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FRANCIMEIRY GOMES DA SILVA UMA REFLEXÃO CRÍTICA SOBRE A INCLUSÃO DE CRIANÇA COM TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA (TEA) NO ENSINO INFANTIL TANGARÁ / RN 2024 FRANCIMEIRY GOMES DA SILVA UMA REFLEXÃO CRÍTICA SOBRE A INCLUSÃO DE CRIANÇA COM TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA (TEA) NO ENSINO INFANTIL Trabalho de conclusão de curso apresentado como requisito parcial à obtenção do título e De especialista em Autismo. TANGARÁ / RN 2024 UMA REFLEXÃO CRÍTICA SOBRE A INCLUSÃO DE CRIANÇA COM TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA (TEA) NO ENSINO INFANTIL Francimeiry Gomes da Silva Declaro que sou autora deste Trabalho de Conclusão de Curso. Declaro também que o mesmo foi por mim elaborado e integralmente redigido, não tendo sido copiado ou extraído, seja parcial ou integralmente, de forma ilícita de nenhuma fonte além daquelas públicas consultadas e corretamente referenciadas ao longo do trabalho ou daqueles cujos dados resultaram de investigações empíricas por mim realizadas para fins de produção deste trabalho. Assim, declaro, demonstrando minha plena consciência dos seus efeitos civis, penais e administrativos, e assumindo total responsabilidade caso se configure o crime de plágio ou violação aos direitos autorais RESUMO- A educação inclusiva é vista como uma modalidade de ensino mais contemporânea e efetiva de oportunizar o acesso à educação a todos, que promove a inclusão e respeito à diversidade. É um direito de todos, porém sabe-se que ainda há várias escolas que não se encontram reestruturadas para receber alunos e ou/ crianças que apresentam Necessidades Educacionais Específicas - NEE, tendo em vista que a falta de estrutura física e de profissionais capacitados acaba afetando no desenvolvimento educativo destes tanto no Ensino Fundamental quanto na Educação Infantil. Neste sentido, este artigo aborda o tema Educação Inclusiva enfatizando sobre a inclusão na Educação Infantil de criança com Transtorno do Espectro Autista – TEA e tem por objetivo discutir questões pertinentes a efetivação de estratégias e recursos pedagógicos consistentes que oportunizam a socialização de crianças, apropriação de aprendizagens e interação em um ambiente educativo que valoriza as particularidades, sem discriminar e excluir o que tem alguma Necessidade Educacional Específica - NEE. Para construção acadêmica utilizou-se pesquisa bibliográfica, debruçando-se nas concepções de Brasil ( 2008, 1998,2009), Barbosa (2020), Mantoan (2006) , Crochik ( 2002) e outros PALAVRAS-CHAVE: Educação Inclusiva. Direito de Todos. Transtorno do Espectro Autista. 1 INTRODUÇÃO O tema proposto neste artigo relaciona-se a Inclusão escolar de criança com Transtorno do Espectro Autista – TEA na Educação Infantil, mediante a execução de prática pedagógica significativa que utiliza recursos diversificados que atendam as especificidades de todas as crianças respeitando as singularidades de cada uma. A referida discussão se apresenta para a maioria dos professores e profissionais ligados à educação, como um grande desafio, pois, uma escola inclusiva deve oferecer possibilidades reais de aprendizagem, caso contrário estará realizando uma inclusão precária. Neste contexto, as políticas públicas devem ser efetivadas, dando condições de a escola dispor de recursos humanos e acessibilidade estrutural que oportunizem a execução de propostas inclusivas eficientes. O presente trabalho se constitui como fruto de reflexões acerca de pesquisas bibliográficas que tratam da situação de ensino e aprendizagem de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA), bem como, as dificuldades encontradas e recursos de ensino utilizados. Sendo assim tem como objetivo discutir acerca de metodologias utilizadas pela escola para trabalhar com criança com Necessidade Educacional Específica, tendo em vista que alguns profissionais não são capacitados para atuar com essa clientela. Vale salientar aqui a importância de a escola capacitar esses profissionais, adaptar a rotina para facilitar a aprendizagem sempre que necessário e compreender