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Unidade de Aprendizagem 1 - Avaliação Fisioterapêutica do Sistema Cardiovascular em Repouso Apresentação A avaliação fisioterapêutica permite descrever o perfil cinético-funcional do paciente, possibilitando definir objetivos e construir um plano de tratamento que promova melhoria e/ou independência funcional. Avaliar o paciente em repouso favorece compreender o organismo em seu momento de estabilidade. Assim, na definição do plano de tratamento, os dados referentes à avaliação em repouso servirão de parâmetros, tanto para estabelecer cargas de trabalho e intensidade de esforço, quanto para reavaliar e considerar a evolução do paciente e ajustes no plano de tratamento dentro do programa de reabilitação cardiovascular. Nesta Unidade de Aprendizagem, você identificará as características do sistema cardiovascular em repouso, bem como compreenderá as etapas de avaliação cinético-funcional e sua relação com sinais vitais registrados. Bons estudos. Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Reconhecer as características do sistema cardiovascular em repouso. • Identificar as características cardiovasculares nas etapas da avaliação cinético-funcional. • Relacionar a avaliação dos sinais vitais com distúrbios cardiovasculares. • Infográfico Avaliar o paciente exige atenção, para garantir o diagnóstico cinético-funcional e os objetivos de tratamento com qualidade e precisão para demanda funcional do paciente. Estabelecer um roteiro ou uma sequência de análise lógica confere melhor desempenho na abordagem do fisioterapeuta ao paciente. Um teste aplicado, por exemplo, pode sobrecarregar o paciente, tirando-o da condição de repouso e gerando alterações de frequências cardíaca e respiratória, ou mesmo limitando a avaliação, por falta de condições do paciente continuar. No Infográfico a seguir, você verá como definir uma sequência eficiente na avaliação diante de distúrbios cardiovasculares. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. https://statics-marketplace.plataforma.grupoa.education/sagah/1e8dcb3f-ffe5-4200-aa04-f58fba8ff6da/36a3d05e-59d3-4efb-9f7b-4628b53c5ec1.jpg Conteúdo do Livro A avaliação fisioterapêutica corresponde à captação de uma série de elementos objetivos e subjetivos que fornecem embasamento ao fisioterapeuta para definir suas condutas. A fase de repouso propicia conhecer o paciente em condição basal para definir metas a serem alcançadas e técnicas e métodos a serem adotados e determinar grau de evolução do paciente em reavaliações. Os sinais vitais participam diretamente desse processo avaliativo, fornecendo elementos que trazem segurança para as condutas do fisioterapeuta, ao promover e possibilitar ajustes, adaptações ou progressões no tratamento. No capítulo Avaliação fisioterapêutica do sistema cardiovascular em repouso, da obra Fisioterapia cardiovascular, você reconhecerá as características do sistema cardiovascular em repouso, compreendendo as etapas da avaliação cinético-funcional e fazendo a relação entre a avaliação de sinais vitais e distúrbios cardiovasculares. Boa leitura. FISIOTERAPIA CARDIOVASCULAR OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM > Reconhecer as características do sistema cardiovascular em repouso. > Identificar as características cardiovasculares nas etapas da avaliação cinético-funcional. > Relacionar a avaliação dos sinais vitais com distúrbios cardiovasculares. Introdução A avaliação fisioterapêutica do sistema cardiovascular em repouso corresponde a um momento importante, visto que a fase de repouso permite conhecer parâmetros do organismo do indivíduo em condições basais, estabelecer uma referência de evolução, definir melhores métodos e técnicas a serem abordados e determinar níveis adequados de trabalho (controle de carga e intensidade), tendo em vista que o sistema cardiovascular reage aos estímulos promovidos gerando respostas metabólicas. Assim, o objetivo e o plano terapêutico têm como base o perfil cinético-funcional do indivíduo. Avaliação fisioterapêutica do sistema cardiovascular em repouso Geanderson dos Santos Rodrigues Nesse contexto, os sinais vitais são importantes, pois, além de participarem de forma ativa do processo de avaliação e reconhecimento do perfil do indivíduo, eles funcionam como parâmetros de evolução e segurança. Tanto pela condição basal do indivíduo quanto pela resposta ao tratamento, os sinais vitais servem de monitoramento e retroalimentam as ações terapêuticas, a fim de promover ajustes, adaptações ou progressões no tratamento. Neste capítulo, você conhecerá as características do sistema cardiovascular em repouso. Além disso, conhecerá as etapas da avaliação cinético-funcional e a relação entre a avaliação de sinais