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CENTRO UNIVERSITÁRIO IBMR 
 Bruno Assad - 2019203026 
 Fabienne Oliveira - 2019102700 
 Neusemary Carneiro - 2019104162 
 DESAFIOS E PERSPECTIVAS DOS ALIMENTOS TRANSGÊNICOS 
 RIO DE JANEIRO / 2022 
 DESAFIOS E PERSPECTIVAS DOS ALIMENTOS TRANSGÊNICOS 
 Bruno Assad 
 Fabienne Oliveira 
 Neusemary Carneiro 
 Trabalho de Conclusão de Curso 
 apresentado à Coordenação do Curso 
 de Nutrição do Centro Universitário 
 IBMR do Rio de Janeiro para obtenção 
 do título de Bacharel em Nutrição. 
 Orientador: Prof. Omara Machado A. de 
 Oliveira 
 Co-Orientador: Juliana dos Santos Vilar 
 Rio de Janeiro/2022 
 2 
 RESUMO 
 Por muito tempo na agricultura, já se utilizavam técnicas convencionais de 
 melhoramento como, a reprodução seletiva e a reprodução por mutação, que 
 envolvia o cruzamento entre organismos com o intuito de selecionar 
 características combinadas relevantes, fortalecendo as espécies cultivadas. 
 Com a evolução da ciência, mudanças climáticas e aumento na demanda de 
 alimentos, novas ferramentas de biotecnologia surgiram para superarem as 
 limitações das técnicas convencionais de plantio: a tecnologia do DNA 
 recombinante e as aplicações de técnicas de edição de genoma, dando origem 
 aos organismos geneticamente modificados (OGMs) ou ainda chamados, 
 transgênicos. Essas inovações no campo da biotecnologia fornecem 
 ferramentas para melhorar ainda mais o rendimento, qualidade, durabilidade e 
 a resiliência das culturas em relação às variações climáticas e pragas. No 
 entanto, a aceitação dessa biotecnologia ainda é questionada em relação a 
 biossegurança.O presente trabalho tem como objetivo apresentar o que são os 
 alimentos geneticamente modificados, ressaltando os aspectos positivos e 
 negativos relativos ao consumo do ser humano e o impacto ambiental . A 
 metodologia utilizada foi por meio de uma revisão narrativa em diferentes 
 bases de dados de artigos científicos. A utilização desse método permitiu 
 apresentar como resultados a evolução tecnológica de melhoramento na 
 agricultura, passando pela Revolução verde até as inovações da tecnologia de 
 DNA recombinante e técnicas de edição de genes na Revolução genética, 
 destacando suas aplicações, motivações, desafios, possíveis benefícios, bem 
 como, algumas preocupações sobre a segurança alimentar e possíveis riscos à 
 saúde associados ao seu consumo. Por fim, pode-se concluir que os alimentos 
 transgênicos vieram para agregar mais nutrientes que o melhoramento 
 genético convencional, revolucionando a área científica e forçando-a, cada vez 
 mais, a buscar mais estudos para aprofundar o conhecimento sobre o consumo 
 dos alimentos transgênicos e seus efeitos na saúde humana, para que se 
 possa evitar o sentimento de desconfiança sobre esse alimento e garantir a 
 segurança ao consumidor. 
 Palavras-chave: alimentos transgênicos, benefícios e riscos, organismos 
 geneticamente modificados, segurança alimentar. 
 3 
 CHALLENGES AND PERSPECTIVES OF TRANSGENIC FOODS 
 ABSTRACT 
 For a long time in agriculture, conventional breeding techniques were already 
 used, such as selective breeding and reproduction by mutation, which involved 
 the crossing of organisms in order to select relevant combined characteristics, 
 strengthening the cultivated species. With the evolution of science, climate 
 change and increased demand for food, new biotechnology tools have emerged 
 to overcome the limitations of conventional planting techniques: recombinant 
 DNA technology and applications of genome editing techniques, giving rise to 
 genetically engineered organisms. (GMOs) or still called, transgenics. These 
 innovations in the field of biotechnology provide tools to further improve crop 
 yields, quality, durability and resilience to climate change and pests. However, 
 the acceptance of this biotechnology is still questioned in relation to biosafety. 
 This work aims to present what genetically modified foods are, highlighting the 
 positive and negative aspects related to human consumption and the 
 environmental impact. The methodology used was through a narrative review in 
 different databases of scientific articles. The use of this method allowed us to 
 present as results the technological evolution of improvement in agriculture, 
 through the Green Revolution to the innovations of recombinant DNA 
 technology and gene editing techniques in the Genetic Revolution, highlighting 
 their applications, motivations, challenges, possible benefits, as well as such as, 
 some concerns about food safety and possible health risks associated with its 
 consumption. Finally, it can be concluded that transgenic foods came to add 
 more nutrients than conventional genetic improvement, revolutionizing the 
 scientific area and forcing it, more and more, to seek more studies to deepen 
 the knowledge about the consumption of transgenic foods and its effects on 
 human health, in order to avoid the feeling of mistrust about this food and 
 guarantee consumer safety. 
