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SUBSTÂNCIAS QUÍMICAS E SEUS IMPACTOS 
 2 
 
 
SUMÁRIO 
 
 
 
 Qualidade do Solo ................................................................................. 7 
 Gerenciamento de Áreas Contaminadas ............................................. 12 
 
 Destinação no Ambiente ...................................................................... 17 
3.1.1 Retenção .......................................................................................... 22 
3.1.2 Transformação ................................................................................. 22 
3.1.3 Transporte ........................................................................................ 22 
 Agrotóxicos e Meio Ambiente .............................................................. 23 
 Impacto sobre a Saúde Humana ......................................................... 25 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 3 
 
 
 
 
 
NOSSA HISTÓRIA 
 
 
A nossa história inicia-se com a ideia visionária e da realização do sonho de 
um grupo de empresários na busca de atender à crescente demanda de cursos de 
Graduação e Pós-Graduação. E assim foi criado o Instituto, como uma entidade capaz 
de oferecer serviços educacionais em nível superior. 
O Instituto tem como objetivo formar cidadão nas diferentes áreas de 
conhecimento, aptos para a inserção em diversos setores profissionais e para a 
participação no desenvolvimento da sociedade brasileira, e assim, colaborar na sua 
formação continuada. Também promover a divulgação de conhecimentos científicos, 
técnicos e culturais, que constituem patrimônio da humanidade, transmitindo e 
propagando os saberes através do ensino, utilizando-se de publicações e/ou outras 
normas de comunicação. 
Tem como missão oferecer qualidade de ensino, conhecimento e cultura, de 
forma confiável e eficiente, para que o aluno tenha oportunidade de construir uma 
base profissional e ética, primando sempre pela inovação tecnológica, excelência no 
atendimento e valor do serviço oferecido. E dessa forma, conquistar o espaço de uma 
das instituições modelo no país na oferta de cursos de qualidade. 
 
 4 
 
 
 INTRODUÇÃO 
De acordo com o Ministério do Meio Ambiente entende-se por área 
contaminada como sendo uma área, terreno, local, instalação, edificação ou 
benfeitoria que contenha quantidades ou concentrações de quaisquer substâncias 
ou resíduos em condições que causem ou possam causar danos à saúde humana, 
ao meio ambiente ou a outro bem a proteger, que nela tenham sido depositados, 
acumulados, armazenados, enterrados ou infiltrados de forma planejada, acidental ou 
até mesmo natural. 
Nessa área, os poluentes ou contaminantes podem concentrar-se em 
subsuperfície nos diferentes compartimentos do ambiente, como por exemplo: 
 No solo; 
 Nos sedimentos; 
 Nas rochas; 
 Nos materiais utilizados para aterros; 
 Nas águas subterrâneas; 
 Nas zonas não saturada e saturada. 
Além de poderem concentrar-se nas paredes, nos pisos e nas estruturas das 
construções. 
Os contaminantes podem ser transportados a partir desses meios, 
propagando-se por diferentes vias, como: 
 O ar 
 O solo 
 As águas subterrâneas e superficiais 
Podendo alterar suas características naturais de qualidade e determinando 
impactos e/ou riscos sobre os bens a proteger, localizados na própria área ou em seus 
arredores. 
As vias de contaminação podem ser por: 
 Lixiviação do solo para a água subterrânea; 
 Absorção e adsorção dos contaminantes nas raízes de plantas, verduras e 
legumes; 
 5 
 
 
 Escoamento superficial para a água superficial; 
 Inalação de vapores; 
 Contato pela pele com o solo; 
 Ingestão por seres humanos e animais. 
 
Figura 1 – Absorção e Adsorção pelas raízes em solo contaminado 
Fonte: Tutida e Fogaça, 2010. 
Absorção x Adsorção 
 Na absorção, a substância absorvida é embebida pela substância 
absorvente, como exemplo imagine uma esponja absorvendo a água. 
 Na adsorção, a substância fica apenas retida na superfície 
adsorvente, sem ser incorporada ao volume da outra. 
Portal Tratamento de Água, 2016 
 
Contaminação 
Presença de substância(s) química(s) no ar, água ou solo, 
decorrentes de atividades antrópicas, em concentrações tais que restrinjam 
a utilização desse recurso ambiental para os usos atual ou pretendido, 
definidas com base em avaliação de risco à saúde humana, assim como 
aos bens a proteger, em cenário de exposição padronizado ou específico. 
Resolução CONAMA nº 420, 2009 
 6 
 