vitais e os distúrbios cardiovasculares. Sistema cardiovascular em repouso Na avaliação terapêutica do sistema cardiovascular em repouso, é importante sempre ter em mente o impacto das atividades sobre o metabolismo do pa- ciente. Para se ter segurança terapêutica, é preciso, inicialmente, ter clareza da condição cinético-funcional do paciente ao repouso (ponto de partida), para que, assim, possam ser implementadas ações terapêuticas que favoreçam o ganho funcional desejado. O conhecimento básico de fisiologia cardiovascular e das condições de repouso estabelecem o princípio das práticas eficientes e seguras para uma melhor resposta adaptativa do organismo, em busca de uma nova condição cinético-funcional. Desse modo, confira, a seguir, uma breve abordagem sobre os aspectos relativos à fisiologia cardiovascular. O sistema cardiovascular (SCV) é regulado pelo sistema nervoso autônomo (SNA) e tem como função garantir a irrigação sanguínea para todo o orga- nismo, com a participação do coração, do sangue e dos vasos sanguíneos, o que favorece a chegada de nutrientes e oxigênio (O2), a retirada de gás carbônico e resíduos metabólicos, além de garantir o transporte de uma série de elementos entre órgãos específicos. O coração é responsável pelo bombeamento do sangue, gerando pressões adequadas para a chegada deste a todo corpo. Ele tem capacidade de gerar o próprio potencial de ação através do nó sinoatrial, que garante a contra- tilidade do músculo cardíaco, o que repercutirá no deslocamento do sangue entre as câmaras cardíacas, processo chamado de automatismo cardíaco. A sequência de contrações resulta em sístole (i.e., momento de contração isovolumétrica e ejeção) e diástole (i.e., momento de relaxamento isovolu- métrico e enchimento), presentes em cada ciclo cardíaco. O sistema vascular (i.e., a rede de vasos sanguíneos) encaminha o sangue bombeado pelo coração para todos os tecidos do corpo através das artérias e arteríolas (regiões de maior pressão sanguínea), dos capilares (por onde Avaliação fisioterapêutica do sistema cardiovascular em repouso2 ocorre as trocas de gases e nutrientes) e pelas veias e vênulas (regiões de menor pressão sanguínea que também atuam como reservatório de sangue), por onde retornam ao coração. O fluxo sanguíneo corresponde ao volume de sangue deslocado na cor- rente sanguínea em um dado momento, podendo variar conforme a área ou a demanda metabólica. O débito cardíaco (DC) corresponde à quantidade de sangue bombeado pelo coração em um minuto. A pressão sanguínea corresponde à força do sangue sobre a parede do vaso sanguíneo pela área deste. Devido à força de ejeção sanguínea promovida pelo coração, essa pressão é maior nas artérias no final da sístole. A resistência periférica refere-se à oposição ao fluxo sanguíneo ao longo dos vasos, podendo ser determinada por: viscosidade sanguínea, diâmetro do vaso e comprimento do vaso. O controle do SCV é realizado, basicamente, por três mecanismos: 1. Autorregulação: controle local sobre o fluxo sanguíneo em resposta ao metabolismo, diretamente relacionado ao consumo de O2 na região. 2. Controle neural: definido pelo SNAsimpático e parassimpático, de- terminando o fluxo sanguíneo por meio do controle de resistência periférica e da atividade cardíaca. 3. Controle hormonal: os hormônios (e outras substâncias) impactam o fluxo sanguíneo por meio de ações sobre as paredes das artérias (MOHRMAN; HELLER, 2008). Conhecer esses princípios da fisiologia é de grande importância, pois, a partir deles, são compreendidos os parâmetros de análises durante a avaliação cardiovascular. A fisiologia cardiovascular é de fundamental importância nas condu- tas de todos os profissionais envolvidos no tratamento de indivíduos com distúrbios cardiovasculares. Por meio dos princípios fisiológicos, o profis- sional é capaz de reconhecer melhores condutas, considerando indicações e contraindicações dos métodos a serem adotados. Os programas de reabilitação cardiovascular e cardiopulmonar levam em consideração os fundamentos da fisiologia do sistema cardiovascular. Contudo, é preciso ampliar a visão de tratamento para outras condições. Podemos citar duas situações. a) Quando um indivíduo apresenta condições patológicas associadas. Por exem- plo, se um paciente demandar tratamento devido a trauma, reumatismo ou neuropatia, é importante verificar a condição basal do sistema cardiovascular Avaliação fisioterapêutica do sistema cardiovascular em repouso 3 dele, a fim de garantir que as ações não causarão desequilíbrio e gerarão agravos evitáveis. b) Quando um indivíduo apresenta condições associadas a fatores de risco. Atuar preventivamente pode ser essencial para o conhecimento e a busca desse indivíduo por melhores condições de