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CENTRO UNIVERSITÁRIO CATÓLICA DO LESTE DE MINAS GERAIS 
MEDICINA VETERINÁRIA 
 
 
 
 
 
 
Maria Eduarda Melo de 
Carvalho 
 
 
Rebeca Santos Cabidelli 
Nunes 
 
 
Maria Carolina Drummond 
Vianna 
 
 
Glauco César Martins 
Ferreira 
 
 
 
 
 
 
 
MALÁRIA 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CORONEL FABRICIANO 
MG - 2024/2 
INTRODUÇÃO 
 
A malária é um problema grave de saúde pública em todo o mundo, 
sendo uma doença infecciosa causada por protozoários do gênero Plasmodium 
e transmitida ao ser humano por fêmeas de mosquitos Anopheles. Essa 
infecção provoca febre, entre outros sintomas. Quatro espécies de plasmódio 
podem causá-la: P. falciparum, P. vivax, P. malariae e P. ovale (esta última, 
transmitida naturalmente apenas na África). 
Conhecida também como impaludismo, febre palustre, maleita e sezão, a 
malária é uma doença parasitária antiga que continua a afetar muitas partes do 
mundo, apesar das ações de controle. Segundo a Organização Mundial da 
Saúde (OMS), em 2009, seu impacto nas populações aumentava, com 
presença em mais de 90 países e colocando em risco cerca de 40% da 
população mundial. Estimava-se entre 300 e 500 milhões de novos casos por 
ano, com aproximadamente um milhão de mortes. A doença é também um 
risco significativo para viajantes e migrantes, com ocorrências em áreas onde 
não é endêmica. 
A OMS recomenda que o diagnóstico e tratamento rápidos sejam 
elementos essenciais em qualquer programa de controle. No Brasil, a maioria 
dos casos ocorre na região Amazônica, onde as condições ambientais e 
socioculturais favorecem a transmissão. Em 2003, foram registrados 407.691 
casos na Amazônia Legal, abrangendo nove estados: Amazonas, Acre, Amapá, 
Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins. Amazonas, 
Rondônia e Pará se destacaram pela intensidade da transmissão, respondendo 
por 50% dos casos de malária, com uma alta incidência. As infecções por P. 
vivax (79%) superaram as de P. falciparum (21%). 
Desde 1993, o Brasil adota a Estratégia Global de Controle Integrado da 
Malária, como recomendado pela Conferência Ministerial de Amsterdã, com o 
objetivo de reduzir a morbidade e mortalidade, fortalecendo os níveis regionais 
e locais de saúde. O diagnóstico precoce e o tratamento eficaz devem ser 
realizados por profissionais treinados na rede de saúde, pública e privada, de 
forma que cada unidade funcione como ponto de vigilância e atendimento à 
malária. 
A malária em animais é uma doença parasitária causada também pelo 
protozoários do gênero Plasmodium, que afeta principalmente aves, répteis e 
alguns mamíferos. Embora a malária seja mais conhecida por sua incidência 
em humanos, ela também pode acometer diversas espécies animais, causando 
sintomas variados e, em alguns casos, graves. A transmissão ocorre através da 
picada de mosquitos infectados, que introduzem os parasitas na corrente 
sanguínea do hospedeiro. Esses parasitas então se multiplicam nos glóbulos 
vermelhos, levando a uma série de complicações de saúde. 
 
AGENTE ETIOLÓGICO 
 
O agente etiológico da malária é o parasita do gênero Plasmodium. 
Existem cinco espécies principais que causam a malária: 
 
1. Plasmodium falciparum 
 - Reino: Protista 
 - Filo: Apicomplexa 
 - Classe: Aconoidasida 
 - Ordem: Haemosporida 
 - Família: Plasmodiidae 
 - Gênero: Plasmodium 
 - Espécie: Plasmodium falciparum 
 
2. Plasmodium vivax 
 - Reino: Protista 
 - Filo: Apicomplexa 
 - Classe: Aconoidasida 
 - Ordem: Haemosporida 
 - Família: Plasmodiidae 
 - Gênero: Plasmodium 
 - Espécie: Plasmodium vivax 
 
3. Plasmodium malariae 
 - Reino: Protista 
 - Filo: Apicomplexa 
 - Classe: Aconoidasida 
 - Ordem: Haemosporida 
 - Família: Plasmodiidae 
 - Gênero: Plasmodium 
 - Espécie: Plasmodium malariae 
 
4. Plasmodium ovale 
 - Reino: Protista 
 - Filo: Apicomplexa 
 - Classe: Aconoidasida 
 - Ordem: Haemosporida 
 - Família: Plasmodiidae 
 - Gênero: Plasmodium 
 - Espécie: Plasmodium ovale 
 
5. Plasmodium knowlesi (principalmente em macacos, mas pode infectar 
humanos) 
 - Reino: Protista 
 - Filo: Apicomplexa 
 - Classe: Aconoidasida 
 - Ordem: Haemosporida 
 - Família: Plasmodiidae 
 - Gênero: Plasmodium 
 - Espécie: Plasmodium knowlesi 
 
Esses parasitas têm um ciclo de vida complexo que envolve duas fases: 
uma no mosquito (hospedeiro definitivo) e outra no ser humano (hospedeiro 
intermediário). O Plasmodium falciparum é o mais perigoso, responsável pela 
maioria das mortes causadas pela malária, enquanto o Plasmodium vivax é o 
mais amplamente distribuído. 
 
