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SISTEMA DE TRATAMENTO DE ÁGUA
 Aula 1 - Doenças de veiculação hídrica
 Aula 2 - Poluição e contaminação do solo e da água
 Aula 3 - Características das águas para tratamento
 Aula 4 - Sistema de tratamento de água
 Aula 5 - Revisão da unidade
 Referências
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14/01/2025, 14:22 wlldd_241_u3_tra_agu_eflu
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INTRODUÇÃO
Olá, estudante! Atualmente, cerca de uma a cada quatro pessoas no mundo não tem água potável em sua
casa, e duas a cada cinco pessoas não têm acesso aos serviços de saneamento – ou possuem acesso de forma
ine�ciente. Esse quadro apresenta como resultado a morte de centenas de crianças, todos os dias, por
doenças como diarreia e outras mazelas causadas pela falta de saneamento ou pelo consumo de água não
tratada.
Nesta etapa de aprendizagem, você entenderá que investir na implantação e e�ciência dos serviços que
compõem o saneamento básico é uma questão de saúde pública. Tal investimento não apenas previne casos
de várias doenças que podem colocar em risco a saúde das populações, como também poupa o sistema
público de saúde, que, muitas vezes, �ca sobrecarregado com o tratamento dessas patologias.
Vamos lá? Bons estudos!
Aula 1
DOENÇAS DE VEICULAÇÃO HÍDRICA
Olá, estudante! Atualmente, cerca de uma a cada quatro pessoas no mundo não tem água potável em
sua casa, e duas a cada cinco pessoas não têm acesso aos serviços de saneamento – ou possuem acesso
de forma ine�ciente.
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O INÍCIO DAS PREOCUPAÇÕES COM SANEAMENTO E QUALIDADE DA ÁGUA
Você aprenderá, neste bloco de estudos, que a falta de saneamento básico e o consumo de água sem
tratamento podem causar sérios riscos à saúde humana e até mesmo a morte.  A importância da água para as
civilizações provém de um contexto histórico, quando os aglomerados populacionais e cidades buscavam
estabelecer-se em locais onde esse recurso estava disponível em abundância. Hoje, ter acesso à água ainda é
um dos principais fatores limitantes tanto para o desenvolvimento econômico e adequado das cidades quanto
para o bem-estar dos habitantes dessas regiões, em função da essencialidade desse recurso para a
manutenção da vida e o andamento dos processos produtivos.
Até o �nal do século XIX, a água era considerada própria para o consumo somente tomando como base a sua
aparência, ou seja, de forma empírica (Martins, 2014). Contudo, em 1854, especi�camente no bairro de Soho,
em Londres, um grande surto de cólera, que provocou a morte de mais de 120 pessoas em três dias,
desmisti�cou essa concepção. O médico John Snow, considerado o pai de epidemiologia, se propôs a
demarcar os locais das mortes no bairro. Como resultado, ele veri�cou a proximidade de todas essas áreas
com uma mesma bomba pública d’água. Por meio dessa constatação, Snow correlacionou o consumo da água
da bomba (com possível contaminação fecal) à cólera. Após a retirada da bomba de serviço, a epidemia se
encerrou. Assim, Snow formulou e comprovou sua teoria de propagação da cólera a partir do consumo de
água contaminada (Wilson, 2012). Depois de John Snow, Louis Pasteur, em 1863, descobriu a existência de
microrganismos que poderiam transmitir doenças. Por �m, Robert Koch, em 1883, desenvolveu um método
de identi�cação desses microrganismos – como o bacilo Vibrio cholerae, bactéria da cólera (Martins, 2014).
As descobertas desses três cientistas – John Snow, Louis Pasteur e Robert Koch – constituíram a base cientí�ca
determinante para a correlação entre o consumo de água imprópria e os danos à saúde pública. A partir
dessa tese e da eclosão de diversos surtos de cólera e febre tifoide na Europa no início do século XX, tais
ocorrências passaram a ser contidas por meio da aplicação de técnicas de desinfecção da água dos sistemas
de abastecimento público (Vieira et al., 2005).
Atualmente, sabe-se que uma água com qualidade inapropriada pode afetar a saúde humana por meio da
ingestão direta, do preparo de alimentos, da agricultura, da higiene pessoal, da higiene do ambiente, em
atividades de lazer ou em processos industriais. Podem-se dividir os riscos à saúde relacionados à água nos
seguintes grupos:
Relacionados à ingestão de água contaminada por agentes biológicos.
Relacionados a poluentes químicos e radioativos, geralmente originados de e�uentes industriais ou de
acidentes ambientais (Brasil, 2004).
Porém, ainda hoje, de acordo com dados da Organização das Nações Unidas (ONU), mais de 3,6 bilhões de
pessoas (quase 50% da população global) ainda vivem sem saneamento básico. Esse índice alarmante indica
que cerca de 2 bilhões de pessoas consomem água contaminada, acarretando a morte aproximada de 700
crianças com menos de cinco anos de idade todos os dias, ao redor do mundo, por doenças como diarreia e
outras infecções (ONU News, 2021).
Considerando esse contexto, nos próximos blocos de estudos você aprenderá que investimentos em
saneamento básico e�ciente e de qualidade podem representar não apenas um grande ganho na saúde
pública a partir da prevenção de inúmeras doenças, mas também avanços sociais, ambientais e econômicos.
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ÁGUAS IMPRÓPRIAS E TRANSMISSÃO DE DOENÇAS 
Você já descobriu que somente a partir da metade do século XIX questões relacionadas à qualidade da água
consumida passam a ser correlacionadas a ocorrências de doenças. Nesse sentido, estudos identi�caram que
os principais agentes biológicos encontrados em águas contaminadas são bactérias patogênicas, vírus e
parasitas. De maneira geral, a maior parte das morbidades de origem hídrica é transmitida por patógenos
decorrentes de contaminação fecal.
Sobre esse assunto, é importante saber que morbidade se refere ao conjunto de causas capazes de produzir
uma doença, isto é, de características comuns a uma dada população/grupo de indivíduos, as quais
desencadeiam doenças. Já a mortalidade corresponde ao conjunto dos indivíduos que vieram a óbito em um
determinado intervalo de tempo, ou seja, à probabilidade de um componente dessa população vir a morrer
por causa de uma certa doença (Pereira, 2007).
Detectadas na maioria dos casos, as bactérias patogênicas – presentes nas águas ou alimentos contaminados
– representam uma das principais fontes de morbidade para doenças como enterites, diarreias infantis e
doenças epidêmicas, como a cólera e a febre tifoide. Também estão entre as principais responsáveis por
mortalidades (Brasil, 2004). As bactérias mais comuns em águas contaminadas são: Campylobacter jejuni,
Salmonella, Shigella, Vibrio cholerae e Yersinia enterocolitica.
Já os vírus são microrganismos patogênicos. Alguns se desenvolvem especi�camente no intestino de animais
(vírus entéricos). Os mais encontrados nos sistemas de abastecimento são: Adenovírus, Enterovírus, Hepatite
A, Norwalk, Reovírus, Coxsackie e Rotavírus (Di Bernardo; Sabogal Paz, 2010, Libânio, 2010).
Por �m, a Giardia e o Cryptosporidium são os principais protozoários transmissores de doenças por
veiculação hídrica. Apresentam-se como cistos e oocistos, respectivamente. Podem sobreviver em águas
limpas e permanecer resistentesO conteúdo trabalhado durante as aulas também destacou que os mananciais de abastecimento podem ser
super�ciais (formados pelo escoamento da água na superfície ou pelo acúmulo e armazenamento das chuvas
nas depressões do terreno, resultando em rios, córregos, lagos, represas) e subterrâneos (aquíferos abaixo da
superfície, freáticos ou artesianos, cujas captações são realizadas por poços ou galerias de in�ltração). Você
aprendeu, ainda, que a escolha de um manancial abastecedor é uma decisão importante, pois trata-se do
resultado de múltiplas avaliações sobre quantidade (oferta versus demanda), qualidade (parâmetros
biológicos, físicos e químicos) e viabilidade técnica e econômica (Souza, 2007, Brasil, 2004).
Por �m, foi possível entender que há três tipos de tratamentos concedidos às águas para abastecimento:
tratamento simpli�cado (ou simples desinfecção), com adição de cloro; tratamento convencional (ciclo
completo), composto por clari�cação e desinfecção em ETA; e tratamento avançado (quando o tratamento
convencional é insu�ciente para eliminar poluentes), composto por técnicas avançadas, como pré-oxidação,
adsorção por carvão ativado, troca iônica, �ltração por membranas, entre outros métodos. Porém o
tratamento mais adequado deve ser determinado em laboratório com condições controladas, por meio de
testes de tratabilidade, também chamados de jar tests (Brasil, 2006, Brasil, 2020, Richter, 2009, ABNT, 1992).
Por �m, você aprendeu que, após tratada, a água para consumo deve obedecer ao padrão de potabilidade
estabelecido pela Portaria GM/MS nº 888/2021, constituído de parâmetros bacteriológicos, de turbidez, de
substâncias químicas orgânicas e inorgânicas, de agrotóxicos e metabólitos, de subprodutos da desinfecção,
de cianotoxinas, padrão organoléptico e para pH (Brasil, 2021).
REVISÃO DA UNIDADE
Parabéns, estudante! Você �nalizou a aula de revisão desta unidade de aprendizagem, intitulada “Sistema de
tratamento de água”. Percebeu como o consumo de uma água fora dos padrões de qualidade pode acarretar
vários riscos à saúde da população? Portanto, devem-se escolher criteriosamente os mananciais para
abastecimento e submeter qualquer água para consumo ao tratamento mais apropriado, a �m de torná-la
potável segundo a atual legislação. Agora você está convidado a assistir ao vídeo-resumo a seguir para
relembrar os principais pontos trabalhados nesta unidade de aprendizagem. Vamos lá? Bons estudos!
ESTUDO DE CASO
Para contextualizar sua aprendizagem, imagine a seguinte situação: você é um técnico responsável pela
Estação de Tratamento de Água (ETA) que compõe um Sistema Público de Abastecimento (SAA). A ETA realiza
o tratamento convencional da água para o abastecimento de uma cidade por meio das seguintes etapas:
Pré-tratamento: gradeamento e desarenação.
Tratamento: coagulação, �oculação, decantação, �ltração e desinfecção.
Após vários dias sucessivos com chuvas intensas, que alcançaram índices pluviométricos históricos, o rio
utilizado como manancial super�cial de abastecimento teve a qualidade das suas águas muito comprometida.
