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O Raciocínio Epidemiológico

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poderá ser evitada. 
 Em maio de 1847, Semmelwies e os estudantes passaram a usar clorina líquida 
(água clorada) nas mãos antes do exame das parturientes. Sete meses depois, as taxas de 
mortalidade da clínica 1, reduziram a níveis inferiores ao da clínica 2. 
 
PERGUNTA 12: A medida preventiva de lavar as mãos com clorina líquida antes do 
exame das pacientes da maternidade, adotada por Semmelwies e seus alunos, e a 
conseqüente redução da mortalidade, corroboram com a hipótese etiológica do autor? 
 
PERGUNTA 13: As diferenças do risco de morrer entre as mulheres que pariam na 
maternidade e aquelas que pariam na rua ou em casa com parteira e depois seguiam para a 
maternidade também corroboram com a hipótese etiológica do autor? 
 
PERGUNTA 14: Como explicar então a ocorrência de mortes por FP na clínica 2, se as 
mulheres assistidas por parteiras não eram expostas a partículas de cadáver? 
 
Apesar do sucesso prático, o superior de Semmelweis, o diretor do hospital, não 
aceitou suas idéias e se recusou a formar uma comissão para estudar o assunto. Houve 
também resistências entre os estudantes e professores à adoção do método de desinfecção. 
Um estudante ridicularizou o método de Semmelweis, recusando-se a tomar as precauções 
indicadas. Nessa época, a mortalidade aumentou. Semmelweis descobriu o estudante e o 
puniu. A mortalidade diminuiu novamente. 
 
 Após a lavagem das mãos com clorina líquida para remoção de partículas de 
cadáver, entre um exame e outro, a lavagem das mãos apenas com água e sabão era 
suficiente. Entretanto, mesmo com a lavagem das mãos após o exame de uma mulher com 
carcinoma de útero associado a intensa descarga purulenta, sucederam-se 11 óbitos entre 
doze mulheres examinadas posteriormente. Logo, "nem só os mortos transmitiam aos vivos 
as partículas infectantes. Também as podiam propagar os vivos enfermos, portadores de 
processos pútridos ou purulentos, comunicando-os aos indivíduos sãos". Em novembro de 
1847 uma paciente com quadro supurativo em membro inferior desencadeou um novo 
aumento da mortalidade, que Semmelweis atribuiu à saturação aérea pelos humores 
oriundos das secreções. Com isto, para o atendimento de parturientes portadoras de 
processos secretantes ele determinou a mais rigorosa desinfecção das mãos após cada 
exame e removeu-as para salas de isolamento. Com a aplicação dessas novas medidas 
preventivas, em 1848 a mortalidade na clínica 2 (1,33%) foi maior que na clínica 1 
(1,27%). 
 
Nota-se que não houve qualquer menção, aqui, a estudos microscópicos ou 
químicos, nem discussão sobre a natureza do material cadavérico infeccioso. Semmelweis 
não discutiu se a causa da febre puerperal era algum tipo de germe vivo ou outro tipo de 
agente. De fato, Semmelweis nunca estudou esses aspectos. Seu objetivo principal era a 
prevenção da febre puerperal e, tendo atingido esse fim, sua maior preocupação era que o 
método se difundisse e fosse usado em outros hospitais. 
A recepção da descoberta de Semmelweis foi muito lenta. Em parte, pode-se 
entender isso como uma reação contrária à idéia de que os próprios médicos eram 
responsáveis pela morte das pacientes – ninguém queria admitir isso. Por outro lado, a 
divulgação das idéias de Semmelweis foi muito imperfeita. Ele próprio demorou vários 
anos para publicar seu trabalho. Outras pessoas divulgaram o que ele estava fazendo, mas 
às vezes de modo incompleto. Difundiu-se a idéia de que ele explicava a febre puerperal 
apenas através da infecção por matéria proveniente dos cadáveres. No entanto, em vários 
hospitais europeus, as pessoas que atendiam aos partos não praticavam autópsias – e, apesar 
disso, havia muitas mortes por febre puerperal. Isso parecia indicar que Semmelweis estava 
errado. 
Em Viena, a oposição de importantes médicos fez com que Semmelweis fosse 
perseguido. Ele abandonou a Áustria e foi para a sua terra natal, a Hungria. Lá, começou a 
trabalhar no hospital de Budapeste – inicialmente, de graça. Nesse hospital, ele também 
conseguiu reduzir a mortalidade. 
Outras pessoas antes de Semmelweis já haviam sugerido idéias muito parecidas com 
as dele. No entanto, não basta apenas sugerir uma idéia: é necessário examinar as várias 
sugestões existentes, testá-las, ir eliminando as alternativas até isolar uma hipótese que 
explique todos os fatos conhecidos. 
Depois que seu trabalho teve sucesso, Semmelweis procurou difundi-lo, mas de 
forma pouco hábil, conseguindo mais inimigos, por sua agressividade. Anos depois da sua 
morte, generalizaram-se os cuidados de limpeza no tratamento obstétrico. Isso ocorreu 
lentamente, em geral sem se reconhecer o valor do trabalho de Semmelweis, que foi 
criticado em vida e esquecido após sua morte.

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