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1 TEOLOGIA MORAL 1 Sumário TEOLOGIA MORAL...................................................................................... 1 NOSSA HISTÓRIA ............................................................................................ 2 INTRODUÇÃO.....................................................................................................4 A TEOLOGIA MORAL, A FÉ, E A RAZÃO..........................................................6 A Teologia Moral Cristã e suas implicações.................................................6 FÉ E RAZÃO........................................................................................................9 FÉ E AMOR.........................................................................................................9 A UNIDADE DA ESSÊNCIA DIVINA.................................................................16 Deus Existe.................................................................................................16 Deus é Imóvel.............................................................................................17 Deus é Eterno.............................................................................................18 Nenhuma Sucessão há em Deus...............................................................18 TEOLOGIA MORAL...........................................................................................20 Moralidade dos Atos...................................................................................21 Moralidade das Paixões.............................................................................21 Dignidade, Liberdade e Consciência Moral...............................................22 Lei Moral....................................................................................................23 Dez Mandamentos.....................................................................................25 Virtudes......................................................................................................26 Pecado.......................................................................................................27 Perdão e Indulgências...............................................................................29 Amor, Sexualidade e Castidade................................................................30 Preservativos e DST’S...............................................................................32 Homosexualidade......................................................................................33 Vida, Planejamento Familiar e Contracepção...........................................34 BIBLIOGRAFIA................................................................................................35 2 NOSSA HISTÓRIA A nossa história inicia com a realização do sonho de um grupo de empresários, em atender à crescente demanda de alunos para cursos de Graduação e Pós-Graduação. Com isso foi criado a nossa instituição, como entidade oferecendo serviços educacionais em nível superior. A instituição tem por objetivo formar diplomados nas diferentes áreas de conhecimento, aptos para a inserção em setores profissionais e para a participação no desenvolvimento da sociedade brasileira, e colaborar na sua formação contínua. Além de promover a divulgação de conhecimentos culturais, científicos e técnicos que constituem patrimônio da humanidade e comunicar o saber através do ensino, de publicação ou outras normas de comunicação. A nossa missão é oferecer qualidade em conhecimento e cultura de forma confiável e eficiente para que o aluno tenha oportunidade de construir uma base profissional e ética. Dessa forma, conquistando o espaço de uma das instituições modelo no país na oferta de cursos, primando sempre pela inovação tecnológica, excelência no atendimento e valor do serviço oferecido. 3 INTRODUÇÃO Hoje não mais vivemos numa situação de cristandade, onde a cultura era pretensamente cristã e a Igreja não se preocupava muito em propor a vida cristã como um sistema de vida. Supunha-se que todos já estavam numa cultura cristã, que formava os valores fundamentais da civilização. Isto levou a Teologia Moral a preocupar-se não tanto em proporcionar uma visão lógica da estrutura do viver cristão, mas a distinguir a gravidade maior ou menor dos pecados, condicionada por uma visão particular do Sacramento da Penitência, a especular sobre as virtudes numa perspectiva muito mais apoiada em Aristóteles do que propriamente numa reflexão sobre o Evangelho e a não compreender suficientemente a vida na graça de Deus como superação da Lei como mediação entre Deus e as pessoas humanas. Mais recentemente, parece-nos que a Teologia Moral entrou numa perspectiva de uma ética humanitária em linha iluminista e continua a beber seus postulados em fontes que não são principalmente o Evangelho de Jesus. O Evangelho, tanto na antiga Teologia Moral da cristandade como na recente Teologia Moral contemporânea entra como uma inspiração de fundo, mas não é diretamente sobre o ensino e o mistério de Jesus Cristo que se reflete. Cremos que o foco principal da Teologia Moral no mundo pluralista e neo pagão de hoje deve ser responder sobre qual a lógica racional do agir cristão, a partir da Revelação cristã, que tem no Novo Testamento seu documento. Foi o que procuramos fazer com este texto, que brotou de muitas reflexões em sala de aula, mas também de muitas pregações em retiros e celebrações. Por isso, o texto é, principalmente na segunda parte, um contínuo comentário de passagens bíblicas, em maioria absoluta do Novo Testamento. A quem nos acusar de sermos fundamentalistas por usarmos tão intensamente o Evangelho, responderemos que todos usam fontes. Se não usam o Evangelho, podem querer usar algum filósofo, mesmo que não o cite nem confesse esse compromisso, ou sigam uma