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LÍNGUA 
PORTUGUESA
Prof. João Paulo Valle
SUMÁRIO
1 FONÉTICA E FONOLOGIA 3
1.1 FONEMAS E LETRAS 3
1.2 ENCONTROS VOCÁLICOS E CONSONANTAIS 3
1.3 DÍGRAFOS 4
1.4 CLASSIFICAÇÃO DAS PALAVRAS QUANTO AO NÚMERO DE SÍLABAS 5
1.5 REGRAS DE DIVISÃO SILÁBICAS 5
1.6 CLASSIGICAÇÃO DAS PALAVRAS QUANTO AO ACENTO TÔNICO 6
2 ORTOGRAFIA 8
2.1 ALGUMAS REGRAS ORTOGRÁFICAS 8
2.2 ALGUMAS DIFICULDADES ORTOGRÁFICAS 9
2.3 PARAMÔNIOS E HOMÔNIMOS 11
2.4 ACENTUAÇÃO GRÁFICA 12
2.5 OUTRAS MUDANÇAS NA ACENTUAÇÃO GRÁFICA CAUSADAS PELO ACORDO DE 1990
14
2.6 TREMA 15
2.7 HIFÉN 15
3 MORFOLOGIA – ESTRUTURA E FORMAÇÃO DE PALAVRAS 18
3.1 ESTRUTURA DAS PALAVRAS 18
3.2 ALGUNS CONCEITOS IMPORTANTES 20
3.3 PROCESSOS DE FORMAÇÃO DE PALAVRAS 20
3.4 PROCESSOS SECUNDÁRIOS DE FORMAÇÃO DE PALAVRAS 21
4 MORFOLOGIA – CLASSIFICAÇÃO E FLEXÃO DAS PALAVRAS 22
4.1 SUBSTANTIVOS 22
4.2 FLEXÃO DOS SUBSTANTIVOS 23
4.3 ARTIGOS 27
4.4 ADJETIVOS 27
4.5 PRONOMES 29
4.6 NUMERAIS 36
4.7 VERBOS 36
4.8 ADVÉRBIOS 47
4.9 PREPOSIÇÕES 48
4.10 CONJUNÇÕES 49
4.11 INTERJEIÇÕES 50
5 ANÁLISE SINTÁTICA - NOÇÕES GERAIS 52
6 ANÁLISE SINTÁTICA DO PERÍODO SIMPLES 53
6.1 SUJEITO 53
6.2 PREDICAÇÃO VERBAL 54
6.3 TERMOS RELACIONADOS AO VERBO 55
6.4 TERMOS RELACIONADOS AO NOME 56
6.5 VOCATIVO 58
6.6 PREDICADO 58
7 ANÁLISE SINTÁTICA DO PERÍODO COMPOSTO 59
7.1 PERÍODO COMPOSTO POR COORDENAÇÃO 59
7.2 PERÍODO COMPOSTO POR SUBORDINAÇÃO 61
7.3 ORAÇÕES REDUZIDAS 68
7.4 PERÍODO COMPOSTO POR COORDENAÇÃO E SUBORDINAÇÃO 69
7.5 ORAÇÕES INTERFERENTES OU INTERCALADAS 70
8 REGÊNCIA VERBAL E NOMINAL 71
9 CRASE 74
10 CONCORDÂNCIA 78
11 CONCORDÂNCIA VERBAL 79
12 CONCORDÂNCIA NOMINAL 83
13 FUNÇÕES DO SE 85
14 FUNÇÕES DO QUE 87
15 PONTUAÇÃO 88
16 COLOCAÇÃO PRONOMINAL 92
17 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 96
Apostila atualizada Abril/2023
2023 | LÍNGUA PORTUGUESA | 2
1 FONÉTICA E FONOLOGIA
1.1 FONEMAS E LETRAS
Os fonemas, conforme conceituação de Cegalla (2008), "são as menores
unidades sonoras da fala". São os sons cuja combinação é capaz de formar sílabas e
palavras inteiras.
Não se deve confundir fonema com letra. O fonema está relacionado ao som
produzido pelo ser humano no momento da fala, enquanto a letra é a forma como, na
escrita, é representado o som. As letras são, então, o signo utilizado para representar
graficamente os fonemas.
O alfabeto da língua portuguesa apresenta as seguintes letras: a, b, c, d, e, f, g,
h, i, j, k, l, m, n, o, p, q, r, s, t, u, v, w, x, y, z.
As letras em negrito (k, w, y) foram incorporadas ao nosso vocabulário pelo
Acordo Ortográfico de 1990.
As palavras podem ter...
... número de letras igual ao número de fonemas, como prato, casto, escola;
... número de letras maior do que o número de fonemas, como cachorro (caXoRo);
... número de letras menor do que o número de fonemas, como táxi (táCSi).
Então, não confunda: letra é o que se escreve; fonema, o que se fala.
CLASSIFICAÇÃO DOS FONEMAS:
a. Vogais: sons correspondentes a a, é, ê, i, ó, ô, u, assim como suas variantes nasais,
como em mãe e temperatura.
b. Semivogais: sons correspondentes a i e u átonos e que formam uma sílaba
acompanhados de uma vogal. As letras e e o poderão ser semivogais. Isso acontecerá
quando elas tiverem, respectivamente, som de i e u. Veja os exemplos com as
semivogais em negrito:
pai, afoita, mamão, aéreo.
c. Consoantes: os fonemas consonantais são os produzidos quando os órgãos
responsáveis pela fala produzem resistência à passagem de ar, como em praticar e
correr.
1.2 ENCONTROS VOCÁLICOS E CONSONANTAIS
Existem três tipos de encontros vocálicos: ditongos, tritongos e hiatos.
DITONGO: encontro de uma vogal e uma semivogal ou de uma semivogal e uma vogal
em uma mesma sílaba. Os ditongos podem ser:
a. crescentes: a semivogal vem antes da vogal, como em história, bilíngue, quantidade.
b. decrescentes: a vogal vem antes da semivogal, como em pai, flauta, besouro.
Atenção: a letra l, em fim de palavra, por ser proferida com som de u, pode
formar ditongos decrescentes fonéticos, perceptíveis na fala, mas não na escrita. São
exemplos desse fenômeno:
2023 | LÍNGUA PORTUGUESA | 3
funil (=funiu), feltro (feutro), soldado (=soudado).
c. orais: som passa pela cavidade bucal, com em dói, pleito, Rui.
d. nasais: som passa pela cavidade nasal, como em pães, muito (=mũito), tem (=tẽi).
Atenção: as semivogais dos ditongos nasais am e em não aparecem na escrita.
Trata-se, então, de ditongos fonéticos, pois são percebidos na fala, mas não na escrita.
São, dessa forma, ditongos:
também (tambẽi), cantaram (cantárão), morrem (morrẽi).
e. abertos: céu, pai, alegrai, heroico.
f. fechados: açougue, foi, zeugma,
TRITONGO: encontro de semivogal, vogal e semivogal, na mesma sílaba, sempre nessa
ordem. Os tritongos podem ser:
a. orais: Paraguai, desiguais, averiguei.
b. nasais: saguões, minguam (=mínguão), deságuam (=deságuão).
Atenção: as semivogais dos tritongos nasais uam e uem não aparecem na
escrita. Trata-se de tritongos fonéticos.
HIATO: encontro, em uma palavra, de duas vogais que ficam em sílabas diferentes.
Exemplos:
saída (sa-í-da), dia (di-a), leem (le-em), saúde (saú-de), Luísa (Lu-í-sa).
ENCONTRO CONSONANTAL: sequência de duas ou mais consoantes pronunciadas em
uma palavra, na mesma sílaba ou em sílabas diferentes.
Na mesma sílaba: prato, oblongo, atrevido, bíceps, crente.
Em sílabas diferentes: escolar, apto, asteroide, naftalina.
Cuidado para não confundir encontros consonantais com dígrafos, que serão
estudados na sequência!
1.3 DÍGRAFOS
Dígrafos são conjuntos formados por duas letras que equivalem a um único
fonema e que podem representar sons de consoantes ou de vogais.
DÍGRAFOS CONSONANTAIS
a. que ficam em sílabas separadas:
rr: arrepio, carro
ss: asseado, cassação
sc: crescer, piscina
sç: cresça, desça
xc: exceder, excitante
b. que ficam na mesma sílaba:
ch: cachoeira, enchente
2023 | LÍNGUA PORTUGUESA | 4
lh: pilha, agulha
nh: dinheiro, apanhar
gu (antes de e ou i): águia, caranguejo
qu (antes de e ou i): queijo, quilo
DÍGRAFOS VOCÁLICOS: dígrafos vocálicos são representados por vogais seguidas de m ou n.
Nesse caso, as letras m e n são empregadas apenas para nasalizar o som da vogal que as
antecede. São dígrafos vocálicos:
am/an (ã), em/en (ẽ), im/in (ĩ), om/on (õ) e um/un (ũ)
acampamento (=acãpamẽto), onde (=õde), tinto (=tĩto), imundo (=imũdo), vende (=vẽde)
Atenção: se m ou n vierem depois de vogal no final da palavra, não haverá dígrafo.
Nesse caso, haverá ditongo, como visto anteriormente. Veja exemplos:
hífen (=ífẽi), latem (=látẽi), gritam (=grítão)
Atenção: a letra h, quando aparece antes de vogais, não forma dígrafo. Isso acontece
em palavras como hífen, hora, horta, hospital e hemácia.
Para evitar confusões, passemos à análise de alguns vocábulos:
1. Quantos encontros consonantais há na palavra entender?
A resposta é nenhum. Ao trocarmos as letras escritas pelos fonemas a elas
correspondentes, veremos que a pronúncia dessa palavra é ẽtẽder. Há, em entender, dois
dígrafos vocálicos, mas nenhum encontro consonantal.
2. Quantos encontros consonantais há na palavra cachorro?
Novamente, a resposta é nenhum. Escreve-se cachorro, mas a pronúncia é caxoro. Há
dois dígrafos consonantais, mas nenhum encontro vocálico.
Logo, antes de procurar pelos encontros consonantais de uma palavra, devemos ver
se ela apresenta dígrafos!
1.4 CLASSIFICAÇÃO DAS PALAVRAS QUANTO AO NÚMERO DE SÍLABAS
Em relação ao número de sílabas, podem-se classificar as palavras da seguinte
maneira:
a. monossílabas (ou monossílabos): palavras que possuem somente uma sílaba, como mão,
réu, luz, sol, mar e nau.
b. dissílabas: palavras que possuem duas sílabas, como atroz, bambu, carro e mártir.
c. trissílabas: palavras que possuem três sílabas, como atacar, refletir, baiacu, aflição e areia.
d. polissílabas: palavras que possuem quatro ou mais sílabas, como matemática,
hemograma, Nefertiti, preclusivo e inconstitucional.
1.5 REGRAS DE DIVISÃO SILÁBICA
A separação silábica é um processo fonético,vós Não partais vós
Não cantem vocês Não batam vocês Não partam vocês
b. Formação do imperativo afirmativo: 2ª pessoa do singular e 2ª pessoa do plural derivam
diretamente do presente do indicativo, devendo der excluída a letra S; as demais pessoas são
idênticas ao presente do subjuntivo.
Presente do indicativo Imperativo afirmativo Presente do subjuntivo
Eu canto - Que eu cante
Tu cantas Canta tu Que tu cantes
Ele canta Cante você Que ele cante
2023 | LÍNGUA PORTUGUESA | 40
Nós cantamos Cantemos nós Que nós cantemos
Vós cantais Cantai vós Que vós canteis
Eles cantam Catem vocês Que eles cantem
Bater: bate tu, bata você, batamos nós, batei vós, batam vocês.
Partir: parte tu, parta você, partamos nós, parti vós, partam vocês.
Atenção para o verbo ser: sê tu (não use seja), seja você, sejamos nós, sede vós (não use
sejais), sejam vocês.
2. Tempos derivados do pretérito perfeito do indicativo
Derivam do pretérito perfeito do indicativo: pretérito mais-que-perfeito do indicativo,
futuro do subjuntivo e pretérito imperfeito do subjuntivo.
As desinências verbais do pretérito perfeito do indicativo são:
1ª conjugação 2ª e 3ª conjugações
Desinência
modo-temp
oral
NÃO TEM NÃO TEM
Singular Plural
1ª 2ª 3ª 1ª 2ª 3ª
Desinências
número-pesso
I STE - MOS STES RAM
Conjugação:
Cantar Bater Partir
Eu cantei Eu bati Eu parti
Tu cantaste Tu bateste Tu partiste
Ele cantou Ele bateu Ele partiu
Nós cantamos Nós batemos Nós partimos
Vós cantastes Vós batestes Vós partis
Eles cantaram Eles bateram Eles partiram
ATENÇÃO: a base utilizada para formar os tempos derivados do pretérito perfeito do
indicativo é a 3ª pessoa do plural (eles) menos a terminação RAM (canta-, bate-, parti-).
a. Formação do pretérito mais-que-perfeito do indicativo:
Passo 01: obtenha a base (3ª plural -RAM).
Passo 02: acrescente a desinência RA (RE para a 2ª do plural - vós).
As desinências do pretérito mais-que-perfeito são as seguintes:
2023 | LÍNGUA PORTUGUESA | 41
1ª conjugação 2ª e 3ª conjugações
Desinência
modo-temp
oral
RA/RE com pronúncia átona RA/RE com pronúncia átona
Singular Plural
1ª 2ª 3ª 1ª 2ª 3ª
Desinências
número-pesso
- S - MOS IS M
Conjugação:
Cantar Bater Partir
Eu cantara Eu batera Eu partira
Tu cantaras Tu bateras Tu partiras
Ele cantara Ele batera Ele partira
Nós cantáramos Nós batêramos Nós partíramos
Vós cantáreis Vós batêreis Vós partíreis
Eles cantaram Eles bateram Eles partiram
b. Formação do futuro do subjuntivo: acrescenta-se a desinência modo-temporal R à base.
Desinências do futuro do subjuntivo:
1ª conjugação 2ª e 3ª conjugações
Desinência
modo-temp
oral
R R
Singular Plural
1ª 2ª 3ª 1ª 2ª 3ª
Desinências
número-pesso
- ES - MOS DES EM
Conjugação:
Cantar Bater Partir
QUANDO
Eu cantar Eu bater Eu partir
Tu cantares Tu bateres Tu partires
Ele cantar Ele bater Ele partir
Nós cantarmos Nós batermos Nós partirmos
Vós cantardes Vós baterdes Vós partirdes
2023 | LÍNGUA PORTUGUESA | 42
Eles cantarem Eles baterem Eles partirem
c. Formação do pretérito imperfeito do subjuntivo: acrescenta-se a desinência
modo-temporal SSE à base.
Desinências do pretérito imperfeito do subjuntivo:
1ª conjugação 2ª e 3ª conjugações
Desinência
modo-temp
oral
SSE SSE
Singular Plural
1ª 2ª 3ª 1ª 2ª 3ª
Desinências
número-pesso
- S - MOS IS M
Conjugação:
Cantar Bater Partir
SE
Eu cantasse Eu batesse Eu partisse
Tu cantasses Tu batesses Tu partisses
Ele cantasse Ele batesse Ele partisse
Nós cantássemos Nós batêssemos Nós partíssemos
Vós cantásseis Vós batêsseis Vós partísseis
Eles cantassem Eles batessem Eles partissem
3. Tempos derivados do infinitivo
Derivam do infinitivo o futuro do presente do indicativo, o futuro do pretérito do
indicativo e o pretérito imperfeito do indicativo.
a. Formação do futuro do presente do indicativo: acrescentam-se ao infinitivo as
desinências ei, ás, á, emos, eis, ão.
Conjugação
Cantar Bater Partir
Eu cantarei Eu baterei Eu partirei
Tu cantarás Tu baterás Tu partirás
Ele cantará Ele baterá Ele partirá
Nós cantaremos Nós bateremos Nós partiremos
Vós cantareis Vós batereis Vós partireis
Eles cantarão Eles baterão Eles partirão
2023 | LÍNGUA PORTUGUESA | 43
b. Formação do futuro do pretérito do indicativo: acrescentam-se ao infinitivo as
terminações ia, ias, ia, íamos, íeis, iam.
Conjugação
Cantar Bater Partir
Eu cantaria Eu bateria Eu partiria
Tu cantarias Tu baterias Tu partirias
Ele cantaria Ele bateria Ele partiria
Nós cantaríamos Nós bateríamos Nós partiríamos
Vós cantaríeis Vós bateríeis Vós partiríeis
Eles cantariam Eles bateriam Eles partiriam
d. Formação do pretérito imperfeito do indicativo: deve-se obter a base da conjugação
desse tempo retirando-se o R do infinitivo e acrescentando-se as desinências conforme
quadro abaixo:
1ª conjugação 2ª e 3ª conjugações
Desinência
modo-temp
oral
VA/VE (vós) IA/IE (vós)
Singular Plural
1ª 2ª 3ª 1ª 2ª 3ª
Desinências
número-pesso
- S - MOS IS M
Conjugação:
Cantar Bater Partir
Eu cantava Eu batia Eu partia
Tu cantavas Tu batias Tu partias
Ele cantava Ele batia Ele partia
Nós cantávamos Nós batíamos Nós partíamos
Vós cantáveis Vós batíeis Vós partíeis
Eles cantavam Eles batiam Eles partiam
ATENÇÃO: nos verbos pôr, ter, vir e derivados, utilize NHA/NHE (vós): eu punha, tu
punhas, ele punha, nós púnhamos, vós púnheis, eles punham.
INFINITIVO PESSOAL
2023 | LÍNGUA PORTUGUESA | 44
Cantar: eu cantar, tu cantares, ele cantar, nós cantarmos, vós cantardes, eles
cantarem.
Bater: eu bater, tu bateres, ele bater, nós batermos, vós baterdes, eles baterem.
Partir: eu partir, tu partires, ele partir, nós partirmos, vós partirdes, eles partirem.
TEMPOS COMPOSTOS
Formam-se os tempos compostos com um verbo auxiliar (TER/HAVER) + verbo
principal no particípio.
Os tempos compostos são os seguintes
Tempos compostos do indicativo
Pretérito perfeito
composto
Presente do indicativo +
particípio
Tenho cantado
Tens cantado
Tem cantado
Temos cantado
Tendes cantado
Têm cantado
Pretérito
mais-que-perfeito
composto
Pretérito imperfeito do
indicativo + particípio
Tinha cantado
Tinhas cantado
Tinha cantado
Tínhamos cantado
Tínheis cantado
Tinham cantado
Futuro do presente
composto
Futuro do presente +
particípio
Terei cantado
Terás cantado
Teremos cantado
Terão cantado
Tereis cantado
Terão cantado
Futuro do pretérito
composto
Futuro do pretérito do
indicativo + particípio
Teria cantado
Terias cantado
Teria cantado
Teríamos cantado
Teríeis cantado
Teríamos cantado
2023 | LÍNGUA PORTUGUESA | 45
Tempos compostos do subjuntivo
Pretérito perfeito
composto
Presente do subjuntivo +
particípio
Tenha cantado
Tenhas cantado
Tenha cantado
Tenhamos cantado
Tenhais cantado
Tenham cantado
Pretérito-mais-que-perfei
to composto
Imperfeito do subjuntivo
+ particípio
Tivesse cantado
Tivesses cantado
Tivesse cantado
Tivéssemos cantado
Tivésseis cantado
Tivessem cantado
Futuro do presente
composto
Futuro do subjuntivo +
particípio
Tiver cantado
Tiveres cantado
Tiver cantado
Tivermos cantado
Tiverdes cantado
Tiverem cantado
Lembre-se de que os paradigmas acima são respeitados somente por verbos
regulares. Os verbos irregulares trazem variações em sua conjugação, seja no radical, seja nas
desinências. Isso pode ser percebido em verbos como medir, fazer, caber, por exemplo. (eu
meço; eles fizeram; eu caibo, ele coube).
Existem também os verbos chamados anômalos. Trata-se daqueles que têm mais de
um radical em sua conjugação. são os verbos ser e ir.
No presente do indicativo já é possível perceber a anomalia do verbo ser: eu sou, tu
és, ele é, nós somos, vós sois, eles são.
O pretérito perfeito do indicativo ainda tem um radical diferente: eu fui, tu foste, ele
foi, nós fomos, vós fostes, eles foram.
VOZES VERBAIS
As vozes verbais são: ativa, passiva e reflexiva.
1. Voz ativa: verbo tem sujeito agente (que pratica a ação expressa pelo verbo):
O candidato estudou apenas metade do conteúdo.
2023 | LÍNGUA PORTUGUESA | 46A maioria das pessoas compra coisas inúteis.
2. Voz passiva: verbo tem sujeito paciente (que sofre a ação expressa pelo verbo):
Apenas metade do conteúdo foi estudada pelo candidato.
Coisas inúteis são compradas pela maioria das pessoas.
Existem dois tipos de voz passiva: analítica e sintética.
● Voz passiva analítica: verbo auxiliar (quase sempre SER/ESTAR) + particípio
(concordando em gênero e número com o sujeito paciente).
o Todos os anos, o café era colhido por aqueles quinze homens
o O desenvolvimento do Brasil é ameaçado por problemas antigos.
o No dia dos namorados, a praça será decorada.
Nos dois primeiros exemplos, o termo sublinhado é o agente da passiva, que
representa quem pratica a ação expressa pelo verbo na voz passiva. Trata-se de um termo
não obrigatório. Logo, como se pode notar pelo terceiro exemplo, nem sempre haverá
agente da passiva.
● Voz passiva sintética: verbo + SE (na função de partícula apassivadora).
o Fizeram-se alterações importantes no cronograma.
o Inaugurar-se-á um novo shopping na capital.
Transposição da voz ativa para a voz passiva analítica
Para fazer a adequada transposição da voz ativa para a passiva analítica, devem-se
seguir os seguintes passos:
1. Converter o OBJETO DIRETO da oração na voz ativa em SUJEITO da oração na voz
ativa;
2. Converter o SUJEITO da voz ativa (se houver) em AGENTE DA PASSIVA;
3. Passar o verbo da voz ativa para o PARTICÍPIO (lembre-se de fazer os ajustes de
concordância, caso seja necessário);
4. Flexionar o verbo auxiliar (SER/ESTAR) no mesmo tempo e no mesmo em que estiver
flexionado o verbo da voz ativa (oração original), concordando com o novo sujeito;
5. Outros termos, como adjunto adverbial e objeto indireto, não sofrem alteração.
Exemplos:
Voz ativa: Amanhã ela comprará tudo.
Sujeito: ela; objeto direto: tudo; tempo verbal de comprará: futuro do presente; modo
verbal: indicativo; adjunto adverbial: amanhã (não sofre alteração).
Voz passiva: Amanhã tudo será comprado por ela.
Note que tudo se tornou sujeito paciente da oração; por ela é agente da passiva; o
verbo será, auxiliar, está conjugado no futuro do presente do indicativo, como o verbo
comprará; comprado está no particípio, no masculino e no singular para concordar com o
novo sujeito, tudo.
Voz ativa: A chuva causou prejuízos.
2023 | LÍNGUA PORTUGUESA | 47
Sujeito: a chuva; tempo e modo verbais: pretérito perfeito do indicativo; objeto
direto: prejuízos.
Voz passiva: Prejuízos foram causados pela chuva.
