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1 Quatro a seis O AMBIENTE E AS DOENÇAS DO TRABALHO 2 NOSSA HISTÓRIA A nossa história inicia-se com a ideia visionária e da realização do sonho de um grupo de empresários na busca de atender à crescente demanda de cursos de Graduação e Pós-Graduação. E assim foi criado o Instituto, como uma entidade capaz de oferecer serviços educacionais em nível superior. O Instituto tem como objetivo formar cidadão nas diferentes áreas de co- nhecimento, aptos para a inserção em diversos setores profissionais e para a participação no desenvolvimento da sociedade brasileira, e assim, colaborar na sua formação continuada. Também promover a divulgação de conhecimentos científicos, técnicos e culturais, que constituem patrimônio da humanidade, transmitindo e propagando os saberes através do ensino, utilizando-se de publi- cações e/ou outras normas de comunicação. Tem como missão oferecer qualidade de ensino, conhecimento e cultura, de forma confiável e eficiente, para que o aluno tenha oportunidade de construir uma base profissional e ética, primando sempre pela inovação tecnológica, ex- celência no atendimento e valor do serviço oferecido. E dessa forma, conquistar o espaço de uma das instituições modelo no país na oferta de cursos de quali- dade. 3 Sumário NOSSA HISTÓRIA .................................................................................. 2 1. O CAMPO DA SAÚDE DO TRABALHADOR ................................. 4 2. BASES LEGAIS PARA AS AÇÕES DE SAÚDE DO TRABALHADOR ................................................................................................ 6 3. O AMBIENTE E AS DOENÇAS DO TRABALHO ........................... 8 3.1 Agentes ambientais e doenças ocupacionais .............................. 10 4. SITUAÇÃO DE SAÚDE DOS TRABALHADORES NO BRASIL ... 11 5. DOENÇAS RELACIONADAS AO TRABALHO............................. 13 5.1 Grupo I da CID 10 – Doenças infecciosas e parasitárias ............. 17 5.2 Grupo II da CID 10 – Neoplasias (Tumores) ................................ 19 5.3 Grupo III do CID 10 – Doenças do sangue e dos órgãos hematopoiéticos ............................................................................................ 19 5.4 Grupo IV Cid – 10 – Doenças Endócrinas, Nutricionais e Metabólicas ................................................................................................... 20 5.5 Grupo V CID-10 – Transtornos Mentais e do Comportamento ... 21 5.6 Grupo VI CID-10 – Doenças do Sistema Nervoso ....................... 22 5.7 Grupo VII CID-10 – Doenças do Olho e Anexos .......................... 23 5.8 Grupo VIII CID-10 – Doenças do ouvido ...................................... 24 5.9 Grupo IX CID-10 - Doenças do Sistema Circulatório ................... 26 5.10 Grupo X CID-10 Doenças do Sistema Respiratório ................... 26 5.11 Grupo XI CID-10 – Doenças do Sistema Digestivo .................... 27 5.12 Grupo XII CID-10 - Doenças da Pele e Tecidos Subcutâneos ... 28 5.13 Grupo XIV CID-10 – Doenças do Sistema Geniturinário ............ 28 6. REFERÊNCIAS: ........................................................................... 30 4 1. O CAMPO DA SAÚDE DO TRABALHADOR Figura: 01 A Saúde do Trabalhador constitui uma área da Saúde Pública que tem como objeto de estudo e intervenção as relações entre o trabalho e a saúde. Tem como objetivos a promoção e a proteção da saúde do trabalhador, por meio do desenvolvimento de ações de vigilância dos riscos presentes nos ambientes e condições de trabalho, dos agravos à saúde do trabalhador e a organização e prestação da assistência aos trabalhadores, compreendendo procedimentos de diagnóstico, tratamento e reabilitação de forma integrada, no SUS. Estão incluídos nesse grupo os indivíduos que trabalharam ou trabalham como empregados assalariados, trabalhadores domésticos, trabalhadores avulsos, trabalhadores agrícolas, autônomos, servidores públicos, trabalhadores cooperativados e empregadores particularmente, os proprietários de micro e pequenas unidades de produção. São também considerados trabalhadores aqueles que exercem atividades não remuneradas habitualmente, em ajuda a membro da unidade domiciliar que tem uma atividade econômica, os aprendizes e estagiários e aqueles temporária ou definitivamente afastados do mercado de trabalho por doença, aposentadoria ou desemprego. A PEA brasileira foi estimada, em 1997, em 75,2 milhões de pessoas. Dessas, cerca de 36 milhões foram consideradas empregadas, das quais 22 milhões são seguradas pelo Seguro Acidente de Trabalho (SAT) da Previdência 5 Social (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística/IBGE – Programa Nacional de Pesquisas Continuadas por Amostras de Domicílios/PNAD, 1998). Entre os determinantes da saúde do trabalhador estão compreendidos os condicionantes: ►sociais; ► econômicos; ► tecnológicos e organizacionais, responsáveis pelas condições de vida e os fatores de risco ocupacionais físicos, químicos, biológicos, mecânicos e aqueles decorrentes da organização laboral presentes nos processos de trabalho. Assim, as ações de saúde do trabalhador têm como foco as mudanças nos processos de trabalho que contemplem as relações saúde-trabalho em toda a sua complexidade, por meio de uma atuação multiprofissional, interdisciplinar e intersetorial. Os trabalhadores, individual e coletivamente nas organizações, são considerados sujeitos e partícipes das ações de saúde, que incluem: o estudo das