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Fisioterapia respiratória Insuficiência respiratória pulmonar aguda (IRpA) A insuficiência respiratória pulmonar aguda (IRpA) é a incapacidade do sistema respiratório de manter a ventilação e/ou as trocas gasosas. Não é considerada uma patologia, e sim uma consequência de patologias e/ou de condições clínicas. Lembrete Ventilação é a renovação cíclica do ar. Troca gasosa é o intercâmbio de gases dentro do pulmão, mais especificamente, na membrana alvéolo-capilar. Quando realizamos a admissão de um paciente com quadro de insuficiência respiratória, devemos identificar qual a origem, para melhor direcionarmos nossa conduta. O indivíduo pode apresentar uma insuficiência respiratória de origem pulmonar, ou seja, ocorre alteração na área de troca gasosa, assim, as causas são intrapulmonares. Já em uma insuficiência ventilatória ou de bomba ventilatória, as causas são extrapulmonares, algo ocorre que impede o ar de “chegar” na área de troca gasosa. Causas de insuficiência pulmonar Exemplos de doenças que ocorrem por desequilíbrio ventilação/perfusão (V/Q) e shunt: pneumonia, edema agudo de pulmão de origem cardiogênica, síndrome do desconforto respiratório agudo, hemorragia alveolar, atelectasias, além de derrames pleurais e pneumotórax volumosos. Exemplos de doenças que ocorrem por alteração da difusão: pneumonia, edema agudo de pulmão (fases iniciais), fibrose pulmonar e tuberculose miliar. - o paciente vai apresentar hipoxemia, ou seja, baixo PaO2 no sangue arterial. - hipoxemia. - Alterações intrapulmonares encontradas são: taquipneia, aumento da resistência de via aérea e diminuição da complacência pulmonar. Causas de insuficiência ventilatória (bomba ventilatória) O paciente apresenta alterações extrapulmonares, como patologias do sistema nervoso central, comprometimento do sistema nervoso periférico, patologias do arcabouço ósseo e alterações de vias aéreas. - Hipercapnia, ou seja, aumento PaCO2 no sangue arterial, como consequência da hipoventilação. Exemplos: • Alteração da caixa torácica: cifoescoliose e fraturas de costelas. • Centro respiratório: depressão por drogas (sedativos). • Sistema nervoso: lesão medular alta, traumatismo cranioencefálico e doenças neuromusculares. • Músculos respiratórios: fadiga diafragmática e fraqueza muscular. • Obstrução de vias aéreas: edema de glote. Classificação de acordo com os tipos A IRpA pode ser classificada em dois tipos: • Insuficiência respiratória hipoxêmica (ou tipo I): o paciente apresenta hipoxemia, com PaO2 50 mmHg. Nos dois tipos ocorre hipoxemia, a diferenciação se dá pelo PaCO2. Descrição dos tipos de insuficiência respiratória tipo PaO2 PaCO2 Mecanismo básico I Ou normal Déficit de oxigenação II Déficit de ventilação Sinais clínicos • Taquipneia. • Dispneia. • Uso de musculatura acessória. • Tiragens de fúrcula e musculatura intercostal. • Batimento de asa de nariz. • Padrão respiratório paradoxal. • Cianose. Fisioterapia respiratória • Taquicardia. • Alterações comportamentais: pacientes com IRpA do tipo I frequentemente apresentam agitação psicomotora, enquanto os do tipo II podem demonstrar rebaixamento do nível de consciência, como sonolência e confusão mental. Gasometria arterial referentes aos tipos: • IRpA tipo I: hipoxemia (PaO2 ↓) e alcalose respiratória (pH ↑ PaCO2 ↓). • IRpA tipo II: acidose respiratória (pH ↓ PaCO2 ↑ e hipoxemia (PaO2 ↓). Conduta fisioterapêutica: Posicionar o paciente sentado no leito Administra oxigênio suplementar Aspiração nasotraqueal caso o paciente apresente secreção. Avaliar a necessidade de assistência ventilatória caso o paciente apresente dispneia “falta de ar”. Ventilação mecânica não invasiva Ventilação mecânica invasiva (após o médico realizar a intubação). Observação É importante focarmos na causa da insuficiência respiratória para traçarmos a melhor conduta. _______________________________________ Doenças obstrutivas: doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) e asma As doenças obstrutivas são caracterizadas pela obstrução das vias aéreas, aumento da resistência das vias aéreas e consequente diminuição ao fluxo aéreo expiratório, com consequente hiperinsuflação pulmonar. O que é DPOC: A Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) é uma condição respiratória em que o fluxo de ar nos pulmões é bloqueado de forma progressiva e permanente. Isso ocorre por inflamação crônica causada, principalmente, pelo tabagismo. A DPOC é tratável, mas não tem cura. A DPOC combina duas doenças: Enfisema pulmonar: Destruição dos alvéolos (bolsas de ar nos pulmões), dificultando a troca de gases. Bronquite crônica: Tosse com produção de muco por pelo menos 3 meses durante 2 anos consecutivos. Causas principais: Tabagismo: É o principal fator de risco, sendo responsável pela maioria dos casos. Outros fatores: Poluição, inalação de fumaça de lenha e fatores genéticos, como deficiência de alfa-1-antitripsina. Como afeta o corpo: Inflamação das vias aéreas: Aumenta a produção de muco e causa tosse e expectoração. Destruição da elastina: Diminui a elasticidade pulmonar, dificultando a saída de ar. Compressão das vias aéreas: O ar fica "preso" nos pulmões, levando à hiperinsuflação. Redução da força do diafragma: O pulmão inflado sobrecarrega o músculo, comprometendo a respiração. Consequências respiratórias: Aumento da resistência das vias aéreas: O muco e a compressão das vias dificultam a passagem do ar. Complacência pulmonar alterada: Os pulmões ficam mais "esticados", mas com menor capacidade de troca de ar. Redução das trocas gasosas: Pode causar hipoxemia (falta de oxigênio no sangue) e fadiga muscular. Fisioterapia respiratória Outros efeitos no corpo: A DPOC também pode afetar outros sistemas, levando a descondicionamento físico, inflamação generalizada, perda de massa muscular e miopatia por uso de corticosteroides. Resumo das alterações respiratórias: - Complacência estática: Aumentada. - Complacência dinâmica: Diminuída. - Resistência das vias aéreas: Aumentada. - Volumes pulmonares: Aumentados (VR, CRF e CPT). Complacência estática: mede a elasticidade pulmonar sem a influência do fluxo aéreo. Complacência dinâmica: Mede a elasticidade dos pulmões durante a respiração, enquanto o ar está em movimento. O pulmão comprometido não elimina CO₂ de forma eficiente, levando ao aumento da PaCO2.Para manter o pH dentro da faixa normal, os rins aumentam a produção de bicarbonato (compensação metabólica). Esse quadro é conhecido como acidose respiratória compensada. Sintomas: Dispneia progressiva: Principal sintoma, dificultando atividades diárias e piorando com o tempo. Tosse crônica com expectoração: Pode ser produtiva, especialmente pela manhã. Limitação aos exercícios físicos: Causada por alterações musculoesqueléticas devido à inflamação sistêmica, citocinas e estresse oxidativo. Avaliação clínica: Escala de Dispneia MMRC: Avalia a intensidade da dispneia em 5 níveis (0 a 4). COPD Assessment Test (CAT): Avalia sintomas e impacto da DPOC no dia a dia. St. George Respiratory Questionnaire (SGRQ): Avalia a qualidade de vida relacionada à saúde respiratória. Escala MMRC: 0: Falta de ar apenas com exercício intenso. 