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Talvez você possa estar se perguntando: “Por que falar de indicação de medicamentos, quando podemos prescrever?”. Essa é, sim, uma pergunta pertinente. Há 10 anos nós, farmacêuticos, ganhamos o direito de prescrever medicamentos, através da RDC 586/2013. Porém, quando se fala em prescrição farmacêutica, ainda há determinados entraves para alguns colegas, diante da realidade em que se encontram: Para a prescrição, é necessário ter antes uma consulta farmacêutica. Nem todos os farmacêuticos têm essa possibilidade. Há farmácias sem ambiente adequado; há outras em que os proprietários entendem a consulta como uma perda de tempo, infelizmente. Em linhas gerais, a prescrição permitida é de medicamentos isentos de prescrição médica, os MIPs, e por isso alguns farmacêuticos entendem que não vale a pena a prescrição, já que são medicamentos que as pessoas podem comprar por conta própria. INTRODUÇÃO Trataremos então aqui, da velha e boa indicação. Até porque, a maioria dos que atuam no balcão, indica não só os MIPs, mas também vários medicamentos tarjados que, teoricamente, necessitam de prescrição médica. Deixo claro aqui que, particularmente, sou super a favor da prescrição farmacêutica. Acredito ser uma ferramenta que transmite autoridade profissional, cuidado ao paciente, atenção e profissionalismo, ainda que seja uma prescrição de MIP. Então, se você atua no balcão, mesmo que você não tenha uma sala adequada para atendimento e precise fazer isso no balcão, sugiro que você faça a prescrição farmacêutica. Tenha seu bloquinho personalizado, prescreva medicamentos, orientações… faça o melhor que pode com as ferramentas que tem! Deixo aqui a ressalva de que podem ser prescritos fitoterápicos, homeopáticos e florais, desde que o farmacêutico preencha determinados requisitos Só tem um detalhe: para indicar ou para prescrever, precisamos conhecer os medicamentos! Saber para que servem, a dose adequada, o tempo de uso… Além disso, antes mesmo de selecionar um medicamento para indicação, temos que entender dos sintomas, fazendo uma boa anamnese. E é disso que vamos falar agora! Quero te ajudar a aprender sobre sintomas, anamnese e sobre medicamentos. Deixar para você um passo a passo para indicar (ou prescrever). Você não precisa conhecer todas as doenças. Até porque, aprender profundamente sobre as doenças é tarefa dos médicos, a quem cabe fazer o diagnóstico. Nós, farmacêuticos, que atuamos no balcão, devemos lidar com as doenças que são autolimitadas, chamadas de problemas autolimitados. Os problemas de saúde autolimitados, também conhecidos por transtornos menores, são enfermidades agudas, de baixa gravidade e de breve período de tempo. Podem ser tratados de forma eficaz e segura com medicamentos e outros produtos com finalidade terapêutica, cuja dispensação não exija prescrição médica. O PRIMEIRO PASSO Com o tempo e a experiência, obviamente, você se sentirá capacitado a ir muito além disso. Porém, o que é sua “obrigação” é conhecer, saber identificar e tratar problemas autolimitados. Com isso, você conseguirá ajudar a muitos pacientes e saberá exatamente qual é o seu limite e a hora certa de encaminhar o paciente ao médico. Sendo Farmacêutico, você pode e deve resolver problemas de saúde através de seu atendimento na farmácia. Você está habilitado para atender bebês, crianças, adultos, idosos, mulheres grávidas, pacientes com doenças crônicas. Tudo isso sem medo. Muitos farmacêuticos, por medo, preferem mandar para o médico. Eu não quero que esse seja o seu caso. Quero que se sinta capaz e confiante e que tenha discernimento para encaminhar para atendimento médico ou mesmo para a emergência os pacientes que precisam, que você realmente não puder ajudar, por não se tratar de problema autolimitado. O primeiro passo é você elaborar uma lista de sintomas comuns a problemas autolimitados. Por exemplo: dor (dor de cabeça, dor no corpo, dor muscular, cólica etc) febre tosse cansaço diarreia vômito fraqueza olhos vermelhos memória ruim coceira DIARREIA A diarreia aguda é aquela que esteja com duração de menos de 4 semanas. Ela pode ser infecciosa, quando causada por vírus, bactérias ou parasitas, e pode ser por intoxicação (alimentar, medicamentos). Ela pode ser, ainda, decorrente de intolerância alimentar. Um dos principais perigos da diarreia é levar o paciente à desidratação. Quadros mais intensos, de origem bacteriana, podem até levar o paciente a um quadro de sepse, já que faz parte do quadro de gastroenterite. Há quadros de diarreia viral ou bacteriana que vêm acompanhados de febre e/ou vômito. Quando mandar para o médico: casos de diarreia com sangue, incapacidade de ingerir líquidos, fraqueza e vômitos persistentes. E também casos de desidratação (pessoa faz pouco xixi ou para de fazer xixi, as mucosas ficam ressecadas, o pulso fica rápido demais ou ausente, os olhos ficam ressecados e fundos). Monte uma tabela e detalhe ao máximo esses sintomas, com