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1 E ST R A TÉ G IA S D E S A Ú D E D A F A M ÍL IA E O N Ú C LE O D E A P O IO À S A Ú D E D A F A M ÍL IA - G R U P O P R O M IN A S 2 E ST R A TÉ G IA S D E S A Ú D E D A F A M ÍL IA E O N Ú C LE O D E A P O IO À S A Ú D E D A F A M ÍL IA - G R U P O P R O M IN A S 3 E ST R A TÉ G IA S D E S A Ú D E D A F A M ÍL IA E O N Ú C LE O D E A P O IO À S A Ú D E D A F A M ÍL IA - G R U P O P R O M IN A S Núcleo de Educação a Distância GRUPO PROMINAS DE EDUCAÇÃO Diagramação: Rhanya Vitória M. R. Cupertino PRESIDENTE: Valdir Valério, Diretor Executivo: Dr. Willian Ferreira. O Grupo Educacional Prominas é uma referência no cenário educacional e com ações voltadas para a formação de profissionais capazes de se destacar no mercado de trabalho. O Grupo Prominas investe em tecnologia, inovação e conhecimento. Tudo isso é responsável por fomentar a expansão e consolidar a responsabilidade de promover a aprendizagem. 4 E ST R A TÉ G IA S D E S A Ú D E D A F A M ÍL IA E O N Ú C LE O D E A P O IO À S A Ú D E D A F A M ÍL IA - G R U P O P R O M IN A S Prezado(a) Pós-Graduando(a), Seja muito bem-vindo(a) ao nosso Grupo Educacional! Inicialmente, gostaríamos de agradecê-lo(a) pela confiança em nós depositada. Temos a convicção absoluta que você não irá se decepcionar pela sua escolha, pois nos comprometemos a superar as suas expectativas. A educação deve ser sempre o pilar para consolidação de uma nação soberana, democrática, crítica, reflexiva, acolhedora e integra- dora. Além disso, a educação é a maneira mais nobre de promover a ascensão social e econômica da população de um país. Durante o seu curso de graduação você teve a oportunida- de de conhecer e estudar uma grande diversidade de conteúdos. Foi um momento de consolidação e amadurecimento de suas escolhas pessoais e profissionais. Agora, na Pós-Graduação, as expectativas e objetivos são outros. É o momento de você complementar a sua formação acadêmi- ca, se atualizar, incorporar novas competências e técnicas, desenvolver um novo perfil profissional, objetivando o aprimoramento para sua atu- ação no concorrido mercado do trabalho. E, certamente, será um passo importante para quem deseja ingressar como docente no ensino supe- rior e se qualificar ainda mais para o magistério nos demais níveis de ensino. E o propósito do nosso Grupo Educacional é ajudá-lo(a) nessa jornada! Conte conosco, pois nós acreditamos em seu potencial. Vamos juntos nessa maravilhosa viagem que é a construção de novos conhecimentos. Um abraço, Grupo Prominas - Educação e Tecnologia 5 E ST R A TÉ G IA S D E S A Ú D E D A F A M ÍL IA E O N Ú C LE O D E A P O IO À S A Ú D E D A F A M ÍL IA - G R U P O P R O M IN A S 6 E ST R A TÉ G IA S D E S A Ú D E D A F A M ÍL IA E O N Ú C LE O D E A P O IO À S A Ú D E D A F A M ÍL IA - G R U P O P R O M IN A S Olá, acadêmico(a) do ensino a distância do Grupo Prominas! É um prazer tê-lo em nossa instituição! Saiba que sua escolha é sinal de prestígio e consideração. Quero lhe parabenizar pela dispo- sição ao aprendizado e autodesenvolvimento. No ensino a distância é você quem administra o tempo de estudo. Por isso, ele exige perseve- rança, disciplina e organização. Este material, bem como as outras ferramentas do curso (como as aulas em vídeo, atividades, fóruns, etc.), foi projetado visando a sua preparação nessa jornada rumo ao sucesso profissional. Todo conteúdo foi elaborado para auxiliá-lo nessa tarefa, proporcionado um estudo de qualidade e com foco nas exigências do mercado de trabalho. Estude bastante e um grande abraço! Professora: Suelen Silva 7 E ST R A TÉ G IA S D E S A Ú D E D A F A M ÍL IA E O N Ú C LE O D E A P O IO À S A Ú D E D A F A M ÍL IA - G R U P O P R O M IN A S O texto abaixo das tags são informações de apoio para você ao longo dos seus estudos. Cada conteúdo é preprarado focando em téc- nicas de aprendizagem que contribuem no seu processo de busca pela conhecimento. Cada uma dessas tags, é focada especificadamente em partes importantes dos materiais aqui apresentados. Lembre-se que, cada in- formação obtida atráves do seu curso, será o ponto de partida rumo ao seu sucesso profisisional. 8 E ST R A TÉ G IA S D E S A Ú D E D A F A M ÍL IA E O N Ú C LE O D E A P O IO À S A Ú D E D A F A M ÍL IA - G R U P O P R O M IN A S Esta unidade tem como objetivo analisar os princípios da Es- tratégia Saúde da Família (ESF), visando capacitar os profissionais, estudantes e pesquisadores da área da saúde com conhecimentos técnico-científicos e promover a Saúde da família com foco principal na assistência humanizada e nas práticas em saúde pública. O curso é destinado também àqueles que não atuam diretamente na área, mas estão interessados em agregar novos conhecimentos e aprendizado acerca dos temas relacionados. A unidade aborda três capítulos: 1) Or- ganização da Atenção à Saúde 2) Estratégia Saúde da Família (ESF) e 3) Assistência na atenção básica para ESF. Cada capítulo apresenta subitens complementares e relacionados aos temas. A temática é de extrema importância, pois a Estratégia Saúde da Família (ESF) pro- move a qualidade de vida da população brasileira, minimizando os fa- tores que colocam a saúde em risco, como a falta de atividade física, a má alimentação e o uso de tabaco. Os resultados revelam que a ESF se fortalece como uma porta de entrada do Sistema Único de Saúde (SUS) graças à atenção integral, equânime e contínua. Gestão em Saúde. Capacidade Organizacional. Saúde Pública. 9 E ST R A TÉ G IA S D E S A Ú D E D A F A M ÍL IA E O N Ú C LE O D E A P O IO À S A Ú D E D A F A M ÍL IA - G R U P O P R O M IN A S CAPÍTULO 01 SISTEMAS DE SAÚDE E ORGANIZAÇÃO DE SERVIÇOS Apresentação do Módulo ______________________________________ 11 12 36 17 Sistema Único de Saúde (SUS) __________________________________ Núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF) _____________________ Planejamento da Saúde Pública Brasileira ________________________ CAPÍTULO 02 ESTRATÉGIA SAÚDE DA FAMÍLIA (ESF) Implantação da Estratégia – do PSF ao ESF _____________________ 32 26Recapitulando ________________________________________________ 21Atenção à Saúde e Modelos Assistenciais _______________________ 39 Composição e Atribuições dos Profissionais da Estratégia Saúde da Família _____________________________________________________ Recapitulando _________________________________________________ 46 CAPÍTULO 03 ASSISTÊNCIA NA ATENÇÃO BÁSICA PARA ESF Atenção Integral à Saúde da Criança ___________________________ 53 Atenção Integral à Saúde da Mulher ____________________________ 56 Atenção Integral à Saúde do Adulto _____________________________ 60 10 E ST R A TÉ G IA S D E S A Ú D E D A F A M ÍL IA E O N Ú C LE O D E A P O IO À S A Ú D E D A F A M ÍL IA - G R U P O P R O M IN A S Atenção Integral à Saúde do Idoso _______________________________ 62 Recapitulando __________________________________________________ 67 Considerações Finais ____________________________________________ 72 Glossário ________________________________________________________ 73 Fechando a Unidade ____________________________________________ 74 Referências _____________________________________________________ 78 11 E ST R A TÉ G IA S D E S A Ú D E D A F A M ÍL IA E O N Ú C LE O D E A P O IO À S A Ú D E D A F A M ÍL IA - G R U P O P R O M IN A S O módulo de Estratégia Saúde da Família possui a finalidade de refletir sobre a configuração atual do sistema de saúdeindivíduo, sendo definida pela permanência da equipe de saúde no domicílio por no mínimo quatro horas diárias, com acompanhamento contínuo. O indivíduo, para ser 41 E ST R A TÉ G IA S D E S A Ú D E D A F A M ÍL IA E O N Ú C LE O D E A P O IO À S A Ú D E D A F A M ÍL IA - G R U P O P R O M IN A S internado em domicílio, precisa apresentar quadro clínico estável, assim como a equipe profissional necessita de rede de suporte para as possí- veis eventualidades (GIACOMOZZI; LACERDA, 2006). Vale destacar que a internação domiciliar não substitui a in- ternação hospitalar tradicional. Deve ser sempre utilizada com o intuito de humanizar e garantir maior qualidade e conforto ao paciente. Por isso, só deve ser realizada quando as condições clínicas e familiares do paciente assim permitirem. A hospitalização deve ser feita sempre que necessária, com o devido acompanhamento por parte da equipe. Participação em Grupos Comunitários A equipe do ESF deve disponibilizar e estimular e participar de reuniões de grupo, discutindo os temas relativos ao diagnóstico e alternativas para a resolução dos problemas (exemplo: grupos de hiper- tensão, diabetes, gestantes, entre outros). A promoção de saúde deve ser trabalhada durante atividades dos grupos, tais como caminhadas, ginástica, acompanhamento de alimentação, acompanhamento de me- dicação, passeios, eventos, entre outros. De acordo com a PNAB – Política Nacional de Atenção Básica de 2012, cada profissional integrante do ESF possui atribuições específicas. Atribuições do Médico O médico da equipe da Estratégia de Saúde da Família deve possuir conhecimentos relacionados à saúde da família e ser, preferen- cialmente, um médico generalista ou especializado em saúde da famí- lia. Portanto, deve atender a todos os membros das famílias, indepen- dentemente de sexo e idade. A equipe médica necessita avaliar os usuários de maneira multidimensional, inserindo-os em seu contexto biopsicossocial, e não permanecer na abordagem biológica de conhecimentos clínicos especí- ficos ou grupos de doenças. Desse modo, a atuação clínica do médico não deve estar restrita às condições de saúde rigorosamente definidas. A avaliação médica de forma multidimensional e a convivência contínua com os membros das famílias propiciam conhecimento apro- fundado e o forte vínculo de responsabilidade para a resolução dos pro- blemas e manutenção da saúde da população. As atribuições dos médicos pertencentes a Saúde da Família são: • Promover assistência integral aos sujeitos e famílias durante 42 E ST R A TÉ G IA S D E S A Ú D E D A F A M ÍL IA E O N Ú C LE O D E A P O IO À S A Ú D E D A F A M ÍL IA - G R U P O P R O M IN A S todo o ciclo vital: infância, adolescência, idade adulta e velhice; • Realizar consultas clínicas e procedimentos na unidade Saú- de da Família e, quando necessário, no domicílio e/ou nos demais es- paços comunitários da região; • Desenvolver atividades de demanda espontânea e programa- da em clínicas de especialidade, como pediátricas, ginecológicas e obs- tétricas. Além de realizar cirurgias ambulatoriais, pequenas urgências clínico-cirúrgicas e procedimentos para fins de diagnósticos; • Encaminhar, quando indicado, usuários a serviços de média e alta complexidade, visando o melhor plano terapêutico para o indivíduo; • Recomendar a necessidade de internação hospitalar ou do- miciliar, assegurando a responsabilização pelo acompanhamento clíni- co do indivíduo. Atribuições do Enfermeiro O enfermeiro é responsável pelo desenvolvimento do processo de trabalho em dois setores essenciais: 1 – na unidade de saúde, junto à equipe de profissionais, e na comunidade, apoiando e supervisionan- do o trabalho dos ACS, bem como, 2 – nas visitas domiciliares, assistin- do às pessoas que necessitam de atenção de enfermagem. As principais atribuições básicas do enfermeiro são: • Oferecer assistência integral aos sujeitos sob sua responsa- bilidade; • Reconhecer a relação médico-paciente e médico-família como parte de um processo terapêutico e de confiança; • Viabilizar os contatos com pessoas sadias ou doentes, com o objetivo de abordar a prevenção de doenças e de educação em saúde; • Envolver-se em manter os indivíduos saudáveis, em casos em que venham às consultas ou não; • Efetuar atividades básicas de vigilância epidemiológica e sa- nitária em sua área de abrangência; • Realizar as ações de assistência nas áreas de atenção à criança, ao adolescente, à mulher, ao trabalhador, ao adulto e ao idoso, executando também atendimentos de primeiros cuidados nas urgências e pequenas cirurgias ambulatoriais etc.; • Promover a qualidade de vida da população e contribuir para um meio ambiente mais saudável; • Discutir de forma permanente, em parceria com a equipe de trabalho e comunidade, o conceito de cidadania, ressaltando os direitos à saúde e as bases legais que os legitimam; 43 E ST R A TÉ G IA S D E S A Ú D E D A F A M ÍL IA E O N Ú C LE O D E A P O IO À S A Ú D E D A F A M ÍL IA - G R U P O P R O M IN A S • Envolver-se no processo de programação e planejamento das ações e da organização do processo de trabalho das unidades de Saúde da Família. Atribuições do Auxiliar de Enfermagem As ações do auxiliar de enfermagem são realizadas interna- mente na unidade de saúde e também em meio externo, por meio de visitas domiciliares. As principais atribuições desses profissionais são: • Formular, em parceria com os Agentes Comunitários de Saú- de, ações de identificação das famílias de risco e em situação de vul- nerabilidade; • Colaborar, quando necessário, com o trabalho dos agentes comunitários de saúde durante as visitas domiciliares; • Acompanhar o atendimento da enfermagem com pessoas vulneráveis da comunidade expostas às situações de risco, visando ga- rantir uma melhor monitoria de suas condições de saúde; • Realizar, de acordo com a qualificação profissional, os proce- dimentos de vigilância sanitária e epidemiológica nos setores de aten- ção à saúde da criança, à mulher, ao adolescente, ao trabalhador e ao idoso, assim como no controle de doenças específicas, tais como doenças crônico-degenerativas e infectocontagiosas; • Colaborar com a discussão e organização do processo de trabalho da unidade de saúde. Atribuições do Agente Comunitário de Saúde Os Agentes comunitários de saúde (ACS) desenvolvem suas atividades nos domicílios de sua região de responsabilidade e junto à unidade para programação e supervisão de suas atividades. Suas atri- buições básicas são: • Efetuar mapeamento de sua área de atuação; • Registrar, cadastrar e atualizar dados das famílias de sua área; • Identificar indivíduos vulneráveis e famílias expostos a situa- ções de risco; • Realizar, por meio de visitas domiciliares, o acompanhamento mensal de todas as famílias sob sua responsabilidade; • Efetuar coleta de dados para análise da situação das famílias acompanhadas; • Executar ações básicas de saúde nas áreas de atenção à 44 E ST R A TÉ G IA S D E S A Ú D E D A F A M ÍL IA E O N Ú C LE O D E A P O IO À S A Ú D E D A F A M ÍL IA - G R U P O P R O M IN A S criança, à mulher, ao adolescente, ao trabalhador e ao idoso, com ênfa- se na promoção da saúde e prevenção de doenças; • Promover educação em saúde e mobilização comunitária, vi- sando uma melhor qualidade de vida mediante ações de saneamento e melhorias do meio ambiente; • Incentivar a formação dos conselhos locais de saúde; • Orientar e educar as famílias para a utilização adequada dos serviços de saúde; • Informar e orientar os demais profissionais da equipe de saú- de a respeito da dinâmica social da comunidade, suas disponibilidades e necessidades; • Colaborar no processo de programação e planejamento local das ações relativas ao território de abrangência da unidade de Saúdeda Família, com o objetivo de solucionar problemas identificados. Atribuições da Equipe de Saúde Bucal A equipe de saúde bucal é comumente composta por cirurgião- -dentista, técnico em saúde bucal e auxiliar em saúde bucal (BRASIL, 2011). O cirurgião-dentista é o profissional de saúde capacitado na área de odontologia responsável pelas atividades referentes à saúde bucal juntamente com os demais membros da equipe, integrando ações de saúde de forma multidisciplinar. As funções desempenhadas pelo cirurgião-dentista são: • Determinar o perfil epidemiológico da população assistida para o planejamento e a programação em saúde bucal voltadas à pro- moção da saúde e à prevenção de doenças bucais, a fim de persona- lizar atendimento e oferecer atenção individual e atenção coletiva de forma integral e resolutiva; • Executar os procedimentos clínicos de odontologia, incluindo atendimento de urgências, cirurgias ambulatoriais de baixa complexi- dade e procedimentos associados à instalação de próteses dentárias elementares; • Efetuar ações programadas e de atenção à demanda espon- tânea e ao controle de insumos; • O técnico em saúde bucal (TSB) é responsável pelo acolhi- mento do paciente nos serviços de saúde bucal, a manutenção e a con- servação dos equipamentos odontológicos, a limpeza e a antissepsia do local operatório, antes e após atos cirúrgicos, e as precauções de biossegurança de produtos e resíduos odontológicos. 