1: Falta de ar ao apressar o passo ou subir escadas/ladeira. 2: Precisa parar durante a caminhada no próprio ritmo. 3: Paradas frequentes após poucos minutos de caminhada em terreno plano. 4:Dispneia intensa, dificuldade em sair de casa ou realizar atividades básicas. Exame Físico Pode ser normal nos estágios iniciais. Nos casos avançados: Cianose central: Indica hipoxemia crônica. Tórax em tonel (barril): Aumento do diâmetro anteroposterior. Respiração apical: Predomínio do uso dos músculos superiores. Hipertrofia dos músculos acessórios: Usados para compensar a dificuldade respiratória. Ausculta pulmonar diminuída: Redução de sons respiratórios. Redução da expansibilidade torácica: Torno limitado no movimento respiratório. O diagnóstico da DPOC: Presença de sintomas: dispneia, tosse crônica e escarro. Fatores de risco: história de tabagismo, história ocupacional, exposição à poluição. Espirometria: vamos executar o esclarecimento desse exame de forma simples na sequência. Raio x de tórax: auxilia no diagnostico pois apresenta: hipertransparência difusa, aumento dos espaços intercostais, rebaixamento da cúpula diafragmática e diminuição da área cardíaca por hiperinsuflação ou crescimento da área cardíaca, se houver cor pulmonale. A espirometria é um exame fundamental para diagnosticar e classificar a DPOC, diferenciando-a de outras doenças como a asma. O exame mede três parâmetros principais: - A Capacidade Vital Forçada (CVF), que avalia a capacidade inspiratória e pode estar normal ou reduzida devido à hiperinsuflação; Fisioterapia respiratória - O Volume Expirado Forçado no Primeiro Segundo (VEF1), que analisa a eficiência da expiração e está reduzido na DPOC; - Índice de Tiffeneau (VEF1/CVF), que em pessoas saudáveis é de cerca de 80%, mas na DPOC cai para menos de 70% devido à obstrução das vias aéreas. A resposta ao broncodilatador também ajuda a diferenciar a DPOC (ausência de resposta) da asma (presença de resposta). Tratamento fisioterapêutico: DPOC e crônico. À prevenção de exacerbações, melhora da qualidade de vida e tolerância aos exercícios físicos, o que aumenta a independência funcional. Nos casos de crises, deve- se trazer o paciente, após tratamento, à sua condição de estabilidade. - Pacientes podem ter descompensações ou exacerbações da doença por alguns motivos e, nesses casos, necessitarão de atendimento hospitalar: • Pneumotórax: devido à hiperinsuflação, há rompimento de unidades alveolares e presença de pneumotórax secundário. • Tromboembolia pulmonar: à hipoxemia e policitemia, o sangue do paciente é mais espesso, o que gera hipercoagulabilidade sanguínea, aumentando a chance de formação de trombos que podem deslocar- se para o pulmão, desencadeando um quadro de tromboembolia pulmonar. • Descompensação cardíaca: paciente com DPOC pode desenvolver insuficiência do ventrículo direito, cor pulmonale, talvez aumentando a sobrecarga respiratória. A causa mais comum de descompensação é a pneumonia ou infecção respiratória e é também aquela em que o fisioterapeuta mais atua. Conduta fisioterapêutica Posicionar o paciente em sedestação para melhorar a mecânica respiratória. Eliminar secreção através da aspiração nasotraqueal. Instalar a ventilação mecânica não invasiva (VMNI), que é um sistema de ventilação mecânica com pressão positiva. Objetivos: diminuir a dispneia, amenizar o desconforto respiratório, reduzir o trabalho dos músculos respiratórios, evitar a fadiga muscular respiratória, impedindo a intubação. Caso o paciente não melhore, e permaneça com intensa dispneia, instabilidade hemodinâmica, rebaixamento do nível de consciência, mesmo com a conduta fisioterapêutica adotada, ele deverá ser encaminhado para intubação orotraqueal e ventilação mecânica invasiva, o que aumenta a chance de complicações e a mortalidade. Após essa fase crítica, ou seja, na fase de resolução do quadro de exacerbação: As técnicas de higiene brônquica. Reeducação diafragmática e treinamento muscular são indicadas e podem ser aplicadas com mais tranquilidade. ASMA É uma doença inflamatória crônica das vias aéreas inferiores, que ocorre em crises intermitentes e é caracterizada por hiperresponsividade brônquica e limitação variável ao fluxo aéreo, reversível com tratamento ou espontaneamente. A hiperresponsividade é uma resposta aumentada a estímulos específicos, frequentemente ligada à atopia (predisposição genética com aumento de imunoglobulina E e células inflamatórias). Muitos asmáticos não reconhecem a doença como crônica, o que prejudica a prevenção e o controle de crises, resultando em altas taxas de morbidade e mortalidade, principalmente nos casos graves. O termo "bronquite asmática" deve ser evitado para evitar confusões, sendo indicado apenas em pacientes com DPOC. A etiologia: Fatores genéticos e ambientais, com predisposição familiar para atopia e hiperresponsividade brônquica. Fatores ambientais como alérgenos e irritantes (poeira, pólen, pelos, fumaça de cigarro e vírus) desencadeiam crises. Fisiopatologia: Na primeira exposição ao antígeno, macrófagos apresentam-no aos linfócitos TH2, que produzem citocinas e estimulam a produção de IgE, ligando-se aos mastócitos. Na segunda exposição, o antígeno se une à IgE, liberando histamina, leucotrienos e prostaglandinas, Fisioterapia respiratória resultando em vasodilatação, edema, aumento de secreção e broncoespasmo, gerando sintomas imediatos. Respostas tardias recrutam mais células inflamatórias, causando mais broncoespasmo e, em crises frequentes, remodelamento crônico das vias aéreas com hipertrofia muscular, espessamento da membrana basal e proliferação de células epiteliais e mucosas. Resume as fases e os acontecimentos em cada uma delas: Exposição inicial a um antígeno -> Paciente assintomático: sensibilização -> 2ª exposição a um antígeno -> Fase aguda: recrutamento de células inflamatórias, liberação de mediadores inflamatórios, instalação da tríade da asma: edema, aumento de secreção e broncoespasmo -> Fase subaguda: perpetuação do processo inflamatório -> Fase crônica: remodelamento das vias aéreas e alteração de sua arquitetura. Quadro clínico A asma é caracterizada por dispneia, tosse seca ou com secreção mucoide, opressão torácica e