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1 
Metodologia Científica 
 
 
 
2 
Metodologia Científica 
Gestão da Educação a Distância 
Cidade Universitária – Bloco C 
Avenida Alzira Barra Gazzola, 650, 
Bairro Aeroporto. Varginha /MG 
ead.unis.edu.br 
0800 283 5665 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Todos os direitos desta edição ficam 
reservados ao Unis – MG. 
É proibida a duplicação ou reprodução 
deste volume (ou parte do mesmo), 
sob qualquer meio, sem autorização 
expressa da instituição. 
 
 
 
3 
Metodologia Científica 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
É doutor em educação, pesquisando a (re)significação docente de formadores de 
musicalizadores na convergência de ambientes virtuais e físicos. É mestre em 
Tecnologias da Inteligência e Design Digital sob a área de concentração de 
"Processos Cognitivos e Ambientes Digitais" onde focalizou a linha de pesquisa 
"Aprendizagem e Semiótica Cognitiva". No mestrado, contou com bolsa 
CAPES/PROSUP, onde pesquisou por recursos tecnológicos, ubíquos e pervasivos 
em processos cooperativos de ensino e aprendizagem. Também tem as seguintes 
pós-graduações (lato sensu): Docência em Educação a Distância, Psicopedagogia 
Institucional, Designer Instrucional para a EaD virtual e Tecnologia e EaD. Tem 
licenciatura e Bacharelado em Música com habilitação em Instrumento (Guitarra 
Jazz). Atualmente é Coordenador do Curso de Licenciatura em Música e professor 
em cursos de graduação e pós-graduação do Unis-MG. Tem experiência na área 
das tecnologias aplicadas à educação superior, à gestão de conhecimentos 
corporativos, à educação a distância e musical. Atuou como membro do Comitê de 
Autoria 
 
 
Prof. Dr. 
Celso Augusto dos Santos Gomes 
 
 
 
 
4 
Metodologia Científica 
Ética em Pesquisa da Fundação de Ensino e Pesquisa do Sul de Minas - 
CEP/FEPESMIG. 
 
Currículo Lattes http://lattes.cnpq.br/8784835682994528 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
GOMES, Celso Augusto dos Santos. Guia de Estudo – Metodologia 
Científica. Varginha: GEaD-UNIS/MG, 2017. 
98 p. 
 1. Pensamento Científico 2. Citações e Referências 3. Projeto de 
Pesquisa. 
I. Metodologia Científica. 
 
 
 
 
http://lattes.cnpq.br/8784835682994528
 
 
 
5 
Metodologia Científica 
 
Saudações! 
Este material foi construído com a intenção de ser um apoio para que 
possamos nos direcionar a um importante componente em nosso atual percurso 
acadêmico: o trabalho de conclusão de curso. 
Um trabalho que se destina à construção de conhecimentos de uma forma 
um pouco diferente da que vimos nas outras disciplinas deste curso. Essa 
construção de conhecimentos, portanto, se mostrará pautada na 
interdisciplinaridade e na articulação entre teoria e prática. Uma articulação que 
tende a acontecer no ato de se pesquisar e refletir sobre conceitos, técnicas e 
estratégias presentes no campo do conhecimento deste curso, trazendo à tona 
temas assimilados durante o período de estudo, de modo a proporcionar a você o 
nível adequado frente ao tema geral desta graduação. 
Embora todas as outras disciplinas deste curso se mostrem fundamentais 
para a condução, a disciplina que desenvolveremos com base neste material servirá 
para que possamos conectar de forma efetiva nossos conhecimentos com a 
realidade. 
Portanto, a produção de conhecimentos, tendo em vista o exercício da 
pesquisa científica, certamente exigirá de você muito esforço. Um esforço que lhe 
conduzirá, cada vez mais, a transformar-se em um profissional com conhecimentos 
concretos. Ou seja, com conhecimentos que, ao focar determinado tema, lhe 
ajudarão a desenvolver a criticidade e o comprometimento com as necessárias 
transformações ao meio social que lhe envolve, visto que essas são as principais 
características do profissional pesquisador. 
 
 
6 
Metodologia Científica 
 
Apesar de o tema da metodologia da pesquisa científica parecer algo 
monótono e extremamente teórico, convido você a ler este material tendo sempre 
em vista a sua pesquisa de conclusão de curso: o seu tema, as suas perguntas, as 
suas hipóteses, o seu percurso de pesquisa. Assim, espero que você interaja com 
este material de forma a dialogar, concordar parcial ou integralmente, discordar 
parcial ou integralmente com meus escritos e dos autores por mim aqui mostrados, 
para que seja possível construir o caminho para a sua pesquisa e para o seu 
crescimento profissional, tendo em vista sempre a criticidade. 
 
Abraço, boas leituras e ótimas reflexões! 
Prof. Celso Gomes 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
7 
Metodologia Científica 
 
 
 
 
O conhecimento científico, a ciência e o senso comum. O método e 
metodologia científica. Tipos de trabalhos científicos. Redação do 
trabalho, estrutura lógica e estilo. Técnica de esquematizar, resumir e 
fichar. Estrutura do projeto de pesquisa. Produção do trabalho 
científico: da definição do tema à elaboração da conclusão. Definição do 
método e a pesquisa científica. Regras da ABNT. Técnicas de 
apresentação do trabalho. 
 
 
 
 
 
 
Ver Plano de Estudos da disciplina, disponível no Ambiente Virtual. 
 
 
 
 
 
 Pensamento Científico. Citações e Referências. Projeto de Pesquisa. 
Ementa 
 
 
Orientações 
 
 
Palavras-chave 
 
 
 
 
8 
Metodologia Científica 
 
EMENTA ____________________________________________________________________ 7 
ORIENTAÇÕES ______________________________________________________________ 7 
PALAVRAS-CHAVE ___________________________________________________________ 7 
 
UNIDADE I - DIFERENCIANDO CIÊNCIA DE OUTRAS FORMAS DE CONHECIMENTO ___ 11 
1. INTRODUÇÃO _____________________________________________________________ 12 
1.2 SENSO COMUM ___________________________________________________________ 14 
1.3 IDEOLOGIA ______________________________________________________________ 17 
1.4 CIÊNCIA _________________________________________________________________ 20 
1.4.1CRITÉRIOS INTERNOS DA CIÊNCIA _____________________________________________ 20 
1.4.2 CRITÉRIOS EXTERNOS DA CIÊNCIA _____________________________________________ 23 
UNIDADE II – CONHECIMENTOS DISCIPLINARES, O MÉTODO CIENTÍFICO ___________ 27 
2. INTRODUÇÃO _____________________________________________________________ 28 
2.1 A IMPORTÂNCIA DOS CONHECIMENTOS DISCIPLINARES PARA A PRODUÇÃO CIENTÍFICA________ 28 
2.2 MÉTODO CIENTÍFICO _______________________________________________________ 31 
2.2.1 CONHECIMENTO, CIÊNCIA E MÉTODO __________________________________________ 31 
2.2.2. A METODOLOGIA CIENTÍFICA ________________________________________________ 34 
UNIDADE III – REVISÃO DE LITERATURA ________________________________________ 44 
3. INTRODUÇÃO DA UNIDADE ___________________________________________________ 45 
3.1 REVISÃO DE LITERATURA PARA SE ESTABELECER O ESTADO DA ARTE ______________________ 45 
UNIDADE IV – PESQUISA QUANTO AOS PROCEDIMENTOS ________________________ 49 
4. INTRODUÇÃO _____________________________________________________________ 50 
4.1 PESQUISA BIBLIOGRÁFICA ____________________________________________________ 50 
4.2 PESQUISA DE CAMPO _______________________________________________________ 51 
4.3 PESQUISA DE LABORATÓRIO __________________________________________________ 52 
4.4 PESQUISA DOCUMENTAL 
 ___________________________________________________ 52 
4.5 PESQUISA EX-POST-FACTO ___________________________________________________ 53 
4.6 PESQUISA DE LEVANTAMENTO _________________________________________________ 53 
4.7 PESQUISA COM SURVEY ______________________________________________________ 54 
4.8 ESTUDO DE CASO _________________________________________________________ 55 
4.9 PESQUISA-AÇÃO __________________________________________________________ 56 
4.10 PESQUISA PARTICIPANTE ____________________________________________________ 59 
4.11 PESQUISA ETNOGRÁFICA ____________________________________________________realiza-se em ambos os casos através 
de questionários ou entrevistas (FONSECA 2002, p. 33). 
 
 
 
 
 
 
 
4.7 Pesquisa com survey 
Este é um tipo de pesquisa que busca informação diretamente com um 
grupo de interesse a respeito dos dados que se deseja obter. Trata-se de um 
procedimento útil, especialmente em pesquisas exploratórias e descritivas 
(SANTOS apud SILVEIRA e CÓRDOVA, 2009). 
A pesquisa com survey pode ser referida como sendo a obtenção de dados 
ou informações sobre as características ou as opiniões de determinado grupo de 
pessoas, indicado como representante de uma população-alvo, utilizando um 
questionário como instrumento de pesquisa (FONSECA, 2002, p. 33). 
Silveira e Córdova (2009) chamam a atenção para que, nesse tipo de 
pesquisa, o respondente não é identificável, portanto, o sigilo é garantido. 
As pesquisas de levantamento permitem que se 
conheça a realidade por meio da obtenção de 
dados que, organizados em tabelas e gráficos, 
permitem que sejam realizados vários tipos de 
análises. 
 
Unidade IV 
 
 
 
55 
Metodologia Científica 
 
 
 
 
 
 
 
4.8 Estudo de caso 
Como aponta Gil (2007), este tipo de pesquisa é amplamente usado nas 
ciências biomédicas e sociais, pois se constitui como um estudo de caso, e pode ser 
caracterizado como um estudo de uma entidade bem definida como um programa, 
uma instituição, um sistema educativo, uma pessoa, ou uma unidade social. Silveira e 
Córdova (2009) denotam que os estudos de caso visam conhecer em 
profundidade o como e o porquê de uma determinada situação que se supõe ser 
única em muitos aspectos, procurando descobrir o que há nela de mais essencial e 
característico. 
 
 
 
 
 
 
 
O estudo de caso pode decorrer de acordo com uma perspectiva 
interpretativa, que procura compreender como é o mundo do ponto de vista dos 
participantes, ou uma perspectiva pragmática, que visa simplesmente apresentar 
uma perspectiva global, tanto quanto possível completa e coerente, do objeto de 
estudo do ponto de vista do investigador (FONSECA, 2002, p. 33). 
As pesquisas de opinião sobre determinado atributo, 
a realização de um mapeamento geológico ou 
botânico. 
 
Neste tipo de pesquisa, o pesquisador não deve, de 
modo algum, intervir sobre o objeto a ser estudado, 
mas sim apenas revelar tal objeto segundo sua 
percepção e baseado em revisão bibliográfica. 
Unidade IV 
 
 
56 
Metodologia Científica 
 
Segundo Alves-Mazzotti apud Silveira e Córdova (2009), os exemplos mais 
comuns para esse tipo de estudo são os que focalizam apenas uma unidade: um 
indivíduo (como os casos clínicos descritos por Freud), um pequeno grupo (como 
o estudo de Paul Willis sobre um grupo de rapazes da classe trabalhadora inglesa), 
uma instituição (como uma escola, um hospital), um programa (como o Bolsa 
Família), ou um evento (a eleição do diretor de uma escola). 
Ainda segundo o autor supracitado, os estudos de casos também podem 
ser múltiplos, assim, se observa por vários estudos dessa natureza e que são 
conduzidos simultaneamente: vários indivíduos (como, por exemplo, professores 
alfabetizadores bem-sucedidos), várias instituições (como, por exemplo, diferentes 
escolas que estão desenvolvendo um mesmo projeto). 
 
4.9 Pesquisa-ação 
Thiollent (1988) mostra que esse é um tipo de investigação social com base 
empírica que é concebida e realizada em estreita associação com uma ação ou com 
a resolução de um problema coletivo no qual os pesquisadores e os participantes 
representativos da situação ou do problema estão envolvidos de modo cooperativo 
ou participativo. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Segundo Serrano (1994), Kurt Lewin é reconhecido 
como o criador dessa linha de investigação. Lewin 
era um estudioso das questões psicossociais e 
pretendia, com esse tipo de pesquisa, investigar as 
relações sociais e conseguir mudanças em atitudes e 
comportamentos dos indivíduos. 
Unidade IV 
 
 
 
57 
Metodologia Científica 
 
É dentro dessa orientação que se desenvolve uma das linhas de pesquisa-
ação, que Corey apud Horn (2003) caracteriza como o processo pelo qual os 
práticos objetivam estudar cientificamente seus problemas de modo a orientar, 
corrigir e avaliar suas ações e decisões. Com a denominação de investigação-ação 
(action research), os livros de pesquisa da década de 1950 descrevem essa 
metodologia como uma ação sistemática e controlada desenvolvida pelo próprio 
pesquisador. Um exemplo clássico é o professor que decide fazer uma mudança na 
sua prática docente e a acompanha com um processo de pesquisa, ou seja, com um 
planejamento de intervenção, coleta sistemática dos dados, análise fundamentada na 
literatura pertinente e relato dos resultados. 
Fonseca (2002) mostra que a pesquisa-ação pressupõe uma participação 
planejada do pesquisador na situação problemática a ser investigada, nesse sentido: 
O processo de pesquisa recorre a uma metodologia sistemática, no 
sentido de transformar as realidades observadas, a partir da sua 
compreensão, conhecimento e compromisso para a ação dos 
elementos envolvidos na pesquisa (p. 34). O objeto da pesquisa-ação é 
uma situação social situada em conjunto e não um conjunto de variáveis 
isoladas que se poderiam analisar independentemente do resto. Os 
dados recolhidos no decurso do trabalho não têm valor significativo em 
si, interessando enquanto elementos de um processo de mudança 
social. O investigador abandona o papel de observador em proveito de 
uma atitude participativa e de uma relação sujeito a sujeito com os 
outros parceiros. O pesquisador quando participa na ação traz consigo 
uma série de conhecimentos que serão o substrato para a realização da 
sua análise reflexiva sobre a realidade e os elementos que a integram. A 
reflexão sobre a prática implica em modificações no conhecimento do 
pesquisador (p. 35). 
McKay e Marshall (2001) apresentam um esquema para o desenvolvimento 
de um projeto de pesquisa-ação constituído por oito etapas, como pode ser visto 
na figura a seguir. Se inicia na ‘Implementação do problema’ e tem sua finalização 
com a ‘Saída, se os resultados forem satisfatórios’. 
 
 
Unidade IV 
 
 
58 
Metodologia Científica 
 
Figura 01: Projeto de Pesquisa-ação 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Fonte: O autor 
 
Costa (2014) define as etapas ilustradas no esquema anterior da seguinte 
forma: 
 
Etapa 1, Identificação do Problema, consiste na tarefa do pesquisador 
em identificar o problema que tenha interesse em resolver ou 
perguntas que possam ser respondidas com a pesquisa. Etapa 2, o 
pesquisador deve se empenhar em promover uma ampla revisão de 
literatura em busca de teorias que possam estar alinhadas com fatos 
relevantes sobre o problema e sirvam para dar suporte à solução do 
problema identificado na Etapa 1. Etapa 3, consiste em desenvolver um 
Unidade IV 
 
 
 
59 
Metodologia Científica 
 
plano de ações para a solução do problema. Na Etapa 4, o plano de 
ação desenvolvido na etapa anterior deve ser colocado em prática. 
Etapa 5, consiste em monitorar as ações implementadas para saber se 
os resultados encontrados estão de acordo com o que se esperava 
para a solução do problema. Etapa 6, serve para a avaliação do efeito 
das ações. Esse é um ponto de decisão. Caso as ações implementadas 
na Etapa 4 tenham sucesso total e o problema tenha sido resolvido, é 
possível passar diretamente para a Etapa 8. Caso contrário, ações 
corretivas deverão ser implementadas na Etapa 7. A Etapa 7 deverá ser 
implementada caso o plano de ações elaborado na Etapa 3 necessite de 
ajustes. Isso deverá ocorrer enquanto os resultados obtidos na Etapa 6 
não forem satisfatórios. A Etapa 8 é a etapa conclusiva. Nesse ponto, o 
problema deverá estar resolvido e os objetivos da pesquisa atingidos 
com sucesso (p. 297). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
4.10 Pesquisa participanteEste tipo de pesquisa caracteriza-se, segundo Silveira e Córdova (2009), 
pelo envolvimento e identificação do pesquisador com as pessoas investigadas. 
Fonseca (2002) mostra que esse tipo de pesquisa foi criado por Bronislaw 
Malinowski: para conhecer os nativos das ilhas Trobriand, ele foi se tornar um deles. 
Rompendo com a sociedade ocidental, montava sua tenda nas aldeias que desejava 
estudar, aprendia suas línguas e observava sua vida quotidiana. 
Para Gil (2007, p. 55), a pesquisa-ação tem sido alvo 
de controvérsia devido ao envolvimento ativo do 
pesquisador e à ação por parte das pessoas ou 
grupos envolvidos no problema. Apesar das críticas, 
essa modalidade de pesquisa tem sido usada por 
pesquisadores identificados pelas ideologias 
reformistas e participativas. 
 