FORMAS DE TRANSMISSÃO 
 
A fisiopatologia da malária envolve diversas interações entre o parasita 
Plasmodium e o hospedeiro humano. A infecção tem início com a inoculação 
dos esporozoítos na corrente sanguínea pela picada do mosquito vetor 
infectado, geralmente do gênero Anopheles. Esses esporozoítos migram para o 
fígado, onde se reproduzem assexuadamente e invadem os hepatócitos, dando 
início à fase hepática do ciclo do parasita. 
Posteriormente, os parasitas liberados dos hepatócitos infectam os 
glóbulos vermelhos, iniciando o ciclo eritrocitário da malária. Dentro dos 
eritrócitos, os parasitas se multiplicam rapidamente e causam a sua lise, 
liberando merozoítos. na corrente sanguínea. Esses merozoítos infectam novos 
glóbulos vermelhos, reiniciando o ciclo. 
A transmissão se da principalmente pela picada da fêmea do mosquito do 
gênero Anopheles, mas pode ser transmitida também por transfusão 
sanguínea, compartilhamento de seringas e agulhas e de forma congênita. A 
malária não pode ser transmitida pela água. Os locais preferenciais escolhidos 
pelos mosquitos transmissores da malária para colocar seus ovos (criadouros) 
são coleções de água limpa, sombreada e de baixo fluxo, muito frequentes na 
Amazônia Brasileira. 
A malária falciparum tem um período de incubação de 1 a 3 semanas 
(média de 12 dias), sendo também a forma mais grave da doença, pois leva um 
maior número de doentes à morte. A malária vivax, também conhecida como 
“terçã” benigna, pois é caracterizada pela intermitência dos ataques 
paroxísticos da doença provenientes da infecção eritrocítica que ocorrem a 
cada 3 dias, é a forma de malária mais freqüente no Brasil, tendo um período 
de incubação de 1 a 4 semanas (média de 2 semanas). 
 A malária malariae é a forma “quartã” da doença, com intermitência a 
cada 4 dias e um período de incubação de 2 a 4 semanas (média de 3 
semanas). Além dos sintomas gerais, esta forma da doença pode também 
causar nefrites. A malária ovale, que tem um período de incubação de 9 a 18 
dias (média de 14 dias), é basicamente uma forma terçã da doença, que ocorre 
quase exclusivamente na África. 
O mais agressivo é o P. falciparum, que se multiplica rapidamente na 
corrente sanguínea, destruindo de 2% a 25% do total de hemácias (glóbulos 
vermelhos) e provocando um quadro de anemia grave, além de pequenos 
coágulos que podem gerar problemas como tromboses e embolias em diversos 
órgãos do corpo. Por isso, a malária por P. falciparum é considerada uma 
emergência médica e o seu tratamento deve ser iniciado nas primeiras 24h do 
início da febre. Já o P. Vivax, de modo geral, causa um tipo de malária mais 
branda, que não atinge mais do que 1% das hemácias. 
A doença provocada pela espécie P. malariae possui quadro clínico bem 
semelhante ao da malária causada pelo P. vivax. É possível que a pessoa 
acometida por este parasita tenha recaídas a longo prazo, podendo 
desenvolver a doença novamente anos mais tarde. Não há transmissão direta 
da doença de pessoa a pessoa. 
A malária causa a redução da capacidade de levar oxigênio a todos os 
tecidos do corpo. O fígado é especialmente prejudicado. Nas pessoas, a 
manifestação clínica típica é caracterizada por febre precedida de calafrios, 
sudorese, fraqueza e cefaleia(justamente quando as diversas formas do 
parasito estão circulando no sangue), que ocorrem em padrões cíclicos (a cada 
48 ou 72 horas), dependendo da espécie do parasito infectante. 
 
SINAIS CLÍNICOS 
 
Sinais Clínicos em Humanos: 
Após a picada do mosquito transmissor, o parasita permanece incubado 
no corpo do indivíduo infectado por pelo menos uma semana. A seguir, surge 
um quadro clínico variável, que inclui calafrios, febre alta, sudorese e dor de 
cabeça. Podem ocorrer também dor muscular, taquicardia, aumento do baço e, 
por vezes, delírios. 
No caso de infecção pelo protozoário P. falciparum, também existe uma 
chance de se desenvolver o que se chama de malária cerebral, responsável 
por cerca de 80% dos casos letais da doença. Na malária cerebral, além da 
febre, pode aparecer dor de cabeça, ligeira rigidez na nuca, perturbações 
sensoriais, desorientação, sonolência ou excitação, convulsões, vômitos, 
podendo o paciente chegar ao coma. 
Se o agente causador da malária for da espécie P. vivax os sintomas 
incluem mal-estar, calafrios, febre inicialmente diária (com o tempo, a febre 
apresenta um padrão de intervalo a cada dois dias), seguida de suor intenso e 
prostração. O quadro clínico da infecção por P. malariae é bem semelhante, 
mas geralmente com febre mais baixa que se repete a cada três dias. 
A relação hospedeiro (vulnerabilidade) e Plasmodium spp (espécie 
infectante e densidade parasitária) pode ser determinante para indicar a 
gravidade da malária. Os grupos de maiores riscos são indivíduos 
imunossuprimidos, gestantes e crianças. As gestantes, as crianças e as 
pessoas infectadas pela primeira vez estão sujeitas a maior gravidade da 
doença, principalmente por infecções pelo P. falciparum, que, se não tratadas 
adequadamente e em tempo hábil, podem ser letais. 
A anemia é uma das complicações mais frequentes da malária, que 
ocorre por consequência direta ou indireta da destruição dos eritrócitos pelo 
Plasmodium. Especialmente em gestante e crianças o quadro de anemia pode 
se apresentar de maneira mais grave uma vez que os índices de hemoglobina 
geralmente apresentam-se mais baixos que em um adulto normal. A anemia 
causada pelo P. falciparum se desenvolve 48 horas após o início da febre. 
Além da anemia, ocorre também a trombocitopenia, que não é 
considerado um biomarcador para a gravidade da malária. A supressão da 
medula óssea, destruição das plaquetas por anticorpos, fagocitose de 
plaquetas, adesão ao endotélio ativado e interações com eritrócitos parasitados 
e leucócitos levando ao sequestro destes agregados são fatores que levam a 
redução destas na circulação. 
 