todas as possibilidades. Por exemplo: diarreia ANOTAÇÕES Depois que você fizer o quadro com os sintomas, aí você vai pesquisar as possibilidades de medicamentos para cada um deles. Se você já estiver trabalhando, sugiro que você pesquise os medicamentos de acordo com o que tem na farmácia. Caso você não esteja trabalhando ainda, pesquise na internet. Coloque duas ou três opções de medicamento para cada sintoma, a dose para adulto, a dose para criança, coloque quando não indicar esse medicamento e as observações que você julgar importantes. Seguindo nosso exemplo: O SEGUNDO PASSO VEJA O EXEMPLO NA PRÓXIMA PÁGINA SINTOMA MEDICAMENTO DOSE ADULTO DOSE CRIANÇA QUANDO NÃO INDICAR OBSERVAÇÃO DIARREIA Buscopam composto 1 cp de 6/6h 1 gota por Kg, a partir de 6 meses alergia à dipirona, crianças abaixo de 6 meses reduz a cólica e ajuda a reduzir a motilidade intestinal. tomar por no máximo 3 dias seguidos. Suspender se não houver melhora. Probióticos 1 sachê adulto 8/8h 1 sachê infantil 8/8h - em caso de suspeita de diarréia bacteriana, preferir probióticos à base de bactérias (ex enterogermina) . Probióticos à base de fungos (floratil, florax) são ótimos em qualquer diarreia aguda. Sais de reidratação 1 gole após cada evacuação 1 gole após cada evacuação pacientes diabéticos podem usar esses sais, mesmo contendo glicose. A desidratação para esses pacientes é mais perigosa do que a quantidade de glicose contida no sal de reidratação. ANOTAÇÕES O terceiro passo é uma anamnese bem feita. Fazer anamnese é fazer perguntas ao paciente que te levem a uma conclusão sobre os sintomas e assim possa fazer uma indicação correta. Isso pode ser feito de uma forma natural, conversando com o paciente. Não precisa de ser algo metódico e massante, com formulários e inúmeras perguntas. É importante que sejam feitas as perguntas pontuais, para nortear sua indicação. Alguns exemplos de perguntas importantes são: Como esse problema começou?1. Escute o relato do paciente de quando ele percebeu que o problema começou e aproveite para perguntar sobre o histórico familiar para tal doença, se seus pais ou avós tiveram. Pergunte também se ele já ficou internado e como essa doença afeta a vida dele. 2. O que você sente? Colha todos os sintomas do paciente. Anote tudo. O TERCEIRO PASSO 3. Quais medicamentos você toma? Anote: Data em que iniciou a utilização de cada medicamento Para medicamentos, recomenda-se documentar por princípios ativos, em vez de especialidades farmacêuticas. Em sessões clínicas, podem-se utilizar as especialidades dentro da documentação interna. Posologia (por ex. se o paciente toma um comprimido pela manhã e um a noite, deve-se registrar da seguinte forma 1-0-1). 4. Quais são seus hábitos de vida? Pergunte sobre alimentação, sono, se pratica atividades físicas, como é o trabalho dele (pra saber se é um fator importante pelo estresse, depressão ou outro). Pergunte sobre o que gosta de fazer nas horas vagas. Pergunte como é a relação dele com a doençae como se comporta em relação aos medicamentos (se costuma esquecer, se toma certinho, o que faz quando esquece etc). 5. Para um problema agudo, como nosso exemplo da diarreia, pergunte se comeu algo diferente, se foi a algum lugar diferente ou se tem alguma ideia da causa? Para problemas autolimitados, devemos nos concentrar nos sintomas que o paciente está apresentando e indicar os medicamentos de acordo com cada sintoma. Por isso, ter uma tabela ou uma listinha de indicações de acordo com os sintomas é muito importante! ANOTAÇÕES O QUE TODO FARMACÊUTICO PRECISA SABER PARA COMEÇAR A ATUAR EM FARMÁCIA? 1) Principais Legislações Existem legislações que são indispensáveis para o Farmacêutico que vai atuar em Drogaria. Isso não significa que você vai precisar decorar todas elas. Porém, sugiro que você as tenha em local de fácil consulta. Abaixo listamos as mais importantes: Resolução 711/2021: Código de ética da profissão farmacêutica Resolução 585/2013: Sobre as atribuições do Farmacêutico Clínico Resolução 585/2013: Sobre prescrição Farmacêutica Portaria 344/98: Sobre o controle de medicamentos sujeitos a controle especial (psicotrópicos, entorpecentes…) Lei 13.021/2014: Lei de extrema importância conhecer. Transforma as farmácias e drogarias em unidades de prestação de assistência farmacêutica, assistência à saúde e orientação sanitária individual e coletiva. Exige a obrigatoriedade de um farmacêutico em todo tempo de funcionamento da farmácia, sendo dele a responsabilidade e a assistência técnica.Fala sobre o proprietário da farmácia, que não tem autonomia para desautorizar ou desconsiderar as orientações emitidas pelo farmacêutico. RDC 44/2009: Boas práticas farmacêuticas. Aqui fala de aplicação de injetáveis também. Lei 9787/99: Lei dos genéricos. Instrução Normativa 86/2021: Lista dos medicamentos isentos de prescrição. Hoje em dia todas as profissões podem contar com a tecnologia. Na área da saúde e medicamentos, temos diversos aplicativos e sites para consultas de confiança disponíveis. Aplicativo Prodoctor Medicamentos: aplicativo para celular gratuito, que traz a bula dos medicamentos. Além dos itens da bula, é possível consultar de forma rápida o tipo de prescrição exigida, se é referência, genérico ou similar e a classificação de risco na gravidez. Aplicativo Equivalentes: aplicativo para celular gratuito, que permite consultar medicamentos com objetivo de fazer intercambialidade. O app mostra qual é a referência e seus respectivos genéricos e similares. 