condições de trabalho, a identificação de mecanismos de intervenção técnica para sua melhoria e adequação e o controle dos serviços de saúde prestados. Na condição de prática social, as ações de saúde do trabalhador apresentam dimensões sociais, políticas e técnicas indissociáveis. Como consequência, esse campo de atuação tem interfaces com o sistema produtivo e a geração da riqueza nacional, a formação e preparo da força de trabalho, as questões ambientais e a seguridade social. De modo particular, as ações de saúde do trabalhador devem estar integradas com as de saúde ambiental, uma vez que os riscos gerados nos processos produtivos podem afetar, também, o meio ambiente e a população em geral. As políticas de governo para a área de saúde do trabalhador devem definir as atribuições e competências dos diversos setores envolvidos, incluindo as políticas econômica, da indústria e comércio, da agricultura, da ciência e tecnologia, do trabalho, da previdência social, do meio ambiente, da educação e da justiça, entre outras. Também devem estar articuladas às estruturas organizadas da sociedade civil, por meio de formas de atuação sistemáticas e organizadas que resultem na garantia de condições de trabalho dignas, seguras e saudáveis para todos os trabalhadores. 6 2. BASES LEGAIS PARA AS AÇÕES DE SAÚDE DO TRABALHADOR A Lei n° 8.080 de 19 de Setembro de 1990. Dispõe sobre as condições para a promoção, proteção e recuperação da saúde, a organização e o funcionamento dos serviços correspondentes e dá outras providências. Art. 6º Estão incluídas ainda no campo de atuação do Sistema Único de Saúde (SUS): § 3º Entende-se por saúde do trabalhador, para fins desta lei, um conjunto de atividades que se destina, através das ações de vigilância epidemiológica e vigilância sanitária, à promoção e proteção da saúde dos trabalhadores, assim como visa à recuperação e reabilitação da saúde dos trabalhadores submetidos aos riscos e agravos advindos das condições de trabalho,abrangendo: III - participação, no âmbito de competência do Sistema Único de Saúde (SUS), da normatização, fiscalização e controle das condições de produção, extração, armazenamento, transporte, distribuição e manuseio de substâncias, de produtos, de máquinas e de equipamentos que apresentam riscos à saúde do trabalhador; Esse conjunto de atividades está detalhado nos incisos de I a VIII do referido parágrafo, abrangendo: I- a assistência ao trabalhador vítima de acidente de trabalho ou portador de doença profissional e do trabalho; II- a participação em estudos, pesquisas, avaliação e controle dos riscos e agravos potenciais à saúde existentes no processo de trabalho; III- a participação na normatização, fiscalização e controle das condições de produção, extração, armazenamento, transporte, distribuição e manuseio de substâncias, de produtos, de máquinas e de equipamentos que apresentam riscos à saúde do trabalhador; 7 IV- a avaliação do impacto que as tecnologias provocam à saúde; V- a informação ao trabalhador, à sua respectiva entidade sindical e às empresas sobre os riscos de acidente de trabalho, doença profissional e do trabalho, bem como os resultados de fiscalizações, avaliações ambientais e exames de saúde, de admissão, periódicos e de demissão, respeitados os preceitos da ética profissional; VI- a participação na normatização, fiscalização e controle dos serviços de saúde do trabalhador nas instituições e empresas públicas e privadas; VII- a revisão periódica da listagem oficial de doenças originadas no processo de trabalho; VIII- a garantia ao sindicato dos trabalhadores de requerer ao órgão competente a interdição de máquina, do setor, do serviço ou de todo o ambiente de trabalho, quando houver exposição a risco iminente para a vida ou saúde do trabalhador. Além da Constituição Federal, outros instrumentos e regulamentos federais orientam o desenvolvimento das ações nesse campo, no âmbito do setor Saúde, entre os quais destacam-se a Portaria/MS n.º 3.120/1998 e a Portaria/MS n.º 3.908/1998, que tratam, respectivamente, da definição de procedimentos básicos para a vigilância em saúde do trabalhador e prestação de serviços nessa área. A operacionalização das atividades deve ocorrer nos planos nacional, estadual e municipal, aos quais são atribuídos diferentes responsabilidades e papéis. No plano internacional, desde os anos 70, documentos da OMS, como a Declaração de Alma Ata e a proposição da Estratégia de Saúde para Todos, têm enfatizado a necessidade de proteção e promoção da saúde e da segurança no trabalho, mediante a prevenção e o controle dos fatores de risco presentes nos ambientes de trabalho (OMS, 1995). Recentemente, o tema vem recebendo atenção especial no enfoque da promoção da saúde e na construção de ambientes saudáveis pela OPAS,1995. A Organização Internacional do Trabalho (OIT), na Convenção/OIT n.º 155/ 1981, adotada em 1981 e ratificada pelo Brasil 8 em 1992, estabelece que o país signatário deve instituir e implementar uma política nacional em matéria de segurança e do meio ambiente de trabalho. 3. O AMBIENTE E AS DOENÇAS DO TRABALHO Figura: 02 No decorrer da história da humanidade, o ambiente de trabalho tem causado doença, incapacidade e morte num número incalculável de trabalhadores. Apesar do estágio atingido pelo progresso científico proporcionando amplas possibilidades de prevenir os riscos existentes, a realidade é que os agravos à saúde dos trabalhadores ainda permanencem em proporções preocupantes. Quando pensamos nos danos à saúde dos indivíduos laborais, a primeira ideia que se surge é a do acidente de trabalho porque ele ocorre de forma abrupta, suas cosequências são detectadas mais facilmente e exigem desde um pronto atendimento, gerando pertubação no ambiente. 