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Direito Econômico e Empresarial III - Bianca Marinelli 3 Direito Econômico e Empresarial III - Bianca Marinelli 1 Direito Econômico e Empresarial III - Bianca Marinelli 3 Direito Econômico e Empresarial III - Bianca Marinelli 1 Continuação Regime Cambial Cheque Lei nº 7357/85. Para emitir o cheque deve ser cliente bancário, porque é vinculado à uma conta bancária. O banco controla as folhas de cheque entregadas e usadas, sendo necessário o cancelamento para as folhas canceladas. As regras do regime cambial se aplicam ao cheque, com exceções de possuir regras próprias. Emissão do cheque não à ordem será feito através da cessão civil. Cheque não transmissível é aquele que não dá para ser transmitido nem por cessão civil, não tem na legislação brasileira. Requisitos: Art. 1º e 2º. Art. 1º O cheque contém: I - a denominação ‘’cheque’’ inscrita no contexto do título e expressa na língua em que este é redigido; Deve ter a palavra “cheque”. II - a ordem incondicional de pagar quantia determinada; O valor da ordem em algoritmo e extenso. III - o nome do banco ou da instituição financeira que deve pagar (sacado); Nome do banco. IV - a indicação do lugar de pagamento; V - a indicação da data e do lugar de emissão; Local de emissão sem preencher não invalida, entende-se que é o lugar da agência pagadora. Data do saque, com preenchimento incorreto caso haja o número em algarismo, por erro de preenchimento. VI - a assinatura do emitente (sacador), ou de seu mandatário com poderes especiais. Há a possibilidade de assinatura eletrônica, “carimbo” que a pessoa possui no banco para evitar verificação. No cheque é necessário o nome do tomador (nominativo), exceto até 100 reais, que pode ser ao portador. Além do CPF ou CNPJ, deve haver algum documento de identificação, como RG ou OAB. Parágrafo único - A assinatura do emitente ou a de seu mandatário com poderes especiais pode ser constituída, na forma de legislação específica, por chancela mecânica ou processo equivalente. Art. 2º O título, a que falte qualquer dos requisitos enumerados no artigo precedente não vale como cheque, salvo nos casos determinados a seguir: I - na falta de indicação especial, é considerado lugar de pagamento o lugar designado junto ao nome do sacado; se designados vários lugares, o cheque é pagável no primeiro deles; não existindo qualquer indicação, o cheque é pagável no lugar de sua emissão; II - não indicado o lugar de emissão, considera-se emitido o cheque no lugar indicado junto ao nome do emitente. Para efeitos de vinculação deve ser analisado se o cheque foi pago ou não. O cheque pago vira crédito na conta do credor. Prazo de apresentação vincula os coobrigados. Motivos de devolução de um cheque. Exemplo: Cheque depositados sem fundo. Cheque não transmissível. Cheques de mesma praça são aqueles que o local de emissão é igual ao local da agência pagadora. O prazo de apresentação de cheques de mesma praça é de 30 dias da apresentação. Cheques de praças diferentes são aqueles que o local de emissão é diferente ao local da agência pagadora. O prazo é de 60 dias da apresentação. Para a contagem dos dias Prescrição (ação executiva): Expiração do prazo de apresentação mais 6 meses da ação executiva. Não é do dia que foi depositado. Data de emissão mais 30 ou 60 dias (a depender da praça), mais 6 meses. Exemplo: Emissão 07/04/2022, prazo apresentado para mesma praça é de 07/05/2022 (varia de mês, não necessariamente será no mesmo dia do mês anterior) e a prescrição da execução será 07/11/2022. Exemplo: Emissão 07/04/2022, prazo apresentado para praça diferente é de 06/06/2022 e a prescrição da execução será 06/12/2022. Exemplo: Emissão 15/02/2022, prazo apresentado para mesma praça 17/03/2022 com prazo de prescrição para 17/09/2022. Exemplo: Emissão 