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CENTRO UNIVERSITÁRIO UNICARIOCA 
 
 
 
 
 
POSSIBILIDADES E DIFICULDADES DOS DOCENTES NO USO 
DAS NOVAS TECNOLOGIAS 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
ELIZABETH DA SILVA MELLO 
 
 
 
 
Rio de Janeiro 
2019 
 
 
 
 
ELIZABETH DA SILVA MELLO 
 
 
 
 
 
POSSIBILIDADES E DIFICULDADES DOS DOCENTES NO USO 
DAS NOVAS TECNOLOGIAS 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Orientador: Marcia de Medeiros Aguiar 
 
 
 
 
 
 
 
 
Rio de Janeiro 
2019 
 
Trabalho de conclusão de 
curso apresentado ao Centro 
Universitário Carioca, como 
requisito parcial para 
obtenção do grau de 
Licenciado em Pedagogia. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
DEDICATÓRIA 
 
Dedico este trabalho a Deus, sem ele não teria 
tido forças para continuar; a meus filhos, André e Maria 
Clara, que acreditaram em mim, minha mãe Marly, meus 
irmãos Edson e Elimar e primas Maria Emília e Jussara 
que me apoiaram sempre, a uma estrelinha que ganhei 
no céu, Lu. E, por fim, a um grande amigo que me disse: 
“Vá, você é capaz”, C.A.M. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
AGRADECIMENTOS 
 
Agradeço a Deus, a minha filha Clara que por 
tantas vezes me ajudou, meu filho André por querer meu 
melhor. Ao Sergio que torceu por mim todos esses 4 
anos. Aos professores brilhantes que tive, as amigas-
filhas que cultivei e que ficarão para sempre. Ao meu 
neto, que eu possa ser um exemplo. A professores que 
não posso deixar de citar: Lana, Ana Araújo, Ana Legey, 
Marco Antônio, Lúcia Venina, uma inspiração, e a Marcia 
Aguiar, a melhor orientadora que poderia ter tido, e a 
esse amor incondicional que me move - a Pedagogia. 
 
 
 
 
 
 
RESUMO 
 
Esta pesquisa tem como finalidade apresentar uma análise sobre o uso de 
ferramentas tecnológicas como apoio pedagógico, ampliando o interesse do 
educando na construção do conhecimento. Baseando-se na percepção de que o 
desenvolvimento das tecnologias de informação e comunicação trazem ao processo 
de aprendizagem um dinamismo para as metodologias de ensino. Com essa 
pesquisa procura-se obter uma contribuição para o uso desses recursos 
tecnológicos já existentes, e ainda apresentar outras mídias. O trabalho também 
visou proporcionar o uso das ferramentas digitais no ambiente de aprendizagem, 
sendo que tais recursos são amplamente interativos, pontuando a importância do 
professor como intermediador do processo educativo. Diante das novas 
metodologias educacionais a educação vem sofrendo grandes mudanças, tanto no 
perfil do aluno que adentra o espaço educacional atual como nas novas ferramentas 
que permeiam a educação. Dentre essas ferramentas auxiliadoras, as Tecnologias 
de Informação e Comunicação vêm como um meio de transformação do trabalho 
pedagógico do professor em sala de aula, auxiliando e ampliando novas 
competências e metodologias de ensino, sempre indicando que novos tempos 
exigem novas atitudes do meio docente frente às tecnologias aplicadas ao ensino, 
contudo, quando usada de forma displicente não agrega valor aos conteúdos 
trabalhados. A presente pesquisa foi elaborada através de pesquisa bibliográfica de 
análise quantitativa, com a intenção de levantar os aspectos positivos e negativos 
das tecnologias educacionais inseridas no âmbito educacional a partir do viés do 
professor, evidenciando a absorção do conhecimento pelo aluno. A pesquisa 
demonstrou que a tecnologia em sala de aula traz vários benefícios na 
aprendizagem do aluno, porém, o professor que utiliza tal ferramenta deve se 
capacitar para utilização dessas tecnologias em sala de aula, pois uma aula com o 
auxílio das tecnologias sem um plano e um roteiro pode se tornar uma aula sem 
propósito tanto para o aluno como para o professor. 
 
Palavras-chave: Tecnologias educacionais – TIC - Tecnologia. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
SUMÁRIO 
 
 
Nº da 
página 
1 – INTRODUÇÃO 7 
2 – REFERENCIAL TEÓRICO 13 
3 – RESULTADOS E DISCUSSÕES 23 
4 – CONCLUSÃO 29 
5 – REFERÊNCIAS 31 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
7 
1. INTRODUÇÃO 
 