vida. Nesse caso, é papel do fisioterapeuta orientar e indicar melhores condutas para esse indivíduo. Observe que conhecer a fisiologia cardiovascular abre caminho para exercer diversas ações, que são de atribuição do fisioterapeuta, dentro da etapa de avaliação do indivíduo. Os distúrbios cardiovasculares estarão relacionados, direta ou indireta- mente, ao processo fisiopatológico do SCV, interferindo na condição home- ostática do organismo; ou seja, eles geram descompensações. Além disso, outros sistemas podem ser afetados e/ou comprometidos, o que agrava e limita o quadro clínico e cinético-funcional. Assim, o SCV do indivíduo precisa ser compreendido antes de se implementar qualquer ação terapêutica. Para estabelecer essa compreensão, existem diversos recursos avaliativos por meio de exames simples e complexos. Entretanto, na abordagem avaliativa, analisar os sinais vitais (pulso, pressão arterial, frequência respiratória, tem- peratura e dor) são parâmetros que descrevem a condição vital do indivíduo. Esses parâmetros, em grande parte, estão atrelados à condição clínica e funcional do indivíduo e devem ser considerados tanto na tomada de decisão quanto no acompanhamento durante o tratamento e as abordagens. O registro dos dados desses parâmetros durante o repouso permite conhecer a condição basal do indivíduo, e variações neles correspondem a interferências diretas nas práticas do fisioterapeuta, de modo que se deve determinar objetivos, limites e intensidades de tratamentos, visando a melhorar a funcionalidade do indivíduo tratado. Pulso O pulso é determinado pela variação do diâmetro arterial (expansão e relaxa- mento) devida à pressão exercida pelo sangue na parede da artéria, pressão esta correspondente à sequência de batimentos cardíacos. Ele é palpável em artérias de maior calibre, sendo mais evidente nas artérias carótidas, facial, temporal, radial, braquial, femorais, pediosas, poplítea e tibial posterior. Por meio do pulso, é possível estabelecer: frequência cardíaca (FC), simetria (comparação com artéria contralateral), ritmo, amplitude e tensão. A FC corresponde à quantidade de batimentos cardíacos por minuto (bpm) e é empregada em diversos cálculos e análises. Ela pode ser contabilizada Avaliação fisioterapêutica do sistema cardiovascular em repouso4 por meio de: identificação do pulso arterial (resultante da sístole cardíaca em alguma artéria palpável); ausculta cardíaca (quinto espaço intercostal); e de algum aparelho apropriado (p. ex., frequencímetro e/ou eletrocardiograma). Diversos fatores fisiológicos estão associados à variação da FC, como estado emocional e nutricional, ritmo, gênero, presença de dor, atividade física, biotipo e uso de substâncias tóxicas (LANA et al., 2018). Segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia (PASTORE et al., 2016), os valores de normalidade consideram que a FC pode variar de 50 a 100bpm. Entretanto, Barros (2016) traz referências de valores de FC conforme a faixa etária e o perfil do indivíduo, conforme o Quadro 1. Quadro 1. Valores de referência da frequência cardíaca (FC) Faixa etária e condição Valores de referência Até 23 meses 120–140bpm 2 a 6 anos 100–110bpm 8 anos até a adolescência 80–100bpm Adulto sedentário 70–80bpm Adulto atleta 50bpm (aproximadamente) Fonte: Adaptado de Barros (2016). Pressão arterial A pressão arterial (PA) corresponde à força do sangue sobre a parede da artéria. Ela está relacionada a dois momentos do ciclo cardíaco: sístole (con- tração) e diástole (relaxamento), sendo denominada pressão arterial sistólica (PAS) e diastólica (PAD), respectivamente. A PA é registrada em milímetros de mercúrio (mmHg) por meio de equipamento apropriado (esfigmomanômetro). Os parâmetros de normalidade variam conforme a idade e a condição de saúde do indivíduo (LANA et al., 2018). Aspectos como atividade física (ou outros esforços), alimentação, mudança postural repentina e condições patológicas podem alterar a PA. A PA alterada pode refletir variações hemodinâmicas, que podem representar alteração no débito cardíaco e na resistência vascular periférica (volume de sangue, viscosidade e diâmetro vascular), com impacto direto na qualidade de vida Avaliação fisioterapêutica do sistema cardiovascular em repouso 5 do indivíduo e riscos inerentes à abordagem de tratamento. Tanto a hipo- tensão quanto a hipertensão podem ser fatores limitantes para as condutas fisioterapêuticas. Assim, é preciso ter esclarecida a causa-base da alteração pressórica antes de promover qualquer ação terapêutica. Frequência respiratória O sistema pulmonar pode interferir ou sofrer interferência direta do SCV, podendo estar relacionado a condições fisiopatológicas do coração ou do sistema vascular. A fisiologia do sistema respiratório