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Prévia do material em texto

1ª Edição 
Fundamentos 
Básicos e Teoria 
em Saúde Mental
Autoria: Beatriz Helena Ceccato 
EXPEDIENTE EDITORIAL
Reitor: 
Janes Fidelis Tomelin
Diretor Pós-Graduação: 
Tiago Lorenzo Stachon
Equipe Multidisciplinar da Pós-Graduação EAD: 
Tiago Lorenzo Stachon
Ilana Gunilda Gerber Cavichioli
Norberto Siegel
Julia dos Santos
Ariana Monique Dalri
Jairo Martins
Marcio Kisner
Marcelo Bucci
Revisão Gramatical: 
Núcleo de educação a Distância
Diagramação e Capa:
Núcleo de educação a Distância
 V848
 Ceccato, Beatriz Helena
 Fundamentos Básicos e Teoria em Saúde Mental. / Beatriz Helena 
Ceccato — Florianópolis, SC: Arqué, 2024.
 144 p.
 ISBN Digital XXX-XX-XXXX-XXX-X
 1. Fundamentos. 2. Teoria 3. Saúde. 4. Mental.
CDD 613 
FICHA CATALOGRÁFICA 
SUMÁRIO
Capítulo 1 ............................6
Saúde Mental: Fundamentos Epistemológicos e Históricos 
Capítulo 2 ...........................48
Nosologia dos Transtornos Mentais
Capítulo 3 ...........................96
Tratamento e Políticas Públicas Direcionados para a 
Saúde Mental
APRESENTAÇÃO
Bem-vindo à jornada dos fundamentos e das teorias sobre a saúde/
doença mental. Esta disciplina oferece um mergulho nas diversas teorias 
que moldam nossa compreensão dos transtornos mentais, tratamentos, 
práticas de cuidado e das políticas públicas ligadas a eles. Tem por objeti-
vos: a) conhecer a história do binômio saúde-doença mental; b) apresentar 
os aspectos componentes da saúde mental; c) descrever os critérios diag-
nósticos para cada grupo de transtorno mental segundo o DSM V – TR; e d) 
expor as políticas públicas e as formas de encaminhamento e tratamento 
dos transtornos mentais. 
Para tanto, esse material está dividido em três partes: o capítulo 1, 
Saúde mental: fundamentos epistemológicos e históricos, aborda a evolução 
conceitual e prática da saúde mental ao longo da história, começando com 
suas raízes na filosofia antiga e chegando até as abordagens contempo-
râneas. Discute-se como diferentes culturas e períodos históricos têm en-
tendido e tratado questões de saúde mental. O capítulo também explora 
as mudanças nos paradigmas epistemológicos, incluindo a transição do 
sobrenatural para o científico e como isso influenciou as práticas atuais no 
campo da psiquiatria e da psicologia. Também é analisada a maneira como 
os fatores genéticos, ambientais, sociais, culturais e psicológicos impactam 
no desenvolvimento e na evolução dos transtornos mentais. 
No capítulo 2, Nosologia dos transtornos mentais, a classificação dos 
transtornos mentais é detalhada, destacando a evolução dos principais siste-
mas de diagnóstico, como o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos 
Mentais (DSM) e a Classificação Internacional de Doenças (CID). São apre-
sentados os transtornos descritos no DSM 5 – TR, ou seja, a sua versão 
mais atualizada e revisada. São discutidos ainda os critérios diagnósticos, 
a relevância clínica e as controvérsias que envolvem a categorização dos 
transtornos mentais. São apresentados também os transtornos mentais da 
infância e da adolescência, além de suas diferenças com os transtornos de 
outras etapas da vida. Cada vez mais, percebe-se que a identificação preco-
ce de transtornos pode ofertar mais qualidade de vida ao paciente. 
No capítulo 3, Tratamento e políticas públicas direcionados para a saúde 
mental, são examinadas as estratégias de tratamento e as políticas públi-
cas implementadas para enfrentar os desafios da saúde mental. Discute-se 
uma variedade de abordagens terapêuticas, desde intervenções psicosso-
ciais até tratamentos farmacológicos e como são aplicados em diferentes 
contextos e populações. Além disso, é analisado o papel dos governos e das 
organizações não governamentais (ONGs) na promoção de políticas que 
visam à prevenção de transtornos mentais e à integração social dos indiví-
duos afetados. O capítulo também destaca iniciativas do Sistema Único de 
Saúde (SUS) e práticas da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS). 
Esses capítulos proporcionam uma visão abrangente e detalhada sobre 
os múltiplos aspectos da saúde mental, desde suas raízes epistemológicas 
e históricas até as práticas contemporâneas de classificação e tratamento 
de transtornos mentais. Ao abordar a evolução dos conceitos e práticas da 
saúde mental, a nosologia dos transtornos mentais e as políticas públicas e 
estratégias de tratamento, o texto proporciona uma compreensão profun-
da das complexidades envolvidas na promoção da saúde mental. A análise 
das mudanças paradigmáticas, dos critérios diagnósticos e das abordagens 
terapêuticas ressalta a importância de uma visão holística e integrada para 
lidar com os desafios da saúde mental na sociedade atual. 
Assim, espera-se que este livro sirva como um recurso valioso que pro-
mova melhor compreensão e manejo dos transtornos mentais. Ao destacar 
a necessidade de uma abordagem interdisciplinar e colaborativa, o texto 
enfatiza a importância de políticas públicas eficazes e de tratamentos ba-
seados em evidências para melhorar a qualidade de vida das pessoas afe-
tadas. Por meio dessa abordagem multifacetada, busca-se contribuir para a 
construção de um sistema de saúde mental mais inclusivo e eficiente, que 
atenda às necessidades diversas da população. 
Bons estudos! 
6
CAPÍTULO 1
SAÚDE MENTAL: FUNDAMENTOS 
EPISTEMOLÓGICOS E HISTÓRICOS 
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
A partir da perspectiva do saber-fazer, são apresentados os seguintes 
objetivos de aprendizagem:
• Compreender a evolução do conceito de saúde mental e os diferen-
tes modelos de análise do fenômeno;
• Examinar os diversos paradigmas e modelos teóricos na compreen-
são e o tratamento da saúde mental ao longo da história;
• Analisar como os fatores genéticos, ambientais, sociais, culturais e 
psicológicos impactam no desenvolvimento e evolução dos trans-
tornos mentais;
• Fomentar uma abordagem interdisciplinar para o estudo da saúde 
mental;
• Entender a evolução das concepções de saúde mental e o impacto 
do estigma associados à doença mental ao longo da história;
• Desenvolver a habilidade de compreender e analisar as bases teó-
ricas e epistemológicas que sustentam os diferentes modelos de 
compreensão da doença mental.
7
CONTEXTUALIZAÇÃO
A saúde mental é um componente essencial do bem-estar 
geral, embora seu conceito tenha sido interpretado e redefinido 
a partir de diversas lentes ao longo da história. Este capítulo está 
dividido em três seções, nas quais vamos tratar dos aspectos fun-
damentais da saúde mental: as definições, os modelos, os fatores 
constitutivos e a evolução histórica. 
Na seção “As definições de saúde mental e os diversos mo-
delos”, veremos que a saúde mental é mais do que a ausência de 
doença mental; é um estado complexo de bem-estar emocional, 
psicológico e social. Os diferentes modelos que vão ajudar a en-
tender esse conceito de forma mais abrangente são: o modelo 
biomédico (a saúde mental como um fenômeno influenciado por 
fatores biológicos, como a genética ou os desequilíbrios químicos 
no cérebro, e que frequentemente enfatiza a farmacologia como 
tratamento); o modelo psicológico (as experiências individuais, os 
traumas e os padrões de pensamento que podem afetar o bem-es-
tar mental); o modelo social (a saúde mental é profundamente afe-
tada pelo ambiente social, econômico e cultural de um indivíduo, 
incluindo fatores como pobreza, estigma e isolamento social); e o 
modelo holístico (que integra os elementos biológicos, psicológicos 
e sociais, promovendo uma abordagem mais integrativa, que con-
sidera uma ampla gama de fatores na promoção da saúde mental 
e no tratamento de doenças mentais). 
Na segunda seção, são tratados os fatores constitutivos da 
saúde/doença mental, descrevendo como a interação entre diver-
sos fatores pode determinar o estado de saúde mental de uma 
pessoa, a saber: fatores biológicos (genética, condições de saúde fí-
sica e química cerebral); fatores psicológicos (como as experiências 
Capítuloamplamente utili-
zado nos Estados Unidos e em outros países ao redor do mundo; 
3. Ambos são utilizados por profissionais de saúde mental para 
fins de diagnóstico, tratamento e pesquisa, mas a escolha en-
tre eles pode depender de fatores como a região geográfica, 
as políticas de saúde locais e as preferências individuais dos 
profissionais.
55
O DSM-5 – TR é dividido em três seções principais, cada uma contendo 
capítulos que abordam diferentes categorias de transtornos mentais e con-
dições relacionadas. 
Seção I: Introdução 
Visão geral do DSM-5, incluindo informações sobre sua estrutura, organização 
e seu uso. Também inclui um guia de referência rápida para os critérios diag-
nósticos dos transtornos mentais, um guia de uso clínico e uma lista de novos 
transtornos e mudanças em relação às edições anteriores. 
Seção II: Critérios diagnósticos e códigos 
Critérios diagnósticos específicos para cada transtorno mental com os códigos 
de diagnóstico correspondentes. Cada transtorno é organizado em capítulos 
separados. 
Seção III: Dimensões e diagnósticos emergentes 
Informações sobre dimensões diagnósticas, como avaliação de sintomas e fun-
cionalidade, e propostas para diagnósticos emergentes que estão sendo consi-
derados para inclusão em futuras edições do DSM. 
22. OS DIFERENTES TIPOS DE 
TRANSTORNOS MENTAIS 
Capítulo 2
56
A estrutura e organização dos capítulos do DSM-5 foram projetadas 
para facilitar a localização e o uso dos critérios diagnósticos pelos profissio-
nais de saúde mental. Cada capítulo apresenta uma descrição dos critérios 
diagnósticos para o transtorno específico, seguida por informações sobre a 
prevalência, curso clínico, comorbidades, fatores de risco, avaliação e trata-
mento. Na Seção II do DSM-5 – TR são encontrados os Critérios Diagnósticos 
e Códigos dos transtornos mentais, que serão apresentados a seguir.
2.1. ESPECTRO DA ESQUIZOFRENIA E OUTROS 
TRANSTORNOS PSICÓTICOS
A esquizofrenia é um transtorno mental grave que afeta a maneira 
como uma pessoa pensa, sente e se comporta. 
É caracterizada por uma variedade de sintomas, incluindo alucinações, 
delírios, pensamento desorganizado, falta de motivação e emoções 
diminuídas.
Esses sintomas geralmente começam na adolescência ou no início da 
idade adulta e podem ser crônicos e incapacitantes se não forem tratados 
adequadamente.
Capítulo 2
57
Figura 3. Esquizofrenia
Fonte: Freepik (2024). 
#ParaTodosVerem: ilustração de uma pessoa sentada de pernas cruzadas no chão, com as mãos 
cobrindo os dois ouvidos. A pessoa parece estar vestindo uma camisa branca e uma camisa xadrez 
laranja aberta por cima, juntamente com calças escuras. Seus cabelos são pretos e estão presos, 
com algumas mechas caindo para frente. Ao redor da cabeça da pessoa, há várias figuras escuras 
semelhantes a fantasmas com expressões faciais zangadas.
Entenda melhor os sintomas da esquizofrenia a partir dos itens a seguir.
Alucinações 
São percepções sensoriais que ocorrem na ausência de estímulos externos cor-
respondentes. Exemplo: as alucinações auditivas em que a pessoa ouve vozes 
que não estão presentes. As alucinações visuais, táteis, olfativas ou gustativas 
também podem ocorrer.
Delírios 
São crenças falsas e irracionais que são mantidas firmemente, apesar de evi-
dências em contrário. Os delírios podem variar em conteúdo, mas comumente 
incluem crenças persecutórias, delírios de grandeza ou delírios de referência. 
Capítulo 2
58
É importante ressaltar que a esquizofrenia é uma condição complexa 
e multifacetada, e os sintomas podem variar significativamente de pessoa 
para pessoa. O diagnóstico e tratamento precoces são essenciais para aju-
dar a gerenciar os sintomas e melhorar a qualidade de vida das pessoas 
afetadas (Gonçalves, 2021).
Pensamento desorganizado 
Alteração na forma como a pessoa pensa e se expressa, dificuldades em man-
ter um fluxo lógico de pensamento, discurso incoerente ou desconexo, ou difi-
culdades em seguir uma linha de raciocínio. 
Falta de motivação 
Também conhecida como avolição, é caracterizada pela falta de iniciativa ou 
motivação para realizar atividades cotidianas. 
Emoções diminuídas 
Diminuição na expressão emocional, em que a pessoa pode parecer fria, dis-
tante ou indiferente em relação às situações ao seu redor. Isso pode incluir 
um rosto sem expressão, fala monótona ou uma falta de reação emocional a 
eventos que normalmente provocariam uma resposta emocional. 
Dica de Leitura
Quer conhecer mais sobre a esquizofrenia? O livro 
Casos de superação em esquizofrenia parte do con-
ceito de superação, os autores compartilham 25 his-
tórias que oferecem uma perspectiva mais positiva 
da esquizofrenia. Apesar dos desafios enfrentados 
pela doença, os pacientes não apenas conseguiram 
controlar os sintomas, mas também retomaram suas 
atividades produtivas e alcançaram uma vida emo-
cionalmente satisfatória. Acesse o QR Code ao lado.
https://app.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788582713693/
Capítulo 2
59
2.2 TRANSTORNO BIPOLAR E TRANSTORNOS 
RELACIONADOS 
Esses transtornos podem ter um impacto significativo no funcionamen-
to diário, nos relacionamentos e na qualidade de vida das pessoas afetadas. 
Figura 4. Bipolaridade e as variações extremas de humor
Fonte: Envato (2024).
#ParaTodosVerem: na imagem há dois bonequinhos indicando expressões faciais. O do lado di-
reito está com uma feição triste e com as duas sobrancelhas arqueadas. O do lado esquerdo está 
bem sorridente e com os olhos fechados. Na mesa em que eles se encontram, há diversas cartelas 
e pílulas espalhadas.
Nos transtornos bipolares, os episódios de mania, hipomania e depres-
são são característicos e fundamentais para o diagnóstico diferencial e trata-
mento adequado. A seguir, confira uma definição de cada um desses episódios.
Os Transtornos Bipolares e Transtornos Relacionados são um grupo de 
condições caracterizadas por variações extremas de humor, que podem 
incluir episódios de mania, hipomania e depressão.
Capítulo 2
60
Esses episódios podem ocorrer de forma isolada ou alternada ao longo 
do curso do transtorno bipolar, e o diagnóstico e tratamento adequados 
são essenciais para ajudar a estabilizar o humor e melhorar a qualidade de 
vida das pessoas afetadas. Tais transtornos são caracterizados por mudan-
ças significativas no humor, na energia e na atividade, que podem variar de 
episódios de extrema euforia e aumento da energia (mania ou hipomania) 
a episódios de intensa tristeza e desespero (depressão).
O diagnóstico e tratamento adequados são essenciais para ajudar a ge-
renciar os sintomas e melhorar a qualidade de vida das pessoas afetadas.
Episódio de mania 
Período definido de humor anormalmente elevado, expansivo ou irritável, 
acompanhado por sintomas como aumento da energia, fala acelerada e com-
portamento imprudente. Pode causar danos significativos no funcionamento 
social ou ocupacional. 
Episódio de hipomania 
Um episódio de hipomania é semelhante a um episódio de mania, mas é me-
nos grave em termos de gravidade dos sintomas e impacto no funcionamento. 
Episódio depressivo 
O episódio depressivo é caracterizado por humor deprimido, perda de inte-
resse e outros sintomas como alterações no sono e ideação suicida, afetando 
significativamente o funcionamento diário. 
Capítulo 2
61
2.3 TRANSTORNOS DEPRESSIVOS 
Os transtornos depressivos são uma categoria de condições psiquiá-
tricas que se caracterizam principalmente por um humor deprimido per-
sistente e uma perda de interesse ou prazer em atividades cotidianas. Eles 
podem variar em gravidade e duração e podem ter um impacto significativo 
no funcionamento diário e na qualidade de vida das pessoas afetadas. 
Figura 5. Sintomas da Depressão – Humor vazio ou triste
Fonte: Freepik (2024). 
#ParaTodosVerem: na imagem temos uma escadaria longa e escura em tons de cinza. No meio 
da escada, há uma pessoa sentada em um dos degraus, vestindo um moletom de capuz, cobrindoo rosto. Ele está sentado com as mãos entre as pernas e de cabeça baixa.
Vídeo
O Lado Bom da Vida (Silver Linings Playbook) 
aborda a bipolaridade a partir de Pat Solitano 
(Bradley Cooper) que, após um período em uma 
instituição de saúde mental, volta a morar com 
seus pais. Determinado a reconquistar sua ex-
-esposa, ele conhece Tiffany (Jennifer Lawrence), 
uma viúva com problemas emocionais. Juntos, 
formam uma amizade complexa e participam de 
uma competição de dança central em suas vidas. 
https://youtu.be/h2xb_rkbAU8
Capítulo 2
62
Existem diferentes tipos de Transtornos Depressivos. O Transtorno 
Depressivo Maior (TDM) é caracterizado por episódios de humor deprimi-
do, afetando o funcionamento diário e causando sofrimento significativo. O 
Transtorno Distímico envolve um humor deprimido crônico, menos intenso 
que o TDM, mas persistente por longos períodos. O Transtorno Disfórico 
Pré-Menstrual (TDPM) é uma forma grave de síndrome pré-menstrual, com 
sintomas emocionais e físicos marcantes. 
2.4 TRANSTORNOS DE ANSIEDADE
O transtorno de ansiedade é uma condição psiquiátrica caracteri-
zada por preocupações excessivas, medos persistentes e sintomas físicos 
associados à ansiedade que interferem significativamente na vida diária. É 
importante diferenciá-lo da ansiedade cotidiana, que é uma reação normal 
e adaptativa a situações estressantes ou ameaçadoras (Nardi; Quevedo; 
Silva, 2014).
Veja, no quadro a seguir, as diferenças entre o transtorno de ansieda-
de e a ansiedade cotidiana.
Vídeo
O filme As Horas (The Hours), baseado no roman-
ce de Michael Cunningham, entrelaça a vida de 
três mulheres de diferentes épocas, todas lidan-
do com a depressão. Nicole Kidman interpreta 
Virginia Woolf, que luta contra a doença enquanto 
escreve Mrs. Dalloway. Julianne Moore e Meryl 
Streep interpretam personagens de outras épocas 
influenciadas pela obra de Woolf.
Impacto funcional 
Interfere significativamente no 
funcionamento diário da pessoa, 
incluindo trabalho, escola, rela-
cionamentos e atividades sociais. 
Pode levar à evitação de situações 
temidas e dificuldade em realizar 
tarefas rotineiras. 
Intensidade e persistência 
Os sintomas de ansiedade são in-
tensos, persistentes e despropor-
cionais à gravidade da situação 
estressante. Eles podem durar por 
semanas, meses ou até anos, afe-
tando significativamente a quali-
dade de vida da pessoa.
https://youtu.be/DCZbiFQYL-c
Capítulo 2
63
Embora a ansiedade seja uma parte normal da vida, o transtorno de 
ansiedade é uma condição médica séria que pode requerer intervenção 
profissional, como a psicoterapia, medicação ou uma combinação de am-
bos (Gonçalves, 2021).
O DSM-5 – TR lista diversos transtornos de ansiedade, incluindo o 
Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG), caracterizado por preocupa-
ção excessiva e persistente; Transtorno do Pânico, marcado por ataques 
de pânico recorrentes e inesperados; Transtorno de Ansiedade Social, que 
envolve medo intenso de situações sociais; Transtorno de Ansiedade de 
Separação, mais comum em crianças; Transtorno de Ansiedade devido a 
uma Condição Médica, causado por uma condição médica subjacente; e o 
Transtorno de Ansiedade Induzido por Substâncias, causado pelos efeitos 
de substâncias como álcool ou drogas. Cada um desses transtornos apre-
senta sintomas específicos que interferem significativamente na vida diária 
do indivíduo.
Resposta ao estresse 
Resposta exagerada ao estresse, 
com dificuldade em controlar seus 
sintomas de ansiedade mesmo 
em situações que outras pessoas 
considerariam não ameaçadoras. 
Padrão de sintomas 
Preocupações excessivas, irritabi-
lidade, tensão muscular, dificulda-
de de concentração, insônia e sin-
tomas físicos como palpitações, 
sudorese e tremores.
Capítulo 2
64
Figura 6. Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG)
Fonte Freepik (2024). 
#ParaTodosVerem: na imagem, há uma mulher usando uma blusa de manga comprida e gola 
alta. Ela está com o cabelo bagunçado e com as duas mãos cobrindo o rosto.
2.5 TRANSTORNO OBSESSIVO-COMPULSIVO E 
TRANSTORNOS RELACIONADOS 
De acordo com o DSM-5, os Transtornos Obsessivo-Compulsivos e 
Transtornos Relacionados incluem uma variedade de condições caracteri-
zadas por obsessões, compulsões ou padrões de comportamento repetiti-
vos que interferem significativamente na vida diária da pessoa. Para melhor 
compreensão, veja as características dos sintomas a seguir.
Capítulo 2
65
Os transtornos nessa categoria incluem o Transtorno Obsessivo-
Compulsivo (TOC), caracterizado pela presença de obsessões (pensa-
mentos, impulsos ou imagens intrusivas e persistentes) e/ou compulsões 
(comportamentos repetitivos ou atos mentais realizados para aliviar a an-
siedade associada às obsessões). O TOC pode consumir uma quantidade 
significativa de tempo e interferir no funcionamento diário. Já o Transtorno 
de Acumulação é caracterizado pela dificuldade persistente em descartar 
itens, levando à acumulação excessiva que prejudica o ambiente e o fun-
cionamento. Os Transtornos de Cabelo e Pele (Tricotilomania e Escoriação) 
envolvem comportamentos recorrentes de arrancar cabelo ou cutucar a 
pele, resultando em lesões ou danos, o que pode causar sofrimento signi-
ficativo e interferir nas atividades diárias. Por fim, o Transtorno Dismórfico 
Corporal (TDC) envolve preocupações excessivas com defeitos percebidos 
na aparência física, levando a comportamentos compulsivos e interferindo 
no funcionamento diário.
Obsessões 
São pensamentos indesejados, impulsos ou imagens intrusivas e persistentes 
que causam ansiedade, medo, desconforto ou desconforto significativo para 
a pessoa. Exemplos: medo de contaminação, pensamentos agressivos ou vio-
lentos, preocupações com ordem ou simetria, e pensamentos intrusivos de 
natureza sexual ou religiosa. 
Compulsões 
Comportamentos repetitivos ou atos mentais que uma pessoa se sente com-
pelida a realizar em resposta às obsessões, geralmente como uma tentativa de 
aliviar a ansiedade associada. Exemplos: lavagem excessiva das mãos, verifica-
ção repetitiva, contar, rezar ou repetir palavras silenciosamente. 
Padrões de comportamento repetitivos 
Inclui comportamentos como tocar objetos repetidamente, evitar determina-
das situações ou locais, realizar rituais específicos de maneira rígida ou seguir 
uma rotina estritamente definida. 
Capítulo 2
66
2.6 TRANSTORNOS RELACIONADOS A TRAUMA E 
A ESTRESSORES 
Os Transtornos Relacionados a Trauma e a Estressores são uma categoria 
de condições mentais definidas pelo DSM-5 – TR que são desencadeadas 
por eventos traumáticos ou estressantes. 
Os transtornos nessa categoria são o Transtorno de Estresse Pós-
Traumático (TEPT), caracterizado por sintomas como reexperimentação 
traumática, evitação de lembranças relacionadas ao trauma, aumento da 
excitação e sintomas negativos de humor ou cognitivos, persistindo por 
mais de um mês após a exposição a um evento traumático. Nesse contexto, 
o Transtorno de Luto Prolongado é uma condição em que a pessoa expe-
rimenta uma resposta prolongada e desproporcional ao luto após a perda 
de um ente querido, interferindo significativamente em sua capacidade de 
funcionar. 
Figura 7. Transtorno de luto prolongado
Fonte: Freepik (2024). 
#ParaTodosVerem: na imagem, há uma mulher sentada em um banco de madeira. Ela está ves-
tindo uma roupa toda preta e segurando com uma das mãos uma rosa branca e com a outra mão 
cobrindo a boca. Ao fundo, há um ambiente arborizado. 
Capítulo 2
67
O Transtorno de Estresse Agudo (TEA) é caracterizado por uma respos-
ta emocional intensa e disfuncional a um evento traumático ou estressante, 
geralmente ocorrendo dentro de um mês após o evento. Se os sintomas 
persistirem por mais de um mês, o diagnóstico pode ser alterado para TEPT.
2.7 TRANSTORNOS DISSOCIATIVOS 
Os transtornos dissociativos são descritos no Capítulo 10 do DSM-5 – 
TR, e são assim definidos:
 “
Os transtornos dissociativos são caracterizados por perturbaçãoe/ou des-
continuidade da integração normal de consciência, memória, identidade, 
emoção, percepção, representação corporal, controle motor e comporta-
mento. Os sintomas dissociativos podem potencialmente perturbar todas 
as áreas do funcionamento psicológico. Este capítulo inclui transtorno dis-
sociativo de identidade, amnésia dissociativa, transtorno de despersonali-
zação/desrealização, outro transtorno dissociativo especificado e transtor-
no dissociativo não especificado (APA, 2023, p. 329).
Os transtornos dissociativos de identidade são: Transtorno Dissociativo 
de Identidade (TDI), anteriormente chamado de Transtorno de Personalidade 
Múltipla, caracterizado pela coexistência de duas ou mais identidades distin-
tas dentro de uma pessoa, cada uma com sua própria maneira de pensar, 
sentir e se comportar. Essas identidades podem surgir em diferentes mo-
mentos e podem ter memórias, habilidades e preferências únicas. A transi-
ção entre as identidades muitas vezes está associada à amnésia, em que os 
indivíduos podem não se lembrar de eventos importantes de suas vidas.
A Amnésia Dissociativa é uma condição que envolve lacunas signi-
ficativas de memória para eventos pessoais, geralmente relacionadas a 
experiências traumáticas, e as pessoas afetadas podem perder a memó-
ria de quem são, onde estão ou como chegaram a determinados lugares 
durante esses episódios de amnésia. O Transtorno de Despersonalização/
Desrealização é caracterizado por sentimentos persistentes de desconexão 
com a própria mente, corpo ou ambiente, levando a uma sensação de estar 
separado de si mesmo ou do mundo ao redor, frequentemente desenca-
deados por estresse ou traumas. Esses transtornos dissociativos podem 
causar sofrimento significativo e interferir no funcionamento diário dos 
indivíduos afetados.
Capítulo 2
68
2.8 TRANSTORNO DE SINTOMAS SOMÁTICOS E 
TRANSTORNOS RELACIONADOS
O Transtorno de Sintomas Somáticos, de acordo com o DSM-5 – TR, é 
caracterizado pela presença de sintomas somáticos persistentes que cau-
sam sofrimento significativo ou prejuízo no funcionamento diário da pes-
soa e que não podem ser totalmente explicados por uma condição médica 
ou efeito fisiológico direto de uma substância. Para atender aos critérios de 
diagnóstico para Transtorno de Sintomas Somáticos, os sintomas somáticos 
devem ser clinicamente significativos e persistentes, resultando em busca 
excessiva de tratamento médico, preocupação excessiva com a gravidade 
dos sintomas ou prejuízo significativo em áreas importantes da vida da pes-
soa (APA, 2023).
Vídeo
O filme Fragmentado (Split) aborda o Transtorno 
Dissociativo de Identidade (TDI). Kevin Wendell 
Crumb (James McAvoy) possui 23 personalidades 
distintas, cada uma com suas próprias caracterís-
ticas. Kevin sequestra três adolescentes, e suas 
diferentes personalidades se manifestam de ma-
neiras imprevisíveis e perigosas. 
https://youtu.be/7scx2clLzUM
Capítulo 2
69
Figura 8. Transtorno de Ansiedade de Doença e o medo de adoecer gravemente
Fonte: Freepik (2024). 
#ParaTodosVerem: ilustração de um homem vestindo uma camisa laranja com um estetoscópio. 
Além de estar com um termômetro na boca e uma das mãos na cabeça, ao redor de sua cabeça há 
diversos símbolos de interrogação.
Os transtornos nessa categoria incluem o Transtorno de Sintomas 
Somáticos, em que sintomas físicos persistentes causam sofrimento sem 
causa médica identificável; Transtorno de Ansiedade de Doença, caracteri-
zado por preocupação excessiva com a possibilidade de ter uma doença gra-
ve, mesmo na ausência de sintomas e Transtorno de Sintomas Neurológicos 
Funcionais (anteriormente conhecido como Transtorno Conversivo), que 
apresenta sintomas neurológicos sem base médica, influenciados por fato-
res psicológicos. 
2.9 TRANSTORNOS ALIMENTARES 
Os transtornos alimentares são condições psiquiátricas caracteriza-
das por perturbações graves nos hábitos alimentares e na percepção do 
peso corporal, resultando em consequências físicas, emocionais e sociais 
significativas.
Capítulo 2
70
Existem vários tipos de transtornos alimentares, incluindo: Pica, um 
transtorno alimentar caracterizado pela ingestão persistente de substân-
cias não alimentares, como terra ou giz, por pelo menos um mês, e que 
não é culturalmente normativo. O Transtorno de Ruminação envolve a 
regurgitação repetida de alimentos seguida de remastigação, reingestão ou 
expulsão, ocorrendo geralmente após as refeições, sem uma causa médica 
geral. Já a Anorexia Nervosa é marcada pela preocupação intensa com o 
peso corporal, restrição alimentar persistente e um peso corporal abaixo 
do normal, acompanhada de uma imagem distorcida do corpo e comporta-
mentos compensatórios, como exercícios excessivos.
Figura 9. Anorexia e a distorção de imagem
Fonte: Envato (2024). 
#ParaTodosVerem: na imagem, há uma mulher vestindo um short e um top na cor cinza. Ela 
está em pé com as duas mãos apertando a cintura. Ela tem sinais aparentes de magreza, como os 
ossos do quadril à mostra. 
A Bulimia Nervosa envolve episódios recorrentes de compulsão ali-
mentar seguidos por comportamentos compensatórios para evitar ganho 
de peso, como vômitos autoinduzidos. Pessoas com bulimia podem manter 
um peso corporal normal, mas experimentam sentimentos intensos de cul-
pa e descontrole em relação à comida.
Capítulo 2
71
Figura 10. Compulsão alimentar
Fonte: Freepik (2024).
#ParaTodosVerem: na imagem, há uma mulher vestindo um casaco verde e com um laço na cabe-
ça. Ela está com uma das mãos segurando uma fatia de doce e a outra mão está na direção da boca. 
Na sua frente tem uma mesa com diversos doces e guloseimas. Temos no lado esquerdo um bolo 
com cobertura de morando, no centro da mesa temos pães, bolos, panquecas e um copo de suco.
Já o Transtorno de Compulsão Alimentar é caracterizado por episódios 
de compulsão alimentar sem comportamentos compensatórios, causando 
sentimento de culpa ou desconforto. 
2.10 TRANSTORNOS DO SONO-VIGÍLIA 
A classificação dos transtornos do sono-vigília do DSM-5 foi desenvol-
vida para auxiliar tanto os clínicos de saúde mental quanto os clínicos ge-
rais, que incluem médicos que cuidam de pacientes adultos, geriátricos e 
pediátricos. 
São episódios recorrentes de compulsão alimentar, nos quais a pessoa 
ingere uma quantidade excessiva de comida em um curto período de 
tempo. 
Capítulo 2
72
Figura 11. Transtornos do sono-vigília
Fonte: Envato (2024).
#ParaTodosVerem: Na imagem temos uma mulher sentada no chão de um quarto. O quarto está 
escuro, sendo iluminado apenas por um abajur. Ela está sentada com as costas apoiadas na cama 
e com os joelhos dobrados. Uma das mãos está abraçando os joelhos e a outra está na cabeça. 
Esse sistema abrange 10 transtornos ou grupos de transtornos, in-
cluindo: transtorno de insônia, transtorno de hipersonolência, narcolepsia, 
transtornos do sono relacionados à respiração, transtorno do sono-vigília 
do ritmo circadiano, transtornos de despertar do sono não REM (NREM), 
transtorno do pesadelo, transtorno comportamental do sono REM, síndro-
me das pernas inquietas e transtorno do sono induzido por substância/
medicamento. Características compartilhadas por todos esses transtornos 
incluem queixas de insatisfação com a qualidade, duração e quantidade de 
sono, assim como o sofrimento e prejuízo resultantes durante o dia.
2.11 DISFUNÇÕES SEXUAIS 
No Capítulo 15 do DSM-5 – TR são tratadas as disfunções sexuais e são 
estabelecidos os critérios para a sua ocorrência. Esses transtornos consti-
tuem um grupo diversificado caracterizado por uma perturbação clinica-
mente significativa na capacidade de uma pessoa responder sexualmente 
ou experimentar prazer sexual. É possível que um indivíduo apresente vá-
rias disfunções sexuais ao mesmo tempo, e todas essas condições devem 
ser diagnosticadas.
Capítulo 2
73
Figura 12. Disfunções sexuais
Fonte: Envato (2024).
#ParaTodosVerem: na imagem, há uma cama com lençol e cobertor brancos; há duas pessoasdeitadas, de forma que na imagem aparecem somente os pés, cada um virado para um lado.
O julgamento clínico desempenha um papel crucial na determinação 
se as dificuldades sexuais são resultado de estimulação sexual inadequada. 
Mesmo em situações em que a falta de conhecimento sobre estimulação 
eficaz é o fator preponderante, ainda pode ser necessário tratamento, em-
bora o diagnóstico de disfunção sexual possa não ser aplicável. Esses casos 
podem incluir condições nas quais a ausência de compreensão sobre a es-
timulação adequada impede a experiência de excitação ou orgasmo, entre 
outras circunstâncias semelhantes.
Site
Além da consulta ao DSM-5 – TR, saiba mais sobre 
a Sexualidade Humana, as disfunções sexuais e 
os tratamentos possíveis, com os artigos produ-
zidos pela Sociedade Brasileira de Sexualidade 
Humana (SBRASH).
https://sbrash.org.br/rbsh/
Capítulo 2
74
2.12 DISFORIA DE GÊNERO 
A Disforia de Gênero, conforme definido pelo DSM-5 – TR, é um termo 
usado para descrever a angústia psicológica ou desconforto significativo asso-
ciado à incongruência entre o gênero que uma pessoa foi designada no nasci-
mento e o gênero com o qual ela se identifica. Em outras palavras, uma pessoa 
com disforia de gênero experimenta uma profunda sensação de que o sexo 
atribuído no nascimento não corresponde à sua identidade de gênero interna.
Em vez disso, é listada sob as “Condições para Estudo Adicional”, o que 
significa que sua inclusão se destina ao aumento da conscientização e com-
preensão sobre as experiências de indivíduos que vivenciam a incongruência 
de gênero, bem como a facilitar o acesso a tratamento e apoio adequados.
Importante
A Disforia de Gênero não é apenas uma questão de preferência 
ou comportamento, mas sim uma condição de saúde mental que 
pode causar sofrimento emocional significativo e impactar diver-