Houve um aumento visível na turbidez por causa dos deslizamentos de encostas e das margens do rio, o que
ampliou a quantidade de resíduos e terra nas águas. A turbidez também foi intensi�cada pelo movimento dos
sedimentos que estavam no fundo do corpo hídrico, provocado pela alta vazão atingida pelas águas no
sentido do exutório.
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Além da elevação da turbidez, outra preocupação para o abastecimento promovida pelo período de chuvas
intensas está relacionada ao fato de que algumas comunidades localizadas no percurso do rio são carentes de
saneamento básico. Seus moradores utilizam para o esgotamento sanitário soluções individuais alternativas
rudimentares, como sumidouros, ou até lançam seus e�uentes in natura no próprio corpo hídrico. Nesse
sentido, há a preocupação de que a água bruta a ser captada tenha sofrido um aprofundamento da
contaminação sanitária, tanto pelo lançamento de dejetos in natura (que outrora, por sua carga ser
relativamente baixa em relação à capacidade do rio, era neutralizado pelo processo natural de
autodepuração, mas que agora está comprometido pelas condições climáticas) quanto pelo aumento do
lençol freático e a provável lixiviação dos e�uentes sanitários dos sumidouros para as águas do rio.
A partir de uma primeira avaliação dos integrantes do corpo técnico da ETA, concluiu-se que o rio sofreu uma
deterioração da qualidade das suas águas de forma temporária. Os pro�ssionais também chegaram ao
consenso de que, mantidas as condições de tratamento-padrão empregadas, o consumo da água pela
população pode exercer impactos sobre a saúde. Contudo, foi descartada a interrupção do abastecimento por
considerarem que a situação pode ser contornada pela própria ETA. Durante uma reunião realizada, você
comunicou aos demais técnicos que a ETA possui unidades de tratamento fora de operação no tratamento
convencional padrão empregado, mas que podem ser utilizados, como aeradores e �otadores.
Considerando que você é um técnico experiente no tratamento de água para o abastecimento público, quais
ações você tomaria para garantir a e�ciência do tratamento da água para consumo e não gerar riscos à saúde
da população abastecida? 
 Re�ita
Você aprendeu que a escolha do tratamento adequado às águas utilizadas para o abastecimento
humano está diretamente relacionada ao nível de qualidade que os mananciais apresentam in natura.
Também descobriu que a maior parte dos SAA no país aplicam o tratamento convencional nas águas,
tanto pela maior utilização das águas super�ciais (como mananciais de abastecimento) quanto pelas
variações sazonais que interferem diretamente na qualidade dessas águas.
Contudo, há casos em que o tratamento convencional não é su�ciente para garantir o padrão de
potabilidade às águas, sendo necessária a utilização de tecnologias avançadas de tratamento. Entretanto,
ressalta-se que o uso de técnicas avançadas acarreta maiores custos à potabilização, o que por vezes
torna essas opções inviáveis do ponto de vista técnico e econômico.
Dessa maneira, para o abastecimento público em larga escala, no qual a produção de água potável não
pode representar um grande custo �nanceiro ao consumidor, devem-se desenvolver testes de
tratabilidade e simulações operacionais para determinar o tipo de tratamento empregado mais e�ciente
do ponto de vista sanitário e com os menores custos �nanceiros ao SAA e à população (isto é, com maior
viabilidade econômica). Portanto, para o abastecimento público em larga escala, muitos dos tratamentos
avançados são inviáveis. Assim, geralmente as ETAs dos SAA convencionais no país apenas ajustam sua
operação-padrão conforme a necessidade. 
RESOLUÇÃO DO ESTUDO DE CASO
Diante da piora da qualidade da água bruta captada, o tratamento convencional padrão empregado pela ETA
tornou-se insu�ciente. Porém, como destacado, algumas tecnologias avançadas para o tratamento de água
devem ser a última opção a ser escolhida em virtude da inviabilidade técnica e/ou econômica em grande
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escala. Por exemplo, a �ltração por membranas nessas condições provocaria a rápida contaminação das
membranas, além do fato de que essa técnica produz, em um mesmo período de tempo, um volume de água
tratada bem inferior em comparação ao tratamento convencional, sem considerar seu alto custo.
Portanto, a solução para esse caso, tanto técnica quanto economicamente, é o ajuste do tratamento
convencional às atuais condições de qualidade da água. Nesse sentido, primeiro deve-se efetuar uma análise
da água bruta para veri�car os parâmetros biológicos, químicos e físicosatuais. Em seguida, será preciso
realizar o teste de tratabilidade (jar test), a �m de determinar as doses apropriadas de coagulantes e
�oculantes para as novas condições de qualidade veri�cadas. Portanto, nessas condições, somente o ajuste
das doses de coagulantes e �oculantes às novas concentrações de turbidez e matéria orgânica seria su�ciente
para reduzir a turbidez e a quantidade de matéria orgânica.
Contudo, levando em consideração suas observações técnicas, de forma complementar, mas não obrigatória,
há a possibilidade de integrar a unidade de aeração ao pré-tratamento. A aeração auxiliaria na ativação do
processo de oxidação da matéria orgânica e na remoção de gases dissolvidos que podem produzir odor e
sabor. Assim, antes do tratamento, a água já sofreria uma melhora nas condições de qualidade, otimizando o
processo de clari�cação subsequente. No caso de a ETA possuir aeradores em escada, por exemplo, essa
opção não representaria um aumento nos custos do tratamento, já que tal tipo de aeração é realizada apenas
hidraulicamente, a partir do tombamento da água por sucessivos degraus. O emprego de aeradores
mecânicos ou por cascata também seria uma boa alternativa.
Outra opção complementar e não obrigatória seria colocar os �otadores em operação. Essa unidade
produziria uma nova aeração após a etapa de decantação, ascendendo os �ocos de impurezas remanescentes
da etapa anterior até a superfície da água, a �m de removê-los. Desse modo, o e�uente resultante (anterior à
�ltração) já contaria com uma concentração de partículas suspensas, coloidais e matérias orgânicas bem
reduzida, ampliando a e�ciência da �ltragem.
Entretanto, caro estudante, é importante enfatizar que o ajuste dos agentes químicos coagulantes e
�oculantes após o jar test da água bruta já seria su�ciente para assegurar a e�ciência do tratamento e
potabilização; as demais alternativas são opcionais. Contudo, se empregadas, não são excludentes entre si.
Ou seja, as duas abordagens podem ser postas em operação de forma individual ou simultânea,
complementarmente ao ajuste dos produtos químicos, redundando na e�ciência da clari�cação. Por �m, a
etapa de desinfecção completará o tratamento, e o cloro residual garantirá a qualidade alcançada.
RESUMO VISUAL
Figura | Mapa mental da unidade de aprendizagem – “Sistema de tratamento de água”
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Fonte: elaborada pela autora.
Aula 1
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REFERÊNCIAS
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VIEIRA, J. M. P. et al. Planos de segurança em sistemas públicos de abastecimento de água para consumo
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Aula 2
ÁGUAS subterrâneas: o que é e qual a importância? Gov.br, 29 set. 2020. Disponível em:
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BITTENCOURT, C.; PAULA, M. A. S. de. Tratamento de água e e�uentes: fundamentos de saneamento
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BRASIL. Lei nº 9.433, de 8 de janeiro de 1997. Institui a Política Nacional de Recursos Hídricos, cria o Sistema
Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos, regulamenta o inciso XIX do art. 21 da Constituição Federal,
e altera o art. 1º da Lei nº 8.001, de 13 de março de 1990, que modi�cou a Lei nº 7.990, de 28 de dezembro de
1989. Diário O�cial da União, Brasília, DF: 9 jan. 1997. Disponível em:
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9433.htm. Acesso em: 16 jan. 2024.  
BRASIL. Ministério da Saúde. Vigilância e controle da qualidade da água para consumo humano. Brasília,
DF: Ministério da Saúde, 2006. Disponível em:
https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/vigilancia_controle_qualidade_agua.pdf. Acesso em: 16 jan. 2024. 
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https://cm-kls-content.s3.amazonaws.com/202402/WHITE_LABEL/TRATAMENTO_DE_AGUA_E_EFLUENTES/LIVRO/U3/index.html30/35
https://bibliotecadigital.ipb.pt/bitstream/10198/9311/1/Martins_Tiago.pdf
https://www.ibge.gov.br/estatisticas/multidominio/meio-ambiente/9073-pesquisa-nacional-de-saneamento-basico.html
https://www.ibge.gov.br/estatisticas/multidominio/meio-ambiente/9073-pesquisa-nacional-de-saneamento-basico.html
https://blog.rtwilson.com/john-snows-famous-cholera-analysis-data-in-modern-gis-formats/
https://repositorium.sdum.uminho.pt/bitstream/1822/4609/1/guia_7.pdf
https://www.gov.br/fundaj/pt-br/destaques/observa-fundaj-itens/observa-fundaj/revitalizacao-de-bacias/aguas-subterraneas-o-que-e-e-qual-a-importancia
https://www.gov.br/fundaj/pt-br/destaques/observa-fundaj-itens/observa-fundaj/revitalizacao-de-bacias/aguas-subterraneas-o-que-e-e-qual-a-importancia
https://www.icmbio.gov.br/cepsul/images/stories/legislacao/Resolucao/2005/res_conama_357_2005_classificacao_corpos_agua_rtfcda_altrd_res_393_2007_397_2008_410_2009_430_2011.pdf.
https://www.icmbio.gov.br/cepsul/images/stories/legislacao/Resolucao/2005/res_conama_357_2005_classificacao_corpos_agua_rtfcda_altrd_res_393_2007_397_2008_410_2009_430_2011.pdf.
https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/manual_saneamento_3ed_rev_p1.pdf
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9433.htm
https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/vigilancia_controle_qualidade_agua.pdf
BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria GM/MS nº 888, de 4 de maio de 2021. Altera o Anexo XX da Portaria de
Consolidação GM/MS nº 5, de 28 de setembro de 2017, para dispor sobre os procedimentos de controle e de
vigilância da qualidade da água para consumo humano e seu padrão de potabilidade. Diário O�cial da
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Imagem de capa: Storyset e ShutterStock.
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SILVEIRA, S. S. B.; SANT’ANNA, F. S. P. Poluição hídrica. In: MARGULIS, S. (Ed.). Meio ambiente: aspectos
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https://storyset.com/
https://www.shutterstock.com/pt/
https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/vigilancia_controle_qualidade_agua.pdf
https://bibliotecadigital.ipb.pt/bitstream/10198/9311/1/Martins_Tiago.pdfà desinfecção diante do uso de compostos de cloro (Di Bernardo; Sabogal
Paz, 2010, Libânio, 2010).