as especificidades existentes em sala de aula. A Lei 13.861/2019 que inclui dados específicos sobre Autismo no Censo do IBGE mostra que no Brasil existem milhares de pessoas com TEA, assim a construção acadêmica aqui explanada dará uma contribuição significativa na área da Educação, pois estudos dessa natureza se tornam relevantes, visto a necessidade no âmbito educacional de discussões pautadas nos paradigmas fundamentados em concepções de direitos humanos, que objetivam igualdade de diferenças como valores indissociáveis, contextualizando as circunstâncias históricas da produção da exclusão dentro e fora da escola. A escolha do tema Educação Inclusiva ocorreu a partir do desejo de discutir sobre uma ação pedagógica significativa, que consiga colocar em prática uma metodologia que atenda a uma criança com Transtorno do Espectro Autista- TEA, numa perspectiva de inclui-la no processo de ensino e aprendizagem. Dessa forma, escuta-se inquietações no contexto educacional sobre como trabalhar com crianças com TEA, especialmente na Educação Infantil. O artigo se constitui através de uma pesquisa qualitativa mostrada por Goldenberg (1999, p. 15) como abordagem que não se preocupa com representatividade numérica, mas sim, com o aprofundamento da compreensão de um grupo social, de uma organização. Assim, a Literatura Especializada que serviu de aporte teórico mostra que a política de educação inclusiva entre crianças, jovens e adultos com deficiência deve está inseridas em classes comuns do ensino regular, pois é diante da troca de experiências entre pessoas com e sem deficiência que começará a alicerçar uma sociedade mais inclusiva, justa e igualitária. Por se tratar de uma investigação de cunho qualitativo, optou-se pela pesquisa bibliográfica, pesquisa virtual, para tanto, o trabalho encontra-se dividido em quatro capítulos (1 CAPÍTULO: O QUE É EDUCAÇÃO INCLUSIVA? 2- CAPÍTULO: A PESSOA COM TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA – TEA E SUA EDUCAÇÃO NUMA PERSPECTIVA HISTÓRICA, 3 CAPÍTULO: A IMPORTÂNCIA DA ROTINA NA EDUCAÇÃO INFANTIL PARA A CRIANÇA COM TEA, 4 CAPÍTULO: LUDICIDADE NA INCLUSÃO ESCOLAR) 2- DESENVOLVIMENTO 1 CAPÍTULO: O QUE É EDUCAÇÃO INCLUSIVA? Inclusão é acolher de forma igualitária a todos sem exceção de cor, etnia, classe social, idade, gênero, condições físicas ou psicológicas, ofertando assim oportunidades de promover o desenvolvimento de todos sem exclusão ou preconceito. A Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva (2008), cujo objetivo é: assegurar a inclusão escolar de alunos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades/superdotação, orientando os sistemas de ensino para garantir: acesso ao ensino regular, com participação, aprendizagem e continuidade nos níveis mais elevados do ensino; transversalidade da modalidade de educação especial desde a educação infantil até a educação superior; oferta do atendimento educacional especializado; formação de professores para o atendimento educacional especializado e demais profissionais da educação para a inclusão; participação da família e da comunidade; acessibilidade arquitetônica, nos transportes, nos mobiliários, nas comunicações e informação; e articulação intersetorial na implementação das políticas públicas (BRASIL, 2008). Nessa perspectiva a educação inclusiva surge como alternativa de incluir alunos com qualquer tipo de necessidades educacionais especiais em escolas de ensino regular: Segundo Sassaki (2003, p.15) afirma que: Educação inclusiva é o conjunto de princípios e procedimentos implementados pelos sistemas de ensino para adequar a realidade das escolas à realidade do alunado que, por sua vez, deve representartoda a diversidade humana. Nenhum tipo de aluno poderá ser rejeitado pelas escolas. As escolas passam a serem chamadas inclusivas no momento em que decidem aprender com os alunos o que deve ser eliminado, modificado, substituído ou acrescentado nas seis áreas de acessibilidade, a fim de que cada aluno possa aprender pelo seu estilo de aprendizagem e com o uso de todas as suas múltiplas inteligências (p.15). Por tanto todos os indivíduos que apresentar