mentalidade difundida no momento. Preferimos aqui nos libertar de toda corrente filosófica e de toda mentalidade passageira de época e buscar a lógica racional da vida cristã que é a mesma em todas as épocas e lugares. Cremos que o mesmo Deus que se revela progressivamente em Israel e definitivamente em Jesus Cristo é o Deus que deu uma estrutura racional à Sua 4 criação, pesquisada pela ciência humana racional, e deu a capacidade racional à pessoa criada à Sua Imagem. Por que então o viver cristão não teria uma estrutura racional também? Foi o que buscamos. Não tememos que a Teologia Moral aproxime-se muito da Teologia Espiritual, e consideramos essa aproximação como um bem real. Esperamos que este texto ajude muitas pessoas a entender a vida cristã e entendendo, vivê-la melhor. A sabedoria que Deus nos permitiu colocar aqui pode ser cotejado com a sabedoria dos santos, meditando, por exemplo, as semelhanças entre o que expomos aqui e as intuições cristãs presentes na Regra de Santo Agostinho, na Regra de São Bento, em outros Padres da Igreja, nos Exercícios Espirituais de Santo Inácio etc. Para nós, Teologia Moral é uma descrição da lógica da vida cristã. A TEOLOGIA, A FÉ E A RAZÃO A Teologia Moral Cristã e suas implicações. 5 A pessoa recebe a Revelação Divina, pela pregação da Igreja, e crê. O mesmo Deus que Se revela pela História salvifica – Israel, Jesus Cristo, Igreja – é o Criador que deu inteligência e razão ao homem, criando-o à Sua Imagem. A razão humana crê e procura as razões daquilo que é revelado. Continuaválida a sintética definição de Santo Anselmo d’Aosta. A fé provoca o intelecto humano a pensar. Nasce daí a Teologia. Note-se bem que não é o raciocínio que conduz à fé, como se comprovasse o que é revelado, mas primeiro se crê, e já tendo convicção daquilo que é pregado pela Igreja, usa-se a razão e compreende-se com maior profundidade e beleza o que já era tido como verdade indubitável. Figura 1: Igreja na Terra Santa Em nossa época de racionalismo cientificista considerar-se-ia mais razoável a inversão da ordem: primeiro examino com a razão; se a minha razão aprova, então eu daria a minha aprovação e creria. Isto, na verdade, seria crer mais na própria razão do que n’Aquele que Se revela. A mente moderna tem essa tendência porque a ciência empírica moderna é uma pesquisa sobre a verdade das coisas da natureza e não um relacionamento pessoal. Até quando estuda a pessoa humana, a ciência moderna a coisifica e, por isso é incapaz de abranger sua característica de pessoa ir repetível e única, e tende a desprezar sua natureza espiritual. A Revelação, porém, é uma comunicação interpessoal, relação Pessoapessoa e não pessoa-coisa. Esta relação só se dá numa experiência de confiança que deve preceder o exame crítico da outra pessoa, sob pena de nunca compreendê-la e nunca amá-la, nunca haver uma verdadeira comunicação pessoal. Como disse Saint-Éxupery, em seu famoso livro “O 6 Pequeno Príncipe”, «só se vê bem com o coração» e «o essencial é invisível aos olhos» (à razão científica coisificante). Quando se trata de pessoa, ente semelhante às hipóstases divinas, não se pode compreender pela razão para depois, como consequência do exame racional, amá-la. A ordem inversa se impõe: ama-se como condição indispensável para compreendê-la e acolhendo-a unir-se a ela. A unidade das Pessoas é atributo divino e não se pode conceber a pessoa senão como destinada à unidade de vida, que é a concreção do amor. É um perigo mortal para a Teologia e para o bem da pessoa humana, o domínio da razão científica entendida como única forma honesta de uso da razão. Figura 2: Na história salvifica A Redenção de Cristo se deu num madeiro , A pessoa é, nesse caso, reduzida a coisa. Por isso muitos teólogos, guiados por uma análise cientificista dos textos bíblicos tendem a reduzi-los e não aceitam mais doutrinas como a do pecado original e outras, como os milagres. Não aceitando, por exemplo, a doutrina do pecado original acaba por não entender o significado da redenção realizada por Jesus Cristo. Daí vão negando todo o conteúdo da Revelação, e substituindo-o por anseios do coração humano, segundo uma sabedoria da pessoa mortal, negando a sabedoria divina revelada em Jesus Cristo. Assim se manipula a própria Pessoa de Jesus Cristo para servir a objetivos humanos imanentes. É o 7 que fazem a Teologia da Libertação, a Teologia da Prosperidade e toda falsa piedade exploratória de bênçãos para afastar sofrimentos, como é comum nas devoções de santos padroeiros “da garganta”, “da cabeça”, “dos endividados”, “dos impossíveis”, a propaganda de milagres das igrejas pentecostais etc. Figura 3: Cartaz em protesto contra a Teologia da Libertação FÉ E RAZÃO É bom entender que não é a fé que é aprovada pela razão, como se a razão fosse a condicionante da fé. Crê-se primeiro, e, uma vez aceita a Revelação, a razão reflete sobre ela e faz perceber melhor sua luz. Assim o conhecimento do real é completado e iluminado pela fé. O conhecimento da realidade é acessível ao homem, em primeiro lugar pelos sentidos. Os sentidos, ou seja, a visão, a audição, o olfato, o paladar e o tato oferecem informações sobre a realidade sensível à inteligência humana que reflete sobre elas, faz 8 abstrações, corrige por essas abstrações muitas informações dos sentidos que eram meras aparências e configura uma imagem da realidade. Mas uma imensa gama de informações que o espírito humano deseja não lhe é fornecida pela sua inteligência estimulada pelos sentidos. Saberes como as razões que levaram a existir o homem, sua alma, seu destino após a morte, à origem do sentimento de bem e mal e da consciência humana escapam ao campo de observação dos sentidos e de abstração do espírito humano. Figura 4: Logo representando o Escudo da Fé Este campo de conhecimento é explorado por especulações filosóficas, a partir da experiência