 Keywords: transgenic foods, benefits and risks, genetically modified organisms, 
 food safety. 
 4 
 1. INTRODUÇÃO 
 Por muitos séculos, o homem em seu cultivo já selecionava plantas específicas 
 e realizava cruzamentos entre as mesmas, com o objetivo de que suas 
 características fossem repassadas para suas futuras gerações e fortalecessem 
 as espécies cultivadas. Essa técnica, realizada de forma “caseira”, ficou 
 conhecida como “melhoramento genético clássico ou convencional”. Com a 
 evolução da ciência, esse “melhoramento genético convencional” passou a ser 
 realizado pela transgenia, ou seja, o que era feito de forma primitiva pelo 
 homem, evoluiu para um processo executado somente em laboratório. Através 
 dessa nova técnica de transgenia, surgiram os alimentos transgênicos, que são 
 alimentos geneticamente modificados em laboratório, tendo seu DNA 
 modificado pela inserção de um ou mais genes oriundos de outro organismo 
 (SYNGENTA, 2020). 
 O alimento transgênico é o cruzamento desses genes mencionados acima, 
 com maior precisão que o método convencional, pois ele não dá (ou deu ao 
 longo dos tempos) tal precisão genética, que potencializam algumas 
 particularidades suas, como resistência às pragas, durabilidade e/ou 
 tornando-os mais nutritivos (CAVALLI, 2001). 
 Devido a isto, acelerou-se as mudanças desejadas pelos geneticistas nos 
 alimentos. Tais mudanças fizeram com que esses mesmos alimentos 
 apresentassem características que não continham ou até poderiam conter, 
 porém de forma mais enfraquecida (SANTOS, 2017). 
 Vale ressaltar que tudo isso só foi possível graças aos estudos de Gregor 
 Johann Mendel, considerado o pai da genética, por conta de seus 
 experimentos (principalmente com ervilhas) e se descobriu vários pontos 
 referente a hereditariedade e suas características dominantes e recessivas, 
 concluindo que existem características se sobressaem mais que as outras, 
 sempre na proporção de 3:1. Isso resultou na Lei de Mendel ( MORAES, 2022 ). 
 No Brasil, a atual regulamentação da rotulagem de transgênicos é normatizada 
 5 
 pela Lei de Biossegurança nº 1.105/2005, pelo Decreto nº 4.680/2003e pela 
 Portaria nº 2.658/2003. A identificação desses alimentos se dá apenas na 
 descrição de seus respectivos rótulos. 
 Assim, o homem criou um método que pode apressurar anos e anos na 
 potencialização de determinadas espécies de alimentos, contribuindo, 
 principalmente, para a preservação do meio ambiente (uma vez que o uso de 
 agrotóxicos foi diminuído pelos agricultores, por exemplo) e combate à fome. 
 Por isso, os alimentos transgênicos vêm ganhando cada vez mais espaço nas 
 prateleiras dos mercados, e novos estudos surgem sobre alimentos 
 (SYNGENTA, 2020). 
 No entanto, ainda existem muitas dúvidas em relação aos benefícios ou 
 malefícios causados pelo consumo dos alimentos transgênicos. Pouco se sabe 
 sobre seus efeitos a longo prazo nos seres humanos. Como os efeitos na 
 saúde são desconhecidos, muitas pessoas não se arriscam a consumí-los. O 
 motivo de tanta polêmica é a falta de dados científicos que permitam uma 
 avaliação conclusiva sobre a segurança alimentar desses alimentos. Essa 
 desconfiança levantada pela população e comunidades mundiais sem 
 fundamentação científica, faz com que outras pessoas deixem de usufruir de 
 alimentos que contém nutrientes fortificados e trazem a essas mesmas 
 pessoas receio de adoecerem com o passar dos anos, uma vez que os 
 cientistas não conseguem comprovar que os alimentos transgênicos irão ou 
 não fazer mal no futuro. 
 Logo, o presente trabalho visa apresentar o que são os alimentos 
 geneticamente modificados, bem como ressaltar suas vantagens, benefícios e 
 possíveis riscos ao ser humano e ao meio ambiente. 
 2. METODOLOGIA 
 Trata-se de uma revisão narrativa da literatura, que consiste em sintetizar os 
 estudos sobre os desafios e perspectivas dos alimentos transgênicos, sob o 
 6 
 ponto de vista teórico e contextual, objetivando a interpretação e a análise 
 crítica do autor, a partir de fontes de informações bibliográficas ou digitais da 
 literatura. 