qualquer tipo de limitação tem o direito garantido a aceso e permanência no sistema regular, permitindo a eles a ter uma educação de qualidade, uma vida independente e assim desenvolver as múltiplas facetas de aprendizagem do indivíduo de maneira que possa abranger a todos, de maneira significativa e prazerosa. Sabemos que muitos são os desafios a serem alcançados para que o aluno com necessidades educacionais específicas tenha uma vida digna e inclusiva e para que isso ocorra é necessário quebrar as barreiras existentes que poderão vir a interromper a participação de um ou outro por causa de suas particularidades. [...] os alunos com necessidades educacionais específicas são aqueles que por apresentar algum problema de aprendizagem ao longo de sua escolarização exigem uma atenção especifica e maiores recursos educacionais do que os necessários para os colegas de idade (COLL, PALÁCIOS & MARCHESI, 1995, p. 11). Torna-se evidente que a escola deve estar preparada para receber esses alunos que tem alguma deficiência seja: visual, física, auditiva, mental e etc... A escola tem que se adaptar de recursos físicos e serviços educacionais para assim propiciar uma convivência sadia desses alunos no espaço comum, pois é na interação, troca de saberes, experiências e vivencias com outras realidades que se promove a inclusão. Freire (2005, p.58) em sua obra pedagogia da autonomia afirma que: “O ideal é que na experiência educativa, educandos, educadoras e educadores, juntos ‘conviva’ de tal maneira com os saberes que eles vão virando sabedoria [...]”. Convém ressaltar que a escola deve viabilizar situações que envolva toda a comunidade escolar na conscientização dos valores necessários para á formação de cidadãos justos e assim promover a inclusão dos estudantes que apresentam necessidades educacionais especiais no ambiente escolar. Segundo a Constituição Federal de 1988 nos diz que: Art. 205. A educação é um direito de todo e dever do estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho (BRASIL, Constituição Federal de 1998, 2008, p. 136). A Constituição Federal de 1988 garante a todos o direito de educação e o acesso à escola, não podendo excluir nenhuma pessoa em razão de sua origem, raça, sexo, cor ou deficiência e assim todos os alunos sintam-se reconhecidos, valorizados e respeitados. Para finalizar compreende-se que a educação inclusiva acontece com o intuito de atender as necessidades educacionais de todos os alunos em salas de aulas de ensino regular, de maneira que oportunize ensino e aprendizagem a todos, independentemente de suas limitações. 2- CAPÍTULO: A PESSOA COM TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA – TEA E SUA EDUCAÇÃO NUMA PERSPECTIVA HISTÓRICA A palavra “autismo”, de origem grega “autos”, significa “voltar-se para si mesmo”. Em 1911, o psiquiatra austríaco Eugen Bleuler foi o primeiro a utilizar a palavra com o objetivo de descrever o isolamento social dos indivíduos com esquizofrenia (SILVA; GAIATO; REVELES, 2012). Esse transtorno é uma disfunção neurológica que afeta a sociabilidade, a comunicação verbal e não verbal e expressa inadequações comportamentais. Os primeiros sintomas manifestam-se antes dos 3 anos de idade. Nesse entendimento o espectro autista normalmente é diagnosticado antes dos três anos de idade e ele pode ser identificado por meio de alguns sinais como: desenvolvimento atrasado da linguagem atrasada, dificuldade em fazer pedidos usando a linguagem; falta de contato com os olhos quando se fala e auto estimulação comportamento como balançar ou bater as mãos. Vale aqui ressaltar que não existe um tipo de tratamento único e específico, pois cada autista apresenta a sua própria dificuldade e grau de resposta as atividades, por isso, apenas um especialista poderá determinar quais são as melhores práticas para cada pessoa. A Organização das Nações Unidas (ONU) instituiu o dia 2 de abril como Dia Mundial de Conscientização do Autismo, ou apenas Dia do Autismo, com objetivo de alertar e ampliar o debate sobre o transtorno, entre membros da sociedade e entidades representativas. O nome autismo é dado a um conjunto de transtornos