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CENTRO UNIVERSITÁRIO UNICARIOCA POSSIBILIDADES E DIFICULDADES DOS DOCENTES NO USO DAS NOVAS TECNOLOGIAS ELIZABETH DA SILVA MELLO Rio de Janeiro 2019 ELIZABETH DA SILVA MELLO POSSIBILIDADES E DIFICULDADES DOS DOCENTES NO USO DAS NOVAS TECNOLOGIAS Orientador: Marcia de Medeiros Aguiar Rio de Janeiro 2019 Trabalho de conclusão de curso apresentado ao Centro Universitário Carioca, como requisito parcial para obtenção do grau de Licenciado em Pedagogia. DEDICATÓRIA Dedico este trabalho a Deus, sem ele não teria tido forças para continuar; a meus filhos, André e Maria Clara, que acreditaram em mim, minha mãe Marly, meus irmãos Edson e Elimar e primas Maria Emília e Jussara que me apoiaram sempre, a uma estrelinha que ganhei no céu, Lu. E, por fim, a um grande amigo que me disse: “Vá, você é capaz”, C.A.M. AGRADECIMENTOS Agradeço a Deus, a minha filha Clara que por tantas vezes me ajudou, meu filho André por querer meu melhor. Ao Sergio que torceu por mim todos esses 4 anos. Aos professores brilhantes que tive, as amigas- filhas que cultivei e que ficarão para sempre. Ao meu neto, que eu possa ser um exemplo. A professores que não posso deixar de citar: Lana, Ana Araújo, Ana Legey, Marco Antônio, Lúcia Venina, uma inspiração, e a Marcia Aguiar, a melhor orientadora que poderia ter tido, e a esse amor incondicional que me move - a Pedagogia. RESUMO Esta pesquisa tem como finalidade apresentar uma análise sobre o uso de ferramentas tecnológicas como apoio pedagógico, ampliando o interesse do educando na construção do conhecimento. Baseando-se na percepção de que o desenvolvimento das tecnologias de informação e comunicação trazem ao processo de aprendizagem um dinamismo para as metodologias de ensino. Com essa pesquisa procura-se obter uma contribuição para o uso desses recursos tecnológicos já existentes, e ainda apresentar outras mídias. O trabalho também visou proporcionar o uso das ferramentas digitais no ambiente de aprendizagem, sendo que tais recursos são amplamente interativos, pontuando a importância do professor como intermediador do processo educativo. Diante das novas metodologias educacionais a educação vem sofrendo grandes mudanças, tanto no perfil do aluno que adentra o espaço educacional atual como nas novas ferramentas que permeiam a educação. Dentre essas ferramentas auxiliadoras, as Tecnologias de Informação e Comunicação vêm como um meio de transformação do trabalho pedagógico do professor em sala de aula, auxiliando e ampliando novas competências e metodologias de ensino, sempre indicando que novos tempos exigem novas atitudes do meio docente frente às tecnologias aplicadas ao ensino, contudo, quando usada de forma displicente não agrega valor aos conteúdos trabalhados. A presente pesquisa foi elaborada através de pesquisa bibliográfica de análise quantitativa, com a intenção de levantar os aspectos positivos e negativos das tecnologias educacionais inseridas no âmbito educacional a partir do viés do professor, evidenciando a absorção do conhecimento pelo aluno. A pesquisa demonstrou que a tecnologia em sala de aula traz vários benefícios na aprendizagem do aluno, porém, o professor que utiliza tal ferramenta deve se capacitar para utilização dessas tecnologias em sala de aula, pois uma aula com o auxílio das tecnologias sem um plano e um roteiro pode se tornar uma aula sem propósito tanto para o aluno como para o professor. Palavras-chave: Tecnologias educacionais – TIC - Tecnologia. SUMÁRIO Nº da página 1 – INTRODUÇÃO 7 2 – REFERENCIAL TEÓRICO 13 3 – RESULTADOS E DISCUSSÕES 23 4 – CONCLUSÃO 29 5 – REFERÊNCIAS 31 7 1. INTRODUÇÃO Os novos recursos tecnológicos vêm transformando a rotina da sociedade, alterando os serviços e equipamentos, empresas, bancos, enfim, a tecnologia influencia cada vez mais nossas vidas. Com isso, não podemos deixar de reconhecer que os avanços tecnológicos estão interferindo cada vez mais nas escolas. Mas cabe questionar quando podemos lançar mão deles? Como esses recursos tecnológicos interferem no aprendizado? Com que força essas tecnologias estão alterando o cotidiano escolar? Ao levantar essas questões, é necessário verificar a diferença das estruturas das instituições escolares, nas quais algumas possuem uma boa estrutura tecnológica, internet, equipamentos de multimídias e outras não possuem vários desses dispositivos, e, mesmo assim, conseguem realizar um trabalho eficiente. O uso das novas tecnologias como ferramenta pedagógica anda em passos lentos, pois há uma grande barreira do entendimento do uso destas ferramentas como extensão pedagógica, principalmente, no que tange ao uso do computador. Diante do contexto atual, os educadores necessitam cada vez mais, de novos meios para transmitir informação e o conhecimento. As Tecnologias de Informação e Comunicação avançam nos ambientes educacionais, propiciando novas formas de ensino-aprendizagem. Porém, é necessário que os profissionais da educação estejam preparados para a utilização dessas tecnologias em suas aulas, de maneira planejada, a fim de conquistar excelentes resultados. Não basta a escola adquirir recursos tecnológicos de última geração, ela tem por obrigação construir novas concepções pedagógicas implementando-as sob o uso dessas novas ferramentas educativas. Diante das inovações tecnológicas e das crescentes exigências é natural que as pessoas vejam o mundo com outros olhos. A todo momento os docentes são desafiados a conhecer e se posicionar criticamente sobre informações de diversas fontes. Sendo assim, a metodologia didático-pedagógica precisará muito mais desses recursos tecnológicos para o aumento da sua eficiência e eficácia. Faz-se, então, a necessidade de despertar o interesse do docente, pois a implementação desses novos recursos tecnológicos demanda um tempo significativo, que, às vezes, fazem o profissional desistir. 