15/02/2022, prazo apresentado para praça diferente 16/04/2022 com prazo de prescrição para 16/10/2022. No lugar de emissão em branco pode dar a possibilidade de quem recebeu o cheque o preenchimento de boa-fé. É possível provar a má fé ao alterar o lugar, visto que aumenta o prazo de vinculação. Cláusula sem despesas não faz sentido, visto que o que vincula não é o protesto, mas sim a apresentação no prazo. O prazo de apresentação pode prorrogar caso seja no sábado. Prazo de execução não se prorroga, deve ser ajuizado antes. É possível ajuizar com o juiz de plantão do final de semana. Cheque pré-datado é aquele em que a data de emissão “real” (o dia que está sendo preenchido) é marcado para ser depositado futuramente. Cheque pós-datado apresenta a data de emissão futura (data combinada para depósito), “pós-datando o cheque”. O banco só considera a data apresentada no seu preenchimento, as outras são um acordo entre as partes, ele considera a ordem de pagamento à vista. No descumprimento entre o combinado entre as partes, pode ser entrado contra aquele que depositou antes pedido de indenização. Para quem está recebendo é melhor colocar a data futura, pós-datar o cheque. Exemplo: Emissão pós-datado em 07/12/2022, terá o prazo de apresentação em 06/01/2023 e a execução 06/07/2023. Prescreve no dia seguinte. Modalidades: a) Visado: “Vistado”, banco já teve vista do cheque. O cheque é emitido normalmente, o banco vista (passando a caracterizar como visado), tira o dinheiro da conta e deixa provisionado. Cartório recebe cheque visado. Após o prazo de apresentação os recursos voltam para a conta. b) Administrativo: Emitido pelo próprio banco, o banco é o emitente, e, por esse motivo, não “volta”. Cheque “comprado”. É pedido ao banco para fazer o cheque nominativo a alguém. Recomenda-se usar esse tipo de cheque. c) Cruzado: Cheque com duas linhas transversais e paralelas. Deve ser pago via compensação bancária. O cheque da mesma agência de depósito pode ser sacado. d) Para se levar em conta: Cruzamento em preto, geralmente feito por carimbo para não atrapalhar a redação do cheque. É possível colocar, ainda, no cruzamento, “paga depósito somente na conta do favorecido”, ou seja, não dá para endossar esse cheque. Na prática da a mesma função que endosso não à ordem. Obriga que se deposite na conta do favorecido. É determinado onde é depositado (determina a destinação da conta). Sustação: Sustar é suspender da ordem de pagamento. O banco pergunta o motivo pelo qual ocorreu a sustação (suspensão). Exemplo: Desacordo comercial. Sustação propriamente dita (emitido de forma legitima pelo titular): É dado a ordem de pagamento e em seguida tirada. Tem os mesmos efeitos que a devolução sem fundo. O cheque pode ser cobrado normalmente. Ao retirar o cheque na agência já está apto a utilização, enquanto quando se recebe por correio ou outro meio indiretamente, o cheque deve ser desbloqueado para utilização, “recebi o cheque e estou apto a utilizar”. Motivos de devolução do cheque: a) 28. Cheque sustado ou revogado em virtude de roubo, furto ou extravio; O titular não emitiu o cheque e o banco não tem culpa da falta de segurança pública. O prejuízo se volta contra a loja que recebeu. Exemplo: Venda de notebook por cheque furtado. b) 20. Cheque sustado ou revogado em virtude de roubo, furto ou extravio de folhas de cheque em branco. Não é propriamente dita. Nas duas hipóteses, o cheque não tem valor. Motivos de devolução que o cheque mantém a sua natureza: a) 11. Cheque sem fundos 1ª apresentação; b) 12. Cheque sem fundos 2ª apresentação; c) 13. Conta encerrada; Quem recebeu esse cheque pode ser prejudicado. d) 14. Prática espúria; Ilícita, abuso do contrato. e) 21. Sustação. Sustação Possui duas modalidades, sendo elas a revogação e oposição. Revogação (ou contraordem): a) Após prazo