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Manual do Socorrista Militar 2019

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CORPO DE BOMBEIROS MILITAR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO 
 
1 
 
CORPO DE BOMBEIROS MILITAR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO 
 
2 
 
 
 
 
 
 
 
 
CORPO DE BOMBEIROS MILITAR 
DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO 
 
Praça da República, nº 45, 
Centro, Rio de Janeiro – RJ. CEP: 20.211-350. 
www.cbmerj.rj.gov.br 
Tel.: (+55 21) 2333-2362. 
 
Copyright © 2019. Catalogação na fonte: 
Estado-Maior Geral do CBMERJ. 
 
 
 
Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro (Brasil). 
 
Manual do Socorrista Militar: 2019 / CBMERJ. Rio de Janeiro: CBMERJ, 2019 
Prefixo editorial: 68512 
Número ISBN: 978-85-68512-07-4 
Tipo de suporte: E-book 
Formato: PDF 
 
 
1. Corpo de Bombeiro Militar. 
 
CDD 341.86388 
 
 
É permitida a reprodução do conteúdo deste Manual desde que 
obrigatoriamente seja citada a fonte. 
Reproduções para f ins comerciais são rigorosamente proibidas. 
CORPO DE BOMBEIROS MILITAR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO 
 
3 
 
 
 
 
 
 
 
 
SECRETARIA DE ESTADO DE DEFESA CIVIL 
CORPO DE BOMBEIROS MILITAR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO 
ESTADO-MAIOR GERAL 
 
 
 
Governador do Estado do Rio de Janeiro 
WILSON JOSÉ WITZEL 
 
Secretário de Estado de Defesa Civi l e Comandante-Geral do CBMERJ 
CORONEL BM ROBERTO ROBADEY COSTA JUNIOR 
 
Subcomandante-Geral e Chefe do Estado-Maior Geral do CBMERJ 
CORONEL BM MARCELO GISLER 
 
Subchefe Administrativo do Estado-Maior Geral 
CORONEL BM MARCELO PINHEIRO DE OLIVEIRA 
 
Subchefe Operacional do Estado-Maior Geral 
CORONEL BM LUCIANO PACHECO SARMENTO 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CORPO DE BOMBEIROS MILITAR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO 
 
4 
 
AUTORES 
TENENTE-CORONEL BM LEONARDO MUNIZ SOARES DIAS DUARTE 
MAJOR BM EDGARD DO CARMO NETO 
CAPITÃO BM FABIANO GOMES DA SILVA 
CAPITÃO BM ESPEDITO ROCHA DE CARVALHO JUNIOR 
CAPITÃO BM FERNANDA DE CASTRO CERQUEIRA 
1º TENENTE BM WELLINGTON VASCONCELLOS DOS SANTOS 
SUBTENENTE BM GUSTAVO DA SILVA NUNES 
SUBTENENTE BM EMERSON LUIZ COSTA DA SILVA 
SUBTENENTE BM JOSÉ HENRIQUES MARQUES NETO 
SUBTENENTE BM RIVELINO ADRIANO SILVA 
1º SARGENTO BM ALEXANDER SIMONATO 
2º SARGENTO BM CARLOS JOSÉ CESÁRIO DE SOUZA 
2º SARGENTO BM JANAINA DE CARVALHO BELEM 
CABO BM VICTOR PINHEIRO DE CARVALHO 
 
 
MANUAL DO SOCORRISTA MILITAR 
 
 
 
 
MOPBM 3 - 008 
 
 
 
 
 
Este manual foi elaborado por 
iniciativa do Estado-Maior Geral e 
atende as prescrições contidas na 
Portaria CBMERJ nº 962 de 26 de 
dezembro de 2017, publicada no 
boletim da SEDEC/CBMERJ nº 008 de 
11 de janeiro de 2018. 
 
 
 
 
 
Rio de Janeiro 
2019 
CORPO DE BOMBEIROS MILITAR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO 
 
5 
 
REALIZAÇÃO 
ESTADO-MAIOR GERAL 
 
COORDENAÇÃO 
TENENTE-CORONEL BM ALEXANDRE LEMOS CARNEIRO 
MAJOR BM EULER LUCENA TAVARES LIMA 
MAJOR BM FÁBIO LUIZ FIGUEIRA DE ABREU CONTREIRAS 
CAPITÃO BM RAFAELA CONTI ANTUNES NUNES 
CAPITÃO BM DIEGO SAPUCAIA COSTA DE OLIVEIRA 
 
COLABORADORES 
TENENTE-CORONEL BM RENAN ALVES DE OLIVEIRA 
TENENTE-CORONEL BM RICARDO GOMES PAULA 
TENENTE-CORONEL BM PAULO NUNES COSTA FILHO 
TENENTE-CORONEL BM FELIPE DO VALLE PUELL 
MAJOR BM JOSIANE DOS SANTOS DE MELO 
 
REVISORES 
MAJOR BM DIEGO DONATO FONSECA 
CAPITÃO BM MARCOS ALEXANDRE BALIEIRO 
SUBTENENTE BM GUSTAVO DA SILVA NUNES 
 
 
PROJETO GRÁFICO 
1º TENENTE BM DJALMA DE FIGUEIREDO JUNIOR 
 
 
CORPO DE BOMBEIROS MILITAR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO 
 
6 
 
SUMÁRIO 
SUMÁRIO..................................................................................................................................6 
OBJETIVO.............................................................................................................................. 12 
FINALIDADE .......................................................................................................................... 13 
REFERÊNCIA NORMATIVA E BIBLIOGRÁFICA ........................................................... 14 
DEFINIÇÕES E CONCEITOS ............................................................................................ 27 
1 AVALIAÇÃO DE CENA .................................................................................................... 29 
1.1 Conceitos introdutórios .............................................................................................. 29 
1.2 Perímetros e zonas de trabalho em cenas de resposta a emergências ........... 29 
1.3 Procedimentos inicias gerais .................................................................................... 32 
1.4 Tática de ação imediata (TAI) .................................................................................. 33 
1.5 Segurança de cena em salvamento veicular ......................................................... 35 
1.5.1 Riscos no cenário................................................................................................ 35 
1.5.2 Estabelecimento das viaturas de socorro ....................................................... 35 
1.5.3 Avaliação e segurança da cena em acidente veicular.................................. 36 
1.5.4 Ameaças específicas e sua mitigação ............................................................ 39 
2 FERRAMENTAS, EQUIPAMENTOS E ACESSÓRIOS (FEAS) UTILIZADAS PELO 
SOCORRISTA PARA ESTABILIZAÇÃO DA VÍTIMA ..................................................... 43 
2.1 FEAs para higiene ...................................................................................................... 43 
2.2 FEAs para a estabilização das funções vitais ....................................................... 43 
2.3 FEAs para a estabilização da coluna vertebral e extricação .............................. 44 
3 CINEMÁTICA DO TRAUMA ............................................................................................ 45 
3.1 Conceitos ..................................................................................................................... 45 
3.2 Lesões específicas..................................................................................................... 49 
3.3 Uso dos dispositivos de segurança ......................................................................... 53 
3.4 Mecanismo de colisões ............................................................................................. 54 
4 ASSISTÊNCIA AO POLITRAUMATIZADO NO APH .................................................. 59 
4.1 Etapas iniciais do socorro ......................................................................................... 59 
4.2 Exame do politraumatizado ...................................................................................... 60 
5 ABORDAGEM À COLUNA VERTEBRAL NO TRAUMA ............................................ 73 
CORPO DE BOMBEIROS MILITAR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO 
 
7 
 
5.1 Abrangência ................................................................................................................ 73 
5.2 Abordagem primária à vítima de trauma ................................................................ 73 
5.3 Decisão quanto à indicação (necessidade) de restrição a coluna vertebral .... 74 
5.4 Princípios e principais técnicas envolvidos na proteção da coluna vertebral ... 76 
5.5 Modalidades de extricação ....................................................................................... 81 
5.6 Colete de imobilização dorsal (K.E.D.) ................................................................... 81 
6 HEMORRAGIAS MACIÇAS............................................................................................. 82 
6.1 Conceito ....................................................................................................................... 82 
6.2 O manejo das hemorragias ...................................................................................... 83 
6.2.1 Técnica de compressão direta ..........................................................................baixo pé direito, durante o acesso e extricação de vítimas em alturas, em incêndios 
ou em áreas que apresentem risco de queda de objetos (ex.: construção civil), além 
de todo e qualquer cenário que assim exija, segundo regulamentação e normas 
técnicas específicas. Atente-se que há capacetes diversos especificados por normas 
do CBEMRJ para diferentes tipos de cena, como salvamento veicular, incêndio 
urbano, salvamento em alturas/montanha (Carmo Neto, 2018b). 
 
1.4 Tática de ação imediata (TAI) 
a) proceder à avaliação da cena (identificação de todas as ameaças à 
segurança). 
CORPO DE BOMBEIROS MILITAR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO 
 
34 
 
b) isolamento e evacuação do perímetro interno. 
c) estabilização da cena, através da mitigação das ameaças e solicitação de 
apoio especializado, caso necessário, para promover a intervenções específicas de 
mitigação. Deve-se iniciar a avaliação de cena ainda remotamente, pelo telefone, 
quando do recebimento da solicitação de socorro, bem como visualmente, no 
momento da aproximação do ponto de lesão (local do terreno onde a vítima sofreu o 
trauma). Deve-se praticar a Metodologia de Avaliação Remota (R.A.M., sigla inglesa) 
(Carmo Neto, 2018b), fundamentada no fato de que, quanto mais distante do ponto 
de lesão, mais seguro o resgatista está. Neste mister, na busca e salvamento e no 
atendimento pré-hospitalar, dispositivos dióptricos como binóculos, drones, 
aplicativos de visão panorâmica via satélite, são de extrema utilidade à avaliação da 
cena. 
d) Caso detectado qualquer elemento estranho à cena, líquido, vapor ou 
particulado, vazando de veículo de transporte de carga, suspeitar de produtos 
perigosos, quando deve manter-se entre a origem do vento e a fonte do vazamento, 
em local mais alto do que a fonte. Isolamento e evacuação do perímetro interno 
empírico de 100m (800m em caso de incêndio) e solicitar apoio ao GOPP. Se o 
número de identificação do produto estiver visível a essa distância, transmita-o ao 
GOPP (Carmo Neto, 2018b). Também é útil consultar recomendações para 
mitigação e proteção em guias de emergências confiáveis (Ex.: Pro-química Online – 
S.A., 2018). 
e) Avaliar o mecanismo da lesão, o número e posição das vítimas que, caso 
múltiplas, devem ser abordadas após estabelecimento de prioridades via 
triagem(Carmo Neto, 2018a). 
f) Resumo das táticas de ação imediatas 
 
 U DA A FA (“A5”) – ver também mnemônico D.E.S.A.S.T.R.E., no 
capítulo de múltiplas vítimas (Carmo Neto, 2018c). 
a) avaliar todas as ameaças; 
b) alta voz para denuncia-las à equipe; 
c) assegurar a cena: isolar, evacuar e mitigar; 
CORPO DE BOMBEIROS MILITAR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO 
 
35 
 
d) analisar a R.A.M. e estimativa de encarceramento (salvamento veicular); 
e) apoio externo solicitado. 
 
1.5 Segurança de cena em salvamento veicular 
1.5.1 Riscos no cenário 
Os principais riscos de cena em acidente veicular são divididos didaticamente 
como segue. 
a) riscos primários, produzidos pela mecânica do acidente (ex.: posição veicular 
instável, vazamento de produto perigoso, contato com a rede urbana de distribuição 
elétrica e etc.) ou pelas características originais do ambiente (ex.: trânsito de 
veículos, pouca iluminação e etc.). 
b) riscos secundários, aqueles resultantes da atuação dos resgatistas, como a 
produção de quinas metálicas vivas, fragmentos de vidro e etc. 
Medidas mitigatórias dividem-se em: 
a) mitigação prévia ao acesso direto do veículo e; 
b) mitigação dinâmica, durante todo o processo de salvamento (vide capítulo 
Tática do Manual de Salvamento Veicular), até sua conclusão. Isto enfatiza o 
conceito de atenção situacional, ou seja, embora cada membro executor sofra o 
enrijecimento da atenção (“visão tunelar”), deve -se treinar para manter algum grau 
de consciência situacional em segundo plano. 
 
1.5.2 Estabelecimento das viaturas de socorro 
Logo que o comboio de socorro chega ao sítio do acidente veicular, é 
fundamental iniciar pela sinalização e controle do trânsito de veículos. A primeira 
CORPO DE BOMBEIROS MILITAR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO 
 
36 
 
providência é “defender” a zona de trabalho, estacionando uma viatura (com 
giroscópio e lanternas acesos) em posição diagonal, à retaguarda (pelo menos 20 
m) dos veículos colididos. Depois se distribui linha de cones iniciada à distância de 
pelo menos 1,5 vezes o limite de velocidade da via. Se for noite, houver chuva ou 
neblina, considerar 2 (duas) vezes o limite de velocidade da via. A linha de cones 
deve seguir trajeto diagonal, iniciando junto ao acostamento, se afastando 
lateralmente até cerca de 2 metros para além da fila de veículos de resgate, e se 
estender em paralelo ao longo de toda a área de trabalho e viaturas, de modo a criar 
um corredor seguro para a movimentação dos resgatistas. A ASE deve permanecer 
posicionada após a cena, distanciada em pelo menos 10 metros. Caso seja a 
primeira viatura no local, ela defenderá a zona de trabalho até que chegue o apoio, 
quando deverá ser substituída por outra viatura. Vide POP CBMERJ/EMG/APH 05, 
2018: Extricação veicular, item 3 (Carmo Neto, 2018b). 
 
Figura 3 - Sinalização 
Fonte: modificado de Manual de Sinalização de Obras e Emergências em Rodovias, DNIT 2010. 
 
1.5.3 Avaliação e segurança da cena em acidente veicular 
A avaliação de cena pertence às táticas de ação imediata em resposta a 
qualquer emergência (vide POP CBMERJ/EMG/APH 05, 2018: Extricação veicular, 
item 4.6) (Carmo Neto, 2018b; c). 
 
a) avaliação 360˚ 
No salvamento veicular, emprega-se o jargão “avaliação 360°” (World Rescue 
CORPO DE BOMBEIROS MILITAR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO 
 
37 
 
Organization), que cumpre o objetivo de busca visual das ameaças e riscos em 
todas as direções (Dunbar, 2017). 
Do ponto de vista prático, recomenda-se a técnica dos “dois círculos”, pela 
qual o Comandante de Operações, o encarregado logístico e o socorrista líder 
circundam a cena num sentido, enquanto os demais a circundam em sentido oposto, 
seguindo um círculo externo ao primeiro, no intuito de identificar todos os riscos que 
necessitem mitigação imediata ou urgente, antes do acesso direto ao veículo 
(Gomes Martins; Nascimento Ribeiro Alves; Rigoni, 2005). 
O socorrista líder, em particular, deve terminar a avaliação 360˚ diante da 
vítima mais acessível e ao travar com ela contato visual, orienta-lhe a fixar sua 
mirada neste profissional (o socorrista), bem como lhe mantém informado sobre tudo 
que há de se passar em seguida – ruídos, movimentação da equipe e etc. 
Sem tocar ou atuar diretamente sobre a estrutura veicular, o militar buscará as 
principais ameaças (riscos): 
- trânsito de veículos; 
- vazamento de combustíveis e/ou fluidos (lembre-se que também são produtos 
perigosos, em geral classe 2 ou 3); 
- risco elétrico (rede elétrica/baterias); 
- instabilidade dos veículos e/ou outros elementos presentes (árvores, postes, 
etc.); 
- produtos perigosos (ver adiante); 
- incêndio; 
- sistemas de segurança/elementos do veículo (airbags, vidros, elementos 
cortantes); 
- presença de outros riscos (deslizamentos, enchentes, animais, violência 
urbana). 
 O socorrista líder deve, através da R.A.M. (avaliação remota rápida), 
identificar o mecanismo de trauma, número/posição/orientação dos ocupantes, 
avaliar a responsividade (A D ) e o “ABC” sumário, logo, se responde, se respira e 
se há evidência de hemorragia - mnemônico “ A” (Carmo eto, 201 b). ide 
POP CBMERJ/EMG/APH 05, 2018: Extricação veicular. Tais informações devem ser 
transmitidas em alta voz, assim como a estimativa do tipo de encarceramento e 
CORPO DE BOMBEIROS MILITAR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO 
 
38 
 
posteriormente, confirmadas pelo acesso do primeiro socorrista. É fundamental 
acalmar a vítima e evitar que mova a coluna. 
Em caso de múltiplas vítimas, pode ser necessária a triagem reversa, (retirarprimeiro as vítimas em melhor condição clínica), já que usualmente, há uma só 
equipe de salvamento veicular, sobretudo no que tange aos membros combatentes 
(ABS). Vide POP CBMERJ/EMG/APH 05, 2018. 
Importante: nesta fase os resgatistas não devem tocar ou exercer peso sobre 
a estrutura do veículo antes que seja finalizada a estabilização primária, a qual será 
sinalizada pelo líder. 
 
b) segurança durante o salvamento veicular 
Qualquer ação mitigatória ou de desencarceramento, precisa ser comunicada 
ao comandante em voz alta, para que todos ouçam e se preparem. O comandante 
deve emitir sua aprovação ou desaprovação de alto volume e de forma objetiva. Este 
método de comunicação é denominado “alça fechada” e constitui-se a fundação da 
segurança da operação. A comunicação alta também permite que medidas de 
proteção à vítima sejam tomadas previamente a qualquer intervenção na estrutura 
veicular, como o uso da proteção rígida. Caso qualquer membro da equipe 
identifique risco na atuação dos técnicos, deve verbalizar “real, real, real!”, e todas 
as ações precisam ser interrompidas. O comandante então executa o controle da 
condição de segurança para a equipe e para a vítima, e orienta a forma mais 
adequada de continuidade. 
Antes de iniciar qualquer manobra de desencarceramento, a vítima deve ser 
orientada pelo socorrista quanto ao que será executado. Este profissional tem a 
responsabilidade de protegê-la da operação de ferramentas, de quinas produzidas e 
da quebra controlada de vidros. Muito importante que estas intervenções de resgate 
técnico obedeçam à comunicação em alça fechada, de modo a evitar que o 
socorrista seja pego desprevenido e isto ponha a vítima em risco de lesão 
iatrogênica. Lembrando, caso o socorrista no interior do veículo identifique operação 
insegura de equipamentos, deve gritar “real, real, real!”, para que tal operação seja 
interrompida e corrigida. 
CORPO DE BOMBEIROS MILITAR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO 
 
39 
 
1.5.4 Ameaças específicas e sua mitigação 
a) baterias e sistemas elétricos veiculares 
É prioridade localizar e desligar a bateria de 12v, para evitar o acionamento 
tardio de airbags, o arranque acidental do motor e evitar incêndio (Dunbar, 2017). No 
entanto, antes de desligá-la, lembrar-se de utilizar dispositivos elétricos internos a 
favor da tática, como reposicionar bancos, abrir janelas ou teto solar, alterar a 
posição do volante e etc. Para desligar a bateria é necessário cortar primeiro o 
terminal negativo, evitando assim arco voltaico e lesão ao socorrista. Depois o 
terminal positivo. 
Quando o veículo se apresenta sobre o teto, pode ser impossível desligar a 
bateria. Isto precisa ser verbalizado em alta voz, para que todos tomem atitude 
defensiva contra o acionamento tardio de airbags. No entanto, 40% dos veículos têm 
a bateria de 12v em outra posição que não sob o caput. 
O desligamento da bateria veicular de 12v, que em alguns modelos ocorre 
automaticamente em resposta à colisão, isola o sistema de alta voltagem de híbridos 
e elétricos, em geral. 
Lembre-se também de remover a chave eletrônica para além de 5 metros de 
distância do veículo, de modo a prevenir arranque acidental. 
 
b) sistemas de segurança passivos 
- airbags 
 A maioria dos veículos atuais conta com o sistema de airbags inteligente, 
cujos sensores enviam informações de posição dos ocupantes, aceleração e ângulo 
do movimento, à unidade de controle eletrônico (ECU), a qual aciona seletivamente 
os airbags necessários. Assim, normalmente há airbags não acionados (ANA) que 
se constituem em risco, embora haja raríssimos casos de acionamento retardado 
com lesão ao resgatista. 
 No Brasil, desde 01/01/2014 é obrigatório o airbag duplo frontal dianteiro, 
assim como os freios ABS (anti-blocking system). O não acionamento do volante 
CORPO DE BOMBEIROS MILITAR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO 
 
40 
 
pode ser controlado aplicando o restritor de airbag. Porém não existem ferramentas 
deste tipo para as demais posições. 
 Os veículos mais sofisticados podem contar com 6 a 10 airbags adicionais, 
cujas posições mais comuns são a lateral (dentro da porta ou banco), cortina lateral 
(friso superior do teto), de impacto lateral (no encosto do banco dianteiro, entre os 
ocupantes deste compartimento), pélvica (assento dianteiro), e para joelhos (sob o 
painel do condutor). 
 edidas mitigatórias (“ D A ”): 
1. Identificar todos os ANA e alertar em voz alta; 
2. Desligar a bateria de 12v; 
3. Exposição mais curta possível à zona de insuflação do ANA; 
4. Aplicar proteção do volante; 
5. Locais dos airbags devem ter o conteúdo dos frisos plásticos exposto antes 
de qualquer manobra de corte/alargamento (pilares, friso do teto), para evitar 
a ruptura acidental do mecanismo acionador de alta pressão. 
 
- mecanismo Pré-tensionador 
Dispositivos de acionamento pirotécnico por sensores de colisão, com o 
objetivo de retirar eventual folga no cinto de segurança e manter o ocupante junto ao 
banco. Localizados mais frequentemente junto ao enrolador de inércia, na base ou 
topo do pilar B. 
As medidas mitigatórias são as mesmas do item anterior. 
Ao acessar o interior do veículo, o socorrista deve sempre cortar o cinto de 
segurança para aliviar a respiração da vítima. 
 
c) vazamento de combustível líquido 
Embora os combustíveis fósseis (gasolina, GNV) e o álcool também sejam 
produtos perigosos, em virtude da simplicidade, podem e devem ser mitigados sem 
a necessidade de apoio. 
Deve-se espalhar barreiras em torno da zona quente para evitar a 
CORPO DE BOMBEIROS MILITAR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO 
 
41 
 
contaminação de águas vizinhas, assim como aplicar material particulado 
absorvente inerte (areia, terra e outros), o que permite recolher boa parte com pás. 
 Mais uma vez, é prioridade desligar a bateria de 12v, já que pode se constituir 
em fonte ígnea. 
 
d) incêndio em veículos 
Durante a avaliação 360˚, considerar que todos os veículos envolvidos no 
acidente possuem GNV, até prova em contrário. Caso haja vítimas encarceradas, as 
prioridades são (1) a extinção das chamas, (2) estabilização de emergência e (3) 
extricação de emergência. 
Caso a proporção do incêndio exceda a capacidade de resposta, manter-se 
atrás do perímetro interno, até a chegada do apoio. 
Frente a fogo localizado, o combate pode empregar extintores PQS ou CO2. 
Quando possível, manter o capô semiaberto, de modo a compartimentalizar a 
combustão, exaurindo o oxigênio. 
O combate a fogo generalizado deve ser feito com 2 (duas) ou mais linhas de 
jato pulverizado em alta pressão, não direcionado ao líquido por ventura derramado, 
mas à chama. Deve-se manter resfriamento do compartimento do(s) cilindro(s) de 
GNV a fim de evitar o fenômeno B.L.E.V.E. (boiling liquid expanding vapor 
explosion). A guarnição das linhas deve manter postura de “alarme gases”, pelo 
risco de explosão ou utilizar canhões monitores. Ao ouvir ruído de escape de gás, 
alertar e retrair de imediato para fora do perímetro interno. 
A extinção de fogo em rodas de pigmento metálico (ex.: liga de alumínio) deve 
ser feita sem água ou espuma ou CO2, mas com areia seca, pó de grafite ou 
extintores de cloreto de sódio seco. Isto porque, ao contato com a água ou CO2, 
liberam hidrogênio gasoso, altamente tóxico quando inalado e explosivo. 
Recomenda-se a leitura do POP CBMERJ/EMG/Incêndios/Incêndios em 
veículos com GNV e o Guia Pró-química Online. 
 
e) colisões envolvendo rede elétrica 
CORPO DE BOMBEIROS MILITAR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO 
 
42 
 
Ao se deparar com uma colisão veicular onde existam cabos suspeitos de 
eletrocondução de alta tensão deve-se seguir as medidas gerais descritas 
anteriormente (A5) além de: 
- não tocar no veículo ou permitir que seus ocupantes saiam, sem antes 
certificar-se da interrupção setorial da rede elétrica ou aterramento do veículo. 
- possuirextintor adequado para classe C, para extinguir princípios de incêndio. 
- sempre que necessário, solicitar apoio à concessionária de energia elétrica da 
local. 
- não manipular o eletrocondutor sem capacitação reconhecida, sem EPI anti -
arco voltaico nível 5 a 6 e sem ferramentas isolantes homologadas para mais de 
1000Kv. 
 
CORPO DE BOMBEIROS MILITAR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO 
 
43 
 
2 FERRAMENTAS, EQUIPAMENTOS E ACESSÓRIOS (FEAS) UTILIZADAS 
PELO SOCORRISTA PARA ESTABILIZAÇÃO DA VÍTIMA 
 Cabe aqui uma diferenciação quanto ao vocábulo estabilização, o qual 
aplicado à vítima tem tanto o significado de estabilizar as funções vitais, quanto o 
eixo da coluna durante a extricação. Assim sendo, estão listados abaixo, os FEAs 
necessários à execução da função socorrista, seguindo os requisitos mínimos 
elencados na portaria MS2048/2002. 
2.1 FEAs para higiene 
a) luvas de procedimento em nitrila ou látex para o tamanho do socorrista 
(individual). 
b) almotolia pequena (individual) de álcool 70 vol% gel. 
c) saco de lixo para biológicos. 
2.2 FEAs para a estabilização das funções vitais 
a) cânulas nasofaríngea número 6 (1 unidade) e número 7 (1 unidade). 
b) sistema bolsa/válvula/máscara/reservatório para a assistência venti latória, 
com peças faciais P, M e G. 
c) traqueia de 40 cm para interpor entre a válvula expiratória da bolsa de 
ventilação e a peça facial, permitindo vedação adequada desta última com a face da 
vítima, independente da posição desta ou do socorrista. 
d) unidade portátil de oxigenioterapia: cilindro em alumínio, com capacidade 
hidrostática de 4 litros aproximados, fluxômetro montado, máscara facial com válvula 
contra reinalação e reservatório concentrador; seu transporte deve estar em acordo 
com a NBR 12188, NBR 7501 e PARECER COREN-SP 016/2013. 
e) cateteres de aspiração de via aérea número 12 (4 unidades). 
f) solução salina isotônica (1000 ml) para resfriamento de queimaduras. 
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44 
 
g) Fita isolante (1 rolo). 
h) curativo oclusivo de tórax. 
i) gazes (12 unidades). 
j) bandagem 20 cm (8 unidades). 
k) torniquete (2 unidades). 
l) lençol de solteiro (1 unidade). 
m) lacres plásticos tamanho grande (4 unidades) para o enfaixamento pélvico 
circunferencial com lençol. 
n) papelão para talas (pedaços grandes pré-cortados) ou talas moldáveis 
comercialmente disponíveis tamanho G (2 unidades). 
o) manta aluminizada (2 unidades). 
p) tesoura de trauma (1 unidade, individual). 
 
2.3 FEAs para a estabilização da coluna vertebral e extricação 
a) prancha longa com 3 tirantes (1 unidade). 
b) imobilizador lateral de cabeça (1 unidade). 
c) prancha dorsal curta (1 unidade). 
d) colar cervical P, M e G (1u, 1:1:1) ou colar regulável. 
e) maca tipo “colher” (scoop). 
f) maca cesto para terreno rural e montanha/altura. 
g) maca envelope para cenários específicos (ex.: altura, espaço confinado...). 
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45 
 
3 CINEMÁTICA DO TRAUMA 
3.1 Conceitos 
A aplicação dos princípios da cinemática do trauma na avaliação da vítima 
ajuda a prever lesões que de outra forma poderiam passar sem serem percebidas. 
Deixar de suspeitar de lesões, por não avaliar adequadamente a cinemática, pode 
ter um impacto desastroso no prognóstico do paciente. 
Neste contexto, ressaltamos que diferentes tipos de acidentes apontam para 
um padrão de diferentes lesões nas vítimas. Essas informações colhidas pelo 
socorrista, direcionam o exame que será realizado na vítima, a fim de descobrir o 
trauma grave. 
O socorrista, na aproximação, pode colher informações visuais das condições 
do evento “visão do para-brisa” e avalição médica remota ( A ). 
A avaliação preliminar da cena é parte do atendimento e é essencial, tanto 
para promover segurança das equipes de socorro assim como permitir colher 
informações sobre a gravidade das vítimas e sugestão de potenciais lesões e ainda 
direcionar as tomadas de decisão através dos princípios da cinemática do trauma. 
Por exemplo as avarias internas e externas do veículo, o tipo de solo que a vítima 
caiu, o armamento utilizado na ação, entre outras coisas ajudam muito a direcionar o 
atendimento. 
 
Considerando as les de Newton: 
a) A Primeira Lei de Newton, ou lei da Inércia, diz que a tendência dos corpos, 
quando nenhuma força é exercida sobre eles, é permanecer em seu estado natural, 
ou seja, repouso ou movimento reti líneo e uniforme (NUSSENZVEIG, 2014). 
Contudo, todo corpo continua em seu estado de repouso ou de movimento 
uniforme em uma linha reta, a menos que seja forçado a mudar aquele estado por 
forças aplicadas sobre ele (NUSSENZVEIG, 2014). 
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46 
 
Conhecida como princípio da inércia, a primeira lei de Newton afirma que: se 
a força resultante (o vetor soma de todas as forças que agem em um objeto) é nula, 
logo a velocidade do objeto é constante. Consequentemente: a) um corpo que está 
em inércio ficará nesta condição a não ser que uma força venha a agir sobre ele; b) 
um objeto que está em movimento retilíneo uniforme não mudará a sua velocidade a 
não ser que uma força resultante não nula aja sobre ele (NUSSENZVEIG, 2014). 
b) A Segunda Lei de Newton diz que a força gerada que age sobre um corpo 
deve ser idêntica ao produto da massa do corpo por sua aceleração. Contudo, “a 
força resultante que atua sobre um corpo é da mesma proporção que o produto da 
massa pelo aumento da velocidade e aceleração por ele adquirida (NUSSENZVEIG, 
2014). 
A lei ou princípio da conservação de energia estabelece que a quantidade 
total de energia em um sistema isolado permanece constante. Tal princípio está 
intimamente ligado com a própria definição da energia. Uma maneira comum de 
enunciar essa lei é dizer que a energia não pode ser criada nem destruída: a energia 
pode apenas ser transformada (NUSSENZVEIG, 2014). 
A energia cinética (ou energia do movimento) é uma função da massa e da 
velocidade de um objeto e a velocidade se aplica a força do deslocamento e sua 
direção. Esta relação envolvendo peso e velocidade afeta a Energia Cinética 
(NUSSENZVEIG, 2014). 
Na física, a energia cinética em um objeto é a energia que ele possui devido 
ao seu movimento. A mesma quantidade de trabalho é produzida por um corpo 
desacelerando da sua velocidade atual para um estado de repouso 
(NUSSENZVEIG, 2014). 
A energia cinética pode ser disseminada de um objeto para outro. Como 
exemplo podemos considerar o jogo de bilhar, onde o jogador aplica energia cinética 
na bola branca, atingindo-a com o taco. Se a bola de canto colide com outra, ela 
diminui a velocidade agudamente e a bola em que foi atingida acelera a uma 
velocidade à medida que a energia cinética a atinge (NUSSENZVEIG, 2014). 
https://pt.wikipedia.org/wiki/In%C3%A9rcia
https://pt.wikipedia.org/wiki/For%C3%A7a
https://pt.wikipedia.org/wiki/Vetor_(matem%C3%A1tica)
https://pt.wikipedia.org/wiki/Velocidade
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47 
 
 
Figura 4 - Dissipação de energia 
Fonte: PHTLS 8ª 
 
A absorção de energia cinética do movimento é principal causador de lesão. 
De 5 a 15% das vítimas dos eventos que geram alta energia possuem lesões graves 
apesar de não evidenciarem ferimentos na primeira avaliação. 
Quando uma pessoa é atingida por um objeto gerando algum impacto, ou vice 
e versa, A quantidade tecido atingido pelo impactodetermina a quantidade de 
transferência de energia. Essa transferência de energia produz a quantidade de 
dano. 
 
O número de partículas atingido é determinado por: 
- Densidade: 
Quanto mais espesso o tecido maior o número de partículas acometidas pelo 
impacto, sendo maior a quantidade de energia trocada. Ex. Dar um soco em 
travesseiro x em uma parede. 
A mesma velocidade e força tem reações diferentes devido a densidade damassa. punho absorve mais energia ao “colidir” com a parede de tijolos do que 
com o travesseiro. Nosso corpo tem tecidos com três tipos diferentes de densidade: 
Ar (maior parte dos pulmões e parte do intestino), água (músculos e a maioria dos 
órgãos sólidos – como fígado e baço) e sólidos (Ossos). 
 
 
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48 
 
 
Figura 5 - Absorção de Energia por densidade 
Fonte: PHTLS 8ª ed. 
 
- Tamanho da área de contato: 
Em eventos traumáticos a energia concedida e o dano podem ser modificados 
por qualquer variação no tamanho da superfície da área do impacto. Ex. impacto no 
corpo de um ser humano por um automóvel, projéti l, taco de beisebol... 
Se a energia do impacto é direcionada a uma área pequena esta força pode 
exceder a resistência da pele e o objeto penetrar no tecido (Trauma Penetrante). Se 
a força é disseminada por uma área maior e não rompe a resistência da pele 
definimos como Trauma Contuso. 
- Cavitação: 
Quando um objeto sólido atinge o corpo humano ou se o corpo humano 
atinge um objeto sólido as partículas do corpo se deslocam de posição normal 
criando um orifício ou uma cavidade. Por isso chamado de cavitação. 
Cavidade temporária e permanente: 
a. causada pela distensão dos tecidos no momento do impacto. 
b. devido a elasticidade dos tecidos parte da cavidade ou toda ela retorna a sua 
posição anterior. 
c. o tamanho, o formato e as porções da cavidade que se tornam parte do dano 
permanente dependerá do tipo de tecido. Sua elasticidade e capacidade de 
recuperação. 
d. a extensão da cavidade temporária geralmente não é visível pelo socorrista ou 
outro profissional que realize a avaliação. 
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49 
 
e. a cavidade temporária é formada pela deformação dos tecidos que depois voltam 
a posição normal. 
3.2 Lesões específicas 
a) perfuração por arma de fogo (PAF): 
- segundo David Halliday (1996) a energia cinética produzida por um projétil 
depende principalmente da velocidade. Ec = ½ da massa x velocidade2 
- após penetrar o corpo a trajetória do projéti l pode não ser mais uma linha reta. 
O dano produzido é proporcional a densidade do tecido. 
- cavidade temporária e permanente (orifício de entrada): Criada no rastro do 
projétil; pode ser 30 a 40 vezes maior do que o diâmetro do projétil. 
- orifício de saída: Depende da energia cinética, da deformação, da inclinação 
e fragmentação do projétil. Pode ter aparência inócua ou não existir. 
- vale ressaltar que ferimentos penetrantes de cabeça, pescoço, tórax e 
abdômen não requerem cuidados de restrição de movimentos de coluna. 
 
b) ferida por arma branca (FAB): 
A severidade depende: 
- da região anatômica atingida; 
- do comprimento da lâmina; 
- do ângulo de penetração. 
 
c) explosões: 
A energia contida no explosivo é convertida em luz, calor e pressão. A 
gravidade das lesões depende da força da explosão e da distância. 
 
 
 
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50 
 
As lesões causadas por explosão são classificadas em: 
Categoria Definição Características 
Primária - Produzida por contato da onda de choque com 
o corpo. 
- Ondas de estresse e cisalhamento de tecidos. 
- Reforço/ reflexão das ondas em interfaces de 
densidade tecidual. 
- Órgãos preenchidos por gás (pulmões, orelhas, 
etc.) são mais susceptíveis. 
- Ruptura de membrana timpânica. 
- Explosão do pulmão. 
- Lesões oculares. 
- Concussão. 
Secundária Lesões balísticas produzidas por: 
- Fragmentos primários (pedaços de explosivo). 
- Fragmentos secundários (fragmentos 
ambientais como vidro). 
- Risco de lesão por fragmentos se estende além 
da onda de choque. 
- Lesões penetrantes. 
- Amputações traumáticas. 
- Lacerações. 
Terciária - A onda de choque ejeta os indivíduos em 
direção a superfícies/ objetos ou os objetos em 
direção aos indivíduos, provocando translocação 
completa do corpo. 
- Lesões por esmagamento causadas por dano 
estrutural e colapso de edifícios. 
- Lesões contundentes. 
- Síndrome do esmagamento. 
- Síndrome compartimental. 
Quaternária - Outras lesões, doenças ou distúrbios 
relacionados com a explosão. 
- Queimaduras. 
- Lesões por inalação de gases tóxicos e outras 
substâncias. 
- Lesão por contaminação ambiental. 
Quinária - Lesões resultantes de aditivos específ icos, 
como bactérias e radiação (“bombas sujas”). 
 
Tabela 2 - Características das Lesões nas Explosões 
Fonte PHTLS 8ª Ed. 
 
d) quedas: O mecanismo causador de lesões nas quedas está associado a 
desaceleração vertical. As lesões ocorrem por três fatores: Altura da queda, área de 
impacto do corpo e tipo de solo. 
Nas crianças os traumatismos de crânio são mais comuns, em adultos é mais 
comum encontrarmos lesões em pés e pernas, quadri l, joelhos e punhos. Outras 
lesões podem estar presentes e é necessária uma adequada avaliação pois fatores 
pré-evento podem ser significativos no atendimento (Ex. uso de drogas, crise 
convulsiva, AVC). 
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51 
 
 
Figura 6 - Transmissão Energia Vertical 
Fonte: PHTLS 8ª Ed. 
 
 
 
Figura 7 - Três impactos do atropelamento 
Fonte: PHTLS 8ª Ed. 
 
 
 
e) atropelamentos: 
Nesses eventos temos normalmente três momentos: impacto inicial do veículo 
com a vítima, vítima sobre o veículo e posteriormente vítima ao solo. 
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52 
 
 
Figura 8 - Relação Veículo - Vítimas 
Fonte: ITLS 7ª Ed. 
 