9 No entanto, existe como agravo que acontece de maneira lenta, passando despercebido ou sendo confundido com outras alterações do estado de saúde, até mesmo por médicos. Trata-se da doença profissional, doença do trabalho ou doença ocupacional. O nexo causal, nos casos de acidente, feito com maior facilidade, nela se estabelece com dificuldade, gerando prejuízos ao trabalhador e à sociedade, além de deficiência marcante de dados estatísticos. Na história da Medicina já existe referência sobre a associação entre trabalho e doença em documentos egípcios e greco-romanos, embora fossem insignificantes porque, à época, os trabalhos de risco mais e levado eram exercidos pelos escravos das nações subjugadas. Como exemplo tem-se a citação da intoxicação saturnina num trabalhador mineiro, feita por Hipócrates. Apesar da profundidade da obra, o autor não fez qualquer menção ao ambiente de trabalho nem à ocupação do paciente. Entretanto, quem se notabilizou foi o médico italiano Bernardino Ramazzini, Pai da Medicina do Trabalho, ao publicar, em 1700, o livro “As Doenças dos Trabalhadores” descrevendo cerca de 50 doenças relacionadas ao trabalho. Nele conclama os médicos a investigarem a ocupação dos pacientes, para relacionar os sinais e/ou sintomas apresentados com suas condições de trabalho. Recentemente, encontramos relatos de acidentes e doenças, no livro intitulado “As vítimas dos ambientes de trabalho” – rompendo o silêncio, publicado pelo sindicato dos metalúrgicos de Osasco -SP. Na referência aos trabalhadores mutilados, está descrito que os trabalhadores ficam à mercê de irregularidades, tanto do ponto de vista das relações de trabalho, como das péssimas condições em que desempenham suas funções. O drama vivido por essas pessoas tem proporções incalculáveis. São histórias cercadas de tristeza, revolta e injustiça , quase sempre acompanhadas de desestruturação familiar. Estudos sobre segurança e saúde no trabalho citam a velocidade com que novas formas de trabalho são implementadas no processo produtivo, ocasionando alterações no perfil dos acidentes e das doenças ocupacionais. Os riscos físicos, químicos, biológicos e mecânicos, responsáveis pelos principais agravos detectados até a década de 80, estão sendo acrescidos por outros ligados à organização do trabalho (terceirização, inexistência de 10 pausas, gerenciamento de pessoal), e passam a ter importância na organização e capacitação dos profissionais de segurança e saúde no trabalho. A formação dos profissionais priorizando os riscos clássicos, não consegue mais dar resposta às necessidades que surgiram com a nova organização da produção. A implantação de ações multiprofissionais é inadiável. 3.1 Agentes ambientais e doenças ocupacionais Para conservar sua saúde, o ser humano trava uma constante batalha contra as forças biológicas, físicas, mentais e sociais que podem alterar o equilíbrio do seu organismo. A doença , portanto, não é um evento estático, mas um processo, pois o aparecimento de sinais e/ou sintomas significa que a enfermidade já se instalou. Daí a necessidade de se dar prioridade à prevenção. Conforme os princípios da epidemiologia, o processo-doença é desencadeado pelo desequilíbrio na interação dinâmica entre os elementos denominados agente, hospedeiro e meio ambiente. Entende-se por agente um elemento, uma substância, cuja presença ou ausência pode, em condições favoráveis existentes no organismo e no meio ambiente, provocar o início de um processo patológico. Estes agentes se classificam em físicos, químicos,biológicos, ergonômicos e mecânicos, podendo causar acidentes, doenças inespecíficas ou doenças do trabalho. Inespecíficas são doenças físicas e psíquicas, cada vez mais frequentes nas sociedades industriais, e atribuíveis a um ou mais fatores do ambiente de trabalho, entre as quais: cansaço e insônia persistentes; distúrbios digestivos (gastrites, úlcera gastroduodenal), neuroses, artroses, asma brônquica, hipertensão arterial. O hospedeiro é representado pelo homem e contribui através de hábitos, costumes e de condicionantes (idade, sexo, estado civil, etnia, ocupação, carga genética e eficiência de seus mecanismos de defesa). O meio ambiente engloba o ambiente de trabalho (características do local, dimensões, iluminamento, aeração, níveis de ruído, poeiras, gases, vapores, fumo s, etc.), bem como os elementos conexos à atividade em si (tipo 11 de trabalho, posição do trabalhador, ritmo de trabalho, ocupação do tempo, horário de trabalho diário, turnos, horário semanal). Portanto, a detecção precoce é fundamental, pois quanto mais cedo forem detectadas as alterações maiores serão as chances de reverter a evolução da doença. 