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CENTRO UNIVERSITÁRIO UNICARIOCA 
 
 
 
 
 
 
 
O PEDAGOGO EM AMBIENTE HOSPITALAR 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
THAMYRIS COVA SILVA 
Rio de Janeiro 
2019.2 
 
 
 THAMYRIS COVA SILVA 
 
 
 
 
O PEDAGOGO EM AMBIENTE HOSPITALAR 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Orientadora: Juliana Cassia De Avellar Serpa 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Rio de Janeiro 
2019.2 
 
 
 
Trabalho de conclusão de 
curso apresentado ao Centro 
Universitário Carioca, como 
requisito parcial pra obtenção 
do grau de Licenciado em 
Pedagogia. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
DEDICATÓRIA 
 
Dedico este trabalho, aos meus pais que sempre 
estiveram ao meu lado dando todo suporte possível, 
aos meus familiares e amigos que sempre me deram 
força para não desistir e ir atrás do meu objetivo. 
E em memória da nossa ilustre Professora Glória 
Graçano, pelo maior presente que poderia ter nos 
deixado, O CONHECIMENTO! 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
AGRADECIMENTOS 
 
Agradeço, primeiramente a Deus, por ter me dado 
sabedoria e força para me manter firme durante essa 
caminhada, aos meus pais e familiares que me deram 
todo apoio e suporte possível para que eu não 
desistisse. Agradeço as minhas amigas de curso, 
Luciana Oliveira, Tayna Vaz e Suelen Moreira que 
foram essenciais durante essa caminhada 
Universitária. Além do meu grande amigo Sandro 
Ricardo, minha namorada Andressa por ter me 
motivado nos momentos difíceis e a minha 
Orientadora Juliana Serpa pelo carinho, dedicação e 
principalmente pela coragem de mergulhar comigo 
nesse assunto totalmente desconhecido. 
 
 
 
 
 
 
 
RESUMO 
 
 
 
Este trabalho teve como objeto de estudo o Pedagogo em ambiente hospitalar. 
Com o objetivo de entender o papel do Pedagogo nesse contexto. Desta forma, 
é possível afirmar que a realização da pesquisa tem grande relevância e 
destaca-se por contribuir para a comprovação da importância do pedagogo no 
ambiente hospitalar, demonstrando como esse profissional assegura o direito à 
educação dessas crianças e adolescente e descrevendo como um atendimento 
personalizado e humanístico focado nas condições do aluno-paciente também 
resultam na melhoria do seu estado de saúde. A partir das informações 
coletadas, foram analisadas e discutidas a relevância desse profissional dentro 
desse ambiente e concluiu-se que o trabalho desempenhando pelo pedagogo é 
de suma importância, porque além de facilitar a continuidade do processo de 
escolarização desse aluno-paciente, minimiza os estragos causados pelo 
processo de internação e os dá motivação para continuar o tratamento. 
 
 
 
Palavras–chave: Pedagogia hospitalar, Aluno-paciente, Humanização. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
SUMÁRIO 
 
 
 
 
Nº da 
página 
1 – INTRODUÇÃO 6 
2 – REFERENCIAL TEÓRICO 10 
3 – RESULTADOS E DISCUSSÕES 17 
4 - CONCLUSÃO 24 
5 - REFERÊNCIAS 26 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
1 INTRODUÇÃO 
O presente tema de pesquisa tem como base descrever e analisar a 
importância do pedagogo em um ambiente informal de ensino, mais 
precisamente em Hospitais. Relatando como suas práticas pedagógicas além de 
essenciais para a continuidade do processo de escolarização desses alunos-
pacientes ainda promove de forma significativa a melhoria do estado de saúde. 
Traçando um breve histórico da Pedagogia hospitalar, segundo 
(AMORRIM 2011 apud TELES 2014), a classe hospitalar surgiu em 1935 em 
Paris, criada por Henri Sellier, como forma de amenizar os estragos causados 
pela Segunda Guerra Mundial, já que muitas crianças e adolescentes em idade 
escolar foram feridos e mutilados, o que os impossibilitava de ir à escola já que 
se encontravam internados. Com o passar dos anos a classe hospitalar foi 
conquistando o seu espaço na sociedade e se expandido para Países como 
Alemanha e França que lidavam com o surto de Tuberculose, que tirava as 
crianças do convívio social e consequentemente do ambiente escolar. 
Em 1939 é fundado na França o C.N.E.F.E.I. – Centro Nacional de 
Estudos e Formação para a Infância Inadaptadas, com o objetivo de formar 
Professores capacitados para exercer suas funções em instituições especiais e 
em Hospitais. 
De acordo com (AMORRIM 2011 apud TELES 2014), a classe hospitalar 
foi adotada no Brasil na década de 60 pelo Hospital Menino de Jesus, no Rio de 
Janeiro e logo após pelo Hospital da Santa Casa de Misericórdia em São Paulo. 
O que deu origem a ação pedagógica em hospitais pediátricos, com a finalidade 
de garantir que crianças e adolescente, hospitalizados não tenham os seus 
estudos interrompidos e sim estimulados e potencializados para que não haja 
abandono, reprovação ou agravamento do seu estado de saúde. 
São essas práticas que respeitam as especificidades de cada aluno-
paciente, que amenizam os estragos emocionais causados pelo processo de 
internação que os afastam do seu convívio social e que os motivam a dar 
continuidade não só ao tratamento quanto aos estudos dentro e fora do ambiente 
hospitalar. 
Para afirmar ou refutar tais informações será realizada uma pesquisa 
bibliográfica e qualitativa, além da coleta de dados através de uma pesquisa de 
campo, onde serão feitas entrevistas com uma Pedagoga, um familiar de aluno-
paciente e uma pessoa que teve experiência como aluna-paciente. 
 