de apresentação. Susta após o prazo, difícil de ocorrer. b) Apenas pelo emitente, apenas ele pode realizar. Oposição: a) Qualquer tempo; b) Qualquer portador, difícil de ocorrer, porque geralmente quem está com o cheque deseja receber. Repressão à emissão de cheque sem fundos. a) Âmbito criminal: Tipo penal específico de estelionato (art. 171 CP). No §2º, VI, diz que equivale a estelionato emitir chequesem fundo ou sustar indevidamente. Excludentes: Conduta culposa; cheque a prazo (não é uma enganação, visto que a promessa de pagamento não é imediata); pagamento antes da denúncia (emite cheque sem fundo e paga antes da denúncia); ausência de prejuízo para o credor, quem emitiu o cheque sem fundo está responsabilizado pela dívida por outro título (exemplo: pagamento de aluguel com cheque sem fundo, o fato de emitir o cheque sem fundo não tira a possibilidade de cobrar de outra forma). b) Âmbito administrativo: Tenta-se punir com a cobrança de tarifas, multas de devolução de cheque; motivo 12, cheque sem fundos na 2ª apresentação (dupla devolução), a pessoa fica com o nome “sujo” e o banco não poderá mais fornecer cheques a ele. Ações cambiais: Execução, mas o prazo de execução é pequeno, 30 dias ou 60 dias mais 6 meses. Enriquecimento ilícito, se é cambial significa que ainda vale as regras de regime cambial, o cheque apenas perdeu a executividade, e para obter é necessária uma decisão judicial. Move a ação de enriquecimento ilícito, determinado coobrigado ainda é devedor, e é pedido para justiça para cobrá-lo. Não haverá defesa do réu que está sendo executado, porque ele estará vinculado ao título. Busque-se nessa ação executar algum coobrigado quando já ocorreu a prescrição da ação executiva. a) Art. 61, Lei do Cheque (Lei 7357/85); b) Até 2 anos após prazo para ações executivas; c) Contra os mesmos coobrigados para execução. Para uma execução de cheque pode ter sacador, endossantes e avalistas. Pode ser movida ação executiva dependendo de quando foi apresentado. Se for dentro do prazo pode ser contra todos, se for fora do prazo pode ser contra os mesmos da regra de regime cambial. Emissão Prazo de apresentação Execução Enriquecimento ilícito Mesma praça 14/04/22 14/05/22 Será no sábado, podendo então ser apresentar até o próximo dia útil, sendo 16/05/2022. 14/11/22 (6 meses) 14/11/24 Praça diferente 14/04/22 13/06/22 13/12/22 Prazo prescricional não se prorroga. 13/12/24 Prazo prescricional não se prorroga. Emissão 25/02/2022. Mesma praça (local de emissão e agência bancadora, em branco será mesma praça). Apresentação e devolução em 15/04/2022. Pré-datado (data real para emissão do cheque) para 10/03/2022. Emissão Prazo de apresentação Execução Enriquecimento ilícito Mesma praça 25/02/22 27/03/22 27/09/22 27/09/24 Data de devolução não é considerado. É considerado para cobrar, dentro ou fora do prazo. No caso apresentado não poderá cobrar alguns. Caso fosse pós-datado para 10/03/2022 mudaria a prescrição do cheque: Emissão Prazo de apresentação Execução Enriquecimento ilícito Mesma praça 10/03/22 09/04/22 09/10/22 09/10/24 Caso fosse escrito no cheque 10/10/2022: Emissão Prazo de apresentação Execução Enriquecimento ilícito Mesma praça 10/10/22 09/11/22 09/05/23 09/05/25 Caso alguém deposite antes e o cheque estiver nas mãos do credor para realizar a ação executiva no dia 15/04/2022 (devolução), ele poderá entrar com a ação executiva até 09/05/2023, tendo mais de um ano para execução. Na prática a pessoa descumpre o combinado e ainda é favorecido com o prazo de prescrição maior que 30 dias mais 6 meses. Favorecimento a quem cometeu o ato ilícito. Nesse caso, o poder judiciário leva em consideração a data da devolução para contagem dos prazos prescricionais nos casos de cheque pós-datado depositado antes do prazo. Duas correntes de interpretação: a) Primeira