45 E ST R A TÉ G IA S D E S A Ú D E D A F A M ÍL IA E O N Ú C LE O D E A P O IO À S A Ú D E D A F A M ÍL IA - G R U P O P R O M IN A S • O auxiliar em saúde bucal (ASB) executa procedimentos re- lacionados à limpeza, desinfecção, assepsia e esterilização dos apare- lhos, instrumentos, equipamentos odontológicos e do local de trabalho, além de realizar atividades específicas de âmbito odontológico, como processamento de filme radiográfico, selecionamento de moldeiras e preparação de modelos em gesso Na ESF, o trabalho em equipe é considerado um dos pila- res para a mudança do atual modelo hegemônico em saúde, com interação constante e intensa de trabalhadores de diferentes ca- tegorias e com diversidade de conhecimentos e habilidades que interajam entre si para que o cuidado do usuário seja o imperativo ético-político que organiza a intervenção técnico-científica. Fonte: BRASIL, 2011 Saiba mais em: https://www.unasus.unifesp.br/biblioteca_ virtual/esf/2/unidades_conteudos/unidade05/unidade05.pdf 46 E ST R A TÉ G IA S D E S A Ú D E D A F A M ÍL IA E O N Ú C LE O D E A P O IO À S A Ú D E D A F A M ÍL IA - G R U P O P R O M IN A S QUESTÃO 1 Ano: 2008 Banca: FEPESE Órgão: Pref. Balneário Camboriú/SC Prova: Coordenador ESF Nível: Superior. Analise as afirmativas relativas à Estratégia de Saúde da Família: I. A Saúde da Família é entendida como uma estratégia de reorienta- ção do modelo assistencial, operacionalizada mediante a implanta- ção de equipes multiprofissionais em unidades básicas de saúde. II. As equipes de saúde da família são responsáveis pelo acompa- nhamento de um número definido de famílias, localizadas em uma área geográfica delimitada. III. A Saúde da Família busca promover a maior utilização dos de- mais níveis assistenciais. a) Apenas a II está correta. b) Apenas I e II estão corretas. c) Apenas II e III estão corretas. d) As afirmativas I, II e III estão corretas. e) Nenhuma das afirmativas está correta. QUESTÃO 2 Ano: 2016 Banca: UNILAVRAS Órgão: Prefeitura de Alfenas/MG Prova: Enfermeiro Nível: Superior. São itens necessários à Estratégia Saúde da Família: I – existência de equipe multiprofissional; II – número suficiente de Agentes Comunitários de Saúde (ACS) para cobrir 100% da população cadastrada (máximo de 450 pes- soas por ACS e de 8 ACS por equipe de Saúde da Família); III – Equipe de Saúde da Família responsável por, no máximo, 4.000 pessoas. Estão CORRETAS as expressões apontadas nas alternativas: a) I e II, somente b) I e III, somente c) II e III, somente d) I, II e II QUESTÃO 3 Ano: 2013 Banca: MSCONCURSOS Órgão: Prefeitura de Londrina/ PR Prova: Educador Físico Nível: Superior. Visando apoiar a inserção da Estratégia Saúde da Família na rede de serviços e ampliar a abrangência e o escopo das ações da Atenção Primária, bem como sua resolutividade, além dos processos de ter- ritorialização e regionalização, o Ministério da Saúde criou o(a): 47 E ST R A TÉ G IA S D E S A Ú D E D A F A M ÍL IA E O N Ú C LE O D E A P O IO À S A Ú D E D A F A M ÍL IA - G R U P O P R O M IN A S a) Norma assistencial à saúde da família. b) Núcleo de amparo à sua família. c) Núcleo de assistência à saúde da família. d) Núcleo de apoio à saúde da família. e) Núcleo de atenção à saúde da família. QUESTÃO 4 Ano: 2006 Banca: FUMARC Órgão: Pref. Belo Horizonte/MG Prova: Auxiliar de Consultório Dentário – Saúde da Família Nível: Médio. Fazem parte da Equipe de Saúde da Família os seguintes profis- sionais: a) os agentes comunitários da saúde, o enfermeiro e o médico. b) apenas um agente comunitário da saúde, a equipe de enfermagem e o médico. c) os agentes comunitários da saúde, o auxiliar de enfermagem, o en- fermeiro e o médico. d) os agentes comunitários da saúde, o auxiliar de enfermagem ou o técnico de enfermagem, o enfermeiro, o médico e o gestor municipal. QUESTÃO 5 Ano: 2014 Banca: FEPESE Órgão: Prefeitura de Criciúma/SC Pro- va: Médico Nível: Superior. Na estratégia de Saúde da Família, uma das atividades do Agente Comunitário de Saúde é o cadastramento das famílias, a identifica- ção de microáreas e grupos de risco. Essa atividade caracteriza o(a): a) Demografia da população. b) Trabalho em equipe multiprofissional. c) Hierarquização da população adstrita. d) Educação permanente em saúde. e) Territorialização. QUESTÃO 6 Ano: 2012 Banca: FUNVAPI Órgão: Prefeitura de Guaraí/TO Prova: Agente Comunitário de Saúde/ ESF. Nível: Médio. Configura-se numa ação desenvolvida pela equipe de saúde da fa- mília, que, no entanto, é atribuição específica do agente comunitá- rio de saúde, mas pode ser desenvolvido pelos demais membros da equipe de saúde da família: a) Realizar cadastramento das famílias. b) Realizar visita domiciliar. c) Escutar/acolher o usuário. 48 E ST R A TÉ G IA S D E S A Ú D E D A F A M ÍL IA E O N Ú C LE O D E A P O IO À S A Ú D E D A F A M ÍL IA - G R U P O P R O M IN A S d) Orientar sobre higiene bucal. QUESTÃO 7 Ano: 2014 Banca: RIS-ESP/CE Órgão: Escola de Saúde Pública do Ceará Prova: Residência Integrada em Saúde. Nível: Superior. Sobre o SUS e a Estratégia Saúde da Família (ESF), é INCORRETO afirmar que: a) A ESF nasceu em 1994 e representa uma decisão política de reorga- nização da rede de assistência à saúde por meio da uma política que apontasse para a universalização do acesso e consolidasse um pro- cesso de centralização administrativa do setor saúde na esfera federal. b) A ESF não foi implantada somente para organizar a atenção primá- ria no SUS temporariamente, mas essencialmente para estruturar esse sistema público de saúde uma vez que houve um redirecionamento das prioridades de ação em saúde. c) A ESF é considerada um modelo de Atenção Primária à Saúde focado na unidade familiar e construído operacionalmente na esfera comunitária. d) Enquanto componente primário de um sistema público de saúde, o impacto da ESF na saúde dos usuários do SUS vai depender essen- cialmente de sua capacidade de integração com as demais redes de atenção à saúde. QUESTÃO 8 Ano: 2014 Banca: RIS-ESP/CE Órgão: Escola de Saúde Pública do Ceará Prova: Residência Integrada em Saúde. Nível: Superior. Sobre os antecedentes do “Programa de Saúde da Família” no âm- bito das reformas assistenciais no Brasil aponte a única alternativa CORRETA: a) A história do Programa de Saúde da Família (PSF) tem início quando o Ministérioda Saúde forma o Programa de Agentes Comunitários de Saúde (PACS), em 1991. b) A partir do PACS começou-se a enfocar as populações pobres como unidade de ação programática de saúde e não mais (tão-somente) a família nuclear burguesa, e foi introduzida a noção de área de cobertura (por áreas de risco e vulnerabilidade). c) Por força do PACS, em 1991, o ministério foi obrigado a instituciona- lizar, as experiências de práticas em saúde com agentes comunitários, que já vinham se desenvolvendo de forma sistemática e articulada pelo Conselho dos Secretários Municipais de Saúde (COSEMS) em diversas regiões do País – lideradas pelo Ceará, que já havia construído política estadual. d) Pode-se afirmar que, pelo fato de o Programa de Agentes Comuni- 49 E ST R A TÉ G IA S D E S A Ú D E D A F A M ÍL IA E O N Ú C LE O D E A P O IO À S A Ú D E D A F A M ÍL IA - G R U P O P R O M IN A S tários ter tomado forma de um Programa Nacional, ele se constituiu, consequentemente, como mais um programa vertical do Ministério da Saúde e uma ação paralela ao sistema de saúde. QUESTÃO 9 Ano: 2014 Banca: NUCEPE Órgão: Universidade Estadual do Piauí/ PI Prova: Residência Multiprofissional em Saúde da Família Nível: Superior Sobre o processo de trabalho na Saúde da Família, aprecie as se- guintes afirmativas e após, marque a alternativa que contém so- mente informações corretas. I. Deve apresentar resolubilidade conforme o nível socioeconômi- co dos usuários dos serviços de saúde. Assim, quanto maior for o nível socioeconômico, maior será a resolubilidade. II. O cuidado familiar deve ser efetivado através do conhecimento da estrutura e da funcionalidade das famílias e da própria comunidade. III. O trabalho interdisciplinar e em equipe propõe a integração das áreas técnicas e profissionais de diferentes categorias. IV. As ações intersetoriais buscam compor parcerias e integram projetos sociais e setores afins, voltados para a promoção da saú- de, de acordo com prioridades eleitas no território. a) Somente I está correta. b) Somente I, II e III estão corretas. c) Somente I, II e IV estão corretas. d) Somente II, III e IV estão corretas. e) I, II, III e IV estão corretas. QUESTÃO 10 Ano: 2014 Banca: NUCEPE Órgão: Universidade Estadual do Piauí/ PI Prova: Residência Multiprofissional em Saúde da Família Nível: Superior As ações das equipes de saúde da família devem ser norteadas de acordo com a perspectiva da: a) Vigilância à saúde. b) Vigilância ambiental. c) Vigilância nutricional. d) Vigilância socioassistencial. e) Vigilância de óbitos. QUESTÃO DISSERTATIVA – DISSERTANDO A UNIDADE Ano: 2007 Banca: ENADE Órgão: PUC/RS Prova: Enfermagem Ní- vel: Superior. 50 E ST R A TÉ G IA S D E S A Ú D E D A F A M ÍL IA E O N Ú C LE O D E A P O IO À S A Ú D E D A F A M ÍL IA - G R U P O P R O M IN A S Na reunião do conselho gestor da Unidade de Saúde da Família São Leopoldo de um município de pequeno porte, um representan- te dos usuários trouxe a seguinte situação para discussão: "Meu vizinho usa cadeiras de rodas há 10 anos. Pensava que boa parte de seus problemas estavam resolvidos uma vez que, após muita luta, a prefeitura arrumou transporte especial para deficien- tes físicos. Assim ele não dependeria tanto da ajuda de seu filho para algumas atividades. Porém, tentou colher sangue na UBS e quase não conseguiu por dois motivos: − os horários do transporte são poucos e não compatíveis com o horário da coleta de sangue. Ele chegou atrasado 30 minutos, o que se repetirá todas as vezes que ele e outros deficientes estive- rem nessa situação; − a porta da sala de coleta é muito estreita e a cadeira não passou. Só conseguiu colher o sangue porque a auxiliar de enfermagem foi muito atenciosa e colheu o sangue fora do horário e no corredor, recomendando que da próxima vez ele chegue mais cedo. Ele agra- dece muito a auxiliar, mas gostaria de uma solução mais definitiva para este e outros casos semelhantes." Um representante dos trabalhadores explicou que: "este não era um problema do Conselho. O número de cadeirantes é muito pe- queno na área e, afinal, o cliente já havia sido atendido. Além disso, os exames são feitos em um laboratório regional e o horário de coleta é definido pelo serviço encarregado de recolher o material em várias unidades." Outro usuário discorda afirmando que: "o Conselho tem, sim, mui- to a ver com isso, porque foi criado no SUS para atender às recla- mações da população. Não podemos abrir mão dessa vitória, antes não tínhamos Conselho, agora temos!" a) Tendo como base as competências de um conselho gestor, a afirma- ção "...este não era um problema do Conselho" é correta? Justifique sua resposta. b) Apresente uma proposta de encaminhamento que a enfermeira da UBS poderia adotar para atender à solicitação de "uma solução mais definitiva para este e outros casos semelhantes". Justifique sua proposta, tomando como referência as atuais políticas públicas de saúde e alicerçando-se em um dos conceitos a seguir: in- tersetorialidade e/ou acessibilidade. QUESTÃO INÉDITA A expansão e a qualificação da atenção básica, organizadas pela estra- tégia Saúde da Família, compõem parte de um conjunto de prioridades 51 E ST R A TÉ G IA S D E S A Ú D E D A F A M ÍL IA E O N Ú C LE O D E A P O IO À S A Ú D E D A F A M ÍL IA - G R U P O P R O M IN A S políticas apresentadas pelo Ministério da Saúde e aprovadas pelo Con- selho Nacional de Saúde. Essa concepção supera a antiga proposição de caráter exclusivamente centrado na doença e desenvolve-se por meio de práticas gerenciais e sanitárias democráticas e participativas. Em relação ao texto acima, assinale a alternativa correta: a) A Saúde da Família é operacionalizada mediante a implantação de equipe profissional única em unidades básicas de saúde e, portanto, é entendida como uma estratégia de reorientação do modelo assistencial. b) As equipes do Programa Saúde da Família são responsáveis pelo acompanhamento de um número indefinido de famílias localizadas em diversas áreas geográficas. c) As equipes do Programa Saúde da Família atuam com ações de pro- moção da saúde, prevenção, recuperação, reabilitação de doenças e agravos mais frequentes, e na manutenção da saúde desta comunidade. d) O Programa Saúde da Família é um projeto estático do SUS e, por sua natureza local, não está condicionado à evolução histórica e à orga- nização do sistema de saúde no Brasil. e) As equipes do Programa Saúde da Família são compostas por um médico de família, um auxiliar de enfermagem e dois agentes comuni- tários de saúde. Quando ampliada, conta ainda com um dentista e um técnico em higiene dental. NA MÍDIA SUGESTÃO LEGISLATIVA QUER INCLUIR PSICÓLOGO NA EQUIPE DE SAÚDE DA FAMÍLIA Psicólogos devem integrar as equipes de Saúde da Família, dentro da Estratégia Saúde da Família na Atenção Básica do Sistema Único de Saúde (SUS). É o que propõe a Sugestão Legislativa (SUG) 32/2018, que aguarda análise na Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH). Com o tema “Inclusão de psicólogos nas equipes mínimas de Saúde da Família”, a ideia alcançou, no período de 3 de maio a 11 de agosto deste ano, mais de 20 mil apoios de internautas, alcançando o status de suges- tão legislativa e permitindo a discussão do assunto entre os senadores da CDH. Ainda falta a designação de um relator para avaliar o texto, mas, se ele for acatado, passará a tramitar como projeto de lei no Senado. Fonte: Senado Notícias Data: 21 agosto 2018. Leia a notícia na íntegra: https://www12.senado.leg.br/noticias/mate- rias/2018/08/21/sugestao-legislativa-quer-incluir-psicologo-na-equipe- -de-saude-da-familia 52 E ST R A TÉ G IA S D E S A Ú D E D A F A M ÍL IA E O N Ú C LE O D E A P O IO À S A Ú D E D A F A M ÍL IA - G R U P O P R O M IN A S NA PRÁTICA “SUS POBREPARA OS POBRES E COMPLEMENTAR SEGMENTA- DO PARA OS CONSUMIDORES DOS PLANOS PRIVADOS.” Na prática, atenção primária deve ser renovada e atualizada. É neces- sário criticar o que não deu certo, mas melhorar o que pode ser melho- rado, sem esquecer os princípios de universalidade, equidade e inte- gralidade. Defender a atenção primária é defender a saúde da família. Conforme sublinha Alcides Miranda, membro da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) e um dos pioneiros do PSF no Ceará, o profissional que atua na Estratégia de Saúde da Família precisa de bem mais que protocolos clínicos, medicina baseada em evidências e ferra- mentas tecnológicas. "Não adianta ter tudo isso na formação – e, desde o início, os médicos são adestrados a terem um complexo de superiori- dade – quando não se consegue desenvolver o que é mais importante, que é a possibilidade da sensibilização e do afeto, da alteridade, de se colocar no lugar e de se comprometer com o outro", avalia. Saiba mais em: https://diariodonordeste.verdesmares.com.br/editorias/ metro/saude-da-familia-chega-a-25-anos-com-desafios-1.1954286 53 E ST R A TÉ G IA S D E S A Ú D E D A F A M ÍL IA E O N Ú C LE O D E A P O IO À S A Ú D E D A F A M ÍL IA - G R U P O P R O M IN A S ATENÇÃO INTEGRAL À SAÚDE DA CRIANÇA No Brasil, os direitos das crianças já estão consolidados ju- ridicamente por meio do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) desde 1990, com a publicação da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990 (BRASIL, 1990). No âmbito da saúde pública, o Sistema Único de Saú- de (SUS) recebeu do ECA a atribuição específica de promover à criança e ao adolescente o direito à vida e à saúde, mediante ações que com- preendem promoção da saúde, prevenção, diagnóstico precoce e recu- peração de doenças e agravos de forma humanizada (BRASIL, 2010). Dentre os sujeitos assistidos pelo SUS estão as crianças, um dos grupos prioritários na atenção da ESF. Vale ressaltar que, histori- camente, a atenção à saúde da criança, desde o início do século XX, é ASSISTÊNCIA NA ATENÇÃO BÁSICA PARA ESF 53 E ST R A TÉ G IA S D E S A Ú D E D A F A M ÍL IA E O N Ú C LE O D E A P O IO À S A Ú D E D A F A M ÍL IA - G R U P O P R O M IN A S 54 E ST R A TÉ G IA S D E S A Ú D E D A F A M ÍL IA E O N Ú C LE O D E A P O IO À S A Ú D E D A F A M ÍL IA - G R U P O P R O M IN A S uma prioridade política do Governo Brasileiro, em razão, sobretudo, de fatores relacionados à produção econômica (NETO et al., 2011). É atribuição comum a todos os profissionais da equipe de Saú- de da Família: Participar do processo de territorialização e mapeamento da área de atuação da equipe, identificando grupos, famílias e indivíduos expostos a riscos e vulnerabilidades (BRASIL, 2012a; BRASIL, 2012b). A idade faz das crianças e dos adolescentes um grupo particu- larmente vulnerável, devido ao elevado grau de dependência e submis- são ao ambiente físico e social em que se encontra. Assim, percebe-se a importância de amenizar as vulnerabilidades e o foco de atenção bá- sica neste grupo etário específico. A avaliação de vulnerabilidade e a presença de situações de risco devem sempre constar na abordagem à saúde da criança, obser- vando aspectos como: • Presença de problemas familiares e socioeconômicos; • Aleitamento materno ausente ou não exclusivo; • Não realização de vacinas; • Suspeita ou evidência de violência etc. (BRASIL, 2012a; BRASIL, 2012b). Os serviços realizados pelas equipes de Saúde da Família vol- tados para uma população específica devem incluir a atenção a esse público, a vigilância dos problemas mais importantes e seus determi- nantes, assim como o rastreio de doenças e educação em saúde (DEL CIAMPO et al., 2006). O planejamento de ações de promoção de saúde da criança exige trabalhar com a educação da criança e de seus familiares, por meio de orientações que antecipem os riscos de agravos à saúde e ofereçam medidas preventivas mais eficazes. Para isso, a criança deve ser compreendida em sua esfera familiar e psicossocial, assim como o comportamento das pessoas que lhe prestam cuidados nas etapas do seu desenvolvimento, considerando o contexto multidimensional em que a família está inserida (PEIXOTO, 2011). 