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EDUCAÇÃO	DE	JOVENS	E	ADULTOS
UNIDADE 3 - CURRI�CULO E PRA�TICAS
DOCENTES NA EDUCAÇA� O DE JOVENS E
ADULTOS
Autoria: Maria da Glória Feitosa Freitas – Revisão técnica: Dafne Fonseca Alarcon
12/08/2024, 13:30 Educação de jovens e adultos
https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=QBMEsI8AM3kcFgDgbhSCVw%3d%3d&l=CiGy7222SL%2fpGs1UTkTAsQ%3d%3d&cd=zj8… 1/32
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Introdução
Vamos começar esta terceira unidade abordando sobre perspectivas, currı́culos e práticas docentes
relacionadas à Educação de Jovens e Adultos. Para isso, serão propostas algumas re�lexões: Qual a importância
das iniciativas de enfrentamento ao analfabetismo e o que as abordagens sociais, polı́ticas e psicológicas da
Educação de Jovens e Adultos poderão esclarecer aos educadores da EJA? O que os currı́culos sugerem na
organização da aprendizagem na EJA, e qual o papel do currı́culo edi�icado por meio das identidades culturais?
Como conduzir a prática docente e os encaminhamentos metodológicos interdisciplinares de forma
signi�icativa para a produção dos conteúdos na EJA? De que forma a Pedagogia de Projetos e a Resolução de
Situações-Problemas cooperam para trazer novas perspectivas às situações de aprendizagem na EJA?
Nesse sentido, serão apresentadas discussões e temáticas sobre analfabetismo, posições sobre enfoques
sociais, polı́ticos e psicológicos voltados aos estudantes da EJA. Serão também, apresentadas as teorias do
currı́culo e seus diálogos com as organizações e práticas de aprendizagem. Ainda serão enfocados temas como
a ressigni�icação dos conteúdos, práticas docentes e metodológicas. Por �im, re�letindo sobre novas
perspectivas para a EJA, serão apresentados exemplos de situações de aprendizagem, tais como: a Pedagogia de
Projetos e Resoluções de Situações-Problemas.
Bons estudos!
3.1 Perspectivas da Educação de Jovens e Adultos
O analfabetismo no Brasil é histórico, injusto com os mais empobrecidos, e não ocorreu sem lutas intensas e
consideráveis enfrentamentos. No século XXI, momento da história em que os conteúdos podem ser acessados
de modo cada vez mais digitalizados, com autonomia e acesso aos que sabem ler e escrever, eis que o
problema do analfabetismo ainda persiste, demandando urgentes e e�icazes soluções.
3.1.1 Perspectivas de enfrentamento ao analfabetismo
Para o enfrentamento do analfabetismo no Brasil, é necessário vislumbrar boas perspectivas e alternativas de
erradicá-lo. Segundo dados do Indicador	de	Alfabetismo	Funcional, do Instituto Brasileiro de Geogra�ia e
Estatı́stica (IBGE), em 2018, 11,3 milhões de pessoas eram analfabetas, a partir da idade de 15 anos.
E� importante saliente que, na realidade brasileira, os dados coletados para constituir indicadores do
alfabetismo funcional é feito desde 2001, focando nos brasileiros entre 15 e 64 anos. Sobre os dados coletados
em 2018, eles ocorreram entre fevereiro e abril, como esforço de garantir a defesa dos direitos educativos dos
brasileiros, em prol de uma agenda apropriada ao desenvolvimento educacional do paı́s. “Assim, coloca em
debate o próprio signi�icado de analfabetismo, que não pode se restringir a uma visão binária de alfabetizado x
não-alfabetizado e sim de um processo gradativo de aquisição e consolidação de habilidades.” (CATELLI;
LIMA, 2018, p. 4). E� importante ressaltar que foram focadas as habilidades cognitivas e as práticas sociais
ocorridas em múltiplas situações cotidianas dos jovens e adultos.
Com isso, foi possı́vel chegar ao Indicador	Nacional	de	Alfabetismo	Funcional	(INAF). O Alfabetismo seria
a “capacidade de compreender e utilizar a informação escrita e re�letir sobre ela, um contı́nuo que abrange
desde o simples reconhecimento de elementos da linguagem escrita e dos números até operações cognitivas
mais complexas” (CATELLI; LIMA, 2018, p. 4).
Levando em conta os usos próprios dos entrevistados, distintos em dois domı́nios, um deles está associado
às capacidades de processamento de informações verbais, envolvidas em múltiplas conexões lógicas e
narrativas, cognominada pelo INAF como letramento, juntamente com as capacidades de processamento de
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informações quantitativas, que estão relacionadas com as noções e as operações matemáticas, nomeadas
como numeramento (CATELLI; LIMA , 2018).
São cinco os nı́veis de Alfabetismo: Analfabeto e Rudimentar, fazem referências ao Analfabetismo Funcional; e
os Funcionalmente Alfabetizados se dividem em três nı́veis: Elementar, Intermediário e Pro�iciente. Tudo é
de�inido pelo menor ou maior domı́nio das habilidades de alfabetismo.
#PraCegoVer: o quadro apresenta uma descrição dos nı́veis de pro�iciência Analfabeto e Rudimentar,
relacionados ao Analfabetismo Funcional, e o primeiro dos três nı́veis dos Funcionalmente Alfabetizados.
Entre os entrevistados, 29% são analfabetos funcionais; 12% são jovens entre 15 e 24 anos; enquanto 53%
estão na faixa etária entre 50 e 64 anos. Entre os maiores de 50 anos, 58% são classi�icados como Analfabetos
e 36% Rudimentares. As mulheres analfabetas são 28% e 31% são homens. As mulheres representam 52% da
população brasileira, na faixa etária entre 15 e 64 anos, correspondendo a 50% dos analfabetos brasileiros e
48% do nı́vel Rudimentar de Alfabetismo (CATELLI; LIMA, 2018).
Entre brasileiros negros e pardos, em torno de 67% foram estimados como Analfabetos Funcionais,
apresentando forte disparidade comparativa na faixa etária entre 15 a 64 anos. Já os autodeclarados brancos,
con�iguram-se em somente 4% de Analfabetos. Comparativamente, 77% dos brasileiros brancos são
estimados como Funcionalmente Alfabetizados. Entre os brasileiros do nı́vel Pro�iciente, 49% são
autodeclarados brancos (CATELLI; LIMA, 2018).
Quadro 1 - Nı́veis de Alfabetismo
Fonte: Elaborado pela autora, baseado em CATELLI; LIMA, 2018.
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Além das evidentes e ainda não superadas diferenças entre negros e brancos e as diferenças e disparidades
estimadas, outro fator que deverá ser analisado é o fato do contingente populacional brasileiro de analfabetos
funcionais ser ainda desa�iante às polı́ticas públicas para jovens e adultos empobrecidos. Sendo compatı́vel
ainda re�letir sobre mais um condicionante, ou seja, ainda que educação se con�igure como “o fator que mais
contribui para determinar o nı́vel de alfabetismo de um indivı́duo, ela não é o único, pois os sujeitos com
escolaridade semelhante apresentam nı́veis diferentes de alfabetismo.” (SIQUEIRA, GUIDOTTI, 2017, p. 54).
Ter habilidade para usar a linguagem escrita acarreta signi�icados no viver das pessoas, em qualquer
sociedade e muito mais na sociedade orientada em modos digitais. “Nas sociedades modernas e letradas,
pode-se dizer que o analfabeto é aquele que não domina a escrita alfabética e/ou aquele que não consegue
fazer uso da leitura e da escrita nas diferentes atividades cotidianas” (LEAL, 2007, p. 72). Existem problemas
ainda não solucionados e os desa�ios continuam tendo em vista a ampliação do sistema educacional, o
desenvolvimento tecnológico e a criação de programas de combate ao analfabetismo.
VOCÊ QUER VER?
O vıd́eo Alfabetização	 e	 Analfabetismo (https://www.youtube.com/watch?
v=8FUe5M0NPFA) apresenta entrevistas com estudantes trabalhadores da EJA. A
professora aborda o tema da Alfabetização e Analfabetismo. Vale a pena assistir e se
inteirar da temática. 
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suas cinco etapas, esclarecendo qual seria o público da EJA, criando um c
educacional, e qual seria o foco da inicial observação da realidade, que é
momento em que é feito o levantamento do problema.
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O Arco de Maguerez desenvolve-se orientado em cinco etapas. Veja a seguir, os passos do Arco de acordo com
autores como Bordenave e Pereira, 2004; e Soares, Santos e Barin, 2018.
Observação da realidade
Pontos chaves
Teorização
Hipótese de solução
Momento em que é feito o levantamento do problema. Identi�icando
na realidade, com visitas à comunidade, ver documentários, ler
reportagens, discussões em grupo em busca de dados da realidade. 
Re�letidos a luz do problema a ser discutido, tais pontos chaves são
elencados em função da etapa anterior e que foram levantados, na
realidade, re�letindo sobre as causas dos problemas a serem
enfrentados, delimitando o que será focado e será levado em conta
para produção de conhecimentos e re�lexões. 
Começa com uma ativa busca de informações para entender os
problemas, os problemas são visualizados e questionados o que
encaminhará o educando para os devidos entendimentos do
problema, na prática e na teoria. Nenhum educando chega e sai desta
fase com os mesmos pensamentos sobre os problemas iniciais.
Seguem com as buscas em torno do problema para colher elementos
maiores para o entendimento maior dele.
Momento de argumentar as hipóteses elaboradas, com uma
novidade à realidade que é uma possı́vel mudança no real daquele
problema inicial.