Os novos recursos tecnológicos vêm transformando a rotina da sociedade, 
alterando os serviços e equipamentos, empresas, bancos, enfim, a tecnologia 
influencia cada vez mais nossas vidas. Com isso, não podemos deixar de 
reconhecer que os avanços tecnológicos estão interferindo cada vez mais nas 
escolas. Mas cabe questionar quando podemos lançar mão deles? Como esses 
recursos tecnológicos interferem no aprendizado? Com que força essas tecnologias 
estão alterando o cotidiano escolar? 
Ao levantar essas questões, é necessário verificar a diferença das estruturas 
das instituições escolares, nas quais algumas possuem uma boa estrutura 
tecnológica, internet, equipamentos de multimídias e outras não possuem vários 
desses dispositivos, e, mesmo assim, conseguem realizar um trabalho eficiente. O 
uso das novas tecnologias como ferramenta pedagógica anda em passos lentos, 
pois há uma grande barreira do entendimento do uso destas ferramentas como 
extensão pedagógica, principalmente, no que tange ao uso do computador. Diante 
do contexto atual, os educadores necessitam cada vez mais, de novos meios para 
transmitir informação e o conhecimento. 
As Tecnologias de Informação e Comunicação avançam nos ambientes 
educacionais, propiciando novas formas de ensino-aprendizagem. Porém, é 
necessário que os profissionais da educação estejam preparados para a utilização 
dessas tecnologias em suas aulas, de maneira planejada, a fim de conquistar 
excelentes resultados. Não basta a escola adquirir recursos tecnológicos de última 
geração, ela tem por obrigação construir novas concepções pedagógicas 
implementando-as sob o uso dessas novas ferramentas educativas. 
Diante das inovações tecnológicas e das crescentes exigências é natural que 
as pessoas vejam o mundo com outros olhos. A todo momento os docentes são 
desafiados a conhecer e se posicionar criticamente sobre informações de diversas 
fontes. Sendo assim, a metodologia didático-pedagógica precisará muito mais 
desses recursos tecnológicos para o aumento da sua eficiência e eficácia. 
Faz-se, então, a necessidade de despertar o interesse do docente, pois a 
implementação desses novos recursos tecnológicos demanda um tempo 
significativo, que, às vezes, fazem o profissional desistir. 
8 
As novas tecnologias se apresentam como uma ferramenta educativa 
positiva. Uma das maiores preocupações é como todos esses recursos digitais 
serão interpretados, significados e utilizados na escola. Se utilizada e interpretada 
de maneira errada pelas pessoas a tecnologia será uma eterna vilã, tornando 
distante as relações humanas. Por isso, os docentes têm a responsabilidade de se 
atualizar e orientar seus alunos para o uso consciente de tudo que a tecnologia 
oferece. Para tanto, a formação do professor também deve ser focada na 
responsabilidade social. 
A pretensão desse trabalho foi analisar a formação dos docentes quanto ao 
conhecimento e uso das novas tecnologias em contextos escolares, buscando 
compreender a seguinte questão: quais são os determinantes que fazem com que 
tais tecnologias não sejam efetivamente incorporadas à educação? 
O tema quanto ao uso das novas tecnologias como ferramenta educacional 
é uma realidade e encontra-se em destaque em todas as discussões que envolvem 
educação. Sua presença maciça fez com que as relações dos indivíduos entre si e 
entre as instituições passem a ser mediadas por aparatos tecnológicos da 
informação e comunicação. 
Assim, faz-se importante o propósito de analisar o processo formativo destes 
profissionais e suas estratégias para que os alunos adquiram habilidades e 
competências exigidas pela Sociedade da Informação, bem como, se os 
professores formadores possuem perfil e atendem a tais exigências, principalmente,nas incorporações realizadas em sala de aula, através de práticas inovadoras e com 
a utilização adequada de tais recursos. A utilização de recursos tecnológicos no 
ambiente escolar está se tornando comum e, quando bem utilizado, permite um 
incremento e uma nova dinâmica, tornando o processo ensino/aprendizagem uma 
atividade prazerosa. 
 
1.1. Objetivos 
 
1.1.1. Objetivo Geral 
 
A pesquisa tem como objetivo geral defender a premência da formação 
continuada docente para o uso das tecnologias nos anos iniciais da educação. 
 
9 
1.1.2. Objetivos específicos 
 
● Conceituar a tecnologia voltada para o ensino. 
● Abordar os desafios e possibilidades do uso das tecnologias, ampliando o 
debate acerca da formação docente. 
● Analisar, nas práticas pedagógicas, o panorama da geração tecnológica e o 
impacto que a falta de formação dos docentes gera nos dias atuais, através 
da observação em sala de aula. 
 
1.2. Justificativa 
 
Ninguém é tão grande que não possa aprender, nem tão pequeno que 
não possa ensinar. 
Esopo 
 
É através de algo que nos é significativo que damos valor a aprender, quando 
é do interesse e que faz parte do projeto de vida, fica mais fácil a aprendizagem. 
Conforme aponta Sassaki, (2017) o aluno não aprende nada que não seja 
importante, docentes podem até impor, mas o aluno não irá aprender. Assim o 
discente deve sentir prazer em ir à escola, bem como aprender. É através da 
educação que o homem reconstrói o conhecimento constante, dinâmico e 
globalizado, fundamentado na troca de experiências e saberes significativos. 
No âmbito escolar, a educação atual preza pela formação e excelência, 
devendo ser encarada pelos docentes e discentes como um direito ao acesso as 
novas tecnologias e mídias digitais, a troca de experiências e linguagens de 
comunicação. Um novo mundo está sendo permitido a esses alunos, onde é 
necessário propiciar a esses jovens o desenvolvimento de sua autonomia. 
Contemplando-os a um crescimento pessoal e profissional para que possam ser 
inseridos num mundo cheio de possibilidades. 
Justifica-se a importância dessa pesquisa por perceber a necessidade do uso 
das novas tecnologias no cotidiano escolar. O uso dessas ferramentas é eminente, 
elas estão transformando as relações humanas em toda sua dimensão, e na 
educação não tem sido diferente. Muitos professores ainda visualizam esses 
recursos sem metodologia e não acreditam que gerem aprendizagem; não integram 
10 
a tecnologia ao seu cotidiano, quando deveriam responder às novas demandas das 
salas de aula. 
A escola e os professores não podem ficar excluídos da realidade, devem se 
apropriar dos avanços tecnológicos e incorporá-los à prática educativa. A docência 
está diante de novos desafios, e a incorporação de diferentes conhecimentos do 
mundo tecnológico faz-se necessária para o alargamento da compreensão de 
mundo. É imprescindível que o professor articule os diferentes instrumentos 
tecnológicos produzidos na atualidade, potencializando a aprendizagem dos alunos, 
possibilitando assim transformações e ampliando sua atuação além dos muros da 
escola. 
Por isso a pesquisa do tema faz-se importante ao levar à reflexão dos 
prejuízos no âmbito educacional da ausência da formação continuada docente para 
uma consciência-crítico-reflexiva provocada pelos avanços tecnológicos. 
 