Prejuízos passou a ser sujeito paciente; pela chuva tornou-se agente da passiva; o
verbo auxiliar (foram) está conjugado no pretérito perfeito do indicativo, como o verbo
causou, mas está na 3ª pessoa do plural para concordar com seu novo sujeito (prejuízos); o
verbo principal, causados, também está na 3ª do plural e no masculino para concordar com
prejuízos.
Transposição da voz ativa para a voz passiva sintética
Para construir a voz passiva sintética, usamos o SE na função de partícula
apassivadora (ou pronome apassivador).
Voz ativa: Os alunos estudaram todas as matérias.
Ao se transpor essa frase para a voz passiva sintética, não haverá agente da passiva.
Nem sempre é possível, na voz passiva sintética, determinar o agente.
Voz passiva: Estudaram-se todas as matérias.
Para se fazer a transposição da voz ativa para a voz passiva sintética, basta inserir o SE
(partícula apassivadora) na oração e fazer os ajustes de concordância, caso sejam
necessários.
Voz ativa: Vendem casa. (sujeito indeterminado - verbo na 3ª do plural)
Voz passiva: Vende-se casa. (sujeito paciente [casa] - verbo na 3ª do singular
concordando com o sujeito).
ATENÇÃO: somente verbos transitivos diretos e verbos transitivos diretos e indiretos (VTD
e VTDI) podem ser usados na voz passiva.
3. Voz reflexiva: o sujeito, simultaneamente, pratica e sofre a ação expressa pelo verbo. A
voz reflexiva é marcada pelo uso de sujeito e objeto (pronome oblíquo) de mesma pessoa e
número.
● Eu olhei-me bem no espelho durante alguns minutos.
● Maria se cortou ao descascar a laranja.
A voz reflexiva pode, também, trazer a ideia de reciprocidade. Isso ocorre quando o
sujeito é plural e, pelo significado da frase, pode-se entender que um elemento praticou a
ação sobre o outro.
● Os manifestantes se agrediram durante o evento.
● As amigas, no momento da despedida, abraçaram-se.
4.8 ADVÉRBIOS
Advérbios são palavras invariáveis que modificam o sentido do verbo, do adjetivo e
do próprio advérbio.
Diz-se que o advérbio introduz uma circunstância à oração.
2023 | LÍNGUA PORTUGUESA | 48
Veja um quadro com exemplos das principais circunstâncias introduzidas por
advérbios:
Afirmação Dúvida Intensidade Lugar
Sim, certamente,
deveras,
incontestavelmente,
realmente,
efetivamente.
Talvez, quiçá,
acaso, porventura,
provavelmente...
Muito, pouco,
assaz, bastante,
mais, menos, tão,
demasiado, meio,
todo,
completamente,
demasiadamente,
demais, quanto...
Abaixo, acima, ali, cá
além, aquém, atrás,
dentro, perto, lo
adiante, diante o
aonde, donde, detrás...
Negação Modo Tempo
Não, tampouco
(com sentido de
também não).
Bem, mal, assim, depressa,
devagar, alerta, como,
calmamente, livremente,
alegremente, cuidadosamente
(advérbios em -MENTE no geral)...
Agora, já, hoje,
amanhã, depois,
ontem, anteontem,
sempre, nunca, jamais,
ainda, logo, antes,
cedo, tarde, então,
breve, entrementes...
LOCUÇÕES ADVERBIAIS: são expressões que equivalem a advérbios e como eles se
classificam. Veja alguns exemplos:
● Foi ao cinema com a namorada. (companhia)
● Viemos de ônibus. (meio)
● Datilografou as cartas à máquina. (instrumento)
● Muitas pessoas morrem de câncer todos os anos. (causa)
● Chegaremos à noite. (tempo)
PALAVRAS DENOTATIVAS: são palavras (e, às vezes, locuções) que a Nomenclatura
Gramatical Brasileira (NGB) não classifica como advérbios e que, na verdade, não pertencem
a nenhuma das dez classes gramaticais. As principais são:
● de designação/indicação: eis.
o "Eis aqui chocolate, gato, chão..." (Adriana Calcanhotto).
● de exclusão: menos, sequer, fora, salvo, senão, sequer, exceto...
o Ninguém poderia fazer isso, exceto José.
● de inclusão: inclusive, também, ainda, até, ademais, além disso...
o Terminou nosso namoro por telefone e ainda me acusou de tê-la traído.
● de limitação: só, apenas, somente...
o Só uma aluna chegou na hora marcada.
● de retificação: aliás, ou melhor, isto é...
o Finalmente o cachorro do vizinho se calou, ou melhor, parou de latir.
4.9 PREPOSIÇÕES
Preposições são palavras invariáveis que ligam dois termos entre si. Dividem-se entre
essenciais e acidentais.
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Preposições essenciais (que são sempre preposições): a, ante, após, até, com, contra, de,
desde, em, entre, para, perante, por, sem, sob, sobre, trás.
Preposições acidentais (palavras de outras classes que podem funcionar como preposições):
como, conforme (=de acordo com), consoante, durante, mediante, segundo...
LOCUÇÕES PREPOSITIVAS: expressões que equivalem a uma preposição, como abaixo de,
acerca de, acima de, a despeito de, adiante de, a fim de, além de, antes de, a par de, apesar
de, atrás de, através de, de acordo com, debaixo de, de cima de, defronte de, dentro de,
diante de, em baixo de, em cima de, em frente a, em frente de, em torno de, em vez de,
graças a, junto de, perto de, para com, por causa de, por detrás de, por entre ...
Por mais que se classifiquem como palavras vazias de sentido, ao serem utilizadas, as
preposições estabelecem um valor semântico às ligações que realizam, como se pode ver:
● assunto: Conversaram sobre estudos.
● causa: Desmaiou de susto.
● companhia: Estou com ela.
● direção: Olho para mim.
● matéria: Barraca de lona.
● etc.
As preposições podem, ainda, combinar-se (sem perda de fonemas) ou contrair-se
(com perda de fonemas) com outras palavras:
● Falou bem dele. (de + ele)
● Vamos ao cinema. (a + o)
● Dirija-se àquele guichê, por favor. (a + aquele)
● O bolo ficará pronto num minuto! (em + um)
4.10 CONJUNÇÕES
Conjunções sãopalavras invariáveis que ligam orações ou palavras entre si.
As conjunções podem ser coordenativas (ligam orações que são sintaticamente
independentes umas das outras) ou subordinativas (introduzem orações que exercem função
sintática na principal).
Para mais informações, veja o capítulo Período composto.
CONJUNÇÕES COORDENATIVAS:
1. Aditivas - ligam orações estabelecendo ideia de adição: e, nem, mas também, mas ainda,
senão também, como também, bem como...
Chegou do trabalho e foi tomar banho.
2. Adversativas - unem orações estabelecendo ideia de oposição, contraste: mas, porém,
contudo, todavia, entretanto, no entanto, não obstante ...
Promete que vai mudar, mas continua o mesmo.
3. Alternativas - estabelecem, entre as orações que ligam, noção de alternativa, alternância:
ou, ou...ou, ora...ora, já...já, quer...quer...
Ora faz frio, ora faz calor.
2023 | LÍNGUA PORTUGUESA | 50
4. Conclusiva - iniciam uma conclusão, uma decorrência lógica: logo, portanto, por
conseguinte, pois (posposto ao verbo), por isso...
Você é o dono do cão, por isso é o responsável pelos danos por ele causados.
5. Explicativas - introduzem a ideia de motivo, explicação: que, porque, porquanto, pois
(anteposto ao verbo)...
Sobe, pois quero te mostrar uma coisa.
Atenção: a conjunção "e" pode ter valor adversativo:
Fez mas malas e não viajou. (=mas).
CONJUNÇÕES SUBORDINATIVAS:
1. Causais - introduzem uma causa daquilo que se diz na oração principal: porqque, que, pois,
como, porquanto, visto que, visto como, ja que, uma vez que, desde que...
Engordou porque comeu muito doce.
2. Comparativas - iniciam o segundo elemento de uma comparação: como, (tal) qual, tal e
qual, assim como, (tal) como, (tão/tanto) como, mais (do) que, menos (do) que, que nem...
Corre como o vento.
3. Concessivas - introduzem orações que trazem um fato que se admite em oposição a outro:
ainda que, embora, conquanto, mesmo que, por mais que, por menos que, se bem que, em
que pese, sem que (=embora não), mesmo quando, ainda quando...
Em que pese o respeito que temos por você, não aceitaremos suas intromissões.
4. Condicionais - iniciam orações que exprimem a condição para que o que se afirma na
oração principal se verifique: se, caso, contanto que, desde que, salvo se, sem que (=se não),
a não ser que, a menos que...
Desde que se esforce, conseguirá ser aprovado.
5. Conformativas - dão ideia de conformidade de um fato com outro: como, conforme,
segundo, consoante...
Ele sempre age conforme manda a ética.
6. Consecutivas - introduzem a consequência daquilo que se expressa na oração principal:
que (precedido de intensificadores como tal, tão, tamanho, tanto, que podem vir
subentendidos), de modo que, de sorte que, de forma que, sem que, que não...
Chorava tanto que mal conseguia respirar.
7. Finais - iniciam oração que expressa finalidade: para que, a fim de que, que (= para que).
Falei baixo para que o bebê não acordasse.
8. Proporcionais - iniciam oração que indica proporcionalidade: à medida que, à proporção
que, ao passo que, quanto mais...(mai)s, quanto mais... (menos), quando menos... (mais),
quanto menos... (menos)...
Quanto menos o Brasil investir em educação, mais a desigualdade social crescerá.
9. Temporais - introduzem a ideia de tempo: quando, enquanto, logo que, mal, sempre que,
assim que, desde que, antes que, depois que, até que, agora que, ao mesmo tempo que...
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Mal se deitou, adormeceu.
10. Conjunções integrantes - introduzem orações substantivas: que, se.
Não sei se o problema foi resolvido.
LOCUÇÕES CONJUNTIVAS: expressão que funciona como uma conjunção, como várias das
que foram vistas acima (no entanto, ainda que, à medida que, ao mesmo tempo que etc.).
4.11 INTERJEIÇÕES
Interjeições e locuções interjetivas são palavras e expressões, respectivamente, que
exprimem sentimentos e emoções.
Viva! Ganhamos o primeiro prêmio!
Puxa vida! Somos mesmo azarados!
Ei, você! Psiu!
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5 ANÁLISE SINTÁTICA - NOÇÕES GERAIS
Fazer a análise sintática de um período consiste em dividir sua estrutura e classificar,
de acordo com a função, os termos e as orações que o compõem.
Na análise sintática, trabalhamos com as orações, que são enunciados que se
organizam em torno de um verbo ou de uma locução verbal (que, em alguns casos, estão
elípticos, ocultos).
As orações compõem um período, o qual pode ser simples ou composto. O período
simples tem apenas uma oração em sua estrutura, enquanto o composto apresenta duas ou
mais orações.
As orações se dividem em termos, os quais exercem uma função sintática. Esses
termos possuem um núcleo, que, em geral, é um substantivo (ou palavra que funciona como
um substantivo, como um pronome) ou um verbo.
As orações apresentam, via de regra, sujeito e predicado, mas podem, em casos de
orações sem sujeito, apresentar somente o predicado. Veja os exemplos abaixo. O núcleo do
sujeito e o do predicado estarão em negrito.
Sujeito Predicado
O concurseiro estudou muito.
Sujeito Predicado
---- Chove muito nos trópicos.
Existem, ainda, as frases, que são enunciados com sentido completo. Uma frase pode
ou não ser uma oração. Ela o será se contar com um verbo ou com uma locução verbal. Caso
não tenha verbo ou locução verbal, será classificada como frase nominal, como as seguintes:
Fogo!
Bom dia, classe.
Broa de milho, café quentinho, manhã na roça.
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6 ANÁLISE SINTÁTICA DO PERÍODO SIMPLES
6.1 SUJEITO
O sujeito é o termo sobre o qual se faz uma afirmação.
São as seguintes as classificações do sujeito:
● Simples: tem apenas um núcleo.
o O país vai mal.
o Os três presos encrenqueiros foram severamente punidos.
● Composto: tem mais de um núcleo.
o Pai e filhos viajarão amanhã.
o Cinco colares e duas pulseiras foram roubados.
● Expresso: aparece explícito na oração. Todos os quatro exemplos acima são de
sujeitos expressos.
● Elíptico (ou oculto/desinencial): não aparece expresso na oração, mas é possível
deduzi-lo da terminação verbal (desinência).
o Fiz mal a você. (sujeito de fiz: "eu").
o Comemos muito bem durante a viagem. (sujeito de comemos: "nós").
● Indeterminado: não é identificado na frase. Pode acontecer em três situações:
1. Verbo na 3ª pessoa do plural sem que o sujeito já tenha aparecido anteriormente.
Reclamaram da qualidade dos produtos.
Arranharam meu carro ontem.
2. Verbo intransitivo, transitivo indireto ou de ligação + SE na função de índice de
indeterminação do sujeito.
Vive-se bem na Austrália.
Precisa-se de balconistas com experiência.
Quando se é saudável, nada mais importa.
3. Verbo no infinitivo impessoal.
Vender barato é a chave do sucesso.
Era difícil sustentar uma família tão grande.
● Agente: pratica a ação expressa pelo verbo.
o Uma quadrilha de traficantes domina aquele pequeno bairro.
o Os maratonistas competirão no próximo mês.
● Paciente: sofre a ação expressa pelo verbo.
o Algumas pessoas são perseguidas pelo passado.
o Roubaram-se mais carros durante esta semana do que ao longo de todo o
mês passado.
● Reflexivo (agente e paciente): é o sujeito da voz reflexiva, que pratica e sofre,
simultaneamente, a ação.
o O cozinheiro se cortou durante o expediente.
o Eu me via cada vez mais preocupado com o futuro.
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SUJEITO INEXISTENTE: em alguns casos, a oração é formada somente por predicado, ou seja,
não possui sujeito. Isso acontece nas seguintes situações:
1. Verbo HAVER (= existir, ocorrer): sempre fica na 3ª pessoa do singular.
Há tanta coisa errada neste lugar...
Houve um acidente na avenida principal.
2. Verbos HAVER e FAZER (= tempo decorrido): sempre ficam na 3ª do singular.
Faz mais de dez anos que ele se foi.
Cheguei ao Brasil há vinte anos.
3. Verbos que exprimem fenômenos da natureza: ficam sempre na 3ª do singular.
Ventou muito ontem à noite.
Sempre chove no verão.
ATENÇÃO: se usados no sentido figurado, tais verbos deixam de ser impessoais e passam a
concordar normalmente com o sujeito:Choviam pretendentes na horta daquela bela moça.
Acredito que amanhecerão dias de mais felicidade.
4. Verbos PASSAR, SER e ESTAR, com referência ao tempo.
Olhei o relógio. Já passava das onze da noite.
Está tão frio hoje!
ATENÇÃO: o verbo ser, apesar de impessoal, concorda com o numeral em frases do tipo:
São cinco da manhã!
Daqui a São Paulo são quinhentos quilômetros.
Eram dez de agosto daquele ano...
6.2 PREDICAÇÃO VERBAL
Trata-se da maneira como o verbo forma o predicado. Podemos classificar os verbos
como:
● Verbos intransitivos: não são complementados por objeto direto ou indireto. Os
verbos intransitivos, todavia, podem vir acompanhados de adjunto adverbial e de
predicativo do sujeito.
o À noite, as cidades dormem.
o Dez reais bastam para pagar a conta.
o Cheguei cansado.
o No ano passado, morreram milhares de recém-nascidos.
● Verbos transitivos diretos: necessitam de complemento sem preposição (objeto
direto).
o Vendi o carro ontem.
o Precisamos comprar mais roupas.
o Ele fará tudo imediatamente.
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● Verbos transitivos indiretos: necessitam de complemento com preposição (objeto
indireto)
o Milhões de pessoas assistiram àquele filme nos cinemas.
o Não gostei das suas atitudes.
o Antônio queria muito bem aos amigos.
● Verbos transitivos diretos e indiretos (ou bitransitivos): apresentam objeto direto e
objeto indireto, simultaneamente.
o Perdoe as ofensas a seus inimigos.
o Ontem o chefe comunicou a todos a mudança na escala de serviço.
o Ofereça um café à visita!
● Verbos de ligação - para ser classificado como de ligação, um verbo deve ligar o
sujeito a um predicativo e estar na lista abaixo:
Ser, estar, permanecer, ficar, continuar, parecer, tornar-se, virar (=tornar-se), andar (= estar),
viver (= estar).
o Mário tornou-se uma pessoa amarga.
o Aquela menina vive triste.
o O Brasil é, há tempos, o gigante adormecido.
6.3 TERMOS RELACIONADOS AO VERBO
1. Objeto direto: completa verbos transitivos diretos ou verbos bitransitivos e, via de regra,
não é introduzido por preposição.
Obteve a aprovação dos mestres.
Havia um problema ali.
Além da forma corriqueira, a exemplo dos períodos acima, o objeto direto também
pode ser:
a. pleonástico: ocorre quando se repete na estrutura da frase, aparecendo uma vez na forma
substantiva e, na outra, na forma pronominal:
Este livro, já o li três vezes.
b. preposicionado: assim se classifica o objeto direto que é introduzido por preposição não
exigida pelo verbo. Neste caso, o uso da preposição se justifica por outras razões diversas da
transitividade verbal, como nos exemplos abaixo:
● quando um pronome pessoal oblíquo tônico exerce a função de objeto direto:
o Julgava a mim sem pensar nas consequências.
● quando o pronome relativo quem exerce a função de objeto direto (vem precedido
da preposição A):
o Passou a vida seguindo aquele cantor a quem idolatrava.
● para evitar ambiguidade (confusão entre sujeito e objeto):
o Venceu o bem o mal. (Quem vence? Quem perde? A única forma de ter
certeza é com o uso do OD preposicionado).
o Venceu o bem ao mal. (Fica claro que o "derrotado" é o mal - OD
preposicionado).
● para dar destaque ao complemento ou conceder-lhe um novo significado:
o Amar a Deus sobre todas as coisas.
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o "Chegou a costureira, pegou do pano..." (Machado de Assis)
2. Objeto indireto: completa verbos transitivos indiretos ou verbos bitransitivos. A
preposição que o rege vem expressa (primeiro exemplo) ou implícita (segundo exemplo):
Muitas pessoas desobedecem às leis de trânsito.
Deu-lhe uma justificativa falsa.
a. objeto indireto pleonástico: aparece repetido, uma vez na forma nominal, outra na
pronominal.
Aos brigões, basta-lhes o prazer do conflito.
3. Agente da passiva: indica quem pratica a ação expressa pelo verbo na voz passiva. É
sempre introduzido por por, pelo, pela ou de.
O artista foi vaiado pelo público.
Eu era conhecido de todos naquela pequena cidade.
4. Adjunto adverbial: acrescenta uma circunstância à oração. O adjunto adverbial modifica,
em geral, o verbo, mas pode modificar também o adjetivo ou o advérbio.
A função de adjunto adverbial é exercida pelos advérbios e pelas locuções adverbiais.
"Meus heróis morreram de overdose." (Cazuza) - Adjunto adverbial de causa.
Venha hoje. - Adjunto adverbial de tempo.
Atenção:
● Os adjuntos adverbiais classificam-se da mesma forma que os advérbios e as locuções
adverbiais.
6.4 TERMOS RELACIONADOS AO NOME
1. Adjunto adnominal: termo que acompanha substantivos concretos ou abstratos,
determinando-os. Pode vir ou não introduzido por preposição.
Aquele concurseiro comprou apostilas excelentes.
("aquele" determina "concurseiro"; "excelentes" determina "apostilas").
A água do mar é salgada.
("a" e "do mar" determinam "água").
2. Complemento nominal: termo que completa o sentido de advérbios, adjetivos e de
substantivos abstratos. O complemento nominal vem sempre regido de preposição.
Como a juventude é muito valorizada, as pessoas vivem em constante batalha contra
o tempo.
Este filme é impróprio para menores.
As Forças Armadas atuam na defesa da pátria.
3. Aposto: termo que explica, desenvolve, resume ou especifica algum outro termo da
oração. No geral, vem isolado por vírgulas (por vezes, também se separa por dois pontos ou
travessões).
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Eu só tenho um problema: falta de dinheiro.
O homem mais rico do mundo, isto é, Elon Musk, anunciou planos de investir no país.
Atenção: o aposto pode se referir a outro aposto:
Aquela ali é Ana, filha de Marcos, um rico empresário.
4. Predicativo do sujeito: termo que atribui uma característica ao sujeito. No geral, é a ele
conectado por um verbo de ligação, mas pode aparecer com outros tipos de verbos.
Tornou-se, finalmente, um profissional de sucesso.
Éramos seis.
Alegres, os foliões iam passando pela avenida. (= Os foliões iam passando pela
avenida e estavam alegres).
5. Predicativo do objeto: termo que atribui uma característica ao objeto de um VTD, VTDI ou
VTI. Aparece, no geral, com objetos diretos.
O juiz considerou a petição inepta.
Chamou ao filho Marcos.
Considerei inconveniente seu comentário.
ATENÇÃO: diferenciando adjunto adnominal de complemento nominal
A única situação em que pode haver confusão entre complemento nominal e adjunto
adnominal é a seguinte: substantivo abstrato relacionado a um termo preposicionado. Isso
ocorre porque:
● Complemento nominal completa o sentido de adjetivos, advérbios e substantivos
abstratos e vem sempre precedido de preposição;
● Adjunto adnominal acompanha substantivos concretos e substantivos abstratos e
pode vir precedido de preposição ou não.
Quando houver dúvida, procede-se à seguinte análise:
● Substantivo abstrato + preposição + termo com natureza ativa: adjunto adnominal.
● Substantivo abstrato + preposição + termo com natureza passiva: complemento
nominal.
Exemplos:
O cálculo das prestações estava incorreto.
As prestações foram calculadas, ou seja, sofreram a ação. Sendo assim, trata-se de
um complemento nominal.
O cálculo do aluno estava incorreto.
O aluno calculou, ou seja, praticou a ação. Sendo assim, trata-se de um adjunto
adnominal.
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6.5 VOCATIVO
O vocativo é um termo independente, que não faz parte da estrutura oracional. É um
chamamento, usado para interpelar a 2ª pessoa do discurso (aquela a quem se dirige o
emissor, seja ela uma um ser humano, um lugar, uma coisa, um animal etc). O vocativo, no
geral, vem separado ou isolado por vírgula, mas pode ser sucedido de ponto de exclamação
ou interrogação (ou ambos, para ênfase).
Alunos, prestem atenção, por favor.
Maria?! Venha aqui!
"Serenai, verdes mares" (José de Alencar)
6.6 PREDICADO
O predicado é a afirmação que se faz a respeito de um sujeito. Uma vez identificado o
sujeito, todo o restante será o predicado.
O predicado pode ser verbal, nominal ou verbo-nominal.
1. Predicado verbal: o seu núcleo é somente o verbo, seja ou não seguidode complementos.
Pode acontecer com verbos intransitivos e transitivos (VTD, VTI e VTDI), desde que não haja
predicativo do sujeito ou do objeto. Nos exemplos abaixo, os predicados estarão sublinhados
e seus núcleos, em negrito:
Muitos bebês nasceram.