permite entender a ventilação pulmonar como o movimento de ar dentro das vias aéreas — ou seja, os processos de deslocamento (entrada e saída) de gases dentro da árvore respiratória — e a respiração como o processo de troca de gases (O2 e CO2) a nível alveolar (MARIEB; HOEHN, 2008). A frequência respiratória (FR) corresponde à quantidade de vezes que o indivíduo realiza incursões respiratórias por determinado tempo (em geral, determinada em incursões respiratórias por minuto [irpm]). Ao garantir o fluxo devido de ar nos pulmões, é possível estabelecer equilíbrio entre os gases, garantindo a homeostasia. O Quadro 2, a seguir, apresenta os valores de referências da FR (LANA et al., 2018). Quadro 2. Valores de referência da frequência respiratória (FR) Faixa etária/perfil do indivíduo Valores de FR Recém-nascido 44irpm, aproximadamente Crianças de 1 a 7 anos 18–30irpm Pré-adolescentes 20–30irpm Adolescentes 18–26irpm Adultos 12–20irpm Fonte: Adaptado de Lana et al. (2018). A FR pode ser obtida por meio da contagem das incursões respiratórias, ao se observar o movimento da caixa torácica do indivíduo. Além da frequência, deve-se observar o ritmo respiratório, pois algumas patologias estão asso- ciadas a variações no padrão respiratório. Um dado complementar à respi- ração é a oximetria, um exame rápido e prático realizado com um aparelho Avaliação fisioterapêutica do sistema cardiovascular em repouso6 denominado oxímetro, que pode ser portátil ou não, o qual permite a leitura do nível de oxigenação da hemoglobina, ou seja,determina o percentual de saturação de oxigênio (SaO2) na hemoglobina. Esse índice pode variar entre 95 e 100% em situações normais (LANA et al., 2018). Temperatura O sistema nervoso central, por meio do hipotálamo, garante o equilíbrio da quantidade de calor que produzimos em relação ao ambiente externo. No Brasil, a leitura da temperatura é classificada em graus Celsius (°C), podendo variar entre 36 e 37,5°C, sendo verificada na boca, no ânus ou no tímpano. Os dados podem descrever uma condição patológica, como, por exemplo, infecções. Variações de temperatura são classificadas em: hipotermia (inferior a 36°C); febre (37,8–39,4°C), febre alta (39,5–41°C) e hipertermia (superior a 41°C) (LANA et al., 2018). Dor A dor, diferentemente dos outros sinais vitais, é uma percepção subjetiva, de modo que não pode ser definida numericamente. Entretanto, escalas de dor podem ser utilizadas para mensusar subejtivamente e permitir que o indivíduo referencie a dor (p. ex., escala visual analógica e escala qualitativa). Embora não seja quantificada, a dor precisa ser descrita na avaliação, pois, na presença de dor, a resposta ao tratamento pode ser alterada, devido ao estresse causado no organisdo do invidíduo. A dor pode ser nociceptiva (cutânea, somática ou visceral) ou neuropática, podendo ter início agudo ou ser crônica e gerar alterações hemodinâmicas, como, por exemplo, alteração da PA (LANA et al., 2018). Os distúrbios do SCV estão intimamente ligados à variação de sinais vitais. Desse modo, os sinais vitais devem ser verificados desde a avaliação e ao longo de todo o tratamento, pois servem de referência das condições fisiológicas e fisiopatológicas do organismo. Etapas da avaliação cinético-funcional As etapas da avaliação cinético-funcional em um indivíduo com comprome- timento do SCV obedecem a princípios básicos de outras patologias. Na pre- sença de distúrbios cardiovasculares, o indivíduo pode ter comprometimento de suas funções vitais durante o tratamento. Assim, a avaliação cinético- Avaliação fisioterapêutica do sistema cardiovascular em repouso 7 -funcional precisa estar focada na identificação de dados em repouso, para que estes sirvam de parâmetros apropriados para as escolhas e condutas do plano de tratamento. A avaliação poderá variar conforme: tipo de serviço (hospitalar ou ambu- latorial), disponibilidade de equipamentos, estrutura do local, entre outros fatores. Por isso, é preciso que o fisioterapeuta esteja atento às condições que permeiam a sua avaliação e proponha ações integrais para favorecer as melhores condições na avaliação. De acordo com Papa et al. (2020), para a reabilitação cardiovascular, são abordadas etapas de avaliação com enfoque para melhor identificação do SCV, conforme a Figura 1. Figura 1. Sequência esquemática da avaliação cinético-funcional pelo fisioterapeuta. Anamnese Exame físico Avaliação estática e dinâmica Avaliação da qualidade de vida Avaliação funcional Avaliação geral A seguir, serão apresentados os exames de avalição geral do sistema cardiovascular. Anamnese Primeiro estágio investigativo, em que se analisa: de que forma o paciente chegou ao atendimento (encaminhamento ou contato direto); queixa prin- cipal; histórico