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1 GESTÃO DE ESCOLAS PÚBLICAS 1 Sumário GESTÃO DE ESCOLAS PÚBLICAS.............................................. Erro! Indicador não definido. NOSSA HISTÓRIA ........................................................................................................................ 2 1. O GESTOR ESCOLAR........................................................................................................... 3 1.1-Os fundamentos básicos da formação e prática do gestor escolar .............................. 4 1.2-Papel do gestor .................................................................................................................. 5 1.3-Funções do gestor ............................................................................................................. 7 2. GESTÃO ESCOLAR: GUIA DO DIRETOR ........................................................................ 12 2.1-Escola como sistema ....................................................................................................... 13 2.2-A Liderança como Serviço .............................................................................................. 16 2.3-A Escola Tem uma Responsabilidade Social ............................................................... 18 2.4-Ações do Planejamento .................................................................................................. 20 2.5-Trabalho Cooperativo ...................................................................................................... 21 2.6-Comunicação ................................................................................................................... 22 3. QUAL A FUNÇÃO SOCIAL DA EDUCAÇÃO E DA ESCOLA? ....................................... 23 3.1-Gestão da educação: as tendências atuais .................................................................. 25 4. UMA BOA GESTÃO DE QUALIDADE .............................................................................. 27 5. REFERÊNCIAS: ................................................................................................................... 29 file:///C:/Users/User/Documents/APOSTILA-%20GESTÃO%20DE%20ESCOLAS%20PÚBLICAS.docx%23_Toc57792423 2 NOSSA HISTÓRIA A nossa história inicia com a realização do sonho de um grupo de empresários, em atender à crescente demanda de alunos para cursos de Graduação e Pós-Graduação. Com isso foi criado a nossa instituição, como entidade oferecendo serviços educacionais em nível superior. A instituição tem por objetivo formar diplomados nas diferentes áreas de conhecimento, aptos para a inserção em setores profissionais e para a participação no desenvolvimento da sociedade brasileira, e colaborar na sua formação contínua. Além de promover a divulgação de conhecimentos culturais, científicos e técnicos que constituem patrimônio da humanidade e comunicar o saber através do ensino, de publicação ou outras normas de comunicação. A nossa missão é oferecer qualidade em conhecimento e cultura de forma confiável e eficiente para que o aluno tenha oportunidade de construir uma base profissional e ética. Dessa forma, conquistando o espaço de uma das instituições modelo no país na oferta de cursos, primando sempre pela inovação tecnológica, excelência no atendimento e valor do serviço oferecido. 3 1. O GESTOR ESCOLAR Figura: 1 A construção da educação reinventada, instituinte da emancipação humana pelo seu caráter intersubjetivo, num mundo que se engendra parceiro com o conhecimento, como nova base material, demanda nova estrutura organizacional na gestão da escola e gestores com novas aptidões cognitivo-atitudinais. O gestor da escola tem que dominar o planejamento e ser influente negociador para a formulação das estratégias de sucesso para atingir os objetivos no percurso exigido para se atingir as metas previstas. O conceito de gestão e liderança se complementa. O exercício da gestão pressupõe liderança. A gestão escolar envolve o trabalho com as outras dimensões, como por exemplo, a gestão administrativa, gestão de currículo e gestão de resultados, embora todas dependentes do trabalho das pessoas. De acordo com Araújo (2009, p.32): Atualmente, mediante o contingente acelerado das constantes transformações sociais, cientificas e tecnológicas, passou-se a exigir uma nova escola e, em decorrência, um novo diretor, um diretor gestor. E, para isso, configura-se também um novo perfil desse profissional: visionário, utopista, idealizador de transformação democrática, com formação e conhecimentos específicos ao cargo e a função do diretor-gestor escolar. 4 Então, a gestão escolar, ganha valorização social, pois lida e atua na gestão de mudanças, ao qual o gestor passa a ser o articulador das relações, das ideias aprendendo a compartilhar decisões envolvendo maior participação dos membros da sociedade adaptando-se a novas demandas institucionais. O gestor escolar que exerce a liderança deve ter em mente que todos aprendem não a mesma aprendizagem dos alunos (conteúdos), a do aprender a aprender, é uma escola que cria possibilidades, experimenta caminhos diferentes e novos, inspira e transforma a ânsia da descoberta, pelo fazer diferente e fazendo sempre o melhor de si. A gestão escolar consiste no processo de mobilização e orientação do trabalho e esforço coletivo presentes na escola, em associação com a organização de recursos e processos para que a instituição desempenhe de forma efetiva seu papel social e realize os objetivos educacionais de formação dos alunos e a promoção da aprendizagem. O gestor escolar precisa ter como foco da sua atuação, o compromisso com a causa da escola, que é a promoção da aprendizagem. Esse compromisso com a causa dá ao gestor a neutralidade necessária para que ele possa estar constantemente “convidando” todos a igualmente assumir tal compromisso e a agir de forma fiel a esse princípio. Enfim, o profissional responsável pela gestão de uma organização. Enfatiza a competência. Competência essa resultante da combinação de habilidades técnicas e comportamentais responsáveis pela qualidade e pela definição do que se pretende alcançar de acordo com a proposta instituída pela escola. No entanto, ser competente não significa simplesmente fazer bem feito, mas sim despertar-nos outros a vontade de fazer bem feito e até mesmo conseguir estimular o seu grupo a comprometer-se com o processo. É preciso uma ação muito mais direta de liderança e de processos grupais em uma das interações continua e permanente. 1.1-Os fundamentos básicos da formação e prática do gestor escolar O processo de construção das aptidões cognitivas e a atitudinais necessárias ao gestor escolar alicerça-se em três pilares ou eixos desta formação: o conhecimento, a comunicação e a historicidade. 