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Brenda Velluma Soares de Azevedo ANATOMIA DO OLHO: Órbita óssea: - Formato de pirâmide - Importante para manutenção e proteção do globo ocular - Formado por 7 ossos - O olho só preenche ⅕ do tamanho da órbita óssea, o resto é nervo e músculo - Parede medial → mais fina, mais acometida nos traumas. Formada por osso etmóide, lacrimal, processo frontal da maxila, face lateral do corpo do esfenóide. - Parede lateral → mais resistente. Formada pelo zigomático, parede frontal, asa menor do esfenóide - Parede superior → asa menor do esfenóide, lâmina da órbita frontal - Parede inferior → fraturas blow out acomete mais parede inferior (olho aprisionado e enoftalmia) obs: o osso etmóide é muito fino, pacientes com doenças respiratórias podem ter infecção ocular pela passagem de bactérias através desse osso Musculatura: 4 Retos - Lateral → Abducente → abdução - Medial → Oculomotor → Adução - Inferior → oculomotor → Depressão, adução, rotação lateral - Superior → oculomotor → elevação, adução, rotação medial 2 oblíquos - Inferior → oculomotor → elevação, abdução, rotação lateral - Superior → Troclear → depressão, abdução, rotação medial obs: Paciente com ptose, pupila dilatada e estrabismo → acometimento de oculomotor Pálpebras: - Proteção do globo ocular - Músculos que abrem → Elevador da PS (oculomotor); Músculo de Muller (inervação simpática) e músculo frontal. Abre a pálpebra inferior : músculo társico inferior - Músculos que fecham as pálpebras → Orbicular (n. facial- causa lago oftálmico) e acessórios (corrugador do supercílio) obs: doenças que acometem inervação simpática causam ptose por acometimento do músculo de Muller → ex: Síndrome Horner (ptose, miose, anidrose ipsilateral) Cílios: - Substituídos de 3-5 meses - Mais numerosos na pálpebra superior - Duas glândulas sebáceas por cílio - Lamela anterior → cílios e músculo de Holan - Lamela posterior → orifícios das glândulas de Meibomius (produtoras de sebo, e ajuda no filme lacrimal) Corpo ciliar - Estrutura muscular e vascularizada → influencia na formação do HA e acomodação - Pars plicata → fica no terço anterior com os processos ciliares → produz o HA - Pars Plana → posterior, adjacente a retina Humor Aquoso: Brenda Velluma Soares de Azevedo Brenda Velluma Soares de Azevedo - solução transparente com eletrólitos diluídos → refração de raios, proteção térmica e mecânica, sustentação, nutrição, mantém a PIO, remoção de catabólitos. - Sua renovação ocorre a cada 2h (maior de dia) - Secreção ativa (enzima anidrase carbônica); secreção passiva (depende da pressão sanguínea) - Ultrafiltração diminui a PIO - Escoamento através de rotas (glaucoma pode ser causado pela obstrução desse escoamento) - Rota trabecular → maior rota de drenagem (problema em seio cavernoso prejudica essa drenagem). É influenciada pela PIO e pressão venosa episcleral - Rota uveoescleral → pela raiz da íris. Músculo ciliar contraído (diminui a drenagem); músculo ciliar relaxado (aumenta). (Atropina, prostaglandinas, alfa-agonistas aumentam o escoamento)(Pilocarpina, carbacol -drogas parassimpatomiméticas- diminuem o escoamento) Glândulas Palpebrais: - Glândula de Zeiss → écrina, produtora de gordura, fica na base dos cílios - Glândula de Moll → sudorípara ou ciliar, modificações de glândulas apócrinas (a célula libera o citoplasma), margem palpebral - Glândula de Meibomius → sebácea, holócrina, de lamela posterior, lubrifica e impede aderência das bordas palpebrais Aparelho lacrimal: - Parte secreto (glândula lacrimal principal e acessórias - produção aquosa) e Vias lacrimais propriamente ditas - Localização ântero lateral da órbita, no osso frontal - Parte palpebral (anterior) e orbitária (maior e posterior) → dividida pelo septo - Os ductos vão da parte orbitária para a palpebral (lesão neste local causa a diminuição de lágrimas) - Lâminas lacrimais acessórias → Krauser (carúncula); Wolfman - pontos lacrimais → canalículos → ampola → saco lacrimal → ducto nasolacrimal - Válvulas → impedem que a lágrima que saiu retorne. Huschke ; Rosenmuller (impede refluxo da lágrima); Krause; Hasner (impede refluxo de secreção nasal) - Bomba lacrimal Conjuntiva: - Membrana vascularizada, semi transparente que recobre a parte interna da pálpebra e superfície anterior do olho, mas não a córnea - Ajuda na movimentação, defesa ocular (tecido linfóide) e lubrificação (células caliciformes- mucina) - Dividida em: Fórnice, palpebral (posterior) e bulbar - o crescimento para cima da córnea caracteriza a doença pterígio Camadas ou Túnicas: Externa (fibrosa): - 1- córnea, 2- esclera - A conjuntiva reveste a esclera - A córnea → é avascular, rica em colágeno, viscoelástica, resistente a traumas e infecções (junções gap), tecido mais inervado do corpo (derivado do trigêmio). Poder de refracionar a luz (43 dioptrias). Brenda Velluma Soares de Azevedo Brenda Velluma Soares de Azevedo - Megalocórnea > 12,5 e Microcórnealuz. - 3- coróide → rede de artérias entrelaçadas e anastomosadas, tem como função: nutrição, passagem de vasos, manutenção da PIO, suporte retiniano e controle térmico. Formada por: Lâmina fosca (avascular ), camada de grandes vasos (Haller - externa com vasos maiores; Sattle- mais interna e vasos intermediários), coriocapilar (única camada de capilares), lâmina basal (membrana de Bruch, surge drusas- acúmulo de lipofuscina- DMRI) Brenda Velluma Soares de Azevedo Brenda Velluma Soares de Azevedo - 4- Cristalino → avascular e sem inervação, nutrição pelo HA ou HV. Divisão: Cápsula (acelular, membrana semi-permeável); Epitélio (formação de células); Fibras lenticulares Interna (nervosa): - Retina (reveste a superfície anterior da esclera e posterior da pálpebra) → tecido nervoso, transforma luz em impulso nervoso - Mácula → é a região mais importante da retina (visão central). Em seu centro fica a fóvea e no centro da fóvea a fovéola - Composta por 10 camadas - Vítreo - Membrana limitante interna- camada de fibras nervosas (formam o nervo óptico) - camada de células ganglionares - camada de células plexiforme interna (sinapses)- camada nuclear interna (núcleo dos corpos) - camada plexiforme externa (sinapse entre as células ganglionares e os fotorreceptores) - camada nuclear dos fotorreceptores (cones e bastonetes) - membrana limitante externa - segmento interno - segmento externo - epitélio pigmentar da retina ( células cúbicas, absorção da luz) - cones → mácula, cores, visão fina e rica em detalhes; bastonetes - fóvea, visão de movimento, grosseira e em locais de baixa luminosidade - Humor Vítreo → gel incolor e viscoso. Permite a distribuição da luz e de metabólitos para a retina e cristalino. Possui áreas de adesão: base vítrea, disco óptico, mácula e vasos - Descolamento de vítreo causa mosca volante Câmaras: Anterior: - Espaço entre a córnea a íris - Preenchido por humor aquoso Posterior: - Entre íris e cristalino - Também possui humor aquoso Vítrea: - Entre cristalino e retina - Preenchido por humor vítreo ERROS DE REFRAÇÃO: - A luz ao passar por diferentes meios , de índices de refração diferente, mudam a velocidade da luz - Índice de refração da córnea é muito alto (43d) >cristalino (20d) - Poder refrativo do olho depende de : curvatura da córnea, diâmetro ântero-posterior, olho curto ou longo, meridianos agudos (curvatura mais elevada ou não) - musculatura ciliar → faz a contração ou relaxamento do cristalino e acomodação óptica - Reflexo cinético (acomodação para perto)→ soma de 3 reflexos : contração da musculatura ciliar, relaxamento das fibras ondulares, expansão do cristalino, miose obs: “a dioptria é o grau da lente” - Lentes convexas → imagem real e invertida (lente do próprio olho) - Lentes côncava → imagem virtual, direta e menor (usado em graus negativos) Brenda Velluma Soares de Azevedo Brenda Velluma Soares de Azevedo Distúrbio de acomodação: Presbiopia: - Apenas pacientes > 40 anos - Bilateral e simétrico - Astenopia → dor de cabeaça, embaçamento para perto, diplopia, fadiga obs: paciente pode ter espasmo de acomodação→ por forçar a visão, estresse, uso contínuo do celular → causa falsa miopia Dilatação: - Uso de drogas anticolinérgicas → inibe a contratura do músculo ciliar → midríase medicamentosa - usado em pacientes mais jovens, com o passar dos anos não vai sendo mais necessários - Usado para evitar que se mascare o valor real do grau do paciente - ex: Tropicamida → poder baixo de paralisia da musculatura ciliar e alto de dilatação pupilar - ex: Ciclopentolato → poder alto de relaxamento da musculatura ciliar e baixo de dilatação. Não pode ser usado em bebês - ex: Atropina → midríase, dura muito tempo, não usa com frequência Hipermetropia: - Paciente não consegue ver bem de perto e nem de longe - visão embaçada - Pior para perto do que longe, pode até conseguir enxergar para longe - Bebês podem ser hipermétropes → possuem o olho pequeno - Olhos pequenos → formação da imagem antes da retina - Pode ter astenopia ao forçar a visão Miopia: Tipos: - Axial → causadas por um maior diâmetro (>25cm). Se for observado um olho muito grande, em que o grau for >6, chama-se de miopia patológica degenerativa (pode evoluir para um descolamento da retina) - Curvatura → paciente com um olho tamanho normal e córnea muito refratora (ex: miopia causada por ceratocone) - Secundária → pacientes idosos que possuem catarata (envelhecimento do cristalino) podem ter um cristalino com maior poder refrator, causando miopia. Ou por espasmo de acomodação, causando uma miopia artificial - Congênita → observado em bebês - geralmente em pacientes prematuros ou que tiveram complicações no pós parto Alterações: - Estafiloma → área da esclera protrusa - Rarefação do epitélio pigmentar da retina → observa-se através da visualização dos vasos da coróide - Buracos e rasgos Fatores desencadeantes nos dias atuais: - Uso de smartphones, tablets, aparelhos eletrônicos no geral - Crianças com espasmo contínuo de acomodação por uso exagerado dos aparelhos eletrônicos, e pouco estímulo da visão externa, ao ar livre. Astigmatismo: Brenda Velluma Soares de Azevedo Brenda Velluma Soares de Azevedo - Irregularidade da córnea - Visão embaçada para perto e para longe - Causas: congênitas (lenticone), retiniano, prurido ocular Tratamentos: - Óculos → para todas as alterações regulares - Lentes rígidas → pacientes com alterações da córnea - Cirurgia Refrativa → Pacientes com grau estável (sem flutuações de 0,50 de um ano para outro), acima de 21 anos. Correção de miopia, astigmatismo, presbiopia, hipermetropia obs: pacientes com miopia patológica não pode fazer cirurgia refrativa obs: paciente com alto grau pode usar a colocação de lente fácica Faco refrativa → para pacientes que não possuem catarata não é indicado Colocação de anel → deixa a córnea regular, pacientes com ceratocone PRK → tipo de cirurgia refrativa LASIK → tipo de cirurgia refrativa obs: criança deve sempre investigar (formação da visão até 5 anos de idade) Ambliopia → criança que não teve correção ou estímulo desde cedo DOENÇAS DA CONJUNTIVA: Conjuntiva → rever a anatomia - Dividida em: palpebral ou tarsal (firmemente aderida a placa tarsal), fórnix e bulbar (reveste parte anterior da esclera e é contínua com a córnea) - Cápsula de Tenon → 2 folhetos formados por fibras colágena, reveste o globo ocular, apoia e sustenta o globo ocular → abaixo da conjuntiva e antes da esclera - Epitélio → estratificado, não queratinizado com múltiplas fileiras de células, e com células caliciformes entremeadas. Epitélio é colunar no fórnix, cuboidal na região tarsal e escamoso no globo ocular. Membrana semipermeável - Lâmina basal → separa epitélio do estroma - Estroma → camada adenóide e fibrosa - obs: acamada adenóide superficial só se desenvolve após 3 meses. Por isso bebês menores de 3 meses não vão ter reação folicular quando possuem conjuntivite viral Doenças: Conjuntivites: - Inflamação na conjuntiva - Diversas causas → viral, bacteriana, alérgica - Clínica: olho vermelhopode ser uni ou bilateral, secreção e sensação de corpo estranho - Reações conjuntivais → injeção conjuntival, conjuntivite hemorrágica, quemose (edema da conjuntiva), membranas (acúmulo de fibrina com material