corrente: Conta a prescrição direta da devolução. Não leva em consideração o prazo de apresentação. A apresentação seria para a contagem da data futura. Emissão Prazo de apresentação Execução Enriquecimento ilícito Mesma praça 15/04/22 15/04/22 15/10/22 15/10/24 b) Segunda corrente: Considera o prazo de apresentação. Mesma praça 15/05/22 15/05/22 15/11/22 15/11/24 Exercício de cheque 1. Com relação a um cheque, observe as informações abaixo: · Local da agência pagadora: Presidente Prudente/SP; · Emitido em Porto Velho/RO, mas com local de emissão preenchido como Presidente Prudente/SP; O que vale é o local de emissão preenchido, princípio da literalidade. Mesma praça. Caso o local esteja em branco, poderá ser preenchido de boa-fé posteriormente, havendo a possibilidade de aumentar o prazo dependendo da praça (diferente ou a mesma). · Data de emissão: 02/01/2022; · Data de apresentação ao banco e devolução: 31/01/2022; · Protestado em 26/02/2022; Pode ser protestado, mas não tem relevância alguma em relação aos coobrigados. · Sacador: João; Sacado é o banco, mas não é devedor. · Tomador e endossante: Carlos; Endossou para alguém, “X”. · Avalistas em branco: Sérgio e Márcio; · Avalista do endossante: Renato. Pergunta-se: Quais das pessoas envolvidas poderão ser réus das ações cambiais e até quando poderão ser propostas estas ações? Mesma praça, mesmo dia. Por estar dentro do prazo, todos os coobrigados estarão envolvidos nas ações cambiais, sendo eles o sacador João, seus avalistas S e M, o endossante C e seu avalista R. Até o dia 01/08/2022 poderá ser proposta a ação de execução e até o dia 01/08/2024 a ação de enriquecimento ilícito. A ação monitória ocorre apenas após prescrever. Emissão Prazo de apresentação Execução Enriquecimento ilícito 02/01/2022 01/02/2022 (30 dias) 01/08/2022 01/08/2024 S M \ / J – Banco | C – X | R 2. Considere os mesmos dados acima, alterando-se somente o seguinte: · Preenchido o local de emissão como Porto Velho/RO; Praças diferentes. · Apresentado ao banco e devolvido em 04/03/2022; Caso tivesse sido apresentado até ou no dia 03/03/2022, teria sido dentro do prazo. · Cheque não protestado. · Local da agência pagadora: Presidente Prudente/SP. Responda: 1. Quando ocorrerá a prescrição para a ação de enriquecimento ilícito? A prescrição para ação de enriquecimento ilícito ocorrerá no dia 03/09/2024. 1. Contra quem poderá essa ação ser ajuizada? Explique. Por ter sido apresentado fora do prazo (03/03/2022), poderá ser ajuizada a ação de enriquecimento ilícito contra o devedor principal J, e os seus avalistas S e M. Emissão Prazo de apresentação Execução Enriquecimento ilícito 02/01/2022 03/03/2022 (60 dias) 03/09/2022 03/09/2024 3. Quando prescreve a ação de enriquecimento indevido de um cheque de mesma praça emitido em 03/02/2021 e pós-datado para 30/11/2021, sabendo-se que foi apresentado e devolvido por falta de fundos em 05/03/2022? Explique. Por ser pós-datado, considera-se como data de emissão 30/11/2021. Emissão Prazo de apresentação Execução Enriquecimento ilícito 31/11/2021 30/12/2021 (30 dias) 30/06/2022 30/06/2024 4. Responda à mesma questão do exercício nº 03 supondo que o cheque tenha sido pós-datado para 30/11/2022. Caberia ação de indenização ao que depositou antes. Além disso, este deve aumento do prazo de prescrição. Por este motivo, entende-se que o dia de depósito deve ser considerado como prazo de apresentação (05/03/2022). Para uma outra corrente, entende-se que o dia de depósito deve ser considerado como dia de emissão (05/03/2022). Emissão Prazo de apresentação Execução Enriquecimento ilícito - 05/03/2022 05/09/2022 05/09/2024 05/03/2022 04/04/2022 04/10/2022 04/10/2024 Duplicata Só existe no Brasil, sendo criado em 1968 com a Lei nº 5474/68 e muito utilizado desde então. Pode ser emitida por dois motivos: 1. Mercantil: Venda de mercadorias. 