Enviaram-se a milhares de eleitores panfletos da campanha.
Há milhares de insetos aqui
2. Predicado nominal: o seu núcleo é um substantivo, um adjetivo ou um pronome (nomes).
Constrói-se a partir de um verbo de ligação, que o une ao sujeito.
São Paulo é a maior cidade do Brasil.
Eu continuo doente.
A ladra é aquela.
3. Predicado verbo-nominal: possui dois núcleos - um verbo e um nome. Constrói-se com
verbos intransitivos ou transitivos (VTD, VTI ou VTDI) + predicativo do sujeito ou predicativo
do objeto.
Chegamos cansados.
As crianças assistiram ao filme empolgadas.
Os pais chamaram a filha de Ana.
O Brasil considerou desleais os ataques estrangeiros.
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7 ANÁLISE SINTÁTICA DO PERÍODO COMPOSTO
Atente-se para os seguintes conceitos:
a. Oração: enunciado construído em torno de um verbo ou locução verbal. Pode ou não
apresentar sentido completo.
b. Frase: enunciado com sentido completo. Pode ter verbo (e ser, assim, uma oração) ou não.
Se não tiver, será uma frase nominal.
c. Período: enunciado constituído por uma ou mais orações e que apresenta sentido
completo. O período pode ser:
● Simples: constituído de apenas uma oração, que recebe o nome de oração absoluta.
● Composto: constituído de duas ou mais orações. O período pode ser composto por
coordenação, subordinação ou coordenação e subordinação simultaneamente.
Exemplo de período simples:
A polícia enfrenta problemas graves na corporação.
Exemplos de período composto (orações dentro de colchetes):
[Ainda que tenham sido construídas ruas mais largas,] [o problema do trânsito
persiste.]
[Correu], [pulou], [brincou o dia inteiro].
[Conhecemos lugares] [onde fatos históricos aconteceram.]
7.1 PERÍODO COMPOSTO POR COORDENAÇÃO
O período é composto por coordenação quando apresenta somente orações
coordenadas entre si. Nesse tipo de período, conectam-se orações de mesma natureza
sintática, ou seja, uma não exerce função sintática na outra. São orações independentes
sintaticamente.
As orações coordenadas podem ser assindéticas ou sindéticas.
ORAÇÕES COORDENADAS ASSINDÉTICAS: aparecem uma ao lado da outra, mas não são
ligadas por conjunção. Exemplos:
"[Eu perco o chão], [eu não acho as palavras], [eu ando tão triste..]." (Adriana
Calcanhotto).
[Fui até o banco],[ paguei as contas]
ORAÇÕES COORDENADAS SINDÉTICAS: apresentam conjunção. As orações sindéticas podem
ser de cinco tipos e, com se verá abaixo, são classificadas de acordo com a conjunção que
apresentam.
1. Aditivas: transmitem a noção de sequência de acontecimentos, de fatos, de pensamento.
Ideia de adição.
Principais conectores: e, nem, mas também, mas ainda, senão também, como também, bem
como.
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Cheguei, abri a porta e entrei.
● Cheguei: oração coordenada assindética.
● Abri a porta: oração coordenada assindética.
● E entrei: oração coordenada sindética aditiva.
Não só estuda, mas também trabalha.
Não posso e nem quero fazer isso.
2. Adversativas: expressam um contraste, uma oposição.
Principais conectores: mas, porém, todavia, contudo, entretanto, senão, ao passo que, no
entanto, não obstante, apesar disso, em todo caso.
Saiu cedo, mas chegou atrasado.
● Saiu cedo: oração coordenada assindética.
● Mas chegou atrasado: oração coordenada assindética adversativa.
Muito investimento foi feito, porém não houve resultados.
Eles estudaram pouco, todavia foram aprovados.
3. Alternativas: transmitem ideia de alternância, escolha.
Principais conectores: ou, ou...ou, ora...ora, já...já, quer...quer, etc.
Venha logo ou perderá a novela.
● Venha logo: oração coordenada assindética.
● Ou perderá a novela: oração coordenada sindética alternativa.
Ou você se empenha mais, ou perde o emprego!
Na construção civil, deve-se fazer um bom projeto ou se correrá um risco alto.
Ora faz frio, ora faz calor.
4. Conclusivas: expressam uma decorrência lógica, uma conclusão do que se afirma na outra
oração.
Principais conectores: logo, portanto, então, por conseguinte, pois (posposto ao verbo), por
isso.
Ele é muito sábio: escuta, pois, seus conselhos.
● Ele é muito sábio: oração coordenada assindética.
● Escuta, pois, seus conselhos: oração coordenada sindética conclusiva.
Trabalhou como nunca havia trabalhado antes, por isso ganhou muito dinheiro.
Ele é um bandido, logo deve ir para a cadeia.
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5. Explicativas: introduzem uma explicação, um motivo para que se diga algo (aquilo que é
dito na outra oração).
Principais conectores: que, porque, porquanto, pois (anteposto ao verbo).
Escuta seus conselhos, pois ele é muito sábio.
● Escuta seus conselhos: oração coordenada assindética.
● Pois ele é muito sábio: oração coordenada sindética explicativa.
Obs.: o uso do pronome "seus", nas duas frases acima, não gera ambiguidade. Isso se deve
ao fato de o emissor dirigir-se ao receptor em 2ª pessoa, tratando-o por "tu" (o verbo
"escuta" é o imperativo de "escutar" na 2ª pessoa do singular - tu). Logo, no caso, "seus
conselhos" só pode se referir à pessoa de quem se fala, ao sábio, e de forma alguma ao
receptor da mensagem.
Não invente desculpas, que é muito pior.
Choveu, porque o chão está molhado.
Atente-se para o seguinte:
Os conectores "e" e "mas" podem ser usados um com o valor do outro.
● Foi elogiado e não agradeceu. (= mas)
● "Não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal..." (= e)
Não confunda a oração coordenada explicativa com a oração subordinada adverbial
causal. Esta introduz o fato gerador do que se afirma na oração principal; aquela traz uma
justificativa ou uma evidência para o que é dito na oração com que se relaciona.
● Ele está doente porque tomou chuva ontem. (Causal. Ter tomado chuva gera a
doença).
● Ele deve estar doente, porque não vai ao trabalho há dias. (Explicativa. A ausência ao
trabalho não é a causa da doença, mas a evidência em que se baseia a suposição do
falante).
7.2 PERÍODO COMPOSTO POR SUBORDINAÇÃO
No período composto por subordinação, umas orações (subordinadas) funcionam
como termos de outras (principais). Aquelas exercem funções sintáticas nestas.
Veja um exemplo:
Solicitei que me enviassem os documentos.
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● Solicitei: oração principal.
● Que me enviassem os documentos: oração subordinada substantiva objetiva direta
(exerce a função de objeto direto da principal).
As orações subordinadas podem ser de três tipos: adjetivas, adverbiais e substantivas.
A classificação depende da função que elas exercem na oração principal.
As orações subordinadas podem ser:
A. Adjetivas, que se subdividem em:
● Explicativas
● Restritivas
B. Adverbiais, que se subdividem em:
● Causais
● Consecutivas
● Conformativas
● Concessivas
● Comparativas
● Condicionais
● Finais
● Temporais
● Proporcionais
Observação: existem também as orações adverbiais modais e locativas, não previstas pela
Nomenclatura Gramatical Brasileira, citadas por gramáticos como Cegalla.
C. Substantivas, que se subdividem em
● Subjetivas
● Objetivas diretas
● Objetivas indiretas
● Predicativas
● Completivas nominais
● Apositivas
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Observação: existem também, ainda que não mencionadas pela Nomenclatura Gramatical
Brasileira, as orações substantivas que exercem função de agente da passiva.
ORAÇÕES SUBORDINADAS ADJETIVAS
São orações que equivalem a um adjetivo.
São introduzidas por pronome relativo.
1.Orações subordinadas adjetivas explicativas: explicam o sentido de um termo
antecedente (substantivo ou palavra em função substantiva). Referem-se a todos os
elementos de um conjunto (mesmo que esse conjunto seja unitário), ou seja, não restringe o
significado do termo retomado.
As orações explicativas vêm separadas ou isoladas por vírgula.
Muitas pessoasquerem visitar o Brasil, que agora está no centro das atenções.
Mário, o qual nasceu pobre, venceu na vida.
Meu tio, que chegou do exterior, trouxe-me presentes.
2. Orações subordinadas adjetivas restritivas: retomam um termo antecedente limitando
sua significação, ou seja, restringindo-o.
Cão que ladra não morde.
Os políticos cujos mandados foram cassados sequer se envergonharam.
Criminosos que não representam risco à sociedade deveriam pagar multas altas e prestar
serviço comunitário.
IMPORTANTE: FUNÇÃO SINTÁTICA DOS PRONOMES RELATIVOS
Os pronomes relativos exercem função sintática nas orações que introduzem. Essa
função é a mesma que seria exercida pelo termo retomado (chamado referente) se ele
estivesse lá. Logo, para descobrir a função sintática de um pronome relativo, devemos seguir
estes passos:
1 - Separar a oração adjetiva;
2 - Encontrar o referente do pronome relativo;
3 - Substituir, na oração adjetiva separada, o pronome relativo pelo referente;
4 - Fazer a análise sintática da oração separada, mas já com o referente no lugar do pronome
relativo.
Exemplo: qual a função do termo sublinhado no exemplo abaixo?
Eu não gosto de pessoas que mentem.
Passo 01: separar a oração adjetiva
● Que mentem.
Passo 02: encontrar o referente do pronome relativo (estará sempre antes dele!)
● Pessoas
Passo 03: substituir o pronome relativo pelo referente na oração adjetiva.
● Que mentem: pessoas mentem.
Passo 04: fazer a análise da oração criada.
● Pessoas mentem.
o Pessoas: sujeito; mentem: VI.
RESPOSTA: o pronome relativo QUE exerce a função de sujeito.
Outros exemplos:
● O lugar onde moro é distante.
o Moro no lugar. (Adjunto adverbial de lugar)
▪ Onde é adjunto adverbial de lugar.
● A mulher cujos filhos desapareceram está desesperada.
o Os filhos da mulher desapareceram.(Adjunto adnominal)
▪ Cujos é adjunto adnominal.
● Aquele é o hotel a que me referi.
o Referi-me ao hotel. (objeto indireto)
▪ Que é objeto indireto.
ORAÇÕES SUBORDINADAS ADVERBIAIS
São orações que exercem a função de adjunto adverbial.
São introduzidas pelas conjunções subordinativas adverbiais.
1. Orações subordinadas adverbiais causais: expressam a causa daquilo que é dito na oração
principal.
Principais conectores: porque, que, pois, como, porquanto, visto que, visto como, já que, uma
vez que, desde que.
A menina está chorando porque se machucou.
Uma vez que foram empossados mais fiscais da Receita, a fiscalização aumentou na
alfândega.
Como aqueles alunos não faziam silêncio, expulsei-os de sala.
2. Orações subordinadas adverbiais consecutivas: expressam a consequência daquilo que se
afirma na oração principal.
2023 | CRIMINOLOGIA | 65
Principais conectores: que (precedido dos termos intensificadores tal, tão, tanto, tamanho,
que às vezes podem vir subentendidos), de sorte que, de modo que, de forma que, de
maneira que, sem que, que (não).
O frio era tanto que não saímos de casa.
No último fim de semana estive ocupado, de sorte que não fui à festa.
Andei que meu pés doeram. (= andei tanto que...)
3. Orações subordinadas adverbiais conformativas: indicam que algo acontece em
conformidade com o fato expresso na oração principal.
Principais conectores: como, conforme, segundo, consoante.
Fez tudo como manda a lei.
Segundo me disseram, o governador estará na cidade amanhã.
O processo licitatório, conforme no informaram as autoridades, será finalizado em uma
semana.
4. Orações subordinadas adverbiais concessivas: introduzem um fato que é aceito, admitido,
em oposição ao fato apresentado pela oração principal. É como se fosse uma quebra de
expectativa.
Principais conectores: embora, conquanto, que, ainda que, mesmo que, ainda quando,
mesmo quando, posto que, por mais que, por muito que, por menos que, se bem que, em que
pese...
Por mais que eu quisesse, não me esquecia.
Não conquistou a simpatia dos presentes embora fosse muito agradável.
Posto que chovesse, fomos todos nadar.
5. Orações subordinadas adverbiais comparativas: contêm o segundo elemento de uma
comparação.
Principais conectores: como, (tal) qual, tal e qual, assim como, (tal) como, (tão/tanto) como,
(mais) que/(mais) do que, (menos) que/(menos) do que, (tanto) quanto, que nem, feito (=
como, do mesmo modo que), o mesmo que (= como).
O carro é tal qual você havia dito.
Aqueles olhos luziam como brilha uma estrela.
2023 | CRIMINOLOGIA | 66
O verbo da oração comparativa, por muitas vezes ser igual ao da oração principal,
pode vir subentendido:
Ele fala tanto quanto a mãe (fala).
6. Orações subordinadas adverbiais condicionais: expressam uma condição, um fato sem o
qual aquilo que está expresso na oração principal não pode ocorrer.
Principais conectores: se, caso, contanto que, desde que, salvo se, sem que (= se não), a não
ser que, a menos que, dado que.
Tudo dará certo desde que você diga a verdade.
Os consumidores ficarão felizes caso a redução nas tarifas de energia realmente aconteça.
Se você quiser, envio-lhe minhas anotações.
7. Orações subordinadas adverbiais finais: indicam a finalidade, o objetivo daquilo que é
expresso na oração principal.
Principais conectores: para que, a fim de que, que (= para que).
Experimente para que possa avaliar.
O município criou programas sociais a fim de que se reduzam os níveis de criminalidade.
8. Orações subordinadas adverbiais temporais: expressam o momento em que ocorre o fato
da oração principal.
Principais conectores: quando, enquanto, logo que, mal (= logo que), sempre que, assim que,
desde que, antes que, depois que, até que, agora que, ao mesmo tempo que, toda vez que.
Mal entrei no banho, bateram à porta.
Enquanto aguardo minha vez, leio um livro.
O turismo só vai melhorar em certas cidades quando problemas de segurança pública forem
resolvidos.
9. Proporcionais: indicam proporcionalidade ente os fatos enunciados.
2023 | CRIMINOLOGIA | 67
Principais conectores: à proporção que, à medida que, ao passo que, quanto mais... (tanto
mais), quanto mais... (tanto menos), quanto menos... (tanto mais), quanto mais... (mais),
(tanto)... quanto.
Quanto mais você reclama, menos eu me importo.
Os indicadores sociais melhoram à medida que a distribuição de renda aumenta.
O poder de compra diminui ao passo que a inflação sobe.
Existem, como foi dito, orações adverbiais que não são oficialmente previstas pela
Nomenclatura Gramatical Brasileira, mas que são reconhecidas pelos gramáticos e cobradas
em concursos. A mais comum é a oração adverbial modal, que transmite a ideia de modo,
como a que segue:
Entrou em casa sem que ninguém o ouvisse.
São comuns também as orações adverbiais locativas, que equivalem a um adjunto
adverbial de lugar, como esta:
"Onde me espetam, fico." (Machado de Assis)
ORAÇÕES SUBORDINADAS SUBSTANTIVAS
As orações subordinadas substantivas exercem funções próprias de substantivos.
São introduzidas por conjunções integrantes (que, se), pronomes indefinidos (quem,
qual, que, quanto) e advérbios interrogativos (como, quando, onde, por que, quão).
1.Orações subordinadas substantivas subjetivas: exercem a função de sujeito do verbo da
oração principal.
Sabe-se que nada será feito.
Pode me dar ordens quem paga meu salário.
Ficou decidido que eu seria o novo síndico.
2. Orações subordinadas substantivas objetivas diretas: são objeto direto do verbo da
oração principal.
Esqueci onde parei o carro.
Não sei quantos virão ao evento.
Peço que me compreenda.
3. Orações subordinadas substantivas objetivas indiretas: são objeto indireto do verbo da
oração principal.
Não se esqueça de que tem compromisso hoje.
Entregarei a encomenda a quem estiver no local.
2023 | CRIMINOLOGIA | 68
Todos insistiam em que as mudanças fossem realizadas.
4. Orações subordinadas substantivas predicativas: funcionam como predicativo do sujeito
da oração principal.
Seu medo era que acontecesse algum acidente.
Mariana é quem mais estuda.
Para mim, lar é onde a família está.
5. Orações subordinadas substantivas completivas nominais: funcionam como
complementonominal de um termo da oração principal. Vêm regidas de preposição.
Sou contrário a que prendam os manifestantes.
De vez em quando, tenho a sensação de que estou sendo observado.
Aqueles rapazes eram muito gratos a quem os ajudara.
6. Orações subordinadas substantivas apositivas: funcionam como aposto de um termo da
oração principal. Vêm separas por vírgula ou dois pontos.
Tenho apenas um grande receio: que não me aprovem no exame de direção.
Desejo uma coisa: que façam uma boa viagem.
Como mencionado, existem orações substantivas que exercem a função de agente da
passiva, com esta:
A casa foi demolida por quem dirigia o trator.
7.3 ORAÇÕES REDUZIDAS
Orações reduzidas são aquelas que não possuem conector e apresentam verbo em
uma das formas nominais (infinitivo, gerúndio ou particípio).
As orações reduzidas, em geral, podem ser desenvolvidas. Para isso, basta
conceder-lhes um conector e conjugar o verbo. Alguns exemplos:
Espero poder te encontrar. - Espero que possa te encontrar.
Estudando bastante, aprenderá. - Se estudar bastante, aprenderá.
Alguns exemplos de orações reduzidas com suas classificações:
2023 | CRIMINOLOGIA | 69
a. Orações reduzidas de infinitivo:
● Oração substantiva subjetiva reduzida de infinitivo:
o Custou-me terminar a faculdade.
● Oração substantiva objetiva direta reduzida de infinitivo:
o Algumas pessoas sabem envelhecer bem.
● Oração subordinada adverbial temporal:
o Ao correr, use calçados apropriados.
● Oração subordinada adverbial temporal reduzida de infinitivo:
o Para passar logo no concurso, estudo várias horas por dia.
b. Orações reduzidas de gerúndio:
● Oração subordinada adjetiva reduzida de gerúndio:
o Vi meus amigos bebendo no bar. (= que bebiam no bar)
● Oração subordinada adverbial condicional reduzida de gerúndio:
o Tentando, conseguirá. (=se tentar)
● Oração coordenada aditiva reduzida de gerúndio:
o Afastou-se depressa, sumindo no horizonte. (= e sumiu)
c. Orações reduzidas de particípio:
● Oração subordinada adjetiva reduzida de particípio:
o O menino quebrou o carrinho comprado pelo pai. (= que o pai comprou)
● Oração subordinada adverbial temporal reduzida de particípio:
o Terminada a aula, os alunos deixaram o curso. (= quando terminou)
● Oração subordinada adverbial causal reduzida de particípio:
o Muito envolvido com o trabalho, esqueceu-se do aniversário da esposa. (=
porque estava muito envolvido)
Os exemplos citados não esgotam todos os tipos de orações reduzidas existentes.
7.4 PERÍODO COMPOSTO POR COORDENAÇÃO E SUBORDINAÇÃO
O período pode, simultaneamente, apresentar orações coordenadas e subordinadas,
sendo composto por coordenação e subordinação. Esse tipo de período pode ser chamado
também de período misto.
[Escutei tudo com atenção] e [percebi] [que a situação era séria.]
● As orações escutei tudo com atenção e percebi são orações coordenadas entre si.
● Percebi é, além de oração coordenada, oração principal de que a situação era séria.
● Que a situação era séria é oração subordinada a percebi. Exerce função de objeto
direto.
Orações subordinadas podem ser coordenadas entre si. Veja:
[Para passar num concurso],[é importante] [que estude] e [que se mantenha calmo na
hora da prova].
● As orações que estude e que se mantenha calmo na hora da prova são coordenadas
entre si, mas ambas são orações substantivas e exercem função de sujeito do verbo
"ser", da oração é importante. Esta é a oração principal daquelas.
2023 | CRIMINOLOGIA | 70
● Para passar num concurso é oração adverbial reduzida, também subordinada, e que
exerce a função de adjunto adverbial de finalidade nesse período.
[Só tem amigos] [que o ofendem] e [o maltratam.]
● As orações que o ofendem e o maltratam (= que o maltratam) são orações
subordinadas adjetivas restritivas. Elas são coordenadas entre si e subordinadas a só
tem amigos, que é a oração principal do período.
[Quando eu saí de casa] e [peguei o táxi], [a chuva já estava caindo].
● As orações quando eu saí de casa e peguei o táxi (= quando peguei o táxi) são orações
adverbiais coordenadas entre si e subordinadas a a chuva já estava caindo, que é a
oração principal do período.
7.5 ORAÇÕES INTERFERENTES OU INTERCALADAS
São orações que não fazem parte do período, mas a ele são acrescentadas como um
comentário, uma ressalva, uma opinião, um esclarecimento ou, até mesmo, a indicação da
fala de alguém.
Podem vir entre vírgulas, entre parêntesis ou entre travessões.
Certa vez, disse ele, encontrei-me com uma celebridade nesta praça.
E agora - pensava Ana - preciso concentrar-me novamente nos estudos.
Meus melhores amigos da infância (digo com pesar) já não mantêm mais contato comigo.
2023 | CRIMINOLOGIA | 71
8 REGÊNCIA VERBAL E NOMINAL
O estudo da regência visa a determinar como se dá a complementação de verbos e
nomes.
O que mais se cobra em provas em relação a este assunto é a regência verbal. Por
isso, veremos alguns casos importantes.
CASOS DE REGÊNCIA VERBAL
1.São intransitivos os verbos ir, chegar, comparecer, voltar, retornar. Esses verbos devem
ser usados com a preposição (A).
● Chegou em casa. (ERRADO)
● Chegou a casa. (CERTO)
● O ministro das relações exteriores compareceu à reunião da ONU.
● Voltarei à Europa no próximo ano.
Observação: é possível usar alguns desses verbos com a preposição (DE), desde que eles
indiquem origem: ele acabou de chegar dos Estados Unidos.
2. São transitivos diretos os verbos namorar, pisar e implicar.
● O atraso na devolução dos livros implicará multa.
● Cuidado para não pisar o cimento fresco.
3. Os verbos informar, comunicar, cientificar, avisar, notificar e outros de significação
semelhante são, normalmente, bitransitivos, devendo apresentar um OD e um OI. As
preposições aceitas são (DE) ou (SOBRE).
● Informou-lhe sobre os novos preços. (ERRADO - dois objetivos indiretos).
● Informou-o os novos preços. (ERRADO - dois objetos diretos).
● Informou-lhe os novos preços. (CERTO)
● Informou-o dos (ou sobre os) novos preços. (CERTO).
4. Os verbos pagar e perdoar são transitivos diretos com pessoas e indiretos com coisas
(preposição A). Podem ser bitransitivos, desde que sigam a regra enunciada.
● Pagou a dívida. (VTD - coisa)
● Pagou ao credor. (VTI - pessoa)
● Pagou a dívida ao credor. (VTDI)
● Pagou-lhe a dívida. (LHE - OI; a dívida - OD)
● Pagou-a ao credor. (A - OD; ao credor - OI)
5. O verbo atender é preferencialmente transitivo direto com pessoas e indireto com coisas
Preposição A).