Por causa das consequências danosas à saúde pública que um saneamento precário (ou a falta dele) pode
provocar, a Organização das Nações Unidas (ONU) adverte que a cada US$ 1 investido em infraestrutura de
saneamento básico, gera-se uma economia de US$ 5 em custos de saúde. Além disso, tal medida proporciona
melhorias na educação e geração de empregos (ONU News, 2021). Dentre diversas possibilidades,
investimentos na infraestrutura de saneamento geralmente consistem em (Brasil, 2004):
Implantar sistemas de abastecimento e tratamento da água, com oferta em quantidade e qualidade
adequadas para o consumo, uso doméstico e coletivo.
Aplicar medidas de proteção da contaminação dos mananciais e fontes de água.
Implantar sistemas adequados de esgotamento sanitário.
Instalar sistemas de abastecimento de água apropriados, preferencialmente com encanamento no
interior do domicílio.
Investir em melhorias sanitárias domiciliares e coletivas.
Instalar reservatórios de água domiciliares adequados (como caixas d’água tampadas), com limpeza
sistemática.
Eliminar criadouros de insetos e outros vetores de doenças com inspeção sistemática e implantação de
medidas de controle (drenagem de águas pluviais, limpeza de ruas, entre outras ações).
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Coletar e dar a destinação �nal adequada aos resíduos sólidos (em aterros sanitários, e não em lixões).
Porém, não é incomum, mesmo em nosso país, encontrar sistemas rudimentares de abastecimento de água,
como poços, cisternas ou nascentes sem nenhum tipo de controle da qualidade hídrica (Gouveia; Johnsson;
Britto, 2021). Sendo assim, no próximo bloco você aprenderá que a implantação de sistemas públicos de
abastecimento de água potável, principalmente em áreas adensadas demogra�camente, sempre será a
solução mais apropriada e indicada do ponto de vista sanitário, além de oportunizar ganhos econômicos,
sociais e ambientais em médio e longo prazo (Guedes; Carvalho, 1997).
SANEAMENTO BÁSICO COMO SAÚDE PÚBLICA, DESENVOLVIMENTO SOCIOECONÔMICO E
AMBIENTAL
Você veri�cou, nos blocos de estudo anteriores, como a falta de saneamento básico e o consumo de água
contaminada podem causar diversas doenças que levam à morte. Agora, aprenderemos que o avanço das
pesquisas sobre a atuação dos microrganismos e da contaminação hídrica na saúde pública demonstrou a
necessidade de normatizar parâmetros que contemplassem limites (como para microrganismos e elementos
químicos) nas águas destinadas ao consumo humano (Martins, 2014).
Assim, em 1958, a Organização Mundial de Saúde (OMS) publicou o primeiro documento destinado a
normatizar padrões para a água consumida. O material, intitulado International standards for drinking-water,
trazia uma metodologia para a veri�cação de valores numéricos preestabelecidos, os quais determinariam o
nível de qualidade da água para o consumo humano.
O International standards serviu como base para diversos documentos normativos de controle da qualidade
em vários países (WHO, 1958, Martins, 2014).
Hoje, inúmeras experiências pelo mundo têm comprovado que a implantação dos serviços de saneamento
básico, bem como o controle da qualidade da água consumida, previne a ocorrência de diversas doenças por
veiculação hídrica que ainda desencadeiam centenas de mortes diárias. As doenças mais comuns para as
quais são criadas medidas de prevenção são (Brasil, 2004):
Cólera: transmitida pela bactéria Vibrio cholerae.
Febre tifoide: transmitida pela bactéria Salmonella typhi.
Leptospirose: transmitida pela bactéria Leptospira interrogans.
Disenteria bacilar: transmitida pela bactéria Shigella.
Giardíase: transmitida pelo protozoário Giardia lamblia.
Amebíase: transmitida pelo protozoário Entamoeba histolytica.
Hepatite infecciosa: transmitida pelo vírus Hepatite vírus A.
Diarreia aguda: transmitida pelas bactérias Balantidium coli, Cryptosporidium, Bacillus cereus, aureus,
Campylobacter, E. coli (enterotoxigênica e enteropatogênica), Shigella, Yersinia enterocolitica e pelos vírus
Astrovírus, Calicivírus, Norwalk, Rotavírus A e B.
Como resultado, investimentos em sistemas e�cientes de saneamento e abastecimento público de água
potável proporcionam (Guedes; Carvalho, 1997):
Prevenção e controle de doenças.
Boas condições sanitárias domiciliares.
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Segurança sanitária coletiva.
Desenvolvimento seguro de práticas recreativas e de esportes.
Desenvolvimento turístico, industrial e comercial.
Salienta-se, ainda, que a diminuição do número de casos de pessoas doentes promove:
Aumento da expectativa de vida média por pessoa.
Redução de índices de mortalidade (principalmente infantil).
Aumento da produtividade econômica e do desenvolvimento social e coletivo. Pessoas saudáveis e sem
preocupações quanto à sua provisão alternativa individual de água e saneamento possuem mais
disposição para trabalhar e para o desenvolvimento de atividades e capacidades individuais.
Redução de custos �nanceiros com o serviço público de saúde, permitindo maiores investimentos em
outros setores da sociedade.
Por �m, em relação à água, sistemas de abastecimento por rede geral são os mais indicados pela e�ciência no
controle da quantidade e qualidade hídrica, considerando desde o manancial de captação até a distribuição
domiciliar (Guedes; Carvalho, 1997). Esse controle é realizado por diversos pontos de monitoramento de
vazões (do manancial às aduções) e análises de qualidade (monitoramento da presença de compostos
químicos nocivos, microrganismos patogênicos, entre outros elementos). A Escherichia coli (E. coli), espécie do
grupo dos coliformes termotolerantes (de origem fecal, raramente desenvolvida em ambientes naturais não
poluídos) é o microrganismo mais utilizado como indicador de contaminação (Di Bernardo; Sabogal Paz, 2010;
Libânio, 2010). Nesse sentido, sistemas de abastecimento efetuam o monitoramento sistemático de
coliformes totais, dentre outras análises, com o objetivo de veri�car a e�ciência do tratamento e desinfecção
das águas a serem distribuídas. Tais medidas, portanto, garantem não apenas a segurança hídrica e
ambiental, mas também o desenvolvimento social e econômico das populações.
VIDEO RESUMO
Parabéns, estudante! Você �nalizou a aula “Doenças de veiculação hídrica”. Percebeu como investir em um
saneamento básico e�ciente previne a ocorrência de diversas doenças por veiculação hídrica, proporcionando
vários benefícios para toda a sociedade? Agora você está convidado a assistir ao vídeo-resumo desta etapa de
aprendizagem. Assim será possível relembrar os principais pontos estudados nesta aula e conhecer um pouco
mais sobre o tema. Vamos lá? Até a próxima aula! Bons estudos!
 Saiba mais
Você sabia que a primeira pesquisa a efetuar um levantamento sobre as condições do saneamento
básico no Brasil foi realizada somente no ano de 1974?
Esse levantamento foi articulado por meio de um convênio entre o Ministério da Saúde e o Instituto
Brasileiro de Geogra�a e Estatística (IBGE). Enquanto o IBGE teve a responsabilidade de operacionalizar e
coletar os dados, ao Ministério da Saúde coube realizar a análise.
A Pesquisa Nacional de Saneamento Básico tem o objetivo de investigar as condições do saneamento em
todos os municípios brasileiros. Trata-se de um estudo que propõe uma avaliação sobre a oferta e a
qualidade dos serviços prestados, fornecendo uma análise das condições ambientais e seus re�exos na
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saúde e qualidade de vida da populaçãobrasileira.
Dentre outros pontos, as principais questões analisadas são:
Captação e adução de água.
Caracterização das Estações de Tratamento de Água (ETA).
Número de ligações de água e número de economias abastecidas.
Sistemas de coleta de esgotos sanitários.
Tratamento dos esgotos.
Número de ligações de esgotos sanitários e número de economias atendidas.
Sistema de coleta, varrição e capina.
Quantidade e disposição �nal de lixos coletados.
Coletas seletivas municipais.
Sistemas de drenagem de águas pluviais urbanas.
Ficou interessado nessas informações? Então acesse os resultados e análises da pesquisa do ano de
2017:
PESQUISA Nacional de Saneamento Básico. IBGE, 24 jun. 2021.
INTRODUÇÃO
Olá, estudante! Nesta aula você entenderá que a poluição e a contaminação do solo e das fontes das águas
podem inviabilizar o aproveitamento dos recursos hídricos em seus múltiplos usos. Nesse contexto, padrões
que caracterizam a água como própria para o consumo precisaram ser estabelecidos a �m de garantir a saúde
e o bem-estar dos indivíduos.
Considerando esse panorama, você aprenderá a diferenciar os conceitos de poluição e contaminação, bem
como conhecerá as principais causas desses eventos. Em seguida, será apresentado o arcabouço legal que
de�ne as condições mínimas de exigência para os diversos usos das águas por meio de uma hierarquia de
níveis de qualidade. Por �m, será possível veri�car o padrão de potabilidade requerido para a água, com
limites máximos a serem atendidos, na intenção de que seja considerada própria para o consumo humano.
Vamos lá? Bons estudos!
Aula 2
POLUIÇÃO E CONTAMINAÇÃO DO SOLO E DA ÁGUA
Olá, estudante! Nesta aula você entenderá que a poluição e a contaminação do solo e das fontes das
águas podem inviabilizar o aproveitamento dos recursos hídricos em seus múltiplos usos.
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AS ATIVIDADES HUMANAS E A POLUIÇÃO DOS SOLOS E DAS ÁGUAS
Neste bloco de estudos, você entenderá que a água suspensa nas nuvens em forma de vapor ou gotículas é
praticamente pura, contudo, ao se precipitar como chuva, absorve substâncias e impurezas suspensas no ar.
Além disso, quando toca o solo, a água incorpora sais minerais, poluentes e demais elementos presentes.
Ainda no solo, parte da água se in�ltra, abastecendo os lençóis freáticos, e outra parte �ca sobre a superfície,
abastecendo rios, lagos e oceanos.