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A meta, com o uso do Arco de Maguerez é a busca da integração entre a teoria à prática, possibilitando a
construção de conhecimento que partem de problemas dos próprios educandos e que os desa�iem na
elaboração de inovadoras e criativas alternativas. São práticas educativas potentes aos estudantes
trabalhadores da EJA.
Aplicação à realidade Demandando uma prática elaborada pelos responsáveis pelas etapas
anteriores e que possam servir tanto para fechar o processo como
para trazer mais aprendizado para todos.
Conclusão
Concluı́mos a unidade na qual abordamos relevantes elementos para repensar práticas da EJA como forma de
enfrentar o persistente analfabetismo no Brasil do século XXI. Conhecemos importantes pontos de vistas sobre
aspectos sociais, polı́ticos e psicológicos relacionados aos educandos e a EJA. Examinadas as teorias do
currı́culo, foi possı́vel visualizarmos as sugestões delas nas organizações e práticas de aprendizagem na EJA.
Percebemos as explicações cabı́veis para a ressigni�icação dos conteúdos, práticas docentes e metodológicas.
Com o �im de dinamizar as práticas atuais e apresentar novas perspectivas para a EJA, entendemos e ajuizamos
sobre duas situações de aprendizagem, a saber, a Pedagogia de Projetos e a Resolução de Situações-Problemas.
Nesta unidade, você teve a oportunidade de:
conhecer os desafios que ainda deverão ser enfrentados com
relação ao analfabetismo, além de avaliar as abordagens sociais,
políticos e psicológicos da Educação de Jovens e Adultos.
analisar a relevância dos currículos em formular objetivos e
direitos da aprendizagem, conhecendo as sugestões das teorias
dos currículos para a EJA, entendendo a contribuição da BNCC,
além de entender como as identidades culturais colaboram na
construção de currículos.
analisar as Práticas Docentes da EJA, refletindo sobre os seus
encaminhamentos metodológicos e a relevância da ressignificação
dos conteúdos na EJA.
refletir sobre a relevância da empregabilidade da Pedagogia de
Projetos e da Resolução de Situações-Problemas como situações
de aprendizagem promissoras para a EJA.
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https://www.youtube.com/watch?v=8FUe5M0NPFA
https://www.youtube.com/watch?v=8FUe5M0NPFA
https://www.youtube.com/watch?v=8FUe5M0NPFA
https://www.youtube.com/watch?v=8FUe5M0NPFA
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https://www.youtube.com/watch?v=8FUe5M0NPFA
http://basenacionalcomum.mec.gov.br/images/BNCC_EI_EF_110518_versaofinal_site.pdf
http://basenacionalcomum.mec.gov.br/images/BNCC_EI_EF_110518_versaofinal_site.pdf
http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_docman&view=download&alias=79631-rcp002-17-pdf&category_slug=dezembro-2017-pdf&Itemid=30192
http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_docman&view=download&alias=79631-rcp002-17-pdf&category_slug=dezembro-2017-pdf&Itemid=30192http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_docman&view=download&alias=79631-rcp002-17-pdf&category_slug=dezembro-2017-pdf&Itemid=30192
http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_docman&view=download&alias=79631-rcp002-17-pdf&category_slug=dezembro-2017-pdf&Itemid=30192
http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_docman&view=download&alias=79631-rcp002-17-pdf&category_slug=dezembro-2017-pdf&Itemid=30192
http://portal.mec.gov.br/dmdocuments/orientacoes_etnicoraciais.pdf
http://portal.mec.gov.br/dmdocuments/orientacoes_etnicoraciais.pdf
http://portal.inep.gov.br/documents/186968/484184/Diretrizes+curriculares+nacional+para+a+educa%C3%A7%C3%A3o+das+rela%C3%A7%C3%B5es+%C3%A9tnico-raciais+e+para+o+ensino+de+hist%C3%B3ria+e+cultura+afro-brasileira+e+africana/f66ce7ca-e0c8-4dbd-8df3-4c2783f06386?version=1.2
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http://portal.inep.gov.br/documents/186968/484184/Diretrizes+curriculares+nacional+para+a+educa%C3%A7%C3%A3o+das+rela%C3%A7%C3%B5es+%C3%A9tnico-raciais+e+para+o+ensino+de+hist%C3%B3ria+e+cultura+afro-brasileira+e+africana/f66ce7ca-e0c8-4dbd-8df3-4c2783f06386?version=1.2
https://acaoeducativa.org.br/wp-content/uploads/2018/08/Inaf2018_Relat%C3%B3rio-Resultados-Preliminares_v08Ago2018.pdf
https://acaoeducativa.org.br/wp-content/uploads/2018/08/Inaf2018_Relat%C3%B3rio-Resultados-Preliminares_v08Ago2018.pdf
https://acaoeducativa.org.br/wp-content/uploads/2018/08/Inaf2018_Relat%C3%B3rio-Resultados-Preliminares_v08Ago2018.pdf
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VALLE, L. L. D. Metodologia	da	alfabetização. Curitiba, InterSaberes, 2013.
VA� ZQUEZ, A. S. Filoso�ia	da	práxis. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1977.
VYGOTSKY, L. S. A	formação	social	da	mente: o desenvolvimento dos processos psicológicos superiores. São
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Cipolla Neto. 2. ed. São Paulo: Martins Fontes, 1999.
12/08/2024, 13:30 Educação de jovens e adultos
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https://revistas.ufpr.br/educar/article/view/2066/1718
https://revistas.ufpr.br/educar/article/view/2066/1718
https://seer.ufrgs.br/renote/article/view/85895
https://seer.ufrgs.br/renote/article/view/858955/32
https://www.youtube.com/watch?v=8FUe5M0NPFA
https://www.youtube.com/watch?v=8FUe5M0NPFA
#PraCegoVer: estudantes adultos estão em uma sala de aula. Todos estão bastante concentrados e fazendo
suas tarefas, no grupo estão duas mulheres e três homens.
Ainda é real que a “inadequação dos métodos de ensino-aprendizagem e formação ine�iciente dos professores
são apontados como algumas das di�iculdades principais na alfabetização de crianças, jovens e adultos do
Paı́s” (LEAL, 2007, p. 72).
Para atender os analfabetos funcionais precisaremos fazer a provisão de recursos para esses �ins ou continuar
�ingindo que fazemos. Lembrando que dos cinco nı́veis de Alfabetismo, o Analfabeto Funcional poderá ser
Analfabeto ou estar em uma fase Rudimentar.
O jovem ou adulto considerado Analfabeto Funcional é aquele sujeito que não consegue, ainda, fazer
atividades simples de leitura de palavras e frases, mas pode lidar com números relacionados às situações da
vida cotidiana (nas horas de informar seu endereço ou na hora de escolher produtos e veri�icar quanto custam
no supermercado). E dentro do universo dos Analfabetos Funcionais, esse jovem é considerado Analfabeto
(CATELLI; LIMA, 2018).
Já aquele jovem ou adulto considerado como Analfabeto Funcional, em um nı́vel Rudimentar é aquele sujeito
que conseguir olhar para um texto e localizar uma ou mais informações especı́�icas, em pequenos e simples
textos, relacionados aos seus cotidianos. O Analfabeto Funcional, no momento Rudimentar faz comparações
sobre fatos distintos, ao ler e escrever, como as diferenciações entre as diversas cédulas ou horários de
compromissos, demonstrando capacidade de resolução de problemas simples e práticos da vida com
elementares operações matemáticas, ainda reconhecendo simples sinais de pontuação como vı́rgula,
exclamação ou interrogação, nomeando-as e descrevendo suas funções (CATELLI; LIMA, 2018).
3.1.2 Enfoques Sociais, Políticos e Psicológicos da Educação de
Jovens e Adultos
Figura 1 - Estudantes da EJA levam seus sonhos de letramento à sala de aula
Fonte: ESB professional, Shutterstock, 2020.
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As elaborações dos currı́culos e das práticas pedagógicas da EJA levam em conta aspectos sociais, polı́ticos e
psicológicos relativos a esse público. Eles compõem um extenso e diversi�icado agrupamento, aproximados
principalmente pelo desejo de continuar os estudos nessa modalidade educativa.
No contexto histórico da educação republicana brasileira faz-se notar que persistiram as limitações dos
recursos �inanceiros, con�igurando-se como um campo constante de reformas, muitas delas inócuas com
relação às urgências com a educação dos brasileiros e da camada de jovens e adultos, alijados e necessitados
de serem inseridos. Cada nova reforma começava pela estaca zero e vendendo a ilusão de que tudo seria
equalizado de�initivamente (SAVIANI, 2008).
Exemplar para a América Latina e, especialmente o Brasil, por ter se tornado uma República com fortes
propósitos na universalização do acesso à escola ao seu povo, a sociedade francesa cultivou, bem antes que o
Brasil, o gosto de educação como uma meta e sonho republicano. O lema foi ‘Escolarizar para alfabetizar’. A
escrita ganha novo papel nas escolas. Com o �im do antigo regime e a instalação da República, buscou-se a
universalização da educação. Isso não foi diferente em paı́ses da América Latina, como Argentina e até Brasil,
de certo modo, com lemas republicanos voltados a universalizar e alfabetizar os povos (CATA� O, 2018).
No século XVIII, a escola francesa buscou universalizar a educação formal, com o controle do Estado. A
alfabetização passou a ser vista como forma de ascensão social. “Nesse contexto, instrumentos diferenciados
são utilizados para atender à grande massa: os ‘romances’ são reproduzidos, o quadro de giz é criado” (CATA� O,
2018, p. 19).
Como lugar do saber, na modernidade, a escola passa a ocupar um lugar poderoso nos projetos republicanos.
