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RESUMÃO HAM INTEGRADORA TEMA: RELAÇÃO MÉDICO PACIENTE A relação médico-paciente é uma das formas fundamentais de interação humana e se baseia em princípios bioéticos e valores essenciais para alcançar seus objetivos. Ela é vital não apenas para a coleta de dados clínicos, mas também para garantir uma comunicação clara e efetiva com o paciente. Esse relacionamento deve ser construído em torno de confiança, empatia e respeito mútuo. GUARDE A PRÓXIMA IMAGEM COM CARINHO, SÃO CONCEITOS SIMPLES MAS QUE PODE TE CONFUNDIR. Princípios Éticos e Valores na Relação Médico-Paciente A ética e as virtudes morais são partes inseparáveis do exame clínico e estão no centro da relação médico-paciente. Para que essa relação seja saudável e produtiva, o médico deve adotar uma postura que vá além do diagnóstico técnico, incorporando atitudes de empatia, cortesia e atenção. Essas virtudes, juntamente com o respeito pela autonomia do paciente, ajudam a evitar mal-entendidos que podem gerar situações desgastantes para ambas as partes. A Comunicação Empática como Pilar da Relação É responsabilidade do médico garantir uma comunicação empática e compreensiva. Isso inclui ouvir atentamente o paciente, responder suas dúvidas de maneira clara e demonstrar respeito em todas as interações. Ao acolher as preocupações e as informações que o paciente já possui, o médico auxilia no processo de empoderamento, permitindo que o paciente se sinta protagonista do próprio tratamento. Acolhimento de Informações Prévias do Paciente Com o acesso à internet, é comum que pacientes cheguem ao consultório com informações obtidas previamente. Nesse contexto, cabe ao médico esclarecer dúvidas e orientar o paciente na busca de fontes confiáveis e acessíveis. Essa atitude não só reforça a autonomia do paciente, mas também fortalece a confiança entre ele e o profissional. Respeito à Autonomia do Paciente O respeito pela autonomia do paciente, considerando-o como um ser humano e cidadão, é o núcleo da relação médico-paciente na atualidade. Essa autonomia envolve a participação ativa do paciente nas decisões sobre sua saúde e seu tratamento. O médico deve dialogar abertamente sobre procedimentos invasivos, ventilação mecânica e, até mesmo, reanimação em casos de parada cardiorrespiratória. Esses aspectos devem ser discutidos de forma clara e documentados no prontuário do paciente. Fatores de Satisfação na Relação Médico-Paciente A satisfação do paciente é influenciada por fatores específicos no atendimento médico, entre os quais se destacam: Presença de um médico que conheça o paciente: Ter um médico que entende o histórico e as particularidades do paciente favorece a confiança e o vínculo. Congruência entre preferências do paciente e o estilo do médico: A sintonia entre o que o paciente espera e a abordagem do profissional contribui para uma experiência mais satisfatória. Qualidade da comunicação: A clareza e a frequência da comunicação médico- paciente influenciam diretamente a percepção de cuidado. Acordo sobre o problema de saúde e o tratamento: Quando o médico e o paciente compartilham uma compreensão comum sobre o diagnóstico e as estratégias de tratamento, há uma maior adesão e comprometimento com o plano de cuidados. FATORES DE INTERFERENCIA NA RELAÇÃO MÉDICO PACIENTE GUARDE OS CONCEITOS ABAIXO, principalmente a tríade: Beneficência, Não maleficência e Autonomia. Modelo Atual e a Perspectiva de Empatia Atualmente, o modelo de atendimento médico enfatiza a importância de o médico se colocar no lugar do paciente, vendo a condição clínica com empatia e compreensão. Nesse modelo centrado no paciente, o foco da medicina é a pessoa como um todo, e não apenas a doença. O objetivo do médico deve ser ouvir e compreender profundamente o contexto do paciente, identificando as necessidades reais, em vez de apenas listar sintomas. Modelos de Relação Médico-Paciente Segundo Robert Veatch Robert Veatch, professor do Instituto Kennedy de Ética da Universidade Georgetown (EUA), propôs quatro modelos de relação médico-paciente que têm relevância contemporânea, especialmente considerando as questões bioéticas. Esses modelos refletem diferentes abordagens na interação médico-paciente e como essas abordagens impactam a ética do cuidado. Tipos de Relacionamento Médico-Paciente Além dos modelos de Veatch, é possível distinguir, de forma didática, três tipos ou níveis de relacionamento médico-paciente. Esses tipos variam de acordo com fatores como a estrutura psicológica de cada indivíduo, as mudanças ocasionadas pela doença e as particularidades do tratamento, incluindo o ambiente (hospital, consultório, ou atendimento domiciliar). Abaixo, são descritos esses três tipos de relacionamento: Médico Ativo e Paciente Passivo: Nesse tipo de relacionamento, o paciente aceita passivamente os cuidados do médico, sem demonstrar necessidade de compreender os detalhes do tratamento. O médico assume um papel de autoridade ativa, e quanto mais seguro e confiante se mostra, maior é o nível de tranquilidade e segurança transmitido ao paciente. Médico Direciona e Paciente Colabora: Aqui, o médico assume uma postura em que direciona o tratamento de maneira um pouco mais autoritária, mas o paciente colabora com as orientações. O paciente compreende e aceita essa postura, contribuindo ativamente para que o tratamento seja efetivo. Médico Age e Paciente Participa Ativamente: Nesse modelo, tanto o médico quanto o paciente desempenham papéis ativos. O médico define os caminhos do tratamento, mas o paciente é incluído no processo decisório. Após trocas de informações e considerações de alternativas, ambos decidem juntos o melhor curso de ação. Esse tipo de relacionamento fortalece o papel do paciente, que assume responsabilidade pelo próprio tratamento e engaja-se na busca por melhores resultados. E COMO DEVE SER UM PASSO A PASSO DE UMA CONSULTA TEMA: ANAMNESE E PRONTUÁRIO ANAMNESE A anamnese é considerada a parte mais importante da prática médica, pois estabelece a base para a relação médico-paciente, que é o pilar central do trabalho do médico. Além disso, a anamnese permite que o médico compreenda profundamente o paciente e utilize o progresso tecnológico de forma humana e centrada no indivíduo. Assim, a anamnese ocupa uma posição insubstituível na prática clínica. Noções Básicas da Anamnese A anamnese marca o primeiro contato entre médico e paciente, sendo fundamental para a construção e consolidação da relação entre ambos. Durante a anamnese, o paciente relata os fatos e o histórico da doença que o preocupa. Trata-se de uma entrevista onde o médico faz perguntas direcionadas tanto à doença quanto ao contexto socioeconômico do paciente. Serve como um instrumento de triagem e análise de