55 E ST R A TÉ G IA S D E S A Ú D E D A F A M ÍL IA E O N Ú C LE O D E A P O IO À S A Ú D E D A F A M ÍL IA - G R U P O P R O M IN A S Figura 5. Prática do enfermeiro no cuidado à criança. Cariré – Ceará, 2010. Fonte Adaptado de NETO et al., 2011. Espera-se que as equipes da ESF promovam acompanhamen- to da criança através de ações tais como: • Consultas para mãe e criança; • Estímulo à presença do pai sempre que possível; • Apoio ao aleitamento materno; • Imunizações; • Coleta de sangue para o teste do pezinho; • Acompanhamento cuidadoso do crescimento e do desenvol- vimento da criança (BRASIL, 2008). Além disso, a equipe de ESF deve fomentar palestras educativas na saúde da criança, podendo ter a participação do NASF, com o objetivo de informar, esclarecer e conscientizar as crianças e familiares acerca de medidas de promoção e prevenção de saúde, principalmente na realidade que as rodeia. Por exemplo, a prática de realizar palestras preventivas so- bre cuidados com o consumo da água, higiene das mãos a fim de evitar o parasitismo intestinal em regiões com déficit de saneamento básico. Tais palestras e atividades de reflexão possibilitam a mediação do projeto com os problemas da comunidade, favorecendo o ambiente para discussões sobre soluções e demandas. De acordo com o Ministério da Saúde, as equipes do ESF tra- balham com a concepção de equipe de referência territorial, em que é sua responsabilidade a atenção integral aos sujeitos da sua área de cobertura. Para isso, é necessário que a equipe de Saúde da Família tenha mapeado 56 E ST R A TÉ G IA S D E S A Ú D E D A F A M ÍL IA E O N Ú C LE O D E A P O IO À S A Ú D E D A F A M ÍL IA - G R U P O P R O M IN A S a região de abrangência e identificado os hospitais, maternidade, serviços especializados de atendimento infantil, entre outros locais de referência. Os benefícios da implantação da Estratégia da Saúde da Famí- lia são marcantes em diversos municípios. O estudo de Aquino (2008) de- monstra que o impacto da Saúde da Família sobre a mortalidade infantil tem efeito mais forte nos municípios com mais baixos índices de desen- volvimento humano e maior cobertura da ESF, ratificando o potencial des- sa estratégia para a redução das iniquidades sociais em saúde no Brasil. A redução da mortalidade infantil em municípios com altas co- berturas da ESF foi quase duas vezes maior do que nos municípios sem ESF ou com coberturas incipientes. Monteiro (2009) demonstra o papel da Estratégia Saúde da Família entre os fatores relacionados à redução de 50% na prevalência da desnutrição infantil crônica no Brasil, no pe- ríodo de 1996 a 2006/07. Macinko (2006) observou que a cada 10% de aumento da co- bertura da Saúde da Família nos estados corresponde uma redução de 4,6% na mortalidade infantil, impacto mais significativo do que a am- pliação do acesso à água (2,9%) ou a ampliação de leitos hospitalares (1,3%) (SAVASSI, 2012). A Caderneta de Saúde da Criança-Passaporte da Cidada- nia a todas as crianças nascidas no território nacional é um im- portante instrumento de registro e orientações que auxilia nesse acompanhamento. Seu uso adequado é importante para estreitar e manter o vínculo da criança e da família com os serviços de saúde. Fonte: BRASIL, 2013 ATENÇÃO INTEGRAL À SAÚDE DA MULHER Segundo a Política Nacional de Atenção Integral à saúde da Mulher (PNAISM), elaborada pelo Ministério da Saúde: A histórica desigualdade de gênero entre homens e mulheres implica num forte impacto nas condições de saúde destas últimas,as questões de gênero devem ser consideradas como um dos determinantes da saúde na formula- ção das políticas públicas. (BRASIL, 2014) As políticas nacionais de atenção à Saúde da Mulher foram 57 E ST R A TÉ G IA S D E S A Ú D E D A F A M ÍL IA E O N Ú C LE O D E A P O IO À S A Ú D E D A F A M ÍL IA - G R U P O P R O M IN A S introduzidas nas primeiras décadas do século XX, determinando as de- mandas relativas à gravidez e ao parto. Nas décadas de 30, 50, e 70, os programas materno-infantis exerciam uma visão restrita sobre a mulher, baseada em sua especificidade biológica e no seu papel social de mãe e doméstica, responsável pela criação, educação e pelo cuidado com a saúde dos filhos e demais familiares (BRASIL, 2011b). A partir da Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Mu- lher são ofertadas ações educativas a vacinas; do planejamento reprodu- tivo a disponibilização dos métodos contraceptivos; do pré-natal, parto ao puerpério; do incentivo a hábitos saudáveis aos exames preventivos; dos cuidados da saúde da adolescente aos cuidados à saúde da mulher idosa. De acordo com Coelho et al. (2009), o cuidado deve ser per- meado pelo acolhimento com escuta sensível de suas demandas, va- lorizando-se a influência das relações de gênero, raça/cor, classe e ge- ração no processo de saúde e de adoecimento das mulheres. Portanto, o cuidado à mulher é de extrema relevância para as intervenções da Estratégia Saúde da Família. A proposta da atenção integral à saúde da mulher na Estraté- gia Saúde da Família é formulada com base no princípio da integralida- de, de maneira que sua concretização deve decorrer com acolhimento, escuta sensível e ações resolutivas (COELHO et al., 2009). Na saúde da mulher, a integralidade depende de ações das equipes de saúde que atendam a demandas por cuidado em todo o ci- clo de vida, na interação com os contextos econômico, social e cultural em que se incluem as questões de gênero e sua influência no processo de saúde e de adoecimento (COELHO et al., 2012). Em relação à integralidade em saúde, o debate sobre questões de gênero é essencial, pois é uma categoria de análise de construção social que impacta diretamente no processo saúde/doença dos indiví- duos (SOUTO, 2008). O Sistema Único de Saúde (SUS) propõe a assistência à saúde da mulher do setor primário ao terciário de saúde, inclusive, as mulheres brasileiras constituem a parcela da população de maior presença nos serviços de atenção básica, buscando cuidados para si, para familiares ou para outras pessoas do seu convívio social, segundo Pesquisa Na- cional de Saúde (PNS, 2013). Além disso, os programas e as políticas destinados à Saúde da Mulher caracterizam uma das mais abrangentes áreas de atuação dentro da Unidade de ESF. Sendo assim, as equipes da ESF, em conjunto com o Núcleo de Atendimento de Saúde da Família (NASF), devem estabelecer uma rotina de trabalho organizado e estruturado para melhor atender à popu- lação feminina com suas demandas específicas, e isto implica a: 58 E ST R A TÉ G IA S D E S A Ú D E D A F A M ÍL IA E O N Ú C LE O D E A P O IO À S A Ú D E D A F A M ÍL IA - G R U P O P R O M IN A S • discussão de casos; • planejamento de ações; • estabelecimento de contratos; • definição de objetivos; • critérios de prioridade, avaliação e de encaminhamento • resolução de conflitos. As atividades do ESF no âmbito da atenção integral à saúde da mulher são compreendidas em “práticas de atenção que garantam o acesso das mulheres a ações resolutivas construídas segundo as espe- cificidades do ciclo vital feminino e do contexto em que as necessidades são geradas” (COELHO et al, 2009). No âmbito de atuação do ESF, enquanto aliada ao setor primá- rio de saúde, a equipe oferece promoção de saúde através de conscien- tização sobre planejamento familiar, pré-natal, prevenção do câncer de colo de útero, prevenção dos problemas odontológicos em gestantes, dentre outros procedimentos em prol da qualidade de vida de mulheres. Figura 6. Práticas da equipe da ESF no cuidado à mulher. Fonte: SILVA, 2019. Para efetivar as práticas assistenciais à saúde da mulher, o serviço é organizado por meio de agendas e/ou demanda espontâneas. As ações realizadas pela equipe do ESF que se destacaram são: o pré- -natal, a prevenção de câncer de mama e colo de útero, planejamento familiar, a visita domiciliar, as solicitações de exames, orientações sobre sexualidade e doenças sexualmente transmissíveis. 59 E ST R A TÉ G IA S D E S A Ú D E D A F A M ÍL IA E O N Ú C LE O D E A P O IO À S A Ú D E D A F A M ÍL IA - G R U P O P R O M IN A S A pesquisa realizada sobre a atuação do enfermeiro no aten- dimento à mulher na saúde da família, no município de Diamantino (MS), apresenta dados semelhantes, ou seja, prevalecem a prevenção de câncer de colo de útero, seguido pela assistência pré-natal de bai- xo risco e educação em saúde com mulheres como atividades mais desenvolvidas pelos enfermeiros em relação à saúde da mulher (SE- VERINO; COSTA, 2010). Pode-se perceber que os enfermeiros agem conforme preconiza o Ministério da Saúde (BRASIL, 2006c) no controle dos cânceres do colo do útero e da mama, primando: realizar atenção integral às mulheres; realizar consulta de enfermagem, coleta de exa- me preventivo e exame clínico das mamas; solicitar exames de mamo- grafia e realizar atenção domiciliar, quando necessário. Compete aos profissionais da Unidade de ESF a realização de pré-natal e puerpério humanizado e com qualidade. As ações que podem ser realizadas pelo enfermeiro envolvem: realizar consulta de pré-natal de gestação de bai- xo risco; solicitar exames de rotina; realizar visita domiciliar, quando for o caso; realizar coleta de exame citopatológico (BRASIL, 2006b). Em relação à mobilização da comunidade, pode-se dizer que as condições socioeconômicas estão interligadas em termos de gênero, im- pactando diretamente na condição de saúde. Ainda é possível encontrar no território nacional mulheres que ainda encontram dificuldades na acessibi- lidade aos serviços básicos de saúde, como a ESF, devido a vários fatores – culturais, econômicos, sociais – que precisam ser reavaliados para que sejam estabelecidas intervenções que respeitem os direitos das mesmas. Desse modo, é necessário realizar uma permanente interação com a mulher, no sentido de mobilizá-la, estimular sua participação e envolvê-la nas atividades (PRIMO et al, 2008). Uma estratégia para trabalhar tais questões é a educação em saúde como ferramenta mediadora. A educação em saúde é uma práti- ca transformadora e humanizante nas relações com os(as) usuários(as) e, por considerar que o saber do outro favorece o espaço para reflexão com a apreensão de novos conhecimentos que impliquem na mudança de atitude (ARAÚJO, 2004). O serviço de saúde público também acolhe mulheres ví- timas de violência, sejam elas crianças, adolescentes, adultas ou idosas. Nestes casos, elas devem procurar o SUS para receber atendimento humanizado e encaminhamento adequado nas unida- 60 E ST R A TÉ G IA S D E S A Ú D E D A F A M ÍL IA E O N Ú C LE O D E A P O IO À S A Ú D E D A F A M ÍL IA - G R U P O P R O M IN A S des de saúde. Nesses espaços, as mulheres têm acesso à profi- laxia pós-exposição, à pílula do dia seguinte e a orientações, em caso de gestação indesejada. O atendimento acontece sem exigên- cia do boletim de ocorrência. Fonte: BRASIL, 2015. ATENÇÃO INTEGRAL À SAÚDE DO ADULTO A população adulta, caracterizada como indivíduos que possuem entre 20 e 59 anos de idade, representa uma parcela significativa da popu- lação assistida pelas equipes da Estratégia Saúde da Família. Essa expres- siva participação decorre das mudanças demográficas que vêm ocorrendo nas últimas décadas no Brasil, dentre as quais o processo deurbanização, a intensa migração, o aumento da expectativa de vida, a redução da fecun- didade e as transformações na composição das famílias, que levaram a um significativo aumento do número de adultos e idosos. O Vigitel Brasil 2010 (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico) detectou que a popu- lação de adultos está exposta a fatores de risco, como sedentarismo (15%), consumo de alimentos com alto teor de gordura (34%), consumo de refrigerantes cinco ou mais dias na semana (28%), e baixo consumo de frutas e hortaliças. Apenas 18,2% de adultos consomem frutas e hortaliças cinco ou mais dias por semana. A prevalência de excesso de peso e a obesidade atingem 48% a 14% dos adultos, respectivamente (BRASIL, 2011). No que tange às doenças crônicas, o inquérito detec- tou que 6,3% dos adultos entrevistados afirmaram ter diagnóstico de diabetes melittus (DM), e 23,3% dos adultos brasileiros afirmam já te- rem sido diagnosticados com hipertensão arterial (HA) (BRASIL, 2011). Nesse sentido, os problemas de saúde do adulto tornaram-se ainda mais importantes. A implantação da Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem (BRASIL, 2008), que está alinhada à Políti- ca Nacional de Atenção Básica, com estratégias de promoção de saúde com vistas à redução de agravos e melhoria na qualidade de vida, é um desafio para os profissionais de saúde na Estratégia Saúde da Família. Vale destacar a necessidade de reflexão sobre o adulto que é atendido na Estratégia Saúde da Família. Pode ser uma pessoa equi- librada, ponderada, pai/mãe de família, trabalhadora, empregada ou desempregada ou aquela pessoa que não deu conta de lidar com os revezes da vida e entrou no mundo das drogas e da marginalidade, des- provida do afeto e do aconchego familiar. Pode ser, ainda, um homem ou uma mulher com sofrimento mental. Sobretudo, o adulto é aquele 61 E ST R A TÉ G IA S D E S A Ú D E D A F A M ÍL IA E O N Ú C LE O D E A P O IO À S A Ú D E D A F A M ÍL IA - G R U P O P R O M IN A S que adentrou a Unidade Básica de Saúde porque está precisando ser acolhido na sua dor física ou mental. É necessário considerar, ao refletir sobre a prática desenvolvida em relação à saúde do adulto, aspectos culturais, sociais e históricos presentes no imagi- nário coletivo que contribuem com a construção da mentalidade do adulto de procurar a assistência somente quando sente a dor do corpo. Afinal, a saúde é silenciosa – preservá-la implica aprendizagem contínua do autocuidado (BRÊTAS; GAMBA, 2006). Percebe-se que a atenção à Saúde do Adulto possui caráter transversal nas políticas públicas de saúde e nas ações das equipes da ESF, em que uma parte significativa da população adulta é tomada como objeto de políticas específicas, tais como políticas destinadas à saúde da mulher, saúde do idoso ou saúde mental, e outra parcela é contemplada no bojo das ações das equipes para outros eixos estratégicos. As ações direcionadas à saúde do adulto são organizadas me- diante os indicadores de morbimortalidade e os fatores de riscos para a saúde, abrangendo uma ampla aplicação no sistema básico de as- sistência, alta eficácia na resolução de problemas específicos de saú- de, baixos custos e complexidade tecnológica. Segundo Reibnitz et al. (2012), a atenção básica aplicada pela ESF preconiza, atualmente, as seguintes morbidades: hipertensão arterial sistêmica, dislipidemia, dia- betes mellitus, neoplasia de Cólon, uso de tabaco e álcool. Figura 7. Prática do enfermeiro no cuidado ao adulto. Fonte: Adaptado de REIBNITIZ et al. (2012). 62 E ST R A TÉ G IA S D E S A Ú D E D A F A M ÍL IA E O N Ú C LE O D E A P O IO À S A Ú D E D A F A M ÍL IA - G R U P O P R O M IN A S Seguem sugestões de algumas estratégias que podem ser uti- lizadas nas ações de saúde do adulto: • Atividades de grupo para a população adulta: grupos de pro- moção à saúde para portadores de HAS e DM, grupo de atividade física, grupo de saúde mental, grupo de trabalhos manuais, grupo de tabagis- mo e grupo de reabilitação. • Atividades de sala de espera: é um espaço que possibilita práticas pontuais de educação em saúde e troca de informações. • Visita domiciliar: priorizar portadores de doenças crônicas com limitação física, egressos de hospital com condição incapacitante, usuários em fase terminal, portadores de doença mental com limitação de acesso à UBS, abordagem familiar, busca ativa de marcadores do Siab/Sisab ou de doenças de notificação compulsória. Para a melhor eficácia da promoção de saúde pela equipe da ESF, é importante conhecer as metas pactuadas em cada estado e município relacionadas à saúde do adulto, as ações programáticas de Atenção Básica e constatar a necessidade da articulação entre a orga- nização do serviço local com as metas e as referidas demandas. Buscando ampliar e qualificar as ações de promoção da saú- de nos serviços e na gestão do Sistema Único de Saúde (SUS), a arti- culação intersetorial – uma das estratégias para a Promoção da Saú- de descrita na Política Nacional de Promoção da Saúde – tem como objetivos promover a qualidade de vida e reduzir vulnerabilidades e riscos à saúde relacionados aos seus determinantes e condicionan- tes – modos de viver, condições de trabalho, habitação, ambiente, educação, lazer, cultura, acesso a bens e serviços essenciais. Fonte: BRASIL, 2006 Saiba mais em: http://portal.saude.gov.br/portal/arquivos/ pdf/pactovolume7.pdf ATENÇÃO INTEGRAL À SAÚDE DO IDOSO O envelhecimento populacional brasileiro é um desafio para o Sistema Único de Saúde (SUS). Em 2018, o país tinha 28 milhões de idosos, representando cerca de 13,5% da população geral. As proje- ções para 2042 indicam que a população atinja 57 milhões de idosos 63 E ST R A TÉ G IA S D E S A Ú D E D A F A M ÍL IA E O N Ú C LE O D E A P O IO À S A Ú D E D A F A M ÍL IA - G R U P O P R O M IN A S (24,5% da população de brasileiros) (IBGE,2018). Esse aumento no número de idosos, dentre outros fatores, sus- cita a necessidade de retomar as discussões do papel do Sistema Único de Saúde e, mais especificamente, da Estratégia Saúde da Família para esta parcela da população. É função das políticas de saúde contribuir para que mais pes- soas alcancem idades avançadas com o melhor estado de saúde pos- sível, sendo o envelhecimento ativo e saudável, o principal objetivo. Se considerarmos saúde de forma ampliada, torna-se necessária alguma mudança no contexto atual em direção à produção de um ambiente so- cial e cultural mais favorável para a população idosa. Segundo o Estatuto do Idoso: Art 15. É assegurada a atenção integral à saúde do idoso, por intermédio do Sistema Único de Saúde - SUS, garantindo-lhe o acesso universal e igualitá- rio, em conjunto articulado e contínuo das ações e serviços, para prevenção, promoção, proteção e recuperação da saúde, incluindo a atenção especial às doenças que afetam preferencialmente os idosos. (BRASIL, 2003) A Política Nacional de Saúde do Idoso, instituída em 1999, de- termina que os órgãos e entidades do Ministério da Saúde relacionados ao tema promovam a elaboração ou a readequação de planos, projetos e atividades visando a promoção do envelhecimento saudável; a manu- tenção e a melhoria, ao máximo, da capacidade funcional dos idosos; a prevenção de doenças, a recuperação da saúde e a reabilitação. Neste contexto, a Estratégia de Saúde da Família, a partir da identificação de problemas em determinada área de abrangência e da elaboração do planejamento local, em uma relação direta e de recipro- cidade com a equipe multiprofissional, destaca-se como estratégia ade- quada à execução das ações de vigilância em saúde, direcionadas para a população idosa. (SCHERER; MARINO; RAMOS, 2006) A Estratégia Saúde da Família constitui-se em um espaço pri- vilegiado para atençãointegral à saúde do idoso, pois sua proximidade com a comunidade e a atenção domiciliar possibilita atuar de forma con- textualizada na realidade vivenciada pelo idoso no contexto familiar. A efetiva inserção de idosos em Unidades de Saúde, sobretudo aquelas sob a esfera da ESF, pode representar o vínculo com o sistema de saú- de para este grupo etário (OLIVEIRA; TAVARES, 2010). A atenção à saúde do idoso, oferecida pela equipe da ESF, visa auxiliar e capacitar o idoso e a família, de modo que sejam atendi- das as necessidades de seus membros, especialmente em relação ao processo saúde-doença característico do envelhecimento, mobilizando recursos, promovendo apoio mútuo e crescimento conjunto. 