Unidade IV 
 
 
60 
Metodologia Científica 
 
 
 
 
 
 
 
4.11 Pesquisa etnográfica 
Segundo Silveira e Córdova (2009), a pesquisa etnográfica pode ser 
entendida como o estudo de um grupo ou povo. As características específicas da 
pesquisa etnográfica são: 
 
• o uso da observação participante, da entrevista intensiva e da análise de 
documentos; 
• a interação entre pesquisador e objeto pesquisado; 
• a flexibilidade para modificar os rumos da pesquisa; 
• a ênfase no processo, e não nos resultados finais; 
• a visão dos sujeitos pesquisados sobre suas experiências; 
• a não intervenção do pesquisador sobre o ambiente pesquisado; 
• a variação do período, que pode ser de semanas, de meses e até de anos; 
• a coleta dos dados descritivos, transcritos literalmente para a utilização no 
relatório. 
 
 
 
 
O estabelecimento de programas públicos ou 
plataformas políticas e a determinação de ações 
básicas de grupos de trabalho. 
Unidade IV 
 
 
 
61 
Metodologia Científica 
 
Temos como exemplo as pesquisas realizadas sobre os processos 
educativos, que analisam as relações entre escola, professor, aluno e sociedade, 
com o intuito de conhecer profundamente os diferentes problemas que sua 
interação desperta. 
 
4.12 Pesquisa etnometodológica 
O termo etnometodologia, segundo Silveira e Córdova (2009), designa uma 
corrente da Sociologia americana, que surgiu na Califórnia, no final da década de 
1960. 
 
 
 
 
 
 
 
Fonseca (2002) mostra que o termo etnometodologia: 
 
[...] se refere, nas suas raízes gregas, às estratégias que as pessoas 
utilizam cotidianamente para viver. Tendo essa referência por norte, a 
pesquisa etnometodológica visa compreender como as pessoas 
constroem ou reconstroem a sua realidade social. Para a pesquisa 
etnometodológica, fenômenos sociais não determinam de fora a 
conduta humana. A conduta humana é o resultado da interação social 
que se produz continuamente através da sua prática quotidiana. Os 
seres humanos são capazes de ativamente definir e articular 
procedimentos, de acordo com as circunstâncias e as situações sociais 
em que estão implicados. A pesquisa etnometodológica analisa deste 
O marco fundador desse tipo de pesquisa foi a 
publicação do livro de Harold Garfinkel “Studies in 
Ethnomethodology” (Estudos sobre 
Etnometodologia), em 1967 (COULON apud 
SILVEIRA e CÓRDOVA, 2009). 
 
Unidade IV 
 
 
62 
Metodologia Científica 
 
modo os procedimentos a que os indivíduos recorrem para concretizar 
as suas ações diárias (FONSECA, 2002, p. 36). 
Silveira e Córdova (2009) mostram que, para estudar as ações dos sujeitos 
na vida quotidiana, a pesquisa etnometodológica baseia-se em uma multiplicidade 
de instrumentos, entre os quais podemos citar: a observação direta, a observação 
participante, entrevistas, estudos de relatórios e documentos administrativos, 
gravações em vídeo e áudio. 
Assim, Coulon (1995) denota que a análise etnometodológica intenta 
esclarecer como as coisas vêm a ser como são nos grupos sociais, de que maneira 
cada grupo e cada membro apreende e dá sentido à realidade e por quais 
processos intersubjetivos a mediação da linguagem entre os grupos e seus lugares 
constrói a realidade social que afirmam. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Unidade IV 
 
 
 
63 
Metodologia Científica 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Experienciar o julgamento e abdução dos tipos de pesquisa para a produção 
de conhecimentos científicos, tendo em vista diferentes tipos de pesquisa e 
suas abordagens, naturezas e objetivos. 
 
 
 
 Ciclo 05 
 Atividade Teste 
 Título: Tipos de Trabalho Científico e Comunicação da Pesquisa 
 
 
 
Objetivos da Unidade 
 
 
Plano de Estudos 
 
 
V 
 
Unidade V – Pesquisa quanto 
à abordagem, natureza e 
objetivos 
 
 
64 
Metodologia Científica 
 
5. Introdução 
Nesta unidade, trago você à reflexão sobre alguns aspectos referentes à 
produção de conhecimentos sobre os diferentes tipos de pesquisa e suas 
abordagens, natureza e objetivos. Nesse sentido, conheceremos e pensaremos 
sobre aspectos quantitativos e qualitativos, além de refletirmos sobre as 
possibilidades de pesquisa quanto à natureza, seja ela básica, aplicada, exploratória 
descritiva ou explicativa. Então, vamos aos estudos! 
 
5.1 Pesquisa quanto à abordagem 
5.1.1 Pesquisa qualitativa 
Segundo Silveira e Córdova (2009), a pesquisa qualitativa não se preocupa 
com representatividade numérica, mas sim com o aprofundamento da 
compreensão de um grupo social, de uma organização, etc. Segundo Goldenberg 
(1997): 
 
Os pesquisadores que adotam a abordagem qualitativa opõem-se ao 
pressuposto que defende um modelo único de pesquisa para todas as 
ciências, já que as ciências sociais têm sua especificidade, o que 
pressupõe uma metodologia própria. Assim, os pesquisadores 
qualitativos recusam o modelo positivista aplicado ao estudo da vida 
social, uma vez que o pesquisador não pode fazer julgamentos nem 
permitir que seus preconceitos e crenças contaminem a pesquisa (p. 
34). 
 
Ainda segundo Silveira e Córdova (2009), os pesquisadores que utilizam os 
métodos qualitativos buscam explicar o porquê das coisas, exprimindo o que 
convém ser feito, mas não quantificam os valores e as trocas simbólicas nem se 
submetem à prova de fatos, pois os dados analisados são não métricos (suscitados 
e de interação) e se valem de diferentes abordagens. 
Unidade V 
 
 
 
65 
Metodologia Científica 
 
Deslauriers apud Silveira e Córdova (2009) mostra que, na pesquisa 
qualitativa, o cientista é ao mesmo tempo o sujeito e o objeto de suas pesquisas. 
Nesse sentido, o desenvolvimento da pesquisa é imprevisível, o conhecimento do 
pesquisador é parcial e limitado e o objetivo da amostra é de produzir informações 
aprofundadas e ilustrativas: seja ela pequena ou grande, o que importa é que ela 
seja capaz de produzir novas informações. 
A pesquisa qualitativa trabalha com o universo de significados, motivos, 
aspirações, crenças, valores e atitudes, o que corresponde a um espaço mais 
profundo das relações, dos processos e dos fenômenos que não podem ser 
reduzidos à operacionalização de variáveis. Aplicada inicialmente em estudos de 
Antropologia e Sociologia, como contraponto à pesquisa quantitativa dominante, 
tem alargado seu campo de atuação a áreas como a Psicologia e a Educação. A 
pesquisa qualitativa é criticada por seu empirismo, pela subjetividade e pelo 
envolvimento emocional do pesquisador (MINAYO, 2001, p. 14). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Como já vimos anteriormente neste guia, podemos 
entender que a pesquisa qualitativa se preocupa 
com aspectos da realidade que não podem ser 
quantificados, centrando-se na compreensão e 
explicação da dinâmica das relações sociais. 
Unidade V 
 
 
66 
Metodologia Científica 
 
Portanto, segundo Silveira e Córdova (2009), a pesquisa qualitativa se 
caracteriza pelo(a): 
 
• objetivação do fenômeno; 
• hierarquização das ações de descrever, compreender, explicar, precisão das 
relações entre o global e o local emdeterminado fenômeno; 
• observância das diferenças entre o mundo social e o mundo natural; 
• respeito ao caráter interativo entre os objetivos buscados pelos 
investigadores, suas orientações teóricas e seus dados empíricos; 
• busca de resultados os mais fidedignos possíveis; 
• oposição ao pressuposto que defende um modelo único de pesquisa para 
todas as ciências. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Apoiando-nos nas autoras citadas acima, podemos 
considerar que, na pesquisa qualitativa, o 
pesquisador deve estar atento para alguns limites e 
riscos, tais como: 
Unidade V 
 
 
 
67 
Metodologia Científica 
 
L
im
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e
s 
e
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e
sq
u
is
a 
q
u
al
it
at
iv
a
excessiva confiança no investigador como instrumento de coleta 
de dados; 
risco de que a reflexão exaustiva acerca das notas de campo 
possa representar uma tentativa de dar conta da totalidade do 
objeto estudado, além de controlar a influência do observador 
sobre o objeto de estudo; 
falta de detalhes sobre os processos através dos quais as 
conclusões foram alcançadas; 
falta de observância de aspectos diferentes sob enfoques 
diferentes; 
certeza do próprio pesquisador com relação a seus dados; 
sensação de dominar profundamente seu objeto de estudo; 
envolvimento do pesquisador na situação pesquisada, ou com 
os sujeitos pesquisados. 
Unidade V 
 
 
68 
Metodologia Científica 
 
5.1.2 Pesquisa quantitativa 
Diferentemente da pesquisa qualitativa, a pesquisa quantitativa, como se 
observa em seu próprio nome, se caracteriza pela quantificação dos resultados. 
Nesse sentido, mostra Fonseca (2002): 
 
Como as amostras geralmente são grandes e consideradas 
representativas da população, os resultados são tomados como se 
constituíssem um retrato real de toda a população alvo da pesquisa. A 
pesquisa quantitativa se centra na objetividade. Influenciada pelo 
positivismo, considera que a realidade só pode ser compreendida com 
base na análise de dados brutos, recolhidos com o auxílio de 
instrumentos padronizados e neutros. A pesquisa quantitativa recorre à 
linguagem matemática para descrever as causas de um fenômeno, as 
relações entre variáveis, etc. A utilização conjunta da pesquisa qualitativa 
e quantitativa permite recolher mais informações do que se poderia 
conseguir isoladamente (p. 20). 
 
No esquema a seguir podemos comparar os principais aspectos da pesquisa 
qualitativa e da pesquisa quantitativa: 
 
 
 
 
 
 
Unidade V 
 
 
 
69 
Metodologia Científica 
 
Tabela 1 - Comparação dos aspectos da pesquisa qualitativa com os da pesquisa 
quantitativa 
 
Aspecto 
 
Pesquisa Quantitativa Pesquisa Qualitativa 
Enfoque na interpretação 
do objeto 
menor maior 
Importância do contexto 
do objeto pesquisado 
menor maior 
Proximidade do 
pesquisador em relação aos 
fenômenos estudados 
menor maior 
Alcance do estudo no 
tempo 
 
instantâneo intervalo maior 
Quantidade de fontes de 
dados 
 
uma várias 
Ponto de vista do 
pesquisador 
 
externo à organização interno à organização 
Quadro teórico e hipóteses 
 
definidas rigorosamente menos estruturadas 
Fonte: (FONSECA, 2002) 
 
Segundo Polit et all (2004), a pesquisa quantitativa, que tem suas raízes no 
pensamento positivista lógico, tende a enfatizar o raciocínio dedutivo, as regras da 
lógica e os atributos mensuráveis da experiência humana. Por outro lado, a pesquisa 
qualitativa tende a salientar os aspectos dinâmicos, holísticos e individuais da 
Unidade V 
 
 
70 
Metodologia Científica 
 
experiência humana, para apreender a totalidade no contexto daqueles que estão 
vivenciando o fenômeno. 
Veja no esquema a seguir uma comparação entre o método quantitativo e 
o método qualitativo: 
Tabela 2: Pesquisa Quantitativa e Qualitativa 
Fonte: Polit et all (2004) 
 
Pesquisa
Quantitativa 
Focaliza uma quantidade pequena
de conceitos
Inicia com ideias preconcebidas do
modo pelo qual os conceitos estão
relacionados
Utiliza procedimentos estruturados
e instrumentos formais para coleta
de dados
Coleta os dados mediante
condic ̧o ̃es de controle
Enfatiza a objetividade, na coleta e
análise dos dados
Analisa os dados nume ́ricos
atrave ́s de procedimentos
estati ́sticos
Pesquisa 
Qualitativa 
Tenta compreender a totalidade
do feno ̂meno, mais do que
focalizar conceitos especi ́ficos
Possui poucas ideias
preconcebidas e salienta a
importância das interpretac ̧o ̃es
dos eventos mais do que a
interpretac ̧ão do pesquisador
Coleta dados sem instrumentos
formais e estruturados
Não tenta controlar o contexto da
pesquisa, e sim captar o contexto
na totalidade
Enfatiza o subjetivo como meio de
compreender e interpretar as
experie ̂ncias
Unidade V 
 
 
 
71 
Metodologia Científica 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
5.3 Quanto à natureza 
5.3.1 Pesquisa básica 
Silveira e Córdova (2009) mostram que este tipo de pesquisa visa por 
conhecimentos novos, úteis para o avanço da Ciência, sem aplicação prática 
prevista. Envolve verdades e interesses universais. 
 
5.3.2 Pesquisa aplicada 
Objetiva, segundo Silveira e Córdova (2009), por produzir conhecimentos 
para aplicação prática, dirigidos à solução de problemas específicos. Assim, este tipo 
de pesquisa envolve verdades e interesses locais. Pesquisa quanto aos objetivos 
 
5.3.3 Pesquisa exploratória 
Gil (2007) mostra que esse tipo de pesquisa tem como objetivo apresentar 
uma maior familiaridade com o problema, no sentido de torná-lo mais explícito ou 
para que se possa construir hipóteses. 
 
Uma dica interessante para reflexão sobre o 
pensamento científico é o livro ou o filme “O ponto 
de mutação”. Uma obra de Fritjof Capra, físico 
austríaco, que trabalha a ideia de que é preciso 
quebrar as bases da ciência moderna, pautada no 
sistema matemático cartesiano. Fazendo-nos refletir 
sobre o paradigma, além de intentar entender o 
mundo como uma máquina perfeita a serviço do 
homem. 
 
Unidade V 
 
 
72 
Metodologia Científica 
 
Segundo Silveira e Córdova (2009), a grande maioria dessas pesquisas 
envolve: (a) levantamento bibliográfico; 
(b) entrevistas com pessoas que tiveram experiências práticas com o 
problema pesquisado; 
(c) análise de exemplos que estimulem a compreensão. 
Gill (2007) afirma que essas pesquisas podem ser classificadas como: 
pesquisa bibliográfica e estudo de caso. 
 
5.3.4 Pesquisa descritiva 
A pesquisa descritiva exige do investigador uma série de informações sobre 
o que deseja pesquisar. Esse tipo de estudo pretende descrever os fatos e 
fenômenos de determinada realidade (TRIVIÑOS apud SILVEIRA e CÓRDOVA, 
2009). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Exemplos de pesquisa descritiva são: estudos de 
caso, análise documental, pesquisa ex-post-facto. 
Unidade V 
 
 
 
73 
Metodologia Científica 
 
Para Triviños apud Silveira e Córdova (2009), os estudos descritivos podem 
ser criticados porque pode existir uma descrição exata dos fenômenos e dos fatos, 
assim: 
Estes fogem da possibilidade de verificação através da observação. 
Ainda para o autor, às vezes não existe por parte do investigador um 
exame crítico das informações, e os resultados podem ser equivocados; 
e as técnicas de coleta de dados, como questionários, escalas e 
entrevistas, podem ser subjetivas, apenas quantificáveis, gerando 
imprecisão (p. 37). 
5.3.5 Pesquisa explicativa 
Este tipo de pesquisa, como mostra Gil (2007), interessa-se em identificar os 
fatores que determinam ou que contribuem para a ocorrência dos fenômenos. Este 
tipo de pesquisa intenta em explicar o porquê das coisas através dos resultados 
oferecidos, nesse sentido, uma pesquisa explicativa pode ser a continuação de outra 
descritiva, posto que a identificação de fatores que determinam um fenômeno exige 
que este esteja suficientemente descrito e detalhado. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Pesquisas desse tipo podem ser classificadascomo 
experimentais e ex-post-facto (GIL, 2007). 
Unidade V 
 
 
74 
Metodologia Científica 
 
CONSTRUINDO UM PROJETO DE PESQUISA 
 
Qualquer pesquisa, para ser relevante para a comunidade científica e para a 
sociedade, precisa - como vimos neste guia de estudos - ser realizada de forma 
sistemática. Dentre os diferentes elementos que proporcionam tal relevância estão 
os que se referem à metodologia. Entretanto, um elemento importante para um 
bom desenvolvimento metodológico de uma pesquisa que almeje ter relevância 
científica e social tende a ser o projeto de pesquisa. 
O projeto de pesquisa, nesse sentido, se mostra como uma via que não 
precisa ter um traço exclusivo, rígido e engessado, mas um caminho que pode 
evitar imprevistos, ou pelo menos preparar o pesquisador para eles. O projeto de 
pesquisa se mostra como um instrumento de planejamento que não é neutro e, 
portanto, é carregado de escolhas. Essas escolhas atribuem a um projeto a 
possibilidade de ser um instrumento para que a pesquisa corra com condições 
palpáveis, evitando que, no decorrer da pesquisa, o pesquisador fique imobilizado 
frente a imprevistos. 
 