Sinais Clínicos em Animais: 
Estudos recentes mostraram que as espécies de Plasmodium que 
infectam primatas, como P. brasilianum e P. simium, são geneticamente 
similares a P. malariae e P. vivax de humanos, respectivamente. Essa 
similaridade levou alguns pesquisadores a concluírem que estas espécies 
podem infectar tanto humanos quanto macacos e, neste caso, os macacos 
manteriam a malária na natureza. Em razão disso, a vigilância da infecção em 
primatas foi sugerida como de alta importância para os programas de controle 
da malária. Pouco se sabe sobre o impacto da malária nos macacos do novo 
mundo. 
Em geral, o parasito não causa sintomas clínicos graves, no entanto, 
podem ser debilitantes e o estresse pode desencadear a doença. Uma leve 
anemia pode estar associada ao número pequeno de parasitos em alguns 
indivíduos, mas não há alterações clínicas aparentes. 
 Os sinais clínicos relatados em primatas com malária consistem em 
irritabilidade, febre cíclica, depressão, perda de apetite e de peso. Apesar deste 
pouco impacto aparente nos primatas, este parasito tem importância para a 
saúde pública, uma vez que são sentinelas para a malária humana. 
 
Roedores - histórico murino 
A história da malária murina começou com a descoberta de esporozoítos 
nas glândulas salivares de mosquitos Anopheles dureni millecampsi, que se 
alimentam basicamente em roedores. 
Na floresta da província de Catanga, no antigo Congo Belga, agora 
República Democrática do Congo. Pouco tempo depois descobriu-se o 
hospedeiro vertebrado, Grammomys surdaster e, por meio de inoculações em 
ratos de laboratório, o parasita foi isolado e denominado Plasmodium berghei. 
A segunda espécie foi isolada do mesmo inseto vetor e denominado 
Plasmodium vinckei demonstrou três hospedeiros naturais: Grammomys 
surdaster, Praomys jacksoni e Legada bella, por inoculação do sangue de 
vários roedores silvestres. 
Em 1965 foi descrito um novo roedor hospedeiro (Thamnomys rutilans) na 
República Centro Africana e uma nova espécie de parasita (Plasmodium 
chabaudi. Um ano depois, foi descrito um outro Plasmodium que acreditou-se 
ser uma subespécie do P. berghei, denominada de P. berghei yoelii. 
Existem alguns relatos de espécies de Plasmodium infectando outros 
mamíferos que não primatas ou roedores murinos. São conhecidos como 
hospedeiros o porco espinho africano, morcegos, esquilos e ungulados. 
 
DIAGNÓSTICO 
 
A crise aguda da malária caracteriza-se por episódios de calafrios, febre e 
sudorese. Têm duração variável de 6 a 12 horas e pode cursar com 
temperatura igual ou superior a 40ºC. A recomendação da Organização 
Mundial da Saúde (OMS) é que o diagnóstico dos pacientes com suspeita de 
malária se dê por meio de exames parasitológicos por microscopia ou de testes 
rápidos de diagnósticos. 
Existem quatro formas para confirmar o diagnóstico: o exame de lâmina, 
teste rápido para malária, técnicas moleculares e esfregaço delgado. 
 
 Esfregaço Delgado 
Possui baixa sensibilidade (estima-se que a gota espessa é cerca de 30 
vezes mais eficaz na detecção da infecção malárica). Porém, este método 
permite, com mais facilidade, a diferenciação específica dos parasitos a partir 
da análise de sua morfologia e das alterações provocadas no eritrócito 
infectado. 
 
 
Exame de Esfregaço delgado para análise de presença do Protozoário Plasmódium sp. 
 Exame de Lâmina 
O exame de lâmina é também chamado de gota espessa (grossa). Nesse 
exame, é feito um pequeno furo na ponta de um dos dedos do paciente para 
obter uma gota de sangue. A gota é analisada em microscópio em busca da 
presença do protozoário. 
 
 
 
 
Exame de Lâmina, também chamado de gota espessa. 
 