de desenvolvimento que causam problemas na linguagem, dificuldades de comunicação, interação social e comportamento das pessoas. [...] a perturbação social, muito mais que outros de tais problemas, têm um efeito devastador porque retira aqueles afetados do alcance das fontes ordinárias de aprendizado e do apoio emocional que os outros seres humanos poderiam lhe proporcionar. A menos que a natureza de suas perturbações sejam entendidas e sejam proporcionado ensino hábil e cuidados, as pessoas socialmente perturbadas ficam psicologicamente isoladas em um mundo que elas não podem entender. (ELLIS 1996, p.26) Segundo (ROTTA, 2007, p. 423) Hoje sabe-se que o autismo não é uma doença única, mas sim um distúrbio de desenvolvimento complexo, que é definido de um ponto de vista comportamental, que apresenta etiologias múltiplas e que se caracteriza por graus variados de gravidade. Com base neste entendimento, enfatiza-se que, quando se trata de crianças e jovens com o TEA o professor tem que ter um olhar investigador e compreender que nem todos que apresentam esse transtorno têm as mesmas reações, cada indivíduo evidencia formas diferentes de manifestações. Assim podemos compreender que se esses alunos se não tiverem um atendimento e acompanhamento adequado tanto por profissionais da área clínica, como pela família e escola seu desenvolvimento nos aspectos cognitivos, sociais e cognitivos poderá regredir, dificultando seu convívio social e autonomia diante da realização de atividades escolares e de vida diária. 3 CAPÍTULO: A IMPORTÂNCIA DA ROTINA NA EDUCAÇÃO INFANTIL PARA A CRIANÇA COM TEA A rotina na educação infantil para a criança com Transtornos do Espectro Autista - TEA é de suma importância para o desenvolvimento da criança, na qual essa deve ser pensada e planejada de acordo com sua limitação. A ideia central é que as atividades planejadas devem contar com a participação ativa das crianças garantindo às mesmas a construção das noções de tempo e de espaço, possibilitando-lhes a compreensão do modo como às situações são organizadas e, sobretudo, permitindo ricas e variadas interações sociais. (DIAS, 2010, p. 13). É primordial que a rotina seja baseada nas necessidades físicas e psicologias das crianças de acordo com que desenvolva suas potencialidades, deve-se buscar um acompanhamento e metodologias que favoreçam a aprendizagem para a aquisição de novos conhecimentos. De acordo com Mantoan (2006, p.15) nos diz que: Nos debates atuais sobre inclusão, o ensino escolar brasileiro tem diante de si o desafio de encontrar soluções que respondam à questão do acesso e da permanência dos alunos nas suas instituições educacionais. Algumas escolas públicas e particulares já adotaram ações nesse sentido, ao proporem mudança na sua organização pedagógica, de modo a reconhecer e valorizar as diferenças, sem discriminar os alunos nem segregá-los. A inserção da rotina no contexto escolar busca auxiliar tanto a escola quanto a família do aluno, na qual o ideal é a rotina ser utilizada em ambas as partes, para que assim a criança possa conseguir fazer uma assimilação com o objeto e seu meio de interação. Quando a criança passa, a saber, o que vai acontecer com ela no decorrer do dia ou semana, a ansiedade diminui e até seu comportamentoagressivo ameniza. O professor em sala de aula ele é o mediador de conhecimento e deve trabalhar com meios que facilitam a aprendizagem e a participação do aluno nas demais atividades em sala, promovendo a inclusão escolar por meio de novos recursos e alternativas que facilitam a troca de comunicação. O mesmo pode criar um quadro de recursos visuais, com figuras ilustrativas as quais serão utilizadas no decorrer do dia, já que muitas vezes há uma dificuldade na linguagem verbal esse conceito visa ajudar na comunicação com a criança com o meio a qual está inserida. Na sala de aula, um quadro com a rotina se faz necessário para o trabalho com alunos que apresentam autismo, pois esses passos irão nortear o caminho a ser percorrida durante o seu trajeto na escola. E para o autista a rotina garante saber o que vem antes e depois, estimula aprender a esperar, aumentando