5 O conhecimento é o objeto especifico do trabalho escolar. Portanto, a compreensão profunda do processo de (re) construção do conhecimento no ato pedagógico é um determinante da formação do gestor escolar. O segundo eixo de sua formação é a competência de interlocução. A competência linguística e comunicativa é indispensável no processo de coordenação da elaboração a execução e avaliação do projeto politico-pedagógico. É fundamental a competência para a obtenção e sistematização de contribuições, para que, no processo educativo escolar, a participação seja efetiva pela inclusão das contribuições dos envolvidos, inclusive, em documentos (re) escritos. O terceiro elemento essencial, fundante da competência do gestor de escola, é sua inscrição histórica. A escola trabalha o conhecimento em contextos sócios institucionais específicos e determinados. O reconhecimento das demandas educacionais,como também das limitações, das possibilidades e das tendências deste contexto histórico, no qual se produz e se trabalha o conhecimento, é fundamental para o seu impacto e o sentido da prática educativa e para sua qualidade. Um gestor escolar tem, como um dos fundantes de sua qualidade, o conhecimento do contexto histórico-institucional no qual e para o qual atua. Por isso, gestão da escola é um lugar de permanente qualificação humana, de desenvolvimento pessoal e profissional. Lembrando que a gestão escolar foi marcada por um paradigma baseado na fragmentação, entre outras características. A objetividade garante bons resultados, sendo a técnica o elemento fundamental para a melhoria do trabalho. 1.2-Papel do gestor Nas escolas eficazes, os gestores agem como líderes pedagógicos, apoiando o estabelecimento das prioridades, avaliando os programas pedagógicos, organizando e participando dos programas de desenvolvimento de funcionários e também enfatizando a importância de resultados alcançados pelos alunos. Também age como líderes em relações humanas, enfatizando a criação e a manutenção de um clima escolar positivo e a solução de conflitos, o que inclui promover o consenso quanto aos objetivos e métodos, mantendo uma disciplina eficaz na escola. Deve-se ter em conta que a motivação, o ânimo e a satisfação não são responsabilidades exclusivas dos gestores. Os professores e os gestores trabalham juntos 6 para melhorarem a qualidade do ambiente escolar, criando as condições necessárias para o ensino e a aprendizagem mais eficaz, identificando e modificando os aspectos do processo do trabalho, considerados adversários da qualidade do desempenho. A prática de liderança em escolas altamente eficazes inclui: apoiar o estabelecimento com objetivos claros, propiciar a visão do que é uma boa escola e encorajar os professores, de modo a auxiliá-los nas descobertas dos recursos necessários para que realizem adequadamente o seu trabalho. Luck (1996) elenca as dimensões de liderança relacionadas com as escolas eficazes, que são: enfoque pedagógico do diretor, ênfase nas relações humanas, criação de ambiente positivo, ações voltadas para metas claras, realizáveis e relevantes, disciplina em sala de aula garantida pelos professores, capacitação em serviço voltada para questões pedagógicas e acompanhamento contínuo das atividades escolares. Nas escolas, onde há integração entre professores, tendem a ser mais eficazes do que aquelas em que os professores se mantêm profissionalmente isolados. A escola, os professores, tudo flui e tudo “rende” e a comunidade percebe que naquele ambiente acontece à gestão participativa. As escolas bem dirigidas exibem uma cultura de reforço mútuo das expectativas: confiança, interação entre os funcionários e a participação na construção dos objetivos pedagógicos, curriculares e de prática em sala de aula. Segundo Vieira (2003), diante do novo perfil do gestor, as demandas por transformação e quebras de paradigmas devem continuar intensas, passando a ser a tônica de uma sociedade em constante evolução. A postura crítica na adoção de novas perspectivas deve somar-se a novas formas de facilitar sua introdução no sistema escolar, o que exigirá uma cultura em constante processo de auto-organização, um estado de experimentação, pesquisa e análise de novos processos e, ao mesmo tempo, a consolidação via resolução consistente de problemas encontrados no dia-a-dia. O papel principal do gestor é saber acompanhar essas mudanças e tentar ampliar a capacidade de realização da organização escolar, levando-a a atingir seu potencial pleno e a tornar-se uma instituição que traga orgulho profissional a seus integrantes. Segundo Lück (1990), o gestor escolar tem como função precípua coordenar e orientar todos os esforços no sentido de que a escola, como um todo, produza os melhores resultados possíveis no sentido de atendimento às necessidades dos educandos e a promoção do seu desenvolvimento. 7 Dentro desta concepção o gestor, deve revestir-se de esforços voltados para o desenvolvimento de conhecimentos, habilidades e atitudes, para que a sua atuação participativa torne-se gradativamente mais eficiente. O gestor assume a responsabilidade quanto à consecução eficaz da política educacional do sistema e desenvolvimento pleno dos objetivos educacionais, organizando, dinamizando e coordenando todos os esforços nesse sentido e controlando todos os recursos para tal. Devido a sua posição central na escola, o gestor, no desempenho de seu papel, exerce forte influência sobre todos os setores e pessoal da escola. Lück (1990) relata ainda, que o gestor deve ter a habilidade de influenciar o ambiente que depende em grande parte, da qualidade e do clima escolar, do desempenho do seu pessoal e da qualidade do processo ensino-aprendizagem. A vivência de uma metodologia participativa em que as relações solidárias de convivência pontificam, provocam, mesmo que lentamente, a concretização de uma nova ordem social, iniciando pela parcela menor, que é a escola. A cada dia surgem novas tarefas para todos no interior da escola: professores, alunos e equipe gestora. A escola deve abrir espaço para o trabalho coletivo constante no interior da instituição porque este concretiza uma prática transformadora. Faz-se necessário propiciar à comunidade escolar a vivência de uma nova dimensão da vida social, na qual não participe só da execução, mas também da discussão dos rumos da instituição escolar. Em outras palavras, sendo presença ativa e criativa no ambiente escolar. O clima relacional de uma escola provém, basicamente, dos educadores que nela atuam. São eles que determinam as relações internas, através do acolhimento, da aceitação, da empatia, da real comunicação, do diálogo, do ouvir e do escutar, do partilhar interesses, preocupações e esperanças. 