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CONCEPÇÕES DE TEXTO BENTES, A. C.; REZENDE, R. C. Texto: conceitos, questões e fronteiras [con]textuais. In: SIGNORINI, I. (org). [Re]discutir texto, gênero e discurso. São Paulo: Parábola Editorial, 2008, p. 19-46. Texto ■ Fenômeno com o qual lidamos cotidianamente em nossas práticas comunicativas → parte constitutiva de nossas vidas. Conceito controverso, mote de disputa teórica de muitos domínios teóricos diferentes → definições, por vezes, inconciliáveis. Texto ■ Nosso objetivo é refletir acerca do status do texto enquanto artefato linguístico e enquanto produto/processo sociocultural p.21. ■ O texto como artefato linguístico: é uma construção que utiliza elementos da linguagem, como palavras, frases e estruturas gramaticais, para transmitir informações, expressar ideias e estabelecer uma comunicação. Como artefato linguístico, um texto pode ser analisado em termos de sua estrutura, estilo, coerência, coesão e outros aspectos linguísticos que o compõem. Texto ■ O texto como produto/processo sociocultural: Ele é criado dentro de um contexto social, influenciado pelas normas, valores, crenças e práticas da comunidade em que é produzido. Reflete as características da sociedade em que está inserido, podendo abordar questões culturais, históricas, políticas, sociais e econômicas. Ele pode transmitir ideologias, representar identidades e desempenhar um papel significativo na construção e disseminação de conhecimentos e discursos sociais. ■ O processo de interpretação de um texto também é social e culturalmente determinados. Os leitores são influenciados por suas experiências, conhecimentos prévios e pelo contexto em que estão inseridos. A interpretação de um texto pode variar de acordo com a cultura, formação educacional, perspectivas individuais e outros fatores sociais. Texto e língua ■ A língua circunscreve a concepção de texto. p. 22 ■ Em outras palavras, o modo como um texto é concebido e compreendido está intrinsecamente ligado à teoria ou arcabouço teórico adotado e à visão de língua/linguagem subjacente. Concepções estruturalistas de texto O estruturalismo linguístico: busca identificar as estruturas subjacentes das línguas, estudando as relações entre os elementos linguísticos (fonemas, morfemas, sintaxe) e como eles se combinam para formar unidades maiores, como palavras e frases. Saussure. ■ Hjelmslev ■ Harris Concepções estruturalistas de texto ■ Hjelmslev ■ Herdeiro do estruturalismo saussureano → tem como foco a langue; ■ Acrescenta: uma teoria da linguagem também deve abordar a parole. ■ Acredita que mesmo os fenômenos linguísticos tidos como heteróclitos, que não seguem as regras gerais ou regulares do sistema linguístico, podem ser sistematizados. Ex: Irregularidades fonéticas - mudanças históricas, influências de outras línguas ou variações dialetais. Concepções estruturalistas de texto ■ Hjelmslev: Qualquer ato de linguagem – incluindo aí textos empíricos, os diferentes gêneros textuais – é um texto. p.23. O texto é uma mera forma de existência da língua; Se pensarmos em termos da relação língua e texto, o texto é uma estrutura sintagmática, ao passo que a língua é uma estrutura paradigmática. p.23 Concepções estruturalistas de texto O eixo sintagmático é definido como eixo da combinação e o paradigmático como o eixo das escolhas (substituições/oposições) , ou seja, são as possibilidades de combinações e escolhas disponíveis dentro do campo de alternativas. Os textos são as manifestações da língua. Concepções estruturalistas de texto - Harris ■ De uma forma diferente de Hjelmslev, Harris também se ocupa da relação entre os termos que formam um texto: quer saber como os elementos linguísticos aparecem no texto – quais são os que sempre se encontram próximos de outros, ou no mesmo ambiente que outros - p. 24. ■ Mas além disso, Harris está interessado em descrever e classificar as características formais do texto, como o comprimento médio das palavras, a frequência das palavras e a ordem de palavras nas frases. Harris enfatiza a importância da análise quantitativa e estatística para compreender a estrutura do texto. Concepções estruturalistas de texto ■ Harris: ■ [o texto] compõe-se de uma sequência de expressões ou sentenças ligadas, podendo ir desde sentenças de uma só palavra até uma obra em vários volumes. p. 24 A idade das palavras Assim como os seres vivos, as palavras também envelhecem. Alguns vocábulos tornam-se melhores com a idade, adquirindo cada vez mais significados e popularidade, ao passo que outros acabam caducando, praticamente sumindo do vocabulário ou sobrevivendo com sentidos distintos do original. (...) (http://revistalingua.uol.com.br/textos/80/a-idade-das-palavras-260792- 1.asp.) A idade das palavras Assim como os seres vivos, as palavras também envelhecem. Alguns vocábulos tornam-se melhores com a idade, adquirindo cada vez mais significados e popularidade, ao passo que outros acabam caducando, praticamente sumindo do vocabulário ou sobrevivendo com sentidos distintos do Ø original. (...) Foco na coesão textual: estruturação interna do texto ■ Correferência: é a relação que existe entre termos ou expressões que têm um referente comum. ■ Seleção do artigo: contribui para a clareza e a referência apropriada dos elementos mencionados. ■ Concordância dos tempos verbais: ajuda a estabelecer relações temporais claras entre eventos e a manter a continuidade e a coerência do discurso. ■ Relações entre enunciados ligados por conectores ou