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1 Metodologia Científica 2 Metodologia Científica Gestão da Educação a Distância Cidade Universitária – Bloco C Avenida Alzira Barra Gazzola, 650, Bairro Aeroporto. Varginha /MG ead.unis.edu.br 0800 283 5665 Todos os direitos desta edição ficam reservados ao Unis – MG. É proibida a duplicação ou reprodução deste volume (ou parte do mesmo), sob qualquer meio, sem autorização expressa da instituição. 3 Metodologia Científica É doutor em educação, pesquisando a (re)significação docente de formadores de musicalizadores na convergência de ambientes virtuais e físicos. É mestre em Tecnologias da Inteligência e Design Digital sob a área de concentração de "Processos Cognitivos e Ambientes Digitais" onde focalizou a linha de pesquisa "Aprendizagem e Semiótica Cognitiva". No mestrado, contou com bolsa CAPES/PROSUP, onde pesquisou por recursos tecnológicos, ubíquos e pervasivos em processos cooperativos de ensino e aprendizagem. Também tem as seguintes pós-graduações (lato sensu): Docência em Educação a Distância, Psicopedagogia Institucional, Designer Instrucional para a EaD virtual e Tecnologia e EaD. Tem licenciatura e Bacharelado em Música com habilitação em Instrumento (Guitarra Jazz). Atualmente é Coordenador do Curso de Licenciatura em Música e professor em cursos de graduação e pós-graduação do Unis-MG. Tem experiência na área das tecnologias aplicadas à educação superior, à gestão de conhecimentos corporativos, à educação a distância e musical. Atuou como membro do Comitê de Autoria Prof. Dr. Celso Augusto dos Santos Gomes 4 Metodologia Científica Ética em Pesquisa da Fundação de Ensino e Pesquisa do Sul de Minas - CEP/FEPESMIG. Currículo Lattes http://lattes.cnpq.br/8784835682994528 GOMES, Celso Augusto dos Santos. Guia de Estudo – Metodologia Científica. Varginha: GEaD-UNIS/MG, 2017. 98 p. 1. Pensamento Científico 2. Citações e Referências 3. Projeto de Pesquisa. I. Metodologia Científica. http://lattes.cnpq.br/8784835682994528 5 Metodologia Científica Saudações! Este material foi construído com a intenção de ser um apoio para que possamos nos direcionar a um importante componente em nosso atual percurso acadêmico: o trabalho de conclusão de curso. Um trabalho que se destina à construção de conhecimentos de uma forma um pouco diferente da que vimos nas outras disciplinas deste curso. Essa construção de conhecimentos, portanto, se mostrará pautada na interdisciplinaridade e na articulação entre teoria e prática. Uma articulação que tende a acontecer no ato de se pesquisar e refletir sobre conceitos, técnicas e estratégias presentes no campo do conhecimento deste curso, trazendo à tona temas assimilados durante o período de estudo, de modo a proporcionar a você o nível adequado frente ao tema geral desta graduação. Embora todas as outras disciplinas deste curso se mostrem fundamentais para a condução, a disciplina que desenvolveremos com base neste material servirá para que possamos conectar de forma efetiva nossos conhecimentos com a realidade. Portanto, a produção de conhecimentos, tendo em vista o exercício da pesquisa científica, certamente exigirá de você muito esforço. Um esforço que lhe conduzirá, cada vez mais, a transformar-se em um profissional com conhecimentos concretos. Ou seja, com conhecimentos que, ao focar determinado tema, lhe ajudarão a desenvolver a criticidade e o comprometimento com as necessárias transformações ao meio social que lhe envolve, visto que essas são as principais características do profissional pesquisador. 6 Metodologia Científica Apesar de o tema da metodologia da pesquisa científica parecer algo monótono e extremamente teórico, convido você a ler este material tendo sempre em vista a sua pesquisa de conclusão de curso: o seu tema, as suas perguntas, as suas hipóteses, o seu percurso de pesquisa. Assim, espero que você interaja com este material de forma a dialogar, concordar parcial ou integralmente, discordar parcial ou integralmente com meus escritos e dos autores por mim aqui mostrados, para que seja possível construir o caminho para a sua pesquisa e para o seu crescimento profissional, tendo em vista sempre a criticidade. Abraço, boas leituras e ótimas reflexões! Prof. Celso Gomes 7 Metodologia Científica O conhecimento científico, a ciência e o senso comum. O método e metodologia científica. Tipos de trabalhos científicos. Redação do trabalho, estrutura lógica e estilo. Técnica de esquematizar, resumir e fichar. Estrutura do projeto de pesquisa. Produção do trabalho científico: da definição do tema à elaboração da conclusão. Definição do método e a pesquisa científica. Regras da ABNT. Técnicas de apresentação do trabalho. Ver Plano de Estudos da disciplina, disponível no Ambiente Virtual. Pensamento Científico. Citações e Referências. Projeto de Pesquisa. Ementa Orientações Palavras-chave 8 Metodologia Científica EMENTA ____________________________________________________________________ 7 ORIENTAÇÕES ______________________________________________________________ 7 PALAVRAS-CHAVE ___________________________________________________________ 7 UNIDADE I - DIFERENCIANDO CIÊNCIA DE OUTRAS FORMAS DE CONHECIMENTO ___ 11 1. INTRODUÇÃO _____________________________________________________________ 12 1.2 SENSO COMUM ___________________________________________________________ 14 1.3 IDEOLOGIA ______________________________________________________________ 17 1.4 CIÊNCIA _________________________________________________________________ 20 1.4.1CRITÉRIOS INTERNOS DA CIÊNCIA _____________________________________________ 20 1.4.2 CRITÉRIOS EXTERNOS DA CIÊNCIA _____________________________________________ 23 UNIDADE II – CONHECIMENTOS DISCIPLINARES, O MÉTODO CIENTÍFICO ___________ 27 2. INTRODUÇÃO _____________________________________________________________ 28 2.1 A IMPORTÂNCIA DOS CONHECIMENTOS DISCIPLINARES PARA A PRODUÇÃO CIENTÍFICA________ 28 2.2 MÉTODO CIENTÍFICO _______________________________________________________ 31 2.2.1 CONHECIMENTO, CIÊNCIA E MÉTODO __________________________________________ 31 2.2.2. A METODOLOGIA CIENTÍFICA ________________________________________________ 34 UNIDADE III – REVISÃO DE LITERATURA ________________________________________ 44 3. INTRODUÇÃO DA UNIDADE ___________________________________________________ 45 3.1 REVISÃO DE LITERATURA PARA SE ESTABELECER O ESTADO DA ARTE ______________________ 45 UNIDADE IV – PESQUISA QUANTO AOS PROCEDIMENTOS ________________________ 49 4. INTRODUÇÃO _____________________________________________________________ 50 4.1 PESQUISA BIBLIOGRÁFICA ____________________________________________________ 50 4.2 PESQUISA DE CAMPO _______________________________________________________ 51 4.3 PESQUISA DE LABORATÓRIO __________________________________________________ 52 4.4 PESQUISA DOCUMENTAL ___________________________________________________ 52 4.5 PESQUISA EX-POST-FACTO ___________________________________________________ 53 4.6 PESQUISA DE LEVANTAMENTO _________________________________________________ 53 4.7 PESQUISA COM SURVEY ______________________________________________________ 54 4.8 ESTUDO DE CASO _________________________________________________________ 55 4.9 PESQUISA-AÇÃO __________________________________________________________ 56 4.10 PESQUISA PARTICIPANTE ____________________________________________________ 59 4.11 PESQUISA ETNOGRÁFICA ____________________________________________________realiza-se em ambos os casos através de questionários ou entrevistas (FONSECA 2002, p. 33). 4.7 Pesquisa com survey Este é um tipo de pesquisa que busca informação diretamente com um grupo de interesse a respeito dos dados que se deseja obter. Trata-se de um procedimento útil, especialmente em pesquisas exploratórias e descritivas (SANTOS apud SILVEIRA e CÓRDOVA, 2009). A pesquisa com survey pode ser referida como sendo a obtenção de dados ou informações sobre as características ou as opiniões de determinado grupo de pessoas, indicado como representante de uma população-alvo, utilizando um questionário como instrumento de pesquisa (FONSECA, 2002, p. 33). Silveira e Córdova (2009) chamam a atenção para que, nesse tipo de pesquisa, o respondente não é identificável, portanto, o sigilo é garantido. As pesquisas de levantamento permitem que se conheça a realidade por meio da obtenção de dados que, organizados em tabelas e gráficos, permitem que sejam realizados vários tipos de análises. Unidade IV 55 Metodologia Científica 4.8 Estudo de caso Como aponta Gil (2007), este tipo de pesquisa é amplamente usado nas ciências biomédicas e sociais, pois se constitui como um estudo de caso, e pode ser caracterizado como um estudo de uma entidade bem definida como um programa, uma instituição, um sistema educativo, uma pessoa, ou uma unidade social. Silveira e Córdova (2009) denotam que os estudos de caso visam conhecer em profundidade o como e o porquê de uma determinada situação que se supõe ser única em muitos aspectos, procurando descobrir o que há nela de mais essencial e característico. O estudo de caso pode decorrer de acordo com uma perspectiva interpretativa, que procura compreender como é o mundo do ponto de vista dos participantes, ou uma perspectiva pragmática, que visa simplesmente apresentar uma perspectiva global, tanto quanto possível completa e coerente, do objeto de estudo do ponto de vista do investigador (FONSECA, 2002, p. 33). As pesquisas de opinião sobre determinado atributo, a realização de um mapeamento geológico ou botânico. Neste tipo de pesquisa, o pesquisador não deve, de modo algum, intervir sobre o objeto a ser estudado, mas sim apenas revelar tal objeto segundo sua percepção e baseado em revisão bibliográfica. Unidade IV 56 Metodologia Científica Segundo Alves-Mazzotti apud Silveira e Córdova (2009), os exemplos mais comuns para esse tipo de estudo são os que focalizam apenas uma unidade: um indivíduo (como os casos clínicos descritos por Freud), um pequeno grupo (como o estudo de Paul Willis sobre um grupo de rapazes da classe trabalhadora inglesa), uma instituição (como uma escola, um hospital), um programa (como o Bolsa Família), ou um evento (a eleição do diretor de uma escola). Ainda segundo o autor supracitado, os estudos de casos também podem ser múltiplos, assim, se observa por vários estudos dessa natureza e que são conduzidos simultaneamente: vários indivíduos (como, por exemplo, professores alfabetizadores bem-sucedidos), várias instituições (como, por exemplo, diferentes escolas que estão desenvolvendo um mesmo projeto). 4.9 Pesquisa-ação Thiollent (1988) mostra que esse é um tipo de investigação social com base empírica que é concebida e realizada em estreita associação com uma ação ou com a resolução de um problema coletivo no qual os pesquisadores e os participantes representativos da situação ou do problema estão envolvidos de modo cooperativo ou participativo. Segundo Serrano (1994), Kurt Lewin é reconhecido como o criador dessa linha de investigação. Lewin era um estudioso das questões psicossociais e pretendia, com esse tipo de pesquisa, investigar as relações sociais e conseguir mudanças em atitudes e comportamentos dos indivíduos. Unidade IV 57 Metodologia Científica É dentro dessa orientação que se desenvolve uma das linhas de pesquisa- ação, que Corey apud Horn (2003) caracteriza como o processo pelo qual os práticos objetivam estudar cientificamente seus problemas de modo a orientar, corrigir e avaliar suas ações e decisões. Com a denominação de investigação-ação (action research), os livros de pesquisa da década de 1950 descrevem essa metodologia como uma ação sistemática e controlada desenvolvida pelo próprio pesquisador. Um exemplo clássico é o professor que decide fazer uma mudança na sua prática docente e a acompanha com um processo de pesquisa, ou seja, com um planejamento de intervenção, coleta sistemática dos dados, análise fundamentada na literatura pertinente e relato dos resultados. Fonseca (2002) mostra que a pesquisa-ação pressupõe uma participação planejada do pesquisador na situação problemática a ser investigada, nesse sentido: O processo de pesquisa recorre a uma metodologia sistemática, no sentido de transformar as realidades observadas, a partir da sua compreensão, conhecimento e compromisso para a ação dos elementos envolvidos na pesquisa (p. 34). O objeto da pesquisa-ação é uma situação social situada em conjunto e não um conjunto de variáveis isoladas que se poderiam analisar independentemente do resto. Os dados recolhidos no decurso do trabalho não têm valor significativo em si, interessando enquanto elementos de um processo de mudança social. O investigador abandona o papel de observador em proveito de uma atitude participativa e de uma relação sujeito a sujeito com os outros parceiros. O pesquisador quando participa na ação traz consigo uma série de conhecimentos que serão o substrato para a realização da sua análise reflexiva sobre a realidade e os elementos que a integram. A reflexão sobre a prática implica em modificações no conhecimento do pesquisador (p. 35). McKay e Marshall (2001) apresentam um esquema para o desenvolvimento de um projeto de pesquisa-ação constituído por oito etapas, como pode ser visto na figura a seguir. Se inicia na ‘Implementação do problema’ e tem sua finalização com a ‘Saída, se os resultados forem satisfatórios’. Unidade IV 58 Metodologia Científica Figura 01: Projeto de Pesquisa-ação Fonte: O autor Costa (2014) define as etapas ilustradas no esquema anterior da seguinte forma: Etapa 1, Identificação do Problema, consiste na tarefa do pesquisador em identificar o problema que tenha interesse em resolver ou perguntas que possam ser respondidas com a pesquisa. Etapa 2, o pesquisador deve se empenhar em promover uma ampla revisão de literatura em busca de teorias que possam estar alinhadas com fatos relevantes sobre o problema e sirvam para dar suporte à solução do problema identificado na Etapa 1. Etapa 3, consiste em desenvolver um Unidade IV 59 Metodologia Científica plano de ações para a solução do problema. Na Etapa 4, o plano de ação desenvolvido na etapa anterior deve ser colocado em prática. Etapa 5, consiste em monitorar as ações implementadas para saber se os resultados encontrados estão de acordo com o que se esperava para a solução do problema. Etapa 6, serve para a avaliação do efeito das ações. Esse é um ponto de decisão. Caso as ações implementadas na Etapa 4 tenham sucesso total e o problema tenha sido resolvido, é possível passar diretamente para a Etapa 8. Caso contrário, ações corretivas deverão ser implementadas na Etapa 7. A Etapa 7 deverá ser implementada caso o plano de ações elaborado na Etapa 3 necessite de ajustes. Isso deverá ocorrer enquanto os resultados obtidos na Etapa 6 não forem satisfatórios. A Etapa 8 é a etapa conclusiva. Nesse ponto, o problema deverá estar resolvido e os objetivos da pesquisa atingidos com sucesso (p. 297). 