1.3 Metodologia 
 
A metodologia científica aborda as principais regras para uma produção 
científica, fornecendo as técnicas, os instrumentos e os objetivos para um melhor 
desempenho e qualidade de um trabalho científico. 
Essa pesquisa foi de caráter qualitativo, partindo de uma perspectiva do 
entendimento do objeto em estudo, ou seja, de como as TICs estão sendo 
incorporadas à prática de docentes e discentes em formação. Segundo Neves 
(1996, p. 1) a pesquisa qualitativa: 
 
Faz parte a obtenção de dados descritivos mediante contato direto 
e interativo do pesquisador com a situação objeto de estudo. Nas 
pesquisas qualitativas, é frequente que o pesquisador procure 
entender os fenômenos, segundo a perspectiva dos participantes da 
situação estudada e, a partir daí, situe sua interpretação dos 
fenômenos estudado. 
 
É exploratória e do tipo bibliográfica, e tem como principal objetivo 
compreender como ocorre a falta dessa formação continuada dos professores. A 
pesquisa qualitativa não se preocupa com representatividade numérica, mas, sim, 
com o aprofundamento da sua compreensão. 
 
11 
1.4. Organização do Trabalho 
 
O presente estudo está organizado da seguinte forma: 
Introdução que aborda os principais objetivos, a relevância do tema que demonstra 
a metodologia e a organização da pesquisa. No Referencial Teórico, são 
apresentados os aspectos conceituais que exploram as teorias que embasam o 
trabalho, a explicação de cada tópico, identificando a tecnologia educacional e seus 
conceitos. Nos Resultados e Discussões, são apresentados os resultados onde se 
discute os dados teóricos de toda necessidade da formação tecnológica ao docente. 
Conclusão que apresenta as considerações finais sobre o trabalho e sobre os 
principais resultados obtidos; e as Referências que é a lista das fontes de pesquisa 
utilizadas para o embasamento do trabalho. 
12 
2. REFERENCIAL TEÓRICO 
 
2.1. Conceitos da tecnologia educacional 
 
De acordo com Vaz e Fagundes (2009), o conhecimento que pode nos 
permitir comandar e transformar o mundo é uma das definições contemporâneas 
para a tecnologia. Os dois não se separam, sendo termos indissociáveis. Esse fato 
tem causado uma desordem, pois a tecnologia é diminuída à ciência aplicada. 
 
A tecnologia consiste em um conjunto de atividades humanas, 
associadas a sistemas de símbolos, instrumentos e máquinas, 
visando à construção de obras e à fabricação de produtos, por meio 
de conhecimento sistematizado. (VARGAS, 1994 apud VAZ, 
FAGUNDES e PINHEIRO, 2009). 
 
A tecnologia é considerada como um conjunto de conhecimentos científicos 
ou empíricos que sejam aplicáveis à produção e ao aumento da qualidade de bens 
ou serviços. 
Três componentes são utilizados para definir a tecnologia: tecnologia de 
operações, que compreende as técnicas usadas nas atividades do fluxo de trabalho 
da organização; tecnologia de materiais, que considera os materiais usados no fluxo 
de trabalho e estabelece, ainda, que é possível que uma técnica altamente 
sofisticada seja aplicada a materiais relativamente simples; tecnologia de 
conhecimento, em que as complexidades variáveis do sistema de conhecimentos 
usados no fluxo de trabalho são os principais pontos. 
Também podemos defini-la como um acervo de conhecimentos de uma 
sociedade, todavia, esse acervo é relacionado com artes industriais. Fundamenta-
se nos métodos e conhecimentos científicos, compreendendo o domínio dos 
materiais e processos, úteis para a solução de problemas técnicos e para a 
fabricação de produtos. A pressão das novas tecnologias sobre os funcionários não 
é algo novo. 
Os avanços técnicos que forçam as mudanças das organizações e na própria 
sociedade, não foi algo que surgiu agora, mas desde a Revolução Industrial, com 
organização de trabalho nas fábricas, que teve, como consequência, mudanças 
sociais. No contexto institucional, as tecnologias se impõem sobre a natureza das 
13 
tarefas, acarretando uma desordem entre trabalho e habilidades, mudando as 
condições de salário e emprego. 
Dado todos esses fatores históricos e sociais, é de fácil percepção o impacto 
da tecnologia na sociedade diretamente e indiretamente. Ignorar as tecnologias na 
informação e comunicação, por exemplo, leva à exclusão social. Percebe-se que o 
choque cibernético vai muito além do seu crescimento e sua importância no 
cotidiano, como também na inserção do indivíduo no meio social. Os jovens, por 
exemplo - ponte intermediária do docente e da funcionalidade do seu trabalho como 
educador – sesentem ligados cada vez mais a um “mundo digital” que como 
exposto anteriormente, avança não de forma gradativa, mas de maneira 
avassaladora. 
O uso das mídias digitais melhora e favorece o trabalho do jovem nas escolas 
fazendo o ambiente mais dinâmico e criativo. Essa disposição do jovem em relação 
aos instrumentos virtuais que o cativam deve ser aproveitada de maneira 
educacional, contribuindo para o seu desempenho didático. Isto é, usufruir da 
tecnologia de modo instrutivo. É por esse fator que os membros das instituições de 
ensino, não somente os educadores, mas todos os colaboradores envolvidos, 
precisam reconhecer que esses meios de comunicação, muitas vezes considerados 
“vilões” ou impróprios, são importantes para fazer com que essas crianças 
fortaleçam uma relação de interesse que favoreça tanto o seu desenvolvimento 
intelectual, como a criação de um cenário mais interessante para o docente. 
Iniciando assim, uma espécie de via de mão dupla ou um possível elo entre a 
formação do senso crítico do discente e o trabalho orientador do profissional de 
educação. 
Para Mello (2012), o trabalho lecionador é uma ação em constante mudança, 
seja organizacional, curricular, extracurricular e afins, definidas no quadro de 
sucessivas melhorias didáticas. Tais mudanças exigem dos educadores novos 
papéis e competências. Em relação ao papel do educador, um dos seus receios é 
sua preparação para atuar nesse âmbito. De acordo com Vidal (2002, p. 55 apud 
MELO, 2012, p.100) muitos pedagogos do ensino médio têm uma preparação 
educacional deficiente: 
 
[...] é sabido que muitos professores universitários tiveram pouca ou 
nenhuma preparação didático-pedagógica. Nem parece ser um item 
14 
tão importante assim, pois, ao se contratarem professores para o 
ensino superior, exigem-se títulos, certificados de experiência, mas 
nenhuma comprovação de bom desempenho didático em sala de 
aula. 
 