 
A Resolução CONAMA nº 420 (2009) dispõe sobre critérios e valores 
orientadores de qualidade do solo quanto à presença de substâncias químicas. 
Considerando que a existência de áreas contaminadas pode configurar sério 
risco à saúde pública e ao meio ambiente, tem-se a necessidade de prevenir a 
contaminação do subsolo e das águas subterrâneas, estabelecendo critérios para 
definição de valores orientadores para a prevenção da contaminação dos solos e 
definindo diretrizes para o gerenciamento de áreas contaminadas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 7 
 
 
 SOLOS 
De acordo com artigo 3º da resolução CONAMA nº 420 (2009), a proteção do 
solo deve ser realizada de maneira: 
 Preventiva: A fim de garantir a manutenção da sua funcionalidade; 
 Corretiva: Visando restaurar sua qualidade ou recuperá-la de forma 
compatível com os usos previstos. 
São funções principais do solo: 
I. Servir como meio básico para a sustentação da vida e de habitat para 
pessoas, animais, plantas e outros organismos vivos; 
II. Manter o ciclo da água e dos nutrientes; 
III. Servir como meio para a produção de alimentos e outros bens primários de 
consumo; 
IV. Agir como filtro natural, tampão e meio de adsorção, degradação e 
transformação de substâncias químicas e organismos; 
V. Proteger as águas superficiais e subterrâneas; 
VI. Servir como fonte de informação quanto ao patrimônio natural, histórico e 
cultural; 
VII. Constituir fonte de recursos minerais; 
VIII. Servir como meio básico para a ocupação territorial, práticas recreacionais 
e propiciar outros usos públicos e econômicos. 
 Qualidade do Solo 
Em seu artigo 7º, a resolução CONAMA nº 420 (2009) aponta que a avaliação 
da qualidade de solo, quanto à presença de substâncias químicas, deve ser efetuada 
com base em Valores Orientadores de Referência de Qualidade, de Prevenção e de 
Investigação, definidos como: 
 Valores Orientadores: Concentrações de substâncias químicas que 
fornecem orientação sobre a qualidade e as alterações do solo e da água 
subterrânea: 
 Valor de Referência de Qualidade – VRQ: Concentração de 
determinada substância que define a qualidade natural do solo, sendo 
 8 
 
 
determinado com base em interpretação estatística de análises físico-
químicas de amostras de diversos tipos de solos. 
 Valor de Prevenção - VP: Concentração de valor limite de 
determinada substância no solo, tal que ele seja capaz de sustentar as 
suas funções principais. 
 Valor de Investigação – VI: Concentração de determinada substância 
no solo ou na água subterrânea acima da qual existem riscos 
potenciais, diretos ou indiretos, à saúde humana, considerando um 
cenário de exposição padronizado. 
Segundo o artigo 8º, os Valores de Referência de Qualidade (VRQs) do solo 
para substâncias químicas naturalmente presentes serão estabelecidos pelos órgãos 
ambientais competentes dos Estados e do Distrito Federal. 
Segundo o artigo 9º e 10: 
 Valores de Prevenção (VPs): Estabelecidoscom base em ensaios de fito 
toxicidade ou em avaliação de risco ecológico; 
 Valores de Investigação (VIs): Derivados com base em avaliação de risco 
à saúde humana, em função de cenários de exposição padronizados para 
diferentes usos e ocupação do solo. 
São adotados conforme valores apresentados na Tabela 1. 
 
 
 
 
 9 
 
 
Tabela 1 – Lista de valores orientadores para solos e para águas subterrâneas 
 
 
 10 
 
 
 
 11 
 
 
Fonte: CONAMA, 2009. 
O artigo 13 estabelece as seguintes classes de qualidade dos solos, segundo 
a concentração de substâncias químicas: 
 Classe 1: Solos que apresentam concentrações de substâncias químicas 
menores ou iguais ao VRQ; 
 Classe 2: Solos que apresentam concentrações de pelo menos uma 
substância química maior do que o VRQ e menor ou igual ao VP; 
 Classe 3: Solos que apresentam concentrações de pelo menos uma 
substância química maior que o VP e menor ou igual ao VI; 
 Classe 4: Solos que apresentam concentrações de pelo menos uma 
substância química maior que o VI. 
 12 
 