4. SITUAÇÃO DE SAÚDE DOS TRABALHADORES NO BRASIL A precarização do trabalho caracteriza-se pela desregulamentação e perda de direitos trabalhistas e sociais, a legalização dos trabalhos temporários e da informalização do trabalho. Como consequência, podem ser observados o aumento do número de trabalhadores autônomos e subempregados e a fragilização das organizações sindicais e das ações de resistência coletiva e/ou individual dos sujeitos sociais.Tradicionalmente, a atividade rural é caracterizada por relações de trabalho à margem das leis brasileiras, não raro com a utilização de mão-de-obra escrava e, frequentemente, do trabalho de crianças e adolescentes; sendo provocada pelo trabalho. Todo (a) trabalhador (a), urbano e rural, formal e informal, celetista ou estatutário, está sujeito a adoecer em decorrência do trabalho. O processo saúde-doença dos trabalhadores tem relação direta com o seu trabalho; e não deve ser reduzido a uma relação monocausal entre doença e um agente específico; ou multicausal, entre a doença e um grupo de fatores de riscos (físicos, químicos, biológicos, mecânicos), presentes no ambiente de trabalho. Saúde e doença estão condicionados e determinados pelas condições de vida das pessoas e são expressos entre os trabalhadores também pelo modo como vivenciam as condições, os processos e os ambientes em que trabalham. Independentemente se o trabalhador é urbano ou rural, ou de sua forma de inserção no mercado de trabalho, se formal ou informal, ou de seu vínculo empregatício, público ou privado, se assalariado, autônomo, avulso, temporário, cooperativado, aprendiz, estagiário, doméstico, aposentado ou desempregado. 12 A terceirização, no contexto da precarização, tem sido acompanhada de práticas de intensificação do trabalho e/ou aumento da jornada de trabalho, com acúmulo de funções, maior exposição a fatores de riscos para a saúde, descumprimento de regulamentos de proteção à saúde e segurança, rebaixamento dos níveis salariais e aumento da instabilidade no emprego. Tal contexto está associado à exclusão social e à deterioração das condições de saúde. A adoção de novas tecnologias e métodos gerenciais facilita a intensificação do trabalho que, aliada à instabilidade no emprego, modifica o perfil de adoecimento e sofrimento dos trabalhadores, expressando-se, entre outros, pelo aumento da prevalência de doenças relacionadas ao trabalho, como as Lesões por Esforços Repetitivos (LER), também denominadas de Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (DORT); o surgimento de novas formas de adoecimento mal caracterizadas, como o estresse e a fadiga física e mental e outras manifestações de sofrimento relacionadas ao trabalho. Figura: 03 Configura, portanto, situações que exigem mais pesquisas e conhecimento para que se possa traçar propostas coerentes e efetivas de intervenção. Embora as inovações tecnológicas tenham reduzido a exposição a alguns riscos ocupacionais em determinados ramos de atividade, contribuindo 13 para tornar o trabalho nesses ambientes menos insalubre e perigoso, constata- se que, paralelamente, outros riscos são gerados. A difusão dessas tecnologias avançadas na área da química fina, na indústria nuclear e nas empresas de biotecnologia que operam com organismos geneticamente modificados, por exemplo, acrescenta novos e complexos problemas para o meio ambiente e a saúde pública do país. 5. DOENÇAS RELACIONADAS AO TRABALHO No geral, as doenças relacionadas ao trabalho podem ser divididas entre doenças profissionais e doenças do trabalho. Neste sentido, as doenças profissionais são específicas de determinadas atividades ou profissões. Ou seja, elas acontecem em razão da exposição a fatores de risco na atividade desempenhada pelo trabalhador. Já as doenças do trabalho não estão ligadas à atividades diretamente. Mas, sim, à forma e às condições sob as quais ela é desenvolvida. Assim, elas estão mais relacionadas ao ambiente de trabalho do que a uma tarefa específica. A lista de doenças relacionadas ao trabalho hoje é muito maior do que há alguns anos. E isto é resultado de um número crescente de pessoas que dedicam cada vez mais horas do dia ao trabalho e negligenciam o autocuidado. Um estudo da Previdência Social indicou que as doenças motivadas por fatores de riscos ergonômicos e sobrecarga mental já superam até mesmo os riscos traumáticos, como fraturas. Mas, a verdade, é que esta realidade não é vantajosa para nenhum dos envolvidos. Nem para colaboradores, que podem ter que lidar com grandes problemas de saúde. Nem para a empresa, que sofre com a queda do bem-estar geral e da produtividade. A saúde dos trabalhadores constitui uma importante área da Saúde Pública que tem como objetivo a promoção e a proteção da saúde do trabalhador, por meio do desenvolvimento de ações de acompanhamento dos riscos presentes nos ambientes e condições de trabalho, dos problemas a saúde do trabalhador, a organização e prestação de assistência aos trabalhadores, 14 compreendendo procedimentos de diagnósticos, tratamento e reabilitação de forma integrada, no Sistema de Saúde Pública brasileiro. Entre os fatores determinantes da saúde do trabalhador estão compreendidas as condições sociais, econômicas e os fatores de risco ocupacionais, físicos, químicos, biológicos, mecânicos e aqueles decorrentes da organização laboral presentes nos processos de trabalho. Assim, ações de saúde do trabalhador tem como foco modificar os processos de trabalho, de forma a contemplarem as relações saúde-trabalho em todas as atividades profissionais. Os trabalhadores individual e coletivamente nas organizações são considerados sujeitos e participantes das ações que incluem o estudo das condições de trabalho, a identificação de mecanismos de intervenção técnica para sua melhoria, adequação e o controle dos serviços de saúde prestados O adoecimento dos trabalhadores e sua relação com o trabalho. Os trabalhadores compartilham das mesmas doenças e morte da população em geral, em função de sua idade, gênero, grupo