4.10 Pesquisa participanteEste tipo de pesquisa caracteriza-se, segundo Silveira e Córdova (2009), pelo envolvimento e identificação do pesquisador com as pessoas investigadas. Fonseca (2002) mostra que esse tipo de pesquisa foi criado por Bronislaw Malinowski: para conhecer os nativos das ilhas Trobriand, ele foi se tornar um deles. Rompendo com a sociedade ocidental, montava sua tenda nas aldeias que desejava estudar, aprendia suas línguas e observava sua vida quotidiana. Para Gil (2007, p. 55), a pesquisa-ação tem sido alvo de controvérsia devido ao envolvimento ativo do pesquisador e à ação por parte das pessoas ou grupos envolvidos no problema. Apesar das críticas, essa modalidade de pesquisa tem sido usada por pesquisadores identificados pelas ideologias reformistas e participativas. Unidade IV 60 Metodologia Científica 4.11 Pesquisa etnográfica Segundo Silveira e Córdova (2009), a pesquisa etnográfica pode ser entendida como o estudo de um grupo ou povo. As características específicas da pesquisa etnográfica são: • o uso da observação participante, da entrevista intensiva e da análise de documentos; • a interação entre pesquisador e objeto pesquisado; • a flexibilidade para modificar os rumos da pesquisa; • a ênfase no processo, e não nos resultados finais; • a visão dos sujeitos pesquisados sobre suas experiências; • a não intervenção do pesquisador sobre o ambiente pesquisado; • a variação do período, que pode ser de semanas, de meses e até de anos; • a coleta dos dados descritivos, transcritos literalmente para a utilização no relatório. O estabelecimento de programas públicos ou plataformas políticas e a determinação de ações básicas de grupos de trabalho. Unidade IV 61 Metodologia Científica Temos como exemplo as pesquisas realizadas sobre os processos educativos, que analisam as relações entre escola, professor, aluno e sociedade, com o intuito de conhecer profundamente os diferentes problemas que sua interação desperta. 4.12 Pesquisa etnometodológica O termo etnometodologia, segundo Silveira e Córdova (2009), designa uma corrente da Sociologia americana, que surgiu na Califórnia, no final da década de 1960. Fonseca (2002) mostra que o termo etnometodologia: [...] se refere, nas suas raízes gregas, às estratégias que as pessoas utilizam cotidianamente para viver. Tendo essa referência por norte, a pesquisa etnometodológica visa compreender como as pessoas constroem ou reconstroem a sua realidade social. Para a pesquisa etnometodológica, fenômenos sociais não determinam de fora a conduta humana. A conduta humana é o resultado da interação social que se produz continuamente através da sua prática quotidiana. Os seres humanos são capazes de ativamente definir e articular procedimentos, de acordo com as circunstâncias e as situações sociais em que estão implicados. A pesquisa etnometodológica analisa deste O marco fundador desse tipo de pesquisa foi a publicação do livro de Harold Garfinkel “Studies in Ethnomethodology” (Estudos sobre Etnometodologia), em 1967 (COULON apud SILVEIRA e CÓRDOVA, 2009). Unidade IV 62 Metodologia Científica modo os procedimentos a que os indivíduos recorrem para concretizar as suas ações diárias (FONSECA, 2002, p. 36). Silveira e Córdova (2009) mostram que, para estudar as ações dos sujeitos na vida quotidiana, a pesquisa etnometodológica baseia-se em uma multiplicidade de instrumentos, entre os quais podemos citar: a observação direta, a observação participante, entrevistas, estudos de relatórios e documentos administrativos, gravações em vídeo e áudio. Assim, Coulon (1995) denota que a análise etnometodológica intenta esclarecer como as coisas vêm a ser como são nos grupos sociais, de que maneira cada grupo e cada membro apreende e dá sentido à realidade e por quais processos intersubjetivos a mediação da linguagem entre os grupos e seus lugares constrói a realidade social que afirmam. Unidade IV 63 Metodologia Científica Experienciar o julgamento e abdução dos tipos de pesquisa para a produção de conhecimentos científicos, tendo em vista diferentes tipos de pesquisa e suas abordagens, naturezas e objetivos. Ciclo 05 Atividade Teste Título: Tipos de Trabalho Científico e Comunicação da Pesquisa Objetivos da Unidade Plano de Estudos V Unidade V – Pesquisa quanto à abordagem, natureza e objetivos 64 Metodologia Científica 5. Introdução Nesta unidade, trago você à reflexão sobre alguns aspectos referentes à produção de conhecimentos sobre os diferentes tipos de pesquisa e suas abordagens, natureza e objetivos. Nesse sentido, conheceremos e pensaremos sobre aspectos quantitativos e qualitativos, além de refletirmos sobre as possibilidades de pesquisa quanto à natureza, seja ela básica, aplicada, exploratória descritiva ou explicativa. Então, vamos aos estudos! 5.1 Pesquisa quanto à abordagem 5.1.1 Pesquisa qualitativa Segundo Silveira e Córdova (2009), a pesquisa qualitativa não se preocupa com representatividade numérica, mas sim com o aprofundamento da compreensão de um grupo social, de uma organização, etc. Segundo Goldenberg (1997): Os pesquisadores que adotam a abordagem qualitativa opõem-se ao pressuposto que defende um modelo único de pesquisa para todas as ciências, já que as ciências sociais têm sua especificidade, o que pressupõe uma metodologia própria. Assim, os pesquisadores qualitativos recusam o modelo positivista aplicado ao estudo da vida social, uma vez que o pesquisador não pode fazer julgamentos nem permitir que seus preconceitos e crenças contaminem a pesquisa (p. 34). Ainda segundo Silveira e Córdova (2009), os pesquisadores que utilizam os métodos qualitativos buscam explicar o porquê das coisas, exprimindo o que convém ser feito, mas não quantificam os valores e as trocas simbólicas nem se submetem à prova de fatos, pois os dados analisados são não métricos (suscitados e de interação) e se valem de diferentes abordagens. Unidade V 65 Metodologia Científica Deslauriers apud Silveira e Córdova (2009) mostra que, na pesquisa qualitativa, o cientista é ao mesmo tempo o sujeito e o objeto de suas pesquisas. Nesse sentido, o desenvolvimento da pesquisa é imprevisível, o conhecimento do pesquisador é parcial e limitado e o objetivo da amostra é de produzir informações aprofundadas e ilustrativas: seja ela pequena ou grande, o que importa é que ela seja capaz de produzir novas informações. A pesquisa qualitativa trabalha com o universo de significados, motivos, aspirações, crenças, valores e atitudes, o que corresponde a um espaço mais profundo das relações, dos processos e dos fenômenos que não podem ser reduzidos à operacionalização de variáveis. Aplicada inicialmente em estudos de Antropologia e Sociologia, como contraponto à pesquisa quantitativa dominante, tem alargado seu campo de atuação a áreas como a Psicologia e a Educação. A pesquisa qualitativa é criticada por seu empirismo, pela subjetividade e pelo envolvimento emocional do pesquisador (MINAYO, 2001, p. 14). Como já vimos anteriormente neste guia, podemos entender que a pesquisa qualitativa se preocupa com aspectos da realidade que não podem ser quantificados, centrando-se na compreensão e explicação da dinâmica das relações sociais. Unidade V 66 Metodologia Científica Portanto, segundo Silveira e Córdova (2009), a pesquisa qualitativa se caracteriza pelo(a): • objetivação do fenômeno; • hierarquização das ações de descrever, compreender, explicar, precisão das relações entre o global e o local emdeterminado fenômeno; • observância das diferenças entre o mundo social e o mundo natural; • respeito ao caráter interativo entre os objetivos buscados pelos investigadores, suas orientações teóricas e seus dados empíricos; • busca de resultados os mais fidedignos possíveis; • oposição ao pressuposto que defende um modelo único de pesquisa para todas as ciências. Apoiando-nos nas autoras citadas acima, podemos considerar que, na pesquisa qualitativa, o pesquisador deve estar atento para alguns limites e riscos, tais como: Unidade V 67 Metodologia Científica L im it e s e r is co s d a p e sq u is a q u al it at iv a excessiva confiança no investigador como instrumento de coleta de dados; risco de que a reflexão exaustiva acerca das notas de campo possa representar uma tentativa de dar conta da totalidade do objeto estudado, além de controlar a influência do observador sobre o objeto de estudo; falta de detalhes sobre os processos através dos quais as conclusões foram alcançadas; falta de observância de aspectos diferentes sob enfoques diferentes; certeza do próprio pesquisador com relação a seus dados; sensação de dominar profundamente seu objeto de estudo; envolvimento do pesquisador na situação pesquisada, ou com os sujeitos pesquisados. Unidade V 68 Metodologia Científica 5.1.2 Pesquisa quantitativa Diferentemente da pesquisa qualitativa, a pesquisa quantitativa, como se observa em seu próprio nome, se caracteriza pela quantificação dos resultados. Nesse sentido, mostra Fonseca (2002): Como as amostras geralmente são grandes e consideradas representativas da população, os resultados são tomados como se constituíssem um retrato real de toda a população alvo da pesquisa. A pesquisa quantitativa se centra na objetividade. Influenciada pelo positivismo, considera que a realidade só pode ser compreendida com base na análise de dados brutos, recolhidos com o auxílio de instrumentos padronizados e neutros. A pesquisa quantitativa recorre à linguagem matemática para descrever as causas de um fenômeno, as relações entre variáveis, etc. A utilização conjunta da pesquisa qualitativa e quantitativa permite recolher mais informações do que se poderia conseguir isoladamente (p. 20). No esquema a seguir podemos comparar os principais aspectos da pesquisa qualitativa e da pesquisa quantitativa: Unidade V 69 Metodologia Científica Tabela 1 - Comparação dos aspectos da pesquisa qualitativa com os da pesquisa quantitativa Aspecto Pesquisa Quantitativa Pesquisa Qualitativa Enfoque na interpretação do objeto menor maior Importância do contexto do objeto pesquisado menor maior Proximidade do pesquisador em relação aos fenômenos estudados menor maior Alcance do estudo no tempo instantâneo intervalo maior Quantidade de fontes de dados uma várias Ponto de vista do pesquisador externo à organização interno à organização Quadro teórico e hipóteses definidas rigorosamente menos estruturadas Fonte: (FONSECA, 2002) Segundo Polit et all (2004), a pesquisa quantitativa, que tem suas raízes no pensamento positivista lógico, tende a enfatizar o raciocínio dedutivo, as regras da lógica e os atributos mensuráveis da experiência humana. Por outro lado, a pesquisa qualitativa tende a salientar os aspectos dinâmicos, holísticos e individuais da Unidade V 70 Metodologia Científica experiência humana, para apreender a totalidade no contexto daqueles que estão vivenciando o fenômeno. Veja no esquema a seguir uma comparação entre o método quantitativo e o método qualitativo: Tabela 2: Pesquisa Quantitativa e Qualitativa Fonte: Polit et all (2004) Pesquisa Quantitativa Focaliza uma quantidade pequena de conceitos Inicia com ideias preconcebidas do modo pelo qual os conceitos estão relacionados Utiliza procedimentos estruturados e instrumentos formais para coleta de dados Coleta os dados mediante condic ̧o ̃es de controle Enfatiza a objetividade, na coleta e análise dos dados Analisa os dados nume ́ricos atrave ́s de procedimentos estati ́sticos Pesquisa Qualitativa Tenta compreender a totalidade do feno ̂meno, mais do que focalizar conceitos especi ́ficos Possui poucas ideias preconcebidas e salienta a importância das interpretac ̧o ̃es dos eventos mais do que a interpretac ̧ão do pesquisador Coleta dados sem instrumentos formais e estruturados Não tenta controlar o contexto da pesquisa, e sim captar o contexto na totalidade Enfatiza o subjetivo como meio de compreender e interpretar as experie ̂ncias Unidade V 71 Metodologia Científica 5.3 Quanto à natureza 5.3.1 Pesquisa básica Silveira e Córdova (2009) mostram que este tipo de pesquisa visa por conhecimentos novos, úteis para o avanço da Ciência, sem aplicação prática prevista. Envolve verdades e interesses universais. 5.3.2 Pesquisa aplicada Objetiva, segundo Silveira e Córdova (2009), por produzir conhecimentos para aplicação prática, dirigidos à solução de problemas específicos. Assim, este tipo de pesquisa envolve verdades e interesses locais. Pesquisa quanto aos objetivos 5.3.3 Pesquisa exploratória Gil (2007) mostra que esse tipo de pesquisa tem como objetivo apresentar uma maior familiaridade com o problema, no sentido de torná-lo mais explícito ou para que se possa construir hipóteses. Uma dica interessante para reflexão sobre o pensamento científico é o livro ou o filme “O ponto de mutação”. Uma obra de Fritjof Capra, físico austríaco, que trabalha a ideia de que é preciso quebrar as bases da ciência moderna, pautada no sistema matemático cartesiano. Fazendo-nos refletir sobre o paradigma, além de intentar entender o mundo como uma máquina perfeita a serviço do homem. Unidade V 72 Metodologia Científica Segundo Silveira e Córdova (2009), a grande maioria dessas pesquisas envolve: (a) levantamento bibliográfico; (b) entrevistas com pessoas que tiveram experiências práticas com o problema pesquisado; (c) análise de exemplos que estimulem a compreensão. Gill (2007) afirma que essas pesquisas podem ser classificadas como: pesquisa bibliográfica e estudo de caso. 5.3.4 Pesquisa descritiva A pesquisa descritiva exige do investigador uma série de informações sobre o que deseja pesquisar. Esse tipo de estudo pretende descrever os fatos e fenômenos de determinada realidade (TRIVIÑOS apud SILVEIRA e CÓRDOVA, 2009). Exemplos de pesquisa descritiva são: estudos de caso, análise documental, pesquisa ex-post-facto. Unidade V 73 Metodologia Científica Para Triviños apud Silveira e Córdova (2009), os estudos descritivos podem ser criticados porque pode existir uma descrição exata dos fenômenos e dos fatos, assim: Estes fogem da possibilidade de verificação através da observação. Ainda para o autor, às vezes não existe por parte do investigador um exame crítico das informações, e os resultados podem ser equivocados; e as técnicas de coleta de dados, como questionários, escalas e entrevistas, podem ser subjetivas, apenas quantificáveis, gerando imprecisão (p. 37). 