Assim, “a generalização da alfabetização abre uma nova era na história da humanidade. As sociedades
ocidentais iniciam um perı́odo caracterizado pela revolução permanente, que ressoa nos planos polı́tico,
econômico, social e cultural” (CATA� O, 2018, p. 19).
#PraCegoVer: estudantes discutem em um trabalho em equipe, evidenciando que aprendem juntos e com
autonomia.
Uma re�lexão aos educadores da EJA, na busca de enfoques sociais da educação de jovens e adultos, é perceber
um equı́voco histórico das práticas educativas. O que acontece é que a educação “tem sido, há muito tempo,
identi�icada como um meio e�iciente no processo de mudança das relações de poder e opressão dentro de uma
Figura 2 - Jovens estudantes da EJA discutem e aprendem juntos
Fonte: Rawpixel.com, Shutterstock, 2020.
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sociedade” (LEAL, 2007, p. 75).
Um segmento sacri�icado social e historicamente é o das mulheres brasileiras, representando maioria da
população brasileira atual. Imagina-se o incômodo para uma mulher trabalhadora e chefe de famı́lia, como é
um grande contingente de mulheres no Brasil, sair do trabalho, ir à escola e chegando lá ouvir discursos que
depreciam a participação histórica das mulheres na construção do Brasil. Não deve ser nada fácil. “Desde os
primeiros anos de escolarização, a instituição escolar se encarrega de orientar os valores sexuais tradicionais,
reforçando os papéis caracterı́sticos dos gêneros” (LEAL, 2007, p. 75).
Hoje sabemos que entre os aspectos sociais e polı́ticos que sustentam práticas e�icazes na EJA, está a
construção e a implementação do projeto polı́tico-pedagógico, aliado a excelência na atuação docente.
Sabemos que existe um sério problema de evasão de estudantes no Brasil que vão de faixas etárias desde 15 a
60 anos, e essa evasão está associada há diversos fatores, dentre eles, por um lado, a falta de motivação e
incentivos na formação docente, por outro os problemas sociais, culturais e econômicos dos estudantes. O
papel polı́tico e social da escola passa por “solucionar parte dos problemas que levam à evasão escolar e que
acabam de�inindo o fracasso nos estudos de milhares de jovens e adultos” (BASEGIO, L. J; MEDEIROS, 2012, p.
172).
E� considerado como um ato de engajamento social e polı́tico com o público da EJA a ressigni�icação dos
conteúdos ministrados, isto signi�ica que “os conteúdos desenvolvidos pelos professores em sala de aula
devam relacionar-se à realidade dos seus alunos, os quais são trabalhadores-estudantes” (BASEGIO, L. J;
MEDEIROS, 2012, p. 172).
Uma re�lexão necessária é redimensionar a relevância das experiências educativas na EJA e seus atores, os
professores e os alunos, no processo de construção da democracia. Os educandos da EJA “são agentes que
exercerão os atos civis e as relações com as instituições polı́ticas, econômicas e sociais que vêm sendo
construı́das e estão no processo de desenvolvimento” (BASEGIO, L. J; MEDEIROS, 2012, p. 174).
E� evidente que as vivências da EJA incluem os educandos e desenvolvem cidadãos, “e, de um modo geral,
desenvolvendo a própria sociedade, a democracia e o Estado” (BASEGIO, L. J; MEDEIROS, 2012, p. 174). E�
evidente que a EJA é essencial para a construção da cidadania, sobretudo por enfocar a diferença, a pluralidade
e a signi�icação dos conteúdos relacionados às experiências de vida dos educandos (BASEGIO, L. J; MEDEIROS,
2012).
Como uma democracia pode se consolidar quando os caminhos de acesso aos conhecimentos são negados aos
seus cidadãos? Jovens e adultos con�iguram pessoas na faixa produtiva e engajada no mundo do trabalho, e
buscam melhores oportunidadesno mercado de trabalho, e eles não podem ser desapontados. “A sociedade é
um corpo integral que compõe muitos órgãos, a escola é um desses órgãos que compõem esse todo”
(BASEGIO, L. J; MEDEIROS, 2012, p. 175).
A existência de um estado democrático de direito, demanda que a escola trabalhe com uma con�iguração
integrada e de qualidade com os cidadãos brasileiros. O ponto essencial para o desenvolvimento social,
polı́tico e econômico, é uma sociedade em que cada cidadão se reconhece como participe, como um sujeito de
direitos e deveres. Cabe ainda a defesa do que está contido em muitos marcos legais e que determinam a
inclusão e direitos às diferenças e diversidades.
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#PraCegoVer: a imagem mostra uma sala com três grupos de estudantes. Os estudantes estão sentados e para
cada grupo há um professor em pé, acompanhando as atividades.
Os enfoques psicológicos da educação de jovens e adultos devem dialogar com as contribuições de Lev
Vygotsky, contemporâneo da Revolução Russa de 1917, sério e competente estudioso da psicologia Cognitiva,
um interacionista, deixou instigante teoria histórico-social, também conhecida como histórico-crı́tica. Ele
defendia que era “determinante para o desenvolvimento e a aquisição dos indivı́duos a relação deles com
outras pessoas, destacando principalmente a função da linguagem nesse contexto” (VALLE, 2013, p. 28).
O educador da EJA poderá encontrar nas teorias de Vygotsky e de seus sucessores, nessa a abordagem sócio-
histórica, uma compreensão da inter-relação dos acontecimentos culturais, motivando transformações na
consciência, isto é, uma contribuição a respeito das “mudanças estruturais e psicológicas que ocorrem no
desenvolvimento do signi�icado das palavras” (JOBIM E SOUZA, 1994, p. 123).
A teoria de Vygotsky defende que a interação é o que agencia a nossa humanidade, todo sujeito con�igura o seu
eu no âmbito das relações sociais. Sendo que a interação também será fundamental no desenvolvimento da
linguagem. Portanto, o educador da EJA, à luz dessa teoria, deve agir como mediador entre o conhecimento das
culturas e sociedades e os conhecimentos dos estudantes da EJA. Promovendo interações, indagações,
acompanhando os esforços dos educandos em busca de respostas, apoiando-os para incorporar novos
conhecimentos, sem memorizações e repetições, instaurando uma relação educativa ampla, democrática e
consistente relação dialógica (VALLE, 2013).
De acordo com Jobim e Souza (1994, p. 125), Vygotsky e seus sucessores defendiam que “o uso da linguagem
se constitui na condição mais importante do desenvolvimento das estruturas superiores (a consciência)”.
Acontece um processo de internalização do que é vivenciado nas interações sociais.
A palavra tem um valoroso papel no modo de interagir socialmente. Na posição de Vygotsky, “o signi�icado da
palavra é a chave da compreensão da unidade dialética entre pensamento e linguagem e, como consequência,
da constituição da consciência e da subjetividade” (JOBIM E SOUZA, 1994, p. 126).
Educandos da EJA devem ser estimulados a falar, levados a responder indagações, estimulados a operar com
as ideias e inventar suas concepções sobre a escrita. “Para Vygotsky, a escrita é um processo longo e
complexo, e não simplesmente uma habilidade motora, que envolve a elaboração de um sistema de
Figura 3 - A EJA precisa lidar com a diversidade social e cultural do Brasil
Fonte: Rawpixel.com, Shutterstock, 2020.
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representação simbólico da realidade” (LOTSCH, 2016, p. 15).
Ele constituiu interessantes ideias sobre a pré-história da escrita. Vygotsky levanta a importância de fazer com
que a escrita seja muito mais do que um aprendizado, seja um desenvolvimento organizado. Entendia que “a
internalização de um saber qualquer é um processo ativo que emerge de formas de vida coletiva, de interação
entre o aprendiz, seus pares e membros mais experientes de sua comunidade” (FARACO, 2012, p. 181).
Seria impossı́vel o desenvolvimento das funções psicológicas superiores sem contar com as in�luências das
relações sociais dos sujeitos, já que os seres humanos adquirem novos conhecimentos e novos fatos sobre a
realidade, conforme defende Vygotsky, por meio da internalização dos conhecimentos. Nesse ato de
internalizar, o mundo cairá dentro da cabeça de cada sujeito, demandando uma necessária e instigante
reconstrução interna, operada por ele próprio. Cabendo ao sujeito fazer acontecer tal reconstrução interna dos
conhecimentos novos (VYGOTSKY, 2007).
Na sala de aula acontece uma atividade cognitiva. A atividade cognitiva surge da interação entre os que já
possuem um determinado conhecimento e os que estão aprendendo. A atividade cognitiva é “intersubjetiva e,
uma vez internalizada, se torna intrassubjetiva. Ou seja, a lógica cognitiva social se torna, pela mediação dos
outros, lógica cognitiva interiorizada (subjetiva), a dinâmica externa se torna dinâmica interna” (FARACO,
2012, p. 32).
O educando da EJA aprende na convivência social e nas interações antes de aprender as regras gramaticais,
usuais nas escritas de textos acadêmicos. Cada aluno é interlocutor de seus colegas e do educador da EJA. Cada
aluno é capaz de fazer �irmes e intensas trocas interativas (FARACO, 2012).
Vem de Vygotsky uma defesa de que a linguagem adota um papel efetivo, na formação dos processos mentais
superiores e na formação da consciência. E sobre a linguagem escrita existe a compreensão de que ela é
efetuada, “primeiramente, através da linguagem falada. No entanto, gradualmente essa via é reduzida,
abreviada, e a linguagem falada desaparece como elo intermediário.” (VYGOTSKY, 2007, p. 141).