2) Aplicativos e sites para consultas Aplicativo UpToDate: é um aplicativo que ajuda na tomada de decisões médicas, com critérios da medicina baseada em evidências. Site da ANVISA anvisa.org.br: para consultar legislações, bulário oficial dos medicamentos e lista de intercambiáveis. Medicamento de Referência - produto inovador registrado no órgão federal responsável pela vigilância sanitária e comercializado no País, cuja eficácia, segurança e qualidade foram comprovadas cientificamente junto ao órgão federal competente, por ocasião do registro. 3) Medicamento de Referência, Genérico, Similar e intercambialidade É importante que todo farmacêutico conheça medicamentos de referência, genéricos e similares, tanto em termos legais, quanto em termos comerciais. E, claro, para saber fazer a intercambialidade de maneira correta. Olha só: Medicamento Similar - aquele que contém o mesmo ou os mesmos princípios ativos, apresenta a mesma concentração, forma farmacêutica, via de administração, posologia e indicação terapêutica, preventiva ou diagnóstica, do medicamento de referência registrado no órgão federal responsável pela vigilância sanitária, podendo diferir somente em características relativas ao tamanho e forma do produto, prazo de validade, embalagem, rotulagem, excipientes e veículos, devendo sempre ser identificado por nome comercial ou marca. Medicamento Genérico - medicamento similar a um produto de referência ou inovador, que se pretende ser com este intercambiável, geralmente produzido após a expiração ou renúncia da proteção patentária ou de outros direitos de exclusividade, comprovada a sua eficácia, segurança e qualidade, e designado pela DCB ou, na sua ausência, pela DCI. Produto Farmacêutico Intercambiável - equivalente terapêutico de um medicamento de referência, comprovados, essencialmente, os mesmos efeitos de eficácia e segurança. ANOTAÇÕES 4- Siglas de medicamentos Muitos medicamentos têm em seus nomes uma sigla e ela não está ali por um acaso ou para enfeitar! Não é uma obrigação como farmacêutico conhecê-las, mas acaba sendo um diferencial. Sem contar que quando você sabe o porquê das coisas tudo ganha um novo sentido. Esse é um dos fatores que fazem você se sentir mais seguro. AP (Ação Prolongada)→ Exemplo: Tylenol AP® AMLO (Amlodipino)→ a presença do princípio ativo amlodipino na composição do medicamento. Exemplo: Diovan Amlo®Fix BAK → sigla bak está presente no TRAVATAN BAK Free, que é a primeira e única prostaglandina livre de cloreto de benzalcônio (BAK) BD (Bis in Die) → É uma abreviação de “bis in die”, que em latim significa duas vezes por dia. Esta sigla também é encontrada em prescrições médicas escrita como “bid” ou “BID” ou “B.I.D.”. Exemplo: Clavulin BD® CAF (Cafeina) → Exemplos: Sonridor Caf®, Miosan Caf® CD (Controlled Diffusion)→ controle da liberação do princípio ativo. Exemplo: Angipress CD® CLR (Crono-Liberação Regulada)→ Exemplo: Biofenac CLR® CR (Controlled Release)→ Liberação Controlada : Exemplos: Tegretol CR®, Adalat CR® CRT (Controlled Release Tablet)→ Comprimido de Liberação Controlada DC (Dor de Cabeça): Tylenol DC® DEPOT→ Ação Prolongada → uma área do corpo , em que uma substância , por exemplo , uma droga , pode ser acumulado, depositado , ou armazenados e a partir da qual ele pode ser distribuído. Exemplo: Clopixol Depot® DI (Desintegração Instantânea)→ Exemplo: Biofenac DI® DL (Desagregação Lenta) DURILES→ Desintegração Equilibrada HFA→ o sistema de aerossol ou spray (bombinha) que utiliza hidrofluoroalcano como gás propelente. Usado em substituição ao CFC. Exemplo: Clenil® HFA LA (Long Acting)→ Ação Longa – Exemplo: Rebaten LA® LP (Liberação Prolongada)→ Exemplo: Biofenac LP® MD (Maintenance Dose ou Maximum Dose) → Dose de Manutenção ou Dose Máxima respectivamente MR (Modified Release) → Liberação Modificada- Exemplo: Diamicron MR® ODT (Orally Disintegrating Tablet ou Orally Dissolving Tablet)→ Comprimido de Desintegração Oral OROS (Osmotic [Controlled] Release Oral [Delivery] System)→ Sistema Oral de Liberação Osmótica PLUS→ Algo a Mais ou Dosagem Mais Forte REPETABS→ Tablete Duplo de Repetição RETARD→ Ação Retardada SA (Sustained Action)→ Ação Mantida SL (Sub-Lingual)→ Exemplo: Feldene SL® SPANDETS→ Comprimido Especial de Liberação Controlada SR (Sustained Release – Liberação Sustentada/Prolongada)→ É um tipo de liberação estendida que permite uma rápida liberação de uma dose ou fração do princípio ativo, seguida de uma liberação