sas áreas da vida de uma pessoa, incluindo relacionamentos, saú-
de mental e bem-estar geral.
!
É importante notar que a Disforia de Gênero não é considerada um 
transtorno mental em si no DSM-5.
Vídeo
O filme A Garota Dinamarquesa (The Danish Girl) 
conta a história de Lili Elbe, uma das primeiras 
a passar por cirurgia de redesignação sexual. O 
pintor Einar Wegener, explorando sua identidade 
feminina após posar como modelo para sua espo-
sa Gerda, enfrenta desafios emocionais, sociais e 
médicos para viver como Lili. Assista ao trailer no 
QR Code ao lado. 
https://youtu.be/vjq2FgjpXow
Capítulo 2
75
2.13 TRANSTORNOS DISRUPTIVOS, DO 
CONTROLE DE IMPULSOS E DA CONDUTA 
Os transtornos disruptivos, do controle de impulsos e da conduta abor-
dam problemas relacionados à capacidade de controlar emoções e compor-
tamentos. Embora outros transtornos do DSM-5 também possam envolver 
dificuldades na regulação emocional e comportamental, esses transtornos 
são distintos porque os comportamentos associados a eles frequentemen-
te violam os direitos dos outros ou entram em conflito com normas sociais 
e autoridades (Gonçalves, 2021).
Figura 13. Cleptomania
Fonte: Envato (2024).
#ParaTodosVerem: na imagem, aparece uma mulher furtando óculos em uma loja. Ela está com 
uma bolsa florida e coloca dentro dessa bolsa um par de óculos branco. Ao fundo, temos uma 
parede com diversos óculos organizados.
Capítulo 2
76
O Transtorno Explosivo Intermitente (TEI) é caracterizado por episódios 
recorrentes de explosões de raiva desproporcionais, podendo resultar em 
comportamentos agressivos e causar problemas nas relações interpessoais. 
O Transtorno da Personalidade Antissocial (TPA) apresenta um padrão per-
sistente de desrespeito e violação dos direitos dos outros, incluindo falta 
de empatia e comportamentos manipulativos. A piromania é a atração 
irresistível por incêndios, com participação deliberada em atividades piro-
maníacas, mesmo que isso cause danos ou risco de vida. A cleptomania 
é a incapacidade de resistir ao impulso de roubar objetos desnecessários, 
seguida por sentimento de culpa ou remorso.
2.14 TRANSTORNOS RELACIONADOS A 
SUBSTÂNCIAS E TRANSTORNOS ADITIVOS
Os transtornos relacionados a substâncias abrangem uma variedade 
de categorias, incluindo álcool, cafeína, cannabis, alucinógenos, inalantes, 
opioides, sedativos, hipnóticos ou ansiolíticos, estimulantes, tabaco e outras 
substâncias. Embora essas categorias não sejam totalmente distintas, to-
das compartilham o elemento comum de ativar diretamente o sistema de 
recompensa do cérebro, envolvido no reforço de comportamentos e na 
formação de memórias. 
Figura 14. Abuso de substâncias
Fonte: Freepik (2024). 
#ParaTodosVerem: a imagem é uma visão de cima de duas mãos apoiadas em uma mesa. Uma 
das mãos está com um par de algemas e a outra mostra diversos comprimidos na palma da mão. 
Há cigarros espalhados sobre a mesa, um frasco de remédio aberto com comprimidos espalhados 
e um cantil de bebida alcoólica.
Capítulo 2
77
Em vez de acionar o sistema de recompensa por meio de comporta-
mentos adaptativos, essas substâncias produzem uma ativação intensa, 
desviando a atenção das atividades normais. Embora os mecanismos far-
macológicos variem entre as categorias, todas geralmente resultam em 
sensações de prazer, conhecidas como “barato” ou “viagem”.
2.15 TRANSTORNOS NEUROCOGNITIVOS 
Os transtornos neurocognitivos (TNCs) abrangem uma série de condi-
ções, começando com o delírio e passando por síndromes maiores e leves, 
bem como seus subtipos etiológicos. 
Figura 15. Demência e doença
Fonte: Envato (2024). 
#ParaTodosVerem: a imagem mostra uma estátua grega na cor branca e em cima dessa estátua 
temos a ilustração de um cérebro na cor vermelha. Tanto no lado direito quanto esquerdo, temos 
cápsulas e pílulas espalhadas.
Vídeo
Requiem para um Sonho (Requiem for a Dream) 
explora os desafios dos transtornos por subs-
tâncias a partir de quatro personagens. Cada um 
enfrenta diferentes vícios, mostrando a espiral de 
desespero e autodestruição em busca de satisfa-
ção e fuga. Assista ao trailer no QR Code ao lado. 
https://www.youtube.com/watch?v=kJ39qXjKLWs
Capítulo 2
78
Os TNCs são caracterizados por déficits cognitivos adquiridos, repre-
sentando um declínio em relação a um nível anterior de funcionamento. 
Eles diferem de outros transtornos mentais porque os déficits cognitivos 
são a característica central, não estando presentes desde o nascimento ou 
início da vida. Ademais, os TNCs são únicos porque a patologia subjacente 
e, muitas vezes, a causa podem ser determinadas.
2.16 TRANSTORNOS DA PERSONALIDADE
Um transtorno de personalidade é um padrão duradouro de pensamen-
tos, emoções e comportamentos que se desvia significativamente das expec-
tativas culturais, é rígido e inflexível, tem início na adolescência ou no início da 
idade adulta, é estável ao longo do tempo e causa sofrimento ou prejuízo. 
Quadro 1. Transtorno de personalidade
Transtorno de Personalidade Geral 
Critérios
A. Um padrão persistente de experiência interna e comportamento que se 
desvia acentuadamente das expectativas da cultura do indivíduo. Esse padrão 
se manifesta em duas (ou mais) das seguintes áreas: 
1. Cognição (formas de perceber e interpretar a si mesmo, outras pessoas 
e eventos); 
2. Afetividade (variação, intensidade, labilidade e adequação da resposta 
emocional); 
3. Funcionamento interpessoal; 
4. Controle de impulsos.
Vídeo
Um filme que aborda o tema do Alzheimer é Para 
Sempre Alice (Still Alice), que retrata a história de 
Alice Howland, uma renomada professora de lin-
guística. Aos poucos, ela começa a perceber os pri-
meiros sinais do Alzheimer, como a doença progride 
e como ela enfrenta os desafios impostos pela de-
terioração de sua memória e capacidade cognitiva.
https://www.youtube.com/watch?v=U_RUDZx6vYM
Capítulo 2
79
Transtorno de Personalidade Geral 
B. O padrão persistente é inflexível e abrange uma faixa ampla de situações 
pessoais e sociais. 
C. O padrão persistente provoca sofrimento clinicamente significativo e preju-
ízo no funcionamento social, profissionalou em outras áreas importantes da 
vida do indivíduo. 
D. O padrão é estável e de longa duração, e seu surgimento ocorre pelo menos 
a partir da adolescência ou do início da fase adulta. 
E. O padrão persistente não é mais bem explicado como uma manifestação ou 
consequência de outro transtorno mental. 
F. O padrão persistente não é atribuível aos efeitos fisiológicos de uma subs-
tância (por exemplo, droga de abuso, medicamento) ou a outra condição mé-
dica (por exemplo, traumatismo cranioencefálico). 
Fonte: APA (2023, p. 736).
Figura 16. Transtornos de Personalidade
Fonte: Freepik (2024).
#ParaTodosVerem: na imagem há uma pessoa em pé na frente de uma parede coberta por uma co-
lagem de várias imagens em preto e branco. As imagens na parede são retratos dessa mesma pessoa 
retratando emoções diversas, algumas com o rosto triste, depois com raiva, entre outras emoções. A 
pessoa na frente da parede está vestindo uma camiseta branca e seu rosto está com as feições sérias.
Capítulo 2
80
Estudos epidemiológicos sugerem que os transtornos de personali-
dade têm uma prevalência variada entre os países e as etnias, levantando 
questões sobre diferenças culturais e impacto de diferentes definições e 
instrumentos de diagnóstico.
2.17 TRANSTORNOS PARAFÍLICOS 
Os transtornos parafílicos abordados no DSM-5 – TR são os seguintes: 
transtorno voyeurista (observar pessoas em situações privadas), transtorno 
exibicionista (expor os genitais em público), transtorno frotteurista (tocar 
ou esfregar-se em alguém sem consentimento), transtorno de masoquismo 
sexual (buscar humilhação, submissão ou dor), transtorno de sadismo se-
xual (infligir humilhação, submissão ou dor), transtorno pedofílico (atração 
sexual por crianças), transtorno fetichista (foco sexual em objetos inanima-
dos ou partes específicas do corpo) e transtorno transvéstico (vestir roupas 
do sexo oposto para excitação sexual). Esses transtornos são destacados 
no DSM por duas razões principais: são relativamente comuns em compa-
ração com outras parafilias e podem envolver comportamentos prejudiciais 
que são considerados crimes.
Figura 17. Transtornos parafílicos
Fonte: Envato (2024). 
#ParaTodosVerem: na imagem temos a ilustração de uma mulher ajoelhada e segurando em um 
puff vermelho. Logo atras temos um homem segurando uma espécie de chicote. Ambos estão 
vestindo roupas pretas, ela um vestido e sapato de salto e ele uma bermuda.
Capítulo 2
81
Alguns indivíduos apresentam parafilias relacionadas a atividades 
sexuais específicas, enquanto outros têm preferências por determinados 
objetos ou alvos eróticos. A presença de uma parafilia não é suficiente para 
diagnosticar um transtorno parafílico; é necessário que a parafilia cause 
sofrimento ou dano ao indivíduo ou a outras pessoas.
As escalas de avaliação podem abordar tanto a intensidade da parafi-
lia quanto a gravidade de suas consequências. O critério de sofrimento ou 
prejuízo causado pela parafilia é específico para avaliar as consequências 
diretas da parafilia, enquanto outras medidas podem ser usadas para ava-
liar o funcionamento psicossocial geral do indivíduo.
82
Os transtornos mentais da infância e adolescência abrangem uma am-
pla gama de condições que afetam o desenvolvimento emocional, compor-
tamental e cognitivo de crianças e adolescentes (Marcelli; Cohen, 2010).
3.1 TRANSTORNOS DO 
NEURODESENVOLVIMENTO
Os transtornos do neurodesenvolvimento são condições que afetam o 
funcionamento do cérebro e do sistema nervoso, resultando em dificulda-
des no desenvolvimento de habilidades específicas, como linguagem, coor-
denação motora, atenção, aprendizado e interação social. 
O Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) é caracterizado por dé-
ficits persistentes na comunicação social e interação, junto com padrões 
restritos e repetitivos de comportamento, interesses ou atividades. Os sin-
tomas incluem dificuldades na comunicação verbal e não verbal, como uso 
repetitivo da linguagem, problemas em compreender gestos; dificuldades 
na interação social, como em desenvolver relacionamentos e compartilhar 
emoções; comportamentos repetitivos ou estereotipados, como balançar o 
corpo; e sensibilidade sensorial, como hipersensibilidade a estímulos sen-
soriais (Marcelli; Cohen, 2010).
33. TRANSTORNOS DA INFÂNCIA E 
ADOLESCÊNCIA 
Capítulo 2
83
Figura 18. Símbolo da Campanha de Conscientização sobre o TEA
Fonte: Freepik (2024). 
#ParaTodosVerem: a imagem mostra, no canto superior esquerdo, um globo coberto por peças 
de quebra-cabeça de várias cores. No centro superior: um símbolo de fita, também composto 
por peças de quebra-cabeça coloridas, formando a forma da fita de conscientização comumente 
associada ao autismo. No canto superior direito: uma criança em desenho animado com cabelos 
castanhos, vestindo uma camiseta vermelha, calças verdes, segurando uma grande peça de que-
bra-cabeça em suas mãos. No canto inferior esquerdo: duas impressões de mãos, uma em azul 
e outra em verde, com as áreas das palmas preenchidas com peças de quebra-cabeça. No centro 
inferior: uma forma de coração, novamente composta por peças de quebra-cabeça coloridas. No 
canto inferior direito: uma criança em desenho animado com cabelos loiros, vestindo uma blusa 
rosa e calças azuis, segurando uma peça de quebra-cabeça.
O Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH) é caracte-
rizado por padrões persistentes de desatenção, hiperatividade e impulsivi-
dade que interferem no funcionamento ou desenvolvimento. Os sintomas 
incluem desatenção, como dificuldade em manter o foco; hiperatividade, 
manifestada por inquietude e dificuldade em ficar parado; e impulsividade, 
como agir sem pensar nas consequências (Marcelli; Cohen, 2010).
Capítulo 2
84
Figura 19. Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH)
Fonte: Freepik (2024). 
#ParaTodosVerem: imagem de uma criança sentada em frente uma mesa fazendo atividades em 
um caderno. A criança está com uma mão segurando um lápis e a outra com o cotovelo apoiado. 
Sobre a mesa temos um porta-lápis na cor verde e alguns livros.
O Transtorno do Desenvolvimento da Coordenação (TDC) é caracterizado 
por dificuldades persistentes na coordenação motora, prejudicando ativida-
des diárias e acadêmicas, como escrever ou pegar objetos. Já o Transtorno do 
Desenvolvimento da Linguagem (TDL) envolve dificuldades na compreensão e/
ou expressão da linguagem, resultando em atraso no desenvolvimento da fala. 
Por fim, o Transtorno do Desenvolvimento da Aprendizagem Específica (TDAE) 
se manifesta em dificuldades específicas na leitura, escrita e matemática, afe-
tando o desempenho acadêmico. Esses transtornos do neurodesenvolvimento 
podem variar em gravidade e impacto, e o diagnóstico e tratamento adequa-
dos são essenciais para ajudar os indivíduos a lidarem com suas dificuldades e 
alcançarem seu potencial máximo.
Vídeo
O Que Esperar Quando Você Está Esperando (What 
to Expect When You’re Expecting) aborda o TDAH 
de forma autêntica e sensível. Entre as várias his-
tórias de casais esperando um filho, destaca-se 
a de Rosie, diagnosticada com TDAH durante a 
gravidez, que enfrenta os desafios do transtorno 
durante a gestação e após o nascimento do bebê. 
Assista ao trailer no QR Code ao lado. 
https://www.youtube.com/watch?v=NFaEZB3fSfw
Capítulo 2
85
3.2 TRANSTORNOS DE ALIMENTAÇÃO E 
ALIMENTARES 
O Transtorno da Alimentação Seletiva, agora denominado Transtorno 
da Alimentação e da Ingestão de Alimentos (TAIA), é uma condição que afe-
ta a alimentação na infância. O Transtorno da Alimentação e da Ingestão de 
Alimentos é caracterizado pela restrição alimentar persistente que leva a 
uma ingestão alimentar inadequada, resultando em problemas significati-
vos de crescimento, desenvolvimento e saúde.
Figura 20. Seletividade alimentar em crianças
Fonte: Freepik (2024).
#ParaTodosVerem: imagem de uma criança vestindo uma blusa branca. Ela segura um pão em cada 
mão e um deles está levando em direção à boca. A criançaestá sorridente e com os olhos fechados.
Anteriormente conhecido como Transtorno da Alimentação Seletiva ou 
Seletividade Alimentar, o TAIA é uma condição que vai além das preferências 
alimentares normais da infância e causa impacto negativo no funcionamento 
diário da criança. O Transtorno Alimentar Restritivo/Evitativo é caracterizado 
por uma restrição significativa na ingestão de alimentos, resultando em uma 
ingestão calórica insuficiente para sustentar um peso corporal saudável e um 
crescimento adequado (em crianças). Pessoas com este transtorno podem 
evitar alimentos com determinadas texturas, cores, cheiros ou podem res-
tringir sua dieta devido a preocupações com o ganho de peso ou com o medo 
de se engasgar ou vomitar (APA, 2023).
Capítulo 2
86
3.3 TRANSTORNOS DO COMPORTAMENTO 
DISRUPTIVO E DO CONTROLE DE IMPULSOS 
Nessa classificação estão inclusos: o Transtorno de Desregulação Disruptiva 
de Humor, Transtorno de Conduta e o Transtorno Opositor Desafiador (TOD). 
O Transtorno de Desregulação Disruptiva do Humor (TDDH) é caracterizado 
por irritabilidade persistente e recorrente e explosões de raiva desproporcio-
nais às circunstâncias. Esses sintomas são frequentemente desencadeados 
por frustração e podem ocorrer em vários contextos, estando frequentemente 
associados à exposição a eventos traumáticos ou estressantes.
Figura 21. Transtorno Disruptivo da Desregulação do Humor (TDDH)
Fonte: Freepik (2024).
#ParaTodosVerem: há uma criança no centro da imagem. Ela está vestindo uma camisa de botão 
na cor bege e está com o semblante de irritação, com a boca aberta, gritando. Ao fundo temos 
uma ilustração do que parece ser fogo.
O Transtorno da Conduta é definido por um padrão repetitivo e per-
sistente de comportamentos agressivos, desafiadores e antiéticos que vio-
lam os direitos básicos dos outros ou normas sociais importantes, como 
roubo, vandalismo, agressão física, violação de regras e normas, mentiras 
Capítulo 2
87
frequentes e falta de remorso ou empatia pelos outros. Já o Transtorno 
de Oposição Desafiante (TOD) é um padrão persistente de comportamento 
desafiador, irritável, desobediente e hostil em relação a figuras de autori-
dade, como pais, professores e outras figuras adultas. As crianças com TOD 
discordam das regras, culpam os outros por seus erros e têm dificuldade 
em aceitar a responsabilidade por suas ações (Marcelli; Cohen, 2010).
Vídeo
Precisamos Falar Sobre o Kevin (We Need to Talk 
About Kevin) explora a dinâmica entre uma mãe 
e seu filho Kevin. O filme aborda maternidade, 
responsabilidade parental e natureza versus cria-
ção. A partir de flashbacks, revela os eventos que 
levaram ao ato violento do filho e como a mãe 
lida com as consequências emocionais e sociais 
da tragédia, além do diagnóstico de Transtorno 
de Conduta. Assista ao trailer no QR Code ao lado. 
https://www.youtube.com/watch?v=37Hwj5j6z3Y
88
O sistema de classificação dos transtornos mentais, como o DSM-5, 
é uma ferramenta amplamente utilizada na prática clínica e na pesquisa 
psiquiátrica. No entanto, também enfrenta várias limitações e críticas.
1. Subjetividade nos critérios de diagnóstico: os critérios de diag-
nóstico para muitos transtornos mentais são baseados em sinto-
mas subjetivos relatados pelo paciente ou observados pelo clínico, 
o que pode levar a variações na interpretação e diagnóstico entre 
diferentes profissionais de saúde mental;
2. Sobrediagnóstico e supermedicalização: algumas críticas apon-
tam para a tendência de diagnosticar e medicar em excesso certos 
transtornos, o que pode resultar em uma medicalização excessiva 
de problemas que poderiam ser melhor abordados por meio de 
abordagens não medicamentosas;
3. Estigma e rotulagem: o uso de rótulos diagnósticos pode levar ao 
estigma social e à autopercepção negativa por parte dos pacientes, 
podendo influenciar a maneira como eles são vistos pela sociedade 
e até mesmo por eles mesmos;
4. Heterogeneidade dos transtornos: muitos transtornos mentais 
são extremamente heterogêneos em termos de sintomas, gravidade 
e resposta ao tratamento, o que pode dificultar o desenvolvimento 
de abordagens terapêuticas eficazes e individualizadas;
5. Culturalidade e universalidade: os critérios de diagnóstico podem 
refletir viés cultural e etnocêntrico, o que pode resultar em diagnós-
ticos inadequados ou imprecisos em contextos culturais diferentes 
daqueles em que foram desenvolvidos;
44. LIMITAÇÕES E CRÍTICAS AO 
SISTEMA DE CLASSIFICAÇÃO DOS 
TRANSTORNOS MENTAIS 
Capítulo 2
89
6. Falta de base biológica sólida: embora muitos transtornos tenham 
uma base biológica subjacente, os critérios de diagnóstico muitas 
vezes não refletem totalmente essa compreensão, o que pode limi-
tar a eficácia dos tratamentos;
7. Exclusão de experiências normais: alguns críticos argumentam 
que os critérios diagnósticos são muito amplos e podem patologizar 
experiências humanas normais, como tristeza ou preocupação, le-
vando à medicalização de emoções comuns;
8. Pouca ênfase no contexto social: O sistema de classificação mui-
tas vezes não leva totalmente em consideração o contexto social, 
ambiental e cultural em que os transtornos mentais se desenvol-
vem, o que pode limitar a compreensão e o tratamento eficaz des-
ses transtornos.
Essas limitações e críticas destacam a complexidade e os desafios as-
sociados ao diagnóstico e classificação dos transtornos mentais e ressaltam 
a importância contínua de revisão e aprimoramento dos sistemas de classi-
ficação existentes.
90
CONSIDERAÇÕES 
FINAIS
Em conclusão, este capítulo explorou o sistema de classificação dos 
transtornos mentais, com foco nas diferenças entre o DSM-5 e o CID-11, os 
diferentes tipos de transtornos mentais e as especificidades dos transtor-
nos da infância e adolescência, além de examinar as limitações e críticas as-
sociadas a esse sistema. A comparação entre o DSM-5 e o CID-11 destacou 
as nuances e abordagens distintas adotadas por cada sistema, refletindo 
diferentes perspectivas e necessidades de classificação em níveis nacional 
e internacional. Embora compartilhem muitos princípios básicos, como a 
organização em categorias diagnósticas, existem diferenças significativas 
nos critérios específicos de diagnóstico e na estrutura geral.
Exploramos uma ampla variedade de transtornos mentais, os 
Transtornos do Neurodesenvolvimento foram abordados com ênfase na 
importância do diagnóstico precoce e das intervenções terapêuticas espe-
cíficas, considerando sua manifestação desde a infância. No espectro da 
Esquizofrenia e Outros Transtornos Psicóticos, destacamos a complexidade 
dos sintomas e a necessidade de um manejo multidisciplinar para melhorar 
a qualidade de vida dos pacientes.
Os Transtornos Bipolar e relacionados, juntamente com os Transtornos 
Depressivos, foram discutidos com foco nas flutuações de humor e no 
impacto significativo que têm na funcionalidade diária dos indivíduos. Os 
Transtornos de Ansiedade, comuns e debilitantes, foram descritos com 
atenção às suas diversas manifestações e aos tratamentos disponíveis que 
podem mitigar o sofrimento.
A análise do Transtorno Obsessivo-Compulsivo e Transtornos 
Relacionados, assim como dos Transtornos Relacionados a Trauma e a 
Estressores, enfatizou a necessidade de abordagens terapêuticas específi-
cas e sensíveis ao contexto. Os Transtornos Dissociativos e os Transtornos 
Capítulo 2
91
de Sintomas Somáticos foram apresentados como condições que frequen-
temente desafiam o diagnóstico preciso e exigem um cuidado integrativo.
Os Transtornos Alimentares, da Eliminação e do Sono-Vigília foram dis-
cutidos com ênfase na intersecção entre fatores biológicos, psicológicos e 
sociais. A seção sobre Disfunções Sexuais e Disforia de Gênero ressaltou 
a importância da compreensão e do apoio clínico sensível às questões de 
identidade e função sexual.
Os Transtornos Disruptivos, do Controle de Impulsos e da Conduta, bem 
como os Transtornos Relacionados a Substâncias e TranstornosAditivos, 
foram examinados em termos de suas repercussões sociais e a necessi-
dade de intervenções preventivas e terapêuticas eficazes. Os Transtornos 
Neurocognitivos foram abordados com destaque para a relevância do diag-
nóstico precoce e das estratégias de manejo para manter a autonomia dos 
pacientes.
Cada transtorno possui suas próprias características distintivas e crité-
rios de diagnóstico, refletindo a complexidade da psicopatologia humana. 
No entanto, também reconhecemos as limitações e críticas ao sistema de 
classificação dos transtornos mentais, incluindo preocupações sobre sub-
jetividade nos critérios de diagnóstico, estigma e rotulagem, falta de base 
biológica sólida e a tendência de supermedicalização.
Apesar dessas limitações, o sistema de classificação dos transtornos 
mentais continua a ser uma ferramenta valiosa na prática clínica e na pes-
quisa, fornecendo uma estrutura para a compreensão e abordagem dos 
desafios de saúde mental. No entanto, é fundamental reconhecer suas fa-
lhas e trabalhar continuamente para aprimorar e adaptar esses sistemas às 
necessidades em evolução da comunidade médica e da sociedade em geral.
92
1. O DSM-5 (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, 
quinta edição) e a CID-11 (Classificação Internacional de Doenças, déci-
ma-primeira revisão) são sistemas de classificação usados globalmen-
te para diagnosticar e categorizar transtornos mentais. O DSM-5, pu-
blicado pela Associação Americana de Psiquiatria (APA), é amplamente 
utilizado nos Estados Unidos e foca especificamente nos transtornos 
mentais, oferecendo critérios diagnósticos detalhados baseados em 
sintomas clínicos. A CID-11, desenvolvida pela Organização Mundial 
da Saúde (OMS), é uma classificação mais abrangente que cobre to-
das as condições médicas, incluindo transtornos mentais, e é utilizada 
mundialmente, proporcionando uma linguagem comum para a saúde 
pública e a prática clínica internacional. Ambos os sistemas visam pa-
dronizar diagnósticos para melhorar o tratamento e a pesquisa, mas 
diferem em escopo e algumas abordagens diagnósticas. 
Qual das seguintes afirmações sobre o DSM-5 e o CID-11 está correta?
a. O DSM-5 e o CID-11 compartilham princípios básicos de organiza-
ção, mas diferem em critérios específicos de diagnóstico e estrutura 
geral. 
b. O DSM-5 é uma classificação internacionalmente reconhecida, en-
quanto o CID-11 é usado apenas nos Estados Unidos.
c. O DSM-5 e o CID-11 têm critérios diagnósticos idênticos para todos 
os transtornos mentais. 
d. O DSM-5 e o CID-11 foram publicados pela mesma organização.
ATIVIDADES 
DE ESTUDO
Capítulo 2
93
2. A depressão é um transtorno mental caracterizado por uma tristeza 
persistente e uma perda de interesse ou prazer em atividades ante-
riormente prazerosas. Pode interferir significativamente na capacida-
de da pessoa de realizar atividades diárias e manter relacionamentos. 
A depressão é mais do que um simples episódio de tristeza ou luto, 
sendo uma condição médica que requer tratamento. 
Qual dos seguintes não é um sintoma comum da depressão? 
a. Elevado nível de energia. 
b. Irritabilidade persistente. 
c. Hipersonia. 
d. Fadiga extrema.
3. A medicalização dos transtornos mentais é um fenômeno comple-
xo com implicações tanto positivas quanto negativas. Enquanto pode 
levar a melhores tratamentos e redução de estigma, também pode 
resultar em diagnósticos excessivos e dependência de medicamen-
tos. É essencial que profissionais de saúde, pacientes e a sociedade 
em geral abordem a medicalização com uma perspectiva equilibrada, 
considerando as necessidades individuais e as melhores práticas ba-
seadas em evidências. 
Qual é uma crítica relacionada à medicalização excessiva no diagnós-
tico de transtornos mentais?
a. A medicalização excessiva pode levar ao uso indiscriminado de 
medicamentos.
b. A medicalização excessiva leva à subestimação dos problemas de 
saúde mental.
c. A medicalização excessiva é amplamente aceita como uma prática 
benéfica.
d. A medicalização excessiva não tem impacto na prestação de cuida-
dos de saúde mental.
94
REFERÊNCIAS 
ALMEIDA, M. S. C.; SOUZA, L. F.; RABELLO, P. M.; SANTIAGO, B. M. Classificação 
Internacional das Doenças – 11ª revisão: da concepção à implementação. 
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fsp.usp.br/artigo/classificacao-internacional-das-doencas-11%E1%B5%-
83-revisao-da-concepcao-a-implementacao/. Acesso em: 04 maio 2024.
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Estatístico de Transtornos Mentais – DSM-5-TR. Porto Alegre: Grupo 
A, 2023. E-book. Disponível em: https://app.minhabiblioteca.com.br/#/
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2024. E-book. Disponível em: https://app.minhabiblioteca.com.br/#/
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2015. E-book. Disponível em: https://app.minhabiblioteca.com.br/#/
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FIRST, M. B.; WILLIAMS, J. B.; KARG, R. S.; SPITZER, R. L. Entrevista clíni-
ca estruturada para os transtornos do DSM-5. Porto Alegre: Grupo 
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GONÇALVES, A. P. Psicopatologia. São Paulo: Saraiva, 2021. E-book. Disponível 
em: https://app.minhabiblioteca.com.br/#/books/9786589965596/. Acesso 
em: 15 abr. 2024. 
MARCELLI, D.; COHEN, D. Infância e psicopatologia. Porto Alegre: Grupo 
A, 2010. E-book. Disponível em: https://app.minhabiblioteca.com.br/#/
books/9788536324616/. Acesso em: 15 abr. 2024. 
https://rsp.fsp.usp.br/artigo/classificacao-internacional-das-doencas-11%E1%B5%83-revisao-da-concepcao-a-implementacao/
https://rsp.fsp.usp.br/artigo/classificacao-internacional-das-doencas-11%E1%B5%83-revisao-da-concepcao-a-implementacao/
https://rsp.fsp.usp.br/artigo/classificacao-internacional-das-doencas-11%E1%B5%83-revisao-da-concepcao-a-implementacao/
Capítulo 2
95
NARDI, A. E.; QUEVEDO, J.; SILVA, A. G. Transtorno de ansiedade social. 
Porto Alegre: Grupo A, 2014. E-book. Disponível em: https://app.minhabi-
blioteca.com.br/#/books/9788582710364/. Acesso em: 28 abr. 2024.
ROBERTS, L. W.; LOUIE, A. K. Guia de estudo para o DSM-5. Porto Alegre: 
Grupo A, 2017. E-book. Disponível em: https://app.minhabiblioteca.com.
br/#/books/9788582714003/. Acesso em: 15 abr. 2024.
96
CAPÍTULO 3
TRATAMENTO E POLÍTICAS 
PÚBLICAS DIRECIONADOS PARA A 
SAÚDE MENTAL
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
A partir da perspectiva do saber-fazer, são apresentados os seguintes 
objetivos de aprendizagem:
• Apresentar os campos de tratamento e Políticas Públicas direciona-
das à saúde mental; 
• Descrever os tratamentos voltados à saúde mental: psicoterapia, 
farmacoterapia e intervenções baseadas em evidências; 
• Historiar sobre a inserção do atendimento à saúde mental no SUS;
• Debater sobre a Rede Pública de Assistência à Saúde Mental; 
• Capacidade de entender a construção de um modelo de Atenção à 
Saúde Mental no Sistema Único de Saúde; 
• Conhecer a propedêutica dos tratamentos dos transtornos mentais: 
farmacológico, psicoterápico e baseado no modelo de evidências; 
• Aprofundar nos dispositivos do SUS de Atenção à Saúde Mental. 
97
CONTEXTUALIZAÇÃO
A saúde mental é um aspecto fundamental do bem-estar hu-
mano, influenciando diretamente a qualidade de vida e a capaci-
dade de enfrentar os desafios da vida cotidiana. Diante disso, os 
campos de tratamento e políticas públicas voltadas para a saúde 
mental desempenham um papel crucial na promoção do cuidado 
adequado e na garantia do acesso a serviços eficazes para aqueles 
que necessitam. 
Neste capítulo, abordaremos os diversos aspectos dos tra-
tamentos voltados à saúde mental, destacando a importância da 
psicoterapia, da farmacoterapia e das intervenções baseadas em 
evidências. Compreenderemoscomo essas abordagens podem ser 
integradas para proporcionar um cuidado abrangente e individua-
lizado aos pacientes, considerando suas necessidades específicas e 
particularidades. Destacaremos as diretrizes clínicas mais recentes 
e as melhores práticas no manejo dos transtornos mentais, visan-
do proporcionar um entendimento abrangente e atualizado das 
opções terapêuticas disponíveis. 
Além disso, examinaremos a história da inserção do atendi-
mento à saúde mental no Sistema Único de Saúde (SUS), que hoje é 
consolidada na Rede de Atenção Psicossocial (RAPS). A implemen-
tação de políticas públicas para a saúde mental no Brasil é de suma 
importância para promover o acesso equitativo e a qualidade dos 
serviços de saúde mental em todo o país. Essas políticas cumprem 
um papel fundamental na promoção do bem-estar psicológico da 
população, na prevenção de transtornos mentais e no tratamento 
adequado para aqueles que já enfrentam desafios relacionados à 
saúde mental. 
Capítulo 3
98
Uma política pública eficaz para a saúde mental não apenas 
garante o acesso a serviços de saúde mental de qualidade, mas 
também destaca a importância da promoção da saúde mental 
em todos os níveis da sociedade. Isso inclui a implementação de 
programas de prevenção que visam reduzir os fatores de risco as-
sociados aos transtornos mentais, como o estresse, o isolamento 
social, a violência e o acesso limitado a recursos básicos. 
Vale ressaltar que as políticas públicas bem elaboradas para a 
saúde mental têm o potencial de reduzir o estigma e a discrimina-
ção associados aos transtornos mentais, promovendo uma cultura 
de respeito, compreensão e apoio às pessoas que enfrentam desa-
fios de saúde mental. Isso é crucial para encorajar os indivíduos a 
buscarem ajuda quando necessário e para assegurar que aqueles 
que precisam de tratamento recebam o suporte adequado sem 
medo de discriminação ou julgamento. 
Ao longo deste Capítulo, também discutiremos a construção 
de um modelo de Atenção à Saúde Mental no âmbito do SUS, consi-
derando os princípios da integralidade, universalidade e equidade. 
Examinaremos os dispositivos específicos disponíveis no SUS para 
atender às demandas de saúde mental da população, capacitando 
vocês a entender e utilizar eficazmente os recursos disponíveis. 
99
1
Nesta seção, mergulharemos nas técnicas usadas por profissionais de 
saúde mental para auxiliar os indivíduos a superar os desafios da doença 
mental, destacando suas características e aplicabilidades.
 “
Transtornos mentais ou transtornos psiquiátricos são caracterizados por 
uma perturbação clinicamente significativa no comportamento do indiví-
duo, o que inclui a presença de alterações cognitivas e dificuldades na re-
gulação emocional, que impactam sua adaptação psicossocial, gerando so-
frimento e prejuízos tanto funcionais como relacionais. O tratamento para 
esses transtornos requer o uso de medicação e a implementação de inter-
venções não medicamentosas, que tem por objetivo melhorar o potencial 
individual desses pacientes em suas atividades de vida diária, o que inclui 
os domínios familiar, social e ocupacional. (Pantano; Neto, 2024, p. 3)
A psicoterapia é uma das abordagens terapêuticas mais conhecidas e 
adotadas no tratamento dos transtornos mentais. Por meio de sessões de 
conversa guiada, os terapeutas ajudam os pacientes a explorar seus pensa-
mentos, emoções e comportamentos, identificando padrões disfuncionais 
e desenvolvendo estratégias para enfrentar os desafios da vida. De terapias 
tradicionais, como a psicanálise, a abordagens mais modernas, como a te-
rapia cognitivo-comportamental, a psicoterapia oferece um espaço seguro 
e acolhedor para a autoexploração e a mudança.
O tratamento dos transtornos mentais é um campo complexo e multifa-
cetado, que abrange uma variedade de abordagens terapêuticas. 
1. ABORDAGENS TERAPÊUTICAS 
NO ENFRENTAMENTO DA DOENÇA 
MENTAL
Capítulo 3
100
Figura 1. O processo psicoterapêutico
 
