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1
Capital Social 
e o Direito 
Empresarial
2
3
Sumário
Teoria geral do direito empresarial 
 Sociedades empresárias 
 Classificação quanto à sua natureza
 Sociedade unipessoal 
 Sociedade limitada entre cônjuges 
Capacidade jurídica empresarial 
 Capacidade civil empresarial 
O capital social e a sua integralização 
 Contextualizando o conceito de capital social 
 O capital social na perspectiva dos negócios 
 O capital social na perspectiva jurídica 
 Alterações contratuais e o registro das modificações 
Administração e representação social 
 O significado da administração 
 Lucros e perdas 
 Direitos e obrigações dos sócios 
 Relações jurídicas e sociais 
Referências 
CLIQUE NO CAPÍTULO PARA SER REDIRECIONADO
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40
41
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43
45
49
4
Objetivos Definição
Explicando Melhor Você Sabia?
Acesse Resumindo
Nota Importante
Saiba Mais Reflita
Atividades Testando
Para o início do 
desenvolvimento de uma 
nova competência;
Se houver necessidade 
de se apresentar um novo 
conceito;
Algo precisa ser melhor 
explicado ou detalhado;
Curiosidades indagações 
lúdicas sobre o tema em 
estudo, se forma necessárias;
Se for preciso acessar um 
ou mais sites para fazer 
download, assistir vídeos, ler 
textos, ouvir podcast;
Quando for preciso se fazer 
um resumo acumulativo 
das últimas abordagens;
Quando forem necessárias 
observações ou 
complementações para o 
seu conhecimento;
As observações escritas 
tiveram que ser priorizadas 
para você;
Textos, referências 
bibliográficas e links para 
aprofundamento do seu 
conhecimento;
Se houver a necessidade 
de chamar a atenção 
sobre algo a ser refletido ou 
discutido sobre;
Quando alguma atividade 
de autoaprendizagem for 
aplicada;
Quando o desenvolvimento de 
uma competência for concluído 
e questões forem explicadas. 
5
@faculdadelibano_
1
Teoria geral 
do direito 
empresarial
6
Capital Social e o Direito Empresarial Capitulo 1
Teoria geral do direito 
empresarial
Sociedades empresárias
Classificação quanto à sua natureza
As sociedades empresárias, quanto à sua natureza, se subdividem em sociedade de 
pessoas e de capital.
Em que pese inexistir uma definição na letra da lei, essa distinção tem reflexos importantes 
na prática, especialmente quanto à alienação da participação societária, às ações ou 
quotas, à dissolução das relações societárias por morte, e à penhora da participação 
empresarial por dívida particular do sócio.
Objetivos
Ao término deste capítulo você será capaz de identificar quais são 
as regras jurídicas que regem as relações sociais em geral. E então? 
Motivado para desenvolver esta competência? Então vamos lá. Avante!
Importante
Ao término deste capítulo, você será capaz de entender em que consiste 
a ciência do Direito e como ela está relacionada com a moral e com 
a justiça. Certamente isto será fundamental para a compreensão dos 
capítulos a seguir. Motivado para desenvolver esta competência? Então 
vamos lá. Avante!
7
Capital Social e o Direito Empresarial Teoria geral do direito empresarial Capitulo 1
A sociedade de pessoas é lastreada na affectio societatis, na confiança mútua entre 
os sócios, na administração do negócio e no nível de contribuição individual que 
empenham para o sucesso do objeto social. Ou seja, o investimento pessoal dos sócios 
é imprescindível para o sucesso do negócio e, por isso a saída de um deles da sociedade 
assume aspecto de extrema relevância para sócios remanescentes.
É fácil identificar a sociedade de pessoas pelas “cláusulas de controle”, as quais dizem 
respeito às cláusulas contratuais rígidas que regulam a extinção da sociedade em caso 
de morte, retirada ou exclusão de algum sócio. São as sociedades simples puras, cujas 
regras de controle estão na lei; as sociedades em nome coletivo; as sociedades em 
comandita simples e as cooperativas.
As sociedades em conta de participação, em razão do seu perfil jurídico, não se 
enquadram na classificação de sociedade de pessoas.
Na sociedade de capital, por sua vez, inexiste a affectio societatis. O norte é o sucesso 
na concretização do fim social com boa lucratividade para a empresa e os investidores. 
Desse modo, o que importa é o dinheiro, o aporte financeiro. O envolvimento pessoal 
dos sócios é dispensável, pois as atividades administrativas ficam a cargo de diretores 
e administradores altamente especializados. 
FIGURA 1
Confiança e empenho mútuo
FONTE
Freepik
8
Capital Social e o Direito Empresarial Teoria geral do direito empresarial Capitulo 1
Por isso, se algum acionista quiser se retirar da sociedade, pode vender, doar ou transferir 
suas ações sem problema algum e sem necessidade de consulta aos demais acionistas, 
já que as características pessoais, culturais e/ou econômicas do adquirente
são irrelevantes para a administração societária.
Quanto à penhorabilidade, é preciso atenção ao tratamento jurídico diferente que a lei 
dá aos bens móveis, imóveis e semoventes que integram o patrimônio dos sócios e são 
garantia de obrigações, daquela dada às quotas de sociedade limitada, classificadas 
como direitos e não como bens.
Aliado a isso, para diminuir custos operacionais, administrativos e tributários, bem 
como facilitar a transferência de patrimônio familiar ou sucessório, os brasileiros estão 
investindo mais em sociedades de participação ou holdings familiares, sem atividades 
produtivas ou comerciais, cujo fim social é apenas controlar outras sociedades ou 
administrar bens (Lei n.º 6.404/1976, art. 2°, parágrafo 3°, c/c o parágrafo único do art. 
1.053 do CC). 
Esse tipo de investimento altera a constituição patrimonial privada dos investidores, 
podendo impedir a garantia de dívidas por meio das quotas de capital e ser usado 
facilmente para blindar bens em divórcios, execuções cíveis, trabalhistas, fiscais 
e ambientais, criar dificuldades em disputas societárias, ocultar bens ilicitamente 
adquiridos etc.
O primeiro aspecto a considerar é a mudança da relação jurídica dos sócios com os 
seus bens. Uma vez integralizados, os bens deixam o patrimônio do sócio e passam 
a integrar a totalidade do capital social da empresa limitada, que, por sua vez, tem 
autonomia patrimonial.
Há uma clara alteração de status protetivo civil, do Direito das Coisas, que resguardava 
o bem individualmente considerado do sócio, para o Direito Societário, que integra o 
Direito das Obrigações e separa direitos e obrigações dos sócios da titularidade das 
quotas empresariais. Isto é, o direito à titularidade das quotas garante aos sócios o direito 
sobre uma fração do patrimônio total da empresa, protegido pelo Direito Societário, sem 
distinção do que cada sócio individualmente aportou à sociedade, no exercício da livre 
disposição dos seus bens, sob a égide do Direito das Coisas.
 
9
Capital Social e o Direito Empresarial Teoria geral do direito empresarial Capitulo 1
Essa mudança de natureza patrimonial cria basicamente três efeitos sobre a titularidade 
das quotas:
a. A administração do patrimônio da empresa passa a ser decisão dos sócios, nos 
termos do contrato social.
b. É vedado ao Estado obstar o exercício desse direito dos sócios, que tem natureza 
personalíssima, por meio de constrição judicial, ou seja, por meio da penhora das 
quotas.
c. O direito do sócio à fração das suas quotas tem natureza de crédito subordinado, ou 
seja, ele é credor da sociedade na porcentagem das suas quotas, porém a dívida 
da sociedade não pode ser paga em prejuízo dos demais sócios-credores e nem 
da própria sociedade. Um sócio não pode exigir o valor das suas quotas em prejuízo 
dos demais, exceto quando a empresa possuir recursos em caixa para pagar o valor 
da titularidade de todos os sócios sobre as suas respectivas quotas. Contabilmente 
as dívidas dos sócios para com as empresas que não podem ser reclamadas são 
denominadas “passivo não exigível”.
Quando extinta a sociedade, após pagamento dos terceiros credores, a universalidadesócios, independente da proporção das suas quotas, também pode 
ser levado a exame judicial, especialmente considerando que o descumprimento das 
regras contratadas para a sociedade pode impactar negativamente no patrimônio 
particular dos sócios. 
É o caso da não integralização do capital (art. 1.004 c/c 1.058, CC), segundo as regras e 
prazos acordados, que pode levar a sociedade a dificuldades econômicas e até mesmo 
inviabilizar a sua própria existência.
Da mesma forma, as obrigações decorrentes da pessoalidade não podem deixar de 
serem cumpridas pelo sócio que a ela se obrigou, sob pena indenização pelos prejuízos 
que vier a causar à sociedade.
Nas sociedades em que os sócios são investidores e não há empenho pessoal em 
serviços, a obrigação consiste em se fazerem presentes nas deliberações societárias, 
fisicamente ou através de procuradores com poderes para decidir e votar (art. 115 a 120 
e 653 a 692, CC).
Sendo assim, a proibição de substituição do sócio – e também do administrador –, no 
exercício das suas funções humanas sem o consentimento dos demais, só se aplica às 
sociedades nas quais é possível a pessoalidade no desenvolvimento do objetivo social 
e não nas deliberações societárias características das sociedades por ações. 
O exercício dos direitos sociais é interna corporis, englobando assembleias e votações. 
Ou seja, a proibição do art. 1.002, do Código Civil está direcionada às funções sociais e 
não aos direitos sociais.
Na sociedade intuito personae os sócios não têm o direito de transferir as suas quotas 
para terceiros sem autorização dos demais sócios, sob pena da transferência não ter 
efeitos jurídicos (art. 1.003, CC). Mas, na realidade, isso seria muito difícil, já que todos 
– sócio retirante, sócio entrante e demais sócios –, precisam assinar as alterações 
contratuais e levá-las a registro.
47
Capital Social e o Direito Empresarial Administração e representação social Capitulo 4
Nas sociedades limitadas, não há necessidade de unanimidade para o consentimento. 
Qualquer sócio com mais de 25% das ações pode opor-se à entrada de novos sócios, 
intervivos ou causa mortis, na ausência de regras pré-estabelecidas no contrato social, 
nos termos do art. 1.057 do Código Civil que reza:
Art. 1.057. Na omissão do contrato, o sócio pode ceder sua quota, total ou 
parcialmente, a quem seja sócio, independentemente de audiência dos outros, ou 
a estranho, se não houver oposição de titulares de mais de um quarto do capital 
social.