 
De acordo com o artigo 14. os empreendimentos que desenvolvem atividades 
com potencial de contaminação dos solos e águas subterrâneas, visando a 
prevenção e controle da qualidade do solo, deverão: 
I. Implantar programa de monitoramento de qualidade do solo e das águas 
subterrâneas na área do empreendimento e, quando necessário, na sua 
área de influência direta e nas águas superficiais; 
II. Apresentar relatório técnico conclusivo sobre a qualidade do solo e das 
águas subterrâneas, a cada solicitação de renovação de licença e 
previamente ao encerramento das atividades. 
 Gerenciamento de Áreas Contaminadas 
Segundo o artigo 22 da resolução CONAMA nº 420 (2009), o gerenciamento 
de áreas contaminadas deverá conter procedimentos e ações voltadas ao 
atendimento dos seguintes objetivos: 
I. Eliminar o perigo ou reduzir o risco à saúde humana; 
II. Eliminar ou minimizar os riscos ao meio ambiente; 
III. Evitar danos aos demais bens a proteger; 
IV. Evitar danos ao bem estar público durante a execução de ações para 
reabilitação; 
V. Possibilitar o uso declarado ou futuro da área, observando o planejamento 
de uso e ocupação do solo. 
Define-se como: 
 Área Suspeita de Contaminação – AS: Aquela em que, após a realização 
de uma avaliação preliminar, forem observados indícios da presença de 
contaminação ou identificadas condições que possam representar perigo. 
 Área Contaminada sob Investigação – AI: Aquela em que 
comprovadamente for constatada, mediante investigação confirmatória, a 
contaminação com concentrações de substâncias no solo ou nas águas 
subterrâneas acima dos valores de investigação. 
 Área Contaminada sob Intervenção – ACI: Aquela em que for constatada 
a presença de substâncias químicas em fase livre ou for comprovada, após 
 13 
 
 
investigação detalhada e avaliação de risco, a existência de risco à saúde 
humana. 
 Área em Processo de Monitoramento para Reabilitação - AMR: Aquela 
em que o risco for considerado tolerável, após a execução de avaliação de 
risco. 
Os responsáveis pela contaminação da área, em consonância com o artigo 34, 
devem submeter ao órgão ambiental competente proposta para a ação de intervenção 
a ser executada sob sua responsabilidade, devendo a mesma, obrigatoriamente, 
considerar: 
I. O controle ou eliminação das fontes de contaminação; 
II. O uso atual e futuro do solo da área objeto e sua circunvizinhança; 
III. A avaliação de risco à saúde humana; 
IV. As alternativas de intervenção consideradas técnica e economicamente 
viáveis e suas consequências; 
V. O programa de monitoramento da eficácia das ações executadas; 
VI. Os custos e os prazos envolvidos na implementação das alternativas de 
intervenção propostas para atingir as metas estabelecidas. 
As alternativas de intervenção para reabilitação de áreas contaminadas 
poderão contemplar, de forma não excludente, as seguintes ações: 
I. Eliminação de perigo ou redução a níveis toleráveis dos riscos à segurança 
pública, à saúde humana e ao meio ambiente; 
II. Zoneamento e restrição dos usos e ocupação do solo e das águas 
superficiais e subterrâneas; 
III. Aplicação de técnicas de remediação; 
IV. Monitoramento. 
 
 
 