Fonte: Freepik (2024).
#ParaTodosVerem: a imagem mostra, em primeiro plano, uma pessoa sentada com uma das per-
nas cruzadas apoiando uma prancheta no colo e realizando anotações. Ao fundo, há uma pessoa 
com a cabeça abaixada, sentada em um sofá.
Como forma de tratamento associado, a psicofarmacoterapia en-
volve o uso de medicamentos psiquiátricos para tratar os sintomas dos 
transtornos mentais, visando restaurar o equilíbrio químico do cérebro. 
Antidepressivos, estabilizadores de humor, antipsicóticos e ansiolíticos são 
algumas das classes de medicamentos comumente prescritos. Embora es-
ses fármacos possam ser altamente eficazes no alívio dos sintomas, é pri-
mordial um monitoramento cuidadoso por parte de profissionais de saúde 
para garantir sua segurança e eficácia (Oliveira; Schwartz; Stahl, 2015).
Capítulo 3
101
Figura 2. Tratamento psicofarmacológico nos transtornos mentais
 
Fonte: Freepik (2024).
#ParaTodosVerem: a imagem mostra um homem sentado em um sofá de frente para um laptop. 
Ele segura um tipo de medicamento com uma das mãos. Sobre a mesa há diversos vidros de re-
médios e algumas cartelas. 
As intervenções baseadas em evidências são aquelas que se funda-
mentam em pesquisas científicas sólidas e são recomendadas por diretrizes 
clínicas para o tratamento de transtornos mentais específicos. Ao integrar 
o conhecimento científico mais recente com a experiência clínica, os pro-
fissionais de saúde mental podem oferecer tratamentos personalizados e 
orientados para resultados positivos a longo prazo.
1.1 PSICOTERAPIA: EXPLORANDO A MENTE E AS 
EMOÇÕES 
A psicoterapia é um tratamento que envolve a interação entre um psi-
coterapeuta e um cliente ou paciente, com o objetivo de explorar e resolver 
questões emocionais, comportamentais, cognitivas ou interpessoais. Essa 
interação é conduzida por meio de conversas e técnicas específicas, visando 
melhorar o bem-estar psicológico e promover mudanças positivas na vida 
do paciente.
Capítulo 3
102
Figura 3. Emoções humanas
 