sibilância, com expiração prolongada e sibilos expiratórios à ausculta. Crises graves incluem taquidispneia (> 30 rpm), uso da musculatura acessória, cianose, taquicardia (> 120 bpm), hipotensão e tórax silencioso (silêncio asmático), podendo levar à acidose respiratória com grave hipoxemia e necessidade de ventilação mecânica. Diagnóstico: Surgem na infância, principalmente entre 3 e 5 anos de idade é feito com base em sintomas, histórico familiar e espirometria, sendo confirmada pela reversibilidade significativa (aumento de VEF1 ≥ 200 ml e 12% do valor pré-broncodilatador). A asma é classificada como intermitente ou persistente (leve, moderada ou grave), conforme frequência dos sintomas, limitação de atividades e redução de VEF1 ou pico de fluxo expiratório (PFE). Radiografia de tórax fora de crise costuma ser normal, portanto não é um exame indicado para diagnóstico de asma. Somente durante as crises mais graves podem ser observados sinais de hiperinsuflação, como hipertransparência difusa, aumento de espaços intercostais e rebaixamento da cúpula diafragmática. Tratamento médico: Manter a oxigenação adequada: O uso de oxigenoterapia é essencial para corrigir a hipoxemia. Aliviar a obstrução das vias aéreas: Broncodilatadores inalatórios de curta duração, como os beta-adrenérgicos (ex.: salbutamol) e anticolinérgicos (ex.: brometo de ipratrópio), são administrados repetidamente para alívio do broncoespasmo. Reduzir a resposta inflamatória: Corticoides sistêmicos, geralmente administrados por via intravenosa, controlam a inflamação e previnema piora da crise. Tratamento Fisioterapêutico na Asma Durante a crise: Avaliar a gravidade da crise (fisioterapia como apoio ao tratamento medicamentoso). Posicionar o paciente em sedestação para maior conforto respiratório. Orientar a inspiração profunda com freno labial para melhorar a ação do medicamento e diminuir a hiperinsuflação. Utilizar técnicas de higiene brônquica (huffing) para eliminação de secreção sem aumento da hiperinsuflação. Considerar ventilação mecânica não invasiva (VMNI) em caso de insuficiência respiratória persistente. Se houver piora (tórax silencioso, rebaixamento de consciência), indicar intubação e ventilação invasiva. Fora da crise (ambulatorial): Reduzir o desconforto respiratório, fortalecer musculatura respiratória e melhorar condicionamento cardiorrespiratório. Exercícios respiratórios ou cinesioterapia respiratória: são indicados exercícios realizados de forma lenta, profunda e sustentada, associados à reeducação diafragmática e frenolabial, pois promovem redução da hiperventilação, já que há indícios de que a hipocapnia desencadeada pela hiperventilação aumenta a broncoconstrição, enquanto a hipocapnia gera relaxamento da musculatura brônquica. Portanto, exercícios que favoreçam a respiração tranquila são indicados para reduzir o broncoespasmo, diminuindo o trabalho respiratório. Treinamento muscular respiratório: a hiperinsuflação, o uso de corticosteroides e o sedentarismo podem desencadear fraqueza muscular respiratória em pacientes com doença pulmonar Fisioterapia respiratória crônica. Quando a fraqueza é detectada pelo fisioterapeuta, através do manovacuômetro, ou seja, pressão inspiratória máxima (PImáx) que - 60 mmHg, implica indicação de fortalecimento muscular respiratório através de dispositivos pressóricos lineares. Esse treinamento é realizado com carga de 40 a 60% da PImáx e pode diminuir a dispneia. Exercícios físicos através de reabilitação pulmonar: o exercício físico é recomendado aos pacientes com pneumopatia crônica, incluindo a asma. A prescrição do exercício deve ser individualizada, com intensidade para promover os benefícios da atividade aeróbica e é parte da reabilitação pulmonar, que se trata de um programa muito mais complexo, como já discutimos em DPOC, e que visa aumentar a tolerância aos exercícios físicos e melhorar a qualidade de vida. O exercício físico precisa ser monitorado, pois há muitos pacientes asmáticos que desenvolvem broncoespasmo durante a prática. Doença pleurais Doenças pleurais são restritivas, pois o aumento da pressão no espaço pleural restringe a expansibilidade pulmonar e torácica. Seguintes doenças pleurais: derrame pleural, empiema pleural e pneumotórax. Para melhor compreender as patologias, é importante o conhecimento da anatomia e fisiologia das pleuras. Abordamos em anatomia respiratória, pleuras são sacos fibrosos que revestem os pulmões. Temos duas pleuras, uma que reveste o pulmão esquerdo e outra que reveste o pulmão direito, ambas não se comunicam entre si. Cada uma delas é formada por dois folhetos: • Parietal: que reveste internamente a porção da parede torácica, do músculo diafragma e das estruturas do mediastino relacionadas à cavidade pleural. • visceral: que se encontra aderida externamente ao pulmão. As pleuras são finas membranas que revestem os pulmões e a parede torácica, separadas por um espaço pleural virtual contendo 5 a 15 ml de líquido lubrificante. Esse líquido facilita o deslizamento das pleuras durante a respiração. A pressão pleural é negativa devido ao recuo elástico dos pulmões. O equilíbrio do líquido pleural é regulado pelas pressões hidrostática e oncótica, conforme a lei de Starling, evitando o acúmulo de líquido (derrame pleural). O folheto parietal das pleuras é mais vascularizado e inervado, e o tamanho total da superfície pleural varia de 1 a 2 m². Lembrete Pressão hidrostática é aquela exercida pelo sangue na parede do vaso. Já a pressão oncótica acontece quando da pressão exercida pelas proteínas do plasma. A lei de Starling equilibra a saída e a entrada de líquidos nos capilares, controlada pela pressão hidrostática (que empurra o líquido para fora) e oncótica (que o puxa para dentro). Esse equilíbrio evita o acúmulo excessivo de líquido pleural, prevenindo derrames. Derrame pleural No derrame pleural há presença de acúmulo de líquido na cavidade pleural. Ele pode ser uma manifestação de doença pleural primária ou de doença sistêmica. Quadro com os principais mecanismos para a formação do derrame pleural: Mecanismo Exemplos Aumento da pressão hidrostática nos capilares sanguíneos Insuficiência cardíaca congestiva Diminuição da pressão oncótica/osmótica Desnutrição Distúrbios hepáticos Sobrecarga linfática Neoplasias Vasodilatação dos capilares sanguíneos das pleuras (que ocorrem por infecção ou inflamação) Pneumonia Tuberculose Classificação Podem ser classificados por diferentes critérios, como: localização, volume, aspecto, odor, frequência e etiologia. Quanto à localização, podem ser: • Interlobar: quando o líquido invade as cissuras. • Mediastínico: quando o líquido se localiza exclusivamente no mediastino. • Infrapulmonar: localizado entre o diafragma e a base pulmonar. Fisioterapia respiratória • livres: conforme o posicionamento do paciente, o líquido se desloca. • Incistados: o líquido não se desloca, posiciona-se em lojas pleurais provocadas por aderências. Quanto ao volume (quantidade de líquido), são: • Pequenos: menores que 500 ml. • Médios: de 500 a 1000 ml. • Grandes: maiores que 1000 ml. Quanto ao aspecto do líquido: • Serofibrinoso: hidrotórax é um líquido claro (água), com baixa concentração de proteínas, comum em síndromes nefróticas. • Serossanguinolento: líquido amarelado misturado com sangue. • sanguinolento: hemotórax é a presença de sangue. Pode ocorrer em traumas de tórax, ferimento por arma de fogo e arma branca, além de pós-operatório de cirurgias cardíacas. • Purulento: empiema pleural – presença de pus na cavidade pleural. • Leitoso: quilotórax – presença de linfa na cavidade pleural. Suas causas são neoplasias e infecções. Quanto à etiologia, podem ser de dois tipos: • Transudato: líquido claro, pobre em proteínas e leucócitos, sem cheiro, proveniente dos capilares pleurais, provavelmente por desequilíbrio das pressões hidrostática e oncótica. São exemplos de doenças que podem causar derrame pleural com características de transudato: insuficiência cardíaca congestiva (ICC), insuficiência hepática, insuficiência renal e desnutrição. Quadro clínico • Assintomático em derrames pleurais de pequeno volume. • A presença de dispneia depende do volume do derrame. • Apresenta tosse seca irritativa. • Dor ventilatório-dependente intensa, ou seja, piora como os movimentos respiratórios. Exame físico • Na palpação poderá apresentar a expansibilidade diminuída do lado afetado. • Possui percussão maciça • Frêmito toracovocal (FTV) diminuído ou abolido do lado afetado. • Ausculta pulmonar (AP) diminuída ou abolida do lado afetado. Radiografia de tórax Os achados radiológicos são: • Opacidade ou hipotransparência homogênea do lado afetado. • Velamento ou “apagamento” do ângulo costofrênico. • Presença da curva de Damoiseau ou sinal de menisco: linha curva convexa oposta ao ângulo do seio costofrênico. • Em derrames volumosos podemos encontrar desvio das estruturas do mediastino contralateral e aumento dos espaços intercostais. Na presença de imagem duvidosa é indicada a incidência Hjelm-Laurell (decúbito lateral) caso o líquido esteja livre na cavidade pleural, pois a radiografia evidenciaráo deslocamento do líquido. Fisioterapia respiratória Representação esquemática dos aspectos mais comuns do derrame pleural em uma radiografia. A) Sinal do menisco ou curva de Damoiseau; B) Desvio das estruturas do mediastino contralateral e rebaixamento do diafragma do lado afetado; C) Volume residual de um derrame pleural; D) Localização infrapulmonar; E) Incistado e F) Hidropneumotórax (presença de líquido e gás). Toracocentese Significa punção do tórax. Trata-se de um procedimento utilizado tanto para diagnóstico como para tratamento. O médico introduz uma agulha até o espaço pleural e retira o líquido para análise. É utilizado também para tratamento de alívio. Tratamento “medico”. — Conservador: em derrames pleurais de pequeno volume (menores que 150 ml), geralmente o médico prescreve analgésico e oxigênio e aguarda a reabsorção do derrame. — Drenagem pleural: o médico colocará um dreno entre o terceiro ao quinto espaço intercostal, que, por meio de um extensor, drenará o líquido em um frasco coletor com água (selo d’água). Geralmente, o paciente ficará com o dreno entre 7 a 14 dias. • Pleurodese: procedimento cirúrgico no qual é administrado um talco ou tetraciclina com a finalidade de gerar um processo inflamatório, causando irritação e fibrose nos folhetos pleurais, que serão aderidos. É indicada em derrames pleurais de repetição. Objetivos do tratamento fisioterapêutico Reexpandir o pulmão - principal objetivo Acelerar a reabsorção do líquido Diminuir a possibilidade de aderências e espessamento Manter vias aéreas pérvias Melhorar posturas antálgicas Condutas fisioterapêuticas no derrame pleural Reexpandir - MRP: Descompressão brusca Bloqueio torácico - Exercícios respiratórios - inspirômetros de incentivo - Pressão positiva: CPAP / BIPAP / RPPI. Para manter as vias aéreas pérvias, realizar manobras de higiene brônquica, caso seja necessário. Principalmente em pacientes com derrame pleural secundário a patologias infecciosas, como pneumonia e tuberculose. Melhorar a postura antálgica, realizar alongamentos, mobilização e deambulação com o paciente. Empiema pleural É a presença de pus na cavidade pleural. Etiologia Pode ocorrer por propagação direta, via hematogênica e linfática. Geralmente resulta da complicação de outra patologia ou situação previamente existente. Principais causas: Cirurgias torácicas, traumas torácicos, toracocenteses, drenagens pleurais. Pneumotórax com fístula broncopleural (comunicação entre o brônquio e a pleura). Pneumonia. Tuberculose. Osteomielites de costelas, esterno ou vértebra. Manipulações com rotura de esôfago. Infecções abdominais, como os abcessos diafragmáticos. Abcesso hepático. Sepse. Fases do empiema pleural É dividido em três fases, cujo reconhecimento tem importante implicação no tratamento. Fase I – Exsudativa: Inicialmente, o líquido está pouco espesso por conter pouca fibrina, ainda se encontra livre na cavidade pleural, sem apresentar septações. A remoção é fácil e, em geral, se obtém a reexpansão pulmonar após a drenagem pleural sob selo d’água. Fase II – Fibrinopurulenta: O pus encontra-se extremamente espesso, rico em fibrina. Nessa Fisioterapia respiratória fase, provavelmente já ocorre o aprisionamento do pulmão. Fase III – De organização: Fase em que o revestimento fibrinoso foi transformado em fibrose, formando uma membrana inelástica no espaço pleural, impedindo o pulmão de expandir, ocorrendo o encarceramento pulmonar. Quadro clínico Depende da fase do empiema pleural, mas os mais comuns são: dor torácica, queda do estado geral, prostração, febre, leucocitose, dispneia intensa (EP de grandes volumes), falta de apetite e emagrecimento. Exame físico Lembramos que o empiema é um derrame pleural, portanto os achados no exame físico são os mesmos: • Na palpação poderá apresentar a expansibilidade diminuída do lado afetado. • Percussão maciça. • Frêmito toracovocal (FTV) diminuído ou abolido do lado afetado. • Ausculta pulmonar (AP) diminuída ou abolida do lado afetado. Tratamento medico Drenagem pleural Decorticação pulmonar Tratamento fisioterapêutico Os objetivos e as condutas fisioterapêuticas são as mesmas abordadas no derrame pleural Pneumotórax Trata-se da presença de ar na cavidade pleural. pneumotórax, ocorre quando a pressão na cavidade