como crime: Pena – detenção de seis meses a dois anos e pagamento de 10 a 40 dias-multa. § 1º Nas mesmas penas incorre quem, sabendo falsa a imputação, a propala ou divulga. § 2º A prova da verdade do fato imputado exclui o crime, mas não é admitida: I – se, constituindo o fato imputado crime de ação privada, o ofendido, não foi condenado por sentença irrecorrível; II – se o fato é imputado ao presidente da República ou chefe de governo estrangeiro; III – se do crime imputado, embora de ação pública, o ofendido foi absolvido por sentença irrecorrível. Sujeito ativo: qualquer pessoa; Sujeito passivo: candidato. Crime formal, não sendo necessário que tenha efetivamente ocorrido prejuízo para a vítima, se consumando quando o fato se torna conhecido de terceiros. Ac.-TSE, de 21.2.2019, no AgR-REspe nº 22484: o crime de calúnia eleitoral exige a imputação a alguém de fato determinado definido como crime, não sendo suficientes alegações genéricas, ainda que atinjam a honra do destinatário. Art. 325 do CE. Difamar alguém, na propaganda eleitoral, ou visando a fins de propaganda, imputando-lhe fato ofensivo à sua reputação: Pena – detenção de três meses a um ano e pagamento de 5 a 30 dias-multa. Parágrafo único. A exceção da verdade somente se admite se o ofendido é funcionário público e a ofensa é relativa ao exercício de suas funções. Difamação – imputação de fato ofensivo à reputação da vítima que não constitui crime. Sujeito ativo: qualquer pessoa; Sujeito passivo: candidato. Crime formal, se consumando quando o fato propagado chega ao conhecimento de terceiros, ainda que não haja prejuízos para a vítima. Ac.-TSE, de 14.12.2010, no HC nº 187635: desnecessidade de que a ofensa seja praticada contra candidato para a tipificação do crime previsto neste artigo. Ac.-TSE, de 6.10.2015, no REspe nº 186819 e, de 13.10.2011, no HC nº 114080: para a tipificação da conduta prevista neste Página 93 de 101 @mentoriaparatribunais @luizanicolle (86) 988021308 artigo, basta que a difamação seja praticada no âmbito de atos típicos de propaganda eleitoral ou para fins desta. Ac.-TSE, de 17.5.2011, no RHC nº 761681: o deferimento do direito de resposta e a interrupção da divulgação da ofensa não excluem a ocorrência dos crimes de difamação e de divulgação de fatos inverídicos na propaganda eleitoral. Art. 32634 do CE. Injuriar alguém, na propaganda eleitoral, ou visando a fins de propaganda, ofendendo-lhe a dignidade ou o decoro: Pena – detenção até seis meses, ou pagamento de 30 a 60 dias-multa. § 1º O juiz pode deixar de aplicar a pena: I – se o ofendido, de forma reprovável, provocou diretamente a injúria; II – no caso de retorsão imediata, que consista em outra injúria. § 2º Se a injúria consiste em violência ou vias de fato, que, por sua natureza ou meio empregado, se considerem aviltantes: Pena – detenção de três meses a um ano e pagamento de 5 a 20 dias-multa, além das penas correspondentes à violência prevista no Código Penal. Sujeito ativo: qualquer pessoa; Sujeito passivo: candidato. Crime formal, se consumando quando o fato propagado chega ao conhecimento de terceiros, ainda que não haja prejuízos para a vítima. Art. 331 do CE. Inutilizar, alterar ou perturbar meio de propaganda devidamente empregado: Pena – detenção até seis meses ou pagamento de 90 a 120 dias-multa. Sujeito ativo: qualquer pessoa; Sujeito passivo: candidato e partido político titular da propaganda. Admitida a tentativa. Art. 332 do CE. Impedir o exercício de propaganda: Pena – detenção até seis meses e pagamento de 30 a 60 dias- multa. Sujeito ativo: qualquer pessoa; Sujeito passivo: candidato e partido político titular da propaganda. Admitida a tentativa. Art. 334 do CE. Utilizar organização comercial de vendas, distribuição de mercadorias, prêmios e sorteios para propaganda ou aliciamento de eleitores: Pena – detenção de seis meses a um ano e cassação do registro se o responsável for candidato. Sujeito ativo: qualquer pessoa, em especial candidato. Art. 335 do CE. Fazer propaganda, qualquer que seja a sua forma, em língua estrangeira: Sujeito ativo: qualquer pessoa; Sujeito passivo: Estado. 34 Art. 327. As penas cominadas nos arts. 324, 325 e 326 aumentam-se de 1/3 (um terço) até metade, se qualquer dos crimes é cometido: I – contra o presidente da República ou chefe de governo estrangeiro; II – contra funcionário público, em razão de suas funções; III – na presença de várias pessoas, ou por meio que facilite a divulgação da ofensa; IV – com menosprezo ou discriminação à condição de mulher ou à sua cor, raça ou etnia; V – por meio da Internet ou de rede social ou com transmissão em tempo real. Página 94 de 101 @mentoriaparatribunais @luizanicolle (86) 988021308 Pena – detenção de três a seis meses e pagamento de 30 a 60 dias-multa. Parágrafo único. Além da pena cominada, a infração ao presente artigo importa na apreensão e perda do material utilizado na propaganda. Art. 337 do CE. Participar, o estrangeiro ou brasileiro que não estiver no gozo dos seus direitos políticos, de atividades partidárias, inclusive comícios e atos de propaganda em recintos fechados ou abertos: Pena – detenção até seis meses e pagamento de 90 a 120 dias- multa. Parágrafo único. Na mesma pena incorrerá o responsável pelas emissoras de rádio ou televisão que autorizar transmissões de que participem os mencionados neste artigo, bem como o diretor de jornal que lhes divulgar os pronunciamentos. Sujeito ativo: qualquer brasileiro que não esteja no gozo dos seus direitos políticos e estrangeiro; Sujeito passivo: Estado. De acordo com o TSE, o estrangeiro, exceto o asilado político, poderá efetuar no Brasil campanha eleitoral de candidatos do partido de origem, não se aplicando as normas sobre propaganda eleitoral previstas na Lei das Eleições e nas instruções que regulam as eleições brasileiras nesse caso. Art. 33 da Lei das Eleições § 4º A divulgação de pesquisa fraudulenta constitui crime, punível com detenção de seis meses a um ano e multa no valor de cinqüenta mil a cem mil UFIR. Trata-se de crime de dano, sendo punida a conduta pelo simples potencial lesivo que contém em si mesma. Art. 34 da Lei das Eleições § 2º O não-cumprimento do disposto neste artigo ou qualquer ato que vise a retardar, impedir ou dificultar a ação fiscalizadora dos partidos constitui crime, punível com detenção, de seis meses a um ano, com a alternativa de prestação de serviços à comunidade pelo mesmo prazo, e multa no valor de dez mil a vinte mil UFIR. O caput do art. 34 foi vetado de forma que a parte inicial do §2º, que remete ao caput, é inaplicável. A parte restante (retardar, impedir, etc.) continua válida. Art. 34 da Lei das Eleições § 3º A comprovação de irregularidade nos dados publicados sujeita os responsáveis às penas mencionadas no parágrafo anterior, sem prejuízo da obrigatoriedade da veiculação dos dados corretos no mesmo espaço, local, horário, página, caracteres e outros elementos de destaque, de acordo com o veículo usado. Complementa os tipos penais anteriores (art. 33, §4º e art. 34, §2º). Art. 39 da Lei das Eleições § 5º Constituem crimes, no dia da eleição, puníveis com detenção, de seis meses a um ano, com a alternativa de prestação de serviços à comunidade pelo mesmo período, e multa no valor de cinco mil a quinze mil UFIR: I - o uso de alto-falantes e amplificadores desom ou a promoção de comício ou carreata; II - a arregimentação de eleitor ou a propaganda de boca de urna; III - a divulgação de qualquer espécie de propaganda de partidos políticos ou de seus candidatos. Sujeito ativo: qualquer pessoa. Sujeito passivo: sociedade como um todo e os serviços da JE. Página 95 de 101 @mentoriaparatribunais @luizanicolle (86) 988021308 IV - a publicação de novos conteúdos ou o impulsionamento de conteúdos nas aplicações de internet de que trata o art. 57-B desta Lei, podendo ser mantidos em funcionamento as aplicações e os conteúdos publicados anteriormente. Art. 40 da Lei das Eleições. O uso, na propaganda eleitoral, de símbolos, frases ou imagens, associadas ou semelhantes às empregadas por órgão de governo, empresa pública ou sociedade de economia mista constitui crime, punível com detenção, de seis meses a um ano, com a alternativa de prestação de serviços à comunidade pelo mesmo período, e multa no valor de dez mil a vinte mil UFIR. Segundo o TSE, para configurar o tipo penal é imprescindível que o ato praticado seja tipicamente de propaganda eleitoral. A utilização de atos de governo, nos quais será lícito o uso de símbolos da prefeitura, com finalidade eleitoral, pode, em tese, configurar abuso do poder político, a ser apurado em processo específico. Art. 57-H da Lei das Eleições § 1o Constitui crime a contratação direta ou indireta de grupo de pessoas com a finalidade específica de emitir mensagens ou comentários na internet para ofender a honra ou denegrir a imagem de candidato, partido ou coligação, punível