 
 14 
 
 
 AGROTÓXICOS 
Segundo Ribas e Matsumura (2009) os agrotóxicos são produtos químicos 
capazes de controlar pragas (animais e vegetais) e doenças em plantas. Suas 
propriedades físico-químicas, bem como a frequência de uso, modo de aplicação, 
características bióticas e abióticas do ambiente e condições climáticas podem 
determinar o seu destino no ambiente. Essas características definem o espectro de 
impactos no meio ambiente e na saúde humana causados pelos agrotóxicos. 
Os impactos na saúde humana são agudos ou crônicos, principalmente nos 
processos neurológicos, reprodutivos e respiratórios. 
No meio ambiente, os agrotóxicos têm trazido uma série de transtornos e 
modificações, atingindo a biota, água, solo entre outros ecossistemas. 
 Agrotóxicos; 
 Defensivos químicos 
 Pesticidas 
 Praguicidas 
 Remédios de planta 
 Venenos 
São algumas das inúmeras denominações relacionadas a um grupo de 
substâncias químicas utilizadas no controle de pragas e doenças de plantas e 
aplicadas em florestas (nativas e plantadas), nos ambientes hídricos, urbanos e 
industriais e, em larga escala, na agricultura e pastagens para a pecuária. 
Podem ser classificadas como: 
 Inseticidas: Controle de insetos; 
 Fungicidas: Controle de fungos; 
 Herbicidas: Controle de plantas invasoras; 
 Desfolhantes: Controle de folhas indesejadas; 
 Fumigantes: Controle de bactérias do solo; 
 Rodenticidas ou raticidas: Controle de roedores/ratos; 
 Nematicidas: Controle de nematóides; 
 Acaricidas: Controle de ácaros. 
 15 
 
 
A avaliação e a classificação do potencial de periculosidade ambiental de um 
agrotóxico são baseadas em estudos físico-químicos, toxicológicos e 
ecotoxicológicos. 
Dessa forma um agrotóxico pode ser classificado quanto à periculosidade 
ambiental, em classes que variam de I a IV: 
 Classe I: Produtos altamente perigosos ao meio ambiente. Ex.: Maioria dos 
organoclorados. 
Segundo Braibante e Zappe (2012) o DDT é classificado como um 
organoclorado, composto por átomos de carbono (C), hidrogênio (H) e cloro 
(Cl). 
As principais características dos organoclorados são: 
 Insolubilidade em água; 
 Solubilidade em líquidos apolares como éter, clorofórmio e, 
consequentemente, em óleos e gorduras, o que ocasiona o 
acúmulo do DDT no tecido adiposo dos organismos vivos; 
 Alta estabilidade, pois demora muitos anos para ser degradado na 
natureza devido à baixa reatividade das ligações químicas 
presentes no composto em condições normais. 
Figura 2 - Fórmula estrutural do DDT. 
Fonte: Braibante e Zappe, 2012. 
 Classe II: Produtos muito perigosos ao meio ambiente. Ex.: Malathion. 
 16 
 
 
Figura 3 - Estrutura química do Malathion. 
Fonte: Kanapik, 2018. 
 Casse III: Produtos perigosos ao meio ambiente. Ex.: Carbaril e o glifosato. 
Figura 4 - Fórmula química do Carbaril 
Fonte: Anastasio, 2016. 
 Classe IV: Produtos pouco perigosos ao meio ambiente. Ex.: Derivados de 
óleos minerais. 
Braibante e Zappe (2012) complementa que essa classificação está de acordo 
com o resultado dos testes e estudos feitos em laboratórios, que objetivam 
estabelecer a dosagem letal 50% (DL50), que é a quantidade de substância necessária 
paramatar 50% dos animais testados nas condições experimentais utilizadas. 
Considerando que a capacidade de determinada substância causar morte ou 
algum efeito sobre os animais depende da sua concentração no corpo do indivíduo, a 
dose letal é expressa em miligrama da substância por quilograma da massa corporal. 
 17 
 
 
A toxicidade de uma substância também pode variar de acordo com o modo de 
administração e os rótulos dos produtos são identificados por meio de faixas coloridas, 
conforme Tabela 2. 
Tabela 2 - Classificação toxicológica dos agrotóxicos 
Fonte: Braibante e Zappe, 2012. 
No Quadro 1, são apresentados dois exemplos dos principais princípios ativos 
de dois agrotóxicos, glifosato e deltametrina, nomenclatura, funções orgânicas, as 
culturas onde estes podem ser utilizados e sua toxicidade. 
Quadro 1 - Ingredientes ativos de agrotóxicos 
Fonte: Braibante e Zappe, 2012. 
Mais extensa do que a lista das denominações e classificações que os 
agrotóxicos recebem é a lista dos impactos gerados por eles na saúde humana e no 
meio ambiente. 
 Destinação no Ambiente 
De acordo com Ribas e Matsumura (2009) as propriedades físico-químicas dos 
agrotóxicos, bem como a quantidade e a frequência de uso, métodos de aplicação, 
características bióticas e abióticas do ambiente e as condições meteorológicas 
determinam o destino dos pesticidas no ambiente. 
 18 
 