Apesar de os professores que atuam no ensino superior possuírem uma 
formação especializada (químicos, engenheiros, historiadores, dentre outros) e 
serem, no geral, ótimos professores, percebe-se que não são conhecedores da 
complexibilidade da educação. 
Segundo Vaz (2009), para haver alfabetização tecnológica no contexto de 
Ciências e Tecnologias de Ensino exige-se a compreensão de todos esses aspectos 
da prática tecnológica. Na perspectiva de formar um cidadão que possa 
compreender como a tecnologia tem influenciado o comportamento humano e 
desenvolver atitudes em prol de um desenvolvimento tecnológico sustentável, é 
essencial que haja uma discussão dos valores envolvidos nas decisões. (LAYTON, 
1988 apud VAZ, FAGUNDES e PINHEIRO, 2009). 
A importância da prática decorre do significado da habilidade requerida do 
professor para instruir e orientar, segundo Mello (2000). Essas capacidades são 
formadas pela prática, portanto, esse processo deve ocorrer indispensavelmente 
em situações concretas, contextualizadas. É possível ressaltar que o conhecimento 
do educador se constrói também fora do domínio escolar, em outros âmbitos: afeto 
familiar, movimentos sociais, religião, sindicais, culturais, comunitários que podem 
ter mais influência no cotidiano do professor do que a própria formação docente 
recebida de maneira acadêmica. Sendo assim, a prática e os saberes que podem 
ser observados no pedagogo é o resultado da apropriação que ele fez da 
experiência e dos conhecimentos histórico-sociais. (CUNHA, 1994). 
De acordo com Ramon (1997), a existência atual de sugestões que debatem 
a formação dos docentes, buscando entendê-las com atenção a realidade maior na 
qual ela está inserida, representa a tentativa de retirar o discurso positivista que, por 
Trigueiro Mendes (1989, p. 30), não consegue notar que “a educação é um projeto 
simultaneamente político e filosófico, cuja compreensão não cabe exclusivamente 
no âmbito da racionalidade científica”. 
O comando do conteúdo por parte do educador, como uma das partes que 
contribuem para sua prática pedagógica, o qual é proeminente política, faz com que 
a aptidão se revista de imensa importância na elaboração desta prática, uma vez 
15 
que será, também, nos momentos em que ele está sendo capacitado, que o 
professor se apropriará das ferramentas necessárias ao desempenho de uma ação 
crítica, criativa e transformadora. 
A inserção do entendimento tecnológico como ferramenta educativa para uso 
dos docentes é construída de maneira gradativa e lenta, exatamente por exigir um 
esforço e uma certa dedicação dos profissionais da educação que, teoricamente, 
ainda estariam se adaptando a esse novo mecanismo no processo ensino-
aprendizagem; considerando assim, um processo significativo de alfabetização e 
letramento digital por parte do lecionador. 
Ramon (1997) entende que levando em conta as possíveis formas de 
utilização da tecnologia no ensino, os cursos de formação agregam para que o 
pedagogo possa inserir-se nessa nova realidade que se aproxima da escola. Pois 
sendo ele hábil de analisar os melhores programas educativos a serem usados em 
sala de aula, também caber-lhe-á a definição da melhor maneira de utilizar a 
tecnologia de forma que a informática na educação seja considerada, não somente 
uma panaceia para os problemas escolares, mas, antes de tudo, como um novo 
método didático que pode contribuir na melhoria da qualidade do ensino. 
 
2.2. Letramento tecnológico do professor 
 
O desenvolvimento tecnológico tem acarretado imensuráveis modificações 
nos estilos de vida da sociedade atual. Todos os dias surgem novidades 
tecnológicas e sistemas, sendo que, em particular, as áreas de telecomunicações e 
informática têm presenciado avanços até bem pouco tempo inimagináveis. Acerca 
do conceito: 
 
O conceito de CTS – Ciência, Tecnologia e Sociedade –, 
corresponde ao estudo das inter-relações entre a ciência, a 
tecnologia e a sociedade, constituindo um campo de trabalho que 
se volta tanto para a investigação acadêmica como para as políticas 
públicas. Baseia-se em novas correntes de investigação em filosofia 
e sociologia da ciência, podendo aparecer como forma de 
reivindicação da população para participação mais democrática nas 
decisões que envolvem o contexto científico-tecnológico ao qual 
pertence. Para tanto, o enfoque CTS busca entender os aspectos 
sociais do desenvolvimento técnico-científico, tanto nos benefícios 
que esse possa estar trazendo, como também às consequências 
16 
sociais e ambientais que poderá causar. (VAZ, FAGUNDES E 
PINHEIRO, 2009.). 
 