com detenção de 2 (dois) a 4 (quatro) anos e multa de R$ 15.000,00 (quinze mil reais) a R$ 50.000,00 (cinquenta mil reais). Art. 57-H da Lei das Eleições § 2o Igualmente incorrem em crime, punível com detenção de 6 (seis) meses a 1 (um) ano, com alternativa de prestação de serviços à comunidade pelo mesmo período, e multa de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) a R$ 30.000,00 (trinta mil reais), as pessoas contratadas na forma do § 1o. Art. 100-A da Lei das Eleições. A contratação direta ou terceirizada de pessoal para prestação de serviços referentes a atividades de militância e mobilização de rua nas campanhas eleitorais observará os seguintes limites, impostos a cada candidato: (...) § 5o O descumprimento dos limites previstos nesta Lei sujeitará o candidato às penas previstas no art. 299 da Lei no 4.737, de 15 de julho de 1965. Art. 299 do Código Eleitoral. Dar, oferecer, prometer, solicitar ou receber, para si ou para outrem, dinheiro, dádiva, ou qualquer outra vantagem, para obter ou dar voto e para conseguir ou prometer abstenção, ainda que a oferta não seja aceita: Pena - reclusão até quatro anos e pagamento de cinco a quinze dias-multa. CRIMES RELATIVOS À VOTAÇÃO Previstos nos arts. 296 a 312 e 316 do Código Eleitoral (muitos deles se encontram com pouca utilização em razão da aplicação do sistema eletrônico de votação) Previsão legal Observações Art. 296. Promover desordem que prejudique os trabalhos eleitorais; Pena - Detenção até dois meses e pagamento de 60 a 90 dias-multa. Sujeito ativo: qualquer pessoa. Sujeito passivo: Estado. Admite tentativa. Art. 297. Impedir ou embaraçar o exercício do sufrágio: Pena - Detenção até seis meses e pagamento de 60 a 100 dias-multa. Sujeito ativo: qualquer pessoa. Sujeito passivo: eleitor e Estado. Admite tentativa. Art. 298. Prender ou deter eleitor, membro de mesa receptora, fiscal, delegado de partido ou candidato, com violação do disposto no Art. 236: Pena - Reclusão até quatro anos. (Uma das maiores penas previstas para crimes eleitorais) Art. 236 do Código Eleitoral. Nenhuma autoridade poderá, desde 5 (cinco) dias antes e até 48 (quarenta e oito) horas depois do encerramento da eleição, prender ou deter qualquer eleitor, salvo em flagrante delito ou em virtude de sentença criminal condenatória por crime inafiançável, ou, ainda, por desrespeito a salvo-conduto. Art. 299. Dar, oferecer, prometer, solicitar ou receber, para si ou para outrem, dinheiro, dádiva, ou qualquer outra Caracteriza o crime de corrupção eleitoral nas modalidades ativa e passiva. Sujeito ativo: qualquer pessoa https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L4737.htm#art299 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L4737.htm#art299 Página 96 de 101 @mentoriaparatribunais @luizanicolle (86) 988021308 vantagem, para obter ou dar voto e para conseguir ou prometer abstenção, ainda que a oferta não seja aceita: Pena - reclusão até quatro anos e pagamento de cinco a quinze dias-multa. Sujeito passivo: eleitor. Art. 300. Valer-se o servidor público da sua autoridade para coagir alguém a votar ou não votar em determinado candidato ou partido: Pena - detenção até seis meses e pagamento de 60 a 100 dias-multa. Parágrafo único. Se o agente é membro ou funcionário da Justiça Eleitoral e comete o crime prevalecendo-se do cargo a pena é agravada. Sujeito ativo: sempre servidor público. Sujeito passivo: eleitor. Consuma-se independentemente da ocorrência de resultado naturalístico, bastando a coação. Admite tentativa. Art. 301. Usar de violência ou grave ameaça para coagir alguém a votar, ou não votar, em determinado candidato ou partido, ainda que os fins visados não sejam conseguidos: Pena - reclusão até quatro anos e pagamento de cinco a quinze dias-multa. Sujeito ativo: qualquer pessoa. Sujeito passivo: eleitor. Admite tentativa. Art. 302. Promover, no dia da eleição, com o fim de impedir, embaraçar ou fraudar o exercício do voto a concentração de eleitores, sob qualquer forma, inclusive o fornecimento gratuito de alimento e transporte coletivo: Pena - reclusão de quatro (4) a seis (6) anos e pagamento de 200 a 300 dias-multa. Natureza formal: não precisa do efetivo impedimento ao exercício do voto para sua consumação. Art. 303. Majorar os preços de utilidades e serviços necessários à realização de eleições, tais como transporte e alimentação de eleitores, impressão, publicidade e divulgação de matéria eleitoral. Pena - pagamento de 250 a 300 dias-multa. Art. 304. Ocultar, sonegar açambarcar ou recusar no dia da eleição o fornecimento, normalmente a todos, de utilidades, alimentação e meios de transporte, ou conceder exclusividade dos mesmos a determinado partido ou candidato: Pena - pagamento de 250 a 300 dias-multa. Art. 305. Intervir autoridade estranha à mesa receptora, salvo o juiz eleitoral, no seu funcionamento sob qualquer pretexto: Pena - detenção até seis meses e pagamento de 60 a 90 dias-multa. Admite tentativa. Art. 306. Não observar a ordem em que os eleitores devem ser chamados a votar: Pena - pagamento de 15 a 30 dias-multa. Sujeito ativo: mesários Sujeito passivo: eleitor Página 97 de 101 @mentoriaparatribunais @luizanicolle (86) 988021308 Art. 309. Votar ou tentar votar mais de uma vez, ou em lugar de outrem: Pena - reclusão até três anos. Sujeito ativo: qualquer eleitor Sujeito passivo: eleitor Crime de atentado – a mera tentativa já recebe a mesma sanção da modalidade consumada, sem qualquer redução. Não admite tentativa nos moldes do art. 14, parágrafo único do Código Penal. Art. 310. Praticar, ou permitir membro da mesa receptora que seja praticada, qualquer irregularidade que determine a anulação de votação, salvo no caso do Art. 311: Pena - detenção até seis meses ou pagamento de 90 a 120 dias-multa. Art. 312. Violar ou tentar violar o sigilo do voto: Pena - detenção até dois anos. Sujeito ativo: qualquer pessoa. É um tipo penal residual às demais espéciesmajoritário. São estabelecidos dois tipos de unidades eleitorais: os distritos eleitorais uninominais e as circunscrições plurinominais. Desse modo, 300 deputados são eleitos pelo sistema de maioria relativa nos distritos e 200 são eleitos proporcionalmente. https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13165.htm#art4 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13165.htm#art4 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/Lei/L14211.htm#art1 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/Lei/L14211.htm#art1 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/Lei/L14211.htm#art1 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/Lei/L14211.htm#art1 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/Lei/L14211.htm#art1 Página 12 de 101 @mentoriaparatribunais @luizanicolle (86) 988021308 Partidos Políticos ➢ Os partidos políticos são pessoas jurídicas de direito privado. ➢ A disciplina jurídica sobre partidos políticos se encontra na Constituição Federal, na Lei nº 9.096/95 (Lei Geral dos Partidos Políticos) e na Lei nº 9.504/97 (Lei das Eleições). ➢ Disciplina na Constituição Federal: Capítulo V do Título II. • Art. 17: É livre a criação, fusão, incorporação e extinção de partidos políticos, resguardados a soberania nacional, o regime democrático, o pluripartidarismo e os direitos fundamentais da pessoa humana. Ademais, deverão ser observados ainda: o caráter nacional; a proibição de receber recursos financeiros de entidade ou governo estrangeiro ou subordinação a estes; a prestação de contas à Justiça Eleitoral e o funcionamento parlamentar de acordo com a lei. • A Constituição assegura aos partidos políticos autonomia para: definir estrutura e organização interna; liberdade para adoção dos critérios de escolha e o regime de suas coligações eleitorais; direito aos recursos do fundo partidário; acesso gratuito ao rádio e à televisão; e proibição de utilização de organização paramilitar. • Emenda Constitucional nº 97/2017: o Estabeleceu o fim das coligações eleitorais nas eleições proporcionais a partir das eleições 2020. As coligações nas eleições majoritárias (senadores, prefeitos, governadores e presidente) continuam sendo permitidas. Vide o tópico sobre Federações no fim do capítulo, conteúdo relacionado com o de coligações. o Implantou uma cláusula de desempenho eleitoral no art. 17, §3º, a partir das eleições de 2018, implantando-se de forma gradual até a consolidação no ano de 2030. Somente terão direito a recursos do fundo partidário e acesso gratuito ao rádio e à televisão, na forma da lei, os partidos políticos que alternativamente: I – obtiverem, nas eleições para a Câmara dos Deputados, no mínimo, 3% (três por cento) dos votos válidos, distribuídos em pelo menos um terço das unidades da Federação, com um mínimo de 2% (dois por cento) dos votos válidos em cada uma delas; ou II – tiverem elegido pelo menos quinze Deputados Federais distribuídos em pelo menos um terço das unidades da Federação. 