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Epidemiologia AULA 02 (1)

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EPIDEMIOLOGIA 
AULA 1 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Profª Ivana Maria Saes Busato 
 
 
 
2 
CONVERSA INICIAL 
O grande desafio do profissionais que atuam na saúde é desenvolver o 
pensamento crítico epidemiológico. A epidemiologia constitui a principal ciência 
da informação em saúde, sendo essencial o conhecimento de suas raízes 
históricas para consolidar o saber científico sobre a saúde única, em especial 
nos determinantes e condicionantes da saúde humana. 
TEMA 1 – EPIDEMIOLOGIA NA HISTÓRIA DA HUMANIDADE 
As raízes históricas da epidemiologia nos levam para Grécia antiga, 
quando Hipócrates (460-370 a.C.), pai da epidemiologia, em seus textos 
relacionava o meio ambiente com epidemia. Ele afirmava também que a 
ocorrência do desequilíbrio entre os elementos da natureza terra, fogo, ar e água 
era capaz de provocar doenças. Aí foi inaugurado o raciocínio epidemiológico na 
busca das causas do processo saúde-doença. 
Neste período, os povos antigos acreditavam que todos os fenômenos da 
natureza eram obras de divindades, assim o conceito de saúde, explicado pelo 
modelo mágico religioso, relacionava a doença com pecado, malfeito e punição 
por divindades religiosas. 
Na religiosidade dos gregos, as doenças estavam relacionadas com o 
deus Apolo, porém acreditavam que a cura era provida pelo filho de Apolo, o seu 
filho Asclépios. Na mitologia grega, Asclépios é o deus da saúde, possuindo duas 
filhas, Higéia (Panaceia) e Higina, a primeira é deusa da saúde coletiva e a 
segunda é deusa da saúde individual. 
Hipócrates foi seguidor de Asclépios, com maior influência de promover a 
saúde com ações preventivas (Higeia), confirmadas em seus textos hipocráticos 
sobre as epidemias relacionando com os ambientes. 
No período do império romano, ele trouxe várias contribuições para a 
epidemiologia coletiva com sua infraestrutura sanitária na construção de 
aquedutos, esgotos e demografia. Podemos destacar a contribuição para a 
história da epidemiologia com Claudius Galeno (130-200 a.C.), médico grego, 
que foi escravo em Roma e um dos mais importantes da antiga Roma. Os 
médicos gregos eram muito valorizados pelos romanos, e Galeno tornou-se 
médico das celebridades pelo seu conhecimento e arrojo (Busato, 2016). Além 
 
 
3 
disso, a medicina galena foi importante para o avanço da descrição e do 
conhecimento de doenças. 
Do lado oriental do mundo, o caráter coletivo da medicina árabe tem em 
Avicena (980-1037 d.C.), médico, matemático e filósofo persa, seu principal 
representante. Ele trouxe para medicina ocidental os conceitos epidemiológicos 
e coletivos de Hipócrates e Galeno. 
Busato (2016, p. 30) aponta que “médicos muçulmanos, baseados na 
escola hipocrática, adotaram uma prática precursora da saúde pública, com 
grandes avanços nos registros de informações demográficas e sanitárias, bem 
como os sistemas de vigilância epidemiológica”. 
Durante um grande período temporal que vai do século XI até meados do 
século XIX, os conceitos iniciados por Hipócrates, Galeno e Avicena foram 
substituídos pela Teoria Miasmática, que explicava a má qualidade do ar como 
causa de todas as doenças, e os maus cheiros, retrocedendo aos conceitos 
epidemiológicos. 
1.1 John Snow – fundador da epidemiologia 
A Teoria Miasmática estava perdendo força entre os jovens médicos da 
Inglaterra, nos anos de 1850, pois eram jovens simpatizantes das ideias médico-
sociais que contrapunham aos métodos de cuidados de saúde, bem como aos 
modelos explicativos do processo saúde-doença. 
Esses jovens médicos se alinharam com os oficiais da saúde pública e 
membros da Real Sociedade Médica e organizaram um grupo de estudos 
epidemiológicos, a London Epidemiological Society. 
Busato (2016, p. 30-31) destaca “a participação de Florence Nightingale 
(1820-1910), fundadora da enfermagem, no London Epidemiological Society, e 
sua importância para a epidemiologia nos estudos pioneiros sobre a mortalidade 
por infecção pós-cirúrgica nos hospitais militares na Guerra da Crimeia”. 
Um dos membros fundadores dessa sociedade foi John Snow (1813-
1858), que realizou a mais notável investigação da epidemia de cólera de 1854, 
e por esse feito é considerado por muitos o fundador de epidemiologia. Snow 
mostrou a contaminação hídrica da cólera pela metodologia epidemiológica, sem 
o conhecimento da teoria microbiana de Pasteur. 
John Snow é considerado por muitos autores o fundador da 
epidemiologia, e outros indicam Snow como o “pai da epidemiologia”. Aos 14 
 