 
O tipo de veículo e a altura da vítima também irão determinar as lesões. 
 
f) colisão de veículos: 
Acidentes envolvendo veículos automotores são comuns em todas as regiões 
e podem ter um alto índice de letalidade ou morbidade. Diversas ações são 
promovidas para propor mudança de comportamento nos condutores. Contudo em 
nossa realidade nos deparamos diuturnamente com eventos graves com vítimas 
envolvidas em colisão de veículos. 
Conhecer os mecanismos de lesões mais comuns presentes nesses tipos de 
evento, são um fator de grande importância para as equipes de profissionais que 
atuam no atendimento pré-hospitalar. 
Condições Pré Colisão: 
As condições consideradas “pré-colisão”, são aquelas que podem ter 
potencializado ou causado o acidente. 
- Questões relacionadas as condições e estruturas do pavimento da via tais 
como pista molhada ou óleo na pista, buracos e desníveis, ou relacionadas a panes 
inesperadas do veículo e estado de má conservação do veículo. 
- Questões relacionadas a diminuição da visibilidade neblina ou fumaça. 
- Questões relacionadas a condições clinicas prévias do condutor, tais como 
IAM, hipoglicemia, convulsões e ainda por uso de drogas licitas ou ilícitas. 
Tais informações são úteis na avaliação das vítimas, e compete as equipes 
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53 
 
de APH estarem atentas para essas condições quando estiverem atuando em 
eventos de colisão de veículos. 
3.3 Uso dos dispositivos de segurança 
a) cintos de segurança: 
- são dispositivos que tem por finalidade impedir que os ocupantes em eventos 
de colisão sejam arremessados contra as estruturas do veículo diminuindo a 
gravidade das lesões assim como impedindo que sejam projetados para fora do 
veículo. 
- o uso adequado do cinto é fundamental para que o dispositivo seja eficaz na 
sua função de segurança. Embora sendo hoje menos comum, podemos ainda 
encontrar veículos com esse dispositivo. O cinto de dois pontos ou cinto abdominal 
deve ser colocado de forma que cruze a região pélvica ficando sobre as cristas 
ilíacas e não sobre o abdome. Tal condição em uma situação de colisão pode 
causar lesões nos órgãos e estruturas abdominais devido a força de compressão 
nessa região gerando na vítima o efeito “canivete”. sso ocorre quando o tronco é 
projetado a frente. O cinto de doispontos não impede que o ocupante do veículo 
sofra impactos com as estruturas internas do veículo. 
- o uso do cinto de três pontos é mais indicado tanto nos bancos dianteiros 
quanto nos bancos traseiros pois mantém os ocupantes mais fixados nos assentos 
quando em resposta a movimentação gerada pela colisão. Contudo deve ser 
atenção a colocação correta do cinto para que este não seja um causador de lesão. 
O uso do cinto de segurança não elimina totalmente os riscos de lesão, mas 
certamente minimiza bastante o potencial de lesões mais graves. 
- apresentam a maior probabilidade de sobrevivência, porque evitam que os 
que dele se utilizam sejam arremessados contra as partes interna do veículo ou 
ejetados para fora dele, porém apresentam certos ferimentos característicos, quando 
o cinto é de dois pontos, do tipo abdominal 
b) airbags: 
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54 
 
- dispositivo projetado para inflar a partir de estruturas do veículo (volante, 
painel, partes laterais e outros) afim de proteger os ocupantes do veículo em caso de 
colisão e brusca desaceleração evitando que se choquem com as estruturas internas 
do veículo, principalmente cabeça e tórax contra para-brisa e painel. Esse dispositivo 
depois de deflagrado esvazia com rapidez, sendo assim não é capaz de proteger os 
ocupantes do veiculo se houver um segundo impacto na sequência, como no 
exemplo de um catamento. 
- outro aspecto de segurança para os socorristas é considerar que os Airbags 
podem não ter sido acionados por alguma razão durante o evento, tendo o risco de 
deflagrar durante o resgate. Cabe aos socorristas atentarem para a identificação de 
Airbags não deflagrados e adotarem medidas de segurança (aplicar protetores de 
Airbags, distância segura dos dispositivos) para trabalharem dentro do veículo. 
3.4 Mecanismo de colisões 
 
Figura 9 - Três Colisões 
Fonte: PHTLS 7ªEd. 
 
a) veículo x anteparo: 
Se um veículo circula a uma velocidade de 70km/h por uma estrada e colide 
inesperadamente com uma arvore (anteparo), sua velocidade se transforma em 
energia que é transferida e absorvida pela árvore, pelo veículo e por todos que 
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55 
 
estiverem no seu interior. Essa energia irá ocasionar danos estruturais e causará 
lesões nas pessoas no interior do veículo. 
A gravidade das lesões pode variar em virtude das condições de segurança 
do veículo (capacidade de absorção e dissipação de energia), do uso de 
equipamentos de segurança por parte dos ocupantes (cintos de segurança e 
encostos de cabeça) e ainda do funcionamento de dispositivos de segurança 
(airbags e pré-tensores de cinto). Considerar sempre que a velocidade do veículo é 
a mesma velocidade aplicada a seus ocupantes 
 
b) ocupante x estruturas internas do veículo: 
Semelhantemente ao veículo que ao colidir com um anteparo recebe a 
transmissão de energia devido a essa acentuada desaceleração, o corpo dos 
ocupantes do veículo também se choca com as estruturas internas do veículo. Ao 
colidir, o veículo interrompe sua trajetória, mas corpo dos ocupantes permanecem 
em movimento até serem impactos por algum obstáculo. Se não estiverem fazendo 
uso de cintos de segurança, serão projetados a frente e irão colidir com seu corpo ao 
painel, para-brisas ou qualquer outra estrutura interna na mesma velocidade que o 
veículo estava. 
 
c) órgãos internos x Estruturas ósseas: 
Quando o corpo do ocupante do veículo é projetado e colidi com as estruturas 
do veículo, os órgãos internos do corpo do ocupante também recebe a transmissão 
de energia ao colidir com as estruturas ósseas, o que poderá acarretar em graves 
lesões. Todo o corpo dos ocupantes do veículo recebe a ação da transferência de 
energia. Esses efeitos da desaceleração acentuada aplicados nas estruturas 
internas do corpo tem um grande potencial de causar danos. Tais lesões internas 
podem ser muito graves e precisam ser consideradas e potencialmente identificadas 
afim de que tais vítimas sejam conduzidas de forma adequada a um hospital de 
referência em atendimento a politraumatizados. O não reconhecimento de prováveis 
lesões e a demora na chegada a um centro de trauma pode ser a diferença entre a 
vida e morte dessas vítimas. 
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56 
 
 
d) objetos x ocupantes do veículo: 
Por fim podemos ainda considerar que objetos soltos dentro do veículo 
também podem ser os causadores de lesões. Assim entendemos que a avalição das 
condições internas (objetos contundentes ou perfurantes) e externas dos veículos 
colididos e o entendimento do mecanismo de lesão causado pela transmissão de 
energia são ferramentas cruciais no atendimento a vítimas de colisão de veículos. 
Potenciais Lesões relacionadas aos tipos de colisão: 
- colisão Frontal: 
Com o uso do cinto de segurança, a vítima ainda pode ser projetada para 
frente e para cima (up and over), batendo a cabeça contra s estruturas internas do 
veículo. As regiões do tórax e/ou abdome colidirão contra o volante e suas pernas 
podem sofrer impacto devido ao contato com o painel do veículo. 
O motorista pode apresentar inúmeras lesões quando é ejetado pelo 
parabrisas já que não é possível predizer o que pode ter atuado no seu corpo 
durante e após sua ejeção. Uma vítima ejetada tem 25 vezes mais possibilidades de 
vir a óbito. 
Se o motorista estiver em uma posição o corpo fica mais vulnerável e com 
maior probabilidade de sofrer danos, podendo se deslocar para sob a coluna de 
direção e o impacto inicial será através dos pés e pernas progredindo para a pélvis. 
A parte superior do corpo se projetara a frente chocando-se contra o volante. 
 
- passageiro do banco dianteiro: 
A diferença para o banco do motorista é que a coluna de direção e o volante 
não estão presentes. O corpo pode impactar contra o teto, parabrisas, painel ou o 
próprio assoalho. Lesões da cabeça aos pés podem ocorrer. 
 
- colisão traseira ou Posterior: 
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57 
 
Esse mecanismo ocorre normalmente quando um veículo parado ou em baixa 
velocidade é atingido por outro veículo em velocidade superior. A ação dessa colisão 
irá projetar os ocupantes do veículo a frente e em seguida retornarão à posição 
inicial. Se estiverem sem cinto de segurança e dependendo da velocidade que fora 
atingido o veículo os ocupantes poderão sofrer lesões pelo impacto com as 
estruturas internas do veículo, como para-brisas, painel, volante e os bancos no 
caso de passageiros no banco de trás do veículo. Outra condição importante nesse 
tipo de colisão é o posicionamento adequado do encosto de cabeça, se não estiver 
devidamente ajustado para altura dos ocupantes do veículo, estes poderão sofrer o 
efeito “chicote”, ou seja, uma flexão de pescoço seguida de uma hiperflexão. sse 
efeito pode gerar importantes danos nas estruturas do pescoço e coluna cervical. 
Vale ressaltar que colisões traseiras com velocidades mais baixas podem 
desenvolver importantes lesões cervicais. 
 
- colisão lateral ou transversal: 
Tem seu mecanismo semelhante a colisão frontal. É também um evento de 
importante gravidade. O uso de cintos de segurança, airbags, pré-tensores são 
diretamente relacionados a potencialidade das lesões. As vítimas podem apresentar 
sinais de trauma de crânio devido ao efeito de golpe contragolpe no deslocamento 
lateral. O golpe e contragolpe lateral também pode acarretar distensão cervical, 
fraturas e subluxações. O impacto lateral pode causar lesão de tórax, abdome, pelve 
e fêmur no lado atingido na colisão. Na ausência de uso de cinto de segurança a 
projeção causada pelo impacto pode acarretar em outras lesões. 
 
- capotamentos: 
Durante um capotamento o veiculo sofre diversos impactos em locais da 
estrutura e em ângulos diferentes, assim da mesma forma o corpodos ocupantes do 
veículo sofre diversos impactos. Estejam eles contidos pelos dispositivos ou não. 
Caso tenham ocupantes sem dispositivo de restrição, esse se tronará um agente 
lesivo para os demais ocupantes. Vítimas de capotamento são expostas a diversos 
mecanismos de lesões como nos demais tipos de colisões já comentados. Tendo um 
risco maior de esmagamentos e ejeções. Cabe ao socorrista atentar para essas 
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58 
 
variáveis ao avaliar inicialmente a cena, para que lesões ou vítimas passem 
despercebidas no atendimento. 
 
- colisão com animais: 
Em áreas rurais temos um risco grande de eventos de colisão envolvendo 
animais de médio e grande porte nas vias. Esse tipo de evento tem também uma 
importante cinemática como mecanismo de lesão, o impacto do veículo com o 
animal pode projetar o corpo do animal para dentro do veiculo causando lesões nos 
ocupantes e até aprisionamentos. 
 
 
 
 
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59 
 
4 ASSISTÊNCIA AO POLITRAUMATIZADO NO APH 
As informações deste capítulo foram retiradas, em parte, do Procedimento 
Operacional Padrão (POP) do Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de 
Janeiro (CBMERJ) de abordagem primária à vítima de trauma (POP APH 02, 
CBMERJ, 2018) e do Manual básico de atendimento pré-hospitalar (CEPAP, 
CBMERJ, 2017). 
Os Bombeiros Militares do Estado do Rio de Janeiro devem ter como rotina 
avaliar as condições do evento durante o trajeto entre a Unidade de Bombeiro Militar 
e o local do evento baseando-se no maior número de informações colhidas desde a 
solicitação do socorro, obtendo detalhes quanto à natureza do incidente de trauma, 
número de vítimas, condições locais (iluminação, exposição a produtos perigosos, 
risco de desabamento, explosões, etc.) e a necessidade de solicitar apoio de socorro 
avançado de saúde e/ou outros órgãos (Polícia Militar, Companhia de Engenharia de 
Tráfego, Guarda Municipal, concessionárias de energia, água e esgoto, dentre 
outras). 
4.1 Etapas iniciais do socorro 
O início de todo atendimento ao trauma no ambiente pré-hospitalar, deve 
abranger as seguintes indagações iniciais: 
- qual foi a cinemática do trauma? 
A aplicação dos princípios da cinemática do trauma na avaliação da vítima 
ajuda a prever lesões que de outra forma poderiam passar sem serem percebidas. 
Deixar de suspeitar de lesões, por não avaliar adequadamente a cinemática, pode 
ter um impacto desastroso no prognóstico do paciente. 
- a cena está segura e qual é a impressão geral da vítima? 
A primeira preocupação do socorrista quando chegar ao local do incidente de 
trauma deve ser: a própria segurança, seguida pela segurança de sua equipe e 
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60 
 
posteriormente a segurança da vítima (5.1 Avaliação da Cena). 
- qual é o número de vítimas e qual a necessidade de solicitar apoio? 
Quando a situação no local exigir recursos que excedam a capacidade da 
viatura e da equipe, quer seja pelo número de vítimas, quer pela complexidade das 
lesões encontradas, a melhor conduta é solicitar apoio imediatamente. 
- qual equipamento de proteção individual (EPI) devo utilizar além da 
biossegurança? 
Antes de abordar a(s) vítima(s), tendo garantido a segurança da cena e já 
ciente das informações sobre a situação do incidente, o socorrista deve utilizar todo 
o equipamento de proteção individual (EPI) disponível e adequado à necessidade do 
momento (5.1.3 Avaliação da Cena – Procedimentos Iniciais). 
4.2 Exame do politraumatizado 
A prioridade da avaliação primária é a identificação e o tratamento rápido de 
condições que colocam a vida em risco. 
 
Abordagem primária do politraumatizado: 
 Uma vez estabelecida a segurança da cena, inicia-se a abordagem primária 
ao trauma preferencialmente in loco, com base na avaliação do mecanismo de 
trauma e do nível de gravidade da vítima, concluído a partir da avaliação do nível de 
consciência e do “ABCD”. 
 Os problemas encontrados em cada etapa do exame (ABCD) devem ser 
resolvidos de imediato. Pode-se e deve-se delegar tarefas (intervenções) aos pares 
e subordinados de modo a proceder intervenções simultaneamente, o que acelera o 
atendimento. 
A sequência de avaliação da vítima deve seguir o algoritmo abaixo: 
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Figura 10 – Abordagem primária à vítima de trauma 
Fonte: Procedimento operacional padrão de atendimento pré-hospitalar 02 - CBMERJ 
 
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62 
 
 
Figura 11: Avaliação primária 
Fonte: CBMERJ 
 
 
NC- nível de consciência: 
 
 
Figura 12: Avaliação do nível de consciência 
Fonte: CBMERJ 
 
No momento da avaliação do nível de consciência o socorrista deve focar 
somente em duas vertentes, consciente ou inconsciente e rapidamente determinar 
se a vítima preserva ou não a via aérea patente. O método recomendado pelo 
CBMERJ para o socorrista avaliar o nível de consciência é o AVDI (Alerta, Resposta 
Verbal, Resposta ao estimulo doloroso e Inconsciência). 
 
A - Abertura de vias aéreas e estabilização da coluna cervical: 
 O objetivo dessa etapa é checar rapidamente se a vítima respira e garantir 
que não haja obstrução à passagem do ar. Caso haja algum tipo de obstrução, deve 
NC - Nível de consciência 
 
A - Abertura das Vias Aéreas e proteção da coluna cervical 
 
B - (Boa) Ventilação 
 
C - Circulação (perfusão e controle de hemorragias) 
 
D - Disfunção neurológica 
 
E - Exposição e ambiente 
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63 
 
ser corrigida imediatamente, pois pode levar à redução da quantidade de oxigênio 
no organismo (hipóxia). A hipóxia é uma importante causa de morte que pode ser 
evitada com o emprego de algumas manobras simples. Nos casos de traumatismo, 
devemos atentar para a presença de: queda de língua, presença de corpo estranho 
na cavidade oral, traumas de face, presença de secreções (sangue e vômito). 
 
Figura 13 - Técnica de abertura de boca com os dedos cruzados e técnica estabilização manual da col una 
cervical com elevação modificada da mandíbula 
Fonte: CBMERJ 
 
O socorrista deve estabilizar a coluna cervical da vítima segurando sua 
cabeça apoiada sobre uma superfície rígida e elevando a mandíbula empurrando 
para cima os dois ângulos da mandíbula com os dedos indicadores ou polegares. 
 Caso haja muita secreção ou sangue e o aspirador não esteja disponível, o 
socorrista deve realizar o rolamento a 90º e fazer varredura digital com compressas 
ou gazes. 
No pré-hospitalar a técnica de aspiração respeita os seguintes critérios: pré- 
oxigenação e re-oxigenação no intervalo da aspiração, aspiração por até 20 
segundos, a aspiração deve acontecer durante a retirada do cateter, 
preferencialmente o cateter deve ser rígido, a prioridade é a aspiração da cavidade 
oral e vítimas com TCE e suspeita de fratura da base do crânio tem contraindicação 
de aspiração nasal. Para a aspiração do tubo endotraqueal, uti lizar cateter flexível 
de calibre compatível com o diâmetro interno do tubo. 
Outro recurso disponível é o uso de cânulas orofaríngeas que tem como 
finalidade manter a base da língua distante da região da passagem do ar. 
Outro recurso disponível é o uso de cânulas nasofaríngea e orofaríngea que 
tem como finalidade manter a base da língua distante da região da passagem do ar. 
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64 
 
A cânula nasofaríngea deve ser medida, utilizando como referências a ponta 
do nariz ao lobo da orelha. Ela é colocada introduzindo-se a ponta com a abertura 
voltada para o septo. Sugere-se a aplicação de substância lubrificante antes de sua 
introdução. 
 A cânula orofaríngea também deve ser medida antes de ser introduzida, a 
técnica é aseguinte: medir a cânula do ângulo da mandíbula ou do lóbulo da orelha 
até a comissura labial da vítima. Deve-se introduzi-la direcionando-a para o palato 
duro (céu da boca) e quando encontrar a primeira resistência gira-se a mesma 
acabando de introduzi-a. 
 
 
Figura 14 - Medição e colocação da cânula orofaríngea 
Fonte: CBMERJ 
 
B- (Boa) Ventilação: 
Ao avaliar a ventilação, o socorrista deverá atentar durante a inspeção ao 
padrão ventilatório, presença de cianose, lesões aspirativas no tórax e Spo2 20 
min? 
sim 
sim 
não (reavaliação 
continuada) 
Guarnição Avançada 
não 
Padrão ventilatório 
à inspeção? 
3
 Ver algoritmo III (POP 
Acesso avançado às vias 
aéreas). 
Guarnição Básica ou 
Intermediária 
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67 
 
podem não apresentar cianose, mesmo que haja hipoxemia. Também é difícil 
enxergar a cianose com pouca luminosidade ou em pele escura. No trauma, toda 
vítima agitada se encontra hipoxêmica até prova em contrário. Atenção: na ausência 
de lesão do sistema respiratório, a oximetria de pulso pode se mostrar normal em 
pacientes com intoxicação por monóxido de carbono ou cianeto (lesão tóxica por 
inalação), aos quais deve ser oferecido oxigênio suplementar a 10 l/min, com o 
intuito de acelerar a liberação do CO da hemoglobina. A maioria das vítimas de 
intoxicação por CN (cianeto) também inalou CO, visto que o primeiro é fruto da 
combustão do poliuretano, composto carbonado. 
 
b) iniciar a oferta de oxigênio a 10 l/min e titular, tão logo possível, com base na 
oximetria de pulso, cuja meta deve ser 90-94%. 
 São seis os critérios definidores de caso para insuficiência respiratória 
aguda no pré-hospitalar, os quais não precisam estar todos presentes 
simultaneamente. Saliente-se que o paciente pode apresentar sinais de dificuldade 
ventilatória (b) desacompanhados de sinais de hipoxemia (a) e vice-versa. 
- sinais de hipoxemia: agitação, spO2e não mais 
afrouxar, até avaliação hospitalar pelo cirurgião vascular; 
f) caso se obtenha resultado parcial com a aplicação do torniquete, este deve ser 
mais apertado ou um segundo pode ser aplicado proximal ao primeiro; 
g) deve ser anotado no torniquete (ou na pele do membro do paciente) com 
caneta de tinta resistente a água o horário da aplicação do torniquete (padrão: 
“ =0715”, isto é, 07:15h); 
h) aplicar torniquete proximal a qualquer amputação traumática. 
Deve-se sempre considerar a imobilização de fraturas suspeitas em pelve e 
ossos longos. 
Por fim, o socorrista deve buscar sinais de choque circulatório tais como: 
alteração da consciência, palidez cutânea, pele fria e pegajosa, pulso radial fino e 
rápido(somente para o profissional de saúde), enchimento capilar superior a 2 
segundos e respiração rápida. 
 
 
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70 
 
Tratamento: 
- garantia de oxigenação (via aérea e ventilação adequada para sat02 > 90%); 
- identificação de hemorragias (controle de hemorragias externas) ; 
- transporte rápido ao centro de tratamento definitivo; 
- manutenção da temperatura corpórea. (aquecer a vítima). 
 
Figura 19 - Avaliação de pulso radial (profissional de saúde) 
Fonte: CBMERJ 
 
 
 
 
Figura 20- Avaliação da temperatura 
Fonte: CBMERJ 
 
 
 
Figura 21 - Verificação, comparativa, de pulso central e periférico (profissional de saúde) 
Fonte: CBMERJ 
 
 
 
 
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71 
 
D- Déficit neurológico 
Ao avaliar o déficit neurológico o socorrista deve minimamente reavaliar o 
nível de consciência, verificar o padrão das pupilas e as condições de sensibilidade 
e motricidade, avaliando força e movimentos. 
O socorrista pode inferir que um doente confuso, combativo ou não 
cooperativo, está em hipóxia até que se prove o contrário. Outras causas de 
rebaixamento do nível de consciência podem ser a lesão do sistema nervoso central, 
a intoxicação por drogas ou álcool, os distúrbios metabólicos (diabetes, convulsão, 
...). 
 
E –Exposição e Ambiente: 
Durante a avaliação é feita a exposição da vítima que tem por finalidade 
identificar lesões ou sinais de traumatismos fechados, porém o socorrista deve 
atentar para o ambiente e prevenir a hipotermia expondo o necessário e aquecendo 
a vítima após terminar a avaliação primária. A hipotermia pode agravar o estado de 
choque hemorrágico, pois interfere nas respostas fisiológicas compensatórias. 
Roupas molhadas, ar condicionado da viatura, eventos em regiões climáticas de 
baixa temperatura, são situações que podem levar ao quadro de hipotermia. 
 
Figura 22 - Exposição da vítima 
Fonte: CBMERJ 
 
Reavaliação: 
A reavaliação consiste na verificação do nível de consciência, A, B, C e 
checagem de procedimentos tais como: imobilizações e curativos. Esta deve ser 
sempre realizada a cada 5 minutos em vítimas graves, sempre que se realizar a 
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72 
 
movimentação da vítima e na presença de alteração do nível de consciência ou do 
A, B, C. 
Após a revaliação deve-se colher a história AMPLAS (Alergias, Medicações, 
Prenhez, Líquidos e alimentos, Ambiente do Evento e Sinais e Sintomas) 
Ao final da abordagem primária considerar a necessidade de extricação e 
medidas de proteção de coluna vertebral (POP APH 04 CBMERJ EMG). 
 
 
 
 
 
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73 
 
5 ABORDAGEM À COLUNA VERTEBRAL NO TRAUMA 
As informações deste capítulo foram retiradas, em parte, do Procedimento 
Operacional Padrão (POP) do Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de 
Janeiro (CBMERJ) de abordagem à coluna vertebral (POP APH 04, CBMERJ, 2018) 
e do Manual básico de atendimento pré-hospitalar (CEPAP, CBMERJ, 2017). 
5.1 Abrangência 
 Estas recomendações se destinam aos bombeiros militares da saúde e aos 
socorristas especialistas. Devem ser aplicadas somente após formação em 
programa de educação continuada oficial da Seção de Ensino Treinamento e 
Pesquisa da Diretoria de Socorro de Emergência (DSE) ou multiplicadores 
devidamente autorizados pelo DSE. 
5.2 Abordagem primária à vítima de trauma 
Após estabelecer a segurança da cena e determinar as prioridades de 
abordagem através da triagem, quando aplicável, inicia-se a abordagem primária ao 
trauma, preferencialmente in loco, exceto nos cenários com ameaça à segurança 
quando serão realizadas extrações de emergência das vítimas até a área abrigada 
(segura – zona morna/fria), mesmo que isso impossibilite a aplicação de medidas 
imediatas de proteção à coluna vertebral. Caso a segurança da cena esteja 
estabelecida, com base na avaliação do mecanismo de trauma e do nível de 
gravidade da vítima (concluído a partir da avaliação das funções vitais pelo 
“XABCD”), deve-se então decidir quanto à indicação (necessidade) de proteção à 
coluna vertebral. Para tanto, ver algoritmo a seguir ( figura 23). 
 
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74 
 
5.3 Decisão quanto à indicação (necessidade) de restrição a coluna vertebral 
 as vítimas com alteração no “ABCD”, isto é, vias aéreas obstruídas, 
respiração dificultosa/sinais de hipoxemia, hemorragia maciça não controlada/sinais 
de choque circulatório ou alteração de consciência, a proteção da coluna vertebral é 
mandatória (restrição minimalista - conforme a figura 32 abaixo), visto que sob tais 
condições há emergência em extricar/evacuar. Além disso, tais pacientes foram 
excluídos de todas as pesquisas de eficácia/segurança de decisão para a proteção 
da coluna vertebral. 
 
Figura 23 – Restrição minimalista. 
Fonte: CBMERJ 
 
Nas vítimas estáveis, decidir pela necessidade de proteção de coluna 
vertebral seguindo o algoritmo da figura 24. 
Na figura 24, encontra-se o algoritmo de abordagem à coluna vertebral no 
trauma. XABCBE (mnemônico para as etapas da abordagem primária ao 
politrauma). Pacientes com sinais de lesão cerebral traumática com aumento da 
pressão intracraniana (escala de coma de Glasgowprincipais técnicas envolvidos na proteção da coluna vertebral 
Todavia, uma vez decidido que há indicação de restrição da coluna vertebral, 
necessário se faz optar pela técnica adequada, que pode variar conforme o caso. 
Veja-se a seguir. 
O uso contínuo e permanente da prancha longa aumenta a chance de 
agravos e dor na coluna vertebral, uma vez que retifica suas curvaturas naturais. 
Além disso, pode causar lesões de pressão na pele, além de limitar a expansão 
torácica e aumentar a pressão intracraniana. Assim, uma vez sobre a maca da 
ambulância, a vítima deve ser retirada da prancha. Manter o colar cervical e o 
imobilizador lateral de cabeça (montado sobre a própria maca). Exceção: quando a 
prancha for necessária para a estabilização de fraturas suspeitas em ossos 
longos/bacia ou quando o hospital estiver a menos que 10 minutos. No hospital, a 
vítima com indicação de proteção à coluna vertebral é passada para o leito da 
emergência através de manobra de rolamento lateral com auxílio da prancha, 
deslizamento lateral alinhado ou utilizando prancha scoop-stretcher ou qualquer 
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77 
 
outro dispositivo deslizante. 
Pacientes com trauma contuso e rebaixamento significativo de consciência 
(Escala de Coma de Glasgow 40% 
(> 2000 ml) 
Pulso 
Normal 
Elevado 
(>100) 
Elevado (>100) Elevado 
(>140) 
Pressão 
sanguínea 
Normal 
Alteração 
por 
mudança 
Hipotensão 
Hipotensão 
grave 
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83 
 
Tabela 4 - Classes de hemorragia X sinaise sintomas 
Fonte: Maine EMS prehospital treatment protocol, 2015 
 
a) hemorragia classe I: Estágio onde ocorrem mínimas manifestações clínicas. O 
organismo está agindo de forma a compensar a perda sanguínea, desta forma, 
ajudam mantendo a pressão arterial estabilizada. 
b) hemorragia Classe II: Em adultos saudáveis essa perda sanguínea é 
facilmente compensada, ocorre a ativação do sistema nervoso simpático (liberando 
adrenalina na corrente sanguínea) que viabilizará ama pressão arterial estável = 
choque compensado! 
c) hemorragia classe III: A maioria das vítimas não consegue compensar esta 
perda de volume, e ocorre hipotensão. Muitos desses doentes necessitam de 
transfusão sanguínea e intervenção cirúrgica. 
d) hemorragia Classe IV: Estágio de choque grave/severo. Essas vítimas 
geralmente têm poucos minutos de vida. A sobrevida depende de controle imediato 
da hemorragia (cirurgia quando necessária) e reanimação agressiva, incluído 
transfusão de sangue e plasma, com mínimo de solução cristalóide. 
6.2 O manejo das hemorragias 
Com as definições e classificações estabelecidas a ótica volta-se para o 
tratamento das lesões exsanguinantes. Podemos dividir, basicamente, em seis 
formas de atuação em lesões que proporcionam hemorragia maciça. O critério para 
definir qual e quando será usada cada uma delas dependerá da avaliação da vítima 
ortostática 
Perfusão 
capilar 
Normal 
Até 2s 
Pode estar 
lentificado 
> 2s 
Geralmente 
lentificado 
> 2s 
Sempre 
lentificado 
> 2s 
Respiração Normal 
Levemente 
aumentada 
Taquipneia 
moderada 
Taquipneia 
grave e 
colapso 
respiratório 
Status 
mental 
Normal ou 
agitado 
Agitado Confuso 
Letárgico ou 
inconsciente 
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84 
 
e de suas lesões pelo socorrista. As formas de ação para contenção de perdas 
sanguíneas são, a saber: 
6.2.1 Técnica de compressão direta 
Utilizada como primeira resposta e em situações onde não estão disponíveis 
agentes hemostáticos, torniquetes e torniquetes juncionais, utilizada como 
tratamento inicial em hemorragias maciças no tronco, membros, pescoço e em áreas 
juncionais, até a chegada dos recursos hemostáticos. Pode-se aplicar a pressão 
direta com gaze ou pano limpo imediatamente em cima do ferimento comprimindo 
até parar de Sangrar. Esta técnica é a mais comum e utilizada por militares do 
CBMERJ. Lembrando que esta técnica não é o curativo compressivo e nela perde-se 
um socorrista até cessar o sangramento. 
6.2.2 Curativos compressivos 
Projetados para membros, são bastante eficazes quando bem aplicados. 
Podemos utilizar materiais industrializados prontos para uso como a “bandagem 
israelense”, contudo, pode ser feito curativo compressivo apenas com atadura e 
gaze, no caso de o curativo encharcar de sangue não o retire, aplique outro por 
cima. Garanta que haja pulso após a aplicação do Curativo no membro afetado. Esta 
técnica possibilita a interrupção da compressão direta deixando as mãos do 
socorrista livre para atuar em outras frentes. 
 
Figura 36: Bandagem israelense 
fonte: www.combatmedical.com 
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85 
 
6.2.3 Aplicação de curativos nas feridas 
 Técnica de cobertura de ferimentos com curativos industrializados ou com 
gaze e atadura. O enfaixamento da lesão com gaze e atadura, normalmente, já é o 
suficiente. 
6.2.4 Bandagem elástica 
Normalmente industrializadas, favorecem a compressão dos vasos 
sanguíneos imediatamente superiores a lesão, promovendo a diminuição do fluxo 
sanguíneo e facilitando, assim, a cascata de coagulação. A mais conhecida é a 
SWAT-TTM. Contudo, existem “meios de fortuna” que substituem bem a original, um 
bom exemplo é a bandagem elástica feita com câmara de ar de bicicleta, 
efetivamente uti lizada por militares do CBMERJ no seu dia a dia. 
 
Figura 37: Bandagem elástica SWAT 
fonte: www.swattourniquet.com/ 
 
 
Figura 38: Bandagem de câmara de ar 
fonte: SETEP / DSE 
 
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86 
 
6.2.5 Torniquetes 
Projetados para conter sangramentos em extremidades, são extremamente 
eficazes no tratamento primário de lesões exsanguinantes, controlando, assim, as 
hemorragias maciças. Tanto o TCCC quanto o PHTLS indicam torniquetes 
recomendados pelo CoTCCC (SOFT, CAT) para uso no controle de grandes perdas 
sanguíneas. Existem ainda os torniquetes juncionais, estes equipamentos 
específicos foram projetados para conter hemorragias em áreas de transição (áreas 
juncionais) do corpo (virilha, axila, ombro e pescoço), regiões de ligação corporal 
(regiões nas quais os membros se inserem ao tronco) onde agentes hemostáticos 
não foram suficientes ou o torniquete de extremidades não pode ser aplicado. Os 
ferimentos que pedem o uso de torniquetes juncionais provém, geralmente, de 
dispositivos explosivos improvisados – DEIs, que geram lesões de pelve e 
amputações. São torniquetes juncionais recomendados pelo CoTCCC: o SAM, o 
CRoC e o J.A.T.T. 
 
Figura 39: Torniquete de torção 
fonte: PHTLS 8° Ed. 
 
 
Figura 40: Torniquete de torção 
fonte: PHTLS 8° Ed. 
 
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87 
 
 
Figura 41: Torniquete Juncional CRoCC 
fonte: www.combatmedical.com 
 
 
 
Figura 42: Torniquete Juncional SAM 
fonte: www.sammedical.com 
 
 
Figura 43: JETT (Junctional Emergency Tactical Tourniquet 
fonte: www.NARescue.com 
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88 
 
6.2.6 Agentes hemostáticos 
Estes dispositivos foram criados para envolver ou serem introduzidos nas 
feridas. Normalmente em formatos de gaze, pó ou mini absorventes, possuem em 
sua composição agentes químicos que promovem a hemostasia (conter o 
sangramento) no local aplicado. Os dispositivos recomendados pelo CoTCCC e 
Maine EMS são: a Combat Gauze, Celox Gauze e X-Stat. Sua aplicação varia de 
acordo com o material utilizado, a Combat Gauze e Celox Gauze são agentes 
recomendados para ferimentos de trato largo (feridas profundas com abertura 
grande) devem ser introduzidas na ferida em toda sua extensão e o produto 
hemostático que se encontra em suas tramas induz a coagulação no local aplicado 
levando a diminuição e/ou cessando do sangramento, ao término da introdução da 
Combat Gauze deve-se permanecer comprimindo diretamente o local aplicado por 3 
min. O X-Stat é um outro agente hemostático, este é recomendado para ferimento 
de trato estreito (ferida profunda e de abertura pequena), deve ser introduzido por 
uma seringa que coloca dentro da ferida mini absorventes que possuem agentes 
hemostáticos, estes se expandem dentro do ferimento e fazem uma compressão que 
junto a coagulação promovida pelo agente hemostático cessam o sangramento, no 
caso do X-Stat não é necessário comprimir após a aplicação. Em caso de 
indisponibilidade dos agentes descritos, utilizar atadura comum, introduzindo-a, da 
mesma forma que os agentes citados, na ferida. No caso da utilização da atadura 
comum, a compressão no ferimento deverá ser de 10 min, no mínimo. 
 
Figura 44: Combat Gauze 
fonte: www.combatmedical.com 
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89 
 
 
 
Figura 45: XSTAT-30 
fonte: www.ctoms.ca 
 
 
 
6.3 Plano de ação ao atendimento a vítimas de lesões exanguinantes 
a) verifique todos os locais de sangramento e controle com pressão direta. 
b) se a hemorragia que promove risco a vida estiver na extremidade, e não é 
controlada por pressão, considere a aplicação de um torniquete aprovado pelo 
CoTCCC ou Maine SEM. 
O torniquete deve ser aplicado de forma proximal pelas seguintes razões: 
- as lesões são geralmente mais proximais do que o previsto e; 
- estruturas ósseas duplas mais baixas no antebraço e no leito das artérias, 
impedem que os torniquetes funcionem adequadamente. 
c) o torniquete deve ser aplicado o mais apertado84 
6.2.2 Curativos compressivos ..................................................................................... 84 
6.2.3 Aplicação de curativos nas feridas................................................................... 85 
6.2.4 Bandagem elástica ............................................................................................. 85 
6.2.5 Torniquetes .......................................................................................................... 86 
6.2.6 Agentes hemostáticos ........................................................................................ 88 
6.3 Plano de ação ao atendimento a vítimas de lesões exanguinantes .................. 89 
7 ABORDAGEM ÀS FRATURAS DE PELVE E EXTREMIDADES.............................. 92 
7.1 Princípios gerais da imobilização de fraturas ........................................................ 92 
7.2 Imobilização de membros inferiores........................................................................ 92 
7.3 Imobilização do antebraço/cotovelo ........................................................................ 93 
7.4 Imobilização braço ..................................................................................................... 95 
7.5 Imobilização do punho/mão ...................................................................................... 96 
7.6 Imobilização da pelve ................................................................................................ 96 
7.7 Imobilização do quadril/coxa .................................................................................... 97 
8 SITUAÇÕES ESPECIAIS NO TRAUMA........................................................................ 99 
8.1 Queimaduras............................................................................................................... 99 
8.1.1 Conceito................................................................................................................ 99 
8.1.2 Classificação das queimaduras ...................................................................... 101 
8.1.3 Considerações e tratamento ........................................................................... 102 
8.2 Síndrome de Esmagamento ................................................................................... 104 
8.3 Objetos empalados .................................................................................................. 106 
8.4 Evisceração ............................................................................................................... 107 
9 SALVAMENTO VEICULAR............................................................................................ 110 
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8 
 
9.1 Ferramentas, equipamentos e acessórios (FEAs).............................................. 110 
9.2 Estabelecimento das viaturas de socorro ............................................................ 112 
9.3 Procedimentos inicias (táticas de ação imediata) do socorrista ....................... 113 
9.4 Esquema das zonas de trabalho em salvamento veicular ................................ 115 
9.5 Sistematização das fases do salvamento veicular ............................................. 116 
9.5.1 Composição da equipe de salvamento veicular .......................................... 116 
9.5.2 Segurança na cena........................................................................................... 117 
9.5.3 Estabilização inicial dos veículos ................................................................... 118 
9.5.4 Criação de acesso inicial e entrada do socorrista ....................................... 118 
9.5.5 Estabilização dinâmica..................................................................................... 119 
9.5.6 Reunião tripartite ............................................................................................... 119 
9.5.7 Competências dos socorristas ........................................................................ 121 
9.5.8 Princípios e técnicas envolvidos na restrição de movimento e manuseio da 
coluna vertebral ........................................................................................................... 124 
9.5.9 Socorrista / auxiliar do socorrista ................................................................... 126 
9.6 Fases da operação .................................................................................................. 127 
9.6.1 Avaliação do cenário e seus riscos................................................................ 127 
9.6.2 Extricação centrada (focada) no paciente .................................................... 128 
9.6.3 Modalidades de extricação .............................................................................. 128 
9.6.4 Abordagem sistematizada C.R.A.S.H............................................................ 129 
9.6.5 Casos especiais de configuração da equipe de salvamento veicular ...... 129 
9.7 Sequência de extricação rápida............................................................................. 130 
9.7.1 Extricação rápida de vítima do compartimento dianteiro ........................... 130 
9.7.2 Extricação rápida de vítima do compartimento traseiro ............................. 137 
10 ALTERAÇÕES FISIOLÓGICAS DECORRENTE DE MUDANÇAS AMBIENTAIS
 ............................................................................................................................................... 141 
10.1 Hipotermia ............................................................................................................... 142 
10.2 Outras lesões causadas pelo frio ........................................................................ 145 
10.3 Lesões causadas pelo calor ................................................................................. 145 
10.3.1 Definição e fatores de risco........................................................................... 145 
10.3.2 Distúrbios causados pelo calor..................................................................... 147 
10.3.3 Prevenção ocupacional.................................................................................. 148 
10.3.4 Estação de reabilitação em incidentes (rehab).......................................... 150 
CORPO DE BOMBEIROS MILITAR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO 
 
9 
 
11 RESPOSTA A INCIDENTES COM MÚLTIPLAS VÍTIMAS (IMV) ......................... 155 
11.1 Conceitos introdutórios.......................................................................................... 155 
11.2 Táticas de ação imediata para IMV..................................................................... 157 
11.3 Relatório ICS-201................................................................................................... 159 
11.4 Triagem .................................................................................................................... 159 
11.5 Tratamento .............................................................................................................. 164 
11.6 Transporte ............................................................................................................... 165 
11.7 Relatório pós-IMV (RPI) ........................................................................................ 168 
12 SUPORTE BÁSICO DE VIDA ..................................................................................... 169 
12.1 Identificação da PCR ............................................................................................. 170 
12.2 Abordagem Inicial .................................................................................................. 172 
12.3 RCP no adulto e o uso do DEA ........................................................................... 174 
12.4 RCP em crianças ...................................................................................................possível. 
d) se a hemorragia persistir após a aplicação do torniquete, certifique-se de que 
o equipamento está aplicado de forma bem justa e apertada. Se a hemorragia 
continuar, considere a colocação de um segundo torniquete, proximal ao primeiro. A 
experiência demonstrou que a aplicação de dois torniquetes reduz grandemente 
incidência de hemorragia, especialmente em lesões na extremidade inferior. 
e) se a hemorragia com risco de vida não for controlada da forma descrita acima 
ou estiver localizada em área não passível de colocação de um torniquete, considere 
aplicar um agente hemostático aprovado pelo CoTCCC ou Maine EMS, aplicando o 
CORPO DE BOMBEIROS MILITAR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO 
 
90 
 
agente na ferida e, imediatamente após a aplicação, mantendo pressão sobre o 
agente por no mínimo 3 minutos, de acordo com o CoTCCC, e 5 minutos, de acordo 
com o Maine EMS. Verifique se há sangramento contínuo. Se o sangramento parou, 
com uma atadura ou curativo industrializado, enfaixe a ferida adequadamente, se o 
sangramento continuar, reaplique a pressão por no mínimo de 3 minutos a 5 minutos 
como falado anteriormente. Se o sangramento continuar após o segundo período de 
pressão, remova o agente hemostático e repita a operação com um novo agente 
hemostático. Lembre-se, para que estes agentes tenham eficácia máxima, eles 
devem ser aplicados dentro da ferida o mais próximo possível do tecido sangrante. 
f) gerenciar as vias aéreas, conforme apropriado. 
g) se há amputação, lavar o membro amputado com solução salina estéril para 
remover detritos. Enrole o membro amputado em gaze salina estéril, umedeça com 
solução salina estéril (não encharcar), coloque em um saco ou recipiente à prova 
d'água. Coloque o recipiente no gelo (não use gelo seco). Não coloque o membro 
diretamente no gelo. Se necessário, use gelo pacotes para fornecer algum nível de 
refrigeração. 
h) solicitar apoio médico se o sangramento não puder ser controlado, ou o 
paciente demonstrar sinais ou sintomas de choque (alteração respiratória, alteração 
de pulso e indícios de perda sanguínea importante), ou o paciente necessita de 
controle da dor devido a colocação de torniquete. 
 
