Teoria Geral dos Contratos

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a decadência. 

Os vícios que invalidam o consentimento são: erro, dolo, coação, estado de 
perigo, lesão e fraude contra credores. 

Erro é a falsa noção ou falsa idéia. Provém do não conhecimento da 
verdadeira natureza do objeto; a vontade se desvia ou não é real. 

Dolo, dolus (latim) astúcia, engano, ardil, esperteza, manha. Assenta-se na má 
fé e na indução ao erro. 



 
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Ações dolosas objetivam o não cumprimento da promessa. O agente quer o 
resultado ilícito, contrário ao direito. O objetivo da conduta é conduzir em erro a parte 
contrária. 

Coação, coactio, cogere (latim) constranger, forçar, impor, obrigar, violentar, 
restringir a liberdade do querer. 

Qualquer emprego de forma física ou simples ameaça de mal físico, material 
ou moral para que alguém faça ou deixe de fazer alguma coisa. 

Para anular o ato é necessário que a coação seja injusta. Viciado o 
consentimento pela coação, nulo é o contrato.   

Estado de perigo é quando alguém, premido da necessidade de salvar-se, ou 
a pessoa de sua família, de grave dano conhecido pela outra parte, assume 
obrigação excessivamente onerosa. 

Lesão ocorre quando uma pessoa, sob premente necessidade, ou por 
inexperiência, se obriga a prestação manifestamente desproporcional ao valor da 
prestação oposta. 

Fraude contra credores, fraudare (latim), falsear ou ocultar a verdade com 
intenção de prejudicar ou enganar. 

É o artifício, a manobra com objetivo de fraudar terceiros. Fraude à lei o 
chamado “jeitinho brasileiro” com o intuito de fugir à incidência da lei e seus efeitos. 

Fraude contra credores é o artifício malicioso empregado para prejudicar 
terceiros despidos de quaisquer garantias reais. 

Para caracterizar a fraude basta que o devedor tenha consciência de que seu 
ato irá prejudicar ou trazer prejuízos a terceiros. 

Os atos viciados por fraude são anuláveis por meio da Ação Pauliana, onde os 
bens transferidos fraudulentamente retornam ao patrimônio do credor. 

 

9. Extinção dos Contratos 
O contrato extingue-se normalmente pela sua execução com o cumprimento. 

Assim como eles nascem, também se extinguem. 
Há várias formas pelas quais os contratos se extinguem. A forma normal de 

extinção do contrato é pelo cumprimento das obrigações por eles geradas. 



 
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O credor atestará o pagamento por meio de quitação regular. A quitação vale 
qualquer que seja a forma do contrato. Se determinado ato foi através de escritura 
pública, vale a quitação por instrumento particular. 

O distrato é feito pelo mútuo acordo e deve ter a mesma forma do contrato 
celebrado. É o acordo entre as partes, a fim de extinguir vínculo contratual 
anteriormente estabelecido. É um novo contrato com a finalidade de dissolver o 
anterior. 

O distrato somente produz efeitos para o futuro, não retroage aos efeitos 
anteriores, isto é, o distrato equivale a uma revenda, uma transferência da 
propriedade. Seu efeito é ex nunc , somente para a frente.  

A denúncia unilateral ocorre nos contratos por tempo indeterminado, pois não 
se admite contratos perpétuos. 

Nos contratos indeterminados as partes não estipulam sua duração. A 
extinção pode se dar a qualquer tempo, por iniciativa de uma das partes. 

Em alguns contratos por tempo indeterminado, a extinção pela vontade de 
uma das partes deve ser precedida de notificação, chamada “aviso prévio”, dada 
com certa antecedência. 

Se, porém, dada a natureza do contrato, uma das partes houver feito 
investimentos consideráveis para a sua execução, a denúncia unilateral só produzirá 
efeito depois de transcorrido prazo compatível com a natureza e o vulto dos 
investimentos. 

No inadimplemento o prejudicado pode pleitear a resolução do contrato em 
juízo. Nos contratos bilaterais está sempre implícita uma cláusula resolutiva em caso 
de inadimplemento.  