necrótico), cicatriz, reação folicular (elevações pequenas e avasculares na conjuntiva palpebral, os vasos passam entre as elevações), reação papilar (estruturas sobrelevadas, padrão em mosaico e vascularização central - uso de lentes de contato, sínd. da pálpebra flácida, ceratoconjuntivite), linfadenopatia - obs: síndrome oculoglandular de parinaud (arranhadura do gato) → reação folicular - obs: hipersensibilidade a fármacos → reação folicular Viral Brenda Velluma Soares de Azevedo Brenda Velluma Soares de Azevedo - Mais comum → principal agente → adenovírus Tipos: - Ceratoconjuntivite epidêmica → contágio direto ou indireto de algum paciente infectado.Sintomas: olho vermelho, lacrimejamento, quemose, fotofobia, prurido, hemorragia subconjuntival, secreção aquomucosa (acorda com o olho pregado), reação folicular, autolimitada (5-7 dias). Tratamento sintomático: higiene, anti-histamínico para o prurido, lubrificante, AINE; para infiltrado: corticóide tópico - obs: o corticóide e ATB são contraindicados em casos de conjuntivite viral . Só são usado em casos de retirada de membranas - Febre faringoconjuntival → rinofaringites agudas disseminada - Conjuntivite folicular não específica - Ceratoconjuntivite crônica → adenovírus Alérgica - Alteração da superfície do olho por uma reação tipo I, mediada por IgE - Principal sintoma: prurido - Tipos: - Conjuntivite alérgica → Sazonal - intermitente ou Perene - crônica, acnes, fungos → indivíduos previamente sensibilizados, rinite, asma → Aumento no número de eosinófilos, prurido, hiperemia conjuntival, reação papilar na conjuntiva tarsal. - Ceratoconjuntivite primaveril→ alergia crônica bilateral, exacerbação sazonal, acomete crianças e resolve na puberdade → pode aparecer como: palpebral, límbica (gelatinoso com nódulos de Horner- Trantas); mista (tanto a reação palpebral quanto límbica) - Ceratoconjuntivite atópica → pacientes com dermatite atópica → eczema, hiperemia, reação papilar, alterações na córnea (ceratite, neovascularização, opacificação), pode evoluir para úlcera, ceratocone, catarata, ceratite herpética - Conjuntivite papilar gigante → papila com mais de 3mm, fatores de risco: lente de contato gelatinosa, sutura, prótese ocular. - Tratamento: fazer controle ambiental, lubrificante, compressa gelada, anti-histamínico tópico, estabilizadores de membrana de mastócitos. Corticóide tópico (para pacientes em crise); imunomoduladores (para paciente que fez desmame do corticóide e a conjuntivite voltou)(tacrolimus) Bacteriana No geral: - Hiperaguda (24h): intensa (gonorreia, miningitidis); Subaguda ou aguda (24h a 7 dias): moderada a intensa (H. influenzae, s. pneumoniae, s. aureus); Crônica (dias a semanas: moderada a leve (S. aureus, Moraxella, Proteus, Pseudomonas, Enterobactiaceae) - Secreção mucopurulenta ; purulenta abundante - gonococo - Injeção conjuntival intensa e difusa - Conjuntivite hemorrágica → S. pneumoniae; H. influenzae; N. meningitidis - Membranas verdadeiras → estreptococo e difteria - Pseudomembranas → gonococo - Reação folicular → clamídia - Reação papilar Infecção Bacteriana Hiperaguda: Brenda Velluma Soares de Azevedo Brenda Velluma Soares de Azevedo - Causada pelo gonococo → N. gonorrhoeae e N. miningitidis - Quando tem gonococo sempre investigar clamídia) - Secreção purulenta, quemose intensa, edema palpebral, linfadenopatia pré-auricular e membrana conjuntival - Mais contagiosa, disseminação hematogênica - Complicações → ceratite com necrose corneana e perfuração - Sem acometer a córnea → Tratamento sistêmico: ceftriaxona 1g IM + tratamento tópico (colirio de amplo espectro: fluoroquinolona ou tetraciclina) - Se acometer a córnea → internação : ceftriaxona EV 12/12, irrigação, tratamento tópico (gentamicina, eritromicina, bacitracina ou colírio de fluoroquinolona) - No recém nascido (oftalmia neonatal - clamídia) → ceftriaxona 125 mg IM DU + pomada de eritromicina + higiene - SEMPRE tratar clamídia junto → azitromicina 1g DU Infecção Bacteriana Aguda: - Autolimitada (10-12 dias)(mesmo sem tratamento melhora); incubação