1.1 Objetivos 
O objetivo geral desse estudo é refletir sobre o papel do Pedagogo no 
ambiente Hospitalar e em como o seu trabalho se faz necessário na 
educação de crianças e jovens que se encontram hospitalizados. 
E como objetivos específicos: (1) Comprovar a importância do 
Pedagogo no ambiente; (2) Assegurar o direito à educação dessas crianças 
e adolescente; (3) Descrever como um atendimento personalizado e 
humanístico focado nas condições do aluno-paciente também resultam na 
melhoria do seu estado de saúde. 
1.2 Justificativa 
O presente tema foi escolhido como forma de evidenciar uma nova área 
de atuação do Pedagogo, no caso os Hospitais que são considerados um 
ambiente informal de ensino e que muitas vezes são esquecidos ou 
desconhecidos por nós acadêmicos. Durante esse estudo, foi observada a 
carência de materiais de apoio para se aprofundar nesse tema, além da falta de 
profissionais que de fato exerçam essa função em hospitais já que não são todos 
que possuem classes hospitalares. Através disso, o trabalho tem como base 
abordar importância do Pedagogo na Educação de crianças e jovens 
hospitalizados e o seu dever de compreender as peculiaridades desses 
indivíduos durante esse processo, a fim de facilitar a concretização dos objetivos 
pedagógicos educacionais durante o atendimento hospitalar. 
 
Neste contexto, o pedagogo é o agente de mudanças, pois 
entende-se que o escolar hospitalizado não é um escolar 
comum, ele diferencia por estar acometido de moléstia ou 
algum dano ao seu corpo, razão pela qual precisou de 
cuidados médicos, bem como a necessidade ainda de 
ajuda para vencer as consequências de sua própria 
hospitalização. (MATOS e MUGIATTI, 2011, p.60) 
 
 
O Pedagogo nesse ambiente além de ter a responsabilidade de facilitar e 
garantir o acesso à educação, deve buscar o enriquecimento pessoal e promover 
melhorias significativas no estado de saúde dessas pessoas já que se encontram 
numa situação negativa, que mexe não só com o bem-estar físico quanto o 
mental já que essa criança/adolescente é afastada do seu convívio familiar. 
 
Assim, deve o pedagogo estar atento, solícito e 
predisposto diante da instância de continuar preparando, 
desafiando e estimulando o escolar a estudar e a vencer 
esta etapa da hospitalização e suas consequências na 
esfera psicopedagogia, pois é seu direito gozar de boa 
saúde e receber escolaridade independente de quaisquer 
condições. (MATOS eMUGIATTI, 2011, p.62) 
 
 
Nesse contexto, o Pedagogo, através desses desafios e estímulos 
também facilita a volta desses alunos à escola, já que cumpre com o seu papel 
pedagógico e os motiva a continuar os seus estudos, já que durante o processo 
de hospitalização recebem a ajuda necessária para que não aconteça o 
abandono ou perda de parte do ano letivo. 
1.3 Metodologia 
A pesquisa será de cunho bibliográfico e qualitativo, tendo como o 
embasamento artigos e livros de autores fidedignos de área, tais como: Lima 
(2016), Matos (2011), Menezes (2015), Mugiatti (2011), Mutti (2016), Silva 
(2016), Teles (2014), entre outros autores e uma pesquisa documental utilizando 
a legislação vigente como forma de comprovar a existência de leis que 
asseguram o direito à educação em ambiente hospitalar. 
Destaca-se também que serão realizadas coletas de dados através de 
pesquisa de campo no Hospital da criança, localizado em Vila Valqueire, zona 
Oeste do Rio de Janeiro e fora desse espaço, com uma pessoa que já teve a 
experiência de ser uma aluna-paciente. Serão feitas entrevista com um 
Pedagogo, um familiar de aluno-paciente e uma ex-aluna-paciente com o auxílio 
de 3 questionários. Um direcionado ao Pedagogo buscando informações a 
respeito de como o seu trabalho é realizado nesse espaço, o outro direcionado 
aos pais, com a finalidade de levantar informações sobre a importância desse 
profissional na educação desses alunos-pacientes e o terceiro direcionado a 
essa ex-aluna-paciente, buscando relatar as suas experiências nesse ambiente 
e de que forma esse processo contribui no seu tratamento e na continuidade dos 
seus estudos. O propósito das entrevistas é de reafirmar ou refutar as hipóteses 
levantas ao longo da pesquisa. 
1.4 Organização do Trabalho 
O presente trabalho está dividido em: Introdução, parte na qual se 
apresenta a temática O pedagogo em ambiente hospitalar e o seu objetivo geral 
de entender o papel do Pedagogo no ambiente hospitalar, suas funções e a 
forma na qual o seu trabalho pedagógico deve ser desenvolvido. No Referencial 
Teórico serão utilizados tópicos para a apresentação da: A importância do 
pedagogo em um espaço não escolar, no caso os hospitais; Leis que asseguram 
o direito à educação dessas crianças e adolescentes hospitalizados e como um 
atendimento humanístico focado nas condições do aluno-paciente também 
resultam na melhoria significativa do seu estado de saúde. Nos Resultados e 
discussões foram relatadas a importância da atuação do Pedagogo em ambiente 
hospitalar e como as suas práticas pedagógicas auxiliam essas crianças e 
adolescentes a darem continuidade ao seu processo de escolarização e 
tratamento de maneira menos dolorosa e humanizada: com o auxílio das 
entrevistas realizadas. Na conclusão, observamos que o trabalho pedagógico 
realizado nesse contexto é de suma importância tanto para os alunos-pacientes 
quanto para os seus familiares, que se fazem presentes nesse processo e 
observam os estragos tanto emocionais quanto físicos causados pelo 
tratamento. Com isso, esse profissional realiza o seu trabalho de forma que 
amenize essa situação para ambos, fazendo-os entender que não estão 
sozinhos durante esse processo, o que contribui de forma significativa na 
continuação do tratamento e do processo de escolarização dessas crianças e 
adolescentes, dentro e fora do contexto hospitalar. 
 