humana, mas estas propostas filosóficas não fornecem o grau de certeza necessário para empenhar a vida daqueles que as acolhem. A Revelação judaico-cristã é a comunicação necessária e certa de Deus acerca dessas realidades fundamentais ao sentido da vida humana racional. O acolhimento desses dados revelados como certezas capazes de empenhar a vida inteira da pessoa humana e das comunidades se dá pela fé. Assim como a razão humana elabora os dados fornecidos a partir dos sentidos e sistematiza o conhecimento do mundo sensível, elabora também os dados fornecidos pela Revelação Divina e constitui assim a sã teologia. Assim a 9 ciência, elaboração racional dos dados sobre a realidade acessível aos sentidos, e a teologia, elaboração dos dados fornecidos pela Revelação, devem completar-se e harmonizar-se, pois provêm de uma só fonte que é Deus. A verdadeira fé não se opõe à razão humana, não é irracional, mas recebe dados que não seriam acessíveis sós pelos instrumentos da razão movida pelos sentidos humanos. Por isso se diz que a fé está acima e não contra a razão. É importante frisar que a teologia se dá porque a razão se aplica também aos dados recebidos da Revelação pela fé. A razão, respeitando os dados originários da Revelação e não os submetendo às limitações da experiência sensível, descobre na Revelação elementos que ajudam a compreender melhor também a natureza sensível. Por exemplo, a Revelação de Deus Una e Trina nos ajuda a compreender melhor a antropologia, a natureza social e comunitária do ser humano. A determinação dos limites entre o que é dado revelado e o que pertence à experiência sensível nem sempre foi clara e pacífica. Exemplo disso é a antiga interpretação bíblica que, desconhecendo os estilos literários das Escrituras e a antropologia cultural, tendia a ver na Bíblia a garantia de certeza Figura 5 : Representando a razão do homem 10 de dados acessíveis aos sentidos e depois desmentidos pelas ciências naturais como o sistema astronômico geocêntrico. Com a crítica literária e histórica das Escrituras o discernimento do que realmente pertence à Revelação é bem mais nítido, se bem que está sempre presente a tentação de querer submeter tudo à experiência sensível e negar muitos dados revelados. Nos ajuda a perceber que também para acolher os dados científicos precisamos de um assentimento da vontade, de uma “fé” de que os dados evidenciados pelos sentidos correspondem à realidade. Nicolau Copérnico mostrou que a terra girava ao redor do sol. Mais de cem anos depois, isso ainda era discutido, porque os espíritos ainda não haviam assimilado as provas de Copérnico, não tinham tido fé no na revelação científica. A atual crença cega na “ciência” e desconfiança dos dados que não se apresentem como “científicos” é um contra-senso. Escreve Chesterton: «A ameaça é que o intelecto humano tem a liberdade de destruir-se a si mesmo”. É sempre inútil falar da alternativa entre a razãoe a fé. A ra-zão já é por si uma questão de fé. É um ato de fé afirmar que os nossos pensamentos têm qualquer relação com a realidade. Quem for meramente cético acabará, mais cedo ou mais tarde, perguntando a si mesmo: “Por que é que alguma coisa está certa, quer seja uma simples observação ou uma dedução? Por que é que a boa lógica não é tão falaz como a má lógica, se ambas são meros movimentos do Figura 6 : Chesterton 11 cérebro de um macaco desnorteado?” O novo cético diz: “Eu tenho o direito de pensar para mim”. Mas o velho cético, o cético completo, dirá: “Eu não tenho o direito de pensar para mim. Não tenho direito absolutamente algum de pensar». Todo o pensar é um ato de fé. O nominalismo desconfiou do conceito universal que associa coisas de uma mesma espécie, mostrando que a mente precisa de elementos que vem dela mesma para pensar a realidade. E estes elementos são aceitos numa espécie de fé no bom senso do pensamento. H. G. Wells, no século XX, fiel aos princípios do nominalismo e do ceticismo do século XV, insiste em afirmar que cada coisa separada é “única” e que não existem categorias. Isso também é meramente destrutivo. Pensar significa ligar as coisas e o pensamento para se não puder estabelecer tais conexões. É desnecessário dizer que essa espécie de ceticismo, proibindo o pensamento, proíbe, forçosamente, a fala, e ninguém poderá abrir a boca sem contradizê-lo. Assim, quando Wells diz que “todas as cadeiras são completamente diferentes”, faz não só uma afirmação falsa, mas também contraditória. Se todas as cadeiras fossem diferentes, nunca poderíamos chamar-lhes “todas as cadeiras”. A razão acompanha a religião porque ambas são da mesma natureza primária e autoritária. Ambas são métodos de prova não prováveis em si mesmos. “E ao destruirmos a ideia da Autoridade Divina, destruímos, em grande Figura 7 : H. G. Wells 12 parte, a ideia daquela autoridade humana por intermédio do qual fazemos uma conta de dividir» . FÉ E AMOR A Teologia busca a compreensão mais profunda da Revelação. A Revelação é uma comunicação das Pessoas Divinas às pessoas humanas criadas à imagem delas. É uma comunicação interpessoal. Seguramente é uma Revelação que dá uma compreensão maior da pessoa humana e do mundo em que ela vive, mas é sobre tudo uma Revelação para o conhecimento do próprio Deus, que tudo criou do nada e na Criação Se expressou. A fé nessa Revelação, obra do Espírito Unificador, é que fará brotar o amor unificante na pessoa humana, conduzindo-a para seu destino salifico que é a participação na vida de Deus, pela comunhão na Pessoa do Filho, ou no Corpo do Filho. Conhecer, possuir e entrar em comunhão de amor é quase sinônimo, na linguagem bíblica. A Revelação que Deus faz de Si tem como meta que a pessoa humana O conheça. Da parte de Deus não é uma comunicação de verdades abstratas, mas uma autodoação. Da parte do homem também não é uma aquisição de ideias teóricas, mas um acolhimento da autodoação das pessoas divinas (o Pai Se dá pelo Filho, para, acolhido pela pessoa humana, estabelecer a unidade de vida com ela pelo Espírito Santo). 