8 As novas tecnologias se apresentam como uma ferramenta educativa positiva. Uma das maiores preocupações é como todos esses recursos digitais serão interpretados, significados e utilizados na escola. Se utilizada e interpretada de maneira errada pelas pessoas a tecnologia será uma eterna vilã, tornando distante as relações humanas. Por isso, os docentes têm a responsabilidade de se atualizar e orientar seus alunos para o uso consciente de tudo que a tecnologia oferece. Para tanto, a formação do professor também deve ser focada na responsabilidade social. A pretensão desse trabalho foi analisar a formação dos docentes quanto ao conhecimento e uso das novas tecnologias em contextos escolares, buscando compreender a seguinte questão: quais são os determinantes que fazem com que tais tecnologias não sejam efetivamente incorporadas à educação? O tema quanto ao uso das novas tecnologias como ferramenta educacional é uma realidade e encontra-se em destaque em todas as discussões que envolvem educação. Sua presença maciça fez com que as relações dos indivíduos entre si e entre as instituições passem a ser mediadas por aparatos tecnológicos da informação e comunicação. Assim, faz-se importante o propósito de analisar o processo formativo destes profissionais e suas estratégias para que os alunos adquiram habilidades e competências exigidas pela Sociedade da Informação, bem como, se os professores formadores possuem perfil e atendem a tais exigências, principalmente,nas incorporações realizadas em sala de aula, através de práticas inovadoras e com a utilização adequada de tais recursos. A utilização de recursos tecnológicos no ambiente escolar está se tornando comum e, quando bem utilizado, permite um incremento e uma nova dinâmica, tornando o processo ensino/aprendizagem uma atividade prazerosa. 1.1. Objetivos 1.1.1. Objetivo Geral A pesquisa tem como objetivo geral defender a premência da formação continuada docente para o uso das tecnologias nos anos iniciais da educação. 9 1.1.2. Objetivos específicos ● Conceituar a tecnologia voltada para o ensino. ● Abordar os desafios e possibilidades do uso das tecnologias, ampliando o debate acerca da formação docente. ● Analisar, nas práticas pedagógicas, o panorama da geração tecnológica e o impacto que a falta de formação dos docentes gera nos dias atuais, através da observação em sala de aula. 1.2. Justificativa Ninguém é tão grande que não possa aprender, nem tão pequeno que não possa ensinar. Esopo É através de algo que nos é significativo que damos valor a aprender, quando é do interesse e que faz parte do projeto de vida, fica mais fácil a aprendizagem. Conforme aponta Sassaki, (2017) o aluno não aprende nada que não seja importante, docentes podem até impor, mas o aluno não irá aprender. Assim o discente deve sentir prazer em ir à escola, bem como aprender. É através da educação que o homem reconstrói o conhecimento constante, dinâmico e globalizado, fundamentado na troca de experiências e saberes significativos. No âmbito escolar, a educação atual preza pela formação e excelência, devendo ser encarada pelos docentes e discentes como um direito ao acesso as novas tecnologias e mídias digitais, a troca de experiências e linguagens de comunicação. Um novo mundo está sendo permitido a esses alunos, onde é necessário propiciar a esses jovens o desenvolvimento de sua autonomia. Contemplando-os a um crescimento pessoal e profissional para que possam ser inseridos num mundo cheio de possibilidades. Justifica-se a importância dessa pesquisa por perceber a necessidade do uso das novas tecnologias no cotidiano escolar. O uso dessas ferramentas é eminente, elas estão transformando as relações humanas em toda sua dimensão, e na educação não tem sido diferente. Muitos professores ainda visualizam esses recursos sem metodologia e não acreditam que gerem aprendizagem; não integram 10 a tecnologia ao seu cotidiano, quando deveriam responder às novas demandas das salas de aula. A escola e os professores não podem ficar excluídos da realidade, devem se apropriar dos avanços tecnológicos e incorporá-los à prática educativa. A docência está diante de novos desafios, e a incorporação de diferentes conhecimentos do mundo tecnológico faz-se necessária para o alargamento da compreensão de mundo. É imprescindível que o professor articule os diferentes instrumentos tecnológicos produzidos na atualidade, potencializando a aprendizagem dos alunos, possibilitando assim transformações e ampliando sua atuação além dos muros da escola. Por isso a pesquisa do tema faz-se importante ao levar à reflexão dos prejuízos no âmbito educacional da ausência da formação continuada docente para uma consciência-crítico-reflexiva provocada pelos avanços tecnológicos. 1.3 Metodologia A metodologia científica aborda as principais regras para uma produção científica, fornecendo as técnicas, os instrumentos e os objetivos para um melhor desempenho e qualidade de um trabalho científico. Essa pesquisa foi de caráter qualitativo, partindo de uma perspectiva do entendimento do objeto em estudo, ou seja, de como as TICs estão sendo incorporadas à prática de docentes e discentes em formação. Segundo Neves (1996, p. 1) a pesquisa qualitativa: Faz parte a obtenção de dados descritivos mediante contato direto e interativo do pesquisador com a situação objeto de estudo. Nas pesquisas qualitativas, é frequente que o pesquisador procure entender os fenômenos, segundo a perspectiva dos participantes da situação estudada e, a partir daí, situe sua interpretação dos fenômenos estudado. É exploratória e do tipo bibliográfica, e tem como principal objetivo compreender como ocorre a falta dessa formação continuada dos professores. A pesquisa qualitativa não se preocupa com representatividade numérica, mas, sim, com o aprofundamento da sua compreensão. 