sintomas, auxiliando o médico no raciocínio clínico e, consequentemente, no diagnóstico, prognóstico e escolha terapêutica mais adequados. A anamnese deve ser estruturada com uma narrativa coerente e completa, contendo início, meio e fim. Inclui o exame físico como parte integrante do processo. Objetivos da Anamnese: Técnicas de Anamnese Permitir que o paciente fale sem interrupções: O médico deve ouvir atentamente as queixas iniciais do paciente, para que ele possa se expressar plenamente. Anamnese dirigida: O médico conduz a entrevista de forma objetiva, seguindo um esquema estruturado que facilita a obtenção das informações essenciais. Conduzir a entrevista com equilíbrio: No início, o médico permite que o paciente fale de forma espontânea; posteriormente, direciona a entrevista de maneira mais objetiva para completar as informações. Aspectos a Evitar em uma Anamnese Evitar pressa durante a entrevista: O médico deve evitar uma abordagem apressada para garantir que todas as informações sejam capturadas com atenção. Evitar interesse exclusivo por uma enfermidade específica: O médico não deve se concentrar apenas em uma doença específica sem explorar as queixas gerais do paciente. Evitar sugestionamento: É importante que o médico não sugira sintomas ou direções que possam influenciar o relato do paciente. Evitar solicitar exames sem conhecer a queixa principal: O pedido de exames deve vir após o entendimento inicial das queixas do paciente. Elementos da Anamnese Tradicional REPITA AS SIGLAS NA SUA CABEÇA: I,Q,H,I,A,A,H,C (leia como se fosse uma palavra – iquirriahc – e nunca mais se esqueça o que você deve perguntar ao paciente kkk) Identificação: Inclui o perfil sociodemográfico do paciente, como nome, idade, sexo, estado civil, profissão, naturalidade, procedência, residência, nome da mãe, nome do responsável/cuidador ou acompanhante. Queixa Principal: É o motivo que levou o paciente a procurar atendimento médico, geralmente expresso por meio de sintomas ou problemas específicos. História da Doença Atual (HDA): Descrição cronológica e detalhada do problema de saúde atual do paciente, permitindo um entendimento claro de seu desenvolvimento. Interrogatório Sintomatológico: Avaliação minuciosa dos sintomas em cada sistema corporal, complementando a história da doença atual e promovendo uma visão ampla da saúde do paciente. Antecedentes Pessoais: Revisão do estado de saúde atual e passado do paciente, considerando fatores pessoais e familiares que possam influenciar seu processo saúde-doença. Antecedentes Familiares: Análise dos antecedentes de saúde familiar, que fornece uma visão sobre possíveis influências médicas, sociais e emocionais das doenças na família. Hábitos de Vida: Registro de hábitos e estilo de vida, incluindo alimentação, prática de exercícios, uso de tabaco, consumo de álcool e histórico ocupacional do paciente. Condições Socioeconômicas e Sociais: Avaliação das condições de habitação, vínculos familiares e sociais, situação financeira, atividades de lazer, filiação religiosa, crenças espirituais e escolaridade do paciente. Método S.O.A.P O método S.O.A.P é uma técnica que organiza as informações do atendimento médico de forma estruturada, facilitando consultas rápidas e oferecendo uma visão lógica do caso clínico, esse método é útil tanto para o médico quanto para o paciente, pois permite que, em consultas futuras, o médico possa verificar se o plano terapêutico foi seguido e ajustar o tratamento conforme necessário. Nesse modelo organizacional de consulta, o médico não fica na “rigidez da anamnese tradicional” mas consegue avaliar outros aspectos do paciente, por exemplo, no tópico “S – subjetivo” o médico tem a possibilidade de perguntar como o paciente se sente em relação ao seu processo-saúde-doença, diferente da anamnese tradicional, lá não tem um tópico entre as perguntas para perguntar “Como você está se sentindo em relação a essa doença? ” Entende? O método é dividido nas seguintes partes: S: Subjetivo Nesta seção, são registradas as queixas principais e os sentimentos do paciente. Inclui-se o motivo do atendimento, a anamnese completa e os problemas que o paciente apresenta, abordando os aspectos subjetivos da consulta que influenciam o diagnóstico e o cuidado. O: Objetivo Nesta parte, são documentados os dados objetivos observados durante o exame físico, bem como os resultados de exames complementares. Todas as informações médicas aferidas pelo profissional, que são mensuráveis e observáveis, são registradas aqui. A: Avaliação Este espaço é destinado à análise dos problemas identificados durante a consulta. O médico avalia cada problema, relacionando-o com a possibilidade de resolução ou controle, e elabora um diagnóstico provisório ou definitivo, dependendo do caso. P: Plano A última seção do método S.O.A.P refere-se ao plano de ação para o paciente, ou seja, o conjunto de orientações terapêuticas e recomendações elaboradas pelo médico. Este plano pode incluir tratamentos, medicações, orientações para o estilo de vida e o acompanhamento necessário, visando melhorar a saúde do paciente. ATENÇÃO, DECORE: Prontuário Médico O prontuário médico é um documento essencial para o acompanhamento integral do paciente, contendo informações como histórico familiar, anamnese, descrição e evolução dos sintomas, exames, tratamentos indicados e prescrições. É um registro abrangente da saúde e do tratamento do paciente, com uso tanto clínico quanto administrativo. Informações Iniciais O prontuário é de propriedade do paciente, que tem direito ao acesso quando necessário. É uma fonte de dados valiosa para a coleta de informações, elaboração de estatísticas e indicadores, beneficiando o ensino, a assistência e o planejamento na área da saúde. Além de seu valor clínico, o prontuário serve como um instrumento de defesa legal. As informações registradas no prontuário são confidenciais e devem ser mantidas sob sigilo. O acesso ao prontuário só pode ser concedido com autorização do paciente ou de seu representante legal, exceto em casos judiciais em que uma equipe de perícia médica tem acesso aos documentos. Conforme a Resolução do Conselho Federal de Medicina (CFM) de 2002, o prazo mínimo de guarda dos prontuários em suporte físico é de 20 anos a partir do último registro. Uma Comissão de Revisão de Prontuários atua para garantir a segurança das informações contidas nos prontuários. Cada avaliação deve ser registrada de forma cronológica, com data, hora, assinatura e número de registro do médico no Conselho Regional de Medicina. O processo de triagem também deve ser registrado no prontuário do paciente. Objetivo do Prontuário Médico O prontuário é organizado para servir ao paciente, ao corpo clínico, à administração hospitalar e à sociedade. Entre suas