de (2-3 dias) - Quadro clínico → unilateral com hiperemia conjuntival,secreção mucopurulenta, reação conjuntival papilar, petéquias, membrana, sem adenopatia e acometimento corneano incomum (não penetra em epitélio íntegro) - Tratamento: ATB amplo espectro (fluoroquinolonas) 7-10 dias → tópico - Na criança esse tipo de infecção pode ser causada pelo haemophilus, tratar sistemicamente para evitar disseminação → ampicilina Infecção bacteriana crônica: - Agente : clamídia - Sexualmente transmissível - Conjuntivite do adulto por inclusão → folicular crônica, olho vermelho, secreção mucopurulenta, arrastada, paciente jovem, vaginite, uretrite, síndrome de Reiter (uretrite não gonocócica, conjuntivite e artrite reativa) → tratamento: tópico (fluoroquinolona) + sistêmico (doxiciclina, tetraciclina ou azitromicina) - Oftalmia neonatal → via vertical (canal de parto); tratar os pais (os dois), pode causar infecção respiratória, vaginite, otite. Tratamento: vai depender das condições socioeconômicas, se boas - tratar em casa; se ruins - internação → medicação: eritromicina ou tópica ou EV; tratar em ceftriaxona IV, se comprometimento corneano passar mais dias de tratamento - Tracoma → reinfecção várias vezes, pacientes sem boas condições de higiene → fase inicial (reação folicular- 5 ou mais folículos); segunda fase (inflamação); terceira fase (cicatrização - linhas de Arlt); última fase (complicações - entrada da pálpebra (entrópio) + com triquíase) → tratar o paciente e todas as pessoas ao redor (azitromicina 1g a cada 6 meses) Degenerações: Pinguécula → depósito branco-amarelado (elástico e hialino) na conjuntiva bulbar, assintomático, e não tende a crescer → tratamento desnecessário, ou em casos de incômodo ao paciente Pterígio → neoformação de tecido fibrovascular que invade a córnea, pode ser assintomático ou causar irritação crônica, alteração do filme lacrimal, astigmatismo (1-3); fator de risco é radiação UV. Tratamento → sintomático (lubrificante, AINE tópico) ou cirurgia Brenda Velluma Soares de Azevedo Brenda Velluma Soares de Azevedo PATOLOGIAS DA CÓRNEA: Ceratopatias → doenças relacionadas a córnea Ceratites infecciosas: - Infecção na córnea - Agentes que invadem a córnea íntegra→ Neisseria Meningitidis, Neisseria gonorrhoeae, chlamydia, haemophilus influenza - Pode ser causada por: vírus, bactéria (lentes de contato), protozoário, fungo (agricultores) - Patógenos mais comuns → staphylococcus e streptococcus - Sinais → córnea vascularizada na periferia, olho vermelho, córnea esbranquiçada, possui infiltrado, dissolução da córnea (aspecto branco), hipópio (coleção branca - pus dentro do olho), depressão da córnea, úlceras com infiltrado, derretimento corneano - melting (último estágio,sem tratamento) - Sintomas → diminuição da visão, dor - Fatores de risco: trauma, conjuntivite alérgica (prurido), doenças oculares crônicas (olho seco), alteração mecânica na pálpebra (entrópio, triquíase), lente de contato mal adaptada, blefarite (caspinha) - Diagnóstico → raspado da córnea para cultura, bacterioscopia… - Tratamento → antes de receber o resultado laboratorial você deve iniciar o tratamento com ATB de colírios fortificados (seguimento de 24-48h) - obs: não usar corticóide de maneira alguma (causa imunossupressão) - obs: Ceratite tem sempre que encaminha para o oftalmologista, por risco de cegueira Ceratite Neurotrófica: - Perda da integridade da inervação corneana - Injúria no N. trigêmio → córnea hipo ou anestésica - Causas: Lesões de nervo → AVC, esclerose múltipla,cirurgia, neuralgia. Doença sistêmica → diabetes, hanseníase; Doença ocular → ceratite HSV,abuso de anestésico, queimadura química. Doenças congênitas → Sd. de Riley day, Sd de moebius, Sd. de goldenhar - Sintomas → baixa da visão, indolor - Sinais →coloração com fluoresceína, úlcera sem infiltrado de fundo limpo e bordas elevadas - Tratamento → ATB profilaxia e encaminhar Ceratopatia por exposição: - Olho cronicamente exposto - lagoftalmo - Causas: neuroparalítica (paralisia de Bell), baixo tônus muscular (paciente em UTI), mecânica (sinal, cicatriz), anormalidades de posição do globo ocular (doença de Graves). (ex:pacientes que dormem de olho aberto) - Sinais: úlcera corneana, neovascularização, infecção secundária ECTASIAS DA CÓRNEA: Normal → córnea esférica levemente prolada Com ectasia → processo inflamatório crônico com microfraturas na camada de Bowman, e a córnea fica fina e protrusa (hiperprolada) Sintomas → baixa de visão, não melhora com o óculos Tipos: Ceratocone: Brenda Velluma Soares de Azevedo Brenda Velluma Soares de Azevedo - Maior prevalência - Surgimento precoce (crianças e adolescentes) - Sintomas: paciente com baixa de visão, troca de óculos frequente e mesmo com o óculos tem dificuldade em ver, prurido ocular intenso - Associado: conjuntivite alérgica, esclera azul, síndrome de Marfan, sd. de turner, hereditariedade - Sinais: afinamento temporal inferior da córnea, estrias de Vogt (membrana de Descemet esticada e com estriações verticais), anel de Fleischer (base do cone pigmentado), sinal da gota de óleo (observa a área mais pontuda da córnea), sinal de munson (indentação da córnea na pálpebra inferior), invasão do HA (hidropsia aguda) - Tratamento: escalonado → anti-histamínico para a coceira, lentes de contato rígida para o astigmatismo irregular, anel, transplante (último caso) Degeneração Marginal Pelúcida: - Surgimento: pacientes entre 20-30-40 anos - Bilateral e assimétrico (olho bom e outro ruim) - Sintomas: baixa de visão, refratário ao uso de óculos - Diagnóstico: na topografia observa-se sinal da pata de caranguejo ou da gota ou da borboleta - Sinais: afilamento (das 4-8h) em baixo - Tratamento: lentes de contato rígida, anel e transplante Ceratoglobo - Congênito - Diagnóstico → na primeira infância - Sinal: afilamento global generalizado da córnea - Sinais: baixa de acuidade visual e aberrações de alta ordem (astigmatismo irregular) - Tratamento: transplante DISTROFIAS DA CÓRNEA: - Alterações congênitas - Desordem progressiva, bilateral e simétrica, de alterações genéticas, sem caráter inflamatório - Diagnóstico precoce - Opacidade em algum nível da córnea (uma das camadas acumula material) - Ex: distrofia gelatinosa → acúmulo de material amilóide no epitélio e estroma - Ex: distrofia da membrana basal (Cogan) → irregularidade na membrana basal com pontos - Ex: distrofia macular → mais intensa (gene recessivo) - Sintomas → visão embaçada ou baixa de visão refratária (a luz não passa) - Tratamento depende da distrofia → Laser PTK; transplante (lamelar - de uma camada específica) DEGENERAÇÕES DA CÓRNEA: - São adquiridas, mais comum em idades avançadas (doença senil) - Sem caráter hereditário - Unilaterais e assimétrica, progressiva - Sintomas: baixa de acuidade visual ou sem sintomas - Sinal: opacidade da córnea Brenda Velluma Soares de Azevedo Brenda Velluma Soares de Azevedo - ex: ceratopatia em faixa → acúmulo de cálcio no epitélio e endotélio. Pessoas com uveíte crônica → TTo: quelante de cálcio na córnea e ceratectomia superficial - Ex: degeneração esferoidal → depósito de proteínas no epitélio da córnea. Pacientes agricultores que se expõem ao sol - Ex: gerontoxo ou halo senil → acúmulo de lipídio no estroma anterior - Ex: córnea farinácea → córnea cheia de pontos (parece farinha), é senil, pouca perda de visão - Ex: arco limbar de Vork T → arco esbranquiçado, área de depósito branco (cálcio) e buraquinhos Ceratopatias metabólicas: - Depósitos de cistina → cistinose → erro inato do metabolismo (pode causar lesão renal crônica) → paciente com fotofobia - Anel de Kasser Flesh → depósito de cobre na periferia adjacente ao limbo → doença de Wilson - Mucopolisacaridosis → acúmulo de proteínas → baixa acuidade visual - Doença de Norum → alteração corneana e depósito OLHO SECO: - Disfunção do filme lacrimal, alteração do filme lacrimal - Escassa ou disfuncionante - Olho seco flutuante → turvação visual - Alguns pacientes possuem mais sintomas e outros não - Doença inflamatória Causas: - Deficiência aquosa → sd. de sjogren OU obstrução da glândula lacrimal, uso de drogas sistêmicas - Deficiência evaporativa → Intrínseca (evaporação rápida das lágrimas por problema na glândula de Meibomius) OU extrínsecas (deficiência de vita A, drogas tópicas, lentes de contato) Fisiopatologia → lágrima hiperosmolar Sinais → epitélio cheio de filamentos (muco- lipídio e mucina), causa ceratite filamentar; desvitalização do epitélio, olho espumoso, perfuração ou úlceras (evolução de olho não tratado) Tratamento → escalonado → 1- lágrimas preservadas: educação, controle do ambiente, tratar alergia. 