Estudo de Caso 
 
 
 
 
 
 
 
75 
Metodologia Científica 
 
 
 
 
 
 
 
Segundo Ruido (1986), podemos destacar algumas questões para constituir 
os itens anteriormente mostrados, no sentido de ter um bom e coerente projeto 
de pesquisa. 
 
 
 
A seguir teremos uma sugestão para a construção de uma estrutura básica 
de projeto de pesquisa, que, ao ser usada como referência (e nunca como modelo 
ideal), deve ser empregada tendo em vista o cuidado em adaptar para cada situação 
e tipo específico de pesquisa. 
 
Para a formulação do problema, das 
hipóteses e das referências teóricas:
O que pesquisar?
Para a elaboração das justificativas: Por que pesquisar?
Para se escolher a metodologia adequada 
para a pesquisa:
Como pesquisar?
Para estabelecer o cronograma coerente 
com a proposta da pesquisa:
Quando pesquisar?
Para que se possa orçar os recursos da 
pesquisa:
Com que recursos?
Para se definir as pessoas que irão atuar 
em cada etapa:
Quem vai pesquisar?
Para a construção e desenvolvimento de um 
projeto, é importante levantar a seguinte questão: 
quais escolhas estão colocadas para o pesquisador? 
Estudo de Caso 
 
 
76 
Metodologia Científica 
 
 
 
 
 
 
Elementos pré-textuais 
 Capa - apresenta as informações transcritas na seguinte ordem: 
a) nome da entidade para a qual deve ser submetido, quando 
solicitado; 
b) nome(s) do(s) autor(es); 
c) título; 
d) subtítulo (se houver, deve ser evidenciada a sua subordinação ao 
título, precedido de dois-pontos); 
e) local (cidade) da entidade, onde deve ser apresentado; 
f) ano de depósito (entrega). 
 Folha de rosto- Elemento obrigatório e que deve apresentar as 
informações transcritas na seguinte ordem: 
a) nome(s) do(s) autor(es); 
b) título;c) subtítulo (se houver, deve ser evidenciada a sua 
subordinação ao título, precedido de dois-pontos); 
d) tipo de projeto de pesquisa e nome da entidade a que deve ser 
submetido; 
e) local (cidade) da entidade onde deve ser apresentado; 
f) ano de depósito (entrega). 
Vale destacar que a estrutura de um projeto de 
pesquisa inclui elementos pré-textuais, elementos 
textuais e elementos pós-textuais. 
Estudo de Caso 
 
 
 
77 
Metodologia Científica 
 
 Lista de ilustrações 
 Lista de tabelas 
 Lista de abreviaturas e siglas 
 Lista de símbolos 
 Sumário 
 
Elementos textuais 
A seguir comentaremos alguns dos principais itens dos elementos textuais. 
 
Introdução 
A introdução é o primeiro elemento textual de um projeto. Segundo Demo 
(2003), é na introdução a parte em que o pesquisador precisa contextualizar o 
tema. A introdução deve, portanto, partir de um assunto mais geral de forma a 
expor suscintamente o tema do projeto, o problema a ser abordado, uma ou mais 
hipóteses (quando couber), bem como o(s) objetivo(s) a ser(em) atingido(s) e a(s) 
justificativa(s). 
 
 
 
 
 
 
Ainda segundo Demo (2003), a introdução deve primar pela objetividade, 
tratando do assunto e do tema a ser pesquisado, pois tem o papel de “introduzir” o 
leitor, progressivamente, ao texto, o papel de revelar o ponto de partida do estudo. 
 
A introdução de um projeto deve ser longa o 
suficiente para contextualizar o tema, mas não deve 
ser tão extensa a ponto de se tornar um capítulo. 
 
Estudo de Caso 
 
 
78 
Metodologia Científica 
 
A função da introdução é, portanto, apresentar ao leitor o tema do projeto 
de pesquisa de forma mais geral, ou seja, informando o que e como será tratado o 
tema a ser desenvolvido. 
 
Tema 
Quando falamos de assunto de uma pesquisa ou projeto de pesquisa, 
estamos nos referindo a algo mais geral; e quando falamos de tema do projeto, 
estamos falando de algo mais específico e que se refere à problematização do 
assunto. 
Portanto, é importante que o tema seja abordado para que seja possível 
compreender melhor as perspectivas de análise, pois a definição do tema da 
pesquisa e do projeto de pesquisa nos mostra uma subárea de interesse a ser 
investigada a partir de uma grande área, que é o assunto. 
 
A justificativa 
Tozoni-Reis (2007) mostra que o projeto de pesquisa exige uma dedicação 
especial às justificativas do estudo, portanto, justificar significa argumentar a favor da 
importância do estudo proposto, demonstrar as razões pelas quais se justifica sua 
realização. 
 
 
 
 
 
 
 
 
Ao tratarmos sobre a revisão de literatura, vimos 
que é muito importante nos basearmos em autores 
e obras, pois eles oferecem significativos subsídios 
para a justificativa. 
Estudo de Caso 
 
 
 
79 
Metodologia Científica 
 
Minayo et all (1996) mostram que a justificativa, ao intentar em demonstrar 
a relevância da pesquisa proposta, precisa responder à algumas questões: 
 
Quais os motivos que a justificam? 
 
 
Que contribuições para a compreensão, intervenção ou solução para o problema 
trará a realização de tal pesquisa? 
 
No entanto, Tozoni-Reis (2007) nos diz que é preciso estar atento para não 
cair na armadilha de se justificar o projeto de pesquisa pela falta de estudos 
semelhantes. A exceção de teses de doutorados e de certa forma as dissertações 
de mestrado, as pesquisas em nível de graduação não precisam ser totalmente 
inéditas, mas a forma com que o tema é abordado e sua problematização devem 
evitar ao máximo o plágio e assim demonstrar por significados próprios, 
demonstrado, pelo pesquisador no projeto, as razões que o legitimam e que fazem 
merecer uma leitura. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Segundo Bicalho (2003), o autor na justificativa de 
um projeto mostrará a sua intenção de pesquisa, 
explicando o que trará de novo, de interessante e 
útil nos resultados que serão alcançados, e que a 
pesquisa é séria, confiável, oportuna, e demonstrará 
sua relevância social, pessoal, acadêmica e 
profissional. Assim, a justificativa irá determinar os 
motivos teóricos e práticos. 
 
Estudo de Caso 
 
 
80 
Metodologia Científica 
 
Os objetivos 
Um objetivo, segundo Tozoni-Reis (2007), é um propósito, uma meta, um 
alvo que se pretende atingir, uma ação a ser realizada, a própria materialização do 
estudo. A definição dos objetivos é uma das mais importantes etapas de um 
trabalho científico, pois é a partir da formulação dos objetivos que se pode delinear 
o projeto de pesquisa. Assim, os objetivos devem ser formulados como se observa 
no seguinte esquema: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Para isso, Tozoni-Reis (2007) nos convida a observar alguns cuidados na sua 
formulação: 
 apresentar, primeiramente, objetivos gerais do estudo para, em 
seguida, formular os objetivos específicos; 
 não apresentar muitos objetivos, mas aqueles que têm mais sentido 
para o trabalho; 
 articular os objetivos entre si, apresentando-osde forma sequencial; 
 
Objetivos
pertinência ao 
estudo 
clareza e 
precisão 
exequibilidade 
Estudo de Caso 
 
 
 
81 
Metodologia Científica 
 
 optar por objetivos com um único propósito; no caso de haver um 
que tenha mais de um propósito, transformá-lo em um novo 
objetivo; 
 para garantir a clareza da ação a ser realizada, iniciar sempre a 
formulação de um objetivo usando o verbo (ação) no infinitivo: 
identificar, analisar, compreender etc. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Hipóteses 
Tozoni-Reis (2007) mostra que as hipóteses são, na verdade, indagações 
que orientam a investigação. O que quer dizer que as respostas provisórias a tais 
indagações têm como função principal nortear as investigações. 
Salomon (2004) mostra que a hipótese e problema formam um todo 
indivisível, principalmente se pensarmos o projeto quer metodológica, quer 
teoricamente. Isso pode parecer elementar, mas nos mostra que essa é uma 
definição da hipótese e que, como resposta provisória ao problema, se apresenta 
como uma “solução” indicada e que precisa ser comprovada pela pesquisa. 
Nesse sentido, justifica-se que a coleta de dados e sua análise se dão em 
função da(s) hipótese(s), o que quer dizer que a formulação da hipótese está 
intimamente relacionada com o problema. 
O objetivo geral está relacionado diretamente com 
as hipóteses a serem comprovadas. É a definição do 
objetivo principal da pesquisa, em seus aspectos 
teóricos e práticos a serem alcançados. Já nos 
objetivos específicos, o pesquisador subdivide o 
objetivo geral em etapas a serem cumpridas e 
respondidas até que o último objetivo específico. 
 
Estudo de Caso 
 
 
82 
Metodologia Científica 
 
Frequentemente o problema, em sua operacionalização, se desdobra, a 
ponto de existir no projeto: um problema geral e vários problemas 
derivados. Para cada problema, neste caso, haverá no mínimo uma 
hipótese. Tanto o problema como a hipótese são formulados dentro 
do marco teórico de referência adotado pelo pesquisador. O esboço 
desse marco teórico já deve existir e ser revelado no projeto. O 
processo de pesquisa, particularmente nas fases do levantamento 
bibliográfico e da documentação, proporciona ao pesquisador sua 
complementação ou sua reformulação. A hipótese deve ser formulada 
como proposição, em que sujeito e predicado se relacionam como 
variáveis; e os conceitos, categorias, índices, indicadores, definições 
operacionais são escolhidos e definidos também de acordo com o 
marco teórico de referência adotado (SALOMON, 2004, p. 35). 
 
Ainda segundo Salomon (2004): 
 
Não se trata de uma exigência meramente metodológica. É de natureza 
epistemológica; o próprio processo de formação da ciência e o da 
construção da teoria científica o exigem. Há muito estava implícita no 
método e na lógica dialéticos e explícita na formulação de seus 
princípios heterotético1 e de trânsito dialético. Por força de tais 
princípios, toda nova teoria, toda lei ou proposição científicas e, 
consequentemente, toda hipótese, formam-se e formulam-se em 
contraposição à teoria já existente, e nada se faz a partir do zero. De 
certo modo constitui a alma do método hipotético-dedutivo, 
particularmente na contrastação e na falseação propostas por Popper 
(SALOMON, 2004, p, 35). 
 
Portanto, segundo Tozoni-Reis (2007), as hipóteses se mostram como 
elementos que orientam o diálogo do pesquisador com a realidade a ser 
 
1 Significa que diversos e pré-preparados, isto é, as várias possibilidades de princípios pré-pensados. 
Estudo de Caso 
 
 
 
83 
Metodologia Científica 
 
compreendida e interpretada, portanto, devem ser claras, objetivas, específicas e ter 
como base as referências teóricas do estudo apresentado pelo projeto. 
 
 
 
 
 
 
Segundo Marconi (2000), a hipótese é considerada um enunciado geral em 
relação com variáveis (fatos, fenômenos). Que pode ser: uma solução provisória 
para determinado problema e possível de ser verificada. 
Segundo Ruiz (1996), a hipótese é que fixa uma diretriz capaz de impor 
ordem e finalidade a todo o processo de experimentação. O cientista é guiado por 
hipóteses. 
Segundo Richardson (1989), as hipóteses necessitam ser: claras e 
compreensivas; ter base empírica; ser verificadas por meio das técnicas disponíveis; 
ser específicas ou possíveis de especificação; estar relacionadas com técnicas já 
existentes; possuir alcance geral e ser plausível. 
 
Referencial teórico 
 
 
 
 
 
 
A seguir selecionamos alguns autores e suas 
concepções sobre a hipótese: 
 
Como vimos anteriormente, independente do tipo 
de pesquisa a ser realizado, se destina a constituir os 
pilares para teóricos do projeto de pesquisa, bem 
como do texto da pesquisa, da pesquisa em si até as 
considerações finais. Assim, Horn (2003) nos mostra 
que: 
 
Estudo de Caso 
 
 
84 
Metodologia Científica 
 
A revisão de literatura é constituída, conforme sua denominação, por 
registros de uma releitura do que ‘as autoridades’ já escreveram sobre 
o tema, devendo remeter ao maior número possível de ‘autoridades’. 
Há que se enfatizar, ainda, que a autoridade também se explicita em 
adequação ao nível de complexidade que se espera de cada curso (p. 
67). 
 
Isso que dizer que é necessário escolher por livros e artigos adequados para 
se espaldar a pesquisa a ser realizada, tendo em vista o seu nível de complexidade, 
ou seja, considerando se a pesquisa é desenvolvida no contexto de graduação, 
especialização, mestrado ou doutorado. 
Não obstante, Tozoni-Reis (2007) denota alguns cuidados necessários às 
referências: 
 
As referências são um componente importante do projeto de pesquisa, 
pois têm o papel de oferecer ao leitor mais algumas pistas sobre os 
caminhos teóricos e metodológicos percorridos pelo pesquisador. Sua 
finalidade objetiva é apresentar a documentação usada nos esforços até 
agora empreendidos no estudo do tema, proporcionando um maior 
aprofundamento dos estudos. As diretrizes e normas para as referências 
são as mesmas tanto para projetos quanto para relatórios de pesquisa 
(monografias, TCCs, dissertações, teses, artigos científicos etc.). É 
comum que pesquisadores mais maduros iniciem a leitura de um 
trabalho científico pelas referências, pois, a partir dos autores tratados 
no estudo, tem-se um conjunto de informações a respeito da 
abordagem dada ao tema, e já uma pré-avaliação do interesse do leitor 
pelo estudo. É necessário que os pesquisadores iniciantes percebam a 
importância das normas de referências. São bastante detalhadas, mas 
têm o papel de padronizar as informações em todos os países do 
mundo. Isso significa dizer que, ao nos depararmos com textos escritos 
em quase todas as línguas, as normas nos auxiliam a compreender as 
informações sobre sua procedência e sobre as referências usadas pelos 
autores. No Brasil, essa normatização é feita pela ABNT, que tem as 
normas para trabalhos acadêmicos disponíveis para compra. No 
Estudo de Caso 
 
 
 
85 
Metodologia Científica 
entanto, para uso dos pesquisadores iniciantes, apresentaremos aqui as 
principais normas (p. 61). 
 
Esse autor ainda coloca mais alguns cuidados fundamentais para o 
tratamento das referências no decorrer do texto: 
 observar rigorosamente as normas de referências; 
 todos os autores citados ou referenciados durante o texto têm que 
estar nas referências. Se um autor teve muita importância no 
trabalho, ele tem que estar citado ou referido; 
 citação direta é a fala literal do autor, transcrita diretamente do texto 
lido: fazer “citações diretas” de autores quando forem muito 
pertinentes ao tema abordado, formatado com destaque (margem 
esquerda em 4,0cm, letra 10, espaço simples) para trechos com mais 
de 3 linhas. Para trechos transcritos com até 3 linhas, colocar a 
citação no corpo do trecho, sempre entreaspas, sem itálico e com 
fonte igual a do restante do texto; 
 citação indireta é um recurso que indica a influência dos autores 
lidos nas ideias apresentadas pelo pesquisador. Para chamada no 
texto, deve-se entrar com o último sobrenome do autor e o ano de 
publicação. Exemplos: (GARCIA, 1993) ou Garcia (1993). Nas 
referências apresentar as informações completas, conforme 
instruções abaixo; 
 nas citações (diretas e indiretas), quando se trata de uma obra de 
dois autores, colocar “e” entre eles. Exemplo: (GARCIA e SILVA, 
2003) ou Garcia e Silva, (2003). Quando forem três ou mais autores, 
usar o recurso “et al”. Exemplo: (REIS et al, 2005) ou Reis et al 
(2005); 
 
 
 
Estudo de Caso 
 
 
86 
Metodologia Científica 
 
 quando se faz citação indireta de várias obras de autores diferentes, 
coloca-los em ordem cronológica ou alfabética (nunca em ordem de 
importância!). Exemplo: “[...] como estudaram vários autores como 
Freire (1999), Silva (2001); Almeida (2003)” ou “[...] como 
estudaram vários autores (ALMEIDA, 2003; FREIRE, 1999; SILVA, 
200l)”; 
 para fazer omissões de partes do trecho citado ou saltos maiores 
nas citações, usar reticências entre colchetes [...]; 
 para destacar incorreções ou incoerências nas citações, segundo a 
avaliação do pesquisador, usar a palavra sic entre colchetes [sic]; ' 
 para dar destaque à uma ideia, palavra ou expressão na citação, 
&miga; 
 usar itálico, ou negrito, mas não se deve esquecer de colocar no final 
da 
 citação [grifo nosso]; 
 textos estrangeiros podem ser citados no original ou traduzidos pelo 
próprio pesquisador. Se houver citação no original, deve-se 
apresentar tradução em nota de rodapé, mas é permitido também 
usar a expressão “já traduzido”. Em ambos os casos acrescentar, 
após a citação, a expressão “tradução livre”, que informa ao leitor 
que o próprio pesquisador a traduziu; 
 se você quer citar um autor que foi citado por outro (citação de 
citação), é melhor procurar o original. Se por motivo relevante não 
conseguir, use 
 apud. Exemplo: “[...] segundo Piaget (apud Vasconcellos, 2003)”; 
 as notas de rodapé merecem cuidado especial: usá-las somente para 
completar informações e não para as referências. Numerá-las no 
texto e no rodapé, usar letra menor do que a do texto, com espaço 
simples. 
Nesse sentido, para a formulação do texto que comporá o referencial 
teórico de um projeto de pesquisa, o investigador deverá descrever: 
Estudo de Caso 
 
 
 
87 
Metodologia Científica 
 
[...] o conhecimento disponível na área, identificando as teorias 
produzidas, analisando e avaliando sua contribuição para auxiliar a 
compreender ou explicar o problema: objeto de investigação. Esta 
modalidade de pesquisa é muito comum na área de ciências humanas e 
sociais, dada a natureza do estatuto epistemológico que compõe esta 
área (Horn, 2003, p. 10). 
 