 
4 
anos, começou a ser aprendiz de cirurgião pelo sistema mestre-discípulo, 
auxiliando um cirurgião da época. Graduou-se em medicina em 1844 na cidade 
de Londres pelo Royal College of Physicians, começando a clinicar na capital 
britânica. 
O estudo de John Snow sobre a cólera teve início no surto de 1831/32, 
quando ainda era aprendiz. Questionando a teoria do miasma para explicar a 
epidemia de cólera, percebeu que os mineiros que trabalhavam no interior da 
terra, longe das regiões miasmáticas, também haviam adoecido, e percebeu a 
influência da água para a ocorrência da doença. Assim, em agosto de 1849, 
publicou um panfleto defendendo a transmissão da cólera pela água. 
Os médicos da época não confirmaram a teoria de Snow. “Em Londres, 
no ano de 1854, a cólera reapareceu com características de uma grave 
epidemia, nos primeiros dias de setembro foram registrados mais de 616 casos 
fatais. Nessa época Snow era titular de uma posição equivalente a ministro da 
saúde de Londres” (Busato, 2016, p. 32). 
Várias teorias tentavam explicar o grande número de óbitos em tão pouco 
tempo. John Snow mapeou as 616 mortes mostrando a distribuição espacial do 
surto concentrada nas imediações da bomba de água da Broad Street, indicando 
a possível fonte da contaminação. Anos depois da morte de Snow, Robert Koch 
identificou o Vibrio cholerae como agente causador da cólera em 1884. 
TEMA 2 – EPIDEMIOLOGIA BRASILEIRA 
A epidemiologia brasileira se destaca na atuação nas doenças tropicais e 
na luta pelo Sistema Único de Saúde. Na virada dos séculos XIX e XX, Vital 
Brazil, Oswaldo Cruz, Carlos Chagas, Emílio Ribas e Adolfo Lutz, combateram 
diversas epidemias e doenças, como a febre amarela, cólera, varíola e peste 
bubônica, sempre com foco em saúde pública e medicina tropical. 
As condições sanitárias das cidades portuárias, no início da República, 
eram marcadas pela ocorrência de doenças como: febre amarela, peste 
bubônica e varíola. Essas condições dificultavam as transações comerciais, 
porque as grandes companhias não queriam expor seus marinheiros às doenças 
infectocontagiosas. 
A história da epidemiologia brasileira é marcada pelo combate às 
epidemias, pelo desenvolvimento científico, com pesquisa e publicações 
 
 
5 
científicas, no avanço dos estudos epidemiológicos brasileiros, na formação de 
epidemiologistas brasileiros, na fabricação de vacinas, soros e medicamentos. 
2.1 Os pioneiros brasileiros no combate às epidemias 
Adolf Lutz (1855-1940) nasceu no Rio de Janeiro, de pais suíços que 
migraram para o Brasil. Com dois anos, a família retorno para Berna, na Suíça, 
onde iniciou o curso de medicina na Universidade de Berna, finalizando o curso 
na Universidade de Leipzig. 
Na Universidade de Leipzig, teve oportunidade de conhecer os estudos 
de Robert Koch, um dos fundadores da microscopia e da epidemiologia das 
doenças transmissíveis. Isso direcionou a vida profissional do jovem médico, 
Adolf Lutz. Em 1881, após concluir seu doutorado, Adolf Lutz veio para o Brasil 
para poder exercer a profissão. A Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro 
validou seu diploma de médico, possibilitando abrir seu consultório (Ujvari, 
2020). 
Rapidamente tornou-se um médico muito procurado, e sempre achou 
tempo para continuar suas pesquisas nas doenças transmissíveis, como as 
parasitoses, sempre publicando em revistaseuropeias. Nessa época, 
destacaram-se seus estudos com a lepra, que o levou a realizar um trabalho nas 
Ilhas do Havaí, em 1889, retornando ao Brasil em 1893, casado, fixando 
residência em São Paulo (Ujvari, 2020). 
Nessa trajetória, encontra-se outro personagem fundamental para 
desenvolvimento da epidemiologia brasileira, em especial nos estudos das 
doenças tropicais, Vital Brasil. 
Em 1865, nasceu Vital Brazil em Campanha, interior de Minas Gerais, e 
veio para São Paulo com a família em 1880, aos 15 anos. No Rio de Janeiro, 
cursou a Faculdade de Medicina, de 1886 a 1891, e depois voltou a São Paulo, 
como médico e pesquisador, sendo também funcionário do Serviço Sanitário de 
São Paulo, 
Em 1892, foi fundado o Instituto Bacteriológico, seguindo o modelo do 
Instituto Pasteur de Paris de laboratório de saúde pública. É nesse momento que 
as pesquisas cruzam os caminhos profissionais de que Vital Brazil e Adolf Lutz. 
Logo que retornou ao Brasil, em 1893, Adolf Lutz foi convidado para ser o 
subdiretor no recém-criado Instituto Bacteriológico, em São Paulo, e em sete 
meses foi nomeado diretor desse instituto. O Instituto Bacteriológico foi dirigido 
 