 
Essas condições variam de acordo com o produto e com os fatores 
relacionados à sua aplicação, por isso não é possível prever um modelo para o 
comportamento destes pesticidas nem sua interação com o ambiente. Entretanto, 
alguns processos são conhecidos e descritos para diferentes produtos, tais como 
retenção, transformação e transporte. Esses processos podem predizer como o 
produto se comportará interagindo com as partículas do solo e com outros 
componentes, com sua velocidade de evaporação, solubilidade em água e 
bioacumulação (Figura 5). 
Esses processos também podem ser analisados no Quadro 2, relacionando os 
processos de transferência e degradação que controlam a dinâmica e o destino de 
pesticidas no meio ambiente. 
 19 
 
 
Figura 5 - Modelo conceitual de fatores e processos que governam o destino de pesticidas no 
solo e como o destino desses pesticidas afeta a sua eficácia e o impacto ambiental 
Fonte: Ribas e Matsumura, 2009. 
Quadro 2 - Dinâmica/destino de agrotóxicos no ambiente 
Fonte: Ribas e Matsumura, 2009. 
 20 
 
 
A persistência de pesticidas no solo depende da eficiência dos processos 
físicos de transformação citados, sabe-se que alguns fungicidas inorgânicos, como os 
cúpricos, podem persistir no ambiente por décadas. No entanto, a maioria dos 
fungicidas orgânicos tem meia-vida curta, apesar de os produtos de sua 
decomposição poderem persistir por longo tempo. 
Por exemplo, o tiofanato metílico é convertido em carbendazim no solo, mas o 
último persiste por meses. Os hidrocarbonetos aromáticos, como PCNB 
(pentacloronitrobenzeno), podem persistir no solo por vários anos. 
Santos (2017) complementa que após a aplicação de um agrotóxico, seu 
comportamento no meio ambiente é governado por processos físicos, químicos, físico-
químicos e biológicos (Figura 6) como: 
 Retenção - Sorção; 
 Transformação - Degradação biológica, fotodegradação e decomposição 
química; 
 Transporte - Deriva, volatilização, lixiviação e carreamento superficial. 
Além destes processos: 
 Condições meteorológicas; 
 Composição das populações de microrganismos no solo; 
 Presença ou ausência de plantas; 
 Localização do solo na topografia; 
 Práticas de manejo dos solos; 
Também podem afetar o destino de agrotóxicos no ambiente. 
 21 
 
 
Figura 6 - Dinâmica dos agrotóxicos no meio ambiente 
Fonte: Santos, 2017. 
Figura 7 - Dinâmica dos agrotóxicos no meio ambiente 
Fonte: Steffen et al., 2011. 
 22 
 
 
3.1.1 Retenção 
A sorção é um processo físico-químico em que moléculas de agrotóxicos são 
retidas a uma superfície sólida (por exemplo, matéria orgânica do solo) por meio de 
mecanismos que envolvem ligações covalentes, ligação iônica, ligações de 
hidrogênio, forças de Van Der Waals e interações hidrofóbicas. 
Assim, a Matéria Orgânica do Solo (MOS) pode atuar como adsorvente com 
elevado potencial de mitigação da lixiviação de um agrotóxico, sobretudo em solos 
arenosos. Alguns estudos evidenciam correlação positiva entre a MOS e a sorção de 
agrotóxicos. 
3.1.2 Transformação 
De acordo com Spadotto (2006) a degradação biológica, fotodegradação e 
decomposição química são processos pelos quais os agrotóxicos são transformados 
em outros compostos, podendo essa transformação ser completa ou não. 
Assim, por meio dos processos de transformação, os 40 agrotóxicos podem 
resultar em compostos com persistência e toxicidade maiores ou menores que a 
molécula original. 
3.1.3 Transporte 
A deriva é um dos principais motivos de perdas de agrotóxicos e consequente 
contaminação ambiental, é tudo aquilo que não atinge o alvo durante a aplicação, ou 
seja, parte da pulverização agrícola que é carregada para fora da área-alvo, pela ação 
do vento. No entanto, Spadotto (2006), afirma que a ausência de vento pode também 
ser prejudicial, pois as gotas muito finas podem ficar suspensas no ar devido à 
estabilidade atmosférica, dispersando-se até vários quilômetros do local de aplicação, 
sendo, muitas vezes, somente removidas da atmosfera pela ação da chuva. 
O fenômeno da volatilização, representa uma importante fonte de perda de 
agrotóxicos para o ambiente, e se baseia em um processo físico-químico pelo qual 
um composto é transferido da solução do solo e/ou da superfície do solo e plantas 
para a fase gasosa. Esse processo é fundamentalmente dependente das 
propriedades físico-químicas do composto como sua estrutura e peso molecular, 
pressão de vapor e também das condições climáticas locais. 
 23 
 