clínico pregresso e condições patológicas atuais; se houve hospitalização em algum momento; comprometimentos ortopédicos e neu- rológicos; hábitos de vida; presença de estresse; históricos familiares; e exames complementares. Contudo, existem algumas ressalvas: � Se o paciente estiver em assistência médica, é possível que já tenha realizado alguns exames, como radiografias, testes ergométricos, entre outros. Contudo, nem sempre o paciente se atenta a levar esses exames no primeiro contato, de modo que estes devem ser solicitados de imediato, pois possuem informações valiosas. � O histórico familiar precisa estar claro para o paciente, pois é comum que ele omita informações que considera desnecessárias. Avaliação fisioterapêutica do sistema cardiovascular em repouso8 � Há situações em que o tratamento do distúrbio cardiovascular pode sofrer interferência de disfunções em outras áreas (p. ex., disfunções musculoesqueléticas ou neurológicas), ou vice-versa. Isso precisa ser considerado, e, se preciso, o indivíduo deve ser encaminhado a um profissional apropriado que dê o devido suporte e analise ações adaptativas para o plano de tratamento. Dentro da anamnese, o indivíduo pode apresentar exames que trazem diversos dados complementares pertinentes à sua condição funcional e que trataram de analisar o organismo em condições de trabalho. Entre esses exames, destacam-se dois. a) Teste ergométrico: trata-se de um exame de baixo custo e alta reprodutividade para o diagnóstico de doenças cardiovasculares com capacidade diagnóstica, o qual avalia as respostas fisiológicas ao esforço. b) Testes cardiopulmonares de exercícios (TCPEs): fornecem informações rela- cionadas com o consumo de oxigênio nos pulmões (VO2), a produção de gás carbônico, a FR e a ventilação pulmonar em associação a um teste ergométrico. Para saber mais sobre esses e outros exames, leia o livro Exames comple- mentares, de Hendler et al. Exame físico O exame físico consiste na avaliação de sinais vitais (FC e pulso, PA, FR, tem- peratura), coleta de dados antropométricos, perimetria, ausculta cardíaca e pulmonar, inspeção e palpação. Contudo, existem algumas ressalvas: � Dados de FC, FR e PA devem participar diretamente antes e durante cada abordagem, pois servirão tanto para analisar o SCV em repouso quando para monitorar valores estimados durante as abordagens te- rapêuticas, além de participarem de cálculos específicos que refletem a condição do indivíduo. � Embora seja uma avaliação do sistema pulmonar, a ausculta pulmonar é importante para garantir que o paciente tenha um fluxo adequado de ar nos pulmões, além de direcionar a necessidade de uma abordagem em fisioterapia respiratória antes da implementação de estratégias que gerem maior demanda metabólica do O2. Avaliação fisioterapêutica do sistema cardiovascular em repouso 9 Avaliação estática e dinâmica Consiste em avaliar a flexibilidade, a amplitude de movimento (p. ex., go- niometria), a marcha e o equilíbrio por meio de instrumentos específicos, escalas e testes. Contudo, existem algumas ressalvas: � Nesse estágio de avaliação, o fisioterapeuta precisará ter sensibilidade e precisão para escolher o teste mais apropriado, conduzindo-o de forma adequada, tendo em vista que poderá ter captado informações relevantes sobre a condição cinético-funcional por meio dos dados identificados até o momento. Por exemplo, se o fisioterapeuta decidir pelo Teste TUG (Timed and Go Test), ele deverá considerar uma condi- ção mínima para fazer o exigido no teste, que faz alusão à mobilidade independente, considerando: tempo de reação, força muscular de membros inferiores, equilíbrio e marcha. � É preciso, também, considerar que, ao realizar um teste ou solicitar uma tarefa, o fisioterapeuta deve considerar a possibilidade de ex- trair informações adicionais ao próprio teste/tarefa. Isso permitirá um melhor reconhecimento da condição funcional e a otimização da avaliação, com um menor gasto energético do indivíduo. Avaliação funcional Consiste em analisar a habilidade de executar atividades da vida diária (AVDs), o que pode ser feito já na fase de avaliação estática e dinâmica. O fisiotera- peuta deve considerar, ainda, o contexto apresentado na anamnese. Contudo, existe uma ressalva: � Ao longo de toda a avaliação, é preciso que o profissional consiga analisar comparativamente cada etapa e considerar a relevância dos questionamentos e da aplicação de testes e tarefas apropriados. Nesse estágio, já é possível analisar se o paciente apresentou informações limitadas ou discernir dúvidas sobre o que foi exposto na anamnese. Avaliação da qualidade de vida Ao contrário da entrevista realizada ao longoda anamnese, nessa etapa, o paciente precisa ser avaliado com um instrumento