 
6 
pelo Adolpho Lutz de 1893 a 1908. Em 1897, Vital Brazil começou a trabalhar no 
Instituto Bacteriológico, sob a orientação de Adolfo Lutz. 
Quem foi Emilio Ribas? Nasceu em Pindamonhangaba, em 1862, e 
mudou-se para a capital federal, na época o Rio de Janeiro, para estudar na 
Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro e formou-se em 1887. Iniciou suas 
atividades profissionais como médico clínico geral no interior do estado de São 
Paulo, e em 1895 foi nomeado como inspetor sanitário e passou a trabalhar na 
cidade de São Paulo no combate a epidemias, em especial de febre amarela nas 
regiões de Araraquara, Jaú, Rio Claro e Pirassununga. 
Emilio Ribas foi bem-sucedido no combate à febre amarela em várias 
cidades em São Paulo, participou da parceria com médicos norte-
americanos Walter Reed e Carlos Finlay no combate à febre amarela em Cuba. 
Com essa experiência adquirida, disseminou a importância do Aedes aegypti na 
infecção da febre amarela. 
Esses personagens viveram na mesma época e compartilharam das 
mesmas inquietudes das respostas às epidemias por meio de pesquisa e 
epidemiologia. Em 1903, ele e Adolfo Lutz se deixaram picar com o mosquito 
infectados pelo sangue de um portador da doença para provar aos negacionistas 
da época a transmissão vetorial da febre amarela. O médico Emilio Ribas cuidou 
e tratou de Vital Brazil quando foi acometido por peste bubônica. 
No período que foi diretor de serviço sanitário de São Paulo, Emilio Ribas 
procurou desenvolver a criação das instituições brasileiras para produção de 
soros, sugeriu aos governantes da época a aquisição de uma fazenda nos 
arredores de São Paulo para futuras instalações do Instituto Serumtherápico. 
Em 1899, devido ao surto de peste bubônica que se propagava a partir de 
Santos, São Paulo, Vital Brazil foi convidado por Emilio Ribas a dirigir o recém-
criado laboratório de produção de soro para combater a doença, vinculado ao 
Instituto Bacteriológico. Esse laboratório foi instalado na Fazenda Butantan, na 
zona Oeste da cidade de São Paulo, e, em fevereiro de 1901, foi reconhecido 
como instituição autônoma sob a denominação de Instituto Serumtherápico, que 
viria a ser o Instituto Butantan. 
Os serviços prestados pelo Instituto Bacteriológico são marcados pelas 
questões de saúde coletiva, particularmente ao modelo sanitário desenvolvido 
por Emílio Ribas no estado de São Paulo. Em 1925, o Instituto Bacteriológico é 
fechado e transformado em uma seção incorporada ao Instituto Butantan, 
https://pt.wikipedia.org/wiki/Walter_Reed
https://pt.wikipedia.org/wiki/Carlos_Finlay
https://pt.wikipedia.org/wiki/Cuba
 
 
7 
quando em 1940, com a fusão do Instituto Bacteriológico ao Instituto de Análises 
Clínicas, foi fundado o Instituto Adolfo Lutz, que, em 1943, incorporou os 
laboratórios existentes no interior do estado, hoje denominados de Centros de 
Laboratórios Regionais. 
Assim, Vital Brazil foi um dos fundadores e o primeiro diretor do Instituto 
Butantan, do qual foi diretor até 1919 e retornado por mais quatro anos em 1924, 
sendo pioneiro no estudo do tratamento de acidentes por envenenamento por 
cobra. 
O Instituto Butantan de hoje é uma referência internacional com sua 
produção de vacinas, soros e pesquisas em medicamentos, na divulgação 
científica e inovação constante, uma herança do legado desse grande 
sanitarista, Vital Brazil. 
 Em paralelo, no Rio de Janeiro, em 1900, nasce o Instituto Soroterápico 
Federal para fabricar soros e vacinas contra a peste bubônica, sob a direção 
técnica de Oswaldo Cruz (1872 – 1917), na bucólica Fazenda de Manguinhos, 
Zona Norte do Rio de Janeiro, que é a Fundação Oswaldo Cruz atualmente. 
 Antes de entender sobre a Instituto Soroterápico Federal/Fundação 
Oswaldo Cruz, vamos saber quem foi Oswaldo Cruz neste contexto. Nasceu em 
São Luís do Paraitinga (SP), em 5 de agosto de 1872. Aos 14 anos, ingressou 
na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro. Durante os seis anos em que 
frequentou o curso, não demonstrou grande interesse pela clínica, mas sentiu-
se completamente fascinado pelo mundo microscópico, que começava a ser 
revelado pelas descobertas de Louis Pasteur, Robert Koch e outros 
investigadores (Oswaldo Cruz, 2002). 
 Em 1892, completou doutorado com a tese A Veiculação Microbiana pelas 
Águas, além de ter clinicado no Rio de Janeiro até meados de 1896, quando 
viajou para a França. Em Paris, estagiou no Instituto Pasteur e, em seguida, na 
Alemanha. Regressou ao Brasil em 1899, quando foi designado para organizar 
o combate ao surto de peste bubônica em Santos (SP) e em outras cidades 
portuárias (Oswaldo Cruz, 2002). 
O Rio de Janeiro era a capital brasileira. Os avanços e estudos do Instituto 
contribuíram para a criação do Departamento Nacional de Saúde Pública, em 
1920, tendo uma forte influência no desenvolvimento da saúde pública no país. 
O jovem médico foi nomeado em 1902 para dirigir o Instituto Serumtherápico, 
atual Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). 
 