1.3-Funções do gestor A efetividade do processo de ensino e de aprendizagem implica em garantir o acesso dos educandos à escola e, sobretudo, sua permanência e sucesso no processo educativo, propiciando condições favoráveis para o fortalecimento de sua identidade como sujeita do conhecimento. 8 Para que isso aconteça, são funções do gestor: • Coordenar a elaboração e implementação da proposta pedagógica e sua operacionalização através dos planos de ensino, articulando o currículo com as diretrizes da Secretaria. • Incentivar a utilização de recursos tecnológicos e materiais interativos para o enriquecimento da proposta pedagógica da escola. • Estimular e apoiar os projetos pedagógicos experimentais da escola. • Assegurar o alcance dos marcos de aprendizagem, definidos por ciclo e série, mediante o acompanhamento do progresso do aluno, identificando as necessidades de adoção de medidas de intervenção para sanar as dificuldades evidenciadas. • Garantir o cumprimento do Calendário Escolar, monitorando a prática dos professores (regentes e coordenadores pedagógicos) e seu alinhamento com a proposta pedagógica, organizando o currículo em unidade didática. • Acompanhar as reuniões de atividades complementares – AC, avaliando os resultados do processo de ensino e de aprendizagem, adotando, quando necessário, medidas de intervenção. • Articular-se com as Coordenadorias Regionais e setores da SMEC na busca de apoio técnico-pedagógico, socioeducativo e administrativo, visando elevar a produtividade do ensino e da aprendizagem. • Acompanhar a frequência e avaliação contínua do rendimento dos alunos através dos registros nos Diários de Classe, analisando, socializando os dados e adotando medidas para a correção dos desvios. • Assegurar o cumprimento do sistema de avaliação estabelecido no Regimento Escolar. • Monitorar a rotina da sala de aula através da atuação do CoordenadorPedagógico. • Assegurar um ambiente escolar propício, estabelecendo as condições favoráveis para a educação inclusiva de forma produtiva e cidadã. • Identificar as ameaças e fraquezas da unidade escolar, a partir da sua análise situacional, adotando medidas de intervenção para superar as dificuldades. • Acompanhar a execução dos projetos em parcerias com outras instituições, adequando-os à realidade da sua escola. 9 As instalações e materiais considerados como infraestrutura básica para o pleno funcionamento da escola envolvem ações de conservação, manutenção e mobilização da comunidade escolar para atuar de forma consciente e multiplicadora, consolidando a valorização da cultura de preservação do bem público. Neste sentido são atribuições do Gestor Escolar: • Identificar necessidades e acionar mecanismos, a fim de proporcionar um ambiente físico adequado ao pleno funcionamento da escola. • Assegurar o tombamento e responsabilizar-se pela guarda, conservação e manutenção dos móveis e equipamentos da escola. • Otimizar o uso dos recursos financeiros repassados à escola, destinados à aquisição de materiais, manutenção das instalação se dos equipamentos. • Suprir a escola com materiais adequados, que permitam aos professores e alunos desenvolverem atividades curriculares diversificadas. • Promover campanhas, programas e outras atividades para conscientização da comunidade escolar e local de preservação e conservação da escola. A gestão participativa de processos está concebida como um gerenciamento fundamentado nos princípios de gestão com o Conselho Escolar e com as representações das organizações associativas da escola, legitimando a tomada de decisões numa ação colegiada com diferentes níveis de responsabilidades da equipe gestora da escola e do Sistema Municipal de Ensino. Neste sentido são atribuições do Gestor Escolar: • Coordenar a elaboração e implementação do Regimento Escolar. • Gerenciar o funcionamento da escola em parceria com o Conselho Escolar, zelando pelo cumprimento do Regimento Escolar, observando a legislação vigente, normas educacionais e padrão de qualidade de ensino. • Garantir o alcance dos objetivos da escola, identificando obstáculos, reconhecendo sua natureza e buscando soluções adequadas. • Desenvolver as ações educativas pertinentes a cada segmento de ensino, de acordo com as normas e diretrizes do Conselho Municipal de Educação. 10 • Elaborar e programar o Plano da Gestão Escolar alinhado ao PDE, Proposta Pedagógica, Regimento Escolares e Diretrizes do Sistema Municipal de Ensino, discutindo com a comunidade escolar e incorporando as contribuições. • Administrar a utilização dos espaços físicos da unidade escolar e o uso dos recursos disponíveis, para a melhoria da qualidade de ensino como: bibliotecas, salas de leitura, laboratório de tecnologias, entre outros. • Administrar, otimizando os recursos financeiros, conforme os procedimentos e rotinas de execução orçamentária e financeira, determinados pelas fontes de repasses, acompanhando e monitorando as despesas e o fluxo de caixa. • Organizar coletivamente as rotinas da escola e acompanhar o seu cumprimento. • Estimular a formação de organizações estudantis, atividades esportivas, artísticas e culturais na unidade escolar. • Aplicar instrumentos de registro de matrícula e de acompanhamento da movimentação escolar do alunado, sistematizando os dados e emitindo relatórios. • Monitorar o desenvolvimento das ações gerenciais, em parceria com o Conselho Escolar, com vistas à identificação dos resultados, propondo as intervenções necessárias. • Promover a construção do PDE, bem como a sua execução e replanejamento, através de um trabalho coletivo em parceria com o Conselho Escolar, mediante processo de análise dos resultados e proposições adequada. O clima escolar refere-se a um ambiente estruturado, de tal forma que expresse a responsabilização coletiva de todos os participantes da comunidade escolar em relação ao sucesso de ensinar e de aprender, resultando num clima harmônico e produtivo, onde todos unem esforços para atingir os objetivos propostos para a efetividade. Neste sentido são atribuições do Gestor Escolar: • Adotar estratégias gerenciais que favoreçam a prevenção de problemas na unidade escolar. • Gerenciar o funcionamento da escola, zelando pelo cumprimento da legislação, normas educacionais e pelo padrão de qualidade de ensino. • Proporcionar um ambiente que permita à escola cumprir sua missão, objetivos e metas, fundamentados nos seus valores, supervisionando o funcionamento e a manutenção dos diversos recursos de infraestrutura. • Possibilitar o bom funcionamento da escola através do estabelecimento de normas regulamentadas no Regimento Escolar, favorecendo a melhoria da qualidade do trabalho. 