pleural, que normalmente é negativa, se torna positiva. Normalmente, a pressão atmosférica empurra o ar para os pulmões, enquanto a força retrátil do parênquima pulmonar tenta colapsá-los, criando uma pressão negativa que mantém os pulmões aderidos à parede torácica. Se houver uma fístula (comunicação anormal) entre os pulmões e a cavidade pleural (broncopleural) ou com o meio externo, o ar entra na cavidade pleural, neutralizando a pressão negativa e causando o colapso pulmonar, uma vez que os pulmões não conseguem permanecer expandidos. Ou seja qualquer situação que permita a entrada de ar na cavidade pleural pode resultar no colapso do pulmão. Etiologia As causas do pneumotórax são diversas, iremos classificá-las em: Espontâneo (primário e secundário). Primaria: não está relacionado com nenhuma doença subjacente, e encontradas bolhas ou lesões subpleurais, localizadas nas periferias dos pulmões, particularmente em ápices; se ocorrer o aumento da pressão, levará à ruptura e ao escape de ar ao espaço pleural. É mais comum no gênero masculino, entre 15 e 35 anos, com o biótipo longilíneo, frequentemente unilateral e à direita. Secundário: Ocorre como complicação de uma doença pulmonar preexistente, como doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), asma e tuberculose. Por exemplo, no caso do paciente DPOC, a formação de bolhas se dá pela destruição das paredes alveolares. O espontâneo secundário costuma ser mais grave que o primário devido ao pulmão subjacente já ter uma função pulmonar comprometida. Traumático (aberto e fechado). Trauma aberto: Acontece quando ocorre um trauma que tem comunicação com o meio externo. Exemplo: ferimentos por arma de fogo e por arma branca. Pneumotórax aberto, com desvio do mediastino contralateral Traumático fechado: Acontece quando ocorre um trauma que não tem comunicação com o meio externo. Por exemplo: fratura de costela, que perfura a pleura visceral, causando o pneumotórax. Iatrogênico: É considerado o pneumotórax mais frequente, principalmente em pacientes hospitalizados. Trata-se de uma complicação de um tratamento invasivo, que pode ser ocasionado pelo profissional da saúde, como o médico ou pelo fisioterapeuta. Exemplos: Passagem de cateter para acesso venoso central (intracath), Toracocentese., Manobra de reanimação cardiorrespiratória, O ajuste inadequado da pressão pode ocasionar barotrauma em pacientes com ventilação mecânica invasiva (pressão positiva), Biópsia pulmonar. Fisioterapia respiratória Pneumotórax hipertensivo: O ar entra no espaço pleural por meio da fístula broncopleural na inspiração e não sai na expiração. Ocorre acúmulo progressivo de ar. É uma situação de emergência, pois o aumento da pressão intratorácica diminui o retorno venoso e a pressão arterial (hipotensão), podendo o paciente apresentar parada cardiorrespiratória. Observação Com exceção do pneumotórax traumático aberto, todos os outros tipos podem apresentar pneumotórax hipertensivo valvular. Quadro clínico Os sintomas mais frequentes são: • Dor intensa, abrupta e ventilatório-dependente. • Dispneia. • Tosse seca irritativa. • Cianose. • Sudorese. • Sensação de sufocamento. • Pode apresentar sinais de insuficiência respiratória pulmonar aguda. • Hipotensão (em casos de pneumotórax hipertensivos).Método para quantificar o pneumotórax Exame físico • Na palpação poderá apresentar a expansibilidade diminuída do lado afetado. • Tórax assimétrico. • Percussão hipertimpânica do lado acometido. • Frêmito toracovocal (FTV) diminuído ou abolido do lado afetado. • Ausculta pulmonar (AP) diminuída ou abolida do lado afetado. • Presença de enfisema subcutâneo Radiografia de tórax Além do colapso parcial e total do pulmão, os principais achados radiológicos são: • Hipertransparência sem a trama vasobrônquica entre os folhetos pleurais. • Visualização da linha da pleura visceral. Dependendo da extensão do pneumotórax, também podemos encontrar: • Hiperexpansão do tórax do lado acometido. • Rebaixamento do diafragma do lado afetado. Pneumotórax espontâneo primário com 80% de volume. Apesar do colapso alveolar, bleb subpleural se mantém inflada. Tratamento médico: Conservador: Em pneumotórax espontâneo pequeno, quando apresenta uma extensão de até 20%, em poucos dias o ar é reabsorvido. O médico irá prescrever analgesia e oxigênio. Toracocentese: Em casos de pneumotórax hipertensivo, realiza-se a punção de alívio no segundo espaço intercostal até que a drenagem pleural seja executada. Drenagem pleural: O médico colocará um dreno no segundo espaço intercostal que, por meio de um extensor, soltará o ar em um frasco coletor com água (selo d’água). O ar deverá borbulhar no frasco. Objetivos Condutas Reexpansão pulmonar Manobras de reexpansão pulmonar Cinesioterapia respiratória Inspirômetro de incentivo Pressão positiva (caso opte por essa conduta, tenha cuidado com a fístula broncopleural – observe borbulhamento no frasco coletor) Evitar alterações posturais devido a dreno e/ou dor. Mobilização Alongamento Deambulação Cuidados com o dreno pleural Em casos de pneumotórax, observar no frasco coletor se está borbulhando. Enquanto estiver borbulhando ainda há presença de pneumotórax. Fisioterapia respiratória Em caso de derrame ou empiema pleural, observar o aspecto do líquido, sua coloração e débito. Não fixar o dreno na cama Não deitar sobre o dreno Não elevar o frasco coletor acima do ponto de inserção Não tracionar na mudança de decúbito Não pinçar o dreno Pneumonia Processo inflamatório seguido de infecção pulmonar, com presença de exsudação intra-alveolar. Apesar do desenvolvimento dos antibióticos, a pneumonia é a principal causa de morte por doença infecciosa no mundo. Critérios de Classificação: Critérios Anatomorradiológicos (Localização): Lobar: Restrita a um lobo pulmonar. Segmentar: Localizada em um segmento pulmonar. Broncopneumonia: Extensa, com múltiplas imagens radiológicas uni ou bilaterais, padrão alveolar, limites irregulares e infiltrados intercalados com áreas de parênquima pulmonar. Critérios de Patogenia (Mecanismo de Infecção): Microaspirações de secreções infectadas das vias aéreas superiores (VAS): Os micro-organismos aspirados chegam aos alvéolos, facilitando a replicação bacteriana com o extravasamento de líquido seroso. A propagação ocorre por meio dos poros de Kohn, distribuindo o líquido de edema para outros alvéolos. Critérios de Patogenia (Mecanismo de Infecção): Disseminação por via hematogênica: A infecção de um foco distante (pele, meninges, ossos, intestino, vias urinárias) é transportada pelo sangue até o pulmão, onde se estabelece. Continuidade: A infecção se espalha a partir de um foco próximo ao pulmão. Macroaspiração: Ocorre pela