Parágrafo único. A cessão terá eficácia quanto à sociedade e terceiros, inclusive 
para os fins do parágrafo único do art. 1.003, a partir da averbação do respectivo 
instrumento, subscrito pelos sócios anuentes (Brasil, 2002).
Por outro lado, é preciso respeitar o direito de recesso do sócio que quer se retirar da 
sociedade, o qual não pode ser obstado pelos demais sócios em razão do impacto que 
tem no patrimônio daquele que quer ceder as suas quotas. 
A exceção seria apenas a contratação da sociedade por certo tempo. Na ausência 
de consenso entre os sócios sobre a cessão de quotas e a retirada, a via judicial é o 
caminho.
Concretizado o fim do vínculo societário, persistem por dois anos os deveres subsidiários 
para com as obrigações assumidas ao tempo da sociedade.
As obrigações jurídicas entre os sócios terminam com a liquidação da sociedade (art. 
1.001, CC).
A publicidade da liquidação ocorre com o registro na junta comercial, mas as obrigações 
subsidiárias da sociedade, fiscais, trabalhistas, consumeristas, de sigilo ou segredo etc., 
persistem no tempo, sejam com o administrador, o Estado ou terceiros, até o cumprimento, 
a prescrição ou a decadência.
48
Capital Social e o Direito Empresarial Administração e representação social Capitulo 4
Resumindo
E então, gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? 
Agora, para termos certeza de que você realmente entendeu o tema 
de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Você 
certamente aprendeu a classificar as sociedades empresárias quanto à 
sua natureza, a reconhecer as características da sociedade unipessoal, 
da sociedade entre cônjuges e as peculiaridades sobre a capacidade 
jurídica empresarial. Aprendeu sobre o capital social e a importância da 
sua integralização para a composição do ativo empresarial e para o 
desenvolvimento das atividades de empresa. Por fim, aprendeu sobre 
as alterações contratuais possíveis e sobre a necessidade do registro 
dessas modificações, para que gere efeitos entre os sócios e perante 
terceiros; sobre a importância de uma boa administração para uma 
longa vida empresarial, com lucratividade e boa partilha de dividendos; 
os lucros e as perdas e suas consequências para a pessoa jurídica, sócios 
e terceiros; os direitos e as obrigações dos sócios entre si e para com 
terceiros; e , finalmente, sobre as relações jurídicas e sociais da empresa. 
Agora, você está preparado e entende as regras gerais que norteiam o 
Direito Empresarial.
49
Capital Social e o Direito Empresarial
Referências
BERTOLDI, Marcelo M.; RIBEIRO., Marcia Carla Pereira. Curso avançado de direito comercial. 
10. ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2016. 862 p.
BRASIL. [Constituição (1988)]. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. 
Brasília, DF: Presidência da República, [2016]. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ 
ccivil_03/constituicao/constituicao.htm. Acesso em: 26 ago. 2019.
BRASIL. Lei Complementar nº 35, de 14 de março de 1979. Dispõe sobre a Lei Orgânica da 
Magistratura Nacional. Diário Oficial da União, Brasília, 1979. Disponível em: http://www.
planalto.gov.br/ ccivil_03/leis/lcp/lcp35.htm. Acesso em: 26 ago. 2019.
BRASIL. Lei nº 6.001, de 19 de dezembro de 1973. Dispõe sobre o Estatuto do Índio. Diário 
Oficial da União: Brasília, DF, 1973. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/
Leis/L6001. htm. Acesso em: 26 ago. 2019.
BRASIL. Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976. Dispõe sobre as Sociedades por Ações. 
Diário Oficial da União: Brasília, DF, 1976. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/
ccivil_03/leis/ L6404compilada.htm. Acesso em: 26 ago. 2019.
BRASIL. Lei nº 6.434, de 15 de julho de 1977. Acrescenta dispositivo à Lei n.º 4.591, de 16 de 
dezembro de 1964, que “dispõe sobre o condomínio em edificações e as incorporações 
imobiliárias. Diário Oficial da União: Brasília, DF, 1977. Disponível: http:// www.planalto.gov.
br/ccivil_03/LEIS/L6434.htm. Acesso em: 26 ago. 2019.
BRASIL. Lei nº 6.880, de 9 de dezembro de 1980. Dispõe sobre o Estatuto dos Militares. Diário 
Oficial da União: Brasília, DF, 1980. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/
LEIS/L6880. htm. Acesso em: 26 ago. 2019.
BRASIL. Lei nº 8.112, de 11 de novembro de 1990. Dispõe sobre o regime jurídico dos servidores 
públicos civis da União, das autarquias e das fundações públicas federais. Diário Oficial 
da União: Brasília, DF, 1990. Disponível em: http://www.planalto. gov.br/ccivil_03/LEIS/
L8112compilado.htm. Acesso em: 26 ago. 2019.
50
Capital Social e o Direito Empresarial Referências
BRASIL. Lei nº 8.625, de 12 de fevereiro de 1993. Institui a Lei Orgânica Nacional do Ministério 
Público, dispõe sobre normas gerais para a organização do Ministério Público dos Estados 
e dá outras providências. Diário Oficial da União: Brasília, DF, 1993. Disponível em: http://
www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L8625. htm. Acesso em: 26 ago. 2019.
BRASIL. Lei nº 10.406, de janeiro de 2002. Código Civil. Diário Oficial da União, Brasília, 2002. 
Disponível em: http://www. planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/L10406compilada.htm. 
Acesso em: 26 ago. 2019.
BRASIL. Lei nº 11.101, de 9 de fevereiro de 2005. Regula a recuperação judicial, a extrajudicial 
e a falência do empresário e da sociedade empresária. Diário Oficial da União, Brasília, 
2005. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004- 2006/2005/Lei/
L11101.htm. Acesso em: 26 ago. 2019.
BRASIL. Lei nº 12.441, de 11 de julhode 2011. Altera a Lei n.º 10.406, de 10 de janeiro de 2002 
(Código Civil), para permitir a constituição de empresa individual de responsabilidade 
limitada. Diário Oficial da União, Brasília, 2011. Disponível em: http://www.planalto.gov. br/
ccivil_03/_ato2011-2014/2011/lei/l12441.htm. Acesso em 26 ago. 2019.
BRASIL. Lei nº 13.445, de 24 de maio de 2017. Institui a Lei de Migração. Diário Oficial da União, 
Brasília, 2017. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2017/ lei/
l13445.htm. Acesso em: 26 ago. 2019.
BRASIL. Decreto nº 20.931, de 11 de janeiro de 1932. Regula e fiscaliza o exercício da 
medicina, da odontologia, da medicina veterinária e das profissões de farmacêutico, 
parteira e enfermeira, no Brasil, e estabelece penas. Diário Oficial da União: Brasília, DF, 
1932. Disponível: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/ decreto/1930-1949/D20931.htm. 
Acesso em: 26 ago. 2019.
BRASIL. Decreto nº 21.981, de 19 de outubro de 1932. Regula a profissão de Leiloeiro ao 
território da República. Diário Oficial da União: Brasília, DF, 1932. Disponível em: http://www.
planalto.gov. br/ccivil_03/decreto/1930-1949/D21981.htm. Acesso em: 26 ago. 2019.
BRASIL. Decreto nº 5.051, de 19 de abril de 2004. Promulga a Convenção n 169 da Organização 
Internacional do Trabalho - OIT sobre Povos Indígenas e Tribais. Diário Oficial da União: 
51
Capital Social e o Direito Empresarial Referências
Brasília, DF, 2004. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ ato2004-
2006/2004/decreto/d5051.htm. Acesso em: 26 ago. 2019.
BRASIL. RE nº 108728/SP. Execução fiscal. Penhora de bens de sócio. Embargos de terceiro. 
Supremo Tribunal Federal. Diário Oficial da União, 1989. Disponível em: https://redir.stf.jus.
br/ paginadorpub/paginador.jsp?docTP=AC&docID=200032 Acesso em: 30 jan. 2024.
BRASIL. Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Altera a legislação tributária 
federal relativa ao parcelamento ordinário de débitos tributários, concede remissão nos 
casos em que especifica, institui regime tributário de transição, e dá outras providências. 
Diário Oficial da União: Brasília, DF, p. 41-48, 2008. Disponível em: https://www.planalto.gov.
br/ccivil_03/_ ato2007-2010/2008/mpv/449.htm. Acesso em: 11 fev. 2024.
BRASIL. LEI nº 11.638, de 28 de dezembro de 2007. Altera e revoga dispositivos da Lei no 
6.404, de 15 de dezembro de 1976, e da Lei no 6.385, de 7 de dezembro de 1976, e estende 
às sociedades de grande porte disposições relativas à elaboração e divulgação de 
demonstrações financeiras. Diário Oficial da União: Brasília, DF, 2007. Disponível em: 
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ ato2007-2010/2007/lei/l11638.htm. Acesso em: 11 
fev. 2024.
CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE – CFC. Resolução nº 1.121 de 28 de março de 
2008. Aprova a NBC T 1 - Estrutura Conceitual para a Elaboração e Apresentação das 
Demonstrações Contábeis. Brasília: CFC, 2008. Disponível em: https://www. normaslegais.
com.br/legislacao/resolucaocfc1121_2008. htm. Acesso em: 11 fev. 2024.
CHAGAS, E. E. Direito empresarial esquematizado. São Paulo: Saraiva, 2017.
FORGIONI, P. A. Contratos empresariais: teoria geral e aplicação. São Paulo: Revista dos 
Tribunais, 2019.
GITMAN, L. J. Princípios de administração financeira. 12. ed. São Paulo: Pearson Prentice 
Hall, 2010.
GONÇALVES NETO, A. A. Direito de empresa: comentários aos artigos 966 a 1.195 do Código 
civil. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2018.
52
Capital Social e o Direito Empresarial Referências
MAMEDE, G. Manual de direito empresarial. São Paulo: Atlas, 2019.
MARION, J. C. Contabilidade empresarial. 18ª ed. Rio de Janeiro Atlas 2018.
RAMOS, A. L. S. C. Direito empresarial. São Paulo: Método, 2019.
TOMAZETTE, M. Curso de direito empresarial. São Paulo: Saraiva Jur, 2018.
53
	Teoria geral do direito empresarial
	Sociedades empresárias
	Classificação quanto à sua natureza
	Sociedade unipessoal
	Sociedade limitada entre cônjuges
	Capacidade jurídica empresarial
	Capacidade civil empresarial
	O capital social e a sua
	integralização
	Contextualizando o conceito de capital social
	O capital social na perspectiva dos negócios
	O capital social na perspectiva jurídica
	Alterações contratuais e o registro das modificações
	Administração e representação social
	O significado da administração
	Lucros e perdas
	Direitos e obrigações dos sócios
	Relações jurídicas e sociais
	Referênciasdos bens da empresa é destinada a ressarcir todos os sócios-credores, na proporção 
da titularidade das quotas que cada um possui, independentemente do valor que 
integralizaram.