validado, ou seja, o fisioterapeuta deverá, de maneira padronizada, identificar os fatores ligados Avaliação fisioterapêutica do sistema cardiovascular em repouso10 a qualidade de vida, como questões físicas, psicológicas e sociais, grau de independência, meio ambiente e espiritualidade, religiosidade e convicções pessoais. Contudo, existem algumas ressalvas: � Os instrumentos mais utilizados e validados são: SF-36 (Medical Ou- tcome Survey Short Form 36); WHOQOL100 (World Health Organization instrument to evaluate quality of life) e WHOQOL-bref (abreviação do WHOQOL100). � Deve-se estabelecer uma padronização, pois isso garante uma melhor leitura por outros profissionais e identificação mais clara das infor- mações extraídas. Avaliação específica Parte da proposta de tratamento na reabilitação cardiovascular está pautada na realização de exercícios que demandarão esforços pelo indivíduo, a fim de condicionar o seu organismo a uma condição mais independente e estável funcionalmente. Assim, uma avaliação específica precisa ser considerada para estabelecer parâmetros de trabalho com ajustes de cargas e intensidade de esforço. Todavia, essa avaliação precisa respeitar a individualidade do indivíduo, suas características biológicas e cognitivas, entre outras. A seguir, estão pontuadas estratégias específicas de avaliação para a implementação de programas de reabilitação cardiovascular (RCV). Avaliação da força muscular ventilatória A função pulmonar pode ser um limitador para a prática de exercícios mesmo em indivíduos saudáveis. O aumento metabólico durante o exercício está ligado diretamente ao desempenho da função muscular ventilatória. As- sim, a avaliação da força muscular ventilatória precisa estar bem descrita para fornecer dados referentes às melhores condições para que o indivíduo possa realizar esforços e ter o fornecimento apropriado de oxigênio durante as atividades. Essa avaliação pode ser obtida por meio do manovacuômetro, que registra as pressões inspiratória e expiratória máximas, por exemplo. Contudo, existem algumas ressalvas: � As técnicas normalmente exigem um esforço acentuado do indivíduo. Desse modo, é preciso garantir que o paciente tenha condições mínimas Avaliação fisioterapêutica do sistema cardiovascular em repouso 11 de realizar essas técnicas, para não o colocar em risco, tendo em vista a sua limitação clínica e cinético-funcional. � Para melhor precisão e comparação de dados, normalmente são utilizados protocolos na implementação da avaliação da resistência muscular ventilatória. Avaliação da força muscular periférica É possível que o indivíduo apresente fraqueza muscular periférica e isso seja uma limitação para algum exercício ou para o desempenho geral. Assim, propõe-se realizar a avalição de força muscular de grandes grupos musculares. Além disso, são considerados: teste de preensão palmar, que reflete uma relação com a fraqueza global; e, se for o caso, dinamométrica isocinética. Contudo, existem algumas ressalvas: � É importante que, ao mensurar os dados, estes sejam registrados e utilizados como parâmetros para a prescrição de exercícios. � Essa avaliação serve também como parâmetro de evolução após o período de aplicação do plano de tratamento. Avaliação da capacidade funcional Considerando-se a função do fisioterapeuta de conduzir tratamentos com foco no perfil cinético-funcional do indivíduo, a avaliação da capacidade fun- cional se destaca como fundamental à prática da fisioterapia. Essa avaliação permite correlacionar o distúrbio cardiovascular com a realidade funcional, ou seja, com a limitação funcional do indivíduo. Os testes de caminhada de seis minutos, de velocidade da marcha, Timed Up and Go (TUG), de sentar- -levantar, entre outros, podem compor uma avaliação funcional capaz de descrever diversas condições, como, por exemplo, mobilidade, destreza, força e velocidade. Contudo, existem algumas ressalvas: � Se o fisioterapeuta tiver acesso a dados de exames, como teste car- diopulmonar de exercícios ou teste ergométrico, ele poderá adotar os dados desses testes como parâmetros para a capacidade aeróbica no plano terapêutico. Avaliação fisioterapêutica do sistema cardiovascular em repouso12 � A realização do teste prevê a avaliação prévia e a demanda de gasto energético, sendo preciso um ambiente seguro. Por exemplo, o fisiote- rapeuta pode utilizar o teste de degrau na avaliação do indivíduo, desde que tenha garantias mínimas da segurança deste para a realização do teste. Assim, todo o conjunto de avaliações, desde a anamnese até a aplicação de testes, precisa ser acompanhado pelo fisioterapeuta, a fim de garantir a aplicação de um plano terapêutico que, de fato, promoverá a independência funcional do indivíduo de maneira