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91 
 
 
Figura 46: Fluxograma de condutas em grandes hemorragias 
fonte: adaptado de Save a life: What Everyone Should Know to Stop Bleeding After an Injury. American 
College OF Surgions, 2017. 
 
 
 
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92 
 
7 ABORDAGEM ÀS FRATURAS DE PELVE E EXTREMIDADES 
As informações deste capítulo foram retiradas, em parte, do Procedimento 
Operacional Padrão (POP) do Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de 
Janeiro (CBMERJ) de abordagem às fraturas (POP APH 06, CBMERJ, 2018) e de 
abordagem à coluna vertebral (POP APH 04, CBMERJ, 2018). 
7.1 Princípios gerais da imobilização de fraturas 
a) remover relógio e joias antes de imobilizar (edema). 
b) alinhar fraturas por leve tração manual antes de imobilizar. Interromper se 
piorar a dor ou houver resistência. 
c) sempre acolchoar lateralmente a imobilização. 
d) imobilizar as articulações proximal e distal à fratura. Exceção: fraturas 
articulares (joelho, tornozelo e punho). 
e) avaliar sempre perfusão antes e após a imobilização (atenção ao pulso distal, 
enchimento capilar e coloração). 
7.2 Imobilização de membros inferiores 
1) em geral, no mínimo 2 nós (direitos) proximais e 2 distais ao ponto de fratura, 
envolvendo as articulações proximal e distal. 
2) não aperte nós diretamente sobre o ponto de fratura. 
3) afrouxe caso note má circulação. 
 
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93 
 
 
Figura 47 - Em geral, no mínimo 2 nós (direitos) proximais e 2 distais ao ponto de fratura, envolvendo as 
articulações proximal e distal. Não aperte nós diretamente sobre o ponto de fratura. Afrouxe caso note 
má circulação. 
Fonte: Modificado de Headquarters, Departments of the Army, the Navy, and the Air Force. First aid. FM 4-
25.11 (FM 21-11)/ NTRP 4-02.1/AFMAN 44-163(I). December 2002. 
7.3 Imobilização do antebraço/cotovelo 
a) utilizando a ponta da gandola ou cinto para suportar antebraço fraturado. 
Apoiar no ombro oposto à fratura. 
b) manter mão acima do nível do cotovelo para evitar inchaço. 
c) utilizando bandagem triangular. Na sequência superior, as pontas da 
bandagem são passadas pela frente do tórax e amarradas atrás do pescoço. 
d) sequência inferior mostra a passagem de uma ponta da bandagem por baixo 
da axila e a outra pela frente, cada qual passando em volta de um dos ombros 
e amarradas às costas. 
e) bandagem triangular e tirantes improvisados (passam por trás das costas e 
por baixo da axila do lado “bom”) para imobilizar o braço (úmero) fraturado 
junto ao gradil costal. 
f) um tirante junto ao ombro e o outro logo acima do cotovelo homolaterais à 
fratura 
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94 
 
 
 
Figura 48 - Utilizando a ponta da gandola ou cinto para suportar antebraço fraturado. Apoiar no ombro 
oposto à fratura. Manter mão acima do nível do cotovelo para evitar inchaço. 
Fonte: Modificado de Headquarters, Departments of the Army, the Navy, and the Air Force. First aid. FM 4-
25.11 (FM 21-11)/ NTRP 4-02.1/AFMAN 44-163(I). December 2002. 
 
 
 
Figura 49 - Utilizando bandagem triangular. Na sequência superior, as pontas da bandagem são passadas 
pela frente do tórax e amarradas atrás do pescoço. A sequência inferior mostra a passagem de uma 
ponta da bandagem por baixo da axila e a outra pela frente, cada qual passando em volta de um dos 
ombros e amarradas às costas. 
Fonte: Modificado de Headquarters, Departments of the Army, the Navy, and the Air Force. First aid. FM 4-
25.11 (FM 21-11)/ NTRP 4-02.1/AFMAN 44-163(I). December 2002. 
 
 
 
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95 
 
7.4 Imobilização braço 
 
Figura 50 - Cotovelo fraturado em posição 
Fonte: Modificado de Headquarters, Departments of the Army, the Navy, and the Air Force. First aid. FM 
4-25.11 (FM 21-11)/ NTRP 4-02.1/AFMAN 44-163(I). December 2002. 
 
 
Figura 51 - Fratura de braço (figura direita) e cotovelo (figura esquerda), quando o cotovelo não dobra. 
Fonte: Modificado de Headquarters, Departments of the Army, the Navy, and the Air Force. First aid. FM 4-
25.11 (FM 21-11)/ NTRP 4-02.1/AFMAN 44-163(I). December 2002. 
 
 
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96 
 
7.5 Imobilização do punho/mão 
 
Figura 52 - Imobilização do punho e mão. 
Fonte: Modificado de Headquarters, Departments of the Army, the Navy, and the Air Force. First aid. FM 4-
25.11 (FM 21-11)/ NTRP 4-02.1/AFMAN 44-163(I). December 2002. 
7.6 Imobilização da pelve 
a) na indisponibilidade de talas pélvicas (pelvic binders), deve-se preferir o 
enfaixamento com lençol, ao nível dos trocânteres dos fêmures, colocando-se antes 
os joelhos da vítima em adução e rotação interna. 
b) o lençol ou tala pélvica deve ser passado sob a vítima pelo espaço natural 
abaixo da lordose lombar ou dos ocos poplíteos e deslizado até o nível dos 
trocânteres, através de manobra sincronizada de vai e vem (paralelo ao solo), 
enquanto um terceiro estabiliza manualmente a pelve. 
c) evitar movimentar a coluna lombar, a qual também se encontra em risco em 
caso de fratura de bacia. 
 
 
PONTO DE 
FRATURA ACOLCHOAMENTO 
 
 
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97 
 
7.7 Imobilização do quadril/coxa 
 
Figura 53 - Imobilização de fratura do quadril e coxa. 
Fonte: Modificado de Headquarters, Departments of the Army, the Navy, and the Air Force. First aid. FM 4 -
25.11 (FM 21-11)/ NTRP 4-02.1/AFMAN 44-163(I). December 2002. 
 
 
Figura 54 - Passar o lençol sob a lordose lombar ou ocos poplíteos e deslizar em vai e vem, até que fique ao nível dos 
trocânteres. Na foto,a estabilização pélvica feita ainda antes da extricação veicular. 
Fonte: desconhecido. 
 
 
 
Figura 55 - Posicionamento dos dispositivos de estabilização pélvica, incluindo lençol (à esquerda). 
Fonte: Modificado de https://phemcast.co.uk/2015/11/05/podcast-episode-2-the-pelvic-binder/. 
 
https://phemcast.co.uk/2015/11/05/podcast-episode-2-the-pelvic-binder/
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Figura 56 - Estabilização de suspeita de fratura da pelve com lençol. 
Modificado de http://www.ebmedicine.net/topics.php?paction =showTopicSeg&topic_id=243&seg_id=4748. 
 
 
Figura 57 - Estabilização de suspeita de fratura da pelve com lençol. 
Modificado de http://www.ebmedicine.net/topics.php?paction=showTopicSeg&topic_id=243&seg_id=4748. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
http://www.ebmedicine.net/topics.php?paction%20=showTopicSeg&topic_id=243&seg_id=4748
http://www.ebmedicine.net/topics.php?paction=showTopicSeg&topic_id=243&seg_id=4748
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99 
 
8 SITUAÇÕES ESPECIAIS NO TRAUMA 
As informações deste capítulo foram retiradas, em parte, do Procedimento 
Operacional Padrão (POP) do Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de 
Janeiro (CBMERJ) de queimaduras (POP APH 10, CBMERJ, 2018). 
8.1 Queimaduras 
8.1.1 Conceito 
São lesões que atingem a pele podendo evoluir de simples lesões cutâneas a 
comprometimentos de órgãos, sistemas e até podem levar a morte. A pele 
desempenha importantes funções em nosso corpo, tais como barreira física do 
ambiente, termorregulação sensações e adaptações metabólicas. 
 
Figura 58 - Tecido Cutâneo 
Fonte: PHTLS 8ªed. 
 
Queimadura é a desnaturação proteica do tecido em decorrência de absorção 
de energia térmica, resfriamento, radiação ou agente químico. 
Desnaturação proteica= alteração das ligações moleculares que causam 
distorção estrutural e, por consequência, perda da função biomolecular. 
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100 
 
As lesões podem ocorrer em duas fases: imediata e tardia. 
O dano ocasionado no momento da exposição ao agente é a lesão imediata, 
é quando a lesão já ocorreu. O papel da equipe de respondedores pré-hospitalar é 
evitar os agravos decorrentes do dano, ou seja, minimizar os problemas 
relacionados a lesão tardia. Que ocorrem muitas vezes por inadequados processos 
nos cuidados iniciais, tais como: aplicação de gelo, pomadas e agentes não próprios 
ao tipo de lesão, não interrupção do contato com agente causador da lesão, não 
priorização dos cuidados com condições vitais. 
 
Figura 59 - Regra dos 9 
Fonte: PHTLS 8ªed 
 
A figura acima conhecida como “regra dos 9”, é amplamente utilizada para 
auxiliar na abordagem ao doente queimado servindo como ferramenta para estimar 
a superfície corporal queimada. 
 
 
 
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101 
 
8.1.2 Classificação das queimaduras 
a) tipos de queimaduras: térmica, elétrica, radioativa, química. 
b) variação da gravidade da queimadura: Além do agente causador da lesão 
(tipo de queimadura) devemos considerar os seguintes aspectos para definição de 
gravidade: 
- extensão (SCQ), idade (pensar nos extremos crianças e idosos), 
profundidade (1º, 2º, 3º, 4º), condições clínicas (cardiopatias, diabetes, doenças 
pulmonares – pois já apresentam comprometimentos), lesões traumáticas 
associadas e indicativos de inalação de fumaça ou vapor quente. 
- profundidade 
 
 
Figura 60 - Característica da queimaduras 
Fonte: PHTLS 8ªed. 
 
 
Figura 61 - Característica da queimaduras 
Fonte: PHTLS 8ªed. 
 
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102 
 
 
Figura 62 - Cuidado com Bolhas 
Fonte: PHTLS 8ªEd. 
 
 
 
 
 
8.1.3 Considerações e tratamento 
Dificilmente a queimadura cutânea causa problema sério durante o pré-hospitalar, 
assim como, dificilmente decorre tempo suficiente para que o choque associado à 
queimadura desenvolva. O que se constitui em problema no pré-hospitalar são as 
lesões por inalação, como segue: 
a) queimadura de vias aéreas (o tratamento e Abordagem Avançada ver POP de 
Vias Aéreas); é importante colher informações que sugiram o evento de queimadura 
de vias aéreas e ainda identificar sinais e sintomas como escarro enegrecido, 
fuligem nasal, queimadura de face, rouquidão, náuseas, cefaleia. Pois sendo um 
quadro crítico requer atendimento rápido e intervenções médicas precoce. 
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103 
 
b) intoxicação por CO ou CN (o tratamento deve ser consultado no POP de 
Assistência Respiratória em APH). 
c) se o politraumatizado apresentar choque circulatório no pré-hospitalar, a 
ressuscitação volêmica deve ser direcionada para o choque hemorrágico (vide POP 
de Choque Hemorrágico, para ASE-A e I somente). Caso o único trauma seja a 
queimadura, calcular a necessidade de hidratação (Ringer lactato ou Plasmalyte A) 
pela fórmula de Parkland (2ml x peso em kg x % área corporal queimada), vide 
figura abaixo, e calcular a taxa de infusão para a metade deste volume nas primeiras 
8 horas (ASE A e I somente). 
d) cuidados locais: 
- retire anéis e pulseiras das áreas queimadas e cubra-as com gaze estéril 
seca (proteção). Se transporte durar mais que 20 minutos, umedecer aspergindo 
com Ringer Lactato estéril. 
- proteja o grande queimado (>20% de área corporal comprometida) da 
hipotermia. 
- O2, conforme apropriado se disponível 
- mantenha as vias aéreas abertas, controle hemorragias, oferecer ventilação 
adequada, cobrir feridas aspirativas de tórax, promover estabilização pélvica 
- solicitar Suporte médico, se possível suporte avançado, devido possibilidade 
de respiração comprometida, quadro de choque hipovolêmico e outros agravos. 
e) queimaduras circunferenciais, de tórax, face e pescoço, de regiões genitais e 
articulações são também consideradas graves pelos ricos de limitação funcional e 
infecções. 
f) cabe ainda considerar a possibilidade de remoção do doente queimado para 
um hospital com instalações próprias para tratamento de queimados (CTQ Centro de 
Tratamento de Queimados) 
 
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104 
 
8.2 Síndrome de Esmagamento 
Esta importante situação de emergência relacionada a vítima de trauma tem 
como cenário, eventos que promovam aprisionamento e esmagamento de partes do 
corpo de uma pessoa. Tais como desabamentos, desmoronamentos (estruturas 
colapsadas), acidentes veiculares, tombamentos de carga entre outras situações 
que por ventura promovam o mesmo mecanismo de lesão. 
A importância desse entendimento se dá devido ao alto índice de mortalidade, 
considerando que a síndrome de esmagamento é a segunda maior causa de morte 
em eventos de estruturas colapsadas, perdendo apenas para as lesões ocasionadas 
pelo trauma direto primário. 
A síndrome de esmagamento pode também ser chamada de: Síndrome 
compartimental, Síndrome de compressão muscular, Rabdomiólise traumática, entre 
outras denominações. Pois essas nomenclaturas surgiram em momentos diferentes 
definindo de modo semelhante a fisiopatologia do agravo. 
Essa síndrome foi inicialmente descrita em 1909, logo após a ocorrência de 
um terremoto que atingiu a cidade de Messina na Itália e também no período da 
primeira guerra mundial. 
Essas lesões são consideradas eventos traumáticos graves com potencial de 
risco de morte ainda na cena do evento. 
Tratamento pré-hospitalar específico da síndrome de esmagamento: 
O tratamento de primeira linha da síndrome de esmagamento é a expansão 
volêmica, entretanto, quando ocorre associada à hemorragia não controlada, deve-
se respeitar o princípio da hipotensão permissiva, seguindo o algoritmo do 
POP/EMG 07 - Choque hemorrágico (competência dos oficiais médicos e 
enfermeiros). 
Quando a síndrome ocorre isoladamente ou associada à hemorragia externajá controlada, a expansão volêmica deve ser conduzida por oficial médico, seguindo 
as orientações abaixo. 
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105 
 
a) iniciar infusão de cristalóide (preferencialmente ringer lactato) via intravenosa 
ou intraóssea, antes da extricação, em caso de atmosfera desprovida de risco. 
b) se atmosfera de risco, iniciar a infusão imediatamente após a extricação. 
c) bolus inicial de 2 litros, seguido de taxa inicial de 1l/h, ajustada conforme o 
débito urinário (DU) alvo de 100-200ml/h, aferido de forma não invasiva em casos de 
evacuação demorada (> 1 hora). Caso o DU não melhore, nem a cor clareie em até 
2 horas, restringir o volume de infusão para evitar congestão pulmonar. 
d) deve ser considerada a aplicação de torniquete (por qualquer bombeiro militar 
treinado) na raiz do membro encarcerado, antes da extricação, caso o tempo 
estimado de esmagamento seja maior que 2 horas. O torniquete não deve ser 
aliviado até início da expansão volêmica ou mediante orientação da regulação 
médica, caso médico não esteja presente no local. 
 
A expansão volêmica pode ser executada por oficial enfermeiro, via 
telemedicina, através de conato com a regulação médica. 
As características do pulso arterial da vítima (amplitude, frequência e ritmo) 
devem ser monitoradas durante e após a extricação, para detectar sinais precoces 
de arritmia cardíaca (bradicardia, ritmo irregular), cuja presença deve indicar 
tratamento, se houver condições, como segue (competência dos oficiais médicos): 
a) nebulização com fenoterol 2 ml (5mg), o que pode ser iniciado ainda durante 
a extricação, caso não haja risco atmosférico e a extricação demore; 
b) infusão de gluconato de cálcio 10%, 10 ml IV. 
c) as medidas acima podem ser executadas por oficial enfermeiro, via 
telemedicina, através de contato com a regulação médica. 
Tão logo possível, após a extricação, o ritmo cardíaco deve ser monitorado. 
Sinais eletrocardiográficos sugestivos de hipercalemia: bradicardia sinusal (o mais 
precoce), aumento dinâmico da amplitude das ondas T e prolongamento do PR 
(sinais precoces), prolongamento do QRS, extrassistolia ventricular ou taquicardia 
ventricular e bloqueios de condução. 
 
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106 
 
8.3 Objetos empalados 
Outra situação que como socorristas podemos nos deparar é com objetos 
transfixados ou empalados. Que se caracterizam por algo (madeira, vergalhão, 
canos, lâminas e similares) que penetre parcialmente no corpo de uma pessoa de 
maneira a romper o tecido da pele e ficar preso junto ao corpo da vítima. Tal 
situação pode ou não acometer órgãos ou estruturas importantes. Por exemplo um 
objeto que tenha penetrado o tórax pode ter atingido apenas estruturas musculares 
e ossos, mas pode também ter atingido pulmão ou coração. 
A abordagem de vítimas de trauma irá sempre seguir sua sistematização em 
ordem de prioridades (ABC). Isso não via mudar quando tratamos de alguém que 
tenha sofrido um acidente que tenha tipo por consequência um objeto empalado em 
seu corpo. Se a vítima apresenta alterações clínicas importantes, são essas 
alterações que precisam ser tratadas prioritariamente. 
Em hipótese alguma os cuidados com o objeto empalado poderão ocorrer 
antes das intervenções de vias aéreas, oxigenação adequada, controle de 
hemorragias e cuidados no tratamento do choque hemorrágico. 
Cuidados com objeto empalado: 
a) nunca retirar o objeto do corpo da vítima no ambiente pré-hospitalar 
b) tratar as feridas abertas com curativos esteireis 
c) fixar bem o objeto para evitar que uma indesejável movimentação promova 
outras lesões ou sangramentos 
d) posicionar a vítima de maneira confortável de forma que não tenha riscos de 
movimentação do objeto durante o transporte. 
 
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107 
 
 
Figura 63 - Obejto empalado fixado 
Fonte: Desconhecida 
 
Obs. Sendo uma lesão isolada ou focal ou sem indicativos de comprometimento 
cervical, vitimas de objetos empalados não devem receber restrição completa de 
movimento de coluna, uma vez que atualmente não se recomenda restringir 
movimentos coluna de vítimas de lesões penetrantes. 
8.4 Evisceração 
Traumas abdominais são comuns e podem ser potencialmente graves. 
Devido a quantidade de órgãos e estruturas abdominais como baço e fígado que 
uma vez lesionados podem provocar grandes hemorragias, vísceras intestinais que 
rompidas podem causar infecção e ainda grandes vasos sanguíneos que compõe 
esta região do corpo humano. Compete ao socorrista ao avaliar uma vítima de 
trauma, realizar o exame do abdome, que consiste em inspeção visual buscando 
hematomas, penetrações, queimaduras, distensão entre outras alterações visíveis, 
dor a palpação ou rigidez abdominal, sinais esses que irão sugerir presença de 
sangue na cavidade. Dentre essas alterações na região abdominal pode o socorrista 
se deparar com uma situação que chamamos de evisceração. Essa situação ocorre 
quando um objeto contundente perfura e rompe o tecido abdominal permitindo que 
as vísceras intestinais sejam exteriorizadas, ou seja saiam da cavidade abdominal e 
fiquem expostas. Compete ao socorrista conduzir seu atendimento seguindo a 
abordagem sistematizada de atendimento são trauma priorizando sempre o ABC da 
vida. Estando em equipe e visualizando precocemente a exposição das vísceras 
pode então solicitar que um outro socorrista realize os cuidados previstos no 
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108 
 
tratamento a eviscerações no ambiente pré-hospitalar. 
Cuidados no atendimento a eviscerações: 
a) verificar presença de sangramentos externos importantes e conter 
b) avaliar nível de consciência 
c) manter permeabilidade das vias aéreas 
d) oferecer oxigênio e ou ventilação assistida 
e) identificar a evisceração retirando as vestimentas de modo a permitir a 
exposição da lesão 
f) cobrir o ferimento com curativo estéril embebido de solução salina 
g) cobrir o curativo úmido com um curativo estéril seco afim de evitar que o 
curativo úmido seque e assim ocorra o ressecamento das vísceras. 
Obs. Sendo a evisceração uma lesão isolada e focal os cuidados com restrição de 
movimento de coluna podem ser minimalistas, considerando que lesões penetrantes 
de abdome atualmente não tem indicação de restrição completa. 
Dependendo dos órgãos abdominais afetados esse pode ser um quadro 
grave e essa vítima pode se tornar crítica. Medidas e avaliação, intervenção e 
transporte rápido para um hospital provido de centro cirúrgico será importante para 
um prognostico favorável. 
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109 
 
 
Figura 64 - Cuidados com eviscerações 
Fonte: ITLS 8ªEd. 
 
 Em hipótese alguma tal condição poderá desviar a atenção do socorrista das 
condições vitais da vítima. 
 
 
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110 
 
9 SALVAMENTO VEICULAR 
As informações contidas neste capítulo foram retiradas, em parte, do 
Procedimento Operacional Padrão (POP) do Corpo de Bombeiros Militar do Estado 
do Rio de Janeiro (CBMERJ) de abordagem às fraturas (POP APH 06, CBMERJ, 
2018), de abordagem à coluna vertebral (POP APH 04, CBMERJ, 2018), de 
abordagem à vítima de trauma (POP APH 02, CBMERJ, 2018) e de extricação 
veicular (POP APH 05, CBMERJ, 2018). 
9.1 Ferramentas, equipamentos e acessórios (FEAs) 
Para um melhor entendimento da nova doutrina em salvamento veicular 
utilizada pelo CBMERJ, torna-se necessário que também sejam citados algumas 
ferramentas, equipamentos e acessórios (FEAs) de uso em S.V, tendo em vista que 
para melhor se desenvolver o resgate é preciso que todos os envolvidos tenham 
conhecimento o mais amplo possível possibilitando o emprego do bombeiro militar 
em várias funções que se façam necessários no teatro de operações.Este capítulo 
tem também por objetivo apresentar e descrever as principais ferramentas, 
equipamentos e acessórios utilizados atualmente nos atendimentos a acidentes 
veiculares. Algumas FEAs são bem comuns a outras atividades de salvamento, 
sendo abordadas e muito bem descritas em outros manuais, inclusive no Manual 
Básico de Bombeiro Militar. Portanto, neste momento, o maior detalhamento focar-
se-á nas FEAs que tem uso substancial no salvamento veicular. 
Equipamento de proteção individual: 
Uma cena de acidente veicular pode apresentar diversas ameaças para a 
equipe de resgate, que vão muito além do risco mecânico. Produtos perigosos, 
proteção respiratória, risco de incêndio, levam a necessidade do uso de um EPI mais 
completo possível. 
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111 
 
 
Figura 65 - EPI 
Fonte: POP SALVAMENTO VEICULAR, 2018 
 
a) capacete 
A equipe de utilizar, preferencialmente, capacetes dotados de viseira 
basculante, recomendada a facial completa (full face) no caso dos térnicos, visto que 
estes profissionais estão sujeitos a um maior risco de projeção de partes do veículo 
contra a face durante a operação de ferramentas (FEA) (Carmo Neto, 2018b). 
b) óculos de Proteção 
A proteção dos olhos é fundamental, e este equipamento deve obedecer às 
normas vigentes contra impacto e perfuração. Há um movimento em âmbito mundial 
no sentido de que a proteção facial para operadores de equipamentos seja 
completa, com uso de viseiras acopladas aos capacetes. 
c) máscara de Proteção Respiratória 
A máscara de proteção respiratória, para defesa contra aerodispersóides 
(partículas), devendo ser utilizada pela equipe de resgate durante a remoção dos 
vidros, principalmente durante operação de serrar sabre em vidros laminados, 
evitando a aspiração de partículas de vidro ou outros fragmentos. 
d) luvas 
As luvas devem oferecer as mãos proteção térmica contra o calor, proteção 
 CAPACETE 
ÓCULOS DE 
PROTEÇÃO 
MASCARA DE 
PROTEÇÃO 
 LUVAS 
ROUPA DE 
PROTEÇÃO 
 
BOTA 
 
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112 
 
mecânica contra a perfuração e cortes, além de ter baixa permeabilidade, isso tudo 
sem comprometer a agilidade e maneabilidade do membro da equipe de resgate. 
Para evitar a contaminação e inutilização da luva de proteção mecânica, ao 
manusear a vítima, deve-se trocar por luvas de procedimento. (Carmo Neto, 2018b). 
No que tange a luvas e roupa, salientamos que lesão funcional da pele 
(alteração da hidratação da alfa-queratina) se inicia já aos 40˚C, tornando-se 
irreversível a partir dos 75 a 100˚C, em poucos segundos, o que se manifesta por 
queimadura de 2˚ a 3˚ grau. Consultar P P CB J/ G/APH 05, 201 : 
Extricação veicular, itens 9.3.2 e 9.3.4. 
e) roupa de proteção 
O CBMERJ padronizou até o momento, o uso do conjunto de aproximação 
(calça e japona) também para o salvamento veicular. Conta com camada externa 
confeccionada em para-aramida, polibenzimidazol, e de fibra antiestática composta 
por matriz de polímero e uma camada condutora, em carbono densamente 
incorporado, com aplicação de camada de fluorcarbono, repelente a água e óleo, de 
acordo com os itens 6.8, 6.10 e 6.11 da norma EN 469:2005 e A1 2006. 
f) botas 
Os calçados para as operações de salvamento veicular devem oferecer 
proteção contra perfurações e impactos na biqueira, no calcanhar e na palmilha, 
além de ter boa resistência a penetração de substâncias líquidas. 
9.2 Estabelecimento das viaturas de socorro 
Logo que o comboio de socorro chega ao sítio do acidente veicular, é 
fundamental iniciar pela sinalização e controle do trânsito de veículos. A primeira 
providência é “defender” a zona de trabalho, estacionando uma viatura (com 
giroscópio e lanternas acesos) em posição diagonal, à retaguarda (pelo menos 20 
m) dos veículos colididos. Depois se distribui linha de cones iniciada à distância de 
pelo menos 1,5 vezes o limite de velocidade da via. Se for noite, houver chuva ou 
neblina, considerar 2 vezes o limite de velocidade da via. A linha de cones deve 
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113 
 
seguir trajeto diagonal, iniciando junto ao acostamento, se afastando lateralmente 
até cerca de 2 metros para além da fila de veículos de resgate, e se estender em 
paralelo ao longo de toda a área de trabalho e viaturas, de modo a criar um corredor 
seguro para a movimentação dos resgatistas. A ASE deve permanecer posicionada 
após a cena, distanciada em pelo menos 10 metros. Caso seja a primeira viatura no 
local, ela defenderá a zona de trabalho até que chegue o apoio, quando deverá ser 
substituída por outra viatura. Vide POP CBMERJ/EMG/APH 05, 2018: Extricação 
veicular, item 3. 
 
Figura 66 - Sinalização 
Fonte: modificado de Manual de Sinalização de Obras e Emergências em Rodovias, DNIT 2010. 
 
9.3 Procedimentos inicias (táticas de ação imediata) do socorrista 
Proteger-se com os equipamentos de proteção individual (EPI), sendo no 
mínimo, luvas de procedimento (nitri la ou látex) e óculos de proteção. 
Em cenário de acidente veicular, o EPI inclui roupa de aproximação, capacete 
de salvamento veicular com viseira basculante, luvas de procedimento e luvas de 
proteção termomecânica. 
a) das luvas de proteção: ao manusear a estrutura do veículo e quaisquer outros 
riscos mecânicos do cenário, o bombeiro deve calçar as luvas de proteção 
termomecânica (pode ser raspa de couro). Ao manusear a vítima, deve-se usar 
luvas de procedimentos para proteção biológica, evitando que fluidos corporais 
contaminem e inutilizem as luvas de proteção termomecânica. Esta alternância pode 
ser feita através da simples substituição das luvas ou calçando as de procedimento 
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114 
 
sob as de proteção termomecânica, de modo a ter estas últimas em pronto emprego 
assim que se descalce a camada externa das primeiras. 
b) dos capacetes: a viseira do capacete deve permanecer abaixada até que se 
termine o atendimento à vítima. Além dos cenários de salvamento veicular, os 
capacetes são de uso obrigatório pelos militares da saúde em qualquer cenário de 
baixo pé direito, acesso e extricação de vítimas em alturas ou em áreas que 
apresentem riscos de queda de objetos (ex.: construção civi l), além de todo e 
qualquer cenário que assim exija, segundo regulamentação e normas técnicas 
específicas. 
c) recomenda-se ainda que o socorrista porte lanterna montada ao capacete, 
lanterna de mão, luvas de procedimento extras nos bolsos da aproximação, canivete 
multifunção, corta-cintos, mini-Halligan ou chave de fenda. 
d) proceder à avaliação multiprofissional em 360˚, identificando ameaças à 
segurança e promover a estabilização da cena, mediante intervenções de mitigação 
de riscos (função dos técnicos); avaliar o mecanismo da lesão, o número e posição 
das vítimas. Em colisões com múltiplas vítimas encarceradas, pode ser necessário o 
uso da triagem reversa (retirar primeiro a vítima em melhor estado clínico), quando 
mais de uma vítima mostrar problema nos “ABCs”, já que, usualmente, só há uma 
equipe de salvamento veicular, sobretudo no que tange aos membros combatentes 
(guarnição do ABS). 
e) em Ocorrências em que não haja presença da viatura ASE, a guarnição de 
socorro (ABS,ABT, AR etc.) só deverão retirar as vítimas do interior do veículo caso 
haja: risco iminente à vida de um ou mais ocupantes do veículo acidentado, 
impossibilidade de mitigação de riscos da cena como incêndio, explosão, sinalização 
etc. Caso contrário as vítimas deverão permanecer no interior do veículo até a 
chegada da ASE sendo monitoradas e reavaliadas constantemente pelo socorrista, 
tendo em vista melhor proteção das mesmas contra as intempéries, exposição, 
tempo prolongado de permanência na prancha longa que poderá acarretar 
desconforto piora de quadro álgicos, retificaçãoincorreta da coluna entre outros. 
 
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115 
 
9.4 Esquema das zonas de trabalho em salvamento veicular 
 
Figura 67 - Zonas de trabalho. O perímetro interno delimita a zona quente. O perímetro externo exclui 
a zona fria. A área de tratamento das vítimas deve ficar no perímetro externo e as viaturas de socorro 
devem ficar na zona fria. Ferramentas que não estejam empregadas devem ser retornadas à área 
(palco) de ferramentas, não permanecer na área de circulação da zona morna. Tanto a delimitação das 
zonas de trabalho, quanto a gestão de segurança da cena são responsabilidade primeira do líder da 
equipe (combatente). Equipamentos ociosos devem ser retornados ao palco de ferramentas, para não 
pôr obstáculo à circulação dos resgatistas ou causar tropeço e lesões. 
Fonte: POP salvamento veicular, 2018. 
 
 5 m – 
perímetro 
externo 
2 m – 
perímetro 
interno 
Área de 
ferramentas 
Área de 
destroços 
Área de 
tratamento 
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116 
 
9.5 Sistematização das fases do salvamento veicular 
9.5.1 Composição da equipe de salvamento veicular 
Existem três funções principais que necessitam ser preenchidas, 
a) Comandante de operações, 
b) Técnico (operador de ferramentas) 
c) Socorrista. 
Assim sendo, a equipe deve ter no mínimo três BM e idealmente seis, sendo: 
comandante, SL e AS, técnicos e logístico (responsável pela 
montagem/desmontagem de ferramentas, gerenciamento de destroços e controle 
dinâmico de riscos. 
No salvamento veicular, emprega-se o jargão “avaliação 360°” (World Rescue 
Organization), que cumpre o objetivo de busca visual das ameaças e riscos em 
todas as direções. Avaliação 360º das ameaças deverá ser concluída em até 1 
minuto; comandante, socorrista líder (SL) e logístico iniciam em sentido horário, 
enquanto os demais, em sentido anti-horário se assim o teatro de operações 
permitir, preferencialmente terminando o socorrista líder próximo à vítima; 
Do ponto de vista prático, recomenda-se a técnica dos “dois círculos”, pela 
qual o líder, o homem-logística e o socorrista líder circundam a cena num sentido, 
enquanto os demais a circundam em sentido oposto isso sendo espacialmente 
viável, seguindo um círculo externo ao primeiro, no intuito de identificar todos os 
riscos que necessitem mitigação imediata ou urgente, antes do acesso direto ao 
veículo. 
 socorrista líder, em particular, deve terminar a avaliação 360˚ diante da 
vítima mais acessível e ao travar com ela contato visual, orienta-lhe a fixar sua 
mirada neste profissional (o socorrista), bem como lhe transmite informações de 
ordem geral sobre tudo que há de se passar em seguida – ruídos, movimentação da 
equipe e etc. 
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117 
 
Sem tocar ou atuar diretamente sobre a estrutura veicular, o militar buscará as 
principais ameaças (riscos) - ver capítulo Avaliação de Cena. 
9.5.2 Segurança na cena 
Qualquer ação mitigatória no de desencarceramento, precisa ser comunicada 
ao comandante em voz alta, para que todos ouçam e se preparem. O comandante 
deve emitir de forma clara e alta sua aprovação ou desaprovação. Este método de 
comunicação é denominado “alça fechada” e constitui-se a fundação da segurança 
da operação. A comunicação alta também permite que medidas de proteção à vítima 
sejam tomadas previamente a qualquer intervenção na estrutura veicular, como o 
uso da proteção rígida. 
Antes de iniciar qualquer manobra de desencarceramento, a vítima deve ser 
orientada pelo socorrista quanto ao que será executado (National Association of 
Emergency Medical Technicians, U.S., 2020). Este profissional tem a 
responsabilidade de protege-la da operação de ferramentas, de quinas produzidas e 
da quebra controlada de vidros (Dunbar, 2017). Muito importante que estas 
intervenções de resgate técnico obedeçam à comunicação em alça fechada, de 
modo a evitar que o socorrista seja pego desprevenido e isto ponha a vítima em 
risco de lesão iatrogênica. 
Lembrando, caso o socorrista no interior do veículo identifique operação 
insegura de equipamentos, deve gritar “real, real, real!”, para que tal operação seja 
interrompida e corrigida. 
Estabelecimento da segurança: perímetro interno (2m) e externo (5m); 
controle dos riscos primários e secundários; contato visual e verbal do SL com a 
vítima visando acalma-la, realizar a impressão geral remota e evitar que mova a 
coluna na tentativa de olhar em outra direção que não a do socorrista. 
 