EXEMPLO: Se um sócio integraliza R$500,00, outro R$300,00 e outro R$100,00, totalizando 
900 cotas no valor de R$1,00 cada, e no contrato social elas são divididas igualmente em 
300 cotas integralizadas para cada sócio, o ressarcimento será correspondente às 300 
cotas integra- lizadas e não ao valor que cada um investiu na empresa.
Ficam claros, então, os vínculos obrigacionais e de garantia que afetam as relações 
entre sócios e sua titularidade sobre as quotas.
Na prática, essa transferência patrimonial e de status de proteção jurídica dificulta a 
investida do credor sobre o patrimônio integralizado pelos sócios a uma sociedade 
limitada.
O Código Civil limita a possibilidade da penhora e autoriza a liquidação das quotas se o 
credor provar a “insuficiência de outros bens do devedor”:
10
Capital Social e o Direito Empresarial Teoria geral do direito empresarial Capitulo 1
Art. 1.026. O credor particular de sócio pode, na insuficiência de outros bens do 
devedor, fazer recair a execução sobre o que a este couber nos lucros da sociedade, 
ou na parte que lhe tocar em liquidação.
Parágrafo único. Se a sociedade não estiver dissolvida, pode o credor requerer a 
liquidação da quota do devedor, cujo valor, apurado na forma do art. 1.031, 
será depositado em dinheiro, no juízo da execução, até noventa dias após aquela 
liquidação (Brasil, 2002).
Há uma impropriedade no caput do artigo, pois o legislador chamou lucro ao que deveria 
ter denominado dividendos. Lucro é o bem resultante do exercício das atividades da 
empresa, a ela pertence e, não necessariamente, traduz disponibilidade de caixa. Não 
pode ser penhorado para pagar dívida particular dos sócios, sob pena de prejudicar as 
relações negociais da empresa com os seus próprios credores e quiçá a sua existência. 
O que o art. 1.026 autoriza, na realidade, é a penhora dos dividendos, a parte do lucro que 
caberá a cada sócio, ao final de cada exercício financeiro, e que ainda não foi distribuído.
Essa é a ordem procedimental prevista no Código Civil para cobrir dívidas particulares dos 
sócios: primeiro, penhora-se os bens dos sócios, excetos as quotas; se não houver bens 
pessoais, pode-se penhorar os dividendos que ainda não foram pagos; se também não 
houver dividendos, penhora-se a quota para fins de liquidação e posterior pagamento 
do credor. A quota penhorada não pode ser incorporada ao patrimônio do credor, sob 
pena de ferir a affectio societatis.
O objetivo do legislador, ao proteger a empresa dos encargos advindos das dívidas 
particulares dos sócios, tem um objetivo social e visa proteger os empregos e a geração 
de riquezas, salvaguardar a tributação etc.
O Código de Processo Civil, por sua vez, estabelece regras que possibilitam a manutenção 
da sociedade pelos demais sócios do devedor quando parte das quotas são penhoradas 
(art. 861). O objetivo, reitere-se, é sempre preservar as atividades da empresa e sua 
função social.
A exceção se aplica às sociedades anônimas. Como nelas inexiste a affectio societatis, 
as ações podem ser adjudicadas ao exequente ou alienadas em bolsa de valores (art. 
861, parágrafo 2°).
11
Capital Social e o Direito Empresarial Teoria geral do direito empresarial Capitulo 1
Após os investigadores da Lava Jato descobrirem que fraudadores do dinheiro público 
investiram em holding familiares para proteger patrimônio ilicitamente adquirido, as 
autoridades públicas passaram a ficar mais atentas a esse tipo de investimento. O STJ, no 
Resp 1.098.712, pacificou a desconsideração da pessoa jurídica semprequeforconstatado 
“desvio dafinalidadeempresarial ou confusão patrimonial entre a sociedade e seus 
sócios”, ou seja, constatada a fraude na constituição ou o abuso na finalidade das holding 
familiares, seja para favorecer alguns herdeiros em detrimento de outros, prejudicar 
cônjuges em partilha de bens, recuperar bens e valores ilicitamente adquiridos etc., 
aplica-se o art. 50 do Código Civil para afastar a personalidade jurídica para atingir 
bens particulares dos sócios. (Lei n.º 13.874/2019, art. 7°, alterou o CC). Conforme assevera 
o artigo:
Art. 50. Em caso de abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de 
finalidade ou pela confusão patrimonial, pode o juiz, a requerimento da parte, ou do 
Ministério Público quando lhe couber intervir no processo, desconsiderá-la para que 
os efeitos de certas e determinadas relações de obrigações sejam estendidos aos 
bens particulares de administradores ou de sócios da pessoa jurídica beneficiados 
direta ou indiretamente pelo abuso (Brasil, 2019).
Sociedade unipessoal
As sociedades unipessoais representam uma forma jurídica de empresa em que um 
único indivíduo detém a totalidade do capital social, combinando os benefícios da 
responsabilidade limitada com a autonomia de uma empresa individual. 
Essa estrutura é particularmente atraente para empreendedores que desejam operar 
sozinhos, sem compartilhar o controle ou a propriedade da empresa com outros sócios. 
No Brasil, as sociedades unipessoais podem ser constituídas de diferentes formas, cada 
uma com características específicas.
A Empresa Individual de Responsabilidade Limitada (EIRELI), antes de sua extinção pela 
Lei n. 14.195/21, quando foi substituída pelas Sociedades Limitadas Unipessoais (SLU), era 
uma das principais formas de sociedade unipessoal no Brasil e caracterizava-se por:
 
12
Capital Social e o Direito Empresarial Teoria geral do direito empresarial Capitulo 1
• Capital social: exigia um capital mínimo não inferior a 100 vezes o salário-mínimo 
vigente.
• Responsabilidade limitada: o patrimônio pessoal do titular não era afetado por dívidas 
da empresa.
• Titularidade: podia ser constituída por uma pessoa física ou jurídica, nacional ou 
estrangeira.
Com a extinção da EIRELI, a SLU tornou-se a principal opção para a constituição de 
sociedades unipessoais no Brasil. Suas características incluem:
• Não há exigência de capital mínimo: diferentemente da EIRELI, não há necessidade de 
um capital social mínimo.
• Responsabilidade limitada: o patrimônio pessoal do sócio não se confunde com o da 
empresa.
• Flexibilidade: mais flexível em termos de gestão e operação em comparação com as 
EIRELI.
A extinção das Empresas Individuais de Responsabilidade Limitada (EIRELI) e a introdução 
das Sociedades Limitadas Unipessoais (SLU) representam um marco significativo na 
legislação empresarial brasileira. Esse tópico é fundamental para entender as recentes 
mudanças no panorama das estruturas empresariais no Brasil. As EIRELI surgiram como 
uma alternativa para empreendedores que desejavam constituir uma empresa sem 
sócios, mantendo a separação entre o patrimônio pessoal e o da empresa. A principal 
característica das EIRELI era a necessidade de um capital social mínimo, equivalente 
a 100 vezes o salário-mínimo vigente, uma barreira considerável para pequenos 
empreendedores. Apesar de seu propósito inovador, as EIRELI enfrentaram críticas devido 
à exigência de capital social elevado e à burocracia envolvida. Tais fatores contribuíram 
para a decisão legislativa de extinguir essa modalidade empresarial, visando simplificar 
o ambiente de negócios e facilitar a vida do empreendedor individual.
Em contrapartida, a introdução das Sociedades Limitadas Unipessoais (SLU) veio como 
uma alternativa mais flexível e acessível. A SLU permite que um único sócio constitua uma 
sociedade limitada, sem a necessidade de um capital social mínimo. Isso representa 
uma mudança significativa, pois democratiza o acesso à constituição de empresas 
com responsabilidade limitada, anteriormente restrito a estruturas societárias com dois 
ou mais sócios.
13
Capital Social e o Direito Empresarial Teoria geral do direito empresarial Capitulo 1
As SLU mantêm a separação entreos bens pessoais do sócio e os da empresa, protegendo 
o patrimônio pessoal em caso de dívidas empresariais. Além disso, a gestão da SLU pode 
ser mais simplificada em comparação com outras formas societárias, uma vez que não 
exige a realização de assembleias e reuniões com sócios.
A transição das EIRELI para as SLU reflete uma tendência de simplificação e flexibilização 
das leis empresariais no Brasil. Essa mudança é particularmente benéfica para pequenos 
empreendedores e profissionais liberais que buscam formalizar suas atividades com 
uma estrutura jurídica mais simples e segura. Ao reduzir a burocracia e os custos para 
a criação de uma empresa, o novo formato SLU incentiva o empreendedorismo e pode 
ter um impacto positivo na economia como um todo.
Para a constituição de uma SLU, é necessário cumprir com os requisitos legais 
estabelecidos no Código Civil Brasileiro, bem como realizar o registro competente 
na Junta Comercial do estado onde a empresa estará sediada. O processo inclui a 
elaboração de um contrato social, que deve ser devidamente registrado e arquivado.
O contrato social da SLU deve conter informações essenciais como a denominação, o 
objeto, a sede, o prazo de duração e o capital social que, diferentemente da EIRELI, não 
têm um valor mínimo pré-determinado. Além disso, deve-se nomear um administrador, 
que pode ser o próprio sócio único.
As SLU também estão sujeitas às obrigações fiscais e contábeis regulares, incluindo a 
declaração de impostos e a manutenção de registros contábeis. Dependendo do porte 
e da atividade econômica da empresa, pode-se optar pelo regime tributário mais 
vantajoso, como o Simples Nacional, o Lucro Presumido ou o Lucro Real.
A substituição das EIRELI pelas SLU é um passo importante na evolução do direito 
empresarial brasileiro. Esta mudança facilita a abertura de empresas por indivíduos, 
reduzindo obstáculos financeiros e administrativos. No entanto, é crucial que os 
empresários e profissionais envolvidos estejam cientes das responsabilidades e requisitos 
legais, fiscais e contábeis que acompanham a operação de uma SLU.