● Naquela loja atendem muito bem os clientes.
● Naquela loja atendem muito bem aos pedidos dos clientes.
6. O verbo preferir é, normalmente, bitransitivo. Seu objeto indireto exige deve ser
introduzido pela preposição (A). Não se deve usar expressões como mais (do) que, menos
(do) que, muito, pouco etc. para intensificar a preferência.
● Prefiro mais estudar do que trabalhar.( ERRADO)
2023 | CRIMINOLOGIA | 72
● Prefiro estudar a trabalhar. (CERTO).
● Prefiro mais felicidade a mais dinheiro. (CERTO - nessa frase, o "mais" não intensifica
o verbo. Ele acompanha os nomes felicidade e dinheiro).
Observação: o verbo preferir pode ser usado como VTD: prefiro este carro.
7. Os verbos obedecer e desobedecer são transitivos indiretos e exigem a preposição (A).
● Não desobedeça a seus pais.
● O julgamento dos acusados de corrupção obedeceu às normas processuais.
8. Os verbos esquecer e lembrar podem ser ou não pronominais:
● VTD e não pronominal:
o As pessoas esquecem a realidade.
o Lembrei a data da prova.
● VTI e pronominal (preposição DE):
o As pessoas se esquecem da realidade.
o Lembrei-me da data da prova.
9. Há diversos verbos que mudam de sentido quando mudam de regência.
a. Aspirar
● = desejar: VTI (prep. A)
o Aspira a um cargo público há anos.
● = cheirar, sugar: VTD
o É bom aspirar o ar puro do campo.
b. Assistir
● = morar: VI (prep. EM)
o Assisto em Belo Horizonte.
● = ver: VTI (prep. A)
o A população assiste às injustiças sociais.
● = prestar assistência: VTD
o Um bom advogado sabe como assistir os clientes.
c. Visar● = objetivar: VTI (prep. A)
o Visávamos ao sucesso profissional.
● = dar visto, assinar: VTD
o Pediram-me que visasse o documento.
d. Custar
● = ser difícil: VTI (prep. A). Apresenta sujeito oracional
o Custou aos filhos convencer os pais.
▪ Sujeito de custar: convencer os pais.
▪ Objeto indireto: aos filhos.
o Os filhos custaram a convencer os pais. (ERRADO)
● = acarretar: VTDI (prep. A).
o Pagar a faculdade dos filhos custou sacrifícios aos pais.
2023 | CRIMINOLOGIA | 73
▪ Sujeito de custar: pagar a faculdade dos filhos.
▪ Objeto direto: sacrifícios.
▪ Objeto indireto: aos pais.
e. Proceder
● = ser procedente/ter fundamento: VI
o Este argumento não procede.
● = comportar-se/agir: VI (pode vir acompanhado de adjuntos adverbiais)
o Como ele procedeu ontem?
● = dar início: VTI (prep. A)
o Procedemos à leitura dos autos.
Observações:
● em muitos casos, a transitividade verbal é contextual, ou seja, muda conforme o uso
que se faz do verbo. É preciso estar sempre atento ao que foi escrito, e não somente
memorizar as regras.
● a regência da “vida real” difere, com enorme frequência, da regência prescrita pela
norma-padrão. Mesmo pessoas com acesso à educação formal, muitas vezes, acabam
por não observar as regras tradicionalmente estabelecidas para a regência verbal.
Essa grande variação dos falares exige do candidato o estudo constante das provas
anteriores das bancas organizadoras dos concursos que planeja fazer, a fim de
compreender se o posicionamento da instituição é mais ou menos tradicional.
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9 CRASE
A crase é o fenômeno sintático definido como a fusão de duas vogais iguais. Na
língua portuguesa, para fins de concurso, somente interesse a crase que ocorre com a vogal
A.
A ocorrência de crase é marcada com o uso do acento grave. Note que "crase" é o
nome do fenômeno, e "acento grave" o nome do sinal gráfico usado para marcá-lo.
REGRAS GERAIS DE CRASE
1. . Ocorrerá crase sempre que a preposição A fundir-se com
● O artigo a/as
o Ele mandou flores à amiga. (MANDAR: algo A alguém - preposição se funde
com o artigo que determina a palavra "amiga").
o Referiu-se às pessoas que estavam presentes.
● O pronome demonstrativo a/as (= aquela)
o A medida adotada pelo Brasil é semelhante à que foi aplicada na Inglaterra
anos atrás. (= aquela que).
● O A inicial dos pronomes demonstrativos aquele(s), aquela(s), aquilo
o Entregue o envelope àquele rapaz.
2. Ocorrerá crase na indicação de horas determinadas:
● A posse dos novos vereadores começou às quatro da tarde.
Para indicar intervalos de tempos, use DAS - ÀS:
● A aula vai das 13h às 17h.
3. Ocorrerá crase nas locuções
● Adverbiais femininas, como à direita, à esquerda, à frente, às vezes, à toa, à mesa
etc.
o Depois de passar pelo restaurante, vire à direita.
● Prepositivas femininas, como à custa de, à força de, à procura de etc.
o Conseguiu tudo o que tem à custa de muito esforço.
● Conjuntivas, como à medida que, à proporção que.
o À medida que o tempo passa, tenho mais certeza do que quero.
Atenção: sempre haverá crase nas expressões adverbiais "à moda de" e "à maneira de",
mesmo que "moda" e "maneira" estejam subentendidas e mesmo antes de palavra
masculina.
● Bife à milanesa. (= à moda milanesa)
● Ele escreve à Machado de Assis. (= à maneira de Machado de Assis)
CASOS PROIBIDOS DE CRASE
1. Diante de palavras masculinas
A cozinha cheira a alho.
2023 | CRIMINOLOGIA | 75
Todas essas casas velhas darão lugar a edifícios modernos.
2. Diante de palavras femininas usadas em sentido geral, indeterminado.
Não devemos dar confiança a pessoa suspeita.
● Note que, nessa frase, estamos falando de qualquer pessoa suspeita. O uso do acento
grave não acarretaria erro, mas implicaria mudança de sentido. Dizer não devemos
dar confiança à pessoa suspeita faria com que o suspeito em questão fosse alguém
conhecido, determinado, e não qualquer pessoa do mundo que agisse de forma
suspeita.
Não dê ouvidos a criança mimada.
3. Em locuções formadas com a repetição de palavras, como frente a frente, cara a cara,
boca a boca, gota a gota etc.
Eles ficaram cara a cara para resolver o problema.
4. Diante de artigos indefinidos, pronomes pessoais, pronomes de tratamento, pronomes
demonstrativos não iniciados pela letra A e da maioria dos pronomes indefinidos.
Na hora do aperto, eles sempre recorrem a mim.
Chegaram ao parque a uma hora tranquila. (uma hora = hora qualquer, e não 1h).
Faça sua pergunta que responderei a você.
Nunca mais contarei segredos a essa pessoa.
Observação: excetuam-se a essa regra os pronomes de tratamento senhora e senhorita:
Sou muito agradecido à senhora!
5. Diante de palavras no plural, se o A estiver no singular.
Sempre manda recados a amigas da faculdade.
Observação: se o "a" for para o plural, ocorrerá crase: sempre manda recados às amigas da
faculdade.
6. Diante de verbos
Aquela loja vende sofás com preços a partir de quinhentos reais.
7. Depois de preposição, com exceção de ATÉ
O réu deverá comparecer perante a juíza na semana que vem.
8. Antes de nomes próprios completos
Envie esta carta a Maria Clara dos Santos, por favor.
Observação: se o nome próprio for utilizado em trato íntimo, poderá haver crase. Isso ocorre
porque o uso de artigo antes de nomes de pessoas indica proximidade. O uso do nome
completo, por sua vez, indica distanciamento, repelindo o artigo.
Entreguei o presente à Bárbara. (CORRETO - trato familiar)
Entreguei o presente a Bárbara. (CORRETO, mas sem denotação familiar)
Entreguei o presente a Bárbara Coelho. (CORRETO - com o nome completo, a crase não
poderá ocorrer).
2023 | CRIMINOLOGIA | 76
CASOS FACULTATIVOS DE CRASE
1. Antes de pronomes possessivos femininos desde que
● O "A " esteja no singular;
● O pronome esteja no singular;
● Não haja palavra subentendida.
Fez menção a sua última conquista. (CERTO - facultativa)
Fez menção à sua última conquista. (CERTO - facultativa)
Fez menção a suas últimas conquistas. (CERTO - proibida)
Fez menção à conquista dele, não às minhas. (CERTO - obrigatória - palavra subentendida -
"minhas conquistas").
Observação: isso ocorre porque, antes de pronomes possessivos, é facultativo o uso do
artigo.
2. Depois da preposição ATÉ
Foi até a padaria.
Foi até à padaria.
Observação: isso ocorre porque, depois da preposição ATÉ, é facultativo o uso da
preposição A.
ATENÇÃO A ESTES CASOS DE CRASE
1. Diante de nomes de lugar (topônimos)
● Topônimos femininos admitem crase (Bahia, Europa, Inglaterra etc.)
● Topônimos neutros não admitem crase (Belo Horizonte, São Paulo, Roma, Minas
Gerais etc.)
● Topônimos neutros especificados admitem crase.
Voltou a Roma naquele Natal. ("Roma" é neutro - sem crase)
Irei à São Paulo da garoa no próximo mês. ("São Paulo" é neutro, mas está especificado por
"da garoa").
Tenho muita vontade de regressar à Bahia! ("Bahia" é feminino - com crase).
Para saber se um topônimo é feminino ou neutro, use a seguinte fórmula:
Vou a Belo Horizonte, volto de Belo Horizonte. (a - de: neutro)
Vou à Itália, volto da Itália. (à - da: feminino)
2 Diante das palavras terra, casa e distância.
● Sem especificador - sem crase:
o Eu observo pássaros a distância.
o Cheguei a casa por volta de duas da manhã.(= residência)
o Os marinheiros voltara a terra (= chão)
● Com especificador - com crase:
o Eu observei o pássaro à distância de dez metros.
o Cheguei à casa de meus pais por volta das duas da manhã.
2023 | CRIMINOLOGIA | 77
o O astronauta acabou de regressar à Terra. (= planeta Terra)
3. Com os pronomes relativos A QUAL e AS QUAIS.
Haverá crase quando o termo consequente da oração adjetiva exigir a preposição A.
● Aquelas são as pessoas às quais me referi ontem. (Referir-se A algo/alguém).
● Você acabou tomando a atitude à qual eu sempre fui contrário. (Ser contrário A
algo/alguém).
4. Antes de QUE e DE.
Haverá crase quando o A(S) for um pronome demonstrativo (com valor de
"aquela(s)").
Ele pediu que servíssemos um drink à de azul. (= àquela de azul).
Nenhumadas motos e superior à que você comprou. (àquela que você comprou).
5. Diante de numerais
Em frases como “moro a três quadras daqui”, não ocorre crase porque não há artigo
antes do numeral. Caso o numeral admita artigo, poderá haver crase (desde que haja a
preposição “a”). Veja:
Moro a três quarteirões daqui. (não há artigo)
Moro a três quadras daqui. (não há artigo)
Referiu-se aos três quarteirões que separam sua casa da minha. (há artigo; não há crase
porque se trata de termo masculino)
Referiu-se às três quadras que separam sua casa da minha. (há artigo; ocorre crase porque a
preposição se funde a ele)
2023 | CRIMINOLOGIA | 78
10 CONCORDÂNCIA
As regras de concordância determinam que os termos relacionados entre si devem se
combinar em suas flexões.
Existem três tipos de concordância: lógica, atrativa e ideológica (ou silepse).
● Concordância lógica: feita com o núcleo ou os núcleos do termo.
o A maioria das pessoas foi enganada.
● Concordância atrativa: feita com o termo mais próximo.
o A maioria das pessoas foram enganadas.
● Concordância ideológica (ou silepse): feita com um termo externo à frase ou com a
ideia que ele sugere.
o Vossa Senhoria está muito bem-vestido hoje.
o Os brasileiros somos batalhadores.
2023 | CRIMINOLOGIA | 79
11 CONCORDÂNCIA VERBAL
É a que se estabelece entre o verbo e o seu sujeito.
1. Concordância com o sujeito simples: o verbo concorda com o sujeito em número e
pessoa.
Vós fostes convocados para depor.
Eu não sabia nada sobre o assunto.
O país pôde representar bem seus interesses durante as negociações.
Problemas existem.
2. Concordância com o sujeito composto:
● A regra geral é que o verbo concorde com a soma dos núcleos (vai para o plural).
o Esperança, fé e perseverança orientavam suas ações.
o Alunos e diretores reuniram-se durante horas.
● Se o sujeito composto vem posposto ao verbo, pode haver concordância lógica
(plural) ou atrativa (com o substantivo mais próximo, que pode estar no plural ou
no singular).
o Não existiam cama e mesa naquela casa velha.
o Não existia cama e mesa naquela casa velha.
o Chegaram cedo os meninos e sua mãe. (Aqui, como o núcleo mais próximo do
verbo está no plural - os meninos - seja a concordância lógica, seja atrativa, o
verbo ficará no plural).
● Se os núcleos do sujeito forem sinônimos ou formarem uma gradação, o verbo
poderá ficar no plural ou no singular.
o Decência e honestidade é essencial para viver em sociedade (ou são
essenciais).
o Uma vontade, um desejo, uma obsessão surgiu de repente. (ou surgiram).
● Se o sujeito composto apresentar núcleos de pessoas diferentes, o verbo irá para o
plural na pessoa que prevalecer: 1ª pessoa prevalece sobre 2ª e 3ª; 2ª pessoa
prevalece sobre a 3ª.
o Faremos a prova amanhã Marina e eu. (Ela + eu = Nós)
o Tu e tua irmã sois grandes amigos.
Observação: muitos gramáticos consideram equivalentes a 2ª e a 3ª pessoas, não
estabelecendo prevalência entre elas.
3. Alguns casos de concordância:
a. Sujeito oracional: o verbo cujo sujeito é uma oração fica na 3ª do singular.
É importante que você respeite os mais velhos.
b. Sujeito cujos núcleos sejam verbos no infinitivo: se os infinitivos vierem determinados
por artigo, o verbo vai para o plural; se não vierem, o verbo pode ir para o plural ou ficar no
singular.
Medir e avaliar constitui tarefa importante ou medir e avaliar constituem tarefa
importante.
2023 | CRIMINOLOGIA | 80
O medir e o avaliar constituem tarefas importantes. (só plural)
c. Enumeração + pronome resumidor (tudo, nada, ninguém etc): verbo concorda com o
pronome.
Dinheiro, joias, mansões, carros, nada o satisfazia.
d. Núcleos do sujeito unidos por OU:
● Ideia de exclusão: concorda com o mais próximo:
o Marcos ou José concorrerá à presidência pelo partido X nas próximas eleições.
(só um deles pode concorrer pelo partido X)
● Se a ação puder ser praticada pelos dois núcleos, via de regra concorda com ambos:
o Só você ou seu sócio podem me ajudar.
e. Núcleos unidos por COM: quando se quer dar ênfase ao primeiro termo, concorda-se
somente com ele; quando se quer dar a mesma importância aos dois termos, concorda-se
com ambos.
Eu com meus irmãos preparei o jantar.
Eu com meus irmãos preparamos o jantar.
f. Núcleos unidos por NEM: no geral, concorda-se no plural. O verbo fica no singular quando
houver ideia de exclusão.
Nem Maria nem Carlos me chamaram para a festa.
Nem São Paulo nem Brasília sediará as Olimpíadas de 2016. (Só uma cidade pode ser
sede dos Jogos por vez).
g. Expressões partitivas (a maior parte de, a menor parte de, a maioria, a minoria etc.) ou
substantivos coletivos + determinante no plural: verbo pode ficar no singular ou ir para o
plural.
A maioria dos presentes reclamou/reclamaram da organização do evento.
Uma multidão de estudantes protestou/protestaram contra o aumento das tarifas de
ônibus.
h. Um dos que/uma das que: verbo faz concordância lógica ou atrativa.
Aquela mulher foi uma das que tomou/tomaram posse na Justiça Federal na semana
passada.
(Observação: há gramáticos que só aceitam o plural nesse caso; por isso, fique atento ao
posicionamento da banca!)
i. Pronome interrogativo ou indefinido + NÓS ou VÓS:
● Pronome interrogativo ou indefinido no singular: verbo no singular:
o Qual de nós realizará a tarefa?
o Qual de vós é o filho do prefeito?
● Pronome interrogativo ou indefinido no plural: verbo fica na 3ª do plural
(concordando com o pronome interrogativo ou indefinido) ou concorda com NÓS
ou VÓS.
o Quantos de nós realizarão/realizaremos as tarefas?
o Alguns de vós devem/deveis procurar ajuda.
2023 | CRIMINOLOGIA | 81
j. Expressão de quantidade aproximada + numeral: verbo concorda com o numeral.
Mais de um cão foi capturado.
Mais de duas pessoas chegaram atrasadas.
Observação: se houver noção de reciprocidade ao se usar "mais de um", o verbo deve ir para
o plural, como em mais de um dos presentes se encararam demoradamente.
k. Pronome relativo QUE na função de sujeito: verbo concorda com o referente do pronome
QUE.
Fomos nós que testemunhamos a seu favor.
l. Pronome relativo QUEM na função de sujeito: verbo concorda com o referente do
pronome QUEM ou fica na 3ª pessoa do singular.
Fomos nós quem testemunhamos a seu favor.
Fomos nós quem testemunhou a seu favor.
m. Pronomes de tratamento: quando o sujeito é pronome de tratamento, os verbos e
demais pronomes utilizados ficam na 3ª pessoa do singular ou do plural, conforme o caso:
Vossa Alteza governa com sabedoria.
Vossas Excelências querem que mandemos entregar os documentos em suas casas?
n. Substantivos próprios no plural (Estados Unidos, Andes, Campinas, Minas Gerais etc.): se
o nome vier precedido de artigo, o verbo vai para o plural. Se não, fica no singular.
Minas Gerais é um estado brasileiro.
As Minas Gerais têm uma rica história.
o. Verbos impessoais não têm sujeito e, por isso, ficam na 3ª do singular. O mesmo se
aplica aos verbos auxiliares de verbos impessoais.
Havia sensações estranhas no ar.
Vai fazer cinco anos que cheguei a esta cidade. (fazer é principal e transmite sua
impessoalidade ao seu auxiliar, ir).
Observação: quando o verbo HAVER funcionar como auxiliar de verbos que não sejam
impessoais, ele terá sujeito e concordará normalmente.
Todas as crianças já haviam feito seus pedidos de Natal.
Quando você chegou, nós já havíamos jogado baralho.
p. Verbos bater, soar e dar: concordam com o numeral.
Bateram dez horas.
q. Verbo parecer: quando se usa o verbo parecer + infinitivo, pode-se escolher entre
flexionar o parecer ou o infinitivo.
As medidas adotadas pelo governo pareciam surtir efeitos.
As medidas adotadas pelo governo parecia surtirem efeitos.
r. Concordância com numerais:
2023 | CRIMINOLOGIA | 82
● Numerais fracionários + determinante: verbo concorda com o numeral ou com o
determinante.
o 1/3 dos presentes ficou até o fim do show. (concorda com 1 - numerador)
o 1/3 dos presentes ficaram até o fim do show (concorda com presentes).
Se houver determinante antes do numeral, overbo deve concordar com o
determinante:
o Aquele 1/3 dos presentes que ficou até o fim do show gostava muito da
cantora.
● Numerais percentuais + determinante: de acordo com a posição dominante, pode
haver concordância lógica (com o numeral) ou atrativa (com o determinante). A
tendência atual, todavia, considera que, independentemente do numeral, somente
deve haver concordância com o determinante. Esse posicionamento já apareceu em
provas, então cabe ao candidato fica alerta.
o Naquela cidade, 50% da população possui/possuem armas.
2023 | CRIMINOLOGIA | 83
12 CONCORDÂNCIA NOMINAL
A concordância nominal é a que se estabelece entre os substantivos e seus
determinantes (artigos, pronomes e adjetivos).
1. Adjetivo na função de ajunto adnominal:
● Concorda em gênero e número com o substantivo a que se refere.
o A suntuosa casa tinha jardins magníficos.
● Quando o adjetivo se referir a mais de um substantivo:
o POSPOSTO: pode concordar com o conjunto (masculino plural) ou com o mais
próximo:
▪ Carro e casa caros/cara.
▪ Sapato e camisas bonitos/bonitas.
o ANTEPOSTO: concorda com o substantivo mais proximo:
▪ Antigos pratos e xícaras estavam expostos no antiquário.
▪ Antigas xícaras e pratos estavam expostos no antiquário.
● Quando dois adjetivos se referem a um só substantivo, há duas opções de
construção:
o Ele fala as línguas alemã e italiana.
o Ele fala a língua alemã e a italiana.
Atenção: em casos como ganhei de presente carteira e bolo saboroso, o adjetivo não poderá
concordar com os dois substantivos sob pena de se prejudicar o sentido da frase.
2. Adjetivo na função de predicativo do sujeito:
● O predicativo concorda em gênero e número com o sujeito simples.
o O país está pronto, o crescimento será grande.
● Se o sujeito for composto e o predicativo estiver posposto a ele, a concordância
deverá se dar com o conjunto.
o Investimento em educação e combate à corrupção são importantes.
● Se o sujeito for composto e o predicativo estiver anteposto a ele, poderá haver
concordância lógica ou atrativa.
o Estava vazia a rua e o bairro.
o Estavam vazios a rua e o bairro.
● As locuções é bom, é mau, é preciso, é necessário, é proibido etc., quando
funcionam como predicativo de sujeitos não determinados, ficam no masculino
singular.
o Entrada é proibido.
o A entrada é proibida.
o Fibras às refeições não é mau.
o Água de coco é bom.
o Esta água de coco é boa.
3. Adjetivo na função de predicativo do objeto:
2023 | CRIMINOLOGIA | 84
● O predicativo concorda em gênero e número com o objeto simples.
o Vi estacionados em frente à minha casa vários carros importados.
● Se o predicativo for posposto ao objeto composto, concordará com o conjunto de
núcleos.
o Peguei régua e lápis emprestados com um colega.
o Considerei suas acusações e declarações injustas.
● Se o predicativo for anteposto ao objeto composto, poderá concordar com o
conjunto ou com o núcleo mais próximo.
o Peguei emprestada uma régua e um lápis.
o Peguei emprestados uma régua e um lápis.
4. Outras regras de concordância nominal:
● O particípio, na voz passiva, concorda em gênero e número com o sujeito.
o Acusações sérias foram feitas contra aqueles políticos.
● Anexo, incluso, leso, obrigado, quite, próprio, nenhum: concordam com o
substantivo em gênero e número.
o Aquilo foi um crime de lesa-pátria.
o Envio anexos os documentos solicitados.
o Vai, inclusa, uma cópia de minha carteira de identidade.
o Eles não são nenhuns santos.