11 • Promover o envolvimento da comunidade escolar, fazendo uso da liderança e dos meios de comunicação disponíveis, com base na cooperação e compromisso, favorecendo a qualidade das relações interpessoais. • Manter o fluxo de informações atualizado e regular entre a direção, os professores, pais e a comunidade. • Coordenar as ações socioeducativas desenvolvidas na unidade escolar. • Assegurar visibilidade às ações da unidade escolar. • Socializar os resultados das ações gerenciais, reconhecendo os níveis de avanço e dificuldades da escola. • Expressar confiança na capacidade de eficácia da escola. O envolvimento dos pais e da comunidade decorre de um processo de mobilização e organização, de forma responsável e consciente, que possibilita canais de participação com representações de organizações associativas de pais, alunos e professores, contribuindo para o aperfeiçoamento do trabalho educativo e o relacionamento da escola com a comunidade. Neste sentido são atribuições do Gestor Escolar: • Promover o envolvimento dos pais na gestão da escola, em atividades educacionais e sociais, incentivando e apoiando a criação das associações de pais e as iniciativas do Conselho Escolar. • Estimular a participação dos pais na educação dos filhos, envolvendo-os no acompanhamento do desempenho dos alunos e fortalecendo o relacionamento entre pais e professores. • Administrar os programas compensatórios direcionados ao aluno e à família de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos promotores. • Manter comunicação frequente com os pais, mediante o repasse de informações sobre o processo educativo, normas e orientações do funcionamento da escola. • Viabilizar a integração entre a escola e a comunidade, criando e monitorando projetos em parceria com as diversas organizações, visando apoio às atividades educacionais, sociais, culturais e de lazer. • Maximizar a atuação da comunidade junto à escola, identificando os recursos e sendo hábil nas relações com os seus diversos segmentos. 12 • Promover campanhas educativas e programas com temas que despertem o interesse da comunidade escolar. O desenvolvimento do patrimônio humano envolve a criação de ambiente favorável e oportunidades para a formação profissional, auto formação, pesquisa, experimentos, debates e reflexão pedagógica e gerencial no interior da escola, estudando e analisando a prática educativa viabilizando a introdução legítima de novos padrões de gestão e de ensino. Neste sentido são atribuições do Gestor Escolar: •. Oportunizar e facilitar o acesso a programas de aperfeiçoamento profissional para os recursos humanos da escola. • Identificar as necessidades de desenvolvimento dos recursos humanos da escola, estabelecendo estratégias de intervenção em articulação com a SMEC. • Identificar e aperfeiçoar o potencial dos recursos humanos da escola, assegurando a integração e adotandouma postura participativa nas ações de planejamento e execução das atividades curriculares. • Proporcionar ao professor momentos de auto avaliação, pesquisa, experimentos, debates e reflexão da prática pedagógica em uma perspectiva crítico reflexiva. •. Promover a efetividade do processo de avaliação de desempenho do grupo magistério, junto ao Conselho Escolar. 2. GESTÃO ESCOLAR: GUIA DO DIRETOR 13 Figura: 2 2.1-Escola como sistema A direção de uma escola, por menor que esta seja, não é uma função apenas pedagógica. Sei que ser professor, principalmente nos dias de hoje, também não é uma função só pedagógica, mas há uma diferença, não de natureza, mas de grau. Tanto o professor quanto o diretor tem uma função administrativa muito importante, mas, enquanto aquele administra a sala de aula, este se responsabiliza pela escola como um todo. O diretor é professor de professores, ele cuida de um sistema bem mais complexo, com vários subsistemas – partes inter-relacionadas que constituem a escola. O contato permanente com vários tipos de escolas, na maioria das regiões brasileiras, mostra que as instituições educativas bem-sucedidas têm, inevitavelmente, um equilíbrio permanente entre o pedagógico e o administrativo, e essa harmonia decorre, quase sempre, da compreensão de que a escola é um sistema. No entanto, o conhecimento de que a escola é um sistema nem sempre permeia o dia-a-dia das instituições educativas e as perdas que daí decorrem são enormes. Segundo Deming, um sistema é um conjunto de funções ou atividades que interagem em um organismo em prol do objetivo desse organismo. As partes mecânicas e elétricas que funcionam juntas, em um automóvel ou um aspirador de pó, constituem um sistema. Há três ideias fundamentais que Deming coloca em destaque na sua visão do que é um sistema: 1. Sem objetivo não se pode dizer que existe um sistema. 2. Existe, em quase todos os sistemas, interdependência entre os múltiplos componentes. 3. Os componentes de um sistema são necessários, mas não suficientes por si mesmos para realizar o objetivo do sistema, e por isso precisam ser administrados. O primeiro passo de um diretor é definir, ou redefinir, com bastante precisão, o objetivo da escola. Embora isso pareça obvio, na maioria das vezes, a escola não sabe o que quer, não sabe o porquê de sua existência. Ao conversar separadamente com alunos, pais, funcionários, professores, diretores, tem-se, com muita frequência, a impressão de estar-se tratando de diversas escolas. Cada segmento acredita que os seus objetivos são 14 os da escola; como não há clareza em relação ao que se pretende, surgem muitos conflitos desnecessários e perde-se muita energia. Algumas escolas, em sintonia com os ensinamentos da Gestão da Qualidade, buscaram definir a visão, a missão, os valores, mas muita coisa ficou apenas no papel. Em alguns casos, houve incoerência entre o escrito e o que se vivia no cotidiano da escola. Poucas instituições conseguiram identificar o que estava errado e buscar as soluções, aprimorando os processos da escola e melhorando as condições de trabalho. O segundo passo é considerar, em todas as decisões, a interdependência entre os múltiplos componentes do sistema, pois é quase impossível mexer com uma peça só. A imagem que me ocorre é a do horário de aulas. Com ele pronto, qualquer alteração pedida por um professor desencadeia uma avalanche de mudanças. Um professor, quando pune um aluno, mexe com todos os alunos, com as famílias, com a escola toda. Uma instituição, quando escolhe o seu diretor, dá muitos sinais. A demissão de um professor quase sempre mexe mais com o grupo que fica do que com o demitido. Um diretor que não compreende a interdependência entre os componentes do sistema passa grande parte do seu tempo apagando incêndios e corre o risco de levar a escola ao fracasso. Vendo apenas árvores isoladas, sem competência para ver a floresta, cria insatisfações, focos de resistência, desgastes desnecessários. Cada solução sua origina outros problemas. O desempenho de cada componente deve ser avaliado em termos de sua contribuição para o alcance do objetivo do sistema. É o critério menos pessoal e, nas escolas, esse critério raramente é