#PraCegoVer: são quatro estudantes dentro de uma biblioteca. Dois homens, um jovem e outro idoso. Duas
jovens mulheres. Eles estão com computadores pessoais e tablets. A biblioteca possui estantes.
Figura 4 - Estudantes da EJA aprendem juntos e dialogando
Fonte: SpeedKingz, Shutterstock, 2020.
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A escrita, para Vygotsky (1999, p. 131), seria uma linguagem inventada só de pensamento e imagem,
carecendo das “qualidades musicais, expressivas e de entonação, caracterı́sticas da linguagem oral. Ao
aprender a escrever, a criança tem de se libertar do aspecto sensorial da linguagem e substitui as palavras por
imagens de palavras”. Entendia que a “escrita é também um discurso sem interlocutor, dirigido a uma pessoa
ausente ou imaginária ou a ninguém em particular”.
Diferenciando conversação e escrita, Vygotsky (1999, p. 131), nota que na “conversação, todas as frases são
impelidas por um motivo: o desejo ou a necessidade conduzem os pedidos, as perguntas arrastam consigo as
respostas, o espanto leva à explicação”. Já no “discurso escrito, somos obrigados a recriar a situação, a
representá-la para nós”.
Aspectos das teorias de Vygotsky, que ajudam o educador da EJA, passam pelo entendimento de que as
aprendizagens das práticas escritas demandam um longo mergulho nas tradições discursivas. “Trata-se de
uma complexa experiência cognitiva que não começa nem termina com o domı́nio do alfabeto. A alfabetização
é apenas o momento especı́�ico de aprendizado do sistema de notações grá�icas” (FARACO, 2012, p. 63).
O que está em questão, apoiado nas teorias de Vygotsky, é que nem tudo se encerra quando o sujeito é
alfabetizado. Já que, antes de conhecer o alfabeto, vivencia um conjunto de experiências simbólico-cognitivas,
conjunto denominadopelo teórico como pré-história da escrita (FARACO, 2012).
Outra contribuição original é de Alexander Luria, pesquisador ligado a Vygotsky. Luria foi pesquisar em
aldeias de povos nômades nas regiões de Uzbequistão e escreveu sobre as concepções de adultos não
alfabetizados sobre escrita e sı́mbolos. Defendia que a história do desenvolvimento da escrita, no interior das
sociedades humanas, assinala distintas transformações. Do basilar ato de escrever, surgiu inicialmente a
escrita indiferenciada, em seguida a escrita pictográ�ica (desenhos), até se estabelecer a escrita ideográ�ica.
Depois de longo caminhar é que foi possı́vel inventar a escrita alfabética. Todo sujeito passa pela experiência e
termina percebendo que é capaz de escrever os nomes dos objetos e até a própria fala (LURIA, 1988).
Escrever signi�ica realizar uma atividade mediada, fazer uma representação, capaz de explicar o mundo e as
interações de quem escreve. “Gradualmente, esse elo intermediário (a linguagem falada) desaparece e a
linguagem escrita converte-se num sistema de signos que simboliza diretamente as entidades reais e as
relações entre elas.” (VYGOTSKY, 2007, p. 140).
VAMOS PRATICAR?
Com os dados sobre analfabetismo no Brasil, pense em ideias criativas p
programa de erradicação de analfabetismo em um municıṕio com 
habitantes, em que 29% são analfabetos funcionais, levando em conta a
aprendidas sobre desenvolvimento cognitivo humano.
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Neste tópico, além de fazer re�lexões necessárias sobre o analfabetismo, foi possı́vel percorrer enfoques
sociais, polı́ticos e psicológicos relacionados à EJA. Por �im, apoiados nas ideias de Vygotsky e Luria foi
possı́vel analisar como se comporta, cognitivamente, o aluno da EJA, ação importante para fazer a diferença na
busca de uma educação dialógica, com dados sobre desenvolvimento cognitivo, numa perspectiva histórico-
crı́tica.
3.2 Currículo na Educação de Jovens e Adultos
Para re�letir sobre o currı́culo da Educação de Jovens e Adultos faz-se necessário dialogar com as múltiplas
dimensões contidas em todo e qualquer currı́culo e conhecer as teorias sobre o tema. Um fato inequı́voco é
que nenhum currı́culo pode funcionar como um manual infalı́vel através dos tempos. Os currı́culos da EJA são
organizados e demandam atualizações constantes, focando sempre nos sujeitos que procuram essa
modalidade de ensino.
O educando da EJA, jovens, adultos e idosos precisam se reconhecer nas con�igurações dos currı́culos, bem
como perceber que foram elaborados em re�lexões fundadas na diversidade brasileira e na realidade de vida e
de trabalho.
3.2.1 Definição e teorias do currículo: implicações na organização da
aprendizagem na EJA
Na busca pela de�inição de currı́culo na EJA, cabe indagar: o que signi�ica currı́culo na EJA? Isso demandaria
uma investigação junto aos sujeitos envolvidos nessa modalidade educativa. Talvez seja possı́vel encontrar
defesas de alguns dos pro�issionais da EJA de que currı́culos são conteúdos, e para outros é possı́vel
visualizar a a�irmação de que currı́culo signi�ica experiências de aprendizagem.
Segundo Moreira (2001) não seria estranho que alguém a�irmasse que o currı́culo de EJA é um plano,
declarando os direitos e objetivos educacionais dessa modalidade educativa, que esclarece os mecanismos de
avaliação a serem usados. Todos esses elementos a�irmados são importantes, bem como é essencial a
“articulação dos diferentes elementos enfatizados em cada uma das concepções apresentadas e, ao mesmo
tempo, considerar o conhecimento como a matéria prima do currı́culo” (MOREIRA, 2001, p. 4).
Essas re�lexões sobre currı́culo na EJA evidenciam, que o currı́culo termina por ser entendido como um
imponente conjunto de experiências, de conhecimentos que os educadores oferecem aos educandos nas ações
educativas. “E� fundamentalmente pelo conhecimento que se procura atingir as metas de�inidas para um curso,
para uma escola ou para um sistema educacional” (MOREIRA, 2001, p. 4).
O currı́culo da EJA é um proeminente instrumento habitual em muitas sociedades, conforme a�irma Moreira
(1997), sendo útil para desenvolver os processos de conservação, transformação e renovação dos
conhecimentos historicamente acumulados e para socializar as futuras gerações nos relevantes valores de
cada sociedade.
Com um papel tão signi�icativo em diversas realidades e culturas, os currı́culos são instrumentos polı́ticos
provocadores de mudanças de vida para jovens, adultos e idosos da EJA. Demandam participação de muitos
atores, pensando sobre educação, sobre escola, sobre a EJA, sobre os alunos da EJA e seus sonhos. Segundo
Siqueira e Guidotti, (2017, p. 58) “a re�lexão sobre o currı́culo necessita de um estudo mais aprofundado das
concepções da escola e dos sujeitos da EJA, e principalmente das intenções e objetivos da escola”. Os autores
ainda complementam que os anseios comunitários precisam estar presentes. “O currı́culo para atender
plenamente às necessidades dos educandos, deverá envolver toda a comunidade escolar, existindo um real
signi�icado na vida dos alunos”.
A diversidade etária da EJA, as diferenças geracionais, as diferenças entre ser jovens e adultos devem ser
evidenciadas no currı́culo. E, ainda, existem idosos engajados em conseguir, �inalmente, estudar na chamada
terceira idade. O objetivo é o “aumento da escolarização, promovendo o acesso à educação, como um direito
de todos em qualquer momento” (SIQUEIRA, GUIDOTTI, 2017, p. 57).
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O currı́culo da EJA deverá ajudar os educandos jovens e adultos a analisar com criticidade sua realidade social,
os lugares em que vivem e sentem, em que se experimentam como seres ativos, re�lexivos e participativos. O
sentido é que cada educando possa “aprimorar as concepções sobre ele mesmo, sua participação na
sociedade, integrando-se progressivamente.” (SIQUEIRA; GUIDOTTI, 2017, p. 57).
#PraCegoVer: dois alunos maduros estão estudando e o professor atende um deles, que é homem, a outra é
mulher loira. O professor está segurando um papel sob a mesa e explica uma dúvida, o aluno olha para o
papel.
O currı́culo da EJA é uma elaboração construı́da no cotidiano dos que serão contemplados com ele. Deve ser
visto como “criação cotidiana daqueles que fazem as escolas e como prática que envolve todos os saberes e
conhecimentos interativos do trabalho pedagógico construı́do pelos educandos e docentes” (SIQUEIRA;
GUIDOTTI, 2017, p. 58).
Sobre teorias do currı́culo é interessante começar entendendo que teoria con�igura uma representação, sendo
uma imagem, ou um re�lexo, constituindo um signo de uma realidade que, cronologicamente (no tempo) e
ontologicamente (na re�lexão sobre o ser, somos quem somos), acontece antes da realidade vivenciada pelos
seres humanos. Nesse sentido, conforme Silva (2016, p. 11), o currı́culo “seria um objeto que procederia a
teoria, a qual só entraria em cena para descobri-lo, descrevê-lo, explicá-lo”.
Para fazer um currı́culo coerente com a realidade dos educandos não basta responder perguntas simples como
o que deve ser escolhido para ser ensinado (elencando saberes que demandam discussões sobre validades ou
invalidades deles e para quem serão ensinados), ou sobre qual é o conjunto consistente de saberes
necessários aos aprendizes da EJA (o que já levaria a re�lexão sobre a signi�icação dos conteúdos voltados a
um conjunto tão vasto destes sujeitos).