Por causa de sua alta capacidade de solvência e de transporte de partículas, é possível encontrar nas fontes
de águas (super�ciais ou subterrâneas) diversas impurezas que interferem diretamente na qualidade desse
recurso captado para as atividades humanas. A captação em mananciais super�ciais advém
predominantemente de rios, que, se comparados às fontes subterrâneas, estão mais sujeitos à degradação na
qualidade da água, além dos processos de eutro�zação (Guedes; Carvalho, 1997, Medeiros Filho, [s. d.]).
É importante salientar que, de modo geral, o que torna as águas impróprias para os diversos usos resulta da
intensi�cação das atividades humanas. O crescimento demográ�co acelerado e sem planejamento, o
aumento da industrialização e urbanização das cidades (descarregando e�uentes sanitários e industriais sem
tratamento), a disposição e destinação inadequada de resíduos sólidos nos solos, a grande utilização de
fertilizantes e pesticidas na agricultura, entre outras práticas, têm gerado graves consequências ao ambiente
humano e aos usos múltiplos das águas super�ciais (Brasil, 2004).
São considerados usos múltiplos as utilizações em irrigação, abastecimento público, geração de energia,
atividades industriais, aquicultura, extração mineral, navegação, turismo e lazer. Tais usos podem
ser consuntivos (quando retiram e consomem água, como no abastecimento público) ou não
consuntivos (quando não consomem diretamente, mas dependem da manutenção das condições naturais ou
adequadas para operação, como na aquicultura e no lazer). Os usos múltiplos são interdependentes, de forma
que a má gestão e gerenciamento de um uso pode impactar ou impedir os demais (Gov.br, 2023).
Em nosso país, com vistas a garantir os usos das águas, a Lei Federal nº 9.433/1997, que instituiu a Política
Nacional de Recursos Hídricos, também estabeleceu, em seu art. 5º, o “Enquadramento dos corpos de água
em classes, segundo os usos preponderantes da água”.  O enquadramento é de�nido pelo art. 2º da
Resolução nº 91 do Conselho Nacional de Recursos Hídricos como “[...] o estabelecimento de objetivos de
qualidade a serem alcançados através de metas progressivas intermediárias e �nal de qualidade de água”
(Brasil, 2008). Dessa maneira, o processo de enquadramento estabelece uma meta de qualidade a ser
mantida ou alcançada em um corpo hídrico conforme os usos pretendidos. Seus objetivos são:
Assegurar qualidade às águas compatível aos usos mais exigentes a que forem destinadas.
Reduzir os custos de combate à poluição das águas mediante ações preventivas permanentes (Brasil,
1997).
Em conjunto ao enquadramento das águas, o Ministério da Saúde publicou a Portaria nº 888, em 2021, que
dispõe “sobre os parâmetros necessários para que uma água seja considerada potável ao consumo humano e
os procedimentos necessários para o controle e vigilância da sua qualidade” (Brasil, 2021, [s. p.]). Em seu
escopo, a Portaria discrimina uma série de parâmetros e características necessários para que a água esteja
apta ao consumo. Ressalta-se que a legislação abrange tanto os Sistemas de Abastecimento de Água (SAA)
quanto as Soluções Alternativas Coletivas de Abastecimento de Água (SAC).
Nos próximos blocos de estudo, você poderá aprofundar sua análise sobre o escopo e a importância do
enquadramento dos corpos hídricos e da Portaria GM/MS nº 888/2021 para o tratamento das águas.
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POLUIÇÃO, CONTAMINAÇÃO E GARANTIA DA QUALIDADE HÍDRICA AOS DIVERSOS USOS
Você já aprendeu que as atividades humanas desenvolveram diversas fontes de poluição e contaminação das
águas, tornando-as muitas vezes inadequadas aos usos múltiplos. Nesse contexto, é interessante destacar
que os principais poluentes hídricos encontrados são: matéria orgânica, compostos químicos e detergentes
sintéticos, pesticidas, combustíveis, metais, fertilizantes, microrganismos patogênicos (bactérias, vírus,
protozoários), sólidos em suspensão, calor e radioatividades (Gomundanhe, 2015).
Para dar continuidade aos seus estudos, é necessário diferenciar os conceitos de poluição e contaminação.
Enquanto a poluição se refere a qualquer modi�cação na qualidade química ou biológica da água que afete
diretamente o homem ou prejudique sua utilização, a contaminação consiste na introdução de elementos
nocivos à saúde humana e a espécies aquáticas, como microrganismos patogênicos, elementos químicos
nocivos e metais pesados (Silveira; Sant’anna, 1991, Brasil, 2004). Logo, nem toda água poluída está
contaminada. A inserção de águas com temperaturas elevadas no mar, por exemplo, não representa uma
contaminação, mas sim uma poluição térmica que pode provocar a morte de peixes, mesmo sem a existência
de um elemento nocivo. Portanto, uma água poluída possui características que alteram suas propriedades,
tornando-a imprópria ou inadequada. Já uma água contaminada contém necessariamente germes
patogênicos e/ou substâncias nocivas à saúde (Guedes; Carvalho, 1997).
De acordo com o Manual de saneamento, da Fundação Nacional de Saúde (Brasil, 2004), além da
contaminação, os principais processos poluidores das águas super�ciais são:
Assoreamento: acúmulo de substâncias minerais (areia, argila) ou orgânicas (lodo) em um corpo d’água,
provocando a redução da profundidade e do volume útil.
Eutro�zação: fertilização excessiva daágua pelo recebimento de nutrientes (nitrogênio, fósforo),
causando o crescimento descontrolado de algas e plantas aquáticas.
Acidi�cação: diminuição de pH decorrente da chuva ácida (chuva com elevada concentração de íons H+
oriundos de dióxido de enxofre, óxidos de nitrogênio, amônia e dióxido de carbono suspensos na
atmosfera).
Nesse sentido, com os objetivos de assegurar aos corpos hídricos uma qualidade compatível aos usos mais
exigentes a que forem destinados e de reduzir os custos de combate à poluição, o enquadramento dos corpos
d’água em classes, estabelecido pela Lei de Recursos Hídricos, foi implementado pela Resolução Conama nº
357/2005. A Resolução classi�cou as águas como:
Águas doces: águas com salinidade igual ou inferior a 0,5%.
Águas salobras: águas com salinidade entre 0,5% e 30%.
Águas salinas: águas com salinidade igual ou superior a 30%.
Além disso, com base em suas características, as águas destinadas aos usos múltiplos foram elencadas em 13
classes de qualidade:
As águas doces foram divididas em cinco classes de qualidade, hierarquizadas desde a Classe Especial,
com um nível de qualidade mais exigente (destinada ao abastecimento humano após desinfecção,
preservação do equilíbrio das comunidades aquáticas e preservação dos ambientes aquáticos em
unidades de conservação integral) até a Classe 4, com menor exigência de qualidade (indicada somente
para navegação e harmonia paisagística).
Já as águas salobras e salinas foram divididas em quatro classes de qualidade cada uma,
hierarquizadas desde a Classe Especial, com um nível de qualidade mais exigente (destinada à
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preservação dos ambientes aquáticos em unidades de conservação integral e à preservação do equilíbrio
das comunidades aquáticas) até a Classe 3, com menor exigência de qualidade (indicada somente para
navegação e harmonia paisagística).
Observa-se que apenas as águas doces e salobras podem ser destinadas ao abastecimento humano,
dependendo de sua classe e do nível de tratamento a que são submetidas (Brasil, 2005). Porém,
independentemente do tratamento desenvolvido, as águas a serem distribuídas à população devem seguir
aos padrões de potabilidade da Portaria GM/MS nº 888/2021.
APLICANDO A QUALIDADE DAS ÁGUAS AO CONSUMO HUMANO
Você veri�cou que as fontes de captação das águas podem ser super�ciais ou subterrâneas, como também
que a intensi�cação das atividades humanas tornou os recursos hídricos mais vulneráveis à poluição e à
contaminação. Nesse contexto, as principais fontes de contaminação das águas subterrâneas são: lixões;
aterros mal operados; acidentes ambientais com elementos tóxicos; armazenamento, manuseio e descarte
inadequados de produtos, subprodutos, e�uentes e resíduos industriais (químicos, petroquímicos,
metalúrgicos, eletrônicos, galvanoplásticos, etc.); atividades minerais que exponham aquíferos; sistemas de
saneamento in situ (como sumidouros); vazamento de redes de esgotamento; agrotóxicos e fertilizantes;
irrigação (promovendo salinização e lixiviação de contaminantes para o lençol freático); e outras fontes difusas
de poluição (Cetesb, 2018).
Além disso, você aprendeu que, de modo associado ao enquadramento das águas em classes (que objetiva
garantir os diversos usos hídricos), foi promulgada uma legislação especí�ca, a qual estabelece um nível
mínimo de qualidade às águas para consumo humano. A Portaria nº 888/2021 determina o padrão de
potabilidade a ser seguido e traz algumas de�nições que precisam ser conhecidas:
Água para consumo humano: água potável para ingestão, preparação de alimentos e higiene pessoal,
independentemente da sua origem.
Água potável: água que atenda ao padrão de potabilidade estabelecido pela legislação e que não
ofereça riscos à saúde.
Padrão de potabilidade: conjunto de valores permitidos para os parâmetros da qualidade da água para
consumo humano.
Padrão organoléptico: conjunto de valores permitidos para os parâmetros que provocam estímulos
sensoriais e afetam a aceitação para consumo humano (como sabor e odor), mas que não
necessariamente implicam risco à saúde.
O padrão de potabilidade é subdividido em: padrão bacteriológico; de turbidez; padrão para substâncias
químicas inorgânicas e substâncias químicas orgânicas com risco à saúde; padrão para agrotóxicos e
metabólitos; padrão para subprodutos da desinfecção com risco à saúde; padrão de cianotoxinas; padrão
organoléptico de potabilidade e pH (Brasil, 2021).