aspiração de conteúdo gástrico para as vias aéreas inferiores. Etiologia Bacteriana: geralmente é a principal causa das pneumonias comunitárias. Os agentes etiológicos mais comuns são: Streptococcus pneumoniae, Mycoplasma pneumoniae, Haemophilus influenzae, Chlamydia trachomatis, Staphylococcus aureus, Legionella spp., Pseudomonas aeruginosa, Enterobactérias, Enterobacter spp., Mycobacterium tuberculosis, Klebsiella pneumoniae, Chlamydophila pneumoniae, Escherichia coli, Chlamydophila psittaci. Viral: coronavírus, adenovírus, vírus sincicial respiratório, Influenza A e B. Fúngica: geralmente ocorre em pacientes imunodeprimidos. Os agentes etilógicos mais comuns são: Pneumocystis jirovecii, Candida spp., Aspergillus spp., Cryptococcus neoformans Pneumonia comunitária: Adquirida na comunidade, ou caso o paciente procure o ambiente hospitalar, é diagnosticada em até 48 horas de internação. Pneumonia hospitalar ou nosocomial: Pneumonia adquirida no ambiente hospitalar, diagnosticada após 48 horas de internação. Fisiopatologia: Contaminação ocorre por inalação, aspiração, via hematogênica ou por contiguidade, depois vem o Processo inflamatório gera edema inicial no interstício pulmonar e, posteriormente, nos alvéolos, condensação pulmonar que leva a áreas perfundidas, mas não ventiladas, causando alteração da relação ventilação/perfusão por efeito shunt. Consequências: Hipoxemia e hipercapnia: Redução das trocas gasosas. Redução da complacência pulmonar: Diminuição da elasticidade pulmonar. Acúmulo de secreções: Pode obstruir vias aéreas. Aumento do trabalho respiratório: Maior esforço para manter a ventilação adequada. Resumido: alveolar Processo inflamatório exsudatos intersticial Condensação parênquima alteração V/Q (shunt). Fatores de risco Hospedeiro Indivíduos com mais de 60 anos e recém-nascidos têm maior chance de complicações devido ao sistema imunológico ser mais frágil. / Estado Fisioterapia respiratória nutricional / Estado imunológico / Viroses respiratórias pregressas / Doenças de base são principalmente pulmonares, como DPOC e asma. Ambiental Poluição ambiental /Tabagismo.passivo/ativo. Socioeconômico Condições habitacionais e sanitárias / Dificuldade ao acesso de serviço de saúde. Quadro clínico Dor ventilatório-dependente, quando ocorre acometimento da pleura. Febre. Incialmente tosse seca, que evolui para tosse produtiva com secreção. Prostração. Falta de apetite. Emagrecimento. Em paciente com doença pulmonar obstrutiva crônica e em idosos, o quadro clínico pode ser mais insidioso. Em casos mais graves, o indivíduo pode apresentar os sinais de insuficiência respiratória pulmonar aguda. Cada agente etiológico demonstra particularidades. Diagnóstico: Realizado por meio dos achados clínicos já discutidos, alterações na gasometria arterial, hemograma, hemocultura, exame de escarro e radiografia de tórax. Exames Complementares: Gasometria arterial: Tipo I (Hipoxêmica): Déficit de oxigenação, com hipoxemia (PaO2 ↓). Alcalose respiratória: O aumento do trabalho respiratório leva à hipocapnia (PaCO2 ↓), resultando em elevação do pH. Progressão para Acidose Respiratória: O acúmulo de líquido intersticial e alveolar prejudica a ventilação, levando à retenção de CO2 (PaCO2 ↑) e queda do pH (acidose respiratória). Hemograma: Leucocitose, indicando infecção. Hemocultura e exame de escarro: Identificação do agente etiológico. Radiografia de tórax: Pneumonia localizada: Opacidade homogênea no lado afetado. Broncopneumonia: Opacidade heterogênea difusa com broncograma aéreo. Exame físico • Frêmito toracovocal (FTV): aumentado do lado acometido. • Percussão: macicez ou submacicez • Ausculta pulmonar: o ruído adventício característico é estertor crepitante. Tratamento fisioterapêutico Objetivo conduta Higiene brônquica/ Manutenção das vias aéreas pérvias - Manobras de higiene brônquica. - Flutter/Shaker - Tosse - Aspiração, se necessário Aumento de volumes e capacidades pulmonares/Prevençãode atelectasias/ Reexpansão pulmonar - Manobras de reexpansão pulmonar - Cinesioterapia respiratória - Inspirômetro de incentivo - Pressão positiva (VMNI) Diminuição do trabalho respiratório -Ventilação mecânica não invasiva -Ventilação mecânica invasiva Manutenção ou melhora da troca gasosa - Oxigenoterapia - Ventilação mecânica não invasiva - Ventilação mecânica invasiva Evitamento de alterações musculoesqueléticas, complicações de imobilismo - Mobilização - Alongamento - Deambulação Tuberculose Fisioterapia respiratória Doença infectocontagiosa causada pela Mycobacterium tuberculosis (bacilo de Koch), de notificação compulsória. Características Principais: Infecciosa: A doença infecciosa mais mortal do mundo. Contagiosa: A transmissão ocorre por aerossóis eliminados por tosse, espirro ou fala. Foco Pulmonar: Pulmão é o principal órgão afetado, mas pode atingir outros órgãos (TB extrapulmonar). Granulomatosa: Formação de granulomas que podem evoluir para cicatrizes fibróticas. Transmissão: Via respiratória (inalação de partículas infectadas). Pacientes com baciloscopia positiva são os principais transmissores. Contato íntimo e prolongado aumenta o risco. Fatores de risco: HIV+, quimioterapia, desnutrição, tabagismo, más condições de vida e imunossupressão. Fisiopatologia: Infecção Primária: Bacilos inalados atingem os alvéolos, gerando uma resposta inflamatória inicial. Latência: Bactéria pode permanecer inativa. Ativação: A TB pode se reativar endogenamente (sistema imunológico falha) ou por reinfecção exógena (novas exposições). Disseminação: Pode causar TB pulmonar bacilífera (sintomática e contagiosa) ou acometer outros órgãos via disseminação hematogênica (ex.: TB miliar). Prevenção Vacinação com BCG, controle de fatores de risco e tratamento adequado de pacientes bacilíferos. Quadro clínico Os sintomas da TB são: Tosse persistente por pelo menos três semanas e com secreção purulenta, Hemoptise eventual, Febre vespertina que não ultrapassa 38,5 ºC., Sudorese noturna., Anorexia e emagrecimento, Dispneia. Diagnóstico Critérios Clínicos: Tosse por mais de três semanas, Suspeita radiológica de TB (ex.: consolidação pulmonar, linfoadenomegalia, imagens anulares no ápice direito), Histórico de fatores de risco e imunossupressão. Exames Baciloscopia (BAAR): Principal método diagnóstico./ Simples, rápido e de baixo custo./ Confirma presença de bacilos no escarro/ oletado em três amostras em jejum. Cultura para Micobactéria: Indicada quando baciloscopia é negativa. Permite crescimento bacteriano para confirmação do diagnóstico. Radiografia de Tórax: Realizada em todos os casos suspeitos de TB pulmonar. Identifica padrões sugestivos, como consolidações e lesões no ápice pulmonar. Tratamento Médico O tratamento