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118 
 
9.5.3 Estabilização inicial dos veículos 
 A equipe deverá, conforme o estado de saúde da vítima, efetuar a 
estabilização inicial (primária ou de emergência). Essa estabilização deve fornecer o 
mínimo de segurança para que o socorrista entre no veículo e que propicie 
segurança à equipe de salvamento. 
9.5.4 Criação de acesso inicial e entrada do socorrista 
 A premissa principal da equipe de salvamento é propiciar o quanto antes a 
entrada do socorrista no interior do veículo, a fim de realizar uma avaliação eficiente 
do estado de saúde da vítima. Esse acesso pode ser feito de diversas maneiras 
como: manejo de vidros, abertura de portas em geral. Ele deve ser realizado de 
forma rápida e que forneça o espaço necessário para que o socorrista entre no 
veículo. Em algumas situações pode ser que seja necessário a criação de espaço 
externo ou interno para entrada do socorrista, sendo que ele mesmo pode executar 
pequenas tarefas no interior do veículo, se necessário. O socorrista deve, durante a 
sua avaliação, confirmar o nível de encarceramento da vítima (tipo físico 1, tipo físico 
2, tipo mecânico) e transmitir a informação ao Comandante (Carmo Neto, 2018b). 
Os Tipos de encarceramento, segundo a World Rescue Organization(Dunbar, 
2017) são: 
a) encarceramento mecânico: vítima impedida de sair por si do veículo devido a 
dano na estrutura; 
b) tipo físico I: lesão grave à vítima; 
c) tipo físico II: vítima presa por parte do seu corpo que, no entanto, não está 
significativamente lesada. 
Estabilização veicular primária (com gerenciamento de vidros) e abertura 
rápida do acesso para o socorrista auxiliar (AS) tem como metas principais: conter 
hemorragia maciça, abrir a via aérea e estabilizar manualmente a coluna cervical) 
conclusão em 3 minutos havendo disponível a maleta de oxigenioterapia deve-se 
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119 
 
ofertar a vítima que se encontra em maior necessidade no momento, contudo o 
transporte de O2 em alto fluxo tem transporte limitado ao veículos regulamentados 
em legislação. 
Na estabilização veicular secundária (com gerenciamento de vidros), deve-se 
proceder de maneira a permitir o acesso do SL até o 3º minuto objetivando concluir a 
abordagem primária da vítima, proteção e preparo para extricação, oferta do 
oxigênio em 3-4 minutos. 
9.5.5 Estabilização dinâmica 
 A estabilização secundária deve ser, preferencialmente, realizada após a 
entrada do socorrista no veículo, onde os esforços dos técnicos agora serão 
concentrados no aperfeiçoamento da segurança, melhorando a estabilização inicial. 
9.5.6 Reunião tripartite 
Com o feedback do socorrista sobre o estado de saúde da vítima, com o nível 
de encarceramento já confirmado e com o pronto da estabilização secundária, o 
Comandante de Operações já tem condições de realizar uma reunião com todos os 
membros da equipe, a fim de definir qual será a estratégia de criação de espaços 
internos e externos. Essa reunião deve, preferencialmente, ser realizada próximo do 
socorrista que se encontra no interior do veículo e com a presença de todos os 
membros possíveis, para que a informação seja passada uma única vez e que todos 
estejam cientes da estratégia aplicada. 
 O Comandante deve sugeriruma estratégia e os membros devem opinar 
quanto à concordância ou não, sugerindo alterações e melhorias na mesma. Esse 
encontro deve ser rápido e o Comandante deve se certificar que todos entenderam 
os planos de ação. plano “A” é o plano onde se busca o máximo de espaço 
interno e externo, onde a vítima possa sair o mais próximo do “ângulo zero”, indicado 
nas situações em que a vítima se encontra estável e não-crítica. Plano “B” é 
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120 
 
indicado nas situações em que a vítima se encontra em situação instável, 
necessitando de uma retirada em um tempo menor, dessa forma não 
necessariamente sendo retirada próximo do “ângulo zero” (Carmo eto, 201 b), 
obtendo um espaço mínimo e necessário para que a vítima saia num tempo curto. 
 De certo que, em algumas situações, pode ser necessário que os planos 
sejam alterados, conforme dificuldades observadas na execução dos planos 
originalmente planejados. Dessa forma, o Comandante realizará uma nova reunião 
tripartite, para informar os novos planos. 
 Quando na existência de duas ou mais vítimas, o Comandante, 
preferencialmente, realizará reuniões tripartites para cada vítima existente, aplicando 
os planos de forma individualizada para cada vítima. Dessa forma, ele deverá 
identificar o estado de saúde de todas as vítimas inicialmente, através das 
informações dos socorristas, e definir a prioridade conforme gravidade das mesmas 
Todo plano de extricação deve incluir um plano B, mesmo que a vítima esteja 
estável, visto que podem deteriorar suas funções vitais a qualquer momento, quando 
o plano A deve ser abortado e convertido ao B. Por esta razão é importante sempre 
aprontar trajeto B antes de dar sequência à finalização do plano A. O mais ágil e 
seguro é incorporar o plano B ao plano A isto é, “B está contido em A” (Carmo eto, 
2018b). 
Realizada a criação de espaço (trajeto) para a extricação da vítima sua 
execução idealmente do plano B deverá ser em torno de 10 minutos e plano A 
deverá ser executado com duração de 20 a 30 minutos. O plano A com a presença 
de 02 (duas) ou mais vítimas deve ser concluído idealmente em 40 minutos (Dunbar, 
2017). 
Figura 68 - Fases do salvamento veicular. Os prazos são referências recomendadas para o término de cada tarefa. 
360o= avaliação das ameaças; E3= estabelecimento da segurança, estabilização veicular primária e secundária; 
Tripartite= reunião tripartite/ briefing; Espaço= criação de espaço (trajeto de extricação). 
Fonte: Carmo Neto, 2018b 
 
 
360º E3 Tripartite Espaço Extricação 
1 min 3/4/7 min 10 min 20-30 min 
13-30 min 
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121 
 
9.5.7 Competências dos socorristas 
 O socorrista auxiliar, primeiro socorrista a acessar a vítima (somente quando 
para isso liberado pelo comandante) deve, tanto quanto possível, permanecer junto 
a ela mantendo o alinhamento e estabilização manual da coluna cervical, desobstruir 
a via aérea (protrusão manual da mandíbula ou introdução de cânula naso ou 
orofaríngea) e monitorar continuamente a permeabilidade da via aérea, a expansão 
torácica, a coloração dos lábios, a oximetria de pulso, o nível de consciência e o 
controle aplicado sobre as hemorragias externas (caso haja). O segundo socorrista 
(Socorrista líder), ao se aproximar da vítima, no transcurso da abordagem primária, 
deve proceder às seguintes medidas (pelo menos): 
a) completar o controle da via aérea iniciado pelo primeiro socorrista, caso 
necessário e conforme sua competência profissional; 
b) ofertar oxigênio suplementar objetivando, spO2 entre 94 e 98%; 
c) conter hemorragias externas maciças. 
 Concluída a abordagem primária, o socorrista líder dá pronto ao comandante 
e pode sair do veículo ou, o comandante se aproxima (por fora) do SL - mais rápido, 
para iniciar a reunião tripartite, quando é passado o relatório C.R.A.S.H. (vide 
abaixo). De acordo com a gravidade da vítima, define-se então o tipo de extricação 
adequado (autoextricação assistida, extricação de emergência, rápida ou extricação 
completa/padrão). Ver apêndices I e II, para sequência ilustrada de extricação 
rápida. E de acordo com a posição/orientação da vítima, escolhe-se o trajeto de 
extricação mais adequado (figura 69). O comandante deve manter contato verbal 
frequente com o SL, o qual deve mantê-lo atualizado sobre a evolução da vítima. 
Após a reunião tripartite, o SL deve retornar (se possível) ao interior do veículo, 
retomando o atendimento à vítima. Neste momento, de acordo com a estimativa de 
tempo para a conclusão do trajeto de extricação escolhido, pode ser recomendada a 
obtenção de acesso venoso e ressuscitação volêmica, a aferição da pressão arterial 
e a infusão de analgésico (apenas profissionais de saúde). Estes procedimentos não 
devem, contudo, retardar a retirada quando o trajeto de extricação estiver pronto. 
 Quanto mais próximo de 0˚ for o trajeto de extricação, em referência ao eixo 
da coluna vertebral, menor a movimentação e o risco à coluna da vítima (figura 69). 
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122 
 
 
Figura 69 - Trajetos de extricação potenciais, veículo sobre as rodas: (a) retirada em prancha longa pela 
traseira (plano A, para vitimas do compartimento dianteiro); (b) extricação rápida do condutor pela porta 
lateral oposta; (c) extricação rápida do passageiro dianteiro pela porta do condutor; (d) e (e) retirada 
oblíqua traseira em prancha longa; (f) retirada em prancha longa oblíqua dianteira (“pés primeiro”) e (g) 
dianteira a 0˚(“pés primeiro”) , para vítimas do compartimento posterior 
Fonte: modificada de Calland, 2005 
 
 Prontos para a extricação, o comandante transfere formalmente o comando 
para o socorrista líder, o qual deve orientar os demais membros da equipe sobre os 
passos a seguir antes de iniciar a extricação. Assim como deve monitorar e corrigir 
cada movimento do processo. Retirada a vítima, o socorrista líder devolve 
formalmente a liderança para o comandante e passa então aos cuidados pós-
extricação na área de tratamento. 
 Durante todas as fases do salvamento veicular, os socorristas devem 
permanecer atentos para interromper qualquer intervenção e inclusive, se assim for 
ordenado, abandonarem o veículo ao ser bradado “alto/segurança” (ou comando 
equivalente previamente combinado) pelo comandante. Os socorristas também 
precisam proteger a vítima todo o tempo, e dar o pronto aos operadores de 
ferramentas antes que seja executada quebra controlada de vidros, colocando 
proteção flexível (saco plástico transparente, para que se possa monitorar a 
expansão torácica), assim como proteção rígida (“gota” – placa transparente de 
plástico semirrígido) antes de cada manobra de corte/expansão. Caso notem risco 
iminente à integridade da vítima ou a membro da equipe, devem gritar ordena ndo a 
interrupção imediata da manobra, em cooperação à vigilância contínua da 
segurança exercida pelo comandante - a segurança é responsabilidade de todos. 
 0˚ 
90˚ 
90˚ 
45 a 60˚ 
45 a 60˚ 
45 a 60˚ 
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123 
 
Cabem também aos socorristas, que estão dentro do veículo: a inspeção dos pontos 
de corte definidos na reunião tripartite, liberando as coberturas plásticas para 
receber o corte; o rebatimento/retirada de encostos dos bancos; às vezes, o corte de 
pedais; além de outras tarefas manuais internas de liberação, em auxílio aos 
operadores de ferramentas, como o posicionamento de cilindros de expansão dentro 
do veículo. Por isso, os socorristas devem treinar a maneabilidade de pequenas 
ferramentas (mini Halligan, corta-pedais, cilindros...). Durante sua permanência 
dentro do veículo, devem atentar para as posições de airbags não acionados 
(cortina lateral, pilar B, console do passageiro dianteiro) e minimizar o tempo em que 
se colocam próximos aestes pontos. 
 O relatório C.R.A.S.H. é um mnemônico que sintetiza que informações o 
socorrista necessita buscar e que intervenções realizar com relação à vítima. 
a) avaliar e tratar disfunções Críticas (“ABCs”); 
b) observar o uso de dispositivos de Restrição (cinto de segurança, airbags…); 
c) avaliar as condições da cabine e posição/orientação da vítima; 
d) examinar e estabilizar lesões Suspeitas na coluna vertebral e extremidades 
(fratura de bacia e membros); identificar e liberar o encarceramento de membros; 
e) h (help): sugerir o plano de extricação, com base nas informações anteriores. 
 
 Em havendo suspeita de fratura da bacia frente a mecanismo de lesão 
sugestivo, na presença de sinais de choque circulatório (vide capitulo choque e 
hemorragia) ou dor nos quadris. Durante as manobras de criação de espaço que 
preparam o trajeto de extricação, o socorrista tentar imobilizar a bacia através da 
técnica do lençol, ainda no interior do veículo, se possível (vide capitulo de fraturas). 
Em caso de esmagamento de membro ou membros superiores e inferiores, antes do 
desencarceramento deve-se aplicar o torniquete no membro esmagado para evitar a 
síndrome de esmagamento (vide capitulo de fraturas). 
 
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124 
 
9.5.8 Princípios e técnicas envolvidos na restrição de movimento e manuseio 
da coluna vertebral 
Para conhecer os critérios de decisão quanto à restrição de movimento (quem 
necessita), princípios e técnicas de manuseio da coluna vertebral (como imobilizar) 
ver o capítulo Abordagem à Coluna Vertebral no Trauma. 
Quanto às técnicas de manuseio da coluna durante a extricação, ver 
apêndices I e II – sequências de fotos da extricação de vítimas do compartimento 
dianteiro e traseiro, com veículo sobre quatro rodas. Essa demonstração não 
encerra todas as técnicas possíveis, tampouco cobre os cenários veículo sobre a 
lateral ou veículo sobre o teto. Para tanto, faz-se necessário treinamento prático. As 
sequências de fotos exemplificam somente os princípios básicos envolvidos nas 
técnicas. 
O plano de extricação envolve a opção pelo trajeto que restrinja ao máximo o 
movimento da vítima em torno do eixo da coluna, com referência à sua posição 
inicial (figura 78). 
Em face a melhor segurança durante o processo de atendimento é importante 
ressaltar que não é seguro transportar a prancha longa com os tirantes (cintos) 
montados na mesma, uma vez que pode provocar acidente, o resgatista pode pisar 
sobre o tirante e tropeçar. Recomenda-se deixar os tirantes dispostos no solo da 
área de tratamento e passá-los na prancha uma vez aterrissada, com a vítima (figura 
70). 
 
Figura 70 - Área de tratamento. Notar os apoios paralelos (em madeira) para receber a prancha longa, 
evitando acidente com os dedos dos profissionais ao descer a prancha ao solo ou tirantes presos. Os 
tocos de apoio podem ser substituídos pela própria maca da ambulância, arriada e com as rodilhas 
freadas para receber a vítima 
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125 
 
Fonte: POP salvamento veicular, 2018. 
 
 O socorrista líder deve, através da R.A.M. (avaliação remota rápida), 
identificar o mecanismo de trauma, número, orientação dos ocupantes, avaliar a 
responsividade (A D ) e o “ABC” sumário, logo, se responde, se respira e se há 
evidência de hemorragia - mnemônico “ A”. 
T – mecanismo de trauma 
O – numero orientação posição 
R – responsividade (AVDI) 
A - ABC 
Tais informações devem ser transmitidas em alta voz, assim como a 
estimativa do tipo de encarceramento e posteriormente, confirmadas pelo acesso do 
primeiro socorrista. É fundamental acalmar a vítima e evitar que mova a coluna. 
Em caso de múltiplas vítimas, pode ser necessária a triagem reversa, (retirar 
primeiro as vítimas em melhor condição clínica), já que usualmente, há uma só 
equipe de salvamento veicular, sobretudo no que tange aos membros combatentes 
(ABS). Vide POP CBMERJ/EMG/APH 05, 2018: Extricação veicular, item 9.3.5. 
Importante: nesta fase os resgatistas não devem tocar ou exercer peso sobre 
a estrutura do veículo antes que seja finalizada a estabilização primária, a qual será 
sinalizada pelo líder. 
 Caso detectado qualquer elemento estranho à cena quer seja líquido, vapor 
ou particulado, suspeitar do vazamento de produto perigoso, quando deve manter-se 
entre a origem do vento e a fonte do vazamento, em local mais alto do que a fonte. 
Procede-se ao isolamento e evacuação do perímetro interno empírico de 100m 
(≥ 00m em caso de incêndio) e solicita-se apoio ao GOPP*. Se o número de 
identificação do produto estiver visível a essa distância, transmita-o ao GOPP. 
Também é útil, sobretudo se o apoio for difícil, consultar recomendações para 
mitigação e proteção em guia de emergências confiável♣. Para maiores detalhes, 
vide O transporte de produtos perigosos é regulamentado pela Resolução ANTT 
420/2004 e suas atualizações. 
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126 
 
Resumo das tarefas: 
a) avaliar todas as ameaças e riscos 
b) alta voz para denuncia-los à equipe 
c) assegurar a cena: isolar, evacuar e mitigar 
d) analisar a R.A.M. e estimativa de encarceramento 
e) apoio externo solicitado* 
9.5.9 Socorrista / auxiliar do socorrista 
a) realizar, dentro das limitações conforme competência profissional (médico, 
enfermeiro, técnico de enfermagem, socorrista, combatente) o atendimento pré-
hospitalar referente à eventos de salvamento veicular; 
b) deve abordar a vítima antes do primeiro minuto, em casos de vítimas 
inconscientes, uti lizando-se do apoio dos técnicos em estabilização manual de 
emergência; 
c) nos primeiros 2 minutos, o socorrista deve acessar o veículo, remover as 
chaves do veículo, colocar um freio de emergência, fazer contato físico com a vítima, 
verificar se há aprisionamento e visualização de lesões graves. 
d) responsável pela oferta de oxigênio, de preferencialmente nos primeiros 2 
(dois) minutos; 
e) deve confirmar o nível de encarceramento da vítima junto ao Comandante de 
operações; 
f) controlar os sinais vitais, informando o status e evolução do paciente junto ao 
Comandante de Operações; 
g) considerar, de acordo com a condição da vítima, a melhor via de extração e 
informar ao Comandante de Operações entre os primeiros 3 (três) minutos; 
h) revisar a estrutura dos bancos, airbags, possibilidade de apoio reclinável; 
i) gerar o espaço mínimo necessário para acessar a vítima e fornecer cuidados 
de saúde e apoio psicológico o mais rápido possível; 
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127 
 
j) ao receber a função de comando temporária, deverá coordenar as ações de 
retirada da vítima do veículo, com a colaboração de todos os membros da equipe, 
buscando movimentações em bloco e o mínimo de rotação da coluna cervical 
possível. 
 
figura 71 – Socorrista controlando a retirada da vítima 
Fonte: CBMERJ 
 
9.6 Fases da operação 
9.6.1 Avaliação do cenário e seus riscos 
Etapa onde é realizado um giro de 360º externamente e internamente ao 
veículo objetivando a identificação de riscos como: vazamento de fluidos, objetos 
deslizantes ao solo, riscos elétricos (poste elétrico), objetos debaixo do veículo, 
objetos aderidos estranhos ao veículo (defensa, árvore), identificação do 
combustível (Flex, GNV, híbrido, elétrico), inspeção do interior do porta-malas, 
desligamento da bateria do veículo, chaves na ignição e airbags deflagrados em um 
tempo máximo de 01 (um) minuto. 
Os riscos devem ser identificados pelos membros da equipe técnica e pelo 
comandante, devendo serem sinalizados verbalmente para todo o conhecimento da 
equipe. 
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128 
 
A equipe de socorristas deverá estabelecer então contato visual e verbal, 
iniciando a avaliação remota rápida (RAM) do AVDI-“ABC”, ao fim da qual estima o 
tipo de encarceramento e o informa ao comandante. Pode também adiantar a coleta 
dos dados da “ A P A” (sintomas, alergias, medicações, passado médico, último 
horário de ingestão de líquidos e alimentos). É fundamental acalmar a vítima e evitar 
que mova a coluna em outra direção que não a do socorrista. 
9.6.2 Extricação centrada (focada) no paciente 
Constitui a base fundamental da doutrina de salvamento veicular. O 
entendimento do prognóstico tempo-dependente e da complexidade da anatomia 
veicular leva à necessidade crescente de atuação sinérgica e harmoniosa entre 
bombeiros combatentes e profissionais da saúde, executando simultâ nea e 
organizadamente as tarefas necessárias para que a extricação e o tempo de cena 
sejam o mais breve possível. 
9.6.3 Modalidades de extricação 
a) rápida ou plano B, para vítimas graves (vias aéreas obstruídas, respiração 
dificultosa/sinais de hipoxemia, hemorragia maciça não controlada/sinais de choque 
circulatório ou alteração de consciência); 
b) padrão ou plano A, para vítimas estáveis; 
c) autoextricação assistida (ver capítulo - Abordagem à Coluna Vertebral no 
Trauma); 
d) "de emergência”, para o caso de cenários onde abruptamente se faça ativa 
alguma grave ameaça à segurança, a qual justifique retirada da vítima até área 
abrigada (segura – zona morna/fria), e quando identificada parada cardiorrespiratória 
(PCR), ainda que isto sem medidas de proteção à coluna vertebral. 
 
CORPO DE BOMBEIROS MILITAR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO 
 
129 
 
9.6.4 Abordagem sistematizada C.R.A.S.H 
RAM – riscos e “ A” 
M – controle de hemorragias externas maciças; 
A – controle da via Aérea/ O2 suplementar empírico inicial; 
R – inspeção do padrão ventilatório (amplitude e ritmo), palpação da base do 
pescoço e tórax, oximetria de pulso; 
C – pesquisa de sinais de Choque, estabilização da pelve e ossos longos e proteção 
flexível; 
H – reavaliar nível de consciência, pupilas, motricidade e sensibilidade das 
extremidades. 
 
 
 
O relatório C.R.A.S.H. é um mnemônico que sintetiza quais informações o 
socorrista necessita buscar e que intervenções realizar com relação à vítima. 
a) avaliar e tratar disfunções Críticas (“ABCs”); 
b) observar e informar sobre o uso de dispositivos de Restrição (cinto de 
segurança, airbags…); 
c) avaliar as condições da cabine e posição/orientação da vítima; 
d) Examinar e estabilizar lesões Suspeitas na coluna vertebral e extremidades 
(fratura de bacia e membros); identificar e liberar o encarceramento de membros; 
e) h (help): sugerir o plano de extricação, com base nas informações anteriores. 
O plano de ação dos socorristas resume-se assim em: 
RAM- TORA-CRASH-MARCH. 
9.6.5 Casos especiais de configuração da equipe de salvamento veicular 
a) sem bombeiros militares da DSE presentes: 
GIRO 360 
EXTRICAÇÃO 
 
ACESSO 
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130 
 
- Vítima grave: Deve ser executada a retirada rápida, mantendo a coluna 
vertebral protegida. Justifica-se pela necessidade de intervenções médicas 
salvadoras. 
- Vítima estável, porém, em pânico: Caso a vítima não se acalme conversando 
com o combatente e haja demora prevista para a chegada da ASE, deve ser retirada 
por extricação padrão, mantendo a proteção da coluna vertebral. 
- Vítima estável e calma: Acalmar a vítima no veículo, mantendo-a no interior do 
veículo onde há mais conforto e proteção das intempéries, manter a coluna vertebral 
protegida e aguardar a chegada da ASE ao local. 
b) com bombeiros militares da DSE presentes: seguir protocolo de imobilização 
seletiva da coluna vertebral (POP/EMG 04). 
Caso no cenário exista qualquer ameaça à segurança incontrolável ou vítimas 
irresponsiva, independente da configuração da equipe deve-se realizar a 
estabilização e extricação de emergência. 
9.7 Sequência de extricação rápida 
9.7.1 Extricação rápida de vítima do compartimento dianteiro 
 
Figura 72 - Após a estabilização da cena, o socorrista 1 (líder) realiza a avaliação remota e contato 
visual/verbal com a vítima. 
Fonte: CBMERJ 
 
 
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131 
 
 
Figura 73 - Abordagem inicial pelo socorrista 2 (auxiliar), estabilizando manualmente o segmento 
cefálico da vítima 
Fonte: CBMERJ 
 
 
Figura 74 - Entrada e realização da abordagem primária pelo socorrista 1 (líder). Proteger constantemente 
a vítima contra vidros e ferramentas. 
Fonte: CBMERJ 
 
 
Figura 75 - Abordagem primária pelo socorrista 1 (líder). Oxigênio suplementar colocado entre as fases A 
e B. Medidas de intervenção na via aérea e ventilação podem ser instituídas ainda no interior do veículo, 
caso sejam necessárias manobras de desencarceramento para liberar o trajeto de extricação. 
Fonte: CBMERJ 
 
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132 
 
 
Figura 76 - Abordagem primária pelo socorrista 1 (líder). Oximetria de pulso (fase B) e avaliação da 
circulação (fase C). Controle de hemorragia externa maciça deve ser instituída ainda no interior do 
veículo. Aceso venoso e expansão volêmica podem ser iniciados no veículo, caso demorem manobras de 
corte e expansão veicular. 
Fonte: CBMERJ 
 
 
Figura 77 - Abordagem primária pelo socorrista 1 (líder). Oxigênio suplementar colocado entre as fases A 
e B. Medidas de intervenção na via aérea e ventilação podem ser instituídas ainda no interior do veículo, 
caso sejam necessárias manobras de desencarceramento para liberar o trajeto de extricação. 
Fonte: CBMERJ 
 
 
Figura 78 - O colar cervical não precisa ser posto no interior do veículo, uma vez que não dispensa a 
estabilização manual. Após a reunião tripartite e conf orme o plano de extricação definido, o socorrista 1 
assume formalmente o comando da extricação. Nivelar o encosto do banco com o pilar B (se necessário), 
a comando do profissional da cabeça. 
Fonte: CBMERJ 
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133 
 
 
 
Figura 79 - Iniciado o giro da vítima em 90˚ até que o antebraço do socorrista 2 fique impedido pelo pilar 
B, quando suas mãos são rendidas por outro profissional do lado de fora do veículo. 
Fonte: CBMERJ 
 
 
Figura 80 - Rendição das mãos do socorrista 2 descrita na figura anterior. 
Fonte: CBMERJ 
 
 
Figura 81 - O giro a 90˚ é concluído. 
Fonte: CBMERJ 
 
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134 
 
 
Figura 82 - O socorrista 2 passa para o exterior do veículo e posiciona a prancha longa – borda da 
extremidade podal sobre o acento do veículo, paralela ao solo. 
Fonte: CBMERJ 
 
 
Figura 83 - Em movimento sincronizado e comandado pelo profissional à cabeça da vítima, tronco e 
cabeça descem sobre a prancha, enquanto o profissional que manobra os membros inferiores, eleva as 
pernas, de modo a aliviar a tensão na coluna lombar. 
Fonte: CBMERJ 
 
Figura 84 - A equipe desliza a vítima até que sua cabeça alcance a extremidade cefálica da prancha 
Fonte: CBMERJ 
CORPO DE BOMBEIROS MILITAR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO 
 
135 
 
 
 
 
Figura 85 - A equipe desliza a vítima até que sua cabeça alcance a extremidade cefálica da prancha. 
Fonte: CBMERJ 
 
 
Figura 86 - O socorrista 2 recebe a cabeça da vítima e mantém a sua estabilização manual, enquanto os 
demais seguram a prancha. 
Fonte: CBMERJ 
 
 
Figura 87 - A equipe transporta a vítima até a área de tratamento. O socorrista 2 mantém todo o tempo, a 
estabilização manual e o alinhamento do segmento cefálico 
Fonte: CBMERJ 
CORPO DE BOMBEIROS MILITAR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO 
 
136 
 
 
 
Figura 88 - A cadência do deslocamento é orientada pelo socorrista 2 que estabiliza o segmento cefálico. 
Fonte: CBMERJ 
 
 
Figura 89 -Durante o deslocamento, os profissionais das laterais da prancha orientam a marcha. 
Fonte: CBMERJ 
 
 
Figura 90 - A prancha é arriada sobre os calçosna área de tratamento, sob orientação do socorrista 2, 
que estabiliza a cabeça da vítima. 
Fonte: CBMERJ 
 
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137 
 
 
Figura 91 - Na área de tratamento, têm prosseguimento a reavaliação e demais intervenções salvadoras 
da abordagem primária, em preparação para a evacuação (prioridade). 
Fonte: CBMERJ 
 
9.7.2 Extricação rápida de vítima do compartimento traseiro 
 
Figura 92 - Socorrista 2 estabiliza e alinha o segmento cefálico da vítima pelo lado de fora do veículo. O 
socorrista 1 entra e procede à avaliação 
Fonte: CBMERJ 
 
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138 
 
 
Figura 93 - Orientados pelo socorrista 2 (à cabeça da vítima), a equipe desliza a vítima em decúbito 
lateral, para a ponta da prancha, segurada por um profissional do lado de fora. 
Fonte: CBMERJ 
 
 
Figura 94 - O socorrista 1 oferece oxigênio suplementar e se necessário, realiza intervenções salvadoras 
em via aérea/ventilação ou circulação ainda no veículo, caso necessárias manobras de 
desencarceramento. 
Fonte: CBMERJ 
 
 
Figura 95 - Em movimento sincronizado e orientado pelo socorrista 2 (à cabeça), a equipe rola a vítima 
90˚, do decúbito lateral para o dorsal. 
Fonte: CBMERJ 
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139 
 
 
 
Figura 96 - A equipe desliza a vítima sobre a prancha. Socorrista 2 mantem o alinhamento e estabilização 
manual da cabeça. 
Fonte: CBMERJ 
 
 
Figura 97 - A equipe desliza a vítima sobre a prancha 
Fonte: CBMERJ 
 
 
Figura 98 - Profissional que segura a prancha recebe a cabeça da vítima e mantem a estabilização 
manual, enquanto os demais seguram a prancha 
Fonte: CBMERJ 
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140 
 
 
 
Figura 99 - Demais passos seguem conforme a sequência de fotos anterior (item 5.9.7.1). 
Fonte: CBMERJ 
 
 
Figura 100 - Proteção rígida e maleável, transparente para sempre poder visualizar a vítima. 
Fonte: CBMERJ 
 
 
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141 
 
10 ALTERAÇÕES FISIOLÓGICAS DECORRENTE DE MUDANÇAS AMBIENTAIS 
As informações contidas neste capítulo foram retiradas, em parte, do 
Procedimento Operacional Padrão (POP) do Corpo de Bombeiros Militar do Estado 
do Rio de Janeiro (CBMERJ) de Lesões pelo calor (POP APH 12, CBMERJ, 2018) 
Em virtude de o ser humano ser um animal homeotérmico, as diferenças 
bruscas da temperatura ambiente, vestimenta, condicionamento físico, aclimatação, 
trauma, lesões internas exanguinantes entre outras podem acarretar alterações 
fisiológicas importantes que podem comprometer a vida. No nosso estado do Rio de 
Janeiro temos grandes diferenças de temperaturas em locais bem próximos como as 
altas temperaturas encontradas na baixada fluminense e por exemplo as cidades 
serras Petrópolis, Teresópolis entre outras. Nesse ponto e de extrema importância 
que entendamos como reconhecer, tratar e prevenir tais alterações. Por estarmos 
presentes em todo estado e de suma importância darmos plena atenção a essas 
alterações que ocorrem quase que diariamente e que mesmo em presença de alta 
temperatura ambiente podemos encontrar sim pacientes hipotérmicos e vice-versa, 
ainda devemos levar em conta as diferenças entre nossos pacientes como idade, 
sexo, poder de aclimatação hidratação prévia, tempo de exposição, tipo de lesão, 
entre outras tantas variáveis que podem mascarar ou retardar os sinais e sintomas. 
 O corpo humano tem dois sistemas para regular a temperatura: a regulação 
comportamental (esforço consciente do indivíduo em reduzir o desconforto térmico) 
e a termorregulação fisiológica (resultando em suor no calor excessivo e no tremor 
no frio extremo, por exemplo). 
 A manutenção e a dissipação da temperatura corporal podem ser feitas 
através dos seguintes fenômenos: 
a) condução: transferência molécula a molécula de calor entre dois objetos que 
estão em contato um com o outro. Ex.: corpo em contato com asfalto quente após 
queda de motociclista; 
b) convecção: transferência de calor de um objeto sólido para um objeto que o 
envolve, mas que está sob outra forma, como liquido ou ar. Ex.: nadador na água; 
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142 
 
c) radiação: transferência de energia de um objeto mais quente para um mais 
frio na forma de energia eletromagnética. Ex.: calor vindo do chão quente, calor 
emitido pelo sol; 
d) evaporação: do suor no estado líquido para o vapor. 
 
Devemos estar sempre em uma faixa muito estreita de variação de temperatura, 
sendo seus extremos tanto alta como baixa de potencial risco a saúde. Por essa 
ótica, detalharemos os principais sinais e sintomas, assim como o atendimento inicial 
a vítimas expostas a essas condições. 
10.1 Hipotermia 
A hipotermia é a baixa temperatura corpórea generalizada do organismo que 
ocorre como exemplo pela exposição a temperaturas baixas, sendo o organismo 
incapaz de retornar às funções corporais normais. 
 
Figura 101 - Fisiologia da hiportemia (imagem adaptada) 
Fonte: Manual do socorrista, CBMERJ, 3ª edição, 2018. 
 
O fator desencadeador da gravidade da hipotermia é proporcional ao tempo 
de exposição a baixa temperatura e ao meio em que a vítima se encontra. A 
transferência de calor corporal em meio líquido e muito mais rápida que no ar, por 
esse motivo a hipotermia ocorre mais rapidamente em vítimas imersas em ambiente 
CORPO DE BOMBEIROS MILITAR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO 
 
143 
 
líquido. 
 Crianças, principalmente os recém-nascidos, e os idosos são mais propensos 
a hipotermia. Assim desnutridos e pessoas com alteração do nível de consciência 
por ingestão alcoólica. Uma pessoa que consumiu álcool também é mais susceptível 
à hipotermia, pois ele bloqueia a produção de glicose no corpo e inibe o tremor 
máximo para a produção de calor. 
O organismo necessita da glicose para manter a contração muscular durante 
os tremores, dessa forma, é comum a hipoglicemia após longos períodos de 
exposição ao frio extremo. Essa alteração deve ser corrigida pela equipe da ASE 
assim que possível para se manter o mecanismo termorregulador. 
 A classificação da hipotermia de acordo com o guideline da AHA 2010, no 
qual se baseia o tratamento, se dá da seguinte forma: 
Hipotermia leve (32 a 35°C): vítima com tremores, com queixa de frio, falta de 
coordenação motora e confusão mental (em alguns casos), pele fria e pálida. 
Hipotermia moderada (30 a 32°C): cessam os tremores, ocorre queda da 
pressão arterial, o pulso se torna lento e irregular (palpar pulso central). A frequência 
respiratória diminui (até 2 respirações por minuto) e as pupi las reagem lentamente 
ou permanecem fixas e di latadas, ocorrendo a diminuição importante do nível de 
consciência. O eletrocardiograma pode identificar fibrilação atrial (mais comum). 
Hipotermia grave (imersão: 
 O maior risco ocorre quando a imersão acontece em águas com temperaturas 
menores que 25°C. Uma vez que a dissipação do calor é 24 vezes maior do que a 
do ar, a hipotermia ocorre mais comumente nessa situação. 
 Indivíduos vítimas de imersão em água fria e sem previsão de serem retirados 
do local devem procurar minimizar as perdas de calor usando a postura de redução 
de perda de calor (HELP – permanecer com as pernas e braços cruzados junto ao 
corpo) ou a posição de agrupamento (técnica de Huddle) com múltiplas vítimas de 
imersão se unindo. 
 A principal preocupação com a vítima de imersão é a morte rápida resultando 
de pânico que leva à aspiração de água e afogamento. Mas existem outras três 
fases em que a vítima pode ir à óbito. 
- primeira fase: resposta ao choque por frio - com resfriamento rápido da pele, 
vasoconstricção periférica, um “reflexo do engasgamento”, e a inabilidade de apneia, 
hiperventilação e taquicardia. Pode haver morte súbita em alguns minutos, além de 
síncope ou convulsões. 
- segunda fase: incapacitação causada pelo frio – com resfriamento 
significativo nos próximos 5 a 15 minutos, tendo efeito danoso a motricidade fina e 
global das extremidades, com má coordenação, perda de força e incapacidade de 
nadar. 
- terceira fase: início da hipotermia – se a vítima não é capaz de se manter na 
superfície da água por causa da fadiga e da hipotermia, pode acontecer a aspiração 
e o afogamento. 
- quarta fase: Colapso peri-resgate – Observado em 20% das vítimas que 
sobrevivem até a fase quatro. Até 90 minutos do transporte e até 24h após o 
resgate. Pode ocorrer devido à queda posterior da temperatura interna, colapso da 
pressão arterial e alterações como hipóxia, acidose ou alterações rápidas do pH que 
induzem a fibrilação ventricular. 
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145 
 
10.2 Outras lesões causadas pelo frio 
a) desidratação: evaporação do suor, perda de calor pelo aumento da respiração 
e diurese induzida pelo frio; 
b) lesão por contato com superfícies congeladas: queimadura pelo frio; 
c) urticária pelo frio: coceira, vermelhidão e inchaço da pele; 
d) eritema pérnio (frieiras): coceira, sensibilidade bolhas arroxeadas nas 
superfícies extensoras dos dedos principalmente; 
e) lesão cutânea localizada pelo frio: podem ser congelantes e não congelantes. 
Deve ser removido para uma unidade hospitalar. 
f) deve-se lembrar que vítimas de hipotermia deverão ser aquecidas o mais 
precocemente possível com utilização de manta aluminizada ou panos secos, 
cobertores etc., o ar condicionado da ambulância deve ser desligado ate que se 
reestabeleça níveis normais da temperatura ou próximos. As roupas devem ser 
retiradas caso estejam molhadas ou úmidas 
10.3 Lesões causadas pelo calor 
10.3.1 Definição e fatores de risco 
Hipertermia é definida como a temperatura corporal central (retal, vesical, 
esofagiana) superior a 38° C. Como em ambiente pré-hospitalar, nem sempre se 
conta com meios de aferir a temperatura central, deve-se suspeitar de lesão pelo 
calor frente a sinais e sintomas compatíveis em paciente exposto a estresse térmico. 
Cabe ressaltar que 70% do estresse térmico provém do próprio metabolismo 
endógeno e 30% do ambiente. Ou seja, atenção para atividade física moderada a 
intensa, sobretudo em uso de equipamento de proteção individual pesado, 
transportando carga ou operando equipamentos. 
A fisiopatologia envolve, na maioria das manifestações graves, a hipovolemia 
e a desidratação. Por isto, os grupos com maior risco são crianças, idosos, 
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146 
 
portadores de doença cardíaca prévia, alcoolistas, obesos, moradores de áreas mais 
pobres, praticantes de atividades esportivas intensas, profissionais que atuam com 
grande quantidade de equipamentos (bombeiros, policiais, militares). 
 A desidratação resulta do suor excessivo (atividade física, febre), diarreia, 
vômitos e uso de medicamentos diuréticos. Assim, constitui-se tanto em fator de 
risco quanto consequência das lesões relacionadas ao calor. Perde-se 0,8 a 1,4 
litros/hora pelo suor. Atletas bem condicionados chegam a perder até 3,7 li tros/hora. 
 Várias medicações de uso regular podem comprometer a capacidade do 
corpo de dispersar calor, como lítio, betabloqueadores, antidepressivos tricíclicos, 
furosemida, anti-histamínicos, antipsicóticos de primeira geração (fenotiazinas), o 
socorrista quando for o primeiro a chegar no local deve procurar captar maior 
numero de informações possíveis como doenças pré-existentes, medicamento, hora 
da ultima refeição dentre outras informações úteis a serem informadas a equipe 
médica. 
 