2. Prestação de serviços. Não pode ser emitida sem um desses dois motivos. Consequentemente deve ser feita por empresário, visto que o que documenta uma venda ou prestação de serviços é a nota fiscal, e não existe por obrigação legal a venda de algo por um empresário sem a emissão de nota fiscal. Relações civis não exigem a emissão de notas fiscais. Quem emite a duplicata é o credor. Para “faturar” é necessária uma relação jurídica preexistente. Fatura é um documento necessário para emitir uma duplicata. Causalidade: Causa prevista em lei. Antigamente havia“livro” de registros de duplicatas que era feito à mão. Atualmente as empresas ainda são obrigadas a registrarem as emissões das duplicatas para evitar a possibilidade de fraude. Tipificação criminal no art. 172 CP nos casos de emissão de duplicata falsa. Cronologia para emissão: a) Nota fiscal: Emitida com a venda. Ela acompanha a mercadoria. b) Fatura: Documento que informa a duplicata emitida. c) Duplicata: Tem a identificação da empresa, data de emissão, valor, data de vencimento, aceite. Aceite obrigatório por causa da mercadoria que foi aceita, há a obrigação anterior de pagamento da dívida. Diferente da letra de câmbio, que não tem o aceite obrigatório porque o sacado tem a opção de se vincular. Devido a necessidade do aceite da nota promissória, é mais vantajoso e emissão de duplicata. Carimbo não é considerado aceite (assinatura). O aceite dos seus prepostos é considerado válido. Como o aceite é obrigatório, a lei presume o que o devedor tem 10 dias para devolver com o aceite. O aceite pode ser: a) Ordinário: Emissão da cartula para colher o aceite. Ordinário significa comum, mas atualmente não é o mais comum. Caso tenha um avalista, cobra-se por aceite ordinário. b) Por comunicação: O devedor pode comunicar por escrito que aceita a duplicata. Boleto por si só não é instrumento para executar. c) Por presunção: Cobrança por boleto, o que se presume o aceite é a cobrança/pagamento do boleto. · O instrumento do protesto demonstra que a pessoa não pagou, junto do comprovante de entrega da mercadoria, forçam a execução do título da duplicata. Ou seja, é possível executar sem a emissão do título apenas com o protesto e comprovante de entrega. · Boleto é uma ficha de compensação bancária, e para esse tipo de pagamento é necessário a realização de um contrato com o banco. A partir das suas informações é possível realizar o pagamento em qualquer lugar. Espécie de documento “DM” avisa que o boleto é de cobrança de uma duplicata. Boleto pode ser para pagamento de parcelamento, crediário etc. · Nota fiscal – fatura, em algum momento permitiu-se juntar os dois documentos em um só. Recebe-se o número da duplicata na fatura, bem como o valor e o vencimento, para informar. Ao invés de emitir o título para o aceite, emite boletos relacionados a cada duplicata. O credor opta para receber o pagamento ao invés de receber o aceite. Como o aceite é obrigatório, o devedor deve pagar. Portanto ao pagar, presume-se que a pessoa aceitou. · Desconto bancário é antecipação de recebíveis. Após descontar os juros, antecipa o valor. O banco fica com o dinheiro pago posteriormente. O protesto é de interesse do credor, tendo esse a possibilidade de retirá-lo. Caso o devedor receba um boleto que não é seu (a dívida não é dele, ele não deve), não pague, e o credor deseja protestar, deve o devedor demonstrar em juízo que não deve para não lavração do protesto. Entendendo que preenche os requisitos, o juiz suspende. Caso já tenha realizado o protesto, o devedor deve pedir uma liminar para a suspensão. a) Por falta de aceite: É realizado quando o documento é devolvido sem o aceite, tendo como efeito x. b) Por falta de devolução: É realizado quando o documento não é devolvido, tendo o mesmo efeito que o protesto