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Brasil Império 
Brasil Império é o nome que 
se dá ao período histórico 
brasileiro entre a 
Independência do Brasil, 
em 1822, e a Proclamação 
da República, em 1889. 
Durante a formação do 
Brasil Império, uma série de 
símbolos foram construídos 
com o objetivo de criar uma 
identidade nacional. 
O período do Brasil Império teve início com o processo de Independência do Brasil (1821-
1825) e terminou com a Proclamação da República (1889). Em 1822, o que era “Reino Unido de 
Portugal, Brasil e Algarves” tornou-se, oficialmente, “Império do Brasil”, o qual estabeleceu 
como forma de governo uma monarquia constitucional parlamentarista e D. Pedro I como 
primeiro imperador do Brasil. Tradicionalmente, dividimos o Brasil Império em três fases: 
Primeiro Reinado (1822-1831), Período Regencial (1831-1840) e Segundo Reinado (1840-1889). 
 
Resumo sobre Brasil Império 
O Brasil Império (1822-1889) foi um período na história do Brasil de grandes transformações 
políticas e econômicas. Dividido em três fases, o Primeiro Reinado (1822-1831), o Período 
Regencial (1831-1840) e o Segundo Reinado (1840-1889), concentrou também a formação de 
instituições importantes, que permanecem até os dias de hoje, como as Forças Armadas e o 
IHGB, além de projetos de infraestrutura fundamentais para o desenvolvimento econômico já 
no século XX e todo um imaginário político e simbólico sobre o Brasil enquanto nação. 
Ao contrário do que a historiografia tradicional apontou durante muitos anos, não se tratou de 
um período “pacífico”, de poucos conflitos, em comparação com os processos de 
independência e crises políticas dos vizinhos sul-americanos. Toda a formação do Brasil, 
enquanto nação autônima, cercou-se de um histórico de disputas violentas interna e 
externamente, sendo um dos exemplos mais mencionados a Guerra do Paraguai (1864-1870), 
que deixou marcas profundas no Brasil e seus vizinhos envolvidos, Paraguai, Argentina e 
Uruguai. 
O período imperial teve fim em 15 de novembro de 1889, com a Proclamação da República no 
Brasil. 
O que deu início ao Brasil Império? 
Podemos compreender o processo de Independência do Brasil e, consequentemente, da 
constituição do Brasil Império, a partir de três contextos que se inter-relacionam: 
transcontinental, americano e local. 
→ Contexto transcontinental 
Com a Revolução Francesa (1789), a Europa passou por uma série de transformações políticas, 
sociais e econômicas, que se estenderam em diversos conflitos até o século XIX. Esses conflitos 
ocorriam entre o movimento revolucionário, em grande 
medida representado pela França, e as forças 
reacionárias, representadas, sobretudo, 
pelas monarquias do Império Britânico, Império da 
Rússia, Reino da Prússia e Império Austríaco. Essas 
monarquias pretendiam a volta do Antigo Regime no 
continente europeu. 
À frente dos franceses, estava Napoleão Bonaparte, que, 
após se declarar Imperador da França em 1804, 
construiu também o exército mais poderoso já visto na 
Europa. A Grã-Bretanha, por outro lado, já se destacava 
como principal potência econômica no século XIX e, 
desde o século XVII, mantinha fortes relações 
diplomáticas com o Reino de Portugal. 
Napoleão Bonaparte foi um grande líder político francês 
e conquistou um vasto território. 
Nesse contexto, em 1806, Napoleão estabeleceu 
o Bloqueio Continental, decreto que impedia os países 
europeus de manterem relações comerciais com a 
Inglaterra. Entre os países sob o bloqueio, estava Portugal, que se recusou a aceitar as ordens 
do imperador francês. No ano seguinte, após negociar secretamente com a Espanha, Napoleão 
decidiu invadir Portugal. 
Portugal e Grã-Bretanha assinaram uma convenção secreta no mesmo ano, transferindo a sede 
da monarquia da metrópole (Portugal) para a então capital da colônia portuguesa, o Rio de 
Janeiro. Em janeiro de 1808, fugindo de Napoleão, a família real portuguesa desembarcou no 
Brasil, trazendo uma estrutura institucional, hábitos da corte etc. Em 1815, o Estado do Brasil 
tornou-se oficialmente Reino de Portugal, Brasil e Algarves, mesmo ano em que Napoleão foi 
derrotado na Batalha de Waterloo, embora as tropas francesas já haviam desocupado Portugal 
em 1811. 
