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A comunicação como ritual de
conhecimento
Você vai entender os fundamentos da psicologia da comunicação e da psicologia social, bem como a
linguagem como instrumento da racionalidade e do saber.
Profa. Talitha Batista
1. Itens iniciais
Propósito
O profissional que tem o ser humano como objetivo de trabalho deve estar atualizado sobre as
transformações da sociedade da informação. Essas transformações implicam alterações nas funções
cognitivas, nas emoções e na maneira como as pessoas se comportam, como se relacionam e se organizam,
tendo, assim, uma profunda e importante dimensão psicológica.
Objetivos
Identificar os conceitos básicos da psicologia social que fundamentam os processos comunicativos 
formadores de subjetividade.
Descrever o papel dos meios da comunicação de massa na produção da subjetividade.
Reconhecer a influência da mídia na subjetividade contemporânea.
Introdução
A comunicação é uma área de conhecimento voltada para campos de atuação profissional vinculados a meios
de comunicação de massa. Por isso, é necessário aplicar conhecimentos de disciplinas científicas, como a
psicologia, para subsidiar e sustentar a compreensão de alguns fenômenos abordados por ela.
É nesse contexto que se apresenta a psicologia social, fundamental para psicólogos, mas também muito
importante a todo profissional que lida ou que lidará com o humano em sua prática cotidiana.
Como estamos inseridos em cultura – ou em diversas culturas, dependendo do recorte social – é importante
compreender que não fomos jogados no mundo, mas que assumimos nosso papel na sociedade por conta de
agentes socializadores.
A linguagem é um fator necessário a essa socialização, sendo por meio dela que nos relacionamos com os
grupos sociais. Nesse caso, estamos falando de processos tanto socias (ou comportamentais) como internos
(ou psíquicos). Quem nos ajuda nesse campo são as representações sociais, perpassando da psicanálise à
sociologia, com todas as nuances nesse caminho.
E se falamos em comunicação, linguagem, relação social entre indivíduos e grupos, como não falar em mídia
social? Mesmo aqueles que não são adeptos, não conseguem ficar imunes à sua influência, ao seu impacto. E
isso deve estar em nossa mesa de discussões, a fim de buscarmos elementos para nos tornarmos
profissionais comprometidos com a convivência social mais tolerante e harmônica.
• 
• 
• 
Pessoas na faixa de pedestre representando o conceito
do indivíduo em sociedade.
Interação social de afeto e acolhimento entre pais e a
criança recém-nascida.
1. Psicologia social: processos interpessoais e de subjetivação
A interpretação do social
“Toda psicologia é social ou pelo menos deveria
ser. Essa afirmação não significa reduzir as
áreas específicas da psicologia à psicologia
social, mas sim cada uma assumir dentro da
sua especificidade a natureza histórico-social
do ser humano” (Lane, 1984, p. 19).
 
A afirmação também implica a defesa de que
não há a possibilidade de compreender
qualquer comportamento humano isolando-o
ou fragmentando-o, como se existisse em si e
por si.
 
O sujeito com o qual a psicologia trabalha é um
ser relacional e histórico e, nesse sentido, as
explicações que tomam como base a natureza, a herança genética e o comportamento inato são
questionadas.
A psicologia social (Lane, 1984) aborda diversos fenômenos coletivos da sociedade e as relações sociais que
existem dentro dela. No entanto, quando adotamos uma perspectiva crítica, especialmente em sociedades
desiguais como a brasileira, a disciplina tende a se concentrar significativamente nessa problemática. Isso
ocorre com o propósito de contribuir para a melhoria da qualidade de vida de uma grande parcela da
população que vive em condições precárias.
A terminologia psicologia social significa relações sociais. Há um olhar para fora de si, para o entorno
e para as múltiplas variáveis externas que interferem no processo de construção do indivíduo.
O ser humano necessita de outra pessoa para a sua sobrevivência ao nascer, o que já faz dele membro de um
grupo. Toda a sua existência será caracterizada por participações em grupos, necessárias para a sua
sobrevivência.
Desde o primeiro momento de vida (Lane,
1984), o indivíduo está inserido em um contexto
histórico, pois as relações entre o adulto e a
criança recém-nascida seguem um modelo ou
padrão que cada sociedade desenvolve e que
considera correta.
 
Essas práticas são consideradas essenciais e,
portanto, valorizadas. Se não forem seguidas,
dão direito aos outros de intervirem. Isso
porque a sociedade possui normas e/ou leis
que institucionalizam comportamentos que
historicamente garantem a manutenção do
grupo social.
Em cada grupo social encontra-se normas que regem as relações entre indivíduos, algumas são mais restritas,
sutis, outras são rígidas, consideradas imperdoáveis se desobedecidas, até aquelas que se cristalizam em leis
e são passíveis de punição por autoridades institucionalizadas.
As normas caracterizam os papéis sociais e determinam as relações sociais: os papéis de pai e de mãe se
caracterizam por normas que dizem como um homem e uma mulher se relacionam com um filho. Tal análise
pode ser feita em todas as relações sociais existentes em qualquer sociedade, conforme os casos a seguir.
Observe!
Família.
Amigos.
Namorados.
Músico de Forró, exemplo cultural originado no
Nordeste do Brasil.
Colegas de trabalho.
O viver em grupos (Lane, 2008) permite o confronto entre as pessoas e cada um vai construindo o seu eu
nesse processo de interação, por meio de constatações de diferenças e semelhanças entre nós e os outros. É
nesse processo que o sujeito desenvolve a individualidade, a identidade social e a consciência de si mesmo.
Cultura
O indivíduo, como ser particular e social, desenvolve-se em um contexto multicultural, em que se apresentam
regras, padrões, crenças, valores, identidades muito diferenciadas. Assim, a cultura torna-se um processo de
intercâmbio entre indivíduos, grupos e sociedades.
A partir do momento em que faz uso da linguagem, o indivíduo encontra-se em um processo cultural que, por
meio de símbolos, reproduz o contexto cultural que vivencia. O indivíduo tanto cria como mantém a sua
cultura na sociedade. Lembrando que cada sociedade tem a sua própria cultura, característica expressa e
identificada pelo comportamento dos sujeitos.
De acordo com Ramos (2003), a cultura refere-se ao
conjunto de hábitos, regras sociais, intuições, tipos de
relacionamento interpessoal de determinado grupo
aprendidos no contexto das atividades grupais.
A cultura não pode ser considerada algo isolado, mas um
conjunto integrado de características comportamentais
aprendidas. Essas características são manifestadas pelos
sujeitos de uma sociedade e compartilhadas por todos.
A cultura refere-se ao modo de vida total de um grupo
humano, compreendendo seus elementos naturais, não
naturais e ideológicos. Para Ramos (2003, p. 265), “as
culturas penetram o indivíduo [...] da mesma forma que as
instituições sociais determinam estruturas psicológicas [...]
o homem pensa e age dentro do seu ciclo de cultura”.
Partindo desses princípios, devemos considerar o indivíduo como sujeito ativo no contexto cultural. Ele tem a
liberdade de tomar decisões por meio de novas interpretações. Recebe a informação e constrói, criativa e
coletivamente, um processo cultural voltado à época histórica atual que vivencia. Ele mesmo constrói suas
regras, por meio das atividades coletivas, podendo alterá-las, da mesma forma que é afetado por elas.
Indígenas tocando flauta de madeira.
Pessoas brincando de bolhas de sabão com crianças.
Podemos considerar a cultura como uma
herança social, que é transmitida por
ensinamento a cada nova geração. Portanto,
devemos conhecer a realidade cultural do
indivíduo para compreender suas práticas,
assim como os costumes, as concepções e as
transformações que ocorrem na sua vida. E é
nessa realidade sociocultural que o indivíduo se
socializa.