 Teste Rápido 
Já o teste rápido, é um exame de diagnóstico rápido que detecta 
proteínas liberadas pelos parasitos da malária (protozoário Plasmodium) no 
sangue do paciente. 
Testes rápidos para a detecção de componentes antigênicos de 
plasmódio – testes imunocromatográficos são métodos de diagnóstico rápido 
de malária. São realizados em fitas de nitrocelulose contendo anticorpo 
monoclonal contra antígenos específicos do parasito. Em parasitemia superior 
a 100 parasitos/μl, podem apresentar sensibilidade de 95% ou mais quando 
comparados à gota espessa. 
 Grande parte dos testes hoje disponíveis discrimina, especificamente, 
o Plasmodium falciparum das demais espécies. Por sua praticidade e facilidade 
de realização, são úteis para a confirmação diagnóstica. Os TDRs devem ser 
utilizados para ampliação da rede diagnóstica local e priorizado em situações 
em que não é possível a realização do exame da gota espessa. 
A principal causa de morte por malária é o diagnóstico tardio e a falta de 
profissionais familiarizados com o quadro da doença fora da região endêmica. 
No Brasil, por exemplo, ocorrem cem vezes mais óbitos nas áreas fora da 
Região Amazônica do que na região endêmica propriamente. 
Por isso, é importante que pessoas com suspeita de malária que residam 
fora da região endêmica procurem um serviço especializado no diagnóstico e 
tratamento da malária, como é o caso do Instituto Nacional de 
Infectologia (INI/Fiocruz), no Rio de Janeiro, que oferece plantão 24h, durante 
os sete dias da semana.Teste rápido de antígeno para Malária. 
 
 Técnicas moleculares 
O diagnóstico molecular para malária começou a ser testado em meados 
dos anos 80 e tem mostrado grande progresso para aprimoramento e 
simplificação das técnicas de extração do DNA. As técnicas moleculares mais 
utilizadas para o diagnóstico da malária são o Nested PCR ou PCR 
convencional e o PCR em tempo real. 
No entanto, em virtude do custo elevado, da necessidade de infraestrutura 
e mão de obra especializada seu uso ainda é restrito a laboratórios de 
referência. Estudos têm demonstrado que técnicas de PCR são mais sensíveis 
e específicas quando comparadas às técnicas microscópicas e ao teste 
imunocromatográfico, portanto com capacidade de detecção do parasito em 
pacientes com baixa parasitemia. 
O PNCM, baseado em estudos realizados no Brasil e em vários países do 
mundo, considera que pacientes com PCR positivo para malária, mesmo 
assintomáticos, podem infectar mosquitos e /ou se tornar sintomáticos, sendo 
assim devem ser tratados quando o diagnóstico for realizado unicamente por 
essa técnica molecular. Para essa situação, o item 3 (técnicas moleculares) 
disponível no campo 43 (tipo de exame) da ficha de notificação do Sivep-
Malária deve ser marcado. 
 
 Criotubo e Aparelho de análise de PCR. 
 
 Diagnóstico Diferencial 
O diagnóstico diferencial da malária é feito com a febre tifoide, covid-
19, dengue, febre amarela, leptospirose, hepatite infecciosa, leishmaniose 
visceral, doença de Chagas aguda, febres hemorrágicas e outros processos 
febris. Na fase inicial, principalmente na criança, a malária confunde-se com 
outras doenças infecciosas dos tratos respiratório, urinário e digestivo, quer de 
etiologia viral ou bacteriana. 
 No período de febre intermitente, as principais doenças que se 
confundem com a malária são as infecções urinárias, tuberculose miliar, 
salmoneloses septicêmicas, leishmaniose visceral, endocardite bacteriana e as 
leucoses. Todas apresentam febre e, em geral, esplenomegalia. Algumas delas 
apresentam anemia e hepatomegalia. 
Desta maneira, a malária não pode ser diagnosticada pela sintomatologia. 
Apenas o diagnóstico laboratorial confirma ou descarta a malária. 
 
