LIVRO - DAMÁSIO DE JESUS - CURSO DE DIREITO PENAL VOLUME I (2007) (1)

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o mérito, e sim, uma interlocutória que apre- 
ciou apenas o direito de açäo ou a regularidade da relação processual. O inverso se dará 
com as condições de punibilidade, porque então a sentença apreciará a procedência ou 



improcedência da pretensäo punitiva, decidindo do meritum causue (Tratado, 1956, 
v. 3, p. 326 e 327). 
    A segunda condição é de ser o fato punível também no pais em que foi 
praticado. Exige-se, pois, que a conduta esteja descrita como crime na 
legislação do país em que foi praticada, quer com o mesmo nomen juris 
empregado pela nossa, quer com outro. E se o fato for praticado em região 
näo submetida à legislaçäo penal de qualquer país, como, v. g., na região 
polar? O fato cometido pelo nacional cairá sob a eficácia da lei penal bra- 
sileira. Nos termos da resolução do Instituto de Direito Internacional de 
Munich, de 23--1833, os nacionais se consideram responsáveis, de acor- 
do com as leis de sua pátria, em toda infração praticada em países não sub- 
metidos a soberania alguma". 
    A terceira condição é estar o crime incluido entre aqueles pelos quais 
a lei brasileira autoriza a extradição. É condição objetiva de 
punibilidade. 
De acordo com a lei de Estrangeiro (Lei n. 6.815, de 19-8-1980), ela não 
é concedida quando: a) se tratar de brasileiro, salvo se a aquisição dessa 
nacionalidade verificar-se após o fato que motivar o pedido; b) o fato 
que 
motivar o pedido não for considerado crime no Brasil ou no Estado reque- 
rente; c) o Brasil for competente, segundo suas leis, para julgar o crime 
imputado ao extraditando; d) a lei brasileira impuser ao crime a pena de 
prisäo igual ou inferior a um ano; e) o extraditando estiver respondendo a 
processo ou já houver sido condenado ou absolvido no Brasil pelo mesmo 
fato em que se fundar o pedido;f) estiver extinta a punibilidade pela pres- 
crição segundo a lei hrasileira ou a do Estado requerente; g) o fato consti- 
tuir crime político; e h) o extraditando houver de responder, no Estado re- 
querente, perante Tribunal ou Juízo de exceção. 
    Outro requisito é não ter sido o agente absolvido no estrangeiro ou 
não ter aí cumprido a pena. Se o agente foi absolvido ou cumpriu a pena no 
estrangeiro, ocorre uma causa de extinção da punibilidade. Se a sanção foi 
cumprida parcialmente, novo processo pode ser instaurado no Brasil, com 
atendimento da regra do art. 8.o. 
    Por último, exige-se não ter sido o agente perdoado no estrangeiro 
ou, por outro motivo, não estar extinta a punibilidade, segundo a lei mais 
favorável. Como é evidente, cuida-se de causas de extinção da punibilidade. 
    No caso de crime cometido por estrangeiro contra brasileiro fora do 
Brasil, além das condições previstas no § 2.o, são exigidos os requisitos das 
alíneas do § 3.o, para que haja a aplicação de nossa lei, que são: 
    a) não foi pedida ou foi negada a extradição; 
    b) houve requisição ministerial. 
    Como observava Basileu Garcia, o sentido da disposição não é pron- 
tamente acessível. Trata-se de caso "em que um estrangeiro comete crime 
contra brasileiro. Foge para o Brasil. Suponha-se que, em virtude de algu- 
ma particularidade da lei sobre a extradição, esse criminoso não possa ser 
extraditado, embora, em tese, a medida coubesse para o gênero de delito 
pelo qual é responsável, ou que não haja sido formulada, pelo Estado es- 
trangeiro, a devida solicitação. O Brasil, entäo, contrai o dever de efetuar 
o processo. Para que este se instaure, aguarda-se requisição por parte do 
Ministro da Justiça, porque, tratando-se de crime praticado fora do territó- 
rio nacional, é razoável que aquela alta autoridade, representando a Justiça 
do Brasil, possa resolver sobre a conveniência da ação penal. 
 



5. CONTRAVENÇÕES 
    É inaplicável o princípio da extraterritorialidade nas contravenções. 
Nos termos do art. 2.o da LCP "a lei brasileira só é aplicável à contraven- 
ção praticada no território nacional". 
 