13 O relacionamento que Deus estabelece com as pessoas humanas não é nunca uma transmissão de conhecimentos, mas de vida. A pessoa humana tem a tendência a valorizar o conhecimento porque este lhe parece dar poder, que ela quer no seu estado de pecado. Quereria ter poder para dominar a natureza (este é o motivo da corrida tecnológica dos últimos séculos, a busca de mais poder ou riquezas, o que é o mesmo), para dominar politicamente outras pessoas e povos e colocar a seu serviço o próprio Deus. Seria importante ler, nesta perspectiva Lc 4,1-13. A ação divina não é nunca, como a ação pecaminosa, uma busca de mais poder ou de conhecimentos de informação. É sempre um relacionamento pessoal de amor, de autodoação em busca da comunhão pessoal de vida. Estudar Teologia para exibir conhecimentos, citar teólogos, alcançar prestígio intelectual, é um contrassenso. É a vaidade intelectual que leva, em muitas faculdades católicas de Teologia, à desobediência ao Magistério, à heresia e à perda da fé e da espiritualidade católicas. Figura 8 : Deus se entrega na cruz para salvar a humanidade. 14 A UNIDADE DA ESSÊNCIA DIVINA Deus Existe Com relação à unidade da essência divina, deve-se, em primeiro lugar, crer que Deus existe, verdade esta evidente à razão humana. Vemos, com efeito, que todas as coisas que se movem são movidas por outras: as inferiores pelas superiores, como os elementos o são pelos corpos celestes; vemos que as coisas inferiores agem impulsionadas pelas superiores. É impossível que nesta comunicação de movimentos, o processo prolongue-se até o infinito, porque toda coisa que é movida por outra é como um instrumento do primeiro motor da série. 15 Ora, se não houver um primeiro motor, todas as coisas movidas nada mais são que instrumentos. Por conseguinte, se houver um processo que leve ao infinito a série das coisas que movem sucessivamente umas às outras, nele não pode existir um primeiro motor. É ridículo, porém, até para os menos instruídos, imaginar instrumentos que não sejam movidos por um agente principal. Seria como pensar em construir arcas ou leitos só com serras e machados, mas sem o carpinteiro que os fizesse. Por isso, é necessário que exista um primeiro motor, supremo na sucessão dos movimentos das coisas que se movem umas às outras. A este primeiro motor, chamamos Deus. Deus é Imóvel Do acima exposto, depreende-se ser necessário que Deus, que move todas as coisas, seja imóvel. Com efeito, sendo o primeiro motor, se fosse movido, sê-lo-ia necessariamente por si mesmo, ou por outro movente. Ser movido por outro movente não é possível, porque, se o fosse, existiria algum motor anterior a ele. Ora, isso contradiz a própria noção de primeiro motor. Figura 9 : Representa a imagem de Deus, o Senhor 16 Se fosse movido por si mesmo, poderia, por sua vez, ser movido de duas maneiras: ou, conforme o mesmo aspecto, sendo movente e movido; ou, então, conforme um aspecto sendo movente, e, conforme outro, movido. Não é possível dar-se a primeira parte da alternativa. Sabemos que tudo o que é movido, enquanto movido, está em potência, pois o que move está em ato. Ora, se segundo a mesma consideração fosse movente e movido, estaria também conforme a mesma consideração em potência e em ato, o que é impossível. Não se salva também a outra parte da alternativa. Se estivesse, segundo um aspecto como movente, e, segundo outro, como movido, não seria o primeiro motor por si mesmo primeiro movente, mas pela sua parte que o move. O que é por si, porém, é anterior ao que não é por si. Não poderia, portanto, ser primeiro motor, se fosse movido pela parte. Consequentemente, o primeiro motor deve ser absolutamente e em tudo imóvel. A essa mesma conclusão pode-se chegar considerando-se as coisas que são movidas, e que, ao mesmo tempo, movem outras. Ora, todo movimento apresenta-se como procedente de algo imóvel, que não é movido pela mesma espécie de movimento com que move. Assim é que as alterações, as gerações e as corrupções, movimentos que se dão nos corpos inferiores, referem-se a um corpo celeste comoa um primeiro motor que é movido por outra espécie de movimento que a que o move, pois os corpos celestes não surgem por geração: são incorruptíveis e inalteráveis. Aquilo, portanto, que é o princípio de todo o movimento, convém que seja absolutamente imóvel. Deus é Eterno Do precedente resulta também que Deus é eterno, pois tudo o que começa a existir ou deixa de existir, por movimento ou mutação, é móvel por natureza. Ora, foi provado que Deus é absolutamente imóvel. Logo, Deus é eterno. 17 Nenhuma sucessão há em Deus Evidencia-se, além disso, que em Deus não há sucessão, mas, que todo o seu ser existe simultaneamente. Não se encontra sucessão de tempo a não ser nos seres sob certos aspectos sujeitos a movimento, porque a sucessão de tempo tem a sua explicação na anterioridade e na posterioridade que há no movimento. Ficou já provado que Deus de modo algum está sujeito a movimento. Logo, não há sucessão alguma em Deus, mas todo o seu ser existe simultaneamente. Ademais, se um ser não existe todo simultaneamente, nele algo poderia desaparecer, e algo, aparecer, pois desaparece nos seres aquilo que passa, e aparece aquilo que é esperado no futuro. Ora, em Deus nada pode desaparecer, nem nada lhe pode ser acrescentado, porque Ele é imóvel. Logo, o seu ser existe todo simultâneo. Esses dois argumentos provam justamente que Deus é eterno por propriedade da sua natureza. É eterno por propriedade da natureza aquilo que sempre existe e cuja existência está toda simultaneamente realizada. Boécio definiu a eternidade como sendo "total possessão, simultânea e perfeita, de uma vida interminável". 