 
 
 
 
 
 [...] seria a apresentação dos autores lidos, mesmo os que não são 
referidos ou citados no texto, e as referências apresentariam apenas os 
referidos e citados. No entanto, em se tratando de trabalhos científicos, 
essa diferença não tem sentido, pois se exige, desse tipo de trabalho, 
que todos os autores lidos sejam apresentados e apenas os autores 
lidos o sejam. Portanto, a terminologia mais adequada nesse tipo de 
trabalho é referências. Nos trabalhos científicos, as referências devem 
apresentar os seguintes dados: autor, título da obra, numeração da 
edição, local da publicação, editora e ano de publicação. Esses são os 
dados mais comuns, porém, dependendo do tipo de referência, é 
preciso também constar indicação do Volume, coleção, número de 
série, do tradutor, número de páginas, data mais completa de 
publicação, do endereço de acesso eletrônico etc. (p. 63). 
 
 
 
 
 
Há autores que diferenciam bibliografia de 
referências nos trabalhos acadêmicos-científicos. 
Nesse sentido, Tozoni-Reis (2007) mostra que 
bibliografia: 
 
Portanto, o objetivo do referencial teórico em um 
projeto de pesquisa deve ser o de buscar 
compreender as principais contribuições teóricas 
existentes sobre um determinado tema-problema 
ou recorte, considerando a produção já existente. 
Estudo de Caso 
 
 
88 
Metodologia Científica 
 
Metodologia 
É o caminho que se percorre para chegar ao fim da pesquisa. Os métodos 
da pesquisa devem ser detalhados para que ela possa ser realizada pelos seus pares 
e alcançar os objetivos previamente definidos. Nesse sentido, mostraremos os 
métodos de abordagem e os de procedimentos: 
 
a) Métodos de abordagem 
Andrade (1997) mostra que esses se referem aos procedimentos gerais usados 
para o desenvolvimento do plano geral da pesquisa. São eles: 
 Indutivo - é quando a pesquisa vai do particular (premissas) para o 
geral, ou de verdades particulares concluem-se verdades gerais; 
Exemplo: Pedro é mortal. Pedro é homem, logo todos os homens 
são mortais. 
 Dedutivo - é quando a pesquisa vai do geral para chegar ao 
particular, ou seja, do universal ao singular; 
 Hipotético-dedutivo – é quando a pesquisa utiliza-se de hipóteses 
(conjecturas), que devem ser testadas e criticadas. Quanto mais uma 
hipótese resistir às tentativas de refutamento e falseamento, melhor 
ela será, mas não deve ser falsificada. 
b) Métodos de procedimentos: esses devem ser adequados a cada área da 
pesquisa. São eles: 
 Empirismo – consiste na observação e tratamento de base 
experimental dos fatos. 
 Positivismo – preocupa-se em explorar características lógicas do 
conhecimento. Entende que a neutralidade científica é uma opção 
possível entre outras. 
 Estruturalismo – caminha do concreto para o abstrato, e vice-versa, 
dispondo, na segunda etapa de um modelo para analisar a realidade 
concreta dos diversos fenômenos. 
Estudo de Caso 
 
 
 
89 
Metodologia Científica 
 
 Funcionalismo – estuda a sociedade do ponto de vista da função de 
suas unidades, isto é, como um sistema organizado de atividades. 
 Sistemismo – preocupa-se com a manipulação dos conflitos sociais. 
 Dialético – método específico das ciências sociais que vê a realidade 
histórica não apenas como um fluxo, mas, sobretudo, como a 
origem de uma explicação. 
 Fenomenológico – trata daqueles aspectos que são essenciais do 
fenômeno, aspirando apreendê-los nos seus momentos 
fundamentais, através da intuição. 
 Experimental – ocupa-se de submeter os objetos de estudo à 
influência de variáveis, em condições controladas pelo investigador, a 
fim de observar os resultados que a variável produz no objeto. 
 Observacional – observação da realidade sem nenhuma interferência 
de variável. 
 Comparativo – visa ressaltar diferenças e similaridades entre 
indivíduos e fenômenos submetidos a comparações. 
 Estatístico – gera apenas uma verdade provável baseado em testes 
estatísticos. 
 Clínico – utilizado na pesquisa psicológica, consiste em uma relação 
profunda entre pesquisador e pesquisado. 
 Histórico – parte do princípio de que as atuais formas de vida social, 
as instituições e os costumes têm origem no passado. 
 Monográfico – consiste no estudo de determinados indivíduos, 
profissões, condições, instituições, grupos ou comunidades, com a 
finalidade de obter generalizações. 
 Tipológico – ao comparar fenômenos sociais complexos, o 
pesquisador cria tipos ou modelos ideais, construídos a partir da 
análise de aspectos essenciais do fenômeno. 
 
 
Estudo de Caso 
 
 
90 
Metodologia Científica 
 
 
 
 
 
 
De forma inerente aos métodos, há de se discriminar também o 
instrumento específico de coleta de dados e que são agrupados em dois tipos: 
a) Documentação indireta, que inclui pesquisa documental e pesquisa bibliográfica. 
b) Documentação direta, que pode ser: 
 Intensiva: entrevista 
 Extensiva: formulário, questionário, história de vida, testes 
(ANDRADE, 1997).Objeto de pesquisa 
Os recursos dependem da natureza da pesquisa a ser realizada e, nesse 
sentido, podem ser os seguintes: 
 Sujeitos (quem?) 
Segundo Bicalho (2003), neste item, o pesquisador deve: a) descrever a população 
ou sujeitos que serão estudados (indivíduos ou animais), situando-os conforme as 
características políticas, geográficas, sociais, econômicas e demográficas; b) definir 
critérios de seleção e de exclusão, justificando-os; c) programar como as perdas 
poderão ser evitadas ou contornadas com substituições; d) descrever quais as 
fontes disponíveis para as informações e o que se pretende buscar em cada uma 
delas. 
 
 
 
Os métodos de pesquisa devem ser detalhados, 
para que ela possa ser realizada pelos seus pares e 
alcance os objetivos previamente definidos. 
Estudo de Caso 
 
 
 
91 
Metodologia Científica 
 
 Amostra (quem são os meus sujeitos particulares?) 
Considerando a impossibilidade de trabalhar com 100% dos sujeitos a 
serem pesquisados, se fez necessário selecionar parte da população para que depois 
seu resultado seja estendido ao todo. 
Segundo Marconi (1999), no processo de amostragem temos a probabilista 
e a não probabilista. A amostra probabilista ou aleatória é quando a seleção dos 
indivíduos é feita ao acaso recebendo um tratamento estatístico. A amostra não 
probabilista é intencional (quando o pesquisador está interessado na opinião de 
determinados indivíduos da população). 
Segundo Rudio (1996, p.47), devemos justificar os motivos, e apresentar o 
modo como a amostra será selecionada e suas características. 
 
 Variáveis 
O pesquisador, ao escolher um objeto ou indivíduo para estudo, deve ter a 
consciência que a sua pesquisa pode sofrer influência de variáveis que podem ser 
dependentes, independentes ou descritivas. Assim, “a variável pode ser entendida 
como sendo tudo aquilo que apresenta diferenças, alterações, inconstância, que 
pareçam ser importantes para justificar ou explicar complexas características de um 
problema [...]” (OLIVEIRA, 2001, p. 115). 
 
Plano de trabalho ou sumário provisório 
Apresenta os capítulos, seções e subseções, ordenados de forma lógica que 
poderá ser modificado durante a pesquisa, e constitui o planejamento, uma primeira 
visualização do trabalho como um todo. Consiste na proposição inicial de 
organização sequencial do documento final, o trabalho de conclusão de curso, ou 
seja, o planejamento da obra pronta. Tem como finalidade básica organizar a 
redação e articulação das partes, possibilitando visualizar sua integração no conjunto 
do documento final. Portanto, além dos tópicos obrigatórios, de Introdução, 
Estudo de Caso 
 
 
92 
Metodologia Científica 
 
Conclusão e Referências, deve explicitar os títulos das seções ou capítulos e das 
respectivas subdivisões. 
O plano de trabalho é, na verdade, um guia de orientação para o 
investigador, funcionando como um roteiro do caminho a ser seguido (NUNES, 
1999, p.31). 
Didaticamente, procura-se dividir a investigação científica em três partes: 
montagem do plano, execução e redação. 
 
Desse modo, a investigação desenvolve-se por etapas progressivas: 
a) primeira etapa: consiste no planejamento global e minucioso dos diferentes 
aspectos do trabalho, visando ao seu bom desenvolvimento; 
b) segunda etapa: refere-se ao levantamento e à análise dos dados bibliográficos, 
documentais ou de campo, relativos aos aspectos da pesquisa; 
c) terceira etapa: trata da atividade fundamental da pesquisa, ou seja, a redação, que 
deve ser objetiva, clara e apresentar linguagem correta original e inédita 
(MARCONI, 2001, p.53). 
 
Coleta de dados 
Segundo Marconi (1999), o planejamento detalhado, testado, e o rigoroso 
controle de aplicação dos instrumentos de pesquisa, evitará o desperdício de 
tempo, erros, defeitos que poderão comprometer a pesquisa. 
Em linhas gerais, as técnicas de coletas de dados são: coleta documental; 
observação; entrevista; questionário; formulário; medidas de opinião e atitude; 
técnicas mercadológicas; testes; sociometria; análise de conteúdo e história da vida. 
Estudo de Caso 
 
 
 
93 
Metodologia Científica 
 
Orçamento 
Para definir o orçamento, podemos nos perguntar: o que será necessário 
adquirir para realizar a pesquisa? Assim, ao responder essa questão, especificam-se 
os recursos humanos, financeiros e materiais necessários para a conclusão da 
pesquisa. 
 
Cronograma 
Para definir o cronograma, podemos nos perguntar: quando e em que 
tempo e ordem irei realizar a pesquisa? Portanto, o cronograma é o planejamento 
do tempo, quantas semanas ou meses serão destinados a cada etapa e para cada 
procedimento, considerando o limite para a conclusão da pesquisa. 
Segundo Bicalho (2003), o pesquisador deve descrever como pretende 
organizar as etapas a serem realizadas durante a pesquisa, determinando o período 
de tempo destinado a cada uma delas. É necessário ser disciplinado e cumprir, na 
medida do possível, o cronograma proposto. 
Exemplo de etapas: a) revisão do projeto de pesquisa com seu orientador; 
b) elaboração do sumário provisório; c) pesquisa bibliográfica; d) leitura metódica e 
fichamento das obras selecionadas; e) planejamento da coleta de dados; f) teste dos 
instrumentos de coleta de dados (piloto ou pré-teste); g) Aplicação do instrumento 
de coleta de dados; h) compilação dos dados e seleção crítica; i) análise e 
interpretação dos dados; j) representação dos dados; k) elaboração do roteiro do 
trabalho (esqueleto); l) redação do texto final, com discussão e conclusões; m) 
revisão e formatação do texto; n) apresentação e divulgação. 
 
Aspectos Éticos 
Quando envolver seres humanos e animais, a pesquisa e os instrumentos de 
coleta de dados devem ter a aprovação do comitê de ética da instituição que está 
vinculada à pesquisa. Os sujeitos participantes devem ter informações sobre o 
Estudo de Caso 
 
 
94 
Metodologia Científica 
 
projeto, assinar um termo de consentimento livre e esclarecido, podendo desistir a 
qualquer momento. 
 
Referências 
Constitui o conjunto de obras consultadas para fundamentar a pesquisa, ou 
seja, que fundamentam os pressupostos teóricos do tema e devem ser 
apresentados em ordem alfabética e de acordo com a NBR 6023 da ABNT. 
 
Apêndices 
São os trabalhos complementares elaborados pelo autor, com o propósito 
de complementar sua argumentação. 
 
Anexo 
São os materiais complementares de terceiros, tais como texto ou 
documento de autoria de terceiros que servem de fundamentação, comprovação 
ou ilustração. 
 
 
 
 
Estudo de Caso 
 
 
 
95 
Metodologia Científica 
 
CONSIDERAÇÕES FINAIS 
 
Caro(a) pesquisador(a), 
Chegamos ao final deste material, mas não no que objetiva o estudo que 
iniciamos aqui, e que pretende levar você a: 
 Aplicar os conhecimentos adquiridos nos períodos desta graduação, 
traduzindo-os de forma teórico-prática na execução de um trabalho 
científico que aborde temas atuais do ramo específico deste curso. 
 Desenvolver a criticidade e o comprometimento com as necessárias 
transformações ao meio social que lhe envolve, visto que essas são 
as principais características do profissional pesquisador. 
Assim, espero que, com este material, você tenha sido capaz de, além de 
eleger um tema específico, iniciar o mergulho no processo de produção de 
conhecimentos científicos. Um mergulho que, ao buscar a solução de problemas, 
tende a ser um importante instrumento para que você possa se apropriar de 
conhecimentos mais profundos a fim de lhe conduzir a ser, cada vez mais, um 
profissional com conhecimentos pautados pela criticidade necessária ao nível 
acadêmico de um(a) pós-graduado(a). 
Então, desejo a você boa pesquisa e espero que você se sinta bem-vindo(a) 
novamente a este material ao longo do desenvolvimento de sua pesquisa! 
Abraços e boa pesquisa! 
Prof. CelsoGomes 
 
 
Estudo de Caso 
 
 
96 
Metodologia Científica 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
BICALHO, Gladys Gripp; BARROS FILHO, Antônio de Azeredo. Iniciação científica: 
como elaborar um projeto de pesquisa. Rev. Ciências Médicas, Campinas, v. 12, n.4, 
p.365- 373, out./dez. 2003. 
BUNGE, M. La investigacion cientifica: su estrategia y su filosofia . Barcelona : 
Editorial Ariel, 1975.
 
CHAUI, M. S. . O que é ideologia?. 1. ed. São Paulo: Brasiliense, 1980. 
COSTA, E. P.; POLITANO, P. R., PEREIRA, N. A.. Exemplo de aplicação do método 
de Pesquisa-ação para a solução de um problema de sistema de informação em 
uma empresa produtora de cana-de-açúcar. Gest. Prod. [online]. 2014, vol.21, n.4, 
pp. 895-905. Epub May 09, 2014. 
COULON, Alan. Etnometodologia. Trad. de Ephraim Ferreira Alves. Petrópolis: 
Vozes, 1995.
 
DEMO, P. . Metodologia Científica em Ciências Sociais. São Paulo: Atlas, 1995. v. 1. 
293p . 
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GOLDENBERG, M. A arte de pesquisar. Rio de Janeiro: Record, 1997. 
GRAMSCI, A. A formação dos intelectuais Venda Nova Amadora, Rodrigues 
Xavier. 1972. - Os intelectuais e a organização da cultura. Rio de Janeiro, Civilização 
Brasileira, 1967. 
HABERMAS, J. . Conhecimento e Interesse. Rio de Janeiro. Zahar. 1982 DEMO, R 
Avaliação qualitativa. São Paulo, Cortez, 1987. 
HORN, G. B. Metodologia da pesquisa. Iesde Brasil: 2003. 
 