principais finalidades estão: Instrumento de consulta, avaliações, ensino, pesquisa e auditoria; Base para estatísticas médico-hospitalares, investigações epidemiológicas, sindicâncias e processos ético-legais; Ferramenta de comunicação entre os profissionais de saúde e defesa em casos judiciais; Avaliação da qualidade e quantidade dos serviços prestados, com base na precisão das informações registradas. O que Diz o Código de Ética Médica O Código de Ética Médica define normas específicas sobre o prontuário médico, com as seguintes obrigações e vedações aos profissionais: Artigo 85: É vedado ao médico permitir que qualquer pessoa que não esteja obrigada pelo sigilo profissional ler ou manusear um prontuário Artigo 87: É vedado ao médico deixar de preencher o prontuário de forma legível para o paciente Artigo 87, Parágrafo 1: Exige que o prontuário contenha dados clínicos completos do paciente para acompanhamento adequado. Artigo 87, Parágrafo 2: Determina que a responsabilidade pela guarda do prontuário é da clínica ou do médico responsável pelo preenchimento. Artigo 88: Garante ao paciente ou a seu representante legal o direito a cópias, acesso e explicações sobre o prontuário. Artigo 89: Permite o fornecimento de cópias para atender a ordens judiciais ou para defesa do médico, desde que haja autorização do paciente e o sigilo seja mantido. Quem Pode Solicitar o Prontuário Médico? Somente o próprio paciente, seu responsável legal ou um juiz mediante mandado judicial podem solicitar o prontuário. Para pacientes menores de 18 anos, o direito à individualidade e ao sigilo médico também se aplica. Em relação a crianças e adolescentes, o Código de Ética Médica determina: Artigo 74: É vedado ao médico revelar informações confidenciais de pacientes com discernimento, inclusive para seus pais ou representantes legais, exceto quando a não revelação possa causar danos ao paciente. Veja na tabela abaixo situações que permitem a quebra do sigilo médico. TEMA: TÉCNICA DE HIGIENIZAÇÃODAS MÃOS Técnicas de Higienização das Mãos A higienização das mãos é uma prática essencial e altamente eficaz para a prevenção de infecções relacionadas à assistência à saúde. É uma medida simples e econômica que reduz significativamente o risco de transmissão de microrganismos em ambientes de saúde, sendo recomendada a todos os profissionais que trabalham nesses serviços, especialmente aqueles que têm contato direto ou indireto com pacientes, manipulam medicamentos, alimentos, ou materiais estéreis ou contaminados. Objetivo O objetivo principal da higienização das mãos é interromper a transmissão de infecções através do contato, promovendo: Remoção de sujidade, suor e oleosidade; Eliminação de pelos, células descamativas e microbiota da pele. Indicações para Higienização das Mãos As mãos dos profissionais de saúde podem ser higienizadas utilizando diferentes produtos, dependendo das situações específicas e indicações: Indicação do uso de água e sabonete Indicação do uso de preparações alcoólicas Indicação do uso de agentes anti- sépticos • Quando as mãos estiverem visivelmente sujas ou contaminadas com sangue e outros fluidos corporais. • Ao iniciar e terminar o turno de trabalho. • Antes e após ir ao banheiro. • Antes e depois das refeições. • Antes de preparo de alimentos. • Antes de preparo e manipulação de medicamentos. • Antes e após contato com paciente colonizado ou infectado por C. difficile. • Após várias aplicações consecutivas de produto alcoólico. • Nas situações indicadas para o uso • Antes de contato com o paciente • Após contato com o paciente • Antes de realizar procedimentos assistenciais e manipular dispositivos invasivos • Antes de calçar luvas para inserção de dispositivos invasivos que não requeiram preparo cirúrgico • Após risco de exposição a fluidos corporais • Ao mudar de um sítio corporal contaminado para outro, limpo, durante o cuidado ao paciente • Após contato com objetos inanimados e superfícies imediatamente próximas ao paciente Higienização anti-séptica das mãos • Nos casos de precaução de contato recomendados para pacientes portadores de microrganismos multirresistentes; • Nos casos de surtos. Degermação da pele das mãos • No pré-operatório, antes de qualquer procedimento cirúrgico (indicado para toda equipe cirúrgica); • Antes da realização de procedimentos invasivos (e.g., inserção de cateter intravascular central, punções, drenagens de cavidades, instalação de diálise, pequenas suturas, endoscopias e Água e Sabonete: Indicado para a remoção de sujidade visível, resíduos biológicos e materiais orgânicos. É o método ideal para higienização após o contato com fluidos corporais ou após o uso do banheiro. Preparação Alcoólica: Uma opção prática para a assepsia das mãos em situações onde não há sujidade visível. É indicado antes e após o contato com o paciente, principalmente em situações onde o tempo é um fator importante, pois a solução alcoólica permite uma assepsia rápida e eficaz. Anti-séptico Degermante: Utilizado em procedimentos que exigem um nível mais elevado de assepsia, como cirurgias e manuseio de dispositivos invasivos. Este método é recomendado em situações em que se requer a remoção de uma quantidade maior de microrganismos, garantindo uma proteção adicional ao paciente. Técnicas Detalhadas de Higienização das Mãos As técnicas de higienização das mãos são aplicadas conforme o nível de assepsia necessário e o objetivo do procedimento. As principais técnicas incluem: Higienização Simples das Mãos: o Objetivo: Remover microrganismos que colonizam as camadas superficiais da pele, além de retirar suor, oleosidade e células mortas. Este procedimento reduz a sujidade, evitando a permanência e proliferação de microrganismos. o Duração: 40 a 60 segundos. Higienização Anti-séptica das Mãos: o Objetivo: Promover a remoção de sujidades e reduzir a carga microbiana das mãos. Para isso, utiliza-se um sabonete associado a um anti-séptico (ex.: sabonete anti-séptico degermante) em vez do sabonete comum. o Técnica: Igual à higienização simples, substituindo o sabonete comum por um anti-séptico. o Duração: 40 a 60 segundos. Fricção de Anti-séptico nas Mãos: o Objetivo: Reduzir a carga microbiana das mãos quando não há sujidade visível. Para este procedimento, aplica-se gel alcoólico a 70% ou solução alcoólica a 70% com 1-3% de glicerina. o Duração: 20 a 30 segundos. Anti-sepsia Cirúrgica ou Preparo Pré-operatório das Mãos: o Objetivo: Eliminar a microbiota transitória e reduzir a microbiota residente da pele, proporcionando efeito residual para procedimentos cirúrgicos. Escovas de cerdas macias e descartáveis, impregnadas ou não com anti-séptico, são utilizadas para limpar o leito e subleito ungueal. o Duração: 3 a 5 minutos para a primeira cirurgia e 2 a 3 