3% dos votos válidos 2% dos votos válidos em cada unidade 15 Deputados Federais Como dito, tal regra será implantada de forma gradual, sendo exigidos os seguintes percentuais da seguinte forma: Legislatura seguinte às eleições de 2018 1,5% dos votos válidos 1% dos votos válidos em cada unidade I – obtiverem, nas eleições para a Câmara dos Deputados, no mínimo, 1,5% (um e meio por cento) dos votos válidos, distribuídos em pelo menos um terço das unidades da Federação, com um mínimo de 1% (um por cento) dos votos válidos em cada uma delas; ou Página 13 de 101 @mentoriaparatribunais @luizanicolle (86) 988021308 9 Deputados Federais II – tiverem elegido pelo menos nove Deputados Federais distribuídos em pelo menos um terço das unidades da Federação. Legislatura seguinte às eleições de 2022 2% dos votos válidos 1% dos votos válidos em cada unidade 11 Deputados Federais I – obtiverem, nas eleições para a Câmara dos Deputados, no mínimo, 2% (dois por cento) dos votos válidos, distribuídos em pelo menos um terço das unidades da Federação, com um mínimo de 1% (um por cento) dos votos válidos em cada uma delas; ou II – tiverem elegido pelo menos onze Deputados Federais distribuídos em pelo menos um terço das unidades da Federação. Legislatura seguinte às eleições de 2026 2,5% dos votos válidos 1,5% dos votos válidos em cada unidade 13 Deputados Federais I – obtiverem, nas eleições para a Câmara dos Deputados, no mínimo, 2,5% (dois e meio por cento) dos votos válidos, distribuídos em pelo menos um terço das unidades da Federação, com um mínimo de 1,5% (um e meio por cento) dos votos válidos em cada uma delas; ou II – tiverem elegido pelo menos treze Deputados Federais distribuídos em pelo menos um terço das unidades da Federação. ➢ Disciplina na Lei nº 9.096/95 (Lei Geral dos Partidos Políticos): • Conceito de partido político: é uma pessoa jurídica de direito privado destinada a assegurar, no interesse do regime democrático, a autenticidade do sistema representativo e defender os direitos fundamentais definidos na Constituição Federal. • Os partidos políticos não se equiparam às entidades para estatais. • Embora possuam autonomia de organização e de funcionamento, a partir de maio de 2020, os partidos passaram a ser obrigados por decisão do TSE a reservar cotas de gênero para as comissões executivas e para os diretórios municipais, estaduais e federais. • Art. 6º da Lei – disciplina a vedação constitucional de utilização de organização paramilitar por partidos políticos, sendo proibido ministrar instrução militar ou paramilitar, usar organização da mesma natureza e adotar uniforme para os seus membros. • Apoiamento mínimo: ✓ É o critério de verificação do caráter nacional do partido político, caráter exigido pela legislação para a criação dos partidos. Trata-se, portanto, de um requisito obrigatório. ✓ Art. 7º, §1º - só é admitido o registro do estatuto de partido político que tenha caráter nacional, considerando-se como tal aquele que comprove o apoiamento de eleitores correspondente a, pelo menos, meio por cento dos votos dados na última eleição geral para a Câmara dos Deputados, não computados os votos em branco e os nulos, distribuídos por um terço, ou mais, dos Estados, com um mínimo de um décimo por cento do eleitorado que haja votado em cada um deles. Importante frisar que a coleta de assinaturas de eleitores para formação do apoiamento mínimo deverá ocorrer durante o período de dois anos. Página 14 de 101 @mentoriaparatribunais @luizanicolle (86) 988021308 APOIAMENTO MÍNIMO – CARÁTER NACIONAL 0,5% dos votos válidos dados na última eleição para a Câmara dos Deputados Distribuição dos votos em 1/3 ou mais dos estados Com mínimo de 0,1% do eleitorado que haja votado em cada um deles. • Criação e registro dos partidos políticos: ✓ 1º fase: partido precisa requerer o registro no cartório do Registro Civil de pessoas jurídicas do local de sua sede, quando então adquirirá a sua personalidade jurídica. ✓ 2º fase: partido promove a obtenção do apoiamento mínimo. ✓ 3ª fase: realização do registro do estatuto do novo partido no TSE. Obs.: 1) Somente após o registro no TSE, é garantido ao partido o recebimento de recursos do fundo partidário, o acesso gratuito ao rádio e à TV e a exclusividade de sua denominação, sigla e símbolos, bem como a possibilidade de participar das eleições. 2) É necessário que o partido comunique ao TSE a constituição e as alterações de seus órgãos de direção nacional e os nomes dos respectivos integrantes, e aos TREs quando tais informações forem referentes aos órgãos de direção estaduais, municipais ou zonais. • Fusão, incorporaçãoprevistas no capítulo. Admite tentativa. CRIMES RELATIVOS AO TRANSPORTE DE ELEITORES Previsto na Lei nº 6.091/74 Previsão legal Observações Art. 11. Constitui crime eleitoral: I - descumprir, o responsável por órgão, repartição ou unidade do serviço público, o dever imposto no art. 3º, ou prestar, informação inexata que vise a elidir, total ou parcialmente, a contribuição de que ele trata: Pena - detenção de quinze dias a seis meses e pagamento de 60 a 100 dias - multa; II - desatender à requisição de que trata o art. 2º: Pena - pagamento de 200 a 300 dias-multa, além da apreensão do veículo para o fim previsto; III - descumprir a proibição dos artigos 5º, 8º e 10º; Pena - reclusão de quatro a seis anos e pagamento de 200 a 300 dias-multa (art. 302 do Código Eleitoral); IV - obstar, por qualquer forma, a prestação dos serviços previstos nos arts. 4º e 8º desta Lei, atribuídos à Justiça Eleitoral: Pena - reclusão de 2 (dois) a 4 (quatro) anos; V - utilizar em campanha eleitoral, no decurso dos 90 (noventa) dias que antecedem o pleito, veículos e embarcações pertencentes à União, Estados, Territórios, Municípios e respectivas autarquias e sociedades de economia mista: Pena - cancelamento do registro do candidato ou de seu diploma, se já houver sido proclamado eleito. Parágrafo único. O responsável, pela guarda do veículo ou da embarcação, será punido com a pena de detenção, de 15 (quinze) dias a 6 (seis) meses, e pagamento de 60 (sessenta) a 100 (cem) dias-multa. https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L4737.htm#art302 Página 98 de 101 @mentoriaparatribunais @luizanicolle (86) 988021308 CRIMES RELATIVOS AO RESULTADO LEGÍTIMO DAS ELEIÇÕES Previstos no Código Eleitoral (arts. 313 ao 318) e na Lei das Eleições (arts. 68 e 72) Previsão legal Observações Arts. 313, 314 e 315 do Código Eleitoral se referem à votação em urnas de lona. Art. 316 do CE. Não receber ou não mencionar nas atas da eleição ou da apuração os protestos devidamente formulados ou deixar de remetê-los à instância superior: Pena - reclusão até cinco anos e pagamento de 5 a 15 dias- multa. Crime omissivo Sujeito ativo: aqueles que participam do processo de apuração e integrantes da mesa receptora de votos. Art. 317 do CE. Violar ou tentar violar o sigilo da urna ou dos invólucros. Pena - reclusão de três a cinco anos. Sujeito ativo: qualquer pessoa. Art. 318 do CE. Efetuar a mesa receptora a contagem dos votos da urna quando qualquer eleitor houver votado sob impugnação (art. 190): Pena - detenção até um mês ou pagamento de 30 a 60 dias-multa. Sujeito ativo: mesários, sendo admitida a participação de terceiros. Art. 68 da Lei das Eleições. O boletim de urna, segundo modelo aprovado pelo Tribunal Superior Eleitoral, conterá os nomes e os números dos candidatos nela votados. § 1º O Presidente da Mesa Receptora é obrigado a entregar cópia do boletim de urna aos partidos e coligações concorrentes ao pleito cujos representantes o requeiram até uma hora após a expedição. § 2º O descumprimento do disposto no parágrafo anterior constitui crime, punível com detenção, de um a três meses, com a alternativa de prestação de serviço à comunidade pelo mesmo período, e multa no valor de um mil a cinco mil UFIR. Art. 72 da Lei das Eleições. Constituem crimes, puníveis com reclusão, de cinco a dez anos: I - obter acesso a sistema de tratamento automático de dados usado pelo serviço eleitoral, a fim de alterar a apuração ou a contagem de votos; II - desenvolver ou introduzir comando, instrução, ou programa de computador capaz de destruir, apagar, eliminar, alterar, gravar ou transmitir dado, instrução ou programa ou provocar qualquer outro resultado diverso do esperado em sistema de tratamento automático de dados usados pelo serviço eleitoral; III - causar, propositadamente, dano físico ao equipamento usado na votação ou na totalização de votos ou a suas partes. Página 99 de 101 @mentoriaparatribunais @luizanicolle (86) 988021308 CRIMES RELATIVOS À ORGANIZAÇÃO E FUNCIONAMENTO DOS SERVIÇOS ELEITORAIS Previstos no Código Eleitoral Previsão legal Observações Art. 296. Promover desordem que prejudique os trabalhos eleitorais; Pena - Detenção até dois meses e pagamento de 60 a 90 dias-multa. Conduta