O movimento CTS surgiu por volta de 1970 e trouxe como um de seus lemas 
a necessidade do cidadão de conhecer os direitos e obrigações de cada um, de 
pensar por si próprio e ter uma visão crítica da sociedade onde vive, especialmente 
a disposição de transformar a realidade para melhor. Apesar de esse movimento 
não ter sua origem no contexto educacional, as reflexões nessa área vêm 
aumentado significativamente, por entender que a escola é um espaço propício para 
que as mudanças comecem a acontecer. (PINHEIRO, 2005). 
As pesquisas e programas CTS se desenvolvem em três grandes direções: 
no campo da pesquisa, como uma alternativa à reflexão acadêmica sobre ciência e 
tecnologia; no campo da política pública, promovendo à criação de diversos 
mecanismos democráticos que facilitem à abertura e processos de tomada de 
decisão em questões concernentes à política científico-tecnológica; e no campo da 
educação. 
Os pressupostos educacionais de Paulo Freire, enraizados em países da 
América Latina e do continente africano, apontam para além do simples treinamento 
de competências e habilidades. A dimensão ética, o projeto utópico implícito em seu 
fazer educacional, a crença na vocação ontológica do ser humano em “ser mais” 
(ser sujeito histórico e não objeto), eixos balizadores de sua obra, conferem, ao seu 
projeto político-pedagógico, uma perspectiva de “reinvenção”da sociedade, 
processo consubstanciado pela participação daqueles que, hoje, encontram-se 
imersos na "cultura do silêncio", submetidos à condição de objetos ao invés de 
sujeitos históricos. Para Freire e seguidores, que adaptaram a sua proposta, a 
alfabetização não pode configurar-se como um jogo mecânico de juntar letras. 
Alfabetizar, muito mais do que ler palavras, deve propiciar a “leitura do mundo”. 
Leitura da palavra e “leitura do mundo” devem ser consideradas numa perspectiva 
dialética; Para a ciência, então, que é considerada como um conhecimento 
verdadeiro, a descoberta de novas leis e fenômenos; a tecnologia, um conjunto de 
conhecimentos científicos aplicáveis à produção ou melhoria de bens ou serviços; 
e a sociedade um grupo de indivíduos que vivem em um determinado sistema não 
podem estar indissociáveis, a leitura do mundo, de forma crítica e dialógica precisa 
acontecer. 
17 
Assim podemos perceber a importância do enfoque das tecnologias na 
educação, sendo inserido nos currículos escolares, para proporcionar a formação 
de indivíduos críticos, não só conhecendo seus direitos e deveres, mais tendo uma 
visão crítica da sociedade em que vivem, trazendo a discussão para os segmentos 
sociais, culturais, religiosos e políticos com as novas imagens da ciência e da 
tecnologia, melhorando sua realidade neste contexto. 
A tecnologia digital deve servir ao propósito de integrar pessoas, ideias e 
soluções. Afinal, se, há alguns anos, aprender inglês era um diferencial no mercado 
de trabalho, agora, a tecnologia é a nova linguagem a ser dominada. Isso pelo 
simples motivo de que ela está em tudo: nas redes sociais e aplicativos de 
mensagens, nos sites de compras online, nos jogos, músicas e entretenimento, no 
pagamento de contas. É difícil pensar em qualquer tarefa diária que não possa ser 
cumprida virtualmente. 
E, se a tecnologia está por toda parte, essas gerações precisam saber não 
apenas consumi-la, mas entendê-la. Jovens devem ser capacitados a criar com a 
tecnologia. Grandes personalidades, como o presidente dos Estados Unidos, já 
anunciaram publicamente que ser capaz de criar com a tecnologia é parte da 
alfabetização para o século XXI. Ele chegou a defender que a programação fosse 
ensinada em todas as escolas do país. 
Da mesma forma, Grizzle (2016) afirma que o ambiente farto de mídias e 
tecnologias que estamos imersos tem recebido um impacto inquestionável nos 
contextos políticos, sociais e culturais. Antes as pessoas tinham menos informações 
para consultar e menor necessidade de avaliar um conteúdo com qualidade. 
Escritores profissionais e processos de publicações editoriais garantiam um grau de 
confiabilidade e tratamento ético da informação. Hoje, as novas tecnologias não 
apenas permitem, mas também estimulam que usuários regulares e profissionais 
disseminem a informação. Ao mesmo tempo, essas tecnologias oferecem mais 
meios de investigar a autenticidade da informação apresentada online ou off-line. 
Além disso, essas tecnologias extrapolam as barreiras nacionais, políticas, culturais 
e linguísticas. Positiva, isso é, a princípio, uma força positiva, mas que pode estar 
aberta ao uso inadequado. 
18 
Conforme aponta Sassaki (2018), o uso da tecnologia digital é essencial ao 
conceito de Educação 3.01, ainda que, talvez, não da forma como o senso comum 
o concebe. 
Da mesma forma, existe a necessidade de o educador ocupar um papel de 
facilitador e mediador no uso das redes. É improcedente acreditar que, por terem 
contato constante com tecnologia digital para comunicação e entretenimento, os 
alunos não precisem de orientação quando passam a usá-la com propósitos 
educativos. A Era da Informação implica, justamente, em atualização e mudanças 
velozes, portanto, deve tornar-se hábito que professor e estudantes percorram em 
conjunto essa curva de aprendizagem. 
O doutor em Educação pela Unicamp e professor da Universidade Federal 
da Bahia, Edvaldo Couto, lista três obstáculos que precisam ser superados para 
que a tecnologia digital seja usada de maneira realmente inovadora em sala de aula: 
(1) a infraestrutura tecnológica, uma vez que muitas escolas ainda lutam para 
conseguir eletricidade, água potável e acesso à internet; (2) acesso à rede que, no 
Brasil, possui um custo alto e qualidade baixa; (3) e formação de professores para 
ensinar na cultura digital. O último é o que se chama de letramento digital ou 
alfabetização digital. De forma equivalente à alfabetização tradicional, o letramento 
digital engloba o ato de "ler" a tecnologia, sim, mas, em seguida, saber apropriar-se 
dela, integrá-la à realidade escolar e dar-lhe significado ao invés de consumi-la 
passivamente. Vai, portanto, além do uso apenas instrumental da tecnologia. 
A chegada da tecnologia, a reorganização dos espaços de trabalho e a 
consequente onda da Educação 3.0 tornaram o modelo tradicional de ensino-
aprendizagem irrealizável. Primeiramente, porque o acesso cada vez mais 
democrático à informação deixa claro que o professor já não é a única forma de se 
adquirir conhecimento. Com a velocidade das novas descobertas científicas, 
mesmo o conteúdo que o professor aprendeu em sua formação acaba sendo datado 
e descartado rapidamente. Enquanto isso, seus alunos, nativos digitais, atualizam-
se em alguns toques no celular. 
Na Educação 3.0, o professor deixa de ser o sol, o centro da sala de aula, 
para orbitar em torno dos seus alunos. Sem a obrigação de ser fonte exclusiva de 
 