gradual da dose restante, por um período de tempo prolongado. Ou seja, ação rápida e duradoura. Exemplos: Voltaren SR®, Indapen SR®. SRO (Sustained Release Oral)→ Exemplos: Hydergine SRO®, Parlodel SRO® TTS (Transdermal Therapeutic System)→ Sistema Terapêutico Transdérmico UD (Única Dose)→ Exemplo: Klaricid®UD (Informação Confirmada pelo Fabricante) XR (eXtended Release- Liberação Estendida) ou XL→ A liberação estendida tem como objetivo manter a liberação do fármaco por um período maior de tempo. Neste tipo, a liberação é suficientemente lenta para que seja possível estender o intervalo entre as doses por duas vezes ou mais. Exemplos: Efexor XR®, Cipro XR®, Glifage XR®, Alenthus XR®, Frontal XR®. Fonte: Farmacêutico Digital (farmaceuticodigital.com) As formas farmacêuticas são as formas físicas de apresentação do medicamento, e elas podem ser classificadas em sólidas, líquidas, semi-sólidas e gasosas. As formas sólidas podem ser pós, granulados, comprimidos, drágeas, cápsulas, supositórios e óvulos.fica vermelho, tem rubor, taquicardia.. estimular a diurese, dependendo da bebida. Quanto mais intensa for a diurese, mais rápida será a eliminação do fármaco. Na hora de orientar, use o bom senso. Se o paciente deixar entender que vai deixar de fazer um tratamento para poder beber ou que vai adiar o início do antibiótico na sexta-feira para beber no final de semana, diga a ele que é melhor tomar o medicamento, mesmo que ele vá beber (se não for dos que causam efeito antabuse). ANOTAÇÕES O que são interações medicamentosas? Interação medicamentosa é evento clínico em que os efeitos de um fármaco são alterados pela presença de outro fármaco, alimento, bebida ou algum agente químico ambiental. Constitui causa comum de efeitos adversos. Quando dois (ou mais) medicamentos são administrados, concomitantemente a um paciente, eles podem agir de forma independente ou interagirem entre si, com aumento ou diminuição de efeito terapêutico ou tóxico de um ou de outro. O desfecho de uma interação medicamentosa pode ser perigoso quando promove aumento da toxicidade de um fármaco. Por exemplo, pacientes que fazem uso de varfarina podem ter sangramentos se passarem a usar um antiinflamatório não-esteróide (AINE) sem reduzir a dose do anticoagulante. Algumas vezes, a interação medicamentosa reduz a eficácia de um fármaco, podendo ser tão nociva quanto o aumento. Por exemplo, tetraciclina sofre quelação por antiácidos e alimentos lácteos, sendo excretada nas fezes, sem produzir o efeito antimicrobiano desejado. Classificação das interações medicamentosas Há interações que podem ser benéficas e muito úteis, como na co-prescrição deliberada de anti-hipertensivos e diuréticos, em que esses aumentam o efeito dos primeiros por diminuírem a pseudotolerância dos primeiros. Supostamente, a incidência de problemas é mais alta nos idosos porque a idade afeta o funcionamento de rins e fígado, de modo que muitos fármacos são eliminados muito mais lentamente do organismo. Interações farmacocinéticas: são aquelas em que um fármaco altera a velocidade ou a extensão de absorção, distribuição, biotransformação ou excreção de outro fármaco. Como diferentes representantes de mesmo grupo farmacológico possuem perfil farmacocinético diferente, as interações podem ocorrer com um fármaco e não obrigatoriamente com outro congênere. As interações farmacocinéticas podem ocorrer pelos mecanismos: Na biotransformação: Indução enzimática (por barbituratos, carbamazepina, glutetimida, fenitoína, primidona, rifampicina e tabaco); Inibição enzimática (alopurinol, cloranfenicol, cimetidina, ciprofloxacino, dextropropoxifeno, dissulfiram, eritromicina, fluconazol, fluoxetina, idrocilamida, isoniazida, cetoconazol, metronidazol, fenilbutazona e verapamil). Na excreção: Alteração no pH urinário; Alteração na excreção ativa tubular renal; Alteração no fluxo sanguíneo renal; Alteração na excreção biliar e ciclo êntero-hepático. Na absorção: Alteração no pH gastrintestinal; Adsorção, quelação e outros mecanismos de complexação; Alteração na motilidade gastrintestinal; Má absorção causada por fármacos. Na distribuição: Competição na ligação a proteínas plasmáticas; Hemodiluição com diminuição de proteínas plasmáticas. Interações farmacodinâmicas: correm nos sítios de ação dos fármacos, envolvendo os mecanismos pelos quais os efeitos desejados se processam. O efeito resulta da ação dos fármacos envolvidos no mesmo receptor ou enzima. Um fármaco pode aumentar o efeito do agonista por estimular a receptividade de seu receptor celular ou inibir enzimas que o inativam no local de ação. A diminuição de efeito pode dever-se à competição pelo mesmo receptor, tendo o antagonista puro maior afinidade e nenhuma atividade intrínseca. Um exemplo de interação sinérgica no mecanismo de ação é o aumento do espectro bacteriano de trimetoprima e sulfametoxazol que atuam em etapas diferentes de mesma rota metabólica. Interações de efeito: ocorrem quando dois ou mais fármacos