 
 
2 REFERENCIAL TEÓRICO 
2.1 – O papel do Pedagogo no ambiente hospitalar 
No contexto hospitalar, o Pedagogo tem como dever compreender as 
peculiaridades de crianças e adolescentes durante esse processo a fim de 
facilitar a concretização dos objetivos pedagógicos educacionais durante o 
atendimento hospitalar. 
Durante esse processo, é muito importante que o Hospital tenha um 
espaço destinado a ações educativas. “Uma vez verificada a já existência, nos 
hospitais, de uma práxis pedagógica, conclui-se pela necessidade de uma 
contribuição especializada, sempre objetivando o melhor auxílio à criança (ou 
adolescente hospitalizado em idade escolar”. (MATOS e MUGIATTI, 2011) 
O pedagogo deve ter características que sejam adequadas tanto para a 
realização de seu trabalho em ambiente escolar quanto na área hospitalar, 
características essas de um agente articulador, formador, mediador e 
transformador de acordo com a necessidade e o ambiente no qual esse indivíduo 
está inserido, para que se tenha uma continuidade do seu processo escolar. 
No que se diz respeito a mediação entre currículo e professor, o pedagogo 
deve “colaborar para que haja as articulações necessárias, considerando áreas 
específicas de conhecimento, os alunos pertencentes à escola, o contexto 
sociocultural em que a escola se insere e outros elementos que compõem as 
relações interpessoais e pedagógicas”. (Menezes, 2015) 
Como articulador, deve oferecer possibilidades para que os professores 
possam realizar os seus trabalhos de forma coletiva, tendo como orientação as 
propostas curriculares voltadas para aquela realidade, a fim de dar significado 
ao processo educativo e pedagógico. 
Quanto a ser um agente formador, ele deve oferecer oportunidades para 
que o professor se qualifique para exercer o seu trabalho com qualidade, de 
forma que facilite o cumprimento dos “objetivos curriculares da escola, 
representando o projeto escolar institucional, considerando para que isto ocorra 
as relações interpessoais com os profissionais da educação que atuam na escola 
e alunos, pais e comunidade”. (MENEZES, 2015) 
 
Com o propósito de continuidade do processo de ensino aprendizagem, a 
Pedagogia hospitalar ganha um olhar técnico, social e ético para que esse 
pedagogo possa aperfeiçoar o seu conhecimento com a finalidade de orientação 
educativa centrado na pessoa. Seguindo esse pensamento, percebemos que a 
ação Pedagógica deve ser realizada através da comunicação e do diálogo, com 
a finalidade de facilitar o processo educativo de crianças e adolescentes, 
buscando um enriquecimento pessoal mesmo em uma situação negativa como 
a hospitalização. 
 
Essa evolução foi se realizando à medida que se tomava consciência 
da importância do psiquismo da criança/adolescente, especialmente 
de suas necessidades no plano objetivo, que constituem a base de um 
bem-estar físico e mental. Os pediatras constavam que os cuidados 
médicos, mesmo aqueles proporcionados em condições ideais, não 
eram suficientes para uma cura definitiva e que a hospitalização 
prolongada, não raras vezes, provocava o aparecimento de distúrbios 
psíquicos. (MATOS e MUGIATTI apud BIERMANN, 1920, p23) 
 
O que confirma a necessidade de um atendimento que contemple o 
estado Biológico e Psicológico dessa criança ou adolescente de forma 
pedagógica. O hospital não impede a criança e o adolescente de estudar, já que 
a “Hospitalização escolarizada é uma nova alternativa para a criança doente”. 
 
Neste contexto, o pedagogo é o agente de mudanças, pois entende-se 
que o escolar hospitalizado não é um escolar comum, ele diferencia 
por estar acometido de moléstia ou algum dano ao seu corpo, razão 
pela qual precisou de cuidados médicos, bem como a necessidade 
ainda de ajuda para vencer as consequências de sua própria 
hospitalização. (MATOS e MUGIATTI, 2011) 
 
O hospital-escola tem como função a integração do espaço hospitalar e o 
escolar com a missão de garantir a continuidade do processo educacional e no 
que diz respeito à mudança de rotina que algumas vezes faz com que a 
internação se torne traumática. Nesse contexto, o ato Pedagógico tem que ser 
realizado a partir da realidade dessa criança/adolescente que precisa de ajuda 
para erguer o seu estado físico e psicológico, afetado pela doença ou 
hospitalização. 
Todo esforço é benéfico, se apoiado no enfoque da instrução como do 
bem-estar em relação ao escolar hospitalizado, de acordo com Matos e Mugiatti 
(2011), a “Pedagogia Hospitalar é um processo deeducação organizada que 
transcende aos parâmetros usualmente adotados”. Essa prática deve ser 
integrada com o contexto: família, criança/adolescente, escola, profissionais da 
saúde e da educação e sociedade. 
 
A simbiose de pedagogia e psicologia que vem a chamar-se 
psicopedagogia, como em outros muitos campos científicos e 
profissionais, supõe uma linha de trabalho e investigação orientada 
claramente para a sistematização. O perfilhamento e a precisão dos 
processos de intervenção pedagógica requerem uma ajuda 
especializada de caráter curativo, notadamente aos casos em que o 
desenvolvimento normal dos educandos padece ou começa a padecer 
algumas das patologias da educação. Investigação mais aprofundada 
desses problemas, como a utilização de técnicas pedagógicas e 
psicossociais que possam se ajustar as circunstâncias da enfermidade 
e da hospitalização. São tais considerações que têm impulsionado a 
Pedagogia Hospital na clínica Universitária de Navarro. (Ochoa 1986, 
p. 116 – 117 apud MATOS e MUGIATTI, 2011). 
 