64 E ST R A TÉ G IA S D E S A Ú D E D A F A M ÍL IA E O N Ú C LE O D E A P O IO À S A Ú D E D A F A M ÍL IA - G R U P O P R O M IN A S Assim, ficam estabelecidos dois grandes eixos norteadores para a integralidade de ações de atenção à saúde do idoso: • O enfrentamento das fragilidades da pessoa idosa, família, cuidadores e sistemas de saúde; • Promoção da saúde e da integração social, em todos os pon- tos de atenção. A funcionalidade global é base do conceito de saúde da pessoa idosa, definida como a capacidade de gerir a própria vida e cuidar de si mesmo. O declínio funcional refere-se à perda da autonomia ou da inde- pendência, pois restringe a participação social do indivíduo (MORAES, 2012). A identificação da fragilidade/estratificação (idoso independente e autônomo; idoso em risco de fragilização; e idoso frágil) é fundamental para o planejamento das ações em saúde, definição de metas terapêuticas e priorização do cuidado. Como então identificar a fragilidade da pessoa ido- sa? Uma estratégia fundamental é lançar mão da avaliação multidimensio- nal, que reconhece e ajuda no planejamento do cuidado, em especial ao idoso frágil, sendo necessariamente realizada por equipe interdisciplinar. Profissionais da equipe da ESF enfrentam desafios relativos ao cuidado à saúde de idosos e suas demandas específicas, em um contexto epidemiológico de coexistência de doenças crônico-degenerativas, infec- ciosas e agravos decorrentes de problemas sociais, como abandono e vio- lência contra idosos. Em vista disso, variáveis como rede de suporte social e apoio familiar são essenciais na análise das condições de vida e do risco de fragilização da população idosa. (MOTTA; AGUIAR; CALDAS, 2011) As famílias representam, na maioria das vezes, a principal fon- te de sustento e de apoio aos idosos. Kosberg (1992) relata em seu estudo várias razões para que o núcleo familiar tenha se tornado a prin- cipal fonte de cuidados para os idosos em diversos países. No entanto, é válido ressaltar que, embora o cuidado familiar seja um aspecto importante, ele não se aplica a todas as situações de- vido ao fato de muitos idosos viverem sozinhos e/ou sem assistência familiar. Nesta perspectiva, podemos citar o papel do cuidador de ido- sos (formal ou informal) como exemplo de questão trabalhada pelos profissionais de saúde da ESF. O cuidador de idoso geralmente apre- senta sobrecarga de trabalho e sofre constante esforço mental, físico e psicológico considerável, além do ônus financeiro que pode ocorrer quando a família se afasta do papel de cuidador. Cabe à Estratégia Saúde da Família prestar o cuidado contí- nuo das necessidades de saúde da pessoa idosa, articulando com os demais níveis de atenção à saúde e intersetorialmente, com vistas ao cuidado integral e longitudinal. A equipe da ESF também é responsável por planejar, progra- 65 E ST R A TÉ G IA S D E S A Ú D E D A F A M ÍL IA E O N Ú C LE O D E A P O IO À S A Ú D E D A F A M ÍL IA - G R U P O P R O M IN A S mar e realizar ações promocionais, preventivas, curativas e reabilitado- ras relacionadas à saúde do idoso em sua área de abrangência. Além disso, a equipe também promove a educação em saúde para a comu- nidade em aspectos relativos à saúde do idoso e à realização de le- vantamentos e análises epidemiológicas que permitam a proposição de ações oportunas em prol desta população. A figura 4 resume as ações da ESF na atenção à saúde do idoso. Figura 8. Práticas da equipe da ESF no cuidado ao idoso. Fonte: Adaptado de BRASIL, 2017. A Caderneta de Saúde da Pessoa Idosa e o Caderno de Aten- ção básica são iniciativas integradas importantes para conhecer as vul- nerabilidades sobre o envelhecimento e a capacitação dos profissionais. A caderneta do idoso, em sua versão revisada de 2014, permite identi- ficar situações de risco para a saúde das pessoas idosas, informações sobre a sua condição de saúde, suporte familiar e social, fornecendo subsídios técnicos que ajudarão na qualificação da prática diária das equipes de saúde, em especial dos profissionais da atenção básica. É indispensável a capacitação de profissionais de saúde na ESF acerca da atenção à saúde do idoso, sendo fundamental inves- tir no desenvolvimento de competências para lidar com o desafio do envelhecimento, abrangendo a promoção de saúde, a reabilitação e a melhor compreensão dos determinantes biopsicossociais do processo saúde/doença do envelhecimento. O SUS adotou a organização em Redes de Atenção à Saú- 66 E ST R A TÉ G IA S D E S A Ú D E D A F A M ÍL IA E O N Ú C LE O D E A P O IO À S A Ú D E D A F A M ÍL IA - G R U P O P R O M IN A S de (RAS) como solução para responder aos problemas vivenciados na gestão do sistema e garantir a atenção básica como primeiro ponto de atenção e principal porta de entrada do sistema para população idosa. A utilização dos pontos de atenção das RAS, a partir da orien- tação e organização do cuidado proposto pelo modelo de atenção à saúde da pessoa idosa, teve como motivações: • Estreitar e aperfeiçoar a articulação entre as equipes da aten- ção básica e as equipes dos demais componentes da RAS, para garan- tir maior resolutividade dos cuidados prestados à população idosa nos territórios e acompanhamento sistemáticos dos casos mais complexos; • Buscar melhores resultados sanitários nas condições crônicas, diminuição das referências para especialistas e hospitais, aumento da efi- ciência dos sistemas de saúde, produção de serviços mais custo-efetivos e melhorias na satisfação dos usuários em relação aos serviços de saúde; • Ampliar e qualificar o acesso da pessoa idosa ao SUS, a partir das suas especificidades. Os profissionais da Atenção Básica devem orientar o(a) vi- úvo(a) a admitir a morte, transformando as experiências comparti- lhadas em lembranças. É importante encorajar as manifestações de tristeza e perda. Em uma segunda fase, tipicamente após um ano, a atenção se volta para as demandas da realidade no funcionamento cotidiano e para o manejo da estrutura doméstica. Em uma terceira fase, muda-se o interesse para novas atividades e pelos outros. Fonte: BRASIL, 1997 Saiba mais em: Portal Saúde da Família (http://dab.saude. gov.br/portaldab/ape_esf.php) 67 E ST R A TÉ G IA S D E S A Ú D E D A F A M ÍL IA E O N Ú C LE O D E A P O IO À S A Ú D E D A F A M ÍL IA - G R U P O P R O M IN A S QUESTÕES DE CONCURSO QUESTÃO 1 Ano: 2014 Banca: NUCEPE Órgão: Universidade Estadual do Piauí/ PI Prova: Residência Multiprofissional em Saúde da Família – Ní- vel: Superior Assinale a alternativa que NÃO se refere ao objetivo específico da Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Mulher. a) Promover a atenção às mulheres e adolescentes em situação de violência doméstica e sexual. b) Implantar um modelo de atenção à saúde bucal das mulheres. c) Implantar e implementar a atenção à saúde da mulher no climatério. d) Promover a atenção à saúde das trabalhadoras do campo e da cidade. e) Promover a atenção à saúde das mulheres em situação de prisão. QUESTÃO 2 Ano: 2013 Banca: CESPE Órgão: Secretaria de Estado daSaúde - ES (SESA/ES) Prova: Médico Alergista Nível: Superior Uma mulher solicitou atendimento para seu filho, com apenas quin- ze dias de nascido, em uma unidade de atendimento da estratégia Saúde da Família situada em uma unidade básica de saúde. O bebê apresentava-se cianótico e hipotérmico e foi prontamente atendido pelos estagiários, que suspeitaram de afogamento em decorrência de depressão pós-parto da mãe. Na ocasião, encontravam-se no lo- cal apenas dois agentes comunitários de saúde e dois estagiários. Com base nesse caso, assinale a opção correta: a) É correto afirmar que, no momento do atendimento, a unidade básica de saúde contava com uma equipe completa de profissionais para dar o primeiro atendimento à criança, assim como para ofertar um serviço es- pecializado permanente, dotado de integralidade, interdisciplinaridade e intersetorialidade em situações de emergência. b) O núcleo de apoio à saúde da família é considerado uma estratégia que visa integrar as demandas individuais dos usuários da unidade bá- sica de saúde e a validar seu encaminhamento à atenção especializada e o provável desligamento da unidade familiar da unidade de atendi- mento da estratégia Saúde da Família. c) O planejamento de ações; a saúde, a promoção, a vigilância; o tra- balho interdisciplinar em equipe e a abordagem integral da família são estabelecidos como atribuições fundamentais dos profissionais da uni- dade de atendimento da estratégia Saúde da Família. d) Nesse caso, os estagiários deveriam providenciar a remoção imediata da criança, sem realizar qualquer tipo de intervenção ou abordagem inicial. 68 E ST R A TÉ G IA S D E S A Ú D E D A F A M ÍL IA E O N Ú C LE O D E A P O IO À S A Ú D E D A F A M ÍL IA - G R U P O P R O M IN A S e) Se confirmada a ocorrência de depressão pós-parto, a equipe da unidade de atendimento da estratégia saúde da família não poderá acompanhar o caso, trata-se de um atendimento especializado de alta complexidade para mãe e filho. QUESTÃO 3 Ano: 2016 Banca: VUNESP Órgão: Prefeitura Presidente Prudente Prova: Agente comunitário em saúde Nível: Fundamental. A Atenção Primária / Saúde da Família deve oferecer à pessoa ido- sa, a seus familiares e cuidadores uma atenção humanizada, com orientação, acompanhamento e apoio no domicílio e na Unidade Básica de Saúde. O Estatuto do Idoso regula os direitos assegura- dos às pessoas: a) com idade superior a 45 anos. b) na faixa etária entre 55 e 75 anos, desde que possuam algum grau de dependência. c) com idade superior a 50 anos. d) com idade igual ou superior a 70 anos, desde que possuam algum grau de dependência. e) com idade igual ou superior a 60 anos QUESTÃO 4 Ano: 2012 Banca: FUNVAPI Órgão: Prefeitura de Guaraí - TO Prova: Agente Comunitário de Saúde/ESF. Nível: Médio. A visita domiciliar (VD) do agente comunitário de saúde deve ser realizada tendo como base o planejamento da equipe, pautando-se na identificação de necessidades de cada família. São ações que podem ser realizadas em visita domiciliar, exceto: a) Divulgar e explicar o funcionamento do serviço de saúde e quais as atividades disponíveis. b) Alertar quanto aos cuidados especiais com puérperas, recém-nascidos, gestantes, idosos, acamados e portadores de necessidades especiais. c) Entregar a produção das atividades realizadas ao enfermeiro da equipe. d) Orientar a família quanto ao uso correto dos medicamentos e a veri- ficação da validade deles. QUESTÃO 5 Ano: 2016 Banca: VUNESP Órgão: Prefeitura Presidente Prudente Prova: Agente comunitário em saúde Nível: Fundamental. Na realização das atividades de rotina do Agente Comunitário de Saúde – ACS, toda família deve ser visitada uma vez por mês, mas ela pode receber mais de uma visita se existir alguma situação de 69 E ST R A TÉ G IA S D E S A Ú D E D A F A M ÍL IA E O N Ú C LE O D E A P O IO À S A Ú D E D A F A M ÍL IA - G R U P O P R O M IN A S risco, como: a) criança que está em idade escolar. b) adultos acima do peso. c) adolescentes de 10 a 17 anos. d) gestante saudável, realizando o pré-natal. e) recém-nascido com menos de 2 quilos e meio. QUESTÃO DISSERTATIVA – DISSERTANDO A UNIDADE Ano: 2015 Banca: EducaSaude Órgão: UFRGS Prova: Residência Integra- da Multiprofissional em Saúde Bucal – Saúde da Família e Comunidade Nível: Superior. Disserte e argumente sobre de que forma a judicialização pode ser po- sitiva e/ou negativa no cotidiano de práticas do SUS e por quê. A seguir responda: Em que circunstâncias um dentista da saúde da família poderia se ver envolvido com tal realidade? TREINO INÉDITO Quais sugestões de algumas estratégias que podem ser utilizadas nas ações de saúde do adulto: a) Atividades de grupo para a população adulta. b) Atividades de sala de espera. c) Visitas domiciliares. d) Todas as alternativas anteriores. NA MÍDIA PROGRAMA DE ATENÇÃO À SAÚDE DA MULHER CELEBRA 35 ANOS SOB ATAQUES. No programa produzido em parceria com a Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio da Fundação Oswaldo Cruz (EPSJV/Fiocruz), a pro- fessora Cláudia Bonan, integrante do programa de pós-graduação em Saúde da Criança e da Mulher do Instituto Fernandes Figueira da Fiocruz, analisa o Programa de Atenção Integral à Saúde da Mulher (PAISM), fruto da mobilização das mulheres, que está completando 35 anos. “Esse programa pioneiro, lançado em 1984 pelo Ministério da Saúde, foi fruto das lutas das mulheres que, junto de outros movimentos sociais, forjaram novos marcos políticos e éticos que reorientaram o conceito de saúde e o campo das práticas de assistência em saúde no Brasil”, analisa a professora. Outra grande novidade histórica que o PAISM impulsionou, segundo Bonan, é que a ideia de saúde e adoecimento tem gênero: "Desigual- dades, hierarquias, opressões, explorações naturalizadas em função de 70 E ST R A TÉ G IA S D E S A Ú D E D A F A M ÍL IA E O N Ú C LE O D E A P O IO À S A Ú D E D A F A M ÍL IA - G R U P O P R O M IN A S estereótipos de gênero produzem condições de saúde e de adoecimen- to diferentes para homens e mulheres", detalha. Nesse sentido, o programa deu margem a um conjunto de ações rela- cionado aos mais variados temas de saúde da mulher. Nas décadas mais recentes, o reconhecimento da heterogeneidade que permeia o universo feminino potencializou a implantação de outros programas e diretrizes direcionadas às mulheres negras, lésbicas, jovens, que vivem em situação de prisão, profissionais do sexo. Entretanto, Bonan alerta que as ameaças de desmonte de direitos cons- titucionais dos últimos anos, caracterizados pela Emenda Constitucio- nal 95, que congela gastos com áreas sociais, a proposta de reforma da Previdência e outras ações que afetam diretamente as mulheres exi- gem mobilização permanente da sociedade neste março de 2019. Fonte: Folha de São Paulo Data: 13 jan. 2018. Leia a notícia na íntegra: https://folhadesaopaulo.uol.com.nr/flexibiliza- caoerealidade NA PRÁTICA CADERNETAS DE SAÚDE DA CRIANÇA ESTÃO SENDO ENVIADAS AOS ESTADOS O Ministério da Saúde iniciou em fevereiro a distribuição de Caderne- tas de Saúde da Criança – Passaporte da Cidadania. Foram adquiridas 3.277.186 cadernetas. O documento acompanha a situação de saúde das crianças até os nove anos de idade. A Caderneta estará em todos os estados até o final do mês de março. O quantitativo adquirido pelo Ministério tem como base a média de nas- cidos vivos do ano de 2017 registrados pelos estados no Sistema de In- formação sobre Nascidos Vivos (SINASC). A orientação da pasta é que os gestores distribuam nas maternidades públicas e privadas e também nas unidades de saúde da atenção primária. A Caderneta é um instrumento de coordenação do cuidado. As informa- ções de saúde registradas no documento permitem o acompanhamento e o compartilhamento dos profissionais com a família, facilitando a co- municação entre os serviços que cuidamda criança nos diversos níveis de atenção. A Política Nacional de Saúde da Criança prevê a disponibilização da "Caderneta de Saúde da Criança", com atualização periódica de seu conteúdo (art. 9º do anexo X), bem como a sua distribuição gratuita- mente a todas as crianças nascidas em território nacional. Fonte Portal Ministério da Saúde Data: 01 mar. 2019. 71 E ST R A TÉ G IA S D E S A Ú D E D A F A M ÍL IA E O N Ú C LE O D E A P O IO À S A Ú D E D A F A M ÍL IA - G R U P O P R O M IN A S Leia a notícia na íntegra: http://portalms.saude.gov.br/noticias/agencia- -saude/45277-cadernetas-de-saude-da-crianca-estao-sendo-enviadas- -aos-estados 72 E ST R A TÉ G IA S D E S A Ú D E D A F A M ÍL IA E O N Ú C LE O D E A P O IO À S A Ú D E D A F A M ÍL IA - G R U P O P R O M IN A S Diante do exposto na unidade, constata-se a importância da Atenção Básica oferecida pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para a qualidade de vida da população durante todo o ciclo de vida através das ações da Estratégia Saúde da Família (ESF). O trabalho da equipe na atenção básica possui aspectos pró- prios que lhe conferem a capacidade de prevenção e promoção de saú- de, além de acompanhar a população ao longo do tempo. Esta opor- tunidade de acompanhar a população ao longo do tempo possibilita alcançar a longitudinalidade do cuidado e também construir vínculos e laços solidários com a comunidade. Neste cenário, a população assume sua função de protago- nista do cuidado e de cidadão, discutindo coletivamente questões de qualidade de vida, bem-estar e determinantes de saúde do seu território com a equipe de saúde da ESF, na concepção da corresponsabilização, da cogestão e da integralidade do cuidado. É primordial o investimento em capacitação e qualificação pro- fissional no âmbito da atenção básica em saúde e da ESF visando pro- mover maior resolutividade, melhor gestão do cuidado e uso racional dos recursos disponíveis. Julga-se ainda promissor a continuidade e expansão de progra- mas de atenção primária para a população brasileira, tendo em vista os inúmeros problemas de saúde pública que assolam o país atualmente. 