O escopo da legislação determina, dentre outros índices, os seguintes limites máximos:
Tabela 1 | Parâmetros de potabilidade
Substância/característica*
Unidade de
medida
Valor máximo
permitido
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Padrão para
substâncias químicas
inorgânicas que
representam risco à
saúde
Arsênio mg/L 0,01
Bário mg/L 0,7
Cádmio mg/L 0,003
Chumbo mg/L 0,01
Cobre mg/L 2
Cromo mg/L 0,05
Mercúrio total mg/L 0,001
Níquel mg/L 0,07
Nitrato (como N) mg/L 10
Nitrito (como N) mg/L 1
Selênio mg/L 0,04
Urânio mg/L 0,03
Padrão para
substâncias químicas
orgânicas que
representam risco à
saúde
1,2 Dicloroetano μg/L 5
Benzeno μg/L 5
Cloreto de Vinila μg/L 0,5
Diclorometano μg/L 20
Etilbenzeno μg/L 300
Pentaclorofenol μg/L 9
Tetracloroeteno μg/L 40
Tolueno μg/L 30
Tricloroeteno μg/L 4
Xilenos μg/L 500
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Padrão de agrotóxicos e
metabólitos que
representam rico à saúde
Aldrin + Dieldrin μg/L 0,03
Atrazina + S-Clorotriazinas
(Deetil-Atrazina – Dea,
Deisopropil-Atrazina – Dia e
Diaminoclorotriazina – Dact)
μg/L 2,0
Carborfurano μg/L 7
DDT+DDD+DDE μg/L 1
Difenoconazol μg/L 30
Diuron μg/L 20
Hidroxi-Atrazina μg/L 120,0
Metolacloro μg/L 10
2,4,6 Triclorofenol mg/L 0,2
2,4-diclorofenol mg/L 0,2
Ácidos haloacéticos total mg/L 0,08
Bromato mg/L 0,01
Cloraminas total mg/L 4
Clorato mg/L 0,7
Clorito mg/L 0,7
Cloro residual livre mg/L 5
Trihalometanos total mg/L 0,01
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Padrão organoléptico de
potabilidade
Alumínio mg/L 0,2
Amônia (como N) mg/L 1,2
Cloreto mg/L 250
Cor aparente uH 15
Dureza total mg/L 300
Ferro mg/L 0,3
Gosto e odor Intensidade 6
Manganês mg/L 0,1
Sódio mg/L 200
Sólidos dissolvidos totais mg/L 500
Sulfato mg/L 250
Sulfeto de hidrogênio mg/L 0,05
Turbidez uT 5
Zinco mg/L 5
*A referida tabela não apresenta todos os parâmetros contidos na Portaria nº 888/2021 do Ministério da
Saúde. Para o acesso completo deve-se consultar o referido documento.
Fonte: adaptada de Brasil (2021).
Vale ressaltar que, em relação aos parâmetros bacteriológicos e de turbidez, a Portaria apresenta as seguintes
determinações:
Bacteriológico
Após o tratamento: coliformes fecais, ausentes em 100 ml.
No sistema de distribuição e pontos de consumo: Escherichia coli, ausente em 100 ml.
Turbidez
Por �ltração rápida (tratamento completo/�ltração direta): máximo de 0,5 uT em 95% das
amostras.
Por �ltração lenta: 1,0 uT em 95% das amostras.
Por pós-desinfecção (para águas subterrâneas): 1,0 uT em 95% das amostras (Brasil, 2021).
A legislação ainda fornece padrões para o monitoramento da qualidade da água potável, com o mínimo de
amostras (para análises físicas, químicas e microbiológicas) e a frequência das coletas, em função dos pontos
de amostragem, da população abastecida e do tipo de manancial. Nesse sentido, além do monitoramento
contínuo nos SAA e SAC, a Portaria de�ne que essas entidades devem manter um histórico de
monitoramento, de nomínimo dois anos, da qualidade da água bruta (anterior ao tratamento) e da água
distribuída (presente nas redes de distribuição).
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Por �m, caro estudante, é importante entender que uma água aceitável ao consumo deve possuir aspecto
agradável, além de ausência de odor (inodora), de cor (incolor) e de sabor (insípida). Também deve ser
conservada/reservada domiciliarmente de maneira adequada, preferencialmente em caixas d’água tampadas,
compostas de material inerte (polietileno ou �bra de vidro) e submetidas a limpezas sistemáticas para evitar a
proliferação de algas ou o acúmulo de resíduos (Brasil, 2006).
VÍDEO RESUMO
Parabéns, estudante! Você �nalizou a aula “Poluição e contaminação do solo e da água”. Percebeu como a
intensi�cação das atividades humanas tornou as fontes das águas mais vulneráveis à poluição e à
contaminação? Entendeu que para garantir os usos múltiplos, padrões de qualidade foram estabelecidos,
bem como o padrão de potabilidade, para que uma água esteja apta ao consumo humano e não traga riscos à
saúde? Agora você está convidado a assistir ao vídeo-resumo desta etapa de aprendizagem. Assim será
possível relembrar os principais pontos estudados nesta aula e conhecer um pouco mais sobre o tema. Vamos
lá? Até a próxima aula! Bons estudos!
 Saiba mais
Você sabia que em nosso país 82,3% da população é abastecida por fontes super�ciais e apenas 17,7% é
abastecida por águas subterrâneas? Mesmo parecendo pouco, estima-se que o volume de água extraída
dos aquíferos chegue a 1.660 milhões/m³ ao ano!
Dos municípios brasileiros, 52% utilizam águas subterrâneas para o abastecimento. Esse índice é
composto por 36% que são abastecidos exclusivamente por água subterrânea e 16% que são
abastecidos parcialmente por essas águas.
Um ponto curioso é que a utilização desse recurso é inversamente proporcional ao tamanho dos
municípios. Por exemplo, levando em consideração cidades com mais de 500 mil habitantes, apenas 2%
delas usam as águas subterrâneas para abastecimento integral.
Esses dados, estudante, foram retirados de um estudo de 2019 desenvolvido pelo Instituto Trata Brasil,
em parceria com a Universidade de São Paulo (USP), denominado A revolução silenciosa das águas
subterrâneas no Brasil: uma análise da importância do recurso e os riscos pela falta de saneamento
básico. Con�ra:
HIRATA, Ricardo et al. A revolução silenciosa das águas subterrâneas no Brasil: uma análise da
importância do recurso e os riscos pela falta de saneamento. [São Paulo]: Instituto Trata Brasil, 2019.
Quer saber mais sobre a utilização das águas subterrâneas para o abastecimento humano no Brasil?
Então, consulte:
ÁGUAS subterrâneas: o que é e qual a importância? Gov.br, 29 set. 2020.
Aula 3
CARACTERÍSTICAS DAS ÁGUAS PARA TRATAMENTO
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https://repositorio.usp.br/directbitstream/e7d9e125-7b22-4706-915b-a397f8a91784/2928658.pdf
https://repositorio.usp.br/directbitstream/e7d9e125-7b22-4706-915b-a397f8a91784/2928658.pdf
https://www.gov.br/fundaj/pt-br/destaques/observa-fundaj-itens/observa-fundaj/revitalizacao-de-bacias/aguas-subterraneas-o-que-e-e-qual-a-importancia
INTRODUÇÃO
Olá, estudante! Você aprendeu que a ingestão, os usos diretos ou até indiretos de uma água imprópria para o
consumo podem desencadear várias doenças por veiculação hídrica, as quais, se não forem tratadas, levam à
morte. Também já descobriu que a intensi�cação das atividades humanas tornou as fontes de água, tanto
super�ciais quanto subterrâneas, mais vulneráveis à poluição e à contaminação.
Nesta aula você saberá quais características as águas super�ciais e subterrâneas devem apresentar para que
sejam passíveis de tratamento e consumo. Além disso, será possível aprofundar seus conhecimentos sobre a
importância da gestão dos recursos hídricos a partir do enquadramento das águas em classes, segundo os
usos preponderantes desse bem, a �m de atender aos parâmetros mínimos de qualidade para águas brutas
destinadas ao abastecimento público da população. Vamos lá? Bons estudos!
MANANCIAIS DE ABASTECIMENTO: O QUE SÃO?
Você aprenderá, neste bloco de estudos, que as fontes de captação de água com condições sanitárias
adequadas e vazão su�ciente para atender ao abastecimento doméstico, industrial, comercial e outras
demandas são chamadas de mananciais de abastecimento (Guimarães; Carvalho; Silva, 2007). Esses
mananciais são classi�cados como:
Super�ciais: mananciais formados pelo escoamento da água na superfície terrestre, como córregos,
ribeirões, rios, lagos e reservatórios arti�ciais. Também são compostos por mananciais constituídos pelo
acúmulo e armazenamento das precipitações atmosféricas nas depressões do terreno, como lagos,
lagoas e represas.
Subterrâneos: mananciais localizados completamente abaixo da superfície terrestre, que compreende
os lençóis freáticos e profundos (cuja captação é realizada por poços rasos ou profundos) e galerias de
in�ltração (Brasil, 2004).
Atualmente, há poucos mananciais super�ciais sem interferências signi�cativas das atividades humanas, isto
é, que mantenham características semelhantes aos naturais (prístinos). Logo, para o abastecimento, é preciso
escolher mananciais que reúnam as melhores condições para captação, principalmente de qualidade. De
modo geral, um manancial super�cial com boa qualidade hídrica apresenta características ecológicas bem
desenvolvidas, como comunidade aquática diversi�cada, forte interação entre organismos, cadeia alimentar
extensa e equilibrada (Brasil, 2006). Ressalta-se que mananciais poluídos ou contaminados exigem técnicas
mais avançadas e uso de mais produtos e reagentes no tratamento das águas.
Os mananciais subterrâneos, por sua vez, exibem algumas vantagens, se comparados aos super�ciais. A
princípio, os principais benefícios relacionam-se às características da água bruta resultante da percolação
entre os poros formados entre os grânulos do solo. Essa �ltragem natural, salvo algumas exceções, substitui
várias etapas inerentes ao tratamento, reduzindo signi�cativamente os custos referentes à potabilização. Por
Olá, estudante! Você aprendeu que a ingestão, os usos diretos ou até indiretos de uma água imprópria
para o consumo podem desencadear várias doenças por veiculação hídrica, as quais, se não forem
tratadas, levam à morte.
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essa razão, de maneira geral, o tratamento de águas subterrâneas restringe-se às ações de desinfecção,
�uoretação e possível correção de pH. Outras vantagens dizem respeito à dispensa de adutoras de água bruta
e à instalação da unidade de desinfecção próximo à captação.
Agora, é preciso diferenciar as formas de captação das águas subterrâneas. Para esse processo, podem-se
utilizar:
Poços rasos: captação de aquífero freático, de menor profundidade, situado acima da camada
impermeável do solo e submetido à pressão atmosférica. Possui menor custo de escavação.
Poços artesianos: captação de aquífero con�nado entre duas camadas impermeáveis, com maior
profundidade e submetido a uma pressão superior à atmosférica. Possui maior custo relacionado à
perfuração pela utilização de maquinário especí�co.