segura. Relação entre sinais vitais e distúrbios cardiovasculares Os sinais vitais refletem as condições metabólicas do organismo, ou seja, traduzem a condição de saúde do indivíduo. Por meio de estudos fisiológicos, foram determinados limites de normalidade para os sinais vitais. Com o de- senvolvimento de técnicas e condutas para implementar a prática de atividade física, a fisiologia do exercício permitiu compreender variações diante da prática do exercício físico. Entretanto, em condições patológicas, isso pode ocorrer de forma inapropriada; por exemplo, o organismo afetado por um distúrbio cardiovascular pode não ter condições de suprir apropriadamente as demandas metabólicas, entrando, assim, em desequilíbrio e comprometendo as funções vitais. A seguir, é apresentado como se comportam os sinais vitais diante de alguns distúrbios cardiovasculares. Pulso Durante a avaliação do indivíduo, é preciso ter bem descrita a FC de repouso. Primeiro, faz-se necessário considerar algumas condições patológicas pre- sentes que podem causar alterações, são elas: � Arritmias: quando a sequência de pulsos arteriais é irregular durante o período de verificação. � Bradicardia: quando a FC é inferior a 60bpm. � Taquicardia: quando a FC é superior a 100bpm. � Assimetria de pulsos: quando os pulsos e as artérias contralaterais não correspondem ao mesmo momento. Avaliação fisioterapêutica do sistema cardiovascular em repouso 13 � Rigidez arterial: quando a distensão arterial está limitada, indicando que há redução na complacência arterial. Além de permitir conhecer possíveis condições patológicas associadas ao pulso, a FC de repouso permite avaliar qual a intensidade do esforço a ser gerado durante o trabalho de reabilitação cardiovascular. A FC de treino pode ser definida por cálculos específicos, baseados tanto na avaliação em repouso quanto em testes específicos, que servirão de acompanhamento e análise de dados durante todo o processo de reabilitação cardiovascular. Se for necessário prescrever algum exercício sem os dados de um teste funcional, o fisioterapeuta poderá utilizar uma escala de per- cepção subjetiva de esforço e limitar a FC de treinamento, considerando a FC de repouso + 20bpm. Assim, presumindo que o indivíduo tenha uma FC repouso de 78bpm, ele deverá ser acompanhado durante o exercício e orientado a atingir um esforço que mantenha a sua FC de treinamento próximo de 98bpm, considerando- -se uma percepção de esforço moderado. Isso garante que a resposta fisiológica seja apropriada e produza efeitos para a reabilitação. Pressão arterial A hipertensão arterial sistêmica (HAS) é uma condição patológica do SCV que consiste em elevações da PA na sístole e/ou na diástole, colocando em risco o organismo por deixar o indivíduo suscetível a eventos danosos em todo o organismo, como, por exemplo, o acidente vascular encefálico (AVE), que pode levar ao comprometimento neurológico. O Quadro 3, a seguir, apresenta a classificação da hipertensão arterial sistêmica (MALACHIAS et al., 2017). Avaliação fisioterapêutica do sistema cardiovascularem repouso14 Quadro 3. Classificação da hipertensão arterial sistêmica Classificação PAS (mmHg) PAD (mmHg) Normal ≤120 ≤80 Pré-hipertensão 121–139 81–89 Hipertensão estágio 1 140–159 90–99 Hipertensão estágio 2 160–179 100–109 Hipertensão estágio 3 ≥180 ≥110 Obs.: Quando a PAS e a PAD situam-se em categorias diferentes, a maior deve ser utilizada para a classificação da PA. Considera-se hipertensão sistólica isolada se PAS ≥140mmHg e PADe plano de tratamento. A seguir, estão descritos termos e conceitos relacionados ao sistema cardiovascular. Analise os termos a seguir e relacione a primeira e a segunda colunas, de forma a estabelecer a sequência correta entre elas: I - Débito cardíaco. II - Pressão arterial. III - Resistência periférica. IV - Fluxo sanguíneo. 2) Lívia Maciel Realce ( ) Corresponde à força do sangue sobre a parede do vaso sanguíneo pela área deste. ( ) Quantidade de sangue bombeado pelo coração em um minuto. ( ) Ao volume de sangue deslocado na corrente sanguínea em dado tempo. ( ) Refere à oposição ao fluxo sanguíneo ao longo dos vasos. A) I - IV - III - II. B) III - IV - I - II. C) III - I - IV - II. D) II - I - IV - III. E) II - IV - I - III. 3) Anamnese, exame físico, avaliação estática e dinâmica, a avaliação da qualidade de vida e a funcional são etapas da avaliação fisioterapêutica. Ao avaliar pacientes com doenças do sistema cardiovascular, pode-se refinar a busca de dados em análises mais específicas. Leia e analise as afirmativas a seguir em relação às etapas específicas propostas para a avaliação fisioterapêutica na reabilitação cardiovascular: I - A avaliação da força muscular ventilatória está ligada ao desempenho do paciente