A escola se tornará um ambiente democrático a partir do momento em 
que todos tenham oportunidades de acesso e permanência, sendo num 
ambiente formal (escola) ou informal (hospital). Problema esse, que acaba 
dificultando o direito à educação para todos e refletindo diretamente na qualidade 
do ensino, por isso o Pedagogo deve articular esse processo de ensino-
aprendizagem de forma que respeite as peculiaridades e crie conexões entre 
conhecimento e a forma na qual ensinar. 
Para respaldar as ações do pedagogo em ambiente hospitalar, o MEC em 
2002, cria um documento orientador, em que destaca algumas características 
como sendo necessárias e adequadas para o Pedagogo que realiza esse tipo de 
atendimento, como: “capacidade para trabalhar com a diversidade humana, 
integrado com a equipe, formado em cursos de pedagogia, licenciatura ou 
formação pedagógica em Educação Especial e conhecedor das doenças e 
condições psicossociais”. (MEC, 2002 apud MENEZES, 2016). 
 
2.3 Regulamentações que garantem a educação em ambiente hospitalar 
Mesmo em situação de hospitalização, crianças/adolescentes possuem 
direitos básicos e nesse contexto a educação é um dos mais importantes, sendo 
assegurado no Brasil através do Decreto de Lei nº. 1044, de 24 de outubro de 
1969 que diz no seu art. 1º: 
 
São considerados merecedores de tratamento excepcional os alunos 
de qualquer nível de ensino, portadores de afecções congênitas ou 
adquiridas, infecções, traumatismo ou outras condições mórbidas, 
determinando distúrbios agudos ou agonizantes, caracterizados por: a) 
incapacidade física relativa, incompatível com a frequência aos 
trabalhos escolares; desde que se verifique a conservação das 
condições intelectuais necessárias para o prosseguimento da atividade 
escolar em novos moldes; b) ocorrência isolada ou esporádica; c) 
duração que não ultrapasse o máximo ainda admissível, em cada caso, 
para a continuidade pedagógica de aprendizado, atendendo a que tais 
características se verificam, entre outros, em casos de síndromes 
hemorrágicas (tais como hemofilia), asma, pericardites, afecções 
osteoarticulares submetidas a correções ortopédicas, etc. 
 
 
Nesse documento se enfatiza o artigo VII, que diz respeito aos direitos 
das crianças, como proteção a vida e a saúde, para um desenvolvimento sadio 
e harmonioso. Direitos que também são assegurados no artigo nº 196 da 
Constituição da República Federal do Brasil (CF/1988), como direito essencial: 
 
Art. 196. A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido 
mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco 
de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às 
ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação. 
 
De acordo com Lima e Silva, “é obrigação dos envolvidos com a criança 
hospitalizada, fazerem estes direitos serem cumpridos”. Nesse contexto, os 
direitos das crianças/adolescentes devem ser realizados e assegurados pelo 
Pedagogo Hospitalar que assume a responsabilidade que é de dever do estado. 
Desse modo, a internação não pode afetar o seu processo de 
aprendizagem, nem ser negada já que esse direito é garantido por lei e deve ser 
assegurada também pelo Hospital, através da oferta de serviços educacionais. 
Leis e Resoluções que resguardam o direito a educação previsto pela 
Constituição Federal, assim como o Estatuto da Criança e do Adolescente 
Hospitalizado. 
Que através da Resolução nº 41 de outubro de 1995, item 9, todos têm 
direito de desfrutar de alguma forma de recreação, programas de 
educação para a saúde, acompanhamento do currículo escolar durante 
sua permanência hospitalar. (BRASIL, 1995) 
 
Resolução que assegura que a crianças e adolescentes hospitalizados 
não devem ter a sua educação prejudica. 
 
 
O Estatuto da Criança e do Adolescente, artigo 53 afirma que “a criança 
e o adolescente têm direito à educação visando o pleno 
desenvolvimento de sua pessoa, preparo para o exercício da cidadania 
e para o trabalho”. Os incisos I e II complementam que deve assegurar-
lhes “igualdade de condições para o acesso e permanência na escola” 
e o “direito de ser respeitado pelos seus educadores’. (TELES, 2014) 
 
 
A necessidade da classe hospitalar e de espaços educativos é ressaltada 
por essa Lei, já que muitos profissionais não sabem lidar com os seus pacientes, 
principalmente com crianças, o que dificulta o processo de recuperação. 
 
A Lei nº 8069, de 13 de julho de 1990 dispõe sobre o ECA no artigo 4, 
entre os vários direitos está o “direito à vida, à saúde e à educação”. O 
artigo 18 afirma que “é dever de todos velar pela dignidade da criança 
e do adolescente, pondo-os a salvo de qualquer tratamento desumano, 
violento, aterrorizante, vexatório e constrangedor”. (BRASIL, 1995) 
 
O ECA afirma que o direito à educação vai além do ambiente escolar e 
que a sociedade deve suprir essa necessidade. O que foi reconhecido pelas 
secretarias estaduais e municipais de educação e consequentemente pesquisas 
nessa área. 
No entanto, tais políticas públicas voltadas para a área da educação só 
começam a funcionar de fato a partir da Lei n° 9394/96 – Leis de Diretrizes e 
Bases da Educação Nacional (LDBEN) que nos faz compreender globalmente a 
arrumação política da educação no Brasil. Nesse contexto legal, a Pedagogia 
Hospitalar é apontada como uma pratica de educação especial e tem o seu valor 
reconhecido, deixando assim de ser classificada como um paliativo emergencial 
para projetos experimentais. 
 