73 E ST R A TÉ G IA S D E S A Ú D E D A F A M ÍL IA E O N Ú C LE O D E A P O IO À S A Ú D E D A F A M ÍL IA - G R U P O P R O M IN A S Atenção à saúde – é tudo que envolve o cuidado com a saúde do ci- dadão, incluindo atenção básica e especializada, ações e serviços de promoção, prevenção, tratamento e reabilitação. Ciência e tecnologia – ações de pesquisa, desenvolvimento, difusão e aplicação de conhecimentos nas áreas de saúde, educação, gestão, informação, além de outras ligadas à inovação e difusão tecnológica. Educação em saúde – processo para aumentar a capacidade das pes- soas no cuidado da saúde e no debate com os profissionais e gestores, a fim de alcançar uma atenção à saúde de acordo com suas necessidades. Gestão participativa – atuação efetiva de cidadãos, conselheiros, ges- tores, profissionais e entidades civis na formulação de políticas, na ava- liação e na fiscalização de ações de saúde. Promoção da saúde – conjuntos de ações sanitárias integradas, inclusive com outros setores do governo e da sociedade, que buscam o desenvolvi- mento de padrões saudáveis de: qualidade de vida, condições de trabalho, moradia, alimentação, educação, atividade física, lazer entre outros. Regulação – é o poder exercido pelo Estado para fiscalizar e estabele- cer padrões, normas e resoluções para serviços, produtos, estabeleci- mentos e atividades públicas ou privadas em prol do interesse coletivo. Saúde suplementar – é o sistema privado de assistência à saúde das operadoras de planos de saúde e prestadores de serviços aos beneficiá- rios, sob a regulação da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Vigilância em Saúde – conjunto de atividades que proporcionam co- nhecimento, detecção, análise e monitoramento de doenças decorren- tes, inclusive, de fatores ambientais, com a finalidade de controlar e prevenir problemas na saúde humana. Vigilância Sanitária – ações de controle, pesquisa, registro e fiscaliza- ção de medicamentos, cosméticos, produtos de higiene pessoal, perfu- mes, saneantes, equipamentos, insumos, serviços e fatores de risco à saúde e ao meio ambiente. 74 E ST R A TÉ G IA S D E S A Ú D E D A F A M ÍL IA E O N Ú C LE O D E A P O IO À S A Ú D E D A F A M ÍL IA - G R U P O P R O M IN A S GABARITOS CAPÍTULO 01 QUESTÕES DE CONCURSOS QUESTÃO DISSERTATIVA – DISSERTANDO A UNIDADE – PADRÃO DE RESPOSTA O aluno deve abordar o respeito aos principais referenciais do SUS e ESF presentes no capítulo 1 e 2 e propor ações de enfermagem no âm- bito da atenção básica e da ESF (Capítulo 3). Também deve reconhecer a importância do trabalho em equipe multiprofissional para atender às de- mandas da população e valorizar os saberes e a participação da comuni- dade, fazendo com que o usuário do sistema de saúde seja protagonista do seu próprio autocuidado. É necessário tomar como base a realidade do território, localização geográfica e características da região. TREINO INÉDITO Gabarito: E 75 E ST R A TÉ G IA S D E S A Ú D E D A F A M ÍL IA E O N Ú C LE O D E A P O IO À S A Ú D E D A F A M ÍL IA - G R U P O P R O M IN A S CAPÍTULO 02 QUESTÕES DE CONCURSOS QUESTÃO DISSERTATIVA – DISSERTANDO A UNIDADE – PADRÃO DE RESPOSTA O aluno deverá apresentar além da resposta uma das seguintes justifi- cativas: a) Não. É competência do Conselho Gestor: 1. Acompanhar, avaliar e fiscalizar os serviços e as ações de saúde prestadas à população. 2. Propor e aprovar medidas para aperfeiçoar o planejamento, a orga- nização, a avaliação e o controle das ações e dos serviços de saúde. 3. Examinar proposta, denúncias e queixas, encaminhadas por qual- quer pessoa ou entidades e a elas responder. 4. Definir estratégias de ação, visando à integração do trabalho da Uni- dade aos planos locais, regionais, municipal e estadual de saúde, assim como a planos, programas e projetos intersetoriais. O aluno deverá apresentar uma proposta e uma justificativa dentre as relacionadas abaixo. b) • Procurar o serviço municipal de transporte especial e discutir a pos- sibilidade de horários ou percursos alternativos de transporte. • Buscar parcerias no município para efetivar a adequação da área físi- ca da UBS. • Identificar recursos da comunidade que são alternativos para transpor- te solidário. • Um dos princípios da promoção da saúde é a intersetorialidade enten- dida como a articulação de saberes e experiências no planejamento, na realização e na avaliação de ações, com o objetivo de alcançar resulta- dos integrados em situações complexas, visando um efeito sinérgico no desenvolvimento social. • O setor saúde de forma isolada não tem competência para solucionar muitos dos problemas apresentados pela comunidade por não dispor de instrumentos próprios para isso. • Adaptação da área física: identificar os locais de acesso possíveis para os cadeirantes e pessoas com outras deficiências de locomoção que possam ser adaptados às atividades necessárias para os diferentes 76 E ST R A TÉ G IA S D E S A Ú D E D A F A M ÍL IA E O N Ú C LE O D E A P O IO À S A Ú D E D A F A M ÍL IA - G R U P O P R O M IN A S tipos de atividades que esses usuários precisam. • Adaptação das rotinas da UBS – flexibilizar os horários de atendimento no setor de coleta. • Adaptação das rotinas da UBS – discutir a questão com o laboratório regional. • Sensibilizar funcionários da UBS para a questão do acesso de defi- cientes na UBS. • Adequação da área física à legislação pertinente: avaliar com a equipe e os usuários da UBS a planta física da Unidade, identificar as dificulda- des de acesso de pessoas com diferentes tipos de deficiênciae procu- rando meios de encaminhamento de reforma do prédio. • Independente do número de cadeirantes na região, os serviços que atendem ao público devem permitir o acesso de qualquer cidadão. É um direito de todo o cidadão. • Propiciar a autonomia do indivíduo. TREINO INÉDITO Gabarito: C 77 E ST R A TÉ G IA S D E S A Ú D E D A F A M ÍL IA E O N Ú C LE O D E A P O IO À S A Ú D E D A F A M ÍL IA - G R U P O P R O M IN A S CAPÍTULO 03 QUESTÕES DE CONCURSOS QUESTÃO DISSERTATIVA – DISSERTANDO A UNIDADE – PADRÃO DE RESPOSTA Espera-se que no texto estejam descritos as funções e o papel da equipe de saúde bucal: realizar diagnóstico e traçar o perfil epidemiológico da comunidade a fim de planejar e programar ações de saúde bucal, bem como atender à comunidade no território adscrito nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) em que a sua equipe está atrelada. Por atender com- preende-se: promover e proteger a saúde bucal, prevenir agravos, reali- zar diagnóstico, tratar, acompanhar, reabilitar e manter a saúde bucal dos indivíduos, famílias e grupos específicos. Deve coordenar e participar de ações coletivas voltadas à promoção da saúde e à prevenção de doen- ças bucais, como também acompanhar, apoiar e desenvolver atividades referentes à saúde bucal com os demais membros da equipe, buscando aproximar e integrar ações de saúde de forma multidisciplinar. Além disso, devem realizar os procedimentos clínicos da Atenção Bá- sica em saúde bucal, incluindo atendimento das urgências, pequenas cirurgias ambulatoriais e procedimentos relacionados com a fase clínica da instalação de próteses dentárias elementares. TREINO INÉDITO Gabarito: D 78 E ST R A TÉ G IA S D E S A Ú D E D A F A M ÍL IA E O N Ú C LE O D E A P O IO À S A Ú D E D A F A M ÍL IA - G R U P O P R O M IN A S ALBUQUERQUE, A. B. B. de; BOSI, M.L. M. Visita domiciliar no âmbito da Estratégia Saúde da Família: percepções de usuários no Município de Fortaleza, Ceará, Brasil. Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, v. 25, n. 5, p. 1103-1112, May 2009 . 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SUS, modelos assis- tenciais e Vigilância da Saúde. In: ROZENFELD, S.,brasileiro e a correlação entre prevenção de doenças, vigilância, promoção da saúde e integralidade do cuidado, de forma a culminar no modelo de atenção da Estratégia Saúde da Família (ESF). São abordados conceitos sobre os fundamentos do sistema único de saúde, políticas públicas de saúde, o desenvolvimento das redes de atenção à saúde e a assistência especializada a cada grupo da população atendida pela ESF (crianças, mulheres, adultos e idosos). Os principais objetivos de aprendizagem do presente módulo são a compreensão das características gerais do sistema único de saú- de, a identificação dos níveis de atenção básica em saúde e o conheci- mento dos fundamentos da Estratégia Saúde da Família. Para atender a esses objetivos, o módulo é composto por três capítulos: 1. Sistemas de saúde e organização de serviços; 2. Estratégia Saúde da Família (ESF); e 3. Assistência na atenção básica para ESF. 12 E ST R A TÉ G IA S D E S A Ú D E D A F A M ÍL IA E O N Ú C LE O D E A P O IO À S A Ú D E D A F A M ÍL IA - G R U P O P R O M IN A S SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE A constituição brasileira de 1988 afirma que a saúde é o direito de todos e o dever do Estado. Isso garante políticas sociais e econômicas que visam reduzir o risco de doenças e promover a igualdade universal e aces- so a ações e serviços de promoção, proteção e recuperação da saúde. Assim, a saúde começou a ser entendida como qualidade de vida e não apenas como ausência de doenças. A gestão de ações e serviços então se transformou em forma participativa e municipalizada. Antes de 1988, o atendimento dos hospitais públicos estava restrito a 30 milhões de brasileiros. Com a constituição de 1988, mais de 70 milhões de pessoas tinham direito à assistência de saúde através do Sistema Único de Saúde. ORGANIZAÇÃO DA ATENÇÃO À SAÚDE 12 E ST R A TÉ G IA S D E S A Ú D E D A F A M ÍL IA E O N Ú C LE O D E A P O IO À S A Ú D E D A F A M ÍL IA - G R U P O P R O M IN A S 13 E ST R A TÉ G IA S D E S A Ú D E D A F A M ÍL IA E O N Ú C LE O D E A P O IO À S A Ú D E D A F A M ÍL IA - G R U P O P R O M IN A S Tabela 1. Comparação do sistema de saúde brasileiro antes e depois do SUS. Fonte: Adaptado de SANTOS et al., 2008. A implantação do SUS teve início em 1990, mesmo ano da investidura de Fernando Collor de Mello, primeiro presidente eleito pelo voto popular desde a ditadura militar, que seguiu uma agenda neoliberal e não se comprometeria com a reforma do setor da saúde. No entanto, em 1990, foi aprovada uma lei quadro de atendi- mento à saúde (Lei 8.080/90), especificando as atribuições e organização do SUS. O projeto de reforma do setor da saúde foi revivido em 1992, após o presidente sofrer impeachment. A descentralização foi reforçada e o Programa Saúde da Família (PSF) foi lançado (SANTOS et al., 2008). As ações de saúde pública e os planos de saúde que com- põem o Sistema Único de Saúde (SUS) são desenvolvidos de acordo com as diretrizes estabelecidas no artigo 198 da Constituição Federal, obedecendo também aos seguintes princípios: I – acesso universal aos serviços de saúde em todos os níveis de atenção à saúde; II – integralidade da atenção à saúde, entendida como um con- junto articulado e contínuo de ações preventivas e curativas. Ações e serviços, individuais e coletivos, necessários para cada caso em todos os níveis complexos do sistema; III – preservação da independência das pessoas na defesa de sua integridade física e moral; IV – igualdade na atenção à saúde, sem preconceitos ou privi- légios de qualquer espécie; V – direito à informação, às pessoas assistidas sobre sua saúde; VI – divulgação de informações sobre o potencial dos serviços 14 E ST R A TÉ G IA S D E S A Ú D E D A F A M ÍL IA E O N Ú C LE O D E A P O IO À S A Ú D E D A F A M ÍL IA - G R U P O P R O M IN A S de saúde e seu uso pelo usuário; VII – uso da epidemiologia para o estabelecimento de priorida- des, alocação de recursos e programas orientação; VIII – participação da comunidade; IX – descentralização político-administrativa, com única gestão singular em cada esfera governamental; a) descentralização acentuada dos serviços para os municípios; b) hierarquização e regionalização da rede de serviços de saúde; X – integração no nível executivo das ações de saúde, meio ambiente e saneamento básico; XI – combinação de recursos financeiros, tecnológicos, mate- riais e humanos do Estado, Distrito Federal e União Sindical na presta- ção de serviços de saúde à população; XII – capacidade de resolução de serviços em todos os níveis de atenção à saúde; XIII – organização de serviços públicos de forma a evitar dupli- cidade de meios para fins idênticos. Embora a reforma do setor da saúde tenha se tornado menos prioritária nos anos 90, várias iniciativas surgiram, incluindo o desenvolvi- mento de um programa nacional de prevenção e controle do HIV/AIDS, os esforços de controle do tabagismo, a criação da agência nacional de vigi- lância sanitária, o desenvolvimento da Agência Suplementar de Saúde e a criação de um modelo de atenção à saúde indígena. O Serviço de Atendi- mento Móvel de Urgência e a Política Nacional de Saúde Bucal (Brasil Sor- ridente), foram iniciativas, entre muitas outras, implementadas após 2003. A descentralização do sistema de saúde estava ligada a um processo mais amplo de transição política e ao redesenho da federa- ção brasileira, que foi iniciada por movimentos políticos democráticos na década de 1980 e depois moldada por programas de ajuste macro- econômico. Tal acordo federativo atribuiu maior independência aos mu- nicípios; porém, também expandiu os recursos federais e a supervisão. A saúde foi o único setor que buscou uma descentralização tão radical, em grande parte devido às ações financeiras e regulatórias. A descentralização do sistema de saúde foi a base subjacente para a implementação do SUS e envolveu legislação complementar, novas re- gras e reforma administrativa em todos os níveis de governo. Estatutos aprovados pelo Ministério da Saúde, os quais são res- ponsáveis pela organização e determinação das responsabilidades, esta- beleceram mecanismos de financiamento, até mesmo a Cota de Atenção Básica, montante que o Ministério da Saúde envia para os municípios para financiar os cuidados de saúde básicos, e compor novos conselhos de representação e comitês de gestão em cada esfera de governo. 15 E ST R A TÉ G IA S D E S A Ú D E D A F A M ÍL IA E O N Ú C LE O D E A P O IO À S A Ú D E D A F A M ÍL IA - G R U P O P R O M IN A S Desde 2006, algumas dessas leis foram substituídas por um acordo menos hierárquico (o Pacto pela Saúde), no qual os gestores de cada nível de governo assinam compromissos com as metas e respon- sabilidades de saúde (AMARAL et al., 2006). Para gerir a política descentralizada, os quadros de decisão do governo foram expandidos, em conjunto com a participação social e a construção de alianças entre as partes interessadas (MOHERDAUI et al. 1998). Além das conferências nacionais de saúde, uma estrutura inovadora foi institucionalizada com a criação de conselhos de saúde e organizações intergerenciais. Essas estruturas políticas foram inovações pioneiras na gover- nança brasileira porque permitiram que um maior número e variedade de partes interessadas participassem do processo de tomada de de- cisões e definissem áreas de responsabilidade institucional mais cla- ramente do que antes, garantindo que cada nível de governo apoie a implementação da política nacional de saúde. Como as diretrizes do SUS estabelecem, entre outros aspec- tos, que o sistema de saúde deve ser descentralizado e municipalizado, regionalizado e hierarquizado, torna-se fundamental que exista integra- ção entre todos os gestores públicos, paraorg. Fundamentos da Vigilância Sanitária. Rio de Janeiro: Editora FIOCRUZ, 2000. 