5.3.5 Pesquisa explicativa Este tipo de pesquisa, como mostra Gil (2007), interessa-se em identificar os fatores que determinam ou que contribuem para a ocorrência dos fenômenos. Este tipo de pesquisa intenta em explicar o porquê das coisas através dos resultados oferecidos, nesse sentido, uma pesquisa explicativa pode ser a continuação de outra descritiva, posto que a identificação de fatores que determinam um fenômeno exige que este esteja suficientemente descrito e detalhado. Pesquisas desse tipo podem ser classificadascomo experimentais e ex-post-facto (GIL, 2007). Unidade V 74 Metodologia Científica CONSTRUINDO UM PROJETO DE PESQUISA Qualquer pesquisa, para ser relevante para a comunidade científica e para a sociedade, precisa - como vimos neste guia de estudos - ser realizada de forma sistemática. Dentre os diferentes elementos que proporcionam tal relevância estão os que se referem à metodologia. Entretanto, um elemento importante para um bom desenvolvimento metodológico de uma pesquisa que almeje ter relevância científica e social tende a ser o projeto de pesquisa. O projeto de pesquisa, nesse sentido, se mostra como uma via que não precisa ter um traço exclusivo, rígido e engessado, mas um caminho que pode evitar imprevistos, ou pelo menos preparar o pesquisador para eles. O projeto de pesquisa se mostra como um instrumento de planejamento que não é neutro e, portanto, é carregado de escolhas. Essas escolhas atribuem a um projeto a possibilidade de ser um instrumento para que a pesquisa corra com condições palpáveis, evitando que, no decorrer da pesquisa, o pesquisador fique imobilizado frente a imprevistos. Estudo de Caso 75 Metodologia Científica Segundo Ruido (1986), podemos destacar algumas questões para constituir os itens anteriormente mostrados, no sentido de ter um bom e coerente projeto de pesquisa. A seguir teremos uma sugestão para a construção de uma estrutura básica de projeto de pesquisa, que, ao ser usada como referência (e nunca como modelo ideal), deve ser empregada tendo em vista o cuidado em adaptar para cada situação e tipo específico de pesquisa. Para a formulação do problema, das hipóteses e das referências teóricas: O que pesquisar? Para a elaboração das justificativas: Por que pesquisar? Para se escolher a metodologia adequada para a pesquisa: Como pesquisar? Para estabelecer o cronograma coerente com a proposta da pesquisa: Quando pesquisar? Para que se possa orçar os recursos da pesquisa: Com que recursos? Para se definir as pessoas que irão atuar em cada etapa: Quem vai pesquisar? Para a construção e desenvolvimento de um projeto, é importante levantar a seguinte questão: quais escolhas estão colocadas para o pesquisador? Estudo de Caso 76 Metodologia Científica Elementos pré-textuais Capa - apresenta as informações transcritas na seguinte ordem: a) nome da entidade para a qual deve ser submetido, quando solicitado; b) nome(s) do(s) autor(es); c) título; d) subtítulo (se houver, deve ser evidenciada a sua subordinação ao título, precedido de dois-pontos); e) local (cidade) da entidade, onde deve ser apresentado; f) ano de depósito (entrega). Folha de rosto- Elemento obrigatório e que deve apresentar as informações transcritas na seguinte ordem: a) nome(s) do(s) autor(es); b) título;c) subtítulo (se houver, deve ser evidenciada a sua subordinação ao título, precedido de dois-pontos); d) tipo de projeto de pesquisa e nome da entidade a que deve ser submetido; e) local (cidade) da entidade onde deve ser apresentado; f) ano de depósito (entrega). Vale destacar que a estrutura de um projeto de pesquisa inclui elementos pré-textuais, elementos textuais e elementos pós-textuais. Estudo de Caso 77 Metodologia Científica Lista de ilustrações Lista de tabelas Lista de abreviaturas e siglas Lista de símbolos Sumário Elementos textuais A seguir comentaremos alguns dos principais itens dos elementos textuais. Introdução A introdução é o primeiro elemento textual de um projeto. Segundo Demo (2003), é na introdução a parte em que o pesquisador precisa contextualizar o tema. A introdução deve, portanto, partir de um assunto mais geral de forma a expor suscintamente o tema do projeto, o problema a ser abordado, uma ou mais hipóteses (quando couber), bem como o(s) objetivo(s) a ser(em) atingido(s) e a(s) justificativa(s). Ainda segundo Demo (2003), a introdução deve primar pela objetividade, tratando do assunto e do tema a ser pesquisado, pois tem o papel de “introduzir” o leitor, progressivamente, ao texto, o papel de revelar o ponto de partida do estudo. A introdução de um projeto deve ser longa o suficiente para contextualizar o tema, mas não deve ser tão extensa a ponto de se tornar um capítulo. Estudo de Caso 78 Metodologia Científica A função da introdução é, portanto, apresentar ao leitor o tema do projeto de pesquisa de forma mais geral, ou seja, informando o que e como será tratado o tema a ser desenvolvido. Tema Quando falamos de assunto de uma pesquisa ou projeto de pesquisa, estamos nos referindo a algo mais geral; e quando falamos de tema do projeto, estamos falando de algo mais específico e que se refere à problematização do assunto. Portanto, é importante que o tema seja abordado para que seja possível compreender melhor as perspectivas de análise, pois a definição do tema da pesquisa e do projeto de pesquisa nos mostra uma subárea de interesse a ser investigada a partir de uma grande área, que é o assunto. A justificativa Tozoni-Reis (2007) mostra que o projeto de pesquisa exige uma dedicação especial às justificativas do estudo, portanto, justificar significa argumentar a favor da importância do estudo proposto, demonstrar as razões pelas quais se justifica sua realização. Ao tratarmos sobre a revisão de literatura, vimos que é muito importante nos basearmos em autores e obras, pois eles oferecem significativos subsídios para a justificativa. Estudo de Caso 79 Metodologia Científica Minayo et all (1996) mostram que a justificativa, ao intentar em demonstrar a relevância da pesquisa proposta, precisa responder à algumas questões: Quais os motivos que a justificam? Que contribuições para a compreensão, intervenção ou solução para o problema trará a realização de tal pesquisa? No entanto, Tozoni-Reis (2007) nos diz que é preciso estar atento para não cair na armadilha de se justificar o projeto de pesquisa pela falta de estudos semelhantes. A exceção de teses de doutorados e de certa forma as dissertações de mestrado, as pesquisas em nível de graduação não precisam ser totalmente inéditas, mas a forma com que o tema é abordado e sua problematização devem evitar ao máximo o plágio e assim demonstrar por significados próprios, demonstrado, pelo pesquisador no projeto, as razões que o legitimam e que fazem merecer uma leitura. Segundo Bicalho (2003), o autor na justificativa de um projeto mostrará a sua intenção de pesquisa, explicando o que trará de novo, de interessante e útil nos resultados que serão alcançados, e que a pesquisa é séria, confiável, oportuna, e demonstrará sua relevância social, pessoal, acadêmica e profissional. Assim, a justificativa irá determinar os motivos teóricos e práticos. Estudo de Caso 80 Metodologia Científica Os objetivos Um objetivo, segundo Tozoni-Reis (2007), é um propósito, uma meta, um alvo que se pretende atingir, uma ação a ser realizada, a própria materialização do estudo. A definição dos objetivos é uma das mais importantes etapas de um trabalho científico, pois é a partir da formulação dos objetivos que se pode delinear o projeto de pesquisa. Assim, os objetivos devem ser formulados como se observa no seguinte esquema: Para isso, Tozoni-Reis (2007) nos convida a observar alguns cuidados na sua formulação: apresentar, primeiramente, objetivos gerais do estudo para, em seguida, formular os objetivos específicos; não apresentar muitos objetivos, mas aqueles que têm mais sentido para o trabalho; articular os objetivos entre si, apresentando-osde forma sequencial; Objetivos pertinência ao estudo clareza e precisão exequibilidade Estudo de Caso 81 Metodologia Científica optar por objetivos com um único propósito; no caso de haver um que tenha mais de um propósito, transformá-lo em um novo objetivo; para garantir a clareza da ação a ser realizada, iniciar sempre a formulação de um objetivo usando o verbo (ação) no infinitivo: identificar, analisar, compreender etc. Hipóteses Tozoni-Reis (2007) mostra que as hipóteses são, na verdade, indagações que orientam a investigação. O que quer dizer que as respostas provisórias a tais indagações têm como função principal nortear as investigações. Salomon (2004) mostra que a hipótese e problema formam um todo indivisível, principalmente se pensarmos o projeto quer metodológica, quer teoricamente. Isso pode parecer elementar, mas nos mostra que essa é uma definição da hipótese e que, como resposta provisória ao problema, se apresenta como uma “solução” indicada e que precisa ser comprovada pela pesquisa. Nesse sentido, justifica-se que a coleta de dados e sua análise se dão em função da(s) hipótese(s), o que quer dizer que a formulação da hipótese está intimamente relacionada com o problema. O objetivo geral está relacionado diretamente com as hipóteses a serem comprovadas. É a definição do objetivo principal da pesquisa, em seus aspectos teóricos e práticos a serem alcançados. Já nos objetivos específicos, o pesquisador subdivide o objetivo geral em etapas a serem cumpridas e respondidas até que o último objetivo específico. Estudo de Caso 82 Metodologia Científica Frequentemente o problema, em sua operacionalização, se desdobra, a ponto de existir no projeto: um problema geral e vários problemas derivados. Para cada problema, neste caso, haverá no mínimo uma hipótese. Tanto o problema como a hipótese são formulados dentro do marco teórico de referência adotado pelo pesquisador. O esboço desse marco teórico já deve existir e ser revelado no projeto. O processo de pesquisa, particularmente nas fases do levantamento bibliográfico e da documentação, proporciona ao pesquisador sua complementação ou sua reformulação. A hipótese deve ser formulada como proposição, em que sujeito e predicado se relacionam como variáveis; e os conceitos, categorias, índices, indicadores, definições operacionais são escolhidos e definidos também de acordo com o marco teórico de referência adotado (SALOMON, 2004, p. 35). Ainda segundo Salomon (2004): Não se trata de uma exigência meramente metodológica. É de natureza epistemológica; o próprio processo de formação da ciência e o da construção da teoria científica o exigem. Há muito estava implícita no método e na lógica dialéticos e explícita na formulação de seus princípios heterotético1 e de trânsito dialético. Por força de tais princípios, toda nova teoria, toda lei ou proposição científicas e, consequentemente, toda hipótese, formam-se e formulam-se em contraposição à teoria já existente, e nada se faz a partir do zero. De certo modo constitui a alma do método hipotético-dedutivo, particularmente na contrastação e na falseação propostas por Popper (SALOMON, 2004, p, 35). Portanto, segundo Tozoni-Reis (2007), as hipóteses se mostram como elementos que orientam o diálogo do pesquisador com a realidade a ser 1 Significa que diversos e pré-preparados, isto é, as várias possibilidades de princípios pré-pensados. Estudo de Caso 83 Metodologia Científica compreendida e interpretada, portanto, devem ser claras, objetivas, específicas e ter como base as referências teóricas do estudo apresentado pelo projeto. Segundo Marconi (2000), a hipótese é considerada um enunciado geral em relação com variáveis (fatos, fenômenos). Que pode ser: uma solução provisória para determinado problema e possível de ser verificada. Segundo Ruiz (1996), a hipótese é que fixa uma diretriz capaz de impor ordem e finalidade a todo o processo de experimentação. O cientista é guiado por hipóteses. Segundo Richardson (1989), as hipóteses necessitam ser: claras e compreensivas; ter base empírica; ser verificadas por meio das técnicas disponíveis; ser específicas ou possíveis de especificação; estar relacionadas com técnicas já existentes; possuir alcance geral e ser plausível. Referencial teórico A seguir selecionamos alguns autores e suas concepções sobre a hipótese: Como vimos anteriormente, independente do tipo de pesquisa a ser realizado, se destina a constituir os pilares para teóricos do projeto de pesquisa, bem como do texto da pesquisa, da pesquisa em si até as considerações finais. Assim, Horn (2003) nos mostra que: Estudo de Caso 84 Metodologia Científica A revisão de literatura é constituída, conforme sua denominação, por registros de uma releitura do que ‘as autoridades’ já escreveram sobre o tema, devendo remeter ao maior número possível de ‘autoridades’. Há que se enfatizar, ainda, que a autoridade também se explicita em adequação ao nível de complexidade que se espera de cada curso (p. 67). Isso que dizer que é necessário escolher por livros e artigos adequados para se espaldar a pesquisa a ser realizada, tendo em vista o seu nível de complexidade, ou seja, considerando se a pesquisa é desenvolvida no contexto de graduação, especialização, mestrado ou doutorado. Não obstante, Tozoni-Reis (2007) denota alguns cuidados necessários às referências: As referências são um componente importante do projeto de pesquisa, pois têm o papel de oferecer ao leitor mais algumas pistas sobre os caminhos teóricos e metodológicos percorridos pelo pesquisador. Sua finalidade objetiva é apresentar a documentação usada nos esforços até agora empreendidos no estudo do tema, proporcionando um maior aprofundamento dos estudos. As diretrizes e normas para as referências são as mesmas tanto para projetos quanto para relatórios de pesquisa (monografias, TCCs, dissertações, teses, artigos científicos etc.). É comum que pesquisadores mais maduros iniciem a leitura de um trabalho científico pelas referências, pois, a partir dos autores tratados no estudo, tem-se um conjunto de informações a respeito da abordagem dada ao tema, e já uma pré-avaliação do interesse do leitor pelo estudo. É necessário que os pesquisadores iniciantes percebam a importância das normas de referências. São bastante detalhadas, mas têm o papel de padronizar as informações em todos os países do mundo. Isso significa dizer que, ao nos depararmos com textos escritos em quase todas as línguas, as normas nos auxiliam a compreender as informações sobre sua procedência e sobre as referências usadas pelos autores. No Brasil, essa normatização é feita pela ABNT, que tem as normas para trabalhos acadêmicos disponíveis para compra. No Estudo de Caso 85 Metodologia Científica entanto, para uso dos pesquisadores iniciantes, apresentaremos aqui as principais normas (p. 61). Esse autor ainda coloca mais alguns cuidados fundamentais para o tratamento das referências no decorrer do texto: observar rigorosamente as normas de referências; todos os autores citados ou referenciados durante o texto têm que estar nas referências. Se um autor teve muita importância no trabalho, ele tem que estar citado ou referido; citação direta é a fala literal do autor, transcrita diretamente do texto lido: fazer “citações diretas” de autores quando forem muito pertinentes ao tema abordado, formatado com destaque (margem esquerda em 4,0cm, letra 