TRATAMENTO RECOMENDADO PELO MANUAL 
 
O tratamento da malária é uma prioridade na saúde pública, com três 
objetivos principais: interromper a esquizogonia sanguínea, eliminar as formas 
latentes do parasita e bloquear a transmissão da doença. A esquizogonia 
sanguínea é a fase do ciclo do parasita que causa a patogenicidade e as 
manifestações clínicas da infecção. Para Plasmodium vivax e P. ovale, que 
possuem hipnozoítos – formas dormentes do parasita no fígado – é 
fundamental tratar tanto as formas sanguíneas quanto as hepáticas para evitar 
recaídas. O combate aos gametócitos, que são responsáveis pela transmissão 
para os vetores, é essencial para interromper a propagação da doença. 
No Brasil, o Ministério da Saúde implementa políticas públicas específicas 
para o controle da malária, oferecendo gratuitamente recursos diagnósticos e 
terapêuticos. Esses recursos são geridos por programas estratégicos que 
seguem normas rigorosas, garantindo que os medicamentos antimaláricos não 
estejam disponíveis em farmácias privadas e, assim, evitando a 
automedicação. 
A prescrição e dispensação dos medicamentos antimaláricos devem ser 
realizadas com base em resultados laboratoriais confirmatórios. Além dos 
médicos, outros profissionais de saúde têm permissão para manejar casos de 
malária, desde que respeitem os protocolos estabelecidos pelo Sistema Único 
https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/f/febre-tifoide
https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/covid-19
https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/covid-19
https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/d/dengue
https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/f/febre-amarela
https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/l/leptospirose
https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/h/hepatites-virais
https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/l/leishmaniose-visceral
https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/l/leishmaniose-visceral
https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/d/doenca-de-chagas
de Saúde (SUS). As doses dos medicamentos devem ser ajustadas ao peso do 
paciente sempre que possível, o que aumenta a eficácia e a segurança do 
tratamento. É importante destacar que os antimaláricos não estão disponíveis 
na forma de xarope, e a partição de comprimidos deve ser evitada para não 
ocorrer subdosagem. 
Os profissionais de saúde devem orientar adequadamente os pacientes 
sobre o tipo de medicamento, a forma de ingeri-los e a importância de 
completar o tratamento. A medicação deve ser ingerida no mesmo horário, 
preferencialmente após uma refeição, e as orientações devem incluir o que 
fazer em caso de vômitos. Além disso, a colaboração com a Estratégia de 
Saúde da Família é fundamental, especialmente em populações vulneráveis, 
como crianças, gestantes e idosos. 
O armazenamento adequado dos medicamentos é crucial para garantir 
sua eficácia. As condições de estoque, como temperatura e ambientes 
controlados, devem ser mantidas desde a produção até a entrega ao paciente, 
assegurando a qualidade dos fármacos e prevenindo problemas de saúde 
associados ao armazenamento inadequado. 
 
 Esquemas Recomendados para Malária Não Complicada 
Entre as espécies de Plasmodium que afetam os humanos, apenas P. 
vivax e P. ovale têm hipnozoítos, que podem levar a múltiplos episódios de 
malária a partir de uma única picada de mosquito infectado. O tratamento para 
essas espécies visa a cura radical, ou seja, eliminar tanto a forma sanguínea 
quanto a hepática, prevenindo recrudescências e recaídas. Para isso, utiliza-se 
a combinação de dois medicamentos: cloroquina e primaquina. 
O esquema recomendado para o tratamento de P. vivax e P. ovale é 
iniciar com cloroquina por três dias (10 mg/kg no dia 1 e 7,5 mg/kg nos dias 2 e 
3). Para a cura radical, a primaquina deve ser administrada na dose de 0,5 
mg/kg/dia por sete dias. Este protocolo é preferido no Brasil para melhorar a 
adesão ao tratamento, já que a alternativa de 0,25 mg/kg por 14 dias não 
demonstrou superioridade. 
A primaquina também tem um efeito sinérgico com a cloroquina contra as 
formas assexuadas do parasita. Quando a primaquina não é utilizada, o 
clareamento da parasitemia se torna mais lento, aumentando a chance de 
recrudescência, que geralmente ocorre dentro de 42 dias após o início do 
tratamento. Por isso, recomenda-se que gestantes em tratamento com 
cloroquina recebam profilaxia para prevenir recaídas, já que não podem usar 
primaquina. 
Além disso, a dose de primaquina deve ser corrigida de acordo com o 
peso do paciente, pois sua distribuição ocorre em todos os tecidos, ao contrário 
da cloroquina. Pacientes acima do peso podem ter mais recaídas se forem 
tratadas com doses habituais de primaquina em comparação a pacientes mais 
magros. Para crianças menores de 6 meses, recomenda-se o uso de terapias 
combinadas à base de artemisinina (ACT), já que não podem receber 
primaquina. 
 
 Tratamento de Gestantes e Crianças 
Gestantes e crianças com menos de 6 meses de idade não podem usar 
primaquina devido ao risco potencial de hemólise. Para infecções por P. vivax 
ou P. ovale, as gestantes devem utilizar o tratamento com cloroquina por três 
dias, seguido pela profilaxia com cloroquina (5 mg/kg/dose, até o máximo de 
dois comprimidos) semanalmente até um mês de aleitamento para prevenir 
recaídas. É crucial monitorar a gestante quanto à presença de atividade uterina 
e/ou sangramento vaginal. Caso haja qualquer alteração, a gestante deve ser 
encaminhada com urgência para atendimento especializado. 
 
 Tratamento para Recorrência entre 5 e 60 Dias 
Quando um paciente apresenta malária por P. vivaxentre o 5º e o 60º dia 
após o início do tratamento, pode ter ocorrido falha tanto da cloroquina quanto 
da primaquina. Nesses casos, o ideal é adotar um novo esquema terapêutico 
que seja mais eficaz. O tratamento recomendado é o uso de 
artemeter/lumefantrina ou artesunato/mefloquina durante três dias, associado à 
primaquina (0,5 mg/kg/dia) por 14 dias, um esquema que apresenta maior 
eficácia na ação anti-hipnozoítos. Novamente, a dose deve sempre considerar 
o peso do paciente para assegurar a eficácia. 
 