considerado. Tanto para o bem quanto para o mal, as simpatias, os apelos emocionais, o medo dos conflitos, os laços familiares, o tempo de casa falam mais alto que qualquer contribuição para o objetivo do sistema. O terceiro e ultimo passo é reconhecer que as falhas de um sistema decorrem fundamentalmente das ações administrativas. Se uma escola não vai bem, é possível encontrar muitas justificativas, mas nenhuma exime a direção da responsabilidade. O diretor precisa pensar suas ações, mas não deve ter medo de agir. A administração é que permite o exercício de todas as profissões. Para que o professor realize o seu trabalho, é necessário que alguém esteja administrando a escola, criando condições para que as pessoas possam ser produtivas. Encontrar culpados para as mazelas da escola não revela competência alguma. Quanto maior o poder de uma pessoa, maior a sua responsabilidade pelos resulta- dos. O salario de um diretor deve recompensar não o seu trabalho, mas a responsabilidade pelos resultados da instituição. Chegar à escola 15 às seis horas da manhã e sair as dez da noite não é o que importa na avaliação de um diretor. Em resumo, não é a quantidade de trabalho que distingue o diretor, mas a qualidade de sua administração. Compreender a escola como um sistema facilita a abordagem de determinados aspectos. Como melhorar a escola é um desses aspectos. Numa visão mais superficial, podem-se afirmar que quase todo sistema apresenta três componentes principais: 1. Parte física – instalações, materiais, equipamentos que constituem a infraestrutura do sistema. 2. Tecnologia, o“ como fazer ”conjunto de procedimentos operacionais (especificação de tarefas, atividades, rotinas), próprio de cada sistema. 3. Elemento humano – pessoas que operam o sistema. As escolas apresentam esses componentes. Nem sempre os procedimentos operacionais estão explicitados, mas eles existem. Prova disso é o fato de dizer-se, com frequência, para os novatos: “Aqui, fazemos assim; aqui, isto não é possível”. Na melhoria de uma escola, há possibilidade de duas ações distintas: investimentos na parte física, ou investimentos em educação, no desenvolvimento das pessoas. 1. Investimentos na parte física: Por meio desses investimentos, pode-se melhorar prédios, instalações, equipamentos, materiais de trabalho. Essa ação tem retorno imediato – a parte física sofre uma melhoria visível com as novas aquisições ou construções. Quando há um desequilíbrio entre o administrativo e o pedagógico, com predominância daquele sobre este, a escola se transforma num canteiro de obras. Ainda quando os recursos são parcos, acontecem melhorias, porque todos os investimentos são canalizados para a parte física. A experiência demonstra que essa ação sozinha não implica o aperfeiçoamento da escola como um todo. Isto significa que grandes melhorias nas instalações escolares, sem treinamento e capacitação de funcionários e professores, não resultam, necessariamente, em maior qualidade de ensino, em garantia de aprendizagem. 2. Investimentos em educação: Essa ação tem retorno somente em longo prazo, mas o seu alcance é profundo e duradouro, resultando em ganhos visíveis na qualidade e na produtividade. Educação e treinamento melhoram o desempenho das pessoas e, consequentemente, os procedimentos operacionais (estes dependem diretamente da eficiência do elemento humano e de seus conhecimentos). Para que a pessoa assimile os resultados dessa ação, é necessário que esteja motivada e que seu potencial mentalseja explorado no sentido do 16 pleno aproveitamento e desenvolvimento. Para os investimentos na parte física, não há barreiras, mas, para os investimentos no desenvolvimento de pessoas, há dois obstáculos a serem considerados: o potencial intelectual e a motivação. Pode-se criar o melhor programa de desenvolvimento e nada funcionar, se as pessoas não estiverem motivadas, ou se o programa não levar em conta o potencial intelectual delas. Nas situações de vida real, o cargo de diretor de escola tem funções e características bem diferentes de uma instituição para outra. Em alguns casos, ainda que se compreenda que a escola é um sistema, é muito difícil que a pratica reflita essa compreensão. 2.2-A Liderança como Serviço A liderança pode ser considerada sob vários ângulos. Pretendo abordá-la como serviço, porque as palavras que fazem parte do campo semântico de serviço, tais como serviçal, servidor, servente, serventia, têm uma carga pejorativa muito grande. Nas organizações autoritárias, aqueles que ocupam os cargos mais importantes têm, com frequência, os demais a seu serviço. Em muitas escolas, ainda hoje, supervisores, coordenadores, orientadores educacionais, secretárias escolares vivem em função do diretor; a serviço dos técnicos, estão os professores; estes têm como súditos os alunos. É bem verdade que essa situação vem sendo modificada e, às vezes, de maneira desastrosa. Ao colocar o aluno no centro do processo educacional, numa sociedade mais democrática, algumas escolas passaram do autoritarismo para o anarquismo; equivocadamente destruíram a hierarquia, contribuindo para a falta de respeito nas relações, para o caos na rotina de trabalho, para a baixíssima produtividade no ambiente escolar. Não se passou da heteronomia para a autonomia, mas para a anomia; não se passou do medo para a compreensão, mas para o desrespeito; não se passou da submissão para a liberdade, mas para a agressividade; não se passou do silencio para a participação, mas para a revolta ou para a indiferença; não se passou da dominação para o serviço, mas para a subserviência. Servir não é trabalho de gente pequena, de seres inferiores. O bom diretor é aquele que não precisa do cargo de diretor; é aquele que não fica preso a uma posição, a um titulo. O cargo de diretor lhe cai bem, porque ele pode viver sem ele. Há uma alegria no servir que só os seres superiores conseguem usufruir. Os fracos, os pequenos, os incompetentes, 17 quando podem, são autoritários; quando não podem, tornam-se subservientes, jamais servidores. Na convivência com muitos grupos de educadores, foi possível perceber que o poder maior não é o que emana do cargo, mas o que procede da capacidade de servir. Entre os professores, são aqueles que servem os mais considerados, os mais respeitados pelo grupo. Nem sempre são os diretores. A grandeza de uma pessoa é determinada pelo equilíbrio entre três fatores: 1. Natureza de caráter. 2. Relacionamento humano. 3. Conhecimento. Crosby diz que a integridade do individuo determina o seu sucesso com antecedência. Os lideres são responsáveis pela ética das instituições; eles devem assumir um papel de destaque no desenvolvimento e na defesa de princípios e de valores. Não há como desempenhar esse papel sem honestidade, sem o desejo de ser justo, sem decência, sem nobreza de caráter. De modo geral, pode-se dizer que o papel principal de um líder não é o de controlar, mas o de liberar energias, o de apoiar e orientar. O líder exerce três papéis fundamentais: 1. De projetista. 