social ou presença em grupo especifico de risco. Além disso, os trabalhadores podem adoecer ou morrer por causas relacionadas ao trabalho, em consequências da profissão que exercem ou exerceram ou pelas condições adversas em que seu trabalho e ou foi realizado. Assim, o perfil de adoecimento e morte dos trabalhadoresresultara na separação desses fatores que podem ser resumidos em quatro grupos de causas: ► Doenças comuns, aparentemente sem qualquer relação com o trabalho; ► Doenças comuns (crônico-degenerativas, infecciosas, neoplasias, traumáticas) eventualmente modificadas no aumento da frequência de sua ocorrência ou no surgimento em trabalhadores, sob determinadas condições de trabalho; ► Doenças comuns que são agravadas em função das condições de trabalho, a asma brônquica, a dermatite de contato alérgica, a perda auditiva conduzida pelo ruído (ocupacional), doenças musculoesqueléticas e alguns transtornos mentais exemplificam esta possibilidade, na qual, em decorrência do 15 trabalho, multiplicam-se as condições provocadoras ou desencadeadoras desses quadros hospitalares. ► Agravos à saúde específicos, típicos dos acidentes do trabalho e pelas doenças profissionais. A silicose e a asbesto se exemplificam este grupo de agravos específicos. Os três últimos grupos constituem a família das doenças relacionadas ao trabalho. A natureza dessa relação e sutilmente distinta em cada grupo. O quadro abaixo resume e exemplificados grupos das doenças relacionadas de acordo com a classificação proposta por Chileno. Classificação das doenças segundo a sua relação com o trabalho. categorias Exemplos I- Trabalho como causa necessária ● Intoxicação por chumbo; ● Silicose; ● Doenças profissionais legalmente reconhecidas. II- Trabalho como fator contributivo, mas não necessário. ● Doenças coronarias; ● Doenças do aparelho locomotor; ● Câncer; ● Varizes dos membros inferiores. III- Trabalho como provocador de um distúbio latente, ou agravador de uma doença. ● Bronquite crônica; ● Dermatite de contato alérgico; ● Asma; ● Doenças mentais. Quadro: 01 16 Classicamente, os fatores de risco para a saúde e segurança os trabalhadores, presentes ou relacionados ao trabalho, podem ser classificados em cinco grandes grupos, que serão mostrados a seguir: Grupo Exemplo Físicos Ruído, vibração, radiação ionizante e não ionizante, temperaturas extremas (frio e calor), pressão atmosférica anormal, etc. Químicos Agentes e substâncias químicas, sob as formas líquida, gasosa ou de partículas, poeiras minerais e vegetais, comuns nos processos de trabalho. Biológicos Vírus, bactérias, parasitas geralmente associados ao trabalho em hospitais, laboratórios, na agricultura e pecuária. Ergonômicos e psicossociais Decorrem da organização e gestão do trabalho como, por exemplo, da utilização de equipamentos, máquinas e mobiliários inadequados, levando a postura e posições incorretas, locais adaptados com más condições de iluminação, ventilação, entre outros. Mecânicos e acidentais Ligado à proteção das máquinas, arranjo físico, ordem e limpeza do ambiente de trabalho, sinalização, rotulagem de produtos e outros que podem levar a acidentes de trabalho. Quadro: 02 17 Verificada a classificação dos grupos de risco a saúde e segurança dos trabalhadores, e importante mostrar as doenças relacionadas ao trabalho conforme a classificação Internacional de Doenças 10 (CID 10), que podemos verificar a seguir: Grupo Doença I Infecciosa e parasitária II Neoplasia (tumores) III De sangue e órgãos hematopédicos IV Endócrinas, nutricionais e metabólicas. V Transtornos mentais e de comportamento VI Do sistema nervoso VII Do olho e anexos VIII Do ouvido IX Do sistema circulatório X Do sistema respiratório XI Do sistema digestivo XII De pele e tecidos subcutâneos XIII Do sistema ósteomuscular e do tecido conjuntivo XIV Do sistema genito-urinário Quadro: 03 5.1 Grupo I da CID 10 – Doenças infecciosas e parasitárias As doenças parasitárias ou parasitoses são causadas por classes de parasitas, como os protozoários, os helmintos e outros. Elas podem atingir tanto animais quanto pessoas. Alguns exemplos de parasitoses em humanos são a malária, o mal de Chagas e a ascaridíase (lombriga). As doenças infecciosas e parasitarias relacionadas ao trabalho apresentam algumas características, que as distinguem dos demais grupos: ► Os agentes originários não são de natureza ocupacional; 18 ► A ocorrência da doença depende das condições ou circunstancias em que o trabalho e executado e da exposição ocupacional que favorece o contato, o contagio ou transmissão. Os agentes originários estão, geralmente, mencionados no próprio nome da doença e são comuns às doenças infecciosas e parasitarias não relacionadas ao trabalho. Estão disseminados no meio ambiente, dependente das condições ambientais e de saneamento. As consequências da exposição para a saúde do trabalhador a fatores de risco biológico presentes em situações de trabalho incluem quadros de infecção aguda e crônica, parasitoses, reações alérgicas, toxicas a plantas e animais. As infecções podem ser causadas por bactérias, vírus, riquetsias, clamídias e fungos. As parasitoses estão associadas a protozoários, helmintos e artrópodes. Algumas dessas doenças infecciosas e parasitarias são transmitidas por artrópodes que atuam como hospedeiros intermediários. Diversas plantas e animais produzem substancias alergênicas irritativas e toxicas, com as quais os trabalhadores entram em contato diretamente, por