10, espaço simples) para trechos com mais de 3 linhas. Para trechos transcritos com até 3 linhas, colocar a citação no corpo do trecho, sempre entreaspas, sem itálico e com fonte igual a do restante do texto; citação indireta é um recurso que indica a influência dos autores lidos nas ideias apresentadas pelo pesquisador. Para chamada no texto, deve-se entrar com o último sobrenome do autor e o ano de publicação. Exemplos: (GARCIA, 1993) ou Garcia (1993). Nas referências apresentar as informações completas, conforme instruções abaixo; nas citações (diretas e indiretas), quando se trata de uma obra de dois autores, colocar “e” entre eles. Exemplo: (GARCIA e SILVA, 2003) ou Garcia e Silva, (2003). Quando forem três ou mais autores, usar o recurso “et al”. Exemplo: (REIS et al, 2005) ou Reis et al (2005); Estudo de Caso 86 Metodologia Científica quando se faz citação indireta de várias obras de autores diferentes, coloca-los em ordem cronológica ou alfabética (nunca em ordem de importância!). Exemplo: “[...] como estudaram vários autores como Freire (1999), Silva (2001); Almeida (2003)” ou “[...] como estudaram vários autores (ALMEIDA, 2003; FREIRE, 1999; SILVA, 200l)”; para fazer omissões de partes do trecho citado ou saltos maiores nas citações, usar reticências entre colchetes [...]; para destacar incorreções ou incoerências nas citações, segundo a avaliação do pesquisador, usar a palavra sic entre colchetes [sic]; ' para dar destaque à uma ideia, palavra ou expressão na citação, &miga; usar itálico, ou negrito, mas não se deve esquecer de colocar no final da citação [grifo nosso]; textos estrangeiros podem ser citados no original ou traduzidos pelo próprio pesquisador. Se houver citação no original, deve-se apresentar tradução em nota de rodapé, mas é permitido também usar a expressão “já traduzido”. Em ambos os casos acrescentar, após a citação, a expressão “tradução livre”, que informa ao leitor que o próprio pesquisador a traduziu; se você quer citar um autor que foi citado por outro (citação de citação), é melhor procurar o original. Se por motivo relevante não conseguir, use apud. Exemplo: “[...] segundo Piaget (apud Vasconcellos, 2003)”; as notas de rodapé merecem cuidado especial: usá-las somente para completar informações e não para as referências. Numerá-las no texto e no rodapé, usar letra menor do que a do texto, com espaço simples. Nesse sentido, para a formulação do texto que comporá o referencial teórico de um projeto de pesquisa, o investigador deverá descrever: Estudo de Caso 87 Metodologia Científica [...] o conhecimento disponível na área, identificando as teorias produzidas, analisando e avaliando sua contribuição para auxiliar a compreender ou explicar o problema: objeto de investigação. Esta modalidade de pesquisa é muito comum na área de ciências humanas e sociais, dada a natureza do estatuto epistemológico que compõe esta área (Horn, 2003, p. 10). [...] seria a apresentação dos autores lidos, mesmo os que não são referidos ou citados no texto, e as referências apresentariam apenas os referidos e citados. No entanto, em se tratando de trabalhos científicos, essa diferença não tem sentido, pois se exige, desse tipo de trabalho, que todos os autores lidos sejam apresentados e apenas os autores lidos o sejam. Portanto, a terminologia mais adequada nesse tipo de trabalho é referências. Nos trabalhos científicos, as referências devem apresentar os seguintes dados: autor, título da obra, numeração da edição, local da publicação, editora e ano de publicação. Esses são os dados mais comuns, porém, dependendo do tipo de referência, é preciso também constar indicação do Volume, coleção, número de série, do tradutor, número de páginas, data mais completa de publicação, do endereço de acesso eletrônico etc. (p. 63). Há autores que diferenciam bibliografia de referências nos trabalhos acadêmicos-científicos. Nesse sentido, Tozoni-Reis (2007) mostra que bibliografia: Portanto, o objetivo do referencial teórico em um projeto de pesquisa deve ser o de buscar compreender as principais contribuições teóricas existentes sobre um determinado tema-problema ou recorte, considerando a produção já existente. Estudo de Caso 88 Metodologia Científica Metodologia É o caminho que se percorre para chegar ao fim da pesquisa. Os métodos da pesquisa devem ser detalhados para que ela possa ser realizada pelos seus pares e alcançar os objetivos previamente definidos. Nesse sentido, mostraremos os métodos de abordagem e os de procedimentos: a) Métodos de abordagem Andrade (1997) mostra que esses se referem aos procedimentos gerais usados para o desenvolvimento do plano geral da pesquisa. São eles: Indutivo - é quando a pesquisa vai do particular (premissas) para o geral, ou de verdades particulares concluem-se verdades gerais; Exemplo: Pedro é mortal. Pedro é homem, logo todos os homens são mortais. Dedutivo - é quando a pesquisa vai do geral para chegar ao particular, ou seja, do universal ao singular; Hipotético-dedutivo – é quando a pesquisa utiliza-se de hipóteses (conjecturas), que devem ser testadas e criticadas. Quanto mais uma hipótese resistir às tentativas de refutamento e falseamento, melhor ela será, mas não deve ser falsificada. b) Métodos de procedimentos: esses devem ser adequados a cada área da pesquisa. São eles: Empirismo – consiste na observação e tratamento de base experimental dos fatos. Positivismo – preocupa-se em explorar características lógicas do conhecimento. Entende que a neutralidade científica é uma opção possível entre outras. Estruturalismo – caminha do concreto para o abstrato, e vice-versa, dispondo, na segunda etapa de um modelo para analisar a realidade concreta dos diversos fenômenos. Estudo de Caso 89 Metodologia Científica Funcionalismo – estuda a sociedade do ponto de vista da função de suas unidades, isto é, como um sistema organizado de atividades. Sistemismo – preocupa-se com a manipulação dos conflitos sociais. Dialético – método específico das ciências sociais que vê a realidade histórica não apenas como um fluxo, mas, sobretudo, como a origem de uma explicação. Fenomenológico – trata daqueles aspectos que são essenciais do fenômeno, aspirando apreendê-los nos seus momentos fundamentais, através da intuição. Experimental – ocupa-se de submeter os objetos de estudo à influência de variáveis, em condições controladas pelo investigador, a fim de observar os resultados que a variável produz no objeto. Observacional – observação da realidade sem nenhuma interferência de variável. Comparativo – visa ressaltar diferenças e similaridades entre indivíduos e fenômenos submetidos a comparações. Estatístico – gera apenas uma verdade provável baseado em testes estatísticos. Clínico – utilizado na pesquisa psicológica, consiste em uma relação profunda entre pesquisador e pesquisado. Histórico – parte do princípio de que as atuais formas de vida social, as instituições e os costumes têm origem no passado. Monográfico – consiste no estudo de determinados indivíduos, profissões, condições, instituições, grupos ou comunidades, com a finalidade de obter generalizações. Tipológico – ao comparar fenômenos sociais complexos, o pesquisador cria tipos ou modelos ideais, construídos a partir da análise de aspectos essenciais do fenômeno. Estudo de Caso 90 Metodologia Científica De forma inerente aos métodos, há de se discriminar também o instrumento específico de coleta de dados e que são agrupados em dois tipos: a) Documentação indireta, que inclui pesquisa documental e pesquisa bibliográfica. b) Documentação direta, que pode ser: Intensiva: entrevista Extensiva: formulário, questionário, história de vida, testes (ANDRADE, 1997).Objeto de pesquisa Os recursos dependem da natureza da pesquisa a ser realizada e, nesse sentido, podem ser os seguintes: Sujeitos (quem?) Segundo Bicalho (2003), neste item, o pesquisador deve: a) descrever a população ou sujeitos que serão estudados (indivíduos ou animais), situando-os conforme as características políticas, geográficas, sociais, econômicas e demográficas; b) definir critérios de seleção e de exclusão, justificando-os; c) programar como as perdas poderão ser evitadas ou contornadas com substituições; d) descrever quais as fontes disponíveis para as informações e o que se pretende buscar em cada uma delas. Os métodos de pesquisa devem ser detalhados, para que ela possa ser realizada pelos seus pares e alcance os objetivos previamente definidos. Estudo de Caso 91 Metodologia Científica Amostra (quem são os meus sujeitos particulares?) Considerando a impossibilidade de trabalhar com 100% dos sujeitos a serem pesquisados, se fez necessário selecionar parte da população para que depois seu resultado seja estendido ao todo. Segundo Marconi (1999), no processo de amostragem temos a probabilista e a não probabilista. A amostra probabilista ou aleatória é quando a seleção dos indivíduos é feita ao acaso recebendo um tratamento estatístico. A amostra não probabilista é intencional (quando o pesquisador está interessado na opinião de determinados indivíduos da população). Segundo Rudio (1996, p.47), devemos justificar os motivos, e apresentar o modo como a amostra será selecionada e suas características. Variáveis O pesquisador, ao escolher um objeto ou indivíduo para estudo, deve ter a consciência que a sua pesquisa pode sofrer influência de variáveis que podem ser dependentes, independentes ou descritivas. Assim, “a variável pode ser entendida como sendo tudo aquilo que apresenta diferenças, alterações, inconstância, que pareçam ser importantes para justificar ou explicar complexas características de um problema [...]” (OLIVEIRA, 2001, p. 115). Plano de trabalho ou sumário provisório Apresenta os capítulos, seções e subseções, ordenados de forma lógica que poderá ser modificado durante a pesquisa, e constitui o planejamento, uma primeira visualização do trabalho como um todo. Consiste na proposição inicial de organização sequencial do documento final, o trabalho de conclusão de curso, ou seja, o planejamento da obra pronta. Tem como finalidade básica organizar a redação e articulação das partes, possibilitando visualizar sua integração no conjunto do documento final. Portanto, além dos tópicos obrigatórios, de Introdução, Estudo de Caso 92 Metodologia Científica Conclusão e Referências, deve explicitar os títulos das seções ou capítulos e das respectivas subdivisões. O plano de trabalho é, na verdade, um guia de orientação para o investigador, funcionando como um roteiro do caminho a ser seguido (NUNES, 1999, p.31). Didaticamente, procura-se dividir a investigação científica em três partes: montagem do plano, execução e redação. Desse modo, a investigação desenvolve-se por etapas progressivas: a) primeira etapa: consiste no planejamento global e minucioso dos diferentes aspectos do trabalho, visando ao seu bom desenvolvimento; b) segunda etapa: refere-se ao levantamento e à análise dos dados bibliográficos, documentais ou de campo, relativos aos aspectos da pesquisa; c) terceira etapa: trata da atividade fundamental da pesquisa, ou seja, a redação, que deve ser objetiva, clara e apresentar linguagem correta original e inédita (MARCONI, 2001, p.53). Coleta de dados Segundo Marconi (1999), o planejamento detalhado, testado, e o rigoroso controle de aplicação dos instrumentos de pesquisa, evitará o desperdício de tempo, erros, defeitos que poderão comprometer a pesquisa. Em linhas gerais, as técnicas de coletas de dados são: coleta documental; observação; entrevista; questionário; formulário; medidas de opinião e atitude; técnicas mercadológicas; testes; sociometria; análise de conteúdo e história da vida. Estudo de Caso 93 Metodologia Científica Orçamento Para definir o orçamento, podemos nos perguntar: o que será necessário adquirir para realizar a pesquisa? Assim, ao responder essa questão, especificam-se os recursos humanos, financeiros e materiais necessários para a conclusão da pesquisa. Cronograma Para definir o cronograma, podemos nos perguntar: quando e em que tempo e ordem irei realizar a pesquisa? Portanto, o cronograma é o planejamento do tempo, quantas semanas ou meses serão destinados a cada etapa e para cada procedimento, considerando o limite para a conclusão da pesquisa. Segundo Bicalho (2003), o pesquisador deve descrever como pretende organizar as etapas a serem realizadas durante a pesquisa, determinando o período de tempo destinado a cada uma delas. É necessário ser disciplinado e cumprir, na medida do possível, o cronograma proposto. Exemplo de etapas: a) revisão do projeto de pesquisa com seu orientador; b) elaboração do sumário provisório; c) pesquisa bibliográfica; d) leitura metódica e fichamento das obras selecionadas; e) planejamento da coleta de dados; f) teste dos instrumentos de coleta de dados (piloto ou pré-teste); g) Aplicação do instrumento de coleta de dados; h) compilação dos dados e seleção crítica; i) análise e interpretação dos dados; j) representação dos dados; k) elaboração do roteiro do trabalho (esqueleto); l) redação do texto final, com discussão e conclusões; m) revisão e formatação do texto; n) apresentação e divulgação. Aspectos Éticos Quando envolver seres humanos e animais, a pesquisa e os instrumentos de coleta de dados devem ter a aprovação do comitê de ética da instituição que está vinculada à pesquisa. Os sujeitos participantes devem ter informações sobre o Estudo de Caso 94 Metodologia Científica projeto, assinar um termo de consentimento livre e esclarecido, podendo desistir a qualquer momento. Referências Constitui o conjunto de obras consultadas para fundamentar a pesquisa, ou seja, que fundamentam os pressupostos teóricos do tema e devem ser apresentados em ordem alfabética e de acordo com a NBR 6023 da ABNT. Apêndices São os trabalhos complementares elaborados pelo autor, com o propósito de complementar sua argumentação. Anexo São os materiais complementares de terceiros, tais como texto ou documento de autoria de terceiros que servem de fundamentação, comprovação ou ilustração. Estudo de Caso 95 Metodologia Científica CONSIDERAÇÕES FINAIS Caro(a) pesquisador(a), Chegamos ao final deste material, mas não no que objetiva o estudo que iniciamos aqui, e que pretende levar você a: Aplicar os conhecimentos adquiridos nos períodos desta graduação, traduzindo-os de forma teórico-prática na execução de um trabalho científico que aborde temas atuais do ramo específico deste curso. Desenvolver a criticidade e o comprometimento com as necessárias transformações ao meio social que lhe envolve, visto que essas são as principais características do profissional pesquisador. Assim, espero que, com este material, você tenha sido capaz de, além de eleger um tema específico, iniciar o mergulho no processo de produção de conhecimentos científicos. Um mergulho que, ao buscar a solução de problemas, tende a ser um importante instrumento para que você possa se apropriar de conhecimentos mais profundos a fim de lhe conduzir a ser, cada vez mais, um profissional com conhecimentos pautados pela criticidade necessária ao nível acadêmico de um(a) pós-graduado(a). Então, desejo a você boa pesquisa e espero que você se sinta bem-vindo(a) novamente a este material ao longo do desenvolvimento de sua pesquisa! Abraços e boa pesquisa! Prof. CelsoGomes Estudo de Caso 96 Metodologia Científica REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BICALHO, Gladys Gripp; BARROS FILHO, Antônio de Azeredo. Iniciação científica: como elaborar um projeto de pesquisa. Rev. Ciências Médicas, Campinas, v. 12, n.4, p.365- 373, out./dez. 2003. BUNGE, M. La investigacion cientifica: su estrategia y su filosofia . Barcelona : Editorial Ariel, 1975. CHAUI, M. S. . O que é ideologia?. 