● Muito, bastante, barato, caro, pouco, meio, só etc.: variam quando se referem a
substantivos (ou pronomes) e são invariáveis quando se referem a verbos, adjetivos e
advérbios.
o As falhas na infraestrutura custarão caro para o Brasil.
o No Brasil, todos os produtos são caros.
o Só os bons momentos permanecem. (=apenas - invariável).
o Elas moram sós naquele apartamento imenso. (=sozinhas - variável).
o Os programas sociais obtiveram bastantes resultados.
o Os programas sociais obtiveram resultados bastante positivos.
● Em alerta, alerta, em anexo, a sós, menos: são sempre invariáveis.
o A cidade estava ruindo a olhos vistos.
o Seguem várias cartas em anexo.
o Faça menos reclamações.
o Aquela roupa está menos suja do que esta.
● Haja vista (ou hajam vista).
o Haja vista/hajam vista os problemas, desistiu de continuar.
o Haja vista sua dedicação, conseguiu o que queria. (aqui, o verbo não pode se
flexionar, pois o termo que vem depois, dedicação, está no singular).
● O adjetivo possível, quando usado em expressões superlativas, deve concordar com
o artigo que o precede.
o Eram questões o mais difícil possível.
o Eram questões as mais difíceis possíveis.
o Eram problemas o mais complexos possível.
o Eram problemas os mais complexos possíveis.
2023 | CRIMINOLOGIA | 85
13 FUNÇÕES DO SE
A partícula se pode exercer diversas funções:
1. Pronome:
a. Pronome apassivador (ou partícula apassivadora):
● Pode aparecer com VTDs e VTDIs;
● Coloca o verbo na voz passiva sintética;
● O verbo concorda com o sujeito paciente.
Não se falam mentiras nesta casa.
● Mentiras é o sujeito paciente do verbo falar.
Não se avisaram as consequências do atraso ao funcionário.
● As consequências do atraso é o sujeito paciente do verbo avisar.
b. Índice de indeterminação do sujeito:
● Pode aparecer com Vis, VTIs e VLs;
● O verbo fica na voz ativa;
● O sujeito é indeterminado;
● O verbo ficará sempre na 3ª pessoa do singular.
Era-se feliz nesta cidade.
Precisa-se de ajudantes.
Vive-se bem no Brasil.
c. Pronome reflexivo
● Exerce função de OD ou de OI;
● A oração deve ter sujeito (explícito ou implícito) na 3ª do singular;
● O sujeito pratica e sofre, simultaneamente, a ação expressa pelo verbo.
O menino cortou-se com a faca.
Olhava-se no espelho todo dia pela manhã.
d. Pronome integrante do verbo
● Acompanha verbos pronominais;
● Não exerce função sintática.
Dizem que ele se suicidou.
Não faz bem para você zangar-se constantemente.
e. Partícula expletiva
● É uma partícula de enfeite;
● Não é necessária para a frase;
● Pode ser suprimida.
Vão-se os anéis, ficam-se os dedos.
2023 | CRIMINOLOGIA | 86
A menina ria-se envergonhada.
2. Conjunção
a. Conjunção subordinativa adverbial condicional
● Introduz oração adverbial condicional;
● Expressa uma condição para que o fato enunciado na outra oração aconteça.
Se forem feitos investimentos nas áreas adequadas, a qualidade de vida da população
aumentará.
b. Conjunção subordinativa integrante
● Introduz oração substantiva;
● Une duas orações sem estabelecer uma relação de sentido.
Não sei se realmente farão investimentos nas áreas adequadas.
● A oração se realmente farão investimentos nas áreas adequadas é objeto
direto do verbo sei.
2023 | CRIMINOLOGIA | 87
14 FUNÇÕES DO QUE
O vocábulo que pode apresentar diversas naturezas. Veja algumas delas:
1. Pronome relativo: retoma um substantivo ou termo de natureza substantiva que
aparece antes dele e introduz oração adjetiva. Pode ser substituído por o qual, a qual,
os quais, as quais.
● As declarações [que a presidente fez em rede nacional] irritaram a oposição.
oQue retoma declarações.
2. Conjunção integrante: introduz oração substantiva.
● Todos já sabem que você passou no concurso.
oQue introduz o objeto direto de sabem.
3. Conjunção aditiva: tem valor de "e" e aparece entre verbos repedidos.
● Ele fala que fala! (= fala e fala).
4. Conjunção explicativa: introduz oração explicativa e, no geral, vem após imperativo.
● Apressa-te, que o ônibus está saindo.
5. Conjunção consecutiva: introduz a consequência do um fato expresso na oração
principal.
● Sentiu tanto medo que ficou paralisada.
6. Concessiva: introduz uma oração concessiva e equivale a embora, ainda que).
● Pouco que seja, coma! (= ainda que seja pouco, coma).
7. Final: equivale a para que e introduz uma finalidade, um objetivo.
● Olhou discretamente para mim e fez sinal que me calasse.
8. Causal: equivale a porque.
● Inteligente que é, não teve dificuldade na prova.
2023 | CRIMINOLOGIA | 88
15 PONTUAÇÃOou seja, devem-se pronunciar as
palavras para verificar como é feita sua divisão em sílabas. Há, na língua portuguesa, uma
regra básica de separação silábica: não existe sílaba sem vogal. Semivogais e consoantes
dependem de uma vogal para formar uma sílaba.
2023 | LÍNGUA PORTUGUESA | 5
Vejamos algumas regras práticas de separação silábica:
1. Não se separam letras que formem ditongos e tritongos: é-guas, lau-da, rei-no, fai-na,
ân-sia, ra-diou-vin-te, Pa-ra-guai.
2. Devem-se separar as vogais que formam hiatos: ri-o, ba-la-ús-tre, zo-o-ló-gi-co, hi-a-to.
3. Não se separam os dígrafos ch, lh, nh, gu e qu: e-qui-dis-tan-te, co-a-lha-da, som-bri-nha,
ta-char.
4. Separam-se os dígrafos rr, ss, sc, sç e xc: ar-re-pi-o, as-ses-sor, ex-cer-to, cres-ça.
5. A consoante que não for seguida de vogal ficará na sílaba anterior: tungstênio:
tungs-tê-nio (e não tun-gstê-nio); bíceps: bí-ceps (e não bí-ce-ps).
6. Consoante inicial que não é seguida de vogal não pode formar sílaba sozinha:
mne-mô-ni-ca, pneu-má-ti-co, psi-co-se.
7. A divisão silábica não leva em consideração os elementos mórficos das palavras (ver
morfologia - formação de palavras - prefixo, sufixo e radical): bi-sa-vô (e não bis-a-vô);
tran-sa-tlân-ti-co (e não trans-a-tlân-ti-co); su-ben-ten-di-do (e não sub-en-ten-di-do),
hi-per-a-ti-vo (e não hiper-a-ti-vo).
Atenção: em alguns casos, uma sílaba corresponde a um elemento mórfico. Isso
estará correto desde que se respeitem as regras de divisão silábica. Exemplos: bis-ne-to (o
prefixo bis formou uma sílaba sozinho); trans-po-si-ção (o prefixo trans formou uma sílaba
sozinho).
Observação: as palavras paroxítonas terminadas em ditongo crescente admitem duas
pronúncias diferentes. Pode-se pronunciar o conjunto de sons vocálicos finais como ditongo
ou como hiato. São exemplos as palavras história (que pode ser pronunciada como his-tó-ria
ou his-tó-ri-a), memória (me-mó-ria ou me-mó-ri-a) e tênue (tê-nue ou tê-nu-e).
Recomenda-se, porém, considerar palavras como essas como paroxítonas terminadas em
ditongo, e não como proparoxítonas terminadas em hiato. Ao solucionar questões que
cobrem divisão silábica ou acentuação gráfica, o candidato deve manter sua atenção
redobrada para esse detalhe.
1.6 CLASSIFICAÇÃO DAS PALAVRAS QUANTO AO ACENTO TÔNICO
O acento tônico é responsável por indicar, na palavra, qual sílaba é proferida com
mais intensidade. O acento tônico pode vir ou não marcado por um acento gráfico (agudo ou
circunflexo).
Em relação à posição do acento tônico (ou sílaba tônica), as palavras se classificam
em monossílabos tônicos, oxítonas, paroxítonas e proparoxítonas.
a. Monossílabos tônicos: palavras de uma sílaba que sejam pronunciadas com maior
intensidade.
São monossílabos tônicos substantivos, verbos, adjetivos e advérbios de apenas
uma sílaba:
Céu, luz, mar, má, é, ser, mal, mau, bom, bem, sol, dor, há.
São monossílabos átonos (aqueles pronunciados com baixa intensidade e que, por
isso, não possuem autonomia fonética) preposições, conjunções e artigos de apenas uma
sílaba:
2023 | LÍNGUA PORTUGUESA | 6
Mas, e, o, a, um, de, com, por.
Pronomes de uma só sílaba podem ser átonos ou tônicos. Atenção especial deve ser
dada aos pronomes pessoais oblíquos átonos e tônicos e ao seu uso. (Veja o capítulo
dedicado aos pronomes pessoais, em morfologia).
b. Oxítonas: palavras em que o acento tônico recai sobre a última sílaba, como aMAR,
agriculTOR, raPÉ, ciPÓ, guaraNÁ.
c. Paroxítonas: palavras em que o acento tônico recai sobre a penúltima sílaba, como MÁRtir,
TÁxi, aFÁvel, luminosiDAde, carpiDEIra.
d. Proparoxítonas: palavras em que o acento tônico recai sobre a antepenúltima sílaba,
como QUÍmica, quiloMÉtrico, carNÍvoro, equiLÁtero.
2023 | LÍNGUA PORTUGUESA | 7
2 ORTOGRAFIA
A ortografia é a parte da gramática que trata da escrita adequada dos vocábulos,
levando-se em consideração o correto emprego de letras e sinais gráficos.
Existem algumas dicas que podem ser transmitidas aos alunos com vistas a facilitar o
aprendizado das regras ortográficas, mas nada é mais eficiente do que o contato constante
com a variante escrita do idioma. A leitura frequente permite que se aprenda a grafar
corretamente mais e mais palavras. Trata-se, porém, de um grande desafio, pois nem sempre
a ortografia segue regras: muitas palavras são escritas de uma determinada forma por causa
de sua história, sua origem, sem que sua grafia se baseie em uma relação lógica com outras
semelhantes.
Atualmente, está em vigor o sistema ortográfico que decorre do Acordo Ortográfico
de 16 de dezembro de 1990, assinado com a finalidade de unificar a ortografia de diversos
países lusófonos. As mudanças na ortografia que afetaram os brasileiros envolvem,
sobretudo, acentuação gráfica, uso do hífen e o trema. Neste capítulo, sempre que
tratarmos de alguma regra alterada pelo Acordo, indicaremos como era e como ficou.
2.1 ALGUMAS REGRAS ORTOGRÁFICAS
1. Emprega-se a letra E:
a. Ao se grafarem formas de verbos terminados em -UAR e -OAR:
Continuar, pontuar, habituar: continue (e não continui), pontue, habitue.
Magoar, entoar, abençoar: magoe (e não magoi), entoe, abençoe.
b. Quando se usar o prefixo ANTE (anterior, antes), como em antevéspera, antebraço e
anteontem.
2. Emprega-se a letra I:
a. Ao se grafarem formas de verbos terminados em -UIR:
Diminuir, concluir, possuir: diminui, (e não diminue), conclui e possui.
b. Quando se usa o prefixo ANTI (contrário), como em antiácido, antiacadêmico e
antibiótico.
3. Emprega-se a letra G:
a. Em substantivos terminados em -agem, -igem e -ugem, como vagem, ferrugem, fuligem,
mensagem e viagem.
Observação: excetua-se à regra o substantivo pajem.
b. Em palavras terminadas em -ágio, égio, -ígio, ógio e úgio, como pedágio, régio, vestígio,
relógio e refúgio.
4. Emprega-se a letra J:
a. Na conjugação de verbos cujo infinitivo termine em -jar ou -jear.
Manejar: manejo, manejas, maneja, manejamos, manejais, manejam.
2023 | LÍNGUA PORTUGUESA | 8
Atenção: o substantivo viagem é escrito com G, mas o verbo viajar, ao ser conjugado,
dá origem à forma viajem, com J:
Desejo que eles viajem com segurança. (verbo)
Desejo-lhes uma boa viagem. (substantivo)
b. Em palavras de origem tupi-guarani ou africana, como canjica, jiboia, jiló e pajé.
5.Emprega-se a letra S:
a. Em adjetivos pátrios formados com os sufixos -ês e esa, como inglês-inglesa,
japonês-japonesa, português-portuguesa.
b. Em verbos que derivam de palavras cujo radical termina em -S, como analisar
(análise+ar), paralisar (paralisia+ar) e improvisar (improviso+ar).
c. Nas formas verbais de QUERER, PÔR e seus derivados: quiser, puser, depusesse,
impuseram etc.
6. Emprega-se a letra Z:
a. Em substantivos abstratos terminados em -eza, como limpeza, esperteza e riqueza.
b. Em verbos cujo infinitivo termina em -izar, pois seus radicais não terminam em -s, como
vulgarizar (vulgar+izar), civilizar (civil+izar), escravizar (escravo+ar) e deslizar (deslize+ar).
7. Emprega-se a letra X:
a. Em palavras de origem indígena ou africana, como muxoxo, orixá, xará e maxixe.
b. Depois de ditongo, como feixe, rouxinol, baixo e caixote.
Exceção: caucho e derivados (como recauchutagem).
Importante: palavras derivadas são grafadas com a mesma letra utilizada em sua
respectiva palavra primitiva. Por isso:
Laranja: laranjeira, laranjal.
Nojo: nojento, nojeira.
Casa: casarão, casebre.
Cruz: cruzeiro, cruzeirense.
Vaso: extravasar.
2.2 ALGUMAS DIFICULDADES ORTOGRÁFICAS
1. O Porquê
a. Escreve-se separado e sem acento: POR QUE.
● Quando é preposição por + pronome relativo que (equivale a pelo qual, pelos quais,
pela qual ou pelas quais).
Com o passar do tempo, esqueceu-se da mulher por que fora tão apaixonado. (= pela
qual).
Não entendo os motivos por que deixou de estudar. (= pelos quais).
2023 | LÍNGUA PORTUGUESA | 9
● Quando é preposição por + pronome interrogativo que (equivale a por qual razão ou
por qual motivo. Se vier no final da frase, deverá ser acentuado).
Por que você se atrasou ontem? (PorA pontuação é o recurso que se utiliza, na escrita, para tentar reproduzir aspectos da
língua falada (melodia, pausas, ênfase etc.).
O uso consciente da pontuação é de extrema importância para que se obtenha um
texto organizado e claro. Isso foi bem ilustrado nesta campanha publicitária da Associação
Brasileira de Imprensa:
(Fonte: http://www.abi.org.br/abi-virgula/)
USO DA VÍRGULA
A necessidade - ou não - de se usar a vírgula está relacionada à função sintática dos
termos que elas separarão. No geral, a vírgula marcará o deslocamento ou a intercalação de
termos.
1. Não se usa vírgula
o Entre sujeito e verbo.
o Professores de muitos estados do Brasil participaram das manifestações.
o Entre verbos e seus complementos.
o O juiz pediu aos presentes que fizessem silêncio.
o Entre nomes e adjuntos adnominais ou complementos nominais.
o As portas de madeira maciça não deixavam escapar nenhum ruído.
2023 | CRIMINOLOGIA | 89
Observação: nos casos acima, caso haja intercalação de oração ou de adjunto
adverbial entre os termos, poderá haver vírgula.
2. Usa-se a vírgula:
● Para separar termos de uma enumeração (termos que exercem mesma função
sintática)
o Estive em Paris, Londres, Roma e Praga.
o Brasil, Chile e Argentina estão em negociação.
● Para separar ou isolar o vocativo
o Caros eleitores, peço-lhes alguns minutos de atenção.
● Para separar ou isolar o aposto
o As provas do Cebraspe, banca organizadora dos concursos da Receita
Federal, estão entre as mais difíceis.
● Para separar ou isolar o adjunto adverbial deslocado (aquele que não está no fim da
oração)
o Na minha cidade natal, as pessoas são muito acolhedoras.
o As pessoas, na minha cidade natal, são muito acolhedoras.
Observação 1: os adjuntos adverbiais, no fim da oração, não precisam ser separados por
vírgula. Todavia, não é errado fazê-lo. Trata-se de um caso facultativo, de vírgula utilizada
para enfatizar o adjunto.
As pessoas são muito acolhedoras (,) na minha cidade natal. (vírgula facultativa)
Observação 2: advérbios curtos deslocados não precisam ser separados por vírgula. O uso
desse sinal de pontuação é recomendado quando o advérbio deslocado é mais longo
(formado por mais de uma palavra, por uma oração, ou por uma palavra de várias sílabas,
como os advérbios terminados em -mente).
Assim, a vírgula seria facultativa em frases como esta: aqui, tudo está bem.
E seria recomendada em frases como as vistas acima, dentro deste tópico.
● Para isolar expressões explicativas ou retificativas (a saber, isto é, por exemplo, ou
melhor, ou antes, aliás etc.)
o Chama-se Constituição Federal, ou melhor, Constituição da República o mais
importante texto normativo brasileiro.
● Para separar o complemento pleonástico.
o Aos amigos, dou-lhes tudo o que tenho.
● Para separar orações adjetivas explicativas.
o O Sr. Marcos, que trabalha no último andar do prédio, tem uma vista
privilegiada da cidade.
● Para separar orações coordenadas, exceto as ligadas pela conjunção aditiva "e".
o Tentou-se controlar a epidemia, mas não houve sucesso.
Observação: a vírgula antes do "e" deverá ser usada quando ocorrer polissíndeto (repetição
da conjunção), quando ligar orações com sujeitos diferentes e quando tiver valor
adversativo.
As crianças correram, e brincaram, e pularam, e se divertiram! Ao chegar a casa, não
tinham mais forças.
2023 | CRIMINOLOGIA | 90
Discutiu com o irmão, e o pai lhe apoiou.
Fez as malas, e não viajou.
● Para separar orações adverbiais que venham antes da principal. Se a oração
adverbial vier no final do período, a vírgula será facultativa.
o Para que consiga um bom desconto na compra, terá de pagar à vista.
● Para isolar orações intercaladas.
o O corte nas tarifas de energia, disse o ministro, é para sempre.
● Para isolar conjunções deslocadas (que não estejam no início da oração).
o Muito foi feito para frear o aumento da criminalidade naquela cidade; não
houve, todavia, resultados.
● Para indicar a elipse (omissão) de um termo.
o Às terças e quintas, corro na rua; aos sábados, na praça. (... corro na praça).
● Para separar o nome do lugar, nas datas.
o Belo Horizonte, 20 de janeiro de 2013.
USO DO PONTO FINAL
Emprega-se o ponto final para terminar o período e nas abreviaturas.
Peço que me acompanhe, sr. José.
USO DO PONTO E VÍRGULA
● Usa-se o ponto e vírgula para separar orações coordenadas de certa extensão ou
que já tenham vírgulas em seu interior.
o Um grupo de cinéfilos procurou durante meses por filmes raros em todo o
Brasil; suas pesquisas, todavia, deram pouquíssimo resultado.
● Para separar elementos de enumerações que já possuam vírgulas.
o São ícones da televisão brasileira Señor Abravanel, alcunhado de Sílvio Santos,
dono do SBT; Maria da Graça Meneghel, conhecida como Xuxa,
apresentadora...
● Para separar itens de artigos de leis, regulamentos e normas em geral.
USO DOS DOIS-PONTOS
● Antes de enumerações.
o Aqui estão os pontos que abordaremos: corte de pessoal, controle de gastos
com material, economia de energia elétrica.
● Antes de citações e de falas de personagens.
o Impaciente, ele disse, afoito: -- Conte logo o que aconteceu!
● Antes de orações apositivas.
o Posso te contar tudo, mas imponho uma condição: manterás segredo.
● Para desenvolver ou explicar melhor certas afirmações.
o Maria é assim mesmo: sempre está disposta a ajudar os amigos.
USO DAS ASPAS
● Para indicar que um trecho do texto é uma citação.
o Em seu dicionário prático de regência verbal, Ceso Pedro Luft (2010) ensina
que "chamam-se 'pronominais' os verbos que ocorrem acompanhados de
pronome oblíquo da mesma pessoa do sujeito ..."
2023 | CRIMINOLOGIA | 91
● Para destacar gírias, neologismos, estrangeirismos e palavras ou expressões em
sentido figurado.
o As crianças de hoje já nascem alfabetizadas em "internetês".
USO DO TRAVESSÃO
● Para introduz falas de personagens em um diálogo ou a mudança de interlocutor.
o -- Você está bem?
-- Sim, e você?
● Para separar termos interferentes.
o Fluência em um idioma estrangeiro - diga-se novamente - é essencial
atualmente.
● Para separar termos explicativos.
o O Everest – ponto mais alto do mundo – é um dos pontos que amantes dos
esportes radicais desejam conhecer.
● Para separar palavras ou expressões que se deseja destacar.
o Caía uma chuva forte - uma tempestade - e era impossível não se molhar,
mesmo usando sombrinha.
Observação: é comum que o travessão substitua os parênteses, a vírgula e os dois-pontos.
USO DOS PARÊNTESES
● Para separar explicações ou comentários.
o Quem pensa (disse Descartes) existe.
● Para incluir informações adicionais, como dados sobre a autoria de uma obra.
o "Penso, logo existo." (Descartes)
USO DAS RETICÊNCIAS
● Para indicar a interrupção da fala ou do pensamento de uma personagem.
o "-- Mas essa cruz, observei eu, não me disseste que era teu pai que..."
(Machado de Assis)
● Para indicar supressão de trechos ou palavras em uma transcrição. Neste caso,
pode-se usar quatro pontos.
o "A tarifa de energia elétrica deve garantir o fornecimento de energia ... e
assegurar aos prestadores dos serviços receitas suficientes para cobrir custos
operacionais..." (uol.com.br).
USO DO PONTO DE EXCLAMAÇÃO
● Para substituir a vírgula em um vocativo enfático.
o "Maria! Venha até aqui!"
● Para marcar o final de enunciados exclamativos em geral.
o Ai! Pisei um prego!
USO DO PONTO DE INTERROGAÇÃO
● Para marcar o final de frases interrogativas diretas.
o Onde fica o Palácio do Planalto?
2023 | CRIMINOLOGIA | 92
16 COLOCAÇÃO PRONOMINAL
As regras de colocação pronominal afetam o posicionamento de pronomes oblíquos
átonos: o, a, os, as, me, te, se, nos, vos, lhe, lhes.
Existem três posições possíveis para esses pronomes: próclise (antes do verbo),
mesóclise (no meio do verbo) e ênclise (depois do verbo).
Veremos agora as regras de colocação pronominal, a começar por estes casos
proibidos:
● O pronome oblíquo átono não pode começar frase.
o Me faça um favor?
o Faça-me um favor?
● O pronome oblíquo não pode vir depoisde verbos que estejam nos futuros do
indicativo (do presente ou do pretérito).
o Compraria-te um presente, se pudesse.
o Comprar-te-ia um presente, se pudesse.
o Eu devolverei-te o livro que está comigo amanhã
o Eu te devolverei o livro que está comigo amanhã.
● O pronome oblíquo átono não pode vir em ênclise a verbos no particípio.
o Tinha permitido-se aproveitar a vida.
o Tinha se permitido aproveitar a vida.