a atenção e concentração, promovendo a organização do seu cotidiano. A rotina é importante para a vida social e escolar de qualquer pessoa, mas para as pessoas com autismo ela é, na maioria das vezes, extremamente necessária. Os autores ilustram um caso em que o método pode ser utilizado e explicitam o quanto pode contribuir para que a criança com TEA interaja com as pessoas ao seu entorno. Ainda para os autores, Quando uma criança com autismo precisa ir ao banheiro ou comer algo, ela entrega para uma pessoa uma figura que representa seu desejo. Esse método pode auxiliar nos comportamentos de birra que, algumas vezes, decorrem das dificuldades de se comunicarem adequadamente. O procedimento com o PECS não tem por objetivo substituir a fala, mas sim estimular. Quando a criança entrega a figura para uma pessoa (terapeuta, professor, pais), esta deve dizer o que é e incentivar a criança a repetir o nome. Futuramente, este método pode fazer com que a criança consiga falar o que deseja sem o auxílio da imagem. Além disso, ela, aos poucos, vai ampliando o seu repertório verbal (SILVA; GAIATO; REVELES, 2012, p. 219). Vale lembrar que, a criança com Transtorno do Espectro Autista, muitas vezes possui dificuldades na linguagem e essa forma de se trabalhar com meio de rotinas ou até mesmo figuras ilustrativas surge da necessidade de trabalhar em cima de suas peculiaridades de maneira que facilite a associação. Ao ser elaborado uma rotina para ser trabalhada com uma criança que apresenta TEA está deve ser realizada de acordo com as suas necessidades, relacionando toda atividade desenvolvida no decorrer da dialética, associando os horários e espaços determinados para a realização das ações, sendo que devem ser planejados visando favorecer o trabalho pedagógico e as necessidades das crianças. Na qual sem a rotina a adaptação da criança com TEA fica mais difícil e prolongada e esse método de ensino deixam eles mais ativos e participativos com as demais atividades executadas em sala de aula e com os demais alunos. 4 CAPÍTULO: LUDICIDADE NA INCLUSÃO ESCOLAR O lúdico tem sua origem na palavra latina "ludus" que quer dizer "jogo”. Se achasse confinado a sua origem, o termo lúdico estaria se referindo apenas ao jogar, ao brincar, ao movimento espontâneo. O lúdico passou a ser reconhecido como traço essencial de psicofisiologia do comportamento humano. De modo que a definição deixou de ser o simples sinônimo de jogo. As implicações da necessidade lúdica extrapolaram as demarcações do brincar espontâneo (FERREIRA; SILVA RESCHKE [s/d], p.3). A educação infantil é o nível de escolarização que primeiro recebe o indivíduo e lhe atribui características, modelando sua personalidade. Através do lúdico ele inicia um processo de socialização e aprendizagem diversas, de forma a melhorar sua habilidade psicomotora e construir significados linguísticos. Oliveira (1995, p. 36) nos diz que “no brinquedo a criança comporta se de forma mais avançada do que nas atividades da vida real e também aprende objeto e significado”. Ao trabalhar com os brinquedos e brincadeiras em sala de aula o professor irá desenvolver de maneira lúdica e prazerosa o envolvimento da criança com TEA, interligando o meio em que ela se encontra, além de estimular o raciocino lógico da criança de novos meio de integração e socialização com os demais, visando potencializar capacidades e ampliando as possibilidades de compreenderem e transformarem o imaginário em realidade. De acordo com Saldanha (2014): Trabalhar pedagogicamente, com crianças autistas e jovens com autismo, é um permanente e um instável desafio. Permanente, porque as situações de aprendizagem requerem uma atenção ininterrupta; instável, porque a imprevisibilidade de cada momento seguinte é a grande única certeza. (SALDANHA, 2014, P.15) É através do brincar que a criança desenvolve algumas capacidades como a atenção, a imitação, a memória, a imaginação e também pode desenvolver habilidades motoras, agilidade, coordenação e equilíbrio e facilita o processo de socialização e comunicação e expressão. Segundo Violada (2011, p.1) ressalta que: Através das atividades