1. ed. São Paulo: Brasiliense, 1980. COSTA, E. P.; POLITANO, P. R., PEREIRA, N. A.. 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INTRODUÇÃO _____________________________________________________________ 64 5.1 PESQUISA QUANTO À ABORDAGEM _____________________________________________ 64 5.1.1 PESQUISA QUALITATIVA ____________________________________________________ 64 5.1.2 PESQUISA QUANTITATIVA ___________________________________________________ 68 5.3 QUANTO À NATUREZA _____________________________________________________ 71 5.3.1 PESQUISA BÁSICA _________________________________________________________ 71 5.3.2 PESQUISA APLICADA_______________________________________________________ 71 5.3.3 PESQUISA EXPLORATÓRIA ___________________________________________________ 71 5.3.4 PESQUISA DESCRITIVA ______________________________________________________ 72 5.3.5 PESQUISA EXPLICATIVA _____________________________________________________ 73 ESTUDO DE CASO __________________________________________________________ 74 CONSTRUINDO UM PROJETO DE PESQUISA ____________________________________ 74 ELEMENTOS PRÉ-TEXTUAIS ______________________________________________________ 76 ELEMENTOS TEXTUAIS _________________________________________________________ 77 INTRODUÇÃO _______________________________________________________________ 77 TEMA _____________________________________________________________________ 78 A JUSTIFICATIVA ______________________________________________________________ 78 OS OBJETIVOS _______________________________________________________________ 80 HIPÓTESES __________________________________________________________________ 81 REFERENCIAL TEÓRICO _________________________________________________________ 83 METODOLOGIA ______________________________________________________________ 88 OBJETO DE PESQUISA __________________________________________________________ 90 PLANO DE TRABALHO OU SUMÁRIO PROVISÓRIO ______________________________________ 91 COLETA DE DADOS ___________________________________________________________ 92 ORÇAMENTO _______________________________________________________________ 93 CRONOGRAMA ______________________________________________________________ 93 ASPECTOS ÉTICOS ____________________________________________________________ 93 REFERÊNCIAS ________________________________________________________________ 94 APÊNDICES _________________________________________________________________ 94 ANEXO ____________________________________________________________________ 94 CONSIDERAÇÕES FINAIS ____________________________________________________ 95 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ________________________________________________ 96 file://///garoupa/BKP_GEAD/D.E/Módulos%202017/2017-01/1.%20DISCIPLINAS/Metodologia%20Científica/Guia%20de%20Estudos/Finalizado/Metodologia%20Científica.docx%23_Toc461792131 file://///garoupa/BKP_GEAD/D.E/Módulos%202017/2017-01/1.%20DISCIPLINAS/Metodologia%20Científica/Guia%20de%20Estudos/Finalizado/Metodologia%20Científica.docx%23_Toc461792142 10 Metodologia Científica 11 Metodologia Científica Distinguir a ciência de outras formas de conhecimento. Compor conceitos de ideologia e suas inferências nos critérios internos e externos da ciência. Ciclo 01 Atividade Teste Título: Diferenciando Ciência de Outros Conhecimentos Unidade I - Diferenciando ciência de outras formas de conhecimento Objetivos da Unidade Plano de Estudos I 12 Metodologia Científica 1. Introdução Para tal diferenciação, faz-se necessário definir não só a ciência, mas as principais formas de conhecimento. Uma tarefa realmente complexa e que muitas vezes é simplificada pela ação de se considerar que cada campo de conhecimento não é o outro, como podemos observar nos esquemas a seguir: O que é ciência? Não é ideologia Não é senso comum Respostas O que é ideologia? Não é ciência Não é senso comum Respostas O que é senso comum? Não é ciência Não é ideologia Respostas Tendo em vista a relação conceitual entre tais campos de conhecimento, poderíamos entender que eles são bem delimitados entre si, como se observa no esquema a seguir: Unidade I 13 Metodologia Científica Como nos mostra Demo (1995), essas formas de conhecimento aparecem sempre mais ou menos misturadas, já que a ciência está cercada de ideologia e senso comum, não apenas como circunstâncias externas, mas como algo que já está dentro do próprio processo científico, como se observa a seguir: Senso Comum Ciência Ideologia Ideologia Senso Comum Ciência Mas será que o esquema anterior é realmente verdadeiro? Será que há limites rígidos entre tais conceitos? Unidade I 14 Metodologia Científica Nesse sentido, há de se entender que a ciência, portanto, se mostra como um processo incapaz de produzir conhecimento puro, historicamente não- contextualizado. Mas, para podermos compreender melhor essa relação entre ciência, ideologia e senso comum, que tal intentarmos definir senso comum? 1.2 Senso comum Antes de tentarmos definir esse campo de conhecimento, vale destacar que ele possui uma grande importância na história dos problemas filosóficos, especialmente por estar associado à experiência tradicional. Pedro Demo (1995) mostra que: [...] o critério de distinção do senso comum é o conhecimento acrítico, imediatista, crédulo. O homem simples da rua também "sabe" de inflação, mas seu conhecimento é diferente do conhecimento do economista, que é capaz de elaborar uma teoria da inflação, discutir causas e efeitos. Pode-se colocar no senso comum modos ultrapassados de conhecer fenômenos ou também crendices sem base dita científica. O agricultor pode ter seu método de previsão de chuva ligado a insinuações que considera indicativas, como certo comportamento de um pássaro; o agrônomo orienta-se por indicadores bem diferentes. O senso comum é, assim, marcado pela falta de profundidade, de rigor lógico, de espírito crítico, mas não possui apenas o lado negativo, a começar por ser o saber comum que organiza o cotidiano da maioria. (p. 17) Não obstante, vale destacar que muitas vezes o senso comum se mostra como uma das fontes de inspiração para se iniciar uma pesquisa científica. Como mostra Bunge (1975), parte do conhecimento prévio do qual se inicia toda investigação científica é conhecimento ordinário, isto é, conhecimento não especializado composto pelo sensocomum e também pelo próprio conhecimento científico. Unidade I 15 Metodologia Científica Segundo Demo (1995), o lado mais positivo do senso comum é o bom senso, e é um saber ao mesmo tempo simples e inteligente, sensível e óbvio, circunspecto. O senso comum tem expressões que significam e nos fazem pensar, como os ditados populares relacionados abaixo: Entretanto, diante da ciência, o senso comum não é considerado como postura eficiente. Uma justificativa que se calca na ideia de que o senso comum tem "Cada cabeça, uma sentença." "Quem desdenha quer comprar." "Quem ri por último ri melhor." "A pressa é a inimiga da perfeição." "Se conselho fosse bom, não era dado de graça." Entretanto, ainda baseados no autor supracitado, é importante ressaltar que o senso comum não pode ser juiz autorizado da ciência, e a tentativa de estimar as ideias e os procedimentos científicos à luz do conhecimento comum ou ordinário exclusivamente é inadequada: a ciência elabora seus próprios cânones de validade e, em muitos temas, se encontra muito longe do conhecimento comum. Unidade I 16 Metodologia Científica pouca ou nenhuma profundidade frente ao rigor lógico da ciência. Demo (1995) destaca que, “diante da ciência, [o senso comum] é considerado como postura deficiente e, no extremo, a própria negação dela” (p.17). Mas sobre o bom senso há de se considerar que, segundo Bunge (1975), efetivamente, tanto o bom senso quanto o conhecimento científico aspiram a ser racionais e objetivos: são críticos e aspiram a coerência (racionalidade) e têm a intenção de adaptação aos fatos, ao invés de se permitir especulações sem controle (objetividade). Assim, Bunge (1975) mostra que a descontinuidade radical entre a ciência e o conhecimento comum em numerosos aspectos e, particularmente, no que se refere ao método, não deve, de todo o modo, fazer-nos ignorar sua continuidade em outros aspectos, pelo menos se limitarmos o conceito de conhecimento comum às opiniões sustentadas pelo que se costuma chamar de bom senso. A ciência não é uma mera extensão nem um simples refinamento do conhecimento ordinário, no sentido em que o microscópio, por exemplo, amplia o âmbito da visão. A ciência é um conhecimento de natureza especial: trata primeiramente, ainda que não exclusivamente, de acontecimentos inobserváveis e não suspeitados pelo leigo, como a evolução das estrelas e a duplicação dos cromossomos; a ciência Ainda apoiando-nos no autor supracitado, há de se considerar que o senso comum não pode conseguir mais que uma objetividade limitada, porque está demasiadamente vinculado à percepção e à ação, e quando as ultrapassa, o faz sob a forma do mito. Só a ciência inventa teorias que, mesmo que não se limitem a condensar nossas experiências, podem contrastar-se com esta para serem verificadas ou falseadas. Nesse sentido, é importante destacar que: Unidade I 17 Metodologia Científica inventa e arrisca conjecturas que vão além do conhecimento comum, tais como as leis da mecânica quântica ou as dos reflexos condicionados; e submete esses supostos a contrastação com a experiência com ajuda de técnicas especiais, como a espectroscopia ou o controle do suco gástrico, técnicas que, por sua vez, requerem teorias especiais (BUNGE, 1975, p. 3) Portanto, segundo o autor acima, é importante entender que os enunciados referentes à experiência imediata que produz o senso comum não se mostram essencialmente incorrigíveis e raras vezes se mostram dignos de dúvida. Assim, mesmo que os conhecimentos do senso comum se mostrem como conjecturas; na prática, os manejamos como se fossem certezas. Por essa razão, tais conhecimentos se mostram frequentemente irrelevantes no que diz respeito à cientificidade. Então, podemos nos perguntar: A resposta para essa questão é que precisamos utilizar da ciência porque os enunciados que se referem ao senso comum são imediatos e duvidosos e, portanto, vale à pena submetê-los várias vezes à contrastação e dar-lhes um fundamento. Mas em ciência, a dúvida é muito mais criadora que paralisadora, pois a dúvida estimula a investigação, a busca de ideias que deem razão aos fatos de um modo cada vez mais adequado (BUNGE, 1975). 1.3 Ideologia O critério da ideologia, segundo Demo (1995), pode ser entendido tendo em vista o seu caráter justificador de posições sociais vantajosas. Assim, diferente do senso comum, que está despreparado diante de uma realidade mais complexa por apresentar uma visão ingênua, a ideologia se mostra: Se podemos lidar os conhecimentos de modo suficiente pelo senso comum, porque então a necessidade de se apelar para a ciência? Unidade I 18 Metodologia Científica [...] intrinsecamente tendenciosa, no sentido de não encarar a realidade assim como ela é, mas como gostaria que fosse, dentro de interesses determinados. Para deturpar a realidade de acordo com seus interesses, a ideologia usa de instrumentos científicos, no que pode adquirir extrema sofisticação. Pode chegar à mentira, quando não só deturpa, mas inverte os fatos, fazendo de versões, fatos. (DEMO, 1995, p. 17) Portanto, pode-se entender que ideologia se esforça a se calcar no argumento de defender a satisfação de uma necessidade básica humana (BROWNOWISKY apud DEMO, 1995). Mas, por trás dessa concepção, se observa que a ideologia pode ser compreendida como sombra inevitável do fenômeno do poder, que dela lança mão para se justificar. Isso quer dizer que ideologia se apresenta como um poder sagaz que não se diz como poder, mas que deseja dominar, que busca vassalos e que detesta contestação. Demo (1995) destaca que a ideologia em seu estado mais inteligente se traveste de ciência e, por isso, seu arquiteto típico é o intelectual, figura importante na justificação do poder, como também no outro lado: [...] na elaboração da contra ideologia, com vistas a mudar a história dominante. Entre os intelectuais sobressaem os que têm origem nas ciências sociais e similares, porque estão mais afeitos às condições sociais da estruturação do poder e das vantagens. Neste contexto transparece já a tendência histórica das ciências sociais de estarem mais A ideologia, muitas vezes, se mostra como desígnio de Deus, com mérito histórico, de boa intenção em favor dos fracos. Entretanto, a ideologia não é apenas sistema de crenças, mundivisão, maneira particular de ver as coisas, mas específica justificação de serviço ao poder. Portanto, se pode entender que a ideologia imbrica a religião principalmente quando essa última serve a posturas dominantes. Unidade I 19 Metodologia Científica a serviço do poder, organizando técnicas de controle social, do que a serviço da emancipação dos desiguais (DEMO, 1995, p. 19). No campo de conhecimento do nosso curso, ou seja, nas ciências sociais, o fenômeno ideológico é intrínseco, pois está no sujeito e no objeto. Nesse sentido, há de se concluir que a própria realidade social se mostra ideológica, porque é produto histórico no contexto da unidade de contrários, em parte feita por atores políticos, que não poderiam - mesmo que quisessem - ser neutros. Portanto, não existe história neutra, assim como não existe ator social neutro. Segundo Gramsci (1972), a ideologia não pode ser suprimida, apenas controlada. Você concorda? Será que ela pode ser mesmo controlada? Será que, em algumas situações, ela foge do controle? Com essas concepções de ideologia e senso comum, há de se compreender que a ciência, como Demo (1995) nos mostrou anteriormente, está repleta de senso comum e de ideologia. Pois pense, se ela está repleta de senso comum e de ideologia, porqueseria impossível dominar de todo a realidade, ou discursar sobre ela com apenas o conhecimento especializado de todas as suas facetas? Como mostra Demo (1995), a ciência também está carregada de ideologia, pois conhecimento é influenciado por interesses, além de estar sempre em contexto de prática histórica contraditória. Assim, podemos entender que a presença da ideologia decorre do débito social, como transudação normal de um fenômeno político. Tendo em vista tudo o que vimos, você acha que a ideologia pode ser suprimida? Unidade I 20 Metodologia Científica 1.4 Ciência Respeitando vezos acadêmicos comuns, Demo (1995) mostra que, para tentar responder à questão anteriormente colocada, há de se entender dois critérios: internos e externos. 