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131 GABARITO: B Assinale a alternativa correta com relação ao direito de reunião assegurado pelo art. 5º, XVI, da Constituição da República. b) Toda reunião deve ter duração limitada, em razão de seu caráter episódico e temporário. Correta interpretação doutrinária do art. 5º, XVI, da Constituição Federal. Segundo Alexandre de Moraes: São elementos da reunião: pluralidade de participantes, tempo, finalidade e lugar: • Pluralidade de participantes: a reunião é considerada forma de ação coletiva. • Tempo: toda reuni ão deve ter duração limitada, em virtude de seu caráter temporário e episódico. • Finalidade: a reunião pressupõe a organização de um encontro com propósito determinado, finalidade lícita, pacífica e em armas. Anote -se, porém, como lembra Celso de Mello, que não será motivo par a dissolução da reunião o fato de alguma pessoa estar portando arma. Nesses casos, deverá a polícia desar mar ou afastar tal pessoa, prosseguindo- se a reunião, normalmente, com os demais participantes que não estejam armados. • Lugar: a reunião deverá ser realizada em local delimitado, em área certa, mesmo que seja um percurso móvel, desde que predeterminada. Assim, as passeatas, os comícios, os desfiles estão englobados no direito de reunião, sujeitando -se, tão-somente, aos requisitos constitucionais, da mesma forma que os cortejos e banquetes com índole política. ( Moraes, Alexandre de. Direito Constitucional - 32ª. ed. São Paulo: Atlas, 2016; p. 152-153) Art. 5º...... ..... XVI - todos podem reunir-se pacificamente, sem armas, em locais abertos ao público, independentemente de autorização, desde que não frustrem outra reunião anteriormente convocada para o mesmo local, sendo apenas exigido prévio aviso à autoridade competente; Demais alternativas incorretas: a) O direito de reunião pode ser qualificado como uma garantia coletiva, mas não como um direito individual. Também Alexandre de Moraes, mencionando doutrina de Paolo Barile, afirma que o direito de reunião pode ser qualificado como garantia coletiva e direito individual: "Paolo Barile bem qualifica o direito de reunião como, simultaneamente, um direito individual e uma garantia coletiva, uma vez que consiste tanto na possibilidade de determinados agrupamentos de pessoas reunirem-se para livre manifestação de seus pensamentos, concretizando a titularidade desse direito inclusive para as minorias, quanto na livre opção do indivíduo de participar ou não dessa reunião" (Moraes, Alexandre de. Direito Constitucional - 32ª. ed. São Paulo: Atlas, 2016; p. 152-153) c) É constitucional ato normativo que vede a utilização de objetos e aparelhos sonoros em reunião, por aplicação do princípio da proporcionalidade. Em mais de uma oportunidade, o Supremo já se manifestou pela inconstitucionalidade dessa espécie de norma: "No acórdão paradigma da ADI nº 1.969/DF, a Corte foi instada a se pronunciar acerca da constitucionalidade de norma distrital (Decreto nº 20.098/99), que proscrevia a realização de manifestações públicas, com a utilização de carros, aparelhos e objetos sonoros na Praça dos Três Poderes, Esplanada dos Ministérios e Praça do Buriti. Naquela assentada, o Tribunal julgou procedente o pedido formulado para declarar a inconstitucionalidade de norma asseverando que a restrição estabelecida ao direito de reunião não se compatibilizava com o postulado da proporcionalidade e seus subprincípios (adequação, necessidade e proporcionalidade em sentido estrito)" (Rcl 15.887 DF, rel. Min. Luiz Fux, julg. 19/6/2013) Licensed to Bruno de Oliveira Soares - bglp23@hotmail.com - 020.879.171-08 132 d) A reunião pressupõe finalidade lícita e pacífica, razão pela qual o fato de alguma pessoa estar portando arma é motivo para sua dissolução. Errado. Segundo o STF, não será motivo para dissolução da reunião de alguma ou algumas pessoas estarem portando armas. Nesse caso, a polícia deverá agir para desarmar ou deter os portadores, prosseguindo-se a reunião com os demais participantes: "(...) cumprindo ter presente, quanto a tal requisito, a advertência de PONTES DE MIRANDA (...), para quem “(...) a polícia não pode proibir a reunião, ou fazê-la cessar, pelo fato de um ou alguns dos presentes estarem armados. As medidas policiais são contra os que, por ato seu, perderem o direito a reunirem-se a outros, e não contra os que se acham sem armas". (ADPF 187/DF, rel. Min. Celso de Mello, julg. em 15/6/2011) e) O direito de reunião compreende o direito de organizá-la e de convocá-la, mediante prévia autorização da autoridade competente. O direito de reunião compreende o direito de organizá-la, convocá-la, e de nela ter participação ativa, exigindo-se tão somente prévio aviso à autoridade competente e não autorização desta. Questão 47: FCC Um empresário renomado foi acusado de ter praticado crime de corrupção, ocasião em que passou a ser investigado por tal fato. Diante da repercussão do caso, o Congresso Nacional aprovou, já no curso da ação penal, uma alteração legislativa que dobrou a pena do crime do qual o empresário era acusado, considerando-o como hediondo e inafiançável. Ao final, foi ele condenado à pena máxima prevista na nova legislação. Nessa hipótese, o empresário a) não poderia ter recebido a pena aplicada, pois a Constituição Federal assegura que nenhuma pena passará da pessoa do condenado, podendo a obrigação de reparar o dano e a decretação do perdimento de bens ser, nos termos da lei, estendidas aos sucessores e contra eles executadas, até o limite do valor do patrimônio transferido. b) poderia ter recebido a pena aplicada, pois a Constituição Federal considera crimes inafiançáveis e insuscetíveis de graça ou anistia os definidos como crimes hediondos. c) não poderia ter recebido a pena aplicada, pois a Constituição Federal assegura que a lei penal não retroagirá, salvo para beneficiar o réu. d) poderia ter recebido a pena aplicada, pois a Constituição Federal estabelece que a lei regulará a individualização da pena e adotará, entre outras, a de privação ou restrição da liberdade. e) não poderia sequer ter sido condenado, em razão de a Constituição Federal assegurar que a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada. GABARITO: C Um empresário renomado foi acusado de ter praticado crime de corrupção, ocasião em que passou a ser investigado por tal fato. Diante da repercussão do caso, o Congresso Nacional aprovou, já no curso da ação penal, uma alteração legislativa que dobrou a pena do crime do qual o empresário era acusado, considerando-o como hediondo e inafiançável. Ao final, foi ele condenado à pena máxima prevista na nova legislação. Nessa hipótese, o empresário: Licensed to Bruno de Oliveira Soares - bglp23@hotmail.com - 020.879.171-08