minutos para cirurgias subsequentes. de preparações alcoólicas. • Antes e após remoção de luvas outros). Essas técnicas garantem a segurança e assepsia adequadas em diferentes situações de atendimento, contribuindo para a redução de infecções nos ambientes de saúde. TEMA: TIPOS DE FÁCEIS E MARCHA FÁCIES: Análise das Expressões Fisionômicas e Características Faciais em Pacientes Fácies é o conjunto de características observadas na face de um paciente, composto tanto por elementos anatômicos como pela expressão fisionômica. Essas características incluem não apenas elementos estáticos, mas também expressões dinâmicas como o olhar, os movimentos das asas nasais e a posição da boca. As diferentes fácies podem fornecer indícios valiosos sobre o estado de saúde do paciente e a possível presença de patologias específicas. Principais Tipos de Fácies: Fácies Hipocrática: Caracterizada por olhos fundos, sem expressão, nariz afinado, lábios adelgaçados, batimentos visíveis das asas do nariz, suor no rosto, palidez cutânea e leve cianose labial. Esta fácies é associada a doenças graves e situações de sofrimento extremo. Fácies Renal: Notável pela presença de edema, especialmente ao redor dos olhos. Comum em pacientes com doenças renais, como síndrome nefrótica e glomerulonefrite aguda. Fácies Leonina: Observada em casos de hanseníase, esta fácies apresenta pele espessa e com lepromas, especialmente na região da fronte. A expressão inclui supercílios ausentes, nariz espesso e alargado, lábios grossos e bochechas e mento deformados por nódulos. Confere ao rosto uma aparência de leão, origem do termo "leonina." Fácies Adenoidiana: Caracterizada por um nariz pequeno e afilado e boca entreaberta, esta fácies é comum em pacientes com hipertrofia das adenoides, que dificulta a respiração nasal devido à obstrução das fossas nasais. Fácies Parkinsoniana: A cabeça permanece inclinada para frente, com olhar fixo e supercílios elevados, conferindo ao paciente uma expressão de espanto e falta de expressividade, como uma máscara. Essa fácies é comum na síndrome de Parkinson e na doença de Parkinson, destacando-se pela imobilidade da expressão facial. Fácies Basedowiana: Marcada pelos olhos salientes (exoftalmia), brilhantes e uma expressão de vivacidade ou ansiedade. Comumente associada ao hipertireoidismo, acompanhada de bócio e de uma aparência magra. Fácies Mixedematosa: Caracterizada por um rosto arredondado, nariz e lábios espessos, pele seca e enrugada, pálpebras infiltradas, supercílios escassos e cabelos opacos. Denota desânimo e apatia, comum em casos de hipotireoidismo ou mixedema. Fácies Acromegálica: Exibe saliência nas arcadas supraorbitárias, maçãs do rosto proeminentes, maxilar inferior aumentado, com nariz, lábios e orelhas hipertrofiados. Os olhos parecem pequenos devido ao aumento das estruturas faciais, indicando acromegalia. Fácies Cushingoide (ou de Lua Cheia): Caracterizada por um rosto arredondadoe suavização dos traços faciais, muitas vezes com presença de acne. Observada na síndrome de Cushing ou em pacientes com uso prolongado de corticosteroides. Fácies de Depressão: Evidenciada pela expressão cabisbaixa, olhar distante e sem brilho, com o sulco nasolabial acentuado e canto da boca rebaixado, sugerindo tristeza e sofrimento emocional. Comum em transtornos depressivos. Fácies da Paralisia Facial Periférica: Marcas características incluem assimetria facial, incapacidade de fechar uma das pálpebras e desvio da boca para o lado não afetado. O sulco nasolabial do lado afetado fica apagado. Fácies da Síndrome de Down: Caracterizada pela fenda palpebral seu elemento característico, uma prega cutânea (epicanto) que torna os olhos oblíquos, bem distantes um do outro, lembrando o tipo de olhos dos chineses. Acessoriamente, nota-se um rosto redondo, boca quase sempre entreaberta e uma expressão fisionômica de pouca inteligência. É observada no mongolismo, trissomia do par 21 ou síndrome de Down. Fácies Lúpicas: Apresenta um eritema facial (vermelhidão) em formato de "asa de borboleta", geralmente associado ao lúpus eritematoso sistêmico. Fácies Miastênica (ou Fácies de Hutchinson): Marcada pela ptose palpebral bilateral, que obriga o paciente a franzir a testa e elevar a cabeça para enxergar. Associada à miastenia gravis e outras miopatias. Fácies Esclerodérmica (ou de Múmia): Caracteriza-se pela imobilidade facial com pele endurecida, aderente aos planos profundos, com lábios retraídos, nariz fino e expressão fixa. Comum em casos de esclerodermia. Cada um desses tipos de fácies oferece informações valiosas para o diagnóstico diferencial, facilitando o reconhecimento precoce de doenças e auxiliando na abordagem clínica inicial. PRINCIPAIS TIPOS DE MARCHA TEMA: SINAIS VITAIS Introdução Os sinais vitais refletem o funcionamento e indicam possíveis alterações nos órgãos e sistemas relacionados com a manutenção da vida. Clássicos sinais vitais incluem: ritmo e frequência de pulso, frequência cardíaca, pressão arterial, ritmo e frequência respiratórios e temperatura corporal. Mais recentemente, também são considerados a dor, o nível de consciência e a oximetria de pulso. A aferição dos sinais vitais deve ser feita dentro de um minuto. Ritmo e Frequência do Pulso A palpação sistemática e simétrica das artérias permite: Detectar diminuição, ausência ou hiperpulsatilidade. Auxiliar no diagnóstico clínico de estenose (estreitamento), oclusão ou dilatação de artérias. A amplitude do pulso é graduada da seguinte forma: 0: ausente (+): diminuído (++): normal Na prática, os pulsos devem ser palpados rotineiramente nas artérias: Carótidas, braquiais, radial e ulnar, aorta abdominal, femoral comum, poplítea, tibial posterior e pediosa. Nota: A diminuição ou ausência do pulso em um segmento sugere estenose crítica ou oclusão entre o segmento com pulso normal e o segmento alterado. Para a avaliação do pulso, atenção especial deve ser dada a ritmo e frequência. Ritmo O ritmo do pulso é identificado pela sequência das pulsações, podendo ser: Pulso Regular: intervalos iguais entre as pulsações. Pulso Irregular: intervalos desiguais entre as pulsações, o que pode indicar uma arritmia cardíaca. Frequência A frequência do pulso deve ser medida contando-se as pulsações durante um minuto inteiro e comparada à frequência cardíaca. Quando o número de pulsações no pulso é menor do que a frequência cardíaca, caracteriza-se o déficit de pulso, um sinal clínico relevante, encontrado em casos de fibrilação atrial e extrassistolia. Nesses casos, não se deve considerar a frequência do pulso como equivalente à frequência cardíaca. A análise conjunta do ritmo e frequência possibilita identificar condições como a fibrilação atrial, que apresenta um pulso rápido e irregular. Ritmo e Frequência Respiratória