18 TEOLOGIA MORAL De acordo com a Igreja Católica, a teologia moral é a parte da Teologia católica "que se ocupa do estudo sistemático dos princípios éticos da doutrina sobrenatural revelada", aplicando-os de seguida à vida quotidiana do católico e da Igreja. Esta teologia está, em parte, englobada pela teologia sistemática. Mas, apesar disso, muitas vezes ela também está associada à teologia prática. O Evangelho e as verdades e doutrinas reveladas, estudadas pela teologia dogmática, estão essencialmente ligadas a uma ética e conduta moral. "A doutrina revelada, a rigor, é uma ética, pois apresenta, no seu conjunto, as normas exigidas para o relacionamento dos homens entre si e para com Deus“. Esta ética e moral, que "preparam-nos para sermos o tipo de pessoa que pode viver com Deus" na vida eterna, giram por isso à volta do "desafio da dádiva de si mesmo aos outros" e a Deus. Por isso, estas normas devem ser praticadas no quotidiano "como expressão da plena aceitação da mensagem evangélica" e da vontade de Deus pela humanidade. A prática desta moral católica, cuja parte fundamental e obrigatória é os Dez Mandamentos, serve para libertar o Homem da "escravidão do pecado", que é um autêntico "abuso da liberdade". Isto porque "só nos tornamos livres se conseguirmos ser melhores" e ser "atraídos para o bem e o belo", visto que a bondade e as bem-aventuranças "definem o contexto para a vida moral cristã". Segundo a doutrina da Igreja Católica, "a questão moral é o cerne da problemática soteriológica, pois a salvação depende da nossa conduta, após a justificação recebida com a graça do batismo". O objetivo da teologia moral "é levar as virtudes cristãs à excelência", até o fim das vidas de cada católico. 19 Moralidade dos Atos Segundo a doutrina da Igreja Católica, "a moralidade dos atos humanos depende de três fontes: do objeto escolhido, ou seja, dum bem verdadeiro ou aparente; da intenção do sujeito que age, isto é, do fim que ele tem em vista ao fazer a ação; das circunstâncias da ação, onde se incluem as suas consequências". Estas circunstâncias podem anular, "atenuar ou aumentar a responsabilidade de quem age, mas não podem modificar a qualidade moral dos próprios atos, não tornam nunca boa uma ação que, em si, é má", visto que "o fim não justifica os meios". Por isso, a transgressão de uma regra moral implica a escolha do mal e por isso o cometimento de pecados. Moralidade das Paixões Segundo a concepção católica, as paixões são "os afetos, as emoções ou os movimentos da sensibilidade – componentes naturais da psicologia humana – que inclinam a agir ou a não agir em vista do que se percebeu como bom ou como mal. As principais são o amor e o ódio, o desejo e o medo, a alegria, a tristeza e a cólera. A paixão fundamental é o amor, provocado pela atração do bem.". Ainda segundo a doutrina católica, "as paixões não são nem boas nem más em si mesmas: são boas quando contribuem para uma ação boa; são más, no caso contrário." Logo, elas podem ser assumidas, guiadas e ordenadas pelas virtudes ou pervertidas e desorientadas pelos vícios. 20 Dignidade, Liberdade e Consciência Moral. Ver artigo principal: Dignidade e Direitos humanos, Liberdade, Livrearbítrio e Consciência (moral). Como já foi tratado nas secções "Homem, a sua Queda e o Pecado original", "Demónios e Mal" e “Justificação”, Graça, Misericórdia, Mérito e Liberdade, o Homem possui dignidade, que está radicada na sua "criação à imagem e semelhança de Deus", o que implica necessariamente que o Homem possui liberdade e consciência moral. A liberdade é uma capacidade inseparável e inalienável do Homem, dado por Deus, "de agir e não agir", "de escolher entre o bem e o mal", "praticando assim por si mesmo ações deliberadas". Este poder único, que "atinge a perfeição quando é ordenada para Deus" [11], "torna o homem responsável pelos seus atos, na medida em que são voluntários, embora a imputabilidade e a responsabilidade de um ato possam ser diminuídas, e até anuladas, pela ignorância, a inadvertência, a violência suportada, o medo, as afeições desordenadas e os hábitos" . A "escolha do mal é um abuso da liberdade, que conduz à escravatura do pecado", porque o Homem tem uma consciência moral. Quando escuta esta consciência, "o homem prudente pode ouvir a voz de Deus" , que o ordena a praticar o bem e a evitar o mal, em conformidade e guiada pela razão, pela doutrina e pela Lei de Deus, especialmente pela regra de ouro e pelos mandamentos de amor. "Graças a ela, a pessoa humana percebe a qualidade moral dum acto a realizar ou já realizado, permitindo-lhe assumir a responsabilidade.". O Homem, como possui dignidade, não deve ser impedido ou obrigado "a agir contra a sua consciência" , devendo por isso https://pt.wikipedia.org/wiki/Teologia_moral_cat%C3%B3lica#cite_note-Lib1-11 https://pt.wikipedia.org/wiki/Teologia_moral_cat%C3%B3lica#cite_note-Lib1-11 https://pt.wikipedia.org/wiki/Teologia_moral_cat%C3%B3lica#cite_note-Lib1-11 https://pt.wikipedia.org/wiki/Teologia_moral_cat%C3%B3lica#cite_note-Lib1-11 21 "obedecer sempre ao juízo certo da sua consciência, mas esta também pode emitir juízos erróneos". Para que isto não aconteça, é preciso retificá-la e torná-la perfeita, para ela estar em sintonia com a vontade divina, através da educação, "da assimilação da Palavra de Deus e do ensino da Igreja". "Além disso, ajudam muito na formação moral a oração e o exame de consciência", bem como os dons do Espírito Santo e "os conselhos de pessoas sábias". Lei Moral Jesus deu aos homens a Nova Lei, que é a forma perfeita da Lei de Deus. Esta Nova Lei resume-se nos famosos mandamentos de amor. A Lei moral ou Lei de Deus, sendo uma obra divina, "prescreve-noscaminhos e normas de conduta que levam à bem-aventurança prometida, proibindo-nos os caminhos que nos desviam de Deus". A Lei moral é percebida pelo Homem devido à sua consciência moral e à sua razão. Esta lei é constituída