em uso concomitante têm ações farmacológicas similares ou opostas. Podem produzir sinergias ou antagonismos sem modificar farmacocinética ou mecanismo de ação dos fármacos envolvidos. Por exemplo, álcool reforça o efeito sedativo de hipnóticos e anti-histamínicos. Interações farmacêuticas: também chamadas de incompatibilidade medicamentosa, ocorrem in vitro, isto é, antes da administração dos fármacos no organismo, quando se misturam dois ou mais deles numa mesma seringa, equipo de soro ou outro recipiente. Devem-se a reações físico-químicas que resultam em: • Alterações organolépticas – evidenciadas como mudanças de cor, consistência (sólidos), opalescência, turvação, formação de cristais, floculação, precipitação, associadas ou não a mudança de atividade farmacológica. • Diminuição da atividade de um ou mais dos fármacos originais. • Inativação de um ou mais fármacos originais. • Formação de novo composto (ativo, inócuo, tóxico). • Aumento da toxicidade de um ou mais dos fármacos originais. A ausência de alterações macroscópicas não garante a inexistência de interação medicamentosa. ANOTAÇÕES As interações medicamentosas podem ser consideradas erros evitáveis? Sim e não! Sim, porque o farmacêutico (e o médico) deveriam ter conhecimento das reações causadas pela combinação de medicamentos, alimentos, fitoterápicos etc. Não, porque na era da polifarmácia é comum que pacientes com doenças crônicas e que estejam usando até uma dezena de medicamentos diferentes não relatem o fato ao profissional de saúde, já que recebem receitas de prescritores de diferentes especialidades. Vale lembrar que esse problema pode ser causado por alterações nos efeitos de um medicamento por conta do consumo concomitante de outro medicamento ou sua utilização juntamente com determinado alimento ou bebida. Embora em alguns casos os efeitos de medicamentos combinados sejam benéficos, é comum que as interações medicamentosas tendam a ser prejudiciais. Quase todas as interações do tipo medicamento- medicamento envolvem itens de prescrição obrigatória, mas algumas incluem medicamentos isentos de prescrição (MIPs), como o ácido acetilsalicílico, antiácidos e descongestionantes. Reações secundárias A atuação de um fármaco pode ocorrer em diferentes tecidos, visto que esses ativos podem atingir diversos alvos moleculares. Por esse motivo, há reações secundárias ao efeito principal de interesse no tratamento com um princípio ativo. Desafios dos farmacêuticos Há desafios que devem ser encarados pelos farmacêuticos para minimizar os problemas com medicamentos. 1 – Dedicação na pesquisa: Há a necessidade de o farmacêutico se dedicar durante o atendimento para a avaliação da interação. Há softwares e aplicativos para aparelho celular que realizam isso de forma a otimizar o trabalho. A atualização desses recursos deve ocorrer com frequência, pois se trata de um banco de dados que é enriquecido conforme as reações são registradas e documentadas. 2 – Interpretação cuidadosa: Nem todas as interações estão documentadas e são conhecidas. Isso quer dizer que há a possibilidade de ocorrer uma interação e ela ser interpretada erroneamente, como se fosse uma reação adversa dos fármacos envolvidos, e na realidade o que ocorreu foi uma manifestação da interação medicamentosa. 3 – Orientação assertiva: Além de verificar as possíveis interações, deve-se afastar as administrações de diferentes fármacos durante do dia. Orientar o paciente que ele deve utilizar os medicamentos com certo intervalo de tempo, a fim de evitar possíveis interações desconhecidas, lembrando que muitos pacientes, principalmente idosos, utilizam vários medicamentos ao mesmo tempo, o que ocasiona grandes chances de interações. Exemplos de 20 interações medicamentosas 1. Ácido acetilsalicílico (AAS) e captopril: O ácido acetilsalicílico pode diminuir a ação anti-hipertensiva do captopril. 2. Omeprazol, varfarina e clopidogrel: O omeprazol (inibidor da bomba de prótons) pode aumentar a ação da varfarina e diminuira ação do clopidogrel (antitrombóticos). 3. Ácido acetilsalicílico e insulina: O AAS pode aumentar a ação hipoglicemiante da insulina. 4. Amoxicilina e ácido clavulânico: A amoxicilina associada ao ácido clavulânico aumenta o tempo de sangramento e de protrombina (elemento proteico da coagulação sanguínea) quando usada com AAS. 5. Inibidores da monoamina oxidase (MAO) e tiramina (monoamina derivada da tirosina): Os inibidores da monoamina oxidase (tratamento da depressão) associada à tiramina pode promover crises hipertensivas e hemorragia intracraniana. 6. Omeprazol e fenobarbital: O omeprazol usado com fenobarbital (anticonvulsivante) pode potencializar a ação do barbitúrico. 7. Levodopa e dieta proteica: Levodopa (L- dopa) - usada no tratamento da doença de Parkinson - tem ação terapêutica inibida por dieta hiperproteica. 8. Leite e tetraciclina - Os íons divalentes e trivalentes (Ca2+, Mg2+, Fe2+ e Fe3+): presentes no leite e em outros alimentos - são capazes de formar quelatos não absorvíveis com as tetraciclinas, ocasionando a excreção fecal dos minerais, bem como a do fármaco. 