 
 
 
 
 
 
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147 
 
10.3.2 Distúrbios causados pelo calor 
Forma Mecanismo Sinais/ sintomas Tratamento 
Edema pelo calor 
Gradual expansão da volemia durante a 
aclimatação 
Leve edema nos pés, 
tornozelos e mãos 
Remover joias apertadas e 
elevar as pernas 
periodicamente 
Tetania pelo calor 
Exposição curta a calor intenso 
Hiperventilação e alcalose (?); pode se 
associar à exaustão ou intermação 
Parestesias, espasmo das 
mãos, carpopodal e outros 
músculos 
Remover do calor e repousar 
Sincope pelo 
Calor* 
Vasodilatação; represamento de sangue 
venoso nas pernas 
Pré-síncope ou síncope 
durante transição do 
agachamento para o 
ortostatismo 
Remover do calor; deitar e 
reidratação 
Câimbra 
muscular 
Hiponatremia e hipocalemia durante ou 
na recuperação do exercício 
Câimbra nos membros 
inferiores e abdome 
Repouso à sombra; 
alongamento; repor solução 
eletrolítica** 
Tabela 5 - Formas leves de lesão pelo calor. 
*Pacientes com suspeita de doença cardíaca prévia síncope devem ter investigação de síncope no 
hospital e ter o ritmo cardíaco monitorado durante o transporte. ** Para prevenir (a cada cerca de 2h de 
atividade física intensa) e tratar cãibras, adicionar ¼ de colher de chá de sal (ou 1 cápsula) para cada 300 
a 500 ml de água. Solução esportiva. 
Fonte: POP lesões calor GSE 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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148 
 
Forma Mecanismo Sinais/ sintomas Tratamento 
Colapso associado ao 
esforço
1
 
Redução abrupta do 
retorno venoso ao final do 
exercício; 
T geralmente normal; 
difícil excluir 
desidratação 
Náusea, tontura, síncope, 
hipotensão ortostática, 
taquipneia e pulso rápido, 
sudorese 
Remover do calor; 
decúbito dorsal; 
considerar reidratação 
Exaustão por Calor (forma 
mais comum de lesão) 
Desidratação; 
vasodilatação da pele; 
T40º C; 
Disfunção de múltiplos 
órgãos 
Os sintomas e sinais da 
exaustão mais alteração 
do estado mental 
(confusão, coma) ou 
convulsão
3
; sudorese 
profusa ou anidrose; 
“ABC” 
Resfriamento imediato 
(imersão ou molhar o 
doente e ventilar); parar 
em 38,9º C
4
 
Reidratação IV
2
 (máx. 1 a 
2 litros na 1ª h) 
Hiponatremia dilucional 
Ingesta > 1 litro/hora 
durante atividade física 
prolongada; 
Edema Cerebral; 
T181 
12.5 RCP em Bebês ....................................................................................................... 188 
12.6 OVACE – Obstrução de Vias Aéreas por Corpo Estranho ............................. 191 
13 ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR EM CASOS DE AFOGAMENTO .............. 197 
13.1 Definição .................................................................................................................. 197 
13.2 Fisiopatologia do afogamento .............................................................................. 198 
13.3 Classificação CBMERJ do afogado .................................................................... 198 
13.4 Atendimento à vítima de afogamento ................................................................. 200 
13.4.1 Procedimentos de APH durante a primeira abordagem, dentro d’água, 
pelo guarda-vidas do CBMERJ para o afogado inconsciente e/ou emborcado200 
13.4.2 Procedimentos de APH realizado pelo profissional do CBMERJ em área 
seca ............................................................................................................................... 201 
13.5 Quando parar a reanimação ................................................................................ 203 
14 EMERGÊNCIAS CLÍNICAS......................................................................................... 204 
14.1 Acidente vascular Cerebral .................................................................................. 204 
14.2 Dor torácica ............................................................................................................. 208 
14.3 Insuficiência Respiratória Aguda ......................................................................... 215 
14.4 Abdome agudo ....................................................................................................... 220 
14.5 Dor lombar............................................................................................................... 224 
14.6 Crise hipertensiva .................................................................................................. 229 
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10 
 
14.7 Convulsões.............................................................................................................. 231 
14.8 Aspectos Toxicológicos......................................................................................... 234 
14.9 Hipo e hiperglicemia .............................................................................................. 238 
14.10 Cefaleias................................................................................................................ 241 
14.11 Avaliação e tratamento das doenças clínicas ................................................. 242 
15 AVALIAÇÃO DO ESTADO MENTAL ANORMAL NA EMERGÊNCIA.................. 247 
15.1 Introdução................................................................................................................ 247 
15.2 Etiologia ................................................................................................................... 247 
15.3 Diagnóstico.............................................................................................................. 249 
15.4 Diagnóstico Diferencial.......................................................................................... 250 
15.5 Abordagem .............................................................................................................. 251 
15.6 Condutas em Pacientes Agressivos ................................................................... 252 
15.6.1 Abordagem ...................................................................................................... 252 
15.6.2 Técnicas verbais ............................................................................................. 252 
15.6.3 Restrições Físicas .......................................................................................... 253 
Como aplicar a contenção mecânica? ............................................................ 253 
Monitoramento..................................................................................................... 254 
16 ACIDENTES COM ANIMAIS PEÇONHENTOS ....................................................... 255 
16.1 Venenosos X peçonhentos................................................................................... 255 
16.2 Ofidismo................................................................................................................... 255 
16.3 Araneísmo ............................................................................................................... 259 
16.4 Escorpianismo ........................................................................................................ 264 
16.5 Acidentes por Lonomia e outras lagartas........................................................... 268 
16.6 Acidentes por abelhas, vespas e formigas ........................................................ 270 
17 EMERGÊNCIAS OBSTÉTRICAS ............................................................................... 273 
17.1 Considerações básicas sobre a gestação ......................................................... 273 
17.1.1 O parto .............................................................................................................. 273 
17.1.2 Urgência Obstétrica ........................................................................................ 274 
17.2 Estruturas responsáveis pela gestação.............................................................. 274 
17.3 Assistência ao parto .............................................................................................. 276 
17.4 O Parto Complicado .............................................................................................. 279 
17.4.1 Parto Pélvico.................................................................................................... 279 
17.4.2 Apresentação Fetal por Membros e/ou Cordão Umbilical ....................... 280 
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11 
 
17.4.3 Asfixia pela Bolsa D’agua .............................................................................. 280 
17.4.4 Hemorragia ...................................................................................................... 281 
17.4.5 Parto de Gêmeos e Prematuros................................................................... 281 
17.4.6 Abortamento .................................................................................................... 282 
18 CENTRAIS REGULADORAS MÉDICAS DAS URGÊNCIAS ................................ 283 
19 CADEIA DE ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR CBMERJ ................................ 285 
19.1 Descrição dos componentes de cada fase (elo) do atendimento .................. 285 
20 MOBILIZAÇÃO E TRANSPORTE DE ACIDENTADOS.......................................... 293 
20.1 Retirada de emergência ........................................................................................ 293 
20.2 Apoio lateral simples ou duplo ............................................................................. 295 
20.3 Pelas extremidades ............................................................................................... 295 
20.4 Método bombeiro ................................................................................................... 296 
20.5 Técnica de arrasto ................................................................................................. 297 
20.6 Técnica de arrasto com uso de fitas ou cabos solteiros .................................. 297 
20.7 Técnica de arrastamento pela alça da roupa de aproximação....................... 297 
20.8 Técnicas em atendimento em locais conflagrados........................................... 298 
20.9 Técnicas de mobilização e imobilização ............................................................monitorado durante o 
transporte. 2 Preferencialmente Ringer lactato. Limitar em 1 a 2 litros para evitar Hiponatremia. 
Fonte: PO 
 
 Não esquecer que o esforço físico extenuante pode causar rabdomiólise, cujo 
risco de necrose tubular renal aguda aumenta com a desidratação. 
 
10.3.3 Prevenção ocupacional 
 Formas leves de lesões relacionadas ao calor podem evoluir ou se associar a 
formas graves. Deste modo, é fundamental identificá-las em exposição ocupacional 
do bombeiro militar para evitar manifestações graves. Quando identificadas, indicam 
a necessidade de aumento da hidratação oral e de avaliar a redução do intervalo 
entre os “auto-horários” durante atividades físicas, assim como de desequipar o P 
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149 
 
durante o “auto-horário” sempre que possível, para permitir resfriamento passivo. A 
sede, como sinal tardio de desidratação, só aparece quando 2% da água corporal 
total já se perderam. Entre 2 e 6% de desidratação (leve a moderada) já ocorre 
deterioração do raciocínio, fadiga muscular e dor de cabeça. A prevenção se baseia 
em quatro variáveis: hidratação sistemática, condicionamento físico, aclimatação e 
dimensionamento de traje/equipamentos adequados. Ver seção 5, adiante. A 
tolerância à hidratação oral é limitada pela taxa de esvaziamento gástrico (1 a 1,2 
litro/hora). Por isso, é preciso manter ritmo constante de hidratação. A partir de 5% 
de desidratação, o esvaziamento gástrico reduz em 20 a 25%, o que dificulta a 
hidratação oral. A partir deste momento, forçar volume via oral pode causar vômito e 
piorar mais a desidratação. 
 
Tabela 7 - Esquema de hidratação do Colégio Americano de Medicina do Esporte (adaptado). 
Cerca de 30ml*peso (kg)/24h*Intervalo (3 a 4h). 2 A cada cerca de 2 horas de atividade física intensa, é 
ideal ingerir solução esportiva ou mistura 1:1 de água e solução esportiva ou acrescentar ¼ de colher de 
chá de sal (1 cápsula) para cada 300 a 500 ml de água. Importante providência durante operações 
prolongadas fisicamente intensas, sobretudo quando no clima quente. 
Fonte: POP lesões calor GSE 
 
O bombeiro militar em operação prolongada, deve estar atento para sua 
diurese, que deve se manter amarelo claro. Também é interessante a pesagem ao 
voltar da missão. Caso pese menos do que no início do serviço, deve compensar, 
aumentando a hidratação oral. 
O condicionamento físico aumenta os mecanismos de compensação da 
função cardíaca e otimizam a sudorese (maior volume/ início mais precoce) para 
maior dissipação de calor, o que, no entanto, aumenta o risco de desidratação caso 
não se reidratar adequadamente. A aclimatação ao calor – aumentar 
progressivamente o treinamento físico em horário mais exposto ao calor – também 
aumenta a sudorese. 
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150 
 
10.3.4 Estação de reabilitação em incidentes (rehab) 
Recomendações segundo a FEMA/FA 314 e NFPA 15 4: “na ausência de 
reabilitação sistematizada durante operações prolongadas, a desidratação resulta 
precocemente em reduzida capacidade de tomada de decisão e aumento do tempo 
de reação”, com consequente comprometimento da segurança. Parâmetros de 
indicação para estabelecimento da REHAB: eventos com duração superior a 2h, 
trabalho intenso e índice de estresse térmico igual ou maior a 32°C. Para tanto, 
devem se guiar pelos princípios de segurança resumidos no acrônimo H.E.A.T. 
(calor), proposto pela Exército dos EUA, a seguir: 
 High heat conditions ( BU G ≥ 24˚C, considerado preocupante) – altas 
temperaturas. Exertional level of work or training – atividade física continuada. 
Acclimatization – aclimatação e dimensionamento de EPI. Time – tempo de 
exposição e de recuperação (reabilitação). IBUTG, Índice de Bulbo Úmido 
Termômetro de Globo ou instrumento equivalente. ** Lembrar que estresse térmico 
também ocorre no frio, em função da atividade física extenuante. *** Trabalho sob 
sol direto acrescenta cerca de 5˚C ao índice de estresse térmico e uso de trajes 
espessos, mais 5˚C. 
Nos Estados Unidos da América (EUA), a maior frequência de lesões pelo 
calor ocorre durante combate a incêndio (70%) e treinamentos (11%), 2005. O 
profissional da saúde deve sugerir ao comandante de incidente que estabeleça 
REHAB, tão logo detecte risco aumentado ou diagnostique o primeiro caso de 
síndrome pelo calor, ainda que leve, ao que deve estar atento, monitorando. 
O profissional da saúde deve sugerir ao comandante de incidente que 
estabeleça REHAB, tão logo detecte risco aumentado ou diagnostique o primeiro 
caso de síndrome pelo calor, ainda que leve, ao que deve estar atento, monitorando. 
A estação de reabilitação deve ser montada na zona fria, abrigada das 
intempéries (salão da ASE de prevenção, tenda...), guarnecida por equipe de saúde 
em prevenção, onde os operadores deverão permanecer em resfriamento passivo e 
hidratação, mediante rodízio ou necessidade clínica já manifestada. 
 
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151 
 
 
Figura 102 - Estação de reabilitação (REHAB 1) na zona fria. 
Fonte: POP GSE lesões pelo calor, 2018. 
 
 
Figura 103 - Exemplos de REHAB, abrigada do sol e calor diretos. Considerar estabelecer fonte de 
ventilação para baixar a temperatura ambiente. 
Fonte: POP GSE lesões pelo calor, 2018. 
 
 
Figura 104 - Desequipar durante a permanência na REHAB (mínimo 10 minutos). 
Fonte: POP GSE lesões pelo calor, 2018. 
 
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152 
 
 
Figura 105 - estação de reabilitação e hidratação, pausa por extresse térmico excessive proximo de 49
0 
C 
sensação térmica com EPI. 
Fonte: CBMERJ 
 
Os parâmetros de rodízio de pessoal a ser seguidos pelo comandante de 
incidente (modificado de NFPA 1584) deve ser a cada duas trocas de cilindro de 30 
minutos, a cada uma troca de cilindro de 45 ou 60 minutos, a cada 45 minutos de 
combate com qualquer outro equipamento pesado e/ou ao término de cada 
descontaminação do profissional em incidentes com produtos perigosos. 
Antes que se faça necessária ou estabelecida REHAB, os membros de 
operações devem manter autohidratação sistemática, conforme seção 4/tabela 3, 
linha 3 ou a cada recarga do SCBA (com mínimo de 5 minutos de repouso). O 
comandante de incidente deve perguntar aos subordinados por sintomas de lesão 
pelo calor durante a autohidratação, antes de devolvê-los ao combate, retendo 
qualquer membro sintomático e solicitando apoio de guarnição de saúde. Diante de 
tal situação, REHAB deve ser seriamente considerada. Em operações com produtos 
perigosos, em função do elevado estresse térmico, o estabelecimento de REHAB 
deve ser altamente considerado. Assim como em incêndio estrutural alto (andar 
acima de 75 pés ou 22,86 metros), visto o intenso esforço envolvido e a ventilação 
ambiente mais difíci l. Neste último caso, deve-se considerar “ HABs pareadas”, ou 
seja, uma estação básica dois ou mais andares abaixo do foco de combate e outra 
na zona fria. 
Medidas terapêuticas a ser empregadas na REHAB: 
a) resfriamento passivo, desequipando-se e abrindo trajes de proteção. 
b) hidratação oral: até 1 litro/hora; 1:1 água e solução eletrolítica. 
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153 
 
c) incidentes > 3 horas, providenciar carboidratos e eletrólitos. 
d) estádia não inferior a 10 minutos, durante o qual, reidratar ≥ 250 ml. 
 
 
Figura 106 - Algoritmo de conduta na REHAB. T= temperatura corporal; FC= frequência de pulso arterial. 
Os sinais vitais devem ser medidos na admissão à estação e a cada 5 minutos. Além de pulso e 
temperatura, deve-se medir pressão arterial sistêmica e oximetria de pulso. 
Fonte: Modificado de NFPA 1584, edição 2008. 
 
 A elevação da pressão arterial pode preceder o início de exaustão pelo calor. 
Durante esta síndrome, contudo, a pressãode pulso costuma estar reduzida, mesmo 
que a pressão sistólica esteja normal, o que deve ser um alerta. Vítimas de exaustão 
pelo calor não devem retornar ao combate, ainda que recuperadas (FA 314, 2008). 
 Vítimas de intermação têm taxas de mortalidade de até 50% e podem 
permanecer em delirium, febre e disfunção renal por dias, apesar de tratamento 
inicial adequado, necessitando assim internação hospitalar imediata. Pode ocorrer 
dano neurológico permanente. O resfriamento ativo rápido reduz a mortalidade para 
até 5%. O profissional de APH líder da REHAB deve manter registro escrito do 
controle de pessoal entrando e saindo, assim como os sinais vitais e os horários. 
Sugere-se anotar no livro de serviço da Seção de Socorro de Emergência em que 
serve. Obviamente, qualquer vítima de lesão pelo calor significativa – câimbras, 
colapso pelo calor e qualquer manifestação grave, deve ter RAPH preenchido. 
 
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154 
 
 
Figura 107 - Índice de estresse térmico (vulgo, sensação térmica). Temperatura em ˚F [˚C=(F-32)/1,8]. 
90˚F (32,2˚C) é considerado limiar da zona de cuidado do estresse térmico, na qual trabalhos 
intensos por turnos maiores que 20 minutos encerram alto risco de lesão pelo calor (FA 314). 
Fonte: U.S. FIRE ADMINISTRATION. Emergency Incident Rehabilitation. Feb. 2008. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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155 
 
11 RESPOSTA A INCIDENTES COM MÚLTIPLAS VÍTIMAS (IMV) 
As informações contidas neste capítulo foram retiradas, em parte, do 
Procedimento Operacional Padrão (POP) do Corpo de Bombeiros Militar do Estado 
do Rio de Janeiro (CBMERJ) de abordagem à vítima de trauma(POP APH 02, 
CBMERJ, 2018) e de Incidentes com Múltiplas Vítimas (POP APH 13, CBMERJ, 
2018). 
11.1 Conceitos introdutórios 
a) definimos como Primeira Resposta para fins deste manual, em consoante 
com o POP EMG/APH 13, as ações imediatas cujo objetivo fundamental é a 
estabilização da cena (estabelecimento de segurança) durante o primeiro período 
operacional (definido conforme o Sistema de Comando de Incidentes – ICS -, U.S. 
Federal Emergency Management Agency, FEMA; Carmo Neto, 2018c), de modo a 
permitir a continuidade de resposta. Num incidente com múltiplas vítimas (IMV), as 
prioridades são a estabilização da cena e a triagem, as duas tarefas principais para 
pôr ordem ao caos inicial. 
b) a primeira prioridade na resposta ao trauma, de qualquer natureza, é a 
segurança, e esta sempre considerada na seguinte ordem: 1º sua própria, 2º da 
equipe e 3º do paciente. 
c) por estabelecimento da segurança ou estabilização da cena, entende-se o 
conjunto de medidas de mitigação com o objetivo de controlar/reduzir o risco de 
exposição às ameaças para um nível aceitável. O conceito de risco aceitável, por 
sua vez, se baseia no fato de que nenhuma cena de emergência pode ser 
totalmente segura. Assim sendo, risco aceitável pressupõe que as ameaças hajam 
sido controladas o suficiente, frente ao nível de especialização, treinamento e 
recursos dos resgatistas envolvidos. 
d) dividimos as medidas de estabilização de cena em primárias e secundárias. A 
estabilização primária é a técnica(s) empregada(s) para permitir o início da atuação 
dos resgatistas na zona quente (vide adiante). Entretanto, uma vez estabelecida, é 
CORPO DE BOMBEIROS MILITAR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO 
 
156 
 
necessário seguir com a estabilização dinâmica (secundária), visto que os riscos da 
cena estão em constante mudança, inclusive induzida pela própria atuação dos 
resgatistas. 
e) em qualquer emergência, temos três zonas de trabalho (OSHA, 
Administração de Saúde e Segurança Ocupacionais dos Estados Unidos da 
América) definidas segundo a presença da ameaça, conforme a primeira figura do 
capítulo Avaliação de Cena. 
- zona quente (de exclusão), onde a ameaça está ativa e não controlada; 
- zona fria (de apoio), onde não há ameaça; 
- zona morna (de redução de contaminação), onde a ameaça pode produzir 
efeito a todo o tempo, inclusive trazida pelos próprios resgatistas a partir da 
zona quente, porém procedimentos de mitigação e controle são mantidos, 
reduzindo o risco de exposição. 
f) o perímetro interno (linha quente) delimita a zona quente, enquanto o 
perímetro externo (ou de segurança ou de controle) visa o controle de acesso de 
pessoal, devendo idealmente ser uma barreira física estabelecida pelo CBMERJ ou 
por agentes de segurança pública em torno das instalações e recursos de socorro 
convencionais estabelecidos na zona fria. A literatura estrangeira encoraja o uso de 
duplo cordão de isolamento do perímetro externo para o eficaz controle de pessoal. 
À zona quente só devem ter acesso profissionais especialistas no controle da 
ameaça em questão, com EPI adequado, e.g. produto perigoso. Usualmente, o 
mesmo ocorre na zona morna, destinada a procedimentos especiais de redução de 
risco (e.g. descontaminação de vítimas), bem como ao estabelecimento de 
ferramentas e recursos utilizados nas operações de resgate técnico desempenhadas 
na zona quente (tool drop zone). 
g) escopo do problema (definição operacional): 
- incidente com múltiplas vítimas = presença de mais de um paciente; 
- desastre ou incidente de grande porte (major incident) = número de vítimas 
excede a capacidade imediata de resposta local. 
- incidentes em massa (mass casualties ou MASCAL) = termo popularizado 
pelo Major Incident Medical Management and Support (MIMMS) e pela OTAN, nos 
CORPO DE BOMBEIROS MILITAR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO 
 
157 
 
quais é necessário apoio externo (Ex.: ruptura da barragem de Brumadinho, MG, 
2019). 
 Não há um parâmetro numérico para definir incidente de grande 
porte/desastre, pois isto depende da capacidade de resposta loco-regional. Um 
incidente por ser ordinário em região metropolitana, ao passo que pode se constituir 
em desastre em região interiorana. 
11.2 Táticas de ação imediata para IMV 
Abaixo propomos um mnemônico derivado do MIMMS que sintetiza o plano 
de ação para a primeira resposta e fase de operações médicas, em acordo com o 
ICS IS-200b(Carmo Neto, 2018b). 
 
D.E.S.A.S.T.R.E. (CSCATTT, no inglês) (Carmo Neto, 2018c; GROUP, 2013): 
Detecção (avaliação da cena) 1 
Estabelecimento de C2 (comando e controle) 2 
Segurança da cena (estabelecimento e controle do perímetro interno) 3 
Avaliação de ameaças 4 
Solicitação de apoio 5 
(Fim das ações de primeira resposta) 
 
Triagem, tratamento e transporte (evacuação) 
Exame pós-evento (debriefing) 
 
1 Realize a R.A.M. (ver capítulo Avaliação da cena), identificando à distância segura 
(se necessário mantendo a origem do vento às suas costas, vide acima), os riscos 
primários (diretamente relacionados ao mecanismo de trauma, e.g. combustível, 
CORPO DE BOMBEIROS MILITAR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO 
 
158 
 
sinais de instabilidade estrutural ou do terreno, entre outros) e os parâmetros da 
natureza do evento. 
2 Comando diz respeito ao fluxo vertical de informação operacional (entre líder e 
comandados); controle significa o fluxo horizontal de informação (entre pares). O 
primeiro líder de guarnição da DSE a atender ao incidente deve assumir a 
coordenação de APH em campo, função que pode precisar acumular com o 
comando de incidente, caso seja o militar mais experiente durante a primeira 
resposta. Com a chegada de apoio, este militar deve transmitir (formalmente) o 
comando de incidente ao militar mais experiente a rende-lo, e transmitir 
(formalmente) também a coordenação de APH em campo a militar do DSE mais 
experiente que venha em apoio, caso este último assim lhe solicite. Por transmissão 
formal de liderança, entende-se comunicar à Central de Operações de APH 
(COAPH(FEMA, 2018a) adiante. 
3 Estabeleça o perímetro interno. Existem parâmetros específicos de distância para 
determinados riscos,porém determine empiricamente raio inicial de 100m ou o 
máximo possível abaixo disto, até que se conclua a identificação da(s) ameaça(s). 
Em suspeita de objeto explosivo, delimite perímetro interno segundo a tabela do 
capítulo Avaliação de Cena. Comandar aos transeuntes e vítimas que possam 
deambular, a saírem do perímetro interno. Se a ameaça suspeita consiste em 
produto perigoso, direcioná-las à área de concentração de vítimas (ACV) avançada, 
SOBRE o perímetro interno. Ver primeira e segunda figuras do capítulo Avaliação de 
Cena. 
4 Procure sem se expor, sinais de identificação da(s) ameaça(s), e.g. rótulos de 
produtos perigosos. Muitas vezes a identificação definitiva caberá a especialistas 
(e.g. GOPP, GBS). 
5 Solicite apoio adequado, tanto ambulâncias quanto demais recursos direcionados 
ao controle dos riscos identificados (ex.: GOPP, ABS). 
 
 Como se vê, a tática de ação imediata para primeira resposta (D.E.S.A.S.) 
proposta pelo MIMMS, reúne as mesmas ações propostas no mnemônico A5, 
explicado no capítulo Avaliação de Cena e idealizado para emergências em geral, 
CORPO DE BOMBEIROS MILITAR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO 
 
159 
 
acrescido de alguns detalhes próprios de incidentes de grande porte. 
 Para a disposição inicial do teatro de operações, ver a primeira e segunda 
figuras do capítulo Avaliação de Cena. 
11.3 Relatório ICS-201 
Relatório ICS-201 (FEMA, 2018a; Carmo Neto, 2018c) simplificado (para briefing): 
a) horário do início do incidente e horário de chegada da primeira resposta; 
b) resumo da planta da cena - incluindo número de vítimas/ sua distribuição no 
local e mecanismo causal do incidente; 
c) riscos e ameaças avaliados; 
d) medidas mitigatórias iniciadas, seu resultado e andamento; 
e) objetivos atuais e propostos para o próximo período operacional; 
f) estratégia e táticas propostas e seu andamento; 
g) organização atual das equipes de socorro; 
h) recursos solicitados e seu estado (disponível/indisponível, no local, horário de 
requisição, ETA – tempo estimado de chegada). 
i) meios de comunicação e canais (telefones) úteis em uso. 
- os horários devem ser anotados em padrão 24h – xx:xx. 
- o briefing deve ser documentado (escrito) pelo militar que tenha assumido em 
qualquer momento, o comando de incidente, sobretudo da primeira resposta e 
posteriormente anexado ao RAPH. 
11.4 Triagem 
a) a triagem em IMV cuja ameaça envolva produto perigoso (inclusive explosivo) 
é um processo sequencial, ao qual podemos chamar continuun de triagem, uma vez 
que mais de uma estação de triagem são necessárias, como segue. 
 
 
CORPO DE BOMBEIROS MILITAR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO 
 
160 
 
 
Figura 108 - Continuum de 
Fonte: o autor. 
 
b) triagem reversa (Carmo Neto, 2018c): realizada pela equipe de extração, na 
zona quente; nesta região onde a exposição ao risco é constante, não é possível 
usar qualquer ferramenta de triagem que tome mais que uma mirada para tomada 
de decisão; assim, deve-se retirar primeiro as vítimas que respirem, se movam e 
estejam mais próximas ao resgatista. 
 
c) triagem primária(Carmo Neto, 2018c): uso de ferramenta de triagem para (a) 
identificar as mais graves que necessitem de intervenções salvadoras para tolerarem 
o tempo de descontaminação e (b) gerar ordem de prioridade para a 
descontaminação; com esta finalidade, encorajamos o uso da ferramenta S.T.A.R.T. 
(vide figura 118, adiante)/Jump S.T.A.R.T (crianças abaixo dos 8 anos; vide figura 
119, adiante). 
 
d) triagem secundária (Carmo Neto, 2018c): realizada na zona fria, pelas equipes de 
pré-hospitalar convencional. 
 
 
CORPO DE BOMBEIROS MILITAR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO 
 
161 
 
 
Figura 109 - S.T.A.R.T. Caso a vítima tenha recuperado respiração após a desobstrução manual da via 
aérea, ponha-a em posição lateral de recuperação. 
Fonte: traduzido e modificado de START, Newport Beach Fire Department. 
 
CORPO DE BOMBEIROS MILITAR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO 
 
162 
 
 
Figura 110 - JumpSTART. Para triagem primária de crianças menores de 8 anos. 
Fonte: traduzido de Romig, LE. A system to JumpSTART your triage of young patients at MCIs. JEMS. 
2002 Jul;27(7):52-8, 60-3. 
 
 
 
e) S.T.A.R.T. tem limitações importantes para o uso em triagem secundária: 
sobretriagem, isto é, classifica como prioridade 1 (vermelho) número de vítimas 
muito maior que o real; classifica como prioridade 1 vítimas de gravidade 
(probabilidade de sobrevida nas primeiras 24h) muito diversa e assim não discrimina 
prognóstico; foi idealizado para vítimas virgens de intervenções, as quais serão 
executadas na zona morna em vários tipos de incidentes, e.g. produtos perigosos 
(Carmo Neto, 2018c). 
 
f) desse modo, a ferramenta de triagem secundária ora proposta é o SORT-RTS 
(BOUZAT; LEGRAND; GILLOIS; AGERON et al., 2016; GARNER; LEE; HARRISON; 
SCHULTZ, 2001; LICHTVELD; SPIJKERS; HOOGENDOORN; PANHUIZEN et al., 
2008; MANOOCHEHRY; VAFABIN; BITARAF; AMIRI, 2019; MOHYUDDIN; ALAM; 
MALIK; SHAKIL et al., 2015) (ou TRTS, vide tabela 2), utilizando o Revised Trauma 
https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/12141119?dopt=Abstract
CORPO DE BOMBEIROS MILITAR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO 
 
163 
 
Score (RTS) (LICHTVELD; SPIJKERS; HOOGENDOORN; PANHUIZEN et al., 
2008), como já sedimentado pela experiência com a aplicação do MIMMS (GROUP, 
2013) desde 1995 no Reino Unido, Oceania, África do Sul e vários outros países da 
Europa. O RTS já consta do RAPH e permite o acompanhamento da evolução do 
prognóstico entre a cena e o departamento de emergência. Também propicia gestão 
mais adequada de recursos durante a fase de resposta, já que, como discrimina o 
prognóstico em 12 faixas de taxa de sobrevida esperada, permite identificar na 
triagem quais pacientes de fato necessitam de ASE avançada, de evacuação 
prioritária e de encaminhamento a hospitais de alta complexidade. A literatura 
recente sugere ponto de corte do TRTS 89 10-29 4 
9-12 76-89 >29 3 
6-8 50-75 6-9 2 
4-5 1-49 1-5 1 
3 0 0 0 
 
Tabela 8 - Escore de Trauma Revisado. O escore é a soma da pontuação dos três componentes. Ex.: 
Glasgow 3 pontos + Pressão 2 pontos + Respiração 4 pontos = 9. Importante lembrar de ensacar (plástic o 
transparente) o esfigmomanômetro para o uso, evitando sua contaminação com líquidos biológicos. 
Fonte: Carmo Neto, 2018c; Lichtveld;Spijkers; Hoogendoorn; Panhuizen et al., 2018). 
 
g) independente da ferramenta de triagem usada, a categoria das vítimas deve 
ser marcada no seu corpo (preferência na testa) com caneta de tinta não lavável 
(sobretudo em casos em que a vítima possa ser exposta a água, como durante a 
descontaminação), conforme o padrão OTAN (Organização do Tratado do Atlântico 
Norte) para triagem militar, vide tabela 9. A contagem das vítimas por categoria deve 
CORPO DE BOMBEIROS MILITAR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO 
 
164 
 
ser registrada em folha (preferencialmente resistente à água) pelo militar 
responsável pela triagem (deve haver um só por divisão geográfica envolvida no 
incidente, caso haja mais de uma – divisão sul, norte e etc.). Esta contagem deve 
ser comparada com a do líder da área de espera de recursos (viaturas inclusive) 
durante a evacuação, para manter a rastreabilidade e evitar perda de vítimas. 
 
T1 (RTSúltimo se resume às intervenções 
salvadoras necessárias (cânula nasofaríngea, oxigenioterapia, alívio de 
pneumotórax hipertensivo, oclusão de ferimento aspirativo de tórax, controle de 
hemorragia externa maciça e ressuscitação volêmica), o suficiente apenas para que 
a vítima sobreviva até a admissão hospitalar. Eventualmente, em incidentes de longa 
duração (ex.: deslizamento de massas de terra em grande área), podem ser 
necessárias outras modalidades de tratamento em campo, enquanto se aguarda 
pelos meios de evacuação. Nestes casos de operação sustentada (SUSOP, duração 
>6h) ou contínua (CONOP, duração >24h), deve-se considerar a montagem de 
estrutura de campanha, o que foge ao escopo deste texto (Carmo Neto, 2018c). 
CORPO DE BOMBEIROS MILITAR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO 
 
165 
 
 
b) segue esquema conceitual (figura 119) da Área de Concentração de Vítimas 
(ACV). Pontos importantes: as vítimas não-deambulantes devem ser distribuídas à 
distância mínima de 1m entre elas (no sentido horizontal e vertical), para permitir que 
se caminhe sem pisar nas partes das vítimas. Deve haver um ponto de controle de 
entrada (estação de triagem) e outro de saída (ponto de evacuação), a partir do qual 
as vítimas são embarcadas nas ambulâncias. Recomenda-se que o solo seja 
coberto com lona para proteção das vítimas. As lonas devem ser preferencialmente 
da cor-código da categoria de triagem (vermelho, amarelo...), porém, podem ter 
qualquer cor, caso as cores da triagem não estejam disponíveis. Entretanto, neste 
caso a categoria da estação (T1, T2, T3, T4) deve ser bem sinalizada de outra forma 
(Carmo Neto, 2018c). 
 
 
Figura 111 - Esquema conceitual da área de concentração de vítimas. 
Fonte: manual de desastre do GSE (1996). 
 
11.6 Transporte 
a) a evacuação deve seguir a ordem de prioridades apurada na triagem, 
exceção feita aos casos em que for logisticamente mais rápido iniciar pelas vítimas 
ambulantes, em função da disponibilidade de veículos civis de transporte coletivo 
(ônibus, vans). Embora isso possa parecer um contrassenso, é na realidade uma 
CORPO DE BOMBEIROS MILITAR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO 
 
166 
 
vantagem tática e logística, já que reduzindo o número de vítimas não graves na 
cena, esta se torna mais facilmente gerenciada. Entretanto, cuidado deve se tomar 
nesse caso com a escolha do hospital de destino, que não deve ser o mais próximo 
ou de alta complexidade, para não sobrecarregar os hospitais capazes de receber 
vítimas T1 e T2. 
 
b) o TRTS pode ser ferramenta benéfica (vide acima), já que discrimina 
prognóstico, diferenciando inclusive expectativas dentro da categoria T1. Por 
exemplo, uma vítima T1-TRTS 3 tem prognóstico pior do que outra T1-TRTS 7. 
Assim, quando os meios de evacuação estão muito escassos (com 
consequentemente demora), o oficial médico coordenador de pré-hospitalar pode 
considerar “inverter” as prioridades dentro da categoria 1, de modo a começar a 
evacuar pelas vítimas de maior sobrevida esperada (Carmo Neto, 2018c). 
 
c) a escolha do tipo de ambulância para evacuar deve seguir a 
gravidade/prognóstico esperado pelo TRTS (tabela 10, abaixo). 
 
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167 
 
 
GRAVIDADE/PROGNÓSTICO TIPO DE AMBULÂNCIA PREFE RENCIAL 
T1 que não obedece a comandos 
simples 
1 
ASE-A (possibilidade de intubação orotraqueal) 
T1 com défice perfusional 
2 
ASE-A/I (possibilidade de ressuscitação volêmica) 
T1-TRTS 6 a 9 (exceto os casos 
acima) 
ASE-A/I 
T1-TRTS 2seg. Os va lores do TRTS 
estão em pontos, não em resultado da equação de predição (RTS = 0.9368 ECG + 0.7326 SBP + 0.2908 
RR). 
Fonte: o autor. 
 
d) para manter a rastreabilidade das vítimas evacuadas: 
- o militar responsável pela triagem deve, como escrito acima, orientar o 
líder da área de espera (vide IS-200b) quanto à ordem das vítimas a evacuar; 
- escrever na vítima (além da categoria de triagem) o número ordinal de 
evacuação, atribuído a cada vítima na folha de triagem, ex.: “ 1/1... 1/14”, 
significando a ordem na qual devem ser evacuadas; 
- o líder da área de espera deve registrar para cada vítima, o prefixo da viatura 
(ou placa, no caso de veículo civil) e o hospital de destino (concedido pela COGS), e 
transmitir esses dados de volta ao responsável da triagem. 
 
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168 
 
11.7 Relatório pós-IMV (RPI) 
Deve ser redigido pelo coordenador de APH em campo (às vezes, função 
acumulada com a triagem), contendo as seguintes variáveis. 
a) relatório ICS-201 simplificado. 
b) planilha contendo: 
- para cada entrada (linha) uma vítima; 
- nas colunas, da esquerda para a direita, categoria da triagem secundária 
(T1...T4), pontuação do RTS, gênero (M/F), cor (B, P, Pa), idade estimada, prefixo 
da viatura de evacuação e hospital de destino. 
c) assinatura e carimbo. 
 