11 1.4. Organização do Trabalho O presente estudo está organizado da seguinte forma: Introdução que aborda os principais objetivos, a relevância do tema que demonstra a metodologia e a organização da pesquisa. No Referencial Teórico, são apresentados os aspectos conceituais que exploram as teorias que embasam o trabalho, a explicação de cada tópico, identificando a tecnologia educacional e seus conceitos. Nos Resultados e Discussões, são apresentados os resultados onde se discute os dados teóricos de toda necessidade da formação tecnológica ao docente. Conclusão que apresenta as considerações finais sobre o trabalho e sobre os principais resultados obtidos; e as Referências que é a lista das fontes de pesquisa utilizadas para o embasamento do trabalho. 12 2. REFERENCIAL TEÓRICO 2.1. Conceitos da tecnologia educacional De acordo com Vaz e Fagundes (2009), o conhecimento que pode nos permitir comandar e transformar o mundo é uma das definições contemporâneas para a tecnologia. Os dois não se separam, sendo termos indissociáveis. Esse fato tem causado uma desordem, pois a tecnologia é diminuída à ciência aplicada. A tecnologia consiste em um conjunto de atividades humanas, associadas a sistemas de símbolos, instrumentos e máquinas, visando à construção de obras e à fabricação de produtos, por meio de conhecimento sistematizado. (VARGAS, 1994 apud VAZ, FAGUNDES e PINHEIRO, 2009). A tecnologia é considerada como um conjunto de conhecimentos científicos ou empíricos que sejam aplicáveis à produção e ao aumento da qualidade de bens ou serviços. Três componentes são utilizados para definir a tecnologia: tecnologia de operações, que compreende as técnicas usadas nas atividades do fluxo de trabalho da organização; tecnologia de materiais, que considera os materiais usados no fluxo de trabalho e estabelece, ainda, que é possível que uma técnica altamente sofisticada seja aplicada a materiais relativamente simples; tecnologia de conhecimento, em que as complexidades variáveis do sistema de conhecimentos usados no fluxo de trabalho são os principais pontos. Também podemos defini-la como um acervo de conhecimentos de uma sociedade, todavia, esse acervo é relacionado com artes industriais. Fundamenta- se nos métodos e conhecimentos científicos, compreendendo o domínio dos materiais e processos, úteis para a solução de problemas técnicos e para a fabricação de produtos. A pressão das novas tecnologias sobre os funcionários não é algo novo. Os avanços técnicos que forçam as mudanças das organizações e na própria sociedade, não foi algo que surgiu agora, mas desde a Revolução Industrial, com organização de trabalho nas fábricas, que teve, como consequência, mudanças sociais. No contexto institucional, as tecnologias se impõem sobre a natureza das 13 tarefas, acarretando uma desordem entre trabalho e habilidades, mudando as condições de salário e emprego. Dado todos esses fatores históricos e sociais, é de fácil percepção o impacto da tecnologia na sociedade diretamente e indiretamente. Ignorar as tecnologias na informação e comunicação, por exemplo, leva à exclusão social. Percebe-se que o choque cibernético vai muito além do seu crescimento e sua importância no cotidiano, como também na inserção do indivíduo no meio social. Os jovens, por exemplo - ponte intermediária do docente e da funcionalidade do seu trabalho como educador – sesentem ligados cada vez mais a um “mundo digital” que como exposto anteriormente, avança não de forma gradativa, mas de maneira avassaladora. O uso das mídias digitais melhora e favorece o trabalho do jovem nas escolas fazendo o ambiente mais dinâmico e criativo. Essa disposição do jovem em relação aos instrumentos virtuais que o cativam deve ser aproveitada de maneira educacional, contribuindo para o seu desempenho didático. Isto é, usufruir da tecnologia de modo instrutivo. É por esse fator que os membros das instituições de ensino, não somente os educadores, mas todos os colaboradores envolvidos, precisam reconhecer que esses meios de comunicação, muitas vezes considerados “vilões” ou impróprios, são importantes para fazer com que essas crianças fortaleçam uma relação de interesse que favoreça tanto o seu desenvolvimento intelectual, como a criação de um cenário mais interessante para o docente. Iniciando assim, uma espécie de via de mão dupla ou um possível elo entre a formação do senso crítico do discente e o trabalho orientador do profissional de educação. Para Mello (2012), o trabalho lecionador é uma ação em constante mudança, seja organizacional, curricular, extracurricular e afins, definidas no quadro de sucessivas melhorias didáticas. Tais mudanças exigem dos educadores novos papéis e competências. Em relação ao papel do educador, um dos seus receios é sua preparação para atuar nesse âmbito. De acordo com Vidal (2002, p. 55 apud MELO, 2012, p.100) muitos pedagogos do ensino médio têm uma preparação educacional deficiente: [...] é sabido que muitos professores universitários tiveram pouca ou nenhuma preparação didático-pedagógica. Nem parece ser um item 14 tão importante assim, pois, ao se contratarem professores para o ensino superior, exigem-se títulos, certificados de experiência, mas nenhuma comprovação de bom desempenho didático em sala de aula. Apesar de os professores que atuam no ensino superior possuírem uma formação especializada (químicos, engenheiros, historiadores, dentre outros) e serem, no geral, ótimos professores, percebe-se que não