ex. poeiras, pelos, pólen, esporos, fungos ou picadas e mordeduras. Muitas dessas doenças são originalmente zoonoses que podem estar relacionadas ao trabalho. Entre grupos mais expostos estão os trabalhadores de agricultura, da saúde (em contato com paciente ou materiais contaminados) em centros de saúde, hospitais, laboratórios, necrotérios, em atividades de investigações de campo e vigilância em saúde, controle de vetores e aqueles que lidam com animais. Também podem ser afetadas as pessoas que trabalham no meio silvestre, como na silvicultura, em atividades de pesca, produção e manipulação de produtos animais, como abatedouros curtumes, frigoríficos, indústrias alimentícias (carnes e pescados), trabalhadores em serviços de saneamento e de coleta de lixo. 19 5.2 Grupo II da CID 10 – Neoplasias (Tumores) O termo neoplasia ou tumores designa um grupo de doenças caracterizadas pela perda de controle do processo de divisão celular, por meio do qual que os tecidos normalmente crescem ou se renovam, levando a multiplicação celular desordenada. A inoperância dos mecanismos de regulação e controle de proliferação celular, além do crescimento incontrolável, pode levar, no caso do câncer, a invasão os tecidos vizinhos e a propagação para outras regiões do corpo, produzindo metástase. Apesar de não serem conhecidos como mecanismos envolvidos, estudo experimental tem demonstrado que a alteração celular responsável pela produção de tumor pode se originar numa única célula e envolve dois estágios. No primeiro, denominado de iniciação, mudanças irreversíveis (mutações) ocorrem no material genético da célula. No segundo estágio, denominado de promoção, mudanças intra e extracelulares permitem a proliferação da célula transformada, dando origem a um nódulo que, em etapas posteriores, pode se disseminar para regiões distintas do corpo. Por outro lado, tem em comum com outras doenças ocupacionais, a dificuldade de relacionar as exposições a doença e ao fato que são, em sua grande maioria, preveníeis. Dessa forma, a vigilância efetiva do câncer ocupacional e feita sobre os processosde atividades do trabalho com potencial carcinogênico, ou seja, dos riscos ou das exposições. A vigilância de agravos ou efeitos para a saúde busca a detecção precoce de casos e a investigação da possível relação com o trabalho para a identificação de medias de controle e intervenção. 5.3 Grupo III do CID 10 – Doenças do sangue e dos órgãos hematopoiéticos O sistema hematopoiético constitui um complexo formado pela medula óssea, outros órgãos hemoformadores e pelo sangue. Na medula óssea produzidas, continuamente, as células sanguíneas eritrócitos, neutrófilos e 20 plaquetas, sob rígido controle dos fatores de crescimento. Para que cumpram sua função fisiológica, os elementos celulares do sangue devem circular em número e estruturas adequados. A capacidade produtiva da medula óssea é impressionante. Diariamente, ela substitui 3 bilhões de eritrócitos por quilograma de peso corporal. Os neutrófilos têm uma meia vida de apenas 6 horas e cerca de 1,6 bilhões de neutrófilos por quilograma de peso corporal, que necessitam ser produzidos a cada dia. Uma população inteira de plaquetas deve ser substituída a cada 10 dias. Toda essa intensa atividade torna a medula óssea muito sensível a infecções, aos agentes químicos, aos metabólicos e aos ambientais que alteram a síntese do DNA ou a formação celular. E, também, por isso, o exame do sangue periférico se mostra uma sensível e acurado espelho da atividade medular. Nos seres humanos adultos, o principal órgão hematopoiético localiza-se na camada medular óssea do esterno, costelas, vértebras e ilíacos. A medula óssea é formada por um estroma e pelas células hemoformadores que têm origem na célula primordial linfoide e célula primordial mieloide de três linhagens. Sob o controle de substâncias indutoras, estas células primordiais sofrem um processo de diferenciação e proliferação, dando origem, após a formação de precursores, as células circulantes do sangue periférico. 5.4 Grupo IV Cid – 10 – Doenças Endócrinas, Nutricionais e Metabólicas Os efeitos ou danos sobre o sistema endócrino, nutricional e metabólico, decorrente da exposição ambiental, ocupacional a substancias e agentes tóxicos são ainda pouco conhecidos, porém, ainda necessitam de estudos mais aprofundados. As prevenções das doenças endócrinas, nutricionais e metabólicas relacionadas ao trabalho baseiam-se nos procedimentos de vigilância dos agravos à saúde, dos ambientes e das condições de trabalho, em conhecimento medico clinico, epidemiológico, de higiene ocupacional, toxicologia, ergonomia, psicologia, entre outras disciplinas, nas percepções dos trabalhadores sobre o 21 trabalho e a saúde, nas normas técnicas e regulamentadas existentes, envolvendo: ► Conhecimento prévio das atividades e locais de trabalho, onde existam substancias químicas, agentes físicos ou biológicos e fatores de risco decorrentes da organização do trabalho, potencialmente causadores de doenças; ► Identificação dos problemas ou danos potenciais para a saúde, decorrentes da exposição aos fatores de riscos identificados; ► Identificação e proposição de medidas de controle que devem ser adotadas para eliminação ou controle da exposição aos fatores de risco e para a proteção dos trabalhadores; ► Educação e informação aos trabalhadores e empregados. 