A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
13 pág.
responsabilidade dos socios

Pré-visualização | Página 2 de 4

pessoa jurídica ainda inexistente 
oficialmente serão cobrados daquele que figura como obrigado tributariamente, o sócio 
ostensivo. 
Todavia, não são somente sociedades não personificadas que existem. Existe também 
uma gama de sociedades personificadas de que se faz imperioso o estudo antes que se 
analise pontualmente, em matéria tributária, a responsabilização dos sócios em face das 
dívidas para com o Fisco da PJ. São elas aquelas que tiveram seja seu contrato social, seja 
seu estatuto levados a registro. Dentre suas espécies, destacam-se as sociedades em nome 
 
12
 MOREIRA, Amanda Alves. A Teoria do Ato: “Ultra Vires”. São Paulo, 1998. Disponível em: < 
http://www.conjur.com.br/1998-dez-17/objeto_social_limites_atuacao_administrado>, Acesso em 30 ago 2014. 
13
 COELHO, Fábio Ulhoa. Manual de Direito Comercial. 18ª ed. São Paulo: Saraiva, 2007, p. 78. 
14
 MAMEDE, Gladston. Direito Empresarial Brasileiro. 2ª ed. São Paulo: Atlas, 2007, p. 21. 
 
 
5 
coletivo, comandita simples, comandita por ações, firmas individuais, limitadas, eirelis e 
sociedades anônimas. 
Tem-se então que as sociedades em nome coletivo são aquelas em que duas ou mais 
pessoas [...] exercem, sob uma razão social
15
, atividade empresária, respondendo todos 
solidariamente e ilimitadamente em face de terceiros
16
, mas subsidiariamente podem dispor 
entre si suas obrigações
17
. Contudo, é um caso em que, não podendo adimplir com suas 
obrigações tributárias, são os sócios responsáveis ilimitada e solidariamente perante o Fisco. 
Não obstante, observa-se a comandita simples, sociedade em que, excetuando-se os 
termos e a qualidade de estar personificada, muito se assemelha à sociedade em conta de 
participação, vez que há a figura do comanditado, que responderá ilimitadamente pelas 
obrigações sociais, e o comanditário, cujas obrigações são limitadas. Enquanto, na 
comandita por ações, tem-se que os sócios diretores respondem ilimitadamente pelas 
obrigações sociais, enquanto as obrigações dos acionistas serão limitadas
18
 ao valor de suas 
ações. 
Verificado esse ponto, o objeto de estudo torna-se a firma individual. A firma 
individual é a pessoa jurídica com um único sócio em seu quadro societário, o qual 
responde ilimitadamente pelas obrigações da pessoa jurídica. Tem esse seu estudo 
imperioso, vez que, na Eireli
19
, o sistema de composição é similar ao da firma individual, 
sendo composto o quadro societário por apenas um sócio, tal qual na firma individual, 
porém, a responsabilidade do sócio zeloso e honesto é limitada, e não ilimitada como na 
firma individual. Obriga-se ele, como obrigam-se os sócios de pessoas jurídicas da espécie 
limitada. 
 
15
 WALD, Arnoldo. A evolução da sociedade em nome coletivo e os poderes dos sócios não gerentes no direito 
brasileiro. Revista de Informação Legislativa, v.16, nº 64, 1979, p. 296. 
16
 COELHO, Fábio Ulhoa. Manual de Direito Comercial. 18ª ed. São Paulo: Saraiva, 2007, p. 148. 
17
 WALD, Arnoldo. A evolução da sociedade em nome coletivo e os poderes dos sócios não gerentes no direito 
brasileiro. Revista de Informação Legislativa, v.16, nº 64, 1979, p. 296. 
18
 MENDONÇA, Mário. Sociedade Empresária. Macapá: UNIFAP, 2011. Disponível em < 
http://www2.unifap.br/mariomendonca/files/2011/05/SOCIEDADES1.pdf>. Visualizado em 24/05/2014, p. 03. 
19
 Empresa individual de responsabilidade limitada. 
 