Apesar de os poços rasos possuírem menor complexidade para captação hídrica, apresentam como
desvantagem uma maior área de recarga, que abrange praticamente toda a extensão do lençol, aumentando
a possibilidade de contaminação por fossas, postos de combustíveis e outras fontes de poluição difusas. Por
outro lado, poços artesianos têm uma zona de recarga restrita, o que reduz as chances de contaminação
(Brasil,2006).
Por �m, como foi possível aprender na aula anterior, a Lei Federal nº 9.433/1997, que instituiu a Política
Nacional de Recursos Hídricos, também estabeleceu o enquadramento dos recursos hídricos em classes com
o objetivo de restringir e padronizar o uso hídrico, garantindo às águas uma qualidade compatível às
�nalidades mais exigentes, como o abastecimento. O enquadramento toma como princípio a prevenção
permanente, que é útil tanto para a segurança sanitária quanto para a economia. O alcance das metas de
qualidade minimiza os custos de tratamento nos sistemas de abastecimento e desonera o sistema público de
saúde por ocorrências de doenças de veiculação hídrica. Logo, trata-se de um instrumento de planejamento
do poder público sobre os recursos hídricos a ser aplicado em conjunto com o setor de saneamento básico
(Brasil, 1997, ANA, 2013, ANA, 2020). 
DIFERENCIANDO AS CARACTERÍSTICAS DE MANANCIAIS SUPERFICIAIS E SUBTERRÂNEOS
Você já descobriu que a escolha do manancial para o abastecimento consiste em uma decisão importante, a
qual deve ser resultante da análise de múltiplos fatores, que abrangem aspectos relativos ao tipo de
manancial, qualidade das águas, quantidade, fatores técnicos e econômicos. Agora, aprofundaremos nossa
investigação sobre questões associadas à qualidade das águas para o abastecimento. 
De acordo com Rego (2004), mananciais super�ciais normalmente apresentam: elevadas quantidades de
materiais em suspensão; elevada carga orgânica; e baixo teor de sais dissolvidos. Já as águas subterrâneas
tendem a ser: duras ou ácidas (em solos calcários e graníticos, respectivamente); límpidas (resultado da
�ltração das camadas terrestres); e com a possível presença de elementos químicos dissolvidos (mais ou
menos nocivos). Assim, as águas subterrâneas variam conforme as características e o estado do solo no qual
estão con�nadas. Nesse contexto, a presença de contaminantes químicos, como nitratos, detergentes ou
metais pesados, advém, sobretudo, da proximidade com atividades agrícolas ou industriais (Martins, 2014).
Logo, controlar os riscos à saúde da população em um Sistema de Abastecimento de Água (SAA) é um
processo que se inicia na escolha de um manancial com menor carga poluidora natural e, principalmente,
protegido de contaminações químicas ou biológicas oriundas de atividades antrópicas (Brasil, 2006). Por causa
da importância da qualidade da água bruta para o abastecimento humano, o Conselho Nacional do Meio
Ambiente (Conama) implementou o instrumento de enquadramento dos recursos hídricos (Lei nº 9.433/1997)
a partir da Resolução nº 357/2005 (complementada pela Resolução Conama nº 397/2008), que classi�ca as
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águas super�ciais em doces, salobras e salinas, vinculando-as a 13 classes de qualidade. Porém somente
águas doces e salobras podem ser utilizadas para o abastecimento público de água ao contemplar as
seguintes condições:
Águas doces: apenas da Classe Especial (submetidas à desinfecção); Classe 1 (submetidas a tratamento
simpli�cado); Classe 2 (submetidas a tratamento convencional); e Classe 3 (submetidas a tratamento
avançado).
Águas salobras: apenas da Classe 1 (submetidas a tratamento convencional ou avançado).
Para as águas subterrâneas, o enquadramento é aplicado pela Resolução Conama nº 396/2008, que classi�ca
as águas subterrâneas em seis classes de qualidade: da Classe Especial (para a preservação de ecossistemas
em unidades de conservação) à Classe 5 (para usos que não requerem qualidade das águas).
De acordo com o Manual de saneamento, da Fundação Nacional de Saúde (Brasil, 2004), havendo mais de
uma opção de manancial, os seguintes critérios deverão ser levados em conta:
Realização de análises de compostos orgânicos, inorgânicos e bacteriológicos do manancial para
veri�cação de substâncias prejudiciais, segundo a Resolução Conama nº 357/2005.
Vazão mínima do manancial que atenda à demanda pelo período de anos projetado.
Mananciais que dispensem tratamento (mananciais subterrâneos sem possibilidade de contaminação).
Mananciais que exijam apenas desinfecção (mananciais subterrâneos e mananciais super�ciais de áreas
de proteção, sujeitos a baixo grau de contaminação).
Mananciais que exijam tratamento simpli�cado (mananciais super�ciais protegidos, com baixos teores de
cor e turbidez, sujeitos somente a �ltração lenta e desinfecção).
Mananciais que exijam tratamento convencional.
Vale destacar que apesar do menor risco de contaminação, águas subterrâneas com elevada dureza ou
concentração de sais dissolvidos poderão conferir sabor e odor à água, fato que, sem a devida correção, pode
fazer com que a população rejeite a água e opte pelo abastecimento por mananciais sanitariamente
comprometidos (Brasil, 2006).
No próximo bloco de estudos, serão apresentadas diversas características que devem ser observadas para a
avaliação da qualidade da água bruta que seguirá para o tratamento e distribuição à população. Tais
características são divididas em: parâmetros físicos, químicos, biológicos e estéticos (Gomundanhe, 2015).
AVALIANDO E GARANTINDO A QUALIDADE DAS ÁGUAS BRUTAS A SEREM TRATADAS E
CONSUMIDAS
Você já reconheceu a importância da avaliação da qualidade da água bruta de um manancial para tornar esse
recurso viável ao tratamento. Agora será possível aprender que para promover a captação de águas
super�ciais, parte-se do princípio sanitário de que a qualidade do manancial sempre é suspeita, pois está
naturalmente sujeita a processos de poluição e contaminação. 
Assim, os seguintes parâmetros devem ser avaliados para a utilização de uma água bruta no abastecimento
humano (Gomundanhe, 2015, Souza, 2007):
Biológicos
Algas: além de gerar turbidez, reduzem o oxigênio e atribuem sabor e cheiro desagradáveis.
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Microrganismos patogênicos: provocam riscos à saúde.
Físicos
Turbidez: além da presença de bactérias, protozoários, plânctons, constitui-se de partículas de
matéria inorgânica, de diâmetros superiores a 1μ (1 mícron).
Cor: partículas de impurezas em suspensão �na (com dispersão opaca à luz, separadas por
�ltração), em solução (com dispersão transparente à luz, que não podem ser separadas por simples
�ltração) ou em estado coloidal (com nível intermediário de dispersão, entre a suspensão e a
solução). Possui diâmetros entre 1mμ (1 milimícron) a 1μ (1 mícron).
Odor: pode indicar presença de gás sulfídrico (H S), cloro (Cl ) ou metano (CH ).
Sabor: pode indicar presença de sais minerais, metano, cloro e matéria orgânica.
Químicos
Salinidade: alto teor de sais (bicarbonatos, cloretos, sulfatos). Pode indicar contaminação por
esgotos domésticos.
Dureza: resultante de substâncias na água que causam a precipitação do sabão, impedindo a
formação de espuma (como bicarbonato de cálcio, bicarbonato de magnésio, sulfato de cálcio,
sulfato de magnésio).
Alcalinidade: capacidade de neutralizar ácidos fortes. Águas alcalinas possuem alto teor de
hidróxido de sódio, de magnésio ou de cálcio; carbonato de cálcio, de magnésio, de sódio ou de
potássio; e de bicarbonato de cálcio.
Corrosividade: alta presença de gases (como gás carbônico), sais, ácidos, cloretos e outros
dissolvidos que podem causar corrosão e incrustação.
pH: característica que interfere na coagulação química durante o tratamento, controle da corrosão,
abrandamento e desinfecção da água. Águas com pH baixo tendem a dani�car instalações metálicas.
Atualmente, considera-se ideal no Brasil uma faixa de pH entre 6,5 e 8,5.
Deve-se investigar, ainda, a presença de possíveis fontes de poluição. A detecção de coliformes, bactérias,
protozoários ou substâncias tóxicas também pode ser um indicativo de contaminação. Diantedisso, buscando
reduzir os efeitos da poluição das águas, a Resolução Conama nº 430/2011 propõe que qualquer e�uente de
qualquer atividade humana somente poderá ser lançado em corpos hídricos, direta ou indiretamente, após o
devido tratamento e obedecendo às condições e aos padrões estabelecidos. Contudo, águas de Classe
Especial, em nenhuma hipótese, poderão receber e�uentes nem a disposição de resíduos domésticos,
agropecuários, de aquicultura, industriais ou de qualquer outra fonte, ainda que tratados. 
Por �m, além da escolha dos melhores mananciais tanto qualitativamente como quantitativamente, em rios e
córregos busca-se a captação a montante das descargas poluidoras e de núcleos populacionais. Em
reservatórios, a captação ocorre nem muito super�cialmente nem muito profundamente, para evitar
problemas físicos, químicos ou biológicos. Em captações super�ciais, pode haver a interferência de corpos
�utuantes e/ou a captação de altos teores de gases dissolvidos (como CO2), ferro, manganês, dureza e outros
elementos, além de algas (mais presentes na superfície das massas d’água, conferindo gosto e odor
desagradáveis, sobretudo em locais quentes e ensolarados). Já captações muito profundas podem conter
sedimentos com metais pesados ou massa biológica (plâncton) que também tornam as águas dessas regiões
impróprias (Guimarães; Carvalho; Silva, 2007).
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VIDEO RESUMO
Parabéns, estudante! Você �nalizou a aula “Características das águas para tratamento”. Percebeu como as
águas provenientes de mananciais super�ciais e subterrâneos possuem características distintas? Entendeu
que, mesmo sendo tratadas, essas águas devem apresentar uma qualidade mínima anterior à captação?
Agora você está convidado a assistir ao vídeo-resumo desta etapa de aprendizagem. Assim será possível
relembrar os principais pontos relacionados aos mananciais de abastecimento, bem como aos parâmetros a
serem avaliados para que as águas estejam aptas ao tratamento e à distribuição para a população. Vamos lá?
Até a próxima aula! Bons estudos!
 Saiba mais
Você sabia que de acordo com o art. 3º, inciso II, do Novo Código Florestal Brasileiro (Lei nº 12.651/2012),
uma Área de Preservação Permanente (APP) consiste em uma “área protegida, coberta ou não por
vegetação nativa, com a função ambiental de preservar os recursos hídricos, a paisagem, a estabilidade
geológica e a biodiversidade, facilitar o �uxo gênico de fauna e �ora, proteger o solo e assegurar o bem-
estar das populações humanas” (Brasil, 2012, [s. p.])?
E que, ainda segundo o Novo Código, toda nascente perene (com �uxo de água contínuo) deve possuir
uma APP com raio de 50 m ao redor da surgência hídrica?
De acordo com a Lei Federal, as APPs cumprem inúmeras funções ecológicas, mas a APP de nascentes
possui um potencial ainda maior por preservar os recursos hídricos. Uma das funções desempenhadas
pela APP de nascentes é a �ltragem de sedimentos e coloides provenientes de erosões dos ambientes a
montante, especialmente em casos de atividades como agricultura e pecuária.
Quer conhecer outros critérios considerados na aplicação de APPs? Então consulte o Novo Código
Florestal Brasileiro, instituído pela Lei Federal nº 12.651/2012:
BRASIL. Lei nº 12.651, de 25 de maio de 2012. Dispõe sobre a proteção da vegetação nativa; altera as Leis
n 6.938, de 31 de agosto de 1981, 9.393, de 19 de dezembro de 1996, e 11.428, de 22 de dezembro de
2006; revoga as Leis n 4.771, de 15 de setembro de 1965, e 7.754, de 14 de abril de 1989, e a Medida
Provisória nº 2.166-67, de 24 de agosto de 2001; e dá outras providências. Diário O�cial da União,
Brasília, DF: 28 maio 2012.
Também convido você a conhecer um caso exitoso de APPs de nascentes articulado pelo Governo do
Estado do Paraná para o alcance da qualidade hídrica necessária aos mananciais de abastecimento.
Saiba mais detalhes sobre essa experiência de sucesso:
KACHAROUSKI, M.; CURCIO, G. R.; BONNET, A. Área de preservação ambiental – nascentes. Governo do
Estado do Paraná, [s. d.]. 
os
os
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https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2012/lei/l12651.htm
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INTRODUÇÃO
Olá, estudante! Você aprendeu na aula anterior sobre a importância da escolha de um manancial adequado
para o abastecimento de água, seja ele super�cial ou subterrâneo, segundo sua disponibilidade quantitativa,
condições de qualidade e viabilidade técnica e econômica. Também observou que mananciais com baixa
qualidade hídrica podem gerar altos custos para o tratamento, além de di�cultar a própria operação de
captação da água bruta e o processo de potabilização. 
Nesta etapa de aprendizagem serão apresentados os métodos de tratamento das águas para abastecimento
humano conforme o nível de qualidade da água bruta captada. Esses métodos são: tratamento simpli�cado,
tratamento convencional e tratamento avançado. Você descobrirá as características de cada uma dessas
abordagens, entendendo sob quais condições hídricas devem ser escolhidas e suas etapas constituintes.
Vamos lá? Bons estudos!
TRATAMENTO DA ÁGUA PARA CONSUMO: O QUE É?
Você conhecerá, neste bloco de estudos, a etapa fundamental para o abastecimento público de água: o
tratamento. O tratamento consiste em “retirar impurezas presentes nas águas nocivas à saúde e, após, torná-
las potáveis” (Guimarães; Carvalho; Silva, 2007, p. 106). Nesse contexto, é importante considerar as seguintes
de�nições:
Tratamento de água: conjunto de medidas necessárias para enquadrar a água nos padrões de
potabilidade preestabelecidos.
Estação de Tratamento de Água (ETA): unidade do Sistema de Abastecimento de Água (SAA)
responsável por enquadrar a água distribuída à população nos padrões de potabilidade (Guimarães;
Carvalho; Silva, 2007).
Em resumo, os principais objetivos do tratamento são:
Sanitário: promover a remoção de organismos patogênicos e substâncias químicas nocivas à saúde.
Organoléptico: remover a turbidez, cor, gosto e odor, além de tornar a água aceitável ao consumo
(Brasil, 2020).
Sob a ótica tecnológica, qualquer água pode ser tratada, porém suas condições de qualidade ou a localidade
de captação podem tornar os custos ou métodos de tratamento inviáveis. Portanto, a água potabilizável reúne
características técnicas e econômicas in natura viáveis ao processo de tratamento e potabilização, de acordo
Aula 4
SISTEMA DE TRATAMENTO DE ÁGUA
Olá, estudante! Você aprendeu na aula anterior sobre a importância da escolha de um manancial
adequado para o abastecimento de água, seja ele super�cial ou subterrâneo, segundo sua
disponibilidade quantitativa, condições de qualidade e viabilidade técnica e econômica.
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com a Portaria GM/MS nº 888/2021 (Brasil, 2006). A depender das condições dos mananciais, as águas brutas
serão submetidas aos seguintes tipos de tratamento – do mais simples ao mais complexo (Souza, 2007):
Tratamento simpli�cado, por simples desinfecção ou cloração: tratamento com adição de cloro na
água antes da distribuição à população (com adição ou não de �úor).
Tratamento convencional ou completo: tratamento completo na ETA, em que a água é submetida a
coagulação, �oculação, decantação, �ltração, desinfecção (cloração), correção de pH + �uoretação.
Tratamento avançado: tratamento avançado da água por tecnologias de pré-oxidação, carvão ativado,
troca iônica, �ltração por membranas,entre outros métodos.
A complexidade do tratamento empregado estará diretamente relacionada à degradação da qualidade do
manancial e aos resultados do ensaio de tratabilidade. Contudo, apesar da crescente vulnerabilidade das
fontes hídricas à poluição, ainda há sistemas públicos de abastecimento que aproveitam nascentes de bacias
protegidas ou captam água em poços profundos, de maneira que apenas uma simples desinfecção se faz
necessária (Brasil, 2004). Entretanto, estudante, o tratamento convencional (ciclo completo) é o mais utilizado
no país, principalmente em virtude das variações sazonais que in�uenciam as características da água bruta
(Brasil, 2006). Um sistema convencional de abastecimento é formado por:
Manancial: fonte de água.
Captação: estrutura para a tomada d’água.
Adução: dutos de transporte da água do manancial às redes de distribuição.
Tratamento em ETA: retirada de impurezas e potabilização.
Reservação: grandes estruturas de armazenamento d’água.
Distribuição: rede de tubulações/canalizações até os ramais prediais (Guedes; Carvalho, 1997).
Assim, o tratamento convencional (ou ciclo completo) em ETAs de SAAs é composto pelas seguintes etapas
(Brasil, 2006):
Clari�cação: para a remoção de impurezas, composta pelos processos unitários de coagulação,
�oculação, sedimentação, �otação (opcional) e �ltração.
Desinfecção: para a inativação de organismos patogênicos.
Por �m, salienta-se que a presença, ou o excesso, de alguns elementos químicos, metais ou sais podem
in�uenciar a e�ciência do tratamento e potabilização da água para consumo. Nesses casos, o tratamento
convencional pode não ser su�ciente, exigindo um tratamento avançado das águas brutas. Nos próximos
blocos de estudo, serão detalhadas as etapas que constituem o tratamento convencional, bem como algumas
tecnologias usadas para o tratamento avançado das águas.
TRATAMENTO DAS ÁGUAS PARA CONSUMO: DO SIMPLIFICADO AO AVANÇADO
Você aprendeu que o tratamento objetiva tornar a água potável, eliminando riscos à saúde humana, além de
torná-la aceitável organolepticamente. A partir de gora, será possível entender mais detalhes sobre as
tecnologias utilizadas.
A NBR 12216/1992 dispõe sobre as condições para o tratamento e a produção de água potável destinada ao
abastecimento. Segundo a norma, os tratamentos simpli�cado, convencional e avançado são aplicados nas
seguintes situações:
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Tratamento simpli�cado: somente em águas subterrâneas ou super�ciais, de bacias sanitariamente
protegidas e com parâmetros estabelecidos pela norma, em que bactérias do tipo coliforme estejam
permanentemente inferiores a 50 por 100 ml. Portanto, é utilizado para águas de boa qualidade,
caracterizadas como do tipo A.
Tratamento simpli�cado seguido de decantação ou �ltração para retirada de sólidos
sedimentáveis ou de turbidez: em águas subterrâneas ou super�ciais, de bacias não protegidas, em
que o tratamento não necessita de coagulação (classi�cadas como do tipo B).
Tratamento convencional (por coagulação) seguida ou não de decantação, �ltração em �ltros
rápidos, desinfecção e correção do pH: em águas super�ciais de bacias não protegidas, que necessitam
de coagulação para os padrões de potabilidade (classi�cadas como do tipo C).
Tratamento convencional somado a tratamento avançado (complementar): em águas super�ciais
de bacias não protegidas, sujeitas a fontes de poluição e que exijam processos avançados de tratamento
(classi�cadas como do tipo D).
No entanto, estudante, a de�nição do tratamento apropriado a ser aplicado dependerá das características da
água bruta e dos “ensaios de tratabilidade”. Os testes de tratabilidade – ou jar tests (testes de jarro) – são
realizados em laboratório, com condições controladas, a �m de determinar as dosagens ideais de produtos
químicos (coagulantes e �oculantes) a serem utilizados, além dos parâmetros ótimos de operação das ETAs
(Richter, 2009, Brasil, 2020).
Quando veri�cada a necessidade de tratamento convencional para as águas, o processo de clari�cação é
composto pelas seguintes etapas em uma ETA (ABNT, 1992, Guedes; Carvalho, 1997, Brasil, 2020):
Pré-tratamento
Grades e crivos: impedem a entrada de materiais grosseiros em suspensão na ETA.
Sedimentação simples ou desarenação (etapa opcional): a água passa a uma baixa velocidade
em caixas de areia e por um tanque de decantação, propiciando a sedimentação de partículas
suspensas antes do tratamento.
Aeração (etapa opcional): remove gases dissolvidos que podem produzir odor e sabor, e ativa os
processos de oxidação da matéria orgânica. Pode ser realizada por aeradores em cascata, aeradores
em escadas (em que a água tomba sucessivamente por degraus), aeradores de ar comprimido
difuso, aeradores mecânicos ou por torre de aeração.