 
 
 
 
 
 
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169 
 
12 SUPORTE BÁSICO DE VIDA 
As informações deste capítulo foram retiradas, em parte, do Procedimento 
Operacional Padrão (POP) do Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de 
Janeiro (CBMERJ) de abordagem Assistência à PCR no adulto (POP APH 14, 
CBMERJ, 2018) e do Manual básico de atendimento pré-hospitalar (CEPAP, 
CBMERJ, 2017). 
No Brasil, o mal súbito é conhecido como um problema de saúde inesperado, 
sendo responsável pela morte de milhares de pessoas por ano. Os óbitos podem 
acontecer, muitas vezes, pelo tempo prolongado em iniciar o primeiro atendimento. 
Destaca-se que dominar o conhecimento acerca do primeiro atendimento é 
fundamental para salvar vidas. Podemos afirmar que o primeiro atendimento em 
um caso de mal súbito possui dois objetivos: evitar o agravamento do quadro e 
manter a vítima em condições mínimas de sobrevida até a chegada do socorro 
especializado. Cabe ressaltar que a situação mais grave de mal súbito é o colapso 
da vítima, com perda de consciência, ausência de movimentos respiratórios e 
ausência de pulso carotídeo (profissionais de saúde), ou seja, a Parada 
Cardiorrespiratória (PCR). 
Males súbitos também podem ser definidos como qualquer sinal ou sintoma 
clínico que resulta na perda ou queda do nível de consciência. Como exemplo o 
caso de uma crise convulsiva, desmaio, lipotímia, mal-estar, ou de uma grave 
dificuldade respiratória, etc. Destacamos que a contextualização do atendimento pré-
hospitalar para as principais alterações clínicas será abordada posteriormente e 
neste capítulo, abordaremos o atendimento inicial à vítima que apresenta um quadro 
de PCR. 
Sublinhamos que aplicação da RCP (Reanimação Cardiopulmonar) de boa 
qualidade aumenta as chances de sobrevida de uma vítima em PCR. Uma das 
maiores causas de PCR súbita é atribuída a Fibrilação Ventricular (FV - atividade 
elétrica desordenada que não permite que a função de bombeamento do sangue 
aconteça corretamente) e Taquicardia Ventricular sem Pulso palpável (TV- condição 
em que o ritmo se encontra muito elevado, impossibilitando que o coração consiga 
realizar o bombeamento de sangue satisfatoriamente). Estas arritmias quando não 
CORPO DE BOMBEIROS MILITAR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO 
 
170 
 
tratadas corretamente, podem levar a vítima ao óbito. 
O Suporte Básico de Vida (SBV) é o conjunto de procedimentos cujo objetivo 
é viabilizar as condições mínimasde circulação e respiração da vítima, mesmo de 
forma artificial, para órgãos vitais como o cérebro e coração, até que seja 
estabelecido o Suporte Avançado de Vida (SAV). O SBV de alta qualidade é 
fundamental para o sucesso de um bom SAV, pois é o que manterá a irrigação do 
organismo. A desfibrilação precoce deve sempre ser priorizada em eventos de PCR. 
Em uma situação de PCR as manobras de RCP de alta qualidade podem 
fazer a diferença para a vítima. Portanto, quanto mais precoce e eficaz for o 
atendimento, maiores serão as chances de sucesso. Isso é possível devido à 
presença de oxigênio residual no organismo da vítima, mesmo após a para da do 
coração. Ao iniciar a RCP precocemente (em até 4 minutos de sua ocorrência), as 
chances de diminuir-se os riscos de lesão cerebral são maiores. Após estes 4 
minutos, as chances de recuperação sem sequelas neurológicas diminuem bastante 
e acima de 6 minutos, há uma maior probabilidade de danos irreparáveis devido à 
falta de oxigenação (hipóxia). Cabe ressaltar que estes dados são baseados em 
estatísticas, e sempre que uma vítima for encontrada em PCR, é recomendado a 
inicialização das manobras de RCP, independente do tempo, salvo quando a vítima 
apresentar lesões incompatíveis com a vida (decapitação, esmagamento de crânio e 
tronco, entre outros), sinais evidentes de morte( rigidez cadavérica, livor morbis ou 
estágio de decomposição). Caso o atendimento seja realizado por guarnições de 
saúde do CBMERJ, seguir orientações constantes no POP 14. 
12.1 Identificação da PCR 
 Em todo e qualquer tipo de socorro, deve ser feita uma avaliação sumária 
sobre o cenário. Nesta avaliação faz-se necessário alguns questionamentos que 
nortearão toda dinâmica do atendimento. 
a) o que aconteceu? 
b) quantas vítimas? 
c) o local é seguro? 
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171 
 
Entender o que aconteceu e avaliar o cenário poderá ajudar a equipe de 
socorro a entender a complexidade do evento. 
Quantificar e/ou estimar o número de vítimas envolvidas no evento, permitirá 
a equipe de socorro solicitar os recursos necessários para o atendimento 
A avaliação da segurança da cena é a primeira etapa mais importante que a 
equipe deve levar em consideração, para que tenha um local seguro para a 
operação. 
Caso ocorra risco na cena, a vítima será abordada quando o local estiver 
seguro. 
Obs¹: A equipe não deve entrar no local inseguro! 
Obs²: Se o local em que a equipe estiver se tornar inseguro, todos devem sair 
imediatamente! 
É importante evitar ou eliminar os prováveis agentes causadores de lesões ou 
agravos à saúde, tais como eletricidade, fogo, fumaça, explosão, gás tóxico, tráfego, 
produtos perigosos, ferragens cortantes, etc. Caso necessite de apoio, deverá ser 
contactado os seguintes órgãos: Polícia Militar, equipes de resgate especializadas e 
concessionárias de energia elétrica, entre outras. 
Ao aproximar-se da vítima, a equipe de socorro deverá estar sempre 
utilizando seus quipamentos de Proteção ndividual ( P ’s), pois o contato direto 
com sangue, urina, fezes, saliva, podem causar vários danos à saúde. 
No caso de contato com o sangue ou secreções da vítima, o chefe da equipe deve 
proceder seguindo os protocolos estabelecidos para contatos com materiais 
biológicos estabelecidos pelo Corpo de Bombeiros Militar do Estado Rio de Janeiro 
(CBMERJ) 
Caso tenha contato direto com a pele, lavar com água corrente e sabão. 
Verificando se não há rachaduras, ressecamentos ou lesões no local. Caso ocorra 
procurar um profissional de saúde responsável pelo protocolo de acidente com 
material biológico de sua Unidade. 
Se houver contato direto com os olhos ou mucosas, lave-os imediatamente 
com água corrente abundante e siga o protocolo para acidente com material 
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172 
 
biológico de sua Unidade. 
 
 Cadeia de Sobrevivência 
 A Cadeia ou corrente da sobrevivência (figura 112) representa elos 
importantes na sequência do atendimento, onde cada um desses elos representa 
procedimentos fundamentais no processo de atendimento à parada 
cardiorrespiratória. 
 
Figura 112 - Cadeia da sobrevivência AHA 
Fonte: American heart association®, 2015 
12.2 Abordagem Inicial 
Avaliação do nível de consciência 
 Para avaliar a responsividade, posicione a vítima em decúbito dorsal (barriga 
para cima), chame-a para tentar obter uma resposta da vítima. 
“Senhor (a), está me ouvindo?” 
 Simultaneamente, pode-se observar se há movimento no tórax da vítima, 
indicando se há movimentos respiratórios. Caso a vítima não responda e não 
respire, ou apresente respiração ineficaz tipo gasping (“peixe fora d’água”), solicite 
ajuda imediatamente e inicie as manobras de RCP. 
Os profissionais de saúde deverão, simultaneamente, avaliar a 
responsividade, a respiração e o pulso carotídeo. 
Se a vítima apresentar movimentos respiratórios dentro de um padrão 
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173 
 
aceitável, o socorrista deverá atentar para a abertura das vias aéreas, 
permanecendo com a mão na testa (região frontal de crânio) e elevando o queixo da 
vítima. Se houver disponibilidade de oxigênio, deverá ser administrado sob máscara 
facial com reservatório a um fluxo contínuo de 6 a 8 litros por minuto. Caso haja 
necessidade de deixar a vítima para realizar algum procedimento, deve-se colocá-la 
em Posição Lateral de Segurança (P.L.S.). 
Com a sequência CAB, as compressões torácicas são iniciadas o mais 
precocemente possível. 
C - Compressões torácicas. 
A – Abertura das vias aéreas. 
B - Respiração (boa ventilação). 
 
Figura 113 - Algoritmo de PCR em adultos para profissionais da saúde de SBV – atualização de 
2015 
Fonte: American heart association®, 2015 
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174 
 
12.3 RCP no adulto e o uso do DEA 
A RCP consiste em manobras de compressões torácicas e ventilações 
artificiais, administrada quando a vítima se encontra em PCR, na proporção 30 
compressões X 02 ventilações. Para realização de RCP de alta qualidade, deve-se: 
a) posicionar a vítima em uma superfície plana e rígida em decúbito dorsal; 
b) expor o tórax da vítima, retirando as vestes; 
c) posicionar a região hipotênar de uma das mãos no centro do tórax da vítima, 
terço médio inferior do esterno, a outra mão posicionada sobre a primeira 
entrelaçando os dedos, braços esticados, projetando seu tronco para frente de modo 
a utilizar o peso do seu tronco para deprimir o esterno da vítima; 
- aprofundar o esterno da vítima entre 5 a 6 cm, a uma frequência entre 100 e 
120 compressões por minuto; 
- após cada compressão, o tórax deve voltar a posição inicial, após cada 
compressão. 
Na abordagem da vítima, deve ser observado se há algo que possa colocar a 
vida do socorrista e de sua equipe em risco. Após a checagem, deve-se abordar a 
vítima segurando pelo ombro e perguntando “você está bem?” (Figura 114). 
 
Figura 114 - Abordagem da Vítima / Nível de consciência 
Fonte:SETEP 
 
Após avaliar que a mesma se encontra inconsciente, deve-se olhar o tórax 
abrindo as vestes e observar se há respiração através de movimentos no tórax, caso 
o socorrista seja profissional de saúde, deverá realizar a checagem do pulso 
carotídeo simultaneamente, não menos que 5 e não mais que 10 segundos, 
procedimento pode ser observado na (figura 115 e figura 116). 
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175 
 
 
Figura 115 – Verificação da respiração 
Fonte:SETEP 
 
 
Figura 116 - Verificação do profissional de saúde 
Fonte:SETEP 
 
Ao observar que a vítima não responde, não respira e/ou não tem pulso, 
acione um serviço de emergência (192 ou 193) e solicite um DEA. 
 
 
Figura 117 - Pedido de ajuda / Acionamento do Socorro 
Fonte:SETEP 
 
Após avaliar a “responsividade” da vítimae constatar que a mesma não 
responde, não respira e não tem pulso, deve-se acionar o Serviço Móvel de 
Emergência (SME) e solicitar um desfibrilador – DEA (Figura 117). 
Logo após a solicitação de ajuda, deve-se iniciar as manobras de RCP 
imediatamente, iniciando pelas compressões no tórax. 
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176 
 
A RCP deve ser realizada com alta qualidade para manter uma boa perfusão 
de oxigênio já que este coração não está realizando sua função fisiológica de 
bombeando de sangue, (figuras 118, 119 e 120). 
 
Figura 118 - Marcação do local da compressão 
Fonte: SETEP 
 
 
 
Figura 119 - Técnica de compressão torácica 
Fonte: SETEP 
 
 
 
Figura 120 - Técnica de compressão torácica e ventilação assistida com uso de bolsa-válvula-máscara 
Fonte: SETEP 
 
Caso o socorrista não consiga entrelaçar os dedos, poderá segurar o punho 
da mão que está posicionada sobre o esterno da vítima para obter maior firmeza nas 
compressões. 
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177 
 
Para execução das ventilações, recomenda-se a utilização de algum tipo de 
dispositivo de barreia mecânica (proteção biológica), não sendo recomendado a 
realização da respiração boca-a-boca. Além da proteção biológica, as ventilações 
devem ser realizadas caso o(os) socorrista(as) possuam proficiência para execução. 
Caso a RCP seja realizada sem um dispositivo de barreira, o(os) 
socorrista(as) deverá realizar apenas as compressões no tórax do paciente e 
revezando, caso haja outro socorrista a cada dois minutos ou a cada duzentas 
compressões em média. 
Caso hajam dois socorristas sem dispositivo de ventilação, um realizará as 
compressões o segundo deverá manter a abertura das vias aéreas inclinando a 
cabeça da vítima. 
Após as 30 compressões, caso haja um dispositivo de barreira, deve-se abrir 
as vias aéreas a fim de liberar a passagem de ar com a retirada da base da língua. A 
técnica consiste em inclinação da cabeça e elevação do queixo (Figuras 121). 
 
 
Figura 121 - Técnica de hiperextensão da cabeça 
Fonte: SETEP 
 
Se ao realizar a venti lação observar que não ocorreu o movimento do tórax, 
deve-se realizar a segunda venti lação, caso o tórax não se movimente, deve -se 
iniciar imediatamente as compressões torácicas, nas próximas venti lações deve-
se reposicionar a cabeça da vítima e corrigir o posicionamento da máscara. Se o 
problema persistir, o socorrista pode não ser proficiente ou pode haver uma 
obstrução baixa de via aérea, nestes casos, deve-se abandonar as ventilações e 
dar ênfase as compressões de forma ininterruptas até a chegada do suporte 
avançado de vida. 
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178 
 
As compressões não devem ser interrompidas por um tempo superior a 10 
segundos, se o para realizar as ventilações o(só) socorrista(as) levar mais de 10 
segundos, nestes casos, deve-se abandonar as venti lações e dar ênfase as 
compressões de forma ininterruptas até a chegada do suporte avançado de vida. 
Alguns dispositivos de barreira biológica devem ser utilizados na aplicação das 
ventilações, conforme demonstrado nas figuras 122, 123 e 124. 
 
Figura 122 – Pocket mask (Máscara de Bolso) 
Fonte: SETEP 
 
 
Figura 123 - Ventilação sob máscara 
Fonte: SETEP 
 
 
Figura 124 - Bolsa de Ventilação (bolsa-válvula-máscara) 
Fonte: SETEP 
 
 
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179 
 
Desfibrilação externa automática (DEA): 
É importante salientar que a desfibrilação não substitui a RCP e vice-versa, 
entretanto, o uso do DEA é recomendado em todos os casos em que uma vítima se 
encontre em PCR. 
O DEA é um dispositivo que analisa o ritmo cardíaco da vítima e sinaliza se 
há ou não a necessidade de administração de um choque no tórax da vítima. O 
objetivo da descarga elétrica é fazer a eletricidade passar pelo coração da vítima 
com objetivo de corrigir um problema de arritmia, fazendo com que o coração da 
vítima possa ter se ritmo reestabelecido. 
Sua eficácia representa 50% a mais de chance de sobrevida para a vítima, 
fato este que, nem sempre que instalado o aparelho indicará a desfibrilação. 
O DEA é seguro, preciso e fácil de usar. O DEA determina se a pessoa 
necessita de um choque e avisa para administrá-lo se necessário. Avisa inclusive 
quando é necessário certificar-se que ninguém esteja tocando a vítima. As pás 
usadas para administrar o choque têm um diagrama que indica como posicioná-las 
no tórax da vítima. Siga as instruções. 
Existem diversas marcas e modelos de DEA no mercado, o(os) socorrista(as) 
devem certifique-se de estar treinado para usar o DEA do serviço de emergência ao 
qual faz parte. 
Use o DEA somente se a pessoa não responder e não estiver respirando ou 
apresentar gasping. 
Se tiver acesso a um DEA, use-o IMEDIATAMENTE. Certifique-se que 
ninguém esteja tocando a vítima antes de pressionar o botão “ H CK” (Choque) 
(figura 125 e 126). Se não localizar um DEA rapidamente, inicie a RCP de alta 
qualidade. 
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180 
 
 
Figura 125 – Todos se afastam para análise do DEA 
Fonte: SETEP 
 
 
 
Figura 126 - Posições dos socorristas durante a aplicação do choque 
Fonte: SETEP 
 
Após a administração do choque, inicie imediatamente as compressões torácicas 
interrompendo apenas 10 segundos no máximo para executar as duas ventilações e faça a 
RCP até o DEA sinalizar para interromper a RCP, para que ele possa novamente analisar e 
se necessário indicar outro choque. as, se o mesmo falar: “choque não indicado”, inicie 
imediatamente às manobras de RCP até a chegada do serviço médico de emergência, caso 
seja um profissional da saúde avaliar pulso. 
Cuidados na colocação das pás/eletrodos: 
a) retirar excesso de pelos no tórax do paciente. Caso a vítima tenha muito pelo no 
tórax, deve-se retirar com uma lâmina de barbear; 
b) secar o tórax. Deve-se secar todo tórax da vítima para que haja melhor aderência das 
pás com a pele da vítima; 
c) retirar adesivos de medicamentos; 
d) cuidados com marcapasso implantado. Se a vítima possuir um marcapasso 
implantado no local da posição das pás, deve-se livrar o eletrodo da cicatriz do marcapasso. 
Após a RCP e o choque, se a vítima voltar a respirar, mas não estiver 
respondendo, vire-a de lado e aguarde que alguém com treinamento mais avançado 
Fonte: CEPAP Fonte: CEPAP 
Fonte: CEPAP 
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181 
 
assuma o socorro (Se for uma equipe de SME realizar avaliação e considerar 
remoção). Coloque a vítima em posição lateral de segurança (PLS) (Figuras 127 e 
128), pois manterá as vias aéreas desobstruídas caso a vítima vomite. Se a vítima 
parar de respirar ou apresentar somente gasping, vire-a na posição decúbito dorsal e 
avalie a necessidade de RCP. Enquanto a vítima que retornou aos batimentos 
aguarda o suporte avançado, devemos manter o desfibrilador ligado e conectado, 
somente sendo removido ou desligado com ordem médica. 
 
Figura 127 - Socorrista executando a técnica de lateralização – PLS 
Fonte: SETEP 
 
 
Figura 128 - Vítima na posição lateral de segurança 
Fonte: SETEP 
 
 
12.4 RCP em crianças 
A criança é considerada com idade superior a um ano até o início da 
puberdade. Se estiver em dúvida se a vítima é um adulto ou uma criança, considere-
a adulta. 
Uma criança “responsiva” é aquela que se mexe, fala, pisca ou reage de 
alguma outra forma quando você a toca e pergunta se está bem. Uma criança que 
Fonte: American Heart Association, 2015 
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182 
 
não “responde”, que não faz nada quando você a toca e pergunta se está bem, é 
considerada inconsciente. 
Comprimir o tórax é a parte mais importante da RCP. Comprimindo o tórax 
você bombeia sangue para o cérebro e o coração. 
As pessoas muitasvezes não comprimem com força suficiente por temerem 
ferir a criança. Uma lesão é improvável, mas é melhor do que a morte. Em uma 
relação custo benefício, é melhor comprimir forte demais do que insuficientemente. 
Na realização das compressões, deve-se levar em consideração as 
características da criança (estatura) e do(os) socorrista(as). Se considerar 
adequado, use uma única mão para as compressões. Se não conseguir deprimir 
entre 5 a 6 cm com uma mão, use as duas. Uma mão não é melhor do que duas ou 
vice-versa. Faça o que for necessário para comprimir o tórax cerca de 5 a 6 cm de 
profundidade. Não diferente do adulto, devemos, assim que observarmos uma 
criança caída ao solo, abordá-la segurando pelo ombro, como mostra a (figura 138). 
Em seguida devemos observar se há respiração normal, caso seja um profissional 
de saúde verificará pulso também. (figuras 129 e 130). 
 
Figura 129 - Abordagem 
Fonte: SETEP 
 
 
CORPO DE BOMBEIROS MILITAR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO 
 
183 
 
 
Figura 130 - Observe 
Fonte: SETEP 
 
Em crianças, após identificar a PCR, caso esteja sozinho, deve ser iniciado a 
RCP por dois minutos, na falta de resposta positiva, deve-se buscar ajuda e 
continuar o procedimento. Caso haja uma dupla, um deve iniciar imediatamente a 
RCP enquanto o outro solicita ajuda especializada. Tal procedimento se dá devido a 
maioria das crianças que sofre PCR a causa é de caráter respiratórios e a RCP será 
fundamental neste primeiro momento. Após dois minutos de RCP (figuras 131 e 
132). 
 
Figura 131 – checagem de pulso 
Fonte: SETEP 
 
 
 
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184 
 
 
Figura 132 - Acione o socorro 
Fonte: SETEP 
 
 As compressões são importantes na RCP e executá-las da maneira 
correta é cansativo, por este motivo recomenda-se a cada 2 minutos o revezamento 
entre os socorristas, de modo que ocorra rapidamente para minimizar ao máximo a 
pausa nas compressões. Lembrem-se, mutuamente, de comprimir de 5 a 6 cm de 
profundidade a uma frequência de 100 a 120 compressões por minuto e permita 
que o tórax retorne à sua posição inicial após cada compressão (figuras 133 e 134). 
 
Figura 133 - Inicie as compressões 
Fonte: SETEP 
 
 
 
Figura 134 – socorristas em dupla 
Fonte: SETEP 
 
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185 
 
Administração de ventilações: 
Crianças, em geral, têm coração saudável. Normalmente o coração da 
criança para porque ela não consegue ou está tendo dificuldade para respirar. Em 
consequência disso, além das compressões, é muito importante administrar 
ventilações a uma criança (figura 134). 
As ventilações precisam fazer com que o tórax da criança se eleve. A 
elevação do tórax indica que a criança recebeu ar suficiente. As compressões 
formam a parte mais importante da RCP. Se o(s) socorrista(as) puder administrar 
ventilações, ajudará a criança ainda mais. Antes de administrar ventilações, abra as 
vias aéreas. 
 
Aplicação do DEA: 
 
 
Figura 135 - Choque indicado 
Fonte:SETEP 
 
 
 
Figura 136 - Reinicie as compressões 
Fonte: SETEP 
 
O DEA determina se a criança necessita de um choque e lhe avisa para 
administrá-lo se necessário. Avisa inclusive quando é necessário certificar-se de que 
ninguém esteja tocando a criança. As pás usadas para administrar o choque têm um 
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186 
 
diagrama que indica como posicioná-las na criança. Siga o diagrama. 
 Se não houver pás pediátricas ou um botão/interruptor pediátrico, use as pás 
de adulto. As recomendações para uso de Pás pediátricas é o peso corporal, caso a 
criança tenha menos de 25Kg, acima de 25Kg deverá ser utilizado Pás de adulto. 
Em casos de dúvida em relação ao peso, presuma que ela tem mais de 25Kg e use 
as pás adulto. A colocação das Pás em crianças segue um padrão único, deve-se 
colocar uma Pá sobre o esterno no centro do tórax e a outra no dorso da criança 
entre as escápulas. (figura 136 e 137). 
As ventilações seguem o mesmo padrão para adultos, com uso de 
dispositivos de proteção biológica. 
 
Figura 136 – Colocação das pás pediátricas 
Fonte: SETEP 
 
 
 
Figura 137 – Colocação das pás pediátricas 
Fonte: SETEP 
 
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187 
 
 
 
Figura 138 - Algoritmo de PCR em crianças para profissionais da saúde de SBV – atualização de 
2015 
Fonte: American Heart Association®, 2015 
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188 
 
Se houver outro socorrista ou outro indivíduo com você durante a RCP 
ou se você puder chamar por ajuda e pedir a alguém que o ajude, peça a esta 
pessoa que telefone para o número do SME enquanto você comprime e administra 
as ventilações. Você executa as compressões e ventilações enquanto a outra 
pessoa telefona e busca o DEA. A tabela no fim deste capítulo resume as 
diferenças entre RCP em adultos e crianças. 
 Após 2 minutos de RCP, telefone para o número do SME e busque um 
DEA, se isso ainda não tiver sido feito. Assim que o DEA estiver à mão, use-o. 
Depois de telefonar para o número de emergência/urgência, continue executando 
séries de 30 compressões e 2 ventilações até que a criança comece a responder ou 
que alguém com treinamento mais avançado chegue e assuma o socorro. 
Permaneça na linha até que o atendente/operador do SME lhe diga que pode 
desligar. 
12.5 RCP em Bebês 
Um bebê é considerado a partir do 29o dia de vida a 1 ano de idade, de 0 a 
28 dias de vida este é considerado neonato (não será abordado neste capítulo). Na 
abordagem do bebê, deve-se esperar que ele se mexa, emita sons, pisque ou reaja 
de alguma outra forma quando o(s) socorrista(s) o estimula. Caso um bebê não 
responda ao toque ou esboce alguma reação, deve ser considerado em PCR. Caso 
o socorrista esteja acompanhado, um socorrista deve acionar o SME enquanto o 
outro inicia RCP. Caso o socorrista esteja sozinho, realizar dois minutos de RCP, 
após pedir ajuda. 
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189 
 
 
Figuras 139, 140 e 141 - Abordagem do Bebê 
Fonte: SETEP 
 
As compressões são importantes na RCP, o socorrista deve posicionar 
indicador e o dedo médio imediatamente cerca de um dedo abaixo da linha dos 
mamilos do bebê, as compressões devem ser capazes de proporcionar o 
aprofundamento do esterno em cerca de 4 cm, a uma frequência de 100 à 120 
compressões por minuto e permitir que o tórax retorne à sua posição inicial após 
cada compressão. 
Se profissional da saúde, verifique o pulso braquial não menos que 5 e não 
mais que 10 segundos (figura 141). Se ausente, inicie a RCP imediatamente. 
Lembrando que se pulso ausente, mas a frequência estiver abaixo de 60 batimentos 
por minuto, inicie imediatamente a RCP (figura 142). 
 
 
Figura 142 - RCP no bebê 
Fonte: SETEP 
 
 
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190 
 
 
Figura 143 - RCP no bebê com 2 socorristas 
Fonte: SETEP 
 
Bebês em geral têm coração saudável. Normalmente o coração do bebê para 
porque ele não consegue ou está tendo dificuldade para respirar. Em consequência 
disso, além das compressões, é muito importante administrar ventilações a um bebê. 
As ventilações precisam proporcionar a elevação do tórax visível, isso indica que o 
bebê recebeu ar suficiente. (figura 143). Antes de administrar ventilações, abra as 
vias aéreas. 
Ao inclinar a cabeça do bebê, não a empurre demais para trás, pois, isso 
pode bloquear as vias aéreas, para um melhor posicionamento das vias aéreas, 
pode-se optar pelo uso de um coxim entre as escápulas para um posicionamento 
neutro. 
Certifique-se de que o tórax se eleve. Não interrompa as compressões por 
mais de 10 segundos para administrar ventilações. Caso as ventilações não sejam 
efetivas, deve-se manter o procedimento de compressões ininterruptas. 
 
Figura 144 - Ventilaçãoem bebê com o auxilio da máscara 
Fonte:SETEP 
 
 Caso haja dois ou mais socorristas da área de saúde, a RCP poderá ser 
realizada com ciclos de 15 compressões para 2 venti lações, como um socorrista 
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191 
 
posicionado acima da cabeça e o segundo socorrista aborda o tórax com os 
polegares (figura 145). 
 
 
Figura 145 - Dois socorristas realizando RCP em bebê 
Fonte: SETEP 
 
 
12.6 OVACE – Obstrução de Vias Aéreas por Corpo Estranho 
As obstruções por corpo estranho, provocam asfixia nas vítimas, sejam elas 
bebês, crianças ou adultos. 
As obstruções podem ser classificadas em dois grupos: 
a) obstrução Incompleta (parcial) de vias aéreas – Sinal característico é a 
possibilidade da vítima em emitir som, embora com alguma dificuldade, mas é a 
indicação que existe passagem de ar parcialmente. Nestes casos o socorrista deve 
solicitar a vítima que promova tosse. O objetivo da tosse é fazer com que o corpo 
estranho seja expelido devido a pressão de saída do ar. Caso não seja suficiente, a 
vítima deverá ser encaminhada ao serviço hospitalar para intervenção de um 
especialista, nestes casos, a opção é transportar a vítima em decúbito dorsal para 
evitar qualquer tipo de movimentação do corpo estranho que posso proporcionar 
uma dificuldade respiratória. 
b) obstrução completa (total) de vias aéreas - Sinal característico é a 
incapacidade da vítima em emitir som. Nestes casos o socorro deve ser iniciado 
imediatamente, um sinal característico é a vítima levar as duas mãos ao pescoço, 
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192 
 
agitada e com sinais de cianose na face (figura 146). O socorrista deve posicionar-se 
atrás da vítima, com uma das pernas entre as pernas da vítima, para um melhor 
posicionamento; passando o braço por baixo das axilas da vítima, posicione o punho 
fechado de uma das mãos entre a cicatriz umbilical e o processo xifoide, posicione a 
outra mão aberta sobre o punho fechado e realize compressões fortes e vigorosas, 
para dentro e para cima quantas vezes forem necessárias até que o corpo estranho 
seja expelido ou até que a vítima desfaleça (figura 147). Se a vítima desfalece/fica 
inconsciente, posicione-a sobre o solo em decúbito dorsal sobre uma superfície 
plana e rígida, solicito o SME e inicie a RCP imediatamente. Após o ciclo de 30 
compressões antes de realizar as ventilações, deve-se inspecionar a cavidade oral 
para avaliar se há algum corpo estranho ou se o corpo estranho esteja na cavidade 
oral, caso haja, faça a retirada com o dedo em “gancho” ou “pinça”. 
 
 
IMPORTANTE: Não se deve introduzir o dedo na boca da vítima sem a 
visualização de corpo estranho. 
 
 
Figura 146 – sinais de obstrução completa 
Fonte: SETEP 
 
 
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193 
 
 
Figura 147 – manobras de desobstrução 
Fonte: SETEP 
 
Situações Especiais: 
Vítimas de obstrução de vias aéreas gestantes e obesas, não permitem que o 
processo convencional de desobstrução seja aplicado, nestes casos, o socorrista 
deve se posicionar atrás da vítima passando as mãos abaixo das axilas da vítima, 
posicionar o punho fechado de uma das mãos no centro do tórax e a outra mão 
aberta sobre a primeira, as compressões devem ser realizadas no sentido de 
aprofundamento do tórax, quantas vezes forem necessárias até que o corpo 
estranho seja expelido ou a vítima fique inconsciente, nestes casos inicia-se o 
procedimento de RCP. 
Obstrução de vias aéreas em crianças: 
 O procedimento de desobstrução de vias aéreas em crianças segue o mesmo 
processo do atendimento em adultos, considerando os aspectos relacionados a 
força desferida no abdome da criança. 
Obstrução de vias aéreas em bebês: 
 Bebês podem engasgar facilmente com regurgitação/refluxo de leite após serem Fonte:American Heart Association®, 2015 
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194 
 
amamentados. Trata-se de uma emergência que deve ser tratada com o máximo de 
brevidade tanto quanto em adultos ou crianças. 
 A maneira de identificar se há obstrução em bebês é relato da mãe “meu filho 
perdeu o choro”, o bebê não esboça qualquer tipo de reação, cianose pode ser 
observada e o bebê desfalecido. 
 Nestes casos as manobras de desobstrução devem ser iniciadas 
imediatamente, colocando o bebê em decúbito ventral sobre o ante braço do 
socorrista com a cabeça posicionada mais baixa que o corpo segurando-a pela 
mandíbula, deve-se desferir cinco tapas nas costas entre as escápulas no sentido de 
saída do corpo estranho, após os cinco tapas, deve-se colocar a vítima em decúbito 
dorsal sobre o outro ante braço, mantendo o posicionamento da cabeça mais baixa 
que o corpo, realizar cinco compressões no tórax, exatamente no ponto de 
compressão torácica, em seguida avaliar se há presença de corpo estranho ou 
secreção, caso haja, lateralize a vítima para que a secreção possa ser expelida, 
casa não seja líquida, remova a secreção e observe se a vítima apresenta algum 
tipo de reação, caso não apresente, chame ajuda e inicie o processo de RCP (AHA, 
2015). 
 
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195 
 
 
Figura 148 - Sequência de atendimento ao bebê 
Fonte: SETEP 
 
 
 
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196 
 
 
Resumo de RCP e DEA/ AED para adultos, crianças e bebês 
Componente Adultos e adolesce ntes Crianças (1 ano à 
puberdade) 
Bebês (menores de 1 ano, 
excluindo-se recém-nascidos) 
Segurança do local Verif ique se o local é seguro para o socorrista e a vítima 
Reconhecimento da PCR Verif ique se a vítima responde. 
Ausência de respiração ou apenas gasping (ou seja, sem respiração normal). 
Nenhum pulso sentido em 10 segundos. 
(A verif icação da respiração e do pulso pode ser feita simultaneamente, em menos de 10 
segundos) 
Acionamento do serviço 
médico de emergência 
 Se estiver sozinho, sem acesso 
a um telefone celular, deixe a 
vítima e acione o serviço médico 
de emergência, obtenha um 
DEA antes de iniciar a RCP. Do 
contrário, peça que alguém 
acione o serviço e inicie a RCP 
imediatamente, use o DEA 
assim que ele estiver disponível. 
Colapso presenciado: 
Siga as etapas realizadas em adultos e adolescentes, mostradas 
à esquerda. 
Colapso não presenciado: Execute 2 minutos de RCP 
Deixe a vítima para acionar o serviço de emergência e buscar o 
DEA. 
Retoma à criança ou ao bebê e reinicie a RCP, use o DEA assim 
que ele estiver disponível. 
Relação compressão-
ventilação sem via aérea 
avançada 
 
 
1 ou 2 socorristas 
30:2 
1 socorrista 30:2 
2 ou mais socorristas 15:2 
Relação compressão-
ventilação com via aérea 
avançada 
 
 
Compressões contínuas a uma frequência de 100 a 120/min. 
Administre uma ventilação a cada 6 segundos (10 respirações/min) 
Frequência da compressão 100 a 120/min 
Profundidade da compressão No mínimo 5cm, não 
ultrapassando 6cm. 
 
 
Pelo menos um terço do diâmetro 
AP do tórax. Cerca de 6 cm. 
Pelo menos um terço do 
diâmetro AP 
do tórax. Cerca de 4 cm. 
Posicionamento das mãos 2 mãos sobre a metade 
inferior do esterno 
 2 mãos ou 1 mão (opcional para 
crianças muito pequenas) sobre a 
metade inferior do esterno. 
1 socorrista: 2 dedos no tórax, 
logo abaixo da linha mamilar. 
2 ou mais socorristas: Técnica 
dos dois polegares no centro do 
tórax, logo abaixo da linha 
mamilar. 
Retorno do tórax Espere o retorno total do tórax após cada compressão, não se apoie sobre o tórax após cada 
compressão. 
Minimizar interrupções Limite as interrupções nas compressões torácicas a menos de 10 segundos. 
Tabela 10 - Resumo de RCP e DEA/ AED para adultos, crianças e bebês 
Fonte:American Heart Association®, 2015 
 
 
 
 
 
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197 
 
13 ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR EM CASOS DE AFOGAMENTO 
13.1 DefiniçãoExistem diversas fontes que definem o afogado mundialmente. Segundo a 
 rganização undial de aúde em seu “ eport on Drowning” realizado em 2014, 
Foi ratificada a definição estabelecida no consenso do primeiro congresso mundial 
de afogamento realizado em 2002 que cita: “Processo de alteração da função 
respiratória resultante da submersão e imersão em meio liquido”. al definição 
também foi adotada pelo PHTL 8a edição e pela ILCOR. 
Contextualizando para a realidade do CBMERJ, onde nem sempre o afogado 
apresenta sinais de aspiração de líquido e, muitas vezes, o socorro é enviado para 
atender vitimas que mantém boa flutuabilidade, mas que precisam ser retiradas do 
meio liquido, por não conseguirem sair por meios próprios devido a ação de 
correntezas, mar agitado, entre outros, essa definição não parece ser 
suficientemente capaz de se adequar à prática da Corporação. 
Dessa forma, com a finalidade de adaptar tais conceitos, podemos definir o 
afogado da seguinte forma para o CBMERJ: 
 “ oda vítima retirada do meio líquido, que não possa sair por meios próprios, 
envolvendo ou não o processo de alteração da função respiratória relacionada à 
aspiração, resultante da sua submersão/imersão”. 
Submersão: O corpo todo, incluindo as vias aéreas estão abaixo da 
superfície da água 
Imersão: A água respingou ou passa pelo rosto e vias respiratórias e permite 
que ocorra o afogamento por aspiração. 
Para fins de atendimento de emergência, não existem diferenças entre 
afogado em água salgada e doce, uma vez que a abordagem do socorrista será a 
mesma. 
O afogamento decorrente de causa externa (trauma prévio, encarceramento 
dentro do meio líquido, etc) ou condições patológicas com manifestação súbita tipo 
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198 
 
“mal súbito” ( nfarto agudo do miocárdio, hipoglicemia, convulsões, entre outros) que 
impede a vítima de se manter na superfície e sair do meio líquido por conta própria, 
é chamado de afogamento secundário. 
Entende-se por socorrista, no contexto deste capítulo, os militares que 
prestam o socorro, guarda-vidas(GV) ou de outras funções podendo ser, ou não, 
profissionais de saúde. 
13.2 Fisiopatologia do afogamento 
As informações deste capítulo foram retiradas, em parte, do Procedimento 
Operacional Padrão (POP) do Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de 
Janeiro (CBMERJ) de afogamento (POP APH 11, CBMERJ, 2018) e do Manual 
básico de atendimento pré-hospitalar (CEPAP, CBMERJ, 2017). 
Em resumo, seguindo a submersão, a vítima inicialmente prende a respiração 
por reflexo. Durante esse período ela frequentemente engole água. Como a 
respiração celular continua, a hipóxia e a hipercapnia evoluem. O reflexo de 
laringoespasmo pode, temporariamente, prevenir a entrada de líquido nos pulmões. 
Após um curto período, esses reflexos são abolidos e a vítima aspira líquido para os 
pulmões. O principal fator a ser percebido na patofisiologia do afogamento é a 
bradicardia decorrente da hipóxia que precede a parada cardíaca. A correção da 
hipoxemia pela ventilação isolada na ressuscitação é essencial e pode, sozinha, 
resultar em ventilação espontânea e circulação em alguns casos, provavelmente 
porque a presença da circulação não havia sido detectada. 
13.3 Classificação CBMERJ do afogado 
Com o objetivo de facilitar a identificação da gravidade dos afogamentos 
pelos militares do CBMERJ, apresentamos a padronização por cores no atendimento 
individual ao afogado, com o objetivo de otimizar o recurso médico e a remoção dos 
pacientes, além de facilitar a comunicação entre os militares do primeiro socorro e as 
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199 
 
guarnições de saúde do CBMERJ. 
Para fins de esclarecimento, na classificação CBMERJ do afogado, as vítimas 
antes classificadas como “resgate” no algoritmo clássico de afogamento foram 
incluídas como vítimas verdes, uma vez que há a demanda de recursos humanos e 
técnicos para a sua extração. 
Destacamos que a classificação por cores não se relaciona diretamente com 
a ferramenta de triagem de múltiplas vítimas (tabela 11). 
Ratificamos que todas as vítimas de afogamento para o CBMERJ necessitam 
de auxílio para sair do meio líquido. 
Classificação Característica das vítimas: Gravidade 
 
VERDE 
1. Obedecendo aos comandos. 
2. Agitada, cansada, respiração rápida 
e/ou ofegante. 
3. Com ou sem a presença de tosse. 
4. Sem a presença de espuma na 
boca e/ou nariz; 
 
Pouco urgente 
 
 
AMARELA 
1. Obedecendo aos comandos. 
2. Agitação leve e apresentando 
dificuldade respiratória após a 
extração. 
3. Com presença de tosse. 
4. Apresenta pouca ou nenhuma 
espuma na boca e/ou no nariz devido 
a aspiração de pouca quantidade de 
água. 
Urgente 
 
 
 
 
VERMELHA 
1. Não obedece aos comandos. 
2. Variando de desorientação à 
inconsciência. 
3. Grave dificuldade respiratória com 
pouca ou nenhuma expansão 
torácica. 
4. Apresentando espuma de cor 
esbranquiçada à rósea em grande 
quantidade na boca e/ou nariz devido 
à aspiração maciça de água. 
5. Podendo apresentar ou não pulso 
radial e/ou carotídeo palpáveis. Caso 
Grave/Emergência 
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200 
 
não seja possível a palpação do pulso 
carotídeo, considerar PCR; 
 
 PRETA 
 Tempo de submersão superior a 1 
hora ou apresentando sinais 
evidentes de morte (decomposição, 
rigidez cadavérica, livores) ou lesões 
incompatíveis com a vida, serão 
consideradas como óbito. 
Óbito 
Tabela 11 - Classificação CBMERJ do afogado 
Fonte: DSE/GMAR - CBMERJ 
 
13.4 Atendimento à vítima de afogamento 
13.4.1 Procedimentos de APH durante a primeira abordagem, dentro d’água, 
pelo guarda-vidas do CBMERJ para o afogado inconsciente e/ou emborcado 
Após avaliar o nível de consciência e detectar que o afogado está 
inconsciente ou emborcado, o socorrista GV deve abrir a via aérea e, se possível, 
avaliar a presença de respiração espontânea. O GV deve avaliar a possibilidade de 
extração rápida da vítima para o seco, para início do atendimento. Caso o GV 
necessite de suporte para extração do afogado, este poderá realizar respirações de 
resgate ainda na água até que o apoio seja disponibilizado. A frequência das 
ventilações de resgate deve ser de 12 a 16 ventilações por minuto (uma a cada 4 a 
5 segundos) até que o mesmo seja resgatado pelas equipes de apoio. 
Obs: Vale ressaltar que para realização das ventilações ainda na água, é bem 
pouco provável o GV disponha de um dispositivo de proteção biológica, o que o leva 
a opção da realização da respiração boca a boca. A execução das venti lações boca 
a boca não é indicada, proibida ou recomendada, caberá uma opção individual do 
GV realizá-las ou não. Estudos científicos relatam que ao realizar a ventilação boca 
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201 
 
a boca existe a possibilidade de contaminação por doenças infectocontagiosas, por 
mais que sejam baixos os riscos, a decisão é do GV. 
13.4.2 Procedimentos de APH realizado pelo profissional do CBMERJ em área 
seca 
Após atingir área seca, o mesmo deverá seguir passos descritos a seguir: 
Classificação Procedimentos 
 
 
 
VERDE 
1. Orientar a vítima que caso apresente nas horas 
subsequentes ao evento desconforto respiratório, mal 
estar, síncope, cefaleia persistente deve procurar 
auxílio. 
2. Liberar no local após orientação e/ou solicitar apoio 
médico quando julgar necessário; 
3. Preencher o protocolo de atendimento para fins 
estatísticos com especial atenção ao campo “com 
tosse/ sem tosse”. 
 