 As bases de dados utilizadas foram: Scielo, Pubmed e Science Direct, nos 
 idiomas português e inglês, entre o período de 2001 e 2022. 
 Os descritores da saúde utilizados foram: alimentos transgênicos, benefícios e 
 riscos, organismos geneticamente modificados, segurança alimentar. 
 Os critérios de inclusão utilizados para a busca das fontes de dados, foram 
 artigos de periódicos, que englobam fontes relacionadas aos alimentos 
 geneticamente modificados e suas implicações positivas e negativas em 
 relação à saúde humana. 
 3. RESULTADOS 
 3.1 A ORIGEM DOS TRANSGÊNICOS 
 A biotecnologia alimentar é uma técnica de melhoria de plantio que vem sendo 
 utilizada pela agricultura há bastante tempo (Figura 1 ) . Desde que a agricultura 
 começou há doze mil anos, praticamente é feita a partir de tecnologias 
 genéticas como a mutação e relação sexual. A mutação é uma mudança 
 aleatória na sequência de um gene e o cruzamento por meio da relação sexual, 
 deriva de duas espécies distintas que busca isolar as melhores características 
 de ambos em seu descendente (RAMÓN VIDAL, 2018). Os cientistas 
 reconheceram a limitação das mutações naturais em plantas que ocorrem por 
 acaso e as possibilidades das características superiores emergirem era 
 limitado. Assim, a criação de mutações foram introduzidas para imitar e 
 acelerar o processo. 
 7 
 Figura 1. História do melhoramento genético de Plantas. Fonte: 
 https://alavoura.com.br/pesquisa-inovacao/biotecnologia/a-hora-e-a-vez-da-biotecnolo 
 gia-no-agro/ 
 Com o aumento da população e as preocupações com a escassez de recursos 
 surgiu a necessidade da modernização da agricultura em escala global, 
 efetivada pela inovação das técnicas convencionais na reprodução seletiva e 
 modernização agrícola que resultou em variedades de plantas de alto 
 rendimento em trigo e arroz, conhecida como Revolução verde na década de 
 50 (HAMDAN et al. , 2022). 
 A revolução verde fundamentava-se na produção de larga escala com alta 
 tecnologia e excelente produtividade (CAVALLI, 2001). 
 As melhorias constantes nas técnicas de reprodução seletiva e práticas 
 agrícolas como melhoria nos sistemas de irrigação, inovações em fertilizantes 
 químicos, etc aumentaram a produção global de alimentos nas últimas décadas 
 (HAMDAN et al. , 2022). 
 8 
 Em 1968, Gregor Mendel, daria início a pesquisa de introdução de novos genes 
 nas plantas, através da descoberta dos princípios fundamentais da herança de 
 organismo vivo da ervilha comum (pisum sativum), um dos marcos da 
 aplicação da biotecnologia na agricultura (HAMDAN et al. , 2022). 
 Seguindo em ordem cronológica, em 1970 uma praga fúngica dizimou a 
 colheita de milho nos Estados Unidos, tornando-se uma epidemia que refletiu 
 na preocupação dos cientistas com a perda da diversidade genéticas das 
 plantas cultivadas, tanto nos Estados Unidos quanto no exterior, motivando 
 alguns pesquisadores sobre a necessidade de aumentarem a diversidade 
 genética de cultivares com uma biotecnologia totalmente nova: o DNA 
 recombinante (técnicas de biologia molecular que facilitam a combinação de 
 material genético de múltiplas fontes) (GARLAND; CURRY, 2022). Na década 
 de 80, pesquisadores transferiram um gene responsável por uma 
 característica desejada de uma planta para outra, surgindo os alimentos 
 transgênicos ou também chamados organismos geneticamente modificados 
 (OGM) (RAMÓN VIDAL, 2018). Os transgênicos são organismos que sofreram 
 uma mudança em seu genoma, por introdução de um gene de espécies 
 diferentes (SANTOS, 2017). 
 Em 1983, três grupos de cientistas conseguiram adicionar genes de uma 
 bactéria em duas plantas, desenvolvendo, assim, os primeiros vegetais 
 transgênicos. Anos depois, foram realizados os primeiros testes de campo com 
 plantas transgênicas (BAWA; ANILAKUMAR, 2013). 
 Em 1994, o primeiro alimento geneticamente modificado – o tomate Flavr Savr ' 
 (tomate cereja; Lycopersicon esculentum) , que foi criado na Califórnia, 
 apresentou maior durabilidade e chegou aos consumidores norte-americanos. 