 
8 
Oswaldo Cruz, médico e sanitarista brasileiro, foi o fundador da medicina 
experimental no Brasil. Em 1903, foi nomeado como Diretor-Geral de Saúde 
Pública, com a tarefa de sanear a cidade do Rio de Janeiro. Oswaldo Cruz 
erradicou a febre amarela utilizando medidas rigorosas, multas e demolições de 
imóveis insalubres. Em seguida, implantou a notificação compulsória dos casos 
de peste bubônica e combate aos ratos, que incluiu a compra pelo governo de 
ratos caçados pela população (Fiocruz, 2022). 
Oswaldo obteve sucesso com essas medidas, porém com grande 
insatisfação da sociedade. No combate à epidemia de varicela, em 1904, 
Oswaldo Cruz conseguiu aprovar no Congresso a obrigatoriedade da vacinação 
contra varíola. A forma autoritária como essa vacinação foi imposta provocou 
uma ampla oposição da população que resultou na Revolta das Vacinas (Busato, 
2016). Outro grande avanço foi realizado por Carlos Chagas, em 1905, quando 
conseguiu controlar o surto de malária no interior de São Paulo. O protozoário 
causador da doença de chagas foi descoberto por Carlos Chagas, e esse 
protozoário foi nomeado Trypanossoma cruzi, em homenagem a Oswaldo Cruz. 
Em 19 de agosto de 1909, deixou a direção da Saúde Pública por motivos 
pessoais de saúde. Em 26 de junho de 1913, foi eleito para a Academia Brasileira 
de Letras, na vaga do poeta Raimundo Correia. Em 18 de agosto de 1916, 
assumiu o cargo de prefeito de Petrópolis, Rio de Janeiro, mas, cada vez mais 
doente, renunciou em janeiro do ano seguinte. Morreu logo depois, na mesma 
cidade de Petrópolis, em 11 de fevereiro de 1917 (Oswaldo Cruz, 2002). 
A Fundação Oswaldo Cruz é um importante espaço de ensino, pesquisa 
e desenvolvimento da epidemiologia brasileira, quenasceu com o objetivo de 
promover estudos sobre as doenças por meio da participação dos estudiosos 
brasileiros da época. 
TEMA 3 – CONCEITO DE EPIDEMIOLOGIA 
Segundo Almeida Filho e Rouquayrol (2013), o termo epidemia está nos 
textos hipocráticos. Etimologicamente, a palavra epidemiologia é formada pela 
junção do prefixo epí (“em cima de; sobre”) com o radical demos, significando 
“povo”. O sufixo logos, do grego, é “palavra, discurso, estudo”. Esse sufixo é 
geralmente empregado para designar disciplinas científicas nas línguas 
ocidentais modernas. A palavra Epidemiologia significa etimologicamente 
 
 
9 
“ciência do que ocorre (se abate) sobre o povo” (Almeida Filho; Rouquayrol, 
2013). 
Last (2001, p. 87, tradução nossa) conceitua a epidemiologia como “o 
estudo da distribuição e dos determinantes de estados ou eventos relacionados 
à saúde em populações específicas, e sua aplicação na prevenção e controle 
dos problemas de saúde”. 
Almeida Filho e Rouquayrol (2013, p. 1) fazem uma conceituação clássica 
da epidemiologia, apontando todos os aspectos que compõem sua dimensão 
como ciência: “epidemiologia estuda o processo saúde-enfermidade na 
sociedade, analisando a distribuição populacional e fatores determinantes do 
risco de doenças, agravos e eventos associados à saúde”. “A Clínica, a 
Estatística e Medicina Social compõem os elementos conceituais, metodológicos 
e ideológicos, da epidemiologia” (Busato, 2016). 
A microbiologia teve grande participação na epidemiologia, contribuindo 
com a identificação dos agentes etiológicos e medidas de prevenção e 
tratamento das doenças infectocontagiosas, possibilitando diminuição 
expressiva da morbimortalidade, nos séculos XIX e XX (Gomes, 2015). 
A primeira escola de saúde pública nos Estados Unidos da América, 
baseada no relatório de Abraham Flexner, em 1910, Medical Education in the 
United States and Canada, apontou necessidade de mudanças no ensino 
superior para a medicina. O relatório foi inovador e sua importância é 
reconhecida até os dias atuais. Assim com este modelo de “escola de saúde 
pública” foi difundido para todo o mundo por meio da Fundação Rockefeller, 
novamente com papel importante no avanço da epidemiologia, como estudado, 
foi responsável pela capacitação dos primeiros epidemiologistas brasileiros. 
A epidemiologia tentava ampliar seus conhecimentos para além das 
doenças infectocontagiosas quando o livro The Principles of Epidemiology, do 
final dos anos 1920, focou exclusivamente as enfermidades infecciosas. A crise 
econômica mundial de 1929 trouxe a necessidade de uma abordagem na saúde, 
e nesse cenário redescobriu-se o caráter coletivo da epidemiologia para 
organização da saúde. 
O estabelecimento dos “estados de bem-estar-social” na Europa 
Ocidental, em especial Inglaterra e França, na organização dos serviços de 
saúde, uniu a assistência à saúde com as políticas sociais, trazendo para a 
epidemiologia a necessidade de inovar nas investigações sociais. 
 