2- lagrimas não preservadas: géis, ciclosporina A, esteróides tópicos, secretagogos. 3- tetraciclina oral, plugues punctais; 4- AINE sistêmico, ciclosporina oral, acetilcisteína, óculos umectantes, cirurgia. DOENÇAS DOS CÍLIOS: Triquíase: - Mau posicionamento dos cílios na lamela anterior, porém nascem no local normal - 40 anos ou + - Sintomas: sensação de corpo estranho, lacrimejamento, fotofobia, dor, secreção mucosa - Sinais: erosões no epitélio corneano (em casos não tratados - úlcera; em casos tratado - cicatriz e pode ter pannus - conjuntiva em cima da córnea) - Entrópio cicatricial + triquíase = pensar em tracoma e pesquisar clamídia Brenda Velluma Soares de Azevedo Brenda Velluma Soares de Azevedo - Tratamento: medidas paliativas (lubrificação, lentes de contato terapêutica, depilação mecânica), eletrólise (quando poucos cílios tocam), fotocoagulação (mais realizada) ou crioterapia, cirurgia - cunha pentagonal ou Van Milligen (para pacientes com todos os cílios tocando o olho) Distiquíase - Mau posicionamento dos cílios na lamela posterior - Congênita (autossômica dominante) - Adquiridas (metaplásicos - mais finos, despigmentados- surge nos orifíciosdas glândulas de Meibomius) → associados a pênfigo cicatricial, Sd. de Steven Johnson, queimadura, conjuntivite cicatricial Madarose - Quada do número de cílios - Se tiver uma tumoração junto → malígno - Causas: tumor, alopécia, queimadura, psoríase, LES, sífilis Tricomegalia - Aumento excessivo dos cílios - Causas: desnutrição, AIDS, hipotireoidismo Ptose dos cílios → cílios caídos Poliose → embranquecimento dos cílios prematuramente → blefarite, oftalmia simpática (panuveíte), sind. de VHK, vitiligo Blefarite - Inflamação das pálpebras e cílios - Infecciosa → S. aureus - Inflamatória → seborréica - Sintomas: queimação, ardência, lacrimejamento, coceira - Sinais : associado a olho seco, crosta periciliares, pode ter úlceras - TTo: higiene (shampoo neutro- retirar com água morna), se infecção - ATB tópico (quadros graves, mas não recorrentes), oral (casos recorrentes), AINE (pacientes com dor) TUMORES E CISTOS BENIGNOS: Hordéolo: - Pequeno abcesso - Infecção Staphylococcus - Na glândula meibomiana (interno) OU na Glândula de Zeiss ou moll (externo) - Inflamação aguda, edema, hiperemia, calor local, supurativa e nodular - TTO: compressa morna, e pomada ATB ou corticóide - Se ocorrer celulite pré-septal → ATB oral (cefalexina) Calázio: - Inflamação crônica pelo bloqueio do orifício das glândulas - Nodular e indolor - TTo: compressa morna. Se for grande : exérese ou injeção de corticóide - Se recorrente → buscar carcinoma Cisto de Moll → acomete a glândula de Moll, lesão transluminescente na margem palpebral, preenchido por líquido claro. Cisto de Zeiss → lesão nodular na margem palpebral ALTERAÇÕES DA PÁLPEBRA: Brenda Velluma Soares de Azevedo Brenda Velluma Soares de Azevedo Blefaroptose: - Diminuição entre o reflexo da pupila e a margem palpebral superior - Paciente tenta compensar estimulando a musculatura frontal ou elevação do queixo - Congênita- ja nasceu; adquirido - começou a alguns meses - Saber quando começou; observar acuidade visual (excluir ambliopia) - Avaliar a movimentação ocular (excluir hipotropia) - Fenômeno de Bell → paciente fecha o olho e o médico abre a pálpebra (se for bell bom - paciente vai estar com o olho lá em cima) (se bell ruim- o paciente não levanta bem o olho ao fechar e pode ter ressecamento da córnea) Tipos de Ptose: - Congênita → retificação do contorno palpebral, ausência ou malformação do sulco palpebral, dificuldade