 Mediante o progresso tecnológico no melhoramento de culturas da era da 
 Revolução verde, nos anos 90, surge uma nova revolução verde: A revolução 
 genética, que une a biotecnologia a engenharia genética, promovendo 
 transformações na agricultura mundial (Figura 2) (CAVALLI, 2001). Na era da 
 'Revolução Genética', inovações rápidas no campo da biotecnologia fornecem 
 9 
 estratégias alternativas para melhorar ainda mais o rendimento, a qualidade e a 
 resiliência das culturas em relação a estresses bióticos e abióticos, bem como 
 alterações climáticas. Essas inovações incluem a introdução da tecnologia de 
 DNA recombinante e aplicações de técnicas de edição de genoma, como efetor 
 semelhante ao ativador de transcrição (TALEN), nucleases de dedo de zinco 
 (ZFN) e sistemas de repetições palindrômicas curtas/CRISPR associados 
 (CRISPR/Cas) agrupados regularmente interespaçados (HAMDAN et al., 
 2022). 
 Figura 2. Era da evolução dos genes, Fonte: HAMDAN, MF; MOHD NOOR, SN; 
 ABD-AZIZ, N.; PUA, T.-L.; TAN, BC Revolução Verde à RevoluçãoGenética: Avanços 
 Tecnológicos na Agricultura para Alimentar o Mundo. Disponível em: 
 . . 
 A produção de transgênicos gerou um crescimento na produtividade agrícola, 
 proporcionando um aumento quantitativo e qualitativo de alimentos 
 geneticamente modificados (SANTOS, 2017). 
 Nesse contexto, através da evolução da engenharia transgênica houve uma 
 contribuição no cultivo mundial para conservação e amplificação da diversidade 
 genética, especialmente em cultivos industriais, aumentando a produtividade 
 das lavouras. 
 Segundo Ramón Vidal (2018), em 2016 praticamente 10% da área cultivada 
 mundial já era transgênica e era cultivada em 26 países, sendo 19 países em 
 desenvolvimento (54% da área transgênica) e 7 industrializados (Tabela 1). 
 10 
 Neste mesmo período, o valor do mercado de transgênicos foi representado 
 por 22% do mercado mundial de produtos fitossanitários e 35% do mercado 
 mundial de sementes comerciais. 
 Tabela 1 - Países que cultivam transgênicos/2006. 
 Fonte:https://www.nutricionhospitalaria.org/index.php/articles/02121/show 
 11 
 As aplicações da biotecnologia na agricultura trouxeram benefícios econômicos 
 para numerosos pequenos proprietários de terras em países em 
 desenvolvimento. Além disso, a tecnologia GM beneficia não apenas os 
 agricultores e as agroindústrias, mas também os consumidores por meio de 
 custos mais baixos de suprimentos de alimentos (HAMDAN et al, 2022). 
 3.2. O QUE SÃO ALIMENTOS GENETICAMENTE MODIFICADOS 
 Segundo Bawa e Anilakumar (2013), a modificação genética é um conjunto de 
 tecnologia genética que modifica os genes de organismos vivos de animais, 
 plantas ou micro-organismos. A combinação desses genes de diferentes 
 espécies é conhecida como tecnologia de DNA recombinante e o organismo 
 resultante é denominado “geneticamente modificado (GM) ” ou “transgênico”. 
 Ou ainda, transgênicos são organismos em que o genoma foi modificado com o 
 objetivo de introduzir ou adicionar novas características à nova espécie, por 
 meio de uma inserção ou eliminação de um ou mais genes através de técnicas 
 da engenharia genética (SANTOS, 2017). 
 De acordo com ALVES (2004), utilizam-se os termos OGMs e transgênicos 
 como sinônimos, sendo que existe uma diferença entre ambos. Os OGMs 
 foram modificados através da introdução de um ou mais genes provenientes de 
 um ser vivo da mesma espécie do organismo alvo. Já os transgênicos são um 
 tipo de OGMs que se refere à transferência de material genético de uma 
 espécie para outra (SANTOS, 2017). 
 Para a produção de plantas transgênicas é importante que se tenha disponível 
 um sistema de cultura de tecidos que possibilita a regeneração de plantas e de 
 um sistema de transformação genética que permita a adição de genes com 
 eficiência. A transferência de genes na transformação genética pode ser por 
 técnicas de forma direta ou indireta. A transferência indireta é aquela que utiliza 
 um vetor para intermediar a transformação, como Agrobacterium tumefaciens 
 ou Agrobacterium rhizogenes. Esse método também conhecido como 
 engenharia natural é o mais estudado e usado na transgenia vegetal devido 
 12 
 seu custo ser relativamente baixo, sua simplicidade e eficiência. Na 
 transferência direta não há uso de vetores intermediários de transferência de 
 genes, ou seja, essa técnica é baseada em métodos físicos ou químicos, em 
 que se destacam a eletroporação de Protoplastos, aceleração de partículas 
 (biobalística) e microinjeção, conforme demonstrado na Figura 3. (SANTOS, 
 2017). 