1 Educação 3.0 traz as tecnologias digitais para a sala de aula para estimular a produção e a 
troca de conhecimentos. 
19 
conhecimento, ele adquire maiores responsabilidades: a de compreender seus 
alunos, orientá-los individualmente e coletivamente, coordenar projetos e 
atividades, introduzir novas ferramentas (ou ferramentas conhecidas, mas com 
novos propósitos) e provocar reflexões. Ele usa a tecnologia como instrumento para 
conectar pessoas, ideias, soluções, para acompanhar o desenvolvimento da turma 
e para potencializar a aprendizagem – mas a tecnologia, em si, não é o foco e nem 
deveria ser. O professor 3.0 valoriza a troca de experiências, o desbravamento de 
novos caminhos e a produção coletiva. Pode-se concluir, portanto, que o professor 
3.0 estará em constante formação. Mas esse é apenas o começo. 
 
2.3 O que é aluno 3.0? 
 
Em nossa sociedade podemos observar muitos conflitos de gerações com 
interesses e objetivos diferentes. 
Vamos destacar em nosso estudo duas gerações: a geração X, pessoas 
nascidas no início dos anos de 1960 ao final dos anos de 1980; e a geração Y, 
pessoas nascidas entre as décadas de 1980 a 2000, denominadas filhos da 
tecnologia, são totalmente inseridas na tecnologia sem nenhuma dificuldade ao 
mundo virtual. 
As principais características dos indivíduos da geração X são a busca por 
seus direitos; a maturidade e a escolha de produtos de qualidade; e a ruptura com 
gerações anteriores. Já as características da geração Y são não tem restrições ou 
limites; foco na criação e imaginação; aptidão a mudanças e a adaptação; 
valorização do individualismo. 
No ambiente escolar encontramos essas gerações em permanente atrito. 
Os docentes representam a geração X, prezam os métodos de ensino tradicionais, 
com pouco uso de recursos tecnológicos; a geração Y são dos discentes totalmente 
voltados ao campo digital. O grande desafio é a compreensão dos educadores para 
o uso com mais frequência do espaço tecnológico, uma cultura paralela (meios de 
comunicação de massa), a cultura cotidiana, formular objetivos convencionais da 
escola às exigências postas pela sociedade comunicacional, informatizada e 
globalizada realizando ações e tendo empenho com as novas práticas pedagógicas. 
Visto que ainda assim os alunos precisam sentir-se motivados para a busca desse 
20 
conhecimento, a educação temo compromisso de reduzir a distância entre a ciência 
cada vez mais complexa e a cultura de base produzida pelo cotidiano. 
De acordo com Leite (2014), com o crescimento de um pensamento 
educacional mais crítico a partir dos anos de 1980, a tecnologia educacional passou 
a ser compreendida como uma opção de se fazer educação contextualizada com 
as questões sociais e suas contradições, visando o desenvolvimento integral do 
homem e sua inserção crítica no mundo em que vive, apontando que apenas utilizar 
tecnologia não basta, é necessário inovar em termos de prática pedagógica. 
A junção tecnológica é possível desde que antes o educador e os educandos 
possuam uma educação digital apontada para a produção de um conteúdo 
pedagógico compartilhado. Minimizando os problemas do choque de gerações, pois 
não há aprendizagem sem experiência e continuidade. 
O professor não impõe; ele sugere, incentiva, aprende junto com o aluno. 
Mais que as mídias digitais o que aumentará o processo de ensino-aprendizagem 
é a capacidade de comunicação do professor. O professor 3.0 estabelecerá 
relações de confiança com os discentes, sendo o coordenador do processo, o 
responsável na sala de aula. O papel do professor não será substituído pelas novas 
tecnologias, mas é importante que o professor possa expandir o seu olhar para 
outros horizontes e desenvolver competências que atendam as revoluções 
tecnológicas como ferramentas educativas nos tempos atuais, para que possam 
romper as barreiras digitais no espaço formal do ensino. 
21 
3. RESULTADOS E DISCUSSÕES 
 