 
6 
Quanto à pessoa jurídica de responsabilidade limitada, diz-se que a responsabilidade 
de seus sócios honestos e zelosos é medida de acordo com os valores que faltam ser 
integralizados por cada um dos sócios, porém, o montante da diferença entre subscrição e 
integralização é de responsabilidade solidária de cada um dos sócios, podendo terceiro 
cobrar desses até o limite do valor que, não integralizando, devem à pessoa jurídica à qual 
pertencem ao quadro societário, o mesmo se aplicando às eirelis, com a ressalva de só haver 
um sócio nesta
20
. 
Nessas modalidades limitadas, é possível que se aplique um exemplo a fim de tornar 
mais didática sua compreensão. Toma-se a PJ como sendo credora de dos membros do seu 
quadro societário em 50% do capital que este ainda não integralizou, mas subscreveu, em 
um valor de R$ 10.000,00. Concomitantemente, a PJ é devedora de R$ 12.000,00 para um 
terceiro, só possuindo R$ 1.000,00 em seu patrimônio. O terceiro cobra sua dívida da PJ, 
mas, mesmo conseguindo retirar todo o patrimônio dela, ela ainda lhe deve R$ 11.000,00, e 
nada mais possui. Entretanto, considerando que o sócio X, não integralizou a totalidade de 
sua quota, mas tão somente 50%, ainda devendo R$ 10.000,00 à PJ, pode o terceiro cobrar 
do sócio X R$ 10.000,00 dos R$ 11.000,00 faltantes, pois é o que o sócio X deve à PJ. 
Ressaltando-se que no caso da Eireli, há apenas um agente possível para X, mas que nas 
limitadas há sempre mais de um, e o que, denomina-se aqui sócio Y, mesmo que tenha 
integralizado toda a sua parte, poderá responder solidariamente pelo que o X não 
integralizou, cabendo, posteriormente Y cobrar de X, o que X lhe deve. Observando-se que, 
caso todo o capital de todos os sócios tenha sido integralizado, o terceiro, salvo por vícios 
administrativo-gerenciais, não poderá cobrar dos sócios as obrigações da PJ, pois pessoas 
distintas. 
Por termo, estuda-se a sociedade anônima ou por ações. Cabe aqui, apenas o essencial 
para a compreensão da responsabilidade do sócio em face de terceiros para o Direito 
Empresarial. Dessa forma analisa-se que em uma sociedade por ações, cada sócio honesto e 
 
20
 ALMEIDA, Amador Paes de. Execução de Bens dos Sócios.8ª ed. São Paulo, Saraiva, 2007, p. 51/55. 
 
 
 
7 
zeloso é responsável apenas pelo que falta integralizar do valor de sua ação adquirida ou 
subscrita, e nada mais
21
. 
Com isso, pode-se concluir que cada espécie societária à ilustração do Direito 
Empresarial possui uma forma diferente de responsabilizar os membros de seu quadro 
societário em face de terceiros. Todavia, há a necessidade de se verificar em que casos o 
Fisco, na condição de terceiro, pode desconsiderar a diferenciação desses e cobrar aquilo 
que lhe é devido. 
 
3. REQUISITOS DO CTN PARA RESPONSABILIZAÇÃO DO SÓCIO 
 
Já havendo o CC e legislações específicas para disciplinar as responsabilizações dos 
sócios probos em face das dívidas da pessoa jurídica perante terceiros, o CTN trata de buscar 
pelos recursos que sócios ímprobos lhe furtaram. Com esse intuito, regra, algumas 
condições em que isso se pode dar: a do mau uso da personalidade jurídica por sócio gerente 
ou administrador da pessoa jurídica, quando da repartição do patrimônio líquido entre os 
sócios após ou durante a dissolução da pessoa jurídica e quando sócio não gerente ou 
administrador dá razão à obrigação tributária em nome da pessoa jurídica sem poderes para 
tanto. Isso, pela própria redação do artigo 135 do CTN, não diferenciando as diversas formas 
societárias
22
. 
Tendo aquela para matricial exploração, observa-se que a definição de Mamede para 
mau uso da personalidade jurídica envolve dolo e fraude, desvio de finalidade, confusão 
patrimonial, relações de consumo (abuso de direito, excesso de poder, infração da lei, fato 
ou ato ilícito, má administração, ressarcimento frustrado) e relações de trabalho
23
. 
Abrindo com isso o que dispõe o CTN por independer a responsabilidade do agente 
passivo de dolo ou culpa, à luz de Mamede, tem-se por dolo ou fraude não se considera o 
não recolhimento de tributo, mas