da TB é eficaz, mas exige rigor no acompanhamento: Farmacoterapia: Antibióticos: (Rifampicina (R), Isoniazida (H), Pirazinamida (Z) – dose correta por no mínimo 6 meses), Fornecimento gratuito e contínuo dos medicamentos, Supervisão regular para garantir adesão, especialmente em populações vulneráveis (moradores de rua, etilistas). Fisioterapia respiratória Isolamento Respiratório: PRECAUÇÃO DE AEROSSOIS Lavagem rigorosa das mãos. Quarto privativo com pressão negativa e filtro Hepa. Portas do quarto e antessala mantidas fechadas. Uso de máscara facial simples no paciente durante transporte. Máscaras N95 (PFF2) obrigatórias para os profissionais de saúde. Lembrete Existem alguns tipos de precauções ou isolamentos sugeridos para os pacientes. Precaução padrão: para todos os pacientes, inclui lavagem das mãos; isolamento de contato, com o uso de luvas e avental descartável indicado para os pacientes com feridas ou infecção urinária e respiratória, que pode ser por gotículas, que são partículas maiores, portanto, a máscara cirúrgica simples é indicada; ou aerossóis, que são partículas menores, é o caso da tuberculose, em que é indicada a máscara N-95. Tratamento fisioterapêutico Fase de Isolamento Respiratório (Primeiros 15 Dias) - Vibrocompressão: Facilita o deslocamento de secreções. - ELTGOL (Expiração Lenta Total com Glote Aberta): Ajuda na drenagem das secreções das regiões mais periféricas do pulmão. - Aceleração do Fluxo Expiratório e Drenagem Postural: Facilitam a expectoração. - Nebulização com soro fisiológico 0,9%: Ajuda a fluidificar as secreções e melhorar a eliminação. Fase Inicial da Doença (Pacientes Estáveis e em Tratamento) Técnicas de Reexpansão Pulmonar: - Exercícios respiratórios e cinesioterapia para melhorar a capacidade pulmonar. - Manobras de descompressão brusca para evitar áreas de colapso pulmonar e minimizar perdas funcionais. Objetivo: Reduzir o comprometimento restritivo e fibrose pulmonar associados à TB crônica. Pacientes Graves (Internados em UTI) - Suporte Ventilatório: Monitoramento e ajustes da ventilação mecânica. - Mobilização Precoce: Prevenir fraqueza muscular, síndrome do imobilismo e outras complicações decorrentes da internação prolongada Manobras de Higiene Brônquica: Aplicadas com cuidado para evitar complicações. Fase de Resolução e Sequelas Pulmonare Reabilitação Pulmonar: - Exercícios aeróbicos e resistivos dentro de um programa multidisciplinar para melhorar a tolerância ao esforço físico e qualidade de vida. Treinamento Muscular Respiratório (TMR): - Uso de dispositivos de carga linear pressórica com carga de 40% a 60% da PImáx, duas vezes por dia. - Foco na melhora da força dos músculos respiratórios e redução da fadiga respiratória. Fisioterapia Motora e Deambulação Indicação para pacientes debilitados ou com acometimento ósseo, visando: - Recuperação funcional e fortalecimento muscular. - Prevenção de complicações associadas à imobilidade e melhora da independência funcional. Síndrome do desconforto respiratório agudo (SDRA) A Síndrome do Desconforto Respiratório Agudo (SDRA), também conhecida como Síndrome da Angústia Respiratória Aguda (SARA), não é uma doença isolada, mas sim uma consequência de um processo inflamatório grave nos pulmões. Essa Fisioterapia respiratória inflamação leva ao aumento da permeabilidade dos vasos sanguíneos pulmonares, resultando em acúmulo de líquido nos alvéolos e dificuldade na troca de oxigênio. Principais sinais e sintomas A SDRA se manifesta com sintomas respiratórios intensos, tais como: Taquipneia grave (respiração muito acelerada). Dispneia (falta de ar intensa). Cianose (coloração azulada da pele e mucosas, indicando baixa oxigenação do sangue). Hipoxemia refratária à oxigenoterapia (baixo nível de oxigênio no sangue que não melhora com oxigênio suplementar). Redução da complacência pulmonar (perda da elasticidade dos pulmões, dificultando a respiração) Infiltrado pulmonar difuso (imagem sugestiva de inflamação nos pulmões nos exames de imagem). Causas da SDRA A SDRA pode ser causada por fatores que afetam diretamente os pulmões (lesões diretas) ou por condições que desencadeiam uma resposta inflamatória sistêmica (lesões indiretas). Lesões diretas (pulmonares): Pneumonia grave. Aspiração de conteúdo gástrico (broncoaspiração). Contusão pulmonar (trauma no pulmão). Quase afogamento. Inalação de gases tóxicos. Infecção por coronavírus (COVID-19). Lesões indiretas (extrapulmonares): Sepse (infecção generalizada – principal causa de SDRA). Politransfusão (transfusão de grandes volumes de sangue). Pancreatite grave. Uso de circulação o extracorpóreaem cirurgias cardíacas. Fisiopatologia A doença começa com uma lesão na membrana alvéolo-capilar, que provoca um processo inflamatório intenso. Isso gera: Aumento da permeabilidade vascular pulmonar, permitindo a passagem de líquidos para dentro dos alvéolos. Edema pulmonar difuso, prejudicando a troca gasosa. Degradação do surfactante pulmonar, substância essencial para manter os alvéolos abertos. Atelectasia (colapso parcial ou total dos alvéolos), dificultando ainda mais a respiração. A SDRA é uma condição grave que exige tratamento imediato, geralmente em unidade de terapia intensiva (UTI), com suporte ventilatório e medidas para tratar a causa subjacente. fases da Evolução: A Síndrome do Desconforto Respiratório Agudo (SDRA) evolui em três fases principais: Fase Exsudativa (Pulmão de Choque – 3 a 7 dias): Nesta fase inicial, os pulmões ficam "pesados" devido ao acúmulo de líquido. Há congestão capilar, com aumento da permeabilidade vascular. Os granulócitos (células do sistema imune) se acumulam e formam microtrombos nos pequenos vasos. líquido rico em proteínas extravasa para os alvéolos, causando seu colapso (atelectasia). O paciente apresenta grave dificuldade respiratória e hipoxemia refratária. Fisioterapia respiratória Fase Proliferativa: O organismo tenta se recuperar, promovendo a proliferação de fibroblastos e células endoteliais. Ocorre uma tentativa de reparação dos alvéolos, mas os pneumócitos tipo II (responsáveis pela produção de surfactante) perdem suas funções. A redução do surfactante piora o colapso alveolar e a rigidez pulmonar. Nessa fase, alguns pacientes começam a apresentar melhora, enquanto outros evoluem para a fase final. Fase de Cicatrização (ou Fibrose Pulmonar): Se a inflamação não for controlada, o pulmão entra em um processo de fibrose. Os alvéolos danificados são substituídos por tecido cicatricial, tornando o pulmão menos elástico e rígido. A respiração continua comprometida e pode haver necessidade prolongada de suporte ventilatório. Critérios de Diagnóstico da SDRA Para confirmar a SDRA, utilizamos os critérios da Conferência de Berlim, que são baseados na gravidade da hipoxemia (nível de oxigênio no sangue) e em exames clínicos. Índice de Oxigenação (PaO₂/FiO₂) É calculado dividindo a pressão arterial de oxigênio (PaO₂) pela fração inspirada de oxigênio (FiO₂). Como obter esses valores? PaO₂ → Obtido pela gasometria arterial. FiO₂ → Verificado no monitor do ventilador mecânico. A classificação da SDRA é feita com base no índice de oxigenação: 🔹 Leve: PaO₂/FiO₂ entre 200 e 300 mmHg. 