A teoria tradicional trabalha com a ideia da neutralidade e �ixa-se na identi�icação de objetivos educacionais,
com o foco na condição do trabalhador e nas necessárias especializações para exercer funções, sem nenhumare�lexão sobre as condições de trabalho e como é possı́vel mudar essa realidade social (SILVA, 2016).
As pesquisas sobre currı́culo surgiram, nos Estados Unidos em 1918, com foco na industrialização,
inspirando-se nas fábricas como modelo institucional. De acordo com Silva (2016, p. 12), “o currı́culo é visto
como processo de racionalização de resultados educacionais, cuidadosa e rigorosamente especi�icados e
Figura 5 - Professor da EJA precisa dialogar com a realidade do aluno
Fonte: Monkey Business Images, Shutterstock, 2020.
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medidos”. Naquele tempo, os alunos deveriam ser ensinados em um processo fabril, bastante útil para a época
da Revolução Industrial. Nesse modelo ultrapassado, o currı́culo é visto como a especialização precisa de
objetivos, procedimentos e métodos para conseguir consistentes resultados mensuráveis (SILVA, 2016).
Porém, esse modelo educacional industrial evidentemente não possui conexão nenhuma com o atual
momento e nem com a realidade dos educandos da EJA. As teorias sobre currı́culo costumam responder as
perguntas cruciais que são: Qual conhecimento deve ser escolhido e ensinado? O que ensinar? Essas teorias
costumam responder perguntas recorrendo “a discussões sobre a natureza humana, sobre a natureza da
aprendizagem ou sobre a natureza do conhecimento, da cultura e da sociedade” (SILVA, 2016, p. 14). As teorias
do currı́culo tomam suas posições e dão suas respectivas ênfases a estes distintos elementos: natureza
humana, aprendizagem, conhecimento, cultura e sociedade.
Para Silva (2016), o currı́culo é uma seleção do que interessa em um conjunto grande de conhecimentos e
saberes. Assim, alguns elementos são escolhidos e outros são refutados. Ao ser feita uma escolha de um
conjunto de saberes, é conveniente justi�icar os motivos de serem escolhidos aqueles saberes e
conhecimentos. Isso demanda boas justi�icativas para tal escolha em detrimento do que �icou do lado de fora
do currı́culo. Outro conjunto de perguntas que justi�icam as escolhas curriculares é o que se almeja que os
educandos venham a ser tornar no futuro. Isso signi�ica que questões relacionadas as subjetividades e
identidades interessam nas escolhas curriculares.
#PraCegoVer: na imagem, há um professor em frente aos alunos, de costas para quem fotografou. O grupo de
alunos é composto por cinco estudantes: três mulheres, uma negra, uma loira e uma de origem asiática; e dois
homens, um é idoso e outro é jovem.
Nesses cenários de subjetividades e identidades diversas surgem as teorias	do	currículo, que se dividem em
três tipos. Veja quais são.
Figura 6 - O Professor da EJA deve oferecer alternativas para o futuro dos educandos
Fonte: Monkey Business Images, Shutterstock, 2020.
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Teorias	Tradicionais
12/08/2024, 13:30 Educação de jovens e adultos
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Interessa às Teorias Tradicionais, estritamente, elementos técnicos e contidos no currı́culo. Já as Teorias
Crı́ticas visam a emancipação do sujeito, um enfrentamento das relações injustas, dentro da sociedade,
resistência e libertação. As Teorias Pós-Crı́ticas defendem que o currı́culo deve levar em conta as alteridades
(outro) e as diferenças, as subjetividades devem ser consideradas, bem como as diversidades étnico-culturais,
elementos constitutivos da cultura, e a análise dos discursos usados dentro da escola (SILVA, 2016). 
Focadas no ensino, aprendizagem, metodologia, didática, organização, planejamento, e�iciência e
objetivos.
Focadas em um ensino que veicula crı́ticas às ideologias dominantes, reprodução cultural e social.
Oferece re�lexões sobre os poderes consolidados, questionando visões estagnadas de classe social,
das injustiças próprias do capitalismo e suas desiguais relações sociais de produção. Busca com a
conscientização, a emancipação e a libertação dos excluı́dos, faz re�lexões sobre o currı́culo oculto
e a necessária resistência dos povos trabalhadores e oprimidos.
Focadas no ensino que incorpore questões relevantes aos estudantes sobre suas Identidades,
alteridades, diferenças, subjetividades, questionado toda forma de saber-poder e de representação,
respeitando as diversidades culturais, de gênero, raça, etnia, sexualidade e multiculturalismo.
•
•
Teorias	Críticas
Teorias	Pós-Críticas
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#PraCegoVer: o quadro apresenta uma descrição das teorias do currı́culo (Tradicionais, Crı́ticas e Pós-
Crı́ticas) e tece as implicações na organização da aprendizagem da EJA.
No foco da diversidade étnico-racial brasileira e amplamente contemplada pelos estudantes da EJA interessa
pensar o currı́culo como uma so�isticada seleção da cultura, colhendo na cultura possibilidades de escolha de
conhecimentos, a partir do ponto de vista de que a cultura é o lugar produtor de signi�icados. Assim, segundo
Moreira (2001, p. 5), o currı́culo é concebido “como uma prática de signi�icação que, expressando-se em meio
a con�litos e relações de poder, contribui para a produção de identidades sociais”.
Quadro 2 - Currı́culos e suas teorias: implicações sobre a EJA
Fonte: Elaborado pela autora, baseado em SILVA, 2016.
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A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) representa o alicerce para a Educação Básica Brasileira (da
Educação Infantil ao Ensino Médio), a�irmando que a aprendizagem deve ser de qualidade. A BNCC deve ser
entendida como peça central para alcançar esse objetivo, com especial foco no Ensino Médio, diante do
histórico de evasão e repetência e dos graves ı́ndices de aprendizagem no Brasil. Isso é também muito
signi�icativo aos jovens e adultos da EJA que almejam concluir o Ensino Médio, mesmo nadando contra a maré
(BRASIL, 2018).
A BNCC con�igurou uma aposta na busca de oferecer um norteador comum aos currı́culos em todas as
modalidades de ensino. Como está a�irmado na sua apresentação, não teria o objetivo hercúleo de alterar o
preocupante quadro de desigualdade existente ainda na Educação Básica do Brasil, porém evidencia que é
efetivo para operar mudanças signi�icativas, “além dos currı́culos, in�luenciará a formação inicial e continuada
dos educadores, a produção de materiais didáticos, as matrizes de avaliações e os exames nacionais que serão
revistos à luz do texto homologado da Base” (BRASIL, 2018, p. 5).
VOCÊ SABIA?
Os autores que in�luenciaram com seus livros as teorias de currıćulo foram Paulo
Freire, Louis Althusser, Pierre Bourdieu, Michael Young, Samuel Bowles e Michael
Apple (SILVA, 2016).
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#PraCegoVer: na �igura há uma aluna loira que segura uma caneta e aponta para uma parte de uma página de
um livro, o professor está ao seu lado e olha para o ponto apontado pela aluna, a frente deles está um aluno
idoso, que aparece desfocado na foto.
Na formulação de novos currı́culos, é necessário entender que a BNCC e os currı́culos da EJA devem sustentar
seus relevantes papéis complementares “para assegurar as aprendizagens essenciais de�inidas para cada etapa
da Educação Básica, uma vez que tais aprendizagens só se materializam mediante o conjunto de decisões que
caracterizam o currı́culo em ação” (BRASIL, 2018, p. 5).
A BNCC leva em conta as realidades locais, admitindo a autonomia dos sistemas, das diversasredes de ensino,
de cada instituição escolar, dos contextos e as caracterı́sticas dos educandos. Isso contempla o heterodoxo
público da EJA, compostos de sujeitos de faixas etárias distintas, advindos de realidades de trabalho,
comunitárias e culturais distintas. A BNCC estimula, ainda a implicação e participação das famı́lias e das
comunidades (BRASIL, 2018).
O que a BNCC a�irma é a necessidade de consistentes contextualizações dos conteúdos, dos componentes
curriculares, “identi�icando estratégias para apresentá-los, representá-los, exempli�icá-los, conectá-los e torná-
los signi�icativos, com base na realidade do lugar e do tempo nos quais as aprendizagens estão situadas”
(BRASIL, 2018, p. 16)
Expressa-se, na BNCC, as necessárias decisões sobre con�igurações de organização interdisciplinar dos
componentes curriculares. Em uma busca de dinamizar a competência pedagógica das equipes escolares para
aceitar estratégias mais e�icazes, interativas e colaborativas, relacionadas à gestão do ensino e da
aprendizagem (BRASIL, 2018).
Existe uma indicação na BNCC, bem compatı́vel com a EJA, voltada para um cuidado com a seleção e aplicação
de inúmeras e diversi�icadas metodologias e estratégias didático-pedagógicas, apelando para ritmos
diferenciados e conteúdos complementares, su�icientemente potentes para as necessidades dos distintos
grupos de alunos, das suas famı́lias e suas culturas de origem, levando em conta os seus grupos de
socialização (BRASIL, 2018).
Figura 7 - O Professor da EJA prepara os estudantes para futuros desa�ios avaliativos
Fonte: Monkey Business Images, Shutterstock, 2020.
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O cuidado é a�irmado, na BNCC, em arquitetar e praticar situações e procedimentos motivacionais e de
engajamento para os alunos nas aprendizagens, no decorrer das atividades em sala de aula, construindo e
aplicando os mais apropriados procedimentos de avaliação formativa “de processo ou de resultado que levem
em conta os contextos e as condições de aprendizagem, tomando tais registros como referência para melhorar
o desempenho da escola, dos professores e dos alunos” (BRASIL, 2018, p. 17).