 
A lixiviação dos agrotóxicos através do solo tende a resultar em contaminação 
das águas subterrâneas devido ao carreamento de substâncias químicas em solução 
juntamente com a água. A extensão da contaminação desses ambientes aquáticos 
depende: 
 Das propriedades dos agrotóxicos; 
 Das características do solo 
 Da velocidade de drenagem 
 Da profundidade do lençol freático. 
O uso do solo, as condições hidrogeológicas do local e o grupo geológico do 
solo são outros fatores que também podem afetar a concentração dos agrotóxicos nas 
águas subterrâneas. 
O carreamento superficial corresponde ao movimento do agrotóxico pela 
água de enxurrada na superfície do solo, podendo chegar à superfície dos rios, lagos, 
córregos, açudes e terrenos com declividade baixa. 
Esse fenômeno é uma importante rota de deslocamento dos agrotóxicos, pois 
em seus momentos iniciais após a aplicação o composto pode ser carreado para fora 
da área em solução na água de escoamento ou, ainda pode ser adsorvido fortemente 
às argilas e à matéria orgânica sendo transportado pelo arraste das partículas do solo. 
 Agrotóxicos e Meio Ambiente 
O aumento considerável no volume de agrotóxicos aplicados tem trazido uma 
série de transtornos e modificações para o ambiente, tanto pela contaminação das 
comunidades de seres vivos que o compõe, quanto pela sua acumulação nos 
segmentos bióticos e abióticos do ecossistema (biota, água, ar, solo, etc.). 
Um dos efeitos indesejáveis provocado pelos agrotóxicos é a contaminação de 
espécies não-alvo, ou seja, espécies que não interferem no processo de produção. A 
Tabela 3 apresenta o grau de toxicidadee persistência (variando de 1 a 5) nos 
principais grupos de animais atingidos pela contaminação ambiental por agrotóxicos, 
exceto humanos. 
 24 
 
 
Tabela 3 - Toxicidade e persistência ambiental de alguns agrotóxicos (escala 1 a 5) 
Fonte: Ribas e Matsumura, 2009. 
Segundo Ribeiro et al. (2007), os recursos hídricos agem como integradores de 
todos os processos biogeoquímicos em qualquer região, assim, superficiais ou 
subterrâneos, são os principais destinos de pesticidas, principalmente quando 
aplicados na agricultura. A preocupação com a contaminação de recursos hídricos 
com pesticidas aumentou a partir do ano de 1979, quando os primeiros traços de 
contaminação foram detectados nos EUA. 
A água subterrânea faz parte de um processo dinâmico e interativo do ciclo 
hidrológico, pelo qual a água circula do oceano para a atmosfera e dessa para os 
continentes, de onde retorna, superficial e subterraneamente, ao oceano. A Figura 
5 apresenta as inter-relações da água subterrânea com os vários sistemas existentes. 
Mesmo em concentrações baixas, são encontrados resíduos de pesticidas em 
amostras de água subterrânea em países como Grã-Bretanha, Alemanha, Estados 
Unidos, Grécia, Bulgária, Espanha, Portugal e Brasil. 
De maneira geral, a contaminação dos ambientes aquáticos no Brasil por 
resíduos de agrotóxicos pode ser considerada como moderada, salvo exceções em 
áreas altamente poluídas e é, comparativamente, menor que a presente nos países 
do hemisfério norte. 
 