A identidade, as atitudes e as opiniõesse
formam a partir das relações socioculturais.
Savoia (1989, p. 55) afirma que “o processo de
socialização consiste em uma aprendizagem
social, por meio da qual aprendemos comportamentos sociais considerados adequados ou não e que motivam
os membros da própria sociedade a nos elogiarem ou a nos punirem”.
Convivência social e a cultura
Entenda, neste vídeo, a importância da convivência social, no âmbito da cultura, para o processo de formação
do indivíduo. Vale a pena conferir!
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Agentes socializadores: família e escola
Fazemos parte de diversos grupos sociais e é por meio desses grupos que o nosso processo de socialização
ocorre. A socialização é um processo que auxilia na construção do ser humano e nos torna membros de uma
comunidade. Esse processo se inicia desde o nosso nascimento e acontece de forma natural, mas que apenas
chegará à maturidade com a fase adulta e as implicações sociais que ela nos traz.
Portanto, socialização é o processo pelo qual os indivíduos se tornam membros de uma sociedade. Ela
perpassa por duas instituições importantes na vida: a família (socialização primária) e a escola (socialização
secundária). Acompanhe!
Socialização primária: família
A partir do nascimento, a criança é inserida em
um contexto familiar que se torna responsável
por seus cuidados físicos, psíquicos,
emocionais e morais. Por meio do contato
humano, a criança supre suas necessidades e
inicia a construção dos seus esquemas
perceptuais, motores, cognitivos, linguísticos e
afetivos.
A família é o ponto primário da relação direta
com seus membros, no qual a criança cresce,
atua, desenvolve-se e expõe seus sentimentos.
É nesse contexto que ela experimenta suas
primeiras recompensas e punições, forma sua
primeira autoimagem e observa seus primeiros modelos de comportamento, os quais moldam sua identidade
e influenciam seu desenvolvimento.
Segundo Lane (2008), o contexto familiar contribui para a formação da subjetividade da criança,
além de ser fator determinante no desenvolvimento da consciência, que está sujeita a influências
sociais subsequentes.
A família desempenha um papel importante na formação das representações do mundo exterior, pois é por
meio dela que o sujeito é introduzido ao mundo e começa a compreender as diversas influências ao seu redor.
Esse processo permite que o indivíduo experimente o universal de maneira particular e, nesse movimento,
construa sua própria identidade.
O fato de pertencer a determinado núcleo familiar (Oliveira; Melo; Santos, 2017) já propicia à criança noções
de poder, autoridade, hierarquia. Além disso, essa inserção familiar permite que a criança adquira uma
variedade de habilidades. Veja alguns exemplos!
Falar.
Organizar pensamentos.
Distinguir o que pode e o que não pode fazer.
Seguir as normas da família.
Adaptar-se ás diferentes circunstâncias.
Interação entre crianças na escola.
Ser flexível.
Negociar.
As diversas experiências e os sentimentos experienciados no relacionamento familiar são de grande influência
no comportamento da criança, orientando-a para a vida em sociedade.
A família funciona como o primeiro e mais importante agente socializador. Independentemente de como a
família é constituída, essa é uma instituição fundamental da sociedade, pois é nela que se espera que ocorra o
processo de socialização primária, que molda a formação de valores. Esse sistema de valores só será
confrontado no processo de socialização secundário, isto é, através da escolarização.
Socialização secundária: escola
De acordo com Oliveira, Melo e Santos (2017), a socialização secundária começa quando o indivíduo deixa de
receber informações de maneira inquestionável e percebe que a sociedade que se conhece é apenas uma
entre várias outras. Esse processo de descobrir uma nova realidade ocorre na escola.
A interação com adultos e outras crianças expande o
horizonte da criança, proporcionando novas perspectivas e
contribuindo para seu desenvolvimento social. Durante essa
fase, ela começa a perceber-se como integrante da
sociedade, o que aprofunda seu processo de socialização.
É na escola que se constrói parte da identidade de se
pertencer ao mundo. Nesse espaço são depositadas as
expectativas, dúvidas, inseguranças e perspectivas em
relação à socialização ao futuro e às suas próprias
potencialidades, diferenciando-se da socialização inicial, em
que a influência é mais direta.
Professora auxiliando seu aluno durante a atividade.
Essa etapa marca o início da percepção da criança como membro da sociedade, impulsionando seu
desenvolvimento em profundidade no processo de socialização. É através da interação com a sociedade que
o sujeito se constrói.
Categorias sociais: papéis sociais
Savoia (1989) acredita que, ao nascer, já temos alguns papéis prescritos como idade, sexo ou posição familiar.
À medida que adquirimos novas experiências, ampliando nossas relações, vamos nos transformando,
adquirindo outros papéis que são definidos pela sociedade e cultura.
Em cada grupo no qual nos relacionamos, vamos nos deparar com normas que conduzem as relações entre as
pessoas - algumas são mais sutis, outras mais rígidas. São essas normas que caracterizam essencialmente os
papéis sociais e que produzem as relações sociais.
Os papéis sociais definem um conjunto de comportamentos
que se espera de alguém que estabeleça minimamente
relações com outros seres humanos. Para ter um papel
social se espera um conjunto de comportamentos que
podem sofrer mudanças ao longo do tempo e diferir entre
as culturas.
Eles podem variar conforme o status, a ocupação que
exercemos, e o grupo social de que participamos. É comum
as pessoas apresentarem vários status sobrepostos e
diversos papéis, o que torna os encontros sociais
potencialmente mais complexos.
Exemplo
Uma mulher que é mãe pode ser esposa e, ao mesmo tempo, filha e neta de alguém. Para cada um
desses vários estados de parentesco, ela deverá desempenhar papéis um pouco diferentes e ser capaz
de alternar entre eles de forma instantânea. Esses comportamentos de papéis relacionados mudam tão
rapidamente quanto nossas interações sociais. 
A adesão a um grupo social nos dá um conjunto de funções que permitem que as pessoas saibam o que
esperar umas das outras, mesmo sabendo que nem sempre serão limitadoras para o nosso comportamento.
Entende-se que os papéis que adquirimos nas nossas experiências e relações vão designar o modelo de
comportamento que caracteriza nosso lugar na sociedade. Savoia (1989) afirma que o papel social pode se
apresentar de duas formas. Vamos conhecê-las!
Forma objetiva
Aquilo que os outros esperam de nós.
Forma subjetiva
Cada indivíduo assume os papéis de modo mais
ou menos fiel aos modelos vigentes na
sociedade.
Quando os dois tipos não coincidem, podem transformar-se em obstáculo na interação social. Isso significa
que a objetividade e a subjetividade fazem parte de um processo dialético de desenvolvimento da
configuração social, de um processo dinâmico, que está em constante interação na vida do indivíduo, como
ser histórico, capaz de promover transformações sociais. O desempenho do papel social nunca é solitário!
Mulheres negras reunidas usando turbantes, muitas
vezes, utilizados como símbolo de identidade cultural.
Pelo fato de desempenharmos diversos papéis sociais, esses podem se cruzar por meio de uma situação
divergente, gerando conflito. Essas incompatibilidades podem ocorrer por diferentes motivos, como
discordância de valores. O que se percebe é que o conflito de papéis pode variar quanto à intensidade, diante
da importância que se dá a cada papel, o que pode provocar perturbações na pessoa.
Dependendo do papel que o indivíduo desempenha, ele adquire um status na sociedade. Esse status,
juntamente com os papéis sociais, determina sua posição social. Observe!
Papel
É o comportamento, a ação.
