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responsabilidade dos socios

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sim o uso de poderes de negociar estabelecimentos ou 
 
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 REQUIÃO, Rubens. Curso de Direito Comercial. 2º Vol. São Paulo: Saraiva, 2005, p. 01/03. 
22
 ALMEIDA, Amador Paes de. Execução de Bens dos Sócios.8ª ed. São Paulo, Saraiva, 2007, p.138. 
23
 MAMEDE, Gladston. Direito Empresarial Brasileiro. 2ª ed. São Paulo: Atlas, 2007, p.221/239. 
 
 
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qualquer forma de gerir recursos da PJ de forma a causar lesões à PJ e/ou a terceiros. Não 
obstante, o referido autor considera que desvio de finalidade, por dolo ou culpa é uma causa 
para desconsideração da personalidade jurídica, assim como a fraude, importando então 
responsabilidade pessoal, o que também caberia em uma análise do CC. 
Outrossim, outro dispositivo disposto no CC, mas que pode se enquadrar nas 
possibilidades de ação que por dolo ou culpa impossibilitam a PJ de adimplir com suas 
obrigações tributárias é o da confusão patrimonial. Esse consiste no sócio utilizar-se de 
estabelecimentos da PJ como se fossem seus, fazendo que, para olhares leigos, tudo pareça 
ser uma coisa só
24
. 
Disso então se percorrem desvios cíveis que implicam em danos tributários, tal qual o 
das relações de consumo. Nessas encontram-se o abuso de direito (quando o sócio, dolosa ou 
culposamente, perante consumidor, pratica ato que ocasione prejuízo à PJ em relação a 
alguma espécie de indenização por dado ao consumidor). O excesso de poder praticado pelo 
gerente não só é abordado pelo CDC, mas também pelo CTN como forma de 
despersonalização da PJ em relação ao terceiro, entretanto, se tal dano causa, em primeiro 
momento lesão à PJ, e ela vem a ficar desprovida de meio de recolher o que deve aos cofres 
públicos, será o sócio em questão o responsável pelo pagamento. Estando o ressarcimento 
frustrado aqui incutido, como dispõe Mamede quando trata de danos ao consumidor. Não 
obstando o disposto em lei própria as relações de trabalho que, por culpa ou dolo do 
administrador/gerente vier a causar dano ao patrimônio da PJ. 
Concomitantemente, há a questão do cometimento de infrações da lei que lesionem à 
PJ, as quais, inegavelmente, acarretariam responsabilidade do sócio gerente em relação a 
tributos. Isso inclui também questões em que esse envolve diretamente a PJ como forma de 
obter vantagem ilícita. O mesmo valendo por má administração, se é que tudo já exposto não 
seria por si só uma forma de mal administrar, considerando mal, agora, com um sentido 
moral, e não hábil, que é ao qual Mamede se refere. 
Consoante ao exposto tem-se o posicionamento de Almeida. Esse abre o debate com a 
evocação do artigo 128 do CTN, expondo que a lei pode atribuir responsabilidade pela 
 
24
 MAMEDE, Gladston. Direito Empresarial Brasileiro. 2ª ed. São Paulo: Atlas, 2007, p.228/229. 
 
 
9 
obrigação tributária a terceiro
25
. Destacando então que, por infração à lei, também se deve 
entender que execução de atividades de administração ou gerência em dissonância de 
estatutos ou contratos sociais também implica em infração
26
, pela qual se deve responder, 
dentre outras formas, com a despersonalização da PJ em face de débito tributário, artigo 135, 
III, do CTN
27
. 
Outra questão que Almeida levanta é a da liquidação em que os sócios receberam suas 
parcelas do patrimônio líquido em prejuízo do erário, que não recebeu o recolhimento dos 
tributos referentes à liquidação da PJ, que acaba por se tornar irregular, transferindo à 
responsabilidade aos sócios na proporção do patrimônio por eles absorvido em relação à 
dissolução
28
. 
Além disso, ainda há a questão de que não se faz necessário haver o nome do 
responsável administrador ou gerente na certidão de dívida ativa, basta o agente o ser, para 
que, atendendo uma das condições acima, passe a responder solidariamente ao Fisco
29
 pelo 
débito tributário
30
. 
 