por falta de aceite. c) Por falta de pagamento: É realizado quando o devedor não paga. Tentativa de cobrança no cartório. O banco será mandatário na cobrança, cláusula de mandato, o banco se torna mandatário do credor no título do protesto. Protesto por indicação dos dados da duplicata, o banco envia as informações do boleto. O cartório recebe as informações do título, e realiza o protesto sem a emissão do título, apenas com as informações apresentadas. O devedor pagará a dívida e as despesas do cartório. O banco realiza a cobrança e o instrumento do protesto comprova tal tentativa. · O cartório organiza as certidões dos protestos cronologicamente. O prefixo “dupli” de duplicata vem de duplo, da duplificação de documento fiscal. Os comerciantes realizam a duplicação de um outro documento. Triplicata é a segunda via da duplicata, contendo os mesmos dados de uma duplicata. Como a duplicata é entregue para realização do aceite e há a possibilidade de ela não ser devolvida, a triplicata é emitida para cessar os efeitos da duplicata, comprova que a primeira via não tem validade. Requisitos da duplicata: Padrão estabelecido pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). A Lei base do sistema financeiro é a Lei 4595/64, tendo status de lei ordinária. É possível recusar o aceite caso não tenha recebido a mercadoria na forma contratada, caso ela possua vícios, caso haja divergências no prazo ou no preço. Protesto: Prazo para vincular coobrigados é de 30 dias. · Obrigatório (necessário) para o aceite presumido para o devedor principal. O devedor principal deve independentemente do instrumento no protesto, mas na duplicata é necessário o protesto para executar. Prescrição (ação executiva) é de 3 anos para o devedor principal e seus avalistas, 1 ano para os demais coobrigados e 1 ano para o regresso. A única diferença é que na letra de cambio e nota promissória é de 6 meses. Conta de serviços. Duplicata estrutural Lei nº 13.775/18. Sistema eletrônico de registro. Assinatura digital. Não tem a mesma segurança que a certificadora digital. Certificado eletrônico procura mecanismos para que haja ainda mais segurança. Prestação de serviços para emissão de certificado eletrônico. Realiza a identificação biométrica. Não é possível provar, posteriormente, que não foi o seu possuidor quem utilizou. ICP, infraestrutura de chaves públicas. https://www.gov.br/iti/pt-br/assuntos/icp-brasil Certificadora autorizada. Emissão, aceite, aval e endosso eletrônicos. Todos que forem participar devem ter certificado digital, por esse motivo ainda não é muito utilizado. SPB Sistema de Pagamento Brasileiro. Extrato emitido pela certificadora. Protesto e execução. Alterações na lei do protesto. Sistema Especialista para Tipificar Dados de uma Pesquisa (SETip). Prestação de serviços. Conta de serviços. Deve ser comprovada a prestação de serviços. Desde que tenham os dados de ambos, descrição do serviço e a assinatura de quem contratou, será valido, tornando-se título de crédito ao ser registrado no cartório. Para executá-lo deverá realizar uma ação de conhecimento posteriormente. Está na lei das duplicatas, mas não é duplicata, possibilita os prestadores de serviço a utilizarem. Cambiais e o Código Civil 2002: Art. 887 a 926. Art. 914. Ressalvada cláusula expressa em contrário, constante do endosso, não responde o endossante pelo cumprimento da prestação constante do título. Exatamente o contrário do Regime Cambial, neste o principal objetivo é agilidade nos negócios, diferente nas relações do Código Civil, que é menos dinâmico. Art. 903. Salvo disposição diversa em lei especial, regem-se os títulos de crédito pelo disposto neste Código. Caso esteja previsto na lei especial, não aplicará o Código Civil. Principais disposições do credor. Lei Uniforme é a base do regime cambial sobre letra