CASOS DE PRÓCLISE OBRIGATÓRIA
1. Quando houver palavras atrativas, a saber:
a. Palavras de sentido negativo: não, ninguém, nenhum, jamais, nunca etc.
Nenhuma opção nos parecia boa.
Não o chamarei.
Ninguém vos incomodará.
Observação: se o verbo estiver no infinitivo não flexionado, a colocação será facultativa
(próclise ou ênclise) ainda que haja palavra negativa na oração.
Terei cuidado para não desapontá-lo. (ou para não o desapontar).
b. Pronomes relativos.
Aquela é a mulher com quem te envolveste?
c. Conjunções subordinativas.
Ela não comprou as roupas, embora lhe tenham servido perfeitamente.
d. Advérbios curtos não seguidos de vírgula: sempre, já, bem, mais, onde, ainda etc.
Ainda se arrepende do que fez?
Observação: se houver vírgula (pausa) depois do advérbio, ou então se ele estiver distante
do verbo, a preferência será da ênclise
Agora, espero-te em casa.
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Ali uma grande multidão juntou-se aos primeiros manifestantes.
e. Pronomes demonstrativos e indefinidos.
Isso me incomoda muito.
Acho que sei de quem se trata.
f. Conjunções alternativas ora...ora, quer... quer, ou...ou.
Aquele rapaz ora se diverte, ora se empenha nos estudos.
Observação: caso haja duas palavras atrativas, o pronome pode ficar entre elas:
Eu é que me não engano novamente! ou Eu é que não me engano novamente!
2. Em orações optativas (que exprimem desejo) com sujeito anteposto ao verbo.
Deus te abençoe!
3. Em orações exclamativas.
Como lhes custa acordar cedo!
4. Em orações interrogativas que se iniciem por advérbios ou pronomes interrogativos.
Quem me procurou?
5. Com gerúndio precedido da preposição EM ou de advérbio.
"Nesta terra, em se plantando tudo dá." (Pero Vaz de Caminha)
Não o convencendo, desistiu de argumentar.
CASOS DE MESÓCLISE
A mesóclise ocorre apenas com verbos no futuro do presente e futuro do pretérito,
ambos do indicativo, desde que não haja, na oração, palavra que exija próclise.
A mesóclise somente será obrigatória se o verbo no futuro do indicativo iniciar o
período.
● Contar-te-ia tudo, mas me proibiram de fazê-lo.
● Contentar-nos-emos com um pouco de água.
CASOS DE ÊNCLISE
1. Nos períodos que se iniciem com verbos (exceto aqueles nos futuros do indicativo, nos
quais se usa a mesóclise).
Diga-me uma coisa: sabe qual o número de telefone da faculdade?
Beijando-a no rosto, finalizou a noite.
2. Com gerúndio que não seja precedido de "em" ou de palavra atrativa.
E ele, tomando-lhe as mãos, pediu-a em casamento.
3. Em orações imperativas afirmativas.
Você, por favor, traga-me aquele livro.
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4. Com os pronomes o, os, a, as, quando o verbo é infinitivo impessoal precedido da
preposição A.
Começou a ofendê-la.
COLOCAÇÃO PRONOMINAL NOS TEMPOS COMPOSTOS
Tempos compostos são formados por ter/haver (verbos auxiliares) + particípio (verbo
principal).
Em casos de tempos compostos, se não forem desrespeitadas as regras de colocação
vistas anteriormente, o pronome átono poderá vir:
Proclítico ao verbo auxiliar: Eu lhe tinha dado o aviso.
Enclítico ao verbo auxiliar: Eu tinha-lhe dado o aviso.
Proclítico ao verbo principal: Eu tinha lhe dado o aviso. (Tradicionalmente, costuma-se
condenar a próclise ao verbo principal nos tempos compostos. Entre os brasileiros, esse uso
é comum e chancelado por gramáticos como Bechara).
Veja mais exemplos de colocação pronominal nos tempos compostos:
Ainda não tinha visto este relógio? Eu tenho-o usado há semanas.
Nunca o tinha visto.
Ele tinha-se declarado a ela diante de toda a família.
Observação: lembre-se de que a ênclise aos verbos no particípio é proibida, razão
pela qual colocações como “Eu tinha dado-lhe o aviso” são consideradas incorretas.
COLOCAÇÃO PRONOMINAL NAS LOCUÇÕES VERBAIS
Nas locuções verbais (dois verbos com um sentido unitário) em que o verbo principal
está no gerúndio ou no infinitivo, o pronome oblíquo átono poderá aparecer:
Proclítico ao verbo auxiliar: Eu lhe vou dar o aviso.
Enclítico ao verbo auxiliar: Eu vou-lhe dar o aviso.
Enclítico ao verbo principal: Eu vou dar-lhe o aviso.
Proclítico ao verbo principal: Eu vou lhe dar o aviso. (Assim como ocorre com os tempos
compostos, o português do Brasil admite, também, que o pronome átono fique em próclise
ao verbo principal nas locuções verbais. Teríamos, então, em alguns casos, quatro opções de
colocação: Eu me devo calar; eu devo-me calar; eu devo me calar; eu devo calar-me.)
Veja outros exemplos:
O policial veio interrogar-me.
O policial estava interrogando-me.
Não se pode mensurar o prejuízo que as chuvas causaram.
Se tu fosses meu amigo, não me ficaria desejando mal.
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Venham-me encontrar às dez horas.
As pessoas seguiam-se esquecendo dos males do passado.
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17 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BECHARA, Evanildo. O que muda com o novo Acordo Ortográfico. Rio de Janeiro: Nova
Fronteira (Lucerna), 2008.
BECHARA, Evanildo. Lições de português pela análise sintática. 19 ed. rev. e ampl. Rio
de Janeiro: Nova Fronteira (Lucerna), 2014.
BECHARA, Evanildo. Moderna gramática portuguesa. 38 ed. rev. e ampl. Rio de Janeiro:
Nova Fronteira (Lucerna), 2015.
CEGALLA, Domingos Paschoal. Novíssima gramática da língua portuguesa. 48 ed. São
Paulo: Companhia Editora Nacional, 2008.
CUNHA, Celso; CINTRA, Lindley. A nova gramática do português contemporâneo. 3 ed.
rev. ampl. Rio de Janeiro: Lexikon, 2007.
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APOSTILA ATUALIZADA EM:
ABRIL/2023
@tvsupremo
@supremotv
www.supremotv.com.br
	Capa_Apostila_Lingua_Portuguesa.pdf
	ultima-páginaqual razão você se atrasou ontem?)
Você não disse por que se atrasou ontem. (Você não disse por qual motivo se atrasou
ontem.)
b. Escreve-se separado e com acento: POR QUÊ.
● Quando é preposição por + pronome interrogativo quê (aparece no final de frases
interrogativas diretas ou indiretas).
Ela reclamou por quê?
Ela reclamou e não disse por quê.
c. Escreve-se junto e sem acento: PORQUE.
● Quando for conjunção. (= pois)
Ele está feliz porque passou em primeiro lugar no concurso.
Mariana está triste porque perdeu dez reais?
d. Escreve-se junto e com acento: PORQUÊ.
● Quando for substantivo. (Equivale a o motivo, a razão e, em geral, vem precedido de
determinante).
O público precisa saber o porquê do cancelamento do show. (= a razão).
2. Em vez de e ao invés de
Em vez de: pode ser usado sempre que uma coisa for substituir outra.
Ao invés de: só pode ser usado quando, além de haver uma substituição, houver,
também, relação de contrariedade.
Em vez de ir de carro, foi de ônibus. (certo)
Ao invés de ir de carro, foi de ônibus. (errado - não há oposição)
Em vez de vingar-se, perdoou-lhe as ofensas. (certo)
Ao invés de vingar-se, perdoou-lhe as ofensas. (certo - há noção de oposição)
3. Mal e mau
Mal: contrário de bem.
Mau: contrário de bom.
Leite me faz mal. (# leite me faz bem).
Estou de mau humor. (# estou de bom humor).
Ela vive mal-humorada. (# ela vive bem-humorada).
4. A cerca de, acerca de e há cerca de
A cerca de: aproximadamente.
Ex.: O político se dirigiu a cerca de quinhentos manifestantes.
Ex.: Minha casa fica a cerca de três quilômetros daqui.
Acerca de: a respeito de.
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Ex.: Pouco sabemos acerca da origem da vida.
Há cerca de: existir ou tempo passado + quantidade aproximada.
Ex.: Moro aqui há cerca de cinco anos. (há/faz aproximadamente...).
Ex.: Há cerca de cinquenta participantes inscritos. (há/existem
aproximadamente...).
5. Afim e a fim (de)
Afim: significa afinidade.
A fim de: significa finalidade.
Eu e meu sócio temos ideias afins. Por isso a empresa vai tão bem. (afinidade).
Eu e meu sócio investimos em publicidade a fim de lucrar mais. (finalidade).
2.3 PARÔNIMOS E HOMÔNIMOS
Parônimos são palavras que têm sentidos diferentes, mas grafia e pronúncia muito
semelhantes. Eis alguns exemplos de palavras parônimas:
Parônimos
Área (terreno, superfície) Ária (música, melodia)
Arrear (colocar arreios) Arriar (abaixar, cair)
Comprimento (extensão) Cumprimento (saudação)
Deferir (conceder) Diferir (divergir)
Descriminar (isentar de culpa) Discriminar (distinguir)
Emergir (vir à tona) Imergir (mergulhar)
Eminente (ilustre) Iminente (prestes a acontecer)
Enformar (pôr em forma) Informar (dar informação)
Sortido (abastecido, variado) Surtido (causado, produzido)
Vultoso (grande, volumoso)' Vultuoso (vultuosidade - faces e lábios
vermelhos).
Os homônimos, por sua vez, são palavras também diferentes no sentido, mas que
apresentam alguma identidade entre si. Os homônimos podem ser:
Homônimos perfeitos: são aqueles idênticos na pronúncia e na escrita, apesar de
diferentes no sentido. Vejam os exemplos:
Ele não está mais doente. Já está são. (= saudável - adjetivo).
A festa de São João é hoje. (= santo - substantivo).
Estes são meus irmãos. (verbo ser).
Mal posso esperar pelas férias de verão. (estação do ano - substantivo).
Se eles forem mesmo ao Nordeste, versão as mais belas praias do Brasil. (verbo ver).
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Homônimos imperfeitos: não são totalmente idênticos e dividem-se em:
● Homônimos homógrafos: apresentam a mesma grafia, mas diferem na pronúncia.
Sempre que corro, sinto muita sede. (ê - necessidade de ingerir líquido).
Hoje foi inaugurada a nova sede da empresa. (é - local de funcionamento)
O almoço está servido. (ô - substantivo).
Eu almoço fora três vezes por semana. (ó - verbo).
● Homônimos homófonos: apresentam a mesma pronúncia, mas grafia diferente.
Vejam alguns exemplos:
Homônimos homófonos
Ascender (subir) Acender (atear fogo a)
Caçar (perseguir) Cassar (anular)
Cesta (recipiente de vime) Sexta (ordinal - número seis)
Círio (vela de cera) Sírio (originário da Síria)
Chá (infusão de folhas) Xá (soberano persa)
Concerto (combinação) Conserto (reparo)
Estático (sem movimento) Extático (em êxtase)
Incipiente (iniciante) Insipiente (ignorante)
Tachar (censurar, atribuir defeito a) Taxar (criar taxa, tributar)
2.4 ACENTUAÇÃO GRÁFICA
As regras de acentuação gráfica elencadas abaixo estão de acordo com a nova
ortografia da língua portuguesa. Para facilitar o seu estudo, todavia, todas as mudanças
trazidas pelo Acordo de 1990 serão apontadas logo abaixo da regra atualizada.
1. MONOSSÍLABOS TÔNICOS: acentuam-se os monossílabos tônicos terminados em -A, -E e
-O, seguidos ou não de -S:
São tônicos e acentuados: já, só, dó, ré, fá, é (verbo ser), más (adjetivo) chás, pés, pá, dê
(verbo dar) etc.
São tônicos, mas não são acentuados: mar, luz, cruz, sol, Deus, pai, mal, bom, bem etc.
Não são acentuados porque são átonos: e (conjunção), mas (conjunção), de (preposição) etc.
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2. OXÍTONAS: acentuam-se as oxítonas terminadas em -A, -E e -O, seguidas ou não de -S,
em -EM e -ENS:
São acentuados: cajá, maré, cipó, jilós, também, reféns, cortês, pontapé, robôs etc.
Não são acentuados: quati, isopor, andar, baiacu etc.
3. PAROXÍTONAS: acentuam-se as paroxítonas terminadas em
● ã, ãs, ão, ãos, guam, guem: órfão(s), órfã(s), enxáguam, enxáguem, bênção(s) etc.
● i, is, ei, eis: pônei, túneis, táxi, lápis, biquínis etc.
● l, n, r, x, on, ons, ps: túnel, hífen, mártir, elétron, íons, quadríceps etc.
● us, um, uns: bônus, álbum, médiuns, vírus etc.
● ditongo crescente, seguindo ou não de s: história(s), sábio(s), planície(s) cerimônia(s)
etc.
Atenção: não se acentuam as paroxítonas terminadas em -ENS: itens, jovens, imagens
etc. Devem, todavia, ser acentuadas as paroxítonas terminadas em -N. Logo, acentua-se
hífen, mas não se acentua hifens.
4. PROPAROXÍTONAS: acentuam-se todas as proparoxítonas.
término, xícara, binóculo, esferográfica, aborígine, receptáculo, pêssego, perdêssemos,
andrógino etc.
5. HIATOS: acentuam-se o I e o U tônicos do hiato quando:
● I ou U forem a segunda vogal do hiato;
● Estiverem sozinhos na sílaba ou seguidos de S;
● Estiverem seguidos de NH.
São acentuados: saída, saúde, juízo, juíza, egoísta, Grajaú, Luís, reúne etc.
Não são acentuados: juiz, Luiz, rainha, cairdes, ainda, diurno etc.
6. DITONGOS ABERTOS ÉU, ÓI e ÉI, seguidos ou não de S:
a. São acentuados em palavras oxítonas e em monossílabos tônicos: céu, véu, rói, dói,
herói, pastéis, anéis, fiéis, lençóis etc.
b. Não são mais acentuados em palavras paroxítonas: assembleia, heroico, jiboia, epopeia,
proteico, onomatopeia, joia etc.
ACORDO: o item B desta regra é uma novidade do Acordo Ortográfico. Antes, as
palavras citadas acima eram acentuadas (assembléia, heróico, jibóia, epopéia, protéico,
onomatopéia, jóia etc). Com o advento da reforma, tais vocábulos perderam o acento
gráfico.
7. HIATOS EE e OO: não são mais acentuados. Antes do Acordo, esses hiatos levavam
acento circunflexo na primeira vogal. Agora, eles não são mais acentuados.
Como era antes Como é agora
VÔO VOO
ENJÔO ENJOO
CRÊEM CREEM
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LÊEM LEEM
VÊEM VÊEM
8. Não são mais acentuadas as vogais tônicas I e U das palavras paroxítonas quando elas
forem precedidas de ditongo decrescente.
Trata-se de mais uma mudança do acordo. Vejamos o antes e o depois:
Como era antes Como é agora
BAIÚCA BAIUCA
BOIÚNO BOIUNO
CHEIÍNHO CHEIINHO
FEIÚRA FEIURA
MAOÍSMO MAOISMO
Atenção:
● Continuam acentuadas normalmente as vogais I e U tônicas precedidas de ditongo
crescente, como em guaíba.
● Nas palavras oxítonas, continuam acentuadas as vogais tônicas I e U, ainda que
estejam precedidas de ditongo decrescente, quando estiverem no fim da palavra,
seguidas ou não de S, como em Piauí e tuiuiú(s).
9. ACENTO DIFERENCIAL:
Mantêm-se inalterados e continuam obrigatórios os seguintesacentos diferenciais:
Pôr (verbo) Por (preposição)
Pôde (pretérito) Pode (presente - vogal aberta)
Vêm (3a do plural de vir) Vem (3a do singular de vir)
Têm (3a do plural de ter) Tem (3a do singular de ter)
Observação: nos verbos derivados de ter e vir, a 3a pessoa do singular receberá
acento agudo e a 3a do plural, circunflexo Veja os exemplos:
Este envelope contém documentos importantes. (conter)
Estes envelopes contêm documentos importantes. (conter)
O presidente da empresa quase nunca intervém em nome dos diretores. (intervir)
Os diretores da empresa quase nunca intervêm em nome do presidente. (intervir)
Em relação aos acentos diferenciais, o Acordo Ortográfico trouxe algumas novidades:
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● Tornou FACULTATIVO o acento circunflexo em fôrma (substantivo - recipiente) para
que se faça a distinção de forma (substantivo - formato; conjugação do verbo
formar). Tal acento diferencial só deve ser usado para se evitar ambiguidade.
● Eliminou os demais acentos diferenciais. Assim, perderam o acento as palavras pára
(verbo), péla (verbo), pêlo (substantivo), pêra (substantivo), pólo (substantivo) etc.
2.5 OUTRAS MUDANÇAS NA ACENTUAÇÃO GRÁFICA CAUSADOS PELO ACORDO DE 1990
1. Verbos arguir e redarguir: não apresentam mais acento quando a vogal U for tônica. A
pronúncia, todavia, não se alterou.
Como era antes Como é agora
Eu ARGÚO Eu ARGUO
Tu ARGÚIS Tu ARGUIS
Que eu ARGÚA Que eu ARGUA
As formas verbais em que a vogal U não é tônica não sofreram alteração, como nós
arguímos, vós arguís (sílaba tônica é I) e que nós arguamos (sílaba tônica A) e que vós
arguais (sílaba tônica AIS).
2. Verbos aguar, apaziguar, obliquar, delinquir e correlatos: podem ser pronunciados de
duas maneiras. Ou apresentam formas rizotônicas (sílaba tônica está no radical) ou
arrizotônicas (sílaba tônica fora do radical). A mudança aconteceu apenas para as formas
rizotônicas. Nesse caso, a vogal tônica será U, mas não haverá mais acento gráfico. A
pronúncia permanecerá a mesma.
Como era antes Como é agora
Eu AVERIGÚO Eu AVERIGUO
Tu AVERIGÚAS Tu AVERIGUAS
Que eu AVERIGÚE Que eu AVERIGUE
É possível, também, conjugar esses verbos em formas arrizotônicas. Nesse caso, não
houve mudança. Exemplo (com sílabas tônicas em negrito):
Eu averíguo, tu averíguas, ele averígua, nós averiguamos, vós averiguais, eles averíguam.
2.6 TREMA
O trema ( ¨ ) foi abolido pelo Acordo Ortográfico e não será mais usado em palavras
portuguesas ou já aportuguesadas.
A eliminação do trema, no entanto, não acarreta mudança na pronúncia das palavras.
Nenhuma das reformas promovidas pelo Acordo afeta a maneira de se pronunciarem os
vocábulos.
Como era antes Como é agora
LINGÜIÇA LINGUIÇA
LINGÜETA LINGUETA
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EQÜINO EQUINO
BILÍNGÜE BILÍNGUE
AQÜÍFERO AQUÍFERO
Atenção: em palavras estrangeiras, bem como em suas derivadas, o trema deve ser
mantido. Assim, escrevem-se Müller, mülleriano, Hübner, hübneriano.
2.7 HÍFEN
O uso do hífen é tema que oferece grande dificuldade devido ao grande número de
regras e, também, de incertezas que envolvem sua aplicação.
Para facilitar seu estudo, buscamos esquematizar, de acordo com os ensinamentos de
Evanildo Bechara (2008), as principais normas de utilização desse sinal.
1. Nas formações com prefixos, USE O HÍFEN quando o 1° elemento terminar em vogal
igual à que inicia o 2° elemento, como em anti-inflamatório, auto-observação,
contra-almirante, neo-ortodoxo, sobre-elevar, micro-ondas etc.
ATENÇÃO: com os prefixos CO, PRO, PRE e RE, NÃO use o HÍFEN e ESCREVA JUNTO,
mesmo quando o segundo elemento se iniciar com E ou O: coobrigação, coordenar,
cooperativa, preexistir, preestabelecer, preenchido, reedição, reedificar etc.
2. Nas formações com prefixos, NÃO use o HÍFEN se o 1° elemento terminar em vogal
diferente da que inicia o 2° elemento. Nesse caso, ESCREVA JUNTO, como em antiaéreo,
agroindustrial, autoajuda, autoescola, infraestrutura, plurianual, pseudoepígrafe,
socioeconômico etc.
3. Nas formações com prefixos, USE O HÍFEN se o 1° elemento terminar em consoante igual
à que inicia o 2° elemento, como em ad-digital, hiper-requintado, inter-racial, sub-braquial,
super-revista etc.
4. Quando o primeiro elemento for PÓS, PRÉ ou PRÓ (acentuados graficamente), USE O
HÍFEN, como em pós-graduação, pós-tônico, pré-datado, pré-história, pró-africano, etc.
ATENÇÃO: se esses mesmo prefixos forem átonos (sem acento gráfico), NÃO use o
HÍFEN e ESCREVA JUNTO, ainda que se unam duas vogais iguais: propor, proembrião,
preeleito (também possível pré-eleito), proeminente, posfácio etc.
5. USE O HÍFEN quando o 1° elemento terminar em vogal, R ou B e o 2° se iniciar com H,
como em ante-histórico, anti-herói, infra-hepático, inter-hemisfério, sobre-humano,
sub-humano, super-homem etc.
EXCEÇÕES: cloridrato, cloridria, clorídrico, reidratar, reumanizar, reabituar, reabitar,
reabilitar, reaver etc.
6. NÃO use o HÍFEN quando o 1° elemento terminar em vogal e o 2° começar com R ou S.
Nesse caso, DOBRE A CONSOANTE E ESCREVA EMENDADO, como em antessala, biorritmo,
contrarregra, corréu, cosseno, eletrossiderurgia, infrarrenal, infrassom, minissaia,
protossatélite, semirrígido, ultrassonografia etc.
LEMBRE-SE TAMBÉM DE QUE...
● Deve-se usar o hífen em palavras compostas cujos elementos conservam sua
autonomia fonética (pronúncia e acentuação próprias), mas perderam seu
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significado original para, em conjunto, constituir outra unidade de significação.
Assim, temos:
Amor-perfeito (flor), beija-flor (pássaro), guarda-chuva, arco-íris, ano-luz etc.
Atenção: quando se perder a noção de composição, deixa-se de usar o hífen. É o
que aconteceu com aguardente, girassol, passatempo, rodapé etc.
● Deve usar o hífen em adjetivos compostos, como rio-grandense, latino-americano,
sem-vergonha etc.
● Não se usa o hífen em substantivos compostos cujas partes integrantes sejam
conectadas por elementos de ligação, como dia a dia, pé de moleque, mula sem
cabeça etc.
Atenção: se os substantivos designarem espécies botânicas ou zoológicas, o hífen
será mantido ainda que exista o elemento de ligação, como acontece em bem-te-vi,
coco-da-baía, ervilha-de-cheiro etc.
Essa regra exige um cuidado especial. Muitas vezes, o mesmo conjunto de palavras
pode representar ora uma espécie botânica ou zoológica, ora algo que não o seja. Nesse
caso, o hífen deverá ou não ser usado, dependendo do significado. Alguns exemplos:
O jardim estava infestado de boca-de-lobo. (espécie de erva, com hífen).