 
10 
Nos períodos das guerras mundiais houve grande avanço na realização 
de inquéritos epidemiológicos para avaliar a saúde física e mental das tropas, 
especialmente para enfermidades não infecciosas, fazendo surgir novas 
abordagens de estudos na população. Porém, em todas as guerras aconteceram 
propagações de epidemias. 
TEMA 4 – ELEMENTOS FUNDAMENTAIS DA EPIDEMIOLOGIA 
A epidemiologia estuda o processo saúde-doença por meio do modelo 
explicativo, visualizando a distribuição populacional e geográfica. Descrevendo 
os fatores de risco, a epidemiologia possibilita propor medidas de prevenção 
específicas, de promoção da saúde, de recuperação da saúde. A atuação da 
epidemiologia tem alcance individual e/ou coletivo com a responsabilidade de 
produzir informações e conhecimento de saúde. 
As aplicações da epidemiologia abrangem três grandes áreas de atuação: 
diagnóstico de situação de saúde de populações, investigação etiológica e 
determinação do risco. 
Gomes (2015, p. 12) aponta que “diagnóstico da situação de saúde 
consiste na coleta sistemática de dados sobre a saúde da população, 
informações demográficas, econômicas, sociais, culturais e ambientais, que 
servirão para compor os indicadores de saúde”. O diagnóstico da situação de 
saúde de uma população (cidade, estado, país, vila, território de uma equipe de 
saúde da família) é a base para o planejamento estratégico em saúde, para 
priorização de ações, organização dos serviços. 
A investigação etiológica é a vocação da epidemiologia, na busca dos 
determinantes e condicionantes do processo saúde-doença, na descrição das 
doenças, na proposição de prevenção, promoção e recuperação da saúde. A 
determinação do risco é estudada por meio das medidas de associação, com os 
indicadores de saúde. Esses conceitos serão abordados em outros momentos. 
A clínica contribui com o conhecimento sobre a descrição, diagnóstico e 
tratamento das doenças, eventos e agravos em saúde que acometem as 
pessoas e as comunidades, tendo como alicerce o avanço nas pesquisas e o 
desenvolvimento da tecnologia médica. 
Os séculos XVII e XVIII, especialmente na França e Inglaterra, 
contribuíram para o desenvolvimento da epidemiologia com a prática 
profissional, baseada na observação e descrição minuciosa de sinais e sintomas 
 
 
11 
de pacientes resultando numa terapêutica individual, contribuindo para a 
progresso da clínica médica. 
Um dos fundadores desta clínica moderna foi Thomas Sydenham (1624-
1689), médico e liderança política em Londres, que contribuiu como precursor 
da ciência epidemiológica e no conceito de história natural das enfermidades. 
Na década de 1980, despontou uma epidemiologia clínica, utilizando 
fortemente a metodologia epidemiológica com ênfase na identificação de caso e 
avaliação da eficácia terapêutica, em que foi difundida a medicina baseada em 
evidências, reforçando o uso da clínica no estudo epidemiológico. 
O império romano contribuiu para a epidemiologia na realização de 
registro periódico de nascimento, óbitos e censos populacionais periódicos, 
trazendo a estatística para o uso epidemiológico. 
No século XVII, nascia a estatística, uma disciplina científica de cunho 
mercantil e político, que, com foco nas probabilidades, tornou-se destinada a 
dimensionar as doenças e seus efeitos. A Aritmética Política, de William Petty 
(1623-1687) e os levantamentos estatísticos de John Graunt (1620-1674) são 
trabalho considerados os precursores da demografia, estatística e 
epidemiologia. 
Willian Farr (1807-1883) criou o registro anual de morbidade e mortalidade 
para a Inglaterra e País de Gales, promovendo a institucionalização dos sistemas 
de informação em saúde. Outro importante nome da história foi Foucault (1926-
1984), francês, que realizou os primeiros registros de contagem de enfermos 
(ovinos) visando ao controle de uma enfermidade (epizootia), em seus estudos 
veterinários, nos primórdios de uma medicina científica moderna. 
A introdução dos computadores provocou a matematização da 
epidemiologia, promovendo sua expansão na capacidade de investigação e 
possibilitando estudos multicêntricos, com grande número de variáveis e sujeitos 
de pesquisa utilizando a quantificação. 
Destacam-se os estudos para avaliação da eficácia dos tratamentos 
clínicos utilizando a estatística de Pierre-Charles Alexandre Louis (1787-1872), 
que integraram a clínica moderna e a estatística. 
A medicina social foi impulsionada no final do século XVIII com a 
ascensão do poder político da burguesia emergente, aumento da urbanização, 
havendo necessidade de iniciativas de intervenção do Estado na saúde das 
populações, para conter as doenças e manter a ordem pública. 
 