 
 
97 
Metodologia Científica 
JAPIASSU, H, MARCONDES, D. Dicionário básico de filosofia. 3a ed. Rio de 
Janeiro: Zahar, 1996. 
LAKATOS, E. M. ; MARCONI, M. de A .. Fundamentos de metodologia científica. 5. 
ed.. São Paulo: Atlas, 2010. 
LAVILLE, C. DIONNE, J. A construção do saber. Porto Alegre: Artmed, 1999. 
MARCONI, Maria Andrade; MARCONI, Marina de Andrade. Metodologia científica. 
5. ed.. São Paulo: Atlas, 2009. 
MARCONI, Marina de Andrade; LAKATOS, Eva Maria. Metodologia científica: 
ciência e conhecimento; métodos científicos; teoria, hipóteses e variáveis; 
metodologia jurídica. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2000. 
MARCONI, Marina de Andrade; LAKATOS, Eva Maria. Técnicas de pesquisa: 
planejamento e execução de pesquisas; amostragens e técnicas de pesquisa; 
elaboração, análise e interpretação de dados. 4. ed. São Paulo: Atlas,1999. 
MINAYO, M. C. S. (Org.); DESLANDES, S. F.; CRUZ NETO, O. GOMES, R. 
Pesquisa Social: teoria, método e criatividade. Petrópolis, RJ: Vozes, 1996. 
MINAYO, M. C. S. (Org.). Pesquisa social: teoria, método e criatividade. Petrópolis: 
Vozes, 2001. 
NUNES, Luiz Antônio Rizzato. Manual da monografia jurídica: como se faz: uma 
tese. 2. ed. rev. ampl. São Paulo: Saraiva, 1999. 
OLIVEIRA, Silvio Luiz de. Tratado de metodologia científica: projetos de pesquisas, 
tgi, tcc, monografias, dissertações e teses. 2. ed. São Paulo: Pioneira Thomson 
Learning, 2001. 
POLIT, D. F.; BECK, C. T.; HUNGLER, B. P. Fundamentos de pesquisa em enferma- 
gem: métodos, avaliação e utilização. Trad. de Ana Thorell. 5. ed. Porto Alegre: 
Artmed, 2004.
 
 
 
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RICHARDSON, Roberto. Pesquisa social: métodos e técnicas. São Paulo: 
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RUDIO, Franz Victor. Introdução ao projeto de pesquisa científica. 20. ed. 
Petrópolis: Vozes,1996. 
RUIDO, F. V. Introdução ao projeto de pesquisa científica. 11. Ed. Petrópolis: Vozes, 
1986. 
RUIZ, J. A. Metodologia científica: guia para eficiência nos estudos. São Paulo: Atlas, 
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RUIZ, João Álvaro. Metodologia científica: guia para eficiência nos estudos. 6. ed.. 
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RUIZ, João Álvaro. Metodologia científica: guia para eficiência nos estudos. 4. ed. 
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SALOMON, D. V. Como fazer uma Monografia. São Paulo: Martins Fontes, 2004, p. 
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SILVEIRA, D. T. CÓRDOVA F. P. A pesquisa científica in: GERHARDT, Tatiana 
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file://///garoupa/BKP_GEAD/D.E/Módulos%202017/2017-01/1.%20DISCIPLINAS/Metodologia%20Científica/Guia%20de%20Estudos/Finalizado/Metodologia%20Científica.docx%23_Toc461792099
file://///garoupa/BKP_GEAD/D.E/Módulos%202017/2017-01/1.%20DISCIPLINAS/Metodologia%20Científica/Guia%20de%20Estudos/Finalizado/Metodologia%20Científica.docx%23_Toc461792100
file://///garoupa/BKP_GEAD/D.E/Módulos%202017/2017-01/1.%20DISCIPLINAS/Metodologia%20Científica/Guia%20de%20Estudos/Finalizado/Metodologia%20Científica.docx%23_Toc461792101
file://///garoupa/BKP_GEAD/D.E/Módulos%202017/2017-01/1.%20DISCIPLINAS/Metodologia%20Científica/Guia%20de%20Estudos/Finalizado/Metodologia%20Científica.docx%23_Toc461792108
file://///garoupa/BKP_GEAD/D.E/Módulos%202017/2017-01/1.%20DISCIPLINAS/Metodologia%20Científica/Guia%20de%20Estudos/Finalizado/Metodologia%20Científica.docx%23_Toc461792114
file://///garoupa/BKP_GEAD/D.E/Módulos%202017/2017-01/1.%20DISCIPLINAS/Metodologia%20Científica/Guia%20de%20Estudos/Finalizado/Metodologia%20Científica.docx%23_Toc461792117
 
 
 
9 
Metodologia Científica 
4.12 PESQUISA ETNOMETODOLÓGICA ______________________________________________ 61 
UNIDADE V – PESQUISA QUANTO À ABORDAGEM, NATUREZA E OBJETIVOS ________ 63 
5. INTRODUÇÃO _____________________________________________________________ 64 
5.1 PESQUISA QUANTO À ABORDAGEM _____________________________________________ 64 
5.1.1 PESQUISA QUALITATIVA ____________________________________________________ 64 
5.1.2 PESQUISA QUANTITATIVA ___________________________________________________ 68 
5.3 QUANTO À NATUREZA _____________________________________________________ 71 
5.3.1 PESQUISA BÁSICA _________________________________________________________ 71 
5.3.2 PESQUISA APLICADA_______________________________________________________ 71 
5.3.3 PESQUISA EXPLORATÓRIA ___________________________________________________ 71 
5.3.4 PESQUISA DESCRITIVA ______________________________________________________ 72 
5.3.5 PESQUISA EXPLICATIVA _____________________________________________________ 73 
ESTUDO DE CASO __________________________________________________________ 74 
CONSTRUINDO UM PROJETO DE PESQUISA ____________________________________ 74 
ELEMENTOS PRÉ-TEXTUAIS ______________________________________________________ 76 
ELEMENTOS TEXTUAIS _________________________________________________________ 77 
INTRODUÇÃO _______________________________________________________________ 77 
TEMA _____________________________________________________________________ 78 
A JUSTIFICATIVA ______________________________________________________________ 78 
OS OBJETIVOS _______________________________________________________________ 80 
HIPÓTESES __________________________________________________________________ 81 
REFERENCIAL TEÓRICO _________________________________________________________ 83 
METODOLOGIA ______________________________________________________________ 88 
OBJETO DE PESQUISA __________________________________________________________ 90 
PLANO DE TRABALHO OU SUMÁRIO PROVISÓRIO ______________________________________ 91 
COLETA DE DADOS ___________________________________________________________ 92 
ORÇAMENTO _______________________________________________________________ 93 
CRONOGRAMA ______________________________________________________________ 93 
ASPECTOS ÉTICOS ____________________________________________________________ 93 
REFERÊNCIAS ________________________________________________________________ 94 
APÊNDICES _________________________________________________________________ 94 
ANEXO ____________________________________________________________________ 94 
CONSIDERAÇÕES FINAIS ____________________________________________________ 95 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ________________________________________________ 96 
 
 
file://///garoupa/BKP_GEAD/D.E/Módulos%202017/2017-01/1.%20DISCIPLINAS/Metodologia%20Científica/Guia%20de%20Estudos/Finalizado/Metodologia%20Científica.docx%23_Toc461792131
file://///garoupa/BKP_GEAD/D.E/Módulos%202017/2017-01/1.%20DISCIPLINAS/Metodologia%20Científica/Guia%20de%20Estudos/Finalizado/Metodologia%20Científica.docx%23_Toc461792142
 
 
10 
Metodologia Científica 
 
 
 
 
11 
Metodologia Científica 
 
 
 
 
 Distinguir a ciência de outras formas de conhecimento. Compor 
conceitos de ideologia e suas inferências nos critérios internos e 
externos da ciência. 
 
 
 
 Ciclo 01 
 Atividade Teste 
 Título: Diferenciando Ciência de Outros Conhecimentos 
 
 
Unidade I - Diferenciando 
ciência de outras formas de 
conhecimento 
Objetivos da Unidade 
 
 
Plano de Estudos 
 
 
I 
 
 
12 
Metodologia Científica 
 
1. Introdução 
Para tal diferenciação, faz-se necessário definir não só a ciência, mas as 
principais formas de conhecimento. Uma tarefa realmente complexa e que muitas 
vezes é simplificada pela ação de se considerar que cada campo de conhecimento 
não é o outro, como podemos observar nos esquemas a seguir: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
O que é 
ciência?
Não é 
ideologia
Não é senso 
comum
Respostas
O que é 
ideologia?
Não é 
ciência
Não é senso 
comum
Respostas
O que é senso 
comum?
Não é 
ciência
Não é 
ideologia
Respostas
Tendo em vista a relação conceitual entre tais 
campos de conhecimento, poderíamos entender 
que eles são bem delimitados entre si, como se 
observa no esquema a seguir: 
 
Unidade I 
 
 
 
13 
Metodologia Científica 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Como nos mostra Demo (1995), essas formas de conhecimento aparecem 
sempre mais ou menos misturadas, já que a ciência está cercada de ideologia e 
senso comum, não apenas como circunstâncias externas, mas como algo que já está 
dentro do próprio processo científico, como se observa a seguir: 
 
 
 
 
 
 
 
 
Senso 
Comum
Ciência
Ideologia
Ideologia
Senso 
Comum
Ciência
Mas será que o esquema anterior é realmente 
verdadeiro? Será que há limites rígidos entre tais 
conceitos? 
Unidade I 
 
 
14 
Metodologia Científica 
 
Nesse sentido, há de se entender que a ciência, portanto, se mostra como 
um processo incapaz de produzir conhecimento puro, historicamente não-
contextualizado. 
Mas, para podermos compreender melhor essa relação entre ciência, 
ideologia e senso comum, que tal intentarmos definir senso comum? 
 
1.2 Senso comum 
Antes de tentarmos definir esse campo de conhecimento, vale destacar que 
ele possui uma grande importância na história dos problemas filosóficos, 
especialmente por estar associado à experiência tradicional. Pedro Demo (1995) 
mostra que: 
[...] o critério de distinção do senso comum é o conhecimento acrítico, 
imediatista, crédulo. O homem simples da rua também "sabe" de 
inflação, mas seu conhecimento é diferente do conhecimento do 
economista, que é capaz de elaborar uma teoria da inflação, discutir 
causas e efeitos. Pode-se colocar no senso comum modos 
ultrapassados de conhecer fenômenos ou também crendices sem base 
dita científica. O agricultor pode ter seu método de previsão de chuva 
ligado a insinuações que considera indicativas, como certo 
comportamento de um pássaro; o agrônomo orienta-se por 
indicadores bem diferentes. O senso comum é, assim, marcado pela 
falta de profundidade, de rigor lógico, de espírito crítico, mas não possui 
apenas o lado negativo, a começar por ser o saber comum que 
organiza o cotidiano da maioria. (p. 17) 
Não obstante, vale destacar que muitas vezes o senso comum se mostra 
como uma das fontes de inspiração para se iniciar uma pesquisa científica. Como 
mostra Bunge (1975), parte do conhecimento prévio do qual se inicia toda 
investigação científica é conhecimento ordinário, isto é, conhecimento não 
especializado composto pelo sensocomum e também pelo próprio conhecimento 
científico. 
 
 
Unidade I 
 
 
 
15 
Metodologia Científica 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Segundo Demo (1995), o lado mais positivo do senso comum é o bom 
senso, e é um saber ao mesmo tempo simples e inteligente, sensível e óbvio, 
circunspecto. O senso comum tem expressões que significam e nos fazem pensar, 
como os ditados populares relacionados abaixo: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Entretanto, diante da ciência, o senso comum não é considerado como 
postura eficiente. Uma justificativa que se calca na ideia de que o senso comum tem 
"Cada cabeça, uma sentença."
"Quem desdenha quer comprar."
"Quem ri por último ri melhor."
"A pressa é a inimiga da perfeição."
"Se conselho fosse bom, não era dado de 
graça."
Entretanto, ainda baseados no autor supracitado, é 
importante ressaltar que o senso comum não pode 
ser juiz autorizado da ciência, e a tentativa de 
estimar as ideias e os procedimentos científicos à luz 
do conhecimento comum ou ordinário 
exclusivamente é inadequada: a ciência elabora seus 
próprios cânones de validade e, em muitos temas, 
se encontra muito longe do conhecimento comum. 
 
Unidade I 
 
 
16 
Metodologia Científica 
 
pouca ou nenhuma profundidade frente ao rigor lógico da ciência. Demo (1995) 
destaca que, “diante da ciência, [o senso comum] é considerado como postura 
deficiente e, no extremo, a própria negação dela” (p.17). 
Mas sobre o bom senso há de se considerar que, segundo Bunge (1975), 
efetivamente, tanto o bom senso quanto o conhecimento científico aspiram a ser 
racionais e objetivos: são críticos e aspiram a coerência (racionalidade) e têm a 
intenção de adaptação aos fatos, ao invés de se permitir especulações sem controle 
(objetividade). Assim, Bunge (1975) mostra que a descontinuidade radical entre a 
ciência e o conhecimento comum em numerosos aspectos e, particularmente, no 
que se refere ao método, não deve, de todo o modo, fazer-nos ignorar sua 
continuidade em outros aspectos, pelo menos se limitarmos o conceito de 
conhecimento comum às opiniões sustentadas pelo que se costuma chamar de 
bom senso. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A ciência não é uma mera extensão nem um simples refinamento do 
conhecimento ordinário, no sentido em que o microscópio, por 
exemplo, amplia o âmbito da visão. A ciência é um conhecimento de 
natureza especial: trata primeiramente, ainda que não exclusivamente, 
de acontecimentos inobserváveis e não suspeitados pelo leigo, como a 
evolução das estrelas e a duplicação dos cromossomos; a ciência 
Ainda apoiando-nos no autor supracitado, há de se 
considerar que o senso comum não pode conseguir 
mais que uma objetividade limitada, porque está 
demasiadamente vinculado à percepção e à ação, e 
quando as ultrapassa, o faz sob a forma do mito. Só 
a ciência inventa teorias que, mesmo que não se 
limitem a condensar nossas experiências, podem 
contrastar-se com esta para serem verificadas ou 
falseadas. Nesse sentido, é importante destacar que: 
Unidade I 
 
 
 
17 
Metodologia Científica 
inventa e arrisca conjecturas que vão além do conhecimento comum, 
tais como as leis da mecânica quântica ou as dos reflexos 
condicionados; e submete esses supostos a contrastação com a 
experiência com ajuda de técnicas especiais, como a espectroscopia ou 
o controle do suco gástrico, técnicas que, por sua vez, requerem teorias 
especiais (BUNGE, 1975, p. 3) 
Portanto, segundo o autor acima, é importante entender que os enunciados 
referentes à experiência imediata que produz o senso comum não se mostram 
essencialmente incorrigíveis e raras vezes se mostram dignos de dúvida. Assim, 
mesmo que os conhecimentos do senso comum se mostrem como conjecturas; na 
prática, os manejamos como se fossem certezas. Por essa razão, tais conhecimentos 
se mostram frequentemente irrelevantes no que diz respeito à cientificidade. Então, 
podemos nos perguntar: 
 
 
 
 
 
 
A resposta para essa questão é que precisamos utilizar da ciência porque os 
enunciados que se referem ao senso comum são imediatos e duvidosos e, 
portanto, vale à pena submetê-los várias vezes à contrastação e dar-lhes um 
fundamento. Mas em ciência, a dúvida é muito mais criadora que paralisadora, pois 
a dúvida estimula a investigação, a busca de ideias que deem razão aos fatos de um 
modo cada vez mais adequado (BUNGE, 1975). 
 
1.3 Ideologia 
O critério da ideologia, segundo Demo (1995), pode ser entendido tendo 
em vista o seu caráter justificador de posições sociais vantajosas. Assim, diferente do 
senso comum, que está despreparado diante de uma realidade mais complexa por 
apresentar uma visão ingênua, a ideologia se mostra: 
Se podemos lidar os conhecimentos de modo 
suficiente pelo senso comum, porque então a 
necessidade de se apelar para a ciência? 
 