 Figura 3. Técnica de Transformação indireta e direta. 
 Fonte:http://transgeniaemvegetais.blogspot.com/2010/08/tecnicas-de-transformacao-d 
 e-dna.html 
 Com os avanços da biotecnologia e engenharia genética, incluindo a técnica do 
 DNA recombinante e transgenia, é possível introduzir características desejáveis 
 em plantas como a tolerância e a resistência às mudanças climáticas e 
 doenças, maior tempo de prateleira, produtividade, bem como agregar 
 benefícios aos animais e diversos alimentos, produzir vacinas e medicamentos 
 humanos e animais, inseticidas, produtos de uso agrícolas, por meio de 
 bactérias, leveduras e microrganismos geneticamente modificados. 
 13 
 Sabe-se, no entanto, que o cultivo das plantas transgênicas e seus produtos, 
 tanto para consumo humano quanto para consumo animal, vem gerando 
 diversos conflitos de opiniões entre órgãos públicos, ambientalistas, 
 comunidade científica, empresa e produtores no que tange a segurança 
 alimentar, riscos associados, benefícios e impactos ambientais. 
 3.3 POSSÍVEIS RISCOS 
 A grande questão que vem sendo levantada é o quão seguras são as 
 tecnologias do DNA recombinante (ou engenharia genética), se elas estão de 
 acordo com o Guia Internacional para Segurança em Biotecnologia (IGSB) 
 aceito pelo Programa Ambiental das Nações Unidas. Os argumentos dos 
 partidários do princípio da precaução forçam os governos de muitos países na 
 União Europeia, Ásia e África a modificar suas políticas e desistir da produção 
 de variedades GM1 (COSTA et al., 2007). 
 Por conta da situação do crescimento exponencial da população, há uma 
 grande preocupação relacionada à precaução e à segurança alimentar. Suas 
 interfaces estão ligadas a outros valores como à proteção ambiental 
 relacionada ao desenvolvimento sustentável e à dignidade humana com uma 
 qualidade de vida saudável. Ao analisarmos os artigos referentes aos 
 alimentos transgênicos, verificamos que há diversos benefícios, porém pode 
 haver riscos. Benefícios referentes à proteção da plantação contra pragas e 
 variações climáticas, diminuição da fome da população, menos intolerâncias 
 alimentares, riscos ainda não definidos. 
 Em relação aos OGM, uma das possibilidades é a melhora da qualidade 
 nutricional, o que é muito importante para a segurança alimentar (SANTOS, 
 2017) 
 Os riscos ainda não são conclusivos, mas estão relacionados, por exemplo, a 
 14 
 possíveis reações alérgicas, toxicidade, contaminação da biodiversidade e 
 diminuição dos efeitos de alguns medicamentos (COSTA et al, 2011). 
 Neto (2014) fala sobre os riscos à segurança alimentar: 
 (...) no plano alimentar, cujo consumo frequente e em maior 
 escala desses alimentos, há que se observar os possíveis 
 riscos à segurança alimentar e nutricional dos consumidores, 
 que têm o direito de saber quais os riscos que estarão sujeitos 
 com a ingestão de tais alimentos, o que exigirá uma 
 considerável bateria de testes de curta, média e principalmente 
 de longa duração para aferir o grau de segurança desses 
 produtos. Com isso, deve-se considerar que existe uma relação 
 jurídica entre as biotecnologias agrícolas com a crescente 
 importância global de atenção ao valor jurídico da segurança 
 alimentar, levando a importantes pontos de interface com o 
 atendimento a função social desses exclusivos e o interesse 
 público do desenvolvimento tecnológico e econômico, sem falar 
 de que o direito de propriedade industrial biotecnológico tem 
 natureza de direito fundamental, mas que deverásofrer 
 ponderações necessárias a melhor conformação jurídica e das 
 interações com a academia. 
 As plantas geneticamente modificadas resistentes aos insetos oferecem 
 benefícios à agricultura moderna, porém esta tecnologia pode afetar o controle 
 biológico natural e a biodiversidade por meio de efeitos diretos e indiretos das 
 plantas transgênicas sobre o valor adaptativo e comportamental de predadores, 
 parasitóides, polinizadores e outros artrópodes não-alvo. Algumas dúvidas em 
 relação à entomofauna têm despertado o interesse dos pesquisadores e dos 
 órgãos de regulamentação. Os principais questionamentos são referentes a 
 possibilidade de as plantas transgênicas afetarem os organismos não-alvo de 
 diferentes níveis tróficos (principalmente parasitóides, predadores, 
 polinizadores e lepidópteros não-alvo) e à possibilidade de evolução de 
 resistência de pragas às proteínas de B. thuringiensis, expressas pelas plantas 
 continuamente durante todo o ciclo da cultura (FRIZZAS; OLIVEIRA, 2006). 
