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Direito Constitucional - Resumo PODERES DO ESTADO A Constituição Federal de 1988, como de tradição, adotou o sistema tripartido de separação dos poderes, que são as de administrar, legislar e julgar. No Brasil, essas três funções são exercidas pelo PODER EXECUTIVO, LEGISLATIVO E JUDICIÁRIO, respectivamente. Essa separação procura, principalmente, evitar abusos de poder, já que um poder fiscaliza e limita a atuação do outro. Esse sistema denomina-se “pesos e contrapesos”. A divisão dos poderes, no entanto, não é absoluta, sendo que cada um dos poderes exerce, em menor ou maior grau, todas as funções. PODER EXECUTIVO No Brasil, o Poder Executivo será exercido pelo Presidente da República, auxiliado pelos Ministros de Estado. As atribuições do Presidente da República estão listadas no art. 84 da Constituição Federal, citadas as principais: Nomear e exonerar seus Ministros de Estado; Exercer a direção superior da administração federal; Proceder à iniciativa de leis; Sancionar, promulgar e fazer publicar leis; Vetar projetos de lei; Editar decretos sobre a organização e o funcionamento da Administração federal (desde que não aumente despesa, crie ou extinga órgão público); Declarar, por decreto, a extinção de cargos públicos, quando esses estiverem vagos; Manter relações diplomáticas com Estados estrangeiros; Celebrar tratados internacionais, que serão posteriormente votados no Congresso Nacional; Decretar Estado de Defesa, Estado de Sítio e Intervenção Federal; Exercer o comando supremo das Forças Armadas (Exército, Marinha e Aeronáutica); Nomear os Ministros do Supremo e dos Tribunais Superiores, Governadores de Território, Procurador-Geral da República, Ministros do Tribunal de Contas e o Presidente e Diretores do Banco Central; Declarar a guerra e celebrar a paz; Prestar contas ao Congresso; Editar Medidas Provisórias. São delegáveis aos Ministros de Estado, ao Procurador-Geral da República ou ao Advogado-Geral da República as atribuições de expedir decretos sobre a organização da administração federal, conceder indulto ou comutar penas, prover os cargos públicos e, por fim, extingui-los, quando vagos. Caso o Presidente da República cometa algum crime, só poderá ser processado se a Câmara dos Deputados autorizar (por dois terços de seus membros). Em se tratando de crimes comuns (previstos no Código Penal), será ele julgado pelo Supremo Tribunal Federal. Nas hipóteses de crime de responsabilidade, o Presidente da República será julgado pelo Senado. São crimes de responsabilidade todos aqueles atos que atentem contra a Constituição. . MINISTROS DE ESTADO Os Ministros de Estado terão a função de auxiliar o Presidente da República, orientando os órgãos da administração relacionados à sua área de atuação, expedindo decretos e resoluções, e praticando os demais atos que lhes sejam designados. Serão escolhidos pelo Presidente da República, dentre quaisquer brasileiros com mais de vinte e um anos de idade e que detenham seus direitos políticos. . CONSELHO DA REPÚBLICA Trata-se de um órgão de consulta superior do Presidente, que terá a função de se pronunciar sobre intervenção federal, estado de defesa e estado de sítio, além de tratar de quaisquer questões relevantes para a estabilidade das instituições democráticas. . CONSELHO DA DEFESA Esse conselho também será um órgão de consulta do Presidente, com a diferença de que tratará das questões relativas à soberania nacional e à defesa do Estado. Competirá a esse conselho: opinar sobre as declarações de guerra e de paz, opinar sobre a intervenção federal, o estado de defesa e o estado de sítio e, por fim, propor medidas que visem uma melhor defesa do território nacional, com o propósito de garantir a independência nacional e a defesa do Estado Democrático. PODER JUDICIÁRIO Caberá ao Poder Judiciário, aplicando a lei e todas as fontes de direito, solucionar conflitos existentes na sociedade ou conflitos entre os próprios poderes. O Judiciário É AUTÔNOMO, não se subordina a nenhum outro poder. Por conta disso, ele mesmo elabora seus orçamentos. O Supremo Tribunal Federal, órgão de cúpula do Poder Judiciário, poderá, exercendo seu poder de iniciativa, propor o Estatuto da Magistratura (esse estatuto é a LOMAN, Lei Orgânica da Magistratura). Os juízes possuem determinadas garantias que visam dar-lhes a segurança necessária para que exerçam sua atividade de forma justa, sem se preocupar com pressões. São elas: Vitaliciedade, adquirida, pelos juízes concursados, após dois anos de atividade. Com essa garantia, só por sentença judicial transitada em julgado será declarada a perda do cargo. Constitui requisito para o vitaliciamento a participação em curso oficial ou reconhecido pela escola nacional de formação e aperfeiçoamento de magistrados; Inamovibilidade, que significa que o magistrado não pode ser lotado em outra localidade sem que haja o seu consentimento, salvo se o Tribunal assim decidir, por voto de dois terços, em razão do interesse público; Irredutibilidade de subsídio (remuneração), que garante a impossibilidade de se diminuir a quantia recebida pelos juízes em virtude do seu trabalho. Aos magistrados É PROIBIDO: Exercer outro cargo público, salvo o de professor; Receber dinheiro ou outra vantagem por conta dos processos; Dedicar-se à atividade político-partidária; Receber auxílios ou contribuições de pessoas físicas ou entidades públicas ou privadas, salvo os casos previstos em lei; Exercer a advocacia, nos três anos após a sua aposentadoria ou exoneração, junto ao Tribunal ou juízo no qual atuou. . ESTRUTURA DO PODER JUDICIÁRIO O Poder Judiciário é formado pelos seguintes órgãos: Supremo Tribunal Federal; Conselho Nacional de Justiça; Superior Tribunal de Justiça; Tribunais Regionais Federais e Juízes Federais; Tribunais e Juízes do Trabalho; Tribunais e Juízes Eleitorais; Tribunais e Juízes Militares; Tribunais e Juízes dos Estados e do Distrito Federal e Territórios. O Supremo Tribunal Federal, o Conselho Nacional de Justiça e os Tribunais Superiores terão sede em Brasília. O Supremo Tribunal Federal e os Tribunais Superiores têm jurisdição (poder de dizer o direito) em todo o território nacional. É inerente à atividade judiciária a autonomia administrativa e financeira, consubstanciada na capacidade de elaborar seus próprios orçamentos e gerenciá-los. Os Tribunais Regionais Federais e os Tribunais de Justiça são os órgãos de segunda instância do Poder Judiciário, ou seja, julgam os recursos interpostos de sentença dos juízes de primeiro grau. Por conta de sua importância, determina a Constituição que um quinto das vagas dessas cortes é reservado a membros do Ministério Público e Advogados, ambos com, pelo menos, dez anos de carreira. Esse é o chamado “quinto constitucional”. As decisões dos juízes (sentenças) não são absolutas. Quase sempre há a possibilidade de revisão por um órgão superior a este. Assim sendo, os tribunais têm a função maior de revisar os julgados das sentenças dos juízes. PODER LEGISLATIVO O Poder Legislativo federal é bicameral, composto por duas câmaras, exercido pelo Congresso Nacional, que se compõe da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. Não há hierarquia entre as casas, sendo que o que uma decidir será revisto pela outra. Cabe ao Poder Legislativo a função precípua de elaborar leis, ou seja, legislar. Além dessa função, também cabe ao Legislativo a fiscalização e o controle dos atos do Executivo, função esta exercida com apoio do Tribunal de Contas. O Congresso Nacional é um órgão que representa o Poder Legislativo, sendo formado pelo conjunto de duas casas, quais seja, a Câmara dos Deputados e o Senado Federal, cada qual com seus regimentos internos próprios. Existem dois tipos de competências previstas para o Congresso Nacional: O primeiro tipo de competência trata-se da COMPETÊNCIA LEGISLATIVA, que será exercida visando à formação de leis, sendo, portanto, sujeitas à sanção presidencial. Esse dispositivo demonstra que cabe ao Congresso dispor sobre aquelas matérias tidas como de competência legislativa da União.indenizar essa pessoa jurídica, mesmo que ela não prove que o motorista foi negligente. Se, porém, o motorista bateu no carro da empresa porque este vinha na contramão, não haverá obrigação de indenizar, pois houve imprudência por parte do particular. ORÇAMENTO PÚBLICO O Orçamento Geral da União (OGU) prevê todos os recursos e fixa todas as despesas do Governo Federal, referentes aos Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário. As despesas fixadas no orçamento são cobertas com o produto da arrecadação dos impostos federais, como o Imposto de Renda (IR) e o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), bem como das contribuições, como o da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social - COFINS, que é calculado sobre o faturamento mensal das empresas, nas vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, e bem assim do desconto na folha que o assalariado paga para financiar sua aposentadoria. Os gastos do governo podem também ser financiados por operações de crédito - que nada mais são do que o endividamento do Tesouro Nacional junto ao mercado financeiro interno e externo. Este mecanismo implica o aumento da dívida pública. As receitas são estimadas pelo governo. Por isso mesmo, elas podem ser maiores ou menores do que foi inicialmente previsto. Se a economia crescer durante o ano, mais do que se esperava, a arrecadação com os impostos também vai aumentar. O movimento inverso também pode ocorrer. Com base na receita prevista, são fixadas as despesas dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. Depois