Existe um esforço, na BNCC, para a seleção, produção e avaliação de recursos didáticos e tecnológicos que
sirvam de apoio ao processo de ensinar e aprender, assim como a criação e a disponibilização de materiais
com a �inalidade de orientar os professores, lançando possibilidades de estabelecer e sustentar processos
permanentes de formação docente capazes de construir um potente e ininterrupto aperfeiçoamento dos
processos de ensino e aprendizagem (BRASIL, 2018).
Por último é prevista a necessidade de “manter processos contı́nuos de aprendizagem sobre gestão pedagógica
e curricular para os demais educadores, no âmbito das escolas e sistemas de ensino” (BRASIL, 2018, p. 17).
A BNCC informa que todas as suas decisões precisarão ser respeitadas dentro da organização de diversi�icados
currı́culos e variadas propostas apropriados às dı́spares modalidades de ensino. E são citadas que as
seguintes modalidades são exemplos indicadores de suas recomendações na construção de futuros currı́culos:
Educação Especial, Educação de Jovens e Adultos, Educação do Campo, Educação Escolar Indı́gena, Educação
Escolar Quilombola e a Educação a Distância, levando em conta àquelas orientações das Diretrizes
Curriculares Nacionais (BRASIL, 2018).
3.2.2 O relevante papel do currículo
A importância de tecer o currı́culo, por meio de identidades culturais, é enorme em qualquer paı́s, e mais
signi�icativo em um paı́s com a nossa diversidade cultural, onde é falada a lı́ngua trazida pelo colonizador
português e cerca de 200 lı́nguas indı́genas, além de diferentes manifestações culturais visualizadas nas
nossas danças, músicas, comidas, distintos sotaques, festividades que marcam os calendários de diferentes
grupos, como o carnaval, festas juninas e bumba-meu-boi, para algumas partes do paı́s.
VOCÊ QUER LER?
O artigo “Porque estudar Currıćulo e Teorias de Currıćulo: Proposta de estudo para
reunião pedagógica
(http://www.diaadiaeducacao.pr.gov.br/portals/pde/arquivos/261-2.pdf )”, de Selma
Maria Garcia Sabaini, é uma leitura recomendada sobre teorias do currıćulo. 
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http://www.diaadiaeducacao.pr.gov.br/portals/pde/arquivos/261-2.pdf
http://www.diaadiaeducacao.pr.gov.br/portals/pde/arquivos/261-2.pdf
http://www.diaadiaeducacao.pr.gov.br/portals/pde/arquivos/261-2.pdf
A EJA pode dialogar e criar currı́culos abertos às diversidades culturais. Qualquer currı́culo fundamentado na
cultura dos educandos, carece de uma nova atitude dos educadores da EJA, de empatia e aceitação. “Entender a
diversidade cultural dos alunos propicia uma melhor escolha dos conteúdos educativos e das metodologias
de ensino, visando um melhor aproveitamento” (SIQUEIRA; GUIDOTTI, 2017, p. 57).
Os elementos da formação do povo brasileiro relacionados às matrizes que nos formaram, sejam de origem
indı́gena, africana ou europeia, trazem às elaborações de currı́culos da EJA as necessárias construções para
serem consideradas na Educação de Jovens e adultos, voltada para as relações étnico-raciais, e que deverão
estar su�icientemente presentes nas estruturas curriculares da EJA, almejados na construção “de ambiente
escolar que favoreça a formação sistemática da comunidade sobre a diversidade étnico-racial, a partir da
própria comunidade, considerando a contribuição que esta pode dar ao currı́culo escolar”. (BRASIL, 2006, p.
67-68). No caso da EJA os jovens e adultos são potenciais informantes de um mapeamento das manifestações
artı́sticas e culturais comunitárias.
Construir um currı́culo da EJA aberto às identidades culturais de seus educandos requer a “superação da
indiferença, injustiça e desquali�icação com que os negros, os povos indı́genas e também as classes populares
às quais os negros, no geral, pertencem, são comumente tratados” (BRASIL, 2004, p. 19), por meio de potentes
questionamentos e su�icientes análises crı́ticas, com o objetivo de extinguir conceitos, ideias,
comportamentos ligados pela resistente e racista ideologia do branqueamento, e pela manutenção do mito da
democracia racial, uma falsa ideia de que no Brasil não existe racismo. Existe e incide na maioria da população
do Brasil, declaradamente preta e parda, segundo as recentes pesquisas do IBGE (BRASIL, 2004).
Isso demandará uma consistente formação dos docentes da EJA nas produções de análises das relações étnico-
raciais e sociais, considerando a contribuição indı́gena para nossa cultura, bem como “com o estudo de
história e cultura afro-brasileira e africana, de informações e subsı́dios que lhes permitam formular
concepções não baseadas em preconceitos e construir ações respeitosas” (BRASIL, 2004, p. 19).
#PraCegoVer: na sala de aula são focados três estudantes homens, um deles é o foco da foto, veste camisa de
mangas compridas, na cor cinza, sorri e segura a caneta com uma mão e com a outra segura um caderno.
Figura 8 - Estudante da EJA precisa sentir seguro que é aceito nas suas diferenças culturais e identidades
Fonte: Wavebreakmedia, Shutterstock, 2020.
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Esse currı́culo precisa ser aberto ao entrosamento entre os diferentes, a �im de promover negociações, visando
aos objetivos comuns e a construção de uma sociedade muito justa (BRASIL, 2004). O currı́culo da EJA deve
ser aberto às diversas identidades e diferenças culturais.
A BNCC sugere que, entreas dez competências gerais comuns, consta a “diversidade de saberes e vivências
culturais”, recomendando, ainda, a conveniência da apropriação de conhecimentos e experiências que
possibilitem “entender as relações próprias do mundo do trabalho e fazer escolhas alinhadas ao exercı́cio da
cidadania e ao seu projeto de vida, com liberdade, autonomia, consciência crı́tica e responsabilidade” (BRASIL,
2017, p. 27).
VAMOS PRATICAR?
Partindo das recomendações da Base Nacional Comum Curricular 
organize ideias que devem ser discutidas em grupo, no decorrer da elabor
um currıćulo, no momento do delineamento de objetivos e dire
aprendizagem, respeitando identidades e diferenças na EJA.
3.3 Refletindo sobre as práticas docentes numa perspectiva
de ressignificação dos conteúdos na EJA
Ressigni�icar os conteúdos envolve um plano por mudanças, contra o fracasso e a evasão escolar de jovens,
adultos e idosos que precisam permanecer nas escolas e seguir com seus estudos. Com isso, vamos
compreender e re�letir sobre as práticas docentes e sobre o papel do professor da EJA, levando em
consideração as realidades de seus estudantes.
3.3.1 A ressignificação dos conteúdos para a Educação de Jovens e
Adultos
A neutralidade curricular é inexiste. Currı́culos são vistos como “produtos de escolhas teóricas e
metodológicas, fruto de uma seleção. Os currı́culos nunca são neutros. Expressam disputas polı́ticas,
consensos, aproximações, esquecimentos, estão em permanente reconstrução” (SCHIMITT, 2015, p. 113).
O currı́culo da EJA deverá ser pensado a partir da realidade multicultural que funda o povo brasileiro. Nesse
sentido, é possı́vel a�irmar que o “currı́culo para a EJA deve ser multicultural, pautado em propostas
educativas que levem em conta os alunos em sua diversidade. Para tanto, é necessário considerar as
diferenças culturais, sociais, éticas e de gênero” (SIQUEIRA; GUIDOTTI, 2017, p. 53).
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De acordo com Moreira (2001, p. 5), o currı́culo deve ser aceito “como território em que ocorrem disputas
culturais, em que se travam lutas entre diferentes signi�icados do indivı́duo, do mundo e da sociedade, no
processo de formação de identidades”
Uma necessária discussão, sobre a ressigni�icação de conteúdo do currı́culo da EJA, está associada a Práxis
Pedagógica, considerando as diversidades e identidades dos educandos. “Identidades em sintonia com
padrões dominantes ou identidades plurais? Identidades comprometidas com o arranjo social existente ou
identidades questionadoras e crı́ticas?”.
Práxis é a atividade fabricante da unidade entre o homem e o mundo ao redor, entre a matéria existente no
mundo e o espı́rito humano, entre uma teoria e a concernente prática dela, entre sujeito e objeto. E� a atividade
lançada pela humanidade, socialmente, em muitos âmbitos, mudando a realidade, isto é, “atividade material
do homem que transforma o mundo natural e social para fazer dele um mundo humano” (VA� ZQUEZ, 1977, p.
3).
Paulo Freire compreendia que Práxis signi�ica a humanização que todo ser humano oferece ao mundo ao seu
redor. Educadores e educandos da EJA vivenciam a práxis pedagógica em cada encontro, quando discutem e
debatem sobre conhecimentos teóricos ou de suas vidas, e ainda ambos, teóricos e práticos.
Cada aluno da EJA possui suas próprias concepções sobre suas experiências de vida, que podem emergir nas
discussões com o educador e seus colegas. Essas discussões trarão novas percepções sobre suas ideias e
ampliarão a consciência, suplantando ingenuidades sobre a realidade, produzindo novas e mais crı́ticas
posições (FREIRE, 1987).
Paulo Freire considerou que qualquer prática pedagógica é uma práxis. E foi re�letindo sobre as suas
experiências com alfabetização de jovens e adultos que construiu suas convicções teóricas. A construção de
um currı́culo para a EJA deverá estar apoiada nas ênfases da humanização, dialogicidade, problematização,
conscientização e emancipação. Nenhum educando da EJA sairá de uma especı́�ica experiência educativa da
mesma forma que entrou.