lúdicas, as crianças desenvolvem a linguagem oral, a atenção, o raciocínio e a habilidade do manuseio, além de resgatar as potencialidades e conhecimentos. Desenvolve também a imaginação, a espontaneidade, o raciocínio mental, a atenção, a criatividade. Nesse contexto promover situações de ludicidade é relevante e de grande valia dentro e fora do contexto escolar, onde as atividades lúdicas promovem a inclusão de uma criança com autismo dentro de sala de aula, contribuindo melhor na forma de se comunicar e proporciona o desenvolvimento de diversas habilidades no campo educacional. Barbosa (2010, p. 7), explica que “o lúdico auxilia no desenvolvimento da criança, pois através dele ela consegue aprender com mais facilidade, com os jogos e brincadeiras, além de uma prática de atividade física, promove também, um estímulo intelectual e social”. Embora a brincadeira seja uma atividade livre e espontânea, ela não é natural, mas uma criação da cultura, o aprendizado dela se dá por meio das interações do convívio com os outros. Com essa capacidade de interagir a criança se socializa com mais facilidade, pois se trata de uma fase de ampliação do universo de informação, onde, brincando também se aprende. As contribuições das atividades lúdicas no desenvolvimento integral indicam que elas contribuem poderosamente no desenvolvimento global da criança e que todas as dimensões estão intrinsecamente vinculadas: a inteligência, a afetividade, a motricidade e a sociabilidade são inseparáveis, sendo a afetividade a que constitui a energia necessária para a progressão psíquica, moral, intelectual e motriz da criança (NEGRINE, 1994, p.19). As atividades lúdicas e interativas são importantes por fazerem parte do mundo das crianças e por proporcionarem momentos agradáveis durante o processo de ensino e aprendizagem, resgatando assim a ludicidade como instrumento de construção de conhecimento. [...] brincando, a criança aprende com toda riqueza do aprender fazendo, espontaneamente, sem estresse ou medo de errar, mas com prazer pela aquisição do conhecimento – porque brincando a criança desenvolve a sociabilidade, faz amigos e aprende a conviver respeitando os direitos dos outros e as normas estabelecidas pelo grupo e, também porque brincando, prepara-se para o futuro, experimentando o mundo ao seu redor dentro dos limites que a sua condição atual permite. (CUNHA, 2001, p. 13). Vale salientar que, embora a criança esteja sempre em constante desenvolvimento segundo processos semelhantes obedecem a ritmos e modos individuais, fazendo com que o aprendizado e o entendimento de cada uma delas sejam diferentes. Em virtude das dificuldades de aprendizagem das crianças que apresentam Transtorno do Espectro Autista - TEA, a ludicidade pode ser vista muito além de uma apenas brincadeira ou momento de diversão, ela tem uma função de extrema relevância para o desenvolvimento motor, imaginário cógnito e também social da criança. Nessepressuposto a ludicidade trata-se de uma estratégia pedagógica, que utiliza jogos e brincadeiras para apresentar conteúdos que permite aquisição de conhecimentos, habilidades e competências de forma prazerosa. As atividades lúdicas são instrumentos pedagógicos altamente importantes, mais do que apenas divertimento, são um auxílio indispensável para o processo de ensino aprendizagem, que propicia a obtenção de informações em perspectivas e dimensões que perpassam o desenvolvimento do educando. A ludicidade é uma tática insubstituível para ser empregada como estímulo no aprimoramento do conhecimento e no progresso das diferentes aprendizagens. (MALUF, 2008, p.42). A inclusão escolar tem como conceito inserir o educando para o seu desenvolvimento através do acompanhamento pedagógico e suas conquistas resulta em seus objetivos alcançados através da ludicidade. Ao serem analisados os momentos em sala de aula, nos levou a refletir que em pleno século XXI ainda existe inúmeras dificuldades para de fato possa haver a inclusão, onde muito ainda precisa ser feito para chegar ao então sonhado futuro inclusivo que devemos construir. Vale aqui pontuar à tão importante função do professor em