 Quando se comparam campos não-transgênicos tratados com o inseticida 
 piretróide lambda-cialotrina, a sobrevivência da borboleta monarca é 
 drasticamente reduzida, e muitas lagartas morrem poucas horas após a 
 15 
 alimentação (STANLEY-HORN et al., 2001). Por outro lado, segundo Pimentel 
 (2000), além dos aspectos considerados, outros fatores são de grande 
 importância, por exemplo, como a destruição de seu habitat no México e as 
 frequentes aplicações de inseticidas. Nesse contexto, acredita-se que o efeito 
 das plantas geneticamente modificadas sobre a borboleta monarca pode ser 
 muito menor quando comparado com o uso indiscriminado de inseticidas. 
 Segundo Camara et al (2009); Ribeiro (2012) apud Santos (2017, p.15), apesar 
 de muitos benefícios, há ainda incerteza sobre a segurança do consumo dos 
 alimentos transgênicos, pela falta de informação sobre os riscos. Isso faz com 
 que sejam gerados debates tanto no meio científico quanto no político. 
 Sabe-se que os comerciantes têm como objetivo aumentar a produção (com 
 melhor durabilidade, qualidade e resistência do produto) e melhorar a 
 competitividade no mercado consequentemente, gerando aumento do lucro. A 
 procura deles por alimentos transgênicos acontece pelos benefícios já 
 conhecidos, como a melhoria da resistência das plantas a variações climáticas, 
 que necessitem de menor quantidade de agrotóxicos/pesticidas, mais 
 resistentes a danos causados por insetos/pragas. 
 De acordo com Cavalli (2001), o Instituto Brasileiro de Defesa (1999), salienta 
 os riscos dos alimentos transgênicos, para a saúde da população e para o meio 
 ambiente: 
 ● Pode ocorrer aumento das alergias com o consumo dos Organismos 
 Geneticamente Modificados (OGM), pois novos compostos são 
 formados no novo organismo, como proteínas e aminoácidos que 
 ingeridos poderão desencadear processos alérgicos; 
 ● Pode haver aumento de resistência aos antibióticos, pois são inseridos 
 nos alimentos transgênicos genes que podem ser bactérias usadas na 
 produção de antibióticos. Com o consumo pela população desses 
 alimentos, poderá ocorrer resistência a esses medicamentos, reduzindo 
 16 
 ou anulando a eficácia dos mesmos. 
 ● Pode ser desencadeado também, um aumento das substâncias tóxicas 
 quando o gene de uma planta ou de um microrganismo for utilizado em 
 um alimento, e é possível que o nível dessas toxinas aumente 
 inadvertidamente, causando mal às pessoas, aos insetos benéficos e 
 aos animais, citando que já foi constatado com o milho transgênico “Bt”, 
 levando a Áustria a proibir o seu plantio. 
 ● Estudos a respeito têm demonstrado que a inserção de genes 
 resistentes aos agrotóxicos em alguns alimentos transgênicos conferem 
 às pragas e às ervas daninhas maior resistência, tornando-se 
 super-pragas, e com isso, desequilibrando os ecossistemas, implicando 
 uso de uma maior quantidade de agrotóxicos, que resultará no aumento 
 de resíduos nos alimentos, rios e solos. 
 São necessários mais estudos sobre os possíveis riscos à saúde humana e ao 
 meio ambiente causados pelos organismos geneticamente modificados, 
 principalmente porque houve um grande crescimento na produção desses 
 alimentos, por causa do aumento do consumo. 
 Em síntese, avalia-se que a problemática é deveras preocupante, pois foi 
 constatada a ocorrência de uma redução na sobrevida dos ratos dos sexos 
 masculino e feminino que ingeriram o cereal transgênico, inclusive havia a 
 presença de grandes tumores mamários malignos e com significativas 
 interferências hormonais nas fêmeas. Foram constatadas congestões 
 hepáticas e necroses mais elevadas nos machos, comparados aos animais que 
 não ingeriram esses alimentos, além de nefropatias (problemas renais graves), 
 tumores palpáveis (quatro vezes mais) e deficiências renais crônicas para 
 ambos os sexos (SÉRALINI, 2012). 