 
 
2.4 A humanização como ferramenta auxiliadora desse processo 
O desafio da Pedagogia hospitalar está em modificar o ambiente para que 
se ofereça novas perspectivas de aquisição do conhecimento, com a finalidade 
de transformar a realidade dessas pessoas. 
Durante esse processo, o Pedagogo assume o papel de amigo tanto da 
criança/adolescente quanto dos seus familiares, estabelecendo uma relação de 
apoio a essas pessoas, para que se sintam seguros e fortes para enfrentar esse 
momento. 
Também é dever desse profissional, trabalhar a ansiedade e o medo que 
essa criança/adolescente tem a respeito da morte, sempre deixando claro o seu 
estado de saúde e fazendo com que esse assunto deixe de ser proibido. 
De acordo com Lima e Silva (2016) a educação não é limitada apenas ao 
ato de ensinar um conteúdo ou técnica, a educação ultrapassa questões 
escolares e entra na preparação para a vida. 
Pensando nessa preparação para o mundo além do hospital, o pedagogo 
deve realizar atividades que envolvam essa criança/adolescente doente, 
atividades essas que devem ser agradáveis e cheias de vida, ao contrário do 
ambiente onde esse indivíduo está internado e lhe remete a dor. As atividades 
trabalhadas devem ser de cunho pedagógico e terapêutico. 
 
Não é apenas “ocupar criativamente” o tempo da criança para que ela 
possa “expressa e elaborar” os sentimentos trazidospelo adoecido e 
pela hospitalização, aprendendo novas condutas emocionais, como 
também não apenas abrir espaços lúdicos com ênfase no lazer 
pedagógico para que a criança “esqueça por alguns momentos” que 
está doente ou em um hospital. O professor deve estar no hospital para 
operar com processos efetivos de construção da aprendizagem 
cognitiva e permitir aquisições escolares às crianças. O contato como 
o professor e com uma “escola hospitalar” funciona, de modo 
importante, como uma oportunidade de ligação com os padrões de vida 
cotidiana do comum das crianças, como ligação com a vida em casa e 
escola. 
 
Segundo Lima e Silva, (2016) “nessa perspectiva, a experiência 
pedagógica no ambiente hospitalar proporciona ganhos cognitivos e emocionais 
à criança e adolescente enfermo, contribuindo na sua recuperação e no processo 
de aprendizagem”. As atividades podem acontecer em brinquedotecas, salas 
especiais ou até mesmo no próprio leito, desde que sejam significativas, 
planejadas e de cunho pedagógico. 
Durante a criação dessas atividades, o pedagogo precisa estar atento ao 
estado clínico dessa criança/adolescente, já que podem possuir algumas 
restrições devido ao seu estado de saúde, além de respeitar a faixa etária desses 
indivíduos, a fim de adaptar essas atividades para que atendam a essas 
especificações e que os proporcionem o bem-estar físico e emocional. 
 Para que aconteça a construção do saber deve haver uma boa 
comunicação entre as pessoas envolvidas nesse processo, ou seja, professor, 
aluno/paciente e a própria equipe de saúde, para que o trabalho seja realizado 
de maneira efetiva e humanizada. 
Durante a compreensão do papel da humanização na área da saúde, 
grande parte dos profissionais não entendiam a colocação já que a humanização 
é presente nessa área por se tratar do atendimento a seres humanos. 
A partir dessa discussão o Ministério da Saúde em maio de 2000 criou o 
programa Nacional de Humanização da Assistência Hospitalar (PNHAH), para 
divulgar a humanização no ambiente hospitalar e “promover uma cultura de 
atendimento na saúde que apoiasse a melhoria da qualidade e eficácia dos 
serviços prestados através do aprimoramento das relações entre: trabalhadores 
da saúde, usuários e profissionais; hospitais e comunidade”. (MUTTI, 2016, p.97) 
A base da humanização é o respeito pelo ser humano, que estabelece um 
processo de mudança nessa cultura institucional através de um compromisso 
ético e coletivo, com métodos que atendam à saúde e gestão de serviços. 
Essa afirmação se faz necessária para que se entenda a importância da 
humanização no contexto hospitalar em parceria com os profissionais dessa 
área, para amenizar a dor dessas crianças/adolescentes que estão afastadas do 
seu ambiente de convívio social e familiar devido à internação. 
 
“ Humanizar é uma tarefa difícil e de grande complexidade. É 
imprescindível compreendermos que quando há humanização, 
alteramos o modo se de fazer e produzir assistência hospitalar, 
modificamos a maneira de atuação das equipes hospitalares, 
transformamos as estruturas hospitalares e, consequentemente, a 
cultura de um povo e, acima de tudo, evidenciamos a importância do 
que se é humanizar”. (MELO, 2008, p.79 apud MUTTI, 2016, p.99) 
 
Podemos dizer que o ato de humanizar tem como característica à 
natureza humana em sua essência, trabalhando em conjunto na criação de uma 
“aliança de cooperação, de procedimentos éticos, de atitudes profissionais 
condizentes com os princípios humanos coletivamente condescendes”. (MUTTI, 
2016, p.99) 
 
 
3 RESULTADOS E DISCUSSÕES 
3.1 Descrição da coleta de dados 
Com base na pesquisa bibliográfica, foi realizada uma pesquisa de 
campo, em um ambiente hospitalar, fazendo uso de 2 questionários com 
perguntas direcionadas a 1 (um) Pedagogo e 1 (um) familiar de aluno/paciente 
e fora desse espaço também foi realizada uma entrevista com 1 (uma) pessoa 
que já vivenciou essa realidade sendo aluna/paciente. Todas as pessoas que 
participaram da pesquisa de campo tiveram os seus nomes substituídos para 
que não houvesse problemas com direito de imagem. As questões foram 
pensadas com a finalidade de: Entender o papel do pedagogo no ambiente 
hospitalar. Cada pergunta foi estruturada a partir da fundamentação teórica, de 
forma qualitativa. Após a coleta dessas informações, foi realizada uma análise 
comparativa entre a base bibliográfica e as respostas obtidas durante a pesquisa 
de campo. 
 