Estragou a moto porque caiu em uma boca de lobo. (bueiro, sem hífen)
Plantou bico-de-papagaio no sítio dela. (árvore).
Sobrepeso é uma das causas de bico de papagaio. (problema de coluna).
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3 MORFOLOGIA - ESTRUTURA E FORMAÇÃO DAS PALAVRAS
A morfologia é a parte da gramática que se dedica ao estudo da estrutura e das
classes das palavras. É isso que veremos a partir de agora.
3.1 ESTRUTURA DAS PALAVRAS
São os seguintes os elementos estruturais (ou mórficos) das palavras:
a. Radical: elemento básico da palavra, que a ela atribui seu significado e ao qual se ligam os
demais elementos mórficos.
Exemplos: CAFEteira, CANTar, aPEDRejar.
Atenção: em algumas palavras, existe só o radical, como em sol e mar.
É o radical que nos permite identificar o "parentesco" existente entre palavras.
Vocábulos que têm o mesmo radical são chamados de cognatos ou de palavras de mesma
família. Exemplos:
CANTar, CANToria, CANTor.
PORTo, exPORTar, imPORTação.
b. Tema: é o conjunto que surge quando se acresce ao radical uma vogal temática.
A vogal temática é mais evidente nos verbos, e marca sua conjugação. São as
seguintes:
1a conjugação: A (cantar, andar)
2a conjugação: E (bater, escrever)
3a conjugação: I (partir, redimir).
As vogais temáticas nominais são as letras A, E e O, quando forem átonas, finais e não
indicarem gênero, como em ataque, perda e canto substantivo abstrato relacionado ao
verbo cantar).
Quando unimos radical + vogal temática,temos o tema:
Cantar (CANT+A = CANTA)
Bater (BAT+E = BATE)
Partir (PART+I = PARTI)
c. Afixos: são elementos que modificam o sentido do radical a que se unem. Se vierem antes
do radical, serão chamados prefixos. Se vierem depois, sufixos.
Infeliz (prefixo IN - ideia negação do radical).
Antebraço (prefixo ANTE - ideia de anterioridade).
Exportar (prefixo EX - ideia de movimento para fora).
Boiada (sufixo ADA - ideia de quantidade grande)
Secretário (sufixo ÁRIO - ideia de profissão)
Bronquite (sufixo ITE - ideia de inflamação)
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d. Desinências: as desinências se prestam a indicar o gênero e o número dos nomes e o
número, a pessoa, o tempo e o modo dos verbos.
Desinências nominais (substantivos, adjetivos e alguns pronomes):
Desinências nominais de gênero Desinências nominais de número
Masculino Feminino Singular Plural
O A -- S
Menino Menina Menino/Menina Meninos/Meninas
Observação: não há consenso entre os gramáticos na classificação da vogal “o” como
desinência nominal de gênero masculino. Muitos consideram o “o” do masculino uma vogal
temática nominal, sendo o gênero, nesses casos, marcados pela ausência de uma desinência
(forma não marcada, ou, de certa forma, “básica” no português). Para autores que seguem
essa linha, portanto, o “o” em “menino” seria uma vogal temática, e o gênero seria marcado
pela ausência de desinência. Já em “menina”, o “a” acrescentaria à forma básica a noção de
gênero feminino, de modo que se classificaria como desinência nominal.
Desinências verbais
As desinências verbais podem ser desinências número-pessoais, quando indicam:
● A pessoa (1a, 2aou 3a)
● O número (singular ou plural)
Podem, ainda, ser desinências modo-temporais, quando indicam:
● O modo (indicativo ou subjuntivo)
● O tempo (presente, pretérito ou futuro, com suas respectivas variações)
Para mais informações sobre as desinências verbais, consultar o capítulo relativo ao
estudo dos verbos. Por ora, façamos a análise da forma verbal amássemos, do verbo amar.
AMAR:
● Radical: AM
● Vogal temática: A (1a conjugação)
● Tema: AMA
AMÁSSEMOS
● Apresenta o radical e o tema (AM/AMA)
● SSE: desinência modo temporal (indica que o verbo está no tempo pretérito
imperfeito do modo subjuntivo).
● MOS: desinência número-pessoal (indica que o verbo está na 1a pessoa do plural -
NÓS).
e. Vogais e consoantes de ligação: fonemas que, em algumas palavras derivadas ou
compostas, unem os elementos que as constituem para facilitar a pronúncia. Exemplos:
cha-l-eira, rod-o-via, capin-z-al, giras-s-ol, inset-i-cida.
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3.2 ALGUNS CONCEITOS IMPORTANTES
a. Palavras simples: palavras que possuem somente um radical, como prato, habitante,
infelicidade, terreno, terra, florido, gelo etc.
b. Palavras compostas: palavras que possuem mais de um radical, como girassol,
aguardente, bem-te-vi, pão-de-ló-de-mico, televisão etc.
c. Palavras primitivas: palavras que não derivam de outras, como mar, fumo, árvore, velho
etc.
d. Palavras derivadas: palavras que se formam de uma palavra primitiva com o acréscimo de
prefixo ou sufixo, como marinha, fumaça, arvoredo, envelhecer etc.
3.3 PROCESSOS DE FORMAÇÃO DE PALAVRAS
Os principais processos de formação de palavras dividem-se em dois grandes grupos:
composição e derivação.
1. Composição: formação de palavras a partir da junção de dois ou mais radicais ou palavras,
com ou sem uso do hífen. A composição pode se dar por justaposição ou aglutinação.
COMPOSIÇÃO POR JUSTAPOSIÇÃO: ocorre quando se unem dois ou mais radicais ou
palavras sem que haja perda de fonemas, como em passatempo, girassol, mata-borrão,
latino-americano etc.
COMPOSIÇÃO POR AGLUTINAÇÃO: ocorre quando se unem dois ou mais radicais ou
palavras e ocorre perda de fonema, como em aguardente (água + ardente), fidalgo
(filho+de+algo), embora (em+boa+hora), pernilongo (perna+longo) etc.
2. Derivação: ocorre quando se forma um novo vocábulo a partir de um único radical ou de
uma única palavra já existentes. A derivação pode se dar por prefixação, sufixação ou
parassíntese. Existem também a derivação regressiva e a derivação imprópria.
DERIVAÇÃO POR PREFIXAÇÃO: ocorre quando se adiciona um prefixo a um radical ou
a uma palavra primitiva, como em incapaz, refazer, desleal, pré-escolar, anti-inflamatório
etc.
DERIVAÇÃO POR SUFIXAÇÃO: ocorre quando se adiciona um sufixo a um radical ou a
uma palavra primitiva, como em secretária, lealdade, rapidamente, criançada etc.
DERIVAÇÃO PARASSINTÉTICA: ocorre quando se adicionam, simultaneamente, um
prefixo e um sufixo a um radical ou palavra primitiva. Vejamos:
en+velho+ecer = envelhecer (não existem as palavras "envelho" e nem "velhecer". Logo, só se
forma um novo vocábulo, neste caso, se forem utilizados, simultaneamente, prefixo e sufixo).
des+alma+ado = desalmado (não há "desalma" e nem "almado").
Observe a diferença entre os exemplos acima e o caso a seguir:
des+leal+dade = deslealdade.
● A palavra "desleal" existe.
● A palavra "lealdade" também existe.
● Quando as palavras formadas pelo prefixo ou pelo sufixo existirem
isoladamente, não ocorrerá parassíntese. O que há, aqui, são os processos de
prefixação e sufixação que aconteceram um após o outro.
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E a palavra encarecimento, como se forma?
Trata-se de um processo de sufixação. Esse vocábulo é formado pospondo-se o sufixo
MENTO à palavra primitiva ENCARECER (encarecer + mento).
A palavra ENCARECER, por sua vez, é formada por parassíntese (en+caro+ecer), pois
não há "encaro" e nem "carecer".
DERIVAÇÃO REGRESSIVA: ocorre quando se substitui a terminação verbal pelas
vogais temáticas nominais (A, E ou O).
Verbo Nome
Ajudar Ajuda
Atacar Ataque
Chorar Choro
Cantar Canto
Pescar Pesca
DERIVAÇÃO IMPRÓPRIA: ocorre quando se muda a classe gramatical de uma palavra
sem que se altere sua grafia. Só pode ser identificada dentro de um contexto.
"Sigam-me os bons" (Chapolin Colorado) - (bons, originalmente um adjetivo, foi
utilizado como substantivo).
O jantar está servido. (jantar, que é verbo, aqui funciona como substantivo).
Aquele bilionário sempre organiza festas monstro. (monstro, originalmente um
substantivo, foi utilizado como adjetivo).
3.4 PROCESSOS SECUNDÁRIOS DE FORMAÇÃO DE PALAVRAS
1. Redução: consiste na diminuição da forma plena de certos vocábulos, como em foto (de
fotografia), pneu (de pneumático), moto (de motocicleta), quilo (de quilograma) etc.
2. Hibridismo: consiste na formação de palavras a partir da combinação de elementos
originários de línguas diferentes:
● alcoômetro (álcool, do árabe + metro, do grego)
● televisão (tele, do grego + visão, do latim)
● abreugrafia (Abreu, do português + grafia, do grego).
● etc.
3. Onomatopeias: criação de vocábulos a partir da imitação de sons próprios da natureza:
● tique-taque ou tiquetaquear (relógio)
● balir (som que faz a ovelha)
● arrulhar (som que faz o pombo)
● tilintar (som de moedas ou objetos metálicos)
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● etc.
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4 MORFOLOGIA - CLASSIFICAÇÃO E FLEXÃO DAS PALAVRAS
Existem dez classes de palavras, que são:
1. Substantivo
2. Artigo
3. Adjetivo
4. Numeral
5. Pronome
6. Verbo
7. Advérbio
8. Preposição
9. Conjunção
10. Interjeição
4.1 SUBSTANTIVOS
Substantivos são palavras que nomeiam seres, características, sentimentos, ações e
estados.
CLASSIFICAÇÃO DOS SUBSTANTIVOS:
a. Concretos e abstratos
São concretos os substantivos que designam os seres de existência independente,
como homem, mulher, pessoa, cachorro, casa, barco, navio, animal, José, Ana etc.
São concretos também os substantivos que designam seres de existência fictícia,
discutível ou que dependa das crenças de cada pessoa, como gnomo, fada, Deus, diabo,
dragão etc.
São abstratos os substantivos que designam ações, estados, sentimentos e
qualidades, como beleza, maldade, limpeza, viagem, passeio, honestidade, resposta etc.
b. Comuns e próprios
São comuns os substantivos utilizados de maneira genérica, quenão especificam um
indivíduo, como carro, filho, gente, bairro, país, cidade, planeta etc.
São próprios os substantivos que fazem a designação específica de um indivíduo,
como Brasil, América, Rafael, Florianópolis, Júpiter etc.
c. Simples e compostos
São simples os substantivos formados por um só radical: pé, flor, amor, sol etc.
São compostos os formados por mais de um radical: pé de moleque, beija-flor,
amor-perfeito, girassol etc.
d. Primitivos e derivados
São primitivos os substantivos que não derivam de outra palavra da língua
portuguesa: vidro, casa, ferro etc.
São derivados os que derivam de outra palavra: vidraça, casebre, ferreiro etc.
e. Substantivos coletivos
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São coletivos os substantivos que, ainda que estejam no singular, referem-se a um
conjunto de seres da mesma espécie, como alcateia (de lobos), arquipélago (de ilhas),
caravana (de viajantes), enxame (de abelhas) etc.
4.2 FLEXÃO DOS SUBSTANTIVOS
Os substantivos sofrem flexão de gênero, número e grau.
FLEXÃO DE GÊNERO DOS SUBSTANTIVOS
Quanto à flexão de gênero, os substantivos podem ser biformes ou uniformes.
Os substantivos biformes apresentam uma forma para o masculino e outra para o
feminino. Essa variação pode se dar:
● por heteronímia: quando o masculino e o feminino possuem radicais diferentes, a
exemplo de pai/mãe, boi/vaca, homem/mulher etc.
● por flexão: quando se utilizam as desinências nominais de gênero, como em
menino/menina, mestre/mestra, senhor/senhora etc.
Existem, todavia, substantivos uniformes, ou seja, que não se flexionam. São os
seguintes:
1. Epicenos: designam certas espécies animais. Utiliza-se "macho" ou "fêmea" para distinguir
o gênero: a cobra (macho ou fêmea), o jacaré (macho ou fêmea) etc.
2. Comuns de dois gêneros: têm uma só forma para designar homens ou mulheres. A
distinção de gênero se faz com o uso de um determinante: o pianista/ a pianista, artista
famoso/ artista famosa, colega charmoso/ colega charmosa etc.
3. Sobrecomuns: possuem uma só forma para designar homens ou mulheres e não aceitam
que o determinante sofra variação de gênero. Somente o contexto pode identificar o gênero
do substantivo. A criança, a pessoa, a testemunha (sempre femininos); o cônjuge, o guia
(sempre masculinos).
Ela foi o cônjuge que pediu o divórcio.
Marcos é uma criança levada.
Atenção: alguns substantivos mudam de sentido quando têm seu gênero alterado.
a testemunha (quem presencia um fato) x o testemunho (aquilo dito por alguém)
o cisma (dissidência) x a cisma (ideia fixa)
o moral x a moral; o guia x a guia; o lente x a lente. etc.
FLEXÃO DE GRAU DOS SUBSTANTIVOS
Aumentativo e diminutivo são os graus dos substantivos. A flexão de grau pode se
dar de maneira analítica ou sintética.
1. Aumentativo e diminutivo analíticos: faz-se a flexão determinando o substantivo com um
adjetivo que indique aumento ou diminuição de tamanho, como casa grande, rua imensa,
palácio enorme (aumentativos) e carro pequeno, planta minúscula, cachorro pequenino
(diminutivos).
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2. Aumentativo e diminutivo sintéticos: faz-se a flexão de grau com a utilização de sufixos
aumentativos ou diminutivos, como em barcaça, muralha, bocarra, cabeçorra
(aumentativos) e riacho, casebre, carrinho, papelucho (diminutivos).
Atenção para a semântica: nem sempre o aumentativo ou diminutivo têm o sentido
literal de aumentar ou diminuir o tamanho de um substantivo. Por vezes, eles podem ser
usados para imprimir à fala um sentido em algumas vezes pejorativo e, em outras, afetivo.
Somente o contexto pode deixar clara a intenção do locutor.
Não suporto homenzinhos mimados. (sentido pejorativo)
FLEXÂO DE NÚMERO DOS SUBSTANTIVOS
Em relação ao número, os substantivos podem estar no singular ou no plural.
Plural dos substantivos simples
Terminação Plural Exemplo
Vogal
Ditongo oral
N
Acrescenta-se S ao
singular
Regime - regimes
Irmã - irmãs
Pai - pais
Elétron - elétrons
R
Z
Acrescenta-se ES ao
singular
Colher - colheres
Noz - nozes
AL
EL
OL
UL
Troca-se o L final por IS Varal - varais
Túnel - túneis
Lençol - lençóis
Raul - Rauis
IL Oxítonas - IS
Paroxítonas - EIS
Barril - barris
Fóssil - fósseis
M Troca-se por NS Som - sons
Refém - reféns
S (monossílabos e
oxítonas)
Acréscimo de ES Gás - gases
Deus - deuses
Japonês - japoneses
S (paroxítonas e
proparoxítonas)
Invariáveis O atlas - os atlas
A íris - as íris
X Invariáveis O tórax - os tórax
A fênix - as fênix
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ÃO (1) Acréscimo de S Irmão - irmãos
Ancião - anciãos
ÃO (2) -ÕES Botão - botões
Leão - leões
ÃO (3) -ÃES Cão - cães
Guardião - guardiães
Plural dos substantivos compostos
1. Os dois elementos vão para o plural nas seguintes situações:
a. Substantivo + substantivo unidos por hífen sem elemento de ligação
● decreto-lei - decretos-leis.
● abelha-rainha - abelhas-rainhas.
● tia-avó - tias-avós.
b. Substantivo + adjetivo
● capitão-mor - capitães-mores.
● carro-forte - carros-fortes.
● guarda-civil - guardas-civis.
c. Adjetivo + substantivo
● longa-metragem - longas-metragens.
● má-língua - más-línguas.
● livre-arbítrio - livres- arbítrios.
d. Numeral + substantivo
● segunda-feira - segundas-feiras.
● quarta-feira - quartas-feiras.
● quinta-feira - quintas-feiras.
Atenção: o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP - ABL) destaca as
seguintes exceções: os grão-mestres, os grã-finos, os terra-novas, os claro-escuros (também
se admite "os claros-escuros"), os nova-iorquinos, os são-bernardos, os cavalos-vapor.
2. Varia apenas o último elemento nas seguintes situações:
a. Elementos unidos sem hífen
● os girassóis, as autopeças, as autoescolas
b. Verbo + substantivo
● guarda-roupa - guarda-roupas.
● beija-flor - beija-flores.
● guarda-caça - guarda-caças.
c. Elemento invariável + palavra variável
● vice-presidente - vice-presidentes.
● ex-marido - ex-maridos.
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● alto-falante - alto-falantes.
d. Palavras repetidas
● reco-reco - reco-recos.
● corre-corre - corre-corres.
● tico-tico - tico-ticos.
Atenção: neste caso, se as palavras repetidas forem verbos, podem as duas variar:
corre-corre: corre-corres ou corres-corres.
3. Varia apenas o primeiro elemento nas seguintes situações
a. Quando dois substantivos são conectados por preposição (substantivo + preposição +
substantivo)
● pés de moleque, dias a dia, pães de ló, mulas sem cabeça.
b. Quando o segundo elemento determina o primeiro, indicando limitação, finalidade, tipo,
semelhança. Neste caso, o segundo elemento funciona como se fosse um adjetivo.
● navios-escola, peixes-boi, canetas-tinteiro.
Observação: é frequente que o substantivo composto formado por dois substantivos admita
duas formas de plural – flexão de ambos os elementos ou apenas do primeiro. Por exemplo,
“palavra-chave” pode ir para o plural como “palavras-chaves” ou “palavras-chave”;
“couve-flor”, como “couves-flores” ou “couves-flor”. Quando estiver estudando esse tópico,
consulte sempre o VOLP (https://www.academia.org.br/nossa-lingua/busca-no-vocabulario)
para verificar todas as possibilidades.
4. Ficam invariáveis os dois elementos nas seguintes situações
a. Verbo + advérbio
● os bota-fora, os pisa-mansinho.
5. Casos especiais:
● o louva-a-deus - os louva-a-deus.
● o bem-te-vi - os bem-te-vis.
● o bem-me-quer - os bem-me-queres.
● o joão-ninguém - os joões-ninguém.
● o ponto e vírgula - os ponto e vírgula.
● o sem-terra - os sem-terra.
● o mico-leão-dourado - os micos-leões-dourados.
● o arco-íris - os arco-íris.
● entre outros.
Plural dos diminutivos
Para se fazer o plural dos diminutivos, deve-se, antes, passar para o plural do
substantivo no grau normal. Depois, acrescentam-se o sufixo -zinho ou -zito e a desinência de
número -S.
Mulher: mulheres - mulherezinhas.
Coração: corações - coraçõezinhos.
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https://www.academia.org.br/nossa-lingua/busca-no-vocabulario
Flor: flores - florezinhas.
4.3 ARTIGOS
O artigo é o principaldeterminante do substantivo, a ele transmitindo ideia de
determinação ou indeterminação.
Artigos definidos: o, a, os, as (o cão, a casa, os carros, as bicicletas).
Artigos indefinidos: um, uma, uns, umas (um cão, uma casa, uns carros, umas
bicicletas).
Encontrou-se com a amiga (uma amiga conhecida, já mencionada).
Encontrou-se com uma amiga. (uma amiga ainda não mencionada, indeterminada).
Os artigos podem unir-se às preposições e, de, em e por, formando contrações e
combinações (ao, aos, do, dos, no, nos, pelo, pelos, num, nuns, à, às, da, das, na, nas, pela,
pelas, numa, numas).
Referiu-se ao problema.
Telefonou à amiga.
Os artigos são os principais responsáveis pela substantivação (transformar em
substantivo uma palavra pertencente a outra classe gramatical).
A síndrome do comer compulsivo... (comer, originalmente verbo, aqui é usado como
substantivo).
4.4 ADJETIVOS
Adjetivos são palavras que caracterizam os substantivos, atribuindo-lhes qualidades,
características, restrições.
"Panela velha é que faz comida boa" (Sérgio Reis)
O adjetivo pode sofrer flexões de gênero, grau e número.
FLEXÃO DE GÊNERO DOS ADJETIVOS SIMPLES
a. Adjetivos uniformes: possuem uma só forma para os dois gêneros, como azul,
inteligente, leal, cruel, otimista, interessante, veloz etc.
b. Adjetivos biformes: possuem duas formas, uma para cada gênero, como belo/bela,
feio/feia, ativo/ativa, brasileiro/brasileira, claro/clara, escuro/escura, rápido/rápida etc.
FLEXÃO DE NÚMERO DOS ADJETIVOS SIMPLES
A flexão de número dos adjetivos simples segue as mesmas regras que a flexão de
número dos substantivos.
FLEXÃO DE GÊNERO E NÚMERO DOS ADJETIVOS COMPOSTOS
a. Regra Geral: nos adjetivos compostos, somente o segundo elemento varia em gênero e
número.
● pelo castanho-escuro; cabelos castanho-escuros.
● clínicas médico-cirúrgicas.
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● camisa verde-clara; olhos verde-claros.
● família afro-brasileira; rapaz afro-brasileiro; turistas afro-brasileiros.
b. Os compostos de adjetivo + substantivo são invariáveis.
● tecidos azul-bebê.
● gravata verde-musgo.
● roupas azul-turquesa.
c. Os compostos formados a partir da locução cor + de +substantivo são invariáveis.
● Panteras cor-de-rosa.
● Olhos cor de carvão.
d. Nos compostos formados por elemento invariável + adjetivo, somente o segundo varia.
● Convidados mal-educados.
● Filhotes recém-nascidos.
e: Variam os dois elementos de surdo-mudo: surda-muda, surdos-mudos, surdas-mudas.
f. São invariáveis: azul-marinho, azul-celeste, azul-ferrete, ultravioleta, sem-par e sem-sal.
● Raios ultravioleta.
● Histórias sem-sal.
FLEXÃO DE GRAU DOS ADJETIVOS
Os adjetivos apresentam graus comparativo e superlativo.
1. Grau comparativo:
● de igualdade (tanto/tão... quanto/como/quão)
o As provas do Cespe são tão complexas quanto as da FGV.
● de superioridade (mais (do) que)
o As provas da Cesgranrio são mais fáceis (do) que as da FCC.
● de inferioridade (menos (do) que)
o Os salários da iniciativa privada são menos interessantes do que os do
funcionalismo público.
Atenção: os adjetivos abaixo, no comparativo de superioridade, devem ser usados na
forma sintética:
Grau normal Comparativo Grau normal Comparativo
BOM MELHOR PEQUENO MENOR
MAU PIOR GRANDE MAIOR
Água de coco é melhor (do) que chá gelado.