1.4.1Critérios internos da ciência Os externos são atribuídos de fora, já os internos fazem parte da própria tessitura da ciência e, assim, são imanentes, como podemos observar a seguir: A ciência é coerente A ciência é coerente, ou seja, um discurso evolui sem entrar em contradição a partir do momento em que se estabelece seu ponto de partida, tanto no sentido de não partir de premissas conflitantes, como de ter um corpo intermédio concatenado, e também no sentido de chegar a conclusões congruentes entre si e entre as premissas iniciais. Assim, vale destacar que os enunciados científicos, como os do senso comum, são opiniões, mas opiniões com coerência, ou seja, ilustradas (fundadas e contrastáveis), em contraste ao que se observa no senso comum, opiniões que não são suscetíveis a “contrastação” e prova (BUNGE, 1975). Se ciência não é senso comum, nem ideologia, embora com eles convivam intrinsecamente, o que é ciência então? Ela é mesmo superior ao senso comum? Unidade I 21 Metodologia Científica Por ter coerência, a ciência mostra sua propriedade lógica, ou seja, ela tem: - Falta de contradição. - Argumentação bem estruturada. - Corpo sistemático e bem deduzido de enunciados. - Desdobramento do tema de modo progressivo e disciplinado, com começo, meio e fim. - Dedução lógica de conclusões. A ciência tem consistência A ciência tem a capacidade de resistir a argumentações contrárias. Vale destacar que essa característica difere da coerência porque esta é estritamente lógica, assim, a consistência se liga também à atualidade da argumentação. Dos livros produzidos num ano, apenas alguns sobrevivem, bem como os autores, apenas alguns se tornam clássicos, porque produzem estilos resistentes de argumentação, tanto em sentido lógico, quanto em sentido de atualidade. A consistência, segundo Demo (1995), admite conotação histórica, que vai crescendo nos critérios seguintes, assim: Não se trata de estabelecer dicotomia entre critérios mais formais e mais históricos, porque o fenômeno científico é marcado pelos dois. Em outra linguagem, podemos falar de qualidade formal e de qualidade política. Por qualidade formal entende-se a propriedade lógica, tecnicamente instrumentada, dentro dos ritos acadêmicos usuais: domínio de técnicas de coleta, manuseio e uso de dados; capacidade de manipular bibliografia; versatilidade na discussão teórica; conhecimento de teorias, de autores; feitura de passos consagrados, como percurso da graduação, dissertação de mestrado, tese de doutorado, etc. Embora tudo isso possa resultar no "idiota especializado", são marcas fundamentais do processo científico. (p. 21) Unidade I 22 Metodologia Científica A ciência precisa ter originalidade A originalidade da ciência significa produção não-tautológica, ou seja, inventiva, baseada na pesquisa criativa, e não apenas repetitiva. Esse critério é algo muito importante, principalmente na era em que vivemos e que, por ser chamada de era do conhecimento, é constituída por uma vastidão de informações. Assim, a originalidade fica cada vez mais difícil de ser totalmente alcançada, isso sem falar da facilidade que se tem de se copiar e colar. Uma qualidade ou deformidade que as tecnologias propiciam frente aos trabalhos acadêmicos, principalmente no que se entende por originalidade. A ciência é coerente A objetivação na ciência significa a tentativa - nunca completa - de descobrir a realidade social assim como ela é, e mais do que como gostaríamos que fosse. Como não há conhecimento objetivo, não existe o critério de objetividade, que é Para refletir sobre essa importante característica da ciência - a originalidade -, acesse a seguinte reportagem, no link: http://www.valor.com.br/internacional/2997800/mini stra-da-educacao-alema-perde-doutorado-por-plagio Unidade I http://www.valor.com.br/internacional/2997800/ministra-da-educacao-alema-perde-doutorado-por-plagio http://www.valor.com.br/internacional/2997800/ministra-da-educacao-alema-perde-doutorado-por-plagio 23 Metodologia Científica substituído pelo de objetivação. Ainda que ideologia seja intrínseca, é fundamental buscar controlá-la, pois a meta da ciência é a realidade, não sua deturpação. Em consonância com Demo (1995), podemos entender que esses quatro critérios tentam cercar a complexidade do fenômeno científico, sem poder esgotá- lo, até por uma razão lógica inerente. Assim, podemos entender que: A seleção de critérios conduz a um regresso ao infinito, porque não há definição cabal de nenhum termo. Se definimos o científico como o coerente, é mister definir o coerente. Se definimos o coerente como o não-contraditório, é mister definir o não-contraditório, e assim indefinidamente. Quer dizer, o número quatro não é sagrado, ou seja, não fazemos "a" demarcação científica, mas uma versão possível dela (DEMO, 1995, p. 21). Vale notar que esses quatro critérios são: Heterogêneos (em certa extensão). Caracterizados por se interpenetrarem. Tendencialmente formais (destacando-se a coerência como apenas formal). Portanto, vale destacar que os quatro critérios internos à ciência nada dizem sobre conteúdos. Por isso, uma ideologia pode ser coerente a eles, principalmente na forma de se desdobrarem. Pode-se observar que tal coerência entre ideologia e os quatro critérios não é defeito, mas sim uma característica, por mais que possa decair em ritos vazios, ou seja, usar lógica impecável para um conteúdo irrelevante ou politicamente nefasto (DEMO, 1995). 1.4.2 Critérios externos da ciência Os critérios externos da ciência, segundo Demo (1995), podem ser vistos por meio da intersubjetividade, significando a opinião dominante da comunidade científica em determinada época e lugar. É externo porque a opinião é algo Unidade I 24 Metodologia Científica atribuído de fora, por mais que provenha de um especialista, aqui transparece a marca social do conhecimento. Nesse sentido, o autor supracitado mostra que: Em si, o científico deveria ligar-se apenas a critérios de propriedade interna. Um enunciado dito por Marx, pelo Presidente da República, ou pelo homem simples da rua teria a mesma validade. Todavia, como não existe nada "em si", mas tudo contextuado na história conflituosa e desigual, o "argumento de autoridade" - que jamais seria argumento pela autoridade - acaba prevalecendo (DEMO, 1995, p. 21). Mas, mostrando outros critérios externos da ciência, podemos citar a comparação crítica, a divulgação, o reconhecimento generalizado etc. Nesse sentido, pode-se observar que esses critérios mostram a fragilidade de trabalhos acadêmicos. Outro indício de fragilidade da ciência se refere ao fato de salvar obras medíocres só porque se encaixam nas estratégias vigentes de prestígio, comercialização e mesmo subserviência. De outro, aportam um aspecto fundamental da discussão, no sentido de ser a barreira típica contra o relativismocientífico. Demo (1195) mostra tal fragilidade ao exemplificar a história de Galileu, que apesar de ser um grande realizador científico para a sua época, foi condenado. Assim, uma obra de grande qualidade científica foi descartada só porque contrariava expectativas dominantes. Unidade I 25 Metodologia Científica Para nos ajudar a responder essa questão, nos apoiaremos na reflexão de Demo (1995): Cada qual define ciência como quer, aceita e rejeita o que quer. Primeiro, a postura relativista é logicamente incoerente, porque o enunciado "tudo é relativo" não é relativo, mas um discurso contraditoriamente absoluto. Segundo, é historicamente inviável, porque a sociedade produz cristalizações dominantes, que coíbem cada indivíduo de ter um mundo totalmente próprio de ideias e posturas. Assim, não existe relativismo, mas relatividade histórica, o que é um fenômeno que pervade também as ciências sociais, enquanto são fenômeno social como qualquer outro. Assim, não admira que tenham suas "vacas sagradas", seus pontífices, seus asseclas, seus corporativismos, e assim por diante (p. 22). Agora que delimitamos os critérios internos e externos da ciência, vamos, em consonância com o autor, fazer um reparo importante, que se refere às atribuições ditas externas e que se encontram na origem, mas fazem parte integrante do jogo, considerando o débito social como componente da própria tessitura científica. Portanto, seria um erro situar a ideologia como algo externo, estranho, como invasão indevida. Na verdade, ideologia é sempre inerente à pesquisa científica, pois sempre está presente, embora possa vir de dentro (do sujeito) ou de fora (do objeto). Torna-se invasão indevida quando passa a predominar sobre a ciência, colocando o processo científico a serviço de pretensões ideológicas. Diante desse relativismo científico, o que pode nos indicar que nada é evidente e conclusivo? Assim, podemos nos perguntar: em ciência vale tudo? Unidade I 26 Metodologia Científica Nesse sentido, acreditamos que não! Para tal resposta, podemos buscar inspiração em Demo (1995): ao entender que apenas para uma postura formalizante de ciência, que acredita em neutralidade, a distinção faz muito sentido, porque considera critérios externos, no fundo, espúrios; e entende intersubjetividade menos como acerto social histórico do que como expressão objetiva de formalizações comumente reconhecidas. Com essa visão, que acreditamos ser equivocada, tende-se a entender a produção científica como luta metodológica apenas contra inimigos externos, que degradam a pureza formal de sua criação e que situam a metodologia como um treino para a neutralidade, tendo em vista a objetividade da realidade. Assim, vale destacar que, em harmonia com Demo (1995) e Habermas (1987), não há como partilharmos desta visão, pois acreditamos na mesma importância da qualidade política e da qualidade formal que uma pesquisa científica sempre deve buscar, principalmente no que diz respeito à importância da construção de conhecimentos por meio de estudos disciplinares, principalmente nos cursos de graduação e pós-graduação, para a produção de novos conhecimentos científicos. A essa altura de nossas reflexões sobre a ciência e com a influência da ideologia, podemos nos indagar: é possível que uma pesquisa científica seja realmente neutra? Unidade I 27 Metodologia Científica Julgar a importância dos conhecimentos disciplinares e do método científico para a produção de conhecimentos na academia. Ciclo 02 Atividade Teste Título: Conhecimentos Disciplinares e o Método Científico Unidade II – Conhecimentos disciplinares, o método científico N N Objetivos da Unidade Plano de Estudos II 28 Metodologia Científica 2. Introdução Para que possamos refletir sobre a importância da construção de conhecimentos por meio de estudos disciplinares, principalmente nos cursos de graduação e pós-graduação, para a produção de novos conhecimentos em uma pesquisa científica, convido você a pensar sobre a centelha inicial de uma pesquisa. Uma centelha que, como mostra Bunge (1975), inicia uma investigação científica por meio da percepção de que o acervo de conhecimento disponível se mostra insuficiente para manejar determinados problemas. Então, há de se destacar a importância de se buscar sempre pelo acervo de conhecimento disponível em determinadas áreas disciplinares, até mesmo para que seja possível, com consistência política e formal, formular uma pergunta e, consequentemente, buscar uma ou até mesmo mais respostas. 2.1 A importância dos conhecimentos disciplinares para a produção científica Evidentemente, não é possível iniciar uma pesquisa com um pesquisador que ignora grande parte do campo que será pesquisado. Nesse sentido, destaca-se a importância de estudos preliminares para o estabelecimento das conjecturas que nortearão o percurso da pesquisa. Assim, surge uma nova questão: Como podemos pesquisar por determinado tema se não conhecemos os saberes já construídos até então nesta área do conhecimento? Então, baseados inicialmente nessa questão, vamos refletir nesta unidade sobre os conhecimentos disciplinares, o método científico e a revisão de literatura. Unidade II 29 Metodologia Científica A resposta que mais deve ser mencionada a tal questão é: na academia. Principalmente por se entender que a academia é um local que se mostra para além da transmissão de conhecimentos, mas sim para a construção desses conhecimentos, tendo em vista a inquietude científica que nela habita. Assim, entendemos que não é possível iniciar uma pesquisa científica antes da formulação da(s) pergunta(s) preliminares e sem compreender o estado da arte do assunto a ser pesquisado. Aqui fica uma boa dica para se iniciar uma pesquisa científica: Assim, podemos entender que para uma pesquisa mostrar coerência, consistência, objetivação e principalmente originalidade, o pesquisador tem que estar a par dos conhecimentos já construídos no campo de conhecimento em que a pesquisa vai se desenvolver. Isso sem falar na responsabilidade que o pesquisador deve ter frente à qualidade política de uma pesquisa, principalmente no campo das ciências sociais. E para refletirmos mais sobre essa responsabilidade política, há de se destacar que, apesar de frequentemente se entender que o estudar a realidade social significa, logo de partida, buscar suas quantificações possíveis para que estas Qual é (ou deveria ser) o local ideal para a construção de conhecimentos preliminares a uma pesquisa? Antes de iniciar a pesquisa, o pesquisador deve buscar, no mínimo, o estado da arte do assunto a ser pesquisado. Essa ação pretende atender os critérios internos, bem como os externos a uma pesquisa científica. Unidade II 30 Metodologia Científica possam ser tratadas de um modo metodológico formal semelhante ao que se utiliza nas ciências naturais, segundo Demo (1995), há de se considerar que: Tal procedimento é fortemente questionado hoje, porque ciência puramente instrumental coloca precisamente uma questão política da maior relevância: a quem servem as ciências sociais. Quando se verifica, com extrema facilidade, que o produto tendencial das ciências sociais não é o enfrentamento dos problemas sociais na teoria e na prática, em favor dos desiguais, mas a fabricação competente de técnicas de controle social a serviço do grupo dominante, percebe-se que a neutralidade é, sobretudo, útil. Útil ao cientista, porque lhe é cômodo desconhecer a imbricação com os fins enquanto pode viver à sombrae com a sobra do poder vigente. Sobretudo útil ao poder vigente, que aproveita das ciências sociais seu potencial ideológico (p. 24). Nesse sentido, destaca-se a importância de se construir um estado da arte preliminar a uma pesquisa de forma crítica, não só no aspecto formal, mas, sobretudo, no aspecto político frente a um campo de conhecimento em que se vai desenvolver uma pesquisa. Um exemplo interessante é o mostrado por Demo (1995): Unidade II Unidade II 31 Metodologia Científica De todos os modos, tomando-se a sério o débito social das ciências sociais, é mister reconhecer que critérios de qualidade formal não bastam. Uma tese de doutorado pode ser formalmente aceita como perfeita, porque corresponde a todos os ritos académicos e, sobretudo, é uma demonstração perfeita de domínio instrumental metodológico e teórico, mas pode igualmente ser irrelevante, no sentido de que não coloca problema de importância para a sociedade. (p, 24) Enfim, tendo em vista a importância do conhecimento disciplinar prévio a uma pesquisa, seja no aspecto formal ou no político, é importante destacar também a importância do método a ser utilizado para a pesquisa científica, que trataremos a seguir. 