de cambio e nota promissória. O cheque e a duplicata possuem leis especiais. Títulos de crédito impróprios, aqueles que não são propriamente as cambiais ou título de crédito, tem legislação específica e não representam apenas crédito. Ou seja, não são letra de cambio, nota promissória, cheque e duplicata. Nestas se referem sempre em torno do crédito. Já nos créditos impróprios não, o titular de uma ação possui direitos além do crédito em si que está na ação, por exemplo direito de voto. · Possibilita disciplinar relações jurídicas diversas da mera relação de crédito. · Aproveitam regras do regime cambial. Classificações: a) De legitimação: Legitima uma pessoa a ingressar em algo. São documentos de crédito, mas não títulos de crédito propriamente dito. Exemplo: Ingresso de transporte, show, loteria etc. Conferem aos seus titulares direito à prestação de serviços, à participação em agremiações e eventualmente ingresso em eventos reservados a pagantes;Não se revestem de circulabilidade, porque não há possibilidade de transferência para terceiros e se prestam a conferir apenas a qualidade de cártula. b) Representativos: Representam uma mercadoria/produto ou direito sobre eles. Exemplo: Documento de conhecimento de frete/transporte, conhecimento de depósito e warrant. https://julianamorhy.jusbrasil.com.br/artigos/555820745/cheques-duplicatas-titulos-representativos-e-credito-no-comercio-exterior#:~:text=Os%20t%C3%ADtulos%20representativos%20representam%20a,e%20conhecimento%20de%20frete%2Ftransporte. Importam em transferência ou direito real sobre mercadorias ou bens. Poder ao detentor do título de exercer certos direitos sobre as mercadorias ou bens; transferindo através do título as mercadorias ou bens, constituem direitos reais sobre elas; Obedecem em certos aspectos os títulos de crédito (mobilização do crédito). c) De financiamento: Aquele que usa recursos para financiar algo. Exemplo: Cédula. Oriundos de financiamentos concedidos por instituições financeiras. Podem ser cédulas rurais, industriais, comerciais, de exportação e imobiliárias. CÉDULAS DE CRÉDITO: Permitem a instituição de garantias pessoais ou reais (sobre bens móveis ou imóveis), além da própria concessão do crédito e sua circulação (são endossáveis). d) De investimento: Tem por finalidade principal a obtenção, por seu emitente, de recursos econômicos no mercado financeiro. Obtenção no mercado de capitais com aceite ou coobrigação de instituição financeira. Destinados à captação de recursos pelo emitente, atraindo o investidor com remuneração sobre o capital investido e com as garantias ofertadas; Exemplos: letras de câmbio financeiras, certificados de depósitos bancários (CDB), certificados de recebíveis imobiliários, letras de crédito imobiliário, letras hipotecárias, certificados de direitos creditórios do agronegócio (CDCA), letra de câmbio do agronegócio (LCA), certificados de recebíveis do agronegócio (CRA). e) Valores imobiliários: Aqueles emitidos pelas companhias. Exemplo: Commercial paper. Alguns documentos de crédito utilizam-se de diversas regras de direito cambiário para sua circulação, entretanto, por força de lei (Lei nº 6.385/76, que regula o mercado de valores mobiliários e, inclusive, criou a CVM – Comissão de Valores Mobiliários), estão sujeitos a regime legal próprio Exemplos desses títulos o certificado de depósito de ações e a cédula pignoratícia de debêntures; São regidos pela legislação específica de valores mobiliários, ao lado das ações, das partes beneficiárias, das debêntures, dos bônus de subscrição, commercial papers e outros títulos criados ou emitidos pelas sociedades anônimas. Nas garantias reais o credor da um bem em garantia, por exemplo máquinas e propriedades rurais. Tais garantias não podem ser negociadas por títulos de crédito. Existem as cédulas, um instrumento