3.1 Qual conceito que os docentes têm sobre as tecnologias? 
 
Ao questionar se os professores desenvolvem situações formais de formação 
pedagógica em seus contextos, poucos dos professores afirmaram que isso ocorria 
frequentemente em seu ambiente profissional. De acordo com Brasilino (2017), os 
momentos informais de aprendizagem com os pares foram considerados os mais 
significativos para explicar o nível do uso pedagógico com as tecnologias. Podemos 
inferir que, embora os professores não promovam muitos momentos formativos em 
sua instituição, existe um esforço para compartilhar e incentivar o uso de tecnologias 
tanto pela gestão como pelos outros professores, fortalecendo assim uma 
comunidade de práticas que contribui para o compartilhamento de experiências, 
desenvolvimento de estratégias de ensino inovadoras em sua própria comunidade 
escolar (MARQUES, LOUREIRO e MARQUES, 2018). As práticas colaborativas 
docentes se assemelham com a busca pelo aperfeiçoamento do professor e com a 
análise crítica do seu fazer pedagógico. Isso, consequentemente, se alia ao seu 
contexto de docência. Compreender o trabalho colaborativo dos docentes implica 
olhar para o conhecimento que eles produzem em seu cotidiano tendo como base 
seus valores, certezas, incertezas e possibilidade de ação. 
A coletividade faz parte da profissão docente, pois é a partir de seu caráter 
coletivo que se abre um espaço para o processo de reflexão dos professores, para 
a criação e consolidação de seus saberes profissionais e para a sua autonomia e 
emancipação (PASSOS et al., 2006). Os elementos de uma prática reflexiva são 
compreendidos como refletir criticamente sobre a própria prática digital e 
pedagógica, identificar lacunas na competência digital e áreas de melhoria e 
contribuir para incrementar o desenvolvimento de práticas, políticas e visões 
institucionais sobre o uso das tecnologias. (LUCAS e MOREIRA, 2018). 
A prática reflexiva passa a ser um contraponto a nível político e 
epistemológico, a partir da presença das tecnologias no currículo escolar e no 
projeto político pedagógico, e a nível da reflexividade coletiva como a que acontece 
nas reuniões de professores. Essa prática reflexiva sobre o uso das tecnologias 
contribui para que os docentes se sintam seguros e confiantes para ensinar em 
22 
situações singulares, possibilitando ao professor a intervenção em contextos 
concretos de prática com o uso de tecnologias digitais. 
O professor passa por todo um ciclo de formação, aprendendo “a como ser 
professor”. Nessa construção, espelha-se em seus alunos, no que acredita ser ideal 
ou conveniente. A deficiência com que o conhecimento em tecnologias é 
desenvolvido no decorrer da sua formação, faz o docente muitas vezes entender as 
TIC como uma ferramenta de organização de sua aula, de comunicação ou para 
pesquisas na internet somente. Outro aspecto importante da análise é as crenças 
dos formadores de que as TIC compreendem recursos difíceis, adversos ou 
trabalhosos e que, de certa forma, parecem combinar melhor com as novas 
gerações. É necessário romper com hábitos e costumes em sala de aula. Aí temos 
um indicativo de um obstáculo didático cultural. Faz-se emergencial a troca de 
conhecimentos entre os docentes e as ferramentas digitais, sua formação e o 
inevitável fato de que, os professores, precisam romper com a teia de 
conhecimentos mal construídos e contraditórios, se apropriando dos necessários 
para elevarem as mídias ao ensino proposto. 
 
3.2. A importância da formação continuada quanto ao uso das mídias virtuais 
em sala de aula 
 
Os professores têm um bom grau de interesse em se capacitar e aperfeiçoar 
os seus conhecimentos para melhor condução de suas aulas, adequando-as ao uso 
das novas tecnologias. 
Portanto, apesar de toda a dificuldade encontrada pelos professores, tanto 
no manuseio dos equipamentos tecnológicos como na falta de condições oferecidas 
pelas escolas, eles têm consciência de que precisam se capacitar para atenderem 
ao novo modelo de aluno e o novo modelo de educação. É sabido também, que 
envolvem muitos fatores para que este processo venha a ter êxito. Não somente a 
capacitação dos professores, o apoio da escola, o conhecimento dos recursos, uma 
segurança de treinamento, a valorização do professor, regularidade dos cursos de 
formação, mudanças no sistema, a favor desta continuidade de capacitação dos 
professores pelos órgãos gestores; enfim, é preciso a participação de todos os 
envolvidos no processo. 
23 
É possível que falte um maior reconhecimento da escola em favorecer um 
apoio ao docente, para que o mesmo encontre meios de trabalhar com as 
tecnologias e seja capacitado para isso. Tal postura pode ter como causa o fato de 
o professor encontrar dificuldades em aliar o pedagógico às tecnologias, e assim, 
cria-se mais dificuldades em despertar o interesse do aluno. Daí o grande desafio 
para os educadores de adaptar o conteúdo pedagógico e disciplinar. Mas é 
importante ressaltar que é preciso mais do que um conhecimento dos equipamentos 
tecnológicos, é preciso conhecer as potencialidades de cada um para enquadrar 
dentro do método de ensino a ser aplicado. 
A educação não pode mais viver sob o modelo antigo, sob o risco de virar 
virtual e invisível para a sociedade. As novas tecnologias devem ser exploradas 
para servir como meios de construção do conhecimento e não somente para a sua 
difusão. Nos últimos anos, a presença dos alunos em sala de aula diminuiu 
significativamente, sem falar onde discentes viraram atores virtuais, invisíveis para 
sua escola, eles têm buscado na internet as fontes de conteúdos programáticos das 
disciplinas, ignoram a oportunidade de debates e reflexões em sala de aula. 
Diferente de anos atrás, os alunos atuais têm acesso muito mais rápido e 
fácil às informações, esse fator tornou as aulas tradicionais desinteressantes e 
assim sua presença se tornou limitada, aos eventos protocolares como: exames e 
atividades extraclasses. A visão de uma criança, de um jovem hoje em dia, 
ultrapassa claramente o limite físico da sua escola, da sua cidade ou de seu país, 
quer se trate do horizonte cultural, social, pessoal ou profissional. Segundo Xavier 
(2005), a geração atual tem adquirido o letramento digital antes mesmo de ter se 
apropriado do letramento alfabéticoensinado na escola. Esta intensa utilização do 
computador para a interação entre pessoas a distância tem possibilitado que 
crianças e jovens se aperfeiçoem em práticas de leitura e escrita diferentes das 
formas tradicionais de alfabetização. Essas inúmeras modificações nas formas e 
possibilidades de utilização da linguagem em geral são reflexos incontestáveis das 
mudanças tecnológicas que vêm ocorrendo no mundo desde que os equipamentos 
informáticos e as novas tecnologias de comunicação começaram a fazer parte 
intensamente do cotidiano das pessoas. 
Diante disso, é importante lembrar que os professores não nasceram 
digitalizados, enquanto seus alunos, sim. O computador e os demais aparatos 
tecnológicos são vistos como bens necessários dentro dos lares e instituições 
24 
escolares, saber operá-los é extremamente importante, é impossível fechar-se a 
esses acontecimentos. O professor que caminha de forma a tentar conhecer o aluno 
e entendê-lo em sua realidade, é um profissional ativo, crítico empenhado no seu 
papel de ensinar, pois a partir do momento que se sente desafiado pelo aluno, vive 
uma busca constante do aprendizado ao ensino. Esse profissional da educação 
precisa se familiarizar com os equipamentos, refletir, questionar. Como esta 
tecnologia pode ajudar o meu trabalho? De que forma ela pode contribuir nos 
objetivos, em novas estratégias de ensino e melhorar a interação com meus alunos? 
É importante diversificar as formas de dar aula, de realizar atividades e de avaliar. 
Por exemplo, muitos professores ainda não consideram que o celular possa ser 
utilizado como um recurso pedagógico dentro da sala de aula. 
Sendo assim, é inevitável que o docente tem de se capacitar, aperfeiçoar e 
se preparar para lidar com esse “novo” que são as tecnologias digitais, e com esse 
novo paradigma de educação que não reconhece o professor mais como o único 
detentor do saber, mas como mediador. Esse novo ambiente de aprendizagem, em 
que aluno e professor constroem juntos o conhecimento e que deve ser significativo 
para ambos. 
 