 
Unidade I 
 
 
18 
Metodologia Científica 
 
[...] intrinsecamente tendenciosa, no sentido de não encarar a realidade 
assim como ela é, mas como gostaria que fosse, dentro de interesses 
determinados. Para deturpar a realidade de acordo com seus interesses, 
a ideologia usa de instrumentos científicos, no que pode adquirir 
extrema sofisticação. Pode chegar à mentira, quando não só deturpa, 
mas inverte os fatos, fazendo de versões, fatos. (DEMO, 1995, p. 17) 
Portanto, pode-se entender que ideologia se esforça a se calcar no 
argumento de defender a satisfação de uma necessidade básica humana 
(BROWNOWISKY apud DEMO, 1995). Mas, por trás dessa concepção, se observa 
que a ideologia pode ser compreendida como sombra inevitável do fenômeno do 
poder, que dela lança mão para se justificar. Isso quer dizer que ideologia se 
apresenta como um poder sagaz que não se diz como poder, mas que deseja 
dominar, que busca vassalos e que detesta contestação. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Demo (1995) destaca que a ideologia em seu estado mais inteligente se 
traveste de ciência e, por isso, seu arquiteto típico é o intelectual, figura importante 
na justificação do poder, como também no outro lado: 
[...] na elaboração da contra ideologia, com vistas a mudar a história 
dominante. Entre os intelectuais sobressaem os que têm origem nas 
ciências sociais e similares, porque estão mais afeitos às condições 
sociais da estruturação do poder e das vantagens. Neste contexto 
transparece já a tendência histórica das ciências sociais de estarem mais 
A ideologia, muitas vezes, se mostra como desígnio 
de Deus, com mérito histórico, de boa intenção em 
favor dos fracos. Entretanto, a ideologia não é 
apenas sistema de crenças, mundivisão, maneira 
particular de ver as coisas, mas específica justificação 
de serviço ao poder. Portanto, se pode entender 
que a ideologia imbrica a religião principalmente 
quando essa última serve a posturas dominantes. 
 
Unidade I 
 
 
 
19 
Metodologia Científica 
a serviço do poder, organizando técnicas de controle social, do que a 
serviço da emancipação dos desiguais (DEMO, 1995, p. 19). 
No campo de conhecimento do nosso curso, ou seja, nas ciências sociais, o 
fenômeno ideológico é intrínseco, pois está no sujeito e no objeto. Nesse sentido, 
há de se concluir que a própria realidade social se mostra ideológica, porque é 
produto histórico no contexto da unidade de contrários, em parte feita por atores 
políticos, que não poderiam - mesmo que quisessem - ser neutros. Portanto, não 
existe história neutra, assim como não existe ator social neutro. 
 
 
 
 
 
 
Segundo Gramsci (1972), a ideologia não pode ser suprimida, apenas 
controlada. 
Você concorda? Será que ela pode ser mesmo controlada? Será que, em 
algumas situações, ela foge do controle? 
Com essas concepções de ideologia e senso comum, há de se compreender 
que a ciência, como Demo (1995) nos mostrou anteriormente, está repleta de 
senso comum e de ideologia. 
Pois pense, se ela está repleta de senso comum e de ideologia, porqueseria 
impossível dominar de todo a realidade, ou discursar sobre ela com apenas o 
conhecimento especializado de todas as suas facetas? Como mostra Demo (1995), 
a ciência também está carregada de ideologia, pois conhecimento é influenciado por 
interesses, além de estar sempre em contexto de prática histórica contraditória. 
Assim, podemos entender que a presença da ideologia decorre do débito social, 
como transudação normal de um fenômeno político. 
 
Tendo em vista tudo o que vimos, você acha que a 
ideologia pode ser suprimida? 
 
Unidade I 
 
 
20 
Metodologia Científica 
 
 
 
 
 
 
 
1.4 Ciência 
Respeitando vezos acadêmicos comuns, Demo (1995) mostra que, para 
tentar responder à questão anteriormente colocada, há de se entender dois 
critérios: internos e externos. 
1.4.1Critérios internos da ciência 
Os externos são atribuídos de fora, já os internos fazem parte da própria 
tessitura da ciência e, assim, são imanentes, como podemos observar a seguir: 
 
A ciência é coerente 
 
A ciência é coerente, ou seja, um discurso evolui sem entrar em contradição 
a partir do momento em que se estabelece seu ponto de partida, tanto no sentido 
de não partir de premissas conflitantes, como de ter um corpo intermédio 
concatenado, e também no sentido de chegar a conclusões congruentes entre si e 
entre as premissas iniciais. 
Assim, vale destacar que os enunciados científicos, como os do senso 
comum, são opiniões, mas opiniões com coerência, ou seja, ilustradas (fundadas e 
contrastáveis), em contraste ao que se observa no senso comum, opiniões que não 
são suscetíveis a “contrastação” e prova (BUNGE, 1975). 
 
Se ciência não é senso comum, nem ideologia, 
embora com eles convivam intrinsecamente, o que 
é ciência então? Ela é mesmo superior ao senso 
comum? 
 
Unidade I 
 
 
 
21 
Metodologia Científica 
 
Por ter coerência, a ciência mostra sua propriedade lógica, ou seja, ela tem: 
 
- Falta de contradição. 
- Argumentação bem estruturada. 
- Corpo sistemático e bem deduzido de enunciados. 
- Desdobramento do tema de modo progressivo e 
disciplinado, com começo, meio e fim. 
- Dedução lógica de conclusões. 
 
A ciência tem consistência 
 
A ciência tem a capacidade de resistir a argumentações contrárias. Vale 
destacar que essa característica difere da coerência porque esta é estritamente 
lógica, assim, a consistência se liga também à atualidade da argumentação. Dos livros 
produzidos num ano, apenas alguns sobrevivem, bem como os autores, apenas 
alguns se tornam clássicos, porque produzem estilos resistentes de argumentação, 
tanto em sentido lógico, quanto em sentido de atualidade. 
A consistência, segundo Demo (1995), admite conotação histórica, que vai 
crescendo nos critérios seguintes, assim: 
Não se trata de estabelecer dicotomia entre critérios mais formais e 
mais históricos, porque o fenômeno científico é marcado pelos dois. Em 
outra linguagem, podemos falar de qualidade formal e de qualidade 
política. Por qualidade formal entende-se a propriedade lógica, 
tecnicamente instrumentada, dentro dos ritos acadêmicos usuais: 
domínio de técnicas de coleta, manuseio e uso de dados; capacidade de 
manipular bibliografia; versatilidade na discussão teórica; conhecimento 
de teorias, de autores; feitura de passos consagrados, como percurso da 
graduação, dissertação de mestrado, tese de doutorado, etc. Embora 
tudo isso possa resultar no "idiota especializado", são marcas 
fundamentais do processo científico. (p. 21) 
Unidade I 
 
 
22 
Metodologia Científica 
 
A ciência precisa ter originalidade 
 
A originalidade da ciência significa produção não-tautológica, ou seja, 
inventiva, baseada na pesquisa criativa, e não apenas repetitiva. Esse critério é algo 
muito importante, principalmente na era em que vivemos e que, por ser chamada 
de era do conhecimento, é constituída por uma vastidão de informações. Assim, a 
originalidade fica cada vez mais difícil de ser totalmente alcançada, isso sem falar da 
facilidade que se tem de se copiar e colar. Uma qualidade ou deformidade que as 
tecnologias propiciam frente aos trabalhos acadêmicos, principalmente no que se 
entende por originalidade. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A ciência é coerente 
 
A objetivação na ciência significa a tentativa - nunca completa - de descobrir 
a realidade social assim como ela é, e mais do que como gostaríamos que fosse. 
Como não há conhecimento objetivo, não existe o critério de objetividade, que é 
 
 
Para refletir sobre essa importante característica da 
ciência - a originalidade -, acesse a seguinte 
reportagem, no link: 
 
http://www.valor.com.br/internacional/2997800/mini
stra-da-educacao-alema-perde-doutorado-por-plagio 
 
Unidade I 
http://www.valor.com.br/internacional/2997800/ministra-da-educacao-alema-perde-doutorado-por-plagio
http://www.valor.com.br/internacional/2997800/ministra-da-educacao-alema-perde-doutorado-por-plagio
 
 
 
23 
Metodologia Científica 
 
substituído pelo de objetivação. Ainda que ideologia seja intrínseca, é fundamental 
buscar controlá-la, pois a meta da ciência é a realidade, não sua deturpação. 
Em consonância com Demo (1995), podemos entender que esses quatro 
critérios tentam cercar a complexidade do fenômeno científico, sem poder esgotá-
lo, até por uma razão lógica inerente. Assim, podemos entender que: 
A seleção de critérios conduz a um regresso ao infinito, porque não há 
definição cabal de nenhum termo. Se definimos o científico como o 
coerente, é mister definir o coerente. Se definimos o coerente como o 
não-contraditório, é mister definir o não-contraditório, e assim 
indefinidamente. Quer dizer, o número quatro não é sagrado, ou seja, 
não fazemos "a" demarcação científica, mas uma versão possível dela 
(DEMO, 1995, p. 21). 
Vale notar que esses quatro critérios são: 
 Heterogêneos (em certa extensão). 
 Caracterizados por se interpenetrarem. 
 Tendencialmente formais (destacando-se a coerência como apenas 
formal). 
Portanto, vale destacar que os quatro critérios internos à ciência nada dizem 
sobre conteúdos. Por isso, uma ideologia pode ser coerente a eles, principalmente 
na forma de se desdobrarem. Pode-se observar que tal coerência entre ideologia e 
os quatro critérios não é defeito, mas sim uma característica, por mais que possa 
decair em ritos vazios, ou seja, usar lógica impecável para um conteúdo irrelevante 
ou politicamente nefasto (DEMO, 1995). 
 
1.4.2 Critérios externos da ciência 
Os critérios externos da ciência, segundo Demo (1995), podem ser vistos 
por meio da intersubjetividade, significando a opinião dominante da comunidade 
científica em determinada época e lugar. É externo porque a opinião é algo 
 
Unidade I 
 
 
24 
Metodologia Científica 
 
 atribuído de fora, por mais que provenha de um especialista, aqui transparece a 
marca social do conhecimento. Nesse sentido, o autor supracitado mostra que: 
Em si, o científico deveria ligar-se apenas a critérios de propriedade 
interna. Um enunciado dito por Marx, pelo Presidente da República, ou 
pelo homem simples da rua teria a mesma validade. Todavia, como não 
existe nada "em si", mas tudo contextuado na história conflituosa e 
desigual, o "argumento de autoridade" - que jamais seria argumento 
pela autoridade - acaba prevalecendo (DEMO, 1995, p. 21). 
Mas, mostrando outros critérios externos da ciência, podemos citar a 
comparação crítica, a divulgação, o reconhecimento generalizado etc. Nesse 
sentido, pode-se observar que esses critérios mostram a fragilidade de trabalhos 
acadêmicos. 
 
 
 
 
 
 
 
Outro indício de fragilidade da ciência se refere ao fato de salvar obras 
medíocres só porque se encaixam nas estratégias vigentes de prestígio, 
comercialização e mesmo subserviência. De outro, aportam um aspecto 
fundamental da discussão, no sentido de ser a barreira típica contra o relativismocientífico. 
 
 
 
 
Demo (1195) mostra tal fragilidade ao exemplificar 
a história de Galileu, que apesar de ser um grande 
realizador científico para a sua época, foi condenado. 
Assim, uma obra de grande qualidade científica foi 
descartada só porque contrariava expectativas 
dominantes. 
 
Unidade I 
 
 
 
25 
Metodologia Científica 
 
 
 
 
 
 
Para nos ajudar a responder essa questão, nos apoiaremos na reflexão de 
Demo (1995): 
Cada qual define ciência como quer, aceita e rejeita o que quer. 
Primeiro, a postura relativista é logicamente incoerente, porque o 
enunciado "tudo é relativo" não é relativo, mas um discurso 
contraditoriamente absoluto. Segundo, é historicamente inviável, 
porque a sociedade produz cristalizações dominantes, que coíbem cada 
indivíduo de ter um mundo totalmente próprio de ideias e posturas. 
Assim, não existe relativismo, mas relatividade histórica, o que é um 
fenômeno que pervade também as ciências sociais, enquanto são 
fenômeno social como qualquer outro. Assim, não admira que tenham 
suas "vacas sagradas", seus pontífices, seus asseclas, seus 
corporativismos, e assim por diante (p. 22). 
Agora que delimitamos os critérios internos e externos da ciência, vamos, 
em consonância com o autor, fazer um reparo importante, que se refere às 
atribuições ditas externas e que se encontram na origem, mas fazem parte 
integrante do jogo, considerando o débito social como componente da própria 
tessitura científica. Portanto, seria um erro situar a ideologia como algo externo, 
estranho, como invasão indevida. 
Na verdade, ideologia é sempre inerente à pesquisa científica, pois sempre 
está presente, embora possa vir de dentro (do sujeito) ou de fora (do objeto). 
Torna-se invasão indevida quando passa a predominar sobre a ciência, colocando o 
processo científico a serviço de pretensões ideológicas. 
 
 
Diante desse relativismo científico, o que pode nos 
indicar que nada é evidente e conclusivo? Assim, 
podemos nos perguntar: em ciência vale tudo? 
 
 
Unidade I 
 
 
26 
Metodologia Científica 
 
 
 
 
 
 
Nesse sentido, acreditamos que não! 
Para tal resposta, podemos buscar inspiração em Demo (1995): ao 
entender que apenas para uma postura formalizante de ciência, que acredita em 
neutralidade, a distinção faz muito sentido, porque considera critérios externos, no 
fundo, espúrios; e entende intersubjetividade menos como acerto social histórico 
do que como expressão objetiva de formalizações comumente reconhecidas. Com 
essa visão, que acreditamos ser equivocada, tende-se a entender a produção 
científica como luta metodológica apenas contra inimigos externos, que degradam a 
pureza formal de sua criação e que situam a metodologia como um treino para a 
neutralidade, tendo em vista a objetividade da realidade. Assim, vale destacar que, 
em harmonia com Demo (1995) e Habermas (1987), não há como partilharmos 
desta visão, pois acreditamos na mesma importância da qualidade política e da 
qualidade formal que uma pesquisa científica sempre deve buscar, principalmente 
no que diz respeito à importância da construção de conhecimentos por meio de 
estudos disciplinares, principalmente nos cursos de graduação e pós-graduação, para 
a produção de novos conhecimentos científicos. 
 
 
A essa altura de nossas reflexões sobre a ciência e 
com a influência da ideologia, podemos nos indagar: 
é possível que uma pesquisa científica seja realmente 
neutra? 
 
Unidade I 
 
 
 
27 
Metodologia Científica 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Julgar a importância dos conhecimentos disciplinares e do método científico 
para a produção de conhecimentos na academia. 
 
 
 
 Ciclo 02 
 Atividade Teste 
 Título: Conhecimentos Disciplinares e o Método Científico 
 
 
 
Unidade II – Conhecimentos 
disciplinares, o método 
científico 
 
N N 
Objetivos da Unidade 
 
 
Plano de Estudos 
 
 
II 
 
 
28 
Metodologia Científica 
 
2. Introdução 
Para que possamos refletir sobre a importância da construção de 
conhecimentos por meio de estudos disciplinares, principalmente nos cursos de 
graduação e pós-graduação, para a produção de novos conhecimentos em uma 
pesquisa científica, convido você a pensar sobre a centelha inicial de uma pesquisa. 
Uma centelha que, como mostra Bunge (1975), inicia uma investigação científica 
por meio da percepção de que o acervo de conhecimento disponível se mostra 
insuficiente para manejar determinados problemas. 
Então, há de se destacar a importância de se buscar sempre pelo acervo de 
conhecimento disponível em determinadas áreas disciplinares, até mesmo para que 
seja possível, com consistência política e formal, formular uma pergunta e, 
consequentemente, buscar uma ou até mesmo mais respostas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
2.1 A importância dos conhecimentos disciplinares para a produção científica 
Evidentemente, não é possível iniciar uma pesquisa com um pesquisador 
que ignora grande parte do campo que será pesquisado. Nesse sentido, destaca-se 
a importância de estudos preliminares para o estabelecimento das conjecturas que 
nortearão o percurso da pesquisa. Assim, surge uma nova questão: 
 
 
Como podemos pesquisar por determinado tema 
se não conhecemos os saberes já construídos até 
então nesta área do conhecimento? Então, 
baseados inicialmente nessa questão, vamos refletir 
nesta unidade sobre os conhecimentos disciplinares, 
o método científico e a revisão de literatura. 
 
Unidade II 
 
 
 
29 
Metodologia Científica 
 
 
 
 
 
 
A resposta que mais deve ser mencionada a tal questão é: na academia. 
Principalmente por se entender que a academia é um local que se mostra para 
além da transmissão de conhecimentos, mas sim para a construção desses 
conhecimentos, tendo em vista a inquietude científica que nela habita. 
Assim, entendemos que não é possível iniciar uma pesquisa científica antes 
da formulação da(s) pergunta(s) preliminares e sem compreender o estado da arte 
do assunto a ser pesquisado. Aqui fica uma boa dica para se iniciar uma pesquisa 
científica: 
 
 
 
 
 
 
 
Assim, podemos entender que para uma pesquisa mostrar coerência, 
consistência, objetivação e principalmente originalidade, o pesquisador tem que 
estar a par dos conhecimentos já construídos no campo de conhecimento em que 
a pesquisa vai se desenvolver. Isso sem falar na responsabilidade que o pesquisador 
deve ter frente à qualidade política de uma pesquisa, principalmente no campo das 
ciências sociais. E para refletirmos mais sobre essa responsabilidade política, há de se 
destacar que, apesar de frequentemente se entender que o estudar a realidade 
social significa, logo de partida, buscar suas quantificações possíveis para que estas 
Qual é (ou deveria ser) o local ideal para a 
construção de conhecimentos preliminares a uma 
pesquisa? 
 