que o Orçamento é aprovado pelo Congresso, o governo passa a gastar o que foi autorizado. Se a receita do ano for superior à previsão inicial, o governo encaminha ao Congresso um projeto de lei pedindo autorização para incorporar e executar o excesso de arrecadação. Nesse projeto, define as novas despesas que serão custeadas pelos novos recursos. Se, ao contrário, a receita cair, o governo fica impossibilitado de executar o orçamento na sua totalidade, o que exigirá corte nas despesas programadas. PRINCIPIOS ORÇAMENTÁRIOS Existem princípios básicos que devem ser seguidos para elaboração e controle do orçamento, que estão definidas na Constituição, na Lei nº. 4.320, de 17 de março de 1964, no Plano Plurianual e na Lei de Diretrizes Orçamentárias. A Lei nº. 4.320/64 estabelece os fundamentos da transparência orçamentária (art. 2o): A Lei do Orçamento conterá a discriminação da receita e despesa, de forma a evidenciar a política econômico-financeira e o programa de trabalho do governo, obedecidos os princípios da unidade, universalidade e anualidade. . PRINCÍPIO DA UNIDADE Cada entidade de direito público deve possuir apenas um orçamento, fundamentado em uma única política orçamentária e estruturado uniformemente. Assim, existe o orçamento da União, o de cada Estado e o de cada Município. . PRINCÍPIO DA UNIVERSALIDADE A Lei orçamentária deve incorporar todas as receitas e despesas, ou seja, nenhuma instituição pública deve ficar fora do orçamento. . PRINCÍPIO DA ANUALIDADE Estabelece um período limitado de tempo para as estimativas de receita e fixação da despesa, ou seja, o orçamento deve compreender o período de um exercício, que corresponde ao ano fiscal. . PRINCÍPIO DA EXCLUSIVIDADE O orçamento deve conter apenas matéria orçamentária, não incluindo em seu projeto de lei assuntos estranhos. . PRINCÍPIO DA ESPECIFICAÇÃO Visa vedar as autorizações de despesas globais, isto é, as despesas devem ser classificadas com um nível de desagregação tal que facilite a análise por parte das pessoas. . PRINCÍPIO DA PUBLICIDADE O conteúdo orçamentário deve ser divulgado através dos veículos oficiais de comunicação/divulgação para conhecimento público e para e para eficácia de sua validade enquanto ato oficial de autorização de arrecadação de receitas e a execução de despesas. A publicação deve ser feita no Diário Oficial da União. Além disso, a Constituição Federal, em seu artigo 165,§ 3º, exige a publicação até trinta dias após o encerramento de cada bimestre, relatório resumido da execução orçamentária. . PRINCÍPIO DE EQUILÍBRIO O equilíbrio orçamentário estabelece, de forma extremamente simplificada, que as despesas não devem ultrapassar as receitas previstas para o exercício financeiro. O equilíbrio, assim como alguns outros princípios, não é uma regra rígida e visa deter o crescimento dos gastos governamentais. . PRINCÍPIO DO ORÇAMENTO BRUTO Este princípio estabelece que todas as parcelas de receita e despesas devem constar do orçamento em seus valores brutos, sem qualquer tipo de deduções. Busca-se com esta regra impedir a inclusão de importâncias líquidas, ou seja, descontando despesas que serão efetuadas por outras entidades e com isto gravando o orçamento e impedindo sua completa visão, conforme preconiza o princípio de universalidadeO segundo compõe as COMPETÊNCIAS DELIBERATIVAS do Congresso Nacional, que se referem aos atos que o Congresso Nacional irá exercer sem a necessidade de sanção do Presidente da República, por meio de decretos. Dessas atribuições destacam-se as seguintes (art. 49, CF/88): • Resolver sobre tratados internacionais que resultem em encargos ao patrimônio nacional; • Autorizar o Presidente a declarar guerra ou celebrar a paz; • Autorizar o Presidente a se ausentar do país por um período superior a 15 dias; • Julgar, anualmente, as contas prestadas pelo Presidente da República; • Escolher dois terços dos membros do Tribunal de Contas da União; • Autorizar referendo e convocar plebiscito. A CÂMARA DOS DEPUTADOS compõe-se de representantes do povo, eleitos pelo sistema proporcional, segundo o qual o número de deputados varia de acordo com a população do Estado, respeitando-se o limite mínimo de oito e o máximo de setenta Deputados Federais por Estado. A Constituição cita as competências privativas da Câmara dos Deputados (art. 51), sendo as principais: • autorizar a instauração de processo contra o Presidente da República; • elaborar seu regimento interno; • dispor sobre sua organização e seus servidores; • eleger membros do Conselho da República. O SENADO é a casa legislativa que representa os Estados, sendo que, ao invés de seguir o sistema proporcional, segue o princípio majoritário. Cada Estado e o Distrito Federal elegem três senadores. O art. 52 da Constituição Federal de 1988 enumera as atribuições do Senado Federal, sendo que as principais são: • processar e julgar o Presidente da República e o Vice-Presidente da República nos crimes de responsabilidade (quando um Ministro de Estado ou Comandante das Forças Armadas praticar um crime conexo com o Presidente da República e Vice-Presidente, também é julgado pelo Senado, ao invés de ser processado junto ao Supremo Tribunal Federal); • processar e julgar os Ministros do Supremo Tribunal Federal, os membros do Conselho Nacional de Justiça e do Conselho Nacional do Ministério Público, o Procurador-Geral da República e o Advogado-Geral da União nos crimes de responsabilidade; • aprovar a escolha de alguns magistrados, Ministros do Tribunal de Contas da União, Procurador-Geral da República. • estabelecer limites globais para a dívida dos Estados, Distrito Federal e Municípios; • elaborar seu Regimento Interno; • dispor sobre sua organização e seus servidores; • eleger membros do Conselho da República. Uma das principais garantia de independência do Poder Legislativo é a capacidade de auto-organização das casas legislativas. A Câmara dos Deputados, o Senado Federal e o Congresso Nacional terão Regimentos Internos próprios, que seguirão algumas regras previstas na própria Constituição. . COMPOSIÇÃO DAS MESAS Cada órgão terá sua mesa, eleita dentre seus membros para mandato de dois anos. A Constituição determina que o Presidente do Senado Federal irá presidir a mesa do Congresso Nacional, e os demais lugares serão ocupados alternadamente, pelos devidos ocupantes das mesas do Senado Federal e da Câmara dos Deputados. . QUORUM PARA DELIBERAÇÃO Via de regra, as deliberações serão tomadas por maioria simples, presente a maioria absoluta dos membros da casa. Em casos excepcionais, é necessário quorum qualificado, exigindo-se, por exemplo, maioria absoluta para cassar mandato parlamentar, aprovar lei complementar, exonerar ou aprovar o Procurador-Geral da República e aprovar nomes indicados para Ministro do Supremo Tribunal Federal. Exige-se, por sua vez, maioria de dois terços da Câmara dos Deputados para autorizar instauração de processo por crime de responsabilidade, três quintos para aprovar Emenda Constitucional e dois quintos para cancelar concessão de rádio e TV, que são exemplos de maiorias qualificadas. . SESSÕES LEGISLATIVAS Cada legislatura dura quatro anos, compreendendo quatro sessões legislativas (uma a cada ano). As sessões legislativas são divididas em dois períodos, o primeiro de 15 de fevereiro a 30 de junho e o segundo de 1º de agosto a 15 de dezembro. Pode haver sessões legislativas extraordinárias no período de recesso, convocadas pelo Presidente do Senado nos casos de intervenção federal, estado de defesa ou estado de sítio e convocadas pelo Presidente da República, do Senado ou da Câmara em caso de extrema urgência. Nessas sessões, serão decididas apenas as matérias para as quais foram convocadas, salvo se existirem medidas provisórias, que serão automaticamente inseridas na pauta de votação. . COMISSÕES PARLAMENTARES O Congresso Nacional e suas casas possuirão comissões, com formação e competências próprias. Essas comissões se dividem em permanentes e temporários. Os permanentes possuirão a mesma formação durante a legislatura e tratarão de assuntos predeterminados. As comissões temporárias serão constituídas por tempo determinado para tratarem de matérias específicas, sejam quais forem. As comissões poderão: - Votar matérias que dispensem a apreciação do plenário; - Convocar Ministros de Estado para prestarem informações (vide art. 50, CF/88); - Receber reclamações de entidades públicas; - Solicitar depoimentos; - Apreciar planos e programas nacionais ou regionais. A Constituição estipula duas comissões que terão um papel extremamente importante nas atividades do Congresso Nacional. São elas: a Comissão Representativa e as Comissões Parlamentares de Inquérito (CPI’s). . PRERROGATIVAS PARLAMENTARES (Estatuto dos Congressistas) Os parlamentares (Deputados e Senadores) possuem certas garantias que visam dar-lhes a devida proteção no exercício de sua função. As principais dessas garantias são as IMUNIDADES, que se classificam em Imunidade Parlamentar Material (o parlamentar não comete crime de opinião, não podendo ser responsabilizado por suas palavras, votos, etc.) e Imunidade Formal (parlamentar terá de ter seu processo-crime sustado por sua casa legislativa, a pedido de seu partido político ou da maioria dos seus membros. Além disso, em virtude dessa imunidade, o parlamentar não pode ser preso, salvo em caso de flagrante delito de crime que não admita fiança). . INCOMPATIBILIDADES As incompatibilidades (situações que impossibilitam sua investidura no cargo) dos deputados e senadores são apuradas em dois momentos: em primeiro lugar, na EXPEDIÇÃO DO DIPLOMA (Manter contrato ou exercer cargo, função ou emprego remunerado em pessoa