pela Lei natural, que está "escrita pelo Criador no coração de cada ser humano"; pela Antiga Lei, revelada no Antigo Testamento; e pela Nova Lei, revelada no Novo Testamento por Jesus. A Lei natural, sendo "universal e imutável", "manifesta o sentido moral originário que permite ao homem discernir, pela razão, o bem e o mal". Como todos os homens (fiéis ou infiéis) a percebam, ela é de cumprimento obrigatório, mas ela nem sempre é totalmente compreendida, devido ao pecado. Por isso, Santo Agostinho afirma que "Deus «escreveu nas tábuas da Lei o que os homens não conseguiam ler nos seus corações»", dando assim origem à Antiga Lei, que "é o primeiro estádio da Lei revelada". Resumida nos Dez Mandamentos, ela "exprime muitas verdades que são naturalmente acessíveis à razão", coloca "os alicerces da vocação do homem, proíbe o que é contrário ao amor de Deus e do próximo e prescreve o que lhe é essencial" . 22 A Antiga Lei, sendo ainda imperfeita, "prepara e dispõe à conversão e ao acolhimento do Evangelho" e da Nova Lei, que é a "perfeição e cumprimento", mas não a substituição, da Lei natural e da Antiga Lei. Esta Nova Lei ou Lei evangélica "encontra-se em toda a vida e pregação de Cristo e na catequese moral dos Apóstolos", sendo o Sermão da Montanha "a sua principal expressão". Esta Lei já perfeita e plenamente revelada "resume-se no mandamento do amor a Deus e ao próximo", e é considerada por São Tomás de Aquino como «a própria graça do Espírito Santo, dada aos crentes em Cristo». Figura 10 : Jesus explicando a Lei 23 Dez Mandamentos Moisés, grande profeta do Antigo Testamento, traz os Dez Mandamentos ao Povo de Deus. Como os Dez Mandamentos (ou Decálogo) é a síntese da Lei de Deus (e não só da Antiga Lei) e a base mínima e fundamental da moral católica, a Igreja insiste aos seus fiéis o cumprimento obrigatório destas regras, que já tinham sido reveladas no Antigo Testamento. Aliás, segundo as próprias palavras de Jesus, é necessário observá-los para "entrar na vida eterna" (Mt 19,1621), além de ser necessário para o "o povo mostrar a sua pertença a Deus e responder com gratidão à sua iniciativa de amor". Estes mandamentos, que "enuncia deveres fundamentais do homem para com Deus e para com o próximo", dão a conhecer também a vontade divina e, ao todo, são dez: • 1º - Amar a Deus sobre todas as coisas. • 2º - Não invocar o Santo Nome de Deus em vão. • 3º - Guardar domingos e festas de guarda. • 4º - Honrar pai e mãe (e os outros legítimos superiores). • 5º - Não matar (nem causar outro dano, no corpo ou na alma, a si mesmo ou ao próximo). • 6º - Guardar castidade nas palavras e nas obras. • 7º - Não furtar (nem injustamente reter ou danificar os bens do próximo). • 8º - Não levantar falsos testemunhos. • 9º - Guardar castidade nos pensamentos e nos desejos. • 10º- Não cobiçar as coisas alheias. Segundo a doutrina católica sobre os Dez Mandamentos, esses mandamentos podem ser resumidos em apenas dois, que são: "amar a Deus sobre todas as coisas"; e "amar ao próximo como a nós mesmos". A transgressão de um mandamento infringe todo o Decálogo, porque é um "conjunto o orgânico e indissociável". Virtude 24 A virtude, que se opõe ao pecado, é uma qualidade moral, "uma disposição habitual e firme para fazer o bem", sendo "o fim de uma vida virtuosa tornar-se semelhante a Deus". Segundo a Igreja Católica, existe uma grande variedade de virtudes que derivam da razão e da fé humanas. Estas, que se chamam virtudes humanas, regulam os atos, as paixões e a conduta moral humanas, sendo as mais importantes as virtudes cardinais, que são quatro: • A Prudência, que "dispõe a razão para discernir em todas as circunstâncias o verdadeiro bem e a escolher os justos meios para atingi-lo". • A Justiça, que é uma "constante e firme vontade de dar aos outros o que lhes é devido". • A Fortaleza que "assegura a firmeza nas dificuldades e a constância na procura do bem" . • A Temperança que "modera a atração dos prazeres, assegura o domínio da vontade sobre os instintos e proporciona o equilíbrio no uso dos bens criados". Mas, para que as virtudes humanas se atinjam a sua plenitude, elas têm que ser vivificadas e animadas pelas virtudes teologais, que têm "como origem, motivo e objeto imediato o próprio Deus". Elas são infundidas no homem com a graça santificante e tornam os homens capazes de viver em relação com a Santíssima Trindade. As virtudes teologais são três: • Fé: por causa dela, o homem acredita e "entrega-se a Deus livremente. Por isso, o crente procura conhecer e fazer a vontade de Deus". • Esperança: por meio dela, os crentes esperam a vida eterna e o Reino de Deus, colocando a sua confiança perseverante nas promessas de Cristo. • Caridade (ou Amor): através dela, "amamos a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos por amor de Deus. Jesus faz dela o mandamento novo, a plenitude da Lei", sendo por isso «o vínculo da perfeição» (Col 3,14). O Amor é também visto como uma "dádiva de si mesmo" e "o oposto de usar" (ver subsecção Amor, Sexualidade e Castidade). https://pt.wikipedia.org/wiki/Amor#Crist.C3.A3 https://pt.wikipedia.org/wiki/Amor#Crist.C3.A3 https://pt.wikipedia.org/wiki/Amor#Crist.C3.A3 25 Pecado Segundo santo Agostinho de Hipona, o pecado "é «uma palavra, um acto ou um desejo contrários à Lei eterna»", causando por isso ofensa a Deus e ao seu amor. Logo, este ato do mal fere a natureza e a solidariedade humanas. "Cristo, na sua morte na cruz, revela plenamente a gravidade do pecado e vence- o com a sua misericórdia". Há uma grande variedade de pecados, distinguindo- lhes "segundo o seu objeto, ou segundo as virtudes ou os mandamentos a que se opõem. Podem ser diretamente contra Deus, contra o próximo e contra nós mesmos. Podemos ainda distinguir entre pecados por pensamentos, por palavras, por ações e por omissões". A repetição de pecados gera vícios, que "'são hábitos