típica bastante genérica, sendo residual a outros tipos penais mais específicos. Sujeito ativo: qualquer pessoa. Art. 339 - Destruir, suprimir ou ocultar urna contendo votos, ou documentos relativos à eleição: Pena - reclusão de dois a seis anos e pagamento de 5 a 15 dias-multa. Parágrafo único. Se o agente é membro ou funcionário da Justiça Eleitoral e comete o crime prevalecendo-se do cargo, a pena é agravada. Sujeito ativo: qualquer pessoa. Art. 340. Fabricar, mandar fabricar, adquirir, fornecer, ainda que gratuitamente, subtrair ou guardar urnas, objetos, mapas, cédulas ou papéis de uso exclusivo da Justiça Eleitoral: Pena - reclusão até três anos e pagamento de 3 a 15 dias- multa. Parágrafo único. Se o agente é membro ou funcionário da Justiça Eleitoral e comete o crime prevalecendo-se do cargo, a pena é agravada. Art. 341. Retardar a publicação ou não publicar, o diretor ou qualquer outro funcionário de órgão oficial federal, estadual, ou municipal, as decisões, citações ou intimações da Justiça Eleitoral: Pena - detenção até um mês ou pagamento de 30 a 60 dias-multa. Crime próprio – somente pode ser praticado por quem tem o dever de realizar as publicações na imprensa oficial. Art. 342. Não apresentar o órgão do Ministério Público, no prazo legal, denúncia ou deixar de promover a execução de sentença condenatória: Pena - detenção até dois meses ou pagamento de 60 a 90 dias-multa. Crime próprio – somente pode ser praticado por membro do MP. Art. 343. Não cumprir o juiz o disposto no § 3º do Art. 357: Pena - detenção até dois meses ou pagamento de 60 a 90 dias-multa. Art. 357, § 3º. Se o órgão do Ministério Público não oferecer a denúncia no prazo legal representará contra ele a autoridade judiciária, sem prejuízo da apuração da responsabilidade penal. Art. 344. Recusar ou abandonar o serviço eleitoral sem justa causa: Pena - detenção até dois meses ou pagamento de 90 a 120 dias-multa. Sujeito ativo: qualquer pessoa que esteja convocada a servir à JE; É classificado como crime comissivo por omissão. Art. 345. Não cumprir a autoridade judiciária, ou qualquer funcionário dos órgãos da Justiça Eleitoral, nos prazos legais, os deveres impostos por este Código, se a infração não estiver sujeita a outra penalidade: Sujeito ativo: qualquer pessoa que atue na JE, ainda que temporariamente; Página 100 de 101 @mentoriaparatribunais @luizanicolle (86) 988021308 Pena - pagamento de trinta a noventa dias-multa. Art. 347. Recusar alguém cumprimento ou obediência a diligências, ordens ou instruções da Justiça Eleitoral ou opor embaraços à sua execução: Pena - detenção de três meses a um ano e pagamento de 10 a 20 dias-multa. Sujeito ativo: qualquer pessoa que pratique a conduta omissiva descrita dolosamente. Não admite tentativa. CRIMES CONTRA A FÉ PÚBLICA ELEITORAL Previstos no Código Eleitoral Previsão legal Observações Art. 348. Falsificar, no todo ou em parte, documento público, ou alterar documento público verdadeiro, para fins eleitorais: Pena - reclusão de dois a seis anos e pagamento de 15 a 30 dias-multa. § 1º Se o agente é funcionário público e comete o crime prevalecendo-se do cargo, a pena é agravada. § 2º Para os efeitos penais, equipara-se a documento público o emanado de entidade paraestatal inclusiveFundação do Estado. Sujeito ativo: qualquer pessoa. Admitida a tentativa. Falsificação ou alteração grosseira configura crime impossível. Art. 349. Falsificar, no todo ou em parte, documento particular ou alterar documento particular verdadeiro, para fins eleitorais: Pena - reclusão até cinco anos e pagamento de 3 a 10 dias- multa. Tipo semelhante ao anterior diferenciando-se apenas pela natureza do documento. Art. 350. Omitir, em documento público ou particular, declaração que dêle devia constar, ou nele inserir ou fazer inserir declaração falsa ou diversa da que devia ser escrita, para fins eleitorais: Pena - reclusão até cinco anos e pagamento de 5 a 15 dias- multa, se o documento é público, e reclusão até três anos e pagamento de 3 a 10 dias-multa se o documento é particular. Parágrafo único. Se o agente da falsidade documental é funcionário público e comete o crime prevalecendo-se do cargo ou se a falsificação ou alteração é de assentamentos de registro civil, a pena é agravada. O referido tipo penal já não aborda a falsidade material como os anteriores, mas sim a falsidade ideológica. Art. 352. Reconhecer, como verdadeira, no exercício da função pública, firma ou letra que o não seja, para fins eleitorais: Pena - reclusão até cinco anos e pagamento de 5 a 15 dias- multa se o documento é público, e reclusão até três anos e pagamento de 3 a 10 dias-multa se o documento é particular. Crime próprio – cometido apenas por pessoa no exercício de função pública. Art. 353. Fazer uso de qualquer dos documentos falsificados ou alterados, a que se referem os artigos. 348 a 352: Pena - a cominada à falsificação ou à alteração. Quem usa o documento falsificado incorre nas mesmas penas atribuídas a quem falsifica ou adultera. Página 101 de 101 @mentoriaparatribunais @luizanicolle (86) 988021308 Art. 354. Obter, para uso próprio ou de outrem, documento público ou particular, material ou ideologicamente falso para fins eleitorais: Pena - a cominada à falsificação ou à alteração. A prática desta conduta para fins de uso próprio do documento falsificado faz que com que o tipo penal previsto no art. 353 se torne mero exaurimento, quando se tratar do mesmo documento. Art. 354-A. Apropriar-se o candidato, o administrador financeiro da campanha, ou quem de fato exerça essa função, de bens, recursos ou valores destinados ao financiamento eleitoral, em proveito próprio ou alheio: Pena - reclusão, de dois a seis anos, e multa. Art. 326-A. Dar causa à instauração de investigação policial, de processo judicial, de investigação administrativa, de inquérito civil ou ação de improbidade administrativa, atribuindo a alguém a prática de crime ou ato infracional de que o sabe inocente, com finalidade eleitoral: Pena - reclusão, de 2 (dois) a 8 (oito) anos, e multa. § 1º A pena é aumentada de sexta parte, se o agente se serve do anonimato ou de nome suposto. § 2º A pena é diminuída de metade, se a imputação é de prática de contravenção. § 3º Incorrerá nas mesmas penas deste artigo quem, comprovadamente ciente da inocência do denunciado e com finalidade eleitoral, divulga ou propala, por qualquer meio ou forma, o ato ou fato que lhe foi falsamente atribuído. Esse artigo trata da chamada denunciação caluniosa com finalidade eleitoral. Boa prova!e extinção dos partidos políticos: ✓ Art. 27 da Lei - Quando um partido se dissolve, se incorpora ou se funde a outro, o seu registro fica cancelado junto ao ofício civil e ao TSE. ✓ Fusão – dois partidos se juntam e se extinguem para formar um novo partido. Dá-se através da elaboração de projetos comuns de estatuto e de programa pelos órgãos de direção nacional dos partidos envolvidos, os quais precisam ser aprovados em reunião conjunta entre os órgãos de deliberação nacional de ambos. Aprovados os documentos, será eleito um órgão de direção nacional que promoverá o registro do novo partido. Obs.: No caso da fusão, a existência legal do novo partido se inicia com o registro, no Cartório competente da sede do novo partido, do estatuto e do programa, sendo, portanto, reconhecida sua existência antes mesmo da averbação de seu estatuto no TSE. Ademais, é desnecessária a obtenção do apoiamento mínimo. ✓ Incorporação – um partido deixa de existir, passando a integrar outro partido. O partido incorporando delibera, por maioria absoluta do órgão nacional de deliberação, sobre a adoção do programa e do estatuto de outro partido. Realiza-se uma eleição do novo órgão de direção nacional, reunidos os órgãos nacionais de deliberação dos dois partidos. Enfim, o instrumento de incorporação é levado ao Cartório competente do Distrito Federal para cancelar o registro do partido incorporado. Obs.: Até que haja legislação específica sobre o caso, havendo incorporação de partidos, as sanções que forem aplicadas aos órgãos partidários regionais e municipais do partido incorporado, inclusive as decorrentes de prestação de contas e as de responsabilização de dirigentes, não serão aplicadas ao partido incorporador nem aos novos dirigentes, mas tão somente aos que já integravam o partido incorporado (EC 111/2021). ✓ Extinção – O partido pode se dissolver de acordo com a previsão do seu próprio estatuto ou ter seu registro civil e estatuto cancelados após decisão judicial transitada em julgado proferida pelo TSE. Página 15 de 101 @mentoriaparatribunais @luizanicolle (86) 988021308 Hipóteses de cancelamento do registro e do estatuto do partido Recebimento de recursos financeiros de procedência estrangeira Subordinação à entidade ou a governo estrangeiro Ausência de prestação de contas à Justiça Eleitoral Manutenção de organização paramilitar Obs.: 1) A denúncia para promover o cancelamento pode ser feita por qualquer eleitor, por representante de partido ou pelo Procurador-Geral Eleitoral. 