Os ritmos e frequências respiratórias normais caracterizam-se pelos seguintes elementos: Ritmo: A respiração normal ocorre com uma sucessão regular de movimentos respiratórios, cada um com uma amplitude de profundidade aproximadamente igual aos demais. Frequência: Em adultos saudáveis, a frequência normal situa-se entre 16 e 20 (12-20 depende da referência) respirações por minuto, situação chamada eupneia. PADRÕES RESPIRATÓRIOS PATOLÓGICOS Respiração de Cheyne-Stokes: é caracterizada por hiperpneia, que pode variar, alternando com períodos de apneia. Esse padrão respiratório é comum em pacientes portadores de cardiopatias crônicas e lesões neurológicas. Respiração de Kussmaul: é característica de pacientes em cetoacidose diabética e pode ser identificada através de inspirações amplas, interrompidas por períodos de apneia. Geralmente, as expirações são profundas e ruidosas. Respiração de Biot: respiração atáxica, irregular e com nítidas variações de amplitude. Ela também intercala com períodos de apneia e é comum em pacientes com doenças neurológicas mais graves. Frequência Cardíaca A ausculta cardíaca permanece um método indispensável para o diagnóstico de doenças cardíacas, mesmo com a existência de métodos complementares modernos. Ela permite avaliar o estado e funcionamento do coração por meio de sons e ritmos específicos. Objetivos da Ausculta Cardíaca Na ausculta do coração, são considerados sistematicamente os seguintes aspectos: Bulhas cardíacas Ritmo e frequência cardíaca Ritmos tríplices Alterações das bulhas cardíacas Cliques ou estalidos cardíacos Sopros cardíacos Ruído da pericardite constritiva Atrito pericárdico Rumor venoso Focos ou Áreas de Ausculta Cardíaca A ausculta cardíaca se realiza em focos específicos, ou áreas de ausculta, localizadas em diferentes regiões do tórax: Área Mitral: Localiza-se no 4º ou 5º espaço intercostal esquerdo, na linha hemiclavicular, correspondendo à ponta do coração. Área Pulmonar: Encontra-se no 2º espaço intercostal esquerdo, próximo ao esterno. Área Aórtica: Localizada no 2º espaço intercostal direito, junto ao esterno. Área Tricúspide: Situa-se na base do apêndice xifoide, ligeiramente à esquerda. Bulhas Cardíacas As bulhas cardíacas são os sons produzidos pelo fechamento das válvulas do coração, e cada uma tem características específicas: Primeira Bulha Cardíaca (B1): Formada pelo fechamento das válvulas mitral e tricúspide, e representada pelo som "TUM". Segunda Bulha Cardíaca (B2): Produzida por vibrações causadas pelo fechamento das válvulas aórtica e pulmonar, representada pelo som "TA". Ritmo e Frequência Cardíaca Após o reconhecimento da 1ª e 2ª bulhas cardíacas (B1 e B2), deve-se: Determinar o ritmo cardíaco: Identificar a sequência e regularidade das bulhas cardíacas. Contar o número de batimentos por minuto (frequência cardíaca): Para isso, conta-se o número de batimentos por um minuto inteiro. TEMA: PRESSÃO ARTERIAL Técnica de Medição da Pressão Arterial (PA) A pressão arterial pode ser medida com esfigmomanômetros manuais, semi- automáticos ou automáticos. A medição deve ser feita preferencialmente no braço, utilizando um manguito adequado à circunferência do braço. Na suspeita de hipertensão arterial secundária (como em casos de coartação da aorta), a medição também deve ser realizada nos membros inferiores, com o uso de manguitos apropriados. Erros Comuns na Medição da Pressão Arterial Alguns dos erros mais comuns ao aferir a pressão arterial incluem: Colocar o manguito sobre a roupa do paciente. Posicionar incorretamente o manguito ou o receptor do estetoscópio. Usar um manguito inadequado para a circunferência do braço. Não calibrar corretamente o esfigmomanômetro. Preparo do Paciente 1. Explicar o Procedimento: Explique ao paciente o processo e deixe-o em repouso por3 a 5 minutos em um ambiente calmo. Ele deve ser instruído a não conversar durante a medição. 2. Certificar-se de que o paciente NÃO: o Está com a bexiga cheia. o Praticou exercícios físicos nos últimos 60 minutos. o Ingeriu bebidas alcoólicas, café ou alimentos recentemente. o Fumou nos últimos 30 minutos. 3. Posicionamento do Paciente: o O paciente deve estar sentado, com as pernas descruzadas e os pés apoiados no chão, dorso recostado na cadeira e em posição relaxada. o O braço deve estar na altura do coração, apoiado, com a palma da mão voltada para cima e sem que as roupas pressionem o braço. 4. Medição da PA na Posição de Pé: Realizar a medição após 3 minutos em pé para pacientes diabéticos, idosos ou em outras situações de possível hipotensão ortostática. Etapas para Realização da Medição 1. Determinar a Circunferência do Braço: Medir no ponto médio entre o acrômio (ombro) e o olécrano (cotovelo). 2. Selecionar o Manguito: Escolher um tamanho de manguito adequado ao braço. 3. Colocar o Manguito: Posicionar de forma firme e sem folgas, 2 a 3 cm acima da fossa cubital (dobra do cotovelo). 4. Centralizar o Manguito: Posicionar a parte compressiva do manguito sobre a artéria braquial. 5. Estimar a PAS pela Palpação: Palpar o pulso radial para estimar o nível da pressão arterial sistólica. 6. Posicionar o Estetoscópio: Palpar a artéria braquial e colocar a campânula ou o diafragma do estetoscópio, sem exercer pressão excessiva. 7. Inflar o Manguito: Inflar rapidamente até 20-30 mmHg acima do nível estimado de PAS. 8. Deflação Lenta: Proceder à deflação a uma velocidade de aproximadamente 2 mmHg por segundo. 9. Determinação da PAS: Identificar a PAS ao ouvir o primeiro som (Fase I de Korotkoff). 10. Determinação da PAD: Identificar a PAD no desaparecimento dos sons (Fase V de Korotkoff). 11. Confirmação da PAD: Auscultar 20-30 mmHg abaixo do último som para confirmar o desaparecimento e, em seguida, realizar deflação completa. Determinação dos Valores de Pressão Arterial Pressão Arterial Sistólica (PAS): Aparecimento do primeiro ruído (Fase I de Korotkoff). Pressão Arterial Diastólica (PAD): Desaparecimento dos ruídos (Fase V de Korotkoff). TEMA: EXAME DOS LINFONODOS O sistema linfático transporta um líquido claro, chamado linfa, que contém células imunes conhecidas como linfócitos. Esses linfócitos são fundamentais para a proteção do organismo contra antígenos estranhos. O sistema linfático é composto por: Ductos coletores da linfa Linfonodos Baço Timo Amígdalas palatinas Adenoides Placas de Peyer Os linfonodos organizam-se em grupos superficiais e profundos: Superficiais: localizados no tecido celular subcutâneo. Profundos: situam-se abaixo da fáscia dos músculos e dentro das cavidades corporais. No exame físico geral, é realizada uma avaliação sistemática dos linfonodos superficiais. Já os linfonodos profundos só podem ser examinados por meio de exames de imagem. Grupos de Linfonodos 1. Cabeça e Pescoço: occipital, pré-auricular, retroauricular, parotídea, faciais/bucais. 