Freire (1987) compreendia que na medida em que a humanidade elabora história, vai se constituindo como
produtora de seres histórico-sociais. Para captar esses potenciais de nossas humanidades, os currı́culos da
EJA devem sinalizar para o uso dos temas geradores, selecionados para provocar debates na sala de aula, como
VOCÊ O CONHECE?
Você precisa conhecer a potencial contribuição da obra de Paulo Freire, para perceber
que a realidade do aluno serve como perene fonte de re�lexão e produção de
inovações aos currıćulos e às práticas.
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potencialmente cheios de signi�icados sociopolı́ticos e culturais das realidades dos educandos da EJA, sendo
imprescindı́vel a escolha de metodologia conscientizadora para re�letir sobre os signi�icados de tais temas
geradores.
Freire (1987, p. 97) a�iançou que “investigar o tema gerador é investigar, repitamos, o pensar dos homens
referido à realidade, é investigar seu atuar sobre a realidade, que é sua práxis”. Para o autor, todo currı́culo da
EJA deve ser planejado, e posteriormente vivenciado, na práxis pedagógica, levando em conta como os sujeitos
da EJA atuam sobre a realidade, e se o momento já é o da ação, tal ação deverá ser autêntica práxis. E se o saber
da ação resultante consegue se fazer objeto da re�lexão crı́tica.
3.3.2 Práticas docentes e caminhos metodológicos para a Educação
de Jovens e Adultos
Re�letindo sobre as práticas docentes e as metodologias contemporâneas, é possı́vel pensar que o mundo em
que aconteceram as pioneiras campanhas de alfabetização, onde se deu o surgimento de novas metodologias
para educar adultos, surgiu da atualı́ssima teoria de Paulo Freire. A partir daı́ foram intensas as
transformações sociais, polı́ticas, legais, e o público EJA vive hoje em uma realidade tecnológica de transações
comerciais feitas por cartões eletrônicos, em que já é possı́vel cursar a EJA também na modalidade Educação a
Distância.
Aquelas campanhas em que Paulo Freire esteve engajado, fora e dentro do Brasil, foram revolucionárias por
demandar metodologias dialógicas. São intensas mudanças que surgem, constantemente, “em nı́vel global, nas
esferas, social, polı́tica, econômica, tecnológica, ética entre outras, re�letem nas diversas áreas sociais. Na
educação não é diferente, e a necessidade de mudanças se torna mais evidente” (SIQUEIRA; GUIDOTTI, 2017,
p. 157).
Isso determina que as experiências da EJA, no interior das instituições de ensino reconheçam as necessárias
transformações que precisam acontecer. Procurando aprofundar os olhares sobre as necessidades da
aprendizagem contemporâneas, os professores “precisam repensar seus objetivos e práticas de ensino, de
modo a prover nos seus alunos os meios cognitivos e instrumentais de compreender e lidar com os desa�ios
postos por esta realidade” (SIQUEIRA; GUIDOTTI, 2017, p. 157).
Nenhum educador sozinho poderá operar todos os necessários ajustes. Ainda assim, se a realidade é hostil às
necessárias mudanças, nas práticas docentes e nos encaminhamentos metodológicos serão aceitas as práticas
e encaminhamentos metodológicos singulares, inusitados, bem planejados e apoiados no exame da realidade
social e nas demandas trazidas pelos alunos que vivem no século XXI, não antes.
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#PraCegoVer: na imagem há uma sala de aula com vários alunos, alguns deles estão com a mão levantada
para responder algumapergunta da jovem professora. O clima é descontraı́do de participação da maioria do
grupo.
A sociedade em seu conjunto precisa cuidar da EJA. As relações degradantes e desumanas fazem com que os
educandos da EJA cheguem exaustos em sala de aula. Será bené�ica qualquer iniciativa de melhoria das
condições de trabalho no Brasil. E serão excelentes as práticas de ensino que sejam dinâmicas e que
mantenham os alunos em posição de protagonista.
A iniciativa apropriada seria transformar cada prática docente da EJA como uma ação intensamente engajada
em relação de constante participação. Essa prática docente engajada em educar os jovens e adultos exige
“construção permanente e coletiva. No entanto, trabalhamos na tradição escolar seletiva, que age em nome da
ordem disciplinar, que aprisiona e silencia os sujeitos” (SIQUEIRA; GUIDOTTI, 2017, p. 157).
Longe de posicionamentos potentes e que operem nas práticas e nas escolhas metodológicas os devidos
reconhecimentos de que todos são iguais e sujeitos de direitos, estabelecendo os direitos de fala, os esforços
serão práticas e encaminhamentos metodológicos ultrapassados, autoritários e que veiculam mentiras que
parecem verdades, não servindo aos atuais estudantes trabalhadores de parte nenhuma do mundo. Nem os
ajudará a avançar e a conviver com os desa�ios tecnológicos desses tempos atuais e dos futuros.
Nesse sentido, segundo Siqueira e Guidotti (2017, p. 157), “posiciona os sujeitos em condição desigual, não
permitindo o diálogo e a sua emancipação, além de operar para a conservação da situação atual do sujeito”. Se
por outro lado a busca for em operar mudanças com o intuito em “transformar essa realidade opressora seria
necessária uma ação consciente e problematizadora, promovendo uma polı́tica que parta das necessidades
educacionais de jovens e adultos”.
Cada prática docente e cada escolha metodológica deverá, necessariamente, ser voltada às diferenças e não as
desigualdades. “E� necessário uma polı́tica atenta à diversidade, que promova mudanças à lógica opressora,
que exija uma práxis pedagógica referenciada na liberdade e no respeito, para assim atuar e contribuir para a
promoção humana” (SIQUEIRA; GUIDOTTI, 2017, p. 157).
Do que adiantaria criar um cotidiano escolar que não seja um potente diálogo com os conhecimentos dos
educandos e sobre quem são eles? E� preciso envolver a “materialidade social, os saberes e conhecimentos
relacionados aos elementos de sua cultura, do seu trabalho e da sua comunidade. O docente não poderá
Figura 9 - Participação ativa e relacionada a realidade social dos alunos da EJA
Fonte: Lucky Business, Shutterstock, 2020.
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restringir ao ensino da leitura e da escrita” (SIQUEIRA; GUIDOTTI, 2017, p. 58).
As boas iniciativas e pesquisas a respeito de novos modos de ensinar e aprender na EJA devem ser
respaldadas por relevantes escolhas curriculares, além da preocupação com formações docentes. As
iniciativas de planejamento, relacionadas à EJA, estiveram por muito tempo condicionadas a um modelo ou
paradigma da educação tradicional, que segundo Siqueira e Guidotti (2017, p. 65) “valorizava apenas a
reprodução de informação, sem uma preocupação com o aluno, sem reconhecê-lo como sujeito ativo com
potencial de construir novos conhecimentos”. O que se instalou e permaneceu na educação em geral e na EJA
foi uma visão de ensino tradicional, con�igurando o educador como aquele que era o dono ou detentor do
saber. Sozinho, o educador fazia as escolhas, de�inindo o que era importante ou não para os alunos, passando
uma imagem de alunos passivos, a quem deveriam ser depositados os conteúdos, “desconsiderando as
vivências dos estudantes e sem apresentar preocupação em vincular os conhecimentos das disciplinas com a
prática social dos alunos dentro e fora da escola.” (SIQUEIRA; GUIDOTTI, 2017, p. 65).
Nesse cenário da EJA coexistiram duas concepções de EJA corriqueiras, uma delas era a instrumental e a outra
a dialógica. A instrumental é fundamentada na preocupação com os conteúdos e com a forma. A dialógica é
ligada ao conhecimento como emancipação (SIQUEIRA; GUIOTTI, 2017).
A escolha da concepção dialógica implica em lançar mão da problematização dos conhecimentos e das
signi�icativas experiências oriundas das vidas dos educandos. E� necessário privilegiar as oportunidades para
que os educandos da EJA possam viver em experiências inovadoras, que partam das realidades vivenciadas,
“como forma de conhecer e de demarcar a intencionalidade polı́tica e transformadora da educação, sendo está
a chave para a motivação do aluno. Aprendemos melhor aquilo que é signi�icativo para nossas vidas”.
(SIQUEIRA; GUIOTTI, 2017, p. 93).
Ficará uma demanda à EJA, indagar sobre as vidas dos educandos e suas realidades, e trabalhar seus
conteúdos de um jeito signi�icativo, buscando provocar nos estudantes o anseio de alargar seu conhecimento
sobre os conteúdos escolares (SIQUEIRA; GUIDOTTI, 2017).
A indagação que os educadores da EJA devem fazer nas necessárias construções coletivas dos currı́culos, nas
práticas docentes e nos encaminhamentos metodológicos, não devem focar exclusivamente na memorização
de conteúdos, sem re�lexão e pensamento crı́tico construtivo.
VAMOS PRATICAR?
Levando em consideração a necessidade de rever as Práticas Docente
perspectiva de ressigni�icação dos conteúdos na EJA, construa uma prop
formação docente continuada para professores da EJA, com o foco em in
nas práticas da EJA, com ampla participação dos educandos.
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3.4 Novas perspectivas na Educação de Jovens e Adultos
Uma recomendação essencial aos que re�letem sobre novas perspectivas, nos currı́culos e práticas na EJA, é o
fato inequı́voco e essencial que nenhuma re�lexão con�igura em consistente processo se os educandos são
alijados de participação. Faz-se necessário escutar os principais interessados. E� um lugar comum a�irmar que
a comunidade docente e discente precisa ser ouvida. Não existem muitas discordâncias sobre isso para
nenhum momento da escolaridade, seja no Brasil ou em outros paı́ses.