4. ANÁLISE DE SÚMULAS E DE JURISPRUDÊNCIA SOBRE A 
RESPONSABILIZAÇÃO DO SÓCIO 
 
Trazem Mamede e Almeida cargas jurisprudenciais do tempo de suas obras, refletindo 
o teor do exposto. Verifica-se no STF, no STJ, nos TFR e nos Tribunais de Justiça estaduais 
o posicionamento predominante quanto à interpretação legislativa no que tange 
responsabilização dos sócios em face de execução fiscal. 
 
25
 ALMEIDA, Amador Paes de. Execução de Bens dos Sócios.8ª ed. São Paulo, Saraiva, 2007, p.136. 
26
 MOREIRA, Amanda Alves. A Teoria do Ato: “Ultra Vires”. São Paulo, 1998. Disponível em: < 
http://www.conjur.com.br/1998-dez-17/objeto_social_limites_atuacao_administrado 
27
 ALMEIDA, Amador Paes de. Execução de Bens dos Sócios.8ª ed. São Paulo, Saraiva, 2007, p.137/138. 
28
 Idem, p.138/139. 
29
 BARCELOS, Soraya Marina. A responsabilidade tributária dos sócios da pessoa jurídica em execuções 
fiscais. [s/l]. Disponível em: < http://jus.com.br/artigos/17694/a-responsabilidade-tributaria-dos-socios-da-
pessoa-juridica-em-execucoes-fiscais>, Acesso em 30 ago 2014. 
30
 ALMEIDA, Amador Paes de. Execução de Bens dos Sócios.8ª ed. São Paulo, Saraiva, 2007, p. 140/141. 
 
 
1
0 
Observa-se então, a súmula 184 do TFR
31
, que evoca o artigo 135, I e III, do CTN 
para, demonstrada a baixa irregular da PJ junto à Junta Comercial, legitimar a 
despersonalização da pessoa jurídica e, com isso, recair a execução sobre terceiro, ora 
embargante
32
. Não obstante, uma análise de um recurso sobre decisão da Justiça de Ribeirão 
Preto que concedeu, não sendo suficientes os fundos da PJ, que a execução prosseguisse 
sobre o sócio gerente. Tal decisão restou mantida, vez que o referido sócio, é sócio gerente, e 
se verificou a dissolução irregular da PJ. Outrossim, a defesa do sócio restou ineficiente, vez 
que, mesmo que o sócio não tenha o nome figurando como agente passivo contribuinte, é 
responsável nos termos do CTN por tais débitos quando agindo da forma com que agiu, a 
prejuízo do Fisco. Ressaltando que também se esclarece que não importa, aí, se a PJ possui 
responsabilidade limitada ou não, mas sim se há a presença de irregularidade. Citando-se, 
nesse quesito, jurisprudência do STF, em sendo (RTJ, 103/782 e 1274 e 106/1093; RE 
101962-0-RJ,100920-9-SP, 100195-0-DF e 95022-2-RJ)
33
. 
Mamede, com sua abordagem mais focada no CC, trás posicionamentos que servem 
para a responsabilização do sócio em face de matéria tributária, vez que despersonalizam a 
PJ. Com isso, verifica-se o Recurso Ordinário em Mandado de Segurança 16105/GO, 
examinado pela terceira turma do STJ onde se decidiu que se prestigiaria fraude, ou seja, 
legitimaria essa, caso não se desconsidera-se a personalidade jurídica em face de confusão 
patrimonial
34
. Disso, Mamede conclui, no que se deve concordar, que não é necessário que 
se desconsidere a personalidade jurídica da PJ, mas sim, pode-se configurar solidariedade, 
subsidiariedade ou mesmo, declaração de nulidade do ato que deu origem à obrigação de 
pagar
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, aqui, para o presente trabalho, o fato gerador da obrigação tributária, como se vê 
flagrante no disposto no art. 134, III, do CTN quando se refere à solidariedade dos sócios 
administradores ou gerentes pelo inadimplemento a que deram causa. 
 
31
 Em execução movida contra sociedade por quotas, o sócio, citado em nome próprio, não tem legitimidade 
para opor embargos de terceiro, visando livrar da constrição judicial seus bens particulares. 
32
 ALMEIDA, Amador Paes de. Execução de Bens dos Sócios.8ª ed. São Paulo, Saraiva, 2007, p. 140/141. 
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 ALMEIDA, Amador Paes de. Execução