outras expressões. Assim como – comparativa; ao passo que – oposição/contraste; e – adição; ou – apresenta escolha/alternativa. Gramáticas textuais A partir da proposta de Harris, surgiram as chamadas gramáticas textuais. Ao contrário da gramática tradicional, que se concentra principalmente na estrutura gramatical das frases isoladas, a gramática textual se preocupa com a forma como as frases e as unidades linguísticas se combinam para criar textos coesos e coerentes. Objetivo: Entender o conceito de texto como a unidade linguística mais alta, superior à sentença. Mas não foram descobertos padrões para distinguir os textos dos não textos. Gramáticas textuais Gramáticas textuais Linguística do Texto ■ + - 1960 Mais do que afirmar que o texto é estruturado linguisticamente, a Linguística do Texto passa a valorizar o fato de que a estrutura textual é determinada por aspectos pragmáticos (quem está falando, onde, quando e por quê), visto que essa estrutura deve atender a uma função comunicativa. ■ A linguagem é uma forma de atividade humana construída nas/pelas interações sociais estabelecidas por interlocutores dotados de objetivos comunicativos. (linguagem como interação). Concepções de texto da Linguística do Texto ■ Beaugrande e Dressler (1981) (linguistas americanos): o esforço dos autores passa a se concentrar na busca de uma propriedade distintiva do texto, a textualidade. ■ Texto será definido como uma ocorrência comunicativa que satisfaz a sete padrões de textualidade. Se qualquer um desses padrões não é considerado, o texto não será comunicativo. Portanto, textos não comunicativos são tratados como não textos. Padrões/Princípios de textualidade ■ Coesão: procedimentos por meio dos quais os componentes da superfície do texto são mutuamente conectados no interior de uma sequência. (Beaugrande; Dressler) p. 29 ■ Coerência ■ Intencionalidade ■ Informatividade ■ Aceitabilidade ■ Situacionalidade ■ Intertextualidade Texto Carta Educação (http://www.cartaeducacao.com.br/) Não texto? ■ Chinelos, vaso, descarga. Pia, sabonete. Água. Escova, creme dental, espuma, creme de barbear, pincel, espuma, gilete, água, cortina, sabonete, água fria, toalha. Mesa, cadeiras, xícara e pires, bule, talheres, guardanapo. Pasta, carro. Cigarro, fósforo. Mesa e poltrona, cadeira, papéis, telefone. (...) (Circuito fechado. Ricardo Ramos) Concepções de texto da Linguística do Texto■ Atualmente, a Linguística do Texto desloca a reflexão de uma preocupação com a estrutura do texto (coesão) para o ambiente social em que ele é produzido e compreendido, destacando o texto como um fenômeno/evento comunicativo. Concepções de texto da Linguística do Texto ■ Texto não é apenas uma unidade linguística ou uma unidade contida em si mesma, mas um evento (algo que acontece quando é processado); não é um artefato linguístico pronto que se mede com os critérios da textualidade; é constituído quando está sendo processado; não possui regras de boa formação; é a convergência de três ações: linguísticas, cognitivas [inferências, conhecimentos prévios] e sociais. (MARCUSCHI, L. A. Produção textual, análise de gêneros e compreensão. 2008.) Texto e contexto ■ A mudança na concepção de textualidade, de propriedade interna a um “texto- artefato” para princípios de textualidade como empreendimento conjunto entre interlocutores, é um passo decisivo da pesquisa para o estabelecimento de uma ligação profunda entre texto e contexto. p.30 ■ A textualidade não é mais interna ao texto. A textualidade é vista como algo que emerge da interação e colaboração entre os participantes da comunicação, considerando o contexto em que ocorre a produção e a interpretação dos textos. A textualidade não é mais uma propriedade do texto, mas um produto da interação. Texto pode ser designado como “qualquer configuração de signos coerentemente interpretável por alguma comunidade de usuários”. Memórias Póstumas de Brás Cubas ■ Soluços, lágrimas, veludo preto nos portais, um homem que veio vestir o cadáver, outro que tomou a medida do caixão, o fechar do caixão, não obstante os gritos, soluços e novas lágrimas da família, o coche fúnebre, o rodar dos carros, um a um... Isto que parece um simples inventário eram notas que eu havia tomado para um capítulo triste e vulgar que não escrevo. (ASSIS, M. Obra Completa, "Memórias Póstumas de Brás Cubas", Machado de Assis, vol. I, RJ: Nova Aguilar, 1994. p. 792.) Texto e contexto: uma relação constitutiva Um dos focos principais na pesquisa em linguagem nas últimas décadas têm sido as relações entre linguagem e contexto. Tipos de Contexto: 1. Cotexto (contexto linguístico) 2. Microcontexto (contexto físico imediato) 3. Macrocontexto (contexto sócio-histórico) Cotexto (contexto linguístico) ■ Tenho duas irmãs: Maria e Lúcia. Esta é mais nova do que aquela. ■ O réu encontrou o advogado nervoso. O advogado o acalmou. Microcontexto (contexto físico imediato) ■ Hoje, a aula será no laboratório de informática. Macrocontexto (contexto sócio-histórico) 1958 2019 Texto ■ Uma produção linguística que, numa dada circunstância, pareça “sem pé nem cabeça”, incompreensível, inaceitável, para determinado grupo, pode ser perfeitamente entendida e considerada como sem qualquer problema por outros interlocutores, noutra situação, e, para eles, funcionar plenamente como texto. Isso quer dizer que o sentido não está no texto, mas é produzido por locutor e alocutário a cada interação, a cada “acontecimento” de uso da língua. (Costa Val, Texto, textualidade, textualização. 2004)