de olhar para baixo, unilateral, pode ser associado a ambliopia - Neurogênica → problema no nervo (paralisia do III par - ptose completa), sd. de Horner (lesão em via simpática -bloqueia da inervação do músculo), Sd. de Marcus Gunn (discinesia entre o oculomotor e o trigêmio - interação entre o músculo levantador da pálpebra superior e os pterigóides da mastigação - paciente sem ptose ao falar ou mastigar, mas quando para volta) - Miogênica → miopatia, miastenia gravis (teste do gelo- melhora ptose), distrofia miotônica, oftalmoplegia, - Aponeurótica → problema na aponeurose do músculo levantador da pálpebra superior (envelhecimento ou pós-operatório) - Mecânica → excesso de pele (dermatocalase), tumoração, edema Ectrópio: - Eversão da margem palpebral para o globo ocular, mais comum na inferior - Causa olho seco e sua consequências - Involucional → idoso - Congênito → unilateral, associada a sd. de blefarofimose (nasce com ptose grave, olhos afastados e ectrópio lateral) - Cicatricial → diminuição vertical da pele (queimadura, trauma, elastose solar, herpes, ceratose, iatrogenia) - Paralítico → paralisia do nervo facial (lago oftálmico) - Mecânico → edema, tumor.. Entrópio: - Inversão da borda da pálpebra para dentro do olho - Congênito → diferenciar de epibléfaro (é uma dobra de pele, e não a pálpebra) - Involucional ou senil → flacidez - Cicatricial → tracoma, triquíase OBSTRUÇÃO LACRIMAL DO RECÉM NASCIDO: - imperfuração da via lacrimal baixa, na válvula de Hasner - Canalização → geralmente os bebês que nascem com esse problema voltam ao normal até 1 ano de vida - Sintoma : pode ser uni ou bilateral, olho calmo, mas que lacrimeja muito com secreção amarelada (não é infecção), sem hiperemia, não é purulenta. - TTo: higiene, massagem várias vezes ao dia, caso não tenha a canalização com o tempo necessário ser feito cirurgicamente Obstrução no adulto e em crianças maiores: Brenda Velluma Soares de Azevedo Brenda Velluma Soares de Azevedo - Primária → inflamação inespecífica, causa fibrose e estreitamento do lúmen - Secundária → devido a processo traumático, ou infecção → lacrimejamento - Sintoma: baixa acuidade visual , secreção mucóide ou mucopurulenta (se infecção) Obstruções altas : - Lesões inflamatória → granuloma pyogenes - Canaliculite → inflamação no canalículo → lacrimejamento e conjuntivite purulenta, edema pericanalicular e tumefação purulenta que sai pelo ponto lacrimal → A. israelii → tratamento cirúrgico (canaliculotomia) - Canaliculopatia Estenosante → por tracoma, radioterapia , conjuntivite - Não inflamatória → neoplasia, trauma Obstrução baixa: Dacriocistite aguda - Acomete mais mulheres, idosas - Associada a S. aureus e gram + aeróbias . - Clínica de dor, edema, eritema no canto medial - Caso grave → celulite pré-septal - TTo : compressa morna e ATB oral. Depois que resolver o quadro agudo, manda para cirurgia para não obstruir novamente (dacriocistorrinostomia) GLAUCOMA: - Doença neurodegenerativa (neuropatia) e multifatorial - Fibras nervosas sofrem processo apoptótico mais acelerado causando lesão progressiva do nervo óptico com perda da visão - 2ª maior causa de cegueira Fatores de risco: - PIO (único fator controlável) (11-21mmHg); - Miopia e espessura da córnea fina - GPAA; - Diâmetro axial reduzido (Hipermetropia, córnea plana, CA rasa e ângulo oclusível) - GPAF - Oclusão de veia central da retina, uveíte crônica, neoplasia, obstrução de carótidas → isquemia → glaucoma neovascular - Medicação → corticóide, dilatação pupilar em quem tem GPAF - Fatores sistêmicos → fenômeno de Raynaud, migrânea, doença vascular isquêmica, vasculite, oclusão de carótida - Ambientais → estresse, fadiga, esforço - Demográfico → raça negra, asiático, idoso, esquimó Glaucoma primário de ângulo aberto: - Crônica, multifatorial - Características → paciente negro, míope, história familiar +, PIO elevada, > 65 anos, independente do sexo, espessura da córnea central fina - Clínica: insidioso, progressivo, bilateral, assimétrico (um olho pior do que outro) Brenda Velluma Soares de Azevedo