3.2 Sujeito da Pesquisa 
A pesquisa de campo foi realizada no Hospital da Criança, localizado em 
Vila Valqueire, Zona Oeste do Rio de Janeiro, fazendo o uso de 2 questionário, 
em que o primeiro foi direcionado à Pedagoga Eliane, que trabalha nesse local 
há exatamente 5 anos e que teve como motivação o filho que possui um grau 
leve de autismo. 
O segundo questionário foi direcionado a Sra. Adriana, mãe de uma aluna 
paciente de 12 anos que recebe atendimento nesse hospital há 3 anos, devido 
ao tratamento contra o câncer, que faz com que ela precise de cuidados 
específicos, o que provocou a sua internação durante alguns períodos ao longo 
desses anos de tratamento. 
O terceiro questionário foi direcionado a Daiane que durante uma 
conversa sobre esse tema, se dispôs a participar da pesquisa já que foi 
aluna/paciente quando tinha 9 anos de idade, no Hospital Federal Cardoso 
Fontes, localizado em Jacarepaguá, Zona Oeste do Rio de Janeiro, devido a 
uma pneumonia e água no pulmão que a afastou do seu convívio social e familiar 
durante 2 meses para que fossem realizadas algumas cirurgias. 
 
 
 
3.3 Entrevistas e analise 
A partir das entrevistas realizadas com a Pedagoga Eliane, a responsável 
Adriana e a ex-aluna paciente Daiane pode se analisar que: 
O atendimento educacional em ambiente hospitalar pode ser realizado 
através das classes hospitalares, onde as atividades são realizadas de forma 
coletiva, seguindo o modelo dos ambientes formais de ensino, no caso as 
escolas e tendo de fato professores envolvidos nesse processo. 
 
O professor precisa estar preparado para lidar com as referências 
subjuntivas do aluno, e deve ter destreza e discernimento para atuar 
com planos e programas abertos, móveis, mutuantes, constantemente 
reorientados pela situação especial e individual de cada criança. Ou 
seja, o aluno da escola hospitalar. (FONSECA, 2003, p.26 apud 
MENEZES, 2015) 
 
 Além de poder ser realizado através do Pedagogo hospitalar, seguindo 
um modelo informal de ensino, em que as atividades não possuem um lugar 
específico para que sejam desenvolvidas, já que são pensadas para que 
atendam à necessidade desse aluno-paciente em situação mais limitada de 
internação. Ações essas que são abordadas por Mattos e Mugiatti (2011), 
quando dizem que o pedagogo por ser um agente de mudanças, entende que 
esse aluno-paciente precisa de um acompanhamento diferenciado devido ao seu 
estado de saúde. 
O que nos apresenta uma diferença entre o trabalho desenvolvido pela 
Pedagoga Eliane no Hospital da Criança e a assistência recebida pela ex-aluna-
paciente Daiane, no Hospital Cardoso fontes. Já que o Hospital da criança 
basicamente é direcionado a crianças e adolescente com câncer, o que delimita 
mais o atendimento educacional por ser um tratamento agressivo, que além de 
impedi-los de saírem de seus leitos devido à imunidade, ainda os causam mal-
estar e mudanças de aspecto físico. No Hospital Cardoso Fontes, o atendimento 
não é direcionado a um público especifico o que faz com que a classe hospitalar 
seja adotada, por não ter uma demanda tão elevada de pacientes, além da média 
de tempo de internação e recuperação ser bem mais rápida. 
No que diz respeito às diretrizes e projetos norteadores desse tipo de 
atendimento, no espaço mais restrito da Pedagoga Eliane, a elaboração desse 
documento foi realizada por ela, o que nos apresenta a necessidade da criação 
de um documentoa nível Nacional para esses profissionais, como forma de 
unificar essa assistência. Segundo Teles (2014) “O que se percebe é que há 
consenso quanto à indispensável prática, mas ações concretas são poucas, 
ficando o atendimento de crianças hospitalizadas negligenciado. O que justifica 
a diferença do tipo de assistência realizada nesses dois espaços, onde um segue 
um documento flexível mais sem deixar a educação de lado, estabelecendo ou 
até mesmo tentando uma comunicação com o colégio de origem para facilitar a 
continuidade desse processo. Enquanto o outro espaço trabalha de forma livre, 
fazendo o uso apenas de ferramentas recreativas, sem nenhuma finalidade 
educativa perceptível. 
Com relação ao estabelecimento de uma relação mais próxima com esses 
alunos-pacientes e seus familiares, observamos através dos relatos que é um 
ato necessário e indissociável não só para a promoção da continuidade do 
processo educacional mais também como forma de amenizar os estragos 
causados pelo tratamento não só nos pacientes quanto nos seus pais que 
consequentemente sofrem em ver o estado de seus filhos. No entanto, uma das 
dificuldades encontradas pela Pedagoga Eliane na hora de realizar o seu 
trabalho é a resistência por parte desses pais que não enxergam a educação 
como necessária ou até mesmo com uma ferramenta motivacional para essas 
crianças e adolescentes. Nesse momento a empatia entra em cena e esse 
profissional explica que as peculiaridades desse aluno-paciente vão ser 
respeitadas e que eles precisam ter essa perspectiva de que vão sair dali logo e 
que durante esse tempo de tratamento continuaram a se desenvolver e 
aprender. 
É possível aprender dentro do hospital, a aprendizagem de crianças 
doentes que, afinal estão doentes, mas em tudo continuam crescendo. 
Acreditamos ser, também nossa, a tarefa de afirmar a vida, e sua 
melhor qualidade, junto com essas crianças, ajudando-as a reagir, 
interagindo para que o mundo de fora continue dentro do hospital e as 
acolha com um projeto de saúde. (CECCIM, 1997, p.80 apud 
MENEZES, 2015) 
 