jurídica de direito público, autarquia, empresa pública, sociedade de economia mista ou empresa concessionária de serviço público) e, em segundo lugar, quando da POSSE (Ser proprietário, diretor, ocupar cargo, função ou patrocinar causa relativa às empresas anteriormente citadas, Ser titular de mais de um cargo público eletivo). PROCESSO LEGISLATIVO O processo legislativo corresponde a uma série de atos que visam à confecção das espécies legislativas, quais sejam, as emendas constitucionais, leis complementares, leis ordinárias, leis delegadas, medidas provisórias, decretos legislativos e resoluções. Várias são as etapas que compõem a atividade legislativa, vejamos: . INICIATIVA A iniciativa é o ato que dá início ao processo legislativo por meio de um projeto de lei. Várias são as pessoas que podem dar início ao processo legislativo, dentre elas os próprios parlamentares, o Presidente da República, o Procurador Geral da República, o Supremo Tribunal Federal e o povo. A iniciativa popular tem como requisito a assinatura de 1% do eleitorado nacional, distribuído pelo menos por cinco Estados com, no mínimo, 0,3% dos eleitores de cada um deles. Algumas leis só podem ser iniciadas pelo Presidente da República. São elas as que disponham sobre: fixação do efetivo das Forças Armadas e Regime Jurídico dos Militares; cargos públicos e seus regimes jurídicos; organização dos serviços públicos; organização do Ministério Público e Defensoria Pública da União e regras gerais para os Estados, DF e Territórios; criação e extinção de Ministérios e órgãos da administração pública. . VOTAÇÃO A discussão e a votação do projeto serão feitasnas duas Casas Legislativas. Via de regra, o projeto é iniciado na Câmara dos Deputados, salvo quando sua iniciativa venha de um Senador, oportunidade em que a votação será iniciada no Senado. Temos, assim, a atuação de duas casas na votação do projeto, a casa iniciadora e a revisora. Podem ocorrer três hipóteses: 1ª) A casa iniciadora e a casa revisora aprovam. Resultado: o projeto é encaminhado ao presidente para a sanção. 2ª) Casa iniciadora aprova e casa revisora desaprova. Resultado: o projeto é arquivado. 3ª) Casa iniciadora aprova e casa revisora emenda. Resultado: o projeto é reencaminhado à casa iniciadora para a votação das emendas. . SANÇÃO Sanção significa a concordância, a aceitação do Presidente da República, aplicada ao projeto de lei. Somente irão para o Presidente os projetos aprovados pelas duas casas. Existem duas formas de sanção: a expressa e a tácita. O Presidente terá quinze dias para sancionar expressamente sua aquiescência ao projeto, caso não o faça, considerar-se-á que ele o aceita, ou seja, ocorrerá a sanção tácita. . VETO Nos quinze dias de que o Presidente dispõe para sancionar, ele também pode, ao invés disso, vetar, ou seja, recusar o projeto, total ou parcialmente. Caso seja parcial, não poderá alcançar somente palavras ou expressões, mas deverá abolir por completo um artigo, parágrafo, inciso ou alínea. O veto, no entanto, NÃO É ABSOLUTO, sendo apreciado posteriormente pelo Congresso Nacional, que poderá derrubar esse veto desde que assim o entenda por maioria absoluta de seus membros. . PROMULGAÇÃO A promulgação é o ato que declara a existência da lei, dando validade a ela. . PUBLICAÇÃO Com a publicação da lei, dá-se a ciência à sociedade da existência e do conteúdo dessas no mundo jurídico. Caberá, à autoridade que promulgou a lei, publicá-la. O espaço de tempo entre a publicação e a vigência, se houver, é chamado de VACATIO LEGIS, ou VACÂNCIA DA LEI, que é um período de adaptação à nova lei, definido pelo legislador. ESPÉCIES LEGISLATIVAS As espécies legislativas são os objetos do processo legislativo, podendo se manifestar das seguintes maneiras: . EMENDAS CONSTITUCIONAIS Emendas à Constituição, inserem, no texto constitucional, novas determinações, estando o legislador atuando como constituinte derivado. Podem dar início a uma emenda um terço, no mínimo, dos membros de qualquer das casas legislativas (Câmara ou Senado), o Presidente da República ou mais da metade das Assembléias Legislativas das unidades da Federação, manifestando-se, cada uma delas, pela maioria relativa de seus membros. A proposta de emenda constitucional será votada e discutida em cada uma das casas legislativas e será considerada aprovada se obtiver voto favorável de pelo menos três quintos dos votos de seus parlamentares. Assim sendo, não será objeto de votação a emenda que queira acabar com: - a forma federativa do Estado; - o voto direto, secreto, universal e periódico; - a separação dos Poderes; - os direitos e garantias individuais. . LEIS COMPLEMENTARES As leis complementares são leis para as quais o constituinte reservou certas matérias, consideradas de maior importância. Essas leis exigirão, para que sejam aprovadas, os votos da maioria absoluta das respectivas casas. . LEIS ORDINÁRIAS As leis ordinárias, como o próprio nome diz, são aquelas que tratam de todas as matérias possíveis, sem qualquer rito especial para sua aprovação (requer somente maioria simples, que significa mais da metade dos presentes). Existem basicamente duas limitações às leis ordinárias, quais sejam, NÃO PODEM DISPOR sobre matérias reservadas a lei complementar nem tratar sobre assuntos de competência privativa das casas legislativas (tratadas por decretos legislativos). . LEIS DELEGADAS Leis delegadas são elaboradas pelo Presidente da República, mediante autorização expedida pelo Congresso Nacional, para determinados assuntos. O Congresso Nacional pode, quando da autorização, determinar que a lei fique condicionada a uma posterior votação, que será única e sem a possibilidade de emendas. Não podem ser objeto de leis delegadas: - Atos de competência exclusiva do Congresso Nacional ou de qualquer de suas casas; - Organização do Judiciário ou do Ministério Público; - Nacionalidade, cidadania, direitos individuais, políticos e eleitorais; - Questões orçamentárias. . MEDIDAS PROVISÓRIAS A faculdade de que o Presidente da República dispõe de expedir medidas provisórias permite a ele que tome medidas com força de lei, quando houver uma grande urgência e relevância. Depois de publicada, a medida provisória é encaminhada ao Congresso para que se decida se transforma a medida em lei ou se será derrubada. Esse instrumento, porém, sofre uma série de modificações inerentes a sua característica de urgência, como por exemplo: - não pode tratar de: nacionalidade, cidadania, direitos políticos, partidos políticos, direito eleitoral, direito penal, direito processual penal e processual civil, organização do Judiciário e do Ministério Público, matérias orçamentárias, seqüestro de bens ou aplicações financeiras; - não pode dispor sobre matérias reservadas às leis complementares, nem matérias já disciplinadas pelo Congresso Nacional e pendentes de sanção presidencial. - terão duração de, no máximo, sessenta dias, prorrogável por mais sessenta; - se a medida não for apreciada pelo Congresso em quarenta e cinco dias, será incluída em caráter de urgência na pauta de votação, nada mais podendo ser votado, caso não seja votada a Medida Provisória; - Não se pode reeditar medida provisória que já tenha sido rejeitada ou que tenha perdido sua eficácia por não ter sido apreciada. . DECRETOS LEGISLATIVOS E RESOLUÇÕES Os decretos legislativos, na verdade, são leis que não precisam de sanção do presidente. Serão sempre utilizados quando se tratar de questões referentes às competências exclusivas da casa Legislativa, tendo sempre uma força normativa para toda a sociedade (externa). São elaborados pelo Congresso Nacional, com tramitação por ambas as casas e aprovados por maioria relativa. As resoluções, por sua vez, são atos de caráter interno, que visam regular o bom funcionamento das atividades legislativas. São elaboradas pelo Congresso Nacional ou por cada casa legislativa de forma isolada, sempre por maioria relativa. Essa espécie legislativa também prescinde de sanção presidencial. HIERARQUIA DAS NORMAS Na hierarquia federativa das normas, podemos distinguir a seguinte ordem: Constituição Federal, norma maior e que estipula as demais competências; Constituições Estaduais e Lei Orgânica do Distrito Federal, que se subordinam à Constituição Federal e com ela devem guardar similitude (princípio da simetria); Leis Orgânicas dos Municípios, sujeitas à Constituição Federal e às Constituições Estaduais. A ORDEM HIERÁRQUICA DAS NORMAS FEDERAIS pode ser assim enumerada: Constituição Federal, Revisões Constitucionais e Emendas Constitucionais, sendo que as duas últimas não podem contrariar a primeira; Leis Complementares; Leis Ordinárias, Leis Delegadas, Medidas Provisórias, Decretos Legislativos, Resoluções Legislativas e Tratados Internacionais; Atos Normativos editados pela Administração Pública que têm força normativa, mas não podem inovar nem criarem direitos e obrigações. PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS DA CF/88 . SOBERANIA Esse princípio subdivide-se em nacional e popular (direta e indireta). A SOBERANIA NACIONAL determina a não-sujeição de um País a qualquer ordem que não derive de seu governo. Não deve o Brasil obedecer a ordens de quaisquer outros países, por exemplo, não deve se subordinar a nenhum outro organismo internacional. Além disso, soberania também significa a capacidade de estabelecer as divisões internas de competência. Já a SOBERANIA POPULAR é aquela que o povo exerce, sendo direta quando o povo o faz sem intermédio, dizendo o que realmente quer, como no plebiscito ou na iniciativa popular de leis. Por sua vez, será indireta quando exercida por meio de representantes eleitos