 Tratamento de Pacientes com Deficiência de G6PD 
Pacientes com deficiência de G6PD, que é mais comum em homens e 
afeta cerca de 5% da população da Amazônia brasileira, devem ser tratados 
com cautela. Essa condição, ligada ao cromossomo X, geralmente não 
apresenta sintomas ao longo da vida, exceto quando se faz uso de 
medicamentos como a primaquina. O uso inadequado da primaquina em 
indivíduos com deficiência mais grave pode levar a complicações severas e até 
a morte. 
Se houver disponibilidade, um teste para detecção de deficiência de 
G6PD deve ser realizado antes do tratamento. Pacientes com atividade 
enzimática abaixo de 30% devem receber primaquina com dose semanal de 
0,75 mg/kg por oito semanas, sob supervisão médica em áreas com acesso a 
cuidados de saúde terciários. A primaquina deve ser iniciada no dia 4 após o 
tratamento com cloroquina (dias 1 a 3). 
Na ausência de teste, é fundamental que o paciente monitore qualquer 
manifestação clínica de hemólise durante o tratamento. Se surgirem sintomas 
ou houver suspeita de deficiência de G6PD, a primaquina deve ser 
interrompida imediatamente, e o paciente deve ser encaminhado para 
avaliação médica, visto que o quadro pode ser fatal e confundir-se com outras 
síndromes ictéricas, como hepatite. Após a estabilização do paciente, o regime 
de primaquina semanal deve ser iniciado para prevenir recaídas, sempre com 
acompanhamento médico. 
 
 Importantes Lembretes 
- Crianças menores de 10 kg não devem receber cloroquina em 
comprimidos fracionados; a escolha deve ser entre artemeter/lumefantrina ou 
artesunato/mefloquina; 
- Gestantes, puérperas até um mês de lactação e crianças menores de 6 
meses não podem usar primaquina nem tafenoquina; 
- Pessoas com suspeita ou confirmação de deficiência de G6PD 
(atividade abaixo de 30%) devem utilizar primaquina na dose semanal (0,75 
mg/dose) por 8 semanas, com acompanhamento médico; 
- Gestantes com infecções por P. vivax ou P. ovale devem utilizar o 
tratamento convencional com cloroquina por três dias e cloroquina profilática (5 
mg/kg/dose/semana) até o fim do primeiro mês de lactação para prevenir 
recaídas; 
- A adesão ao tratamento é crucial, mesmo que os sintomas desapareçam 
após o terceiro dia, pois muitos pacientes interrompem o uso da primaquina 
prematuramente. 
 
 Tratamento da Malária: Esquemas para Diferentes Espécies e 
Condições 
O tratamento da malária varia conforme a espécie do Plasmodium 
envolvida e as condições do paciente. 
 
 Malária por P. malariae 
O tratamento para Plasmodium malariae é semelhante ao da malária por 
P. vivax, consistindo na administração de cloroquina por três dias, sem a 
necessidade de primaquina. 
 
Malária por P. falciparum e Infecções Mistas 
A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda uma terapia 
combinada com derivados de artemisinina (ACT) para o tratamento de P. 
falciparum. As opções incluem artemeter/lumefantrina ou 
artesunato/mefloquina, ambas consideradas eficazes e seguras. A combinação 
artesunato/mefloquina é preferida por permitir uma administração diária e ter 
um perfil de efeitos colaterais mais favorável, além de facilitar a administração 
para crianças, já que o comprimido se degrada em água. 
Embora não haja evidências robustas sobre o uso de ACT em gestantes 
no primeiro trimestre e em crianças com menos de 6 meses, essa abordagem 
demonstrou reduzir a morbidade e mortalidade. O ACT deve ser usado durante 
toda a gestação, monitorando a saúde da mãe e do bebê. A primaquina, em 
baixa dose (0,5 mg/kg), deve ser administrada no primeiro dia do tratamento 
para eliminar gametócitos e interromper a transmissão, exceto em gestantes e 
crianças menores de 6 meses. 
 
Tratamento de Infecções Mistas 
Para pacientes com infecções mistas por P. falciparum e P. vivax (ou P. 
ovale), o tratamento deve incluir artemeter/lumefantrina ou 
artesunato/mefloquina, associado à primaquina por sete dias para tratar a 
forma hepática do P. vivax. Gestantes e crianças menores de 6 meses devem 
receber apenas o ACT, com cloroquina profilática semanal para gestantes 
durante a amamentação. 
 
 Recorrência por P. falciparum 
Em casos de falha de tratamento com artemeter/lumefantrina, recomenda-
se o uso de artesunato/mefloquina, e vice-versa, se a falha ocorrer após 42 
dias. Se a parasitemia persistir, mesmo que assintomática, é fundamental 
notificar as autoridades de saúde devido ao risco de resistência à artemisinina. 
 
Tratamento da Malária Complicada 
A malária complicada, que geralmente ocorre em infecções por P. 
falciparum, requer tratamento de emergência em unidade hospitalar. O 
tratamento deve ser iniciado rapidamente para aumentar as chances de 
recuperação. O artesunato intravenoso ou intramuscular é o antimalárico de 
escolha, devendo ser administrado por pelo menos 24 horas até que o paciente 
possa tomar medicação oral. 
Crianças com menos de 20 kg devem receber doses mais altas para 
garantir a eficácia do tratamento. Caso o artesunato não esteja disponível, 
deve-se utilizar qualquer ACT disponível até que a medicação injetável possa 
ser administrada. Alternativamente, clindamicina IV pode ser usada, embora 
sua ação seja mais lenta. 
 