2. Membros Superiores: axilares, epitrocleanos. 3. Membros Inferiores: inguinais e poplíteos. 4. Tórax: linfonodos intratorácicos. 5. Abdome: linfonodos intra-abdominais. Observação: VERDE – são os superficiais / VERMELHO – são os profundos Semiologia do Exame dos Linfonodos O exame é realizado por inspeção e palpação. Inspeção Deve ser feita com boa iluminação e com a área exposta. Realiza-se uma comparação com o lado contralateral. Palpação 1. Cabeça e Pescoço: o Os linfonodos cervicais são melhor palpados com o examinador atrás do paciente. o Para os linfonodos da cadeia jugular, deve-se apalpar o músculo esternocleidomastoideo entre o polegar e os dedos médio e indicador. 2. Cadeias Bucal, Parotídea, Pré-auricular, Retroauricular e Occipital: o Realizar a palpação bidigital com movimentos giratórios, usando as polpas dos dedos indicador e médio. 3. Axilares e Retropeitorais: o O paciente deve estar sentado ou de pé, com o braço ligeiramente fletido. o O examinador posiciona-se à frente, segurando gentilmente o braço do paciente. 4. Epitrocleanos: o Mantendo o braço do paciente em flexão, realiza-se a compressão e o deslizamento ao longo da goteira epitrocleana. 5. Inguinais: o Com o paciente deitado, os dedos em extensão do examinador deslizam em movimentos circulares ou lineares. 6. Poplíteos: o Paciente em decúbito ventral, com a perna semifletida; o examinador realiza movimentos de compressão. Características dos Linfonodos a Serem Analisadas 1. Localização: Identificar o grupamento ganglionar específico. 2. Tamanho/Volume: Medir em centímetros o diâmetro. 3. Coalescência: Verificar se há junção de linfonodos, formando massas de limites imprecisos. 4. Consistência: Analisar se é endurecido, amolecido ou se apresenta flutuação. 5. Mobilidade: Determinar se há mobilidade. 6. Sensibilidade: Avaliar se há dor à palpação. 7. Alteração na Pele: Observar sinais de inflamação, como edema, calor, rubor e dor. LINFONODOS NORMAIS: INDIVIDUALIZADOS MÓVEIS INDOLORES APRESENTA CONSISTÊNCIA BORRACHOSA TEMA: EXAME FÍSICO DO BAÇO Introdução ao Baço O baço é um órgão essencial para o organismo, desempenhando várias funções importantes, incluindo: Hemopoese: participação na produção e destruição de células sanguíneas. Vigilância Imune: atuação na defesa imunológica, auxiliando no combate a infecções. Palpação do Baço Em condições normais, o baço não é palpável. Somente em casos de esplenomegalia (aumento do baço) ele pode ser sentido no exame físico. A palpação do baço é realizada no quadrante superior esquerdo do abdome. Características Semiológicas A principal característica semiológica a ser observada é a distância entre a reborda costal e a extremidade inferior do baço. Essa distância é medida em centímetros ou dedos transversos, tomando-se como referência a linha hemiclavicular esquerda. Em condições normais, o baço também não é percutível. Técnicas de Palpação Existem duas maneiras principais de realizar a palpação do baço: 1. Palpação Esplênica (Palpação Bimanual) Esta técnica é realizada com o paciente em decúbito dorsal (deitado de costas) e consiste nos seguintes passos: A mão esquerda do examinador é posicionada sobre o gradeado costal esquerdo, empurrando-o levemente para cima. A mão direita é posicionada sobre a parede abdominal com os dedos estendidos, apontando para o rebordo costal esquerdo. O examinador pressiona suavemente com a mão direita ao final da expiração do paciente e pede que ele inspire profundamente, buscando sentir a borda inferior do baço ao final da inspiração. 2. Posição de Schuster Nesta técnica, o paciente é colocado em decúbito lateral direito (deitado sobre o lado direito), com: A perna direita estendida e a coxa esquerda fletida sobre o abdome em ângulo de 90°. O ombro esquerdo elevado e o braço esquerdo colocado sobre a cabeça. O examinador posiciona-se à frente do paciente e: Com a mão esquerda, pressiona a área de projeção do baço para deslocá-lo levemente para baixo. A mão direita realiza a palpação, coordenando-a com a respiração do paciente. Durante a inspiração, o examinador avança a mão direita em direção ao rebordo costal esquerdo. Tamanho Normal do Baço Para que o baço se torne palpável, ele deve aumentar a pelo menos o dobro do tamanho normal. Normalmente, o baço mede aproximadamente: 13 × 8 × 3,5 cm e pesa entre 180 a 200 gramas. Ele está localizado na loja esplênica, recoberto pelo diafragma e pela parede costal esquerda, entre a 9ª e 11ª costelas. A extremidade inferior do baço situa-se cerca de 5 cm da reborda costal. TEMA: AVALIAÇÃO DO SISTEMA RESPIRATÓRIOE TORAX O exame físico do aparelho respiratório é dividido em inspeção, palpação, percussão e ausculta. Inspeção Inspeção Estática Observa-se a forma do tórax e possíveis anomalias estruturais, que podem ser: o Congênitas ou adquiridas o Localizadas ou difusas o Simétricas ou assimétricas Tipos de Tórax TIPOS DE TÓRAX TÓRAX NORMAL TÓRAX EM TONEL TÓRAX INFUNDIBULIFORME TÓRAX CARINIFORME ESCOLIOSE CIFOSE GIBOSIDADE Inspeção Dinâmica Avaliam-se os movimentos respiratórios e suas características, identificando alterações. Tipo Respiratório Respiração Torácica ou Costal: predominante movimentação da caixa torácica. Comum em pessoas sadias, na posição em pé ou sentada, em ambos os sexos. Respiração Diafragmática: maior movimentação na metade inferior do tórax e na parte superior do abdome, comum em posição de decúbito dorsal. Ritmo Respiratório Normalmente, a inspiração e a expiração têm duração semelhante e são intercaladas por leve pausa. Modificações dessas características geram ritmos respiratórios anormais, como: o Respiração de Cheyne-Stokes o Respiração de Biot o Respiração de Kussmaul o Respiração Suspirosa Tiragem Em condições normais, os espaços intercostais deprimem-se levemente na inspiração. Na presença de obstrução brônquica, ocorre retração significativa dos espaços intercostais, podendo ser: o Difusa ou localizada (supraclavicular, infraclavicular, intercostal ou epigástrica). Palpação A palpação avalia lesões superficiais, verificando forma, volume e consistência, além de sensibilidade e dor. Expansibilidade Realizada com o paciente sentado e o examinador atrás, pede-se ao paciente que respire profundamente. Para expandir os ápices pulmonares, as mãos espalmadas são posicionadas com os polegares na coluna vertebral. Para expandir as bases pulmonares, os polegares ficam nas linhas paravertebrais e os outros dedos nos últimos arcos costais. Frêmito Toracovocal (FTV) O FTV corresponde às vibrações das cordas vocais transmitidas à parede torácica. O paciente deve repetir "trinta e três" enquanto o examinador palpa o tórax. A intensidade das vibrações é comparada entre regiões homólogas, sendo a pesquisa