de crédito (contrato) que é uma promessa de pagamento que serve para esse tipo de negociação. Não é de regime cambial, mas seguem algumas de suas regras, como a de endosso. Existem legislações especiais para incentivar determinados comércios, como ocorre nas cédulas rurais, industriais, a exportação, imobiliário etc. · Créditos rurais: Decreto-lei nº 167, de 14 de fevereiro de 1967. · Cédula pignoratícia é aquela que contém penhor (apenhar). Cédula hipotecária é aquela que contém hipoteca. Uma mesma cédula pode conter as duas, ou uma só. · É um título executivo, caso não seja pago é possível sua execução. · As cédulas, portanto, permitem que se faça tudo por meio de um só documento. Depósito e Warrant Em razão da classificação dos títulos impróprios, este de encaixa em títulos representativos Sua regularização se encontra no Decreto n. 1.102/1903 (regras para o estabelecimento de empresas de armazéns gerais). Este decreto tem força de lei. Conhecimento de depósito: Modalidade de título representativo (representa um depósito, claramente), que comprova quem é o proprietário do depósito. Esse documento contém dados do armazém geral, dados de quem depositou, descrição da mercadoria. É possível endossar esse documento, vendendo a mercadoria, sem movimentar esta. “Warrant”: O endosso do warrant corresponde a um penhor. A princípio recebe como garantia, e não como transferência da mercadoria (dando em garantia a mercadoria, sem precisar movimentá-la). A mercadoria será entregue a quem portar o conhecimento de depósito e o warrant. É possível endossar parcialmente (e se for retirado em garantia, será possível (por lei) depositar o valor e levar a mercadoria equivalente). Os dois documentos acima são emitidos conjuntamente. O dono do armazém só libera os bens se houver os dois documentos, embora ambos sejam autônomos e possam circular separadamente. Ambos podem ser transferidos por endosso. · Emissão de dois títulos unidos, mas separáveis à vontade, sempre com cláusula à ordem; · Podem ser emitidos por outras empresas (não armazéns), desde que autorizados pelo Governo. O conhecimento de depósito e o warrant, que são espécies de títulos de créditos, são emitidos pelo armazém geral e nascem unidos. O primeiro permite garantir o direito de propriedade sobre mercadorias; o segundo representa o penhor sobre as mercadorias depositadas, além de constituir uma promessa de pagamento. Títulos eletrônicos e virtuais A sistemática aplicável aos títulos de crédito está fadada ao desaparecimento, tendo em vista os avanços da informática, que permitem a realização de operações comerciais e financeiras sem a emissão de papéis. Com isso, caem por terra princípios como cartularidade e literalidade, já que sequer há a emissão de papéis. Há necessidade de evolução no tratamento jurídico das operações comerciais via processo magnético. Isso ocorre porque os pagamentos e transações que antes eram feitos em cheques estão sendo substituídos por meios eletrônicos. Lei nº 13775/2018: Duplicata escritural. Lei nº 13986/2020 (MP 897/2019). Títulos vinculados ao agronegócio. Queda na emissão de cheques e aumento das transações eletrônicas. Evolução da B3, bolsa de valroes oficial do Brasil. Pix. Moedas digitais. Fintechs, financial e technology. Enunciados 462 Jornada de Direito Civil. SPB Sistema de Pagamentos Brasileiro. Art. 914. Ressalvada cláusula expressa em contrário, constante do endosso, não responde o endossante pelo cumprimento da prestação constante do título. Art. 897. O pagamento de título de crédito, que contenha obrigação de pagar soma determinada, pode ser garantido por aval. Parágrafo único. É vedado o aval parcial. No regime cambial é possível avalizar parcialmente, diferente do Código Civil. 1647, III, CC. Outorga marital não se aplica no regime cambial. image1.png image2.png