são conhecedores da complexibilidade da educação. Segundo Vaz (2009), para haver alfabetização tecnológica no contexto de Ciências e Tecnologias de Ensino exige-se a compreensão de todos esses aspectos da prática tecnológica. Na perspectiva de formar um cidadão que possa compreender como a tecnologia tem influenciado o comportamento humano e desenvolver atitudes em prol de um desenvolvimento tecnológico sustentável, é essencial que haja uma discussão dos valores envolvidos nas decisões. (LAYTON, 1988 apud VAZ, FAGUNDES e PINHEIRO, 2009). A importância da prática decorre do significado da habilidade requerida do professor para instruir e orientar, segundo Mello (2000). Essas capacidades são formadas pela prática, portanto, esse processo deve ocorrer indispensavelmente em situações concretas, contextualizadas. É possível ressaltar que o conhecimento do educador se constrói também fora do domínio escolar, em outros âmbitos: afeto familiar, movimentos sociais, religião, sindicais, culturais, comunitários que podem ter mais influência no cotidiano do professor do que a própria formação docente recebida de maneira acadêmica. Sendo assim, a prática e os saberes que podem ser observados no pedagogo é o resultado da apropriação que ele fez da experiência e dos conhecimentos histórico-sociais. (CUNHA, 1994). De acordo com Ramon (1997), a existência atual de sugestões que debatem a formação dos docentes, buscando entendê-las com atenção a realidade maior na qual ela está inserida, representa a tentativa de retirar o discurso positivista que, por Trigueiro Mendes (1989, p. 30), não consegue notar que “a educação é um projeto simultaneamente político e filosófico, cuja compreensão não cabe exclusivamente no âmbito da racionalidade científica”. O comando do conteúdo por parte do educador, como uma das partes que contribuem para sua prática pedagógica, o qual é proeminente política, faz com que a aptidão se revista de imensa importância na elaboração desta prática, uma vez 15 que será, também, nos momentos em que ele está sendo capacitado, que o professor se apropriará das ferramentas necessárias ao desempenho de uma ação crítica, criativa e transformadora. A inserção do entendimento tecnológico como ferramenta educativa para uso dos docentes é construída de maneira gradativa e lenta, exatamente por exigir um esforço e uma certa dedicação dos profissionais da educação que, teoricamente, ainda estariam se adaptando a esse novo mecanismo no processo ensino- aprendizagem; considerando assim, um processo significativo de alfabetização e letramento digital por parte do lecionador. Ramon (1997) entende que levando em conta as possíveis formas de utilização da tecnologia no ensino, os cursos de formação agregam para que o pedagogo possa inserir-se nessa nova realidade que se aproxima da escola. Pois sendo ele hábil de analisar os melhores programas educativos a serem usados em sala de aula, também caber-lhe-á a definição da melhor maneira de utilizar a tecnologia de forma que a informática na educação seja considerada, não somente uma panaceia para os problemas escolares, mas, antes de tudo, como um novo método didático que pode contribuir na melhoria da qualidade do ensino. 2.2. Letramento tecnológico do professor O desenvolvimento tecnológico tem acarretado imensuráveis modificações nos estilos de vida da sociedade atual. Todos os dias surgem novidades tecnológicas e sistemas, sendo que, em particular, as áreas de telecomunicações e informática têm presenciado avanços até bem pouco tempo inimagináveis. Acerca do conceito: O conceito de CTS – Ciência, Tecnologia e Sociedade –, corresponde ao estudo das inter-relações entre a ciência, a tecnologia e a sociedade, constituindo um campo de trabalho que se volta tanto para a investigação acadêmica como para as políticas públicas. Baseia-se em novas correntes de investigação em filosofia e sociologia da ciência, podendo aparecer como forma de reivindicação da população para participação mais democrática nas decisões que envolvem o contexto científico-tecnológico ao qual pertence. Para tanto, o enfoque CTS busca entender os aspectos sociais do desenvolvimento técnico-científico, tanto nos benefícios que esse possa estar trazendo, como também às consequências 16 sociais e ambientais que poderá causar. (VAZ, FAGUNDES E PINHEIRO, 2009.). O movimento CTS surgiu por volta de 1970 e trouxe como um de seus lemas a necessidade do cidadão de conhecer os direitos e obrigações de cada um, de pensar por si próprio e ter uma visão crítica da sociedade onde vive, especialmente a disposição de transformar a realidade para melhor. Apesar de esse movimento não ter sua origem no contexto educacional, as reflexões nessa área vêm aumentado significativamente, por entender que a escola é um espaço propício para que as mudanças comecem a acontecer. (PINHEIRO, 2005). As pesquisas e programas CTS se desenvolvem em três grandes direções: no campo da pesquisa, como uma alternativa à reflexão acadêmica sobre ciência e tecnologia; no campo da política pública, promovendo à criação de diversos mecanismos democráticos que facilitem à abertura e processos de tomada de decisão em questões concernentes à política científico-tecnológica; e no campo da educação. Os pressupostos educacionais de Paulo Freire, enraizados em países da América Latina e do continente africano, apontam para além do simples treinamento de competências e habilidades. A dimensão ética, o projeto utópico implícito em seu fazer educacional, a crença na vocação ontológica do ser humano em “ser mais” (ser sujeito histórico e não objeto), eixos balizadores de sua obra, conferem, ao seu projeto político-pedagógico, uma perspectiva de “reinvenção”da sociedade, processo