A Lei nº 14.195 de 2021 representa um esforço do governo brasileiro para modernizar o 
ambiente empresarial, incentivando o empreendedorismo e facilitando a operação de 
empresas no país. Com a extinção das EIRELI e a criação das SLU, busca- se oferecer 
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Capital Social e o Direito Empresarial Teoria geral do direito empresarial Capitulo 1
um modelo empresarial mais acessível e menos burocrático, especialmente para os 
empreendedores individuais. Esse movimento legislativo é um passo importante na 
adaptação das estruturas empresariais às necessidades contemporâneas do mercado 
e dos empresários. A nova legislação também se alinha com as práticas internacionais, 
proporcionando um formato jurídico que equilibra flexibilidade e proteção, favorecendo 
o desenvolvimento econômico e a inovação.
O MEI é uma categoria empresarial destinada a pequenos empresários. Embora 
tecnicamente não seja uma sociedade, pois não existe o elemento da pluralidade de 
sócios, é relevante menciona-la devido à sua natureza unipessoal. Suas características 
são:
• Limite de receita: o MEI tem um limite de faturamento anual.
• Benefícios fiscais: oferece um regime tributário simplificado e benefícios como a 
isenção de diversas taxas.
• Atividades permitidas: há uma lista de atividades econômicas permitidas para 
enquadramento como MEI.
A possibilidade de constituição de uma Sociedade Anônima (SA) com um único acionista 
é relativamente recente na legislação brasileira, sendo introduzida pela Medida Provisória 
nº 881/2019, conhecida como “MP da Liberdade Econômica”, que posteriormente foi 
convertida na Lei nº 13.874, de 20 de setembro de 2019. Essa mudança na lei flexibilizou as 
regras para a constituição de SAs, permitindo a figura da Sociedade Anônima Unipessoal.
Embora menos comum, é possível constituir uma Sociedade Anônima (SA) com um 
único acionista, seguindo a reforma introduzida pela Lei das SAs. Essa opção pode ser 
vantajosa para determinados empreendedores e contextos empresariais, oferecendo 
algumas características distintas. São elas:
• Estrutura de Capital – na Sociedade Anônima Unipessoal, o capital social é dividido 
em ações e, nesse caso, o único acionista detém todas as ações.
• Governança corporativa – ainda que unipessoal, a SA deve seguir as regras de 
governança corporativa, incluindo a realização de assembleias e a manutenção de 
registros formais.
• Maior formalidade – comparada às outras formas unipessoais, a SA unipessoal exige 
maior formalidade na sua constituição e gestão.
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Capital Social e o Direito Empresarial Teoria geral do direito empresarial Capitulo 1
Independentemente do tipo, as sociedades unipessoais compartilham algumas 
características comuns:
• Autonomia do empresário – o empreendedor tem total controle sobre as decisões 
empresariais, sem a necessidade de negociação com outros sócios.
• Responsabilidade limitada – a separação entre o patrimônio pessoal e o da empresa 
protege os bens pessoais do empreendedor de possíveis dívidas ou falência.
• Simplicidade e flexibilidade – em geral, essas estruturas são mais simples e flexíveis 
em termos de gestão e operação do que sociedades com múltiplos sócios.
• Obrigações legais e fiscais – apesar de serem unipessoais, essas empresas devem 
cumprir com todas as obrigações legais e fiscais, incluindo registros contábeis, 
declaração de impostos e observância das normas regulatórias pertinentes ao seu 
setor de atividade.
A Sociedade Anônima Unipessoal é uma inovação significativa no direito empresarial 
brasileiro, oferecendo uma alternativa valiosa para a constituição de empresas com 
uma estrutura societária que antes era limitada a empreendimentos com múltiplos 
acionistas. Como em qualquer decisão empresarial, é crucial avaliar cuidadosamente 
as implicações legais, fiscais e operacionais dessa escolha, muitas vezes com o auxílio de 
profissionais especializados em direito societário e contabilidade. Esse modelo oferece 
uma combinação única de flexibilidade operacional e proteção de responsabilidade, 
tornando-o uma opção atraente para diversos cenários empresariais, especialmente 
para aqueles que buscam maior autonomia na gestão de seus negócios.
A escolha do tipo mais adequado de sociedade unipessoal depende de diversos fatores, 
como o tamanho e o tipo de negócio, a necessidade de capital, o volume de receita, entre 
outros. Por exemplo, o MEI é ideal para pequenos empreendedores com receita bruta 
anual limitada, enquanto a SLU pode ser mais adequada para negócios que requerem 
mais flexibilidade. Já a SA unipessoal pode ser uma opção para empreendimentos de 
maior porte, que buscam uma estrutura corporativa mais formal.
As sociedades unipessoais no Brasil oferecem diversas opções para empreendedores 
que desejam operar individualmente, cada uma com suas vantagens e desvantagens. 
Ao escolher a estrutura mais adequada, é importante considerar não só os aspectos 
legais e fiscais, mas também as necessidades específicas do negócio e do empresário. 
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Capital Social e o Direito Empresarial Teoria geral do direito empresarial Capitulo 1
Com a evolução da legislação e do ambiente de negócios, as sociedades unipessoais 
se tornaram uma ferramenta cada vez mais valiosa para a realização de atividades 
empresariais no Brasil.
A sociedade subsidiária integral está regulamentada na Lei n.º 6.404/1976. Ela é uma 
forma de sociedade anônima permitida apenas para empresas brasileiras, constituída 
por escritura pública, por meio da aquisição de 100% das ações de outra empresa, ou pela 
incorporação de todas as ações do capital social ao patrimônio de outra companhia 
brasileira, para convertê-la em subsidiária integral.
São cinco os requisitos legais, para a constituição de uma Sociedade Subsidiária Integral 
(Lei n.º 6.404, art. 251):
a. Só uma única pessoa jurídica 100% brasileira (constituída de acordo com as leisbrasileiras, com sede e administração no Brasil), de qualquer tipo societário, pode 
constituir uma Subsidiária Integral ou controlá-la;
b. Pessoas físicas, associações e fundações não podem ser sócio único de uma 
Subsidiária Integral. Empresa estrangeira só pode participar na sua constituição 
de forma indireta, como um dos sócios da empresa brasileira constituidora.
c. A criação da Sociedade Subsidiária Integral é complexa e deve ser feita, 
obrigatoriamente, por meio de escritura pública, lavrada por tabelião do cartório 
de registro de notas, e registrada na junta comercial do Estado da sua sede. No 
caso da aquisição de ações de uma Subsidiária Integral não é preciso escritura 
pública. Basta a alteração do estatuto e o registro na junta comercial.
d. A forma societária deve ser a sociedade anônima por imposição legal.
e. A incorporação da totalidade das ações de uma Sociedade Subsidiária Integral 
(incorporada) só pode ser feita por outra Sociedade Anônima (incorporadora), após 
submissão e deliberação favorável da assembleia-geral das duas companhias 
(art. 252, Lei 6.404). Em que pese mantenha a sua independência administrativa, a 
incorporada passa a ser subsidiária da incorporadora (Brasil, 1976).
Hoje, o Código Civil, no art. 977, proíbe a sociedade marital quando o regime de casamento 
for o de comunhão universal de bens ou de separação obrigatória de bens por exigência 
legal.
Nos termos do parágrafo 7°, do art. 980-A:
17
Capital Social e o Direito Empresarial Teoria geral do direito empresarial Capitulo 1
Somente o patrimônio social da empresa responderá pelas dívidas da empresa 
individual de responsabilidade limitada, hipótese em que não se confundirá, em 
qualquer situação, com o patrimônio do titular que a constitui, ressalvados os 
casos de fraude (Brasil, 2002).
No caso de morte do único sócio, o prazo para a substituição é de seis meses. Se outro 
sócio não assumir a empresa nesse prazo ela deve ser dissolvida e os bens liquidados 
para partilha sucessória.
Sociedade limitada entre cônjuges
Na vigência do Código Civil, de 1916, havia muita discussão doutrinária e divergência 
jurisprudencial sobre a legalidade na constituição de sociedade limitada tendo cônjuges 
como sócios, sob o argumento de fraude contra normas do direito de família, que foi 
pacificada por decisão do Supremo Tribunal Federal, em 1989.
O Código Civil, no art. 977, num retrocesso à conquista jurisprudencial, proibiu a 
sociedade limitada aos casados sob o regime da comunhão total de bens ou sob o 
regime obrigatório de separação de bens. 
FIGURA 2
Aliança entre cônjuges
FONTE
Freepik
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Capital Social e o Direito Empresarial Teoria geral do direito empresarial Capitulo 1
Porém não há óbice legal para que conviventes em união estável, independentemente 
do regime que porventura tenham acordado no pacto de convivência – comunhão 
total, parcial ou separação de bens –, e aos casados pelo regime parcial de bens e pela 
separação de bens por livre escolha dos nubentes, independentemente do acordado 
em pacto antenupcial, sejam sócios em sociedade limitada.
Na prática, entretanto, mesmo com a proibição legal de cônjuges, casados sob o regime 
da comunhão total ou separação total impositiva, registrarem sociedade limitada na 
qual são sócios, ambos respondem ilimitadamente pelas obrigações sociais.
Algumas obras fazem referência apenas a marido e mulher, mas essa qualificação, com 
lastro no sexo feminino e masculino, tal qual prevista no CC foi superada por decisão 
do Supremo Tribunal Federal, que reconheceu a existência de vários tipos de família e a 
possibilidade do casamento civil homossexual. 
Sendo assim, a proibição do art. 977 se estende também aos relacionamentos 
homoafetivos e plúrimos civilmente casados. Isso porque a proteção jurídica tem por 
foco não o sexo ou o número dos indivíduos casados, mas as consequências jurídicas 
advindas da confusão entre patrimônio empresarial e patrimônio pessoal na comunhão 
total e na separação total obrigatória de bens.
Por outro lado, a contrário sensu, o art. 977 deixa claro o direito personalíssimo, a legalidade 
e a liberdade de qualquer pessoa casada contratar sociedade com terceiros, adquirir 
ou alienar quotas ou ações independentes da outorga marital, respeitada a ressalva da 
integralização do capital por meio de transferência de bem imóvel (art. 1.647, I, CC).
A sociedade bifronte se assenta em relações jurídicas diferentes, familiar e negocial, que 
gozam de proteção jurídica distinta. 
Somente no caso de contratação societária por motivo ilícito, comum a ambos os 
sócios casados, ou para fraude à lei as relações jurídicas familiar e negocial podem se 
interconecta (art. 166, III, c/c 106, VI, CC).
19
Capital Social e o Direito Empresarial Teoria geral do direito empresarial Capitulo 1
Resumindo
E então, gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? 
Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o 
tema de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. 