 
AMARELA 
1. Solicitar apoio médico. 
2. Colocar a vítima em posição confortável (com o tronco 
elevado). 
3. Ofertar oxigênio, se possível. Se houver 
disponibilidade de oxigênio, realizar administração 
sob máscara oronasal a um fluxo de 10 a 12 l/min. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
VERMELHASolicitar apoio médico. 
A: abrir a via aérea. Avaliar a necessidade de 
lateralização da vítima em virtude de espuma na boca e 
nariz (poderá ser de coloração rósea). 
B: Oxigênio em alto fluxo, se possível; e/ou ventilação 
assistida, se possível. Se houver disponibilidade de 
oxigênio, realizar administração sob máscara oronasal a 
um fluxo de 10 a 12 l/min, caso a vítima respire 
espontaneamente. 
C: Compressões torácicas, se necessário. 
 
 
- checar a responsividade (ausente?); 
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202 
 
- avaliar a respiração através do método “ver, ouvir e 
sentir”, (ausente?); 
- realizar 5 (cinco) ventilações de resgate com o 
intervalo entre elas de 1 (um) segundo; 
- reavaliar a respiração através do método “ver, ouvir e 
sentir” se ausente; 
- checar pulso carotídeo caso seja profissional de 
saúde simultaneamente com a verificação da respiração; 
- iniciar a RCP 30x2 (profissional sozinho) ou 15x2 
(profissional treinado quando no mínimo em dupla); 
- caso a vítima apresente ausência de respiração, 
porém o pulso carotídeo seja palpável, o socorrista deve 
assistir a ventilação usando uma frequência média de 1 
(uma) ventilação a cada 4 à 5 segundos; 
- se durante a avaliação da respiração, a vítima 
apresentar ventilação espontânea e permanecer 
inconsciente, o socorrista deverá colocar a mesma em 
posição lateral de segurança (PLS) sobre o hemitórax direito, 
se possível, mantendo reavaliações periódicas. 
 
 PRETA 
Óbito: já cadáver por afogamento, trata-se da “morte por 
afogamento sem chances de iniciar reanimação. 
Identificada por tempo de submersão maior que uma 
hora ou sinais evidentes de morte, como rigidez 
cadavérica, livores, ou decomposição corporal”. 
Tabela 12 – Procedimentos em Áerea seca 
Fonte: CBMERJ 
 
- É fundamental, para todo atendimento ao afogado, que seja acionado apoio. 
- Dessa forma, caso o socorrista esteja sozinho na cena do afogamento, pode 
ser necessário iniciar 01 ciclo de RCP de 2 minutos, interromper os esforços 
momentaneamente para contatar o apoio, retornando em seguida à assistência à 
vitima. 
- Na ausência de um dispositivo de barreira e a insegurança em realizar 
ventilação boca a boca, o socorrista deve realizar apenas as compressões torácicas 
em uma frequência de 100 a 120 compressões por minuto de forma ininterrupta, 
revezando o socorrista/guarda-vidas compressor a cada 2 minutos. 
 
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203 
 
13.5 Quando parar a reanimação 
No momento em que haja recuperação da circulação espontânea (respiração 
e pulso carotídeo); em casos de exaustão dos socorristas ou; ordem médica. 
O óbito é considerado em vítima onde há “morte por afogamento sem 
chances de iniciar reanimação. Identificada por tempo de submersão maior que uma 
hora ou sinais evidentes de morte, como rigidez cadavérica, livores, ou 
decomposição corporal”. 
a) observações sobre – PCR : 
Segundo o POP 11 CBMERJ (2018): 
“[...]o D A, na maioria das vezes, não tem utilidade em casos de 
afogamento primário, pois a PCR é de causa respiratória 
(hipoxemia/hipóxia) e, portanto, ocorre em atividade elétrica sem 
pulso/assistolia na quase totalidade dos casos, quando não há indicação de 
desfibrilação. No entanto o DEA é útil em situações de praias e balneários 
com grande frequência de PCR em fibrilação ventricular (FV), afogamento 
secundário, de pessoas com doença prévia. 
RCP deve ser realizada no local, pois é onde terá maior probabilidade de 
sucesso. 
Nos casos do retorno da circulação espontânea e respiratória, monitore a 
vítima com muita atenção até a chegada da equipe médica, pois ainda não 
esta fora de risco de uma nova parada cardiorrespiratória 
b) quando vale a pena a RCP em afogamento? 
Todos os afogados em PCR com um tempo de submersão inferior a uma 
hora devem receber RCP. Três fatos juntos ou isolados, explicam o maior 
sucesso da RCP nos afogados – o “reflexo de mergulho”, a continuação da 
troca gasosa de O2 - CO2 após a submersão, e a hipotermia. O Centro de 
Recuperação de Afogados (CRA) tem registrados 13 casos de PCR com 
submersão maior do que 7 minutos, sendo 8 com mais de 14 minutos 
ressuscitados com sucesso (2003). 
Todos os casos de PCR que não apresentem rigidez cadavérica, sinais 
de decomposição corporal ou livores.” 
 
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204 
 
14 EMERGÊNCIAS CLÍNICAS 
 Uma avaliação sistemática e organizada da apresentação inicial da vítima, da 
sua história clínica, dos achados do exame físico e dos resultados de exames 
diagnósticos é fundamental na avaliação das emergências clínicas. 
Esses achados ajudam a determinar quão crítica é a condição da vítima, as 
hipóteses diagnósticas e as estratégias de tratamento. 
A capacidade do socorrista para comunicar-se efetivamente e utilizar o 
raciocínio clínico permite que ele considere todas as etiologias possíveis 
relacionadas aos sintomas apresentados. 
Uma avaliação abrangente da vítima garante intervenções adequadas e 
melhores desfechos clínicos. 
14.1 Acidente vascular Cerebral 
Os termos acidente vascular cerebral (AVC) e acidente vascular encefálico 
(AVE) são usados como sinônimos, porém, anatomicamente não são sinônimos. No 
AVE está envolvida a estrutura denominada encéfalo (composta por cérebro, 
cerebelo, ponte e bulbo), enquanto no AVC está envolvido apenas o cérebro. 
 
Figura 149 - o cérebro. 
Fonte: https://www.todoestudo.com.br/ 
biologia/encefalo 
 
https://www.todoestudo.com.br/
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205 
 
O AVC é a segunda maior causa de morte no mundo, responsável por 4,4 
milhões (9%) do total de 50,5 milhões de mortes a cada ano. Nos Estados Unidos 
(EUA), 795.000 pessoas sofrem um AVC isquêmico ou hemorrágico por ano. 
Segundo a National Stroke Association 10 % das vítimas de AVC recuperam 
quase completamente, 25% das vítimas de AVC se recuperam com deficiências 
menores, 40% das vítimas de AVC apresentam deficiências moderadas a graves 
que exigem cuidados especiais e 15% morrem logo após o acidente vascular 
cerebral. A longo prazo, 14% dos pacientes com AVE ou AIT (ataque isquêmico 
transitório) terão outro AVE dentro de um ano e 25% em 5 anos. 
No AVC há a interrupção do fluxo de sangue para uma porção do cérebro é 
interrompida. Desta forma, podemos observar sintomas variados pois depende da 
área cerebral acometida. 
 
Fonte 150 - Funções de algumas áreas cerebrais 
Fonte: http://porquesougente.blogspot.com/2014/01/a-funcao-vicariante-do-cerebro.html 
 
Os acidentes vasculares cerebrais podem ser: 
a) isquêmico: corresponde a aproximadamente 80% dos casos de AVC, mesmo 
em casos de vítimas hipertensas. 
b) hemorrágico: corresponde a aproximadamente 20% dos casos de AVC. 
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206 
 
 
Figura 151 - AVE isquêmico X hemorrágico 
Fonte: http://neuroser.pt/2015/09/14/tipos-de-avc/ 
 
O Ataque isquêmico transitório (AIT) corresponde a uma situação de isquemia 
assim como o AVC isquêmico, porém com durabilidade dos sintomas de menos de 
24h. 
A prevenção de AVCs pode ser dividida em: 
a) Prevenção primária descreve a prevenção de um primeiro AVC isquêmico. 
b) Prevenção secundária abrange a prevenção de AVC entre sobreviventes de 
AVC isquêmico ou AIT. 
Prevenções de AVC primárias e secundárias incluem redução do fator de 
risco cardiovascular e tratamentos de condições específicas que causam acidente 
vascular cerebral, como fibrilação atrial e estenose da artéria carótida. Os quatro 
principais fatores de risco tratáveis para o AVC são hipertensão, diabetes mellitus, 
tabagismo e hipercolesterolemia. Existem também fatores de risco não modificáveis, 
como idade, sexo, etnia e predisposição genética. Embora não seja modificável , a 
identificação de pessoas com alto risco de acidente vascular299 
20.9.1 Rolamento 90°................................................................................................. 299 
20.9.2 Rolamento 180° .............................................................................................. 302 
20.9.3 Elevação a Cavaleiro ..................................................................................... 305 
20.9.4 Colocação do colar cervical – orientações ................................................. 307 
20.9.5 Fixação da vítima na prancha com os cintos ............................................. 308 
20.10 Transporte da prancha com 03 socorristas .................................................... 309 
20.11 Transporte da prancha com 04 socorristas ..................................................... 310 
ANEXO 01 - NORMAS PARA O ATENDIM D A A D 
ACIDENTES COM MATERIAL BIOLÓGICO NAS VIATURAS DE APH DO CBMERJ 
- NOTA DGS 129/2019 – PUBLICADO NO BOLETIM DA SEDEC / CBMERJ 
NÚMERO: 028, EM 11/02/2019 FOLHAS 11 E 12 ....................................................... 313 
ANEXO 02 - PORTARIA MS Nº 2048/2002 DO MINISTÉRIO DA SAÚDE .............. 316 
ANEXO 03 - ORAÇÃO DO CURSO DE SOCORRISTA .............................................. 323 
ANEXO 04 - HERÁLDICA DA ESPECIALIZAÇÃO ....................................................... 324 
CORPO DE BOMBEIROS MILITAR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO 
 
12 
 
OBJETIVO 
Este presente manual tem por objetivos: 
a) apresentar os mais diversos cenários de Atendimento Pré-Hospitalar (APH) e 
as peculiaridades pertinentes as etapas básicas de socorro; 
b) auxiliar na formação das instruções de APH, nas abordagens clínicas, 
traumáticas e de desastres; 
c) proporcionar o apoio técnico científico para as condutas e intervenções 
necessárias para cada caso encontrado; 
d) estimular o raciocínio clínico e a avaliação crítica diante de uma vítima e nas 
tomadas de decisão que implicam o APH. 
CORPO DE BOMBEIROS MILITAR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO 
 
13 
 
FINALIDADE 
A atividade pré-hospitalar é caracterizada por suas particularidades diante de 
diversos fenômenos de acidentes. O cenário de atuação está fora dos perímetros de 
segurança de um ambiente hospitalar. 
Além do atendimento direcionado a vítima, no APH o Bombeiro Militar tem 
que estar atento para a sua própria segurança na cena, de sua equipe e da vítima. 
Deve se preocupar com a exposição aos riscos biológicos promovidos por sangue e 
secreções oriundos das vítimas, bem como usar equipamentos de proteção 
individual, quando a vítima estiver impossibilitada de sair por meios próprios como, 
por exemplo, em um caso de encarceramento ou espaço confinado. 
Apesar de todas essas variáveis, o cenário do APH não necessita em todos 
os aspectos que sejam executados por um profissional da área de saúde. É possível 
capacitar, dentro dos limites legais de suporte básico de vida, Bombeiros Militares 
que sejam especializados com o título de Socorrista. 
Entretanto, o socorro especializado é o elo da corrente da sobrevivência que 
envolve o profissional de saúde. No CBMERJ temos uma multidisciplinaridade de 
profissionais que atuam no APH e que necessitam de atualização e norteamento das 
condutas. Respeitando os princípios e preferências de acordo com a lei do exercício 
profissional de cada categoria, este manual também apresenta informações que 
contemplam ações pertinentes às condutas de saúde. Sendo assim, uma ferramenta 
didática na sedimentação da doutrina executada Diretoria de Socorro e Emergência 
(DSE) para as configurações avançadas, intermediárias e básicas no CBMERJ. 
 
CORPO DE BOMBEIROS MILITAR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO 
 
14 
 
REFERÊNCIA NORMATIVA E BIBLIOGRÁFICA 
As normas e bibliografias abaixo contêm disposições que estão relacionadas 
com este manual. 
 
- Assistência ao Parto e Nascimento Diretrizes para o cuidado multidisciplinar – 
Prefeitura de Belo Horizonte – MG 2015. 
 
- Brasil, portaria MS Nº2048, de 5 de novembro de 2002. 
 
- Brasil, portaria MS Nº2395, de 11 de outubro de 2011. 
 
- Brasil, Agência Nacional de Saúde Suplementar. Diretrizes Assistenciais em 
Saúde Mental na saúde Suplementar. Rio de Janeiro: ANS,2008. Disponível 
em:. 
Acesso em: 05 Mar. 2019. 
 
- Decreto Nº 41.308 De 15 De Maio De 2008 - Atribui À Subsecretaria De 
Defesa Civil Através Do Corpo De Bombeiros Militar Do Estado Do Rio De 
Janeiro As Atividades Concernentes À Administração E Operação 
Atendimento Móvel De Urgência. 
 
- AMLS (advanced medical life support) Atendimento Pré-hospitalar às 
Emergências Clínicas -1ª edição - editora Elsevier, 2014. 
 
- American Heart Association. Atualizações das Diretrizes de RCP e 
ACE. EUA: American Heart Association, 2010. 03- 04 p.Disponível 
em: .Acesso em: 09 mai. 2017. 
 
- American Heart Association. Atualizações das Diretrizes de RCP e 
ACE. EUA: American Heart Association, 2015. 4 p.Disponível 
em: .Acesso em: 09 mai. 2017. 
 
- A.Schmidt, D. Szpilman, I. Berg,J. Sempsrott, P. Morgan; A call for 
theproperactionondrowningresuscitation.: 
Acesso em 06 de junho de 2017. 
 
- Brasil, Escola Nacional de Saúde Públicacerebral pode se 
beneficiar de intervenções específicas e tratamento rigoroso de fatores de risco 
modificáveis. 
 
 
CORPO DE BOMBEIROS MILITAR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO 
 
207 
 
Avaliação: 
 Na avaliação da vítima de AVC podemos usar a escala pré -hospitalar de 
Cincinnati, a qual avalia 3 parâmetros: força muscular, fala e simetria facial, onde um 
dos 3 parâmetros alterados indica uma alta probabilidade de AVC. 
 
Figua 152 - AVC 
Fonte: American Heart Association®, 2015 
 
 
 
Figura 153 - Escala pré-hospitalar de cincinnati 
Fonte: http://hermandadebomberos.ning.com/m/group/discussion?id=3481697%3ATopic%3A1902288 
 
CORPO DE BOMBEIROS MILITAR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO 
 
208 
 
O tratamento dom AVC é baseado nos sintomas mantendo a vítima estável 
até a chegada no hospital, onde se considerará o tratamento medicamentoso ou 
invasivo conforme a necessidade. 
14.2 Dor torácica 
A dor torácica é uma queixa comum que as vítimas adultas podem apresentar 
em todos os contextos da prática clínica. 
Na ausência de trauma, a dor torácica é um sintoma de um problema ou 
condição subjacente que pode variar de fatal a benigna. A dor torácica não-
traumática está entre os motivos mais comuns pelos quais os pacientes procuram 
atendimento médico. 
A avaliação de pacientes com dor torácica em todos os locais de prática, 
incluindo o departamento de emergência, é um desafio, pois há várias causas 
possíveis para a dor no peito, algumas das quais podem ser fatais. Em alguns 
casos, a dor no peito pode ser crônica; tipicamente, a dor torácica é um sintoma 
agudo de apresentação que necessita de avaliação rápida e cuidadosa pelos 
socorristas. 
A doença cardiovascular, incluindo a doença cardíaca isquêmica, é a principal 
causa de morte em homens e mulheres nos EUA e no mundo. Mais da metade das 
mortes que ocorrem como resultado de doenças cardíacas são em homens. A 
doença cardíaca é um termo usado para descrever várias condições, muitas das 
quais estão relacionadas ao acúmulo de placa de ateroma nas paredes das artérias 
coronárias. 
CORPO DE BOMBEIROS MILITAR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO 
 
209 
 
 
Figura 154 - Formação da placa de ateroma 
Fonte: http://obesidade98.blogspot.com/2013/11/doencas-relacionadas-obesidade.html 
 
Todos os anos, aproximadamente 2 milhões de americanos têm um ataque 
cardíaco ou acidente vascular cerebral e, como resultado dessas condições, mais de 
600.000 morrem de doenças cardiovasculares. Devido ao fato de que a dor torácica 
é um sintoma comum de doença cardíaca, a dor torácica aguda deve sempre ser 
considerada de natureza cardiovascular até que se prove o contrário. 
Dor torácica geralmente cai em duas grandes categorias: dor torácica 
cardíaca e não cardíaca. 
 
CORPO DE BOMBEIROS MILITAR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO 
 
210 
 
 
Figura 155 - Causas de dor torácica 
Fonte: Fonte: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0066-782X2002001700001 
 
Isquemia, lesão ou infarto do miocárdio é a categoria na qual uma interrupção 
no fluxo sanguíneo para o coração, até certo ponto, causa dor torácica cardíaca. É 
sinônimo de angina de peito e é uma preocupação para todas as vítimas que 
apresentam dor torácica até que haja um grau razoável de certeza clínica 
estabelecida por um clínico que a dor no peito é originada de uma fonte não 
cardíaca. 
Outras causas cardiopulmonares de dor torácica podem incluir doenças da 
aorta, pneumonia, embolia pulmonar, pleurisia e pneumotórax, e essas condições 
podem ser fatais e causar sérios danos aos pacientes se não diagnosticados e se 
CORPO DE BOMBEIROS MILITAR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO 
 
211 
 
houver atraso no tratamento. 
As condições não cardiopulmonares subjacentes que podem apresentar dor 
torácica incluem doenças gastrointestinais; problemas musculoesqueléticos; e 
problemas psicológicos, incluindo ansiedade/ataques de pânico, depressão e uso de 
cocaína. 
A síndrome coronariana aguda (SCA) é uma constelação de sinais e sintomas 
clínicos que englobam isquemia miocárdica, lesão e infarto. 
A SCA pode resultar em lesão ou necrose cardíaca reversível ou irreversível. 
Devido à natureza de alto risco do SCA, a American Heart Association (AHA) e o 
Colégio Americano de Cardiologia (ACC) atualizaram recentemente as diretrizes 
práticas e a medida de desempenho para ajudar os médicos a aderir a um padrão 
de tratamento para vítimas que apresentam sintomas de SCA. 
 
 
Figura 156 - Obstrução da artéria coronária por placa de ateroma 
Fonte: http://www.ojornalzinho.com.br/2017/11/17/existe-vida-ativa-apos-o-infarto-agudo-do-miocardio/ 
 
Além disso, a dor torácica não-cardíaca pode ter características semelhantes 
à dor torácica cardíaca e também possui múltiplas causas que exigem avaliação 
cuidadosa. Durante a avaliação inicial, o socorrista pode determinar que a SCA é 
menos provável que outras causas não cardíacas de dor torácica, mas deve ser 
considerada. 
CORPO DE BOMBEIROS MILITAR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO 
 
212 
 
O mnemônico CHEST PAIN é frequentemente usada para lembrar algumas 
das causas comuns de dor torácica não cardíaca: 
C (costocondrite, abuso de cocaína) 
H (herpes zoster, hiperventilação) 
E (esofagite / espasmo esofágico ) 
S (estenose da valva aórtica) 
T (trauma) 
 
P (embolia pulmonar, pneumonia, pneumotórax, pericardite, pancreatite) 
A (angina / dissecção aórtica / aneurisma da aorta) 
I (infarto / doença do disco intervertebral) 
N (distúrbios neuropsiquiátricos, isto é, ansiedade e depressão). 
 
Avaliação: 
A precisão do diagnóstico requer cuidadosa atenção à história, especialmente 
aos atributos da dor, para determinar as causas cardíacas da dor. 
O uso do mnemônico PQRST ajuda na avaliação dos sintomas que podem 
indicar dor torácica de origem cardíaca: 
P (provoca/palia/fatores precipitantes) 
Q (qualidade) 
R (região/irradiação) 
S (gravidade/sintomas associados) 
T (tempo de duração) 
No entanto, nem a qualidade nem a intensidade da dor torácica são atributos 
suficientes para decidir ou descartar uma causa cardíaca subjacente. 
Fatores de risco são considerações importantes na obtenção do histórico da 
CORPO DE BOMBEIROS MILITAR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO 
 
213 
 
vítima. 
- idade/sexo (55 anos ou mais em homens ou 65 anos ou mais em mulheres). 
- DAC conhecida, doença vascular oclusiva ou doença cerebrovascular. 
- dor que piora com o exercício. 
- dor não reprodutível por palpação. 
- suposição da vítima de que a dor é de origem cardíaca. 
O socorrista pode ser o primeiro a identificar e documentar os fatores de risco 
associados à doença cardíaca. 
Fatores como hipertensão, hipercolesterolemia, diabetes, dieta, exercício, 
obesidade, uso de tabaco e álcool, a história familiar, a idade, o sexo e a etnia são 
características que podem predispor uma vítima a uma doença cardíaca. 
Portanto, é importante determinar os pacientes com risco de DAC que 
possam estar apresentando sinais e sintomas de SCA. 
Dor torácica aguda (subesternal, pode irradiar para o braço esquerdo, 
ombros, costas, pescoço, mandíbula ou abdome) pode ser o principal sintoma; no 
entanto, pode não estar presente de todo ou pode ser de natureza vaga. Outros 
sintomas de SCA devem ser avaliados, incluindo os seguintes: 
a) dor subesternal que ocorre com o esforço e alivia com o repouso 
b) dor no peito com duração de 20 minutos ou mais 
c) pressão no peito 
d) sensação de um objeto pesado no peito 
e) dor no peito irradiando para as costas, pescoço, mandíbula, braço esquerdo 
ou ombro, braço direito ou dorso 
f) dor no peito afetada pela inspiração 
g) dor torácica não reproduzível com palpação torácica 
h) diaforese de acompanhamento 
i) dor iniciada por estresse, exercício, grandes refeições, sexo ou qualquer 
atividade que aumente a demanda de sangue pelo coração 
CORPO DE BOMBEIROS MILITAR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO214 
 
j) fadiga 
k) fadiga extrema ou edema após o exercício 
l) falta de ar 
m) sinal de Levine: Desconforto no peito descrito como um punho cerrado sobre 
o esterno (a vítima apertará o punho e o apoiará sobresseu esterno) 
n) angor animi: Medo de morte iminente 
o) dor alta no abdômen ou no peito, náuseas e fadiga extrema após o exercício, 
dor nas costas e edema podem ocorrer em qualquer pessoa, mas são mais comuns 
em mulheres 
p) náusea, tontura ou tontura 
Mulheres, idosos, pacientes com diabetes ou pacientes com história de 
insuficiência cardíaca podem apresentar sintomas mais sutis, muitas vezes sem dor 
torácica intensa, o que torna o diagnóstico muito mais desafiador e pode levar a 
atrasos no tratamento. Os sintomas incluem falta de ar, fadiga, letargia, indigestão, 
ansiedade ou distúrbios do sono. Se houver dor no peito, ela pode ser atípica e ser 
relatada como dormência, ardor ou dor aguda. 
 
 
Figura 157 - Locais comuns de dor torácica relacionada com SCA 
Fonte: https://slideplayer.com.br/slide/3998569/ 
CORPO DE BOMBEIROS MILITAR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO 
 
215 
 
O ECG de 12 derivações é o teste de escolha na avaliação inicial de 
pacientes com dor torácica. A AHA/ACC recomenda que os pacientes que 
apresentem sintomas de dor torácica aguda tenham um ECG de 12 derivações 
realizado e interpretado por um profissional de saúde dentro de 10 minutos da 
chegada do paciente ao pronto-socorro. 
14.3 Insuficiência Respiratória Aguda 
A insuficiência respiratória aguda (IRA) é caracterizada por um início súbito de 
dificuldade respiratória. Ocorre quando os pulmões não conseguem manter uma 
troca adequada de oxigênio e dióxido de carbono para atender às necessidades 
metabólicas do corpo. 
 
A IRA é classificada como: 
a) hipoxêmica (oxigênio insuficiente). 
b) hipercápnica (dióxido de carbono em excesso). 
Pode resultar de movimentos respiratórios inadequados, redução do nível de 
oxigênio nos alvéolos e/ou fluxo sanguíneo pulmonar deficiente. 
 
CORPO DE BOMBEIROS MILITAR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO 
 
216 
 
 
Figura 158 - Musculos respiratórios 
Fonte: https://momentofisioex.wordpress.com/tag/musculos-respiratorios/ 
 
 
Condições como pneumonia, doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), 
síndrome do desconforto respiratório agudo (SDRA) e insuficiência cardíaca 
congestiva (ICC) geralmente levam à IRA. 
Nos Estados Unidos, o número de hospitalizações por IRA aumentou para 
aproximadamente 2 milhões por ano. Embora tenha sido observada uma redução na 
mortalidade hospitalar, a IRA ainda carrega um custo anual de mais de US $ 50 
bilhões. 
Devido aos dois tipos diferentes de IRA, o conhecimento da causa fisiológica 
da IRA é crucial para a seleção de tratamentos apropriados. O manejo direcionado 
da IRA depende da extensão e da duração dos sintomas, mas o socorrista deve se 
concentrar no fornecimento de suporte aos sintomas até que a causa subjacente da 
IRA possa ser identificado e tratado. 
Respiração, o ato de inalar e exalar o ar para transportar oxigênio para os 
alvéolos pulmonares, inclui (a) ventilação, (b) oxigenação, (c) perfusão, (d) relação 
ventilação / perfusão. 
CORPO DE BOMBEIROS MILITAR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO 
 
217 
 
A ventilação, o movimento do ar para dentro e para fora dos pulmões através 
da inspiração e expiração, é afetada pela complacência e resistência das vias 
aéreas. A oxigenação envolve a troca de dióxido de carbono e oxigênio nos 
alvéolos. 
A perfusão é o movimento do sangue através dos capilares pulmonares. A 
relação ventilação / perfusão engloba o equilíbrio entre a quantidade de ar que 
chega aos alvéolos (ventilação) e a quantidade de sangue que chega aos alvéolos 
(perfusão). 
 
Figura 159 - Troca gasosa no alvéolo 
Fonte: https://www.infoescola.com/sistema-respiratorio/hematose-pulmonar/ 
 
Esses processos envolvem as vias aéreas condutoras (nariz, faringe, laringe, 
traqueia, brônquios, bronquíolos e bronquíolos terminais), alvéolos (pequenos sacos 
dentro dos pulmões onde ocorre a troca gasosa), circulação pulmonar (porção do 
sistema cardiovascular que oxigena o sangue), e bomba respiratória (tórax, 
musculatura respiratória e sistema nervoso). Eles são regulados por sistemas de 
controle neurológicos, químicos e mecânicos dentro do corpo, e a disfunção em 
qualquer um desses sistemas de controle pode levar ao IRA. 
A IRA hipoxêmica ocorre em condições que causam atelectasia pulmonar e 
naquelas que levam a líquido nos pulmões, como edema pulmonar, pneumonia, 
hemorragia alveolar, Síndrome da Insuficiência Respiratória Aguda (SDRA). 
CORPO DE BOMBEIROS MILITAR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO 
 
218 
 
A IRA hipercápnica ocorre quando há hipoperfusão dos músculos 
respiratórios durante os estados de choque, bem como quando ocorrem processos 
no sistema nervoso central (SNC), nos nervos periféricos, nos músculos, na junção 
neuromuscular ou no mau funcionamento dos alvéolos. Estas condições incluem: 
depressão do SNC (overdose de drogas, acidente vascular cerebral), infecções ou 
transecção da medula espinhal, fraqueza do nervo periférico (síndrome de Guillain-
Barré), deformidades da parede torácica, fraqueza muscular (miastenia gravis, 
hipocalemia, hipofosfatemia) e hipoventilação alveolar (DPOC, fibrose cística, 
obstrução das vias aéreas, fibrose pulmonar). 
A IRA é a causa mais frequente de internação de pacientes internados na 
unidade de terapia intensiva, com 2,5% dos casos necessitando de suporte 
ventilatório. A IRA requer um tempo médio de internação hospitalar de 7,1 dias e 
resulta em mais de 350 mil mortes hospitalares a cada ano. As etiologias mais 
comuns observadas em pacientes hospitalizados com IRA incluem: pneumonia, ICC, 
DPOC, SDRA, asma, ingestão de drogas, trauma e sepse. As taxas de mortalidade 
foram maiores nas vítimas com 85 anos de idade ou mais. 
 
Avaliação: 
Os sinais clínicos de desconforto respiratório agudo geralmente são 
inespecíficos, mas a detecção precoce por meio de avaliação abrangente pode 
ajudar a prevenir a progressão para IRA. 
Taquipneia e falta de ar são frequentemente os primeiros sinais de 
desconforto respiratório. As indicações clínicas de piora da condição incluem 
batimentos de asas do nariz, uso de músculos acessórios, movimentos abdominais 
paradoxais, fase expiratória prolongada, grunhidos expiratórios, cianose, diminuição 
da oximetria de pulso, apesar de aumentar a administração de oxigênio suplementar, 
ansiedade, sons pulmonares diminuídos, incapacidade de falar frases completas, 
posicionamento em tripé para expandir ainda mais o peito, sentimentos de desgraça 
iminente e estado mental alterado. 
Além da apresentação clínica, a oximetria de pulso, os gases sanguíneos 
arteriais e a capnografia são importantes medidas fisiológicas a considerar. 
CORPO DE BOMBEIROS MILITAR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO 
 
219 
 
Os objetivos do tratamento para IRA dependem de sua causa fisiopatológica, 
mas devem ter como objetivo tratar a causa subjacente da insuficiência respiratória, 
melhorar a oferta de oxigênio aos tecidos, diminuir a demanda de oxigênio nos 
tecidos, reduzir a produção de dióxido de carbono, promover a eliminação de dióxido 
de carbono e limitar as terapias prejudiciais. O tratamento da causa subjacente pode 
incluir antibióticos (infecção), esteroides e broncodilatadores (asma aguda, DPOC), 
medicações para reverter alterações do SNC ou problemas nos nervos periféricos 
que causaram a insuficiência respiratória (isto é, Narcan para uma dose excessiva 
de benzodiazepínicos). 
A liberação de oxigênio para os tecidos pode ser melhorada pela aplicação de 
oxigênio suplementar através de dispositivos de baixo fluxo, dispositivos de alto fluxo 
ou não invasivos, ou venti lação mecânica invasiva. O suporte do ventilador pode ser 
necessário para pacientes com insuficiência respiratória grave ou hipóxica com 
fadigarespiratória progressiva. Além da suplementação de oxigênio, é importante 
manter a hemoglobina e otimizar o débito cardíaco, bem como reduzir a febre e 
controlar a sepse, a fim de diminuir a demanda de oxigênio pelos tecidos. 
A produção de dióxido de carbono pode ser reduzida, controlando o excesso 
de atividade motora (anticonvulsivantes para convulsões). A eliminação do dióxido 
de carbono pode ser promovida aumentando-se o drive respiratório (reduza os 
sedativos; forneça estimulantes do SNC) e melhore a mecânica pulmonar. 
Posicionamento vertical, analgésicos para dor torácica, broncodilatadores e 
higiene brônquica para resistência das vias aéreas e intervenções para reduzir a 
distensão abdominal podem melhorar a mecânica pulmonar. Além disso, o 
desempenho muscular respiratório pode ser melhorado, garantindo oxigenação 
adequada e perfusão tecidual, corrigindo anormalidades eletrolíticas e administrando 
medicamentos para melhorar a contratilidade diafragmática. Cuidado especial deve 
ser dado para limitar terapias que podem potencialmente danificar o tecido 
pulmonar, como o uso de altas concentrações de oxigênio por períodos prolongados 
e a falha na implementação de estratégias de ventilação protetora do pulmão. 
 
CORPO DE BOMBEIROS MILITAR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO 
 
220 
 
14.4 Abdome agudo 
Abdome agudo pode ser definido como um início súbito ou espontâneo de dor 
abdominal não traumática grave com duração superior a 6 horas e tipicamente 
inferior a 24 horas, o que pode estar associado à patologia intra-abdominal 
potencialmente fatal em uma pessoa relativamente saudável. 
O abdome agudo pode ser causado pela progressão de distúrbios não-
traumáticos que são benignos ou autolimitados a condições que requerem 
intervenção cirúrgica emergente. 
Um histórico completo e exame físico focado será a base dos diagnósticos e 
tratamento de uma queixa abdominal aguda que se apresenta. 
A dor abdominal aguda (DAA) tem sido geralmente definida como dor 
abdominal não traumática de duração limitada. É o diagnóstico mais comum para 
consultas de pronto-socorro, respondendo por aproximadamente 7,7% de 130 
milhões de consultas de emergência em 2013. É também o diagnóstico número um 
listado para atendimentos de emergência em mulheres de 15 a 65 anos e o terceiro 
principal diagnóstico em homens e mulheres com mais de 65 anos que se 
apresentam ao Departamento de emergência (DE). 
A incidência de adultos apresentando sintomas de DAA ao DE aumentou 
constantemente nas últimas duas décadas. Casos não-cirúrgicos de dor abdominal 
são responsáveis por quase 30% das internações hospitalares. 
O principal sintoma em um abdome agudo é a dor. Embora muitos casos 
sejam benignos, um rápido início de dor severa pode indicar um sério problema 
médico. Os diagnósticos diferenciais de dor abdominal podem ser um desafio e, 
portanto, o tipo e a localização da dor são indicadores da direção a tomar ao 
estreitar um diagnóstico. Nem toda dor é a mesma; os diferentes tipos estão 
enraizados no nosso desenvolvimento embriológico e são expressos de maneira 
diferente, dependendo do órgão ou estrutura inervada. A dor pode ser causada por 
infecção, inflamação, obstrução, contração muscular ou diminuição do fluxo 
sanguíneo para os órgãos. 
O tipo e localização da dor é uma ferramenta de diagnóstico útil. A dor 
CORPO DE BOMBEIROS MILITAR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO 
 
221 
 
visceral origina-se da inervação de nociceptores dentro dos órgãos abdominais que 
respondem a estiramento e contração, distensão ou isquemia, como gases, inchaço 
e oclusão microvascular. Essa dor é muitas vezes difícil de identificar, caracterizada 
como incômoda, dolorida, cólica, corrosiva, vaga e criando uma sensação 
nauseante. 
A dor visceral na área epigástrica superior do abdome pode refletir distúrbios 
do estômago, duodeno, pâncreas e fígado. 
A dor umbilical pode indicar distúrbios do intestino delgado, do cólon superior 
ou do apêndice. 
A dor visceral suprapúbica do abdome inferior pode estar relacionada ao 
cólon inferior ou a problemas na aorta, na bexiga ou nos rins. 
A dor somática é descrita como aguda, penetrante e localizada e é 
desencadeada pela estimulação dos nervos que revestem a cavidade peritoneal. 
Sangue ou irritantes químicos de um intestino perfurado ou gravidez ectópica 
rotura podem levar a peritonite, um abdômen agudo doloroso e uma condição de 
risco de vida se o tratamento for retardado. 
A dor referida é uma percepção de dor distante da fonte. Alguma dor 
abdominal pode ser referida, ou sentida em outra área devido à irritação da mesma 
distribuição nervosa. Exemplos de dor referida são pedras nos rins que são sentidas 
na virilha e ar ou sangue livres causando irritação no diafragma que pode ser sentido 
no ombro. 
Um estômago perfurado, intestino ou apêndice rompido, gravidez ectópica e 
aneurisma da aorta abdominal são emergências cirúrgicas que ameaçam a vida, 
exigindo diagnóstico e tratamento urgentes. A obstrução intestinal e a pancreatite 
também podem se apresentar como um abdome agudo, exigindo diagnóstico 
imediato e tratamento médico para evitar a deterioração do estado da vítima. 
O tempo de início da dor e gravidade pode determinar a progressão. Um 
início de dor grave e súbito pode indicar uma catástrofe intra-abdominal, como 
aneurisma de aorta abdominal dissecante ou roto, úlcera perfurada ou torção 
intestinal. Início gradual e insidioso da dor pode ser observada com doença 
inflamatória e infecções, bem como obstruções mecânicas, como volvo e isquemia 
CORPO DE BOMBEIROS MILITAR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO 
 
222 
 
mesentérica por oclusões. 
A dor referida e os padrões de dor podem ser diagnósticos, mas qualquer dor 
persistente deve causar preocupação por um processo potencialmente fatal. 
Observar os fatores de esforço ou alívio também pode ajudar a levar a um 
diagnóstico. A dor abdominal aliviada ou exacerbada pela ingestão de alimentos 
gordurosos ou condimentados pode indicar doença da vesícula biliar ou úlcera 
péptica. 
A dor exacerbada por movimentos, deambulação ou tosse pode ser indicativa 
de irritação peritoneal do líquido livre no abdome. 
A dor abdominal acompanhada pelo tempo de início dos sintomas 
associados, como náuseas, vômitos, diarreia ou retenção urinária, também pode 
indicar uma patologia intra-abdominal primária e ajudar a restringir a lista diferencial. 
Em um abdome agudo, a dor geralmente precede o vômito, mas não em 
todos os casos. O vômito deve ser avaliado quanto à presença de sangue ou bile. O 
vômito é raramente visto em obstruções do intestino grosso, mas está quase sempre 
presente nas obstruções do intestino delgado, que podem progredir para êmese 
feculenta à medida que a obstrução progride. A diarreia é comum com queixas 
abdominais, mas é grave em condições que podem causar um abdome agudo, como 
isquemia mesentérica, apendicite e obstruções no cólon e no intestino. 
A ausência de ruídos intestinais, incapacidade de transmitir flatulência e 
sangue nas fezes pode indicar condições que podem levar a abdome agudo. 
Avaliação: 
Uma abordagem estruturada deve ser usada com qualquer vítima com dor 
abdominal. Um histórico completo e um exame físico são uma prioridade e 
orientarão o gerenciamento geral e determinarão os testes laboratoriais e 
diagnósticos necessários para descartar qualquer causa de risco de morte. 
A história médica, cirúrgica e social anterior deve ser consultada a partir das 
vítimas não anestesiadas. Uma história prévia de cirurgia abdominal em vítimas com 
abdome agudo levanta preocupações de obstrução por aderências. Condições 
médicas subjacentes, como desequilíbrios metabólicos, ingestões tóxicas, doenças 
autoimunes, cetoacidose diabética e uso de drogas ilícitas, podem afetar o coração, 
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223 
 
a integridade do trato gastrointestinal(GI) e a obstrução da circulação arterial 
mesentérica, que pode resultar no sangramento GI, diminuição da motilidade e 
isquemia intestinal. 
Uma apresentação atípica de dor abdominal é de maior preocupação em 
vítimas que abusam de narcóticos, vítimas com by-pass gástrico, e aqueles que são 
imunocomprometidos devido a medicação ou patologia do sistema imunológico 
subjacente. 
Uma vítima com aparência tóxica pode apresentar estado mental alterado, ser 
ansioso, diaforético, com dor intensa, ter abdome distendido e rígido, com dor 
intensa, indicando a possibilidade de abdome cirúrgico e sinais de choque. Esta 
apresentação garante a estabilização imediata, avaliação cirúrgica e diagnóstico 
adicional. 
A avaliação começa com uma história de apresentação da doença e uma 
avaliação da dor em termos de localização, qualidade ou caráter, início, intensidade, 
presença de radiação, duração, progressão, fatores exacerbantes e atenuantes, 
bem como determinar a presença de sintomas associados, revendo a história 
médica e cirúrgica e a realização de um exame físico completo. A avaliação física 
envolve a avaliação da aparência geral da vítima, sinais vitais e avaliação do 
abdômen por meio de inspeção, auscultação, percussão e palpação. 
Uma inspeção visual focada no abdômen exposto é feita para avaliar a 
presença de massas, pulsações, simetria, cicatrização de lesão ou cirurgia prévia, 
equimose, distensão ou ascite. A ausculta de um abdome agudo pode revelar sons 
intestinais altos, baixos ou ausentes. Frequentemente de baixa utilidade e 
confiabilidade, a ausência de sons intestinais pode ser um sinal tardio indicando íleo 
paralítico, obstrução intestinal ou um achado ameaçador em condições abdominais 
graves. A percussão do abdome pode causar dor na peritonite, bem como 
diferenciar timpanismo entre obstruções do intestino delgado e do intestino grosso. A 
palpação do abdome deve ser realizada com o paciente em decúbito dorsal e os 
joelhos em posição de flexão para ajudar a relaxar os músculos abdominais. 
A palpação ajudará a identificar a localização da dor; determinar a presença 
de uma sensibilidade rígida no abdômen, na proteção e no rebote, todos os quais 
são indicações de um abdome agudo. Além disso, os socorristas devem conhecer os 
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224 
 
principais testes de exame do abdome como por exemplo sinal de Carnett, sinal de 
Murphy, sinal de psoas, sinal do obturador e sinal de Roving entre outros. 
 