2.2 Método científico Antes de iniciarmos, é importante trazer para reflexão alguns conceitos fundamentais que compõem essa prática, que se referem às relações entre conhecimento, ciência e método. 2.2.1 Conhecimento, ciência e método Pedro Demo (1995) mostra que o problema central do método é a demarcação científica entre o que seria e o que não seria ciência. Assim, não há nada mais controverso em ciência do que sua própria definição, pois: [...] a menos que a consideremos produto de supermercado que se compra pronto e se guarda na geladeira. A percepção comum de ciência está repleta de expectativas simplistas, sobretudo no sentido de que os cientistas seriam gente acima de qualquer suspeita, produzindo "oráculos" definitivos, detendo em suas mãos conhecimentos perfeitos. Ao contrário disso, é mister partir de que a demarcação científica coloca no fundo discussão inacabável, desde que não se aceite o dogma como algo científico. (DEMO, 1995, p.15). Unidade II Unidade II 32 Metodologia Científica Nesse sentido, podemos considerar que a metodologia, para a construção dos conhecimentos científicos, não aparece como solução definitiva para considerarmos a ciência como a detentora e produtora dos anteriormente referidos conhecimentos “oraculares”, mas como fonte de questionamento criativo, para permitir opções consistentes frente à realidade em que vivemos atualmente. Uma realidade que se pauta no que muitos se referem como era da informação ou mesmo era do conhecimento. Portanto, ainda pautados no autor supracitado, vale destacar que o maior problema da ciência, principalmente nos dias atuais, não é o método, mas a realidade; como ela não é evidente, e também pelo fato de a ideia que temos da realidade nem sempre coincidir com a própria realidade, torna-se necessário, dentro do campo de conhecimentos deste curso, colocarmos a seguinte questão: Demo (1995) nos mostra que: algumas pessoas entendem que a realidade social é algo já feito, totalmente externo e estruturado, outras pessoas acham que a realidade social é algo a ser feito, sendo algo criativamente histórico, outras tentam misturar as duas posturas: em parte a realidade social está feita, em parte pode ser feita. O que consideramos realidade social? Unidade II Unidade II 33 Metodologia Científica E você, o que acha? Com qual das respostas você se identifica mais? Você sabe o motivo da sua escolha? Pois é, dependendo da concepção de realidade social que assumimos, tem-se uma variação no método científico de captação. - que existem estruturas na realidade social que são como formas (“fôrmas"), o que permite tomá-la como fenômeno regular, até certo ponto previsível e planejável; - que são estruturas, por exemplo, o complexo de necessidades materiais (a infraestrutura), o conflito social, formas de comunicação e expressão simbólica, etc.; - que dividimos o processo histórico em condições objetivas e subjetivas, significando as estruturas externas ao homem, que as encontra dadas, e a capacidade política do homem de conquistar seu lugar; - que transformações sociais se dão nos conteúdos, em que a história pode ser radicalmente criativa, produtiva, dependendo, portanto, de condições objetivas e subjetivas, cada qual detendo a mesma ordem de importância; - que o móvel próprio de mudança, nas condições subjetivas, é o conflito social, que significa a reação dos "desiguais" contra a opressão dos privilegiados; nas condições objetivas significa a dinâmica interna processual, que, embora estrutural, traduz estruturas da mudança, não do esfriamento da história; Para uma concepção dialética de realidade social, cabe o método dialético. Para uma realidade concebida como sistema, cabe o método sistêmico. Agora tomaremos a realidade social como processo histórico. Demo (1995) entende, em seu sentido pleno, que: Unidade II 34 Metodologia Científica - que isso leva a conceber a história como uma sucessão de fases, em que cada fase gera em si mesma a próxima fase, por meio dos conflitos objetivos e subjetivos que tem de enfrentar. 2.2.2. A metodologia científica Para que possamos refletir sobre a metodologia científica, vamos, inicialmente, buscar o significado de método. Com as colocações anteriores, pôde-se entender que a expressão, talvez mais adequada, para esta concepção de realidade social é "unidade de contrários", fazendo-nos entender que, tal como mostra Chauí (1980), há nessa concepção de realidade, um dinamismo que provém da convivência de forças contrárias, que, ao mesmo tempo, se repelem e se necessitam. Então, agora que já conhecemos, mesmo que de forma preliminar, a concepção de realidade social oriunda da visão dialética sócio-histórica, vamos pensar um pouco mais sobre o método científico? A palavra método é derivada do latim methodus e do grego methodos. Esse último termo é a junção de meta com hodos, como se pode observar no esquema a seguir: Unidade II Unidade II 35 Metodologia Científica Figura 01: Significado de Método Fonte: O autor Historicamente, podemos vislumbrar na obra “Discurso do Método”, de Descartes (1637), a primeira vez que, de forma sistemática, o entendimento de método se apresentou. Na obra observam-se em 4 preceitos o caminho para a perfeita dúvida: O primeiro preceito consiste em: nunca aceitar como verdadeira qualquer coisa, sem a reconhecer como tal, evitar cuidadosamente a precipitação e a prevenção; não incluir nos seus juízos nada que não se apresentasse tão clara e tão distintamente ao meu espírito que não tivesse nenhuma ocasião para o pôr em dúvida. Meta • por, • para, • através de. Hodos • caminho. Unidade II METHODOS Unidade II 36 Metodologia Científica O segundo preceito é constituído em: dividir cada uma das dificuldades que eu houvesse de examinar em tantas parcelas quantas pudessem ser e fossem exigidas para resolvê-las melhor. O terceiro preceito se refere a: conduzir por ordem meus pensamentos, começando pelos objetos mais simples e fáceis de serem conhecidos para subir pouco a pouco como por degraus até o conhecimentos dos mais compostos, e supondo mesmo certa ordem entre os que não procedem naturalmente uns aos outros. O quarto preceito se acena ao ato de: fazer toda a parte enumerações tão completas e revistastão gerais, que ficasse certo de nada omitir. Note que o primeiro, o segundo e o terceiro preceitos se caracterizam em colocar ordem às evidências; já o quarto preceito se refere às técnicas metodológicas que se destinam a buscar a integridade total do procedimento. Portanto, Horn (2003) nos mostra: [...] quando se observa um objeto, capta-se-lhe a aparência parcial, aquilo que algum de seus prismas apresenta, ou seja, a perspectiva da qual se enfoca o que se deseja conhecer determina o aspecto do que é apreendido. Do mesmo modo que o resultado de toda a pesquisa depende de um método, cada método implica em uma perspectiva específica vinculada a uma concepção filosófica e que definirá tanto a forma de olhar o objeto, como de interpretá-lo. Daí que a mesma realidade pode resultar em diferentes leituras, conforme o paradigma que pauta cada pesquisador. (p. 33) Unidade II 37 Metodologia Científica Dentre os paradigmas que orientam a pesquisa acadêmica, observa-se frequentemente a presença dos seguintes: Positivismo, Fenomenologia e Marxismo. Ainda segundo o autor supracitado, tais concepções têm duas origens: no tradicional dualismo idealismo-materialismo, traduzível na oposição entre os que priorizam o espírito em detrimento da matéria e no entendimento de que a matéria é o princípio fundamental e a ideia – ou espírito –, secundário. Pode-se dizer, no sentido de facilitar a apreensão das especificidades das concepções citadas que, enquanto Positivismo e Fenomenologia têm pertinência com o idealismo, o Marxismo se vincula ao materialismo histórico. Mas, voltando ao método, podemos sintetizar que esse termo, segundo Japiassu e Marcondes (1996, p. 131), refere-se a um “conjunto de procedimentos racionais, baseados em regras, que visam atingir um objetivo determinado. Por exemplo, na ciência, o estabelecimento e a demonstração de uma verdade científica”. Para continuarmos nossa reflexão sobre esse importante aspecto da pesquisa científica, vamos agora nos basear em Bunge (1975). Esse pensador mostra que se deve ter muito cuidado na consideração do que é o método científico, pois não deve ser entendido como um conjunto de instruções mecânicas e infalíveis que capacitaram o cientista para prescindir da imaginação; não deve ser interpretado, tampouco, como uma técnica especial para o manejo de problemas de um certo tipo. Portanto, considera-se método, nesse contexto, um procedimento para tratar de um conjunto de problemas. Unidade II 38 Metodologia Científica Assim, para o desenvolvimento de uma pesquisa científica, temos que considerar que inevitavelmente deve haver esforço intelectual por parte do pesquisador. Entretanto, a pesquisa não tende a ser algo muito complicado, pois é importante que o pesquisador tenha em vista, no início e ao logo de todo o processo, um importante elemento: o problema de pesquisa, que é constituído por uma ou mais perguntas. Tendo em vista o problema, que geralmente diz respeito ao pesquisador ou ao meio em que ele se insere, o sujeito pesquisador deve passar a pensar em maneiras de responder às perguntas, no sentido de se compreender o problema. Portanto, com esse intento, o pesquisador deve se apropriar de estratégias para ajudá-lo na busca de conjecturas que tendem a indicar o caminho para que se chegue às considerações finais apropriadas e seguras sobre o problema investigado. Para se iniciar uma pesquisa científica, é muito importante que o pesquisador visualize um problema teórico ou prático a ser resolvido. Com esse problema bem delimitado e que não se mostre muito amplo, o pesquisador deve, em seguida, formular hipóteses ou perguntas para que se possa, no decorrer da pesquisa, testá-las e confrontá-las com a literatura analisada, que tende a abarcar o estado da arte do tema a ser pesquisado, e/ou verificá-las frente à realidade que se encontram. Unidade II 39 Metodologia Científica Segundo Laville e Dionne (1999), “chegar a possíveis explicações ou soluções para um problema pode significar não apenas aquisição de novos conhecimentos, mas, também, fornecer uma determinada intervenção. Um problema é sempre uma falta de conhecimento” (p. 11). Nesse sentido, entende-se que para sair da situação delimitada de falta de conhecimento para o conhecimento, é imprescindível que o pesquisador utilize o rigor metodológico para que os resultados da pesquisa sejam confiáveis frente ao campo de conhecimento (acadêmico) que se situam, e também no sentido de constituírem validade social. Cada classe de problemas requer um conjunto de métodos ou técnicas especiais. Segundo Bunge (1975), são os seguintes passos principais para a aplicação do método científico: Unidade II 40 Metodologia Científica Determinar os domi ́nios nos quais valem as conjecturas e as te ́cnicas para formular os novos problemas originados pela investigação. Estimar a pretensa ̃o de verdade verdade das conjecturas e a fidelidade das técnicas. Levar a cabo a contrastac ̧ão para interpretar seus resultados. Submeter a ̀ contrastac ̧a ̃o essas te ́cnicas para comprovar sua relevância e o cre ́dito que merecem. Arbitrar técnicas Técnicas para submeter as conjecturas à contrastação. Derivar consequências Consequências lógicas das conjecturas. Arbitrar conjecturas Conjecturas bem fundadas e contrastáveis com a experiência, para contestar as perguntas. Enunciar perguntas Perguntas bem formuladas e verdadeiramente fecundas. Unidade II 41 Metodologia Científica Segundo Bunge (1975), seguramente existem algumas, ainda que ninguém tenha conseguido estabelecer uma lista que as esgote, e mesmo que todo mundo deva resistir a fazê-lo, tendo aprendido pelo fracasso dos filósofos que, desde Bacon e Descartes, têm pretendido conhecer as regras infalíveis da direção da investigação. A título de mera ilustração, Bunge (1975) intenta enunciar e exemplificar algumas regras muito óbvias do método científico: Existem regras que guiam a execução das operações acima? Ou seja, existem instruções concretas para tratar dos problemas científicos? Formular o problema com precisão e, em princípio, especificamente. Propor conjecturas bem definidas e fundadas de algum modo, e não suposições que não comprometem em concreto, nem tampouco ocorrências sem fundamento visível. Não declarar verdadeira uma hipótese satisfatoriamente confirmada; considerá-la, no melhor dos casos, como parcialmente verdadeira. Perguntar-se porque a resposta é como é, e não de outra maneira. Unidade II 42 Metodologia Científica Nesse sentido, é necessário considerar o seguinte esquema e seu fluxo: Figura 02: Método Científica Fonte: O autor Ainda segundo Bunge (1975), podemos entender que essas e outras regras do método científico estão muito longe de serem infalíveis e de não necessitarem de aperfeiçoamento ulterior. Além disso, não se deve: [...] esperar que as regras do método científico possam substituir a inteligência por um mero adestramento. A capacidade de formular perguntas sutis e fecundas, de construir teorias fortes e profundas e a de arbitrar contrastações empíricas finas e originais não são atividades orientadas por regras. Se assim fosse, como pensaram alguns filósofos, todo mundo poderia desenvolver com êxito investigações científicas, e os computadores poderiam converter-se em investigadores, em vez de limitar-se a ser o que são, instrumentos da investigação. (p. 3) Unidade II 43Metodologia Científica Nesse sentido, a metodologia científica se mostra capaz de dar indicações de meios para evitar erros, mas não pode suplantar a criação original, nem sequer prever todos os erros. Portanto, precisamos sempre estar atentos ao fato de que, atualmente: Os cientistas não têm se preocupado muito com a fundamentação nem pela sistematicidade das regras do procedimento científico. Nem sequer se preocupam em enunciar explicitamente todas as regras que usam. De fato, as discussões de metodologia científica não parecem ser animadas além do começo de cada ciência. Na maioria dos casos, os cientistas adotam uma atitude de ensaio e erro a respeito das regras de investigação que usam. Isso ocorre de forma tão implícita, que a maioria dos cientistas nem as registram conscientemente. Em consonância com Bunge (1975), frente a prescrições metodológicas tão dogmáticas e estéreis (e teoricamente injustificadas), o melhor é ter sempre aquela que talvez seja a única regra válida: audácia ao conjecturar, rigorosa prudência ao submeter à contrastação das conjecturas. O método científico e a finalidade a qual se aplica (conhecimento objetivo do mundo) para nós, que vamos trabalhar a pesquisa científica, constitui a inteira diferença que existe entre a ciência e a não ciência. O método científico é um traço característico da ciência, tanto da pura quanto da aplicada. Onde não há método científico, não há ciência. Mas não é nem infalível, nem autossuficiente (BUNGE, 1975). Unidade II 44 Metodologia Científica Julgar a importância dos conhecimentos disciplinares e do método científico e a revisão de literatura para a produção de conhecimentos na academia. Ciclo 03 Atividade Teste e Exercício em Grupo Título: Revisão de Literatura e Pesquisa Quanto aos Procedimentos, Abordagem, Natureza e Objetivos Unidade III – Revisão de Literatura Objetivos da Unidade Plano de Estudos III 45 Metodologia Científica 3. Introdução da unidade Antes de iniciar a reflexão sobre a pesquisa, no que tange suas fases e etapas, precisamos construir um projeto de pesquisa. Assim, um projeto é imprescindível, independente do tipo de pesquisa a ser realizado. 