Esse capítulo abordou as nuances e características distintas das 
sociedades empresariais, enfatizando a importância da classificação 
entre sociedades de pessoas e de capital. Compreender essa distinção 
é crucial, pois influencia diretamente em aspectos como a alienação 
de participações societárias, a dissolução de sociedades por morte de 
um sócio e as implicações da penhora de participações empresariais 
devido a dívidas pessoais dos sócios. Nas sociedades de pessoas, 
observa-se uma ênfase na confiança e no comprometimento pessoal 
dos sócios, refletida em cláusulas contratuais rígidas e uma abordagem 
personalista na gestão. Já nas sociedades de capital, predomina o 
interesse no investimento financeiro e na lucratividade, com menor 
relevância dada às características individuais dos acionistas. A legislação 
brasileira, especialmente após a introdução da Lei nº 14.195/2021, 
demonstra um movimento em direção à simplificação e à flexibilização 
das estruturas empresariais, visando fomentar o empreendedorismo 
e adaptar-se às necessidades modernas do mercado. A extinção das 
EIRELI e a ascensão das Sociedades Limitadas Unipessoais ilustram essa 
tendência, proporcionando maior acessibilidade e menos burocracia 
para a abertura de empresas. Além disso, o capítulo destacou a 
relevância das Sociedades Unipessoais e das Sociedades Anônimas 
Unipessoais, refletindo a diversidade de opções disponíveis para 
empreendedores que buscam estruturas empresariais alinhadas com 
suas necessidades específicas de negócios. Por fim, a discussão sobre 
a Sociedade Subsidiária Integral e as mudanças no Código Civil em 
relação às sociedades maritais reforça a complexidade e a dinâmica 
constante do direito empresarial brasileiro. Essas mudanças legais e 
estruturais demonstram a contínua evolução do ambiente de negócios 
no Brasil, buscando equilibrar proteção jurídica, flexibilidade operacional 
e incentivos para o desenvolvimento econômico.
20
@faculdadelibano_
2
Capacidade 
jurídica 
empresarial
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Capital Social e o Direito Empresarial Capitulo 2
Capacidade jurídica 
empresarial
Capacidade civil empresarial
Capacidade civil empresarial é a qualidade daquele que reúne capacidade civil e 
inexistência de impedimentos legais para o exercício da atividade empresarial. Ou 
seja, são os indivíduos que, de acordo com a lei, não estão impedidos, temporária ou 
permanentemente, de exercer a atividade empresarial.
A primeira delimitação para o exercício da atividade empresária está na restrição 
contida no art. 5°, inciso XIII, da Constituição Federal, sobre a qualificação profissional: 
“Art. 5°. XIII – é livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas as 
qualificações profissionais que a lei estabelecer” (Brasil, 1988).
A regra é o livre exercício de atividades laborais, mas algumas atividades empresariais 
exigem que seus sócios administradores tenham conhecimentos técnicos específicos, a 
exemploda Medicina, Engenharia, Veterinária etc.
A Constituição, o Código Civil e as várias leis especiais esparsas contêm normas que 
proíbem ou impedem, no todo ou em parte, o exercício de atividade de empresário com 
o objetivo de proteção da coletividade, do bem público, da moralidade pública ou da 
segurança nacional.
 
Objetivos
Ao término deste capítulo você será capaz de entender como funciona a 
capacidade jurídica empresarial. Isso será fundamental para o exercício 
de sua profissão. E, então, motivado para desenvolver essa competência? 
Vamos lá, avante!
22
Capital Social e o Direito Empresarial Capacidade jurídica empresarial Capitulo 2
Assim, afirma o Código Civil: “Art. 972. Podem exercer a atividade de empresário os que 
estiverem em pleno gozo da capacidade civil e não forem legalmente impedidos” (Brasil, 
2002).
Pela regra geral civil, podem ser empresários os maiores de 18 anos, no gozo dos seus 
direitos civis, e os maiores de 16 e menores de 18 anos emancipados e não legalmente 
impedidos.
Menores e incapazes, mesmo em caso de incapacidade civil absoluta (art. 3°, CC) ou 
relativa (art. 4°, CC) podem ser sócios de sociedades simples ou empresárias, pois não 
estão impedidos de titular direitos e deveres. Eles são apenas portadores de incapacidade 
para exercê-los por si, necessitando do auxílio de terceiros.
Enquanto detentores de direitos e deveres, inexiste óbice legal para que menores e 
incapazes sejam titulares de cotas ou ações, desde que tenham o patrimônio pessoal 
preservado de riscos. 
Ou seja, eles podem herdar quotas ou ações, recebê- las por meio de doação, comprá-
las ou participar da criação de uma sociedade, obviamente representados ou assistidos 
por apoiadores, tutores ou curadores, com a concordância dos demais sócios, mas não 
podem ter responsabilidade subsidiária pelas obrigações sociais, já que o patrimônio 
que possuem deve ser totalmente preservado.
Nesse diapasão, a lei estabelece que o menor ou o incapaz, representado ou assistido 
por tutores ou curadores, pode continuar na empresa da qual era sócio quando capaz, 
por seus pais ou pelo autor de herança, mediante autorização judicial. Se estes forem 
Importante
A vedação legal prevista no Código Civil, como regra geral, atinge o 
exercício da atividade de empresário e não a participação das pessoas 
em empresas como sócios ou acionistas sem poderes para gestão e 
representação, exceto por vedação expressa na CF ou em lei especial.
23
Capital Social e o Direito Empresarial Capacidade jurídica empresarial Capitulo 2
legalmente impedidos de exercer a atividade de empresário, o juiz nomeará um ou mais 
gerentes, conforme a necessidade, o que, entretanto, não os exime do dever de proteger 
o patrimônio dos curatelados e tutelados e vigiar os atos dos gerentes, sob pena de 
responsabilidade (art. 974 e seguintes, CC).
A emancipação e a concessão ou revogação de autorização devem ser inscritas ou 
averbadas na junta comercial (art. 976, CC).
O Estatuto da Pessoa com Deficiência, por sua vez, espelha um grande avanço social 
ao reconhecer e estipular a inserção e a participação das pessoas com deficiência 
física e mental na sociedade com acesso ao mercado de trabalho, inclusive ao 
empreendedorismo, respeitadas as suas limitações. Cabe ao SUS proporcionar meios 
para que as pessoas com deficiência possam empreender, por si ou com o auxílio dos 
seus apoiadores, tutores ou curadores.
Menores e incapazes podem ser quotistas comanditários nas sociedades em comandita 
simples e quotistas nas sociedades limitadas, acionistas nas sociedades anônimas e 
acionista não dirigente nas sociedades em comandita por ações.
As juntas comerciais vetavam a inscrição de menores e incapazes como empresários, 
com base no art. 972-A do Código Civil, inserido em 2011, exige o pleno gozo da capacidade 
civil para o exercício de atividades empresariais.
FIGURA 3
Pessoas com deficiência
FONTE
Freepik
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Capital Social e o Direito Empresarial Capacidade jurídica empresarial Capitulo 2
Essa distorção administrativa ilegal foi sanada, em março de 2019, pelo Departamento 
de Registro Empresarial e Integração (DREI), órgão do Sistema Nacional de Registro de 
Empresas Mercantis do Comércio (SIREM), a quem cabe supervisionar, coordenar e 
orientar tecnicamente os órgãos responsáveis pelo registro de empresas mercantis e 
atividades afins, por meio da Instrução Normativa n.º 55, ou IN DREI 55.
Quanto aos indígenas e descendentes, a maioria está integrada à comunhão nacional 
e tem capacidade civil. Eles são sujeitos de direitos e obrigações, como brasileiros natos, 
e podem exercer a atividade empresária amplamente, em todas as sociedades, com as 
restrições que se aplicam a quaisquer outros cidadãos.
Somente aos indígenas não integrados à comunhão nacional, com exceção parcial para 
aqueles que tenham consciência e conhecimento dos atos praticados e da extensão 
dos seus efeitos, desde que não lhes sejam prejudiciais, são aplicadas as normas de 
proteção estatal previstas no Estatuto do Indígena e demais normas assistenciais (art. 
231, CF, Lei n.º 6.001/1973, Decreto n.º 5.051/2004 – promulga a Convenção 169 da OIT).
Os índios também podem requerer judicialmente a sua liberação do regime tutelar 
estatal e serem investidos na plenitude da capacidade civil ao completarem 21 anos, se 
conhecerem a língua portuguesa, possuírem habilitação para o exercício de atividade 
útil e razoável compreensão dos usos e costumes da comunhão nacional (art. 9°, Lei n.º 
Saiba Mais
A IN DREI 55 em especial, dentre outras que regulamentam 
administrativamente as sociedades, deve ser conhecida por aqueles 
que estudam o Direito Empresarial, pelo impacto direto que tem em 
outras áreas do Direito (sucessório, família etc.). Acesse no QR Code:
 
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Capital Social e o Direito Empresarial Capacidade jurídica empresarial Capitulo 2
6.001/1973). Mas inexiste impedimento legal, a exemplo do que se aplica aos menores 
e incapazes, para que sejam sócios ou acionistas em quaisquer sociedades, com 
eventuais restrições para as atividades de administração.
Há indivíduos, porém, independentemente de possuírem capacidade civil, que são 
proibidos ou impedidos por lei de exercerem a atividade de empresário.
São legalmente proibidos de exercer a atividade de empresário:
a. O Presidente da República, ministros, governadores, prefeitos e ocupantes de 
cargos comissionados (art. 17, inciso X, Lei n.º 8.112/90).
b. Magistrados federais e estaduais (art. 33, inciso I, Lei complementar n.° 35/1979).
c. Membros do Ministério Público da União (Federal, do Trabalho, Militar, do Distrito 
Federal e Territórios) e dos estados (art. 44, inciso III, Lei n.° 8.625/1993).
d. O falido enquanto não for reabilitado legalmente (art. 102, Lei n.° 11.101/2005).
e. O leiloeiro (art. 36, a, 1°, 2° e 3°, Decreto n.º 21.981/1932).
f. O médico, para o exercício simultâneo da farmácia e vice-versa (art. 16, h, Decreto 
n.º 20.931/1932).
g. O português com autorização de residência, com relação às empresas de 
telecomunicações (art. 222, CF).
h. Brasileiros naturalizados há menos de dez anos e empresas com sede no estrangeiro 
não podem ser proprietários, principais acionistas e empresas jornalística e de 
radiodifusão de sons e/ou de sons e imagens e pessoas (art. 222, CF).