Fonte: Freepik (2024).
#ParaTodosVerem: a imagem mostra um mosaico com vários rostinhos expressando emoções. 
Há rostinhos felizes, sorridentes, tristes, mandando beijos e assustados.
Salienta-se que a origem do termo “Psicologia Clínica” é atribuída ao 
cientista político Lightner Witmer, que, em 1896, fundou a primeira clínica 
de Psicologia na Universidade da Pensilvânia. Inicialmente, ela foi estabe-
lecida principalmente para realizar avaliações psicológicas, sendo que o 
tratamento efetivo começou a ser aplicado mais tarde, a partir da década 
de 1940. Em termos gerais, a Psicologia clínica pode ser definida como a 
aplicação de técnicas específicas baseadas em evidências científicas na área 
da saúde mental, objetivando reduzir o sofrimento psicológico e promover 
a reintegração do indivíduo em seu meio, além de tratar certos distúrbios 
mentais (Souza, 2021).
É importante reforçar que todo psicólogo deve ter o registro ativo no 
Conselho Regional de Psicologia (CRP) do Estado em que atua. O CRP é o 
órgão que responde ao Conselho Federal de Psicologia (CFP) o qual promo-
ve a regulamentação da profissão, bem como a fiscalização e proteção dos 
direitos e deveres de psicólogos e da população atendida (Souza, 2021).
Há inúmeras visões teóricas dentro da Psicologia, mas, nesta disciplina, 
estudaremos as principais abordagens utilizadas para a terapêutica junto 
Capítulo 3
103
a paciente com transtornos mentais. A Terapia Psicanalítica e a Terapia 
Cognitivo-Comportamental (TCC) são duas perspectivas fundamentais den-
tro do campo da psicoterapia, cada uma com suas próprias teorias, técni-
cas e métodos de intervenção. Ambas têm sido amplamente utilizadas no 
tratamento de uma variedade de questões emocionais, comportamentais e 
psicológicas, embora difiram significativamente em termos de abordagem 
e fundamentos teóricos.
1.1.1 Terapia psicanalítica 
A Psicanálise, como formulada por Sigmund Freud no final do século 
XIX e início do século XX, propõeque as forças inconscientes, reprimidas 
desde a infância, moldam a maneira como pensamos, sentimos e compor-
tamo-nos. Essa teoria revolucionou a compreensão da mente humana ao 
destacar o papel do inconsciente na vida cotidiana (Marie, 2022).
Figura 4. Sigmund Freud: pai da Psicanálise 
 
Fonte: Freepik (2024).
#ParaTodosVerem: a imagem mostra uma pintura de Sigmund Freud. Uma de suas mãos pinta 
algo que está sobre a mesa, enquanto a outra apoia o pescoço. Ao fundo, há uma estante com 
vários livros.
Capítulo 3
104
Um dos conceitos fundamentais da Psicanálise é o de que a mente 
humana se divide em três instâncias principais: o id, o ego e o superego. O 
id representa os impulsos primitivos e biológicos, operando com base no 
princípio do prazer, almejando a satisfação imediata. Já o ego se desenvolve 
a partir do id, funcionando segundo o princípio da realidade, trabalhando 
para equilibrar os desejos do id com as exigências do mundo real. Por sua 
vez, o superego, formado pelas influências e pelas normas sociais absorvi-
das principalmente durante os primeiros anos de vida, atua como um juiz 
ou censor para o ego, impondo os limites morais e éticos.
Marie (2022) afirma que essas três entidades se interagem constante-
mente, gerando conflitos internos capazes de influenciar o comportamento 
e a saúde emocional do indivíduo. A Psicanálise objetiva trazer equilíbrio 
entre essas forças, auxiliando a pessoa a entender e resolver esses conflitos 
internos.
 “
Na visão psicanalítica, os sintomas e síndromes mentais são considerados 
formas de expressão de conflitos, predominantemente inconscientes, de 
desejos que não podem ser realizados, de temores aos quais o indivíduo 
não tem acesso. O sintoma é encarado, nesse caso, como uma “formação de 
compromisso”, um certo arranjo entre o desejo inconsciente, as normas e 
as permissões culturais e as possibilidades reais de satisfação desse desejo. 
A resultante desse emaranhado de forças, dessa “trama conflitiva” incons-
ciente, é o que se identifica como sintoma psicopatológico. (Dalgalarrondo, 
2019, p. 11)
As sessões tipicamente ocorrem com o paciente deitado em um divã e 
o terapeuta sentado atrás, fora do campo de visão do paciente. Isso é feito 
para facilitar a livre associação, um processo no qual o paciente verbaliza 
seus pensamentos, suas fantasias e suas memórias sem censura, permitin-
do que surjam conteúdos inconscientes.
Capítulo 3
105
Figura 5. O divã e a Psicanálise
Fonte: Freepik (2024).
#ParaTodosVerem: a imagem mostra uma sala iluminada com um sofá divã. Ao fundo, há uma 
janela fechada com as cortinas abertas.
Uma das principais ferramentas usadas pelo psicanalista é a interpre-
tação. Isso inclui a interpretação de sonhos, em que se acredita que o con-
teúdo manifestado neles serve como uma “fachada” para os desejos laten-
tes e conflitos reprimidos. Outro elemento-chave são os lapsos freudianos 
(atos falhos), nos quais erros aparentemente triviais na fala ou na memória 
são vistos como revelações de conflitos inconscientes (Simões, 2019).
Outro aspecto crucial do processo psicanalítico é a transferência, em 
que a paciente projeta sentimentos e atitudes desenvolvidos em relação 
a figuras importantes de sua vida passada sobre o terapeuta. Isso ajuda a 
revelar conflitos e desejos reprimidos que o paciente possa estar incons-
cientemente retendo. A contratransferência, por sua vez, refere-se às rea-
ções emocionais do terapeuta aos fenômenos de transferência do paciente, 
requerendo uma análise cuidadosa por parte do terapeuta a fim de não 
interferir negativamente no processo terapêutico (Minerbo, 2020).
Capítulo 3
106
Figura 6. O processo de transferência
 
Fonte: Freepik (2024).
#ParaTodosVerem: a imagem mostra uma mulher de olhos fechados segurando na frente do 
rosto um pedaço de espelho quebrado. No reflexo desse espelho, há a imagem de um homem.
Ressalte-se que a eficácia da psicanálise tem sido tema de debates. 
Alguns estudos sugerem que ela pode ser muito eficaz para certos tipos 
de problemas psicológicos, especialmente aqueles ligados a traumas e às 
questões emocionais profundas. Contudo, ela também enfrenta críticas, 
particularmente pela sua natureza interpretativa, que pode levar a uma 
sobrevalorização do papel do inconsciente e uma possível subjetividade 
excessiva nas interpretações.
Apesar das críticas, a psicanálise continua a ser uma ferramenta va-
liosa e influente na compreensão da mente humana, oferecendo insights 
profundos sobre a natureza do comportamento humano, e ainda é ampla-
mente praticada e respeitada em muitas partes do mundo. Ao promover 
um entendimento mais profundo de si e dos outros, ela facilita um caminho 
para o autoconhecimento e a cura emocional.
Capítulo 3
107
1.1.2 Terapia Cognitivo-Comportamental
Ela é fundamentada na crença de que os pensamentos disfuncionais 
influenciam diretamente o comportamento e as emoções de uma pessoa, 
cooperando para transtornos psicológicos. O seu foco é identificar, desafiar 
e modificar crenças e pensamentos negativos, objetivando alterar padrões 
de comportamento indesejados e melhorar o bem-estar emocional (Beck, 
2017).
Vale frisar que a TCC se baseia na teoria cognitiva, a qual sugere que os 
pensamentos (cognições) exercem um papel crucial na forma como senti-
mos e agimos. Aaron T. Beck, um dos pioneiros da TCC, identificou padrões 
de “pensamentos automáticos” negativos que contribuem para problemas 
emocionais e comportamentais. Esta incorpora técnicas comportamentais 
derivadas do behaviorismo, como o condicionamento operante e o condi-
cionamento clássico. Técnicas como o treinamento de habilidades sociais, 
a exposição (usada para tratar fobias e ansiedade) e o reforço positivo são 
usados para modificar comportamentos problemáticos.
A Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) é uma forma de psicoterapia 
que combina elementos das abordagens cognitivas e comportamentais 
para tratar uma variedade de distúrbios psicológicos. 
Capítulo 3
108
Figura 7. Terapia Cognitivo-Comportamental
 
Fonte: Freepik (2024).
#ParaTodosVerem: a ilustração mostra duas pessoas conversando. No lado esquerdo, há um 
homem gesticulando com a mão e, em cima de sua cabeça, há um balão com uma linha toda enro-
lada. De frente para ele, ao lado direito, há uma mulher segurando uma prancheta com uma das 
mãos, enquanto a outra apoia o queixo. Sobre a cabeça dela há um balão com uma linha enrolada 
de forma organizada.
O terapeuta e o paciente trabalham juntos para definir metas claras e 
alcançáveis. Além disso, as sessões são projetadas para serem pragmáticas, 
direcionadas e sistemáticas. Beck (2017) afirma que o paciente e o tera-
peuta estabelecem uma relação colaborativa, na qual ambos participam 
ativamente do processo de tratamento. O paciente é encorajado a realizar 
“tarefas de casa” para praticar habilidades ou experimentar novos compor-
tamentos entre as sessões. 
A TCC é estruturalmente orientada a objetivos e centrada na resolução 
de problemas específicos. 
Capítulo 3
109
Em resumo, a Terapia Cognitivo-Comportamental é uma abordagem 
terapêutica eficaz, baseada em evidências, que se concentra em resolver 
problemas atuais e desenvolver habilidades para modificar pensamentos e 
comportamentos disfuncionais. A relação com o DSM é fundamental para 
garantir que o diagnóstico e o tratamento sejam aplicados de maneira pre-
cisa e eficaz.
1.2 PSICOFARMACOTERAPIA: RESTAURANDO O 
EQUILÍBRIO QUÍMICO
A psicofarmacoterapia é a prática de tratar transtornos mentais e pro-
blemas emocionais por meio de medicamentos. Ela é frequentemente utili-
zada em conjunto com outras formas de terapia, como a psicoterapia, para 
tratar uma variedade de condições psiquiátricas. Os medicamentos usados 
na psicofarmacoterapia são projetados para alterar a química cerebral a fim 
de poderem ajudar a aliviar os sintomas ou corrigir desequilíbrios químicos 
que contribuem para os transtornos mentais (Elisabetsky, 2021).
 “
No campo da psicopatologia,medicalização é um conceito que se refere 
mais especificamente à transformação de comportamentos desviantes em 
doenças ou transtornos mentais, implicando geralmente a ação do contro-
le e poder médico sobre as condições transformadas em entidades médi-
cas. (Dalgalarrondo, 2019, p.18)
Frise-se que a psicofarmacoterapia deve ser monitorada cuidadosa-
mente por um profissional da saúde, geralmente um psiquiatra, para ajustar 
a dosagem corretamente, monitorar os efeitos colaterais e avaliar a eficácia 
Dica de Leitura
A Associação Brasileira de Ciências do Comportamento 
(ABPMC) é uma entidade que agrega os conhecimen-
tos da Análise do comportamento, da terapia compor-
tamental e da medicina comportamental. Tem como 
parte de sua missão promover e fomentar o desenvol-
vimento científico e tecnológico da Análise do Compor-
tamento e áreas afins, e assim começou a editar e pu-
blicar a Revista Brasileira de Terapia Comportamental e 
Cognitiva (RBTCC) em 1999. Acesse o QR Code e conheça 
mais sobre as publicações científicas dessa entidade. 
https://rbtcc.com.br/RBTCC/about
Capítulo 3
110
do tratamento. É importante que os pacientes não alterem a dosagem ou 
interrompam a medicação sem consultar um profissional, pois isso é capaz 
de causar efeitos adversos graves, incluindo sintomas de abstinência ou 
piora dos sintomas (Oliveira, Schwartz; Stahl, 2015).
Figura 8. A psicofarmacoterapia
Fonte: Freepik (2024).
#ParaTodosVerem: a imagem mostra uma mulher debruçada em uma bancada segurando várias 
cartelas de remédio e entregando a outra pessoa, que está do outro lado da bancada.
Cada paciente pode responder diferentemente a remédios específicos, 
portanto, encontrar a medicação e a dosagem correta pode levar certo tem-
po e ajustes frequentes. A comunicação aberta com o médico responsável 
e uma compreensão clara dos benefícios e riscos associados ao uso de 
qualquer fármaco são essenciais para o sucesso da terapia (Meleiro, 2018). 
Geralmente, os medicamentos usados em psicofarmacoterapia são catego-
rizados com base no tipo de transtorno mental que tratam. Veja no gráfico 
abaixo os principais remédios para cada transtorno mental:
Capítulo 3
111
Antidepressivos
Utilizados principalmente para tratar a depressão, mas também são frequen-
temente prescritos para ansiedade, transtornos de pânico e Transtorno Obses-
sivo-Compulsivo (TOC). Seus exemplos incluem: Inibidores Seletivos da Recap-
tação de Serotonina (ISRS) como fluoxetina, sertralina e citalopram; Inibidores 
da Recaptação de Serotonina e Noradrenalina (IRSN) como venlafaxina e dulo-
xetina; Antidepressivos tricíclicos como amitriptilina e nortriptilina; Inibidores 
da Monoamina Oxidase (IMAOs) como tranilcipromina e fenelzina.
Antipsicóticos 
Usados para tratar transtornos psicóticos, como esquizofrenia e transtorno bi-
polar, bem como às vezes usados em doses baixas para tratar a ansiedade 
severa. Seus exemplos incluem: antipsicóticos típicos (ou de primeira geração) 
como haloperidol e clorpromazina; antipsicóticos atípicos (ou de segunda ge-
ração) como risperidona, olanzapina e quetiapina.
Estabilizadores de humor 
Utilizados principalmente para tratar o transtorno bipolar. Seus exemplos in-
cluem: lítio, que é eficaz para controlar manias e depressões; anticonvulsivan-
tes, que também atuam como estabilizadores de humor, como valproato, lamo-
trigina e carbamazepina.
Ansiolíticos 
Usados para tratar a ansiedade, além de frequentemente prescritos para con-
dições como transtorno de ansiedade generalizada e transtorno de pânico. 
Seus exemplos incluem: benzodiazepinas como diazepam, lorazepam e alpra-
zolam; buspirona, que é uma alternativa às benzodiazepinas. 
Capítulo 3
112
1.3 INTERVENÇÕES BASEADAS EM EVIDÊNCIAS: 
GUIADAS PELA CIÊNCIA
Intervenções baseadas em evidências (EBIs), do inglês Evidence-Based 
Interventions são tratamentos que têm sido consistentemente apoiados por 
pesquisas científicas, demonstrando sua eficácia em melhorar sintomas ou 
condições específicas. No campo da saúde mental, elas são fundamentais 
para proporcionar cuidados eficazes e responsáveis para pacientes com 
transtornos mentais. A adoção dessas práticas é guiada pela ciência a fim 
de garantir que os pacientes recebam tratamentos que não só prometam 
resultados, mas que sejam comprovadamente eficazes (Kaura, 2016).
Estimulantes
Comumente utilizados para tratar o Transtorno de Déficit de Atenção e Hipe-
ratividade (TDAH). Seus exemplos incluem: metilfenidato e anfetaminas como 
Adderall e Vyvanse.
Saiba Mais
Existem habilidades específicas que são exigidas na formação 
básica e na educação continuada de cada profissional de saúde 
que se utiliza da medicina baseada em evidências. Pereira (2016) 
descreve quatro habilidades:
• Destreza em transformar os problemas da prática clínica em 
perguntas que possam servir de orientação para pesquisar a 
literatura científica.
• Facilidade para efetuar buscas sistemáticas em bases de dados de 
modo a reunir informações científicas adequadas sobre o assunto.
• Capacidade para efetuar avaliação crítica da literatura científica 
e, dessa maneira, separar e utilizar apenas o material que for-
neça as melhores evidências.
• Desenvoltura para aplicar os resultados da avaliação crítica na 
tomada de decisões. (Pereira, 2016, p. 05)
Capítulo 3
113
As intervenções baseadas em evidências representam a aplicação da 
ciência no tratamento de transtornos mentais, assegurando que as práticas 
clínicas sejam tanto eficazes quanto eficientes. Esse paradigma é funda-
mentado em três pilares principais que garantem a sua validade e relevân-
cia (Pereira, 2016).
O primeiro pilar é a Pesquisa Rigorosa, sustentada por estudos de alta 
qualidade, como ensaios clínicos randomizados, que são o padrão ouro na 
pesquisa em saúde. Esses estudos propiciam dados confiáveis e contro-
lados sobre a eficácia de diversos tratamentos, permitindo que os profis-
sionais de saúde mental façam escolhas baseadas em evidências claras e 
verificáveis. A utilização de métodos rigorosos na condução desses estudos 
assegura que os resultados sejam livres de vieses, aumentando a confiança 
nas intervenções recomendadas (Pereira, 2016).
Figura 9. A pesquisa na medicina baseada em evidências
 
Fonte: Freepik (2024).
#ParaTodosVerem: a imagem mostra uma sala de reunião em que há três pessoas sentadas à 
mesa. Na ponta, há uma mulher já idosa vestindo um jaleco branco. Na sua frente, sobre a mesa, 
há uma prancheta e um laptop aberto. 
Já o segundo pilar consiste nas Revisões Sistemáticas e Meta-análises. 
Esse aspecto da pesquisa em saúde mental envolve a compilação e análise 
de múltiplos estudos sobre uma mesma intervenção. Revisões sistemáticas 
avaliam a literatura disponível metodicamente, enquanto meta-análises 
Capítulo 3
114
quantificam os efeitos de um tratamento, combinando os resultados de 
várias pesquisas. Esse processo auxilia a identificar padrões e tendências, 
oportunizando uma visão global acerca da eficácia de uma intervenção. Ao 
consolidar uma ampla gama de dados, essas revisões e análises ajudam a 
confirmar ou questionar a validade de uma prática clínica, orientando pro-
fissionais sobre as melhores abordagens disponíveis.
O terceiro e último pilar é a criação de Diretrizes de Prática Clínica. 
Organizações profissionais e agências de saúde usam as evidências cole-
tadas por meio de pesquisa rigorosa e revisões sistemáticas para formular 
diretrizes que orientam a prática clínica. Essas diretrizes são documentos 
detalhados que recomendam práticas específicas para o tratamento de di-
ferentes transtornos mentais, servindo como um manual para profissionais. 
Elas são primordiais para padronizar tratamentos e assegurar que todos 
os pacientes recebam cuidados baseados nas melhores evidências disponí-
veis, colaborando para uma prática médica mais uniforme e fundamentada 
cientificamente (Pereira, 2016).
Esses três pilares das intervenções baseadas em evidências trabalham 
em conjunto para1
8
de vida e as reações a elas podem influenciar a saúde mental); e 
fatores sociais (o suporte social, a qualidade das relações interpes-
soais e o contexto socioeconômico são cruciais na modulação da 
saúde mental). 
Por fim, na última seção, “História da saúde mental”, temos a 
compreensão de que o tratamento da saúde mental evoluiu signi-
ficativamente ao longo dos séculos. Veremos desde a Antiguidade 
até o Renascimento, quando a loucura era frequentemente vista a 
partir de uma lente espiritual ou sobrenatural, tratada por meio de 
exorcismos ou rituais religiosos; passando pelos séculos XVIII e XIX, 
período em que o desenvolvimento científico acarretou a medicali-
zação da loucura, com a criação de asilos e o início do tratamento 
institucionalizado. Já no século XX, a emergência de teorias psicana-
líticas, comportamentais e cognitivas reformulou a compreensão da 
mente e introduziu novas formas de terapia. O movimento de de-
sinstitucionalização iniciou-se nas décadas de 1950 e 1960, marcan-
do uma mudança para tratamentos mais humanizados e com base 
na comunidade. Por fim, chegamos à atualidade com a crescente 
aceitação de modelos integrativos e holísticos de saúde mental, re-
fletindo uma abordagem mais inclusiva e menos estigmatizante. 
Ao entendermos as definições, os fatores constitutivos e a his-
tória da saúde mental, podemos apreciar melhor a complexidade 
desse campo e a importância de abordagens personalizadas e com-
passivas no tratamento de desordens mentais e na promoção do 
bem-estar mental. 
9
11. AS DEFINIÇÕES DE SAÚDE 
MENTAL E OS DIVERSOS MODELOS
Este capítulo encontra-se dividido em três seções. Na primeira seção, 
está a conceitualização do binômio saúde/doença mental e as diferenças 
entre doença, transtorno e síndrome. Na segunda seção, há a descrição dos 
elementos constitutivos da saúde mental e são apresentados detalhada-
mente os fatores genéticos, ambientais, socioculturais e psicológicos. 
Por fim, na terceira seção, é apresentado o percurso histórico do estu-
do da saúde/doença mental, reforçando como cada período histórico teve 
sua concepção sobre transtornos mentais e como eles eram tratados. 
1.1 SAÚDE E DOENÇA MENTAL: CONCEITOS 
A saúde mental é um campo abrangente que engloba o bem-estar 
emocional, psicológico e social de um indivíduo. Ela influencia como pensa-
mos, sentimos e agimos ao enfrentar a vida. Além disso, afeta a maneira 
como lidamos com o estresse, interagimos com outras pessoas e tomamos 
decisões. Segundo a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS, 2022), a 
saúde mental é definida como um estado de bem-estar no qual o indivíduo 
realiza suas próprias capacidades, pode lidar com as pressões normais da 
vida, trabalha produtiva e frutiferamente e é capaz de contribuir para a sua 
comunidade. 
Por fator emocional, compreende-se a capacidade de gerenciar emo-
ções de forma eficaz. Já o fator psicológico diz respeito aos processos rela-
cionados ao pensamento, à percepção e à compreensão. Por último, o fator 
Nesse sentido, os seguintes fatores são considerados os pilares funda-
mentais da saúde mental: emocional, psicológico e social.
Capítulo 1
10
social descreve a habilidade de formar e manter relações interpessoais sau-
dáveis e contribuir para a comunidade. 
Figura 1. A complexidade e a interdisciplinaridade no estudo da saúde/doença mental 
Fonte: Envato (2024). 
#ParaTodosVerem: na imagem, temos a ilustração de uma cabeça feminina e, na parte do cére-
bro, um quebra-cabeça, com peças soltas se encaixando. 
A saúde mental não é apenas a ausência de transtornos mentais. Ela 
envolve a promoção do bem-estar, a prevenção de distúrbios mentais e a 
habilidade de viver e trabalhar de forma satisfatória, apesar dos desafios. 
Para esclarecer os aspectos constitutivos da doença mental, trazemos suas 
diferentes definições. 
A Organização Mundial da Saúde (OMS) destaca que as doenças mentais 
podem variar em gravidade e impacto, afetando diferentes aspectos da vida de 
uma pessoa, incluindo suas relações interpessoais, seu desempenho acadêmi-
co ou profissional e a qualidade de vida em geral. Nesse contexto, é importante 
reconhecermos que as doenças mentais são condições médicas legítimas, que 
podem ser diagnosticadas e tratadas de forma eficaz com intervenções apro-
priadas, incluindo terapia, medicamentos e apoio psicossocial. Ressaltamos 
ainda a importância de abordar as doenças mentais não apenas como proble-
mas individuais, mas também como questões de saúde pública, que exigem 
políticas e serviços que promovam a prevenção, a detecção precoce e o acesso 
equitativo ao tratamento para todos aqueles de que dele necessitam. 
Capítulo 1
11
Figura 2. A necessidade de pensar na saúde/doença mental de forma mundial 
Fonte: Freepik (2024). 
#ParaTodosVerem: na imagem, temos um globo terrestre em cima de uma mesa e, ao seu redor, 
um estetoscópio. 
O Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, quinta edi-
ção (DSM-5 TR), publicado pela Associação Americana de Psiquiatria (APA), 
define transtorno mental como um padrão clinicamente significativo de 
comportamento ou experiência que causa sofrimento significativo ou pre-
juízo na área social, ocupacional ou em outras áreas importantes da vida de 
uma pessoa. Cada transtorno mental listado no DSM-5 é acompanhado por 
critérios específicos que devem ser atendidos para um diagnóstico preciso. 
Antes de avançarmos na discussão do binômio saúde/doença mental, é 
importante demarcarmos algumas diferenças na terminologia. As palavras 
“doença”, “transtorno” e “síndrome” são frequentemente usadas de forma 
intercambiável na linguagem cotidiana, mas têm significados distintos no 
contexto médico e de saúde mental (Gonçalves, 2021). 
Uma doença é uma condição médica que afeta o funcionamento nor-
mal do corpo e geralmente é caracterizada por sinais e sintomas específicos. 
As doenças podem ter causas variadas, como infecções, lesões, disfunções 
orgânicas ou condições genéticas. Exemplos de doenças incluem gripe, dia-
betes, câncer e doença cardíaca. 
Capítulo 1
12
Os transtornos podem ser de natureza mental, emocional ou compor-
tamental e geralmente são diagnosticados com base em critérios específi-
cos descritos em manuais de diagnóstico, como o DSM. Exemplos de trans-
tornos mentais incluem depressão, transtorno de ansiedade, transtorno 
bipolar e esquizofrenia. 
Figura 3. Transtorno mental 
Fonte: Freepik (2024). 
#ParaTodosVerem: na imagem, temos uma pessoa em um efeito de desfoque de movimento 
que cria a ilusão de uma cabeça se dividindo em duas à medida que ela se vira. Esse efeito dá a 
impressão de movimento rápido. O indivíduo é um homem careca e está vestindo uma camisa de 
cor clara. O fundo é escuro, o que contrasta com o sujeito e enfatiza o desfoque de movimento. 
Uma síndrome é um conjunto de sinais e sintomas que geralmen-
te ocorrem juntos e são característicos de uma condição específica. Ela 
pode ser causada por uma variedade de fatores, incluindo doenças gené-
ticas, condições médicas subjacentes ou exposição a substâncias tóxicas. 
Enquanto algumas síndromes têm causas bem-definidas e são distinguidas 
Já um transtorno é uma condição médica que causa um padrão clini-
camente significativo de comportamento, pensamento ou emoção que 
causa sofrimento ou disfunção na vida diária do indivíduo. 
Capítulo 1
13
por características específicas, outras podem ser menos compreendidas e 
requerem investigação adicional para determinar suas causas e seus trata-
mentos. Exemplos de síndromes incluem a síndrome de Down, a síndrome 
de Turner e a síndrome do intestino irritável. 
Figura 4. Síndrome de Down 
Fonte: Freepik (2024). 
#ParaTodosVerem: na imagem, temos um jovem com síndrome de Down de braços abertos e 
com as mãos erguidas. O jovem veste uma camiseta alaranjada e usa fones de ouvido alaranjados 
e óculos de aro preto. Ele está esboçando um sorriso. O fundo é verde acinzentado. 
Em resumo, enquanto “doença” se referegarantir que o tratamento de transtornos mentais seja 
não somente efetivo, mas também adaptável às novas descobertas e avan-
ços na compreensão científica da saúde mental. A adoção dessas práticas 
assegura que os cuidados prestados sejam os mais eficientes possíveis, 
maximizando os benefícios para os pacientes e otimizando os recursos do 
sistema de saúde.
Capítulo 3
115
Figura 10. Medicina baseada em evidências
 