realizada tanto na face anterior quanto posterior do tórax. Percussão Técnica de Percussão Inicia-se pela face posterior do tórax, de cima para baixo. Percutem-se separadamente cada hemitórax e, na segunda etapa, as regiões de forma simétrica e comparativa. A mão esquerda do examinador repousa sobre a parede, enquanto o dedo médio exerce leve pressão para a percussão. TOTNALIDADES OBTIDAS DURANTE A PERCUSSÃO DO TÓRAX Som claro pulmonar (ou sonoridade pulmonar ): nas áreas de projeção dos pulmões. Som timpânico : no espaço de Traube. Som maciço : na região inferior do esterno Som maciço na região inframamária direita (macicez hepática) e submaciço na região precordial. Limites do Espaço de Traube Superior: sexta costela (submacicez cardíaca) Inferomedial: margem costal Lateral: linha axilar anterior A ausência de timpanismo no espaço de Traube pode indicar esplenomegalia (aumento no tamanho do baço). Som Maciço no Fígado Ao percutir sob a concavidade do hemidiafragma direito, é ouvido som maciço correspondente ao fígado. Ausculta A ausculta é a parte mais importante do exame físico dos pulmões, pois possibilita uma análise funcional do sistema respiratório. Técnica de Ausculta O exame deve ser feito em ambiente silencioso, com o paciente em posição confortável e com o tórax despido. O examinador inicia a ausculta pelas costas do paciente, que deve respirar pausada e profundamente com a boca aberta. Os limites dos pulmões estão aproximadamente a quatro dedos abaixo da ponta da escápula. Sons Pleuropulmonares Sons Normais: o Som traqueal o Som brônquico o Murmúrio vesicular o Som broncovesicular Sons Anormais: o Sons descontínuos: estertores finos e grossos o Sons contínuos: roncos, sibilos e estridor o Outros sons: sopros e atrito pleural Sons Vocais: o Broncofonia o Egofonia o Pectorilóquia fônica e afônica TEMA: ANTROPOMETRIA A antropometria é a ciência que estuda as medidas do corpo humano. Ela faz parte das ciências biológicas, e é voltada para os caracteres mensuráveis da morfologia corporal humana. As medidas mais comuns na avaliação antropométrica incluem peso, altura, circunferência abdominal e circunferência cefálica. Além disso, o Índice de Massa Corporal (IMC) é uma medida antropométrica importante, calculado pela relação entre a massa corporal e a altura. Altura A estatura é uma medida antropométrica essencial para avaliar o crescimento e estimar diversas dimensões corporais. As medições podem ser realizadas de duas formas: Medição Direta: realizada em pessoas que conseguem ficar em pé sem assistência. Este método é o mais preciso. Medição Indireta: indicada para pessoas que não conseguem permanecer em pé, como em casos de acamados. Nesses casos, pode-se utilizar: o Altura recumbente (deitada): medida do comprimento do indivíduo da cabeça aos pés. o Altura do joelho ou extensão dos braços: métodos alternativos de medida indireta. Procedimento para Medição da Estatura Adultos e Crianças a partir de 2 anos: Medem-se com estadiômetro, preferencialmente descalços e sem acessórios de cabelo, para garantir o correto posicionamento. Crianças até 2 anos: A medição é realizada com a criança deitada, utilizando uma régua antropométrica com base fixa e cursor móvel. Peso O peso corporal é uma das medidas mais importantes para a avaliação nutricional, representando a soma de todos os compartimentos corporais. A pesagem pode ser feita em balanças eletrônicas ou mecânicas, conforme descrito abaixo: Adultos e Crianças que Ficam em Pé: Devem ser pesados em uma balança colocada sobre superfície plana e rígida. o Recomendações: Pesar-se após esvaziamento da bexiga, com roupas leves ou avental de exame, e sem sapatos. Recém-nascidos: Utiliza-se balança pediátrica, pesando-se a criança sem fraldas ou roupas. O peso ideal para recém-nascidos a termo é superior a 2,5 kg. Método Indireto: Para pacientes acamados ou em cadeira de rodas, pesa-se o equipamento sozinho (cadeira ou maca) e depois com o paciente, subtraindo-se o peso do equipamento. Índice de Massa Corporal (IMC) O IMC é um indicador amplamente utilizado do estado nutricional, rápido de calcular e fácil de interpretar. A fórmula é: Circunferência Abdominal A circunferência da cintura (CC) é utilizada para diagnosticar a obesidade abdominal e avaliar o conteúdo de gordura visceral (próxima aos órgãos internos, como fígado e intestinos). Este tipo de obesidade tem forte associação com a síndrome metabólica e com doenças cardiovasculares. Procedimento para Medição da Circunferência Abdominal A CC é medida com fita métrica inextensível em centímetros, posicionada entre a última costela e a crista ilíaca, sem pressão, em plano horizontal. Valores elevados de CC indicam maior risco cardiovascular e a presença de obesidade abdominal (OA). Perímetro Cefálico O perímetro cefálico (PC) é uma medida antropométrica importante realizada logo após o nascimento e monitorada até os 2 anos de idade. Para crianças com algum déficit, a medição é recomendada até os 5 anos. O PC auxilia no diagnóstico de condições como microcefalia e macrocefalia. Procedimento para Medição do Perímetro Cefálico O PC é medido com fita métrica inextensível, posicionada nas bordas supraorbitárias (acima das sobrancelhas) e na proeminência occipital posterior. TEMA: EXAME FÍSICO DO ABDOME Regiões do Abdome A delimitação das regiões do abdome pode ser feita de duas formas: 1. Em quatro quadrantes:quadrante superior direito, quadrante superior esquerdo, quadrante inferior direito e quadrante inferior esquerdo. 2. Em nove regiões: hipocôndrios direito e esquerdo, flancos direito e esquerdo, fossas ilíacas direita e esquerda, epigástrio, mesogástrio (ou região umbilical) e hipogástrio. DECORE Exame Físico do Abdome Diferente dos exames do sistema cardiovascular e respiratório, o exame físico do abdome deve iniciar com a ausculta após a inspeção. Isso ocorre porque a palpação e a percussão podem alterar os movimentos peristálticos, interferindo nos sons intestinais. A sequência ideal para o exame é: Inspeção, Ausculta, Percussão e Palpação. Inspeção Durante a inspeção abdominal, deve-se observar os seguintes aspectos: Forma e volume do abdome Cicatriz umbilical Abaulamentos ou retrações localizadas Veias superficiais Cicatrizes da parede abdominal Movimentos Tipos de Abdome Os diferentes tipos de abdome são: Atípico ou normal Globoso ou protuberante Em ventre de batráquio Pendular ou ptótico De avental Escavado (escafoide ou côncavo) Cicatriz Umbilical A cicatriz umbilical normalmente é plana ou levemente retraída. Uma protrusão pode indicar a presença de uma hérnia ou de líquido na região, além de ser comum em gestantes devido ao crescimento abdominal. Em crianças, infecções no umbigo (onfalites) podem gerar secreção serosa ou seropurulenta. Abaulamentos ou Retrações O abdome, em condições normais, apresenta forma regular e simétrica. Abaulamentos ou retrações indicam possíveis anormalidades, como: Hepatomegalia Esplenomegalia Útero grávido Tumores (ovariano, uterino, renal ou pancreático) Retenção urinária Aneurisma da aorta abdominal (raro) Megacólon chagásico com fecaloma volumoso Veias Superficiais As veias da parede abdominal normalmente são pouco visíveis. Quando evidentes, podem indicar circulação colateral. Cicatrizes na Parede Abdominal A localização e a forma das cicatrizes na parede abdominal podem fornecer informações sobre cirurgias anteriores. Movimentos Três tipos de movimentos podem ser observados no abdome: Respiratórios Pulsações Peristálticos visíveis Ausculta A ausculta do abdome permite avaliar a movimentação de gases e líquidos no trato intestinal, sendo fundamental para a identificação de íleo paralítico ou oclusão intestinal. 