São, legalmente, impedidos de exercer a administração de sociedade limitada, as 
pessoas indicadas expressamente parágrafo primeiro, do art. 1.011, do Código Civil:
§ 1. Não podem ser administradores, além das pessoas impedidas por lei especial, 
os condenados à pena que vede, ainda que temporariamente, o acesso a cargos 
públicos; ou por crime falimentar, de prevaricação, peita ou suborno, concussão, 
peculato; ou contra a economia popular, contra o sistema financeiro nacional, 
contra as normas de defesa da concorrência, contra as relações de consumo, a fé 
pública ou a propriedade, enquanto perdurarem os efeitos da condenação (Brasil, 
2002).
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Capital Social eo Direito Empresarial Capacidade jurídica empresarial Capitulo 2
São também impedidos de gerir ou administrar as sociedades limitadas, por leis 
especiais:
a. O brasileiro naturalizado há menos de 10 anos em empresa jornalística e de 
radiodifusão sonora e radiodifusão de sons e imagens (art. 222, CF).
b. O estrangeiro sem autorização de residência que permita o exercício de atividade 
remunerada no país (Parágrafo 1°, art. 13, c/c art. 30, Lei n.º 13.445/2017).
c. O residente fronteiriço sem autorização legal para o exercício de atividades da vida 
civil (art. 23, Lei n.º 13.445/2017).
d. Os estrangeiros na faixa de fronteira (150 Km de largura). Somente pessoas físicas 
ou empresa individual brasileira podem explorar estabelecimento ou indústria que 
interesse à Segurança Nacional e que se dedique à pesquisa, lavra e exploração de 
recursos minerais, exceto os usados na construção civil, e colonização e loteamento 
rurais (art. 3°, inciso III, da Lei n.º 6.634/1979).
e. Os funcionários públicos quanto ao comércio e exercício de gerência ou 
administração de sociedades privadas, exceto quando a participação se der em 
conselhos administrativos e fiscais de empresas e entidades nas quais a União 
tenha participação no capital social e em sociedade cooperativa constituída 
para prestar serviços a seus membros. Inexiste impedimento legal para que sejam 
acionistas, cotistas ou comanditários (Lei n.º 8.112, art. 117, parágrafo único, inciso I).
f. Os militares da ativa (art. 29, Lei n.º 6.880/1980).
g. Senadores, deputados e vereadores, a partir da posse, possuem impedimento 
parcial. Não podem exercer atividade remunerada, nem serem proprietários, 
controladores ou diretores de empresa que mantenha contrato com pessoa de 
direito público (art. 54, inciso II, a, CF).
 
Finalmente, no caso de incapacidade superveniente, nas sociedades de pessoas, 
nas quais estão presentes a affectio societatis e o intuitu personae ou princípio da 
pessoalidade, é possível a exclusão do sócio interdito ou curatelado, por decisão da 
maioria dos demais sócios.
Decretada por sentença judicial, em processo no qual intervenha obrigatoriamente o 
Ministério Público, sob pena de nulidade, para garantia de proteção integral dos direitos 
do interdito ou curatelado (art. 130, CC).
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Capital Social e o Direito Empresarial Capacidade jurídica empresarial Capitulo 2
Deferido o pedido de exclusão, dá-se a liquidação das quotas (art. 1.031, CC). Essa regra, 
porém, não se aplica às sociedades intuitu pecuniae nas quais a importância do capital 
se sobrepõe, como as sociedades anônimas, em razão da livre cambiariedade dos 
títulos.
Resumindo
E então, gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? 
Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema 
de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. O conceito 
de capacidade civil empresarial é fundamental no Direito Empresarial, 
definindo os critérios para quem pode ou não exercer atividades 
empresariais. Esse capítulo enfatizou que a capacidade para ser 
empresário depende não apenas da plenitude dos direitos civis, mas 
também da ausência de impedimentos legais específicos. De acordo com 
a Constituição Federal e o Código Civil, a regra é a liberdade no exercício 
das atividades empresariais, respeitando as qualificações profissionais 
exigidas por lei. Contudo, há restrições importantes que visam proteger 
a coletividade, a moralidade pública e a segurança nacional. Tais 
restrições se aplicam a várias categorias de pessoas, desde detentores 
de cargos públicos até indivíduos com incapacidades civis específicas. 
A discussão abrangente do capítulo ressaltou que, embora menores e 
incapazes sejam proibidos de administrar uma empresa, eles podem 
possuir quotas ou ações, desde que representados ou assistidos. Isso 
é um aspecto importante, pois permite a participação de um espectro 
mais amplo de indivíduos no ambiente empresarial, inclusive aqueles 
com deficiências físicas ou mentais, respeitando suas limitações e 
contribuindo para a inclusão social. Ademais, a legislação brasileira 
proíbe ou impõe restrições à administração de empresas por certas 
categorias de pessoas, como funcionários públicos, militares da ativa 
e políticos. Tais medidas visam evitar conflitos de interesse e garantir 
a integridade das atividades empresariais. Esse capítulo também 
abordou as transformações legislativas e as diretrizes administrativas 
que influenciam a inscrição e a participação de menores.
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O capital 
social e a sua
integralização
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Capital Social e o Direito Empresarial Capitulo 3
O capital social e a sua
integralização
Contextualizando o conceito de capital social
Capital social é um termo que pode compreender vários significados. Na literatura, 
estuda-se o capital social em diferentes perspectivas, as quais podem ser sociológica, 
econômica contábil ou jurídica. 
No âmbito do Direito Empresarial, a temática do capital social toma vertentes contábeis 
e jurídicas para designar atos constitutivos das empresas.
O capital social pode ser um ato de uma empresa com titulares individuais ou societários, 
o que pode gerar implicações jurídicas e de gestão. Na perspectiva sociológica, esse 
capital é um produto da relação entre os entes de uma sociedade, correspondendo à 
cooperação entre as partes. 
Na perspectiva do Direito Empresarial e da contabilidade, o capital é utilizado para 
designar bens, recursos ou equipamentos que são investidos na abertura de uma 
empresa ou para a expansão de suas atividades.
Objetivos
Ao término deste capítulo, você será capaz de entender como funciona 
o capital social e sua importância nos processos de criação e gestão de 
um negócio. Esse conhecimento será fundamental para o exercício da 
sua profissão. E então, motivado para desenvolver essa competência? 
Vamos lá, avante!
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Capital Social e o Direito Empresarial O capital social e a sua integralização Capitulo 3
O capital social na perspectiva dos negócios
A abertura de um negócio ou de uma empresa requer um investimento financeiro inicial, 
que será utilizado para a aquisição de recursos necessários para mantê-los funcionando, 
até que chegue o momento em que eles passem a gerar rendimentos suficientes para 
se autossustentar. Mas você sabe como esse valor é composto?
O capital social é conhecido como o capital dos sócios, ou seja, é a quantidade de 
dinheiro ou o valor, em dinheiro investido na empresa, para que ela inicie suas atividades, 
ou até mesmo expanda, caso já esteja em funcionamento. 
Deve cobrir as contas que precisam ser honradas para manter suas atividades. Esses 
valores investidos podem ser somas monetárias ou bens como imóveis, automóveis, 
equipamentos, entre outros. A composição do capital social varia para cada caso.
No momento da abertura de uma empresa, os recursos financeiros são considerados 
de fundamental relevância, no entanto uma das grandes características das empresas 
nascentes é a dificuldade de acessar capital financeiro, principalmente de procedência 
formal, como investidores e empréstimos, já que geralmente essas empresas não têm 
histórico das suas atividades.
FIGURA 4
Capital social
FONTE
Freepik
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Capital Social e o Direito Empresarial O capital social e a sua integralização Capitulo 3
Muitas vezes, a quantidade de capital que uma pessoa tem não é suficiente para iniciar as 
atividades profissionais em um negócio, por esse motivo busca-se um sócio. No entanto, 
essa busca demanda alguns critérios, uma vez que, assim como em um casamento, 
duas pessoas diferentes irão se unir para produzir uma instituição: a empresa.
A quantia necessária para iniciar as atividades de um negócio é muito específica. Quando 
não há recursos iniciais abundantes mesmo com a união das partes, a realização de 
um planejamento estratégico pode ser um instrumento de forte notoriedade, inclusive 
para o processo de captação de recursos financeiros junto a capitalistasde risco.
Para saber o valor suficiente de recursos necessário e formar o capital social de uma 
empresa nascente, é necessário elaborar uma previsão detalhada das possíveis 
despesas variáveis ou fixas, dos equipamentos necessários, encargos incorrentes na 
atividade a ser executada, impostos da atividade etc. 
É válido lembrar que o capital social é responsável por constituir o fundo originário, o 
núcleo inicial do patrimônio da pessoa jurídica, do qual será viabilizado o início da vida 
econômica da sociedade empresarial (tudo o que é de sua propriedade).
FIGURA 5
Planejamento estratégico
FONTE
Freepik
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Capital Social e o Direito Empresarial O capital social e a sua integralização Capitulo 3
No entanto, nem só de gastos e investimentos vive uma empresa. O planejamento e 
as previsões financeiras das receitas são uma etapa importante no momento da 
concepção do negócio. 
Essa projeção tem que considerar o prazo até que a empresa consiga ter resultados 
financeiros, para começar a pagar seus compromissos com recursos, oriundos de suas 
receitas; esse recurso é conhecido como capital de giro”.
Esses cálculos iniciais são importantes, visto que existem direitos, deveres, contratos e 
interesses de entes diferentes em jogo. 
Na perspectiva da contabilidade, o equilíbrio entre as contas é necessário para que a 
saúde financeira da empresa possibilite seu funcionamento por mais tempo e atenda 
os interesses dos seus investidores.
Para que os sócios realizem o controle do equilíbrio entre as contas, utiliza-se o 
demonstrativo denominado Balanço Patrimonial, o qual, de acordo com a Lei n.º 11.638/07, 
MP n.º 449/08 e Resolução CFC n.º 1.121/08, passa a ter a seguinte estrutura:
Você Sabia?
O termo “pessoa jurídica” é utilizado na ciência do Direito para designar 
uma entidade que pode ser detentora de direitos e obrigações e à qual se 
atribui personalidade jurídica. No Direito brasileiro, sua regulamentação 
encontra grande parte do fundamento legal no Código Civil, entre outros 
documentos normativos.
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Capital Social e o Direito Empresarial O capital social e a sua integralização Capitulo 3
O equilíbrio é a palavra de ordem no balanço patrimonial. Para que o Balanço Patrimonial 
reflita adequadamente a situação econômica e financeira da empresa, o total do lado 
do ativo tem que ser igual ao total do lado do passivo”, ou seja, considera- se uma 
situação patrimonial ideal, quando os valores das duas colunas se mantém equilibrados.