81 E ST R A TÉ G IA S D E S A Ú D E D A F A M ÍL IA E O N Ú C LE O D E A P O IO À S A Ú D E D A F A M ÍL IA - G R U P O P R O M IN A Sa discussão dos problemas e elaboração de propostas de aperfeiçoamento das ações de saúde rea- lizadas pelo sistema em seus diferentes níveis. Assim, o Sistema Único de Saúde atual é composto por diversas organizações que possuem as respectivas corresponsabilidades: Figura 1. Estrutura institucional e decisória do SUS Fonte: BRASIL, 2002 16 E ST R A TÉ G IA S D E S A Ú D E D A F A M ÍL IA E O N Ú C LE O D E A P O IO À S A Ú D E D A F A M ÍL IA - G R U P O P R O M IN A S O Ministério da Saúde é o órgão responsável pela gestão na- cional do SUS. Sua função consiste em formular, normatizar, fiscalizar e avaliar políticas e ações, em articulação com o Conselho Nacional de Saúde. Também atua no Plano Nacional de Saúde. Fazem parte de sua estrutura as seguintes instituições: Fiocruz, Funasa, Anvisa, ANS, Hemobrás, Inca, Into e oito hospitais federais. A Secretaria Estadual de Saúde (SES) atua como participante na criação das políticas públicas e ações de saúde, fornecendo apoio aos municípios em articulação com o conselho estadual. Também atua na Comissão Intergestores Bipartite (CIB), para aprovar e executar o plano estadual de saúde. A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) é responsável pelo planejamento, organização, controle e execução das ações e serviços de saúde em parceria com o conselho municipal e a esfera estadual para aprovar e implantar o plano municipal de saúde. Os Conselhos de Saúde, no âmbito de atuação (Nacional, Esta- dual ou Municipal), têm a missão de fiscalizar, acompanhar e monitorar as políticas públicas de saúde nas suas mais diferentes áreas, levando as demandas da população ao poder público, por isso é chamado de contro- le social na saúde. É composto por 48 conselheiros(as) titulares e seus respectivos primeiros e segundos suplentes, representantes do governo, prestadores de serviço, profissionais de saúde e usuários. Atua na formu- lação de estratégias e no controle da execução da política de saúde. As atribuições atuais do CNS estão regulamentadas pela Lei n° 8.142/1990. A Comissão Intergestores Tripartite (CIT) constitui foro definiti- vo de negociação, articulação e deliberação sobre ações operacionais do SUS entre gestores dos níveis federal, estadual e municipal. Assim, faz com que a tomada de decisão na gestão de saúde tenha transparên- cia, buscando o acesso integral da assistência à Saúde. É reconhecida como uma inovação gerencial na política pública de saúde brasileira. A Comissão Intergestores Bipartite (CIB) atua como foro de ne- gociação e pactuação entre gestores estaduais e municipais, integrada paritariamente pela Secretaria Estadual de Saúde e por representantes dos Secretários Municipais de Saúde do Estado de São Paulo. Sua fun- ção é discutir e avaliar aspectos operacionais do SUS, tais como a delibe- ração e a responsabilização pela avaliação dos pleitos de habilitação dos municípios nas condições de Gestão Plena da Atenção Básica, Gestão Plena do Sistema Municipal e Gestão Plena da Atenção Básica Ampliada. O Conselho Nacional de Secretário da Saúde (Conass) é uma entidade representativa de direito privado, sem finalidade lucrativa, dos entes estaduais e do Distrito Federal. Possui o objetivo de maximizar as ações das secretarias estaduais de saúde, tornando-as mais atuantes na 17 E ST R A TÉ G IA S D E S A Ú D E D A F A M ÍL IA E O N Ú C LE O D E A P O IO À S A Ú D E D A F A M ÍL IA - G R U P O P R O M IN A S reconstrução da área da saúde e representando-as no âmbito político. O Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Co- nasems) é uma entidade representativa dos entes municipais na CIT que visa fundir as secretarias municipais de saúde e seus respectivos secretários para atuarem em função do desenvolvimento da saúde pú- blica, da universalidade do SUS e da igualdade do acesso da população às ações e serviços de saúde. Os Conselhos de Secretarias Municipais de Saúde (Cosems) são reconhecidos como entidades que agregam todos os Secretários Municipais de Saúde do Estado, visando a defesa dos interesses dos municípios nos fóruns de Saúde Pública, se caracterizando como um im- portante fator decisório no processo de construção do SUS no Estado. Você sabe como funciona a CIB no seu estado? Sabe se o secretário de saúde de seu município participa das reuniões da CIB? Já ouviu falar algo sobre o funcionamento dessa instância? Busque na internet um site da CIB. Fonte: BRASIL, 2019 Saiba mais em : http://portalms.saude.gov.br/ PLANEJAMENTO DA SAÚDE PÚBLICA BRASILEIRA No âmbito do sistema de planejamento do SUS, define-se como plano de saúde o instrumento que, a partir de uma análise situacional, apresenta as intenções e os resultados a serem buscados no período de quatro anos, expressos em objetivos, diretrizes e metas (BRASIL, 2016). A Lei 8.080/90 estabelece que o processo de planejamento e orçamento do SUS será ascendente, do nível local até o federal, ouvidos seus órgãos deliberativos, compatibilizando-se as necessidades da polí- tica de saúde com a disponibilidade de recursos em planos de saúde dos Municípios, dos Estados, do Distrito Federal e da União (BRASIL, 1990). O planejamento da saúde é obrigatório para os entes públicos e será indutor de políticas para a iniciativa privada e o Conselho Nacional de Saúde estabelecerá as diretrizes a serem observadas na elaboração dos planos de saúde, de acordo com as características epidemiológicas e da organização de serviços nos entes federativos e nas Regiões de Saúde. Existem muitos métodos de planejamento, cada um com suas 18 E ST R A TÉ G IA S D E S A Ú D E D A F A M ÍL IA E O N Ú C LE O D E A P O IO À S A Ú D E D A F A M ÍL IA - G R U P O P R O M IN A S vantagens e desvantagens conforme a situação que se apresenta, no entanto, as maiores influências no planejamento em saúde são as do pensamento normativo e estratégico. O Planejamento Normativo é destinado a promover mudan- ças sociais deliberadas ou pretendidas projetadas para o futuro. Desse modo, este tipo de planejamento deve lidar com os interesses divergen- tes de diversos atores sociais e sua postura em relação ao plano, de oposição, indiferença ou adesão. Já o Planejamento Estratégico é responsável por indicar os cami- nhos a percorrer, detalhar as ações, além de se referir ao desenvolvimento de ações que viabilizem organizar a execução das estratégias planejadas em outro nível de planejamento. É classificado como planejamento que “coloca em prática” as ações previstas. Na área de saúde, utiliza-se esse tipo de planejamento na execução dos programas de assistência à saúde, por exemplo, o programa para controle da hipertensão (TANCREDI,1998). Para melhor compreensão destes dois modelos de planeja- mento, é preciso analisar a origem do planejamento em saúde na Amé- rica Latina, expressa no esquema a seguir: Figura 2. Esquema cronológico do planejamento em saúde no Brasil Fonte: Adaptado de BRASIL, 2010. O planejamento normativo surgiu na América Latina, na déca- da de 1960. Duas instituições: a Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) e o Centro de Estudos do Desenvolvimento da Universidade Central da Venezuela (CENDES), elaboraram um método de plane- jamento para a saúde, que ficou conhecido como método CENDES/ OPAS (1965). Tal método é um enfoque sistêmico de Programação de Recursos de Saúde, atrelado a uma sorte de análises de custos-bene- fícios. Abrange um projeto de enfatizar os danos à saúde que levam a favorecer os danos que possuem um custo relativo mais reduzido. 19 E ST R A TÉ G IA S D E S A Ú D E D A F A M ÍL IA E O N Ú C LE O D E A P O IO À S A Ú D E D A F A M ÍL IA - G R U P O P R O M IN A S O raciocínio básico do método é o da eficiência, evidenciado pela proposta de programação de recursos que consiste em um esforço de nor- matizaçãoeconômica dos instrumentos (ou recursos nucleares) que rea- lizam as atividades de saúde. Esse processo normatizador visa aumentar as atividades e, simultaneamente, reduzir os custos, neste último caso, por meio de uma atuação sobre a composição quantitativa dos instrumentos ou sobre a combinação de recursos que compõem os instrumentos. O método possui diversos reconhecimentos, tais como a van- tagem concedida pela proposta de priorização de danos à prevenção; a proposta de uma atuação integrada, sistêmica; o estímulo à formulação de sistemas de custos etc.; mas, a sua possibilidade de aplicação reve- lou-se muito precária devido ao baixo poder de interferência do Estado sobre o setor, dominado em boa parte por interesses privados. A partir da década de 1970, surge uma nova forma de encarar o planejamento em saúde, que nasceu, entre outras causas, das críticas e dos fracassos que acompanhavam a visão normativa adotada até en- tão. Essa nova concepção é o planejamento estratégico, caracterizada por uma mudança no entendimento do papel do gestor governamental no processo de elaboração e de implementação das políticas. Na formulação do planejamento normativo, o planejador era um agente externo ao sistema, não existiam “outros”, assim como não exis- tiam conflitos. O enfoque estratégico, no entanto, pressupõe que o pla- nejador é um ator social, ou seja, é parte de um “jogo” no qual existem outros atores, com interesse e força distintos. Uma consequência dessa primeira admissão é que não existe apenas um diagnóstico de quais são os problemas, nem apenas uma explicação acerca de suas causas. Mário Testa (1995), que havia participado da formulação do mé- todo CENDES-OPAS, desenvolve toda uma linha de formulação voltada à discussão do poder, da organização do espaço onde se materializa o poder social e da articulação entre o poder técnico – a capacidade de gerar, aces- sar e manejar informações de diferentes características –, o poder admi- nistrativo – capacidade de designar e alocar recursos – e o poder político. Carlos Matus, economista que havia sido ministro no governo de Allende, no Chile, identificou os fracassos experimentados pelo pla- nejamento em saúde na América Latina com o fundamento básico do planejamento normativo – no qual quem planeja está fora da – ou so- bre a – realidade planejada e não coexiste nessa realidade com outros atores que também planejam, o que conduziria o plano a uma prática economicista e tecnocrática isolada do processo de governo e da razão política. Ao substituir esse pressuposto por seu correspondente estra- tégico – o ator que planeja está dentro da realidade e ali coexiste com outros atores que também planejam, Matus (1993) formula o método 20 E ST R A TÉ G IA S D E S A Ú D E D A F A M ÍL IA E O N Ú C LE O D E A P O IO À S A Ú D E D A F A M ÍL IA - G R U P O P R O M IN A S de Planejamento Estratégico Situacional (PES), aplicável aos casos de governos democráticos, nos quais existem diversos atores sociais, em situações de poder compartilhado. A preocupação central que orienta o pensamento de Matus (1993) surge de sua constatação da crise de governabilidade que assolava os governos latino-americanos à época. Portanto, sua reflexão e consequente proposta para a ação centraram- -se na necessidade de aumentar a capacidade de governar. As principais características de cada método de planejamento podem ser observadas na tabela abaixo: Tabela 2 – Comparação entre planejamento normativo e estratégico Fonte: RIVERA, 2009. Desta forma, pode-se dizer que a modalidade de planejamento a ser adotada está relacionada ao nível hierárquico de sua aplicação e às competências e abrangência a que se aplica. Na gestão do sistema de saúde, considerando a diversidade de estruturas matriciais – do ges- tor municipal às chefias de unidades ou serviços específicos, demanda a adoção dos modelos de planejamento estratégico e normativo. 21 E ST R A TÉ G IA S D E S A Ú D E D A F A M ÍL IA E O N Ú C LE O D E A P O IO À S A Ú D E D A F A M ÍL IA - G R U P O P R O M IN A S De modo geral, pode-se dizer que a adoção do modelo de pla- nejamento escolhido é relacionada à diversidade da estrutura hierárquica. Por exemplo, as funções macro como, por exemplo, o Plano Municipal de Saúde que tem por finalidade maior o delineamento dos objetivos e as di- retrizes do sistema como um todo, requer o planejamento normativo, que leva em consideração as normas, os acordos e articulações políticas, os pactos intergestores e as limitações e potencialidades do sistema. Já a execução das atividades e ações que contribuirão para o cumprimento dos objetivos previstos no Plano, e alcance das metas, e por sua vez, ocorrerão nas estruturas hierárquicas da Secretaria Municipal de Saúde, demanda- rão planejamento estratégico para transpor obstáculos e mudar realidades indesejáveis em situações favoráveis ao aperfeiçoamento do sistema. O entendimento consensual é que o planejamento é uma ferra- menta imprescindível à gestão local para a implementação da política de saúde preconizada pelo SUS, sem perder o foco nas demandas e realida- des locais, que devem considerar a capacidade de oferta de serviços frente às necessidades de ações e atividades que contemplem a promoção, pre- venção e recuperação em saúde e os princípios e diretrizes do SUS. O planejamento do SUS deve respeitar os resultados das pactuações entre os gestores nas comissões intergestores regio- nais, bipartite e tripartite. Caso necessário, recapitule o Capítulo 1 desta unidade. Fonte: WORLD BANK, 2019. Saiba mais em: http://www.worldbank.org ATENÇÃO À SAÚDE E MODELOS ASSISTENCIAIS Atenção à saúde corresponde à organização estratégica do siste- ma e das práticas de saúde em resposta às necessidades da população. Atua por meio de políticas, programas e serviços de saúde consoantes os princípios e as diretrizes que estruturam o Sistema Único de Saúde (SUS). O gerenciamento da atenção à saúde é fragmentado e organiza- do em três níveis de atenção: primário (ou básico), secundário e terciário. Os níveis de atenção à saúde são relacionados à capacidade da unidade para prestar assistência. Ademais, esta estratégia de divisão é realizada para garantir que cada usuário será atendido no nível necessário, evitan- 22 E ST R A TÉ G IA S D E S A Ú D E D A F A M ÍL IA E O N Ú C LE O D E A P O IO À S A Ú D E D A F A M ÍL IA - G R U P O P R O M IN A S do sobrecarga dos níveis mais avançados. O modelo foi adotado para dividir os serviços ofertados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em ní- veis de atendimento determinados pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e que visam promover, restaurar e manter a saúde da população. A atenção primária em saúde, conhecida também como porta de entrada do SUS, é o nível de atenção correspondente à atuação ge- neralista, de baixa complexidade tecnológica e com foco na prevenção e promoção de saúde. Nessa etapa são marcadas consultas e exames bá- sicos e de prevenção, como hemogramas e mamografias, além da reali- zação de procedimentos simples, como curativos. O conceito de atenção primária à saúde contempla três itens essenciais: acesso universal de atendimento do sistema de saúde; indissociabilidade da saúde do desen- volvimento socioeconômico e participação social da comunidade. A Atenção Primária é constituída pelas Unidades Básicas de Saúde (UBS), pelos Agentes Comunitários de Saúde (ACS), pela Equi- pe de Saúde da Família (ESF) e pelo Núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF). Vale ressaltar que os profissionais de saúde se orga- nizam para atuar também em diversos espaços da comunidade (como escolas, centros de convivência, locais disponibilizados pela prefeitura etc.), além de fazerem visitas domiciliares às famílias (GONDIM, 2009). A Atenção Secundária é formada pelos serviços especializa- dos emnível ambulatorial e hospitalar, com procedimentos de média complexidade e foco no diagnóstico e tratamento da doença. Esse nível compreende serviços médicos especializados, de apoio diagnóstico e terapêutico e atendimento de urgência e emergência, como as Unida- des de Pronto Atendimento (UPAs). Finalmente, no nível terciário temos medidas que visam pre- venir complicações e incapacidades relacionadas às doenças, conside- radas como de prevenção terciária. Este nível abrange os hospitais de grande porte, que envolvem alta tecnologia e/ou alto custo, como on- cologia, cardiologia, oftalmologia, transplantes, parto de alto risco, trau- mato-ortopedia, neurocirurgia, diálise (para pacientes com doença renal crônica), otologia (para o tratamento de doenças no aparelho auditivo). O seu objetivo é garantir a reabilitação e a reinserção na sociedade, dando suporte para a preservação da vida sempre que preciso. Nesse nível existem tecnologias médicas e profissionais capazes de atender a situações que, no nível secundário, não puderam ser tratadas por se- rem casos mais raros ou complexos. O conceito de modelos de atenção à saúde é debatido como: O modelo de atenção à saúde é um sistema lógico que organiza o funcio- namento de redes de atenção à saúde, articulando, de forma singular, as 23 E ST R A TÉ G IA S D E S A Ú D E D A F A M ÍL IA E O N Ú C LE O D E A P O IO À S A Ú D E D A F A M ÍL IA - G R U P O P R O M IN A S relações entre os componentes da rede e as intervenções sanitárias, definido em função da visão prevalecente da saúde, das situações demográficas e epidemiológicas e dos determinantes sociais da saúde, vigentes em determi- nado tempo e determinada sociedade. (MENDES, 2011) Em 1980, a expressão ‘’modelos assistenciais’’ referia-se às for- mas de organização dos serviços de saúde, envolvendo unidades com diferentes complexidades tecnológicas relacionadas entre si nos diversos espaços e populações. Os modelos podem ser originados através de normas, padrões e referências para o meio técnico-científico, para orien- tar escolhas técnicas e decisões políticas, dentre outros. Logo, refletir so- bre modelos assistenciais é pensar sobre políticas públicas (PAIM, 1999). Os modelos assistenciais podem estar relacionados às condi- ções socioeconômicas e políticas vivenciadas na história brasileira. Na história de saúde pública brasileira existem dois modelos distintos, porém complementares: O Modelo Médico Hegemônico e o Modelo Sanitarista. O modelo médico hegemônico é determinado como um gru- po de práticas, conhecimentos e teorias de assistência médico-cura- tiva, sendo centrado somente no atendimento de doentes (demanda espontânea ou induzida pela oferta). Este modelo é elencado no in- dividualismo; ênfase no biologismo; consumo desenfreado de medica- mentos, participação passiva e subordinada dos consumidores (MENÉ- DEZ,1992). Tal modelo apresenta limitações em relação a uma atenção comprometida com a efetividade, equidade e demandas prioritárias em saúde, ainda que possa proporcionar uma assistência de qualidade em determinadas situações. Como integrantes desse modelo, tem-se: Modelo assistencial privatista: variante mais conhecida do mo- delo hegemônico, é centrado na clínica, voltado para o atendimento da demanda espontânea e fundamentado em procedimentos e serviços especializados. Modelo da atenção gerenciada (Managed Care): preserva as seguintes características do modelo médico hegemônico, principalmen- te a saúde/doença como mercadoria, o biologismo e a submissão dos consumidores. O modelo sanitarista surgiu no começo do século XX através da organização de sanitaristas, guardas sanitários e outros técnicos em campanhas para combater as epidemias que assolavam o Brasil duran- te a época (febre amarela, varíola e peste bubônica). Foram implemen- tados programas de vacinação obrigatória, desinfecção dos espaços públicos e domiciliares e outras ações de promoção de saúde e preven- ção de doenças, que atingiram, em sua maioria, a população menos favorecida economicamente. 