→ Contexto nas Américas 
É importante destacar também que, na segunda metade do século XVIII, iniciou-se um 
irreversível processo de independência nas colônias no continente americano. O primeiro foi 
os Estados Unidos, em 1776, que se tornou independente do Reino Unido; depois o Haiti, com 
a Revolução Haitiana, que teve início em 1791 e culminou na independência do país em 
relação à França em 1804. 
Dom João VI foi o príncipe regente do Brasil após a transferência da família real para o Rio de 
Janeiro. 
→ Contexto no Brasil 
Logo após a transferência da família real portuguesa para o Rio de Janeiro, Portugal, na figura 
de seu príncipe regente Dom João de Bragança, assinou o “Decreto de Abertura dos Portos às 
Nações Amigas”, em 1808, que, na prática, colocou fim ao “pacto colonial” ao permitir que 
colônias portuguesas pudessem estabelecer relações comerciais com outras nações europeias. 
Esse teria sido um dos primeiros movimentos em direção ao processo de independência do 
Brasil. 
Criou-se, portanto, uma cisão entre a classe 
burguesa em Portugal – que, após a expulsão de 
Napoleão, começou a protestar a perda de seus 
privilégios coloniais em razão dos novos tratados – e 
a classe burguesa instalada no Brasil, que detinha 
grande desejo de emancipação após os sucessivos 
ganhos que esses mesmos tratados lhes 
proporcionaram. 
Como resultado, surgiu, em 1820, a Revolução 
Liberal do Porto, em Portugal, que concentrava 
camadas amplamente insatisfeitas com as 
conquistas do outro lado do Atlântico, exigindo, 
inclusive, a volta do rei de Portugal à antiga 
metrópole para a formação de uma Assembleia 
Constituinte que pudesse organizar o novo governo 
após a expulsão das tropas francesas. Temendo 
perder o trono, D. João VI retornou a Lisboa, em 
1821, deixando seu filho, Pedro de Bourbon e 
Bragança, como regente do Brasil. 
Pedro defendia ideais liberais e, após a volta de seu pai, passou a promulgar decretos que 
garantiam direitos individuais, a redução de impostos, além de suas visões abolicionistas. As 
cortes portuguesas, insatisfeitas com as posturas do regente do Brasil, promoveu uma série de 
retaliações, como a dissolução do governo central no Rio de Janeiro e a ordem imediata de que 
Pedro de Bourbon e Bragança retornasse a Portugal. 
Após o acolhimento de uma petição com mais de 8 mil assinaturas pela sua permanência no 
Brasil, Pedro teria declarado, em 9 de janeiro de 1822: 
"Se é para o bem de todos e felicidade geral da Nação, estou pronto. 
Digam ao povo que fico!" 
Esse episódio ficou conhecido como “Dia do Fico”. Após conflitos e tentativas de manter 
unidade com Portugal ao propor regulamentações próprias do Brasil, Pedro, no dia 7 de 
setembro de 1822, declarou a Independência do Brasil. Em 12 de outubro, recebeu o título 
de Dom Pedro I do Brasil, com apenas 24 anos, tornando-se imperador do Brasil. 
Portugal só reconheceu oficialmente a independência de sua antiga colônia em 1825, após o 
pagamento, por parte do Brasil, de uma indenização a Portugal, que, por sua vez, foi 
proveniente de recursos emprestados pela Inglaterra. 
Primeiro Reinado (1822-1831) 
Mesmo após a permanência de D. Pedro I e a instauração de uma monarquia independente 
nos trópicos, o início do período imperial foi bastante conturbado, acumulando diversas 
crises. O imperador, apesar de ter proclamado a independência do Brasil, ainda buscava 
assegurar os interesses de Portugal ao mesmo tempo em que precisava conter a fragmentação 
de seu território. 
D. Pedro I declarou a Independência do Brasil. 
Havia, no Brasil, grupos mais conservadores e outros 
de inclinação mais liberal. Temas como o 
abolicionismo, mais liberdade para negociarprodutos 
livremente, entre outros, despertavam reações 
calorosas nos debates. 
No início de 1823, D. Pedro I deu início à formação de 
uma Assembleia Constituinte para a elaboração de 
uma Constituição para o país. A Assembleia chegou a 
ser dissolvida por D. Pedro I, em novembro de 1823, 
por não concordar com os termos que limitavam seus 
poderes. Esse episódio ficou conhecido como Noite da 
Agonia. A versão final da Constituição de 1824 foi 
outorgada no dia 24 de março e possuía um caráter 
centralizador, dando, inclusive, poderes “sagrados” ao 
imperador. 