consubstanciado pela participação daqueles que, hoje, encontram-se imersos na "cultura do silêncio", submetidos à condição de objetos ao invés de sujeitos históricos. Para Freire e seguidores, que adaptaram a sua proposta, a alfabetização não pode configurar-se como um jogo mecânico de juntar letras. Alfabetizar, muito mais do que ler palavras, deve propiciar a “leitura do mundo”. Leitura da palavra e “leitura do mundo” devem ser consideradas numa perspectiva dialética; Para a ciência, então, que é considerada como um conhecimento verdadeiro, a descoberta de novas leis e fenômenos; a tecnologia, um conjunto de conhecimentos científicos aplicáveis à produção ou melhoria de bens ou serviços; e a sociedade um grupo de indivíduos que vivem em um determinado sistema não podem estar indissociáveis, a leitura do mundo, de forma crítica e dialógica precisa acontecer. 17 Assim podemos perceber a importância do enfoque das tecnologias na educação, sendo inserido nos currículos escolares, para proporcionar a formação de indivíduos críticos, não só conhecendo seus direitos e deveres, mais tendo uma visão crítica da sociedade em que vivem, trazendo a discussão para os segmentos sociais, culturais, religiosos e políticos com as novas imagens da ciência e da tecnologia, melhorando sua realidade neste contexto. A tecnologia digital deve servir ao propósito de integrar pessoas, ideias e soluções. Afinal, se, há alguns anos, aprender inglês era um diferencial no mercado de trabalho, agora, a tecnologia é a nova linguagem a ser dominada. Isso pelo simples motivo de que ela está em tudo: nas redes sociais e aplicativos de mensagens, nos sites de compras online, nos jogos, músicas e entretenimento, no pagamento de contas. É difícil pensar em qualquer tarefa diária que não possa ser cumprida virtualmente. E, se a tecnologia está por toda parte, essas gerações precisam saber não apenas consumi-la, mas entendê-la. Jovens devem ser capacitados a criar com a tecnologia. Grandes personalidades, como o presidente dos Estados Unidos, já anunciaram publicamente que ser capaz de criar com a tecnologia é parte da alfabetização para o século XXI. Ele chegou a defender que a programação fosse ensinada em todas as escolas do país. Da mesma forma, Grizzle (2016) afirma que o ambiente farto de mídias e tecnologias que estamos imersos tem recebido um impacto inquestionável nos contextos políticos, sociais e culturais. Antes as pessoas tinham menos informações para consultar e menor necessidade de avaliar um conteúdo com qualidade. Escritores profissionais e processos de publicações editoriais garantiam um grau de confiabilidade e tratamento ético da informação. Hoje, as novas tecnologias não apenas permitem, mas também estimulam que usuários regulares e profissionais disseminem a informação. Ao mesmo tempo, essas tecnologias oferecem mais meios de investigar a autenticidade da informação apresentada online ou off-line. Além disso, essas tecnologias extrapolam as barreiras nacionais, políticas, culturais e linguísticas. Positiva, isso é, a princípio, uma força positiva, mas que pode estar aberta ao uso inadequado. 18 Conforme aponta Sassaki (2018), o uso da tecnologia digital é essencial ao conceito de Educação 3.01, ainda que, talvez, não da forma como o senso comum o concebe. Da mesma forma, existe a necessidade de o educador ocupar um papel de facilitador e mediador no uso das redes. É improcedente acreditar que, por terem contato constante com tecnologia digital para comunicação e entretenimento, os alunos não precisem de orientação quando passam a usá-la com propósitos educativos. A Era da Informação implica, justamente, em atualização e mudanças velozes, portanto, deve tornar-se hábito que professor e estudantes percorram em conjunto essa curva de aprendizagem. O doutor em Educação pela Unicamp e professor da Universidade Federal da Bahia, Edvaldo Couto, lista três obstáculos que precisam ser superados para que a tecnologia digital seja usada de maneira realmente inovadora em sala de aula: (1) a infraestrutura tecnológica, uma vez que muitas escolas ainda lutam para conseguir eletricidade, água potável e acesso à internet; (2) acesso à rede que, no Brasil, possui um custo alto e qualidade baixa; (3) e formação de professores para ensinar na cultura digital. O último é o que se chama de letramento digital ou alfabetização digital. De forma equivalente à alfabetização tradicional, o letramento digital engloba o ato de "ler" a tecnologia, sim, mas, em seguida, saber apropriar-se dela, integrá-la à realidade escolar e dar-lhe significado ao invés de consumi-la passivamente. Vai, portanto, além do uso apenas instrumental da tecnologia. A chegada da tecnologia, a reorganização dos espaços de trabalho e a consequente onda da Educação 3.0 tornaram o modelo tradicional de ensino- aprendizagem irrealizável. Primeiramente, porque o acesso cada vez mais democrático à informação deixa claro que o professor já não é a única forma de se adquirir conhecimento. Com a velocidade das novas descobertas científicas, mesmo o conteúdo que o professor aprendeu em sua formação acaba sendo datado e descartado rapidamente. Enquanto isso, seus alunos, nativos digitais, atualizam- se em alguns toques no celular. Na Educação 3.0, o professor deixa de ser o sol, o centro da sala de aula, para orbitar em torno dos seus alunos. Sem a obrigação de ser fonte exclusiva de 1 Educação 3.0 traz as tecnologias digitais para a sala de aula para estimular a produção e a troca de conhecimentos. 