Fonte: Freepik (2024).
#ParaTodosVerem: a ilustração mostra uma médica vestida com um jaleco branco segurando 
um tablet. Ao fundo, há uma tela com um gráfico, um frasco de medicamento, um estetoscópio e 
uma pílula. 
As intervenções baseadas em evidências são o padrão ouro no trata-
mento de transtornos mentais, garantindo que as práticas clínicas sejam 
apoiadas por dados científicos sólidos e que os pacientes recebam o trata-
mento mais eficaz disponível. Essas intervenções promovem uma prática 
médica responsável e orientada para resultados, crucial para o avanço da 
psiquiatria e psicologia clínicas.
116
Uma parte essencial dessas políticas é a criação e manutenção de uma 
rede de assistência à saúde mental, que é um sistema organizado de ser-
viços e recursos destinados a oferecer cuidados integrais e continuados a 
indivíduos com transtornos mentais ou problemas psicológicos.
Sublinhe-se que a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) é um sistema 
integrado que envolve vários níveis de cuidado e diversos tipos de serviços, 
destinados a atender às necessidades de saúde mental da população de 
maneira acessível, eficiente e humanizada. Ela é projetada para ser multi-
dimensional, incluindo prevenção, diagnóstico, tratamento e reabilitação. 
O objetivo é garantir que cada indivíduo receba o suporte preciso em sua 
comunidade, reduzindo a necessidade de tratamentos em instituições de 
longa permanência, como hospitais psiquiátricos (Brasil, 2022).
As políticas públicas em saúde mental se referem ao conjunto de estra-
tégias e decisões adotadas pelo governo e pelas outras entidades a fim 
de promover, proteger e restaurar a saúde mental da população. 
22. POLÍTICAS PÚBLICAS EM 
SAÚDE MENTAL: REDE DE 
ASSISTÊNCIA À SAÚDE MENTAL 
Capítulo 3
117
Figura 11. Rede de Atenção Psicossocial (RAPS)
 
Fonte: Ministério da Saúde (2024).
#ParaTodosVerem: a imagem mostra um diagrama intitulado “Pontos da RAPS”, representando 
os diferentes componentes do sistema de saúde brasileiro, conhecido como Rede de Atenção 
Psicossocial (RAPS). 
Entenda a seguir cada um dos componentes da RAPS:
Atenção Primária à Saúde
O primeiro ponto de contato para indivíduos com problemas de saúde mental. 
Os profissionais de atenção primária podem oferecer diagnóstico, tratamento 
inicial e encaminhamentos para serviços especializados.
Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) 
Esses Centros oferecem suporte contínuo, atividades terapêuticas e acompanha-
mento para pessoas com transtornos mentais graves e persistentes. São funda-
mentais para a desinstitucionalização e para a reintegração social dos pacientes.
Capítulo 3
118
Os atendimentos em saúde mental são providenciados por meio da 
Atenção Primária à Saúde (APS) e dos Centros de Atenção Psicossocial 
(CAPS), disponíveis no país. Nesses locais, os usuários se beneficiam de 
um cuidado multiprofissional e terapias adaptadas às suas necessidades 
individuais. Em certos casos, especialmente em situações de maior comple-
xidade, alguns desses serviços oferecem também acolhimento noturno e 
cuidado contínuo (Brasil, 2004).
Serviços de Urgência e Emergência 
Incluem prontos-socorros e serviços móveis de crise que respondam às emer-
gências psiquiátrica, fornecendo intervenções imediatas para estabilizar pa-
cientes.
Hospitais Gerais e Psiquiátricos 
Para casos que requerem internação, esses hospitais oferecem cuidados in-
tensivos e supervisionados, incluindo avaliação e tratamento em curto prazo.
Serviços Residenciais Terapêuticos 
Moradias assistidas destinadas a pessoas que necessitam de suporte contínuo, 
mas não requerem hospitalização. Esses serviços promovem a independência 
e a integração comunitária.
Programas de Reabilitação Psicossocial 
Focados em restaurar habilidades sociais e ocupacionais, esses programas 
apoiam a recuperação e a reabilitação de pessoas com transtornos mentais.
Suporte Comunitário e Familiar
Inclui programas de apoio às famílias, à educação comunitária em saúde men-
tal e às atividades de promoção de bem-estar mental.
Capítulo 3
119
Saliente-se que os programas e serviços dedicados à saúde mental, 
bem como ao tratamento de questões ligadas ao uso de álcool e de outras 
drogas, visam garantir o acesso universal aos cuidados e fornecer um tra-
tamento integral. Eles são projetados para ajudar pessoas em sofrimento 
psíquico, incluindo aquelas que enfrentam desafios associados ao consumo 
prejudicial de substâncias.
Vale lembrar que o acesso ao atendimento nos CAPS pode ser feito 
de forma autônoma, com o indivíduo buscando auxílio diretamente, ou 
mediante encaminhamentos de outros setores da rede de saúde ou de 
áreas correlatas como Assistência Social, Educação e Justiça. Serviços adi-
cionais, como Unidades de Acolhimento, Serviços Residenciais Terapêuticos 
e Hospitais Gerais, requerem encaminhamentos específicos (Brasil, 2022).
A eficácia da rede de assistência à saúde mental é fundamental para a 
qualidade de vida dos indivíduos afetados por transtornos mentais, assim 
como para a saúde pública em geral. Uma rede bem estruturada e funcional 
ajuda a prevenir a cronificação de transtornos, reduzir o estigma associado 
à doença mental, diminuir as taxas de hospitalização e promover a recu-
peração e integração social dos pacientes. Além disso, alivia a carga sobre 
outros setores da saúde, otimizando recursos e aprimorando os resultados 
de saúde para toda a população.
Não podemos deixar de frisar que os transtornos mentais representam 
um dos principais desafios para a área da saúde, especialmente a pública. 
Entre os problemas mais relevantes estão a baixa adesão ao tratamento, 
a resistência das famílias em procurar ajuda nos serviços de saúde mental 
e a dificuldade dos pacientes em manter o tratamento após uma melhora 
Saiba Mais
Para o Ministério da Saúde, a RAPS tem como diretrizes (Brasil, 
2024):
• O respeito aos direitos humanos, assegurando a autonomia e a 
liberdade das pessoas;
• A promoção da equidade, reconhecendo os determinantes so-
ciais da saúde;
• O combate a estigmas e preconceitos; a garantia do acesso e da 
qualidade dos serviços, ofertando cuidado integral e assistên-
cia multiprofissional, sob a lógica interdisciplinar;
• A atenção humanizada e centrada nas necessidades das pessoas;
• O desenvolvimento de estratégias de Redução de Danos, dentre 
outros. 
Capítulo 3
120
inicial. Ainda, o preconceito da sociedade em relação às pessoas com trans-
tornos mentais frequentemente afasta esses pacientes de procurarem o 
auxílio e tratamento adequados para suas condições (Gonçalves, 2021).
2.1. ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE 
A Atenção Primária em Saúde Mental (APS-M) é uma abordagem de 
cuidados que visa fornecer serviços de saúde mental acessíveis, integrados 
e centrados no paciente, focalizando a prevenção, detecção precoce, tra-
tamento e reabilitação de transtornos mentais. Ela desempenha um papel 
fundamental na promoção da saúde mental e na redução do estigma as-
sociado aos transtornos psiquiátricos. Segundo o Ministério da Saúde, as 
características e os componentes da APS-M são (Brasil, 2022):
• Acesso Universal: a APS-M almeja garantir que todos tenham aces-
so igualitário aos serviços de saúde mental, independentemente de 
sua condição socioeconômica, localização geográfica ou estado de 
saúde;
• Integração com a Atenção Primária em Saúde Física: uma das 
principais características da APS-M é a integração dos serviços de 
saúde mental com a atenção primária em saúde física. Isso significa 
que os cuidados com a saúde mental são incorporados aos serviçosde saúde geral, facilitando o acesso e reduzindo o estigma associa-
do ao tratamento de transtornos mentais;
• Abordagem Multidisciplinar: a APS-M emprega uma equipe mul-
tidisciplinar de profissionais da saúde, que podem incluir médicos, 
enfermeiros, psicólogos, assistentes sociais e outros profissionais, 
trabalhando em conjunto para fornecer cuidados abrangentes e 
personalizados;
• Ênfase na Prevenção e Promoção da Saúde Mental: além de 
tratar transtornos mentais existentes, a APS-M também enfatiza a 
prevenção e a promoção da saúde mental, oferecendo programas 
educacionais, apoio à comunidade e intervenções preventivas;
• Atendimento Integral e Continuado: a APS-M oferece cuidados con-
tinuados e abrangentes ao longo do ciclo de vida, desde a infância até 
a terceira idade, adaptando-se às necessidades individuais de cada 
paciente e fornecendo suporte em todas as fases do tratamento.
Capítulo 3
121
Figura 12. Atenção Primária a Saúde 
 
Fonte: Freepik (2024).
#ParaTodosVerem: a imagem mostra um grupo de pessoas sentados em uma sala. Há uma mu-
lher com uma das mãos na cabeça e um homem ao seu lado, apoiando uma das mãos em seu 
ombro.
Quanto ao consultório de rua, trata-se de uma iniciativa que visa levar 
atendimento de saúde para além dos ambientes tradicionais, como clíni-
cas e hospitais, alcançando pessoas que vivem em situação de rua ou em 
comunidades marginalizadas. Eles oferecem uma variedade de serviços de 
saúde, incluindo cuidados básicos, triagem, encaminhamento para trata-
mento especializado, distribuição de medicamentos e educação em saúde. 
Geralmente, eles são operados por equipes multidisciplinares de pro-
fissionais de saúde, assistentes sociais e voluntários, que se deslocam para 
áreas nas quais as pessoas em situação de rua estão concentradas, ofe-
recendo assistência médica, apoio emocional e recursos para ajudá-las a 
acessar os serviços de saúde necessários (Brasil, 2022).
Capítulo 3
122
Figura 13. A atenção às pessoas em situação de rua
 
Fonte: Freepik (2024).
#ParaTodosVerem: a imagem mostra um homem em situação de rua. Ele está sentado em um 
colchão apoiado no chão. O homem está enrolado em um cobertor. Seu olhar é distante e o seu 
cabelo está bagunçado.
Essa abordagem é uma resposta direta às barreiras de acesso aos cui-
dados de saúde enfrentadas por pessoas em situação de vulnerabilidade 
social, garantindo que todos tenham acesso aos serviços de saúde de que 
precisam.
2.2 CENTROS DE ATENÇÃO PSICOSSOCIAL (CAPS)
Os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) são locais comunitários que 
oferecem serviços de saúde mental acessíveis à comunidade. Uma equipe 
multidisciplinar colabora para atender às necessidades de saúde mental 
das pessoas, incluindo aquelas que enfrentam dificuldades relacionadas ao 
uso prejudicial de álcool e outras drogas. Esses serviços, disponíveis local-
mente, têm um enfoque especial em auxiliar em situações desafiadoras ou 
no processo de reabilitação psicossocial.
Capítulo 3
123
Figura 14. Dependência de Álcool 
 
Fonte: Freepik (2024).
#ParaTodosVerem: a imagem mostra um copo com um líquido com cor de caramelo, com cinco 
cigarros esparramados ao lado do copo e comprimidos de remédios.
A equipe mínima de um Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) repre-
senta uma abordagem multidisciplinar essencial para o cuidado integral em 
saúde mental. Composta por profissionais de diversas áreas, ela trabalha 
em conjunto para oferecer suporte abrangente aos usuários, adaptando-se 
às necessidades individuais de cada pessoa (Brasil, 2022). 
Eles formam a base da equipe mínima do CAPS, garantindo uma abor-
dagem holística e integrada ao tratamento dos transtornos mentais. A 
colaboração entre eles permite uma oferta de cuidados personalizados e 
eficazes, visando à recuperação e à reintegração social dos usuários. Além 
desses membros primordiais, o CAPS pode contar com outros profissionais 
conforme necessários, ampliando ainda mais sua capacidade de atender às 
necessidades variadas da comunidade em saúde mental.
São membros essenciais da equipe do CAPS: Médico Psiquiatra, Psicólogo, 
Enfermeiro, Assistente Social e Terapeuta Ocupacional. 
Capítulo 3
124
As modalidades dos CAPS são:
Quadro 1. Modalidades do Centro de Apoio Psicossocial
 Modalidades do CAPS
CAPS I: destinado a pessoas de todas as idades que sofrem principalmente de 
transtornos mentais graves e persistentes, incluindo aqueles relacionados ao 
uso prejudicial de álcool e outras drogas. É recomendado para municípios ou 
regiões com mais de 15 mil habitantes. 
CAPS II: voltado prioritariamente para indivíduos em intenso sofrimento psí-
quico decorrente de transtornos mentais graves e persistentes, incluindo 
aqueles relacionados ao uso de álcool e outras drogas. É indicado para muni-
cípios ou regiões com mais de 70 mil habitantes. 
CAPSi: especializado no atendimento de crianças e adolescentes que sofrem 
principalmente de transtornos mentais graves e persistentes, incluindo aque-
les relacionados ao uso de álcool e outras drogas. Recomendado para municí-
pios ou regiões com mais de 70 mil habitantes. 
CAPS ad Álcool e Drogas: oferece cuidados a pessoas de todas as idades que 
enfrentam intenso sofrimento psíquico devido ao uso de álcool e outras dro-
gas, além de outras condições clínicas que dificultam a interação social e a 
realização de planos de vida. É indicado para municípios ou regiões com mais 
de 70 mil habitantes. 
CAPS III: destinado prioritariamente para pessoas em intenso sofrimento 
psíquico decorrente de transtornos mentais graves e persistentes, incluindo 
aqueles relacionados ao uso de álcool e outras drogas. Esse tipo de CAPS ofe-
rece serviços de atenção contínua, funcionando 24 horas, inclusive em feria-
dos e fins de semana, e pode incluir até 5 leitos para acolhimento noturno. 
Recomendado para municípios ou regiões com mais de 150 mil habitantes. 
CAPS ad III Álcool e Drogas: destinado a adultos, crianças e adolescentes com 
intenso sofrimento psíquico e necessidades de cuidados clínicos contínuos, 
conforme as diretrizes do Estatuto da Criança e do Adolescente. Oferece até 
12 leitos para observação e monitoramento, funcionando 24 horas, inclusive 
em feriados e fins de semana. Indicado para municípios ou regiões com mais 
de 150 mil habitantes. 
Fonte: adaptado de Brasil (2022). 
Capítulo 3
125
Assim, nesses últimos anos, o CAPS passou a ter a modalidade CAPS 
III e o CAPS ad III Álcool e Drogas com leitos que agora funcionam 24h, sete 
dias por semana, podendo acolher melhor os pacientes em situações mais 
agravadas. 
Figura 15. Leitos em CPAS
 
Fonte: Freepik (2024).
#ParaTodosVerem: a imagem mostra uma cama hospitalar, e ao seu lado existe um pedestal com 
suporte para o soro e equipamentos médicos ao lado esquerdo da imagem. 
2.3 SERVIÇOS DE URGÊNCIA E EMERGÊNCIA
Os Serviços de Urgência e Emergência exercem um papel fundamental 
na Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), fornecendo cuidados imediatos e 
especializados para indivíduos em crise ou em emergências ligadas à saúde 
mental. Eles são projetados para lidar com situações que exijam interven-
ção imediata, garantindo a segurança e o bem-estar dos pacientes (Brasil, 
2022).
Capítulo 3
126
Figura 16. Atendimento em saúde mental
 
Fonte: Freepik (2024).
#ParaTodosVerem: Na imagem há duas pessoas sentadas na entrada de uma ambulância. Um 
homem negro está com um cobertor vermelho e, ao lado dele. há um socorrista usando máscara 
e segurando a mão dele.
Os Serviços de Urgência e Emergência na RAPS são:
• Atendimento 24 horas por dia, sete dias por semana, para atender às 
necessidades da comunidade a qualquer momento do dia ou da noite;
• Triagem e Avaliação inicial para determinar a gravidade da situação 
e identificar as necessidades imediatas do paciente. Isso pode in-
cluir avaliação do risco de suicídio, avaliação de sintomas psicóticos 
ou maníacos, entre outros;
• Intervenções rápidas e eficazes para estabilizar o paciente ereduzir 
o risco de danos a si mesmo ou aos outros: intervenções farmacoló-
gicas, terapias de contenção em casos extremos e encaminhamen-
tos para tratamento especializado;
• Encaminhamento para Tratamento Adequado, podendo ser os ser-
viços de atenção primária em saúde mental, Centros de Atenção 
Psicossocial (CAPS), hospitais psiquiátricos ou outras instituições de 
saúde mental, dependendo da gravidade do caso e das necessida-
des individuais do paciente;
Capítulo 3
127
• Colaboração com Outros Serviços, tais como CAPS, hospitais gerais, 
equipes de saúde da família e serviços de assistência social, garan-
tindo uma abordagem integrada e coordenada para o cuidado em 
saúde mental;
• Suporte às Famílias e aos cuidadores, fornecendo informa-
ções, orientação e encaminhamento para serviços de apoio e 
acompanhamento.
Em resumo, os Serviços de Urgência e Emergência garantem que in-
divíduos em crise recebam o cuidado imediato e especializado necessário. 
Sua função vai além do atendimento emergencial, abrangendo a integração 
com outros serviços de saúde, apoio aos familiares e a promoção da saúde 
mental. 
2.4 HOSPITAIS GERAIS E PSIQUIÁTRICOS
Os Hospitais Gerais e Hospitais Psiquiátricos desempenham papéis 
distintos, mas complementares na Rede de Atenção à Saúde Mental, ofere-
cendo cuidados diferenciados para pacientes com transtornos mentais em 
diversos estágios de gravidade e necessidades de tratamento (Brasil, 2022). 
Cabe frisar que os Hospitais Gerais são instituições de saúde que fornecem 
uma variedade de serviços médicos e cirúrgicos, incluindo atendimento de 
emergência, internação, tratamento ambulatorial e procedimentos especia-
lizados. Na atenção à saúde mental, eles cumprem os seguintes papéis:
Atendimento de emergência psiquiátrica 
Geralmente, os Hospitais Gerais têm serviços de pronto-atendimento ou emer-
gência que fornecem avaliação e tratamento para pacientes com crises agudas 
de saúde mental, como comportamento suicida, surto psicótico ou transtorno 
de humor grave. 
Estabilização e tratamento inicial 
Em situações de crise, os Hospitais Gerais podem estabilizar os pacientes e 
fornecer tratamento inicial para estabelecer os sintomas agudos, muitas vezes 
em colaboração com profissionais de saúde mental. 
Capítulo 3
128
Já os Hospitais Psiquiátricos são instituições especializadas no trata-
mento de transtornos mentais graves e persistentes, oferecendo cuidados 
intensivos e de longo prazo para pacientes que necessitam de internação 
psiquiátrica. Os papéis dos Hospitais Psiquiátricos incluem:
• Internação psiquiátrica para pacientes com transtornos mentais 
graves que requeiram cuidados intensivos, monitoramento 24 ho-
ras e tratamento especializado;
• Tratamento especializado incluindo psicoterapia, terapia ocupa-
cional, tratamento farmacológico e intervenções de reabilitação 
psicossocial;
• Reabilitação e reintegração dos pacientes na comunidade, oferecen-
do programas de reabilitação, treinamento de habilidades e apoio 
na transição para a vida comunitária.
Figura 17. Emergência e urgência em saúde mental
 
Fonte: Freepik (2024).
#ParaTodosVerem: a imagem mostra a fachada de um prédio. No topo dele há a palavra “hospi-
tal”. Logo acima, há um céu azul.
Integração com a atenção primária 
Os Hospitais Gerais podem facilitar a integração dos cuidados de saúde men-
tal com a atenção primária, fornecendo avaliações psiquiátricas e tratamento 
para pacientes que procuram cuidados médicos gerais. 
Capítulo 3
129
Embora tenham funções distintas, os Hospitais Gerais e Psiquiátricos 
são complementares na Rede de Atenção à Saúde Mental, trabalhando em 
conjunto para oferecer uma abordagem abrangente e integrada para o tra-
tamento de transtornos mentais. Os Hospitais Gerais oferecem cuidados 
emergenciais e de curto prazo, enquanto os Hospitais Psiquiátricos forne-
cem tratamento intensivo e de longo prazo para pacientes com necessida-
des mais complexas. Juntos, eles ajudam a assegurar que os pacientes re-
cebam o apoio necessário em todas as fases do tratamento e recuperação 
em saúde mental.
2.5 SERVIÇOS RESIDENCIAIS TERAPÊUTICOS
Os Serviços Residenciais Terapêuticos (SRT), no contexto do Sistema 
Único de Saúde (SUS) do Brasil, são uma forma de assistência à saúde men-
tal que visa oferecer um ambiente mais acolhedor e menos institucionaliza-
do para pessoas que sofreram longos períodos de internação em hospitais 
psiquiátricos. Eles são também conhecidos como “casas de passagem” ou 
“residências terapêuticas” e fazem parte da política de desinstitucionaliza-
ção, uma abordagem que almeja integrar os indivíduos de volta à comuni-
dade, promovendo uma maior autonomia e qualidade de vida.
Comumente, as residências estão localizadas em áreas residenciais co-
muns e são adaptadas para atender às necessidades dos seus moradores, 
propiciando um ambiente familiar e acolhedor. Cada residência abriga um 
pequeno grupo de pessoas, geralmente de 8 a 10 indivíduos, que recebem 
cuidados contínuos de uma equipe multiprofissional. Essa equipe pode in-
cluir psicólogos, psiquiatras, enfermeiros, assistentes sociais, entre outros 
profissionais que oferecem suporte terapêutico, social e de saúde (Brasil, 
2004).
Capítulo 3
130
Figura 18. Serviços Residenciais Terapêuticos
 