Antes de iniciar a pesquisa, o pesquisador deve 
buscar, no mínimo, o estado da arte do assunto a 
ser pesquisado. Essa ação pretende atender os 
critérios internos, bem como os externos a uma 
pesquisa científica. 
 
Unidade II 
 
 
30 
Metodologia Científica 
 
possam ser tratadas de um modo metodológico formal semelhante ao que se utiliza 
nas ciências naturais, segundo Demo (1995), há de se considerar que: 
 
Tal procedimento é fortemente questionado hoje, porque ciência 
puramente instrumental coloca precisamente uma questão política da 
maior relevância: a quem servem as ciências sociais. Quando se verifica, 
com extrema facilidade, que o produto tendencial das ciências sociais 
não é o enfrentamento dos problemas sociais na teoria e na prática, em 
favor dos desiguais, mas a fabricação competente de técnicas de 
controle social a serviço do grupo dominante, percebe-se que a 
neutralidade é, sobretudo, útil. Útil ao cientista, porque lhe é cômodo 
desconhecer a imbricação com os fins enquanto pode viver à sombrae 
com a sobra do poder vigente. Sobretudo útil ao poder vigente, que 
aproveita das ciências sociais seu potencial ideológico (p. 24). 
 
Nesse sentido, destaca-se a importância de se construir um estado da arte 
preliminar a uma pesquisa de forma crítica, não só no aspecto formal, mas, 
sobretudo, no aspecto político frente a um campo de conhecimento em que se vai 
desenvolver uma pesquisa. 
 
 
 
 
 
 
Um exemplo interessante é o mostrado por Demo 
(1995): 
 
Unidade II 
Unidade II 
 
 
 
31 
Metodologia Científica 
De todos os modos, tomando-se a sério o débito social das ciências 
sociais, é mister reconhecer que critérios de qualidade formal não 
bastam. Uma tese de doutorado pode ser formalmente aceita como 
perfeita, porque corresponde a todos os ritos académicos e, sobretudo, 
é uma demonstração perfeita de domínio instrumental metodológico e 
teórico, mas pode igualmente ser irrelevante, no sentido de que não 
coloca problema de importância para a sociedade. (p, 24) 
Enfim, tendo em vista a importância do conhecimento disciplinar prévio a 
uma pesquisa, seja no aspecto formal ou no político, é importante destacar também 
a importância do método a ser utilizado para a pesquisa científica, que trataremos a 
seguir. 
 
2.2 Método científico 
Antes de iniciarmos, é importante trazer para reflexão alguns conceitos 
fundamentais que compõem essa prática, que se referem às relações entre 
conhecimento, ciência e método. 
2.2.1 Conhecimento, ciência e método 
Pedro Demo (1995) mostra que o problema central do método é a 
demarcação científica entre o que seria e o que não seria ciência. Assim, não há 
nada mais controverso em ciência do que sua própria definição, pois: 
 
[...] a menos que a consideremos produto de supermercado que se 
compra pronto e se guarda na geladeira. A percepção comum de 
ciência está repleta de expectativas simplistas, sobretudo no sentido de 
que os cientistas seriam gente acima de qualquer suspeita, produzindo 
"oráculos" definitivos, detendo em suas mãos conhecimentos perfeitos. 
Ao contrário disso, é mister partir de que a demarcação científica 
coloca no fundo discussão inacabável, desde que não se aceite o dogma 
como algo científico. (DEMO, 1995, p.15). 
 
 
Unidade II 
Unidade II 
 
 
32 
Metodologia Científica 
Nesse sentido, podemos considerar que a metodologia, para a construção 
dos conhecimentos científicos, não aparece como solução definitiva para 
considerarmos a ciência como a detentora e produtora dos anteriormente referidos 
conhecimentos “oraculares”, mas como fonte de questionamento criativo, para 
permitir opções consistentes frente à realidade em que vivemos atualmente. Uma 
realidade que se pauta no que muitos se referem como era da informação ou 
mesmo era do conhecimento. 
Portanto, ainda pautados no autor supracitado, vale destacar que o maior 
problema da ciência, principalmente nos dias atuais, não é o método, mas a 
realidade; como ela não é evidente, e também pelo fato de a ideia que temos da 
realidade nem sempre coincidir com a própria realidade, torna-se necessário, 
dentro do campo de conhecimentos deste curso, colocarmos a seguinte questão: 
 
 
 
 
 
 
 
 
Demo (1995) nos mostra que: 
 algumas pessoas entendem que a realidade social é algo já feito, 
totalmente externo e estruturado, 
 outras pessoas acham que a realidade social é algo a ser feito, sendo 
algo criativamente histórico, 
 outras tentam misturar as duas posturas: em parte a realidade social 
está feita, em parte pode ser feita. 
 
 
O que consideramos realidade social? 
 
Unidade II 
Unidade II 
 
 
 
33 
Metodologia Científica 
 
E você, o que acha? Com qual das respostas você se identifica mais? Você 
sabe o motivo da sua escolha? Pois é, dependendo da concepção de realidade 
social que assumimos, tem-se uma variação no método científico de captação. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
- que existem estruturas na realidade social que são como formas (“fôrmas"), 
o que permite tomá-la como fenômeno regular, até certo ponto previsível e 
planejável; 
- que são estruturas, por exemplo, o complexo de necessidades materiais (a 
infraestrutura), o conflito social, formas de comunicação e expressão simbólica, etc.; 
- que dividimos o processo histórico em condições objetivas e subjetivas, 
significando as estruturas externas ao homem, que as encontra dadas, e a 
capacidade política do homem de conquistar seu lugar; 
- que transformações sociais se dão nos conteúdos, em que a história pode 
ser radicalmente criativa, produtiva, dependendo, portanto, de condições objetivas 
e subjetivas, cada qual detendo a mesma ordem de importância; 
- que o móvel próprio de mudança, nas condições subjetivas, é o conflito 
social, que significa a reação dos "desiguais" contra a opressão dos privilegiados; nas 
condições objetivas significa a dinâmica interna processual, que, embora estrutural, 
traduz estruturas da mudança, não do esfriamento da história; 
Para uma concepção dialética de realidade social, 
cabe o método dialético. Para uma realidade 
concebida como sistema, cabe o método sistêmico. 
Agora tomaremos a realidade social como processo 
histórico. Demo (1995) entende, em seu sentido 
pleno, que: 
 
Unidade II 
 
 
34 
Metodologia Científica 
 
- que isso leva a conceber a história como uma sucessão de fases, em que 
cada fase gera em si mesma a próxima fase, por meio dos conflitos objetivos e 
subjetivos que tem de enfrentar. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
2.2.2. A metodologia científica 
Para que possamos refletir sobre a metodologia científica, vamos, 
inicialmente, buscar o significado de método. 
 
 
 
 
 
 
Com as colocações anteriores, pôde-se entender 
que a expressão, talvez mais adequada, para esta 
concepção de realidade social é "unidade de 
contrários", fazendo-nos entender que, tal como 
mostra Chauí (1980), há nessa concepção de 
realidade, um dinamismo que provém da 
convivência de forças contrárias, que, ao mesmo 
tempo, se repelem e se necessitam. 
Então, agora que já conhecemos, mesmo que de 
forma preliminar, a concepção de realidade social 
oriunda da visão dialética sócio-histórica, vamos 
pensar um pouco mais sobre o método científico? 
 
 
A palavra método é derivada do latim methodus e 
do grego methodos. Esse último termo é a junção de 
meta com hodos, como se pode observar no 
esquema a seguir: 
 
Unidade II 
Unidade II 
 
 
 
35 
Metodologia Científica 
 
Figura 01: Significado de Método 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Fonte: O autor 
 
Historicamente, podemos vislumbrar na obra “Discurso do Método”, de 
Descartes (1637), a primeira vez que, de forma sistemática, o entendimento de 
método se apresentou. Na obra observam-se em 4 preceitos o caminho para a 
perfeita dúvida: 
O primeiro preceito consiste em: 
 nunca aceitar como verdadeira qualquer coisa, sem a reconhecer 
como tal, evitar cuidadosamente a precipitação e a prevenção; 
 não incluir nos seus juízos nada que não se apresentasse tão clara e 
tão distintamente ao meu espírito que não tivesse nenhuma ocasião 
para o pôr em dúvida. 
 
 
 
Meta
• por,
• para,
• através de.
Hodos • caminho.
Unidade II 
METHODOS 
Unidade II 
 
 
36 
Metodologia Científica 
 
 
O segundo preceito é constituído em: 
 dividir cada uma das dificuldades que eu houvesse de examinar em 
tantas parcelas quantas pudessem ser e fossem exigidas para 
resolvê-las melhor. 
 
O terceiro preceito se refere a: 
 conduzir por ordem meus pensamentos, começando pelos objetos 
mais simples e fáceis de serem conhecidos para subir pouco a pouco 
como por degraus até o conhecimentos dos mais compostos, e 
supondo mesmo certa ordem entre os que não procedem 
naturalmente uns aos outros. 
 
O quarto preceito se acena ao ato de: 
 fazer toda a parte enumerações tão completas e revistastão gerais, 
que ficasse certo de nada omitir. 
 
Note que o primeiro, o segundo e o terceiro preceitos se caracterizam em 
colocar ordem às evidências; já o quarto preceito se refere às técnicas 
metodológicas que se destinam a buscar a integridade total do procedimento. 
Portanto, Horn (2003) nos mostra: 
[...] quando se observa um objeto, capta-se-lhe a aparência parcial, 
aquilo que algum de seus prismas apresenta, ou seja, a perspectiva da 
qual se enfoca o que se deseja conhecer determina o aspecto do que é 
apreendido. Do mesmo modo que o resultado de toda a pesquisa 
depende de um método, cada método implica em uma perspectiva 
específica vinculada a uma concepção filosófica e que definirá tanto a 
forma de olhar o objeto, como de interpretá-lo. Daí que a mesma 
realidade pode resultar em diferentes leituras, conforme o paradigma 
que pauta cada pesquisador. (p. 33) 
Unidade II 
 
 
 
37 
Metodologia Científica 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Dentre os paradigmas que orientam a pesquisa 
acadêmica, observa-se frequentemente a presença 
dos seguintes: Positivismo, Fenomenologia e 
Marxismo. Ainda segundo o autor supracitado, tais 
concepções têm duas origens: no tradicional 
dualismo idealismo-materialismo, traduzível na 
oposição entre os que priorizam o espírito em 
detrimento da matéria e no entendimento de que a 
matéria é o princípio fundamental e a ideia – ou 
espírito –, secundário. Pode-se dizer, no sentido de 
facilitar a apreensão das especificidades das 
concepções citadas que, enquanto Positivismo e 
Fenomenologia têm pertinência com o idealismo, o 
Marxismo se vincula ao materialismo histórico. 
Mas, voltando ao método, podemos sintetizar que 
esse termo, segundo Japiassu e Marcondes (1996, p. 
131), refere-se a um “conjunto de procedimentos 
racionais, baseados em regras, que visam atingir um 
objetivo determinado. Por exemplo, na ciência, o 
estabelecimento e a demonstração de uma verdade 
científica”. 
Para continuarmos nossa reflexão sobre esse 
importante aspecto da pesquisa científica, vamos 
agora nos basear em Bunge (1975). Esse pensador 
mostra que se deve ter muito cuidado na 
consideração do que é o método científico, pois não 
deve ser entendido como um conjunto de 
instruções mecânicas e infalíveis que capacitaram o 
cientista para prescindir da imaginação; não deve ser 
interpretado, tampouco, como uma técnica especial 
para o manejo de problemas de um certo tipo. 
Portanto, considera-se método, nesse contexto, um 
procedimento para tratar de um conjunto de 
problemas. 
 
 
Unidade II 
 
 
38 
Metodologia Científica 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Assim, para o desenvolvimento de uma pesquisa 
científica, temos que considerar que inevitavelmente 
deve haver esforço intelectual por parte do 
pesquisador. Entretanto, a pesquisa não tende a ser 
algo muito complicado, pois é importante que o 
pesquisador tenha em vista, no início e ao logo de 
todo o processo, um importante elemento: o 
problema de pesquisa, que é constituído por uma 
ou mais perguntas. 
Tendo em vista o problema, que geralmente diz 
respeito ao pesquisador ou ao meio em que ele se 
insere, o sujeito pesquisador deve passar a pensar 
em maneiras de responder às perguntas, no sentido 
de se compreender o problema. Portanto, com esse 
intento, o pesquisador deve se apropriar de 
estratégias para ajudá-lo na busca de conjecturas 
que tendem a indicar o caminho para que se chegue 
às considerações finais apropriadas e seguras sobre 
o problema investigado. 
 
 Para se iniciar uma pesquisa científica, é muito 
importante que o pesquisador visualize um 
problema teórico ou prático a ser resolvido. Com 
esse problema bem delimitado e que não se mostre 
muito amplo, o pesquisador deve, em seguida, 
formular hipóteses ou perguntas para que se possa, 
no decorrer da pesquisa, testá-las e confrontá-las 
com a literatura analisada, que tende a abarcar o 
estado da arte do tema a ser pesquisado, e/ou 
verificá-las frente à realidade que se encontram. 
 
Unidade II 
 
 
 
39 
Metodologia Científica 
 
Segundo Laville e Dionne (1999), “chegar a possíveis explicações ou 
soluções para um problema pode significar não apenas aquisição de novos 
conhecimentos, mas, também, fornecer uma determinada intervenção. Um 
problema é sempre uma falta de conhecimento” (p. 11). 
Nesse sentido, entende-se que para sair da situação delimitada de falta de 
conhecimento para o conhecimento, é imprescindível que o pesquisador utilize o 
rigor metodológico para que os resultados da pesquisa sejam confiáveis frente ao 
campo de conhecimento (acadêmico) que se situam, e também no sentido de 
constituírem validade social. 
Cada classe de problemas requer um conjunto de métodos ou técnicas 
especiais. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Segundo Bunge (1975), são os seguintes passos 
principais para a aplicação do método científico: 
 
Unidade II 
 
 
40 
Metodologia Científica 
 
Determinar os domi ́nios nos quais valem as conjecturas e as te ́cnicas
para formular os novos problemas originados pela investigação. 
Estimar a pretensa ̃o de verdade
verdade das conjecturas e a fidelidade das técnicas. 
Levar a cabo a contrastac ̧ão
para interpretar seus resultados. 
Submeter a ̀ contrastac ̧a ̃o essas te ́cnicas
para comprovar sua relevância e o cre ́dito que merecem. 
Arbitrar técnicas
Técnicas para submeter as conjecturas à contrastação. 
Derivar consequências
Consequências lógicas das conjecturas. 
Arbitrar conjecturas
Conjecturas bem fundadas e contrastáveis com a experiência, para 
contestar as perguntas. 
Enunciar perguntas
Perguntas bem formuladas e verdadeiramente fecundas. 
Unidade II 
 
 
 
41 
Metodologia Científica 
 
 
 
 
 
 
 
Segundo Bunge (1975), seguramente existem algumas, ainda que ninguém 
tenha conseguido estabelecer uma lista que as esgote, e mesmo que todo mundo 
deva resistir a fazê-lo, tendo aprendido pelo fracasso dos filósofos que, desde Bacon 
e Descartes, têm pretendido conhecer as regras infalíveis da direção da investigação. 
A título de mera ilustração, Bunge (1975) intenta enunciar e exemplificar 
algumas regras muito óbvias do método científico: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Existem regras que guiam a execução das operações 
acima? Ou seja, existem instruções concretas para 
tratar dos problemas científicos? 
 
 
Formular o problema com precisão e, em princípio, 
especificamente. 
 