ao realizar esforços para promover fluxo adequado e suficiente de gases durante as atividades. II - A avaliação da capacidade funcional permite correlacionar o distúrbio cardiovascular às limitações do paciente reconhecendo sua realidade funcional. III - A avaliação da força muscular periférica permite identificar fraqueza muscular e entender o quanto isso pode refletir como limitação a algum exercício ou ao desempenho geral. Em relação às afirmações, podemos afirmar que: A) apenas I e II estão corretas. B) apenas II e III estão corretas. C) apenas I e III estão corretas. D) I, II e III estão corretas. E) apenas III está correta. Lívia Maciel Realce Lívia Maciel Realce 4) A frequência cardíaca (FC) corresponde à quantidade de batimentos cardíacos por minuto (bpm) e pode ser aferida tanto por equipamentos como pela pulsação em alguma artéria palpável; trata-se de um dado importante para ser acompanhado durante a execução do plano de tratamento. Analise as afirmativas a seguir e julgue C para certo e E para errado. ( ) A FC permite pode estar associada a uma condição patológica. ( ) A FC de repouso pode ser utilizada em cálculos de referência para prática de exercícios. ( ) Se um adulto sedentário apresentar FC de 44 bpm, podemos classificar como taquicardia. ( ) Se um adulto sedentário apresentar uma FC de 78 bpm, podemos classificar como taquicardia. Em relação à análise das afirmativas, podemos afirmar que a sequência correta é: A) C - C - E - E. B) C - C - C - E. C) C - E - E - C. D) E - C - E - C. E) C - E - C - E. 5) A pressão arterial (PA) corresponde à força do sangue sobre a parede da artéria pela área da mesma. Ela está relacionada a dois momentos do ciclo cardíaco: sístole (contração) e diástole (relaxamento), sendo denominada de pressão arterial sistólica (PAS) e diastólica (PAD), respectivamente. Em relação à aferição da PA, podemos afirmar que: A) assim como na hipertensão, a hipotensão também pode afetar a saúde. B) a hipertensão é a única condição que pode afetar a saúde. C) a hipotensão é a única condição que pode afetar a saúde. D) a hipertensão e hipotensão não se relacionam a fatores cardiovasculares. Lívia Maciel Realce Lívia Maciel Realce E) a pressão arterial deve ser avaliada apenas se o paciente for hipertenso. Na prática A fisioterapia tem se aprofundado em algumas áreas de atuação; uma delas é a atenção na área cardiovascular, onde alguns serviços já adotam a presença do fisioterapeuta desde o pós-operatório imediato e em todas as fases do programa de reabilitação cardiovascular (RCV). Entretanto, a avaliação do sistema cardiovascular vai muito além da abordagem dentro do programa de RCV. No dia a dia do profissional, o fisioterapeuta enfrenta diversas situações onde seu conhecimento pode ser solicitado para garantir melhores condições de vida e saúde da população, o que também gera oportunidades de atuação. Neste Na Prática, você verá um exemplo de como a avaliação fisioterapêutica do sistema cardiovascular pode fundamentar ações de prevenção de doenças cardiovasculares. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. https://statics-marketplace.plataforma.grupoa.education/sagah/8beaf16d-9f9e-4ccc-8b80-ab180a2c3924/b20d75e7-c4ad-40cd-bf6b-11e3353069c9.jpg Saiba mais Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor: Envelhecimento vascular e rigidez arterial O presente artigo traz sua abordagem agregando conteúdos ao entendimento e aplicabilidade do pulso arterial. A fisiopatogenia do envelhecimento vascular tem sido estudada diante dos agravos associados às doenças cardiovasculares. Entre as buscas dos estudos, está a análise da a velocidade de onda de pulso (VOP), por trazer maior evidência epidemiológica e exigir pouco conhecimento técnico para realização. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. Hipertensão arterial na atenção primária O vídeo se refere ao webmeeting da SOCESP (Sociedade de Cardiologia do Estado de SP), com a participação de doutores que atuam como docentes e ligados a serviços de cardiologia com foco sobre questões ligadas à hipertensão arterial na atenção primária. A proposta é que ao assistir o vídeo, você compreenda possíveis realidades e circunstâncias do seu paciente, a fim de melhor direcioná-lo em suas práticas, especialmente na prevenção e na atenção primária. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. Dor em doenças vasculares perifericas O capítulo aborda a percepção de dor diante de agravos vasculares periféricos e permite se aprofundar dentro da avaliação em patologias vasculares e fornecer embasamento maior nas condutas fisioterapêuticas. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0066-782X2017000900253&lng=en&nrm=iso&tlng=pt https://www.youtube.com/embed/cBIhrhERPBc