perversos que obscurecem a consciência e inclinam ao mal. Os vícios podem estar ligados aos chamados sete pecados capitais, que são: soberba, avareza, inveja, ira, luxúria, gula e preguiça ou negligência" . A Igreja ensina também que temos responsabilidade "nos pecados cometidos por outros, quando culpavelmente neles cooperarmos". Quanto à sua gravidade, os pecados cometidos pela humanidade podem ser divididos em: • Pecados mortais, que são cometidos quando "há matéria grave [...] e deliberado consentimento". Ao afastarem o Homem da caridade e da graça santificante, eles "conduz-nos à morte eterna do Inferno, se deles não nos arrependermos" sinceramente; • Pecados veniais, que são cometidos "sem pleno consentimento" ou "se trata de matéria leve". Eles, apesar de afetar o nosso caminho de santificação, merece apenas "penas purificatórias temporais", nomeadamente no Purgatório . 26 Todos estes pecados pessoais devem-se ao enfraquecimento da natureza humana, que passou a ficar "submetida à ignorância, ao sofrimento, ao poder da morte, e inclinada ao pecado". Isto é causada pelo pecado original (veja a subsecção Homem, a sua Queda e o Pecado original), que é transmitido a todos os homens, sem culpa própria, devido à sua unidade de origem, que é Adão e Eva. Eles desobedeceram à Palavra de Deus no início do mundo, originandoeste pecado, que, felizmente, pode ser atualmente perdoado (mas não eliminado) pelo Baptismo. Figura 11 : Representação Dos sete pecados capitais Perdão e Indulgências Porém, como o amor de Deus é infinito e como Jesus já se sacrificou na cruz, todos os homens, católicos ou não, podem ser perdoados por Deus a qualquer momento, desde que eles se arrependam de um modo livre e sincero 27 e se comprometam em fazer os possíveis para perdoar os seus inimigos. Este perdão tão necessário pode ser concedido por Deus sacramentalmente e por meio da Igreja, pela primeira vez, através do Baptismo e depois, ordinariamente, através da Reconciliação. Mas, Deus também pode conceder este perdão através de muitas maneiras diferentes (ou até mesmo diretamente), para todos aqueles que se arrependeram (incluindo o não católico). Mas, o perdão divino não significa a eliminação das penas temporais, ou seja, do mal causado como consequência dos pecados cuja culpa já está perdoada. Neste caso, para eliminá-las, é necessário obter indulgências e praticar boas obras durante a vida terrena ou ainda, depois de morrer, uma purificação da alma no Purgatório, com a finalidade de entrar puro e santo no Céu. Figura 12: Confessionário Amor, Sexualidade e Castidade. São José, o pai adoptivo de Jesus, é considerado como um grande modelo de castidade. Em relação à sexualidade, a Igreja Católica convida todos 28 os seus fiéis a viverem na castidade, que é uma "virtude moral e um dom de Deus" que permite a "integração positiva da sexualidade na pessoa". Esta integração tem por objetivo tornar possível "a unidade interior do homem no seu ser corporal e espiritual", supondo por isso de "uma aprendizagem do domínio de si, que é uma pedagogia da liberdade humana. A alternativa é clara: ou o homem comanda as suas paixões e alcança a paz, ou se deixa dominar por elas e torna-se infeliz". "A virtude da castidade gira na órbita da virtude cardinal da temperança". Logo, "todo o batizado é chamado à castidade" porque a sexualidade só se "torna pessoal e verdadeiramente humana quando integrada na relação de pessoa a pessoa, no dom mútuo total e temporalmente ilimitado, do homem e da mulher", ambos unidos pelo sacramento do Sagrado Matrimónio (que é indissolúvel). Por isso, os atos sexuais só podem "ter lugar exclusivamente no Matrimónio; fora dele constituem sempre um pecado grave". Por estas razões, o sexo pré-marital, "o adultério, a masturbação, a fornicação, a pornografia, a prostituição, o estupro" e os atos sexuais entre homossexuais são condenados pela Igreja como sendo "expressões do vício da luxúria". Figura 13: Quadro representando São José, pai adotivo de Jesus. Para a Igreja, o Amor é uma virtude teologal, uma "dádiva de si mesmo" e "é o oposto de usar" e de afirmar-se a si mesmo. Aplicado nas relações conjugais humanas, o Amor verdadeiramente vivido e plenamente realizado é uma "comunhão de entrega e receptividade", de "dádiva mútua do eu e [...] de https://pt.wikipedia.org/wiki/Amor#Crist.C3.A3 https://pt.wikipedia.org/wiki/Amor#Crist.C3.A3 https://pt.wikipedia.org/wiki/Amor#Crist.C3.A3 29 afirmação mútua da dignidade de cada parceiro". Esta comunhão "do homem e da mulher" é "um ícone da vida do próprio Deus" e "leva não apenas à satisfação, mas à santidade". Este tipo de relação conjugal proposto pela Igreja "exige permanência e compromisso", que só pode ser autenticamente vivido "no seio dos laços do Matrimónio”. Santa Maria Goretti (1890-1902), uma virgem que, tal como os inúmeros santos, viveu rigorosamente e à sua maneira a castidade cristã. Por esta razão, a sexualidade não exerce só a função de procriar, mas também um papel importante na vida íntima conjugal. Usando as palavras do Catecismo da Igreja Católica, a sexualidade, que "é fonte de alegria e de prazer", "ordena- se para o amor conjugal do homem e da mulher" e para "a transmissão da vida". A sexualidade (e o sexo) é também considerada como a grande expressão "humana e totalmente humanizada" do Amor recíproco, que é assente na "dádiva de si mesmo", "no encontro de duas liberdades em entrega e receptividade mútuas", onde o homem e a mulher se unem e se complementam. Este verdadeiro e íntegro amor conjugal, onde a relação sexual é vivida honesta e dignamente, só é possível graças à castidade conjugal. Esta virtude permite uma vivência conjugal perfeita assente "na fidelidade e na fecundidade" matrimonial. Para além da castidade conjugal (que não implica a abstinência sexual dos casados), existem ainda diversos regimes de castidade: a virgindade ou o celibato consagrado (para, como por exemplo, os religiosos, as pessoas consagradas e os clérigos), e "a castidade na continência" ou abstinência (para os nãos casados). Preservativos e DST’s Segundo a doutrina católica, o uso atual e indiscriminado de preservativos incentiva um estilo de vida sexual imoral, promíscuo, irresponsável e banalizado, onde o corpo é usado como um fim em si mesmo e o parceiro (a) é reduzido (a) a um simples objeto de prazer. Esse tipo de vida sexual é fortemente condenado pela Igreja Católica. Em relação ao uso do preservativo 30 como um método contraceptivo, a Igreja Católica condena também expressamente o seu uso. O Papa Bento XVI reafirmou, durante a sua visita aos Camarões e à Angola (17 de Março a 23 de Março de 2009), que somente a distribuição de preservativos não ajuda a controlar o problema da SIDA, mas, pelo contrário, contribuiria para "piorar a situação". Tais declarações desencadearam uma tempestade de críticas e condenações por parte de governos e das ONGs. O diretor executivo do Fundo Mundial de Luta contra a SIDA, a tuberculose e o paludismo, Michael Kazatchine, pediu a Bento XVI que retirasse as suas declarações "inaceitáveis". Contudo, em 2010, o Papa Bento XVI afirmou, de forma coloquial e não oficial, que o uso do preservativo pode ser justificável em alguns casos pontuais para diminuir o risco de contágio às doenças sexualmente transmissíveis (DSTs), "como, por exemplo, a utilização do preservativo por um (a) prostituto (a)". Porém, o Papa defendeu que o preservativo só deve ser entendido como uma alternativa quando a abstinência e a fidelidade conjugal não resultarem. Para o Papa, "a mera fixação no preservativo significa uma banalização da sexualidade", por isso ele reafirma que o uso de preservativos não é "a forma apropriada para controlar o mal causado pela infecção por HIV" e não é "uma solução verdadeira e moral". Segundo a doutrina católica, a fidelidade no casamento, o amor recíproco, a castidade e a abstinência são os melhores meios de combater as DSTs. Homossexualidade Os atos sexuais entre pessoas com tendências homossexuais são considerados moralmente errados porque "violam a iconografia de diferenciação e complementariedade sexuais [a união homem-mulher], que tornam o amor sexual possível como ato de entrega e reciprocidade mútuas, e porque são de natureza, incapazes de gerar vida". Entretanto, para a Igreja, ter tendências homossexuais não é considerado um pecado, mas apenas uma "provação" proveniente de uma tendência desordenada. O pecado está em ceder a essas tendências e adaptá-las na prática. Na mesma linha de pensamento, a Igreja 31 repudia qualquer reconhecimento legal das uniões entre pessoas do mesmo sexo. Mas a Igreja Católica não discrimina injustamente os homossexuais.Na verdade, aconselha seus fiéis respeitarem sempre as pessoas, e pretende ajudá- los antes de tudo a viver na castidade e "na integridade do amor na entrega de si mesmos e para evitarem atos sexuais que são, pela natureza, moralmente desordenados, porque são atos de afirmação de si mesmo e não dádiva de si mesmo". A Igreja ainda convida os homossexuais a "aproximarem-se, gradual e resolutamente, da perfeição cristã", através do oferecimento das suas dificuldades e sofrimentos como um sacrifício para Deus, das "virtudes do autodomínio [...], do apoio duma amizade desinteressada, da oração e da graça sacramental". Vida, Planejamento Familiar e Contracepção. A Igreja Católica considera a Vida humana como "sagrada" e como uma das maiores dádivas e criações divinas (logo, é um valor absoluto e inalienável) por isso condena, entre outras práticas, a violência, o homicídio, o suicídio, o aborto induzido, a eutanásia, a clonagem humana (seja ela reprodutiva ou terapêutica) e as pesquisas ou práticas científicas que usam célulastronco extraídas do "embrião humano vivo" (o que provocam a morte do embrião). Para a Igreja, a Vida humana deve ser gerada naturalmente pelo sexo conjugal e tem início na fecundação (ou "concepção") e o seu fim na morte natural. Segundo esta lógica, a reprodução medicamente assistida é também considerada imoral 32 porque "dissocia a procriação" do ato sexual conjugal, "instaurando assim um domínio da técnica sobre a origem e o destino da pessoa humana". Quanto à regulação dos nascimentos, a Igreja defende-a como uma expressão e "componente da paternidade e maternidade responsáveis" à construção prudente de famílias, desde que não seja realizada com base no egoísmo ou em "imposições externas". Mas, esta regulação só pode ser feita através do planeamento familiar natural, que utiliza métodos naturais como a continência periódica e o recurso aos períodos infecundos. A pílula, a esterilização direta, o preservativo e outros métodos de contracepção são expressamente condenados. A Igreja ensina inclusivamente que os métodos naturais são formas mais humanistas e responsáveis de viver a responsabilidade procriadora porque, quando usados corretamente, aumentam e fortalecem a comunicação e o amor entre os cônjuges; promovem o autoconhecimento do corpo; nunca tem efeitos colaterais no organismo; e promovem a ideia de que a fertilidade é uma riqueza e dádiva divina que pode e deve ser utilizada em momento oportuno. 33 BIBLIOGRAFIA Disponível em: https://www.presbiteros.org.br/manual-de-teologia- moralfundamental/ COMPÊNDIO DE TEOLOGIA MORAL - Santo Tomás de Aquino - Tradução e Notas de D. Odilão Moura, OSB. Livro de 1977 Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Teologia_moral_cat%C3%B3lica Doutrina Católica - Teologias Arquivado em 25 de agosto de 2006, no Wayback Machine. e Doutrina Católica - Teologia Moral Arquivado em 27 de outubro de 2009, no Wayback Machine. «Teologia Moral, na "Doutrina Católica"». Consultado em 11 de fevereiro de 2009. 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