A parte lesada pelo inadimplemento pode requerer a rescisão do contrato com 
perdas e danos se não preferir exigir-lhe o cumprimento. 

Ocorre a inexecução involuntária quando o descumprimento do contrato é 
advindo de dificuldade fora do comum, como caso fortuito ou força maior. O 
inadimplente responderá também por perdas e danos. 

A exceção do contrato não cumprido é aquela onde nenhum dos contratantes, 
antes de cumprida a sua obrigação, poderá exigir o implemento do outro.  



 
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Se, depois de concluído o contrato, sobrevier a uma das partes contratantes 
diminuição em seu patrimônio capaz de comprometer ou tornar duvidosa a prestação 
pela qual se obrigou, pode a outra recusar-se à prestação que lhe incumbe, até que 
aquela satisfaça a que lhe compete ou dê garantia bastante de satisfazê-la. 

Resolução por onerosidade excessiva ocorre quando a prestação de uma das 
partes se tornar excessivamente onerosa, com extrema vantagem para a outra, em 
virtude de acontecimentos extraordinários e imprevisíveis, podendo o devedor pedir a 
resolução do contrato. Os efeitos da sentença que a decretar retroagirão à data da 
citação.  

A resolução poderá ser evitada, oferecendo-se o réu a modificar 
eqüitativamente as condições do contrato. 

Se no contrato as obrigações couberem a apenas uma das partes, poderá ela 
pleitear que a sua prestação seja reduzida, ou que seja alterado o modo de executá-
la, a fim de evitar a onerosidade excessiva. 

 

10. Contrato Preliminar 
O contrato preliminar, exceto quanto à forma, deve conter todos os requisitos 

essenciais ao contrato a ser celebrado. 
Concluído o contrato preliminar, e desde que dele não conste cláusula de 

arrependimento, qualquer das partes terá o direito de exigir a celebração do 
definitivo, assinando prazo à outra para que o efetive. 

O contrato preliminar deverá ser levado ao registro competente. 
Esgotado o prazo, poderá o juiz, a pedido do interessado, suprir a vontade da 

parte inadimplente, conferindo caráter definitivo ao contrato preliminar, salvo se a isto 
se opuser a natureza da obrigação. 

Se o estipulante não der execução ao contrato preliminar, poderá a outra parte 
considerá-lo desfeito, e pedir perdas e danos. 

 

11. Arras 
Arras ou sinal são garantia do contrato preliminar, gerando presunção de 

acordo final e tornando obrigatório o contrato. 



 
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Se, por ocasião da conclusão do contrato, uma parte der à outra, a título de 
arras, dinheiro ou outro bem móvel, deverão as arras, em caso de execução, ser 
restituídas ou computadas na prestação devida, se do mesmo gênero da principal. 

Se a parte que deu as arras não executar o contrato, poderá a outra tê-lo por 
desfeito, retendo-as; se a inexecução for de quem recebeu as arras, poderá quem as 
deu haver o contrato por desfeito, e exigir sua devolução mais o equivalente, com 
atualização monetária segundo índices oficiais regularmente estabelecidos, juros e 
honorários de advogado. 

A parte inocente pode pedir indenização suplementar, se provar maior 
prejuízo, valendo as arras como taxa mínima. Pode, também, a parte inocente exigir 
a execução do contrato, com as perdas e danos, valendo as arras como o mínimo da 
indenização. 

Se no contrato for estipulado o direito de arrependimento para qualquer das 
partes, as arras ou sinal terão função unicamente indenizatória. Neste caso, quem as 
deu perdê-las-á em benefício da outra parte; e quem as recebeu devolvê-las-á, mais 
o equivalente. Em ambos os casos não haverá direito a indenização suplementar. 

 

12. Vícios Redibitórios 
A coisa recebida em virtude de contrato comutativo pode ser enjeitada por 

vícios ou defeitos ocultos, que a tornem imprópria ao uso a que é destinada, ou lhe 
diminuam o valor. 

O adquirente pode no lugar de rejeitar a coisa, redibindo o contrato reclamar 
abatimento no preço. 

Se o alienante conhecia o vício ou defeito da coisa, restituirá o que recebeu 
com perdas e danos; se o não conhecia,

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