 
12 
Baseada nos conceitos de higiene, a medicina social trouxe um conjunto 
de normas e preceitos que devem ser aplicados em âmbito individual, e outros 
referentes à saúde coletiva pormeio de leis e regulamentos. 
Devemos citar também Louis Villermé (1782-1863) e sua pesquisa sobre 
o impacto da pobreza e das condições de trabalho na saúde das pessoas. O 
francês Guérin, em 1838, cunhou o termo Medicina Social, usado para indicar 
modos de abordar coletivamente a questão da saúde. 
As pesquisas epidemiológicas relacionam os condicionantes e 
determinantes sociais no processo saúde-doença, que impulsionou o estudo das 
doenças crônicas não transmissíveis como diabetes, hipertensão em especial o 
câncer, que forma acelerados pela transição demográfica e epidemiológica. 
4.1 Conceitos epidemiológicos 
O conceito de população em epidemiologia é o ponto central para 
investigação epidemiológica, em pesquisa, população corresponde ao número 
total de pessoas em determinado espaço geográfico, no período considerado na 
investigação, e expressa a magnitude do contingente demográfico e sua 
distribuição relativa. 
A amostra representa um subconjunto de elementos pertencentes a uma 
população, que deve validade, e ter representatividade da população estudada, 
para haver alguma inferência válida, que são obtidos pelo processo de 
amostragem. Portanto, população e amostra são essenciais em qualquer estudo 
epidemiológico que tenha validade científica, e sua definição exige método 
estatístico. 
Todo estudo tem as variáveis que serão coletadas e estudadas. O 
conceito de variável é relacionado com uma característica de interesse que se 
pode medir. As variáveis independentes são aquelas manipuladas, enquanto 
variáveis dependentes são apenas medidas ou registradas. Existem dois 
grandes grupos de variáveis: categóricas ou qualitativas e numéricas ou 
quantitativas. Destaca-se que asas variáveis devem ser elencadas visando 
cumprir os objetivos do estudo. 
A hipótese deve estar fundamentada em uma boa questão de pesquisa a 
priori, deve ser simples e específica; é uma suposição que se faz a respeito de 
alguma coisa. Ao emitir uma hipótese, o cientista tenta explicar os fatos já 
conhecidos, importante deduzir da hipótese formulada uma série de conclusões 
 
 
13 
lógicas e planejar experiências para verificá-las. Para testar a significância 
estatística, a hipótese de pesquisa deve ser formulada de modo que categorize 
a diferença esperada entre grupos do estudo. 
É importante diferenciar outros conceitos epidemiológicos para 
compreender a extensão da investigação epidemiológica. Uma epidemia é 
considerada quando há ocorrência de determinada doença ou evento 
relacionado com a saúde que tem uma elevação brusca e temporária, um 
aumento expressivo em relação ao que seria esperado para determinada 
população, em determinado período temporal e espaço geográfico. 
O termo pandemia é usado quando uma epidemia atinge todo o mundo 
ou grandes áreas geográficas, atravessando fronteiras internacionais e atingindo 
muitas pessoas. A Organização Mundial da Saúde (OMS) define pandemia como 
a disseminação mundial de uma nova doença e o termo passa a ser usado 
quando uma epidemia, surto que afeta uma região, se espalha por diferentes 
continentes com transmissão sustentada de pessoa para pessoa. 
A endemia, em oposição à epidemia, é definida como presença usual de 
uma doença, dentro dos limites esperados, em determinada área geográfica, por 
um período temporal ilimitado, enfim, uma ocorrência contínua e esperada de 
uma doença ou agravo. Epizootia é um termo usado para epidemias em 
populações de animais. 
Surto é a ocorrência epidêmica de uma doença ou agravo, com um 
número baixo de atingidos, em pequena e delimitada área geográfica, como 
vilas, bairros etc. ou para população institucionalizada, como colégios, creches, 
quartéis e outros. 
Importante diferenciar o caso autóctone do alóctone. O caso autóctone 
tem seu desenvolvimento da doença no mesmo local do contágio ou no qual foi 
observada sua ocorrência, e acontece no mesmo local em que é diagnosticado; 
e o caso alóctone é quando o caso é importado, portanto, o contágio ou 
ocorrência se dá numa localidade e o diagnóstico em outra. 
TEMA 5 – CONCEITO DE RISCO E FATOR DE RISCO 
Estudaremos as medidas de associação entre expostos e não expostos, 
especialmente o conceito de risco e fator de risco para compreender os 
indicadores epidemiológicos. 
 