19 conhecimento, ele adquire maiores responsabilidades: a de compreender seus alunos, orientá-los individualmente e coletivamente, coordenar projetos e atividades, introduzir novas ferramentas (ou ferramentas conhecidas, mas com novos propósitos) e provocar reflexões. Ele usa a tecnologia como instrumento para conectar pessoas, ideias, soluções, para acompanhar o desenvolvimento da turma e para potencializar a aprendizagem – mas a tecnologia, em si, não é o foco e nem deveria ser. O professor 3.0 valoriza a troca de experiências, o desbravamento de novos caminhos e a produção coletiva. Pode-se concluir, portanto, que o professor 3.0 estará em constante formação. Mas esse é apenas o começo. 2.3 O que é aluno 3.0? Em nossa sociedade podemos observar muitos conflitos de gerações com interesses e objetivos diferentes. Vamos destacar em nosso estudo duas gerações: a geração X, pessoas nascidas no início dos anos de 1960 ao final dos anos de 1980; e a geração Y, pessoas nascidas entre as décadas de 1980 a 2000, denominadas filhos da tecnologia, são totalmente inseridas na tecnologia sem nenhuma dificuldade ao mundo virtual. As principais características dos indivíduos da geração X são a busca por seus direitos; a maturidade e a escolha de produtos de qualidade; e a ruptura com gerações anteriores. Já as características da geração Y são não tem restrições ou limites; foco na criação e imaginação; aptidão a mudanças e a adaptação; valorização do individualismo. No ambiente escolar encontramos essas gerações em permanente atrito. Os docentes representam a geração X, prezam os métodos de ensino tradicionais, com pouco uso de recursos tecnológicos; a geração Y são dos discentes totalmente voltados ao campo digital. O grande desafio é a compreensão dos educadores para o uso com mais frequência do espaço tecnológico, uma cultura paralela (meios de comunicação de massa), a cultura cotidiana, formular objetivos convencionais da escola às exigências postas pela sociedade comunicacional, informatizada e globalizada realizando ações e tendo empenho com as novas práticas pedagógicas. Visto que ainda assim os alunos precisam sentir-se motivados para a busca desse 20 conhecimento, a educação temo compromisso de reduzir a distância entre a ciência cada vez mais complexa e a cultura de base produzida pelo cotidiano. De acordo com Leite (2014), com o crescimento de um pensamento educacional mais crítico a partir dos anos de 1980, a tecnologia educacional passou a ser compreendida como uma opção de se fazer educação contextualizada com as questões sociais e suas contradições, visando o desenvolvimento integral do homem e sua inserção crítica no mundo em que vive, apontando que apenas utilizar tecnologia não basta, é necessário inovar em termos de prática pedagógica. A junção tecnológica é possível desde que antes o educador e os educandos possuam uma educação digital apontada para a produção de um conteúdo pedagógico compartilhado. Minimizando os problemas do choque de gerações, pois não há aprendizagem sem experiência e continuidade. O professor não impõe; ele sugere, incentiva, aprende junto com o aluno. Mais que as mídias digitais o que aumentará o processo de ensino-aprendizagem é a capacidade de comunicação do professor. O professor 3.0 estabelecerá relações de confiança com os discentes, sendo o coordenador do processo, o responsável na sala de aula. O papel do professor não será substituído pelas novas tecnologias, mas é importante que o professor possa expandir o seu olhar para outros horizontes e desenvolver competências que atendam as revoluções tecnológicas como ferramentas educativas nos tempos atuais, para que possam romper as barreiras digitais no espaço formal do ensino. 21 3. RESULTADOS E DISCUSSÕES 3.1 Qual conceito que os docentes têm sobre as tecnologias? Ao questionar se os professores desenvolvem situações formais de formação pedagógica em seus contextos, poucos dos professores afirmaram que isso ocorria frequentemente em seu ambiente profissional. De acordo com Brasilino (2017), os momentos informais de aprendizagem com os pares foram considerados os mais significativos para explicar o nível do uso pedagógico com as tecnologias. Podemos inferir que, embora os professores não promovam muitos momentos formativos em sua instituição, existe um esforço para compartilhar e incentivar o uso de tecnologias tanto pela gestão como pelos outros professores, fortalecendo assim uma comunidade de práticas que contribui para o compartilhamento de experiências, desenvolvimento de estratégias de ensino inovadoras em sua própria comunidade escolar (MARQUES, LOUREIRO e MARQUES, 2018). As práticas colaborativas docentes se assemelham com a busca pelo aperfeiçoamento do professor e com a análise crítica do seu fazer pedagógico. Isso, consequentemente, se alia ao seu contexto de docência. Compreender o trabalho colaborativo dos docentes implica olhar para o conhecimento que eles produzem em seu cotidiano tendo como base seus valores, certezas, incertezas e possibilidade de ação. A coletividade faz parte da profissão docente, pois é a partir de seu caráter coletivo que se abre um espaço para o processo de reflexão dos professores, para a criação e consolidação de seus saberes profissionais e para a sua autonomia e emancipação (PASSOS et al., 2006). Os elementos de uma prática reflexiva são compreendidos como refletir criticamente sobre a própria prática digital e pedagógica, identificar lacunas na competência digital e áreas de melhoria e contribuir para incrementar o desenvolvimento de práticas, políticas e visões institucionais sobre o uso das tecnologias. (LUCAS e MOREIRA, 2018). A prática reflexiva passa a ser um contraponto a nível político e epistemológico, a partir da presença das tecnologias no currículo escolar e no projeto político pedagógico, e a nível da reflexividade coletiva como a que acontece nas reuniões de professores. Essa prática reflexiva