Fonte: Freepik (2024).
#ParaTodosVerem: a imagem mostra um grupo de pessoas sentadas prestando atenção em um 
indivíduo que está no centro fazendo uma fala. Logo atrás, há uma estante branca com alguns 
quarados vazios e uma planta no canto. 
O objetivo principal dos SRTs é facilitar a reinserção social dos mora-
dores, proporcionando não apenas cuidados médicos e psicológicos, mas 
também incentivando o desenvolvimento de habilidades sociais, de vida 
diária e de trabalho. Isso inclui atividades que promovam a autonomia e 
a interação social, como participação em eventos comunitários, atividades 
educativas e laborativas (Brasil, 2004). Esses serviços são cruciais para o 
processo de reforma psiquiátrica no Brasil, movimento que objetiva substi-
tuir o modelo asilar por um tratamento mais humano e integrado às comu-
nidades (Brasil, 2004).
2.6 PROGRAMAS DE REABILITAÇÃO 
PSICOSSOCIAL
Os programas de reabilitação psicossocial dentro da Rede de Atenção 
Psicossocial (RAPS) representam um conjunto de estratégias e ações desti-
nadas a apoiar a recuperação e a inclusão social de pessoas com transtornos 
Capítulo 3
131
mentais ou sofrimento psíquico. Esses programas são fundamentais na re-
forma da saúde mental, visando a superação do modelo hospitalocêntrico 
e asilar, privilegiando a inserção comunitária e a autonomia dos usuários 
(Brasil, 2022).
A reabilitação psicossocial consiste em um processo que auxilia o in-
divíduo a alcançar o maior nível possível de independência e qualidade de 
vida mediante o desenvolvimento de habilidades pessoais e sociais. O ob-
jetivo é reduzir os impactos da condição psiquiátrica, promovendo o bem-
-estar, a recuperação de habilidades e a integração social e comunitária. 
Dentro da RAPS, os programas de reabilitação psicossocial são articulados 
por meio de uma série de serviços e estruturas que incluem os Centros de 
Atenção Psicossocial (CAPS) e os Serviços Residenciais Terapêuticos (SRT). 
Há também: 
Esses programas e serviços são interconectados, formando uma rede 
de suporte que facilita o acesso a cuidados contínuos e personalizados, 
conforme as necessidades de cada indivíduo. 
Importante
Programas de Reabilitação Psicossocial
• Oficinas de Reabilitação Psicossocial: espaços nos quais são 
desenvolvidas atividades que visam a reintegração social e 
ocupacional dos usuários, como artesanato, culinária e outras 
habilidades práticas; 
• Programas de Inclusão no Trabalho e Geração de Renda: inicia-
tivas que colaboram com a inserção ou reinserção no mercado 
de trabalho, por meio de parcerias com empresas e ofertas de 
cursos de capacitação profissional; 
• Clubes de Lazer e Cultura: promovem a socialização e o lazer, 
facilitandoo acesso às atividades culturais e esportivas que es-
timulam a interação social e a reconstrução de projetos de vida;
• Apoio Matricial: uma estratégia de suporte técnico e especiali-
zado oferecido por equipes de referência (como psiquiatras ou 
terapeutas ocupacionais) a equipes de outros pontos de aten-
ção da RAPS, como a atenção primária, para compartilhar o cui-
dado e garantir uma abordagem integral; 
• Intervenções junto à comunidade: ações de sensibilização e 
combate ao estigma associado à doença mental, promovendo 
uma cultura de respeito e inclusão. 
!
Capítulo 3
132
Figura 19. Oficinas de Reabilitação Psicossocial
 
Fonte: Freepik (2024).
#ParaTodosVerem: a imagem mostra duas pessoas fazendo um trabalho de marcenaria. A mu-
lher manuseia uma tábua de madeira com uma das mãos, enquanto na outra opera uma serra. 
Logo atrás dela, há um homem prestando atenção no que ela faz. Ambos usam óculos de proteção 
e protetores auditivos.
A articulação desses componentes é fundamental para assegurar uma 
abordagem holística e integrada, visando o fortalecimento das capacidades 
do indivíduo e sua participação ativa na sociedade.
2.7 SUPORTE COMUNITÁRIO E FAMILIAR
O suporte comunitário e familiar na Rede de Atenção Psicossocial 
(RAPS) é essencial para a recuperação e a reintegração social de pessoas com 
transtornos mentais ou em situação de sofrimento psíquico. Ele se baseia 
no reconhecimento de que a saúde mental é profundamente influenciada 
pelo local no qual a pessoa vive e pelas redes de apoio disponíveis. Assim, 
a RAPS objetiva envolver não só os serviços especializados, mas também as 
comunidades locais e as famílias dos usuários em seu processo terapêutico 
e de reabilitação.
Capítulo 3
133
Figura 20. Suporte Comunitário e Familiar
 
Fonte: Freepik (2024). 
#ParaTodosVerem: a imagem mostra um grupo de pessoas reunidas e abraçando-se, formando 
um círculo.
A seguir, você encontra os elementos-chave do Suporte Comunitário e 
Familiar:
Educação e Sensibilização 
Um dos primeiros passos para um suporte efetivo é a educação da comuni-
dade e das famílias sobre questões de saúde mental. Isso inclui desmistificar 
transtornos mentais, combater o estigma e promover uma compreensão mais 
ampla acerca dos desafios enfrentados pelos indivíduos afetados. 
Grupos de Apoio 
Grupos de apoio para familiares e cuidadores são fundamentais. Eles fornecem 
um espaço para compartilhar experiências, oferecer e receber suporte emocio-
nal, bem como aprender estratégias de cuidado. Isso não somente fortalece as 
famílias, mas também aprimora a qualidade do cuidado domiciliar. 
Capítulo 3
134
Inclusão em Planos Terapêuticos 
Integrar as famílias nos planos de cuidados pode melhorar os resultados te-
rapêuticos. Isso ajuda os familiares a entenderem melhor as necessidades de 
seus entes queridos e como eles podem contribuir para sua recuperação e 
bem-estar. 
Programas de Treinamento para Cuidadores e Familiares 
Capacitar cuidadores e familiares sobre como lidar com questões práticas e 
emocionais ligadas ao cuidado de saúde mental é crucial. Isso pode incluir 
treinamento em técnicas de manejo de comportamento, comunicação eficaz e 
primeiros socorros psicológicos. 
Serviços de Resposta Rápida 
Disponibilizar serviços que consigam ser acionados rapidamente pela comuni-
dade ou pela família em caso de crises, minimizando, assim, a necessidade de 
intervenções mais invasivas, como hospitalizações. 
Projetos de Integração Comunitária 
Iniciativas que promovam a inclusão social dos usuários, como eventos comu-
nitários, atividades culturais e esportivas, além de programas de voluntariado. 
Essas atividades incentivam a interação social e reduzem o isolamento. 
Vínculos com Recursos Comunitários
Fortalecer os laços entre os serviços de saúde mental e os outros recursos 
comunitários, como escolas, locais de trabalho, igrejas e organizações não go-
vernamentais, para criar uma rede de suporte mais ampla. 
Capítulo 3
135
Ele promove a recuperação e a autonomia, reduz recaídas e readmis-
sões hospitalares, além de facilitar a reintegração social. Ademais, a inclu-
são e o engajamento da comunidade e da família no cuidado em saúde 
mental são primordiais para criar um ambiente de suporte sustentável que 
transcenda o âmbito dos serviços clínicos, estendendo-se à vida cotidiana 
dos usuários.
Sublinhe-se que a implementação eficaz de Suporte Comunitário e 
Familiar na RAPS tem um impacto direto e significativo na qualidade de 
vida dos usuários.
Vídeo
Para aprofundar nas novas perspectivas de 
Expansão das Políticas Públicas em Saúde Mental, 
assista, no Canal do Ministério da Saúde, a 17.ª 
Conferência Nacional de Saúde e a discussão da 
Saúde Mental. 
https://www.youtube.com/live/3T_LhbuoxJo
136
Este Capítulo dedicou-se a explorar dois aspectos cruciais da saúde 
mental: as abordagens terapêuticas e as políticas públicas que estruturam 
seu tratamento e promoção. A saúde mental, identificada como um pilar 
essencial do bem-estar humano, revela-se complexa e multifacetada, exi-
gindo uma combinação de métodos de tratamento e um robusto suporte 
político para sua efetiva gestão e melhoria.
Iniciamos com uma análise detalhada das várias abordagens terapêu-
ticas, desde a psicoterapia e a farmacoterapia até as intervenções baseadas 
em evidências. Essa seção destacou não apenas a diversidade de tratamen-
tos disponíveis, mas também a importância de selecionar e adaptar méto-
dos apropriados às necessidades individuais dos pacientes, sublinhando a 
relevância da personalização no tratamento dos transtornos mentais.
Prosseguindo, nosso foco se voltou para as políticas públicas, explo-
rando como a Rede de Assistência à Saúde Mental, com seus diversos dis-
positivos, como os CAPS e os SRT, oferece uma estrutura primordial para o 
cuidado continuado. Esses elementos são vitais para uma abordagem de 
saúde mental que não só trata, mas também integra os indivíduos na socie-
dade, promovendo sua recuperação e seu bem-estar a longo prazo.
É importante reforçar a necessidade de uma colaboração contínua en-
tre profissionais de saúde, formuladores de políticas e a comunidade, a fim 
de fortalecer as estruturas existentes e inovar em novas soluções que pos-
sam responder às demandas de uma população diversificada. Reconhecer 
a saúde mental como um direito fundamental é o primeiro passo para 
garantir que todos tenham acesso ao suporte necessário para enfrentar 
desafios diários.
CONSIDERAÇÕES 
FINAIS
Capítulo 3
137
Além disso, a conscientização e a educação pública exercem um rele-
vante papel na destigmatização dos transtornos mentais e na promoção 
de uma cultura de cuidado e compreensão em relação à saúde mental. A 
disseminação de informações precisas e a criação de espaços seguros para 
discussões abertas sobre saúde mental são essenciais para construir uma 
sociedade mais inclusiva e solidária.
Em síntese, a abordagem integrada de terapias eficazes e políticas pú-
blicas sólidas é fundamental para promover a saúde mental e o bem-estar 
da população. A colaboração e o compromisso de todos os setores da so-
ciedade são cruciais para garantir que as necessidades das pessoas com 
transtornos mentais sejam atendidas de forma abrangente e humanizada, 
contribuindo para uma sociedade mais saudável e acolhedora para todos.
138
1. A Psicanálise, fundada por Sigmund Freud no final do século XIX, 
revolucionou a compreensão dos transtornos mentais ao introduzir 
uma abordagem inovadora, indo além dos tratamentos focados ex-
clusivamente nos sintomas manifestos. 
Qual é um dos principais princípios da Psicanálise no tratamento de 
transtornos mentais?
a. Explorar o inconsciente e as experiências passadas do paciente. 
b. Fornecer medicação como única forma de intervenção.
c. Ignorar completamente os sonhos e associações do paciente.
d. Limitar a análise apenas aos aspectos conscientes da mente. 
2. A Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) foi instituída pelo Ministérioda Saúde do Brasil em 2011, e representa um marco na política de 
saúde do país, consolidando o modelo de atenção psicossocial em 
substituição ao modelo hospitalocêntrico. 
Qual é o objetivo principal da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS)?
a. Fornecer cuidado integral e continuado em saúde mental. 
b. Oferecer suporte jurídico e financeiro a indivíduos.
c. Promover tratamentos estéticos e cirurgias plásticas.
d. Realizar campanhas educacionais exclusivamente em escolas.
ATIVIDADES 
DE ESTUDO
Capítulo 3
139
3. A Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) é composta por uma série 
de serviços e dispositivos que funcionam de forma integrada, incluin-
do Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), unidades de acolhimento, 
serviços residenciais terapêuticos, e outras modalidades de atendi-
mento que visam oferecer cuidado contínuo, acessível e humanizado. 
Existem também os Serviços Residenciais Terapêuticos (SRT) que se 
caracterizam por: 
a. Moradias para pessoas com longa história de internação psiquiátrica.
b. Casas localizadas em áreas hospitalares.
c. Atendimento exclusivamente diurno para crianças, adolescentes e 
adultos desinstitucionalizados. 
d. Instalações para tratamentos em curto prazo.
140
BECK, A. T. Terapia cognitiva dos transtornos da personalidade. Porto 
Alegre: Grupo A, 2017. E-book. Disponível em: https://app.minhabiblioteca.
com.br/#/books/9788582714126/. Acesso em: 2 maio 2024. 
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Residências 
terapêuticas: o que são, para que servem. Brasília: Ministério da Saúde, 
2004. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/120.pdf. 
Acesso em 2 maio 2024
BRASIL. Ministério da Saúde. Instrutivo Técnico da Rede de Atenção 
Psicossocial (Raps) no Sistema Único de Saúde (SUS). Brasília: Ministério 
da Saúde, 2022. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/
instrutivo_tecnico_raps_sus.pdf. Acesso em: 2 maio 2024
DALGALARRONDO, P. Psicopatologia e semiologia dos transtornos men-
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ELISABETSKY, E.; HERRMANN, A. P.; PIATO, A.; LINCK, V. M. Descomplicando 
a psicofarmacologia. São Paulo: Editora Blucher, 2021. E-book. Disponível 
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GONÇALVES, A. P. Psicopatologia. São Paulo: Editora Saraiva, 2021. E-book. 
Disponível em: https://app.minhabiblioteca.com.br/#/books/9786589965596/. 
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KAURA, A. Medicina Baseada em Evidências – Leitura e Redação de Textos 
Clínicos. Rio de Janeiro: Grupo GEN, 2016. E-book. Disponível em: https://
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REFERÊNCIAS 
Capítulo 3
141
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Blucher, 2022. E-book. Disponível em: https://app.minhabiblioteca.com.
br/#/books/9786555065367/. Acesso em: 2 maio 2024. 
MELEIRO, A. M. A. S. Psiquiatria – Estudos Fundamentais. Rio de Janeiro: 
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MINERBO, M. Transferência e Contratransferência. São Paulo: Editora 
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OLIVEIRA, I. R.; SCHWARTZ, T.; STAHL, S. M. Integrando psicoterapia e psi-
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PANTANO, T.; NETO, F. L. Saúde mental e psicopatologias para a equipe 
de saúde. Santana do Parnaíba: Editora Manole, 2024. E-book. Disponível 
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PEREIRA, M. G.; GALVÃO, T. F.; SILVA, M. T. Saúde Baseada em Evidências. 
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SIMÕES, A. Psicanálise e psicopatologia. São Paulo: Editora Blucher, 
2019. E-book. Disponível em: https://app.minhabiblioteca.com.br/#/
books/9788580393873/. Acesso em: 2 maio 2024. 
SOUZA, A. C. B. Introdução à psicologia clínica. São Paulo: Editora Saraiva, 
2021. E-book. Disponível em: https://app.minhabiblioteca.com.br/#/
books/9786589881742/. Acesso em: 2 maio 2024. 
142
GABARITO GERAL
CAPÍTULO 1
Questão 1
a) Bem-estar emocional. 
Questão 2
b) Pode interferir nas atividades diárias e nos relacionamentos.
Questão 3
b) Isolar e controlar os indivíduos considerados “loucos” pela sociedade.
CAPÍTULO 2
Questão 1
a) O DSM-5 e o CID-11 compartilham princípios básicos de organização, mas 
diferem em critérios específicos de diagnóstico e estrutura geral. 
Questão 2
a) Elevado nível de energia. 
Questão 3
a) A medicalização excessiva pode levar ao uso indiscriminado de 
medicamentos.
143
Gabarito Geral
CAPÍTULO 3
Questão 1
a) Explorar o inconsciente e as experiências passadas do paciente. 
Questão 2
a) Fornecer cuidado integral e continuado em saúde mental.
Questão 3
a) Moradias para pessoas com longa história de internação psiquiátrica.
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	Capítulo 1
	SAÚDE MENTAL: FUNDAMENTOS EPISTEMOLÓGICOS E HISTÓRICOS 
	Capítulo 2
	Capítulo 3a uma condição médica que 
afeta o corpo, “transtorno” se refere a uma condição médica que afeta o 
funcionamento mental ou emocional; já “síndrome” se refere a um conjun-
to de sinais e sintomas que caracterizam uma condição específica. 
Doença 
Tem sintomas específicos e provoca alterações no organismo que podem ser 
observadas ou verificadas por meio de exames. 
Capítulo 1
14
Identificar se o indivíduo está enfrentando uma doença mental pode 
ser um desafio, pois os sintomas podem variar muito de pessoa para pes-
soa e dependem do tipo de doença mental envolvida. No entanto, vamos 
ver a seguir alguns sinais comuns que podem indicar a presença de uma 
condição de saúde mental. 
Transtorno 
São manifestações psicológicas associadas a comportamentos disfuncionais e 
desajustados. É um conjunto de sintomas, mas o paciente não apresenta todos 
eles. Além disso, é crônico. 
Síndrome 
Uma síndrome é um conjunto de sinais e sintomas que frequentemente apare-
cem juntos e são característicos de uma condição específica. Ela pode ser cau-
sada por diversos fatores, como doenças genéticas, condições médicas subja-
centes ou exposição a substâncias tóxicas. 
Isolamento social 
Evitar atividades sociais ou se 
afastar de amigos e familiares. 
Dificuldade de concentração
Dificuldade em se concentrar, to-
mar decisões ou lembrar as coisas. 
Mudanças no sono ou no apetite 
Insônia, excesso de sono, perda 
de apetite ou aumento significati-
vo do apetite podem ser sintomas 
de uma doença mental. 
Mudanças de humor persistentes 
Sentimentos de tristeza, irritabi-
lidade, ansiedade ou raiva que 
persistem por longos períodos e 
interferem nas atividades diárias. 
Capítulo 1
15
Se o indivíduo estiver experimentando alguns desses sintomas de for-
ma persistente e eles estiverem afetando significativamente sua qualidade 
de vida, é importante buscar ajuda profissional. Um profissional de saúde 
mental qualificado, como um psicólogo, um psiquiatra ou um terapeuta, 
pode fazer uma avaliação completa e fornecer o tratamento adequado, se 
necessário. Procurar ajuda não é sinal de fraqueza, mas sim um passo cora-
joso em direção ao cuidado com a saúde mental. 
1.1.1 Normal e patológico na doença mental 
A distinção entre o normal e o patológico é um conceito fundamental 
em várias disciplinas, incluindo psicologia, medicina e sociologia. O “normal” 
refere-se a comportamentos, pensamentos ou condições que se enqua-
dram dentro das expectativas ou dos padrões considerados aceitáveis em 
determinada sociedade ou cultura. Por outro lado, o “patológico” descreve 
comportamentos, pensamentos ou condições que se desviam significati-
vamente desses padrões e podem ser considerados prejudiciais à saúde 
física, mental ou social do indivíduo (Dalgalarrondo, 2019). 
Abuso de substâncias 
Uso excessivo de álcool, drogas ou 
outras substâncias como forma de 
lidar com os sintomas emocionais. 
Mudanças no comportamento 
Comportamentos incomuns, como 
agitação, irritabilidade, agressão 
ou comportamento destrutivo. 
Pensamentos ou sentimentos 
negativos persistentes
Sentimentos de desesperança, de-
samparo ou inutilidade, bem como 
pensamentos recorrentes de mor-
te ou suicídio. 
Sintomas físicos sem causa 
aparente 
Dores de cabeça, dores muscula-
res, problemas digestivos ou ou-
tros sintomas físicos persistentes 
sem uma causa médica conhecida. 
Essa distinção não é absoluta e pode variar de acordo com o contexto 
cultural, social e histórico.
Capítulo 1
16
O que é considerado normal em uma cultura pode ser considerado pato-
lógico em outra, e as definições de normalidade e patologia estão em constante 
evolução ao longo do tempo. Por exemplo, comportamentos ou características 
que eram considerados patológicos no passado podem agora ser entendidos 
como variações normais da experiência humana. 
Figura 5. A saúde e a doença mental na atualidade 
Fonte: Envato (2024). 
#ParaTodosVerem: na imagem, temos uma mulher sentada no chão com as duas mãos na ca-
beça e de olhos fechados. Ela está em uma varanda e, ao fundo, podemos ver duas cadeiras de 
madeira com almofadas e uma mesinha de madeira ao lado. Espalhados pelo chão, temos um 
notebook junto com algumas almofadas e, no lado oposto, uma caneca. 
Enquanto comportamentos ou condições que causam sofrimento sig-
nificativo, disfunção ou risco para o indivíduo ou para os outros são ge-
ralmente considerados patológicos, aqueles que não interferem no funcio-
namento ou no bem-estar podem ser vistos como variações normais da 
diversidade humana. É importante reconhecermos que as fronteiras entre 
o normal e o patológico são, muitas vezes, fluidas e complexas e que a ava-
liação individualizada e contextualizada é crucial para uma abordagem efi-
caz e empática para com o bem-estar humano (Dalgalarrondo, 2019). 
Capítulo 1
17
Vídeo
Aprofunde-se mais neste vídeo sobre a questão 
do normal e do patológico com o psiquiatra Dr. 
Fernando Fernandes. Fique atento para entender 
como o contexto ajuda a identificar as diferenças 
entre normal e patológico. Acesse o QR Code ao 
lado para assistir.
https://youtu.be/V3pbw8CygLE
18
Os transtornos mentais são condições complexas que podem ser in-
fluenciadas por uma variedade de fatores genéticos, ambientais, sociocul-
turais e psicológicos (Pantano; Lotufo Neto, 2024). 
Figura 6. Fatores que influenciam a saúde/doença mental 
Fonte: a autora. 
#ParaTodosVerem: na imagem, temos um círculo no centro, dividido em quatro pedaços com co-
res diferentes. Nos dois primeiros, dois tons de azul; no lado direito, um azul mais escuro indican-
do “fatores ambientais” e, no lado esquerdo, um azul mais claro indicando “fatores psicológicos”. 
Nas duas partes debaixo, temos um pedaço na cor laranja, indicando “fatores genéticos”, e um na 
cor verde, indicando fatores socioculturais. Dentro de cada parte, temos a imagem de uma cabeça 
com o cérebro em destaque. 
22. FATORES CONSTITUTIVOS DA 
SAÚDE/DOENÇA MENTAL
Capítulo 1
19
2.1 FATORES GENÉTICOS 
Estudos genéticos têm demonstrado que muitos transtornos mentais 
têm uma base genética, o que significa que certas variantes genéticas po-
dem aumentar o risco de uma pessoa desenvolver um transtorno mental. 
Os estudos genéticos identificaram uma forte contribuição hereditária para 
muitos transtornos mentais, como esquizofrenia, transtorno bipolar e de-
pressão. Variantes genéticas podem aumentar a vulnerabilidade de uma 
pessoa a desenvolver um transtorno mental, embora raramente sejam 
determinantes isolados. A interação entre fatores genéticos e ambientais 
é frequentemente considerada crucial para o desenvolvimento de transtor-
nos mentais (Pantano; Lotufo Neto, 2024). 
Esses genes podem estar envolvidos em processos biológicos como 
neurotransmissão, desenvolvimento cerebral e regulação do humor. 
Figura 7. A importância dos fatores genéticos no transtorno mental 
Fonte: Envato (2024). 
#ParaTodosVerem: na imagem, temos uma mão utilizando luvas de látex e segurando um peque-
no tubo de ensaio. Ao fundo da imagem, há algumas luzes coloridas. 
Embora não haja um “gene do transtorno mental”, foram identificados 
vários genes de suscetibilidade que aumentam o risco de desenvolver 
transtornos mentais.
Capítulo 1
20
A expressão de genes relacionados aos transtornos mentais, muitas vezes, 
depende da interação com fatores ambientais. Por exemplo, uma pessoa pode 
herdar uma predisposição genética para a depressão, mas apenas desenvol-
ver o transtorno se for exposta a eventos estressantes ou traumáticos na vida. 
2.2 FATORES AMBIENTAIS 
Experiências precoces de vida, como traumas, abuso, negligência, estres-
se crônico ou eventos adversos, podem desempenhar um papel significativo 
no desenvolvimento de transtornos mentais. O ambiente familiar, social e 
econômico de uma pessoa também pode influenciar seu risco de desenvol-
ver transtornos mentais, com exposição a fatores como pobreza, violência ou 
instabilidade familiar, aumentando esserisco (Pantano; Lotufo Neto, 2024). 
Figura 8. Traumas na infância podem desencadear transtornos mentais na vida adulta 
Fonte: Envato (2024). 
#ParaTodosVerem: na imagem, temos uma criança sentada segurando e abraçando um urso de 
pelúcia. O semblante do menino é sério. Ele usa camisa xadrez e calça jeans. 
Podemos relacionar o estresse crônico, seja ele resultante de proble-
mas financeiros, desemprego, relações interpessoais conturbadas, discrimi-
nação ou outras pressões sociais, à contribuição para transtornos mentais 
como depressão e ansiedade. Além disso, experiências adversas na infância, 
como abuso físico, emocional ou sexual, negligência, perda de um dos pais 
Capítulo 1
21
ou viver em um ambiente familiar tumultuado, são fortemente associadas a 
um aumento no risco de transtornos mentais como depressão, ansiedade, 
transtorno do estresse pós-traumático (TEPT) e transtornos dissociativos. 
2.3 FATORES SOCIOCULTURAIS 
Além disso, o estigma associado à saúde mental pode impedir indiví-
duos de buscar ajuda, exacerbando condições existentes. 
Figura 9. Pressões sociais afetam a saúde mental 
Fonte: Freepik (2024). 
#ParaTodosVerem: ilustração de uma mulher com as feições tristes no centro da imagem segu-
rando um celular. Ao redor dela, há vários braços com o dedo polegar indicado para baixo e, em 
cima de cada um deles, temos um balão de comentário com imagens como carinhas aborrecidas 
e sinais de negativo feitos com o dedo polegar. 
Aspectos como pobreza, violência, experiências de guerra e migração 
podem induzir significativo estresse psicológico e social, aumentando o 
risco de transtornos mentais.
Capítulo 1
22
Normas sociais, expectativas culturais e estigma relacionado à saúde 
mental podem influenciar a percepção, a expressão e a resposta aos sinto-
mas de transtornos mentais. Por exemplo, certos sintomas podem ser mais 
ou menos aceitáveis em diferentes culturas, levando a diferenças na apre-
sentação e no diagnóstico de transtornos mentais. Fatores sociais, como 
discriminação ou exclusão, também podem contribuir para o desenvolvi-
mento de transtornos mentais. 
2.4 FATORES PSICOLÓGICOS 
Dentro dos fatores psicológicos, incluem-se os padrões de pensamen-
to, o processamento emocional, os estilos de enfrentamento e a resiliência. 
Eles desempenham um papel importante na manifestação e na evolução 
dos transtornos mentais. Por exemplo, distorções cognitivas podem contri-
buir para a perpetuação da depressão, enquanto estratégias adaptativas de 
enfrentamento podem mitigar os efeitos do estresse e da ansiedade. 
Figura 10. Trauma: impactos psicológicos 
Fonte: Freepik (2024). 
#ParaTodosVerem: na imagem, temos uma mulher com semblante de aflição. A mulher está co-
brindo o rosto com as mãos. O fundo é escuro, e a mulher tem cabelos loiro. Sua expressão está 
oculta pelas mãos e pela área borrada onde estaria o rosto. 
Capítulo 1
23
É importante reconhecer a interação complexa entre esses fatores no 
desenvolvimento e na evolução dos transtornos mentais. Uma abordagem 
holística e integrada, considerando todos esses aspectos, é essencial para 
uma compreensão completa e eficaz dos transtornos mentais e para o de-
senvolvimento de estratégias de prevenção e intervenção mais eficazes. 
Construir e manter a saúde mental é um processo contínuo que en-
volve diferentes aspectos da vida. Vamos, então, ver algumas práticas que 
podem ajudar. 
Cuidar do seu corpo 
Uma boa saúde mental, muitas vezes, começa com um corpo saudável. Isso 
inclui alimentação equilibrada, exercícios regulares e sono adequado.
Praticar o autocuidado 
Reservar um tempo para si mesmo todos os dias é importante. Isso pode in-
cluir atividades relaxantes como meditação, yoga, leitura, caminhadas na na-
tureza ou hobbies. 
Estabelecer limites saudáveis 
Aprender a dizer “não” quando necessário e definir limites claros nos relacio-
namentos e nas atividades diárias para evitar sobrecarga e estresse excessivo.
Cultivar relacionamentos positivos 
É importante que o indivíduo mantenha contato com amigos e familiares que 
o apoiam e valorizam. Relacionamentos saudáveis são fundamentais para o 
bem-estar mental.
Capítulo 1
24
Lembre-se de que construir e manter a saúde mental é um processo 
individual e único para cada pessoa. Por isso, o indivíduo em sofrimento 
deve ser gentil consigo mesmo e estar disposto a experimentar diferentes 
estratégias até encontrar o que funciona melhor para o seu caso. 
Desenvolver habilidades de enfrentamento 
Aprender a lidar com o estresse de maneira saudável, desenvolvendo habilida-
des de resolução de problemas, pensamento positivo e busca de apoio quando 
necessário é essencial.
Buscar ajuda profissional quando necessário 
O indivíduo não deve hesitar em procurar a orientação de um terapeuta ou 
um psicólogo se estiver enfrentando desafios emocionais ou mentais signifi-
cativos. Eles podem oferecer suporte, orientação e ferramentas para lidar com 
suas dificuldades. 
Praticar a gratidão 
Reconhecer as coisas boas da vida e praticar a gratidão regularmente pode 
ajudar a cultivar uma mentalidade mais positiva e resiliente.
Estar atento às emoções 
Praticar a autoconsciência e estar aberto a explorar as emoções pode ajudar 
o indivíduo a entender melhor a si mesmo e a gerenciar seus sentimentos de 
forma mais eficaz.
Capítulo 1
25
Vídeo
Os fatores psicológicos que constituem o binômio 
saúde/doença mental têm um forte componente 
cultural e histórico. Assim, o que aflige e ator-
menta os indivíduos nos dias de hoje não são os 
mesmos problemas que verificamos ao longo da 
história. Acompanhe como o psiquiatra Christian 
Dunker traça um interessante percurso histórico 
do estudo do sofrimento psíquicos nos últimos 
100 anos em sua palestra Transformações do so-
frimento psíquico.
https://youtu.be/m2eNsp18rNA
26
33. HISTÓRIA DA SAÚDE MENTAL
A história do estudo da saúde/doença mental está totalmente imbrica-
da com o surgimento e a consolidação da psicopatologia enquanto campo 
de conhecimento e de intervenção. A psicopatologia é o ramo da psicologia 
e da psiquiatria que se dedica ao estudo científico das doenças mentais 
(Dalgalarrondo, 2019). Busca compreender a natureza, as causas, as ma-
nifestações e os tratamentos dos distúrbios psicológicos, proporcionando 
uma visão abrangente e sistemática das condições que afetam a saúde 
mental das pessoas. Esse campo multidisciplinar integra conhecimentos de 
psicologia clínica, neurociência, genética, epidemiologia, entre outros, para 
oferecer uma compreensão mais completa dos transtornos mentais.
 