Nesse contexto, no Nordeste do país, mais especificamente na Província de Pernambuco, 
iniciou-se um movimento revoltoso exigindo mais autonomia em relação ao Império. A revolta 
acabou espalhando-se por outras províncias da região, como Paraíba, Ceará e Rio Grande do 
Norte, formando a Confederação do Equador. 
O movimento foi severamente reprimido pelo governo, e a Província de Pernambuco acabou, 
inclusive, perdendo parte do seu território para a Província da Bahia. Os líderes da rebelião 
foram enforcados ou fuzilados, como Frei Caneca (1779-1825), e outros foram aprisionados, 
como Cipriano Barata (1762-1838). Com isso, no Nordeste, onde a popularidade de D. Pedro I 
já não era das melhores, sua figura passou a ser questionada cada vez mais. 
Logo em seguida, o Brasil envolveu-se em um conflito internacional, a Guerra da 
Cisplatina (1825-1828), na tentativa de evitar a anexação da Cisplatina, atual Uruguai, às 
Províncias Unidas do Rio da Prata, atual Argentina. Nessa guerra, o Império acumulou uma 
série de derrotas, além de contrair dívidas, minando ainda mais a popularidade do imperador. 
Como resolução do conflito, ambas as partes concordaram em abrir mão do território, 
reconhecendo, então, em 1828, a independência da República Oriental do Uruguai. 
Durante as crises do Primeiro Reinado, o Partido Brasileiro (estabelecido informalmente após a 
vinda da família real portuguesa para o Brasil e composto por comerciantes, latifundiários e 
proprietários de escravos que lutavam pelos interesses do território americano) passou a 
ocupar um papel de oposição a D. Pedro I, ao passo que o Partido Português ofereceu apoio ao 
imperador. 
Após inúmeros desgastes, os portugueses organizaram uma recepção ao Imperador no dia 13 
de março de 1831, mas foram surpreendidos por pedras e garrafas arremessadas por 
brasileiros. Esse episódio ficou conhecido como Noite das Garrafadas. 
Nessa época, Portugal vivia também uma profunda crise após a morte de D. João VI, pai de D. 
Pedro I, em razão da sucessão do trono português. Todo esse cenário resultou, em 7 de abril de 
1831, na abdicação de D. Pedro I ao trono brasileiro. O imperador decidiu voltar para Portugal, 
deixando seu filho, de apenas 5 anos, como sucessor do Império do Brasil. 
Período Regencial (1831-1840) 
Embora não tenha completado uma década, o Período Regencial registrou uma série 
de eventos decisivos e momentos de tensão 
política. Segundo a Constituição vigente de 1824, a 
maioridade para a ocupação do cargo de imperador 
era 21 anos de idade. Como D. Pedro II tinha apenas 
5 anos e 4 meses de idade quando seu pai, Pedro I, 
voltou para Portugal, a Constituição de 1824 
determinava que “Durante a sua menoridade, o 
Império será governado por uma Regência, a qual 
pertencerá ao parente mais chegado ao Imperador, 
segundo a ordem de sucessão, e que seja maior de 
vinte e cinco anos”. 
Assim, até D. Pedro II alcançar a maioridade para 
assumir o cargo, houve quatro regências, a saber: 
• Trina Provisória (1831); 
• Trina Permanente (1831-1835); 
• Una de Feijó (1835-1837); 
• Una de Araújo Lima (1837-1840). 
O final desse período foi marcado pelo Golpe da Maioridade, quando o Senado declarou D. 
Pedro I, com apenas 15 anos, maior de idade, podendo assumir, portanto, o cargo de 
imperador do Brasil. 
Durante essa fase, houve diversas revoltas que ameaçaram a unidade territorial do Império, 
tais como a Balaiada (1838-1841), a Sabinada (1837-1838), a Revolta dos Malês (1835), 
a Guerra dos Cabanos (1835-1840), a Guerra dos Farrapos (1835-1845), entre outras. Ao 
mesmo tempo, houve a estruturação das Forças Armadas para garantir a integridade do 
território nacional. 
Durante a regência, dois partidos políticos centralizaram as discussões: o Partido Liberal, 
fundado em 1831, e o Partido Conservador, fundado em 1836. Ambos os partidos alternaram-
se no poder durante a regência, ditando seus interesses. 