FIGURA 6
Estrutura de Balanço Patrimonial
FONTE
Gitman (2010).
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Capital Social e o Direito Empresarial O capital social e a sua integralização Capitulo 3
No lado do ativo, listam-se os bens e os direitos da empresa; do lado do passivo, listam-se 
as obrigações; e quando há uma diferença negativa entre eles é sinal de que a empresa 
está apresentando um déficit financeiro. O equilíbrio, apesar de ser teoricamente o ideal, 
nem sempre é o que se apresenta na realidade, ou seja, é comum que a soma dos bens 
e dos direitos não seja do mesmo tamanho das obrigações.
O resultado que se obtém, com a subtração entre o ativo e o passivo, é denominado 
de situação líquida patrimonial, e será colocada a seguir, como o total do gráfico no 
lado do passivo. Observe a ilustração da equação para identificar a situação líquida na 
imagem 6.
Os resultados possíveis dessa equação são os seguintes:
1. Ativo maior que passivo – situação líquida positiva ou superavitária.
2. Ativo menor que passivo – situação líquida negativa ou deficitária.
3. Ativo igual ao passivo – situação líquida nula ou inexistente.
A situação líquida patrimonial também pode ser entendida como o patrimônio líquido. 
É importante lembrar que no balanço patrimonial, o grupo do patrimônio líquido, é 
composto pelas contas que representam o capital social, as reservas de capital, as 
reservas de lucros, os ajustes de avaliação patrimonial, as ações em tesouraria, os lucros 
e os prejuízos acumulados.
FIGURA 7
Equação da situação 
líquida patrimonial
FONTE
Elaborado pela autoria 
(2023).
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Capital Social e o Direito Empresarial O capital social e a sua integralização Capitulo 3
Mesmo sendo as duas expressões usadas como tendo o mesmo valor significativo, o 
artigo 178 da Lei n.° 6.404/76, estabelece que as contas, utilizadas para a elaboração do 
balanço patrimonial, sejam classificadas, de acordo com os elementos do patrimônio, 
registrando adequadamente o que é ativo e o que é passivo.
As relações organizadas nesse demonstrativo, irão indicar a situação financeira da 
empresa, o momento de resgate do capital investido e o patrimônio social, que é um item 
distinto de capital social. Sobre essa distinção, Bertoldi e Ribeiro (2016, p. 257), afirmam 
que:
Não há que se confundir capital social com patrimônio da sociedade: enquanto 
este sofre constantes mudanças no decorrer da vida da sociedade, dependendo 
dos seus resultados positivos ou negativos, o capital social, a princípio mantem-se 
inalterado, a menos que se delibere por seu aumento ou diminuição.
Em suma, o capital social é um valor permanente, que corresponde à massa patrimonial 
que os sócios usaram para a empresa atuar. Esse valor estará presente no momento 
da constituição da empresa e em todos os cálculos de controle, realizados no Balanço 
Patrimonial. 
Para a sua definição não existe uma fórmula, irá depender de cada caso, no entanto, 
diante das consequências jurídicas, o capital social poderá ter maior impacto, quando 
se tratar de uma pessoa jurídica constituída como Eireli ou sociedade limitada, muito 
mais do que no caso da pessoa jurídica, constituída como MEI ou MPE que demanda 
menor participação de capital social.
 
O capital social na perspectiva jurídica
O capital social é dividido em parcelas denominadas quotas, atribuídas a cada um dos 
sócios de acordo com valor dos bens investidos per se, para composição do capital social, 
ou em percentual livremente acordado entre eles, e individualizadas obrigatoriamente 
no contrato social.
A divisão em quotas é importante na distribuição de lucros e resultados, nos termos 
Código Civil:
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Capital Social e o Direito Empresarial O capital social e a sua integralização Capitulo 3
Art. 1.007. Salvo a estipulação contratual, em contrário, o sócio participa dos lucros 
e das perdas, na proporção das respectivas quotas, mas aquele, cuja contribuição 
consiste em serviços, somente participa dos lucros na proporção da média do 
valor das quotas.
Elas também são um divisor de águas nas decisões negociais, uma vez que as 
deliberações são tomadas por maioria de votos, segundo o valor das quotas de 
cada sócio (Art. 1.010, CC) (Brasil, 2002).
Importante
Patrimônio e capital social não são sinônimos. O Código Civil define 
patrimônio no art. 91, nos seguintes termos: “constituiu uma universalidade 
de direito o complexo de relações jurídicas, de uma pessoa, dotadas 
de valor econômico”. Esse conceito aplica-se a pessoas físicas e 
jurídicas e abarca o patrimônio material, aquilo que pode ser valorado 
economicamente. Direitos personalíssimos como crença, honra, 
intimidade, habilidades, saberes, e outros não aferíveis economicamente, 
não são patrimônio empresarial.
Nessa mesma linha de pensamento, pode-se dizer que o patrimônio empresarial é o 
conjunto de bens de uma sociedade.
Passíveis de serem valorados economicamente. Nesse universo está contido o 
capital social (ativos e passivos), o qual ao ser integralizado é um fundo originário 
indicado e detalhado no contrato social, constituído pelos bens, crédito e/ou dinheiro, 
disponibilizados pelos sócios para possibilitar o desenvolvimento inicial das atividades 
empresariais, passível de ser alterado para permitir o desenvolvimento e expansão do 
negócio ou torná-lo mais modesto (art. 968, III e 997, III, c/c 981, CC).
A distribuição do lucro pode ser feita, como bem acordarem os sócios, mas cláusulas 
que dispensem algum deles de contribuir para o capital social com bens, crédito e/ou 
dinheirosão nulas de pleno direito. Isso tende a mudar.
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Capital Social e o Direito Empresarial O capital social e a sua integralização Capitulo 3
A sociedade e o mundo dos negócios estão em constante evolução, e o desenvolvimento 
tecnológico não para de trazer novas formações jurídicas e conflitos para o direito 
analisar e resolver.
Com a ampliação das startups, por exemplo, há empreendedores adotando práticas 
de bootstrapping, ou contribuição para o capital social com serviços. O problema é 
que apenas nas sociedades simples a contribuição para o capital social somente com 
serviços é legal. Nas sociedades empresárias, os sócios precisam obrigatoriamente, por 
força de lei, aportar bens econômicos para a formação do capital social.
A tecnologia está rompendo práticas empresariais enraizadas no tempo sem que as 
normas legais as acompanhem. A prática do bootstrapping remete à velha ficção 
contratual da “sociedade faz de conta” nas antigas sociedades limitadas. Os sócios 
iniciam as startups “dividindo” o capital social no contrato social quando, na prática, 
uns aportam bens e aportam outros serviços. Mas, de alguma forma, a lei terá que 
solucionar isso, ou voltaremos às seculares práticas comerciais costumeiras, ainda hoje 
muito usadas no mercado internacional.
Enquanto as leis não mudam, os sócios devem indicar no contrato social, em moeda 
corrente, o valor total do capital investido na sociedade, o valor subscrito por cada sócio, 
o tempo e modo como os bens serão integralizados à sociedade.
A integralização pode se dar no ato da constituição da empresa ou posteriormente, 
mas o contrato deve conter cláusula especificando o valor de mercado de cada bem 
ou serviço e como se dará a incorporação, se em dinheiro, transferência de bens ou 
créditos ou prestação de serviços.
Não há impedimento legal para que terceiros disponibilizem bens para a integralização 
no nome de algum sócio, seja através de doações, de fomentos, de mútuo etc. Os 
serviços, porém, se dão intuitu personae.
Na falta de previsão contratual sobre como se dará a integralização, a exequibilidade é 
imediata (art. 134 c/c 331 e 1.001, CC). Porém, a constituição do sócio devedor em mora só 
se dará após notificação. Ao valor a ser devolvido na integralidade se somará perdas e 
danos, sendo facultativo aos demais sócios a exclusão do sócio remisso (art. 1.004, CC).
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Capital Social e o Direito Empresarial O capital social e a sua integralização Capitulo 3
Alterações contratuais e o registro das modificações
Empresas são criadas para ter vida longa e gerar lucros por muitos anos. Como o 
mercado muda e as aspirações, os desejos e a capacidade de trabalho dos sócios 
variam no tempo. 
Não são raras as alterações nos contratos sociais para adequá-los às modificações 
estratégicas ou ao quadro societário, mas que nãonecessariamente implicam mudanças 
na personalidade jurídica da empresa.
Todas as alterações sociais, com ou sem mudanças na personalidade jurídica, devem 
ser levadas a registro na junta comercial. 
Uma alteração no nome empresarial, elemento que integra os atos constitutivos das 
sociedades, por exemplo, não caracteriza alteração na personalidade jurídica da 
empresa, mas a modificação em um dos elementos essenciais contidos no contrato 
social precisa ser registrada na junta comercial (art. 1.155 c/c 997, inciso II e 1.054, CC).
Mudanças no quadro societário são necessárias quando sócios saem ou entram na 
sociedade, ou há transferência de quotas entre os sócios, aplicando-se, no que couber, 
as determinações contidas nos artigos 1.031 e 1.032, do Código Civil.
As mudanças mais usuais são: alterações de endereços, dentro de um mesmo 
município ou entre estados, de atividade, de quadro societário, mudança no capital 
e nas cláusulas contratuais, no enquadramento da empresa, migração entre tipos 
societários (MEI, empresário individual, sociedade limitada ou Eireli) ou aditamentos em 
razão de eventuais correções cadastrais na Receita Federal por equívocos nos atos de 
constituição.
Há duas formas de alteração contratual: simples, por meio de um adendo ao contrato 
social; e consolidada, que reúne, num único documento, todas as alterações feitas ao 
longo da atividade empresarial, compondo um contrato social novo, independentemente 
dos anteriores.
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Capital Social e o Direito Empresarial O capital social e a sua integralização Capitulo 3
Resumindo
E então, gostou do que lhe mostramos? Aprendeu tudo mesmo? Agora, 
só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de 
estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Você deve 
ter aprendido que o Capital Social pode ser trabalhado em quatro 
perspectivas: sociológica, econômica, contábil ou jurídica. No entanto, 
na perspectiva contábil e jurídica o capital social é conceituado como 
o capital dos sócios, necessário para a constituição inicial de uma 
empresa. Nesse sentido, vimos que a relação de sócios é uma relação 
contratual na qual duas ou mais pessoas se unem para produzir uma 
instituição: a empresa. Por esse motivo, a perspectiva jurídica atua 
neste âmbito. Vimos também a necessidade de um planejamento 
estratégico e de pesquisas que forneçam informações e tendências 
do potencial de gastos iniciais e possíveis receitas. Essa atividade é 
importante no momento da constituição do negócio para fornecer 
clareza aos investidores. No momento do funcionamento das atividades 
da empresa, o balanço patrimonial pode ajudar a fornecer informações 
sobre a saúde financeira do negócio, bem como sobre o patrimônio 
social, lembrando que o valor do capital social deverá constar no 
momento da constituição da empresa e, também, em todos os cálculos 
de controle, realizados no Balanço Patrimonial. Além disso, a perspectiva 
jurídica demonstra as previsões contratuais vigentes na legislação, além 
de debater o manuseio do contrato e suas modificações estratégicas, 
diante do interesse dos sócios ao longo do tempo.