Seus principais objetivos incluem a identificação e a classificação dos trans-
tornos mentais, a compreensão de suas causas e seus mecanismos subjacentes, 
o desenvolvimento de métodos de avaliação e diagnóstico, além da proposição 
de intervenções terapêuticas eficazes para tratar esses distúrbios (Gonçalves, 
2021).
O termo psicopatologia tem origem em três palavras gregas: psychê, que se 
refere ao psiquismo, alma; páthos, que se refere a excesso, passagem, passi-
vidade, sofrimento, assujeitamento, patológico; e logos, que se refere a lógi-
ca, conhecimento. Pode-se compreender que a palavra psicopatologia trata 
do conhecimento sobre as patologias da alma. (Gonçalves, 2021, p. 07). 
A psicopatologia tem raízes antigas na história, com relatos de distúr-
bios mentais remontando a tempos pré-históricos. Ao longo dos séculos, 
A psicopatologia pode ser definida como o estudo científico dos processos 
psicológicos anormais, incluindo pensamentos, emoções e comportamen-
tos, que são considerados desviantes em relação ao funcionamento típico.
Capítulo 1
27
as percepções e as abordagens em relação à psicopatologia evoluíram 
significativamente, refletindo mudanças nas crenças culturais, filosóficas e 
científicas. Miguel (2020) afirma que, desde as interpretações religiosas e 
espirituais das doenças mentais na Antiguidade até as abordagens mais 
científicas e empíricas da psicopatologiamoderna, esse campo passou por 
diversas mudanças de paradigma, buscando compreender e tratar os trans-
tornos mentais de forma mais eficaz e compassiva, como veremos a seguir. 
O diagnóstico e a classificação dos transtornos mentais são aspectos 
fundamentais da psicopatologia, que fornecem uma estrutura para a com-
preensão e a comunicação dos diferentes distúrbios psicológicos. O Manual 
Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM) e a Classificação 
Internacional de Doenças (CID) são os sistemas de classificação mais ampla-
mente utilizados, fornecendo critérios diagnósticos e categorias para uma 
variedade de transtornos mentais. 
Figura 11. Psicopatologia e estudo dos transtornos mentais 
Fonte: Freepik (2024). 
#ParaTodosVerem: Na imagem temos uma ilustração de uma pessoa com o rosto olhando para 
baixo. A pessoa está usando uma blusa verde de mangas compridas e tem os braços cruzados so-
bre o peito. Em volta da cabeça da pessoa, há uma nuvem caótica de linhas e rabiscos, que inclui 
vários símbolos como pontos de interrogação e rostos zangados ou frustrados. O fundo tem um 
tom verde suave com setas verdes mais escuras apontando para a pessoa. 
Serão descritos os principais modelos de compreensão e tratamento 
das doenças mentais desde a Antiguidade até a atualidade. 
Capítulo 1
28
3.1 MODELO TRADICIONAL/RELIGIOSO DE 
TRATAMENTO DAS DOENÇAS MENTAIS DA 
ANTIGUIDADE À IDADE MÉDIA 
No panorama da Antiguidade, o entendimento das doenças mentais 
estava profundamente enraizado em contextos culturais e religiosos es-
pecíficos. Civilizações como a grega, a romana e a egípcia viam essas con-
dições sob um prisma fortemente influenciado por mitologias e sistemas 
religiosos. Predominava a ideia de que as enfermidades mentais não eram 
apenas um desequilíbrio físico ou emocional, mas também um sinal de in-
tervenção sobrenatural (Miguel, 2020). 
A atribuição das causas das doenças mentais a forças sobrenaturais, como 
demônios, deuses irados ou espíritos malignos, era comum. Em resposta às 
interpretações sobrenaturais das doenças mentais, as práticas de tratamento 
eram predominantemente religiosas. Rituais de exorcismo eram comumente 
utilizados em diversas culturas para “expulsar” os espíritos malignos do corpo 
do enfermo. Tais rituais poderiam incluir invocações, uso de amuletos, orações, 
banhos purificatórios e até sacrifícios. Em muitos casos, os sacerdotes ou as 
figuras religiosas assumiam o papel de curadores, utilizando-se de seus conhe-
cimentos em rituais sagrados para tratar ou aliviar os sintomas dos afetados. 
Figura 12. Tratamento da doença mental na Idade Média 
Fonte: Freepik (2024). 
#ParaTodosVerem: na imagem, temos um homem barbudo usando um sobretudo preto, escreven-
do em um papel. Ele está em frente a uma mesa de madeira, e, em cima dela, temos algumas garra-
fas e um candelabro com uma vela acesa. Ao fundo, há uma estante com diversos livros enfileirados. 
Capítulo 1
29
No contexto judaico-cristão, a prática de orações e a invocação da pro-
teção divina eram abordagens comuns para lidar com doenças que eram 
vistas como castigos ou provações impostas por Deus. A figura do exorcista, 
especialmente durante a Idade Média, era essencial e respeitada dentro 
da comunidade, agindo como um intermediário entre o divino e o terreno 
(Miguel, 2020). Assim, a estigmatização das pessoas com doenças mentais 
era uma consequência direta das crenças sobre suas origens. 
Durante a Idade Média, essa percepção apenas se intensificou com a 
crescente influência da Igreja. Hospitais e asilos começaram a ser estabele-
cidos; muitos eram mais parecidos com prisões do que com instituições de 
cura. Nesses lugares, o tratamento, muitas vezes, confundia-se com puni-
ção ou contenção, e, não raro, as condições eram desumanas. 
3.2 MODELO MORAL/FILOSÓFICO: TRANSIÇÃO 
PARA UMA COMPREENSÃO RACIONAL DAS 
DOENÇAS MENTAIS (RENASCIMENTO – 
ILUMINISMO) 
Durante o Renascimento, uma época caracterizada pela redescoberta 
e valorização dos textos clássicos e pelo questionamento das estruturas 
de poder medieval, a compreensão das doenças mentais começou a ex-
perimentar uma transformação significativa. Esse período, seguido pelo 
Iluminismo, marcou uma mudança rumo ao pensamento racional e em-
pírico, afastando-se das interpretações predominantemente religiosas que 
tinham dominado a Antiguidade e a Idade Média. 
Os filósofos do Renascimento, como René Descartes, iniciaram um pro-
cesso de separação entre mente e corpo, sugerindo que a razão humana 
poderia ser entendida de maneira sistemática e científica. Descartes, com 
seu famoso princípio do cogito, ergo sum (penso, logo existo), instigou uma 
nova forma de observar a capacidade cognitiva e suas disfunções, colocan-
do a razão no centro do entendimento humano (Foucault, 1978). 
Capítulo 1
30
Figura 13. A filosofia e as teoria sobre o homem e a doença mental 
Fonte: Freepik (2024). 
#ParaTodosVerem: na imagem, temos um homem escrevendo em alguns papéis que estão sobre 
uma mesa de madeira. O homem é um senhor e está vestindo um colete sobre uma camisa com 
mangas. A mesa está coberta com várias folhas de papel. Ela é iluminada por duas fontes de luz: 
uma luminária de mesa com uma clássica cúpula à direita e uma luminária de latão com uma cú-
pula branca à esquerda. Ao fundo, há prateleiras de madeira cheias de livros. 
O Iluminismo levou essas ideias adiante com pensadores como John 
Locke, que explorou a ideia de que a mente era uma “tábua rasa”, moldada 
pela experiência. Locke negava a existência de ideias inatas e enfatizava 
o papel da aprendizagem e da percepção sensorial no desenvolvimento 
mental. Essas perspectivas foram fundamentais para o desenvolvimento de 
uma abordagem mais científica e menos moralista em relação às doenças 
mentais, embora o estigma de fraqueza moral ainda persistisse. 
Durante o Iluminismo, a crença de que tais doenças derivavam de uma 
fraqueza moral ou de uma falha de autocontrole ainda era prevalente.
Capítulo 1
31
A sociedade frequentemente via os indivíduos com doenças mentais 
como moralmente inferiores, necessitando de disciplina e correção rígida, 
em vez de compaixão ou tratamento médico (Miguel, 2020). Essa visão era 
sustentada pela ideia iluminista de que o ser humano poderia ser aper-
feiçoado por meio da razão e da educação. Consequentemente, aqueles 
que falhavam em manter um estado mental “racional” eram submetidos a 
tratamentos que buscavam reforçar a disciplina e a ordem, como confina-
mentos em instituições que mais se assemelhavam mais a prisões do que 
a hospitais. 
Filósofos e médicos pioneiros começaram a argumentar contra o tra-
tamento desumano dos doentes mentais, chamando atenção para a ne-
cessidade de compaixão e entendimento adequado das bases da doença 
mental. Esse período testemunhou o surgimento de novas teorias sobre a 
saúde mental, que eventualmente conduziriam a práticas mais modernas 
de psiquiatria (Gonçalves, 2021). 
3.3 O MODELO MÉDICO NA SAÚDE MENTAL 
(SÉCULO XIX E INÍCIO DO SÉCULO XX) 
O século XIX foi um período de transformações significativas na com-
preensão e no tratamento das doenças mentais, marcado principalmente 
pelo estabelecimento da psiquiatria como uma disciplina médica distinta. 
Essa nova abordagem emergiu de um crescente interesse pelo estudo cien-
tífico da mente e do cérebro, acompanhado pela expansão da medicina 
como um campo de conhecimento embasado em princípios anatômicos e 
fisiológicos (Miguel, 2020). 
Figuras pioneiras como Philippe Pinel, na França, ajudaram a promo-
ver uma visão de que as doenças mentais deveriam ser tratadas não como 
manifestações de possessão demoníaca ou fraqueza moral, mas como 
qualquer outra doença física. Esses pensadores argumentavam que, assim 
como as doenças do corpo, os transtornos mentais tinham bases biológicas 
que poderiam ser estudadas, compreendidas e tratadas. 
Capítulo 1
32
Figura 14. A França no século XIX e o desenvolvimento de um novo padrão de entendimentoda 
doença mental 
Fonte: Freepik (2024). 
#ParaTodosVerem: na imagem, temos uma ilustração de uma rua do século passado. A rua é de 
pedra e há diversas pessoas nela, homens e mulheres vestindo roupas compridas e chapéus. No 
centro da imagem, temos pessoas andando em um cavalo. 
Philippe Pinel é reconhecido como um dos fundadores da psiquiatria 
moderna e um defensor dos direitos humanos dos doentes mentais. Suas re-
formas marcaram um ponto de virada na história do tratamento de doenças 
mentais, influenciando práticas de tratamento em todo o mundo e estabele-
cendo os princípios fundamentais do cuidado humanizado em saúde mental. 
Essa nova perspectiva médica permitiu um olhar mais compreensivo 
e científico sobre transtornos como a esquizofrenia, o transtorno bipolar 
e a depressão, associando-os a desequilíbrios químicos, lesões cerebrais 
ou anomalias genéticas. Essa abordagem abriu caminho para o desenvolvi-
mento de tratamentos farmacológicos e outras intervenções médicas desti-
nadas a corrigir ou mitigar essas disfunções (Gonçalvez, 2020). 
Capítulo 1
33
O mesmo período viu o surgimento dos primeiros hospitais psiquiátri-
cos, instituições dedicadas exclusivamente ao tratamento de pacientes com 
doenças mentais. Embora inicialmente esses hospitais fossem concebidos 
como locais de refúgio e tratamento sob supervisão médica, muitos deles, 
em razão de falhas na regulamentação e na supervisão, acabaram por se tor-
nar locais de condições precárias e tratamentos desumanos (Miguel, 2020). 
Nos hospitais psiquiátricos do século XIX e do início do século XX, os 
pacientes eram frequentemente submetidos a métodos de tratamento que, 
aos olhos de hoje, podem parecer arcaicos ou cruéis, como o confinamento 
em celas, o uso de camisas de força, a hidroterapia forçada e diversas for-
mas de terapia de choque. Embora esses métodos buscassem uma base 
científica, a falta de uma compreensão mais profunda e o estigma persis-
tente em relação à doença mental, muitas vezes, levavam a práticas que 
não respeitavam a dignidade dos pacientes. 
Figura 15. O eletrochoque e sua história 
Fonte: Freepik (2024). 
#ParaTodosVerem: na imagem, temos uma mão humana segurando uma sonda de multímetro 
contra um objeto vermelho estilizado para se parecer com um cérebro humano. A outra sonda do 
multímetro não está em contato direto com o objeto, mas é visível no quadro, com uma ponta ver-
melha. O objeto do cérebro possui sulcos e cristas imitando os giros e os sulcos de um cérebro real. 
Capítulo 1
34
3.4 MODELO PSICODINÂMICO: A REVOLUÇÃO 
FREUDIANA E SEU LEGADO (SÉCULO XX –
MEADOS DO SÉCULO XX) 
No alvorecer do século XX, a abordagem para o entendimento e o tra-
tamento das doenças mentais tomou um novo rumo com o advento do 
modelo psicodinâmico, liderado pela figura pioneira de Sigmund Freud. 
Neurologista austríaco, Freud divergiu das práticas médicas tradicio-
nais de sua época ao introduzir a teoria da psicanálise. Essa teoria revo-
lucionária enfatizava o papel do inconsciente, dos processos psicológicos 
ocultos e das experiências infantis na formação da personalidade e no de-
senvolvimento de distúrbios mentais (Simões, 2019). 
Freud propôs que o inconsciente é uma parte da mente que contém 
desejos, memórias e experiências reprimidas, que têm um impacto signifi-
cativo no comportamento consciente e na saúde mental. 
A teoria freudiana também destacou a importância dos primeiros rela-
cionamentos familiares, especialmente aqueles com os pais, sugerindo 
que os conflitos não resolvidos da infância poderiam levar a perturba-
ções psicológicas na vida adulta. 
Capítulo 1
35
Figura 16. Sigmund Freud, o pai da psicanálise 
Fonte: Freepik (2024). 
#ParaTodosVerem: a imagem mostra uma ilustração de Sigmund Freud vestindo um terno e uma 
gravata. O retrato apresenta Freud na velhice, com barba comprida e branca e usando óculos. 
A psicanálise, como método terapêutico, envolvia várias técnicas des-
tinadas a acessar e interpretar o inconsciente. Entre elas, estavam a livre 
associação, na qual o paciente fala livremente para revelar pensamentos e 
sentimentos ocultos, e a análise de sonhos, usada para explorar o conteú-
do inconsciente expresso durante o sono. Essas técnicas visavam ajudar os 
indivíduos a compreender e resolver seus conflitos internos, levando a uma 
melhoria no bem-estar psicológico (Simões, 2019).
Saiba Mais
Freud foi um renomado médico neurologista e psi-
quiatra austríaco, considerado o fundador da psica-
nálise, uma das mais influentes teorias da mente e 
da personalidade do século XX. Ele desenvolveu uma 
série de teorias revolucionárias sobre o funciona-
mento da mente humana, incluindo a importância do 
inconsciente, os estágios do desenvolvimento psicos-
sexual, os mecanismos de defesa e a interpretação 
dos sonhos. Sua obra teve um impacto significativo 
não apenas na psicologia, mas também na literatura, 
na arte e na cultura em geral. Para saber mais sobre a 
vida de Sigmund Freud, indicamos o livro “Ler Freud”. 
https://app.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788536312699/
Capítulo 1
36
Além de Freud, outros teóricos expandiram e diversificaram o campo 
psicodinâmico. Carl Jung e Alfred Adler são exemplos de psicanalistas que 
desenvolveram suas próprias teorias e seus métodos, enfatizando diferen-
tes aspectos da psique humana. 
Figura 17. O processo terapêutico 
Fonte: Freepik (2024). 
#ParaTodosVerem: a imagem retrata uma ilustração de uma sessão de terapia. À esquerda, 
há um homem reclinada em um sofá marrom. Esse personagem está vestindo um moletom 
vermelho e calças amarelas. Ele está gesticulando com a mão esquerda enquanto a mão direita 
está na cabeça. Acima desse personagem, há uma nuvem de pensamento contendo uma linha 
emaranhada e enroscada que se transforma em uma espiral organizada. Do lado direito da ima-
gem, há outro personagem sentado em uma cadeira moderna. Esse personagem está vestindo 
um terno azul marinho e sapatos marrons. Ele está segurando uma prancheta e uma caneta e 
está fazendo anotações. 
Jung introduziu conceitos como o arquétipo e o inconsciente coletivo, 
enquanto Adler enfocou a importância da busca por superioridade e o 
sentimento de inferioridade como forças motivadoras do comportamento 
(Teixeira, 2017).
Capítulo 1
37
 