2) Atos praticados por órgãos regionais ou municipais não ensejam punições ao partido político em nível nacional. • Funcionamento parlamentar e cláusula de barreira: ✓ Conceito de funcionamento parlamentar: art. 12 – o partido funciona nas casas legislativas por intermédio de uma bancada, que deve constituir suas lideranças de acordo com o estatuto do partido, as disposições regimentais das respectivas casas e as normas desta Lei. ✓ A cláusula de barreira constitui regras de desempenho eleitoral para as agremiações partidárias. A atual regulamentação foi estatuída pela Emenda Constitucional nº 97/2017, conforme já exposto acima: Somente terão direito a recursos do fundo partidário e acesso gratuito ao rádio e à televisão, na forma da lei, os partidos políticos que alternativamente: I – obtiverem, nas eleições para a Câmara dos Deputados, no mínimo, 3% (três por cento) dos votos válidos, distribuídos em pelo menos um terço das unidades da Federação, com um mínimo de 2% (dois por cento) dos votos válidos em cada uma delas; ou II – tiverem elegido pelo menos quinze Deputados Federais distribuídos em pelo menos um terço das unidades da Federação. 3% dos votos válidos 2% dos votos válidos em cada unidade 15 Deputados Federais Como dito, tal regra será implantada de forma gradual, consolidando-se no ano de 2030, sendo exigidos os seguintes percentuais da seguinte forma: Legislatura seguinte às eleições de 2018 1,5% dos votos válidos 1% dos votos válidos em cada unidade 9 Deputados Federais I – obtiverem, nas eleições para a Câmara dos Deputados, no mínimo, 1,5% (um e meio por cento) dos votos válidos, distribuídos em pelo menos um terço das unidades da Federação, com um mínimo de 1% (um por cento) dos votos válidos em cada uma delas; ou II – tiverem elegido pelo menos nove Deputados Federais distribuídos em pelo menos um terço das unidades da Federação. Página 16 de 101 @mentoriaparatribunais @luizanicolle (86) 988021308 Legislatura seguinte às eleições de 2022 2% dos votos válidos 1% dos votos válidos em cada unidade 11 Deputados Federais I – obtiverem, nas eleições para a Câmara dos Deputados, no mínimo, 2% (dois por cento) dos votos válidos, distribuídos em pelo menos um terço das unidades da Federação, com um mínimo de 1% (um por cento) dos votos válidos em cada uma delas; ou II – tiverem elegido pelo menos onze Deputados Federais distribuídos em pelo menos um terço das unidades da Federação. Legislatura seguinte às eleições de 2026 2,5% dos votos válidos 1,5% dos votos válidos em cada unidade 13 Deputados Federais I – obtiverem, nas eleições para a Câmara dos Deputados, no mínimo, 2,5% (dois e meio por cento) dos votos válidos, distribuídos em pelo menos um terço das unidades da Federação, com um mínimo de 1,5% (um e meio por cento) dos votos válidos em cada uma delas; ou II – tiverem elegido pelo menos treze Deputados Federais distribuídos em pelo menos um terço das unidades da Federação. • Estatuto do partido: ✓ Deve conter regras sobre: nome; denominação abreviada; sede no território nacional; filiação e desligamento dos membros; direitos e deveres dos filiados; organização e administração; fidelidade e disciplina partidárias; condições e formas de escolha dos candidatos a cargos e funções eletivas; finanças e contabilidade; distribuição dos recursos do fundo partidário entre os órgãos em nível municipal, estadual e nacional; e procedimento para reformas o programa e o próprio estatuto. • Responsabilidade civil e trabalhista dos órgãos partidários: ✓ Art. 15 da Lei – a responsabilidade cabe apenas ao órgão partidário que tiver dado causa ao não cumprimento de obrigação civil e trabalhista ou a outro ato ilícito, sendo afastada qualquer solidariedade os demais órgãos de direção partidária. • Disciplina e fidelidade partidárias: ✓ A responsabilidade por violação dos deveres partidários deve ser apurada e punida por cada partido de acordo com as previsões estatutárias, devendo ser assegurada a ampla defesa ao filiado. Disciplina partidária Fidelidade partidária Instituto de direito privado; Instituto de direito público; Relaciona o partido político aos seus filiados; Relaciona o partido político ao mandatário e ao eleitor; O filiado indisciplinado pode ser advertido, suspenso ou expulso do partido, sem que haja perda de eventual mandato que seja exercido, haja vista se tratar de questão interna do partido. O ato de infidelidade acarreta a perda do mandato político exercido por seu praticante. ✓ Súmula 67 do TSE: A perda do mandato em razão da desfiliação partidária não se aplica aos candidatos eleitos pelo sistema majoritário. Página 17 de 101 @mentoriaparatribunais @luizanicolle (86) 988021308 ✓ TSE possui entendimento (consulta nº 1398) de que os mandatos de deputados e de vereadores pertencem aos partidos políticos e não aos candidatos eleitos. ✓ Resolução TSE 22.610/08: - Disciplina o processo de perda de cargo eletivo por atos de infidelidade partidária e de justificação de desfiliação partidária (procedimento admitido pelo STF e usado pelo mandatário para preservar seu cargo). - Legitimados parapropor a ação de perda de mandato por infidelidade partidária: partido político no prazo de 30 dias. Após este prazo, em novo prazo de 30 dias, qualquer interessado jurídico ou o Ministério Público pode ajuizar a demanda. - TSE tem competência para processar e julgar ações de perda de mandato eletivo de deputados federais, de senadores, do presidente e do vice-presidente da república. - TREs têm competência para processar e julgar ações de perda de mandato eletivo de governador, de vice-governador, de prefeito, de vice-prefeito, de deputado estadual e de vereador. ✓ Perde o mandato o detentor de cargo eletivo que se desfiliar do partido pelo qual foi eleito sem justa causa. ✓ Justa causa para troca de partido sem perda de mandato por infidelidade partidária – disciplinada pelo art. 22 da Lei 9.096/95: - mudança substancial ou desvio reiterado do programa partidário; - grave discriminação política pessoal; - mudança de partido efetuada durante o período de 30 dias que antecede o prazo de filiação exigido em lei para concorrer à eleição, majoritária ou proporcional, ao término do mandato vigente. Obs: Emenda Constitucional nº 111/2021 – alterou o art. 17, §6º, da CF – Deputados federais, deputado estaduais, deputados distritais e vereadores que se desligarem do partido pelo qual tenham sido eleitos perderão o mandato, exceto: - nos casos de anuência do partido; - ou de outras hipóteses de justa causa estabelecidas em lei; Não sendo computada em qualquer caso a migração de partido para fins de distribuição de recursos do fundo partidário ou de outros fundos públicos e do acesso gratuito ao rádio e à TV. ✓ Art. 26, §4º da Resolução TSE 23.596/2019: A pedido do partido político pelo qual se elegeu o parlamentar, do MP Eleitoral ou de suplentes dos eleitos, os TREs fornecerão relação informando as desfiliações e migrações partidárias efetuadas pelos titulares de mandatos eletivos proporcionais e de suplentes corridas nos últimos 60 dias, a fim de subsidiar eventuais ações de perda de mandato. • Filiação partidária: ✓ Trata-se de uma das condições de elegibilidade, prevista no texto constitucional no art. 14, §3º, V. A CF prevê como condição de elegibilidade, mas não estabelece o prazo mínimo desta filiação, cabendo à Lei das Eleições (Lei 9.504/97) definir o prazo geral mínimo3 de filiação partidária exigível para que alguém possa concorrer a um cargo eletivo. Atualmente, o prazo mínimo de filiação é de até seis meses antes do pleito.4 ✓ Eleitor considerado inelegível pode se filiar a partido, conforme entendimento do TSE em sede de Resolução nº 23.117/2009. 3 O prazo apresentado pela Lei das Eleições é o prazo mínimo, de maneira que cada partido pode exigir prazos maiores de filiação para que seja lançada a candidatura de seus filiados. 