9. Óleo mineral e vitaminas: Grandes doses de óleo mineral interferem na absorção de vitaminas lipossolúveis (A, D, E, K), β-caroteno, cálcio e fosfatos, devido à barreira física e à diminuição do tempo de trânsito intestinal. 10. Diurético e minerais: Altas doses de diuréticos (ou seu uso prolongado) promove aumento na excreção de minerais. Exemplo: furosemida, diurético de alça, acarreta perda de potássio, magnésio, zinco e cálcio. 11. Alimentos e penicilina e eritromicina: Após a ingestão de alimentos ou líquidos, o pH do estômago dobra. Essa modificação pode afetar a desintegração das cápsulas, drágeas ou comprimidos e, consequentemente, a absorção do princípio ativo. O aumento do pH gástrico em função dos alimentos ou líquidos pode reduzir a dissolução de comprimidos de eritromicina ou de tetraciclina. 12. Alimentos e fenitoína ou dicumarol: Medicamentos como a fenitoína ou o dicumarol desintegram-se mais facilmente com a alcalinização do pH gástrico. O pH também interfere na estabilidade, assim como na ionização dos fármacos, promovendo uma alteração na velocidade e extensão de absorção. 13. Antibióticos e vitamina C: Os antibióticos não devem ser misturados com vitamina C ou qualquer substância que a contenha (sucos cítricos), pois ela inibe a ação dos antibióticos. 14. Anticoncepcionais orais e anti- hipertensivos: Os anticoncepcionais (em geral) podem elevar a pressão arterial, anulando a ação dos hipotensores. 15. Benzodiazepínicos (em geral) e cimetidina: A administração de cimetidina e alguns benzodiazepínicos (alprazolam, clordiazepóxido, clorazepato, diazepam e triazolam) resulta em diminuição do clearence plasmático e aumento da meia vida plasmática e concentração destes benzodiazepínicos. Além disso, pode ocorrer aumento do efeito sedativo com o uso de cimetidina e benzodiazepínicos. 16. Digoxina e diazepam: O diazepam pode reduzir a excreção renal da digoxina, com aumento da meia vida plasmática e risco de toxicidade. Esse efeito é também relatado com o alprazolam. 17. Antidiabéticos orais e pirazolônicos: A administração de fenilbutazona e outros derivados pirazolônicos ( fenilbutazona, oxifembutazona e dipirona), concomitantemente aos antidiabéticos orais, pode potencializar a atividade hipoglicêmica. 18. Anticoncepcionais orais e indutores de enzimas microssônicas: Os anticoncepcionais orais (em geral), quando usados com indutores de enzimas microssônicas (rifampicina, barbitúricos, carbamazepina, fnitoína, primidona, griseofulvina) podem ter seu efeito anticoncepcional diminuído. 19. Anticoagulantes orais e anticoncepcionais orais: Pode ocorrer a diminuição dos efeitos dos anticoagulantes (em geral) quando usados com os anticoncepcionais. 20. Bebidas alcoólicas e ansiolíticos, hipnóticos e sedativos: Uma interação muito relevante é a potencialização do efeito depressor do sistema nervoso central (SNC) do álcool por ansiolíticos, hipnóticos e sedativos. A depressão resultante dessa interação pode causar até a morte por falência cardiovascular, depressão respiratória ou grave hipotermia. Interações do bem Há também as interações de efeito que ocorrem quando dois ou mais fármacos em uso concomitante têm ações farmacológicas similares ou opostas, atuando em sítios e por mecanismos diferentes. Podem produzir sinergismos ou antagonismos, sem modificar a farmacocinética ou o mecanismo de ação, como a potencialização do efeito sedativo dos hipnóticos e anti-histamínicos pelo uso do etanol. Deve-se considerar que há interações benéficas que são utilizadas como ferramentas da terapêutica, como o sulfametoxazol associado com trimetroprima, que produzem uma reação sinérgica para aumento do espectro antibacteriano. Outro exemplo é a naloxona (antagonista opioide) usada no tratamento de intoxicações de fármacos opioides. Eles são utilizados intencionalmente para bloqueio da toxicidade dos opioides, em caso de superdosagem de opipoides, e depressão respiratória por essa substância. ANOTAÇÕES A análise das prescrições feita pelo farmacêutico, seja na farmácia ou em consultórios e clínicas, contribui, de forma decisiva, para a redução de erros de medicação, da piora do quadro do paciente e dos gastos desnecessários. A eficiência de farmacêuticos nessa abordagem pode ser aumentada, de maneira significativa, com a utilização de programas informatizados, que auxiliam no agrupamento dos dados e na detecção de interações medicamentosas com o cruzamento de diferentes prescrições. Já o uso do Prontuário Eletrônico permite a detecção mais fácil da interação medicamentosa (e de sua gravidade). A partir dessa ferramenta, é possível tomar uma decisão quanto ao uso do tratamento no paciente, sempre com o apoio da farmácia clínica, que é uma ótima forma de reduzir a incidência com problemas causados por interações medicamentosas. O papel do farmacêutico Esteja alerta com