sala de aula de a fim de proceder à mediação ao receber alunos com necessidades educacionais especiais visando um ensino que respeite as diferenças e as particularidades de cada indivíduo. (....) auxiliar os que não sabem com seu saber e aprender pela própria experiência, os seus limites e o dos outros, [experiências que] podem dar-lhes algo que a busca da perfeição impede: o entendimento da vida e a possibilidade de vivê-la. (CROCHICK, 2002, p. 295). A educação inclusiva requer uma quebra de paradigmas no contexto escolar, com a inserção de projetos educativos do sentido excludente ao sentido inclusivo. Mas para que isso aconteça são necessárias além de estruturas adaptadas para receber esses alunos, formações continuadas para os profissionais estarem aptos a receber esse público alvo em sala de aula e promover o desenvolvimento da criança em seu aspecto cognitivo, lúdico, artístico, emocional e social. O papel do educador é fomentar o conhecimento, além de buscar desenvolver a igualdade de uma educação numa concepção inclusivista, ensinando valores e promovendo as diferenças em sala de aula. No decorrer da intervenção procuramos trabalhar valores e respeito ao próximo, independentemente de cor, origem, cultura, sexo ou deficiência, tornando um ambiente acolhedor e inclusivo. Procurei desenvolver em sala de aula atividades diversificadas e dinâmicas, levando o aluno a aprender em diferentes alternativas de ensino, de maneira que todos os alunos participassem por igual sem nenhum tipo de discriminação ou preconceito. Percebe-se que para a aula fica mais atrativa aos alunos é necessário que o professor desenvolva atividades diversificadas para que suas aulas não sejam repetitivas e exaustivas e assim os alunos se motivem a ir para a escola com gosto e vontade de aprender. Portanto esses momentos me deram subsídios para minha formação enquanto futura professora, onde obtive uma ampla visão do que será trabalhar a realidade do dia a dia escolar dos alunos, juntando teoria com a prática docente e assim poder desenvolver um trabalho voltado na construção de uma educação melhor, justa e igualitária. 3 . CONSIDERAÇÕES FINAIS Ao serem analisados os textos dos estudos realizados, constatou-se que em pleno século XXI ainda existe inúmeras dificuldades para de fato possa haver a inclusão, onde muito ainda precisa ser feito para chegar ao então sonhado futuro inclusivo que devemos construir. Vale aqui pontuar à tão importante função do professor em sala de aula a fim de proceder à mediação ao receber alunos com necessidades educacionais especiais visando um ensino que respeite as diferenças e as particularidades de cada indivíduo. (…) auxiliar os que não sabem com seu saber e aprender pela própria experiência, os seus limites e o dos outros, [experiências que] podem dar-lhes algo que a busca da perfeição impede: o entendimento da vida e a possibilidade de vivê-la. (CROCHICK, 2002, p. 295). A educação inclusiva requer uma quebra de paradigmas no contexto escolar, com a inserção de projetos educativos do sentido excludente ao sentido inclusivo. Mas para que isso aconteça são necessárias além de estruturas adaptadas para receber esses alunos, formações continuadas para os profissionais estarem aptos a receber esse público alvo em sala de aula e promover o desenvolvimento da criança em seu aspecto cognitivo, lúdico, artístico, emocional e social. O papel do educador é fomentar o conhecimento, além de buscar desenvolver a igualdade de uma educação numa concepção inclusivista, ensinando valores e promovendo as diferenças em sala de aula. Para tal, o lúdico, o conhecimento do aluno com TEA e rotinas também são essenciais para incluir a criança com TEA no ensino aprendizagem da Educação Infantil. 4. REFRÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS __. A Caminho para a Escola. Cartilha educativa destinada a alunos de 1ª a 4ª Série. Brasília. Ministério da Educação, 1988. BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Especial. Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva. Brasília, DF: MEC/SEESP, 2008a. BRASIL. 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