2. De professor. 3. De administrador. Como projetista ele cria a realidade a partir dos anseios, dos objetivos pessoais seus e de seus liderados. O líder tem obrigação de introduzir mudanças que melhorem a qualidade de vida do grupo; precisa ter visão, inspirar o grupo. Como professor, prepara o grupo e se prepara para mudanças. Uma das principais preocupações do líder deve ser a de educar e treinar. O treinamento é que garante, na prática, os resultados das grandes ideias. As pessoas trabalham mal, na maioria das vezes, não por falta de motivação, preguiça ou deslealdade, mas por falta de competência. Os componentes de um sistema são necessários, mas não suficientes por si mesmos para realizar o objetivo de um sistema, e por isso precisam ser administrados. O líder tem um compromisso com as pessoas que lidera e com a missão da empresa em termos de resultados práticos. Uma administração incapaz traz prejuízos econômicos, emocionais e espirituais para as pessoas e para as organizações. Ter consciência disso desperta, naturalmente, uma maior responsabilidade nos lideres. 18 Tenho percebido que o professor, talvez, seja a pessoa mais parecida com o aluno. É um ser paradoxal: ele é a instituição (principalmente na relação com o aluno), mas ele a desafia constantemente; tem uma relação conflituosa com o aluno, mas é o seu maior aliado; exige do aluno respeito à sua autoridade, mas é quem lhe ensina o questionamento, o desafio; é forte quando se torna fraco e permite que seus alunos sejam fortes; quanto mais compartilha seus conhecimentos mais se torna sábio; é adulto na relação com crianças e adolescentes e, na relação com adultos, preserva a criança que há em cada um de nós. Com essas características, o “bom” professor precisa de um ambiente: • Sem muita formalidade, sem muita burocracia. • Democrático, sem opressão. • Aberto, que lhe permita ousar, errar sem culpa. • Instigante, de dialogo, de troca. • De trabalho serio, mas sem casmurrice. O professor espera e quer de seu diretor: • Lucidez, clareza de objetivos. • Coerência, lealdade. • Alegria, bom humor, capacidade de rir dos próprios erros. • Compreensão, apoio, orientação. • Capacidade de formar uma equipe. • Abertura, dialogo. • Paciência, mas não complacência, tolerância. O diretor deve ser um bom ouvinte. Precisa escutar as ideias, conhecer as necessidades e expectativas de seus professores, funcionários, estar sintonizado com as aspirações de seus alunos e, para que não se perca no meio da diversidade de desejos e convicções, o diretor precisa de lucidez, de firmeza nos objetivos e constância de propósito. Servir não é fazer o que o outro quer, mas empenhar-se na realização do que é necessário para o bem de todos. 2.3-A Escola Tem uma Responsabilidade Social 19 Figura: 3 Assumir a responsabilidade social é um dos indicadores da qualidade de uma organização. Uma escola realiza as suas atividades dentro de uma sociedade composta por seres humanos. Ela interage com pessoas, quer sejam alunos, pais, funcionários, fornecedores, vizinhos, acionistas, outras escolas, a comunidade. Não há como não ter responsabilidade social. Assumir consciente e competentemente essa responsabilidade é que é a maior necessidade de nossos dias. A educação, por si mesma, não tem sentido. Educação é meio, e não fim, pois a escola não trabalha para si mesma. Em As novas realidades, Peter Drucker afirma que a educação moderna rejeitou os valores morais, e essa rejeição trouxe como consequência a transmissão de valores errados: indiferença, irresponsabilidade, cinismo. Não há educação sem valores morais. O trabalho mais significativo, em nossos dias, diz ele, será́ definir quais são os valores morais da educação numa sociedade instruída, educar com esses valores e estar fortemente comprometido com eles. Escola para todos e sucesso de todos na escola não darão garantia de uma sociedade justa, fraterna, democrática, se a educação não tiver um proposito social. Os grandes corruptos deste pais não são analfabetos. São pessoas instruídas, “competentes”, que estudaram em “boas” escolas e foram bem-sucedidos como alunos. Formar pessoas competentesnão é suficiente; é necessário que sejam também integras. Mas ainda não é suficiente; é preciso que sejam competentes, integras e socialmente responsáveis. 20 2.4-Ações do Planejamento A falta de um projeto dificulta e, às vezes, até impede o crescimento de uma escola. Uma organização sem visão de futuro perde tempo, energia e dinheiro. Uma escola minimamente organizada deve apresentar: • Calendário escolar. • Calendário de eventos. • Orçamento anual. • Programa anual de educação e de treinamento. • Planejamento estratégico. • Planos operacionais. Uma organização precisa deixar claros os seguintes pontos: qual é o seu propósito, qual é a sua finalidade ou missão, qual a sua visão, os seus sonhos e quais as estratégias que irá utilizar para realizar os seus ideais e dar conta de seus propósitos. A definição dessas questões gera um ambiente adequado, porque permite selecionar as pessoas adequadas, cria sinergia, facilita a identificação de prioridades, permite a delegação de responsabilidades e de autoridade, oferece critérios objetivos para a avaliação de desempenho, clareia a relação com as famílias, dá segurança, evita grandes turbulências, dá unidade às ações, possibilita focalizar a essência. Dar rumo à escola é a maior responsabilidade do diretor. Essa responsabilidade pode ser compartilhada com a equipe técnica, com os professores, com os funcionários e, até mesmo, com os alunos, mas quem responde por ela é o diretor. Como diretor, posso pedir ao vice-diretor que elabore um projeto para a realização de eventos, mas não é o vice-diretor que responde pelo fato de a escola ter ou não ter um projeto dessa natureza. Um gerente administrativo pode ser responsável por cem por cento da elaboração do orçamento, mas é o diretor que responde pelos acertos e desacertos do que foi orçado. Quando se estabelece um ciclo de planejamentos, passa-se a escola a limpo. É no nível estratégico que as questões operacionais ganham significado. Se os planejamentos são feitos de modo participativo, assegura-se a compreensão e o comprometimento das pessoas. Este é o melhor caminho, quando o diretor tem a lucidez para não se eximir da responsabilidade pelos rumos e resultados da escola. 