O que é confirmado quando a Sra. Adriana diz que as peculiaridades da 
sua filha são respeitadas e que ela fica feliz quando a Tia Eliane aparece no seu 
leito para ensinar as atividades dadas pela escola e as recreativas propostas por 
ela. 
Essa preocupação em pautar o processo de aprendizagem de acordo com 
as restrições desse aluno paciente reafirmar a importância da humanização 
nesse contexto, seja através da assistência psicológica, terapêutica ou até 
mesmo estabelecendo laços mais próximos com um profissional atuante nesse 
contexto, como foi o caso da Daiane. Essas ações minimizam a dor desse 
processo e nos mostram como o Pedagogo se faz importante nesse espaço já 
que ele faz uso das suas características de agente articulador, mediador, 
transformador e formador em busca da continuidade do processo educacional e 
consequentemente promovendo melhorias significativas no estado de saúde 
desses alunos pacientes. 
(SIMANCA e LORENTE 1990, p.126 apud MATOS e MUGIATTI) tentam 
conceituar a Pedagogia Hospitalar, propondo: 
 
[...] que se pode entender por Pedagogia Hospitalar, aquele ramo da 
Pedagogia, cujo objetivo de estudo, investigação e dedicação é a 
situação do estudante hospitalizado, a fim de que continue progredindo 
na aprendizagem cultural formativa e, muito especialmente, quanto ao 
modo de enfrentar a sua enfermidade, com vistas ao autocuidado e à 
prevenção de outras possíveis alterações na sua saúde. 
 
QUESTIONÁRIO PARA A PEDAGOGO 
1. Nome: Eliane 
 
2. A quanto tempo atua em ambiente hospitalar? E o que a motivou a 
trabalhar nessa área? Atuo há 5 anos e a motivação veio através do meu 
filho que possui um grau leve de autismo e no início tive grande dificuldade 
de lidar com as suas diferenças e por isso fiz uma especialização em 
Psicopedagogia. A oportunidade de ingressar nesse espaço apareceu, o 
que era totalmente diferente da rotina em que eu vivia dentro de sala de 
aula e até então impensável, após ter iniciado o trabalho nesse local, 
conclui outra especialização só que dessa vez em Pedagogia Hospitalar. 
 
3. Onde e como você desenvolve as suas funções? 
Em todo o hospital, desde UTI pediátrica, ambulatórios e nos próprios 
leitos. Através do ensino das atividades enviadas pela escola e com as 
crianças que não possuem vínculo escolar, são desenvolvidas atividades 
que estimulem a coordenação motora e outras coisas. 
 
4. Você segue alguma diretriz, projeto político, ou outro projeto? 
Sigo um protocolo desenvolvido por mim. 
 
5. Existe uma relação entre você e a família desses alunos pacientes? 
Qual a importância deles nesse processo? 
Sim, não tem com dissociar os familiares desse processo, acabamos 
trabalhando realmente com o paciente e um pouco com a família. Ainda 
mais que eles ficam aqui acompanhados, então consequentemente são 
estabelecidos vínculos que auxiliam nesse processo já que é como se a 
família toda adoecesse junto e precisasse de ajuda. 
 
6. Quais são as maiores dificuldades encontradas por você na hora de 
realizar o seu trabalho? 
A Resistencia de algumas famílias por verem a criança doente e acharem 
que não tem a necessidade da continuidade do estudo e o fato de 
algumas escolas não colaboraram como deveriam, demorando a enviar 
as atividades e até mesmo nem respondem as solicitações. 
 
7. Como você lida com as peculiaridades dos seus alunos/pacientes? 
O meu trabalho é desenvolvido com base na empatia, então eu respeito 
o momento de cada um e o jeito deles, até porque a criança/adolescente 
quando chega aqui, já vem com uma bagagem, ou seja, um tipo de 
educação e vivência e isso tudo deve ser respeitado para que o trabalho 
dê certo. 
 
8. É desenvolvido algum trabalho com os profissionais da saúde para que 
tenham um olhar mais sensível com essas crianças e seus familiares? 
Sim, aqui no hospital nós desenvolvemos o trabalho de humanização, 
através da psicologia, terapia ocupacional, recreação, serviço social, tudo 
para realmente ajudar não só a dar o tratamento de saúde mais dá suporte 
em toda área. É isso que chamamos de humanização, tudo isso para esse 
paciente e os seus familiares saberem que possuem com quem contar 
nesse momento difícil. 
 
9. Percebe melhorias significativas no estado de saúde deles, causadas 
pela realização do seu trabalho Pedagógico? 
Com certeza, eles se sentem melhor e é como se eles tivessem certeza 
de que esse processo vai passar, que é só uma fase, que logo vão voltar 
para a escola e que a vida deles está lá fora os aguardando. 
 
10. Existe algum tipo de comunicação com o colégio de origem para que o 
processo educacional não seja interrompido e continue seguindo o 
conteúdo programático da escola mesmo em ambiente hospitalar? 
Sim, realizamos a manutenção de vínculo através do contato com a 
instituição de ensino no qual a criança ou adolescente está matriculado, 
solicitando as atividades para que possam ser desenvolvidas nesse 
espaço e depois disso são enviadas de volta para escola. Além de troca 
de informações a respeito desses alunos e do seu desenvolvimento, 
pedindo até mesmo para que eu os avalie. 
 
11. Como você avalia a importância do seu trabalho nesse ambiente? 
É um trabalho muito importante, queria eu que existisse a pedagogia 
hospitalar em todos os hospitais de longa permanência. Porque essas 
crianças e adolescente precisam muito desse olhar, precisam saber que 
a aprendizagem e o desenvolvimento continuam. 
 
QUESTIONÁRIO PARA O FAMILIAR 
1. Nome: Adriana 
 
2. A quanto tempo o seu filho (a) está hospitalizado (a) e recebe 
acompanhamento pedagógico? 
Está em tratamento há 3 anos e desde então recebe o acompanhamento 
pedagógico. 
 