democraticamente. . CIDADANIA Em primeira análise,esse princípio corresponde a uma série de direitos e deveres reservados àqueles que detêm a capacidade eleitoral ativa e passiva, o que, em outras palavras, quer dizer poder de votar e ser votado. . DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA Significa que todos terão direito a serem tratados de forma digna, respeitosa e honrosa. Tal princípio traz uma série de reflexos, como a proibição de tortura, de penas perpétuas, de penas de morte, etc. . VALORES SOCIAIS DO TRABALHO E A LIVRE INICIATIVA Ao se respeitar não só os valores econômicos, que significam alcançar o maior lucro possível em menor tempo, mas também os valores sociais do trabalho, o constituinte busca proteger o trabalhador das arbitrariedades, da despedida arbitrária, dos trabalhos indignos, enfim, uma série de garantias que valorizem o trabalhador na sociedade e não que o tratem como mera mercadoria. Por sua vez, a defesa da livre iniciativa visa impedir que algum grupo monopolize o mercado, usando de seu poderio econômico para impedir novas iniciativas de empresas de menor porte. . PLURALISMO POLÍTICO Significa que poderão existir várias concepções, várias idéias, vários grupos políticos, mesmo que contrários às idéias do governo. DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS Também conhecidos como Liberdades Públicas, Direitos Humanos, os Direitos e Garantias funcionam como freios e limitadores ao poder do Estado frente às pessoas, bem como de uma pessoa contra outra. DIREITOS são prerrogativas legais que visam concretizar a convivência digna, livre e igual de todas as pessoas. Representam, por si só, certos bens e vantagens prescritos na norma constitucional. São também conhecidas como disposições meramente declaratórias, pois apenas imprimem existência legal aos direitos reconhecidos. GARANTIAS destinam-se a assegurar a fruição desses bens. Os direitos são principais, as garantias são acessórias. São as disposições assecuratórias, pois se colocam em defesa dos direitos, limitando o poder do Estado ou de outra pessoa. Enquanto os direitos identificam-se pelo caráter declaratório e enunciativo, as garantias caracterizam-se pelo seu caráter instrumental. DIREITOS FUNDAMENTAIS 1. Direitos Individuais (art. 5º) 2. Direitos Coletivos (art. 5º). 3. Direitos Sociais (art. 6º a 11 e art. 193 e seg.) 4. Direitos à Nacionalidade (art. 12) 5. Direitos Políticos (art. 14 a 17) CLASSIFICAÇÃO DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS DIREITOS DE PRIMEIRA GERAÇÃO São os direitos de defesa do indivíduo perante o Estado, consagrando as liberdades públicas (direitos civis) e os direitos políticos, garantindo o direito à vida, à liberdade e à propriedade. São denominados direitos negativos, pois exige do Estado um comportamento de abstenção, evitando atentar contra a vida, turbar a propriedade ou praticar prisões indevidas. Inspiraram-se no direito à liberdade. . DIREITOS DE SEGUNDA GERAÇÃO São os direitos sociais, tais como o direito ao trabalho, à greve, à saúde, à educação, e também os direitos econômicos e culturais. Buscam a satisfação das carências coletivas do ser humano. São denominados de direitos positivos, pois, diferentemente dos de primeira geração, não requer abstenção do Estado, mas lhe estabelece obrigações. Inspiraram-se no direito à igualdade. . DIREITOS DE TERCEIRA GERAÇÃO Surgiu com a necessidade do preservacionismo ambiental, a paz no mundo, o desenvolvimento econômico dos países, etc. Enquanto os direitos de primeira geração se voltam para a individualidade e os de segunda para a coletividade, os de terceira visam os interesses difusos. Levam em conta que o ser humano é inserido em uma coletividade e passa a ter direitos de solidariedade (ou fraternidade). . DIREITOS DE QUARTA GERAÇÃO Apontam para os avanços da engenharia genética que terminam por colocar em risco a própria existência humana. CARACTERISTICAS DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS Universalidade - Destinam-se a todos os seres humanos, indiscriminadamente, que se encontre em solo brasileiro. Limitabilidade - Não são absolutos, pois são passíveis de conflitos com outros direitos. Nessas hipóteses cabe ao magistrado ou intérprete decidir qual direito deverá prevalecer, levando em conta o princípio maior a ser preservado. Há uma limitação recíproca de um para com o outro. Concorrência - Pode ser exercida cumulativamente, quando, por exemplo, o jornalista transmite uma notícia (direito de informação) e, juntamente, emite uma opinião (direito de opinião). Irrenunciabilidade - O que pode ocorrer é o seu não-exercício, mas nunca a sua renuncia. Inalienalibilidade - Como são conferidos a todos, são indisponíveis, não se podendo aliená-los por não possuírem conteúdo econômico-patrimonial. Imprescritibilidade - Prescrição é um instituto jurídico que somente atinge a exigibilidade dos direitos personalíssimos. Se forem sempre exercíveis e exercidos, não há intercorrência temporal de não exercício que fundamente a perda da exigibilidade pela prescrição. DIREITOS INDIVIDUAIS E COLETIVOS O rol de direitos e garantias individuais e coletivos baliza e estrutura o convívio social, além de, ao mesmo tempo, por serem consagrados constitucionalmente, apresentarem-se como marcos perenes a obstacularem injusta investida do Estado ou de outro particular contra a liberdade, a segurança ou o patrimônio de outrem. Tais direitos são constituídos de direitos explícitos e implícitos. Estes últimos são “decorrentes do regime e dos princípios por ela adotados, ou dos tratados internacionais em que a República Federativa do Brasil seja parte”. Os explícitos, por sua vez, são de cinco categorias, cujos objetivos imediatos são a vida, a igualdade, a liberdade, a segurança e a propriedade, já que, o objeto mediato de todas é sempre a liberdade. Assim dispostos, a proibição da pena de morte (inciso XLVII); a proteção à dignidade humana (inciso III), se refere à proteção do direito à vida, já o princípio da isonomia (art. 5°, caput e inciso I) constitui proteção ao direito à igualdade, o direito de locomoção (incisos XV e LXVIII); de pensamento (incisos IV, VI, VII, VIII e IX); de reunião (inciso XVI); de associação (incisos XVII A XXI); de profissão (inciso XIII); de ação (inciso II), são direitos que visam assegurar a liberdade; enquanto do domicílio (inciso XI); em matéria penal (incisos XXXVII a LXVII); dos direitos subjetivos em geral (inciso XXXVI), são direitos que visão assegurar a segurança, e a propriedade em geral (inciso XXII); de propriedade artística, literária e científica (incisos XXVII a XXIX); hereditária (XXX e XXXI), são direitos que visão assegurar a propriedade. DIREITOS SOCIAS Dedica à constituição um capítulo inteiro aos direitos sociais, quais seja, a educação, a saúde, o trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância e a assistência aos desamparados. DIREITOS À NACIONALIDADE Nacionalidade é o laço de caráter político e jurídico que liga um indivíduo a um determinado estado, de forma a qualificá-lo como parte integrante do povo. Esse laço impõe muitos direitos e muitos deveres àqueles que o integram. Existem duas espécies de nacionalidade: - Primária ou originária, aquela que resulta do nascimento. - Secundária ou adquirida, a que se adquire após o nascimento. . PRIMARIA No Brasil, a constituição denominou natos aqueles brasileiros que adquirem a nacionalidade primária. A nacionalidade primária pode ser estabelecida pelo “ius soli”, que é aquele determinado pelo local de nascimento, ou pelo “ius sanguinis”, quando a aquisição se dá pela descendência, ou seja, pelo sangue. São brasileiros natos: 1º caso: - Nascidos no Brasil; - Mesmo que de pais estrangeiros, desde que ambos não estejam a serviço de seu país de origem. 2º caso: - Nascidos no estrangeiro, de pai ou mãe brasileiro (não importa se nato ou naturalizado), a serviço do Brasil. Por exemplo, o filho de uma diplomata brasileira a serviço em cuba. 3º caso: - Nascidos no estrangeiro, de pai ou mãe brasileira, desde que; a) Venha morar no Brasil (não há limite de tempo, bastando que se concretize a vontade de estabelecerresidência) e ainda; b) Optem pela nacionalidade brasileira (essa opção só poderá ser exercida após seja atingida a maioridade perante um juiz federal). A jurisprudência do STF diz que nesse caso a nacionalidade é primária, pois existe desde o nascimento, ficando apenas sujeita a uma condição para o seu implemento. . SECUNDÁRIA Existem duas formas de se adquirir a nacionalidade brasileira. São brasileiros naturalizados: 1º caso (naturalização ordinária): - Estrangeiros originários de país de língua portuguesa; - Residam a pelo menos um ano, sem interrupção, no Brasil (não configura interrupção, por exemplo, uma viagem de férias, etc.). - Idoneidade moral, ou seja, tenha uma conduta moralmente correta perante a sociedade. 