24 E ST R A TÉ G IA S D E S A Ú D E D A F A M ÍL IA E O N Ú C LE O D E A P O IO À S A Ú D E D A F A M ÍL IA - G R U P O P R O M IN A S Esse modelo predominou na cena das políticas de saúde bra- sileiras até o início da década de 1960 e se mantém como modalidade de intervenção em saúde até os dias atuais no combate às endemias e epidemias. Pode ser reconhecido como predominante no Brasil no que se refere às formas de intervenção sobre problemas e necessidades de saúde adotadas pela saúde pública convencional. Como exemplos do modelo sanitarista cabem ser citados os programas especiais, inclusive o Programa de Agentes Comunitários de Saúde (Pacs), o Programa de Saúde da Família (PSF), as campanhas sanitárias e as vigilâncias sanitárias e epidemiológicas etc. Tabela 3. Modelos assistenciais e respectivas características Fonte: TEIXEIRA; PAIM; VILASBÔAS, 2000. Nos sistemas segmentados de atenção à saúde, os níveis de atenção permanecem em uma estrutura hierárquica, segundo o nível de complexidade gradativo, com relações de diferentes níveis de relevância. Esta concepção é problemática, pois é fundamentada em um conceito de complexidade errôneo, ao determinar que a atenção primária à saúde pos- sui menor importância do que a atenção nos níveis secundário e terciário. Este modelo, de ponto de vista distorcido, banaliza a repre- sentação da atenção primária na saúde pública. Nas atuais redes de atenção à saúde, esse conceito de hierarquia dos níveis de atenção é substituído pela poliarquia, e o sistema organiza-se sob a forma de uma rede horizontal de atenção à saúde. Dessa forma, não há uma hierarquia entre os diferentes pontos de atenção à saúde nas redes de atenção à saúde; mas a configuração de uma rede horizontal de pontos de atenção à saúde de distintas den- sidades tecnológicas, sem ordem e sem grau de relevância entre eles. 25 E ST R A TÉ G IA S D E S A Ú D E D A F A M ÍL IA E O N Ú C LE O D E A P O IO À S A Ú D E D A F A M ÍL IA - G R U P O P R O M IN A S Todos os pontos são igualmente importantes para que se cumpram os objetivos das redes de atenção à saúde. Somente se diferenciam pelas diferentes densidades tecnológicas que caracterizam os diversos pon- tos de atenção à saúde (BRASIL, 2014). Figura 3. Sistema hierárquico para a rede de atenção à saúde poliárquica Fonte: BRASIL, 2014 A figura acima ilustra a diferença entre o sistema hierárquico e a rede horizontal integrada, sem ocorrer distinção dos níveis de atenção. No modelo de rede horizontal integrada, o ponto da atenção primária à saúde é caracterizado pelo círculo central e possui local de destaque. A Unidade Básica de Saúde (UBS) é o local de saúde onde ocorrem atendimentos de rotina, como consultas com o clínico ge- ral, tratamentos, vacinação, pré-natal, atendimento odontológico e acompanhamento de hipertensos e diabéticos. Nas Unidades de Pronto Atendimento (UPA) ocorrem os atendimentos de urgência e emergência, diária e integralmente. Fonte: BRASIL, 2019. Saiba mais em: http://www.saude.mg.gov.br/sus 26 E ST R A TÉ G IA S D E S A Ú D E D A F A M ÍL IA E O N Ú C LE O D E A P O IO À S A Ú D E D A F A M ÍL IA - G R U P O P R O M IN A S QUESTÕES DE CONCURSOS QUESTÃO 1 Ano: 2014 Banca: NUCEPE Órgão: Universidade Estadual do Piauí/ PI Prova: Residência Multiprofissional em Saúde da Família Nível: Superior A respeito da Rede de Atenção à Saúde é INCORRETO afirmar que: a) Compõem arranjo organizativo de ações e serviços de saúde, de di- ferentes densidades tecnológicas, que integradas por meio de sistemas de apoio técnico, logístico e de gestão, buscam garantir a integralidade do cuidado. b) Busca promover a integração sistêmica, de ações e serviços de saú- de, com provisão de atenção contínua,integral, de qualidade, respon- sável e humanizada. c) Caracteriza-se pela formação de relações verticais entre os pontos de atenção com o centro de comunicação na Atenção Primária à Saúde. d) Fundamenta-se na compreensão da Atenção Primária como primeiro nível de atenção, enfatizando a função resolutiva dos cuidados primá- rios sobre os problemas mais comuns de saúde e a partir do qual se realiza e coordena o cuidado. e) Todos os pontos de atenção à saúde são igualmente importantes para que se cumpram os objetivos da rede de atenção à saúde e se diferenciam, apenas, pelas distintas densidades tecnológicas que os caracterizam. QUESTÃO 2 Ano: 2016 Banca: VUNESP Órgão: Prefeitura Presidente Prudente Prova: Agente comunitário em saúde Nível: Fundamental. A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doenças e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação. Para promover esse acesso universal e igualitário, foi criado(a): a) o INAMPS b) o INSS c) o SUS. d) a SUCEN e) a ANVISA QUESTÃO 3 Ano: 2006 Banca: FUMARC Órgão: Pref. Belo Horizonte/MG Prova: Auxiliar de Consultório Dentário – Saúde da Família Nível: Médio. Entende-se por Atenção Básica à Saúde o seguinte serviço presta- 27 E ST R A TÉ G IA S D E S A Ú D E D A F A M ÍL IA E O N Ú C LE O D E A P O IO À S A Ú D E D A F A M ÍL IA - G R U P O P R O M IN A S do na comunidade: a) Realização de cirurgias e transplantes de órgãos. b) Visita domiciliar realizada pela equipe de saúde da família. c) Internação hospitalar dos pacientes portadores de doenças graves. d) Internação hospitalar dos pacientes portadores de sofrimento mental. QUESTÃO 4 Ano: 2016 Banca: UNILAVRAS Órgão: Prefeitura de Alfenas/MG Prova: Enfermeiro Nível: Superior. As Redes de Atenção à Saúde constituem-se em arranjos organi- zativos formados por ações e serviços de saúde com diferentes configurações tecnológicas e missões assistenciais, articulados de forma complementar e com base territorial. Dentre seus diver- sos atributos, destacam-se, EXCETO: a) serviço de urgência e emergência como principal porta de entrada do sistema de saúde. b) atenção básica estruturado como primeiro ponto de atenção. c) a atenção básica como principal porta de entrada do sistema de saúde. d) Deve se preocupar em executar aquilo que foi proposto, em seu man- dato dentro da empresa para benefício da instituição e dos demais. e) equipe multidisciplinar que cobre toda a população, integrando, coor- denando o cuidado e atendendo às suas necessidades de saúde. QUESTÃO 5 Ano: 2006 Banca: FUMARC Órgão: Pref. Belo Horizonte/MG Prova: Auxiliar de Consultório Dentário – Saúde da Família Nível: Médio. No Brasil, quem tem direito à assistência à saúde pelo Sistema Único de Saúde é: a) Qualquer cidadão, independente de qualquer condição. b) Qualquer trabalhador portador da Carteira de Trabalho. c) Qualquer cidadão que contribua com a Previdência Social. d) Qualquer trabalhador portador da Carteira de Trabalho e seus depen- dentes. QUESTÃO 6 Ano: 2016 Banca: VUNESP Órgão: Prefeitura de Ribeirão Preto/SP Prova: Médico Nível: Superior É considerado(a) programa de Atenção Básica de Saúde a) a Academia da Saúde b) o Mais Médicos c) o Humaniza SUS d) a Farmácia Popular 28 E ST R A TÉ G IA S D E S A Ú D E D A F A M ÍL IA E O N Ú C LE O D E A P O IO À S A Ú D E D A F A M ÍL IA - G R U P O P R O M IN A S e) o Melhora SUS QUESTÃO 7 Ano: 2014 Banca: NUCEPE Órgão: Universidade Estadual do Piauí/ PI Prova: Residência Multiprofissional em Saúde da Família Nível: Superior São características do processo de trabalho das equipes de Aten- ção Básica, EXCETO: a) Definição do território de atuação e de população sob responsabilida- de das UBS e das equipes. b) Programação e implementação das atividades de atenção à saúde de acordo com as necessidades de saúde da população, com a priorização de intervenções clínicas e sanitárias nos problemas de saúde segundo critérios de frequência, risco, vulnerabilidade e resiliência. Inclui-se aqui o planejamento e organização da agenda de trabalho compartilhado de todos os profissionais e recomenda-se evitar a divisão de agenda se- gundo critérios de problemas de saúde, ciclos de vida, sexo e patologias dificultando o acesso dos usuários. c) Desenvolver ações que priorizem os grupos de risco e os fatores de risco clínico-comportamentais, alimentares e/ou ambientais, com a finalidade de prevenir o aparecimento ou a persistência de doenças e danos evitáveis. d) Prover atenção integral, contínua e organizada à população adscrita. e) realizar atenção à saúde na Unidade Básica de Saúde, apenas em locais do território, tais como salões comunitários, escolas, creches, praças etc. QUESTÃO 8 Ano: 2016 Banca: VUNESP Órgão: Prefeitura de Ribeirão Preto/SP Prova: Médico Nível: Superior Considerando-se as Redes de Atenção à Saúde (RAS), pode-se afirmar que o papel de ordenador dessas redes é: a) da Atenção Hospitalar. b) da Atenção Especializada. c) da Atenção Básica. d) da Regulação das Urgências e Emergências. e) do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência. QUESTÃO 9 Ano: 2013 Banca: MSCONCURSOS Órgão: Prefeitura de Londrina/ PR Prova: Enfermeiro Nível: Superior. Segundo o disposto pela Política Nacional de Atenção Básica, a Atenção Básica caracteriza-se por um conjunto de ações de saúde, 29 E ST R A TÉ G IA S D E S A Ú D E D A F A M ÍL IA E O N Ú C LE O D E A P O IO À S A Ú D E D A F A M ÍL IA - G R U P O P R O M IN A S no âmbito individual e coletivo. Sobre essas ações, é correto afirmar que elas abrangem: a) A promoção e a proteção da saúde, a prevenção de agravos, o diag- nóstico, o tratamento, a reabilitação e a manutenção da saúde. b) A promoção e a proteção da saúde, a prevenção de agravos, o diag- nóstico e a manutenção da saúde. c) A promoção e a proteção da saúde, a prevenção de agravos, o diag- nóstico, a reabilitação e a manutenção da saúde. d) Todas as medidas relacionadas à prevenção primária e terciária, uma vez que no contexto da prevenção secundária, o tratamento dos agra- vos fica a cargo da atenção de média complexidade. e) As medidas de prevenção primária, que se caracterizam por ações de proteção específica, promoção da saúde, e também prevenção terciá- ria, no contexto apenas da reabilitação. QUESTÃO 10 Ano: 2016 Banca: UNILAVRAS Órgão: Prefeitura de Alfenas/MG Prova: Enfermeiro Nível: Superior. O Conselho Municipal de Saúde é um espaço de participação po- pular que se reúne regularmente para discutir ações e serviços de saúde do município, fiscalizar a aplicação dos recursos repas- sados para investir na Saúde e aprovar a prestação de contas da Secretaria Municipal de Saúde. De acordo com a Lei 8.142/90, são membros desse Conselho, EXCETO: a) prestadores de serviços. b) profissionais de saúde. c) representantes do governo. d) representantes de entidades sindicais QUESTÃO DISSERTATIVA – DISSERTANDO A UNIDADE Ano: 2010 Banca: ENADE Órgão: INEP Prova: Enfermeiro Nível: Su- perior A Estratégia da Saúde da Família (ESF) é prioritária para a reorgani- zação da atenção básica no Brasil, de acordo com os princípios dou- trinários e organizativos do SUS. A operacionalização dessa estratégia pressupõe a responsabilização sanitária de uma equipe multiprofissio- nal sobre uma determinada população residente em um território, com ênfase na promoção da saúde e na participação popular. A enfermagem é uma categoria profissional pertencente à equipe mínima da ESF. (BRASIL, Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Depar- tamento de Atenção Básica. Política nacional de atenção básica. Brasí- lia: Ministério da Saúde, 2006) 30 E ST R A TÉ G IA S D E S A Ú D E D A F A M ÍL IA E O N Ú C LE O D E A P O IO ÀS A Ú D E D A F A M ÍL IA - G R U P O P R O M IN A S Considerando as premissas apresentadas, redija um texto dissertativo acerca do processo de trabalho da enfermagem na Estratégia da Saúde da Família, dando continuidade à situação descrita a seguir: Maria, enfermeira, residente em um município de pequeno porte, foi convidada para ser enfermeira da equipe do Centro de Saúde da Famí- lia que será implantado em um bairro periférico deste município. QUESTÃO INÉDITA A saúde é direito de todos os municípios e dever do Poder Público. No entanto, o município deverá garantir esse direito, mediante: I. Atendimento integral do indivíduo, abrangendo a promoção, pre- servação e recuperação da saúde. II. Acesso universal e igualitário às ações e serviços de saúde, em todos os níveis. III. Serviços de assistência à maternidade e à infância, garantindo programas de alimentação suplementar. Está(ão) correta(s) apenas a(s) afirmativa(s): a) I b) I, II c) II, III d) III e) I, II, III NA MÍDIA PRÁTICAS INTEGRATIVAS PODEM TRATAR 80% DOS PROBLE- MAS NA ATENÇÃO BÁSICA Homeopatia, fitoterapia, acupuntura, termalismo e antroposofia foram as primeiras Práticas Integrativas e Complementares (PICs) desenvol- vidas no Sistema Único de Saúde (SUS). A partir de 2006, elas foram instituídas no SUS como política nacional, como uma necessidade de ofertar para mais gente benefícios à saúde e por ser uma recomenda- ção da Organização Mundial de Saúde (OMS). Em 2017 foram inseridas novas práticas. Hoje são 29 práticas integrativas no atendimento SUS. "Cerca de 80% dos atendimentos na Atenção Básica podem ser tratados por uma das práticas. Fitoterapia, acupuntura, medici- na antroposófica, massagens, reiki, arteterapia, musicoterapia, elas vêm cada vez mais sendo inseridas", explica a médica homeopata e especialis- ta em gestão de serviços e sistemas de saúde, Henriqueta Tereza. Fonte: Brasil de fato Data: 18 fev. 2019. Leia a notícia na íntegra: https://www.brasildefato.com.br/2019/02/18/ reporter-sus-i-praticas-integrativas-podem-tratar-80-dos-problemas-na- 31 E ST R A TÉ G IA S D E S A Ú D E D A F A M ÍL IA E O N Ú C LE O D E A P O IO À S A Ú D E D A F A M ÍL IA - G R U P O P R O M IN A S -atencao-basica/ NA PRÁTICA “SUS POBRE PARA OS POBRES E COMPLEMENTAR SEGMENTA- DO PARA OS CONSUMIDORES DOS PLANOS PRIVADOS.” Na prática, temos 25-30% da população que é consumidora de planos pri- vados de saúde, cujo acesso aos serviços, oportunidade da sua utilização, qualidade e resultados estão segmentados de acordo com os preços dos planos (mensalidades entre R$80,00 e 8.000,00) e poder aquisitivo das respectivas camadas sociais. Continuam dependendo do SUS em serviços com esperas menores, fornecimento de medicamentos, ações de vigilân- cia sanitária, imunizações, serviços de alto custo e de urgência etc., incluin- do serviços e materiais obrigados por ações judiciais individuais, principal- mente para os que podem pagar escritórios de advocacia especializada. A soma do seu per capita privado e público para saúde corresponde de 4 a 6 vezes o per capita dos 70 a 75% que só utilizam o SUS. Entre os 25-30% estão a elite social, a classe média alta e as classes: média e média baixa que incluem a maioria dos trabalhadores sindicalizados do setor privado e público; e entre os 70-75% está a minoria da classe média baixa, a massa trabalhadora formal e informal e os miseráveis. O sistema público inclui todos, mas de maneira segmentada, atentando contra a Integralidade e Equidade. É um sistema híbrido público-privado, com relações promíscuas entre si, sem regulação de interesse público e que reflete um Estado cria- dor de mercados na área social dos direitos de cidadania. Saiba mais em: https://www.abrasco.org.br/site/outras-noticias/movimentos-sociais/o- -sus-na-pratica-qual-e-a-politica-publica-de-saude-pergunta-nelson-ro- drigues-dos-santos/15008/ 32 E ST R A TÉ G IA S D E S A Ú D E D A F A M ÍL IA E O N Ú C LE O D E A P O IO À S A Ú D E D A F A M ÍL IA - G R U P O P R O M IN A S IMPLANTAÇÃO DA ESTRATÉGIA - DO PSF AO ESF O Programa Saúde da Família (PSF) surgiu em 1994 como um programa-piloto moderadamente pequeno no estado do Ceará, no nor- deste do país, que fornecia um serviço de saúde gratuito descentraliza- do. A formulação do PSF foi fundamentada em modelos de assistência à família no Canadá, em Cuba, na Suécia e na Inglaterra, que serviram de referência para o projeto no Brasil (ROSA, 2005). A Estratégia Saúde da Família (ESF) visa à reorganização da atenção básica no País, de acordo com os preceitos do Sistema Único de Saúde, e é tida pelo Ministério da Saúde e gestores estaduais e municipais como estratégia de expansão, qualificação e consolidação da atenção básica por favorecer uma reorientação do processo de trabalho com maior potencial de aprofun- ESTRATÉGIA EM SAÚDE DA FAMÍLIA 32 E ST R A TÉ G IA S D E S A Ú D E D A F A M ÍL IA E O N Ú C LE O D E A P O IO À S A Ú D E D A F A M ÍL IA - G R U P O P R O M IN A S 33 E ST R A TÉ G IA S D E S A Ú D E D A F A M ÍL IA E O N Ú C LE O D E A P O IO À S A Ú D E D A F A M ÍL IA - G R U P O P R O M IN A S dar os princípios, diretrizes e fundamentos da atenção básica, de ampliar a resolutividade e impacto na situação de saúde das pessoas e coletividades, além de propiciar uma importante relação custo-efetividade. (BRASIL, 2011) O programa logo se tornou a principal estratégia para todo o sistema nacional de saúde do Brasil e foi anunciado na Política Nacional de Atenção Básica (PNAB) em 2006, que posteriormente foi revisada em 2011 e 2017 (ROCHA; SOARES, 2010). Atualmente, já