1. Realizar antes da percussão e palpação para evitar estímulo dos movimentos peristálticos, que podem mascarar hipoatividade nos ruídos. 2. Ruídos normais: Sons de timbre agudo que ocorrem a cada 5 a 10 segundos e variam em localização. 3. Ruídos anormais: o Borborigmos: Sons intensos e frequentes, comuns em diarreia e oclusão intestinal. o Ausência de ruídos: Característica do íleo paralítico, onde há ausência de peristaltismo. 4. Procedimento: Escultar cada quadrante por ao menos 1 minuto. Percussão Na percussão abdominal, o paciente deve estar em decúbito dorsal (deitado de costas). A percussão é útil para: Identificar sons como timpanismo, hipertimpanismo, submacicez e macicez. Determinar o limite superior do fígado e a área de macicez hepática. Avaliar a presença de ascite (acúmulo de líquido) e verificar a sonoridade abdominal. Tipos de Sons e Avaliação Em condições normais, as áreas onde se encontram o fígado, por exemplo, produzem sons maciços, enquanto as áreas com presença de gás, como estômago, duodeno, intestino delgado e intestino grosso, geram sons timpânicos. O limite superior do fígado é delimitado pela percussão. Para facilitar essa tarefa, observa-se o seguinte roteiro: de início, estando o paciente em decúbito dorsal, percute-se o hemitórax direito de cima para baixo, acompanhando a linha hemiclavicular direita até se obter som submaciço. O encontro de submacicez marca a presença do limite superior do fígado, que, em condições normais, localiza-se no 5.º ou 6.º espaço intercostal direito. O limite inferior é feito a partir da palpação; Pesquisa de Ascite Em casos de ascite de grande volume: A técnica do piparote é realizada com o paciente em decúbito dorsal. Um auxiliar coloca a mão sobre a linha média do abdome, enquanto o examinador golpeia lateralmente o abdome para verificar se há líquido. Palpação A palpação do abdome é feita com o paciente em decúbito dorsal, utilizando a mão espalmada para explorar: Parede abdominal: Avaliação da continuidade, resistência e possíveis diástases ou hérnias. Sensibilidade: A pressão em algumas regiões pode provocar ou intensificar dor. Anatomia e alterações das vísceras: Observa-se consistência e características dos órgãos. Tipos de Palpação 1. Palpação Superficial: o Avalia sensibilidade, resistência da parede abdominal, pulsações e o reflexo cutâneo-abdominal o É feita apenas com uma mão o Sensibilidade: Usa-se leve toque, se há dor, indica hiperestesia cutânea. o Resistência: Normalmente, a parede é relaxada. Contrações involuntárias sugerem alteração. o Pontos dolorosos: Alguns pontos específicos indicam problemas nos órgãos associados, como pontos gástricos, cístico, apendicular, esplênico e ureterais. 2. Palpação Profunda: o Examina profundamente as vísceras abdominais e identifica massas palpáveis ou tumorações. o Feita com as duas mãos o O encontro de órgãos, massas palpáveis ou tumorações obriga o examinador a analisar as seguintes características: localização, forma, volume, sensibilidade, consistência, mobilidade e pulsatilidade A localização é definida em relação às divisões clínicas do abdome, usando-se a divisão mais conveniente para cada caso; A forma e o volume das massas palpáveis variam dentro de amplos limites. Para fins práticos, recorre-se a designações comparativas (tamanho de azeitona, limão, laranja e assim por diante). A sensibilidade refere-se à dor, sintoma cuja intensidade depende da lesão em si mesma e da personalidade do paciente. Além da intensidade da dor, é fundamental sua exata localização, bem como seu comportamento durante a palpação. A consistência é avaliada pela sensação tátil despertada pela massa ou “tumoração”. Pode ser cística, borrachosa, dura ou pétrea. Quanto à mobilidade, interessa saber se ela ocorre em função dos movimentos respiratórios ou se depende apenas da palpação. A análise da pulsatilidade implica, inicialmente, diferenciar pulsações próprias de pulsações transmitidas. Palpação do Fígado Para a palpação do fígado, o paciente deve estar relaxado em decúbito dorsal. Semi-Técnica para Palpação do Fígado 1. Posição Inicial: Palpe o hipocôndrio direito, o flanco direito e o epigástrio, movendo-se do umbigo até a borda costal. 2. Coordenação com a Respiração: o Durante a expiração, posicione a mão do examinador na parede abdominal, sem exercer pressão. o Na inspiração, aplique uma leve pressão enquanto movimenta a mão para cima, tentando sentir a borda hepática. Alternativa de Posição para Palpação Coloque o paciente em decúbito semi-lateral esquerdo e posicione-se ao lado direito do paciente, voltado para os pés. Com os dedos em formato de garra, pressione levemente sobre o hipocôndrio direito e coordene a palpação com os movimentos respiratórios. Durante a inspiração, observe se a borda hepática se torna palpável ao se mover para baixo. Palpação da Vesícula Biliar Normalmente, a vesícula biliar não é palpável em indivíduos saudáveis. Sua palpação indica condições patológicas. Em casos de colelitíase e colecistite crônica, mesmo que a vesícula não seja palpável, pode ocorrer dor ao pressionar o ponto subcostal direito durante uma inspiração profunda. Esse é o sinal de Murphy. Palpação do Baço A palpação do baço é realizada de maneira similar à do fígado, mas com o foco no quadrante superior esquerdo. Esplenomegalia: Geralmente, o baço só é palpávelquando está aumentado de tamanho, o que sugere esplenomegalia. Posição de Schuster Para a palpação do baço, pode-se utilizar a posição de Schuster: 1. Coloque o paciente em decúbito lateral direito, com a perna direita estendida e a coxa esquerda flexionada sobre o abdome, formando um ângulo de 90°. 2. Eleve o ombro esquerdo, posicionando o braço esquerdo sobre a cabeça do paciente. 3. Nessa posição, durante a inspiração, o examinador tenta identificar a borda inferior do baço se ele estiver aumentado.