4 O prazo mínimo de domicílio eleitoral também é de seis meses antes do pleito. Página 18 de 101 @mentoriaparatribunais @luizanicolle (86) 988021308 ✓ A filiação partidária é deferida quando atendidas as regras do estatuto do partido (art. 17 da Lei 9.096/95). ✓ O filiado pode se desligar do partido a qualquer tempo, por escrito, em comunicação dirigida ao órgão de direção municipal do partido e ao juiz eleitoral da zona onde for inscrito como eleitor. ✓ Cancelamento de filiação partidária para se filiar a outro partido: art. 22, V, da Lei Geral dos Partidos Políticos – é imediatamente cancelada a inscrição partidária de quem se filia a outro partido, desde que tal fato venha a ser comunicado ao juiz eleitoral da zona respectiva. ✓ Duplicidade de filiação: art. 22, parágrafo único, da Lei Geral dos Partidos Políticos – a filiação partidária mais recente prevalece sobre as anteriores (antes da modificação promovida pela Lei nº 12.891/13, ambas as filiações eram consideradas nulas para todos os efeitos). ✓ Cancelamento imediato da filiação: morte; perda (não é suspensão!!!!!) dos direitos políticos; expulsão; dentre outras formas previstas no estatuto do partido. ✓ Em caso de fusão e incorporação, os filiados serão automaticamente considerados filiados ao novo partido ou ao partido incorporador, mantidos os prazos de filiação relativos ao partido antigo. ✓ Sistema FILIA: o Resolução TSE 23.596/19 cria o sistema FILIA e estabelece procedimentos para filiação e para desfiliação de cidadãos a partidos políticos. o Somente pode se filiar a partido político o eleitor que estiver em pleno gozo dos seus direitos políticos, salvo o caso de filiação de eleitor considerado inelegível acima exposto. o A filiação pode ser requerida em face de qualquer órgão partidário, obedecido o estatuto. o Sistema FILIA é usado em todo o território nacional para anotação das filiações partidárias. Deferidas as filiações pelos partidos, estas devem ser comunicadas à Justiça Eleitoral por meio do FILIA, que enviará automaticamente aos juízes eleitorais relação dos nomes dos filiados (com data de filiação, número dos títulos eleitorais e das seções em que estão inscritos) para fins de arquivamento, publicação e cumprimento dos prazos para candidaturas. o A prova da filiação, inclusive para fins de candidatura, é feita por meio dos registros no FILIA. Inexistindo registro no referido sistema, a prova da filiação se dará por outros meios de convicção, no bojo do processo de registro de candidatura ou por meio de requerimento ao juízo da zona eleitoral em que for inscrito para inclusão do nome nos registros oficiais do partido (art. 11, §2º, da Resolução). Não são admitidos como prova de filiação documentos produzidos de forma unilateral, sem fé pública. o Havendo suspensão dos direitos políticos: - filiação será nula quando realizada durante o período de suspensão dos direitos; - filiação será suspensa, se for preexistente à suspensão dos direitos políticos. o Procedimento de desfiliação: o filiado comunica por escrito ao órgão de direção municipal ou zonal. O representante do partido lança recibo na comunicação realizada pelo eleitor, o qual servirá de anexo à comunicação de desfiliação feita ao juízo eleitoral, após a qual o Cartório Eleitoral providenciará o imediato registro no sistema FILIA. Após dois dias da data da entrega da comunicação no cartório eleitoral, o vínculo de filiação é considerado extinto para todos os efeitos. • Finanças e contabilidade dos partidos políticos: Página 19 de 101 @mentoriaparatribunais @luizanicolle (86) 988021308 ✓ Tema disciplinado no título III da Lei 9.096/95. ✓ Os partidos políticos são obrigados a enviar à Justiça Eleitoral, anualmente, até o dia 30 de junho do ano seguinte, os balanços contábeis do exercício findo. TSE recebe os balanços do órgão nacional; TREs recebem os balanços dos órgãos estaduais; Juízes eleitorais recebem os balanços dos órgãos municipais. ✓ Quem analisa as prestações de contas dos partidos é a Justiça Eleitoral e não os Tribunais de Contas. A Justiça Eleitoral pode requisitar técnicos do Tribunal de Contas da União e dos Estados pelo tempo que for necessário para analisar as prestações de contas. ✓ Apuração de ilícitos: O filiado ou delegado de partido pode apresentar denúncia fundamentada ou o Ministério Público Eleitoral pode oferecer representação ou por iniciativa do corregedor. Mediante a iniciativa de algum dos legitimados, o TSE e os TREs determinarão a análise da escrituração contábil do partido e a apuração de atos que violem a lei ou o estatuto do partido, podendo ser determinada até mesmo a quebra do sigilo bancários das contas dos partidos. ✓ Os partidos não podem receber contribuição em dinheiro ou estimável em dinheiro, direta ou indiretamente, que seja procedente de: o Entidade ou governo estrangeiro; o Entes públicos e pessoas jurídicas de qualquer natureza, ressalvadas as dotações referidas no art. 38 desta Lei (Fundo Partidário)e as provenientes do Fundo Especial de Financiamento de Campanha; o Entidade de classe ou sindical; o Pessoas físicas que exerçam função ou cargo público de livre nomeação e exoneração, ou cargo ou emprego público temporário, ressalvados os filiados a partido político. ✓ Art. 32, §5º - A desaprovação da prestação de contas do partido não enseja sanção que o impeça de participar do pleito eleitoral. ✓ Art. 37 – A desaprovação das contas do partido implica apenas a sanção de devolução da importância apontada como irregular, acrescida da multa de 20% (vinte por cento). Referida sanção deve ser aplicada de forma proporcional e razoável pelo período de 1 a 12 meses. ✓ Partido pode utilizar, de forma gratuita, prédios públicos para promover reuniões ou convenções, ficando responsável por eventuais danos que ocorram ao patrimônio público. ✓ O exame das prestações de contas apresentadas pelos partidos tem caráter jurisdicional. ✓ Art. 37 – A: A falta de prestação de contas implicará a suspensão de novas cotas do fundo partidário enquanto perdurar a inadimplência e sujeitará os responsáveis às penas da lei. ✓ Se não há movimentação de recursos financeiros ou arrecadação de bens estimáveis em dinheiro: os órgãos partidários municipais são desobrigados de prestar contas à Justiça Eleitoral e de enviar declarações de isenção, declarações de débitos e de créditos tributários federais ou demonstrativos contábeis à Receita Federal e da certificação digital. É necessário apenas que o responsável partidário apresente declaração de ausência de movimentação de recursos no respectivo período anterior até o dia 30 de junho. ✓ As decisões tomadas pela Justiça Eleitoral no bojo dos processos de prestação de contas não implicam, mesmo que estas sejam desaprovadas, a inscrição dos dirigentes partidários no CADIN (Cadastro Informativo dos Créditos não quitados do Setor Público Federal). Página 20 de 101 @mentoriaparatribunais @luizanicolle (86) 988021308 ✓ Art. 37, §15: As responsabilidades civil e criminal oriundas de ilícitos relacionados às prestações de contas partidárias são de natureza subjetiva, de forma que apenas o dirigente partidário responsável pelo órgão partidário à época poderá ser responsabilizado. Não haverá impedimento, portanto, para que o órgão partidário receba recursos do fundo partidário. ✓ Fundo partidário: art. 38 e seguintes da Lei. o Trata-se do Fundo Especial de Assistência Financeira aos Partidos Políticos. o Recursos que constituem o Fundo Partidário: ❖ Cheques cruzados; ❖ Depósitos em espécie devidamente identificados; ❖ Mecanismo disponível em sítio do partido na internet que permita o uso de cartão de crédito, cartão de débito, emissão on-line de boleto bancário ou convênios de débitos em conta, no formato único ou no formato recorrente, e outras modalidades, desde que permita a identificação do doador e a emissão obrigatória de recibo eleitoral para cada doação realizada. o Forma de aplicação dos recursos oriundos do Fundo Partidário: Art. 44. Os recursos oriundos do Fundo Partidário serão aplicados: I - na manutenção das sedes e serviços do partido, permitido o pagamento de pessoal, a qualquer título, observado, do total recebido, os seguintes limites: (Redação dada pela Lei nº 13.165, de 2015) a) 50% (cinquenta por cento) para o órgão nacional; (Incluído pela Lei nº 13.165, de 2015) b) 60% (sessenta por cento) para cada órgão estadual e municipal; (Incluído pela Lei nº 13.165, de 2015) II - na propaganda doutrinária e política; III - no alistamento e campanhas eleitorais; IV - na criação e manutenção de instituto ou fundação de pesquisa e de doutrinação e educação política, sendo esta aplicação de, no mínimo, vinte por cento do total recebido. V - na criação e manutenção de programas de promoção e difusão da participação política das mulheres, criados e executados pela Secretaria da Mulher ou, a critério da agremiação, por instituto com personalidade jurídica própria presidido pela Secretária da Mulher, em nível nacional, conforme percentual que será fixado pelo órgão nacional de direção partidária, observado o mínimo de 5% (cinco por cento) do total; (Redação dada pela Lei nº 13.877, de 2019) VI - no pagamento de mensalidades, anuidades e congêneres devidos a organismos partidários internacionais que se destinem ao apoio à pesquisa, ao estudo e à doutrinação política, aos quais seja o partido político regularmente filiado; (Incluído pela Lei nº 13.165, de 2015) VII - no pagamento de despesas com alimentação, incluindo restaurantes e lanchonetes. (Incluído pela Lei nº 13.165, de 2015) VIII - na contratação de serviços de consultoria contábil e advocatícia e de serviços para atuação jurisdicional em ações de controle de constitucionalidade e em demais processos judiciais e administrativos de interesse