Tratamento
Coagulação: em um tanque de mistura rápida (geralmente Calha Parshall), adicionam-se produtos
químicos coagulantes – como sulfato de alumínio (mais utilizado no país), sulfato ferroso e cloreto
férrico –, objetivando neutralizar as cargas das partículas e aglomerá-las em �ocos.
Floculação: em tanques de mistura lenta (tanques hidráulicos com anteparos ou tanques
mecânicos), adicionam-se polieletrólitos (polímeros) que auxiliam no aumento do tamanho dos
�ocos.
Decantação (sedimentação): em decantadores convencionais (retangulares ou circulares) ou em
decantadores tubulares, os �ocos formados sedimentam pela ação da gravidade no fundo do
decantador.
Flotação (etapa opcional): em �otadores, são produzidas bolhas que se aderem aos �ocos ou
partículas remanescentes em suspensão, provocando sua ascensão até a superfície da água, onde
serão removidos.
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Filtração: em �ltros (rápidos ou lentos), a água atravessa um leito �ltrante, geralmente com
camadas de areia e brita, que remove as partículas em suspensão, produzindo um e�uente
clari�cado.
Desinfecção (ou cloração): eliminação/inativação de organismos patogênicos a partir da adição de
agentes desinfetantes.
TRATAMENTO CONVENCIONAL, ETAPAS COMPLEMENTARES E TECNOLOGIAS AVANÇADAS PARA A
POTABILIZAÇÃO DA ÁGUA
Você veri�cou, nos blocos anteriores, que o nível de tratamento empregado às águas para o alcance do
padrão de potabilização dependerá da sua qualidade in natura. Também percebeu que os tratamentos variam
de uma simples desinfecção (para águas subterrâneas e super�ciais protegidas) a tratamentos avançados
(para águas mais degradadas). Além disso, foi possível entender que o tratamento convencional em ETA é o
mais empregado, mas há casos em que os tratamentos avançados são necessários. Essa questão será
aprofundada a partir de agora.
Como você já aprendeu, durante o tratamento convencional, após as etapas de clari�cação (para remoção dos
sólidos em suspensão, coloidais ou dissolvidos, �xos ou voláteis, sedimentáveis ou não), faz-se necessária a
desinfecção (Brasil, 2006). Essa etapa é responsável por eliminar/inativar organismos patogênicos utilizando
agentes químicos desinfetantes (como cloro e derivados, hipocloritos e ozônio).
Grande parte das ETAs no Brasil utiliza cloro gás (Cl ) ou hipocloritos (NaOCl, Ca(OCl) ) para a desinfecção. Em
menor proporção, são usados dióxido de cloro, cloramina e agentes físicos, como a radiação ultravioleta (UV).
É importante destacar que os desinfetantes devem ser aplicados em doses su�cientes tanto para o
tratamento quanto para a permanência de concentrações residuais mínimas (cloro residual), que garantam a
qualidade adquirida até as redes de distribuição e o consumo da população.
Findada a desinfecção, a água é submetida à �uoretação. Ressalta-se que a �uoretação não compõe o
tratamento (não remove impurezas da água ou a torna potável),mas atua na prevenção de cáries dentárias
por meio da adição de substâncias químicas à base de �úor nas águas tratadas (Brasil, 2020). Posteriormente,
talvez seja preciso promover a correção da dureza (remoção de concentrações remanescentes de sais de
cálcio e magnésio, como carbonatos, bicarbonatos e sulfatos) ou da corrosão (acidez excessiva) – processo
denominado de estabilização da água (Brasil, 2006, Brasil, 2004).
Por �m, estudante, é interessante destacar que algumas águas brutas possuem constituintes especí�cos, com
capacidade nociva à saúde (como fármacos, agroquímicos, hormônios), de modo que o tratamento
convencional se torna insu�ciente. Logo, fazem-se necessárias técnicas avançadas de tratamento para que
tais elementos sejam removidos de forma efetiva e, assim, se alcance o padrão de potabilidade. Alguns
tratamentos avançados aplicados às águas são:
Pré-oxidação (química ou por aeração): reduz a concentração de matéria orgânica, algas e metais que
não são removidos nas ETAs.
Adsorção por carvão ativado: são retidos na superfície do carvão (por interações químicas ou físicas)
compostos dissolvidos na água (como substâncias orgânicas indesejadas que podem causar problemas
de sabor, odor, cor, toxicidade e mutagenicidade).
Troca iônica (aniônica ou catiônica): remove contaminantes dissolvidos na água sob a forma de íons
(como bário, cádmio, arsênio e nitrato) a partir da substituição do íon que se deseja remover por outro da
resina utilizada.
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Filtração/separação em membranas: remove contaminantes dissolvidos com dimensões
extremamente reduzidas pela passagem pressurizada da água por membranas semipermeáveis. A
dimensão dos poros das membranas determinará suas características e poluentes a serem removidos.
A �ltração por membranas pode ocorrer por:
Micro�ltração: remove microrganismos, partículas coloidais e sólidos em suspensão de maiores
dimensões (micropartículas).
Ultra�ltração: remove microrganismos, partículas coloidais e sólidos em suspensão de menores
dimensões (partículas micro-híbridas).
Nano�ltração: remove microrganismos, partículas coloidais e sólidos em suspensão de menores
dimensões (nanopartículas) e alguns contaminantes, como herbicidas e pesticidas.
Osmose inversa ou hiper�ltração: remove microrganismos, partículas coloidais e sólidos em suspensão
de menores dimensões (nanopartículas), contaminantes (como pesticidas e herbicidas). Também é
utilizada em outras �nalidades, como na dessalinização de águas salobras e salinas (água do mar) (Brasil,
2020).
VIDEO RESUMO
Parabéns, estudante! Você �nalizou a aula “Sistema de tratamento de água”. Percebeu como a qualidade da
água bruta interfere diretamente no tipo de tratamento empregado para o alcance da potabilidade? Agora
você está convidado a assistir ao vídeo-resumo desta etapa de aprendizagem. Assim será possível relembrar
os principais pontos relacionados aos processos de tratamento das águas, como também cada fase que
compõe o tratamento convencional em uma ETA. Vamos lá? Até a próxima aula! Bons estudos!
 Saiba mais
Como você aprendeu, ainda existe uma parcela signi�cativa da população brasileira que é abastecida por
poços rasos. Esse quadro permanece em nosso país por causa da ausência do serviço de abastecimento
de água por rede geral em muitas localidades.
Contudo, aquíferos freáticos são bastante suscetíveis à poluição e podem promover riscos à saúde a
partir do consumo de suas águas. Ainda há o fato de que grande parte dos poços rasos são escavados e
construídos de forma inapropriada, desrespeitando medidas básicas de segurança, como a necessidade
da aplicação de um revestimento interno que reduza os riscos de contaminação por fossas, por exemplo.
Sendo assim, mesmo em poços rudimentares, há a necessidade e a possibilidade de realizar o
tratamento simpli�cado das águas. Uma das soluções viáveis é a instalação de um clorador por difusão.
O clorador por difusão é um equipamento para dosagem de cloro que pode ser instalado no interior de
poços rasos. Ele libera cloro em concentrações relativamente iguais, mantendo um teor residual até o
término de sua vida útil.
O difusor consiste em um recipiente com uma mistura de areia (com a função de promover a liberação
lenta do cloro para a água) e hipoclorito de cálcio. O sistema do difusor pode ser construído
manualmente a partir de garrafas plásticas, casca de coco, bambu, entre outros materiais.
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Interessou-se por essa solução simples para a desinfecção das águas de poços rasos? Então leia o
manual Vigilância e controle da qualidade da água para consumo humano, do Ministério da Saúde,
publicado em 2006. Você descobrirá como produzir e instalar essa e outras soluções simples para o
tratamento de águas captadas em poços. Acesse o conteúdo a seguir:
BRASIL. Ministério da Saúde. Vigilância e controle da qualidade da água para consumo humano.
Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2006.
TRATAMENTO E POTABILIZAÇÃO DAS ÁGUAS COMO MEDIDAS DE SAÚDE PÚBLICA
Olá, estudante! Nesta unidade de aprendizagem, você aprendeu que até o �nal do século XIX a avaliação da
qualidade da água para consumo era realizada apenas tomando como base a aparência desse bem. Contudo,
hoje se sabe que a água pode conter vários poluentes (substâncias químicas, radioatividades, microrganismos
patogênicos) que geram sérios riscos à saúde. Sobre esse contexto, você pôde entender que os vírus,
protozoários e bactérias de origem fecal são responsáveis pela maior parte das doenças por veiculação
hídrica, com destaque para as bactérias (Martins, 2014, Brasil, 2004). Diante disso, tornam-se necessários
investimentos em saneamento básico, bem como em outros setores, para aumentar a expectativa de vida da
população e reduzir índices de mortalidade. Em relação a esse tema, foi possível aprender que morbidade se
refere ao conjunto de causas capazes de produzir uma doença em uma dada população, enquanto
mortalidade relaciona-se à probabilidade de um indivíduo vir a morrer por uma determinada doença (Pereira,
2007).
Você também descobriu que a intensi�cação das atividades humanas aprofundou a degradação na qualidade
das fontes de águas, tornando-as mais vulneráveis à poluição e à contaminação. Para obter um melhor
entendimento, foi necessário diferenciar esses dois conceitos: a poluição está associada a qualquer
modi�cação na qualidade química ou biológica da água que afete diretamente o homem ou prejudique sua
utilização; e a contaminação relaciona-se à introdução de elementos nocivos à saúde humana e espécies
aquáticas, como microrganismos patogênicos e metais pesados (Silveira; Sant’anna, 1991, Brasil, 2004).
Com vistas a garantir os usos múltiplos, você aprendeu que a Lei Federal nº 9.433/1997, que constituiu a
Política Nacional de Recursos Hídricos, estabeleceu o “enquadramento dos corpos de água em classes,
segundo os usos preponderantes da água”, assegurando aos corpos hídricos qualidade compatível aos usos
mais exigentes, como o abastecimento (Brasil, 1997). Além disso, foi possível veri�car que o enquadramento é
aplicado pela Resolução Conama nº 357/2005 (que classi�ca as águas super�ciais em 13 classes de qualidade,
diferenciando-as em doces, salobras e salinas), pela Resolução Conama nº 396/2011 (que categoriza as águas
subterrâneas em seis classes de qualidade) e pela Resolução Conama nº 430/2011 (que estabelece condições
para o lançamento de e�uentes em corpos hídricos).
Aula 5
REVISÃO DA UNIDADE
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https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/vigilancia_controle_qualidade_agua.pdf

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