2º caso (naturalização extraordinária): - Estrangeiros de qualquer nacionalidade; - Residentes no Brasil há pelo menos quinze anos, sem interrupção; - Não possuam condenação penal; - Requeiram a naturalização. O primeiro caso de naturalização depende de um ato discricionário do presidente da república, enquanto o segundo caso configura um direito subjetivo do estrangeiro, ficando o estado brasileiro obrigado a concedê-la caso todos os requisitos estejam preenchidos. Aos portugueses residentes no Brasil serão atribuídos os mesmos direitos reservados aos brasileiros, não importando o tempo que aqui residam, desde que Portugal assim proceda com os brasileiros lá residentes. Essa é a chamada quase-nacionalidade, que não abrange o acesso aos cargos privativos de brasileiros natos. Não poderá haver distinções entre brasileiros natos e naturalizados, salvos os previstos na constituição, como, por exemplo, as possibilidades de extradição dos brasileiros natos, as restrições quanto à propriedade de empresas de comunicação social e os cargos privativos de brasileiros natos. São cargos privativos, ou seja, reservados apenas aos brasileiros natos: - Presidente e Vice-presidente da República; - Presidente da Câmara dos Deputados; - Presidente do Senado Federal; - Ministro do Supremo Tribunal Federal; - Carreira Diplomática; - Oficial das Forças Armadas - Ministro de Estado da Defesa. - Membros do Conselho da República (art. 89, VII) DIREITOS POLÍTICOS Esta parte da constituição prevê uma série de regras destinadas a delimitar a forma de atuação do indivíduo nas decisões do estado. Aquele que se enquadra dentro dos requisitos impostos pela constituição para atuar ativamente na vida política do país recebe a denominação “cidadão”. A atuação política é um direito público subjetivo que confirma a opção feita no parágrafo único do art. 1°, de um regime político democrático onde “o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta constituição”. Segundo o art. 60, § 4°, o voto direto, secreto, universal e periódico é cláusula pétrea, ou seja, algo que não pode ser extinto da constituição. Cabe ressaltar que não é cláusula pétrea o voto obrigatório, o que nos leva a pensar que podemos um dia vir a ter uma emenda constitucional que institua o voto facultativo para todos. A soberania popular é exercida pelo sufrágio universal e pelo voto direto e secreto, com valor igual para todos. Outras formas de exercício da soberania popular são o plebiscito, o referendo e a soberania popular. Tanto o plebiscito quanto o referendo são formas de perguntar aos cidadãos o que eles pensam sobre determinada opção política do estado. A grande diferença entre o plebiscito e o referendo é que naquele o estado primeiro pergunta ao cidadão e depois age, ao contrário do referendo, em que primeiro o estado age e depois questiona os cidadãos se eles aceitam determinado ato. A iniciativa popular de lei é uma forma de os cidadãos iniciarem um projeto de lei, que será votado pelo congresso nacional, pelas assembléias legislativas ou pela câmara municipais de vereadores, conforme a iniciativa seja de ato legislativo federal, estadual ou municipal, respectivamente. ORGANIZAÇÃO POLÍTICO-ADMINISTRATIVA Do ponto de vista político-administrativo, a República Federativa do Brasil se divide em UNIÃO (não confundir com governo federal), ESTADOS, DISTRITO FEDERAL E MUNICÍPIOS, sendo todos os entes autônomos, ou seja, possuem capacidade de auto-organização, auto-governo e de auto-administração. . VEDAÇÕES Nenhum dos entes políticos anteriormente citados pode: 1º) Estabelecer, patrocinar, impedir o funcionamento e/ou criar dependência a cultos religiosos ou igrejas. 2º) Recusar fé a documentos públicos. Os documentos públicos são dotados de presunção de legitimidade, o que significa que se presumem verdadeiros os dados neles constantes. Não pode, portanto, qualquer órgão da administração negar validade a um documento público, como, por exemplo, uma certidão de nascimento ou uma escritura de imóvel, salvo se provada alguma irregularidade. 3º) Criar regras que estabeleçam privilégios para alguns brasileiros, em detrimento do restante do povo, ou entre os entes autônomos entre si. UNIÃO A União, ente político dotado de autonomia, constitui uma pessoa jurídica de direito público interno com função político-administrativa em todo o território nacional. Não devemos confundir a União com a República, já que a primeira é dotada de mera autonomia, enquanto a segunda, de soberania. Em alguns momentos, a União exerce funções de soberania, como manter relações com outros Estados ou declarar guerra e celebrar a paz, mas a titularidade da soberania continua com a República Federativa do Brasil. . BENS DA UNIÃO A Constituição Federal determinou, em seu art. 20, os bens da União, que são: os que atualmente lhe pertencem e os que lhe vierem a ser atribuídos; as terras devolutas indispensáveis à defesa das fronteiras, das fortificações e construções militares, das vias federais de comunicação e à preservação ambiental, definidas em lei; os lagos, rios e quaisquer correntes de água em terrenos de seu domínio, ou que banhem mais de um Estado, sirvam de limites com outros países, ou se estendam a território estrangeiro ou dele provenham, bem como os terrenos marginais e as praias fluviais; as ilhas fluviais e lacustres nas zonas limítrofes com outros países; as praias marítimas; as ilhas oceânicas e as costeiras, excluídas destas as áreas referidas no art. 26, II; os recursos naturais da plataforma continental e da zona econômica exclusiva; o mar territorial; os terrenos de marinha e seus acrescidos; os potenciais de energia hidráulica; os recursos minerais, inclusive os do subsolo; as cavidades naturais subterrâneas e os sítios arqueológicos e pré-históricos e, por fim, as terras tradicionalmente ocupadas pelos índios. Essa é uma enumeração exemplificativa, não impedindo que a União venha a adquirir outras modalidades de bens. . COMPETÊNCIAS A Constituição Federal de 1988 determinou as competências da União, de forma a estipular sua área de atuação tanto na área administrativa como na legislativa. Dessa maneira, dividiram-se as competências em dois grupos, quais sejam as competências ADMINISTRATIVAS, que são aquelas tarefas que o governo executará na condição de gerente das contas públicas, e, por fim, as competências LEGISLATIVAS, que são as áreas que a União poderá disciplinar por meio de leis elaboradas pelo Legislativo Federal, representado pelo Congresso Nacional. ESTADOS FEDERADOS Os Estados Federados, como analisado na Parte I, Capítulo III, são entes políticos dotados de autonomia, caracterizada por três elementos: - Auto - Organização - Auto - Governo - Auto - Administração Devemos ressaltar que a competência dos Estados se define como remanescente, visto que caberão aos Estados todas as atribuições que a Constituição não proíba. Além, é claro, das competências administrativas comuns e legislativas concorrentes citadas anteriormente. Um exemplo de caso de competência expressa ao Estado-membro é a atribuição de explorar os serviços locais de gás canalizado. . AUTO-ORGANIZAÇÃO É a previsão de que os Estados estabelecerão suas próprias constituições e suas próprias leis, seguindo sempre os preceitosmaiores previstos na Constituição. Essa capacidade será exercida primordialmente pelo Poder Legislativo Estadual. . AUTOGOVERNO É a capacidade de escolher seus próprios governantes, que, no caso, serão os próprios Deputados Estaduais, Governador e Vice. Os cargos do Executivo (Governador e Vice) seguirão as seguintes regras: - As eleições serão realizadas no primeiro domingo de outubro e no último, se houver segundo turno, sempre no ano anterior à posse. - O mandato será de quatro anos, permitida a reeleição apenas uma única vez. - A posse será em 1º de janeiro do ano subseqüente ao da eleição. - O Governador não pode assumir outro cargo ou função pública, salvo em virtude de concurso público, sob pena de perda do mandato. - Os subsídios (remuneração) do Governador, Vice e Secretários serão definidos por Lei Estadual. . AUTO-ADMINISTRAÇÃO A capacidade de auto-administração dos Estados é evidente diante da grande função Estadual de administrar recursos e serviços públicos. Diante disso, verifica-se a capacidade constitucionalmente instituída, por exemplo, de organizar regiões metropolitanas, aglomerações urbanas e microrregiões, visando um melhor planejamento. Constituem-se bens dos Estados todos aqueles elencados no art. 26 da Constituição Federal de 1988, quais sejam: • As águas superficiais ou subterrâneas, fluentes, emergentes e em depósito, ressalvadas, nesse caso, na forma da lei, as decorrentes de obras da União; • As áreas, nas ilhas oceânicas e costeiras, que estiverem no seu domínio, excluídas aquelas sob domínio da União, de Municípios ou de terceiros; • As ilhas fluviais e lacustres não pertencentes à União; e • As terras devolutas não compreendidas entre as da União. MUNICIPIOS Assim como os Estados, os Municípios possuem plena autonomia, constituída pela capacidade de se auto-organizar, autogovernar e auto-administrar. Os municípios podem ser criados, incorporados ou desmembrados, desde que haja uma lei estadual autorizando tal procedimento e tenha havido um plebiscito (consulta prévia) com a população dos municípios envolvidos. Outro requisito para a criação, incorporação de um Município ou o seu desmembramento é a divulgação de Estudos de Viabilidade Municipal. O período em que será possível tal procedimento será definido em lei complementar federal. A auto-organização, que é a capacidade de criar normas próprias, compreenderá, nos Municípios, as suas próprias leis e a Lei Orgânica do Município, que será votada em dois turnos, com um espaço de tempo de pelo menos 10 dias e aprovada por 2/3 da Câmara Municipal. Todo Município tem sua Lei Orgânica, que, respeitando a Constituição Federal e a Constituição Estadual respectiva, irá definir a forma de organização do Município. DISTRITO FEDERAL O Distrito Federal é mais um ente político dotado de autonomia, que, ACUMULANDO COMPETÊNCIAS ESTADUAIS E MUNICIPAIS, terá as seguintes características: • Será regido por uma Lei Orgânica. • O Executivo é representado pelo Governador, e o Legislativo, pela Câmara Legislativa, formada por Deputados Distritais. • As eleições seguem as mesmas regras das eleições dos Estados, inclusive quanto à duração dos mandatos. • A Câmara Legislativa acumula as competências legislativas dos Estados e dos Municípios. • É proibida a divisão do Distrito Federal em Municípios (a Lei Orgânica do Distrito Federal, que tem status de constituição estadual, determina a divisão do DF em regiões administrativas). • O Poder Judiciário do Distrito Federal, assim como sua Defensoria Pública e seu Ministério Público, serão organizados e mantidos pela União. TERRITÓRIOS Os territórios são meras unidades administrativas, previstas constitucionalmente, com status de autarquia federal, NÃO POSSUINDO, portanto, AUTONOMIA. Poderão ter poderes próprios, ter divisão em Municípios e elegerão quatro Deputados Federais. Suas contas serão submetidas ao Congresso Nacional. Apesar da previsão constitucional, atualmente não existem territórios, sendo que os últimos (Fernando de Noronha, Amapá e Roraima) ou foram transformados em Estados, ou incorporados. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA Os fins da ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA resumem-se num único objetivo: o bem comum da coletividade administrada. Toda atividade do administrador público deve ser orientada para esse objetivo. Se dele o administrador se afasta ou desvia, trai o mandato de que está investido, porque a comunidade não institui a administração sendo como meio de atingir o bem-estar social. Ilícito e imoral será todo ato administrativo que não for praticado no interesse da coletividade. PRINCÍPIOS (LIMPE) . PRINCÍPIO DA LEGALIDADE (L) Segundo ele, todos os atos da Administração têm que estar em conformidade com os princípios legais. Este princípio observa não só as leis, mas também os regulamentos que contém as normas administrativas contidas em grande parte do texto Constitucional. Quando a Administração Pública se afasta destes comandos, pratica atos ilegais, produzindo, por conseqüência, atos nulos e respondendo por sanções por ela impostas (Poder Disciplinar). Os servidores, ao praticarem estes atos, podem até ser demitidos. Um administrador de empresa particular pratica tudo aquilo que a lei não proíbe. Já o administrador público, por ser obrigado ao estrito cumprimento da lei e dos regulamentos, só pode praticar o que a lei permite. É a lei que distribui competências aos administradores. . PRINCÍPIO DA IMPESSOALIDADE (I) No art. 37 da CF o legislador fala também da impessoalidade. No campo do Direito Administrativo esta palavra foi uma novidade. O legislador não colocou a palavra finalidade. Surgiram duas correntes para definir “IMPESSOALIDADE”: Impessoalidade relativa aos administrados: segundo esta corrente, a Administração só pode praticar atos impessoais se tais atos vão propiciar o bem comum (a coletividade). A explicação para a impessoalidade pode ser buscada no próprio texto Constitucional através de uma interpretação sistemática da mesma. Por exemplo, de acordo com o art. 100 da CF, “à exceção dos créditos de natureza alimentícia, os pagamentos devidos pela Fazenda .....far-se-ão na ordem cronológica de apresentação dos precatórios ..” . Não se pode pagar fora desta ordem, pois, do contrário, a Administração Pública estaria praticando ato de impessoalidade. Impessoalidade relativa à Administração : segundo esta corrente, os atos impessoais se originam da Administração, não importando quem os tenha praticado. Esse princípio deve ser entendido para excluir a promoção pessoal de autoridade ou serviços públicos sobre suas relações administrativas no exercício de fato, pois, de acordo com os que defendem esta corrente, os atos são dos órgãos e não dos agentes públicos; . PRINCÍPIO DA MORALIDADE (M) Este princípio está diretamente relacionado com os próprios atos dos cidadãos comuns em seu convívio com a comunidade, ligando-se à moral e à ética administrativa, estando esta última sempre presente na vida do administrador público, sendo mais rigorosa que a ética comum. Por exemplo, comete ATO IMORAL o Prefeito Municipal que empregar a sua verba de representação em negócios alheios à sua condição de Administrador Público, pois, É SABIDO QUE O ADMINISTRADOR PÚBLICO TEM QUE SER HONESTO, TEM QUE TER PROBIDADE E, QUE TODO ATO ADMINISTRATIVO, ALÉM DE SER LEGAL, TEM QUE SER MORAL, sob pena de sua nulidade. Nos casos de IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA, os governantes podem ter suspensos os seus direitos políticos, além da perda do cargo para a Administração, seguindo-se o ressarcimento dos bens e a nulidade do ato ilicitamente praticado. Há um sistema de fiscalização ou mecanismo de controle de todos os atos administrativos praticados. Por exemplo, o Congresso Nacional exerce esse controle através de uma fiscalização contábil externa ou interna sobre toda a Administração Pública. . PRINCÍPIO DA PUBLICIDADE (P) É a divulgação oficial do ato da Administração para a ciência do público em geral, com efeito de iniciar a sua atuação externa, ou seja, de gerar efeitos jurídicos. Esses efeitos jurídicos podemser de direitos e de obrigações. Por exemplo, o Prefeito Municipal, com o objetivo de preencher determinada vaga existente na sua Administração, NOMEIA ALGUÉM para o cargo de Procurador Municipal. No entanto, para que esse ato de nomeação tenha validade, ELE DEVE SER PUBLICADO. E após a sua publicação, o nomeado terá 30 dias para tomar posse. Esse princípio da publicidade é uma generalidade. TODOS OS ATOS DA ADMINISTRAÇÃO TÊM QUE SER PÚBLICOS. A PUBLICIDADE DOS ATOS ADMINISTRATIVOS sofre as seguintes exceções: Nos casos de segurança nacional (seja ela de origem militar, econômica, cultural, etc.). Nestas situações, os atos não são tornados públicos. Por exemplo, os órgãos de espionagem não fazem publicidade de seus atos; nos casos de investigação policial: onde o Inquérito Policial é extremamente sigiloso (só a ação penal que é pública); Nos casos dos atos internos da Adm. Pública: nestes, por não haver interesse da coletividade, não há razão para serem públicos. Por outro lado, embora os processos administrativos devam ser públicos, a publicidade se restringe somente aos seus atos intermediários, ou seja, a determinadas fases processuais. Por outro lado, a Publicidade, ao mesmo tempo em que inicia os atos, também possibilita àqueles que deles tomam conhecimento, de utilizarem os REMÉDIOS CONSTITUCIONAIS contra eles. Assim, com base em diversos incisos do art. 5° da CF, o interessado poderá se utilizar do Direito de Petição, do Mandado de Segurança (remédio heróico contra atos ilegais envoltos de abuso de poder), da Ação Popular, Hábeas Data e Hábeas Corpus. A publicidade dos atos administrativos é feita tanto na esfera federal (através do Diário Oficial Federal) como na estadual (através do Diário Oficial Estadual) ou municipal (através do Diário Oficial do Município). Nos Municípios, se não houver o Diário Oficial Municipal, a publicidade poderá ser feita através dos jornais de grande circulação ou afixada em locais conhecidos e determinados pela Administração. Por último, a Publicidade deve ter objetivo educativo, informativo e de interesse social, não podendo ser utilizados símbolos e imagens que caracterizem a promoção pessoal do Agente Administrativo. . PRINCÍPIO DA EFICIÊNCIA (E) Exige resultados positivos para o serviço público e satisfatório atendimento das necessidades dos administrados (público). Trata-se de princípio meramente retórico. É possível, no entanto, invocá-lo para limitar a discricionariedade do Administrador, levando-o a escolher a melhor opção. Eficiência é a obtenção do melhor resultado com o uso racional dos meios. Atualmente, na Administração Pública, a tendência é prevalência do controle de resultados sobre o controle de meios. . OUTROS PRINCÍPIOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA Princípio da Finalidade: É relacionado com a impessoalidade relativa à Administração, este princípio orienta que as normas administrativas têm que ter SEMPRE como OBJETIVO o INTERESSE PÚBLICO. Assim, se o agente público pratica atos em conformidade com a lei, encontra-se, indiretamente, com a finalidade, que está embutida na própria norma. Supremacia do Interesse Público: Os interesses públicos têm supremacia sobre os interesses individuais; é a essência do regime jurídico administrativo. Presunção de Legitimidade: Os atos da Administração presumem-se legítimos, até prova em contrário (presunção relativa ou juris tantum – ou seja, pode ser destruída por prova contrária.) Autotutela: A Administração tem o dever de zelar pela legalidade e eficiência dos seus próprios atos. É por isso que se reconhece à Administração o poder e dever de anular ou declarar a nulidade dos seus próprios atos praticados com infração à Lei. Em suma, a autotutela se justifica para garantir à Administração: a defesa da legalidade e eficiência dos seus atos; nada mais é que um autocontrole; Continuidade dos Serviços Públicos: O serviço público destina-se a atender necessidades sociais. É com fundamento nesse princípio que nos contratos administrativos não se permite que seja invocada, pelo particular, a exceção do contrato não cumprido. Razoabilidade: Os poderes concedidos à Administração devem ser exercidos na medida necessária ao atendimento do interesse coletivo, sem exageros. ORGANIZAÇÃO DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA Existem inúmeras atividades constitucionais e infraconstitucionais que estão a cargo do Estado, e ao lado desses serviços públicos, existem outros chamados genericamente de atividades estatais – obras públicas e atividades do Poder de Polícia. Esses serviços e atividades podem ser prestados pelo Estado DIRETA ou INDIRETAMENTE. Portanto, são formas técnicas da Organização Administrativa: . CENTRALIZAÇÃO É a prestação de serviços diretamente pela pessoa