6. A REGRA "NON BIS IN IDEM" 
    Dispõe o art. 8.o do CP que "a pena cumprida no estrangeiro atenua a 
pena imposta no Brasil pelo mesmo crime, quando diversas, ou nela é com- 
putada, quando idênticas". 
    O dispositivo cuida de diversidade qualitativa e quantitativa das pe- 
nas. A primeira parte trata da diversidade qualitativa; a segunda, da quan- 
titativa. Temos, pois, duas regras: 
    1.a) a pena cumprida no estrangeiro atenua a pena imposta no Brasil 
pelo mesmo crime, quando diversas; 
    2.a) a pena cumprida no estrangeiro pelo mesmo crime é computada 
na imposta no Brasil, quando idênticas. 
    Assim, o fato de ter o sujeito cumprido a pena imposta pelo julgado 
estrangeiro influi, no Brasil, de duas formas: 1.a) na determinaçäo da pena 
concreta, atenuando-a, se a pena já cumprida for diversa em qualidade da 
que a lei brasileira comina para o mesmo crime (pena de multa cumprida no 
estrangeiro e privativa de liberdade a ser imposta no Brasil); 2.a) na execu- 
çäo da pena imposta no Brasil, sendo nela computada, se idênticas. No primeiro 
caso, a atenuação é obrigatória, mas o quantum fica a critério do juiz. No 
segundo, cabe ao julgador apenas abater da pena a ser executada, se maior, 
o quantum já cumprido no estrangeiro. 
    Exemplo de diversidade qualitativa: Um sujeito, no estrangeiro, pra- 
tica crime contra a fé pública da União (brasileira), incidindo a 
extraterritorialidade incondicional de nossa lei penal (art. 7.o, I, b). É condenado 
nos dois países (art. 7.o, § 1.o): multa no estrangeiro e reclusão no Brasil. 
Satisfeita a multa no estrangeiro, fica atenuada a pena imposta no Brasil. 
    Exemplo de diversidade quantitativa: no caso anterior, o sujeito é 
condenado no estrangeiro a um ano e no Brasil a dois anos de reclusäo. 
Cumprida a pena no estrangeiro, o condenado terá no Brasil a cumprir um 
ano de reclusão. 
    Deve ser observado o disposto no art. 7.o, § 2.o, d, parte final, do CP. 
Se o sujeito, pelo mesmo crime, já cumpriu pena no estrangeiro, nos termos 
da referida alínea d, é inaplicável a nossa lei penal. 
 
7. EFICÁCIA DA SENTENÇA PENAL ESTRANGEIRA 
    O art. 9.o ocupa-se com a eficácia da sentença penal estrangeira, 
estatuindo: 
    "A sentença estrangeira, quando a aplicação da lei brasileira produz 
na espécie as mesmas conseqüências, pode ser homologada no Brasil para: 
    I- obrigar o condenado à reparaçäu do dano, a restituições e a outros 
efeitos civis; 
    II - sujeitá-lo a medida de segurança. 
    Parágrafo único. A homologação depende: 
    a) para os efeitos previstos no inciso I, de pedido da parte interessada; 
    b) para os outros efeitos, da existência de tratado de extradição com o 
país de cuja autoridade judiciária emanou a sentença, ou, na falta de trata- 
do, de requisiçäo do Ministro da Justiça". 
    Como se nota, é imprescindível que a aplicação da lei brasileira pro- 
duza na espécie as mesmas conseqüências. 



    A reparaçäo do dano, as restituições e outros efeitos de natureza ci- 
vil säo institutos do Direito Privado. A medida de segurança pertence ao 
Direito Penal. 
    A homologação da sentença penal estrangeira compete ao STF (Carta 
Magna, art. 102, I, h). Os requisitos da homologação estão previstos no 
parágrafo único do art. 9.o. Regulando-a, o CPP estatui normas a respeito 
nos arts. 787 a 790. 
    A sentença penal estrangeira produz outros efeitos, com referência à 
reincidência, .sursis� e livramento condicional. Nesses casos, seu reconheci- 
mento näo depende de homologação, como se percebe, o contrario sensu, 
do disposto no art. 787 do CPP. Esta só é exigível quando se trata de execu- 
ção de julgamento proferido no estrangeiro. 
    Ex.: CC, arts. 1183, I a III, e 1595 (revogação da doação e indignidade para 
herdar). 
 
                       Capítulo IX 
        EFICÁCIA DA LEI PENAL EM RELAÇÃO 
              A PESSOAS QUE EXERCEM 
        DETERMINADAS FUNÇÕES PÚBLICAS 
 
1. INTRODUÇÃO 
    A ordem jurídica brasileira fixa o princípio da obrigatoriedade da lei 
penal a todos os cidadãos que se encontrem em
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