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Administração 
e representação 
social
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Capital Social e o Direito Empresarial Capitulo 4
Administração e 
representação social
O significado da administração
A administração, a cargo de um ou mais sócios, ou de terceiros contratados com essa 
finalidade, é o meio pelo qual os sócios viabilizam administrativamente a concretização 
do objetivo social.
A designação do administrador ou administradores pode ser feita no próprio contrato 
social ou em documento à parte, mas sempre na forma escrita, com a delimitação de 
deveres e responsabilidades. 
Se for feita à parte, é preciso averbar o documento à margem da inscrição da 
sociedade na junta comercial antes da prática de quaisquer atos de gestão, sob pena 
de responsabilidade do administrador, pessoal e solidária para com a sociedade (art. 
1.012, CC).
É recomendável também, mas não obrigatório, que os sócios definam a forma de 
remoção e nomeação de novos administradores no próprio contato social, como forma 
de evitar conflitos no decorrer da vida da empresa.
Sobre a revogabilidade de poderes, assegura o Código Civil:
 
Objetivos
Ao término deste capítulo, você será capaz de entender como deve se dar 
a administração social, nos termos da lei, o lucro e as perdas, os direitos 
e deveres dos sócios para com seus pares, o Estado e stakeholders. E 
então, motivado para desenvolver essa competência? Vamos lá, avante!
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Capital Social e o Direito Empresarial Administração e representação social Capitulo 4
Art. 1.019. São irrevogáveis os poderes do sócio investido na administração por 
cláusula expressa do contrato social, salvo justa causa, reconhecida judicialmente, 
a pedido de qualquer dos sócios.
Parágrafo único. São revogáveis, a qualquer tempo, os poderes conferidos a sócio 
por ato separado, ou a quem não seja sócio (Brasil, 2002).
Nomeado, cabe ao administrador, sócio ou não, a responsabilidade de praticar todos 
os atos necessários à gestão do negócio, exceto a decisão de oneração e venda de 
imóveis, exclusiva dossócios, com o mesmo cuidado e diligência que dispensaria 
aos seus próprios interesses, aplicando-lhe, no que couber, as regras do mandato 
e os impedimentos do parágrafo 1°, do art. 1.011. Em caso de uso dos bens sociais em 
proveito próprio ou de terceiros, o administrador terá que restituí-los à sociedade, pagar 
o equivalente com todos os lucros resultantes, e ressarcir todos os prejuízos na sua 
integralidade (art. 1.017, CC)
O poder de administrar, quando previsto em contrato, não retira dos sócios o direito de 
participação nas deliberações, com prevalência da maioria absoluta nas decisões – 
metade mais um –, segundo o valor das cotas individualmente consideradas. Os sócios 
também podem impugnar as decisões uns dos outros (art. 1.010 c/c art. 1.013, parágrafo 
1°, CC)
O excesso na administração, porém, somente poderá ser oposto a terceiros no caso das 
hipóteses discriminadas nos incisos do art. 1.015, do Código Civil:
I. se a limitação de poderes estiver inscrita ou averbada no registro próprio da 
sociedade; 
II. provando-se que era conhecida do terceiro;
III. tratando-se de operação evidentemente estranha aos negócios da sociedade 
(Brasil, 2002).
Se o contrato social for omisso, a administração ficará separadamente a cargo de 
cada um dos sócios. E, se houver competência conjunta de vários administradores 
determinada em contrato, todos devem participar das decisões, exceto em caso de 
urgência e possibilidade de dano grave ou irreparável (art. 1.014, CC)
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Capital Social e o Direito Empresarial Administração e representação social Capitulo 4
Em caso de empate, os conflitos entre os sócios devem ser dirimidos judicialmente. 
E, se algum sócio votar em benefício próprio, contrariando interesses da sociedade, 
responderá também por perdas e danos.
Todos os cuidados do legislador quanto às regras de nomeação, remoção e administração 
das sociedades têm por objetivo publicar e dar transparência à gestão empresarial, 
preservando os interesses de sócios, administradores e stakeholders interessados em 
estabelecer relações negociais com a empresa.
Lucros e perdas
O contrato social deverá especificar a participação dos sócios nos lucros e nas perdas 
decorrentes da prática do objetivo social da empresa, na proporção das suas respectivas 
quotas. Qualquer estipulação em contrário é nula de pleno direito (art. 1.008, CC)
A única exceção parcial aplica-se ao sócio prestador de serviços, pois as perdas não 
podem atingir o valor da sua força laboral e os direitos dela decorrentes, com base no 
art. 6° da Constituição Federal. Apesar de não participar das perdas, a participação do 
sócio prestador de serviços, se convencionada em contrato, também é diferenciada, e 
ele lucra na proporção da média do valor das quotas que compõem o capital social 
(art. 1.007, CC).
Silente o contrato social, o usual na prática comercial é a distribuição de lucros e prejuízos 
na proporção das quotas sociais de cada um dos sócios.
Como nas relações civis é dado ao indivíduo fazer tudo o que a lei não proíbe, os sócios 
podem acordar outras formas de divisão de lucros e perdas, desde que as cláusulas 
não sejam abusivas, o que ensejaria nulidade (art. 187 c/c art. 166, VII, CC).
Direitos e obrigações dos sócios
Antes de se falar em direitos e obrigações, é bom relembrar a diferença entre sócio, 
sociedade empresária e empresário individual.
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Capital Social e o Direito Empresarial Administração e representação social Capitulo 4
a. Sócio: é a pessoa física que reúne condições legais para ser empresário. O patrimônio 
não se confunde com a sociedade, em que pese contribua para a formação do 
patrimônio dela.
b. Sociedade empresária: é a pessoa jurídica que atuará no mercado para concretizar 
o objetivo social, a atividade econômica organizada para produção ou serviços. Tem 
patrimônio próprio, desvinculado dos sócios que a compõem. A responsabilidade 
patrimonial dos sócios é subsidiária à da sociedade, na medida das cotas que 
possuem.
c. Empresário Individual: é uma pessoa física que atua como titular único do seu próprio 
negócio, um empreendedor único, sem sócios. O patrimônio pessoal responde, em 
sua totalidade, pelo risco do empreendimento. Há responsabilidade direta.
Os direitos e obrigações dos sócios, em linhas gerais, estão elencados nos arts. 1.001 a 
1.009 do Código Civil.
A primeira obrigação dos sócios é registrar o contrato social na junta comercial e 
integralizar o capital social no prazo contratual, sob pena de responsabilidade civil e/ou 
exclusão da sociedade, em até 30 dias após notificado. Do registro e da integralização 
decorrem todos os direitos dos sócios, pessoais e patrimoniais, assim como os seus 
deveres para com a sociedade.
Os sócios têm direito ao lucro na proporção de suas quotas, não havendo impedimento 
legal para a distribuição de dividendos de forma diversa. No caso do sócio que contribui 
com serviços os dividendos, são pagos pela média do montante distribuído aos demais. 
Entretanto, lucro é direito eventual, dependente de fatos incertos como o desempenho 
da empresa no mercado, qualidade da produção ou dos serviços etc.
Os sócios têm também o direito de participar na administração da sociedade, direta ou 
indiretamente, na extensão das suas quotas, e de fiscalizar os administradores.
As obrigações iniciam com o contrato social, se outra data não for acordada entre os 
sócios, e terminam com a liquidação da sociedade e a extinção das responsabilidades 
sociais.
Os sócios também têm a obrigação de cumprir as suas funções na administração da 
sociedade, não podendo ser substituídos sem o consentimento dos demais.
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Capital Social e o Direito Empresarial Administração e representação social Capitulo 4
Alterado o contrato, o sócio que cede as suas ações fica responsável solidariamente, 
por dois anos, pelas obrigações que tinha enquanto integrava a sociedade, a contar da 
averbação da modificação contratual.
O sócio pode transferir o domínio, a posse ou o uso das suas quotas sociais sob pena de 
evicção. Nas transferências de crédito, fica responsável pela solvência do devedor.
Quando a contribuição do sócio se dá em serviços, no todo ou em parte, exceto por 
acordo entre os sócios, não pode ser empregado de terceiros, estranhos à sociedade, 
sob pena de perder o seu lucro e/ou ser excluído da sociedade.
Finalmente, a prática de atos ilícitos, como geração de lucros fictícios, resulta em 
responsabilidade civil solidária dos sócios administradores que cometeram o ato e dos 
sócios que, conhecendo a ilicitude, dela tiraram proveito.
Relações jurídicas e sociais
Firmado o contrato, concretiza-se a relação jurídica entre os sócios na data da assinatura 
ou outra que tenha sido acordada, nascendo o direito de intervenção nas decisões 
societárias (1.001, CC). Intervenção esta que pode se dar tanto pelo princípio da decisão 
majoritária, quanto por regras acordadas entre os sócios e estabelecidas no contrato 
social.
Com o registro na junta comercial, estabelece-se a relação entre os sócios e o 
administrador, entre a sociedade e o Estado, e têm início relações jurídicas com 
stakeholders na praça de comércio na qual a sociedade está inserida, necessária à 
viabilização do seu objeto social.
Cabe ao administrador gerir a sociedade sob a fiscalização dos sócios que, a qualquer 
momento, podem opinar e votar sobre interesses da sociedade, ou pedir a sua exclusão, 
caso não atenda às regras pré-estabelecidas entre os sócios para a gestão interna.
Os sócios insatisfeitos, minoritários ou não, poderão mover ação judicial contra o 
administrador e contra as decisões dos sócios majoritários, em seu próprio nome, 
arcando pessoalmente com os custos judiciais (custas, honorários de advogados e 
46
Capital Social e o Direito Empresarial Administração e representação social Capitulo 4
peritos etc.), mas, se houver condenação, os benefícios decorrentes do pedido vestibular, 
como perdas e danos, reverterão para a sociedade.
O dissenso entre

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