política prevista constitucionalmente, sem delegação a outras pessoas. Diz-se que a atividade do Estado é centralizada quando ele atua diretamente, por meio de seus órgãos. Se os serviços estão sendo prestados pelas Pessoas Políticas constitucionalmente competentes, estará havendo centralização. . DESCENTRALIZAÇÃO É a transferência de execução do serviço ou da titularidade do serviço para outra pessoa, quer seja de direito público ou de direito privado. A transferência de execução do serviço pode ser feita para entidades de direito público ou privado, diretamente ligadas à Administração, bem como para particulares. São entidades descentralizadas de direito público: Autarquias e Fundações Públicas. São entidades descentralizadas de direito privado: Empresas Públicas, Sociedades de Economia Mista. Pode, inclusive, a execução de o serviço ser transferida para entidades que não estejam integradas à Administração Pública, como: Concessionárias de Serviços Públicos e Permissionárias. A descentralização, mesmo que seja para entidades particulares, não retira o caráter público do serviço, apenas transfere a execução. A transferência da execução do serviço público pode ser feita por OUTORGA ou por DELEGAÇÃO. Outorga: implica na transferência da própria titularidade do serviço. Outorga significa, portanto, a transferência da própria titularidade do serviço da pessoa política para a pessoa administrativa, que desenvolve o serviço em seu próprio nome e não no de quem transferiu. É sempre feita por lei e somente por outra lei pode ser mudada ou retirada. Delegação: implica na mera transferência da execução do serviço. Realiza-se por ato ou contrato administrativo. São as concessões e permissões do serviço público. Pode ser retirada por um ato de mesma natureza e deve ser autorizada por lei. . DESCONCENTRAÇÃO Existe quando as atividades estiverem distribuídas entre os órgãos de uma mesma pessoa – quando forem as atribuições transferidas dos órgãos centrais para os locais/periféricos. . CONCENTRAÇÃO Ocorre o inverso da desconcentração. Há uma transferência das atividades dos órgãos periféricos para as centrais. Tanto a concentração como a desconcentração poderá ocorrer na estrutura administrativa centralizada ou descentralizada. Administração Direta e Administração indireta Administração Direta: corresponde à centralização. Administração indireta: corresponde à descentralização. ADMINISTRAÇÃO DIRETA No âmbito federal é o conjunto de órgãos integrados na estrutura administrativa da Presidência da República e dos Ministérios. No âmbito estadual é o conjunto de órgãos integrados na estrutura administrativa do Governo do Estado e das Secretarias Estaduais. No âmbito municipal é o conjunto de órgãos integrados na estrutura administrativa do Governo Municipal e das Secretarias Municipais. ADMINISTRAÇÃO INDIRETA Do ponto de vista da Constituição Federal de 1988, abrange as Autarquias, as Empresas Públicas, as Sociedades de Economia Mista e as Fundações Públicas. Haverá administração indireta em todos os casos de descentralização administrativa. A descentralização também abrange os particulares, como os permissionários e os concessionários, portanto, estes fazem parte da administração indireta e não foram contemplados pelo conceito legal. Para a doutrina, só as empresas públicase sociedades de economia mista que prestam serviços públicos é que são da administração indireta. Todas as entidades da administração indireta estão sujeitas: À necessidade da lei para a sua criação; Aos princípios da administração pública; À exigência de concurso público para admissão do seu pessoal; À licitação para suas contratações. Autarquia (Exemplos de autarquias: INSS, DNER, IBAMA) Pessoa jurídica de direito público. É criada por Lei – a pessoa jurídica surge da própria Lei, sem necessidade de registro. Não pode ser criada por decreto – ato administrativo, mas apenas por lei no sentido formal e material – lei do Poder Legislativo. As autarquias são criadas para desempenharem atividades típicas da administração pública e não atividades econômicas. As autarquias gozam das prerrogativas da Fazenda Pública: Podem constituir seus próprios títulos executivos. Através de processo administrativo, garantindo o direito de defesa, inscrevem os créditos na Dívida Ativa. O título executivo é constituído unilateralmente. Gozam da prerrogativa da impenhorabilidade de seus bens. O processo de execução contra a autarquia é o mesmo previsto contra a Fazenda Pública – não se faz citação para pagar, faz-se para Embargos. O pagamento é realizado através de precatório. Imprescritibilidade – impossibilidade de aquisição dos bens por usucapião. Privilégios Processuais da Fazenda Pública: Prazos quádruplos para contestar e duplo para recorrer, duplo grau de jurisdição obrigatório. A extinção da autarquia depende de lei, da mesma forma que a sua criação. Os Conselhos profissionais eram considerados autarquias, mas atualmente, são pessoas jurídicas de direito privado, embora esteja sendo questionada no STF a norma legal que assim determinou. (Lei nº. 9.649/98 – art. 58) - Agências Reguladoras e Executivas A Reforma Administrativa ora sendo implantada previu a criação de autarquias especiais que vão exercer o papel de poder concedente relativamente aos serviços públicos transferidos para particulares através do contrato de concessão de serviços públicos. São as Agências Reguladoras que vão receber maior autonomia administrativa , orçamentária e financeira mediante contratos de gestão firmados pelos seus administradores com o poder público. Já foram criadas algumas Agências Reguladoras, como por exemplo a ANATEL e a ANEEL. As Agências Executivas também são autarquias que vão desempenhar atividades de execução na administração pública, desfrutando de autonomia decorrente de contrato de gestão. É necessário um decreto do Presidente da República, reconhecendo a autarquia como Agência Executiva. Ex.: INMETRO. Empresas Públicas As empresas públicas têm criação autorizada por lei, têm personalidade jurídica de direito privado, são formadas com capital exclusivamente público, sofrem possibilidade de penhora dos bens e nelas ocorre a inexistência das prerrogativas da Fazenda Pública. A autarquia adquire a personalidade jurídica diretamente da lei que a criou, inexistindo necessidade de registro. As empresas públicas necessitam, para adquirir a personalidade jurídica, na forma do direito privado, de registro dos seus atos constitutivos perante o órgão competente. Outra diferença das empresas públicas em relação às autarquias é que estas têm personalidade jurídica de direito público, enquanto aquelas são pessoas jurídicas de direito privado. Os contratos que celebram as empresas públicas podem ser de DIREITO ADMINISTRATIVO, se forem prestadoras de serviços públicos, no entanto, se explorarem atividades econômicas, os contratos que celebrarem estarão regidos pelo DIREITO PRIVADO e , nesse caso, elas não poderão gozar de nenhum privilégio (próprio dos contatos de direito público), devendo concorrer em igualdade de condições. Em qualquer caso, mesmo as que prestam serviços públicos, terão em seus quadros servidores regidos pela CLT, submetidos ao regime trabalhista. Pode, a empresa pública, revestir-se de qualquer das formas societárias admitidas em direito: S/A, Sociedade Por Cotas, Forma Societária Específica. O capital da empresa pública é exclusivamente público, não há participação de particulares na formação do capital. Será o capital integralmente subscrito por entidades ligadas à administração pública. Em conseqüência da personalidade jurídica de direito privado, não gozam das prerrogativas da Administração Pública. Os seus bens podem ser penhorados para a satisfação das suas dívidas. Enquanto as pessoas jurídicas de direito público submetem-se a um procedimento específico (art. 730, do CPC), a pessoa jurídica de direito privado – Empresas Públicas – respondem como qualquer devedor particular, ao processo de execução comum. É possível também adquirir-se, por usucapião, os bens da empresa pública. Em relação à penhora dos bens, vale ressaltar que existe um Decreto-Lei que estabelece a impenhorabilidade dos bens dos Correios, que é uma empresa pública. Sociedade de Economia Pública (Petrobras, Telebrás, Banco do Brasil) Existe necessidade de lei autorizando sua criação, conjuga capitais públicos e privados, forma sempre Sociedade Anônima. Têm personalidade jurídica de direito privado, ausência das prerrogativas do poder público e possibilidade de penhora dos bens. Aspectos comuns às Sociedades de Economia Mista e às Empresas Públicas: A necessidade de lei autorizando a sua criação; Personalidade jurídica de direito privado; Ausência das prerrogativas do Poder Público; Possibilidade de penhora dos bens. A PRINCIPAL DIFERENÇA entre sociedades de economia mista e as empresas públicas está na formação do capital social que, no caso das sociedades de economia mista, é subscrito por entidades vinculadas à administração pública e por particulares, devendo, no entanto, haver o controle acionário pela entidade vinculada à administração pública. Uma outra distinção básica é a forma societária que, no caso da sociedade de economia mista, só pode ser a sociedade anônima. As sociedades de economia mista não estão sujeitas à falência. A Lei das S/A, n° 6404/76 exclui expressamente a possibilidade da falência das sociedades de economia mista, pelo pressuposto de existir uma responsabilidade subsidiária da entidade controladora. Fundações Públicas O posicionamento das Fundações Públicas sempre foi variado. Hoje, com o advento da CF/88, foi encerrada essa dubiedade de posicionamento quando determina