Importância do Monitoramento 
Durante o tratamento, é crucial monitorar a condição clínica do paciente, 
especialmente gestantes e crianças, quanto à presença de sinais de gravidade 
e possíveis complicações. O manejo adequado e a rápida administração de 
medicamentos podem reduzir significativamente a mortalidade associada à 
malária. Um acompanhamento próximo da evolução clínica do paciente, junto 
com a educação sobre a importância da adesão ao tratamento, pode ter um 
impacto positivo no controle da malária e na saúde pública em geral. 
 
VACINAÇÃO 
 
Em 6 de outubro de 2021, a Organização Mundial da Saúde (OMS) fez 
uma recomendação histórica para a adoção de vacinas contra a malária, 
especificamente voltadas para crianças em regiões com alta incidência da 
doença, como a África Subsaariana. Esta recomendação é resultado de mais 
de 50 anos de pesquisa dedicada à busca de uma forma eficaz de imunização 
contra a malária, que, anualmente, causa cerca de 410 mil mortes, das quais 
260 mil são de crianças com menos de 5 anos. Quase 95% dessas mortes 
ocorrem na África. 
A vacina recomendada, conhecida como RTS,S/AS01 (comercialmente 
chamada de Mosquirix), é projetada para combater o parasita Plasmodium 
falciparum, responsável pela forma mais letal da malária e a mais prevalente no 
continente africano. Desde 2019, a vacina foi testada em um programa-piloto 
que alcançou mais de 800 mil crianças em Gana, Quênia e Malauí. O esquema 
de imunização consiste em quatro doses: a primeira aos 5 meses, a segunda 
aos 8 meses, a terceira aos 11 meses e uma dose de reforço aos 18 meses. 
Em 2023, a OMS também recomendou uma segunda vacina, a 
R21/Matrix-M, desenvolvida pela Universidade de Oxford, que também atua 
contra P. falciparum. Ambas as vacinas mostraram eficácia significativa, com 
estudos anteriores indicando uma redução de 13% na mortalidade infantil e 
uma diminuição significativa nas hospitalizações por casos graves de malária. 
Embora as vacinas tenham um papel crucial na redução da malária, sua 
aplicação é limitada em países como o Brasil, onde a espécie Plasmodium 
vivax é predominante. Este parasita é responsável pela maioria doscasos de 
malária nas Américas e na Ásia. As duas vacinas aprovadas pela OMS são 
mais eficazes contra P. falciparum, tornando a pesquisa por uma vacina 
específica contra P. vivax ainda mais relevante. 
No Brasil, pesquisadores estão avançando na criação de uma vacina 
contra P. vivax. A equipe liderada pela professora Irene Soares, da 
Universidade de São Paulo (USP), está colaborando com o Centro de 
Tecnologia de Vacinas (CT-Vacinas) da Universidade Federal de Minas Gerais 
(UFMG) e com grupos internacionais. A nova vacina será baseada em uma 
proteína específica do P. vivax e pretende oferecer proteção contra três 
variantes genéticas desse parasita. A previsão otimista é que ensaios clínicos 
com humanos possam ser iniciados em breve. 
Além das vacinas, o combate à malária também envolve medidas de 
prevenção, como o uso de mosquiteiros tratados com inseticidas, sprays 
repelentes e o controle de criadouros de mosquitos. A malária continua a ser 
um desafio de saúde pública global, com mais de 200 milhões de casos 
registrados anualmente, mas os avanços nas vacinas trazem esperança para o 
controle e, potencialmente, a erradicação da doença. 
 
SITUAÇÃO EPIDEMIOLÓGICA ATUAL NO BRASIL E EM MG 
(RMVA) 
 
O quadro epidemiológico da malária no Brasil é preocupante atualmente. 
Embora em declínio, o número absoluto de casos no ano de 2008 ainda foi 
superior a 300.000 pacientes em todo o país. 
Desses, 99,9% foram transmitidos nos Estados da Amazônia Legal, 
sendo o Plasmodium vivax a espécie causadora de quase 90% dos casos. No 
entanto, a transmissão do P. falciparum, sabidamente responsável pela forma 
grave e letal da doença, tem apresentado redução importante nos últimos anos. 
Além disso, a frequência de internações por malária no Brasil também vem 
mostrando declínio, ficando em 1,3% no ano de 2008, enquanto em 2003 era 
de 2,6%. 
 
 
 
 
 Situação da malária em Minas Gerais 
Minas Gerais, os outros 16 Estados e o Distrito Federal, compõem a 
região extra-amazônica, área não endêmica para malária, e registra menos de 
1% do total de casos do país, sendo em sua maioria importados, ou seja, 
contaminação em área endêmica para a doença. 
No período entre os anos de 2017 a 2023, foram notificados 2.517 casos 
de malária em 133 municípios mineiros, com concentração dos casos na 
Unidade Regional de Saúde (URS) de Belo Horizonte. Do total, somente 13,3% 
foram confirmados para malária, sendo 235 casos com diagnóstico para 
Plasmodium vivax, representando 70,1% dos casos confirmados. 
A malária acomete ambos os sexos, porém ocorre predominantemente no 
sexo masculino e na faixa etária entre de 20-49 anos, idades consideradas 
produtivas, e mais expostas ao vetor. Dos casos confirmados, 72,2% possuem 
como local provável de infecção a região norte do Brasil. 
 