 
14 
As medidas de associação mostram a quantificação da diferença 
encontrada entre dois grupos populacionais, contrastados pela ocorrência de 
doença, agravo ou evento da saúde, entre grupo exposto e grupo não exposto 
ao fator de risco. 
A epidemiologia contribui para a obtenção das respostas que envolvem o 
conhecimento das doenças nas populações, e essas respostas baseiam-se em 
algum tipo de medida de associação. 
Risco e fator de risco: “As medidas de associação podem ser: absoluta e 
relativa. Medidas da associação entre exposição (fator de risco) e desfecho 
(doença, evento ou agravo) são utilizadas para expressar quantitativamente as 
possíveis relações causais” (Luiz, Costa; Nadanovsky, 2005, p. 166). 
Almeida Filho e Rouquayrol (2013, p. 73) definem risco como “a 
probabilidade da ocorrência de uma doença, agravo, óbito ou condição 
relacionada à saúde (incluindo cura, recuperação ou melhora), em uma 
população ou grupo, durante um período de tempo determinado”. Risco é a 
possibilidade de uma pessoa, exposta a determinadas situações, desenvolver 
uma doença, agravo, óbito ou condição relacionada à saúde. Essas situações 
podem desencadear os chamados fatores de risco. 
O fator de risco é o atributo de um grupo da população que pode 
apresentar maior ocorrência de uma doença, agravo ou evento à saúde, em 
comparação com outros grupos definidos pela ausência ou menor exposição a 
esse atributo. Os fatores de risco podem ser ambientais, hereditários ou 
resultado de escolhas do estilo de vida. 
O desafio da epidemiologia está na identificação de atributos que 
permitam reconhecer grupos menos vulneráveis (ou mais protegidos) em relação 
a certo problema de saúde, que podemos chamar de fatores de proteção, 
possibilitando a implementação de medidas de prevenção e promoção da saúde. 
“As medidas de associação podem ser absolutas, do tipo diferença, ou 
relativas, do tipo razão. A associação absoluta apresenta a diferença quantitativa 
entre grupos quando avaliamos o quanto a frequência de uma doença no grupo 
dos expostos excede (é maior) em relação ao grupo de não expostos” (Luiz, 
Costa, Nadanovsky, 2005, p. 173). 
A relativa é a razão dessas diferenças e baseia-se na força da associação, 
ou seja, quantas vezes o risco é maior em expostos quando comparado ao risco 
nos não expostos. A escolha da medida de associação, absoluta ou relativa, 
 
 
15 
depende do objetivo do estudo e da escala de mensuração. Os autores 
completam as medidas de associação relativas são mais utilizadas na pesquisa 
etiológica, buscando as causas, e as medidas absolutas são mais utilizadas para 
o planejamento de ações. 
O risco é estimado sob forma de uma proporção. Matematicamente é uma 
razão (divisão) entre duas grandezas (valores). O numerador está 
obrigatoriamente dentro do denominador. 
No estudo epidemiológico de uma doença, no numerador estão os casos 
(pessoas) da doença, e no denominador está a população a que pertencem 
esses casos. Considera-se a população o número total de pessoas residentes 
em determinado espaço geográfico, no período temporal que esteja sendo 
considerado e expressa o total de contingente demográfico. 
Risco = casos / população 
O cálculo de risco é pouco utilizado, porém é importante compreender que 
a razão entre esses valores traduz o risco de um grupo em relação à população 
a que ele pertence. Conhecer esse conceito será importante para compreender 
as medidas de frequência. 
Em estudos que envolvam pessoas com risco e não risco, com e sem fator 
de risco, utilizamos a tabela de contingência 2X2. A tabela de contingência tipo2X2 mostra como devemos analisar as medidas de associação. 
Quadro 1 – Tabela de contingência 2X2 
 Risco 
Fator de risco Sim Não 
Sim A B Expostos fator de risco = A 
+ B 
Não C D Não expostos fator de 
risco = C + D 
Total Risco = A +C Sem Risco = B + D População= A + B + C + D 
Analisando a tabela podemos perceber que numa população (A + B + C+ 
D) existem pessoas com risco (A + C) e sem risco (B + D) da ocorrência de uma 
doença, agravo ou evento de interesse à saúde. Nessa população, existe 
também o grupo de expostos ao fator de risco (A + B) e os não expostos ao fator 
de risco (C + D). 
Outras avaliações podemos extrair da tabela de contingência, como o 
risco de adoecer de uma população com a seguinte fórmula: 
 
 
16 
Risco de adoecer da população = A + C / A + B + C + D 
Para avaliar o risco com o fator de risco utilizamos a seguinte fórmula: 
Risco com fator de risco = A/ A + B 
E o risco sem fator de risco é calculado dessa forma: 
Risco sem fator de risco = C/ C + D 
O cálculo para o risco de adoecer de uma população é utilizado na 
epidemiologia para prever a ocorrência de uma doença, agravo ou evento de 
interesse à saúde para planejamento de ações de prevenção e promoção de 
saúde, além do planejamento da assistência à saúde. Especificamente, se há 
necessidade de avaliação de um fator de risco, como, por exemplo, fumantes, 
pode-se usar o risco com fator de risco de uma população, também para o 
planejamento de ações de prevenção, promoção e assistência à saúde. 
O Risco Atribuível (RA) ou Diferença de Riscos é uma medida de 
associação do tipo absoluta que calcula a diferença entre risco dos expostos ao 
fator de risco e risco dos não expostos ao fator de risco. Utiliza-se a seguinte 
fórmula de calcular: RA = (A/ A + B) – (C/ C + D). 
Essa avaliação mostra o quanto o risco de expostos é maior que o risco 
dos não expostos, o que representa a diferença que é atribuída à exposição ao 
fator de risco. 
O Risco Relativo ou Razão de Risco é a comparação do risco de 
expostos com risco de não expostos. Essa é a principal medida de associação 
da epidemiologia, tipo razão, conhecido pela sigla RR. 
Calculado desta forma: RR = A/(A+B) / C/(C+D). 
O resultado mostra uma razão entre os expostos em relação ao não 
expostos. 
5.1 Razão de chance 
A chance de adoecer é expressa numa medida de associação do tipo 
razão, em que o numerador (probabilidade de adoecer) não está contido no 
denominador (1 - probabilidade de adoecer). Diferente do conceito de risco, no 
qual o numerador está obrigatoriamente contido no denominador, assim se pode 
observar a diferença entre risco e chance (Medronho, 2009) A chance é 
calculada com a seguinte fórmula: 
Chance de adoecer = (doentes/população) / 1 - (doentes/ população). 
 