3.1 Revisão de literatura para se estabelecer o estado da arte Um projeto de pesquisa, bem como uma pesquisa como todo, deve ser marcado inicialmente por conhecimentos disciplinares que mostrem suficientemente pelo estado da arte do campo de conhecimento em que se vai pesquisar. Assim, esse estado da arte é constituído por uma boa revisão de literatura, como veremos a seguir. Portanto, é fundamental para uma pesquisa (seja ela de qual tipo for) que se tenha em mãos e em mente o material bibliográfico disponível sobre o tema a ser pesquisado. Assim, toda pesquisa se inicia com uma boa e ampla revisão de literatura, que propicia o saber do que já foi determinado sobre a temática da pesquisa e assim como os processos metodológicos que vimos anteriormente neste guia, permite a emergência de novas ideias. Mas como iniciar a construção de um projeto de pesquisa? Uma resposta interessante está na revisão de literatura. Então, vamos saber um pouco mais sobre tal procedimento? Unidade III 46 Metodologia Científica Agora você já deve estar se perguntando: mas como realizar uma boa revisão de literatura? Assim, Horn (2003) aponta que: A revisão de literatura é constituída, conforme sua denominação, por registros de uma releitura do que ‘as autoridades’ já escreveram sobre o tema, devendo remeter ao maior número possível de ‘autoridades’. Há que se enfatizar, ainda, que a autoridade também se explicita em adequação ao nível de complexidade que se espera de cada curso (p. 67). Isso quer dizer que é necessário escolher por livros e artigos adequados para espaldar a pesquisa a ser realizada, tendo em vista o seu nível de complexidade, ou seja, considerando se a pesquisa é desenvolvida no contexto de graduação, especialização, mestrado ou doutorado. Assim, a escolha de livros ou artigos para uma boa revisão de literatura preliminar tende a autorizar/validar uma pesquisa. Entretanto, vale destacar que, se uma revisão de literatura não for bem realizada, ou seja, considerando livros e artigos de forma descontextualizada ou mesmo com pouca profundidade frente ao campo de saber em que se pretende pesquisar, pode-se fadar uma pesquisa ao fracasso. Diante disso, vale considerar o que Horn (2003) entende como não Independente do tipo de pesquisa a ser realizado (assunto que trataremos no próximo item deste guia de estudos), uma boa revisão de literatura é demandada. Uma revisão que, por meio de um processo de registros obtidos ao decorrer da leitura da bibliografia selecionada sobre o tema a ser pesquisado, se destina a constituir os pilares para a elaboração do projeto de pesquisa, do texto da pesquisa, da pesquisa em si até as considerações finais e mesmo pela indicação de novas pesquisas. Unidade III 47 Metodologia Científica apropriado para revisão de literatura da graduação: enciclopédias, revistas não especializadas ou dirigidas a leigos ou estudantes de cursos profissionalizantes ou propedêuticos; livros didáticos para Ensino Médio; publicações místicas e de autoajuda destinados ao público não acadêmico. Enfatiza-se que não está em pauta o valor do conteúdo dos escritos mencionados, mas sua adequação à constituição de um arcabouço para o patamar da graduação. Então, depois de escolhermos as obras de forma contextualizada, com o tema e a profundidade bem definidos, surge uma importante questão: Uma ação eficaz para organizar os conhecimentos é a elaboração sistemática de fichas, arquivos em computador, anotações em cadernos etc., pois apenas a leitura dos textos escolhidos, sem anotações ou marcações, tende a ser insuficiente para a escrita de um projeto, ou mesmo de um trabalho científico em si. Como podemos organizar os conhecimentos trazidos pelas obras escolhidas para a nossa revisão de literatura? Para a elaboração sistemática de fichas, arquivos em computador ou anotações em caderno, é necessário anotar a referência completa da obra, que deve conter o nome do autor, tradutor (se tiver), o número da edição (quando for o caso), a editora, a cidade e o ano. Se for um fichamento de uma obra localizada em endereço eletrônico, o endereço e a data de acesso devem ser anotados. Unidade III 48 Metodologia Científica Assim, com a leitura e a elaboração sistemática de fichas dos vários textos escolhidos, será possível categorizar tópicos que embasarão a revisão bibliográfica do trabalho e dos demais capítulos da pesquisa. Assim, Horn (2003) mostra que: Segundo a tradição, a revisão de literatura é o ponto de partida obrigatório de um estudo. Nela devem estar referidas as teorias edificadas, os dados compilados, organizados e publicados por autoridades. Estas são assim consideradas por terem percorrido algum caminho investigativo pertinente, obtendo o reconhecimento da comunidade científica à relevância do que constituíram (p. 68). Portanto, a leitura e a elaboração sistemática de fichas na pesquisa é muito importante, pois evidencia concepções de vários autores e propicia aproximações ou mesmo oposições, o que demonstra o diálogo do autor da pesquisa com as várias visões presentes no campo de estudo, explicitando uma sólida sustentação teórica argumentativa. Agora que vimos a importância da revisão bibliográfica, independente do tipo de pesquisa a ser realizado, vamos, no próximo item deste guia de estudos, conhecere refletir sobre os tipos de pesquisa. Se a revisão bibliográfica, ou mesmo o corpo do texto da pesquisa, não for redigido com as referências das obras consultadas e seus autores, que se apresentam como autoridades no campo de estudo em questão, o texto não terá validade acadêmica e poderá ser considerado plágio, pois uma ideia ou trecho de texto que não é referenciado tende a ser visto como de origem do autor do trabalho que o redige. Unidade III 49 Metodologia Científica Experienciar o julgamento e abdução dos tipos de pesquisa para a produção de conhecimentos científicos, tendo em vista diferentes tipos de pesquisa e seus procedimentos. Ciclo 04 Atividade Exercício em Grupo Título: Projeto de Pesquisa Objetivos da Unidade Plano de Estudos IV Unidade IV – Pesquisa quanto aos procedimentos 50 Metodologia Científica 4. Introdução Nesta unidade, convido você a refletir sobre alguns aspectos referentes aos tipos de pesquisa, no sentido de se embasar para que possa construir projetos de pesquisa científica. Nesse sentido, vamos conhecer e pensar sobre os diferentes tipos de pesquisa e seus procedimentos. Vamos refletir sobre a pesquisa bibliográfica, de campo, de laboratório, documental, ex-post-facto, de levantamento, com survey, estudo de caso, pesquisa-ação, participante, etnográfica e etnometodológica. Então, vamos aos estudos! 4.1 Pesquisa bibliográfica Vale destacar que existem pesquisas em que a revisão de literatura pode ser o foco principal, esse tipo de pesquisa é denominado de pesquisa bibliográfica. Nesse sentido, as obras revisadas são teoricamente corroboradas, ampliadas ou mesmo contestadas inteira ou parcialmente. Esse tipo de pesquisa pode ser, segundo (HORN 2003): [...] realizada independentemente ou como parte de qualquer outra pesquisa, a que se desenvolve tentando explicar um problema, utilizando o conhecimento disponível a partir de teorias publicadas em livros e obras congêneres. [...] o investigador irá levantar o conhecimento disponível na área, identificando as teorias produzidas, analisando e avaliando sua contribuição para auxiliar a compreender ou explicar o problema: objeto de investigação. Esta modalidade de pesquisa é muito comum na área de ciências humanas e sociais, dada à natureza do estatuto epistemológico que compõe esta área. Seu objetivo é buscar compreender as principais contribuições teóricas existentes sobre um determinado tema-problema ou recorte, considerando-se a produção já existente (p. 10). Unidade IV 51 Metodologia Científica Esse viés é frequentemente usado no nível da graduação, por priorizar uma visão ampla, o estudo das publicações sobre o tema e uma reflexão sobre elas. Isso não quer dizer que para a graduação não se deva usar a pesquisa empírica, pois esse tipo de pesquisa deve ser utilizado quando se necessita imprescindivelmente de situações práticas que se destinam, frente às obras revisadas: corroborá-las, ampliá-las ou mesmo contestá-las inteira ou parcialmente. 4.2 Pesquisa de campo "A pesquisa de campo é muito usada em Sociologia, Psicologia, Política, Economia e Antropologia. [...] Consiste na observação dos fatos tal como ocorrem espontaneamente, na coleta de dados e no registro de variáveis presumivelmente relevantes para ulteriores análises." (RUIZ, 1982, p. 50). Segundo Horn (2003), a principal finalidade deste tipo de pesquisa é trabalhar com dados coletados em campo (com uso de instrumentos específicos), de acordo com os objetivos do assunto escolhido, como mostra o esquema a seguir: Dados coletados em campo Recolher, registrar, ordenar e comparar Usando instrumentos específicos De acordo com objetivos da pesquisa Unidade IV 52 Metodologia Científica 4.3 Pesquisa de laboratório Segundo Ruiz (1982), a pesquisa de laboratório permite ao pesquisador experimentar ou realizar experimentos no sentido de: exercer positivo controle sobre as condições presumivelmente relevantes, relativas a determinado evento, reproduzir fenômenos dentro de uma plano de modificações sistemáticas das variáveis independentes, relativamente a determinado evento. Com esses experimentos, o pesquisador tem o objetivo de descobrir as condições antecedentes responsáveis pelo evento subsequente, ou efeito, ou variável dependente assumida como objeto de pesquisa. Em consonância com Horn (2003), esta classificação é bastante genérica e tem apenas a finalidade de chamar a atenção para a importância de se buscar definir uma abordagem metodológica para o estudo que se pretende realizar. Neste sentido, deve-se tomar cuidado para não torná-la uma camisa de força que oculta os resultados potenciais, ou que cerceia a criatividade e a interpretação do pesquisador, pois qualquer instrumento que condiciona os resultados da pesquisa limita seu alcance. 4.4 Pesquisa documental A pesquisa documental, segundo Fonseca (2002), trilha os mesmos caminhos da pesquisa bibliográfica, não sendo fácil por vezes distingui-las, assim: A pesquisa bibliográfica utiliza fontes constituídas por material já elaborado, constituído basicamente por livros e artigos científicos localizados em bibliotecas. A pesquisa documental recorre a fontes mais diversificadas e dispersas, sem tratamento analítico, tais como: tabelas estatísticas, jornais, revistas, relatórios, documentos oficiais, cartas, filmes, fotografias, pinturas, tapeçarias, relatórios de empresas, vídeos de programas de televisão, etc. (FONSECA, 2002, p. 32). Unidade IV 53 Metodologia Científica 4.5 Pesquisa ex-post-facto Silveira e Córdova (2009) mostram que a pesquisa ex-post-facto tem por objetivo investigar possíveis relações de causa e efeito entre um determinado fato identificado pelo pesquisador e um fenômeno que ocorre posteriormente. Assim, segundo Fonseca (2002), podemos entender que a principal característica deste tipo de pesquisa é o fato de os dados serem coletados após a ocorrência dos eventos. Nesse sentido: “a pesquisa ex-post-facto é utilizada quando há impossibilidade de aplicação da pesquisa experimental, pelo fato de nem sempre ser possível manipular as variáveis necessárias para o estudo da causa e do seu efeito” (p. 32). 4.6 Pesquisa de levantamento Tipo de pesquisa usada em estudos exploratórios e descritivos, sendo esses últimos os que mais se adéquam aos levantamentos. Assim, os exemplos mais frequentes, que temos maior contato na mídia, são os estudos de opiniões e atitudes (GIL, 2007, p. 52). Fonseca (2002) aponta que pode ser de dois tipos: levantamento de uma amostra ou levantamento de uma população (também designado censo). Assim, ele define: Quando se faz um estudo tentando levantar as causas da evasão de clientes de uma academia de ginástica; no estudo experimental, seria o inverso, tomando-se, primeiramente, um grupo de alunos a quem seria dado um determinado tratamento, e observando, posteriormente, o índice de evasão. Unidade IV 54 Metodologia Científica O Censo populacional constituía única fonte de informação sobre a situação de vida da população nos municípios e localidades. Os censos produzem informações imprescindíveis para a definição de políticas públicas estaduais e municipais e para a tomada de decisões de investimentos, sejam eles provenientes da iniciativa privada ou de qualquer nível de governo. Foram recenseados todos os moradores em domicílios particulares (permanentes e improvisados) e coletivos, na data de referência. Através de pesquisas mensais do comércio, da indústria e da agricultura, é possível recolher informações sobre o seu desempenho. A coleta de dados