 
Do total dos casos notificados, somente 13,3% foram confirmados para 
malária distribuídos em 84 municípios mineiros. O ano 2017 apresentou maior 
frequência de casos confirmados com 24,4% , devido a um surto ocorrido na 
Superintendência Regional de Saúde de Diamantina, nos municípios de Couto 
Magalhães e Diamantina. Seguido pelo ano 2019, 19,1% e 2018 com 15,8%. 
 
 
CONCLUSÃO 
 
A malária continua sendo uma preocupação significativa de saúde pública 
no Brasil e globalmente. No Brasil, houve uma redução expressiva no número 
de casos nas últimas décadas, graças aos esforços de controle e prevenção. 
No entanto, a distribuição da malária no país varia por região, sendo mais 
comum na Amazônia Legal, onde cerca de 99% dos casos são registrados. 
Nas áreas fora da Amazônia, a transmissão é mais baixa e controlada, mas 
ainda requer vigilância constante. 
Em Minas Gerais, especificamente na Região de Saúde do Médio Vale do 
Aço (RMVA), a malária é rara, mas ainda presente. A maioria dos casos está 
relacionada a viajantes vindos de regiões endêmicas, destacando a 
necessidade de um sistema de vigilância ativo, com atenção especial aos 
fluxos migratórios e ao turismo. As medidas de controle, como o diagnóstico 
precoce, tratamento adequado e educação em saúde, continuam sendo 
essenciais para manter a doença sob controle tanto no contexto local quanto 
nacional. 
Na RMVA, apesar da baixa incidência, a população não está isenta da 
infecção por Plasmodium sp. Observou-se que os casos registrados no estado 
de Minas Gerais estão mais frequentemente associados a viagens para o Norte 
do país, e que o período de maior incidência coincide com as férias escolares, 
sugerindo que os viajantes são um grupo de alto risco para a malária. 
Embora o Brasil tenha feito progressos significativos na luta contra a 
malária, a doença ainda exige esforços contínuos de monitoramento, 
especialmente em áreas vulneráveis como a Amazônia. O fortalecimento da 
vigilância epidemiológica e a integração entre os níveis de atenção à saúde são 
fundamentais para evitar surtos, inclusive em regiões onde a malária não é 
endêmica. 
 
REFERÊNCIAS 
 
ANÁLISE DOS IMPACTOS CLÍNICOS DA MALÁRIA EM GESTANTES NA 
REGIÃO AMAZÔNICA. Disponível em: . Acesso em: 
17 out. 2024. 
 
MANUAL DE DIAGNÓSTICO LABORATORIAL DA MALÁRIA. Disponível em: 
. Acesso em: 17 out. 
2024. 
 
MINAS GERAIS. Secretaria de Estado de Saúde. Análise Epidemiológica 
da Malária em Minas Gerais, 2023. Belo Horizonte: SES-MG, 2023. 35 p 
 ASHLEY, E., PHYO, A., & WOODROW, C. (2018). Malária. The Lancet, 391, 
1608-1621. 
 
BRASIL. Ministério da Saúde. Tipos de Diagnósticos. Disponível em: 
https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/m/malaria/tipos-de-
diagnosticos. Acesso em: 10 out. 2024. 
 
FIOCRUZ. Boletim Malária. Disponível em: 
https://www.biodiversidade.ciss.fiocruz.br/sites/www.biodiversidade.ciss.fiocruz.
br/files/boletim_malaria.pdf. Acesso em: 10 out. 2024. 
 
MINAS GERAIS. Secretaria de Estado de Saúde. Análise Epidemiológica 
da Malária em Minas Gerais, 2023. Belo Horizonte: SES-MG, 2023. 35 p. 
 
MINAS GERAIS. Secretaria de Estado de Saúde. Malária. Disponível em: 
https://www.saude.mg.gov.br/termos-de-uso/page/1597-malaria-2016. Acesso 
em: 10 out. 2024. 
 
Agência Fiocruz de Notícias. Texto revisado pelos pesquisadores Clarisse 
Bressan e Patrícia Brasil, infectologistas do Instituto Nacional de Infectologia 
(INI/Fiocruz). 
 
FIOCRUZ. Boletim Malária. Disponível em: 
https://www.biodiversidade.ciss.fiocruz.br/sites/www.biodiversidade.ciss.fiocruz.
br/files/boletim_malaria.pdf. Acesso em: 10 out. 2024. 
 
BRASIL. Ministério da Saúde. Fundação Nacional de Saúde. Manual de 
terapêutica da malária. Brasília, 2001. 104. 
 
Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS)/Organização Mundial da 
Saúde (OMS). Malária. Disponível em: https://www.paho.org/pt/topicos/malaria. 
Acesso: 18 abr 2024. 
 
Organização Mundial da Saúde (OMS). Malaria. Disponível em: 
https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/malaria. Publicação: 4 dez 
2023. Acesso: 18 abr 2024. 
 
Maraccini, Gabriela. CNN. Camarões é o primeiro país a lançar campanha 
de vacinação contra malária. Disponível em: 
https://www.cnnbrasil.com.br/saude/camaroes-e-o-primeiro-pais-a-lancar-
campanha-de-vacinacao-contra-malaria/. Publicação: 30 jan 2024. Acesso: 18 
abr 2024. 
 
 
 
 
 
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