sobre o uso das tecnologias contribui para que os docentes se sintam seguros e confiantes para ensinar em 22 situações singulares, possibilitando ao professor a intervenção em contextos concretos de prática com o uso de tecnologias digitais. O professor passa por todo um ciclo de formação, aprendendo “a como ser professor”. Nessa construção, espelha-se em seus alunos, no que acredita ser ideal ou conveniente. A deficiência com que o conhecimento em tecnologias é desenvolvido no decorrer da sua formação, faz o docente muitas vezes entender as TIC como uma ferramenta de organização de sua aula, de comunicação ou para pesquisas na internet somente. Outro aspecto importante da análise é as crenças dos formadores de que as TIC compreendem recursos difíceis, adversos ou trabalhosos e que, de certa forma, parecem combinar melhor com as novas gerações. É necessário romper com hábitos e costumes em sala de aula. Aí temos um indicativo de um obstáculo didático cultural. Faz-se emergencial a troca de conhecimentos entre os docentes e as ferramentas digitais, sua formação e o inevitável fato de que, os professores, precisam romper com a teia de conhecimentos mal construídos e contraditórios, se apropriando dos necessários para elevarem as mídias ao ensino proposto. 3.2. A importância da formação continuada quanto ao uso das mídias virtuais em sala de aula Os professores têm um bom grau de interesse em se capacitar e aperfeiçoar os seus conhecimentos para melhor condução de suas aulas, adequando-as ao uso das novas tecnologias. Portanto, apesar de toda a dificuldade encontrada pelos professores, tanto no manuseio dos equipamentos tecnológicos como na falta de condições oferecidas pelas escolas, eles têm consciência de que precisam se capacitar para atenderem ao novo modelo de aluno e o novo modelo de educação. É sabido também, que envolvem muitos fatores para que este processo venha a ter êxito. Não somente a capacitação dos professores, o apoio da escola, o conhecimento dos recursos, uma segurança de treinamento, a valorização do professor, regularidade dos cursos de formação, mudanças no sistema, a favor desta continuidade de capacitação dos professores pelos órgãos gestores; enfim, é preciso a participação de todos os envolvidos no processo. 23 É possível que falte um maior reconhecimento da escola em favorecer um apoio ao docente, para que o mesmo encontre meios de trabalhar com as tecnologias e seja capacitado para isso. Tal postura pode ter como causa o fato de o professor encontrar dificuldades em aliar o pedagógico às tecnologias, e assim, cria-se mais dificuldades em despertar o interesse do aluno. Daí o grande desafio para os educadores de adaptar o conteúdo pedagógico e disciplinar. Mas é importante ressaltar que é preciso mais do que um conhecimento dos equipamentos tecnológicos, é preciso conhecer as potencialidades de cada um para enquadrar dentro do método de ensino a ser aplicado. A educação não pode mais viver sob o modelo antigo, sob o risco de virar virtual e invisível para a sociedade. As novas tecnologias devem ser exploradas para servir como meios de construção do conhecimento e não somente para a sua difusão. Nos últimos anos, a presença dos alunos em sala de aula diminuiu significativamente, sem falar onde discentes viraram atores virtuais, invisíveis para sua escola, eles têm buscado na internet as fontes de conteúdos programáticos das disciplinas, ignoram a oportunidade de debates e reflexões em sala de aula. Diferente de anos atrás, os alunos atuais têm acesso muito mais rápido e fácil às informações, esse fator tornou as aulas tradicionais desinteressantes e assim sua presença se tornou limitada, aos eventos protocolares como: exames e atividades extraclasses. A visão de uma criança, de um jovem hoje em dia, ultrapassa claramente o limite físico da sua escola, da sua cidade ou de seu país, quer se trate do horizonte cultural, social, pessoal ou profissional. Segundo Xavier (2005), a geração atual tem adquirido o letramento digital antes mesmo de ter se apropriado do letramento alfabéticoensinado na escola. Esta intensa utilização do computador para a interação entre pessoas a distância tem possibilitado que crianças e jovens se aperfeiçoem em práticas de leitura e escrita diferentes das formas tradicionais de alfabetização. Essas inúmeras modificações nas formas e possibilidades de utilização da linguagem em geral são reflexos incontestáveis das mudanças tecnológicas que vêm ocorrendo no mundo desde que os equipamentos informáticos e as novas tecnologias de comunicação começaram a fazer parte intensamente do cotidiano das pessoas. Diante disso, é importante lembrar que os professores não nasceram digitalizados, enquanto seus alunos, sim. O computador e os demais aparatos tecnológicos são vistos como bens necessários dentro dos lares e instituições 24 escolares, saber operá-los é extremamente importante, é impossível fechar-se a esses acontecimentos. O professor que caminha de forma a tentar conhecer o aluno e entendê-lo em sua realidade, é um profissional ativo, crítico empenhado no seu papel de ensinar, pois a partir do momento que se sente desafiado pelo aluno, vive uma busca constante do aprendizado ao ensino. Esse profissional da educação precisa se familiarizar com os equipamentos, refletir, questionar. Como esta tecnologia pode ajudar o meu trabalho? De que forma ela pode contribuir nos objetivos, em novas estratégias de ensino e melhorar a interação com meus alunos? É importante diversificar as formas de dar aula, de realizar atividades e de avaliar. Por exemplo, muitos professores ainda não consideram que o celular possa ser utilizado como um recurso pedagógico dentro da sala de aula. Sendo assim, é inevitável que o docente tem de se capacitar, aperfeiçoar e se preparar para lidar com esse “novo” que são as tecnologias digitais, e com esse novo paradigma de educação que não reconhece o professor mais como o único detentor do saber, mas como mediador. Esse novo ambiente de aprendizagem, em que aluno e professor constroem juntos o conhecimento e que deve ser significativo para ambos. 