então consi- derado eixo norteador do sistema de saúde brasileiro, o PSF é nomeado como Estratégia Saúde da Família (ESF), visto que o termo “programa” aponta para um projeto com prazo de validade definido. Pelo contrário, o ESF é uma estratégia de reorganização da atenção primária e não possui um prazo de finalização. Pesquisadores descobriram que o ESF possui alto custo-bene- fício no contexto de saúde brasileiro. Um município de 100.000 habitan- tes com uma cobertura do programa de 40% deveria gastar entre US $ 1,3 milhão e US $ 2 milhões no PSF anualmente para salvar cerca de 57 vidas após cinco anos e 150 vidas após oito anos de operação do PSF (ROCHA; SOARES, 2010). Desde o início da década de 2000, a Estratégia de Saúde da Família tem sido um componente crucial da abordagem brasileira à atenção primária à saúde e à universalização de sua cobertura de saúde pública. No Brasil, as coberturas da ESF apresentam tendência crescente desde o início do projeto. A cobertura em 2006 e 2016 foram de 45,3% e 64,0%, respectivamente, expandindo nas cinco regiões na- cionais e na maioria das unidades federadas (UF) (NEVES et al., 2018). Figura 4. Evolução da cobertura da Estratégia Saúde da Família (1998 - 2016) 34 E ST R A TÉ G IA S D E S A Ú D E D A F A M ÍL IA E O N Ú C LE O D E A P O IO À S A Ú D E D A F A M ÍL IA - G R U P O P R O M IN A S Fonte: SIAB (Sistemas de informação da Atenção Básica), 2019. Em conformidade com o modelo de outros países, baseia-se no serviço de equipes multidisciplinares ligadas a uma determinada região e são dedicadas, especialmente, à promoção e prevenção da saúde. Simultaneamente, o ESF possui características diferenciadas que se originam dos desafios específicos enfrentados pelo Brasil, um país onde o acesso aos serviços de saúde ainda é um desafio, mesmo nos centros urbanos; onde as desigualdades socioeconômicas ainda persistem. Se- gundo Rizzotto (2000), esse modelo de serviço público descentralizado em nível de comunidade, dedicado às populações carentes socioeconomica- mente, foi uma estratégia preconizada pelo Banco Mundial para deslocar o dever estatal paracom indivíduos, famílias e comunidade. O ESF deve ser enquadrado dentro do contexto geral do SUS, particularmente a tentativa deste de desenvolver um novo modelo de atenção à saúde. No nível mais direto, a ESF busca promover as metas do SUS, ampliando a sua cobertura. No entanto, seus elementos mais expressivos pertencem ao tipo de cobertura prevista. Vale destacar três particularidades: a primeira é o objetivo de proporcionar cuidados de saúde humanizados, indo além do modelo hospitalar e evitando o máximo possível intervenções farma- cológicas e tecnológicas consideradas invasivas e desnecessárias. Em conjunto, essas três características mostram até que ponto a ESF, como parte do SUS, procurou resistir à incursão do modelo biomédico ocidental qualificado por intervenções curativas, farmacêuticas e hospitalares. A ESF busca humanizar os cuidados de saúde pela sua pro- ximidade às populações, pela promoção de certos hábitos e práticas (como o parto natural e a amamentação) e pelo estabelecimento de um diálogo com práticas médicas alternativas (incluindo medicina popular e não ocidental) (NUNES, 2015). Nesta mesma direção, o ESF defende uma visão integral dos cuidados de saúde. O termo "saúde da família" já sugere um desvio dos modelos médicos centrados na saúde dos indivíduos. Além disso, as equipes da ESF têm a missão de promover uma abordagem holística da saúde, incluindo prevenção de doenças, promoção de estilos de vida saudáveis, educação em saúde, reabilitação pós-doença ou pós-lesão e até intervenções no ambiente social (como a promoção de atividades sociais para pessoas idosas ou iniciativas contra a violência doméstica). Essas tarefas são acrescentadas por uma atenção especial aos grupos vulneráveis e apoiadas pela coleta permanente de dados e monitora- mento do estado de saúde das populações. Um estudo de Malta et al. (2016) sobre a cobertura da Estraté- 35 E ST R A TÉ G IA S D E S A Ú D E D A F A M ÍL IA E O N Ú C LE O D E A P O IO À S A Ú D E D A F A M ÍL IA - G R U P O P R O M IN A S gia Saúde da Família em território brasileiro apontou que mais de 50% da população brasileira refere estar cadastrada nas unidades de saúde da família, sendo superior na área rural (quase dois terços da popula- ção) comparada com a urbana. A região Nordeste apresentou o maior percentual, seguida da Sul, o Sudeste teve a menor porcentagem. Tabela 2. Proporção de domicílios cadastrados em unidade de saúde da famí- lia nas regiões do Brasil. Fonte: MALTA et al., 2016. O ESF teve diversas conquistas significativas, incluindo medi- das decisivas na cobertura de vacinação, saúde materna e redução da mortalidade infantil. No entanto, ainda é importunado por inúmeros desa- fios. Um dos principais problemas resulta do princípio descentralizador que sustenta o SUS. A subordinação das equipes da ESF sobre as auto- ridades municipais significa que elas estão sujeitas a questões políticas. Isso resulta em desníveis estruturais e em dificuldades para garantir a sustentabilidade de intervenções de saúde de mediano ou extenso pra- zo, que muitas vezes dependem da iniciativa individual dos profissionais de saúde e agentes comunitários. Um problema inter-relacionado é que o trabalho e a boa vontade de muitos desses profissionais às vezes são afetados pela situação de emprego precário em que se encontram. O outro desafio da implantação do ESF consiste nas dificulda- des em monitorar indicadores de saúde em regiões onde a população é altamente móvel e suscetível a flutuações sazonais significativas. Isso está 36 E ST R A TÉ G IA S D E S A Ú D E D A F A M ÍL IA E O N Ú C LE O D E A P O IO À S A Ú D E D A F A M ÍL IA - G R U P O P R O M IN A S relacionado ao desafio de melhorar tais indicadores. Nota-se que, como qualquer outra estratégia de saúde primária, os sucessos da ESF nem sempre são mensuráveis ou quantificáveis, e parte da capacidade de al- cançar resultados depende da existência de relações de confiança com a população. Essas metas de longo prazo são vulneráveis à invasão da abordagem gerencial, baseada nos resultados imediatos e na eficiência. O Brasil não está imune à essas últimas tendências, com o crescimento da saúde privada e as pressões de financiamento sobre o SUS, demonstran- do a coexistência de visões divergentes dos cuidados de saúde. Por fim, o ESF fala sobre um dos objetivos centrais do SUS: aumento da participação pública na formulação de políticas de saúde e na prestação de serviços de saúde. A participação pública na definição e entrega de políticas é uma exigência intersetorial no Brasil, consagrada na constituição do país. No caso da saúde, isso é refletido pelo envolvi- mento com grupos negligenciados, movimentos comunitários (incluindo organizações de pacientes e cuidadores) e instrução de leigos. Os serviços do ESF foram responsáveis pela redução das taxas de mortalidade infantil em cerca de 25% a mais do que nos municípios que não participaram da estratégia. Outro estudo também demonstrou que a expansão de 10% na cobertura da Estratégia de Saúde da Família foi responsável por uma redução de 4,6% na mortalidade infantil Fonte: RODRIGUES; RAMIRES, 2012. NÚCLEO DE APOIO À SAÚDE DA FAMÍLIA (NASF) Os Núcleos de Apoio à Saúde da Família (NASF) foram formu- lados pelo Ministério da Saúde, em 2008, com o objetivo de qualificar e tornar mais resolutiva a atuação da Atenção Básica no Brasil, maximi- zando as ofertas de saúde na rede de serviços, assim como a resoluti- vidade, a abrangência e o alvo das ações. Os núcleos são regulamentados e definidos pela Portaria nº 2.488, de 21 de outubro de 2011: Equipes formadas por profissionais de diferentes áreas de conhecimento, que devem atuar de maneira integrada e apoiando os profissionais das Equipes Saúde da Família, compartilhando as práticas e saberes em saúde nos ter- 37 E ST R A TÉ G IA S D E S A Ú D E D A F A M ÍL IA E O N Ú C LE O D E A P O IO À S A Ú D E D A F A M ÍL IA - G R U P O P R O M IN A S ritórios sob responsabilidade destas equipes, atuando diretamente no apoio matricial às equipes da(s) unidade(s) à(s) qual(is) o Nasf está vinculado e no território destas equipes. Compostos por equipes multiprofissionais que atuam de forma integrada com as equipes de Saúde da Família (eSF), as equipes de atenção básica para populações específicas (consultórios na rua, equipes ribeirinhas e fluviais) e com o Programa Academia da Saúde. (BRASIL, 2011) Qualquer município brasileiro, contanto que tenha ao menos uma equipe Saúde da Família, pode instaurar equipes NASF. A moda- lidade de NASF a ser instaurada pode variar de um município para o outro, conforme o número de equipes de saúde do local. O NASF trabalha na lógica do apoio matricial, ou seja, trata-se de uma estratégia de organização baseada na resolubilidade da atenção a partir da integração e cooperação entre as equipes interdisciplinares responsáveis pelo cuidado de determinado território. O objetivo é que os profissionais da equipe do NASF possam compartilhar seus conhe- cimentos com os profissionais da ESF, resultando que a equipe Saúde da Família amplie seus conhecimentos e, com isso, possa amplificar a resolutividade da própria atenção básica. São exemplos de ações de apoio matricial: discussão de casos, atendimentos compartilhados entre NASF e ESF, atendimentos individuais do profissional do NASF ante- cedida ou seguida de discussão com a ESF, construção conjunta de projetos terapêuticos, ações de educação permanente, intervenções no território e na saúde de grupos populacionais e da coletividade, ações intersetoriais, ações de prevenção e promoção da saúde, discussão do processo de trabalho das equipes etc. A composição da equipe do NASF, segundo diretrizes do Minis- tério da Saúde, deve ser determinada pelo gestor municipal em conjun- to com as equipesde atenção básica da região, segundo as necessida- des identificadas no território após avaliação do perfil socioeconômico e epidemiológico da população. (BRASIL, 2009). Vale ressaltar que a atuação do NASF deve se dar de forma integrada e colaborativa com as equipes de atenção básica em atividades de cunho técnico pedagógico e clínico assistencial. (BRASIL, 2014; BRASIL, 2008) De acordo com o Ministério da Saúde, a instauração de equi- pes NASF ocorre da seguinte maneira: Passo 1 – o município deverá compor plano incluindo, no míni- mo, os seguintes esclarecimentos: a) Região geográfica a ser atendida, com estimativa da popu- lação residente; b) Informações coletadas em análise pelo município que justifi- que a inauguração do NASF; c) Descrição dos profissionais que irão integrar as equipes do 38 E ST R A TÉ G IA S D E S A Ú D E D A F A M ÍL IA E O N Ú C LE O D E A P O IO À S A Ú D E D A F A M ÍL IA - G R U P O P R O M IN A S NASF e as respectivas funções a serem executadas; d) Definição de quais ESF serão vinculadas, bem como o có- digo do Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES) da Unidade Básica de Saúde em que o NASF será habilitado; e) Exposição do planejamento compartilhado entre as ESF e as equipes do NASF; f) Definição do fluxo dos usuários para garantia de referência e aos demais serviços da rede assistencial; g) Apresentação da forma de recrutamento, seleção, contrata- ção e carga horária dos profissionais da equipe do NASF. Passo 2 – submissão do projeto para aprovação do Conselho Municipal de Saúde. Passo 3 – a Secretaria Municipal de Saúde transfere os dados para análise da Secretaria Estadual de Saúde. Passo 4 – a Secretaria Estadual de Saúde submete o pleito do(s) município(s) à apreciação da Comissão Intergestores Bipartite (CIB). Passo 5 – a Secretaria Estadual de Saúde submete ofício para o Ministério da Saúde, comunicando a quantidade de NASF aprovados. Passo 6 – o Ministério da Saúde expõe publicamente o creden- ciamento da(s) equipe(s) do NASF no Diário Oficial da União. Passo 7 – o município credencia a(s) equipe(s) do NASF no Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES). Após a finalização do processo, o município inicia os recebi- mentos de recursos de implantação e custeio referentes na competência subsequente à implantação. No entanto, para manutenção e garantia destes recursos financeiros, o município deve promover a atualização mensal dos sistemas de informações nacionais. As equipes do NASF podem ser compostas com as seguintes ocupações do Código Brasileiro de Ocupações (CBO): médico acupuntu- rista; assistente social; profissional/professor de educação física; farmacêu- tico; fisioterapeuta; fonoaudiólogo; médico ginecologista/obstetra; médico homeopata; nutricionista; médico pediatra; psicólogo; médico psiquiatra; terapeuta ocupacional; médico geriatra; médico internista (clínica médica), médico do trabalho, médico veterinário, profissional com formação em arte e educação (arte educador) e profissional de saúde sanitarista, ou seja, profissional graduado na área de saúde com pós-graduação em saúde pú- blica ou coletiva ou graduado diretamente em uma dessas áreas. A composição de cada um dos NASF é determinada pelos ges- tores municipais responsáveis, conforme os critérios de prioridade iden- tificados a partir de levantamentos de dados epidemiológicos, socioeco- nômicos e das demandas locais específicas da região. 39 E ST R A TÉ G IA S D E S A Ú D E D A F A M ÍL IA E O N Ú C LE O D E A P O IO À S A Ú D E D A F A M ÍL IA - G R U P O P R O M IN A S A Portaria nº 256/SAS/MS, de 11 de março de 2013, é respon- sável pelas novas regras e normas para o cadastramento das equipes incluídas nos Núcleos de Apoio à Saúde da Família (NASF) no Siste- ma de Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (SCNES). Fonte: BRASIL, 2013. COMPOSIÇÃO E ATRIBUIÇÕES DOS PROFISSIONAIS DA ESTRA- TÉGIA SAÚDE DA FAMÍLIA A Estratégia Saúde da Família (ESF) é composta por equipe multiprofissional que deve ser formada por no mínimo: 1 médico gene- ralista ou especialista em saúde da família, 1 enfermeiro generalista ou especialista em saúde da família, 2 auxiliares ou técnicos de enferma- gem e 5 a 6 agentes comunitários de saúde (BRASIL, 1994). A equipe multiprofissional também pode ser constituída por profissionais de saúde bucal, tais como cirurgião-dentista generalista ou especialista em saúde da família, auxiliar e/ou técnico em Saúde Bucal (BRASIL, 2011). Esses profissionais devem estar cadastrados em uma equipe de saúde da família, mantendo responsabilidade sanitária pela mesma população e território que a ESF. Cada equipe de Saúde da Família deve ser responsável por, no máximo, 4.000 pessoas de uma determinada região, que tornam a ter corresponsabilidade no cuidado com a saúde. A quantidade de profissionais a compor cada unidade deve ser estabelecida de acordo com os seguintes fatores (BRASIL, 1994): - Capacidade geográfica da unidade; - Quantidade de pessoas a serem atendidas; - Enfrentamento dos determinantes do processo saúde/doença; - Integralidade da atenção em saúde; - Oportunidades e possibilidades da região. As funções devem ser realizadas de maneira dinâmica, com avaliação contínua por meio do acompanhamento dos indicadores de saúde de cada região de atuação. Assim, as competências das equipes de Saúde da Família, do ponto de vista organizacional, são: • Colaborar no processo de territorialização da região, detec- tando ocorrências de alto risco e vulnerabilidade, executando busca ati- va e notificando doenças e agravos de notificação compulsória; 40 E ST R A TÉ G IA S D E S A Ú D E D A F A M ÍL IA E O N Ú C LE O D E A P O IO À S A Ú D E D A F A M ÍL IA - G R U P O P R O M IN A S • Registrar a população moradora da região, principalmente famílias e seus representantes, assegurando a qualidade da coleta de dados e a fidedignidade das informações clínicas e sociais do grupo populacional atendido de maneira interdisciplinar, por meio de reuniões sistemáticas para planejamento e avaliação das ações. • Fortalecer processos de educação em saúde, voltados à orientação de medidas de autocuidado pessoal, proporcionando ações de planejamento para solucionar os desafios encontrados. Associadas a estas, outras atividades devem ser desenvol- vidas, a fim de promover atenção integral, contínua e organizada da população adstrita (BRASIL, 2011). Além da atuação nas unidades bási- cas de saúde, a equipe do ESF também exerce as seguintes atividades: Visita Domiciliar A visita domiciliar é uma esfera da atenção domiciliar à saúde que prioriza as ações educativas e a avaliação multidimensional das famílias. O ESF caracteriza a visita domiciliar como uma forma de inte- ração social na atenção à saúde de extrema importância, sendo consi- derado um instrumento de intervenção comunitário fundamental através do levantamento de dados sobre condições de saúde e qualidade de vida da população atendida (ALBUQUERQUE; BOSI, 2009). A visita domiciliar tem como finalidade o monitoramento da si- tuação de saúde das famílias, sendo compreendidos família, indivíduos e comunidade como autores responsáveis de poder de decisão no pro- cesso de saúde e doença, os quais são influenciadores e influenciados pelas relações que ocorrem nos contextos em que estão inseridos. Os profissionais de saúde devem participar de visitas domiciliares progra- madas anteriormente ou direcionadas ao atendimento de demandas es- pontâneas, de acordo com requisitos epidemiológicos e de identificação de situações de risco. Internação Domiciliar A internação domiciliar é uma categoria mais específica em comparação à visita domiciliar. O processo de internação domiciliar contempla a utilização de instrumentos tecnológicos em domicílio, de acordo com as necessidades de cada