 17 
 3.4 BENEFÍCIOS 
 Pensando em uma população pobre advinda da Índia, por exemplo, foram 
 realizados testes criados por Stein et al (2006) de forma empírica, para diminuir 
 os impactos causados por: deficiências nutricionais, como a da vitamina A, 
 problemas socioeconômicos e de sustentabilidade. A deficiência de vitamina A 
 (DVA) é um problema de saúde pública em muitos países em desenvolvimento, 
 onde as dietas são predominantemente feitas com alimentos básicos, de valor 
 nutricional relativamente baixo. 
 O arroz dourado foi geneticamente modificado para produzir beta-caroteno no 
 grão, e consequentemente, intervir no controle de deficiência de vitamina A. 
 Isso faz com que diminua a mortalidade infantil, os problemas visuais (como 
 cegueira) e a incidência de doenças infecciosas. O consumo generalizado de 
 arroz dourado promete melhorar a situação das populações que se alimentam 
 de arroz (STEIN et al, 2006). Isso acaba sendo mais uma estratégia para 
 contribuir na redução da pobreza e na melhoria da nutrição e, 
 consequentemente, da saúde. É preciso enfatizar que as culturas 
 geneticamente modificadas (GM) não são uma solução mágica para os 
 problemas dos países em desenvolvimento. Essas tecnologias GM podem ser 
 muito diversas, e um exemplo, é que pode-se ter tanto uma solução para 
 deficiência de vitamina, como maior resistência à herbicidas de outros tipos de 
 alimentos e resistência à insetos advindos de outros. 
 O enriquecimento de alimentos transgênicos em produtos alimentícios 
 específicos resulta em tais alimentos frequentemente tendo um valor de 
 utilidade muito maior do que os produtos alimentícios tradicionais. Além disso, 
 fornece uma fonte concentrada de nutracêuticos, ou substâncias de alto valor 
 terapêutico e pró-saúde, representando um elemento desejável de uma dieta 
 diferenciada. O grupo dos nutracêuticos contém, em primeiro lugar, vitaminas 
 A, C, E, pigmentos vegetais, ácidos graxos insaturados indispensáveis (IUFA), 
 celulose alimentar e pré e probióticos (KRAKOWSKA et al , 2013). 
 18 
 3.5 BIOSSEGURANÇA 
 No processo de avaliação de biossegurança deve haver todo um rigor 
 estrutural que possa ser executado, para que se siga padrõesde qualidade 
 rígidos, devido à jovialidade das tecnologias agrícolas voltadas para esse fim e 
 de todas as suas consequências relacionadas às questões sociais, econômicas 
 e de saúde pública (NETO, 2014). 
 Nodari (2003) fala sobre biossegurança: 
 (...) em janeiro de 2000, na cidade de Montreal, o Protocolo 
 Internacional de Biossegurança foi acordado. Os dois principais 
 pontos são: (i) o princípio da precaução deve ser adotado em 
 caso de dúvida ou falta de conhecimento científico e (ii) os 
 produtos transgênicos devem ser rotulados (art. 18a). O 
 referido protocolo tem cerca de 40 artigos e trata basicamente 
 da movimentação de transgênicos entre países, com atribuição 
 de responsabilidades em caso de danos. Ele dá garantias, 
 ainda, ao país importador de recusar o produto caso não esteja 
 acompanhado de estudo de risco adequado. 
 A FAO considera biossegurança a correlação do uso sadio e sustentável do 
 meio ambiente, dos produtos biotecnológicos e as intercorrências para a 
 saúde da população: biodiversidade e sustentabilidade ambiental, com 
 vistas à segurança alimentar global (NODARI; GUERRA, 2000). 
 No que diz respeito à biossegurança, a Comunidade Europeia aprovou o 
 Protocolo de Cartagena sobre Segurança Biológica através da Decisão do 
 Conselho 2002/628/CE , de 25 de Junho. Foi ratificado por Portugal através do 
 Decreto n.º 7/2004 , de 17 de abril, que aprovou o Protocolo de Cartagena 
 sobre Segurança Biológica à Convenção sobre a Diversidade Biológica e 
 depositou o seu instrumento de adesão nas Nações Unidas, em 30 de 
 setembro de 2004, tendo entrado em vigor a 29 de dezembro de 2004. 
 19 
https://eur-lex.europa.eu/legal-content/PT/TXT/?uri=OJ%3AJOL_2002_201_R_0048_01&qid=1621498799328
https://eur-lex.europa.eu/legal-content/PT/TXT/?uri=OJ%3AJOL_2002_201_R_0048_01&qid=1621498799328
https://dre.pt/web/guest/pesquisa/-/search/223587/details/normal?q=7%2F2004
 O Protocolo de Cartagena sobre Segurança Biológica, estabelecido no quadro 
 da Convenção sobre Diversidade Biológica, foi adotado, em Montreal, Canadá, 
 em 2000 e entrou em vigor a 11 de setembro de 2003. Este protocolo tem 
 como objetivo assegurar um nível adequado de proteção no domínio da 
 transferência, manipulação e utilização seguras de organismos vivos 
 modificados (OVM) resultantes da biotecnologia moderna, que possam ter 
 efeitos adversos sobre a diversidade biológica, tendo em conta os riscos para a 
 saúde humana e centrando-se especificamente nos movimentos 
 transfronteiriços. 