 
17 
Nessa fórmula, utiliza-se o risco (doentes/população) dividido por 1 menos 
o risco (doentes/população). Apesar de a chance de adoecer ser pouco utilizada, 
sua compreensão é importante para entender a Razão de Chances ou Odds 
Ratio (OR), muito utilizada na epidemiologia e nos trabalhos científicos 
quantitativos. Se o objetivo é responder se a chance de desenvolver uma doença 
no grupo de expostos é maior (ou menor) do que no grupo de não expostos, 
devemos utilizar a razão de chances como medida de associação. Inicialmente 
se deve conhecer a chance de adoecer entre o grupo de expostos e entre o 
grupo de não expostos ao fator de risco, utilizando novamente a tabela de 
contingência 2X2. 
Quadro 2 – Tabela de contingência 2X2 
 Risco 
Fator de 
risco 
Sim Não 
Sim A B Expostos fator de risco = A + B 
Não C D Não expostos fator de risco = C 
+ D 
Total Risco = A +C Sem Risco = B + D População= A + B + C + D 
A chance de adoecer entre o grupo de expostos é calculada da seguinte 
forma: A/(A+B) / B/(A+ B) = A/B. A chance de adoecer entre o grupo de não 
expostos utiliza as seguintes informações: C/(C+D) / D/ (C+D) = C/D. 
A razão chance (OR) utiliza a chance de adoecer entre o grupo de 
expostos (A/B) dividido pela chance de adoecer entre o grupo de não expostos 
(C/D). 
Pode-se afirmar que a razão entre essas duas chances (expostos e não 
expostos) é a razão de chance (OR). 
A fórmula para esse cálculo é: 
OR = A/B / C/D que matematicamente se resume em OR = A x D / B x C. 
NA PRÁTICA 
Você participa de um grupo que realiza um ensaio clínico para testar o 
efeito da vacinação na prevenção de uma doença infecciosa, observou que 
dentre os 493 vacinados, cerca de 45 adoeceram, enquanto dentre os 356 não-
vacinados, cerca de 88 adoeceram. 
 
 
18 
• Construa uma tabela 2x2. 
• Calcule o risco relativo vacinados e não-vacinados. 
FINALIZANDO 
Estudamos a história da epidemiologia com ênfase na epidemiologia 
brasileira. Os conceitos e elementos da ciência epidemiológica foram analisados 
nessa etapa para dar suporte aos profissionais que trabalham na área da saúde. 
Avançamos aqui no conceito de risco e fator de risco para compreender os 
indicadores epidemiológicos. 
 
 
 
 
 
 
 
19 
REFERÊNCIAS 
ALMEIDA FILHO, N.; ROUQUAYROL, M. Z. Introdução à Epidemiologia. 4. 
ed. rev. e ampliada. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2013. 
BUSATO, I. M. S. Epidemiologia e processo saúde-doença. Curitiba: 
InterSaberes, 2016. 
CNDSS – Comissão Nacional sobre Determinantes Sociais da Saúde. As 
causas sociais das iniquidades em saúde no Brasil. Rio de Janeiro: Ed. 
Fiocruz, 2008. 
FIOCRUZ – FUNDAÇÃO OSVALDO CRUZ. Disponível em: 
. Acesso em: 1 fev. 2023. 
GOMES, E. C. de S. Conceitos e ferramentas da epidemiologia. Recife: Ed. 
Universitária da UFPE, 2015. 
LAST, J. M. A dictionary of epidemiology. 4. ed. Oxford: Oxford University 
Press, 2001. 
LUIZ, R. R.; COSTA, A. J. L.; NADANOVSKY, P. Epidemiologia e 
Bioestatística em Odontologia. São Paulo: Atheneu, 2008. 
MEDRONHO, R. A. et al. Epidemiologia. São Paulo: Editora Atheneu, 2009. 
OSWALDO CRUZ. Jornal Brasileiro de Patologia e Medicina Laboratorial, 
2002, v. 38, n. 2, p. 75, 2002. 
UJVARI, S. C. História das epidemias. 2. ed. São Paulo, Editora Contexto, 
2020.

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