partidário, bem como nos litígios que envolvam candidatos do partido, eleitos ou não, relacionados exclusivamente ao processo eleitoral; (Incluído pela Lei nº 13.877, de 2019) https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13165.htm#art3 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13165.htm#art3 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13165.htm#art3 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13165.htm#art3 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13877.htm#art1 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13165.htm#art3 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13165.htm#art3 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13165.htm#art3 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13877.htm#art1 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13877.htm#art1 Página 21 de 101 @mentoriaparatribunais @luizanicolle (86) 988021308 IX - (VETADO); (Incluído pela Lei nº 13.877, de 2019) X - na compra ou locação de bens móveis e imóveis, bem como na edificação ou construção de sedes e afins, e na realização de reformas e outras adaptações nesses bens; (Incluído pela Lei nº 13.877, de 2019) XI - no custeio de impulsionamento, para conteúdos contratados diretamente com provedor de aplicação de internet com sede e foro no País, incluída a priorização paga de conteúdos resultantes de aplicações de busca na internet, inclusive plataforma de compartilhamento de vídeos e redes sociais, mediante o pagamento por meio de boleto bancário, de depósito identificado ou de transferência eletrônica diretamente para conta do provedor, proibido, nos anos de eleição, no período desde o início do prazo das convenções partidárias até a data do pleito. (Redação dada pela Lei nº 14.291, de 2022) o Nas prestações de contas partidárias, devem ser discriminadas as despesas realizadas com os recursos do Fundo; o A Justiça Eleitoral poderá, a qualquer tempo, investigar a aplicação de recursos provenientes deste Fundo. o Distribuição do Fundo: ❖ 5% (cinco por cento) serão destacados para entrega, em partes iguais, a todos os partidos que atendam aos requisitos constitucionais de acesso aos recursos do Fundo Partidário; ❖ 95% (noventa e cinco por cento) serão distribuídos aos partidos na proporção dos votos obtidos na última eleição geral para a Câmara dos Deputados. o Todos os depósitos e todas as movimentações dos recursos do Fundo serão feitos em estabelecimentos bancários controlados pelo Poder Público Federal, pelo Poder Público Estadual ou, não havendo estes, em banco escolhido pelo órgão de direção do partido. o Havendo o cancelamento ou a caducidade do órgão de direção nacional do partido, a quota correspondente ao referido partido reverterá ao Fundo Partidário. • Doacesso gratuito ao rádio e à tv: ✓ De acordo com a Lei nº 14.291/22, é permitida a propaganda partidária gratuita no rádio e na tv em semestres não eleitorais, sendo realizada entre as 19:30 hrs e as 22:30 hrs, em âmbito nacional e estadual, por iniciativa e sob a responsabilidade dos respectivos órgãos de direção partidária (Art. 50- A). ✓ Em cada rede, as transmissões se dão em bloco através de inserções (até 10) de 30 segundos por dia, durante o intervalo da programação normal da emissora. ✓ Cabe ao órgão partidário apresentar à Justiça Eleitoral requerimento para fixar as datas de cadeia nacional/estadual. TSE autoriza formação de cadeia nacional e TREs a formação de cadeias estaduais. ✓ As inserções deverão ser veiculadas pelas emissoras de rádio e de televisão, divididas proporcionalmente dentro dos intervalos comerciais no decorrer das 3 (três) horas de veiculação, da seguinte forma: na primeira hora de veiculação, no máximo 3 (três) inserções; na segunda hora de veiculação, no máximo 3 (três) inserções; na terceira hora de veiculação, no máximo 4 (quatro) inserções. https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13877.htm#art1 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13877.htm#art1 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13877.htm#art1 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2022/Lei/L14291.htm#art1 Página 22 de 101 @mentoriaparatribunais @luizanicolle (86) 988021308 ✓ É vedada a veiculação de inserções sequenciais, observado obrigatoriamente o intervalo mínimo de 10 (dez) minutos entre cada veiculação. ✓ As inserções serão veiculadas da seguinte forma: I - as nacionais: nas terças-feiras, quintas-feiras e sábados; II - as estaduais: nas segundas-feiras, quartas-feiras e sextas-feiras. SEQUÊNCIA DAS INSERÇÕES Segunda Terça Quarta Quinta Sexta Sábado Domingo Estaduais Nacionais Estaduais Nacionais Estaduais Nacionais X ✓ A utilização do acesso gratuito ao rádio e à tv pelos partidos que tenham cumprido as condições do art. 17, §3º da CF, se dá de forma proporcional à bancada eleita em cada eleição geral, de acordo com a seguinte tabela: Proporção para acesso gratuito ao rádio e à tv Quantidade de Deputados Federais Tempo total de minutos acima de 20 (vinte) Deputados Federais utilização do tempo total de 20 (vinte) minutos por semestre para inserções de 30 (trinta) segundos nas redes nacionais, e de igual tempo nas emissoras estaduais entre 10 (dez) e 20 (vinte) Deputados Federais utilização do tempo total de 10 (dez) minutos por semestre para inserções de 30 (trinta) segundos nas redes nacionais, e de igual tempo nas emissoras estaduais até 9 (nove) Deputados Federais utilização do tempo total de 5 (cinco) minutos por semestre para inserções de 30 (trinta) segundos nas redes nacionais, e de igual tempo nas redes estaduais ✓ Havendo descumprimento pelo partido das regras atinentes à propaganda partidária no rádio e na televisão, haverá punição de cassação do tempo equivalente a 2 a 5 vezes o tempo de inserção ilícita, no semestre seguinte. o Neste caso, poderá ser oferecida representação por partido político ou pelo Ministério Público Eleitoral. o TSE julgará – inserções nacionais; o TREs julgarão – inserções transmitidas nos Estados correspondentes. • Coligações partidárias: ✓ Podem ser conceituadas como acordos feitos entre dois ou mais partidos para apresentação nas eleições de uma mesma ou das mesmas candidaturas. ✓ Os partidos normalmente deliberam acerca da formação ou não de coligações durante as convenções partidárias (que podem ocorrer entre os dias 20 de julho e 05 de agosto do ano eleitoral). Página 23 de 101 @mentoriaparatribunais @luizanicolle (86) 988021308 ✓ São disciplinadas na Constituição (art. 17, §1º) e na Lei das Eleições (Lei nº 9.504/97). ✓ Art. 17, §1º, da CF – Os partidos possuem autonomia para adotar os critérios de escolha e os regimes das suas coligações eleitorais, sem que haja obrigatoriedade de vinculação entre as candidaturas em âmbito nacional, estadual, distrital ou municipal. ✓ Só são permitidas coligações eleitorais apenas nas eleições majoritárias, sendo vedadas as coligações proporcionais. ✓ As coligações surgem nas convenções partidárias e se extingue no final do processo eleitoral. ✓ As coligações possuem denominação própria, podendo ser a junção de todas as siglas dos partidos que a compõem, e funcionam como um só partido quando se relacionam com a Justiça Eleitoral e no trato de interesses interpartidários. o As denominações das coligações não podem coincidir, incluir ou fazer referência a nome ou a número de candidato, nem podem conter pedidos de votos para partidos políticos. ✓ O art. 6º, §4º da Lei das Eleições (Lei nº 9.504/97) estabelece que, uma vez coligado, o partido político só está legitimado para atuar de forma isolada no processo eleitoral na hipótese de questionar a validade da própria coligação durante o período entre a convenção e o termo final do prazo para impugnar os registros de candidatos. ✓ Feita a coligação, os candidatos filiados a qualquer dos partidos dela integrantes podem se inscrever para concorrer ao cargo eletivo. o Nesse caso, o pedido de registro de candidatura deve ser subscrito pelos presidentes dos partidos coligados, por seus delegados, pela maioria dos membros dos respectivos órgãos executivos de direção ou por representante da coligação. • Federações partidárias: por ser uma novidade legislativa, será um conteúdo muito explorado em provas! ✓ Art. 11-A da Lei 9.096/95 (Lei dos partidos políticos), acrescido pela Lei 14.208/21: Dois ou mais partidos poderão se reunir em federação, a qual, após sua constituição e registro perante o TSE, atuará como se fosse uma única agremiação partidária. ✓ A federação deve ser previamente constituída na forma de associação, que precisa ser registrada no Cartório de Registro Civil das Pessoas Jurídicas de sua sede, quando então adquire personalidade jurídica. Após isso, apresenta-se o pedido de registro junto ao TSE. ✓ Aplicam-se às federações todas as regras sobre funcionamento parlamentar e sobre fidelidade partidária, havendo, contudo, preservação da