 
 
 25 
 
 
Figura 8 – Ciclo hidrológico e as inter-relações entre os vários sistemas 
Fonte: Ribeiro et al. , 2007. 
No solo, a preocupação com a contaminação é referente à interferência desses 
princípios ativos em processos biológicos responsáveis pela oferta de nutrientes. 
São consideráveis as alterações sofridas na degradação da matéria orgânica, 
através da inativação e morte de microrganismos e invertebrados que se desenvolvem 
no solo. A ciclagem de nutrientes pode ser afetada quando, por exemplo, o princípio 
ativo persistente no solo interfere no desenvolvimento de bactérias fixadoras de 
nitrogênio, responsáveis pela disponibilização desse mineral às plantas. 
A respiração do solo é um parâmetro utilizado para se observar a atividade 
geral dos microrganismos e pode ser utilizada como ferramenta para verificar a os 
efeitos dos agrotóxicos sobre diferentes populações de microrganismos. 
 Impacto sobre a Saúde Humana 
Conforme Ribas e Matsumura (2009) os agrotóxicos são produzidos a partir de 
diferentes substâncias químicas, desenvolvidos para matar, exterminar, combater 
ou impedir o desenvolvimento (já que alguns atuam sobre processos específicos) de 
diferentes organismos considerados prejudiciais às culturas implantadas no sistema 
 26 
 
 
agrícola mundial. Assim, por sua forma de ação, por atuarem sobre processos vitais, 
esses produtos têm ação sobre a constituição física e saúde do ser humano. 
Os efeitos sobre a saúde podem ser de dois tipos: 
 Efeitos agudos: Aqueles que resultam da exposição a concentrações de 
um ou mais agentes tóxicos, capazes de causar dano efetivo aparente em 
um período de 24 horas; 
 Efeitos crônicos: Aqueles que resultam de uma exposição continuada a 
doses relativamente baixas de um ou mais produtos. 
No Quadro 3, apresenta-se um sumário dos principais efeitos agudos e 
crônicos causados pela exposição aos principais agrotóxicos disponíveis de acordo 
com a praga que controlam e ao grupo químico a que pertencem. 
Quadro 3 - Efeitos da exposição aos agrotóxicos 
Fonte: Ribas e Matsumura, 2009. 
 27 
 
 
Dentre todos os casos de impactos sobre organismos específicos, os seres 
humanos são os mais afetados, pois a contaminação de águas e solo, bem como 
o impacto direto na biodiversidade interferem diretamente na qualidade de vida 
humana. 
Também existem resíduos presentes nos alimentos e na água potável, fatores 
que podem tornar-se carcinogênicos. Existem diversos relatos de doenças e óbitos 
causados por pesticidas, cerca de 20 mil mortes/ano. No Brasil, a segunda principal 
causa de intoxicação é por agrotóxicos, depois de medicamentos, entretanto, a morte 
dos intoxicados ocorre com maior incidência entre os que tiveram contato com 
agrotóxicos. 
 Produtores e aplicadores também estão diretamente expostos à contaminação 
por pesticidas. A exposição acidental a esses químicos é muito comum, e o número 
de casos é bem maior do que o relatado, já que muitos acidentes não são notificados. 
Casos de desastres em grandes proporções são relatados como o de Bhopal, 
na Índia, onde ouve entre 2000 a 5000 mortes e 50 mil feridos devido à exposição ao 
isocianato. Na Itália ocorreu um acidente com TCDD (tetraclorodibenzo-dioxina), 32 
mil pessoas foram afetadas e 459 pessoas morreram. Ainda há o registro de 6070 
casos de doença causados pela ingestão de grãos contaminados com pesticidas. 
Um exemplo da contaminação de aplicadores que, normalmente, não têm 
nenhuma informação sobre o uso de equipamentos de proteção individual é relatado 
por Araújo, Nogueira e Augusto (2000) na cultura de tomate de mesa, na região de 
Vale do São Francisco e no município de Camocim de São Felix, localizados no 
agreste de Pernambuco. 
Muitos aplicadores de pesticidas dessas regiões apresentaram sintomas 
esperados para o grupo de risco e pouquíssimos (apenas três no Vale do São 
Francisco) realizavam exames periódicos de saúde. No município de Camocim de São 
Félix 13,2% dos trabalhadores já sofreram algum tipo de intoxicação, e dos 159 
entrevistados, 45 sentem-se mal durante a aplicação do produto. Entre as mulheres 
entrevistadas, 70,6% relatou a perda de fetos e 39,4% revelou ter perdido filhos com 
menos de um ano de vida. 
Também relacionado à produção de tomates, Ferreira et al. (2006) 
demonstraram que 58,6% das amostras provenientes da produção de tomate de mesa 
 28 
 