Status
É o prestígio que se adquire.
Savoia (1989, p. 60) afirma que “o papel é o comportamento que os outros esperamde nós e o status é o que
acreditamos ser”. Nesse sentido, os papéis que desempenhamos e os status que acreditamos ter diante da
sociedade explicam nossa identidade social e consciência de si, a partir das nossas relações sociais.
Socialização primária, secundária e os papéis sociais
Acompanhe, neste vídeo, como a família e a escola são capazes de influenciar a definição dos chamados
papéis sociais.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Identidade, subjetividade e consciência de si
Partindo de uma perspectiva dialética para compreender o homem e suas relações sociais, é possível dizer
que a identidade pode ser entendida como a constituição do sujeito. A subjetividade é uma dimensão desse
sujeito, assim como a objetividade, que se constrói a partir das relações vivenciadas, gerando experiências
afetivas e reflexivas capazes de criar significados tanto individuais quanto coletivos.
A identidade não é inata e pode ser entendida
como uma forma sócio-histórica de
individualidade. O contexto social fornece as
condições para os mais variados modos e para
as alternativas de identidade. O termo
identidade pode ser utilizado para expressar,
de certa forma, uma singularidade construída
na relação com outros homens.
A identidade constitui-se de uma multiplicidade
de papéis, segundo Ciampa (1984). Na
execução de um papel social, como o de pai,
está introjetada a dimensão social em sua
totalidade, desde a formação da palavra pai e
sua suposta função, bem como a dimensão
individual, que se constitui no social.
Na interação com outros indivíduos, uma pessoa não se apresenta apenas com um único papel, pois diversas
combinações configuram uma identidade como totalidade. Assim, a identidade é algo que está em constante
transformação, um processo que se desenrola desde o nascimento até a morte. Portanto, é correto afirmar
que nossa identidade está sempre em fluxo, em constante evolução.
Crianças de origens diversas interagindo.
A objetividade e a subjetividade são fundamentais na formação da identidade. A experiência humana
se manifesta na realidade, gerando singularidades como hábitos e tradições, enquanto as
instituições são internalizadas através do processo de socialização.
A psicologia social crítica busca a compreensão da relação do individual com o social, e como se dá essa
interação, pois é a partir dela que a identidade do indivíduo é formada. Considera ainda que cada humano,
com sua história particular, é um ser de transformações.
A atividade do indivíduo é a expressão concreta de sua subjetividade diante dos papéis que desempenha. Ela
é tanto subjetiva, envolvendo os afetos de um eu individual, quanto objetiva, ao estabelecer contato com o
mundo exterior. Nesse processo, o indivíduo constrói o seu mundo, da mesma forma que constrói a si mesmo,
a sua identidade, as suas relações, e suas experiências vivenciadas.
Construímos o nosso eu a partir do contexto social e
cultural e somos formados pelo processo de aprendizagem
e de socialização, e pela consciência coletiva. O jeito como
você se expressa, comunica, anda, reflete o contexto social
que vive ou que viveu. As interações sociais que
estabelecemos são denominadas pela cultura existente.
Através da análise do processo de socialização, podemos
compreender os fenômenos psicossociais que moldam
tanto o indivíduo quanto a cultura presente em sua história.
Atenção
Os padrões comportamentais e as normas geralmente não se aplicam a todos os sujeitos de uma mesma
sociedade. Essas diferenciações estão vinculadas ao sexo, à idade, às características individuais, às
necessidades de cada indivíduo, aos subgrupos internos em toda sociedade. Cada cultura registra o
indivíduo, com a sua marca. 
A estruturação da personalidade do sujeito é influenciada, decorrente de uma combinação orgânica dos
padrões de sua cultura e de suas experiências individuais em contato com o mundo físico e social, como
também na sua identidade social. Contudo, o indivíduo é um ser único, possuidor da sua individualidade,
porém, modelado pela cultura e pela sociedade que vive.
Ainda assim, é possível questionarmos o quanto a identidade e os papéis sociais exercem uma mediação
ideológica, isto é, criam uma ilusão de naturalização dos papéis e a individualização da identidade. Diante
disso, é necessário entendermos a consciência em si. Acompanhe o raciocínio!
Identidade social
A identidade, de acordo com a psicologia social, relaciona-se intrinsecamente com a nossa história de
vida, determinada pelas condições históricas e culturais do nosso grupo social. Isto é, os papéis que
aprendemos e exercemos são definidos pela sociedade, para garantir a manutenção das relações
sociais.
Papéis sociais
Os papéis e a identidade reproduzem as relações de dominação no plano ideológico e no plano de
ação, como maneiras naturalizadas e universalizadas de ser social. A consciência de si poderá alterar
a identidade social à medida que questionamos os papéis em relação a sua determinação e suas
funções históricas dentro dos grupos que nos definem (Lane, 2008).
Grupos como mudança social
O grupo poderá se tornar agente de mudanças sociais, na medida em que os membros do grupo se
identifiquem entre si quanto a essa determinação e constatem as relações de dominação que
reproduzem uns sobre os outros. Entretanto, tal processo não é simples, uma vez que os grupos e os
papéis que os definem são cristalizados e mantidos por instituições, visando à preservação da
sociedade.
Identidade, subjetividade e consciência de si
Confira, neste vídeo, a importância dos conceitos identidade, subjetividade e consciência de si. Todos eles
são fundamentais para o estudo da comunicação.
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Verificando o aprendizado
Questão 1
Quando Betinho chegou em casa, todo feliz, com aquela borracha nova e colorida, sua mãe, Madalena, ficou
curiosa. Soube em pouco tempo que ele havia ganhado de Norinha, a prima que tinha encontrado duas
borrachas iguais e partilhado uma delas. Após Madalena conversar com sua irmã, as duas foram até a escola e
souberam que a menina havia encontrado as borrachas dentro do estojo de uma colega! Nem é preciso relatar
que os primos foram repreendidos e, além de devolverem as borrachas, lideraram um projeto escolar,
chamado A Amizade e o Respeito na Escola.
A partir do contexto, podemos afirmar o seguinte:
I. A família, instituição primária de socialização, é responsável pela representação interna do indivíduo, sem
relação com mundo exterior.
II. A escola, instituição secundária de socialização, por sua vez, é a única responsável pela representação do
mundo exterior, ao indivíduo.
III. A percepção de que o indivíduo pertence à sociedade acontece na escola, onde se constrói parte dessa
identidade.
Das afirmativas anteriores
A
somente I é verdadeira.
B
somente II é verdadeira.
C
somente III é verdadeira.
D
são verdadeiras I e II.
E
são verdadeiras I e III.
A alternativa C está correta.
Apesar de a família ser, efetivamente, a instituição primária de socialização e a escola ser a instituição
secundária de socialização, seus papéis são complementares. A representação interna do indivíduo começa
na família, mas ali também ocorre sua representação do mundo exterior, ainda que em caráter inicial. Já a
escola é quem, de fato, cristaliza o processo de socialização, pois ali as relações sociais ampliam-se,
confrontam-se.
Questão 2
A psicologia construiu o conceito de identidade, que tem valor fundamental na modernidade e é tema
recorrente nas análises dos problemas sociais, pois a identidade é
A
algo imutável, mas importante para a compreensão dos comportamentos humanos.
B
um processo isolado das ações coletivas que o indivíduo mantém com o meio em que vive.
C
um processo que se dá desde o nascimento até por volta dos 10 anos de idade, quando a personalidade está
totalmente estruturada.
D
um processo que está em permanente transformação e que contribui para o reconhecimento doeu como
indivíduo e integrante de um grupo social, a partir das relações sociais.
E
a identidade é estática, é a representação do eu no mundo.
A alternativa D está correta.
A identidade é mutável, de permanente transformação. É um processo social que se dá por meio de
interações sociais que mantemos com as outras pessoas e ocorre desde o nascimento do indivíduo até sua
morte.
Interação entre pai e filhos em uma cabana montada
dentro de casa.
2. Linguagem: instrumental da racionalidade e do saber
Linguagem e Vygotsky
A linguagem é a função psicológica superior que nos auxilia na maneira como internalizamos produtos da
sociedade e da cultura. As diferentes manifestações da linguagem são, historicamente, resultantes das
interações sociais.Assim, o processo dinâmico da linguagem situa-se e pode ser encontrado nas estruturas
sócio-históricas e culturais, apresentando-se como o ponto de partida para o funcionamento e o
desenvolvimento social e cognitivo.
A linguagem é a força motriz que carrega e impulsiona o conhecimento prévio do indivíduo a se construir
como um ser sócio-histórico. Nessa perspectiva, a interação é a base da construção e apropriação do
conhecimento e da dupla natureza da linguagem, cognitiva e social.
O processo interativo tem como base os domínios
cognitivos, que são formas de expressão moldadas e
remoldadas a partir das experiências sociais. A cada novo
contexto de interação, novos sentidos são emitidos,
recuperados e reemitidos, devido à presença do outro por
meio da linguagem. O significado é constantemente criado,
moldado e reformulado de acordo com as intenções e
necessidades individuais de cada pessoa.
A linguagem é um trabalho coletivo, pois é por meio do
outro e para o outro que ela se constitui. Daí o seu caráter
intersubjetivo na trama da formação sociocultural. A
cognição passa a ser construída a partir de uma construção
social. E aqui nos ajuda Lev Vygotsky.
A abordagem proposta por Vygotsky busca integrar, em uma mesma perspectiva, o ser humano como corpo e
mente, como ser biológico e cultural, como membro de uma espécie animal e participante de um processo
histórico. Ela entende que o funcionamento psicológico é cultural e histórico. E que há elementos mediadores
na relação entre o homem e o mundo. Eles seriam os instrumentos, os signos e todos os elementos do
ambiente, carregados de significado cultural e construídos nas relações humanas.
Com grande destaque na teoria de Vygotsky, vejamos agora algumas considerações sobre a linguagem.
1
Construção do conhecimento
É duplamente importante, além de ser o principal instrumento de intermediação do conhecimento
entre os seres humanos, com relação direta com o desenvolvimento psíquico. Nenhum
conhecimento é construído por pessoa sozinha, mas sim em parceria com outras pessoas, que são
os mediadores.
 
2
Relações
É a ferramenta com a qual mediamos as relações e, assim, podemos considerar que o aprendizado é
contínuo e a evolução intelectual é caracterizada por saltos qualitativos de um nível de conhecimento
para outro. Para Vygotsky, a vivência em sociedade é essencial para a transformação do homem de
ser biológico em ser humano.
 
A partir da aprendizagem nas relações com os outros que construímos os conhecimentos que permitem nosso
desenvolvimento mental. Vygotsky caracterizou essa evolução intelectual em duas funções. Confira!
O processo de transformação do homem em ser biológico para ser humano ocorre por meio das mediações
(cultura, interação, linguagem) por meio da aprendizagem. Esse processo foi denominado internalização por
Vygotsky, ou seja, um processo de reconstrução interna, que envolve uma atividade externa que deve ser
modificada, tornando-se uma atividade interna. Segundo a teoria, toda relação do indivíduo com o mundo é
feita por meio de instrumentos. Assim, todo aprendizado é necessariamente mediado.
Com o intuito de explicar o processo de construção de conhecimento ou desenvolvimento cognitivo, Vygotsky
desenvolveu dois conceitos. Vejamos!
Zona de desenvolvimento proximal, potencial ou iminente
É definida como a distância entre o que a criança pode fazer de forma independente e o que pode
fazer com assistência. Essa área representa o potencial imediato de crescimento, em que a
orientação de adultos ou colegas mais experientes pode ajudar a criança a alcançar novos níveis de
habilidade. Refere-se ao espaço que separa a pessoa de um desenvolvimento próximo de ser
alcançado, representando a distância entre o desenvolvimento real e o potencial, que está próximo,
mas ainda não foi alcançado.
Zona de desenvolvimento real
É definida como o desenvolvimento real determinado por aquilo que a criança é capaz de fazer
sozinha, porque já tem um conhecimento consolidado.
Linguagem e Vygotsky
Neste vídeo, você vai explorar em detalhes a influência de Vygotsky na abordagem da linguagem pela
psicologia. Assista!
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Representações sociais (RS)
É uma das ferramentas mais utilizadas em psicologia social, visando a uma leitura dos fenômenos psíquicos e
do comportamento humano. A representação social (RS) é uma temática amplamente discutida por Moscovici.
O autor trabalha a representação social na perspectiva da psicanálise e da sociologia, com o objetivo de
compreender o processo de construção de teorias do senso comum por meio da difusão das teorias
científicas.
Confira a seguir como Moscovici (2003) define representações sociais.
Função psicológica elementar 
Reflexos e atenção involuntária presentes
em todas as crianças e nos animais mais
desenvolvidos.
Função psicológica superior 
Consciência, planejamento e
deliberação: características exclusivas
dos adultos. Com o aprendizado
cultural, parte dessas habilidades
básicas se desenvolve e se torna mais
avançada.
Conhecimento específico
As representações sociais são compreendidas como um campo de conhecimento específico, no qual
são construídas as condutas comportamentais. Dessa forma, estabelecendo a comunicação entre os
sujeitos de determinado grupo social, que, por sua vez, é o produtor de interações interpessoais.
Conhecimentos práticos
As representações sociais podem, enquanto significados construídos socialmente, ser consideradas
modalidades de conhecimentos práticos, orientados para a comunicação e a compreensão do
contexto social, material e ideativo em que vive o ser humano.
Contribuição para a realidade comum e comunicação
As representações sociais não se resumem aos seus elementos cognitivos, imagens, conceitos,
categorias, teorias, pois são socialmente elaboradas e compartilhadas. Contribuem para a construção
de uma realidade comum e possibilitam comunicações entre indivíduos. Por isso, elas devem ser
entendidas a partir de seu contexto de produção, suas funções simbólicas e ideológicas.
Senso comum e influência nas condutas sociais
As representações sociais se relacionam ao universo do senso comum, ao cotidiano, o que explica a
influência que exercem na formação das condutas sociais, modificando e reconstruindo o meio social,
convencionalizando objetos, pessoas e acontecimentos. E essa influência se dá por efetiva
participação dos meios de comunicação de massa que permitem a criação de representações
controlando forma e conteúdo do que se diz. Transformando em familiar aquilo que não o é, as
representações sociais (MOSCOVICI, 2003) capacitam as pessoas a compartilharem um estoque
implícito de imagens e de ideias que são consideradas certas e mutuamente aceitas.
A implicação das representações na prática de um grupo ou grupos pode se relacionar à conversação e aos
meios de comunicação, por exemplo:
Documentações
Rituais
Ações
Atitudes
Formas de agir
Com isso, podemos afirmar que as representações se expressam nos gêneros discursivos, que são formas
pelas quais as pessoas organizam suas vidas. Esses gêneros surgem das práticas sociais e culturais e são
materializados através do uso da linguagem.
Segundo Moscovici (2003), as representações sociaisse formam por meio de dois processos. Vamos
conhecê-los!
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Mãos segurando cubos de madeira, representando o
conceito de ideias e opiniões.
Ancoragem
É quando algo estranho é introduzido no dia a dia, comparando-se a um modelo familiar para torná-lo
compreensível. Isso envolve classificar e nomear o novo para relacioná-lo ao familiar, dando-lhe
identidade e facilitando a compreensão de suas características e seus usos. Por exemplo, podemos
comparar um livro didático a uma ferramenta, pois esse termo é mais associado a outros contextos
além do ensino, mas também pode ser entendido como um auxílio ou instrumento para realizar algo.
Objetivação
É o processo de transformar noções abstratas em algo concreto, materializando ideias. Por meio dela,
a sociedade adota e adapta elementos que originalmente pertenciam a outras esferas. Esses
elementos podem variar de cultura para cultura, não sendo universais. A linguagem, nessa
perspectiva, não pode ser vista isoladamente. Ela desempenha um papel importante na formação e na
consciência histórica do ser humano, podendo ter diferentes funções sociais. Pode servir como um
meio de emancipação, permitindo que o indivíduo compreenda o mundo ao seu redor e se engaje de
forma ativa nas relações sociais.
A discussão sobre representações sociais reconhece que o significado das coisas é construído pelo uso da
linguagem em contextos sociais e culturais específicos. Isso configura representações sociais, que são
conhecimentos voltados para a comunicação e a compreensão do mundo cotidiano.
Representações sociais (RS)
Assista ao vídeo e entenda o papel das representações sociais na formação do indivíduo.
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Ideologia
De acordo com Guareschi (1998), o conceito de ideologia passou a ser integrado à psicologia social a partir da
década de 1970, quando diversos autores começaram a incluir esse tema em seus estudos. Para ele,
ideologia, em seu sentido amplo, seria o conjunto de ideias, concepções ou opiniões sobre determinada
temática qualquer.
Quando indagamos sobre a ideologia de determinado
pensador, estamos nos referindo à sua doutrina, às suas
ideias e ao seu posicionamento diante de certos fatos.
Nessa perspectiva, todos, sem exceção, têm sua própria
ideologia, pois é impossível não ter ideias, ideais e uma
posição sobre as coisas.
Em contrapartida, há a ideologia no sentido negativo ou
crítico, que seria constituída por ideias distorcidas e
enganadoras: seria algo que ajuda a obscurecer a realidade
e a enganar as pessoas. É algo ilusório e expressa
interesses dominantes, no sentido de sustentar relações de
dominação.
Tomelin e Tomelin (2004) falam nos seguintes conceitos a seguir.
Boa ideologia
Está associada a uma necessidade social e a
um conjunto de ideias a respeito de algo. Dessa
forma, tudo o que pensamos pode ser
considerado ideológico.
Má ideologia
Refere-se à manipulação social como forma de
exercer dominação, comumente empregada
para alcançar objetivos políticos na corrente
marxista. Sua origem está na ambição
capitalista, que, ao buscar explorar e acumular
capital, precisa dificultar a percepção do que
realmente acontece e alienar os indivíduos.
Para Marx, então, a ideologia (ou má ideologia) refere-se a um mecanismo sutil, utilizado pela classe
dominante para dominar e perpetuar-se no poder. “A ideologia é a voz do opressor e, a alienação, o silêncio do
oprimido” (Tomelin; Tomelin, 2004, p. 138).
Agora observe o que diz Guareschi sobre o conceito de dominação.
Dominação é uma relação, e se dá quando determinada pessoa expropria poder (capacidades) de outro,
ou quando relações estabelecidas de poder são sistematicamente assimétricas, fazendo com que
determinados agentes, ou grupos de agentes, não possam participar de determinados benefícios, sendo
assim injustamente deles privados, independentemente da base sobre a qual tal exclusão é levada a
efeito. 
(Guareschi, 1998, p. 97)
Embora não sejam sinônimos, os termos dominação e ideologia estão ligados à ideia de poder e controle, seja
no âmbito individual ou social. A dominação é alcançada por meio da ideologia, mas para isso, também é
essencial a alienação silenciosa. Essa relação de poder, embora possa ser imposta pela força, geralmente é
sutil e utiliza-se de mecanismos variados.
Entre os vários mecanismos utilizados ideologicamente, destacam-se a naturalização e a universalização.
Tomelin e Tomelin (2004) buscam explicar esses processos utilizados para conseguir criar e/ou manter o
falseamento da realidade. Confira!
Naturalização
É uma forma de dirigir a consciência da
população ao naturalizar situações que são
produtos da ação humana e,
consequentemente, são históricos e não
naturais.
Universalização
Refere-se aos valores da classe dominante
estendidos à classe dominada. Consiste na
formação de uma consciência universal, uma
espécie de correnteza ideológica, que torna
difícil para alguém ir contra ela.
A função principal da ideologia dominante, portanto, é a manutenção das coisas como estão, buscar o status
quo ao criar uma realidade ilusória que traz conforto a todos os dominados.
A ingenuidade coletiva faz com que não sejam enxergadas as contradições e a opressão, e isso fica claro em
dizeres cotidianos como:
Todos os homens são livres.
Os pobres não enriquecem porque não se esforçam.
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Todos são iguais perante a lei.
Todos possuem igualdade de oportunidades.
O trabalho dignifica o homem.
As crianças não aprendem porque não são inteligentes.
O salário paga o trabalho do operário.
Analisando a afirmação de que os pobres não enriquecem porque não se esforçam, fica evidente a ideia de
que as diferenças sociais podem ser explicadas no campo individual, sobretudo no talento e esforço de cada
sujeito. Esse argumento é falacioso ao percebermos que a pobreza envolve muitas dimensões, inclusive de
ordem social e política, o que nos levaria a questionar essa afirmação individualizante.
A quem serve essa crença? Quem são os beneficiados de todos pensarem assim? Essas perguntas remetem à
função das várias leituras equivocadas e tendenciosas da realidade.
Tomelin e Tomelin (2004) deixam claro que a ideologia está presente nos mais diversos meios, como: escola,
família, religião, política, mídia e em todos os lugares onde existem pessoas se relacionando. Ela se propaga
em todas as instituições sociais que, de alguma forma, exercem um papel formativo da consciência humana.
Ideologia
Compreenda, neste vídeo, o conceito de ideologia e entenda sua relação com a convivência social.
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Alienação
Etimologicamente, a palavra alienação vem do latim alienare e significa que pertence a um outro, e é utilizada
em vários sentidos. Em todos os contextos, quando uma pessoa está alienada, ela perde a compreensão do
mundo ao seu redor e se torna distante de sua própria consciência, um aspecto fundamental da realidade em
que está inserida.
Marx foi um dos teóricos que se aprofundou no tema. Foi ele quem destacou o termo ao propor, em sua
análise crítica, que na sociedade capitalista há uma separação entre o produto e o produtor no trabalho
organizado, a partir do momento que o trabalhador produz o que não consome e consome o que não produz.
O que explica esse processo de ruptura é o conceito de mais-valia. Veja!
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A força de trabalho dos homens nem sempre foi tratada como mercadoria. Por exemplo, ao considerarmos um
artesão, um produtor independente que vendia seus produtos, quando ele não vendia sua força de trabalho,
esta não era tratada como mercadoria. Isso era possível porque o artesão possuía tanto seu próprio trabalho
quanto seus meios de produção, ou seja, era proprietário de suas ferramentas e da matéria-prima que
utilizava. Como resultado, ele também era proprietário do produto que seu trabalho gerava.
A expansão capitalista, porém, levou à ruína a maioria dos artesãos, incapazes de competir com as fábricasem expansão contínua. Eles acumulavam dívidas e perdiam seus meios de produção, até que não lhes
restasse nada além de vender sua força de trabalho. Observe o que pensa Codo a esse respeito!
Essa dupla relação – mercadoria e lucro – promove a ruptura entre o homem e o seu próprio gesto, entre
a ação e o dono dela, entre o trabalho e o seu produtor; eis como a alienação é gerada na nossa
sociedade.
(Codo, 1995, p. 31)
Quando o nosso produto se apresenta como estranho a nós mesmos, alienamo-nos da nossa própria
humanidade. A pessoa alienada passa a ser um estranho perante si mesmo e perante sua historicidade.
Depositamos no trabalho (produto da ação humana sobre a natureza) nossa alma, e esse se transforma em
uma mera mercadoria.
Embora o processo de alienação sempre implique uma alteração de consciência, isso não significa dizer que
ela é apenas um produto da consciência humana.
Produção capitalista 
Termo utilizado como alicerce para o modo
de produção capitalista. Trata-se do lucro que
sobra ao proprietário dos meios de produção
(terras, empresas etc.), depois de descontadas
todas as despesas.
Fonte de valor extra 
Para conseguir mais-valia, o dono do
dinheiro precisa encontrar no mercado
uma mercadoria que seja fonte de valor
extra, ou então comprar a força de
trabalho humana por um preço menor
do que ela realmente vale.
Exemplo
Imagine dois trabalhadores: um não sabe que está alienado, acha natural que não participe dos lucros e/
ou da mordomia do patrão; o outro é um militante sindical, luta para eliminar a exploração do homem
pelo próprio homem (Codo, 1995).Os dois são igualmente alienados, a diferença é que o segundo luta
contra a alienação, sabe a causa dos seus males e tem uma proposta de como superá-los. Ambos
sofrem do mesmo mal, pois estão alheios ao produto do seu trabalho, sua força de trabalho é vendida ao
dono da fábrica como uma mercadoria qualquer. 
Atualmente, o termo alienação também é visto como a incapacidade de o indivíduo pensar e agir por si
próprio. Tomelin e Tomelin (2004) afirmam que pode ser considerado alienado aquele que faz a vontade alheia
sem perceber as incoerências a que é submetido. Nesse sentido, a alienação passa a ter uma relação
bastante próxima com a ideologia no seu sentido negativo.
Alienação
Assista ao vídeo e confira o conceito de alienação e sua relação com a convivência social.
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Verificando o aprendizado
Questão 1
Cada vez que uma pessoa fala, ela procura comunicar uma imagem de si mesma ao outro, controlando a
compreensão que o interlocutor tem de sua imagem. Dito isso, pode-se afirmar que
A
a linguagem é um instrumento antiético (porque é manipulador).
B
a comunicação interpessoal veicula inverdades.
C
a linguagem é um instrumento de construção da realidade.
D
a linguagem apropriada é aquela na qual o interlocutor é livre.
E
a linguagem eficaz demanda conhecimento sofisticado da gramática.
A alternativa C está correta.
A linguagem é a principal ferramenta tanto para a formação individual quanto para a formação social. Por
meio da linguagem, o indivíduo internaliza e transmite conhecimentos, valores, princípios, vontades,
atitudes etc., para o seu contexto social.
Questão 2
É uma forma de conhecimento do mundo construída no cotidiano que permite dar sentido aos fatos novos ou
desconhecidos, formando um saber compartilhado, geral e funcional para as pessoas. Essa ideia refere-se ao
conceito de
A
representação social.
B
ideologia.
C
representação coletiva.
D
identidade social.
E
percepção social.
A alternativa A está correta.
As representações sociais relacionam-se ao universo do senso comum, ao cotidiano, o que explica a
influência que exercem na formação das condutas sociais, modificando e reconstruindo o meio social,
convencionalizando objetos, pessoas e acontecimentos.
3. Mídia: representação social e (in)tolerância
Mídia e lugar social
Para Moscovici (2012), os meios de comunicação podem ser classificados em três sistemas ou gêneros
comunicacionais, caracterizando modelos cognitivos e linguísticos distintos, em função da fonte de
informação, da lógica das mensagens e da sua função sobre os receptores. Vamos conhecê-los!
Difusão
Refere-se à imprensa de grande alcance, que não possui mecanismos para distinguir sua fonte dos
seus receptores. É voltada para um público amplo e diversificado. Seu objetivo é criar um interesse
em comum a partir de determinados assuntos, assim como de adaptar-se às necessidades e aos
interesses dos seus receptores.
As mensagens transmitidas por esse gênero são geralmente segmentadas, descontínuas e com uma
conexão aleatória, além de uma hierarquização fraca. Elas são pouco estruturadas, o que permite que
os receptores as organizem livremente com base em suas próprias perspectivas e atitudes.
Propagação
Caracteriza-se por uma mensagem estruturada com o objetivo de orientar e controlar informações
contrárias a crença propagada, na qual “a comunicação é hierarquizada e autoritária” (Moscovici,
2012, p. 354). É um tipo de comunicação puramente instrumental, que media o objeto socialmente
valorizado e o grupo definido. Essa forma de comunicação é hierárquica e autoritária, visto que o
emissor possui autoridade e autonomia na disseminação das mensagens, sem necessidade de
reciprocidade com os receptores.
A transmissão das informações pressupõe um contexto no qual existem normas cognitivas e sociais
comuns, “[...] se dirige a um grupo que já possui certa unidade, uma linguagem definida e um sistema
de valores particular...” (Moscovici, 2012, p. 361). Essa propagação tem duas funções principais:
organizar e transformar uma teoria para que seja compatível com os princípios que sustentam a
unidade do grupo social, e preparar ou controlar uma conduta, atribuindo-lhe um significado diferente
do anterior.
Propaganda
Visa influenciar o comportamento do receptor, apresentando mensagens organizadas em dicotomias
(certo/errado, bom/ruim, falso/verdadeiro) e buscando persuadir o público por meio de informações
sistemáticas e constantes, condicionadas pela ideologia e pelas relações estabelecidas com outros
grupos. Seu objetivo é limitar o espectro de significados para evitar a relativização e a interpretação
livre por parte dos receptores.
As produções midiáticas são produtos da realidade, carregadas de representações sociais. Essas
representações se tornam um hábito que condiciona a organização da vida e o comportamento socialmente
construído. Ao decifrar as representações sociais dos indivíduos diagnosticamos as formas, os valores sociais
e as relações estabelecidas no convívio.
Pessoa realizando várias atividades pelo computador.
Atualmente, os meios de comunicação estão se
multiplicando rapidamente, fornecendo uma quantidade
excessiva de informações para a sociedade. Cada vez mais,
a mídia influencia as pessoas a gastarem além de suas
possibilidades, recorrendo a financiamentos, cartões de
crédito ou cheques especiais, impulsionando o consumismo
com altas taxas de juros.
Muitos países e suas populações estão endividados. Diante
desse quadro mundial, a mídia tem pouco espaço para a
verdade, pois depende das verbas publicitárias, que são
manipuladas pelas grandes indústrias e conglomerados
financeiros. De cada dez notícias veiculadas pela mídia, uma
é positiva.
Os jornalistas, em sua defesa, dizem que a vida é assim mesmo, violenta, cruel, e que a única coisa que fazem
é reproduzir a verdade. E o tempo todo nós, como consumidores, somos bombardeados com folhetos de
compra e anúncios persuasivos.
Os meios de comunicação ao mesmo tempo que reforçam os estereótipos e preconceitos também são um
meio de gerar debates e reflexões sobre temas variados, expondo problemas e pautas sociais, mostrando
diferentes hábitos e opiniões. Por reforçarem certos estereótipos, os meios de comunicação não apresentam
uma efetiva representatividade e inclusão em suas produções midiáticas.
Atenção
Campanhas publicitárias,novelas, filmes, imprensa, entre outras produções que realizam a inclusão e se
tornam realmente representativas ainda são minoria. A mídia ainda é dominada pela ótica masculina,
machista, preconceituosa e que coloca seus interesses comerciais sempre à frente. Isso faz com que o
público negro, as mulheres e as pessoas LGBTQIAP+ tenham seus papéis sub-representados,
estereotipados e em muitos casos invisibilizados. 
Por mais que as produções midiáticas tentem reproduzir o real, ele nunca será efetivamente representativo,
pois cada indivíduo possui um lugar no mundo que gera representações distintas sobre determinados
assuntos.
Mídia e lugar social
Acompanhe, neste vídeo, como a mídia, com sua influência, ocupou lugar de destaque em nossa convivência
social.
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Mídia e subjetivação
Vivemos em uma sociedade marcada pela era da informação e dos avanços tecnológicos. Estamos
testemunhando o surgimento de uma nova forma de construção da subjetividade, na qual as experiências e os
relacionamentos são moldados pela mídia. Vamos entendê-la melhor!
Mulher utilizando um aplicativo de compras.
Mídia como influenciadora
É uma arma poderosa vertical e concentrada nas mãos daqueles que controlam o fluxo de
informações, os chamados detentores do saber, que atuam como agentes formadores de opiniões e
criadores, reprodutores, de cultura.
Mídia como ideologia
Interfere, forma e transforma a realidade, as motivações, os modos de pensar e de agir do homem.
Posiciona-se de maneira ideológica, tomando partido daquilo que é mais interessante e lucrativo
socialmente. 
Mídia como poder de divulgar e silenciar
Tem a capacidade de internalizar ideias e valores. Tal domínio acontece por meio de um sistema de
linguagens tanto verbais quanto não verbais, composto de símbolos e signos. Por exercer essa
influência, a mídia percorre, então, as relações humanas. Seu alcance vai desde a infância até a
terceira idade.
Os modos de subjetivação existentes na nossa sociedade atual partem da equação ser/ter, decorrente de uma
sociedade que legitima a materialidade. Nesse contexto da sociedade pós-moderna, a humanidade é
bombardeada pela mídia e pelos valores do consumismo.
Seduzido pelas leis de mercado, o homem idealiza e almeja adquirir produtos socialmente cobiçados para ser
aceito na sociedade. A prática do consumismo associa-se diretamente ao prazer, à medida que o sujeito se
sente realizado ao adquirir o objeto almejado, o que produz uma sensação de liberdade e poder.
No entanto, o consumismo leva ao imediatismo e à
frustração. Após a aquisição do objeto desejado, a
excitação inicial diminui e o valor da mercadoria
desaparece, fazendo o indivíduo buscar uma nova
aspiração de consumo para preencher o vazio deixado pelo
anterior.
Nesse cenário, vemos a influência constante e crescente da
mídia na transmissão de mensagens uniformes. Como
resultado, observamos uma opinião pública influenciada e
moldada pela mídia. As mensagens midiáticas reforçam e
impõem estereótipos, sutilmente discriminando aqueles que
não se encaixam no padrão.
De acordo com Guareschi (2004), a mídia se tornou um novo personagem dentro de nossas casas, presente
em nossas vidas e com o qual temos um contato intenso, passando várias horas por dia. Com sua voz
poderosa, esse personagem infiltrado nos lares apenas dá respostas, agrega valores e estabelece relações
hierárquicas. Além disso, ela influencia os receptores a valorizarem e adotarem seus discursos e estilos de
vida, exercendo impacto no cotidiano das pessoas e na sociedade. A mídia, por meio dessas práticas, torna os
indivíduos reféns, remodelando e influenciando suas subjetividades.
Essa realidade traz à tona uma série de questionamentos que precisamos destacar como foco de debate na
discussão sobre psicologia, mídia e subjetividade. Veja o que diz Guareschi a esse respeito!
Mulher e homem representando papéis estereotipados
de gênero.
Será que o novo personagem não tem nada a ver com a construção de nosso ser, de nossa
subjetividade? Se nós somos o resultado da soma de nossas relações, será que as relações que
estabelecemos com a mídia não teriam algo a dizer sobre o que somos? (...) A psicologia está pensando
e pesquisando a formação do ser humano, de sua subjetividade atualmente? Que tipo de pessoa está
sendo construída dentro dessa nova sociedade midiática? Que comportamentos e atitudes tornar-se-ão
preponderantes na vida das pessoas? 
(Guareschi, 2004, p. 32-33)
Mídia e subjetivação
Assista a este vídeo para explorar mais a fundo o impacto das mídias na formação da subjetividade individual.
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Intolerância: estereótipo e preconceito
Entendemos que os eventos de intolerância se desenrolam no âmbito social e estão sobrepostos com outros
diversos aspectos (culturais, históricos, cognitivos) que interagem para a sua produção e expressão, entre
eles os estereótipos e preconceitos.
Estereótipo
Uma breve definição, comum a maioria dos autores, é que os estereótipos se referem a crenças sociais e
culturalmente compartilhadas sobre atributos ou comportamentos habituais de uma pessoa, um grupo de
pessoas ou situações.
Sendo um esquema cognitivo, o estereótipo é
considerado uma forma de simplificar a
apreensão de um mundo sobrecarregado de
informações, categorizando pessoas e
situações para facilitar o acelerado processo de
tomada de decisão nas atividades cotidianas,
quando frequentemente nos encontramos sob
a influência de variadas emoções ou imersos
em situações ambíguas.
Os estereótipos são características atribuídas
às pessoas baseadas no fato de elas fazerem
parte de um grupo ou de uma categoria social.
Na psicologia social, o estereótipo é
considerado a “base cognitiva do preconceito”
(Rodrigues, Assmar; Jablonski, 2001, p. 150).
Os estereótipos são um conjunto de características presumidamente partilhadas por todos os
membros de uma categoria social, baseado em um esquema simplista, porém, mantido de maneira
intensa envolvendo qualquer aspecto distintivo de uma pessoa – idade, raça, sexo, profissão, local
de residência ou grupo ao qual é associada.
Representação de preconceito contra uma jovem
muçulmana.
A instalação do estereótipo se relaciona com a interpretação associada à cultura, que determina de forma
estereotipada a noção interna sobre o mundo externo. O enfoque de “quem são os outros” é feito pela
perspectiva da análise individual, assim, o outro pode ser qualquer um, inclusive o próprio observador em
outra situação.
Geralmente, a análise do outro é feita por concepções errôneas, conferindo uma avaliação negativa. A
definição de um estereótipo surge a partir de uma opinião formada, de acordo com os códigos da cultura, para
se analisar o mundo antes mesmo de observá-lo.
Os estereótipos ajudam a prever comportamentos, pois o conhecimento sobre eles permite estimar como as
pessoas vão agir. Eles também influenciam na maneira como nos vemos (autoimagem), reduzindo a
necessidade de pensar muito e afetando como interagimos com diferentes grupos.
Preconceito
Pode ser definido como uma atitude, ou seja, um conjunto de sentimentos, inclinações, crenças que envolvem
o julgamento negativo de um grupo e de seus membros individuais.
Trata-se de uma avaliação interna, negativa de
uma pessoa, pelo simples fato de ser
identificada com determinado grupo. O
preconceito é uma atitude. Caracteriza-se por
um conteúdo específico dirigido ao seu objeto e
por determinado tipo de reação frente a ele, em
geral, de estranhamento ou de hostilidade.
Na psicologia social, a definição mais utilizada
para o preconceito é como sendo uma atitude
negativa em relação a uma pessoa baseada na
crença de que ela tem as características
negativas atribuídas a um grupo. Essa atitude
seria constituída pelos dois componentes a
seguir.
Cognitivo
A generalização categorial.
Disposicional
A hostilidade, que influenciaria
comportamentos discriminatórios.
Seguindo essalinha de raciocínio, à medida que existem vários grupos socialmente desvalorizados, a
diversidade de preconceitos pode ser tão vasta quanto a quantidade de grupos minoritários na estrutura de
poder. Vejamos!
Misoginia.
Homofobia.
Transfobia.
Etarismo.
Gordofobia.
Capacitismo.
Xenogobia.
A partir da psicologia social, é possível pontuar dois aspectos principais no modo como o preconceito é
definido:
Uma orientação negativa em relação a membros de determinados grupos.
Algo que é aversivo, não justificado, irracional, errado e inflexível.
Alguns autores acrescentam a essa noção de preconceito seu caráter racional e estratégico, definindo-o
como uma decorrência de relações assimétricas de poder entre os grupos sociais. 
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Essas visões colocam o preconceito como resultado das dinâmicas de poder entre grupos, sugerindo que não
é a diferença que leva à aversão, mas sim a aversão que leva a perceber os outros como diferentes. Isso
resulta em comportamentos intolerantes na sociedade.
Intolerância: estereótipo e preconceito
Entenda, neste vídeo, como os estereótipos e preconceitos contribuem de forma negativa para uma
sociedade mais intolerante.
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Verificando o aprendizado
Questão 1
No que se refere a preconceito, julgue os itens subsequentes.
 
I. Os preconceitos fazem parte de uma tradição cultural que se transmite de geração a geração.
II. O autoconceito é construído, nas relações sociais, por meio de um processo interativo que inclui família,
amigos e organizações significantes.
III. A difusão da crença da inferioridade das pessoas negras pode provocar alienação e negação da identidade
racial.
IV. Para evitar a segregação do negro e do indígena na sociedade, não se pode relacionar preconceito com
questões étnico-raciais.
 
Assinale a alternativa correta.
A
Apenas os itens I, II e IV estão certos.
B
Apenas o item III está certo.
C
Apenas os itens I e II estão certos.
D
Apenas os itens I, II e III estão certos.
E
Apenas o item II está certo.
A alternativa D está correta.
O preconceito pode ser entendido como uma atitude negativa em relação a uma pessoa baseada na crença
de que ela tem as características negativas atribuídas a um grupo. Nesse sentido, as afirmativas I, II e III
estão corretas porque apontam exatamente para o processo de instituição desta crença: tradição cultural,
relações sociais, em que podemos encontrar, inclusive, crença sobre superioridade/inferioridade de
determinado grupo social ou etnia. Já a afirmativa IV erra ao afirmar que incluir as questões étnico-raciais
no âmbito do preconceito prejudicaria ainda mais o reconhecimento dos valores do negro e indígena na
sociedade. O estudo mostrou o contrário!
Questão 2
Pensamentos rígidos, sentimentos cristalizados, que não mudam e limitam o comportamento da pessoa no
entendimento do outro, são chamados de
A
estereótipos.
B
projeção.
C
recalque.
D
formação reativa.
E
identidade.
A alternativa A está correta.
Os estereótipos referem-se às crenças social e culturalmente compartilhadas sobre atributos ou
comportamentos habituais de uma pessoa, um grupo de pessoas ou situações.
4. Conclusão
Considerações finais
A psicologia social pode ser definida como a área da psicologia que estuda a relação entre o indivíduo e a
sociedade, reconhecendo que o ser humano é moldado por suas relações sociais. Ele é simultaneamente um
ser único e parte de um grupo, passando por constantes mudanças ao longo da vida devido às interações
com diversos grupos (família, colegas de trabalho, vizinhos), e influenciado pelos padrões culturais. A cultura
proporciona normas, valores e crenças que são internalizados através da convivência na sociedade.
À medida que socializamos e ampliamos nossas relações (socialização primária e secundária), vamos também
adquirindo novos papéis sociais e status que determinam nossa posição social na sociedade. A partir da
compreensão desses fenômenos sociais, podemos explicar por que somos do jeito que somos e entender a
nossa identidade.
A linguagem é uma construção social, em que os significados das palavras são atribuídos coletivamente. Ela
atua como uma ponte entre nós e o mundo, possibilitando a formação de atitudes, representações sociais e
ideologias. Alem disso, compreendemos que a linguagem é um meio para expressar ideias e é um fenômeno
complexo, estreitamente ligado à realidade sócio-histórica e cultural.
Abordamos a mídia e sua influência central em várias esferas da sociedade. Como agente formador de
opiniões, estereótipos e preconceitos, ela tem o poder de institucionalizar o senso de pertencimento social, a
inclusão na identidade coletiva e a exclusão dos diferentes, o que pode alimentar a intolerância.
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1) Psicologia: uma nova introdução, de Luís Claudio M. Figueiredo e Pedro Luiz Ribeiro De Santi.
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Referências
CIAMPA, A. C. Identidade. In: CODO, W.; LANE, S. T. M (Orgs.). Psicologia social: o homem em movimento. São
Paulo: Brasiliense, 1984, p. 58-75.
 
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TOMELIN, J. F.; TOMELIN, K. N. Diálogos filosóficos. Blumenau: Nova Letra, 2004.
	A comunicação como ritual de conhecimento
	1. Itens iniciais
	Propósito
	Objetivos
	Introdução
	1. Psicologia social: processos interpessoais e de subjetivação
	A interpretação do social
	Cultura
	Convivência social e a cultura
	Conteúdo interativo
	Agentes socializadores: família e escola
	Socialização primária: família
	Socialização secundária: escola
	Categorias sociais: papéis sociais
	Exemplo
	Forma objetiva
	Forma subjetiva
	Papel
	Status
	Socialização primária, secundária e os papéis sociais
	Conteúdo interativo
	Identidade, subjetividade e consciência de si
	Atenção
	Identidade social
	Papéis sociais
	Grupos como mudança social
	Identidade, subjetividade e consciência de si
	Conteúdo interativo
	Verificando o aprendizado
	2. Linguagem: instrumental da racionalidade e do saber
	Linguageme Vygotsky
	Construção do conhecimento
	Relações
	Zona de desenvolvimento proximal, potencial ou iminente
	Zona de desenvolvimento real
	Linguagem e Vygotsky
	Conteúdo interativo
	Representações sociais (RS)
	Conhecimento específico
	Conhecimentos práticos
	Contribuição para a realidade comum e comunicação
	Senso comum e influência nas condutas sociais
	Ancoragem
	Objetivação
	Representações sociais (RS)
	Conteúdo interativo
	Ideologia
	Boa ideologia
	Má ideologia
	Naturalização
	Universalização
	Ideologia
	Conteúdo interativo
	Alienação
	Exemplo
	Alienação
	Conteúdo interativo
	Verificando o aprendizado
	3. Mídia: representação social e (in)tolerância
	Mídia e lugar social
	Difusão
	Propagação
	Propaganda
	Atenção
	Mídia e lugar social
	Conteúdo interativo
	Mídia e subjetivação
	Mídia como influenciadora
	Mídia como ideologia
	Mídia como poder de divulgar e silenciar
	Mídia e subjetivação
	Conteúdo interativo
	Intolerância: estereótipo e preconceito
	Estereótipo
	Preconceito
	Cognitivo
	Disposicional
	Intolerância: estereótipo e preconceito
	Conteúdo interativo
	Verificando o aprendizado
	4. Conclusão
	Considerações finais
	Explore +
	Referências

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