que a Fundação Pública é submetida ao regime da administração indireta. As Fundações Públicas foram equiparadas às Autarquias. Possuem personalidade jurídica de direito público. Hoje, não mais existe justificativa para se manter a diferença entre as Fundações e as Autarquias. Organizações Sociais Entidades de Direito Privado, disciplinadas pela Lei n° 9.637 de 15 de maio de 1998, sem finalidade lucrativa e destinadas a atuarem em atividades de ensino, pesquisa científica, desenvolvimento tecnológico, proteção e preservação do meio ambiente, cultura e saúde. Tais entidades são assim qualificadas pelo Poder Executivo e celebram contrato de gestão pelo qual poderão receber recursos orçamentários, bens públicos e cessão de servidores públicos. Não integram a chamada Administração Indireta, podendo ser classificadas como entes de cooperação. Particulares em Concessão com a ADM. Pública 1. PERMISSIONÁRIOS; 2. CONCESSIONÁRIOS. O conceito doutrinário de administração indireta é mais amplo do que o legal, pois inclui as Permissionárias e as Concessionárias como integrante da administração indireta, ao contrário do legal. A Constituição prevê, no artigo 175, a prestação de serviços públicos, mediante concessão ou permissão, na forma da Lei e sempre através de licitação. A Lei n°8.987, de 13.02.95, regulamentou tal norma constitucional. Antes, distinguia-se permissão e concessão, afirmando o caráter unilateral da primeira e o caráter contratual da Segunda. Após a Lei n° 8.987/95, ambas são formalizadas por contrato. A concessão requer concorrência, e a permissão pode adotar qualquer modalidade de licitação. A concessãosomente pode ser outorgada a pessoa jurídica, enquanto a permissão pode ser atribuída à pessoa física ou jurídica. SERVIDORES PÚBLICOS A atividade dos agentes públicos envolve dois conceitos importantes: CARGO PÚBLICO E FUNÇÃO PÚBLICA. Funções públicas são atribuições ou encargos destinados à realização de uma determinada finalidade estatal. Cargo público é o conjunto de atribuições e responsabilidades de um agente público. Os cargos públicos somente podem ser criados por lei e com denominação própria. Pode existir função pública não vinculada a cargo público, mas nunca um cargo sem função pública. Por exemplo, se houver uma função ligada a um agente temporário (mesário de eleições, por exemplo), haverá uma função, mas não um cargo público. Se o cargo público for de provimento efetivo (estável, diferente do cargo em comissão), será obrigatória a exigência de concurso público de provas ou de provas e títulos. O concurso público terá validade de até 2 (dois) anos, podendo ser prorrogado pelo mesmo período. A ordem de chamada dos concursandos deve seguir a lista de aprovação. Se essa ordem de chamada for desobedecida, haverá direito líquido e certo do preterido de ser nomeado. As funções comissionadas, destinadas aos cargos de direção, chefia e assessoramento são exercidas somente por servidores de carreira efetivos. Os cargos em comissão (demissíveis ad nutum, a qualquer momento) podem ser exercidos por qualquer pessoa que preencha os requisitos para acesso a cargos públicos, mesmo sem concurso, devendo ser reservado um percentual para os servidores efetivos. É direito do servidor público civil: livre associação sindical, greve (matéria pendente de regulamentação); subsídio ou remuneração fixado em lei, revisado anualmente e irredutível. A “remuneração” do servidor representa a soma dos vencimentos com as vantagens a que ele tem direito. Certos cargos possuem um regime especial de pagamento chamado subsídio, como, por exemplo, os magistrados, os membros do Ministério Público, os defensores públicos, policiais, cargos eletivos, Ministros de Estado, etc. A diferença entre a remuneração e o subsídio é que este é pago necessariamente em parcela única, vedando-se qualquer gratificação, adicional, abono, prêmio ou verba de representação. O teto, ou seja, o valor máximo das remunerações, subsídios e aposentadorias, é o valor do subsídio mensal que recebem os Ministros do Supremo Tribunal Federal. Esse teto deve ser definido por lei de iniciativa conjunta dos três poderes. A política de remuneração dos servidores deverá, na fixação dos padrões de vencimento e vantagens, observar: a) natureza, grau de responsabilidade e complexidade da função; b) requisitos para investidura; e c) peculiaridades dos cargos. O valor das remunerações e dos subsídios deve ser publicado anualmente (princípio da publicidade). Devem ser previstos cursos e programas de aperfeiçoamento dos servidores públicos, o que deve ser requisito para promoção na carreira. Somente em quatro casos será possível a acumulação de cargos e aposentadorias na Administração Pública Direta ou Indireta, quais sejam: - dois cargos de professor; - dois cargos na área de saúde; - um cargo de nível superior com outro de professor; e - um cargo de vereador com outro cargo público, desde que haja compatibilidade de horários. Ao servidor público federal, estadual ou distrital da Administração Direta, autárquica ou fundacional que assumir cargo público eletivo, serão aplicados as seguintes regras: - Ficará afastado do seu cargo, emprego ou função, exceto se for vereador, hipótese na qual, havendo compatibilidade de horários, o servidor pode continuar a exercer sua função, recebendo os proventos de ambos os cargos. - Se for investido no cargo de prefeito ou vereador sem compatibilidade de horários, o servidor será afastado do cargo, mas pode fazer a opção de qual provento (remuneração ou subsídio) deseja receber: o do seu cargo ou do de prefeito. - No caso de afastamento, o tempo de serviço será contado como se o servidor estivesse em exercício, inclusive para fins previdenciários, exceto para o fim de promoção por merecimento, obviamente. A estabilidade do servidor público significa que ele só perderá o cargo em três hipóteses: a) sentença judicial transitada em julgado; b) processo administrativo; c) avaliação periódica de desempenho. Ao contrário do que alguns pensam, o prazo do estágio probatório, previsto na Lei nº. 8.112/90 em 24 meses, não foi alterado pela EC nº. 19/98, que alterou o prazo para estabilidade de 2 para 3 anos. O Supremo Tribunal Federal já assentou pacificamente a distinção entre esses dois institutos, sendo a avaliação especial de desempenho, realizada no estágio probatório, mera condição para a aquisição da estabilidade. Antes da estabilidade, será exonerado o servidor que não for aprovado no estágio probatório ou que tomar posse, mas não entrar em exercício. Existe ainda outro caso de perda do cargo – inserido no texto constitucional pela Emenda Constitucional nº. 19/98 – que ocorrerá para adequar as finanças do Estado aos percentuais previstos na Lei de Responsabilidade Fiscal, podendo alcançar inclusive servidores já estáveis. Nesse caso, deverão ser reduzidos, primeiramente, 20% dos cargos em comissão e os dos servidores não estáveis. Não sendo o bastante, deverão perder o cargo os servidores já estáveis, sendo devida a indenização de uma remuneração por ano de serviço. DISPOSIÇÕES GERAIS As compras e contratações de serviços por parte da Administração dependerão de licitação pública, que é o processo regido pela Lei nº. 8.666/93 e que assegura aos concorrentes iguais condições para fornecer seus produtos ou serviços. Portanto, são proibidas exigências desnecessárias, o que poderia beneficiar um ou outro concorrente, já que, caso contrário, poderia ser pedido uma determinada marca que só um fornecedor possui. Com essas regras, os princípios da impessoalidade e eficiência estão protegidos, pois permitirão à Administração optar pela melhor forma de contratação. Quando a Administração Pública se utiliza dos meios de comunicação para fazer publicidade de obras ou programas, esta terá de ter caráter educativo, informativo ou de orientação social para evitar que as autoridades usem dinheiro público para fazer marketing pessoal. Visando o respeito ao princípio da moralidade, entre outros, a Constituição Federal prevê a punição dos atos de improbidade administrativa, que são aqueles que importam em enriquecimento ilícito, dano ao erário (tesouro público) ou violação de princípios da Administração. A improbidade administrativa é prevista tanto na constituição quanto na Lei nº. 8.429/92 (Lei do colarinho branco) e será punida com a suspensão dos direitos políticos, a perda da função pública, a indisponibilidade dos bens e o ressarcimento ao erário, sendo a última penalidade, imprescritível. A responsabilidade civil, ou seja, o dever de indenizar um dano moral ou material, também pode ser atribuída ao Estado quando houver dano causado por algum de seus agentes. Quando um particular causa um dano, ele só será obrigado a indenizar se for comprovada a culpa em sentido amplo (dolo ou culpa em sentido estrito – imprudência, negligência ou imperícia), essa é a responsabilidade subjetiva. Por sua vez, quando o dano é causado por um agente público no exercício de sua função pública, o dever de indenizar do Estado nasce mesmo que o agente não tenha agido com culpa, ou seja, independentemente de imprudência, negligência ou imperícia (culpa em sentido estrito) ou dolo. Caso o agente tenha agido com culpa, caberá ao Estado ingressar com uma ação judicial denominada ação regressiva, na qual o Estado pode cobrar do agente uma indenização, se provar a culpa deste. Havendo o dano e o nexo causal entre a ação e o resultado, o Estado deve pagar. Se houver culpa exclusiva da vítima, o Estado não será obrigado a indenizar o dano. Por exemplo, se um motorista do Ministério da Fazenda dirige bêbado e bate no carro de uma empresa que estava estacionado, o Estado deverá