identidade e da autonomia dos partidos que as integram. ✓ Regras para criação de uma federação: o Somente pode ser integrada por partidos com registro definitivo no TSE; o Os partidos devem permanecer filiados à federação por, no mínimo, 4 anos; o A federação pode ser constituída até a data final o período de realização das convenções partidárias; o A federação tem abrangência nacional e deve ser registrada no TSE. ✓ A federação vigora por tempo indeterminado, devendo os partidos permanecer em sua estrutura por no mínimo 4 anos, contados a partir da data do seu ingresso. Página 24 de 101 @mentoriaparatribunais @luizanicolle (86) 988021308 ✓ Se um partido descumprir o prazo mínimo de adesão à federação, sofrerá as seguintes penalidades: o Vedação de ingressar em federação; o Vedação de celebrar coligação nas 2 eleições seguintes; o Vedação de utilização do fundo partidário até completar o prazo mínimo remanescente. ✓ Se algum partido se desligar da federação, esta poderá funcionar até a eleição seguinte se nela permanecer 2 ou mais partidos. ✓ Poderá participar da eleição de forma isolada o partido político que se desligar da federação até 6 meses antes do pleito, sem prejuízo da aplicação das sanções acima referidas em sendo o caso. ✓ As federações podem ser constituídas para atuarem nas eleições proporcionais e será o estatuto que definirá as regras para a composição da lista dos candidatos. ✓ Serão aplicadas às federações todas as regras que se aplicam aos partidos políticos em face das eleições, desde escolha e registro de candidatos até propagandaeleitoral, contagem de votos e prestação de contas, por exemplo. ✓ O detentor de mandato eletivo que se desfiliar, sem justa causa, do partido que integra a federação perderá seu mandato. ✓ TSE possui a Resolução 23.670/2021, que dispõe sobre as federações. ✓ Quanto à cláusula de desempenho ou de barreira, será considerada a soma da votação e da representação de todos os partidos que integram a federação, o que só poderá incidir a partir do início da legislatura seguinte ao deferimento do registro da federação. ✓ Uma federação só pode participar de uma eleição se o seu registro no TSE for deferido até 6 meses antes das eleições, observadas todas as demais regras referentes ao registro de candidaturas. ✓ O funcionamento da federação não depende, no caso dos estados, no DF e nos municípios, de formação de órgãos próprios. É bastante que haja apenas órgão de algum dos partidos que a compõem. ✓ Extinção ou alteração da composição (inclusão ou exclusão de partidos) ou alteração do estatuto da federação podem ser requeridos perante o Cartório de Registro das Pessoas Jurídicas. ✓ Extinta a federação, cessam seus efeitos imediatamente e haverá redistribuição do fundo partidário. ✓ Controvérsias entre os partidos sobre o funcionamento da federação é de competência da justiça comum! À Justiça Eleitoral cabe processar e julgar demandas que versem sobre registro e alterações da composição ou que impactem o processo eleitoral. ✓ Em sede de eleições proporcionais, a observância do percentual mínimo de candidaturas por gênero deve se dar tanto no âmbito da federação quanto em cada partido dela componente. Página 25 de 101 @mentoriaparatribunais @luizanicolle (86) 988021308 JUSTIÇA ELEITORAL ➢ A Justiça Eleitoral é competente para administrar o processo de realização das eleições, bem como das consultas populares, conhecidos como plebiscitos e referendos, e para exercer função jurisdicional durante o processo eleitoral, que se inicia com o alistamento eleitoral e vai até, de forma geral, a diplomação dos eleitos. A exceção a este encerramento ocorre quando a Justiça Eleitoral precisa julgar ações como Ação de Impugnação de Mandato Eletivo, as quais são propostas após a diplomação. ➢ Funções da Justiça Eleitoral: Funções da Justiça Eleitoral Jurisdicional Executiva Legislativa (normativa) Consultiva • - Trata-se de função típica da Justiça Eleitoral, atuando em todas as fases do processo eleitoral. - FASES DO PROCESSO ELEITORAL: * Alistamento eleitoral; * Convenções para escolha dos candidatos; * Registro de candidaturas; * Propaganda política; * Votação e apuração de votos; * Proclamação dos eleitos e diplomação dos eleitos. - Em casos excepcionais de ajuizamento de Ação de Impugnação de Mandato Eletivo, de Recurso contra a diplomação e de Ação Rescisória Eleitoral, a competência da JE é prorrogada para além da diplomação. - Também é da competência da JE a execução fiscal de multa eleitoral. - No caso de atos infracionais equiparados a delitos eleitorais praticados por menores de 18 anos, a competência é do juízo especializado da infância e da - Função com aplicação muito acentuada na JE. - Envolve a organização e administração das eleições e dos plebiscitos e referendos. - É dessa função que se origina o PODER DE POLÍCIA, previsto no art. 41 da Lei 9.594/97. É exercido por juízes eleitorais para combater propaganda irregular, vedada a censura prévia sobre o teor de programas a serem exibidos na TV, no rádio ou na internet. Deve ser sempre aplicado de forma proporcional, residual, excepcional e interpretado de forma restritiva, para que não haja ameaças ao exercício do direito à liberdade de expressão. Vale lembrar que o juiz eleitoral não possui competência para impor de forma imediata multas aos infratores da propaganda irregular, as quais serão aplicadas apenas mediante o devido processo legal, oriundo de representação ajuizada pelos legitimados (partido político, coligação ou candidato). - Trata-se do poder regulamentar, previsto pelo Código Eleitoral e pela Lei 9.504/97. - Art. 105 da Lei 9.504/97: Até o dia 05 de março do ano da eleição, o TSE, atendendo ao caráter regulamentar e sem restringir direitos ou estabelecer sanções distintas das previstas na Lei, poderá expedir todas as instruções necessárias para sua fiel execução, ouvidos, previamente, em audiência pública, os delegados ou representantes dos partidos políticos. - Assim, o poder regulamentar exercido pela JE é limitado. - As consultas são previstas nos arts. 23, XII, e 30, VIII, do Código Eleitoral. - TSE e TREs podem responder a consultas em tese formuladas por partidos políticos ou por autoridades públicas. - A consulta é formulada em abstrato, sobre tema previsto no Código Eleitoral, na legislação esparsa ou na CF/88. Página 26 de 101 @mentoriaparatribunais @luizanicolle (86) 988021308 juventude. Em caso de menor que seja autor ou réu de qualquer outra ação eleitoral, a JE será competente para processar e julgar. - Ações envolvendo matéria interna corporis dos partidos políticos são da competência da Justiça Comum. - Processos que versam sobre perda de mandado por infidelidade partidária, ainda que o ato seja praticado após a diplomação, serão da competência da JE. ➢ Organização e competência da JE: • Art. 118, CF: Os órgãos da JE são: Tribunal Superior Eleitoral (TSE); Tribunais Regionais do Trabalho (TREs), juízes eleitorais e juntas eleitorais. ÓRGÃOS DA JUSTIÇA ELEITORAL TSE TREs Juízes Eleitorais Juntas Eleitorais - Órgão de cúpula, sediado em Brasília. - Há um TRE na capital de cada estado e no DF. - Atuam nas zonas eleitorais. - Também configuram órgão da primeira instância da JE. Composição 7 membros escolhidos mediante eleição por voto secreto (art. 119, CF): * 3 membros dentre os ministros do STF; * 2 membros dentre os ministros do STJ; * 2 advogados de notável saber jurídico e idoneidade moral, indicados por lista sêxtupla elaborada pelo STF e nomeados pelo Presidente da República. Composição 7 membros escolhidos por voto secreto (art. 120, CF): * 2 membros dentre desembargadores do TJ; * 2 membros dentre juízes de direito, escolhidos pelo TJ; * 1 membro juiz federal escolhido pelo TRF respectivo (se a capital for sede de TRF, comporá o TRE um desembargador federal oriundo do TRF); * 2 advogados de notável saber jurídico e idoneidade moral, indicados por lista sêxtupla elaborada pelo TJ e nomeados pelo Presidente da República. Composição - São juízes de direito estaduais em efetivo exercício, que acumulam às suas funções as funções de juiz eleitoral. - De acordo com a Res. TSE nº 21.009/2002, a jurisdição na zona eleitoral em que houver mais de uma vara será exercida, pelo período de dois anos, por juiz de direito da respectiva comarca (TRE designa qual juiz exercerá as funções de juiz eleitoral, observando o critério de antiguidade entre os juízes que ainda não exerceram a titularidade de zona eleitoral)5. Quando houver apenas um juiz atuando no território da zona eleitoral, este se torna juiz eleitoral por tempo indeterminado. Composição - Arts. 36 a 41 do Código Eleitoral. * 1 Juiz de direito; * 2 a 4 cidadãos de notória idoneidade. - Os membros são nomeados 60 dias antes eleição, após aprovação pelo TRE respectivo. O presidente do TRE aprova a formação da junta e também designa a sede da junta. - Até 10 dias antes da