Segundo Reinado (1840-1889) 
O Segundo Reinado foi o período de maior estabilidade política do Brasil durante o Império. 
D. Pedro II conseguiu manter o equilíbrio entre liberais e conservadores, além de aparelhar as 
instituições públicas com aliados políticos. 
O Brasil começou a se modernizar, havendo a construção de estradas de ferro, a introdução 
dos telégrafos e de aparelhos telefônicos, o que, inclusive, deu certo protagonismo mundial ao 
Brasil. Foi também o momento em que o Brasil começou a se industrializar, tendo como figura 
central o Barão de Mauá (1813-1889). 
D. Pedro II foi imperador do Brasil por 49 anos. 
Foi um momento também de florescimento das artes, como literatura, teatro, arquitetura, 
artes visuais e, até mesmo, fotografia. Começou-se a pensar na imagem que o país queria criar 
de si mesmo. Nomes ilustres, como Joaquim Nabuco, Alberto Salles, Sílvio Romero, Lopes 
Trovão, André Rebouças, entre outros, compuseram um grupo que ficou historicamente 
conhecido como Geração de 1870. 
Contudo, não tardaram também de surgir momentos de crise e instabilidades profundas, que, 
ao final do século, provocaram o fim do Período Imperial, com a Proclamação da República, em 
15 de novembro de 1989. Três questões marcaram a crise do Império, a saber: 
→ Questão escravocrata 
Ainda no Período Regencial, uma lei, conhecida como Lei Feijó, promulgada em 1831, já tinha 
proibido a importação de escravos no Brasil, sob pressão da Inglaterra. Uma vez em vigor, a lei 
era dificilmente cumprida. Em grande parte do mundo, todavia, o trabalho escravo já havia 
sido abolido. 
Novamente sob pressão da Inglaterra, o Brasil promulgou, em 1850, a Lei Eusébio de Queirós, 
proibindo novamente a importação de escravos africanos e passava, dessa vez, a criminalizar 
quem infringisse a lei. A campanha abolicionista, que se estendeu por um longo período até 
chegar realmente à abolição (em 1888), gerou descontamento nas elites econômicas, que se 
sustentavam por meio do trabalho escravo. 
 
→ Questão religiosa 
Sobre a Questão Religiosa, é importante entender a relação específica que a Igreja matinha 
com os Reinos de Portugal e Espanha. Existia a instituição do Padroado, que concedia uma 
série de privilégios para esses dois reinos, ao mesmo tempo em que os reis ibéricos detinham o 
poder exclusivo de organizar e administrar as atividades religiosas nos domínios de suas terras 
descobertas. Assim, o monarca possuía um forte poder sobre as instituições religiosas. 
No Segundo Reinado, um acontecimento abalou as relações da Igreja com o Imperador: 
os bispos de Olinda e Belém acataram as ordens do Papa Pio IX, sem a aprovação régia, que 
proibiam o casamento de católicos e maçons e puniam os seguidores que frequentassem 
maçonarias ou as apoiassem. 
D. Pedro II, embora não tenha sido maçom, possuía laços com nomes importantes da 
maçonaria, além de possuir simpatia pela instituição. O episódio fez com que os dois bispos 
fossem condenados a quatro anos de prisão. Logo depois, receberam o perdão imperial, 
contudo as relações entre o Império e a Igreja estavam sensivelmente abaladas. 
→ Questão militar 
Os militares, após a Guerra do Paraguai (1864-1870), saíram fortalecidos e ocupando, cada vez 
mais, espaços no debate político. Já o Império, além de ter-se desgastado bastante durante o 
conflito, saiu extremamente endividado, sobretudo com a Inglaterra. 
Após o término daguerra em 1870, os familiares dos militares mortos ou mutilados deveriam 
receber assistência custeada pelo Império. Contudo, ainda em 1883, esse direito não havia sido 
pago. Isso ocasionou uma série de embates entre o Exército e a monarquia. 
O desfecho desse imbróglio ocorreu com militares influentes aderindo à campanha 
republicana, representada por nomes civis de prestígio, como Benjamin Constant, Rui Barbosa, 
Quintino Bocaiuva, entre outros. Assim, em 15 de novembro de 1889, o marechal Deodoro da 
Fonseca depôs a monarquia e proclamou a república no Brasil, colocando fim ao período 
imperial.

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