 O Protocolo de Cartagena sobre Segurança Biológica (ASSUNTOS 
 INTERNACIONAIS - Protocolo de Cartagena sobre Segurança Biológica, 2021) para 
 cumprir os objetivos, estabelece o seguinte: 
 ● um procedimento por consentimento prévio fundamentado antes do 
 primeiro movimento transfronteiriço deliberado de OVM para 
 introdução intencional no ambiente da parte de importação; 
 ● um Centro de Intercâmbio de Informação ( Biosafety Clearing 
 House ), com o objetivo de facilitar o intercâmbio e experiência 
 científica, técnica, ambiental e jurídica sobre OVM. O BCH é 
 essencial para a efetiva implementação do Protocolo, pois promove 
 a transparência e fácil acesso às informações relacionadas com a 
 segurança biológica pelas Partes, público, sociedade civil e 
 instituições científicas; 
 ● a documentação que acompanha o movimento transfronteiriço de 
 OVM deve conter os requisitos de informação necessários à sua 
 identificação, nomeadamente identidade do organismo (identificador 
 único) e finalidade a que se destina o produto; 
 ● uma avaliação do risco no sentido de identificar e avaliar os 
 potenciais efeitos adversos dos OVM para a conservação e a 
 utilização sustentável da diversidade biológica, tendo igualmente em 
 conta os riscos para a saúde humana; 
 ● disposições sobre a gestão do risco de modo a permitir às partes a 
 20 
 criação e manutenção de mecanismos, medidas e estratégias 
 adequados para regulamentar, gerir e controlar os riscos, 
 identificados nas disposições na avaliação de riscos, associados à 
 utilização, à manipulação e aos movimentos transfronteiriços de 
 OVM; 
 ● as partes devem promover a sensibilização, educação e 
 participação do público quanto à transferência, manipulação e 
 utilização seguras de OVM, fomentando o acesso à informação 
 nomeadamente ao BCH. 
 Este protocolo foi reforçado através da criação do Protocolo Suplementar 
 Nagoia-Kuala Lumpur que estabelece regras e procedimentos em matéria de 
 responsabilidade civil e indemnização por danos resultantes do movimento 
 transfronteiriço de OVM. 
 O Protocolo Suplementar foi adotado, em Nagoia, Japão, em 2010 e entrou em 
 vigor a 5 de março de 2018. A União Europeia aprovou o Protocolo 
 Suplementar de Nagoia-Kuala Lumpur, sobre Responsabilidade Civil e 
 Indenização, ao Protocolo de Cartagena sobre Segurança Biológica através da 
 Decisão do Conselho 2013/86/UE , de 12 de fevereiro. 
 4. CONCLUSÃO 
 A verdade, embora muitos estudos e argumentos levam a nos convencer que 
 os alimentos transgênicos tragam maiores e diversos benefícios para a 
 população com a sua ingestão, é que só saberemos realmente se haverá tais 
 benefícios (ou malefícios) com o passar dos anos. As incógnitas que pairam 
 sobre o assunto em questão, principalmente no que diz respeito a longo prazo, 
 serão determinadas pelo mundo científico ainda em décadas, pois, até lá, 
 aumentarão os dados científicos na biossegurança e, sobretudo, testes na 
 absorção dos alimentos transgênicos pelo organismo dos seres humanos. 
 21 
https://eur-lex.europa.eu/legal-content/PT/TXT/?uri=CELEX%3A32013D0086&qid=1621415393698
 Todavia, uma coisa não pode ser negada: a transgenia veio para ficar e 
 agregar em seus alimentos mais nutrientes que o “melhoramento genético 
 convencional”, revolucionando a área científica e forçando-a, cada vez mais, a 
 buscar meios para erradicar a fome através da genética. 
 5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
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 sobre Segurança Biológica | Agência Portuguesa do Ambiente 
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https://reader.elsevier.com/reader/sd/pii/S0278691512005637?token=8F5C8887279EF58F2F371B6EEA479180F8D24F1D8A0E794B56B462E6B70E59498A45F19533BDCD83BB76DDDA24DC8004&originRegion=us-east-1&originCreation=20221022180012
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https://www.syngenta.com.br/alimentos-fazem-mal-saude

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