🔹 Moderada: PaO₂/FiO₂ entre 100 e 200 mmHg. 🔹 Grave: PaO₂/FiO₂ menor que 100 mmHg. Pressão Positiva Expiratória Final (PEEP): é uma pressão mantida no pulmão ao final da expiração para evitar o colapso alveolar. Valor fisiológico: Cerca de 5 cmH₂O. Em casos graves, pode ser ajustada para melhorar a troca gasosa e combater a hipoxemia refratária. Lembrete Os sinais de IRpA são: taquipneia, dispneia, uso de musculatura acessória, tiragens de fúrcula e musculatura intercostal, batimento de asa de nariz, padrão respiratório paradoxal, cianose e taquicardia. Raio x com imagem de síndrome do desconforto respiratório agudo. Tratamento Geral da SDRA A mortalidade na SDRA geralmente ocorre não apenas pela insuficiência respiratória, mas também devido a complicações como choque séptico e disfunção de múltiplos órgãos. Por isso, o tratamento da causa primária é essencial. Principais Medidas Terapêuticas: Sedação – Reduz o esforço respiratório e melhora a adaptação ao ventilador mecânico. Assistência ventilatória – Ventilação mecânica invasiva ou não invasiva conforme a gravidade. Melhora da troca gasosa – Estratégias para otimizar a oxigenação. Monitorização e manejo hemodinâmico – Controle rigoroso da pressão arterial e da perfusão tecidual. Suporte nutricional – Nutrição enteral ou parenteral para evitar desnutrição. Uso de anti-inflamatórios e antibióticos – Conforme a causa da SDRA. Controle glicêmico – Para evitar hiperglicemia e complicações metabólicas. Prevenção de complicações: Pneumonia associada à ventilação mecânica (PAV). Trombose venosa profunda (TVP). Úlceras de pressão. Tratamento Fisioterapêutico Fisioterapia respiratória A fisioterapia respiratória tem papel fundamental no suporte ventilatório e no desmame da ventilação mecânica. Objetivos da fisioterapia: Reverter a hipoxemia – Melhorar a oxigenação do paciente. Reduzir o trabalho respiratório – Diminuir o esforço necessário para respirar. Evitar lesão pulmonar induzida pela ventilação mecânica – Ajustando parâmetros e técnicas ventilatórias. Principais Estratégias Fisioterapêuticas Recrutamento alveolar – Técnicas para expandir os alvéolos colapsados. Otimização da PEEP – Ajuste da pressão expiratória para evitar colapso alveolar. Posição Prona – Colocar o paciente de bruços (decúbito ventral) melhora a oxigenação ao redistribuir os líquidos pulmonares, reduzindo a compressão dos alvéolos. FISIOTERAPIA NO PRÉ E PÓS-OPERATÓRIO DE CIRURGIA GERAL A fisioterapia desempenha um papel essencial tanto no pré quanto no pós-operatório de cirurgias gerais, minimizando alterações respiratórias e reduzindo o risco de complicações. Principais Alterações Respiratórias Causadas pela Cirurgia Anestesia geral e intubação orotraqueal levam a: Diminuição do comando ventilatório. Deslocamento cefálico do diafragma. Redução da ventilação, especialmente nas bases pulmonares. Formação de microatelectasias (colabamento alveolar). Diminuição da capacidade residual funcional (CRF) em até 15%. Acúmulo de secreção devido à redução do batimento ciliar. Incisões cirúrgicas que impactam a função respiratória: Cirurgias abdominais altas – Reduzem a mobilidade diafragmática. Toracotomias – Podem comprometer a expansão pulmonar e a ventilação. Laparotomias e laparoscopias – Dependendo da extensão, alteram a mecânica respiratória. Principais Complicações Respiratórias Pós- Cirúrgicas Atelectasia – Colapso dos alvéolos devido à hipoventilação. Pneumonia – Maior risco por secreções acumuladas. Derrame pleural – Acúmulo de líquido na cavidade pleural. Tromboembolismo pulmonar – Formação de coágulos devido à imobilidade. Insuficiência respiratória – Em cirurgias mais invasivas. Atuação da Fisioterapia no Pré e Pós-Operatório No Pré-operatório: Educação do paciente sobre exercícios respiratórios. Treino da técnica de inspiração profunda e expiração controlada. Orientação sobre higiene brônquica e mobilidade precoce. No Pós-operatório: Exercícios respiratórios – Incentivo à respiração profunda para evitar atelectasia. Cinesioterapia respiratória – Mobilização diafragmática e torácica. Treino de tosse assistida – Auxilia na remoção de secreções. Posicionamento e mobilização precoce – Evita complicações pulmonares e trombose. Alterações e Complicações Respiratórias no Pós- Operatório (PO): As cirurgias abdominais e torácicas podem causar alterações respiratórias esperadas, como: Redução dos volumes pulmonares (até 50%) devido à paresia do diafragma. Padrão respiratório alterado, passando a ser mais apical, prejudicando a ventilação das bases pulmonares. Hipoxemia (baixa oxigenação do sangue) causada por menor troca gasosa. Fisioterapia respiratória Acúmulo de secreções devido à redução do movimento ciliar causada pela anestesia. Essas alterações costumam durar até 15 dias, sendo mais intensas nas primeiras 48h. Se não forem tratadas, podem evoluir para complicações respiratórias, como: Atelectasia: colabamentodos pulmões, levando a falta de ar, cianose e diminuição da ventilação. Pneumonia hospitalar: acúmulo de secreções e infecção pulmonar, com febre e tosse com secreção. Importância da Fisioterapia no Pré e Pós- Operatório Antes da cirurgia (pré-operatório): Avaliação dos riscos (doenças respiratórias, tabagismo, obesidade, tipo de cirurgia). Exercícios respiratórios para fortalecer a musculatura e reduzir complicações. Orientação ao paciente sobre respiração, tosse eficaz e mobilização precoce. Após a cirurgia (pós-operatório): Monitoramento do paciente na UTI ou unidade de recuperação. Técnicas de reexpansão pulmonar (cinesioterapia, exercícios respiratórios, uso de incentivadores respiratórios). Mobilização precoce para evitar complicações. Posicionamento correto para melhor ventilação. 1)_Tosse assistida estabilizando a cicatriz cirúrgica com as mãos. 2) o paciente abraçando o travesseiro. Reexpansão Pulmonar (Exercícios respiratórios): Inspiração em tempos, Sustentação máxima da inspiração, Reeducação diafragmática. Terapias complementares: (Cinesioterapia respiratória, Incentivadores inspiratórios, Pressão positiva com máscara). Mobilização Precoce do Paciente: Assim que autorizado pelo médico, estimular: Retirada do leito, Bipedestação (ficar em pé), sentar na poltrona, Marcha assistida.