3. O atendimento educacional dado a ele (a) é adaptado para que atenda às 
suas especificidades? 
Sim. 
 
4. Como é a sua relação com os profissionais que atendem oseu filho (a)? 
É ótima, estabelecemos laços de amizades e isso acaba ajudando muito 
nesse processo. 
 
5. Durante esse processo percebeu alguma melhora no estado de saúde 
dele (a) devido aos trabalhos educacionais realizados? 
Sim, ela sempre fica muito feliz quando a Tia Elaine vai ao leito ensinar 
as atividades enviadas pela escola ou até mesmo as propostas por ela 
como pintura em tela e até mesmo as brincadeiras. 
 
6. Como você avalia esse atendimento e a sua importância? 
Excelente e é muito importante porque faz toda a diferença. 
 
QUESTIONÁRIO EX-ALUNA PACIENTE 
 
1. Nome: Daiane 
 
2. Quantos anos tinha quando foi hospitalizada e quanto tempo durou a sua 
internação? 
Eu tinha 9 anos e fiquei internada durante quase 2 meses. 
 
3. Como o seu atendimento pedagógico era feito? 
Eram realizadas apenas brincadeiras e jogos no espaço da 
brinquedoteca, já que ele funcionava até as 16 horas e poderia ser 
visitado diversas vezes. 
 
4. Quanto as suas limitações, elas eram respeitadas na hora da realização 
dessas práticas? 
Quando eu me sentia bem, ia sozinha para a brinquedoteca, mais na volta 
para o leito sempre era acompanhada por uma enfermeira. 
 
5. Existia algum tipo de comunicação entre a escola e o hospital de forma 
pedagógica na continuidade dos seus estudos? 
A professora que fazia os meus atendimentos na brinquedoteca também 
trabalhava no colégio Rubens Paiva, no qual eu estudava, mais nunca 
passou trabalhos, só realizava brincadeiras. Como fiquei internada de 
outubro a dezembro de 2003 não sei se as atividades de cunho 
pedagógico acompanhavam o cronograma do ano letivo escolar. 
 
6. Como era a sua relação com todos os profissionais que te assistiam 
durante o seu tratamento? 
Com a professora a minha relação era boa, já que ela era muito simpática 
comigo. Quanto aos médicos, eu tinha mais afinidade com os que não 
eram meus, mais acompanhavam o meu caso, já que médica que era 
responsável por mim quase não ia me ver. Eu tinha uma relação mais 
próxima com uma enfermeira (Tia Fernanda) que eu amava, porque ela 
me tratava muito bem, na verdade a todas as crianças e inclusive veio me 
visitar em casa após a minha alta. 
 
7. Algum profissional atuante nesse contexto te ajudou a amenizar o seu 
processo de internação e te motivou a dar continuidade ao seu 
tratamento? 
Estabeleci laços de carinho e amizade com a enfermeira, que eu chamava 
de Tia Fernanda, mas não atribuiria a ela a continuidade do tratamento, 
porém era mais alegre quando ela estava no turno, pois inventava 
brincadeiras e comprava presentes do próprio bolso. 
 
 
 
 
4 CONCLUSÃO 
O Trabalho teve como finalidade, evidenciar a importância do pedagogo 
em um ambiente informal de ensino, no caso os hospitais e de que forma as suas 
contribuições pedagógicas com o auxílio de suas habilidades de agente 
articulador, mediador, formador e transformador são necessárias nesse 
processo. Já que esse profissional lida com crianças e adolescentes em situação 
de internação, num ambiente atípico para a realização de atividades 
educacionais, o que acaba dificultando um pouco a realização do seu trabalho, 
já que se depara com algumas limitações durante esse processo e é aí que as 
suas habilidades se mostram importante. 
Além de ser o principal articulador de todo o processo educacional desses 
alunos-paciente, o pedagogo nesse contexto é um representante do Estado e 
por isso fica responsável por garantir que todos tenham acesso à educação 
independe das suas limitações causadas pelo seu estado de saúde e tratamento. 
Por isso, tudo deve ser pensado para que atenda a demanda dessas crianças e 
adolescente já que são direitos garantidos e respaldados pela Constituição 
Federal e o Estatuto da Criança e do Adolescente. Com isso, o pedagogo deve 
ter em mente que é sua obrigação fazer com que esses direitos sejam cumpridos 
e respeitados além de promover à vida, a saúde e a educação nesse espaço. 
Quando ele respeita esse tripé de preservação à vida, a saúde e a educação, 
passa a entender o significado de humanizar e a necessidade dessa prática 
nesse ambiente tão triste e necessitado de um olhar mais sensível, passa a ver 
esses alunos-pacientes e seus familiares como pessoas que precisam de 
assistência no sentido mais amplo dá palavra, já se que encontram fragilizados 
pela situação na qual estão vivenciando. Em razão disso, o estabelecimento de 
laços mais próximos entre os profissionais atuantes nesse espaço, com alunos-
pacientes e seus familiares deve ser realizado e estimulado, como forma de 
amenizar os estragos emocionais e físicos causados em ambos, tornando esse 
processo menos doloroso. 
Dessa forma, vemos como esse profissional se faz tão necessário nesse 
contexto, já que o seu trabalho promove não só a continuidade do processo 
educacional dessas crianças e adolescentes hospitalizado, mais também os 
motiva a dar continuidade ao seu tratamento e aos seus estudos após a alta 
médica, já que durante todo esse processo receberam a assistência necessária 
para que não houvesse nenhum atraso no seu processo educacional e 
consequentemente a não evasão escolar. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
5 REFERÊNCIAS 
 
 
LIMA, Antonio Jose Araujo; SILVA, Ronaldo Silva Júnior. O Pedagogo 
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MATOS, Elizete Lúcia Moreira; MUGIATTI, Margarida Teixeira 
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MENEZES, Cinthya Vernizi Adachi. O Papel do Pedagogo no ambiente 
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