 
do município de Paty do Alferes, RJ estavam impróprias para o consumo, contendo 
resíduos de inseticidas organofosforados metamidofós e a presença ilegal do 
organoclorado endosulfan, violando os valores estabelecidos para resíduos na 
legislação brasileira de resíduos tóxicos. 
Belchior et al. (2014) completa que, diante do exposto sobre os efeitos de 
agrotóxicos sobre o meio ambiente, o ser humano acaba por ser afetado, visto que é 
dependente dos recursos do meio para sobrevivência (água, terra, ar, alimento). No 
tocante à exposição humana aos agrotóxicos, a alimentação é um dos principais 
problemas. 
Um estudo realizado em 2012, pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária 
(Anvisa), em 2.488 amostras de alimentos (cereais, frutas e verduras) nas capitais 
brasileiras, demonstrou amostras insatisfatórias, ou seja, com limite residual acima do 
permitido, conforme o observado na Figura 6. 
Figura 9 - Resíduos de agrotóxicos em alimentos 
Fonte: Belchior et al., 2014. 
A utilização dos agrotóxicos no meio rural brasileiro tem trazido uma série de 
consequências, que são agravadas por uma série de determinantes de ordens 
cultural, social e econômica. Mesmo que alguns dos ingredientes ativos dos 
agrotóxicos possam ser classificados como medianamente ou pouco tóxicos, pelos 
seus efeitos agudos, não se pode deixar de considerar os efeitos crônicos, que podem 
 29 
 
 
ocorrer meses, anos ou até décadas após a exposição, manifestando-se em várias 
doenças. 
A comunidade científica tem detectado a presença de agrotóxicos diversos em 
amostras de sangue humano, urina e leite materno. Desse modo, são elevadas as 
possibilidades de ocorrência de anomalias congênitas, câncer,disfunções na 
reprodução humana, bem como distúrbios endócrinos, neurológicos e mentais. 
Segundo Moreira et al. (2002), os principais meios de contaminação humana 
por agrotóxicos são: 
 O ambiental 
 O ocupacional 
 O alimentar 
Figura 10 - Esquema dos principais meios de contaminação humana por agrotóxicos 
Fonte: Moreira et al., 2002. 
Nesse contexto, um estudo realizado por Palma et al. (2014) na cidade de 
Lucas do Rio Verde, no estado de Mato Grosso, corrobora Moreira et al. (2002). O 
referido trabalho revelou que de 62 amostras de leite materno de mães em fase de 
amamentação, todas apresentaram, pelo menos, um tipo de pesticida. Para os 
 30 
 
 
autores, os resultados podem ser oriundos da exposição ocupacional, ambiental e 
alimentar do processo produtivo da agricultura. 
Demonstram que a população que vive em municípios rodeados por grandes 
cultivos, os chamados polos agrícolas, está exposta aos efeitos deletérios dos 
variados agrotóxicos. 
Segundo Braibante e Zappe (2012), para minimizar a possibilidade de qualquer 
tipo de acidente, todo agrotóxico, independente da classe a que pertence, deve ser 
utilizado com cuidado, seguindo-se sempre as recomendações dos fornecedores e de 
pessoas especializadas, com o uso de equipamentos de proteção individual (EPI) 
pelos aplicadores. Os EPI utilizados são jaleco, calça, botas, avental, respirador, 
viseira, touca árabe e luvas. 
Figura 11 - Instruções para a utilização de Equipamentos de Proteção Individual 
Fonte: Braibante e Zappe, 2012. 
 
SAIBA MAIS! 
 Assista ao seminário promovido pela inciativa Brasil Saúde Amanhã 
no contexto da Estratégia Fiocruz para Agenda 2030, que teve como tema: 
“Mortalidade e doenças por produtos químicos perigosos, 
contaminação e poluição do ar e água do solo” 
Disponível em: 
https://www.youtube.com/watch?v=pQxBNxYxE-g&feature=emb_logo 
https://www.youtube.com/watch?v=pQxBNxYxE-g&feature=emb_logo
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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
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dezembro de 2009. Dispõe sobre critérios e valores orientadores de qualidade do 
solo quanto à presença de substâncias químicas e estabelece diretrizes para o 
gerenciamento ambiental de áreas contaminadas por essas substâncias em 
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