5.5 Grupo V CID-10 – Transtornos Mentais e do Comportamento A contribuição do trabalho para as alterações da saúde mental das pessoas e dada a partir de ampla gama de aspectos de fatores pontuais, como a exposição a determinado agente toxico, até a completa exposição de fatores relativos a organização do trabalho, como a divisão e parcelamento das tarefas, as políticas de gerenciamento das pessoas e a estrutura hierárquica organizacional. Os transtornos mentais e de comportamento relacionados ao trabalho resultam, assim, não de fatores isolados, mas de contexto de trabalho em interação com o corpo e aparato psíquico dos trabalhadores. As ações implicadas no ato de trabalhar podem atingir o corpo dos trabalhadores, produzindo disfunções e lesões biológicas, mas também reações psíquicas as situações de trabalho que provocam doenças, além de poderem desencadear processos psicopatológicos especificamente relacionados as condições do trabalho desempenhado pelo trabalhador. 22 Em decorrência do lugar de destaque que o trabalho ocupa na vida das pessoas, sendo fonte de garantia de subsistência e de posição social, a falta de trabalho ou mesmo a ameaça de perda do emprego geram sofrimento psíquico, pois ameaçam a subsistência e a vida material do trabalhador de sua família. Ao mesmo tempo, abalar o valo subjetivo que a pessoa se atribui, gerando sentimentos de menor valia, angustia insegurança, desanimo e desespero, caracterizando quadros ansiosos e depressivos. 5.6 Grupo VI CID-10 – Doenças do Sistema Nervoso Figura: 04 Doenças do sistema nervoso são aquelas que atacam cérebro, medula espinhal, nervos e terminações nervosas. Sua manifestação clínica se dá através de sintomas capazes de prejudicar desde funções básicas, como reações motoras, até as complexas, a exemplo das capacidades cognitivas. Isso porque o sistema nervoso está presente em todo o organismo, elaborando e transmitindo comandos para que os demais sistemas cumpram seu papel. 23 A vulnerabilidade do sistema nervoso aos efeitos da exposição ocupacional e ambiental a um grama de substanciais químicas, agentes físicos e fatores causais de adoecimento, decorrentes da organização do trabalho, tem ficado cada vez mais evidente, traduzindo-se em episódios isolados ou epidêmicos de doenças nos trabalhadores. As manifestações neurológicas das intoxicações decorrentes de exposição ocupacional a metais pesados, aos agrotóxicos ou a solventes orgânicos, e de outras doenças do sistema nervoso relacionadas as condições de trabalho, costumam receber o primeiro atendimento na rede básica e serviço de saúde. Quando isso ocorre, e necessárias profissionais que atendem esses trabalhadores estejam familiarizados com os principais agentes químicos, físicos, biológicos e os fatores decorrentes da organização do trabalho, potencialmente causadores de doença, para que possam caracterizar a relação da doença com o trabalho, possibilitando o diagnóstico correto e o estabelecimento das condutas adequadas. 5.7 Grupo VII CID-10 – Doenças do Olho e Anexos Figura: 05 24 O aparelho visual e vulnerável a ação de inúmeros fatores de risco para a saúde presentes no trabalho como, por exemplo, agentes mecânicos (corpos estranhos, ferimentos contusos e cortantes), agentes físicos (temperaturas extremas, eletricidade, radiações ionizantes e não-ionizantes), agentes químicos, agentes biológicos (picadas de marimbondo e pelo de lagarta) e ao sobre-esforço que leva a debilidade induzida por algumas atividades de monitoramento visual. Os efeitos de substancias toxicas sobre o aparelho visual tem sido reconhecido como um importante problema de saúde ocupacional. 5.8 Grupo VIII CID-10 – Doenças do ouvido Figura: 06 As doenças otorrinolaringológicas relacionadas ao trabalho são causadas por agentes ou mecanismos irritativos, alérgicos ou tóxicos. No ouvido 25 interno, os danos decorrem da exposição a substancias neurotoxicas e fatores de natureza física como ruído, pressão atmosférica, vibrações e radiações ionizantes. Os agentes biológicos estão frequentementeassociados as inflamações do ouvido externo, aos eventos de natureza traumática e a lesão do pavilhão auricular. A exposição ao ruído, pela frequência e por suas múltiplas consequências sobre o organismo humano, constitui um dos principais problemas de saúde ocupacional e ambientais na atualidade. A Perda Auditiva Induzida pelo Ruído (PAIR) e um os problemas de saúde relacionados ao trabalho mais frequente em todo o mundo. Figura: 07 Além das alternativas que podem ser adotadas pelo empregador, o funcionário também tem o direito de receber EPI (Equipamento de Proteção Individual), nesse caso, em especial, protetores auriculares para garantir mais segurança à sua audição. A realização de audiometria também pode ser indicada para o Êxito do programa de prevenção da perda auditiva no trabalho. A investigação, a orientação terapêutica e a caracterização dos danos ao aparelho auditivo provocados pelas situações de trabalho que incluem a exposição ao ruído, devem ser realizadas em centros especializados. Entretanto, os profissionais da atenção básica devem estar capacitados a reconhecer suas manifestações para o correto encaminhamento do paciente. 26 5.9 Grupo IX CID-10 - Doenças do Sistema Circulatório Figura: 08 Apesar da crescente valorização dos fatores pessoais como sedentarismo, tabagismo e dieta, na determinação das doenças cardiovasculares, pouca atenção tem sido dada aos fatores de risco presentes na atividade ocupacional atual ou anterior dos pacientes. O aumento dramático da ocorrência de transtornos agudos e crônicos do sistema cardiocirculatório na população faz com que as relações das doenças com o trabalho mereçam maior atenção. Observa-se, por exemplo, que a literatura e a mídia tem dado destaque as relações entre ocorrência de infarto agudo do miocárdio, doença coronariana crônica e hipertensão arterial, com situações e a condição desemprego, entre outras. 