quaisquer medicamentos que tenham baixo índice terapêutico ou que necessitem manter níveis séricos específicos (ex.: glicosídeos digitálicos, fenitoína, carbamazepina, aminoglicosídeos, varfarina, teofilina, lítio, imunossupressores, anticoagulantes, citotóxicos, anti-hipertensivos, anticonvulsivantes, antiinfecciosos ou antidiabéticos etc.) Lembre-se daqueles medicamentos que são indutores enzimáticos (ex.: barbituratos, carbamazepina, glutetimida, fenitoína, primidona, rifampicina, tabaco etc.) ou inibidores enzimáticos (ex.: alopurinol, cloranfenicol, cimetidina, ciprofloxacino, dextropropoxifeno, dissulfiram, eritromicina, fluconazol, fluoxetina, idrocilamida, isoniazida, cetoconazol, metronidazol, fenilbutazona e verapamil). Analise a farmacologia básica dos medicamentos considerando problemas óbvios (depressão aditiva do Sistema Neural Central, por exemplo) que não sejam dominados, e tente imaginar o que pode acontecer se medicamentos que afetam os mesmos receptores forem usados concomitantemente. Considere que os idosos estão sob maior risco devido à redução das funções hepática e renal, que interferem na eliminação dos fármacos. Crianças pequenas também são mais susceptíveis a interações, devido à imaturidade dos órgãos e do organismo de forma geral. Tenha em mente que interações que modificam os efeitos de um fármaco também podem envolver medicamentos de venda sem prescrição, fitoterápicos (ex. contendo Hypericum perforatum, conhecida no Brasil como erva-desão-joão), assim como certos tipos de alimentos, agentes químicos não-medicinais e drogas sociais, tais como álcool e tabaco. As alterações fisiológicas em pacientes individuais, causadas por fatores como idade e gênero, também influenciam a predisposição a reações adversas a medicamentos resultantes de interações medicamentosas. OBSERVAÇÃO: NA PASTA, TEM UM MATERIAL EDITÁVEL À PARTE COM UM EXEMPLO DE LISTA DE INDICAÇÕES @sarahbvfaria Imprima, tire uma foto com o seu material para postar no instagram e me marque:a ação do clopidogrel (antitrombóticos). 3. Ácido acetilsalicílico e insulina: O AAS pode aumentar a ação hipoglicemiante da insulina. 4. Amoxicilina e ácido clavulânico: A amoxicilina associada ao ácido clavulânico aumenta o tempo de sangramento e de protrombina (elemento proteico da coagulação sanguínea) quando usada com AAS. 5. Inibidores da monoamina oxidase (MAO) e tiramina (monoamina derivada da tirosina): Os inibidores da monoamina oxidase (tratamento da depressão) associada à tiramina pode promover crises hipertensivas e hemorragia intracraniana. 6. Omeprazol e fenobarbital: O omeprazol usado com fenobarbital (anticonvulsivante) pode potencializar a ação do barbitúrico. 7. Levodopa e dieta proteica: Levodopa (L- dopa) - usada no tratamento da doença de Parkinson - tem ação terapêutica inibida por dieta hiperproteica. 8. Leite e tetraciclina - Os íons divalentes e trivalentes (Ca2+, Mg2+, Fe2+ e Fe3+): presentes no leite e em outros alimentos - são capazes de formar quelatos não absorvíveis com as tetraciclinas, ocasionando a excreção fecal dos minerais, bem como a do fármaco. 9. Óleo mineral e vitaminas: Grandes doses de óleo mineral interferem na absorção de vitaminas lipossolúveis (A, D, E, K), β-caroteno, cálcio e fosfatos, devido à barreira física e à diminuição do tempo de trânsito intestinal. 10. Diurético e minerais: Altas doses de diuréticos (ou seu uso prolongado) promove aumento na excreção de minerais. Exemplo: furosemida, diurético de alça, acarreta perda de potássio, magnésio, zinco e cálcio. 11. Alimentos e penicilina e eritromicina: Após a ingestão de alimentos ou líquidos, o pH do estômago dobra. Essa modificação pode afetar a desintegração das cápsulas, drágeas ou comprimidos e, consequentemente, a absorção do princípio ativo. O aumento do pH gástrico em função dos alimentos ou líquidos pode reduzir a dissolução de comprimidos de eritromicina ou de tetraciclina. 12. Alimentos e fenitoína ou dicumarol: Medicamentos como a fenitoína ou o dicumarol desintegram-se mais facilmente com a alcalinização do pH gástrico. O pH também interfere na estabilidade, assim como na ionização dos fármacos, promovendo uma alteração na velocidade e extensão de absorção. 13. Antibióticos e vitamina C: Os antibióticos não devem ser misturados com vitamina C ou qualquer substância que a contenha (sucos cítricos), pois ela inibe a ação dos antibióticos. 14. Anticoncepcionais orais e anti- hipertensivos: Os anticoncepcionais (em geral) podem elevar a pressão arterial, anulando a ação dos hipotensores. 15. Benzodiazepínicos (em geral) e cimetidina: A administração de cimetidina e alguns benzodiazepínicos (alprazolam, clordiazepóxido, clorazepato, diazepam e triazolam) resulta em diminuição do clearence plasmático e aumento da meia vida plasmática e concentração destes benzodiazepínicos. Além disso, pode ocorrer aumento do efeito sedativo com o uso de cimetidina e benzodiazepínicos. 