3.4.1 Discussão de novas perspectivas na Educação de Jovens e
Adultos
Quando o assunto é oferecer estudos aos que por diversos motivos não tiveram a oportunidade de cursar no
tempo adequado, seja na adolescência ou na idade adulta, são necessários esforços mais �irmes quanto a
participação desses sujeitos “no contexto de um trabalho partilhado, sobretudo ao tratarmos da Educação de
Jovens e Adultos, sugerimos que a rotina para um determinado perı́odo (semana, quinzena, mês) deve ser
socializada com os estudantes” (LEAL, 2013, p. 98).
Esses esforços facilitarão ações de compartilhamentos de objetivos de aprendizagem e organização das
atividades com a coparticipação dos educandos da EJA. Segundo Leal (2013, p. 98), “E� interessante, também
que sejam favorecidas situações em que eles planejem com o professor a rotina de um determinado perı́odo
letivo, levando-os a sentirem-se mais responsáveis pelo processo de ensino e aprendizagem”.
O trabalho pedagógico deve dialogar com as dessemelhantes realidades e com os desa�ios atuais diante do
mundo de trabalho, procurando despertar para dentro do currı́culo e das práticas pedagógicas as evidências
retiradas de dentro de suas próprias vidas e di�iculdades. Serão consideradas vazias as práticas que não
tenham conexões com as existências dos educandos jovens, adultos e idosos. “Essa participação dos
estudantes no próprio processo de organização do trabalho pedagógico auxilia o aluno a aprender como gerir
sua própria aprendizagem” (LEAL, 2013,p. 98)
Na discussão sobre as novas perspectivas para a EJA, cabe pensar o quanto que as atividades docentes e
discentes poderão ser voltadas para a interdisciplinaridade, ou seja, aquelas situações de ensino e
aprendizagens em que são levadas em conta as relações entre várias disciplinas ou conhecimentos, pois a
mesma “é con�igurada no trabalho com temas geradores, uma vez que o tema caracteriza-se como o ponto de
encontro das diferentes áreas que formam os conhecimentos cientı́�icos” (SIQUEIRA; GUIDOTTI, 2017, p. 164)
As abordagens pedagógicas que sejam banhadas nos pressupostos teóricos e metodológicos de criação dos
temas geradores devem ser vivenciadas e motivadas na EJA. Já que os “temas geradores mostram-se de grande
valia a partir do momento em que norteiam para uma concepção de educação que reconhece a importância do
ensino contextualizado e tratado de forma interdisciplinar”. (SIQUEIRA; GUIDOTTI, 2017, p. 164)
O aluno da EJA é aquele que chega na escola, depois de uma longa jornada de trabalho, e participa ativamente
para conciliar saberes acadêmicos e suas experiências de vida, ou é aquele que, de tão cansado, corre o risco
de cair no sono. Para Siqueira e Guidotti (2017) toda nova perspectiva para a EJA precisa ser conectada com a
realidade. Nesse sentido, é importante ressaltar que as ideias freirianas são contemporâneas para a produção
de novas perspectivas. E� , ainda, potente a escolha do tema gerador como metodologia para gerir saberes
interdisciplinares.
A contemporaneidade da metodologia freiriana, em tempos em que se espera que jovens e adultos sejam
capazes de construções inovadoras de conhecimentos, é necessária e urgente. Paulo Freire indica o tema
gerador como a superação, tanto no âmbito do dualismo sujeito-objeto, quanto da fragmentação do saber,
produzido pelo paradigma cientı́�ico moderno, bastante atingindo pela verticalização do saber, produzindo
uma ciência necró�ila, ou seja, sem vitalidade e distanciada das demandas existenciais da humanidade, na
atualidade (SIQUEIRA; GUIDOTTI, 2017)
12/08/2024, 13:30 Educação de jovens e adultos
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3.5 A Pedagogia de Projetos e a Resolução de Situações-
Problemas de aprendizagem na EJA
Uma das alternativas para dinamizar as aprendizagens na EJA podem ser encontradas na reconhecida
Aprendizagem Baseada em Problemas (ABP) e na Resolução de Situações-Problemas. Nesse contexto de
aprendizagem deve-se levar em conta a contribuição freiriana da utilização de temas geradores que podem
fornecer elementos su�icientes para analisar e interpretar diversi�icados contextos sociais em que vivem os
distintos estudantes da EJA. Uma iniciativa constantemente válida é trabalhar os conteúdos e currı́culos de
uma forma interdisciplinar.
A	 Pedagogia	 de	 Projetos	 ou	 dos	 Projetos	 Didáticos não faz parte daquelas atividades permanentes,
cotidianas e que costumam acontecer sistematicamente nas salas de aula da EJA. A pedagogia de Projetos
Didáticos é uma proposta de intervenção pedagógica “em que são propiciadas situações didáticas em que o
professor e os alunos se comprometem com um propósito (resolver determinado problema) e com um
produto �inal ao término do perı́odo proposto” (LEAL, 2017, p. 103).
As ações que serão feitas, no decorrer do tempo designado, estão conectadas entre si e são signi�icadas dentro
de razões visivelmente engajadas com o produto educacional �inal que todos irão oferecer. Poderá ser uma
produção de feiras e encontros literárias ou a realização de um livro, podendo envolver, por exemplo, a
comunidade nessas ações.
Para Leal (2013, p. 104) é importante que os princı́pios básicos sejam focados como “a intencionalidade, a
busca de respostas autênticas e originais para o problema levantado pelo grupo, a seleção e conteúdos em
função de resolução de problemas e da execução do produto �inal”. Trabalhar com projetos didáticos requer
que os conhecimentos sejam úteis para as realidades sociais vivenciadas pelos educandos da EJA. E exige
coparticipação de todos eles, nas fases todas de trabalho, no planejamento, execução e avaliação.
CASO
Uma professora desenvolveu um Projeto Didático com a sua turma de Alfabetização
de Adultos. A ideia dela era incentivar a leitura dos educandos da EJA, por meio das
leituras de biogra�ias de destacados escritores do Brasil. Como estavam no Nordeste,
priorizou populares escritores nordestinos como João Cabral de Melo Neto e o poeta
popular Patativa do Assaré. O passo inicial era analisar cada obra, visualizando as
imagens do Livro do João Cabral de Melo Neto ou ouvindo as musicalizações feitas por
artistas, com as letras do Patativa do Assaré. Esse exame inicial do material disponıv́el
indicou caminhos futuros para a adequação aos ensinamentos sobre sistema
alfabético, tudo muito bem pensado e planejado. Os resultados foram positivos, com
muitos aprendizados. 
12/08/2024, 13:30 Educação de jovens e adultos
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A	 Metodologia	 Baseada	 na	 Resolução	 de	 Situações-Problemas enseja oportunizar ao educando da EJA
profundas re�lexões sobre a sua existência e a realidade ao seu redor. O que se procura, segundo Basegio e
Medeiros (2012, p. 172), é “mostrar como, a partir de problemas relativos ao cotidiano de nossos educandos,
poderemos levá-los a se questionar sobre sua realidade e a buscar nos conteúdos trabalhados pela escola, as
soluções para eles”.
Cada aluno vive em um universo subjetivo e particular, familiar, comunitário, compartilha manifestações
culturais que lhe são próprias e aos seus vizinhos, ou aos demais brasileiros, isso traz muitos temas para os
debates e para o foco da situação-problema.
Outro foco de temas geradores para a metodologia de situação-problema pode advir da pro�issão que exercem,
a partir das relações que ocorrem no mundo do trabalho. Apesar dessa temática se fazer importante é
necessário que os temas não sejam restritos ou limitados “única e exclusivamente, aos problemas ligados ao
mundo do trabalho. O que queremos dizer, porém, é que esse aspecto da vida do trabalhador-estudante que
frequenta os cursos noturnos não pode ser desconsiderado” (BASEGIO; MEDEIROS, 2012, p. 172).
Trazer para dentro da sala de aula, o uso da metodologia de Resolução de Situações-Problemas, implica em
fornecer aos educandos oportunidades de ver as suas situações pro�issionais e que poderão suscitar novos
olhares, “e que, ao partir da realidade e das questões prementes ao cotidiano desse tipo de aluno, os
professores estarão despertando neles o desejo por solucionar as questões que, para eles, são mais imediatas”
(BASEGIO; MEDEIROS, 2012, p. 172).
A reconhecida ABP demanda a escolha de situações e temas de estudo que os educandos da EJA possam tratar
com bastante propriedade. Esses temas de estudos são previamente escolhidos, de acordo com os
conhecimentos que o aluno deverá dominar. O próximo passo é transformar os temas em situações-problemas
que podem ser debatidos em grupo na sala de aula.
Existe um modelo chamado de Arco de Maguerez que auxilia os educadores da EJA na tarefa necessária de
planejar as suas aulas. O Arco de Maguerez montou-se baseado na Metodologia de Problematização,
con�igurando-se como meio para concretizar a Educação Problematizadora, com inspiração na obra de Paulo
Freire.
Charles Maguerez construiu um esquema conhecido como Arco de Maguerez levando para as práticas
educativas as realidades e experiências próprias e enfrentadas pelos educandos, bem como seus saberes e os
conhecimentos construı́dos ao longo de suas vidas. Esse Arco objetiva o desenvolvimento cognitivo, a
criticidade, pensamento re�lexivo e autonomia dos educandos (SOARES; SANTOS; BARIN, 2018).
VAMOS PRATICAR?
Planeje a utilização

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