3.3. Uso das novas tecnologias como ferramenta educativa 
 
A utilização de recursos tecnológicos no processo educacional é cada vez 
mais necessária, pois torna a aula mais atrativa, proporcionando aos alunos uma 
forma diferenciada de ensino. Para que isso se realize de maneira que todos os 
envolvidos se sintam beneficiados, a questão das novas tecnologias deve estar bem 
perceptível. A forma de ensinar e aprender pode ser beneficiada por essas 
ferramentas educativas, como, por exemplo, a Internet, que traz uma diversidade 
de informações, mídias e softwares, que auxiliam a aprendizagem. 
O que realmente pode ser feito a partir da utilização dessas novas 
tecnologias, particularmente da Internet, no processo educativo? As tecnologias 
possibilitam a adequação do contexto e as situações do processo de aprendizagem 
às diversidades em sala de aula. Essas ferramentas digitais fornecem recursos 
didáticos adequados às diferenças e necessidades de cada aluno. Por meio das 
mídias, disponibilizamos da informação no momento em que precisamos, de acordo 
25 
com nosso interesse. O computador e a Internet atraem a atenção dos alunos, 
desenvolvendo neles habilidades para captar a informação, possibilitando que 
construam seus saberes, a partir das interações com um mundo de pluralidades, no 
qual não há limitações geográficas, culturais e a troca de conhecimentos e 
experiências é permanente. 
Dessa maneira, as tecnologias de informação e comunicação operam como 
recursos dinâmicos de educação, à proporção que quando bem utilizadas pelos 
educadores e educandos proporcionam o acréscimo e a melhoria das práticas 
pedagógicas desenvolvidas em sala de aula e fora dela. Ao contrário do que grande 
parte da sociedade pensa, os recursos tecnológicos não foram implantados nas 
escolas para facilitar o trabalho dos educadores, mas para que o educando 
aprendesse a partir da realidade do mundo e, principalmente, para que esse 
indivíduo consiga então agir sobre essa realidade, transformando-a e assim 
transformando a si mesmo. 
Antes de inserir as novas mídias interativas nas aulas, é preciso entender 
suas finalidades e as consequências de seu uso nas relações sociais, pois somente 
a partir desse momento é possível utilizá-las de forma a transformar as aulas em 
eventos de discussão onde ocorra de maneira efetiva a participação de todos os 
indivíduos, bem como professores, alunos e pesquisadores, propiciando assim a 
comunicação que só é possível a partir do momento que todas as partes se 
envolvem. Todo e qualquer conhecimento implica uma série de ações e todo 
indivíduo deve agir sobre o objeto do conhecimento para que se torne possível 
reconstruí-lo. 
26 
4. CONCLUSÃO 
 
A pesquisa revelou que não é necessário apenas integrar as novas 
tecnologias digitais no processo ensino aprendizagem dentro da sala de aula. É 
preciso uma conscientização do professor em se capacitar e interagir com os 
equipamentos no manuseio dos mesmos, entendendo como ele pode utilizar cada 
um deles para obter um resultado satisfatório em sala de aula. É notório avaliar que 
a forma como as TICs está sendo trabalhada em sala de aula, para formação 
desses professores é ineficiente, pois demonstram ainda o não domínio delas. 
Assim, se faz pertinente que a formação é de fundamental importância para 
aquisição de novos conhecimentos a respeito da temática e outros recursos, sendo 
recomendável o aumento da sua carga horária para conteúdo dividindo-o em 
teóricos e práticos. Desta forma, os cursos de licenciatura estarão cumprindo um de 
seus papéis para uma verdadeira formação docente de qualidade e não 
simplesmente a formação técnica, especialista quanto aos seus saberes, 
esquecendo-o de como aplicá-los. 
O desconhecimento das capacidades desses recursos também ajuda o 
professor a não o considerar um grande aliado. Esse conhecimento se dá pela 
curiosidade em conhecer as novas tecnologias nos cursos de formação continuada, 
considerados a base e a manutenção do conhecimento, haja vista, que a tecnologia 
avança em um tempo muito rápido e a todo momento surgirão mais novidades. Para 
que o processo professor x aluno x TICS tenha êxito, a atualização do docente 
precisa ser constante, isto é, a formação continuada é extensiva a toda a rotina do 
professor, no sentido de ele manter sempre atualizado seus conhecimentos, aliando 
a teoria à prática. 
Logo, é necessário comprometimento e um planejamento docente sério e 
que esteja associado a uma lógica didática, que não deve ser imposta, mas sim, 
pensada de maneira pertinente e motivadora, a fim de ampliar a autonomia, a 
construção e a aquisição de conhecimentos necessários aos alunos inseridos em 
contextos de globalização, como se observa atualmente. 
Como a pesquisa trata de um tema em evolução, este trabalho é apenas 
um começo para uma reflexão sobre a educação, sobre esse novo modelo de aluno, 
de conhecimento e aperfeiçoamento dos recursos tecnológicos que os professores 
estão tendo que enfrentar. 
27 
5. REFERÊNCIAS 
 
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