3.3. Uso das novas tecnologias como ferramenta educativa A utilização de recursos tecnológicos no processo educacional é cada vez mais necessária, pois torna a aula mais atrativa, proporcionando aos alunos uma forma diferenciada de ensino. Para que isso se realize de maneira que todos os envolvidos se sintam beneficiados, a questão das novas tecnologias deve estar bem perceptível. A forma de ensinar e aprender pode ser beneficiada por essas ferramentas educativas, como, por exemplo, a Internet, que traz uma diversidade de informações, mídias e softwares, que auxiliam a aprendizagem. O que realmente pode ser feito a partir da utilização dessas novas tecnologias, particularmente da Internet, no processo educativo? As tecnologias possibilitam a adequação do contexto e as situações do processo de aprendizagem às diversidades em sala de aula. Essas ferramentas digitais fornecem recursos didáticos adequados às diferenças e necessidades de cada aluno. Por meio das mídias, disponibilizamos da informação no momento em que precisamos, de acordo 25 com nosso interesse. O computador e a Internet atraem a atenção dos alunos, desenvolvendo neles habilidades para captar a informação, possibilitando que construam seus saberes, a partir das interações com um mundo de pluralidades, no qual não há limitações geográficas, culturais e a troca de conhecimentos e experiências é permanente. Dessa maneira, as tecnologias de informação e comunicação operam como recursos dinâmicos de educação, à proporção que quando bem utilizadas pelos educadores e educandos proporcionam o acréscimo e a melhoria das práticas pedagógicas desenvolvidas em sala de aula e fora dela. Ao contrário do que grande parte da sociedade pensa, os recursos tecnológicos não foram implantados nas escolas para facilitar o trabalho dos educadores, mas para que o educando aprendesse a partir da realidade do mundo e, principalmente, para que esse indivíduo consiga então agir sobre essa realidade, transformando-a e assim transformando a si mesmo. Antes de inserir as novas mídias interativas nas aulas, é preciso entender suas finalidades e as consequências de seu uso nas relações sociais, pois somente a partir desse momento é possível utilizá-las de forma a transformar as aulas em eventos de discussão onde ocorra de maneira efetiva a participação de todos os indivíduos, bem como professores, alunos e pesquisadores, propiciando assim a comunicação que só é possível a partir do momento que todas as partes se envolvem. Todo e qualquer conhecimento implica uma série de ações e todo indivíduo deve agir sobre o objeto do conhecimento para que se torne possível reconstruí-lo. 26 4. CONCLUSÃO A pesquisa revelou que não é necessário apenas integrar as novas tecnologias digitais no processo ensino aprendizagem dentro da sala de aula. É preciso uma conscientização do professor em se capacitar e interagir com os equipamentos no manuseio dos mesmos, entendendo como ele pode utilizar cada um deles para obter um resultado satisfatório em sala de aula. É notório avaliar que a forma como as TICs está sendo trabalhada em sala de aula, para formação desses professores é ineficiente, pois demonstram ainda o não domínio delas. Assim, se faz pertinente que a formação é de fundamental importância para aquisição de novos conhecimentos a respeito da temática e outros recursos, sendo recomendável o aumento da sua carga horária para conteúdo dividindo-o em teóricos e práticos. Desta forma, os cursos de licenciatura estarão cumprindo um de seus papéis para uma verdadeira formação docente de qualidade e não simplesmente a formação técnica, especialista quanto aos seus saberes, esquecendo-o de como aplicá-los. O desconhecimento das capacidades desses recursos também ajuda o professor a não o considerar um grande aliado. Esse conhecimento se dá pela curiosidade em conhecer as novas tecnologias nos cursos de formação continuada, considerados a base e a manutenção do conhecimento, haja vista, que a tecnologia avança em um tempo muito rápido e a todo momento surgirão mais novidades. Para que o processo professor x aluno x TICS tenha êxito, a atualização do docente precisa ser constante, isto é, a formação continuada é extensiva a toda a rotina do professor, no sentido de ele manter sempre atualizado seus conhecimentos, aliando a teoria à prática. Logo, é necessário comprometimento e um planejamento docente sério e que esteja associado a uma lógica didática, que não deve ser imposta, mas sim, pensada de maneira pertinente e motivadora, a fim de ampliar a autonomia, a construção e a aquisição de conhecimentos necessários aos alunos inseridos em contextos de globalização, como se observa atualmente. Como a pesquisa trata de um tema em evolução, este trabalho é apenas um começo para uma reflexão sobre a educação, sobre esse novo modelo de aluno, de conhecimento e aperfeiçoamento dos recursos tecnológicos que os professores estão tendo que enfrentar. 27 5. REFERÊNCIAS BRASILINO, A. Formação de professores e a prática pedagógica com tecnologias: estudo da correlação na base TIC Educação 2014. Dissertação de mestrado em Educação. Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2017. GRIZZLE, Ailton, et al. Alfabetização Midiática e Informacional Diretrizes para a Formulação de Políticas e Estratégias. 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