21 2.5-Trabalho Cooperativo Cuidar do crescimento das pessoas é um dos caminhos mais efetivos para a formação de uma equipe. O talento individual, embora imprescindível, não é suficiente para que se forme uma equipe. É necessário que os talentos se unam em torno de um objetivo comum, é preciso que tenham uma visão compartilhada. O trabalho individual bem-feito, sem um norte, não sintonizado, é pouco efetivo para a consecução das metas de uma instituição. Quando há uma única direção para as energias individuais, cria-se uma sinergia. A falta de um objetivo comum gera perda de energia. As pessoas podem trabalhar com afinco, vestir e suar a camisa, mas não conseguem resultados significativos com os esforços despendidos. Um grande desafio para a liderança de uma escola é conseguir o comprometimento das pessoas em relação aos objetivos. A relação de uma pessoa com o trabalho que executa, ou melhor, com a instituição em que trabalha pode acontecer em quatro níveis: • Apatia Nenhum comprometimento, nenhum interesse, nenhuma energia. Não é contra e nem a favor. Está sempre de olho no relógio. • Obediência Faz o que lhe compete, não quer perder o emprego. Segue o regulamento, as normas, à risca. É um bom soldado. • Participação A pessoa quer. Faz tudo que for necessário dentro do espirito da lei. Ajuda a realizar o objetivo, mas não sente que ele também seja seu, embora reconheça os seus benefícios. • Comprometimento Não se trata de realizar um objetivo da empresa, mas de estar comprometido com algo que dá sentido à própria vida. A pessoa fará com que o objetivo se realize. Se necessário, cria novas estruturas. Na maioria das escolas, o envolvimento de professores, de funcionários, de alunos não vai além da participação, porque não há um objetivo comum, uma visão compartilhada. O objetivo comum deve ser construído dentro do grupo, considerando os objetivos pessoais. Um objetivo imposto pela liderança, ainda que honesta e competentemente, não alcança o nível de comprometimento das pessoas. Estas só se comprometem com aquilo que ajudaram a criar, que definiram em conjunto. 22 O desempenho de uma equipe depende da competência individual de seus membros e da capacidade de trabalhar bem em conjunto. O trabalho cooperativo tem uma importância muito grande na rotina de uma escola, porque satisfaz três necessidades básicas: 1. Cumprimento da missão. 2. Realização e proteção. 3. Crescimento pessoal, profissional e como membro de equipe. O trabalho cooperativo pressupõe integração, comunicação, responsabilidade mútua, consideração por aquele que está ao seu lado, que se comprometeu com você̂ e com quem você̂ se comprometeu. A cooperação não ocorre naturalmente, é um comportamento aprendido. 2.6-Comunicação É através da comunicação que as pessoas dialogam, constroem, descontroem e se entendem nos diferentes espaços. Porém o ambiente escolar sendo composto por seres humanos, essa prática não pode se fazer ausente, sendo que a educação parte do princípio da democracia, uma gestão escolar precisa estar focada em ser democrática, ou seja, ter claro a necessidade do diálogo, da participação nas tomadas de decisões, ser ouvinte e proativa. Santos (2011, p.4) acredita que a comunicação é a responsável por reduzir possíveis insucessos “precoces nas escolas”, sendo que a maioria dos riscos são previstos na elaboração das situações operacionais, permitindo flexibilidade no trabalho, porém essa comunicação precisa ser clara e objetiva, caso contrário pode resultar em diversos problemas econômicos, sociais e políticos. No dia a dia de uma escola, são várias as ocorrências que podem surgir, e percebemos que se há o diálogo e orientação feita pela equipe de gestão, todos exercem suas funções sem sobrecarregar um único profissional. Dessa forma, a escola como um todo (professores, direção, equipe pedagógica, agentes educacionais, alunos e pais) pode aos poucos criar uma identidade própria. 23 No ambiente escolar, a participação de todos é essencial, seja nas discussões coletivas, nos diálogos, mas sempre com foco no objetivo principal que é promover as transformações necessárias dentro do ambiente profissional e político-social. O direito a uma comunicação clara, objetiva e gentil obriga a todos o respeito à língua, à consideração pelas características especificas dos ouvintes e leitores. A instituição escola não pode ser informal nas suas comunicações, não pode desconhecer as normas na elaboração de um oficio não pode apresentar um texto confuso, ilógico ou recheado de erros gramaticais. Segundo Ferreira Gular, a crase não foi feita para humilhar ninguém, mas uma virgula, uma letra, uma crase mal colocadas mexem com a imagem de uma escola. O diretor é responsável por todas as comunicações de sua escola, até mesmo por aquelas que ele não assina. No ambiente de trabalho se faz necessário que quem comunica seja claro e direto para que o seu desejo seja atendido a contento e assim as transformações no ambiente escolar possam acontecer. O profissional da educação precisa não só de orientação, mas também estar em contato direto sobre quem é seu aluno, onde vive, como são seus costumes e cultura, bem como um feedback de seu trabalho e ter a oportunidade de expor suas opiniões, participando ativamente do processo de ensino aprendizagem. 3. QUAL A FUNÇÃO SOCIAL DA EDUCAÇÃO E DA ESCOLA? 24 Figura: 4 A função social da escola é o desenvolvimento das potencialidadesfísicas, cognitivas e afetivas do indivíduo, capacitando-o a tornar um cidadão, participativo na sociedade em que vivem. A função básica da escola é garantir a aprendizagem de conhecimento, habilidades e valores necessários à socialização do individuo sendo necessário que a escola propicie o domínio dos conteúdos culturais básicos da leitura, da escrita, da ciência das artes e das letras, sem estas aprendizagens dificilmente o aluno poderá exercer seus direitos de cidadania. O homem, no processo de transformação da natureza, instaura leis que regem a sua convivência no grupo, cria estruturas sociais básicas que se estabelecem e se solidificam conforme vão se constituindo em espaço de formação do próprio homem. As relações que os homens estabelecem entre si e a natureza – nas diferentes esferas da vida social, mediadas por instituições por eles criadas, tais como instituições religiosas, trabalhistas, educacionais, sindicatos, partidos políticos e associações – constituem-se em espaços de construção/reconstrução de saberes sociais e da História humana. A satisfação das múltiplas e históricas necessidades humanas só é possível na medida em que os homens se relacionam entre si. Assim, o processo de relação entre os homens e a natureza aponta para a necessidade d criar meios que entrelacem as suas 25 relações uns com os outros nos é imperativo, pois a satisfação das necessidades humanas implica agir, que impõe inelutavelmente a presença do outro. (BRUNO, 2004, p. 288). Mas, por ser produto das relações estabelecidas entre homens, a educação também pode ser crivada por concepções mais restritas ou mais complexas, dependendo de como se dão as relações na