Quando se comparam grandezas ou características do mesmo ser, todavia, devem ser
usadas as formas analíticas, como em "Marina é mais boa (do) que esperta", ou "aquele sofá
é mais grande (do) que confortável".
2. Grau superlativo:
a. Absoluto: o superlativo absoluto expressa características dos seres em um grau elevado,
sem levar em consideração nenhuma base de comparação. Ele pode ser:
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● Absoluto analítico: usa-se um advérbio para intensificar a qualidade atribuída ao
substantivo.
o A prova estava muito difícil.
o Você perdeu muito peso. Está demasiadamente magro.
● Absoluto sintético: utiliza-se um sufixo para atribuir ao adjetivo a intensidade
desejada.
o Ele não tem nada. É paupérrimo. (de pobre)
o A prova estava dificílima.
o Você perdeu muito peso. Está macérrimo. (de magro).
b. Relativo: o superlativo relativo intensifica a característica atribuída a um ser levando em
consideração todos os demais seres do seu grupo. Pode ser identificado pelo uso das
expressões o mais/o menos.
● Relativo de superioridade: o mais
o A magistratura é a mais desejada das carreiras.
o Marcos é o aluno mais inteligente da sala.
o Aquela foi a melhor viagem da minha vida.
● Relativo de inferioridade:
o Ele é o menos inteligente entre nós.
o Aquela ali é a cantora menos talentosa que conheço.
Observação: de acordo com a norma-padrão da língua, o adjetivo não possui os graus
diminutivo e aumentativo. Todavia, podem-se fazer essas flexões na linguagem coloquial.
Exemplos:
Comprou um carro grandão. (=muito grande, superlativo).
Gosto de beber água geladinha. (=muito gelada, superlativo).
LOCUÇÕES ADJETIVAS: é um conjunto de palavras que tem a mesma função de um adjetivo.
Forma-se a partir da combinação de preposição + substantivo e, muitas vezes, pode ser
substituída por um adjetivo simples.
atitude de rei (=régia), dama da noite (=noturna), rodas de liga leve, torneira de
água quente etc.
4.5 PRONOMES
Pronomes são palavras que acompanham ou substituem os nomes. Se os
acompanharem, serão chamados pronomes adjetivos; se os substituírem, pronomes
substantivos.
Alguns alunos chegaram (pronome adjetivo indefinido).
Alguns chegaram. (pronome substantivo indefinido).
Os pronomes podem ser pessoais, possessivos, demonstrativos, indefinidos,
interrogativos e relativos.
PRONOMES PESSOAIS
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Designam as pessoas do discurso.
Pessoa do
discurso
Pronomes
retos
Pronomes
oblíquos
átonos (sem
preposição)
Pronomes
oblíquos
tônicos (com
preposição)
SINGULAR
1ª EU Me Mim, comigo
2ª TU Te Ti, contigo
3ª ELE/ELA O, a, se, lhe Si, consigo,
ele/ela
PLURAL
1ª NÓS Nos Nós, conosco
2ª VÓS Vos Vós, convosco
3ª ELES/ELAS Os, as, se,
lhes
Si, consigo,
eles/elas
Os pronomes pessoais retos desempenham função subjetiva (sujeito verbal). Os
pronomes pessoais oblíquos, por sua vez, exercem função de complemento de outros
termos (verbos ou nomes).
Os pronomes eu e tu são exclusivamente retos, ou seja, não podem exercer função
de complemento.
Os pronomes ele/ela, nós, vós, eles/elas podem ser retos ou oblíquos, dependendo
da função. Neste caso (quando forem oblíquos), serão precedidos de preposição.
Regras relativas ao uso dos pronomes pessoais
1. Os pronomes oblíquos ME, TE, SE, NOS e VOS, quando complementam verbos, podem
funcionar como OBJETO DIRETO ou OBJETO INDIRETO.
Enviaram-te flores. (objeto indireto)
Olharam-te com desconfiança. (objeto direto).
Pague-me, por favor. (objeto indireto)
Leve-me até a saída? (objeto direto)
2. Os pronomes oblíquos LHE e LHES, quando complementam verbos, somente funcionam
com OBJETO INDIRETO.
Se ele se desculpar, perdoar-lhe-emos todas as ofensas.
Disseram-lhe que tudo terminaria bem.
3. Os pronomes oblíquos O, A, OS, AS, quando complementam verbos, somente funcionam
como OBJETO DIRETO.
O gerente a informou de todas as taxas devidas.
Já que não os encontrei, fui sozinho ao cinema.
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Atenção:
● após verbos terminados em R, S ou Z, esses pronomes se transformam em LO, LA,
LOS, LAS (cortam-se o R, o S e o Z do final do verbo):
o Não quero incomodá-los. (incomodar + os).
o Em relação à aquela prova, fi-la com muita tranquilidade. (fiz + a).
● após verbos que terminam em som nasal, esses pronomes se transformam em NO,
NA, NOS, NAS:
o A matéria da prova é o capítulo três. Estudem-no com cuidado.
o A inscrição deve ser feita na página da FCC. Acessem-na logo.
4. Os pronomes oblíquos O, A, OS, AS, ME, TE, SE, NOS e VOS podem funcionar como
SUJEITO DO INFINITIVO. Isso ocorre em construções com os verbos:
● causativos: mandar, deixar, fazer + infinitivo
o Deixe-me ver, por favor. (= Deixe que eu veja).
● sensitivos: ver,ouvir, sentir + infinitivo
o Eu a vi chegar há dez minutos. (= Eu vi que ela chegava há dez minutos)
5. Os pronomes oblíquos ME, TE, SE, NOS, VOS, LHE e LHES podem funcionar como adjunto
adnominal. Isso ocorre quando eles transmitem ideia de posse:
Tocou-lhe a mão. (tocou a mão dele/dela).
Roubaram-me a carteira (roubaram minha carteira).
6. Os pronomes oblíquos ME, TE, SE, NOS, VOS, LHE e LHES podem funcionar como
complemento nominal. Isso ocorre quando eles complementam o sentido de adjetivos,
advérbios ou substantivos abstratos:
Tinha-lhe muito medo. (medo de algo/alguém).
Era-me impossível esquecê-la. (impossível a alguém).
7. Os pronomes SI e CONSIGO são sempre reflexivos, ou seja, sempre se referem ao sujeito
da oração em que se encontram.
Aquelas meninas trazem consigo as memórias de uma infância difícil.
Passou a tarde inteira falando de si.
8. A preposição COM e os pronomes oblíquos tônicos MIM, TI, SI, NÓS e VÓS, originando
comigo, contigo, consigo, conosco e convosco.
Encontrar-me-ei contigo amanhã.
Venha à festa conosco!
Posso assistir ao filme convosco?
Atenção: devem-se usar as formas com nós e com vós quando o pronome pessoal é
reforçado por um numeral, por palavras do tipo mesmos, próprios, todos etc. ou outras que,
de certa forma, determinem esses pronomes pessoais:
● Ele se encontrará com nós alunos em sua sala.
● Viajarei com vós três.
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9. Os pronomes EU e TU são exclusivamente retos. Por isso, não podem ser utilizados
regidos de preposição. Use EU e TU quando os pronomes forem sujeitos de uma ação;
substitua-os por MIM e TI, respectivamente, quando não forem.
Nunca houve nada entre mim e ti.
Trouxe um livro para mim.
Trouxe um livro para eu ler. (o pronome eu é sujeito de ler).
Para mim, estudar matemática é muito difícil. (para mim complementa o adjetivo
difícil).
Pronomes pessoais de tratamento
São utilizados nas relações entre as pessoas e devem ser selecionados de acordo com
o grau de formalidade da situação comunicativa.
Você (v.): tratamento informal
Senhor (Sr.)/Senhora (Sra.):
tratamento respeitoso
Senhorita (Srta.): mulheres solteiras
Vossa Senhoria (V.Sa.): pessoas de
cerimônia, funcionários graduados
Vossa Excelência (V. Exa.): altas
autoridades
Vossa Reverendíssima (V. Revma.): sacerdotes
Vossa Santidade (V.S.): Papa
Vossa Majestade (V.M.): reis e rainhas
Vossa Alteza (V.A.): príncipes, princesas e
duques
Observe que as formas com "Vossa" devem usadas quando se fala diretamente com a
pessoa (2ª pessoa). Quando se fala a respeito de alguém (3ª) pessoa, deve-se usar "Sua".
Vossa Alteza está bem? (pergunta feita diretamente ao príncipe/à princesa.)
Sua Alteza está bem? (pergunta feita a uma terceira pessoa).
Sempre que se utilizarem pronomes pessoais de tratamento, ainda que escritos com
VOSSA, os verbos e os demais pronomes que a ele se referem devem concordar na 3ª pessoa
do singular ou do plural, conforme o caso.
Vossa Excelência pode ficar tranquilo. Seus documentos já foram enviados, conforme
suas ordens anteriores.
PRONOMES POSSESSIVOS
Indicam uma relação de posse, concordando em pessoa com o possuidor e em
gênero e número com a coisa possuída.
Pessoa do discurso Pronome
possessivo
Pessoa do
discurso
Pronomes
possessivos
EU Meu, minha, meus,
minhas
NÓS Nosso, nossa,
nossos, nossas
TU Teu, tua, teus, tuas VÓS Vosso, vossa,
vossos, vossas
2023 | LÍNGUA PORTUGUESA | 33
ELE/ELA Seu, sua, seus, suas ELES/ELAS Seu, sua, seus,
suas.
PRONOMES DEMONSTRATIVOS
Situam os seres sobre os quais se fala no espaço, no tempo, no texto e na
enumeração.
Os principais pronomes demonstrativos são: este(s), esta(s); esse(s), essa(s); isto, isso;
aquele(s), aquela(s), aquilo.
Pronome Espaço Tempo Texto Enumeração
ESTE(S)
ESTA(S)
ISTO
Refere-se ao que
está próximo de
quem fala: veja
esta blusa que
estou usando!
Refere-se ao
tempo
presente:
este será o
melhor ano
da minha
vida! (o ano
corrente)
Refere-se ao
que será dito:
meu maior
desejo é este:
sem aprovado
em primeiro
lugar no
concurso.
Retoma o último
elemento da
sequência: estou em
dúvida entre comprar
um carro, uma
bicicleta ou uma
moto. Esta, sem
dúvida, é a mais ágil.
(moto)
ESSE(S)
ESSA(S)
ISSO
Refere-se o que
está próximo da
2a pessoa do
discurso: onde
você comprou
esse relógio que
está usando?
Refere-se ao
passado
próximo:
minhas férias
acabaram
ontem.
Nunca vou
me esquecer
desses dias
que passei na
Europa!
Refere-se a algo
que já foi dito:
ser aprovado
em primeiro
lugar no
concurso: esse é
o meu maior
desejo.
Retoma o elemento
intermediário,
quando houver. estou
em dúvida entre
comprar um carro,
uma bicicleta ou uma
moto. Essa é, sem
dúvida, a mais
ecológica. (bicicleta)
AQUELE(S)
AQUELA(S)
AQUILO
Refere-se ao que
está distante:
como é bonita
aquela casa do
outro lado da
rua.
Refere-se ao
passado
remoto:
naquela
época,
quando meus
pais ainda
eram
crianças, as
cidades eram
menos
violentas.
Veja NA
ENUMERAÇÃO
Retoma o primeiro
elemento da
enumeração: estou
em dúvida entre
comprar um carro,
uma bicicleta ou uma
moto. Aquele, sem
dúvida, é o mais
confortável. (carro)
Também podem ser pronomes demonstrativos:
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1. O, A, OS, AS
● Eu não entendi o que o professor explicou. (= aquilo que)
● Ela faleceu ano passado. Não o sabia? (= isso)
2. Mesmo(s), mesma(s), próprio(s), própria(s): quando equivalerem-se uns aos outros.
Eu mesmo fiz o jantar. (= eu próprio fiz o jantar).
3. Tal, tais, semelhante(s):
● Tais atitudes são condenáveis.
● É indelicado fazer semelhante comentário!
PRONOMES INDEFINIDOS
Referem-se de modo vago à 3ª pessoa do discurso.
Pronomes indefinidos invariáveis: alguém, algo, cada, nada, ninguém, tudo.
Pronomes indefinidos variáveis: algum(ns), alguma(s), batante(s), certo(s), certa(s),
muito(s), muita(s), nenhum(ns), nenhuma(s), outro(s), outra(s), qualquer, quaisquer, tanto(s),
tanta(s), todo(s), toda(s).
Locuções pronominais indefinidas: cada qual, cada um, qualquer um, quem quer
que, um ou outro etc.
Algumas observações acerca dos pronomes indefinidos
1. Algum (e variações): se anteposto ao substantivo, tem sentido afirmativo; se posposto ao
substantivo, tem sentido negativo.
● Algum aluno ficou satisfeito com a nota. (afirmativo)
● Aluno algum ficou satisfeito com a nota. (negativo)
2. Bastante:
● Será pronome indefinido quando vier antes do substantivo e expressar quantidade
inexata. É variável: o concurso que quero fazer cobra bastantes matérias.
● Será adjetivo quando vier depois do substantivo e significar "suficiente(s)". Será
variável: já temos problemas bastantes.
● Será advérbio quando modificar um verbo, um adjetivo ou um advérbio. Será
invariável e equivalerá a "suficientemente": tenho alguns amigos bastante
inteligentes.
3. Certo (e variações): se anteposto ao substantivo, é pronome indefinido (= algum); se
posposto ao substantivo, é adjetivo.
● Não dá para acreditar em certas pessoas. (= algumas - pronome).
● É bom poder contar com amigos certo. (= confiáveis - adjetivo)
4. Todo (e variações): se seguido de artigo, significa totalidade, por inteiro; se não seguido de
artigo, significa qualquer.
● Toda a sociedade tem que cuidar das crianças. (= a sociedade inteira).
● Toda sociedade tem que cuidar das crianças. (= qualquer sociedade).
PRONOMES INTERROGATIVOS
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São os pronomes que, quem, quanto, quanta, quantos, quantas e qual utilizados em
frases interrogativas.
● Quantos alunos estão matriculados no curso?
● Qual será o vencedor do Oscar este ano?
● Quantos cães você tem?
PRONOMES RELATIVOS
Pronomes relativos retomam substantivos ou pronomes substantivos já mencionados
anteriormente, introduzindo uma oração subordinada adjetiva. São os seguintes:
Variáveis Invariáveis
O qual, os quais, a qual, as quais que
Cujo, cujos, cuja, cujas quem
Quanto, quantos onde
Uso dos pronomes relativos
1. Os pronomes relativos QUE e O QUAL (e variações) podem retomar coisas ou pessoas:
● Os problemas que o Brasil enfrentatêm diferentes origens. (que = problemas)
● Não confio em político que muda sempre de partido. (que = político)
● Telefone logo aos amigos com os quais você viajará. (os quais = amigos).
2. O pronome relativo QUEM somente pode retomar pessoas: as pessoas em quem confio
são poucas. (quem = pessoas)
3. O pronome relativo CUJO (e variações) somente pode ser utilizado quando houver ideia
de posse. Ele retoma o termo antecedente e concorda com o consequente:
● Aquele é o homem cujas filhas foram sequestradas. (cujas retoma homem e concorda
com filhas).
Dica: para saber se o uso de cujo está correto, pergunte "de quem?" ao termo consequente.
Se a resposta for o termo antecedente, o uso será adequado;
● Filhas de quem? Do homem.
4. QUANTO (e variações) são pronomes relativos quando precedidos de tudo, tanto(s),
tanta(s), todos e todas (pronomes indefinidos): ele sempre compra tudo quanto quer.
5. O pronome relativo ONDE somente pode ser usado para retomar lugar. Pode ser
substituído por EM QUE ou NO QUAL (e variações):
● A cidade onde nasci fica a 300 quilômetros da capital. (onde retoma cidade).
● A cidade em que/na qual nasci fica a 300 quilômetros da capital. (essas opções
também são corretas).
Dica: EM QUE e NO QUAL (e variações) podem ser usados para retomar lugares ou outros
tipos de referente e podem sempre substituir o pronome ONDE. O contrário, todavia, não é
verdadeiro, já que este só pode ser usado para retomar lugar.
● Chegamos a um pequeno vilarejo onde moravam poucas pessoas. (certo)
● Chegamos a um pequeno vilarejo em que moravam poucas pessoas. (certo).
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● A situação onde me encontro é complexa. (errado: situação não é lugar).
● A situação na qual me encontro é complexa. (certo).
ONDE AONDE
Use com verbos que exigem a preposição
EM (ideia de posição estática)
Use com verbos que exigem a
preposição A (ideia de movimento - destino)
O lugar onde moro é atendido por poucas
linhas de ônibus.
O país aonde irei tem uma das
melhores qualidades de vida do mundo.
6. Atenção para a sequência de pronome demonstrativo O + pronome relativo QUE:
Não sei o que fazer nesta situação. (= não sei aquilo que fazer nesta situação).
Atenção: quando o termo que vier após o pronome relativo, na oração adjetiva, exigir
o uso de preposição, ela deverá ser utilizada antes do pronome relativo. Exemplos:
● O livro que eu li é um best-seller.
o o verbo ler não exige preposição. Logo, não há preposição antes de que.
● O filme de que mais gosto passará na TV esta noite.
o O verbo gostar exige a preposição de. Logo, tal preposição deve aparecer
antes do pronome relativo (gosto do filme).
● O cientista a cuja obra me referi é professor em Harvard.
o O verbo referir-se exige a preposição a. Assim, a preposição a aparece antes
do pronome relativo cuja.
4.6 NUMERAIS
Os numerais são palavras que quantificam ou ordenam os substantivos. Podem ser
classificados em:
Cardinais: um, dois, cinco, dez, quinze, dezesseis, cem...
Ordinais: primeiro, segundo, quinto, décimo, décimo quinto, décimo sexto, centésimo...
Multiplicativos: dobro/duplo, triplo, quíntuplo, décuplo...
Fracionários: meio, terço, quinto, décimo, quinze avos, dezesseis avos, centésimo...
Atenção: as palavras ambos e zero são consideradas numerais. Último, penúltimo e
antepenúltimo são adjetivos.
4.7 VERBOS
Os verbos são palavras que indicam ação, processo, fenômeno da natureza ou estado.
São as seguintes as flexões dos verbos: pessoa, número, tempo, modo e voz.
Os verbos podem ser de três conjugações, dependendo de sua terminação:
● 1ª conjugação: -AR (cantar, furar, jogar)
● 2ª conjugação: -ER (bater, prometer, reter)
● 3ª conjugação: -IR (sorrir, partir, demitir)
Atenção: o verbo PÔR e seus derivados incluem-se na segunda conjugação verbal. Isso
ocorre porque esses verbos derivam da forma latina POER.
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Podemos classificar os verbos em:
1. Verbos regulares: seguem um padrão de conjugação, sem que se alterem seu radical ou
suas terminações.
2. Verbos irregulares: sofrem variações no radical ou nas terminações quando são
conjugados, afastando-se do padrão de conjugação.
3. Verbos defectivos: verbos que não têm a conjugação completa.
São exemplos de verbos defectivos: abolir, adequar, colorir, demolir, explodir, falir etc.
O verbo adequar, por exemplo, não tem a 1ª pessoa do singular (eu "adéquo") e,
consequentemente, os tempos que dela derivam). O verbo falir, por sua vez, no presente do
indicativo, tem somente as pessoas nós e vós (falimos e falis).
4. Verbos abundantes: apresentam mais de uma forma de alguma de suas flexões. Na
maioria das vezes, o verbo abundante apresenta variação no particípio. Exemplos:
Verbo Particípio regular
(ADO/-IDO)
Particípio irregular
Aceitar Aceitado Aceito
Anexar Anexado Anexo
Dispersar Dispersado Disperso
Eleger Elegido Eleito
Expulsar Expulsado Expulso
Imprimir Imprimido Impresso
Matar Matado Morto
● Deve-se usar o particípio regular nas construções de voz ativa (verbos auxiliares:
TER/HAVER): Quando fui conferir, ele já havia imprimido o documento.
● Deve-se usar o particípio irregular nas construções de voz passiva (verbos
auxiliares: SER/ESTAR): Quando fui conferir, o documento já estava impresso.
TEMPOS E MODOS VERBAIS
Existem três modos verbais:
● Modo indicativo: exprime uma declaração, um fato certo.
● Modo subjuntivo: exprime uma hipótese, uma dúvida, uma possibilidade.
● Modo imperativo: exprime um pedido, uma ordem, uma sugestão.
Existem, também, três formas nominais do verbo:
● Infinitivo (AR/ER (OR)/IR): andar, varrer, sumir.
● Gerúndio (NDO): andando, varrendo, sumindo.
● Particípios (ADO/IDO): andado, varrido, sumido.
Na conjugação verbal, todos os tempos derivam do presente do indicativo, do
pretérito perfeito do indicativo e do infinitivo.
Regras de conjugação verbal
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Para aprender as regras de conjugação verbal, usaremos os seguintes verbos
regulares: cantar, bater e partir.
1. Tempos derivados do presente do indicativo
Derivam do presente do indicativo: presente do subjuntivo, imperativo afirmativo e
imperativo negativo.
As desinências verbais do presente do indicativo são as seguintes:
1ª conjugação 2ª e 3ª conjugações
Desinência
modo-temp
oral
NÃO TEM NÃO TEM
Singular Plural
1ª 2ª 3ª 1ª 2ª 3ª
Desinências
número-pe
ssoais
O S - MOS IS M
Presente do indicativo
CANTAR BATER PARTIR
Eu canto Eu bato Eu parto
Tu cantas Tu bates Tu partes
Ele canta Ele bate Ele parte
Nós cantamos Nós batemos Nós partimos
Vós cantais Vós bateis Vós partis
Eles cantam Eles batem Eles partem
a. Formação do presente do subjuntivo.
Deriva da 1ª pessoa do singular do presente do indicativo com a supressão da desinência
número pessoal. Veja:
Passo 01: 1ª pessoa - "o" (cant-, bat-, part-), para formar a base.
Passo 02:
● Verbos de 1ª conjugação: base + E
● Verbos de 2ª e 3ª conjugação: base + A
Passo 03: acrescentar as desinências modo-temporais do presente do subjuntivo.
As desinências do presente do subjuntivo são as seguintes:
1ª conjugação 2ª e 3ª conjugações
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Desinência
modo-temp
oral
E A
Singular Plural
1ª 2ª 3ª 1ª 2ª 3ª
Desinências
número-pesso
- S - MOS IS M
Conjugação:
Cantar Bater Partir
QUE
Eu cante Eu bata Eu parta
Tu cantes Tu batas Tu partas
Ele cante Ele bata Ele parta
Nós cantemos Nós batamos Nós partamos
Vós canteis Vós batais Vós partais
Eles cantam Eles batam Eles partam
b. Formação do imperativo negativo: o imperativo negativo é idêntico do presente do
subjuntivo precedido da palavra não. Percebe-se que ele deriva indiretamente do presente
do indicativo. O imperativo não apresenta a 1ª pessoa do singular e, ao conjugá-lo, a 3ª
pessoa do singular e a do plural (ele/eles) devem ser convertidas em você e vocês.
Cantar Bater partir
- - -
Não cantes tu Não batas tu Não partas tu
Não cante você Não bata você Não parta você
Não cantemos nós Não batamos nós Não partamos nós
Não canteis vós Não batais

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