 
 
 
Propor conjecturas bem definidas e fundadas de 
algum modo, e não suposições que não 
comprometem em concreto, nem tampouco 
ocorrências sem fundamento visível. 
Não declarar verdadeira uma hipótese 
satisfatoriamente confirmada; considerá-la, no 
melhor dos casos, como parcialmente verdadeira. 
Perguntar-se porque a resposta é como é, e não de 
outra maneira. 
Unidade II 
 
 
42 
Metodologia Científica 

 
Nesse sentido, é necessário considerar o seguinte esquema e seu fluxo: 
Figura 02: Método Científica 
Fonte: O autor 
 
Ainda segundo Bunge (1975), podemos entender que essas e outras regras 
do método científico estão muito longe de serem infalíveis e de não necessitarem 
de aperfeiçoamento ulterior. Além disso, não se deve: 
 
[...] esperar que as regras do método científico possam substituir a 
inteligência por um mero adestramento. A capacidade de formular 
perguntas sutis e fecundas, de construir teorias fortes e profundas e a 
de arbitrar contrastações empíricas finas e originais não são atividades 
orientadas por regras. Se assim fosse, como pensaram alguns filósofos, 
todo mundo poderia desenvolver com êxito investigações científicas, e 
os computadores poderiam converter-se em investigadores, em vez de 
limitar-se a ser o que são, instrumentos da investigação. (p. 3)
 
 
Unidade II 
 
 
 
43Metodologia Científica 
 
Nesse sentido, a metodologia científica se mostra capaz de dar indicações 
de meios para evitar erros, mas não pode suplantar a criação original, nem sequer 
prever todos os erros. Portanto, precisamos sempre estar atentos ao fato de que, 
atualmente: 
Os cientistas não têm se preocupado muito com a fundamentação nem 
pela sistematicidade das regras do procedimento científico. Nem sequer 
se preocupam em enunciar explicitamente todas as regras que usam. 
De fato, as discussões de metodologia científica não parecem ser 
animadas além do começo de cada ciência. Na maioria dos casos, os 
cientistas adotam uma atitude de ensaio e erro a respeito das regras de 
investigação que usam. Isso ocorre de forma tão implícita, que a maioria 
dos cientistas nem as registram conscientemente. 
 
 
 
 
 
 
 
Em consonância com Bunge (1975), frente a prescrições metodológicas tão 
dogmáticas e estéreis (e teoricamente injustificadas), o melhor é ter sempre aquela 
que talvez seja a única regra válida: audácia ao conjecturar, rigorosa prudência ao 
submeter à contrastação das conjecturas. 
 
 
 
 
 
O método científico e a finalidade a qual se aplica 
(conhecimento objetivo do mundo) para nós, que 
vamos trabalhar a pesquisa científica, constitui a 
inteira diferença que existe entre a ciência e a não 
ciência. 
 
 
O método científico é um traço característico da 
ciência, tanto da pura quanto da aplicada. Onde não 
há método científico, não há ciência. Mas não é nem 
infalível, nem autossuficiente (BUNGE, 1975). 
 
Unidade II 
 
 
44 
Metodologia Científica 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Julgar a importância dos conhecimentos disciplinares e do método científico 
e a revisão de literatura para a produção de conhecimentos na academia. 
 
 
 
 Ciclo 03 
 Atividade Teste e Exercício em Grupo 
 Título: Revisão de Literatura e Pesquisa Quanto aos Procedimentos, 
Abordagem, Natureza e Objetivos 
 
 
 
 
Unidade III – Revisão 
de Literatura 
 
 
Objetivos da Unidade 
 
 
Plano de Estudos 
 
 
III 
 
 
 
45 
Metodologia Científica 
 
3. Introdução da unidade 
Antes de iniciar a reflexão sobre a pesquisa, no que tange suas fases e 
etapas, precisamos construir um projeto de pesquisa. Assim, um projeto é 
imprescindível, independente do tipo de pesquisa a ser realizado. 
 
 
 
 
 
 
3.1 Revisão de literatura para se estabelecer o estado da arte 
Um projeto de pesquisa, bem como uma pesquisa como todo, deve ser 
marcado inicialmente por conhecimentos disciplinares que mostrem 
suficientemente pelo estado da arte do campo de conhecimento em que se vai 
pesquisar. Assim, esse estado da arte é constituído por uma boa revisão de 
literatura, como veremos a seguir. 
Portanto, é fundamental para uma pesquisa (seja ela de qual tipo for) que se 
tenha em mãos e em mente o material bibliográfico disponível sobre o tema a ser 
pesquisado. Assim, toda pesquisa se inicia com uma boa e ampla revisão de 
literatura, que propicia o saber do que já foi determinado sobre a temática da 
pesquisa e assim como os processos metodológicos que vimos anteriormente neste 
guia, permite a emergência de novas ideias. 
 
 
 
 
 
Mas como iniciar a construção de um projeto de 
pesquisa? Uma resposta interessante está na revisão 
de literatura. Então, vamos saber um pouco mais 
sobre tal procedimento? 
 
Unidade III 
 
 
46 
Metodologia Científica 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Agora você já deve estar se perguntando: mas como realizar uma boa 
revisão de literatura? Assim, Horn (2003) aponta que: 
 
A revisão de literatura é constituída, conforme sua denominação, por 
registros de uma releitura do que ‘as autoridades’ já escreveram sobre 
o tema, devendo remeter ao maior número possível de ‘autoridades’. 
Há que se enfatizar, ainda, que a autoridade também se explicita em 
adequação ao nível de complexidade que se espera de cada curso (p. 
67). 
Isso quer dizer que é necessário escolher por livros e artigos adequados 
para espaldar a pesquisa a ser realizada, tendo em vista o seu nível de 
complexidade, ou seja, considerando se a pesquisa é desenvolvida no contexto de 
graduação, especialização, mestrado ou doutorado. 
Assim, a escolha de livros ou artigos para uma boa revisão de literatura 
preliminar tende a autorizar/validar uma pesquisa. Entretanto, vale destacar que, se 
uma revisão de literatura não for bem realizada, ou seja, considerando livros e 
artigos de forma descontextualizada ou mesmo com pouca profundidade frente ao 
campo de saber em que se pretende pesquisar, pode-se fadar uma pesquisa ao 
fracasso. Diante disso, vale considerar o que Horn (2003) entende como não 
Independente do tipo de pesquisa a ser realizado 
(assunto que trataremos no próximo item deste 
guia de estudos), uma boa revisão de literatura é 
demandada. Uma revisão que, por meio de um 
processo de registros obtidos ao decorrer da leitura 
da bibliografia selecionada sobre o tema a ser 
pesquisado, se destina a constituir os pilares para a 
elaboração do projeto de pesquisa, do texto da 
pesquisa, da pesquisa em si até as considerações 
finais e mesmo pela indicação de novas pesquisas. 
Unidade III 
 
 
 
47 
Metodologia Científica 
 
apropriado para revisão de literatura da graduação: enciclopédias, revistas não 
especializadas ou dirigidas a leigos ou estudantes de cursos profissionalizantes ou 
propedêuticos; livros didáticos para Ensino Médio; publicações místicas e de 
autoajuda destinados ao público não acadêmico. Enfatiza-se que não está em pauta 
o valor do conteúdo dos escritos mencionados, mas sua adequação à constituição 
de um arcabouço para o patamar da graduação. 
Então, depois de escolhermos as obras de forma contextualizada, com o 
tema e a profundidade bem definidos, surge uma importante questão: 
 
 
 
 
 
 
Uma ação eficaz para organizar os conhecimentos é a elaboração 
sistemática de fichas, arquivos em computador, anotações em cadernos etc., pois 
apenas a leitura dos textos escolhidos, sem anotações ou marcações, tende a ser 
insuficiente para a escrita de um projeto, ou mesmo de um trabalho científico em si. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Como podemos organizar os conhecimentos 
trazidos pelas obras escolhidas para a nossa revisão 
de literatura? 
 
Para a elaboração sistemática de fichas, arquivos em 
computador ou anotações em caderno, é necessário 
anotar a referência completa da obra, que deve 
conter o nome do autor, tradutor (se tiver), o 
número da edição (quando for o caso), a editora, a 
cidade e o ano. Se for um fichamento de uma obra 
localizada em endereço eletrônico, o endereço e a 
data de acesso devem ser anotados. 
Unidade III 
 
 
48 
Metodologia Científica 
 
Assim, com a leitura e a elaboração sistemática de fichas dos vários textos 
escolhidos, será possível categorizar tópicos que embasarão a revisão bibliográfica 
do trabalho e dos demais capítulos da pesquisa. Assim, Horn (2003) mostra que: 
 
Segundo a tradição, a revisão de literatura é o ponto de partida 
obrigatório de um estudo. Nela devem estar referidas as teorias 
edificadas, os dados compilados, organizados e publicados por 
autoridades. Estas são assim consideradas por terem percorrido algum 
caminho investigativo pertinente, obtendo o reconhecimento da 
comunidade científica à relevância do que constituíram (p. 68). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Portanto, a leitura e a elaboração sistemática de fichas na pesquisa é muito 
importante, pois evidencia concepções de vários autores e propicia aproximações 
ou mesmo oposições, o que demonstra o diálogo do autor da pesquisa com as 
várias visões presentes no campo de estudo, explicitando uma sólida sustentação 
teórica argumentativa. Agora que vimos a importância da revisão bibliográfica, 
independente do tipo de pesquisa a ser realizado, vamos, no próximo item deste 
guia de estudos, conhecere refletir sobre os tipos de pesquisa. 
 
Se a revisão bibliográfica, ou mesmo o corpo do 
texto da pesquisa, não for redigido com as 
referências das obras consultadas e seus autores, 
que se apresentam como autoridades no campo de 
estudo em questão, o texto não terá validade 
acadêmica e poderá ser considerado plágio, pois 
uma ideia ou trecho de texto que não é 
referenciado tende a ser visto como de origem do 
autor do trabalho que o redige. 
Unidade III 
 
 
 
49 
Metodologia Científica 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Experienciar o julgamento e abdução dos tipos de pesquisa para a produção 
de conhecimentos científicos, tendo em vista diferentes tipos de pesquisa e 
seus procedimentos. 
 
 
 
 Ciclo 04 
 Atividade Exercício em Grupo 
 Título: Projeto de Pesquisa 
 
 
 
Objetivos da Unidade 
 
 
Plano de Estudos 
 
 
IV 
 
Unidade IV – Pesquisa 
quanto aos procedimentos 
 
 
50 
Metodologia Científica 
 
4. Introdução 
Nesta unidade, convido você a refletir sobre alguns aspectos referentes aos 
tipos de pesquisa, no sentido de se embasar para que possa construir projetos de 
pesquisa científica. Nesse sentido, vamos conhecer e pensar sobre os diferentes 
tipos de pesquisa e seus procedimentos. Vamos refletir sobre a pesquisa 
bibliográfica, de campo, de laboratório, documental, ex-post-facto, de levantamento, 
com survey, estudo de caso, pesquisa-ação, participante, etnográfica e 
etnometodológica. Então, vamos aos estudos! 
 
4.1 Pesquisa bibliográfica 
Vale destacar que existem pesquisas em que a revisão de literatura pode ser 
o foco principal, esse tipo de pesquisa é denominado de pesquisa bibliográfica. 
Nesse sentido, as obras revisadas são teoricamente corroboradas, ampliadas ou 
mesmo contestadas inteira ou parcialmente. Esse tipo de pesquisa pode ser, 
segundo (HORN 2003): 
 
[...] realizada independentemente ou como parte de qualquer outra 
pesquisa, a que se desenvolve tentando explicar um problema, 
utilizando o conhecimento disponível a partir de teorias publicadas em 
livros e obras congêneres. [...] o investigador irá levantar o 
conhecimento disponível na área, identificando as teorias produzidas, 
analisando e avaliando sua contribuição para auxiliar a compreender ou 
explicar o problema: objeto de investigação. Esta modalidade de 
pesquisa é muito comum na área de ciências humanas e sociais, dada à 
natureza do estatuto epistemológico que compõe esta área. Seu 
objetivo é buscar compreender as principais contribuições teóricas 
existentes sobre um determinado tema-problema ou recorte, 
considerando-se a produção já existente (p. 10). 
 
 
Unidade IV 
 
 
 
51 
Metodologia Científica 
 
Esse viés é frequentemente usado no nível da graduação, por priorizar uma 
visão ampla, o estudo das publicações sobre o tema e uma reflexão sobre elas. Isso 
não quer dizer que para a graduação não se deva usar a pesquisa empírica, pois 
esse tipo de pesquisa deve ser utilizado quando se necessita imprescindivelmente 
de situações práticas que se destinam, frente às obras revisadas: corroborá-las, 
ampliá-las ou mesmo contestá-las inteira ou parcialmente. 
 
4.2 Pesquisa de campo 
"A pesquisa de campo é muito usada em Sociologia, Psicologia, Política, 
Economia e Antropologia. [...] Consiste na observação dos fatos tal como ocorrem 
espontaneamente, na coleta de dados e no registro de variáveis presumivelmente 
relevantes para ulteriores análises." (RUIZ, 1982, p. 50). 
Segundo Horn (2003), a principal finalidade deste tipo de pesquisa é 
trabalhar com dados coletados em campo (com uso de instrumentos específicos), 
de acordo com os objetivos do assunto escolhido, como mostra o esquema a 
seguir: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Dados coletados 
em campo 
Recolher, registrar, 
ordenar e 
comparar 
Usando 
instrumentos 
específicos
De acordo 
com 
objetivos 
da pesquisa
Unidade IV 
 
 
52 
Metodologia Científica 
 
4.3 Pesquisa de laboratório 
Segundo Ruiz (1982), a pesquisa de laboratório permite ao pesquisador 
experimentar ou realizar experimentos no sentido de: 
 exercer positivo controle sobre as condições presumivelmente 
relevantes, relativas a determinado evento, 
 reproduzir fenômenos dentro de uma plano de modificações 
sistemáticas das variáveis independentes, relativamente a 
determinado evento. 
Com esses experimentos, o pesquisador tem o objetivo de descobrir as 
condições antecedentes responsáveis pelo evento subsequente, ou efeito, ou 
variável dependente assumida como objeto de pesquisa. 
Em consonância com Horn (2003), esta classificação é bastante genérica e 
tem apenas a finalidade de chamar a atenção para a importância de se buscar definir 
uma abordagem metodológica para o estudo que se pretende realizar. Neste 
sentido, deve-se tomar cuidado para não torná-la uma camisa de força que oculta 
os resultados potenciais, ou que cerceia a criatividade e a interpretação do 
pesquisador, pois qualquer instrumento que condiciona os resultados da pesquisa 
limita seu alcance. 
4.4 Pesquisa documental 
 
A pesquisa documental, segundo Fonseca (2002), trilha os mesmos 
caminhos da pesquisa bibliográfica, não sendo fácil por vezes distingui-las, assim: 
 A pesquisa bibliográfica utiliza fontes constituídas por material já 
elaborado, constituído basicamente por livros e artigos científicos 
localizados em bibliotecas. A pesquisa documental recorre a fontes mais 
diversificadas e dispersas, sem tratamento analítico, tais como: tabelas 
estatísticas, jornais, revistas, relatórios, documentos oficiais, cartas, filmes, 
fotografias, pinturas, tapeçarias, relatórios de empresas, vídeos de 
programas de televisão, etc. (FONSECA, 2002, p. 32). 
 
 
Unidade IV 
 
 
 
53 
Metodologia Científica 
 
4.5 Pesquisa ex-post-facto 
Silveira e Córdova (2009) mostram que a pesquisa ex-post-facto tem por 
objetivo investigar possíveis relações de causa e efeito entre um determinado fato 
identificado pelo pesquisador e um fenômeno que ocorre posteriormente. Assim, 
segundo Fonseca (2002), podemos entender que a principal característica deste 
tipo de pesquisa é o fato de os dados serem coletados após a ocorrência dos 
eventos. Nesse sentido: “a pesquisa ex-post-facto é utilizada quando há 
impossibilidade de aplicação da pesquisa experimental, pelo fato de nem sempre 
ser possível manipular as variáveis necessárias para o estudo da causa e do seu 
efeito” (p. 32). 
 
 
 
 
 
 
 
4.6 Pesquisa de levantamento 
Tipo de pesquisa usada em estudos exploratórios e descritivos, sendo esses 
últimos os que mais se adéquam aos levantamentos. Assim, os exemplos mais 
frequentes, que temos maior contato na mídia, são os estudos de opiniões e 
atitudes (GIL, 2007, p. 52). 
Fonseca (2002) aponta que pode ser de dois tipos: levantamento de uma 
amostra ou levantamento de uma população (também designado censo). Assim, ele 
define: 
 
 
Quando se faz um estudo tentando levantar as 
causas da evasão de clientes de uma academia de 
ginástica; no estudo experimental, seria o inverso, 
tomando-se, primeiramente, um grupo de alunos a 
quem seria dado um determinado tratamento, e 
observando, posteriormente, o índice de evasão. 
 
 
Unidade IV 
 
 
54 
Metodologia Científica 
 
O Censo populacional constituía única fonte de informação sobre a 
situação de vida da população nos municípios e localidades. Os censos 
produzem informações imprescindíveis para a definição de políticas 
públicas estaduais e municipais e para a tomada de decisões de 
investimentos, sejam eles provenientes da iniciativa privada ou de 
qualquer nível de governo. Foram recenseados todos os moradores em 
domicílios particulares (permanentes e improvisados) e coletivos, na 
data de referência. Através de pesquisas mensais do comércio, da 
indústria e da agricultura, é possível recolher informações sobre o seu 
desempenho. A coleta de dados

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