5.10 Grupo X CID-10 Doenças do Sistema Respiratório O sistema respiratório constitui uma comunicação importante do organismo humano com o meio ambiente, particularmente com o ar e seus constituintes. A poluição do ar no ambiente de trabalho associada a uma extensa 27 gama de doenças do trato respiratório acometem desde o nariz até o espaço pleural. Entre os fatores que influenciam os efeitos da exposição a esses agentes estão a propriedade químicas, físicas dos gases e as características próprias do indivíduo, como herança genética, doenças persistentes e hábitos de vida, como tabagismo. 5.11 Grupo XI CID-10 – Doenças do Sistema Digestivo Entre os fatores importantes para ocorrência das doenças digestivas relacionadas ao trabalho estão os agentes físicos, substâncias tóxicas, fatores da organização do trabalho, como estresse e situações de conflito, tensão, trabalho em turnos, fadiga, posturas forçadas, horários e condições inadequadas para alimentação. Entre os fatores de risco físico presentes no trabalho podem lesar o sistema digestivo estão radiações ionizantes, vibrações, ruído, temperaturas extremas (calor e frio) e exposição a mudanças rápidas e radicais de temperatura ambiente. Queimaduras, se extensas, podem causar úlcera gástrica e lesão hepática. Posições forçadas no trabalho podem causar alterações digestivas, particularmente na presença de condições predisponentes, como hérnia paraesofageana e viceroptose. Os fatores relacionados à organização do trabalho são responsáveis pela crescente ocorrência de problemas e queixas gastrintestinais entre os trabalhadores. Condições de fadiga física patológica trabalho muito pesado, trabalho em turnos, situações de conflito e de estresse, exigência de produtividade, controle excessivo e relações de trabalho despóticas podem desencadear quadros de dor epigástrica, regurgitação e aerofagia, diarreia e ulcera péptica. 28 5.12 Grupo XII CID-10 - Doenças da Pele e Tecidos Subcutâneos As doenças de pele ocupacionais compreendem as alterações da série mucosa e anexos, direta ou indiretamente causadas, mantidas ou agravadas pelo trabalho. São determinadas pela interação de dois grupos de fatores: • Predisponentes ou causas indiretas, como idade, sexo, etnia, antecedentes mórbidos e doenças concomitantes, fatores ambientais, como diria o clima (temperatura, umidade) hábitos e facilidades de higiene; • Causas diretas constituídas pelos agentes biológicos, físicos, químicos ou mecânicos presentes no trabalho que atuariam diretamente sobre o regulamento, produzindo ou agravando uma dermatose preexistente. Cerca de 80% das dermatoses ocupacionais são produzidas por gentes químicos, substancias orgânicas e inorgânicas, irritantes e sensibilizantes. A maioria e de tipo irritativo e um menor número e de tipo sensibilizante. As dermatites de contato são as dermatoses ocupacionais mais frequentes. 5.13 Grupo XIV CID-10 – Doenças do Sistema Geniturinário A exposição ambiental ou ocupacional a agentes biológicos, químicos e farmacológicos pode lesar, de forma aguda ou crônica, os rins e o trato urinário. Figura: 09 29 O diagnóstico diferencial nos casos decorrentes da intoxicação medicamentosa e facilitado pelo relato do paciente ou de seus familiares e pela evolução, geralmente aguda e reversível. Porém, os demais agentes desencadeiam insidiosos crônicos, dificultando sua identificação e aumentando a possibilidade de dano. O sofrimento, o comprometimento da qualidade de vida, a morte do trabalhador vítima de uma doença renal ou do trato urinário, o custo social decorrente de sua incapacidade para o trabalho, os tratamentos dispendiosos a que deverá ser submetido, como os procedimentos de dialises ou transplante dos rins, entre outros, aumenta a importância do controle, o monitoramento dos ambientes e condições de trabalho em que estão presentes fatores de risco de lesão para o sistema geniturinário. Reforçam, também, a necessidade de acompanhamento, de controle medico e indicação de afastamento da exposição ao primeiro sinal de alteração, evitando comprometimento mais grave. 30 6. REFERÊNCIAS: BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria/MS n.º 1.339/1999, de 18 de novembro de 1999. Lista de Doenças Relacionadas ao Trabalho. Diário Oficial da União, Brasília, n. 21, p. 21-29, 19 nov. 1999. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Políticas de Saúde. Política Nacional de Saúde do Trabalhador. Brasília: Ministério da Saúde, 2000. 48 p. Mimeografado. CONSELHO FEDERAL DE MEDICINA. Resolução n.º 1.488, de 11 de fevereiro de 1998. DIAS, E. C. A atenção à saúde dos trabalhadores no setor saúde no Brasil: realidade, fantasia ou utopia? 1994. 335 p. Tese (Doutorado) – Faculdade de Ciências Médicas, Universidade Estadual de Campinas, Campinas. FRANCO, T.; DRUCK, G. Padrões de industrialização, riscos e meio ambiente. Ciência & Saúde Coletiva, v. 3, n. 2, p. 61-72, 1998. MACHADO, J. H. M. Alternativa e processos de vigilância em saúde do trabalhador: a heterogeneidade da intervenção. 1996. MENDES, R. (Org.). Patologia do trabalho. Rio de Janeiro: Atheneu, 1995. 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