O modelo psicodinâmico teve um impacto profundo na psicologia clíni-
ca e no tratamento das doenças mentais, promovendo a psicoterapia como 
uma abordagem válida e eficaz. Por muitos anos, a psicanálise e suas va-
riantes dominaram o campo da saúde mental, proporcionando aos pacien-
tes uma forma de tratamento que não se limitava a intervenções médicas 
ou farmacológicas (Teixeira, 2017). 
3.5 O MODELO BIOMÉDICO NA SAÚDE MENTAL 
(MEADOS DO SÉCULO XX – PRESENTE) 
No cenário da saúde mental, o modelo biomédico emergiu como uma 
abordagem dominante a partir do século XX, transformando significativa-
mente a compreensão e o tratamento das doenças mentais. Esse modelo se 
fundamenta na premissa de que as doenças mentais têm causas biológicas 
subjacentes e devem ser tratadas principalmente por meio de intervenções 
médicas e farmacológicas. 
Uma das características distintivas do modelo biomédico é sua ên-
fase nas bases biológicas das doenças mentais. Esse enfoque destaca 
desequilíbrios químicos no cérebro, disfunções neurológicas e fatores 
genéticos como principais determinantes das condições psiquiátricas. 
Por exemplo, a depressão pode ser atribuída a níveis anormais de neu-
rotransmissores como a serotonina e a noradrenalina, enquanto a es-
quizofrenia pode ser associada a alterações na estrutura cerebral e na 
função neuronal (Miguel, 2021). 
Saiba Mais
Quer saber mais sobre as teorias de Jung? 
Carl Gustav Jung foi um psiquiatra suíço e discípulo de 
Sigmund Freud. Ele é conhecido por suas contribuições 
significativas para a psicologia analítica e a psicologia 
profunda. Uma das principais contribuições de Jung 
foi a Teoria dos Arquétipos, a qual sugere que existem 
padrões universaise simbólicos que fazem parte do 
inconsciente coletivo de toda a humanidade. Ele argu-
mentava que esses arquétipos influenciam profunda-
mente o comportamento humano, os sonhos e a cul-
tura. Para conhecer mais sobre a vida e a obra de Carl 
Gustav Jung, indicamos o livro “Jung: o homem criativo”. 
https://app.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788521210542/
Capítulo 1
38
Antidepressivos, estabilizadores de humor, antipsicóticos e ansiolíticos 
são comumente prescritos para gerenciar uma variedade de condições psi-
quiátricas. Esses medicamentos visam corrigir os desequilíbrios químicos 
no cérebro e aliviar os sintomas associados às doenças mentais. 
Figura 18. Uso intensivo da medicalização do transtorno mental 
Fonte: Freepik (2024). 
#ParaTodosVerem: na imagem, temos, em primeiro plano, diversas cartelas de remédios espalha-
das em uma mesa. Ao fundo, está uma mulher loira, usando máscara e com as duas mãos na cabeça. 
No modelo biomédico, as abordagens farmacológicas, especialmente o 
uso de medicamentos psicotrópicos, são consideradas a principal for-
ma de tratamento para as doenças mentais. 
Capítulo 1
39
A pesquisa em neurociência desempenha um papel fundamental no avan-
ço do entendimento das bases biológicas das doenças mentais dentro do mo-
delo biomédico. Avanços na tecnologia de imagem cerebral, como ressonância 
magnética funcional (fMRI) e tomografia por emissão de pósitrons (PET), permi-
tiram aos cientistas investigar a estrutura e a função do cérebro em indivíduos 
com doenças mentais. Essas descobertas têm informado o desenvolvimento 
de novos medicamentos e terapias dirigidas a alvos específicos no cérebro, 
bem como estratégias de prevenção e intervenção precoce (Gonçalves, 2021). 
O modelo biomédico revolucionou a compreensão e o tratamento das 
doenças mentais, oferecendo uma abordagem com base em evidências e 
cientificamente fundamentada. Ao destacar as bases biológicas das condi-
ções psiquiátricas e favorecer o uso de intervenções farmacológicas, esse 
modelo tem proporcionado avanços significativos no manejo das doenças 
mentais. No entanto, é importante reconhecermos que as abordagens bio-
médicas não são necessariamente excludentes de outras perspectivas e, 
muitas vezes, são complementadas por intervenções psicossociais e tera-
pias integrativas para promover o bem-estar mental abrangente. 
3.6 O MODELO BIOPSICOSSOCIAL NA SAÚDE 
MENTAL (CONTEMPORÂNEO) 
O modelo biopsicossocial é uma abordagem holística que reconhece a 
interconexão entre fatores biológicos, psicológicos, sociais e ambientais na 
determinação da saúde mental de uma pessoa. Esse modelo, desenvolvido 
no final do século XX, oferece uma visão ampliada e integrada da saúde 
mental, considerando não apenas aspectos biológicos, mas também o im-
pacto das experiências individuais, das relações sociais e do ambiente em 
que uma pessoa vive. 
Ele reconhece que os fatores biológicos, como predisposições gené-
ticas ou desequilíbrios químicos no cérebro, podem interagir com fatores 
psicológicos, como traumas passados, estresse ou padrões de pensamento 
disfuncionais, e fatores sociais, como relacionamentos familiares, apoio so-
cial e condições socioeconômicas. 
Uma das características fundamentais do modelo biopsicossocial é sua 
compreensão da complexa interação entre diferentes aspectos da vida 
de uma pessoa.
Capítulo 1
40
Figura 19. A psicoterapia como uma aliada à saúde mental 
Fonte: Envato (2024). 
#ParaTodosVerem: na imagem, há duas mulheres sentadas conversando. Uma mulher está de 
frente segurando uma prancheta com uma das mãos, e a outra está escrevendo. Ela está sorrindo. 
Ao fundo, temos uma bancada com notebook, livros e vasos de plantas. 
No modelo biopsicossocial, a avaliação e o tratamento dos problemas 
de saúde mental são abordados de forma integrada e multidimensional. 
Isso significa que os profissionais de saúde mental consideram todos os 
aspectos da vida de uma pessoa ao desenvolver planos de tratamento per-
sonalizados. Em vez de se concentrarem apenas nos sintomas ou em uma 
única causa potencial, eles procuram entender o quadro completo, levan-
do em consideração aspectos biológicos, psicológicos, sociais e ambientais 
(Miguel, 2021). 
Vantagens do modelo biopsicossocial são sua flexibilidade e sua di-
versidade de abordagens terapêuticas. Além do uso de medicamentos 
para tratar sintomas específicos, esse modelo incorpora uma variedade de 
intervenções terapêuticas, como psicoterapia, terapia cognitivo-comporta-
mental, terapia familiar, intervenções sociais e suporte comunitário. Essas 
abordagens são adaptadas às necessidades individuais de cada pessoa e 
podem ser combinadas de maneira complementar para promover a recu-
peração e o bem-estar mental. 
Capítulo 1
41
Conforme afirmado no DSM-5-TR, ao reconhecer a interconexão en-
tre diferentes aspectos da vida de uma pessoa, o modelo biopsicossocial 
promove uma abordagem mais abrangente e centrada no paciente para a 
saúde mental. Ele não apenas se concentra na remoção de sintomas ou na 
resolução de problemas imediatos, mas também busca promover a saúde 
integral, levando em consideração o contexto mais amplo da vida de uma 
pessoa e identificando formas de melhorar sua qualidade de vida a longo 
prazo (DSM-5-TR, 2023). 
Figura 20. O cuidado com a saúde mental 
Fonte: Freepik (2024). 
#ParaTodosVerem: na imagem, temos a ilustração de duas pessoas, um homem e uma mulher. 
Em primeiro plano, temos uma mulher sorridente, e, de sua cabeça, saem flores. Ao fundo, temos 
um homem, também com flores saindo de sua cabeça, e ele está com um regador, regando-as. 
Esses diferentes modelos de análise refletem mudanças nas concep-
ções sobre a natureza das doenças mentais e as abordagens para lidar com 
elas ao longo da história. O modelo contemporâneo, que incorpora uma 
compreensão biopsicossocial, destaca a importância de uma abordagem 
holística e integrada para promover a saúde mental e tratar problemas de 
saúde mental. 
42
CONSIDERAÇÕES 
FINAIS
Ao longo deste capítulo, exploramos a fascinante intersecção entre psi-
copatologia e história da doença mental, mergulhando em um rico tecido 
de narrativas que nos levam desde as antigas interpretações sobrenatu-
rais até os avanços contemporâneos na compreensão e no tratamento dos 
transtornos mentais. Nossa jornada nos levou a atravessar eras e culturas, 
revelando como as percepções da doença mental foram moldadas por con-
textos sociais, culturais, religiosos e científicos em constante evolução. 
Testemunhamos os primeiros registros de doenças mentais na história 
da humanidade, em que a loucura, muitas vezes, era associada a forças 
sobrenaturais e punições divinas. Essas concepções prevaleceram em vá-
rias culturas antigas, em que os transtornos mentais eram frequentemente 
vistos como possessões demoníacas ou maldições lançadas por deuses 
irados. A resposta a esses estados mentais era geralmente de natureza 
ritualística, envolvendo exorcismos, sacrifícios e outras práticas religiosas 
destinadas a apaziguar as forças sobrenaturais percebidas como respon-
sáveis pelo sofrimento. Percorremos os corredores sombrios dos hospitais 
medievais, nos quais os doentes mentais enfrentavam condições desuma-
nas e tratamentos cruéis. Nessas instituições, conhecidas como asilos ou 
manicômios, os pacientes eram frequentemente acorrentados, isolados e 
submetidos a tratamentos brutais como sangrias e lobotomias, refletindo 
uma compreensão limitada e profundamente errônea da saúde mental. 
Emergimos do Iluminismo e do Renascimento com uma nova com-
preensão da mente humana, mas ainda enfrentando estigmas e concep-
ções morais sobre a doença mental. Durante essas eras, houve um des-
pertar intelectual que começou a desafiar as antigas noções de loucura, 
promovendo uma abordagem mais racional e empírica. Filósofos e médicos, 
influenciados pelo avanço das ciências naturais, começaram a questionar 
as bases sobrenaturais da doença mental, propondo teorias queligavam 
Capítulo 1
43
os distúrbios mentais a causas físicas e psicológicas. No entanto, apesar 
desses avanços, os estigmas e preconceitos persistiram, e muitas pessoas 
continuavam a ser marginalizadas e tratadas como menos dignas de com-
paixão ou cuidado. 
No século XIX, testemunhamos o surgimento da psiquiatria como uma 
disciplina médica distinta, marcando uma mudança fundamental na abor-
dagem da doença mental. Philippe Pinel, entre outros pioneiros, introduziu 
reformas humanitárias nos tratamentos, questionando as práticas cruéis 
e promovendo uma visão mais científica e compassiva da doença mental. 
Pinel é conhecido por libertar os doentes mentais das correntes no Hospital 
Bicêtre em Paris, simbolizando um movimento em direção a tratamentos 
mais humanos. Essa época também viu o desenvolvimento de métodos 
diagnósticos e classificatórios que começaram a estruturar o campo da psi-
quiatria moderna. Psiquiatras reformadores contribuíram significativamen-
te para a melhoria das condições nos asilos e para o avanço das práticas 
diagnósticas, estabelecendo fundamentos que moldariam as futuras abor-
dagens no tratamento e compreensão das doenças mentais. 
Chegamos ao século XX, uma era de avanços extraordinários na com-
preensão e no tratamento dos transtornos mentais. Testemunhamos a as-
censão da psicofarmacologia e da psicoterapia, bem como a integração de 
abordagens biopsicossociais na prática clínica. Conforme nos aproximamos 
do presente, somos lembrados da importância de uma abordagem holística 
e centrada no paciente para a saúde mental, reconhecendo a complexidade 
da experiência humana e a necessidade de compaixão, empatia e colabora-
ção em nossos esforços para promover o bem-estar mental. 
Neste capítulo, somos desafiados a continuar explorando as interse-
ções fascinantes entre psicopatologia e história da doença mental, reco-
nhecendo que nossa compreensão está sempre evoluindo, moldada por 
descobertas científicas, mudanças culturais e novas perspectivas teóricas. 
44
ATIVIDADES
DE ESTUDO
1. Uma boa saúde mental permite que a pessoa lide com o estresse, 
trabalhe de forma produtiva, mantenha relacionamentos saudáveis e 
contribua para a sua comunidade. Possibilita que um indivíduo seja 
capaz de usar suas capacidades cognitivas e emocionais, funcionar na 
vida cotidiana e lidar com as demandas normais da vida. 
Qual dos seguintes fatores é um componente da saúde mental? 
a. Bem-estar emocional. 
b. Regras e limites rígidos. 
c. Normas morais e sociais. 
d. Bem-estar financeiro. 
2. A OMS enfatiza que saúde mental não é apenas a ausência de trans-
tornos mentais, mas também a presença de fatores positivos, como o 
bem-estar emocional e a capacidade de viver uma vida plena e produ-
tiva. Como a saúde mental pode afetar a vida de uma pessoa? 
a. Pode causar apenas problemas emocionais leves. 
b. Pode interferir nas atividades diárias e nos relacionamentos. 
c. Não tem impacto na vida cotidiana. 
d. Apenas afeta a saúde física, não a saúde mental. 
Capítulo 1
45
3. Os primórdios dos hospitais psiquiátricos com modelo asilar re-
montam a uma época em que a compreensão das doenças mentais 
era extremamente limitada e impregnada de superstição, estigma e 
falta de recursos adequados, deixando os pacientes frequentemen-
te submetidos a condições desumanas e sem tratamentos eficazes 
disponíveis. 
Qual era o principal objetivo das primeiras instituições asilares para 
pessoas com doença mental? 
a. Fornecer tratamento humanizado e individualizado. 
b. Isolar e controlar os indivíduos considerados “loucos” pela sociedade. 
c. Promover a integração comunitária e a reabilitação social. 
d. Oferecer terapias ocupacionais e atividades recreativas. 
46
REFERÊNCIAS 
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de Transtornos Mentais - DSM-5-TR: Texto Revisado. Porto Alegre: Grupo 
A, 2023. E-book. ISBN 9786558820949. Disponível em: https://app.minhabi-
blioteca.com.br/#/books/9786558820949/. Acesso em: 15 abr. 2024. 
DALGALARRONDO, P. Psicopatologia e semiologia dos transtornos men-
tais. Porto Alegre: Grupo A, 2019. E-book. ISBN 9788582715062. Disponível 
em: https://app.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788582715062/. Acesso 
em: 15 abr. 2024. 
FOUCAULT, M. História da loucura na idade clássica. São Paulo: 
Perspectiva, 1978. 
GONÇALVES, A. P. Psicopatologia. São Paulo: Editora Saraiva, 2021. E-book. 
ISBN 9786589965596. Disponível em: https://app.minhabiblioteca.com.
br/#/books/9786589965596/. Acesso em: 15 abr. 2024. 
GRINBERG, L. P. Jung: o homem criativo. São Paulo: Editora Blucher, 2017. 
E-book. ISBN 9788521210542. Disponível em: https://app.minhabiblioteca.
com.br/#/books/9788521210542/. Acesso em: 17 maio 2024. 
MIGUEL, E. C. Clínica psiquiátrica: os fundamentos da psiquiatria. 2. ed. 
Barueri: Editora Manole, 2020. v. 1. E-book. ISBN 9786555764109. Disponível 
em: https://app.minhabiblioteca.com.br/#/books/9786555764109/. Acesso 
em: 23 abr. 2024. 
ORGANIZAÇÃO PAN-AMERICANA DA SAÚDE; ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA 
SAÚDE. OMS destaca necessidade urgente de transformar saúde men-
tal e atenção. Brasília, DF: OPAS; OMS, 17 jun. 2022. Disponível em: https://
www.paho.org/pt/noticias/17-6-2022-oms-destaca-necessidade-urgente-
-transformar-saude-mental-e-atencao. Acesso em: 17 maio 2024. 
Capítulo 1
47
PANTANO, T.; LOTUFO NETO, F. Saúde mental e psicopatologias para a 
equipe de saúde. Santana do Parnaíba: Editora Manole, 2024. E-book. ISBN 
9788520461587. Disponível em: https://app.minhabiblioteca.com.br/#/
books/9788520461587/. Acesso em: 15 abr. 2024. 
QUINODOZ, J-M. Ler Freud. Porto Alegre: Grupo A, 2007. E-book. ISBN 
9788536312699. Disponível em: https://app.minhabiblioteca.com.br/#/
books/9788536312699/. Acesso em: 17 mai. 2024. 
SIMÕES, A. Psicanálise e psicopatologia. São Paulo: Editora Blucher, 2019. 
E-book. ISBN 9788580393873. Disponível em: https://app.minhabiblioteca.
com.br/#/books/9788580393873/. Acesso em: 23 abr. 2024. 
TEIXEIRA, A.; CALDAS, H. Psicopatologia lacaniana. Belo Horizonte: Grupo 
Autêntica, 2017. E-book. ISBN 9788551302057. Disponível em: https://app.
minhabiblioteca.com.br/#/books/9788551302057/. Acesso em: 23 abr. 2024.
48
CAPÍTULO 2
NOSOLOGIA DOS TRANSTORNOS 
MENTAIS
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
A partir da perspectiva do saber-fazer, são apresentados os seguintes 
objetivos de aprendizagem:
• Familiarizar com os principais sistemas de classificação dos trans-
tornos mentais como o DSM e o CID; 
• Identificar e compreender as características diagnósticas, os crité-
rios e as caraterizações de diversos transtornos mentais; 
• Discriminar os diferentes tipos de transtorno: humor, ansiedade, 
psicóticos, personalidade e de desenvolvimento; 
• Apresentar os transtornos da infância e adolescência; 
• Encorajar uma análise crítica dos modelos de classificação dos trans-
tornos mentais; 
• Identificar sinais e sintomas dos transtornos mentais, utilizando o 
DSM 5 – TR; 
• Entender os transtornos mentais a partir da sua etiologia e progres-
são, abrangendo fatores biológicos, psicológicos e sociais; 
• Analisar criticamente os sistemas de classificação e a influência dos 
fatores culturais e sociais. 
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CONTEXTUALIZAÇÃO
A nosologia dos transtornos mentais é o ramo da medicina 
dedicado à classificação e à categorização dos diferentes transtor-
nos psiquiátricos com base em critérios específicos. Essa área da 
medicina visa organizar o vasto espectro de condições mentais em 
categorias compreensíveis, facilitando a compreensão, o diagnós-
tico e o tratamento desses transtornos. 
A nosologia dos transtornos mentais é geralmente guiada por 
sistemas de classificação, como o Manual Diagnóstico e Estatístico 
de Transtornos Mentais (DSM 5 – TR) e a Classificação Internacional 
de Doenças (CID-11), que fornecem critérios diagnósticos padro-
nizados para uma ampla variedade de transtornos psiquiátricos. 
Esses sistemas de classificação são atualizados periodicamente 
para refletiros avanços na compreensão científica dos transtornos 
mentais e para garantir a precisão e a relevância clínica das catego-
rias diagnósticas. 
No âmbito dessa classificação, o DSM-5 – TR se destaca como 
uma das ferramentas mais amplamente utilizadas pelos profissio-
nais de saúde mental em todo o mundo. No entanto, com o avanço 
da pesquisa e a evolução do conhecimento na área da saúde men-
tal, surgiram debates e questionamentos sobre a adequação e a 
precisão desse sistema de classificação. Além disso, o surgimento 
do CID-11 trouxe à tona diferenças e desafios na compreensão e 
na abordagem dos transtornos mentais em nível global. 
Neste capítulo, exploraremos as características distintas do 
DSM-5 e do CID-11, destacando suas semelhanças e diferenças na 
classificação dos transtornos mentais. Em seguida, examinaremos 
os diferentes tipos de transtornos mentais, desde os mais comuns 
Capítulo 2
50
até os menos conhecidos, abordando suas características clínicas 
e fatores de risco. 
Ao longo desta disciplina, discutiremos os transtornos listados 
no DSM-5 – TR: Transtornos do Neurodesenvolvimento; Espectro 
da Esquizofrenia e Outros Transtornos Psicóticos; Transtorno 
Bipolar e Transtornos Relacionados; Transtornos Depressivos; 
Transtornos de Ansiedade; Transtorno Obsessivo-compulsivo e 
Transtornos Relacionados; Transtornos Relacionados a Trauma e 
a Estressores; Transtornos Dissociativos; Transtorno de Sintomas 
Somáticos e Transtornos Relacionados; Transtornos Alimentares; 
Transtornos da Eliminação; Transtornos do Sono-Vigília; Disfunções 
Sexuais; Disforia de Gênero; Transtornos Disruptivos, do Controle 
de Impulsos e da Conduta; Transtornos Relacionados a Substâncias 
e Transtornos Aditivos; Transtornos Neurocognitivos; Transtornos 
da Personalidade e os Transtornos Parafílicos. Dentre esses trans-
tornos, daremos atenção especial aos transtornos da infância e 
adolescência, considerando as peculiaridades do desenvolvimen-
to nessa faixa etária e os desafios específicos enfrentados pelos 
jovens. 
No vasto campo da psicopatologia, compreender e diferenciar 
os diversos transtornos mentais é crucial para oferecer um cuidado 
eficaz e individualizado aos pacientes. A complexidade dessas con-
dições exige uma compreensão aprofundada das características 
diagnósticas, critérios de classificação e características específicas 
de cada transtorno. 
Por fim, iremos analisar as limitações e críticas ao sistema de 
classificação dos transtornos mentais, reconhecendo as preocupa-
ções levantadas por pesquisadores, clínicos e pacientes em relação 
à validade, confiabilidade e utilidade clínica desses sistemas. Ao 
longo deste capítulo, buscamos promover uma compreensão mais 
abrangente e crítica dos transtornos mentais, reconhecendo tanto 
os avanços quanto os desafios enfrentados no campo da saúde 
mental contemporânea. 
51
11. DSM 5 – TR: SISTEMA 
DE CLASSIFICAÇÃO DOS 
TRANSTORNOS MENTAIS E SUAS 
DIFERENÇAS COM O CID 11 
Nesta seção, exploraremos dois dos sistemas de classificação mais am-
plamente utilizados e influentes no campo da psiquiatria e da saúde mental: 
o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5 – TR) e a 
Classificação Internacional de Doenças (CID-11).
1.1 DSM 5 – TR
O DSM-5 – TR é uma obra de referência fundamental na área da psiquia-
tria e saúde mental. Sua história remonta ao início do século XX, com a publica-
ção do primeiro DSM em 1952 pela Associação Americana de Psiquiatria (APA). 
Desde então, o manual passou por várias revisões e atualizações para refletir 
os avanços na compreensão dos transtornos mentais e na prática clínica.
Ele fornece critérios diagnósticos específicos, características clínicas e 
diretrizes para a avaliação e tratamento de uma ampla gama de condições 
psiquiátricas. A importância do DSM-5 é evidente em sua influência sobre 
a prática clínica, pesquisa científica e políticas de saúde mental em todo o 
mundo. Ele fornece uma linguagem comum e uma estrutura organizada 
para a comunicação e compreensão dos transtornos mentais, facilitando a 
colaboração entre profissionais de diferentes disciplinas e países.
A importância do DSM-5 reside em sua função como uma ferramen-
ta padronizada e sistemática para o diagnóstico e classificação dos 
transtornos mentais. 
Capítulo 2
52
Além do DSM-5, existem livros complementares que fornecem infor-
mações adicionais e aprofundadas sobre transtornos mentais específicos, 
técnicas de avaliação, tratamentos e outras questões relevantes para pro-
fissionais de saúde mental. 
1. Guia de Consulta Rápida do DSM-5: oferece uma visão geral conci-
sa dos critérios diagnósticos do DSM-5, facilitando a rápida referên-
cia e a tomada de decisões clínicas (Black; Grant, 2015).
2. DSM-5 Casebook e sua série de livros: apresentam casos clínicos de-
talhados que ilustram a aplicação dos critérios diagnósticos do DSM-5 
na prática clínica, fornecendo exemplos concretos de avaliação, diag-
nóstico e tratamento de transtornos mentais (Barnhill, 2024).
3. Manual de Critérios Diagnósticos e Entrevista Clínica para o 
DSM-5: descrição detalhada dos critérios diagnósticos do DSM-5, 
juntamente com orientações para a realização de entrevistas clíni-
cas e a avaliação de sintomas (First et al., 2017).
4. Guia de Estudo do DSM-5: recursos adicionais para estudantes, resi-
dentes e profissionais que desejam aprofundar seu entendimento dos 
critérios diagnósticos e conceitos do DSM-5, incluindo questionários de 
autoavaliação, casos clínicos e atividades práticas (Roberts; Louie, 2017).
Figura 1. DSM 5 – TR e os livros complementares
 
Fonte: a autora.
#ParaTodosVerem: Na imagem temos dez livros que estão no site Minha Biblioteca e que são os 
livros complementares do DSM-5 – TR.
Capítulo 2
53
1.2 CID-11 – CLASSIFICAÇÃO INTERNACIONAL DE 
DOENÇAS
A história da Classificação Internacional de Doenças (CID) é intrinseca-
mente ligada ao desenvolvimento da epidemiologia, à evolução dos siste-
mas de saúde e à necessidade de padronização na classificação das condi-
ções de saúde. Sua evolução ao longo do tempo reflete não apenas avanços 
na medicina, mas também mudanças sociais, políticas e tecnológicas que 
influenciaram a forma como as doenças são compreendidas e abordadas. 
A história do CID está profundamente enraizada na epidemiologia, que 
é o estudo da distribuição e determinantes das doenças em populações 
humanas. A necessidade de uma classificação padronizada das doenças 
surgiu da crescente preocupação com o monitoramento da saúde da popu-
lação, a avaliação de tendências epidemiológicas e a elaboração de políticas 
de saúde pública (Almeida et al., 2020).
Figura 2. Classificação das doenças
Fonte: Freepik (2024). 
#ParaTodosVerem: ilustração de uma profissional de laboratório com alguns itens. A persona-
gem, ao lado direito da imagem, está vestindo uma calça azul e uma blusa rosa e veste um jaleco. 
Ao lado dela temos vários tubos de ensaio utilizados para retirada de sangue. No canto esquerdo 
temos um microscópio. 
Capítulo 2
54
A história do CID também está ligada ao desenvolvimento das insti-
tuições de saúde e organizações internacionais. A criação da Organização 
Mundial da Saúde (OMS) em 1948 foi um marco importante nesse processo, 
fornecendo uma plataforma para a coordenação global na área da saúde e 
a liderança na elaboração de padrões internacionais, como o CID (Almeida 
et al., 2020). 
Saiba Mais
As principais diferenças entre o CID-11 e o DSM-5 são: 
1. O CID-11 é uma classificação abrangente de todas as doenças, 
condições de saúde e transtornos, incluindo transtornos men-
tais, físicos e outras condições médicas. Por outro lado, o DSM-
5 é focado exclusivamente em transtornos mentais e distúrbios 
psiquiátricos; 
2. O CID-11 é desenvolvido e mantido pela Organização Mundial da 
Saúde (OMS) e é utilizado internacionalmente como uma ferra-
menta de classificação de doenças. O DSM-5 é publicado pela 
Associação Americana de Psiquiatria (APA) e é

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