16. Digoxina e diazepam: O diazepam pode reduzir a excreção renal da digoxina, com aumento da meia vida plasmática e risco de toxicidade. Esse efeito é também relatado com o alprazolam. 17. Antidiabéticos orais e pirazolônicos: A administração de fenilbutazona e outros derivados pirazolônicos ( fenilbutazona, oxifembutazona e dipirona), concomitantemente aos antidiabéticos orais, pode potencializar a atividade hipoglicêmica. 18. Anticoncepcionais orais e indutores de enzimas microssônicas: Os anticoncepcionais orais (em geral), quando usados com indutores de enzimas microssônicas (rifampicina, barbitúricos, carbamazepina, fnitoína, primidona, griseofulvina) podem ter seu efeito anticoncepcional diminuído. 19. Anticoagulantes orais e anticoncepcionais orais: Pode ocorrer a diminuição dos efeitos dos anticoagulantes (em geral) quando usados com os anticoncepcionais. 20. Bebidas alcoólicas e ansiolíticos, hipnóticos e sedativos: Uma interação muito relevante é a potencialização do efeito depressor do sistema nervoso central (SNC) do álcool por ansiolíticos, hipnóticos e sedativos. A depressão resultante dessa interação pode causar até a morte por falência cardiovascular, depressão respiratória ou grave hipotermia. Interações do bem Há também as interações de efeito que ocorrem quando dois ou mais fármacos em uso concomitante têm ações farmacológicas similares ou opostas, atuando em sítios e por mecanismos diferentes. Podem produzir sinergismos ou antagonismos, sem modificar a farmacocinética ou o mecanismo de ação, como a potencialização do efeito sedativo dos hipnóticos e anti-histamínicos pelo uso do etanol. Deve-se considerar que há interações benéficas que são utilizadas como ferramentas da terapêutica, como o sulfametoxazol associado com trimetroprima, que produzem uma reação sinérgica para aumento do espectro antibacteriano. Outro exemplo é a naloxona (antagonista opioide) usada no tratamento de intoxicações de fármacos opioides. Eles são utilizados intencionalmente para bloqueio da toxicidade dos opioides, em caso de superdosagem de opipoides, e depressão respiratória por essa substância. ANOTAÇÕES A análise das prescrições feita pelo farmacêutico, seja na farmácia ou em consultórios e clínicas, contribui, de forma decisiva, para a redução de erros de medicação, da piora do quadro do paciente e dos gastos desnecessários. A eficiência de farmacêuticos nessa abordagem pode ser aumentada, de maneira significativa, com a utilização de programas informatizados, que auxiliam no agrupamento dos dados e na detecção de interações medicamentosas com o cruzamento de diferentes prescrições. Já o uso do Prontuário Eletrônico permite a detecção mais fácil da interação medicamentosa (e de sua gravidade). A partir dessa ferramenta, é possível tomar uma decisão quanto ao uso do tratamento no paciente, sempre com o apoio da farmácia clínica, que é uma ótima forma de reduzir a incidência com problemas causados por interações medicamentosas. O papel do farmacêutico Esteja alerta com quaisquer medicamentos que tenham baixo índice terapêutico ou que necessitem manter níveis séricos específicos (ex.: glicosídeos digitálicos, fenitoína, carbamazepina, aminoglicosídeos, varfarina, teofilina, lítio, imunossupressores, anticoagulantes, citotóxicos, anti-hipertensivos, anticonvulsivantes, antiinfecciosos ou antidiabéticos etc.) Lembre-se daqueles medicamentos que são indutores enzimáticos (ex.: barbituratos, carbamazepina, glutetimida, fenitoína, primidona, rifampicina, tabaco etc.) ou inibidores enzimáticos (ex.: alopurinol, cloranfenicol, cimetidina, ciprofloxacino, dextropropoxifeno, dissulfiram, eritromicina, fluconazol, fluoxetina, idrocilamida, isoniazida, cetoconazol, metronidazol, fenilbutazona e verapamil). Analise a farmacologia básica dos medicamentos considerando problemas óbvios (depressão aditiva do Sistema Neural Central, por exemplo) que não sejam dominados, e tente imaginar o que pode acontecer se medicamentos que afetam os mesmos receptores forem usados concomitantemente. Considere que os idosos estão sob maior risco devido à redução das funções hepática e renal, que interferem na eliminação dos fármacos. Crianças pequenas também são mais susceptíveis a interações, devido à imaturidade dos órgãos e do organismo de forma geral. Tenha em mente que interações que modificam os efeitos de um fármaco também podem envolver medicamentos de venda sem prescrição, fitoterápicos (ex. contendo Hypericum perforatum, conhecida no Brasil como erva-desão-joão), assim como certos tipos de alimentos, agentes químicos não-medicinais e drogas sociais, tais como álcool e tabaco. As alterações fisiológicas em pacientes individuais, causadas por fatores como idade e gênero, também influenciam a predisposição a reações adversas a medicamentos resultantes de interações medicamentosas. OBSERVAÇÃO: NA PASTA, TEM UM MATERIAL EDITÁVEL À PARTE COM UM EXEMPLO DE LISTA DE INDICAÇÕES @sarahbvfaria Imprima, tire uma foto com o seu material para postar no instagram e me marque: