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Pancreatite Crônica 
Internato de Cirurgia Geral 
James Gaston 
Faculdade de Medicina de Formosa - 
UniRV 
 
1 | Pancreatite Crônica 
Anatomia 
O pâncreas é um órgão 
retroperitoneal, de forma que a dor 
da pancreatite tende a irradiar para 
o dorso. Ou seja, trata-se de uma 
dor visceral. 
Existe uma relação íntima da 
cabeça do pâncreas com o 
duodeno, de forma que ambas as 
estruturas compartilham a mesma 
vascularização: artérias do tronco 
celíaco e mesentérica superior. 
Dessa forma, quando há 
necessidade de retirar a cabeça do 
pâncreas, necessariamente parte do 
duodeno precisa ser retirado 
também (duodenopancreatectomia). 
 
Em outra análise, existe, também, 
uma íntima relação vascular entre a 
cauda do pâncreas e o baço, de 
forma que a ressecção da cauda do 
pâncreas geralmente requer a 
ressecção do baço, também. 
Além das relações vasculares, o 
ducto pancreático se liga à ampola 
de Vater, mesma região na qual se 
liga o ducto colédoco que secreta 
produtos do fígado e da vesícula 
biliar. Por esse motivo a principal 
causa de pancreatite aguda é litíase 
biliar. 
Etiologia 
- Alcoólica (80% dos casos) 
- Em crianças a principal causa é a 
fibrose cística 
Fisiopatologia 
Na pancreatite crônica o paciente 
começa a apresentar uma 
calcificação do pâncreas de forma a 
não reduzir a efetividade da 
contração do órgão para a liberação 
das secreções pancreáticas. 
Sabemos que o órgão possui dupla 
função: 
- Exócrina: liberação de suco 
pancreático que auxilia na 
emulsificação de gorduras no 
duodeno; 
- Endócrina: formação e secreção 
de hormônios (insulina e glucagon) 
Como consequência das 
calcificações pode ocorrer perda de 
função glandular do pâncreas, 
levando aos sintomas de 
esteatorreia e evolução para 
diabetes mellitus (tipo 3C). 
 
 
 
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Pancreatite Crônica 
Internato de Cirurgia Geral 
James Gaston 
Faculdade de Medicina de Formosa - 
UniRV 
 
2 | Pancreatite Crônica 
Quadro Clí nico 
-Dor abdominal 
-Esteatorreia 
-Diabetes Mellitus 
Diagno stico 
O diagnóstico de pancreatite crônica 
se dá pela clínica sugestiva 
(histórico de etilismo e quadro 
clínico sugestivo) + imagem das 
calcificações: 
A TC de abdome é o exame de 
imagem preferencial para o 
diagnóstico da doença. 
 
Obs.: para a doença evoluir para um 
diabetes tipo 3C deve ocorrer pelo 
menos 98% de destruição do 
pâncreas. Por esse motivo, nos 
principais casos de diabetes em 
pacientes com pancreatite crônica é 
sobreposta à pancreatite, ou seja, o 
paciente já apresentava a condição 
antes de desenvolver a pancreatite. 
 
Diagno stico 
Diferencial 
O principal diagnóstico diferencial 
da pancreatite crônica é o CA de 
pâncreas. 
Tratamento 
1- Conter o Fator Causal: 
- Cessar o tabagismo e etilismo 
2- Mudanças na dieta: 
. Fracionar refeições 
. IBP (pH básico facilita a ação das 
enzimas pancreáticas) 
. Enzimas pancreáticas junto ao 
início das refeições (Lipase) 
3- Se Diabetes estabelecida: 
. Hipoglicemiante oral +/- Insulina 
4- Analgesia escalonada 
-1 analgésico em dose fixa e 
intervalo regular 
Se falha/persistência: 
-Acresentar + 1 analgésico em dose 
fixa e intervalo regular 
Se falha/persistência com a 
analgesia escalonada considera-se 
o quadro como dor clinicamente 
intratável, sendo essa uma 
indicação de intervenção 
cirúrgica. 
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Pancreatite Crônica 
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James Gaston 
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3 | Pancreatite Crônica 
Uma opção menos invasiva é a 
injeção de bupivacaína no plexo 
celíaco. 
Tratamento Cirúrgico 
-Sempre fazer CPRE antes, devido 
a necessidade de avaliação do 
ducto pancreático. Resultados 
prováveis: 
1- Ducto pancreático dilatado (> 
6-7mm) 
Sinal do Colar de contas / cadeia de 
lagos à CPRE 
- Indica tortuosidade do ducto 
pancreático 
Técnica cirúrgica: 
Pancreatojejunostomia lateral em 
Y de Roux / Cirurgia de Puestow 
(anastomose da alça duodenal com 
o ducto pancreático principal). 
 
Dessa forma, a secreção 
pancreática cai diretamente no 
ducto pancreático principal e após 
diretamente no intestino, poupando 
o pâncreas da força de contração e 
melhorando os sintomas do 
paciente. 
Uma variação à técnica é a Cirurgia 
de Frey, que inclui não somente a 
cauda e corpo do pâncreas na 
anastomose, como também a 
cabeça do pâncreas. 
 
2- Ducto Pancreático NÃO 
Dilatado 
Nesses casos a origem da dor está 
na calcificação e a técnica cirúrgica 
dependerá da localização da 
calcificação: 
a) Cabeça do Pâncreas: 
Duodenopancreatectomia (Cirurgia 
de WHIPPLE Modificada): 
ressecção da cabeça do pâncreas, 
duodeno (compartilham a mesma 
vascularização), ducto colédoco, 
ducto cístico e vesícula biliar. 
Anastomose do ducto hepático 
comum e o piloro com o intestino. 
Em casos onde os exames de 
imagem não demonstram 
exatamente a localização da maior 
concentração de calcificações pode-
se sugerir que se encontram na 
cabeça do pâncreas pela clínica de 
obstrução do ducto colédoco: 
(dilatação do colédoco, 
hiperbilirrubinemia direta etc.). 
b) Corpo e cauda pancreática: 
Pancreatectomia Subtotal Distal 
(Cirurgia de CHILD): preservação 
da cabeça do pâncreas, com 
consequente preservaão da 
vascularização, duodeno, vesícula e 
vias biliares. 
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James Gaston 
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4 | Pancreatite Crônica 
Principal 
Complicaça o 
Com a formação de calcificações 
no pâncreas, ocorre aumento do 
peso do órgão, de forma que ele 
começa a pressionar a veia 
esplênica, aumentando a 
coagulabilidade e 
consequentemente gerando 
trombose da veia esplênica. 
 
Dessa forma, ocorre aumento do 
baço (eplenomegalia), gerando o 
surgimento de varizes do fundo 
gástrico. 
Obs.: Essa condição é muito 
parecida com a cirrose hepática, na 
qual o paciente evolui com varizes 
gastro-esofágicas (um dos 
principais motivos de HDA). 
Contudo nesse caso só ocorre 
hipertensão de apenas um 1 
segmento do sistema porta-hepático 
e portanto se trata de uma 
hipertensão portal segmentar. A 
clínica dessa doença ocorre com 
varizes APENAS em fundo 
gástrico + esplenomegalia. 
 
A conduta no caso de trombose de 
veia esplênica é a esplenectomia. 
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