produção/reprodução da vida material, espiritual e na organização da vida em sociedade. Assim, em uma sociedade em que o homem é tido como sujeito histórico e sua formação tem como objetivo o desenvolvimento físico, político, social, cultural, filosófico, profissional e afetivo, a concepção de educação se dá na perspectiva que concebe o homem na sua totalidade. Em contrapartida, em uma sociedade em que o homem é reduzido a individuo que vende a sua força de trabalho, a educação passa a ter como finalidade habitar técnica, disciplinar e ideologicamente os diversos grupos de trabalhadores para servir ao mundo do trabalho. Nessa concepção, a educação limita-se á preparação de mão-de-obra, qualificando o homem para a submissão individual e competitiva á esfera econômica e ao mercado de poucos empregos. Cabe à escola formar alunos com senso crítico, reflexivo, autônomo e conscientes de seus direitos e deveres tendo compreensão da realidade econômica, social e política do país, sendo aptas a construir uma sociedade mais justa, tolerante as diferenças culturais como: orientação sexual, pessoas com necessidades especiais, etnias culturais e religiosas etc. Passando a esse aluno a importância da inclusão e não só no âmbito escolar e sim em toda a sociedade. 3.1-Gestão da educação: as tendências atuais A gestão é entendida como direção, ou seja, como a utilização racional de recursos na busca da realização de determinados objetivos. Isso requer uma adequação dos meios aos fins a serem alcançados. Logo, se os objetivos são ganhos imediatos de novos mercados e consumidores, as ações da direção da empresa se pautarão por eles. A maneira de conduzir uma escola reflete, portanto, os valores, concepções, especificidades e singularidades que diferenciam da administração capitalista. 26 Assim, os objetivos da organização escolar e da organização empresarial não são apenas diferentes, mas antagônicos. A escola objetiva o cumprimento de sua função de socialização do conhecimento historicamente produzido e acumulado pela humanidade, ao passo que a empresa visa á expropriação desse saber na produção de mais valia para a reprodução do capital, para manter a hegemonia de modo de produção capitalista. A escola, enquanto organização social é parte constituinte e constitutiva da sociedade na qual está inserida. Assim, estando a sociedade organizada sob o modo de produção capitalista, a escola enquanto instância dessa sociedade, contribui tanto para manutenção desse modo de produção, como também para a sua superação, tendo em vista que é constituída por relações contraditórias e conflituosas estabelecidas entre grupos antagônicos. A possibilidade da construção de práticas de gestão na escola, voltadas para a transformação social com a participação cidadã, reside nessa contradição em seu interior. Desse modo, a gestão escolar é vista por alguns estudiosos como a mediação entre os recursos humanos, materiais, financeiros e pedagógicos, existentes na instituição escolar, e a busca dos seus objetivos, não mais o simples ensino, mas a formação para a cidadania. A gestão, numa concepção democrática, efetiva-se por meio da participação dos sujeitos sociais envolvidos com a comunidade escolar, na elaboração e construção dos seus projetos, como também nos processos de decisão, de escolhas coletivas e nas vivencias e aprendizagens de cidadania. É novamente o professor Paro a afirmação de que “o caráter mediador da administração manifesta-se de forma peculiar na gestão educacional, porque ai os fins a serem realizados relacionam-se á emancipação cultural de sujeitos históricos, para os quais a apreensão do saber se apresenta como elemento decisivo na construção de sua cidadania”. (1999, mimeo). Assim, a gestão escolar voltada para a transformação social contrapõe-se á centralização do poder na instituição escolar e nas demais organizações, primando pela participação dos estudantes, funcionários, professores, pais e comunidade local na gestão da escola e na luta pela superação da forma como a sociedade está organizada. Isso implica repensar a concepção de trabalho, as relações sociais estabelecidas no interior da escola, a forma como ela está organizada, a natureza e especificidade da instituição escolar e as condições reais de trabalho pedagógico. 27 4. UMA BOA GESTÃO DE QUALIDADE Figura: 5 Para um bom gestor, crescer não é o suficiente. É necessário manter o controle e a qualidade do serviço prestado. Ou seja, garantir que a escola esteja oferecendo alto índice de aprendizado e influenciando positivamente todo o cenário ao seu redor. A gestão escolar se assenta sobre o desenvolvimento de fundamentação teórico- metodológica especifica, sobre visão global da problemática da educação e da escola, sobre compreensão da experiência em desenvolvimento na área. Sua orientação é o desenvolvimento de escolas efetivas, capazes de promover resultados significativos na formação de seus alunos. Escolas de sucesso são, pois, aquelas cujos alunos têm melhor desempenho acadêmico, e que se transformam continuamente para acompanhar as mudanças do mundo tecnológico e científico, atualizando o seu currículo. Santos (2000, p. 78) define como fatores mais comumente associados a esse sucesso: ► Liderança educacional ► Flexibilidade e autonomia ► Clima escolar ► Apoio da comunidade ► Processo ensino aprendizagem 28 ► Avaliação do desempenho acadêmico ► Supervisão de professores ► Materiais e textos de apoio pedagógico ► espaço adequado A educação é um direito de todos os brasileiros, conforme estabelece a Constituição Federal. Além disso, ela é fundamental para o desenvolvimento econômico e social de um país. Por esses motivos, todos merecem ter acesso a escolas públicas de qualidade. É necessário contar com um projeto pedagógico bem elaborado. A medida é muito importante para a montagem de um currículo escolar que desperte o interesse dos estudantes, incentive o uso adequado dos materiais didáticos e permita o alcance de bons resultados nas avaliações governamentais e da comunidade escolar.29 5. REFERÊNCIAS: ARAÚJO, Maria Cristina Munhoz. Gestão Escolar. IESDE Brasil, 2009. DEMING, W.E. Qualidade: a revolução da administração. Rio de Janeiro: Saraiva, 1990 SANTOS, J. P. dos. Comunicação na gestão escolar. Revista Interdisciplinar aplicada, Blumenau, v. 5, n.4, p 1- 22, TRI IV, 2011. LUCK, H. A escola participativa: o trabalho do gestor escolar. 2 ed. Rio de Janeiro: DP&A, 1998. ______, H. Dimensões da Gestão Escolar e suas competências. Positivo, Curitiba, 2009. ______, Gestão Participativa na escola. Petrópolis, RJ. Editora Vozes, 2011. PARO Vitor Henrique. Eleição de diretores: a escola pública experimenta a democracia. Campinas, SP: papiros, 1996. PIMENTA, S. G.. Questões sobre a organização do trabalho na escola. Ideias, São Paulo, v.16, p.78-83, 1993.