 
Figura 160 - Divisão do abdome em nove regiões 
Fonte: https://www.slideshare.net/moniele123456/abdome-agudo-48665584?smtNoRedir=1 
 
14.5 Dor lombar 
Dor nas costas é uma das condições mais comuns para os pacientes que 
procuram tratamento médico. A maioria das pessoas com mais de 18 anos 
experimenta pelo menos um episódio de dor lombar aguda (DLA) durante toda a 
vida. De acordo com os dados do Sistema Nacional de Vigilância de Lesões 
Eletrônicas, a incidência de dor nas costas é de 139 por 100.000 pessoas/ano nos 
Estados Unidos. De acordo com O Centro Nacional de Estatísticas de Saúde 
(NCHS) dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), 28,4% dos 
adultos com mais de 18 anos, sofreu de dor lombar nos últimos 3 meses. Além 
disso, aproximadamente 6 milhões de pessoas anualmente são avaliadas em 
departamentos de emergência (DEs) para dor nas costas. 
 
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225 
 
 
Figura 161 - Divisão da coluna vertebral 
Fonte: https://www.todamateria.com.br/coluna-vertebral/ 
 
Dor nas costas é caro para tratar e gerenciar. Juntamente com alta incidência 
e prevalência, a dor nas costas é a terceira condição médica mais dispendiosa, 
seguida por câncer e doenças cardíacas. O custo do tratamento aumenta 
consideravelmente com a cronicidade. O impacto econômico da dor lombar crônica 
(DLC) inclui diminuição da função e mobilidade que resulta em perda de 
produtividade, altos custos de tratamento e pagamentos por incapacidade. A dor 
DLC é a mais comum causa de incapacidade em americanos com menos de 45 
anos. 
A cada ano, 3% a 4% da população dos EUA está temporariamente 
incapacitada, e 1% da população em idade ativa está incapacitada total e 
permanentemente devido a dores nas costas. A dor lombar (lombalgia) é o segundo 
motivo mais frequente para consulta ambulatorial, a quinta causa mais comum de 
hospitalização, e a terceira razão mais frequente para um procedimento cirúrgico. As 
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226 
 
estimativas do custo do tratamento e manejo da dor nas costas atingiram US $ 100 a 
200 bilhões por ano. 
A DLA é definida como dor com duração inferior a 6 semanas na região 
posterior entre os ângulos costais e as pregas glúteas. Tipicamente, em adultos, o 
primeiro episódio de lombalgia ocorrerá entre as idades de 20 e 40 anos e se 
resolverá dentro de 6 a 12 semanas. 
Episódios de lombalgia podem ser inespecíficos ou podem ser o resultado de 
uma doença ou lesão subjacente. 
Episódios mais agudos de dor lombar musculoesquelética são autolimitados e 
se resolvem rapidamente, exigindo intervenções mínimas. 
Normalmente, as deformações e entorses das costas são descritas como 
inespecíficas. No entanto, a dor associada à condição pode ser moderada a grave e, 
em alguns casos, debilitante, causando limitação da atividade e mobilidade do 
paciente e perda de tempo do trabalho. Além disso, dentro de 1 a 2 anos, a dor 
lombar recorrente ocorre em aproximadamente 25 a 62% das vítimas. 
A dor que persiste por mais de três meses é definida como DLC. Assim como 
na DLA, a DLC pode estar relacionada a uma condição crônica subjacente. Às 
vezes, a condição crônica subjacente pode ser séria por natureza e, portanto, as 
vítimas merecem uma avaliação clínica cuidadosa. Em muitos casos, a DLC afeta a 
qualidade de vida da vítima. 
É comum que as questões psicossociais desempenhem um papel no 
tratamento de vítimas com lombalgia crônica. Vítimas com dor crônica e persistente 
que não é bem controlada podem apresentar problemas clínicos, psicológicos e 
sociais associados à dor crônica. As consequências da dor não aliviada incluem 
limitações nas atividades diárias, perda de produtividade no trabalho e redução da 
qualidade de vida. As vítimas com DLC também podem experimentar um senso 
reduzido de controle, humor perturbado, autoeficácia negativa, ansiedade e outros 
transtornos mentais, incluindo o transtorno do uso de opióides. Os opióides são 
comumente prescritos para pacientes com DLC, apesar da falta de evidências para 
apoiar a eficácia desses medicamentos. De fato, os opióides são comumente 
prescritos para adultos com dor aguda e crônica. Estima-se que 20% dos pacientes 
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227 
 
atendidos por um prestador de cuidados primários com dor não oncológica obterão 
uma prescrição de opiáceos. 
Avaliação: 
Um histórico de saúde cuidadoso e preciso e exame físico são essenciais 
para todas as vítimas que sofrem de dor nas costas. Uma avaliação completa dos 
sintomas de uma vítima por um médico é essencial para identificar causas 
subjacentes potencialmente graves de dor nas costas. Geralmente, dor nas costas 
pode ser colocada em quatro grandes categorias. São lombalgias inespecíficas, 
incluindo entorses/distensões; dor associada a radiculopatia ou estenose espinhal 
(relacionada com coluna); dor de uma fonte não espinhal, como aneurisma da aorta, 
condições ginecológicas ou renais; e dor associada a outra causa, como câncer, 
artrite ou infecção. 
Vítimas com dores nas costas precisam ser avaliados quanto à presença ou 
ausência de ciatalgia, indicando uma condição mecânica da coluna vertebral, que 
em alguns casos pode ser grave, e indica a necessidade de um encaminhamento de 
especialista. A dor ciática ou neuralgia isquiática é definida como dor nadistribuição 
do nervo ciático frequentemente associada a uma hérnia de disco lombar. É 
importante diferenciar entre a dor na perna e ciática que envolve dor que passa 
abaixo do joelho. 
Os sintomas neurológicos, incluindo déficits motores ou sensoriais 
progressivos nas extremidades, levantam sérias preocupações e podem indicar a 
necessidade de intervenção cirúrgica urgente. As vítimas precisam ser avaliadas 
rapidamente quanto a sinais de síndrome da cauda equina (SCE). A SCE é uma 
condição rara, mas grave, que resulta da pressão e inchaço dos nervos no final da 
medula espinhal. A SCE é uma emergência médica que requer intervenção cirúrgica 
urgente para aliviar a pressão dos nervos espinhais. Sem intervenção de 
emergência, os pacientes com SCE podem apresentar resultados adversos, 
incluindo paralisia, perda controle da bexiga e/ou do intestino, dificuldade de 
locomoção e/ou outros problemas neurológicos e físicos. Embora a SCE seja uma 
condição incomum, é importante que os pacientes sejam examinados rapidamente 
quanto a sinais da doença. Sinais e sintomas incluem disfunção do intestino e da 
bexiga ou retenção urinária, perda do tônus do esfíncter anal, perda de sensibilidade 
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228 
 
nas costas, fraqueza progressiva da perna, ou dormência nas pernas. A diminuição 
do tônus retal pode ser um achado relativamente tardio. 
A avaliação adicional da vítima com dor nas costas inclui um histórico 
completo de qualquer câncer que possa ter metastatizado para os ossos e fatores 
de risco para suspeitas de infecções espinhais. Infecções espinhais são de alta 
suspeita clínica em pacientes que injetam drogas intravenosas (IV) como heroína e 
crack. Um histórico de saúde completo também deve incluir especificamente 
questões sobre a saúde óssea (osteoporose, artrite, fraturas prévias ou lesões), 
febre, perda de peso e qualquer imagem prévia para ajudar a determinar se 
qualquer causa subjacente pode ser identificada. 
O objetivo de uma história focada e exame físico é ajudar aos clínicos a 
estratificar as vítimas em categorias de dor nas costas - não específicas, 
relacionadas à coluna, encaminhadas a partir de fonte não espinhal ou outras 
causas, conforme descrito anteriormente. Os médicos são obrigados a identificar e 
tratar a causa da dor nas costas. Um teste importante para ajudar a identificar uma 
possível hérnia de disco é a elevação da perna reta (EPR). A EPR é um teste de 
triagem utilizado pelos médicos para detectar uma hérnia de disco lombar e tem alta 
sensibilidade e especificidade moderada. O teste é realizado com o paciente 
sentado ou deitado; no entanto, a posição supina é preferida. O joelho é mantido 
estendido enquanto o clínico levanta uma perna de cada vez para avaliar a dor na 
perna posterior que irradia abaixo do joelho causada por irritação ou inflamação do 
nervo ciático. O teste de EPR é positivo apenas quando a manobra provoca dor que 
irradia para abaixo do joelho. 
Não é considerado um teste positivo, indicando uma possível hérnia de disco, 
se a dor permanecer localizada nas costas ou nos músculos isquiotibiais quando a 
perna estiver levantada. Além do EPR, o paciente deve ter força e reflexos nas 
extremidades inferiores avaliadas como parte de um exame físico completo. O 
exame básico de um paciente com dor nas costas inclui a observação do movimento 
e da palpação da coluna vertebral, para sensibilidade, amplitude de movimento das 
costas e extremidades; EPR; e exame neurológico, incluindo reflexos tendinosos 
profundos, força muscular e sensação nas extremidades inferiores. 
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229 
 
14.6 Crise hipertensiva 
Uma crise hipertensiva é um aumento súbito e grave da pressão arterial (PA). 
Existem dois tipos de crises hipertensivas - ambas requerem atenção médica 
imediata. 
A urgência hipertensiva ocorre quando a leitura da PA é igual ou maior que 
180/110 mmHg e permanece lá por duas ou mais leituras dentro de um intervalo de 
10 minutos sem indicação de dano ao órgão final. O paciente hipertenso pode 
ser assintomático ou apresentar sintomas de dor de cabeça, falta de ar ou epistaxe. 
A emergência hipertensiva (anteriormente denominada hipertensão maligna) 
ocorre com uma leitura sistólica persistente da PA (pressão arterial sistólica) de 180 
mmHg ou com uma pressão arterial diastólica (PAD) de 120 mmHg. Os sintomas 
incluem baixo nível de consciência, confusão, estupor, dor torácica e possíveis 
sintomas de acidente vascular cerebral. 
Em geral, a hipertensão, definida como uma leitura da PA superior a 140/90 
mmHg em duas ou mais ocasiões, pode ser atribuída a várias causas, como dor, 
ansiedade, tabagismo, obesidade, uso de drogas ilícitas, uso excessivo de álcool ou 
sal e idade. 
Se a PA não for mantida em uma leitura normal (menor que 140/90), seja 
levemente elevada durante um longo período ou severamente elevada por um curto 
período de tempo, as sequelas podem resultar em infarto do miocárdio, insuficiência 
cardíaca, cardiomiopatia, dissecção aórtica, infarto/hemorragia intracraniana, 
infarto/hemorragia retiniana e lesão/falência renal. O atendimento de emergência 
inicial para adultos com crises hipertensivas é focado no reconhecimento precoce, 
avaliação e início de farmacoterapia de emergência para redução da PA, a fim de 
evitar danos permanentes ao órgão-alvo. 
 
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230 
 
Figura 162 - Valores referência de pressão arterial 
Fonte: https://www.assistenciafarmaceutica.far.br/novos-valores-de-referencia-para-hipertensao-o-que-
mudou/ 
 
Em 2009, a American Heart Association estimou que 77,9 milhões de 
americanos com mais de 20 anos apresentavam algum grau de hipertensão. De 
acordo com os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), a hipertensão 
afeta aproximadamente 32% da população americana, com média de um em cada 
três adultos americanos. 
A hipertensão arterial custa aos Estados Unidos mais de US $ 48 bilhões 
anuais e aumenta o risco de doenças cardíacas e derrames, as principais causas de 
morte nos Estados Unidos. A hipertensão é mais prevalente em adultos com mais de 
55 anos (sexo igual nessa idade), afro-americanos, indivíduos com sobrepeso ou 
obesidade devido à falta de atividade física e alto consumo de sódio e aqueles com 
predisposição genética para a doença. Como apenas 50% dos indivíduos com 
hipertensão têm controle adequado de sua PA, o dano resultante nos órgãos-alvo 
pode ocorrer de maneira marcante com o tempo. 
A maioria dos pacientes que sofrem de crises hipertensivas são pacientes 
hipertensos conhecidos, com controle inadequado. No entanto, crises hipertensivas 
também podem ocorrer de pré-eclâmpsia/eclâmpsia, feocromocitoma, 
aldosteronismo primário, hipertiroidismo, síndrome de Cushing (excesso de 
glicocorticoides) ou distúrbios do sistema nervoso central (trauma cranioencefálico 
ou tumores cerebrais) 
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231 
 
Avaliação: 
A conclusão de um histórico e avaliação precisos é um componente crítico do 
cuidado emergencial. A obtenção de um histórico completo de outras condições 
comórbidas, como hiperlipidemia, diabetes mellitus, doença arterial coronariana, 
doença renal e apneia do sono, é crucial na avaliação de um paciente com crise 
hipertensiva. Além disso, os medicamentos atuais e a obtenção de recordação de 
leituras anteriores da PA ajudarão a determinar a adesão à medicação. 
Todos as vítimas devem ser questionadas quanto ao uso de medicamentos 
de venda livre e outras drogas, incluindo cocaína, metanfetaminas, fenciclidina e 
álcool. Além disso, vítimas que tomam inibidores da monoamina oxidase (IMAOs) 
têm risco aumentado de interação medicamentosa grave, já que o uso combinado 
de inibidores da MAO e outros antidepressivos pode levar a uma reaçãohipertensiva. O uso prolongado de antiinflamatórios não-esteroides, 
descongestionantes, contraceptivos orais e vários produtos fitoterápicos também 
pode levar a uma crise hipertensiva. 
14.7 Convulsões 
Uma convulsão é um evento durante o qual os neurônios do cérebro 
descarregam de forma anormal, causando superestimulação e mudança involuntária 
no movimento, sensação, consciência ou comportamento do corpo. A localização e o 
número de neurônios envolvidos produzem várias apresentações clínicas. A 
morbidade, a mortalidade, a qualidade de vida e as modalidades de tratamento 
variam dependendo da etiologia, duração e recorrência das convulsões. Um sistema 
de classificação ajuda a individualizar a abordagem usada para avaliar e tratar 
convulsões. 
As convulsões são classificadas como provocadas quando ocorre um evento 
de precipitação dentro de 7 dias da atividade convulsiva, como lesão cerebral 
traumática, tumores, distúrbios metabólicos, distúrbios eletrolíticos, síndromes de 
abstinência e doenças como meningite ou encefalite. Convulsões primárias não são 
provocadas e quando recorrentes são definidas como epilepsia. Status epilepticus é 
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232 
 
uma convulsão ativa que dura mais de 5 minutos ou, quando as convulsões são 
consecutivas, durante as quais o paciente não recupera a consciência. O estado 
refratário epilepticus é uma convulsão persistente, apesar da administração 
intravenosa (IV) de duas drogas antiepilépticas. 
Convulsões focais ou parciais são limitadas a um único hemisfério do cérebro. 
Estes podem ter sintomas autonômicos motores, sensoriais ou produzir alucinações 
dependendo da localização no hemisfério cerebral afetado. 
Crises focais simples ocorrem sem comprometimento da consciência. O 
estado mental não é afetado e pode ser precedida por uma aura. 
Crises parciais complexas apresentam uma alteração da consciência e 
podem estar associadas a sensações de medo, paranoia, depressão, euforia ou 
êxtase. Estes podem ser confundidos com distúrbios psicológicos. 
 
Figura 163 - Crises convulsivas 
Fonte: https://hmsportugal.wordpress.com/tag/convulsao/ 
 
 
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233 
 
Convulsões generalizadas se originam de ambos os hemisférios do cérebro e 
podem ou não ser sutis. Podem apresentar contração tônica isolada ou 
enrijecimento do corpo, contrações clônicas ou rítmicas, ou estado atônico com 
perda total do tônus muscular. Uma convulsão tônico-clônica é um tipo grave de 
convulsão que começa com perda súbita de consciência. Distintas fases tônicas e 
clônicas seguem, com um período pós-confuso. Esses pacientes deixarão de 
respirar durante a atividade convulsiva e poderão apresentar anóxia, aspiração ou 
lesão física. As crises de ausência são um tipo de convulsão generalizada com 
lapsos gerais e breves na consciência normalmente durando menos de 10 
segundos. Apresentações atípicas podem durar mais tempo. 
As convulsões mioclônicas são caracterizadas por contrações bruscas 
repentinas e breves envolvendo qualquer grupo de músculos e podem assemelhar-
se a tremores. 
O impacto da epilepsia se estende além da atividade física de apreensão. 
Pode haver um impacto significativo na qualidade de vida, incluindo limitações nas 
atividades diárias, perda da capacidade de dirigir, um estigma social que afeta as 
interações pessoais, dúvidas sobre viver de forma independente, capacidade de ter 
filhos, incerteza sobre situações sociais e de emprego. 
Efeitos colaterais de medicação são frequentemente uma preocupação para 
os pacientes, pois podem causar problemas cognitivos, níveis de energia de 
impacto, desempenho escolar, coordenação de habilidades motoras e função sexual 
prejudicada. 
 
Avaliação: 
A avaliação deve incluir um histórico detalhado. Se a vítima tiver um distúrbio 
convulsivo conhecido, informe-se sobre mudanças recentes na dose de medicação. 
Pergunte se o paciente está fora ou parou de tomar medicamentos devido a efeitos 
adversos. Questionar a privação do sono, aumento de atividade extenuante, 
infecção recente, o abuso de álcool ou de substâncias e doenças que podem levar 
ao desequilíbrio eletrolítico. Estes podem precipitar atividade de apreensão. 
Um exame físico deve enfocar a patência das vias aéreas, a adequação da 
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234 
 
respiração, sinais de hipóxia e sons pulmonares adventícios sugestivos de aspiração 
pulmonar. Verifique se há sinais de lesão que possam ter ocorrido durante a crise, 
como mordedura da língua e lesões no ombro. Um exame neurológico completo e 
exames seriados subsequentes são importantes na avaliação do status epilepticus. 
 
14.8 Aspectos Toxicológicos 
Os transtornos por uso de substâncias têm sido um problema na sociedade 
dos EUA há algum tempo. Em 1970 foi promulgada a Lei de Substâncias 
Controladas, que estabeleceu a Agência Antidrogas (DEA), como uma tentativa de 
controlar o abuso de substâncias nos Estados Unidos. Apesar de tais esforços, o 
problema continua a crescer em um ritmo alarmante. Os Estados Unidos estão 
lidando com uma epidemia de opiáceos. A prescrição de opiáceos para o controle da 
dor é um dos principais fatores que contribuem para essa epidemia. 
A dor como o quinto sinal vital e o foco dos órgãos de acreditação no controle 
da dor está agora sendo questionada. 
O uso de benzodiazepínicos também aumentou e muitos usuários de 
substâncias abusam dos benzodiazepínicos juntamente com os opiáceos. Este 
efeito sinérgico é mais pronunciado no sistema respiratório, causando mais 
frequentemente depressão respiratória, com consequente parada cardíaca e morte. 
A classe ansiolítica das substâncias está se tornando mais popular entre os 
adultos jovens. O álcool cai nesta classe, assim como os benzodiazepínicos, os 
barbitúricos, o rouphynol e o GHB (gama-hidroxibutirato). Os nomes comuns para 
essas substâncias incluem cerveja, vinho, destilados, Xanax, Valium, roofies e Liquid 
X. 
Essas substâncias podem ser ingeridas ou inaladas. Os efeitos do uso dessas 
substâncias incluem desorientação, coordenação deficiente, fala arrastada, dor de 
cabeça, náusea, vômito, diarreia, diminuição do estado de alerta mental, miose, 
hiporreflexia, diminuição dos ruídos intestinais, hipotermia, hipotensão, bradicardia, 
depressão respiratória e inconsciência. 
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235 
 
Os opiáceos são derivados diretamente da papoula do ópio e também pode 
ser de natureza semi-sintética ou sintética. As drogas desta classe são morfina e 
codeína. Os opióides semi-sintéticos são heroína (diacetilmorfina), hidromorfona 
(Dilaudid), oxicodona (Percocet, OxyContin) e hidrocodona (Loricet, Vicodin). Os 
opióides sintéticos são metadona, fentani l, meperidina (Demerol) e propoxifeno 
(Darvocet). Os nomes de ruas comuns para essas drogas são lixo, H, drogas, chute, 
chiba, alcatrão, açúcar mascavo, chiva, cavalo branco, skag, dragão e branco. Essas 
drogas são usadas principalmente por via nasal e injeção intravenosa direta. 
Medicamente, eles são usados como analgésicos, com exceção da heroína. As 
drogas bloqueiam a dor e produzem euforia. Elas são altamente viciantes. 
Os efeitos do uso desses medicamentos incluem diminuição do estado de 
alerta mental, miose, hiporreflexia, hipotermia, hipotensão, bradicardia, diminuição 
dos ruídos intestinais, depressão respiratória e morte. 
Overdoses podem resultar da variabilidade na potência da heroína comprada 
na rua, rápida perda de tolerância após a abstinência e uso concomitante de outros 
depressores do sistema nervoso central, por exemplo, a heroína está agora sendo 
misturada ao fentani l, que é responsável por muitas mortes. 
A classe estimulante de drogas inclui cocaína, crack, anfetaminas, 
metanfetamina e MDMA (metilenodioximetanfetamina).Nomes comuns são coca-cola, golpe, crack, rock, velocidade, cross tops, 
ecstasy, XTC, X, droga do clube, rolos, droga do amor e Adam. Essas drogas podem 
ser inaladas, fumadas, injetadas ou ingeridas. 
Os efeitos do uso dessas drogas são vigilância, falsa sensação de poder, 
taquicardia, pressão arterial elevada (PA), coceira na pele, ranger compulsivo dos 
dentes, taquicardia, perda de peso, alucinações, náusea, insônia e temperatura 
corporal elevada. 
Os nomes comuns para o tetrahidrocanabinol (THC) ou cannabis são 
maconha ou haxixe. 
Os nomes das ruas incluem erva daninha, maconha, grama, broto, juntas, 
golpes de bong, haxixe e óleo de haxixe. Esta classe de drogas é geralmente 
fumada. Os efeitos do uso de cannabis incluem baixa concentração, perda de 
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236 
 
memória a curto prazo, ansiedade e aumento do apetite. 
Embora muitos indivíduos estimulem a liberação do THC para uso, ele causa 
efeitos profundos mais notados no cérebro adolescente. Esta classe de drogas é 
frequentemente usada por adolescentes e outros grupos da sociedade. 
Uma das toxíndromes mais comuns são as anticolinérgicas 
(antimuscarínicas). Esta classe de drogas inclui anti-histamínicos, agentes 
antiparkinsonianos, antipsicóticos, antidepressivos tricíclicos, midriáticos, 
antiespasmódicos e plantas com atropina, por exemplo, Datura stramonium 
(malpitte). Essas drogas são ingeridas, principalmente. 
Os efeitos do uso destas substâncias incluem delírio, pupilas dilatadas, 
convulsões, temperatura elevada, taquicardia, retenção urinária, diminuição dos 
movimentos intestinais, pele seca, vermelhidão da pele, mioclonus, arritmias 
cardíacas. 
As outras toxidromes comuns são as colinérgicas (estimulação dos receptores 
muscarínicos e da nicotina). Agentes comuns são pesticidas organofosforados e 
carbamatos (por exemplo, inseticidas domésticos, de jardim e de fazenda). Essas 
drogas são ingeridas, principalmente. Os efeitos incluem confusão, depressão do 
sistema nervoso central (SNC), miose, convulsões, fasciculações musculares, 
fraqueza muscular (incluindo músculos respiratórios), diaforese, salivação, 
lacrimejamento, broncorreia e doença pulmonar. 
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237 
 
 
Figura 164 - Resumo das principais toxíndromes 
Fonte: https://pinteresst.eu/toxidrome-sketchy-medicine.html 
 
Avaliação: 
Na avaliação de transtornos por uso de substâncias é importante saber 
alguns componentes, que incluem a obtenção de um histórico preciso sobre o tipo 
de substância utilizada, o método de uso, a frequência de uso e a última vez que 
foram usados. 
Também é importante avaliar se o paciente está compartilhando agulhas e 
outras parafernálias, pois tais comportamentos podem levar a outros tipos de 
doenças, como HIV, hepatite A, B e C. Como toxicodependentes também 
apresentam outras comorbidades (psicológicas e/ou médicas), avaliar essas 
comorbidades é fundamental. 
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238 
 
Muitos toxicodependentes têm uma depressão subjacente e podem ser 
suicidas. A avaliação da ideação e plano de suicídio é necessária na avaliação inicial 
e nas avaliações contínuas. 
14.9 Hipo e hiperglicemia 
Hiperglicemia e hipoglicemia são dois termos que se referem a anormalidades 
nos níveis de açúcar no sangue. 
A hiperglicemia ocorre quando o nível de açúcar no sangue é maior que o 
normal para uma vítima e a hipoglicemia é quando o nível de açúcar no sangue é 
menor que o normal. Ambas as condições não são doenças em si, mas estão 
associadas a um maior processo de doença que requer atenção médica imediata. 
Elas estão associadas a diferentes sintomas e ocorrem por diferentes razões. 
Na maioria das vezes, a hiperglicemia e a hipoglicemia são complicações do 
diabetes mellitus, que afeta aproximadamente 9,3% dos americanos. 
A hiperglicemia é um desvio do nível de açúcar no sangue acima do intervalo 
normal. Para indivíduos saudáveis, o nível normal de açúcar no sangue é de 
aproximadamente 70 a 99 mg/dL quando em jejum. O açúcar no sangue pós-
prandial, que é avaliado 2 horas após o consumo de uma refeição, deve ser inferior 
a 140 mg/dl. Açúcar no sangue que é testado e resulta em um número maior do que 
isso é indicativo de hiperglicemia. 
Tanto adultos como crianças podem desenvolver hiperglicemia. É difícil 
avaliar a incidência de hiperglicemia por causa de sua ampla gama de causas. No 
entanto, os níveis de glicose podem variar de 40% a 90% com base no limiar de 
testagem usado para definir a hiperglicemia. 
A hiperglicemia tem múltiplas causas, incluindo estresse, medicamentos 
(esteroides), consumo excessivo de carboidratos, inatividade, doença, infecção e 
cirurgia. 
Na maioria das vezes, é causada por duas complicações graves e 
potencialmente fatais do diabetes mellitus (DM). 
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239 
 
A cetoacidose diabética (CAD) é uma condição aguda que está associada a 
níveis de açúcar no sangue de cerca de 250 a 600 mg/dL, acidose metabólica grave, 
hiperosmolaridade e cetonemia. É mais comumente afeta indivíduos com DM tipo 1, 
mas é frequentemente visto em indivíduos com DM tipo 2. 
O estado hiperosmolar hiperglicêmico (EHH) é semelhante à CAD com sua 
presença de hiperglicemia e hiperosmolaridade. No entanto, o EHH está associado a 
níveis de glicose no sangue superiores a 600 mg / dL, desidratação grave sem 
cetose e é mais frequentemente observado em indivíduos idosos com DM tipo 2. 
Embora a incidência de EHH não seja conhecida, é responsável por menos de 1% 
das hospitalizações de vítimas com DM. A taxa de mortalidade é estimada em 10% a 
20%. 
Tanto a CAD como a EHH são mais frequentemente precipitadas pela falta 
de/ou níveis inadequados de insulina no sangue ou processos infecciosos. Eles 
também podem ser atribuídos a outros estressores corporais, como infarto do 
miocárdio, acidente vascular cerebral ou pancreatite. 
 Os sintomas incluem poliúria, polidipsia, polifagia, náusea, vômito, fraqueza, 
dor abdominal, desidratação, confusão e letargia e/ou coma. 
O tratamento concentra-se na correção da hiperglicemia e nos desequilíbrios 
eletrolíticos, bem como na reidratação. Em circunstâncias extremas, os pacientes 
podem necessitar de um nível crítico de cuidados se forem indicados os exames de 
intubação ou de glicemia por hora. 
A hipoglicemia ocorre quando o nível de açúcar no sangue de um indivíduo 
cai abaixo da faixa normal para 69 mg/dL ou menos. 
Os sintomas incluem diaforese, fome, fraqueza, tontura, tremores, ansiedade, 
convulsões, náuseas e vômitos. Em alguns casos, as vítimas podem até apresentar 
sintomas semelhantes aos do AVC, como visão embaçada, confusão ou fala 
arrastada. 
As causas mais comuns de hipoglicemia são o DM, particularmente quando 
as vítimas diminuem o consumo de alimentos, aumentam os níveis de atividade ou 
sobredosagem com a administração de insulina. Outras causas incluem 
superprodução de insulina após uma refeição, consumo excessivo de álcool, 
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240 
 
anorexia, gravidez, síndrome de dumping e condições médicas que afetam o 
coração, o fígado ou os rins. 
O tratamento para a hipoglicemia baseia-se na causa precipitante da 
diminuição dos níveis de açúcar no sangue. Normalmente, uma dose de 15 g de 
carboidratos, como suco de laranja, aumenta os níveis de açúcar no sangue. 
Produtos de glicose comercialmente preparados também estão disponíveis e podem 
ser usados para hipoglicemia. Entretanto, se uma pessoa não estiver alerta o 
suficiente para consumir glicose oralmente, a dextrose pode ser administrada por via 
parenteral. 
A chave para a prevenção de hiperglicemia e hipoglicemia é a manutenção 
adequada da saúde. As vítimas que estão em risco para essas condições devem ter 
ocuidado de manter a consistência em suas dietas e rotinas de exercícios. Evitar 
carboidratos e açúcares em quantidades excessivas ajudará a evitar a hiperglicemia. 
Monitoramento frequente dos níveis de açúcar no sangue com a adesão a um 
regime de medicação adequado, conforme prescrito por um médico também é 
crucial. 
 
Avaliação: 
 Ao avaliar vítimas com suspeita de hiperglicemia ou hipoglicemia, a avaliação 
e a manutenção das vias aéreas, da respiração e da circulação são de vital 
importância, pois coma e morte são sintomas de ambos. Posteriormente, uma 
aferição da glicemia capilar é crucial para identificar rapidamente hiperglicemia ou 
hipoglicemia. Além disso, eletrólitos séricos, osmolaridade sérica, urinálise, 
hemograma completo, pH, gasometria arterial e eletrocardiograma são necessários 
para ajudar a identi ficar a causa da síndrome e orientar intervenções de enfermagem 
e tratamento. Além disso, se o paciente estiver consciente ou se houver terceiros 
disponíveis, deve-se obter um histórico completo da doença atual, histórico médico, 
histórico cirúrgico e uma lista de medicamentos para coletar informações 
precipitadoras que possam informar uma causa. Uma avaliação adicional deve 
avaliar a adequação da circulação, o nível de atividade, a eliminação, os déficits de 
conhecimento, a dor, o estado fluido e nutricional e o estado respiratório. 
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241 
 
14.10 Cefaleias 
Dores de cabeça podem ser mais complicadas do que a maioria das pessoas 
imagina. Diferentes tipos podem ter seu próprio conjunto de sintomas, ocorrem por 
motivos únicos e precisam de tratamentos diferentes. 
Uma vez que você saiba o tipo de dor de cabeça o médico pode encontrar o 
tratamento que provavelmente ajudará e até mesmo tentar preveni-las. 
Principais tipos de cefaleia: 
a) dores de cabeça de tensão - ipo mais comum de dor de cabeça entre adultos 
e adolescentes, causam dor leve a moderada, alternam os períodos de dor 
e geralmente não têm outros sintomas. 
b) dores tipo enxaqueca - frequentemente descritas como latejante, podem durar 
de 4 horas a 3 dias e geralmente acontecem uma a quatro vezes por mês. Pode 
estar relacionado a outros sintomas, como sensibilidade à luz, ruído ou cheiros; 
náusea ou vômito; perda de apetite; e dor de estômago ou barriga. Uma criança com 
enxaqueca pode parecer pálida, sentir tontura e ter visão embaçada, febre e dor de 
estômago. Um pequeno número de enxaquecas infantis inclui sintomas digestivos, 
como vômitos, que ocorrem cerca de uma vez por mês. 
c) dores de Cabeça em salvas - são as mais graves, pode ter dor intensa por 
queimação retro ou periocular, ser latejante ou constante. Pode ser tão ruim que a 
maioria das pessoas com cefaléias em salvas não conseguem ficar quietas e, muitas 
vezes, andar durante um ataque. pode ocorrer ptose palpebral, vermelhidão e 
lacrimejamento no lado da dor, além de congestão nasal. 
d) dores de cabeça diárias crônicas, tipo de dor de cabeça que dura de 15 dias 
ou mais por mais de 3 meses. Alguns episódios são curtos, outros duram mais de 4 
horas. Geralmente é um dos quatro tipos de dor de cabeça primária: 
- enxaqueca crônica 
- dor de cabeça de tensão crônica 
- nova dor de cabeça persistente diária 
- hemicrania continua 
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242 
 
e) dores de cabeça sinusal, uma dor profunda e constante nas maçãs do rosto, 
testa ou na ponte do nariz. Eles acontecem quando os seios paranasais, ficam 
inflamados. A dor geralmente vem junto com outros sintomas da sinusite, como um 
corrimento nasal, plenitude nos ouvidos, febre e um rosto inchado. Uma dor de 
cabeça sinusal verdadeira resulta de uma infecção sinusal, de modo que a gosma 
que sai do seu nariz será amarela ou verde, ao contrário da descarga clara no 
enxame ou enxaquecas. 
14.11 Avaliação e tratamento das doenças clínicas 
Na avaliação e tratamento das vítimas clínicas devemos utilizar aspectos 
importantes como: 
a) observações inicias 
b) primeira impressão 
c) avaliação detalhada 
d) diagnostico diferencial 
e) (Re) avaliação contínua 
 
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243 
 
 
Figura 165 - Via de avaliação do Advanced Medical Life Support (AMLS) 
Fonte: Advanced Medical Life Support 
 
Observações Iniciais: 
- considerações de Segurança da Cena 
A cena e o potencial para riscos ou ameaças à segurança devem ser 
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244 
 
avaliados de forma contínua. 
- precauções padrão 
As precauções-padrão e o equipamento de proteção individual (EPI) devem 
ser considerados e adaptados à tarefa a ser realizada. 
- apresentação/queixa principal 
A queixa principal é o que a vítima, o familiar ou o amigo relata como 
preocupação inicial. 
- avaliação primária 
Identifica situações que ameaçam a vida e estabelece estratégias imediatas. 
 
 
Figura 166 - Avaliação do estado mental 
Fonte: Advanced Medical Life Support 
 
- primeira impressão 
Está, geralmente, relacionada com a apresentação inicial e sua queixa 
principal. 
- avaliação detalhada 
 Pode-se utilizar o mnemônico OPQRST para ajudar a lembrar as questões 
mais relevantes: 
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245 
 
O início – O que estava fazendo quando a dor começou? Foi de repente ou aos 
poucos? 
Paliação/provocação – O que faz a dor cessar, melhorar ou piorar? 
Qualidade – Descreva a dor (queimação, em pontada, incômoda ou penetrante). 
Região/irradiação/referida – Onde sente a dor? É localizada ou se desloca? 
Severidade (intensidade) – De 1 a 10, que nota você dá para a dor? 
Tempo/duração – Quanto tempo tem a dor? 
 
O mnemônico SAMPLER indica as condições médicas da vítima: 
Sinais e sintomas 
Alergias 
Medicamentos 
Passado médico (história) relevante 
Líquidos e lanches ingeridos (o que e quando) 
Eventos que precederam o quadro atual 
Risco (fatores de) 
Nas emergências clínicas o tratamento definitivo deve ser realizado no 
ambiente hospitalar, contudo o socorrista deve iniciar o tratamento das alterações 
nas vias aéreas, padrão respiratório e circulação, para minimizar as alterações que 
levam risco de morte iminente à vitima. 
Para as vias aéreas podemos utilizar manobras manuais (inclinação da 
cabeça e elevação do queixo), utilizar a posição lateral de segurança, ou 
equipamentos específicos para abertura das vias aéreas (cânula naso ou 
orofaríngea). 
Na vítima inconsciente a causa mais comum de obstrução das vias aéreas é a 
queda de língua. 
A posição lateral de segurança pode ser usada para manter a via aérea 
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246 
 
aberta até que a vítima clínica possa ser removida. 
 
Figura 167 - Posição lateral de segurança 
Fonte: https://www.tuasaude.com/posicao-lateral-de-seguranca/ 
 
 
 
 
 
 
 
 
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247 
 
15 AVALIAÇÃO DO ESTADO MENTAL ANORMAL NA EMERGÊNCIA 
15.1 Introdução 
O comportamento alterado varia da dificuldade de pensar claramente ao 
estado de consciência deprimida. 
A confusão é um termo sem definição médica estrita. Um paciente "confuso" recebe 
atenção porque, no julgamento de alguém (familiar, cuidador ou polícia), seu 
comportamento é considerado incomum ou se desvia das normas sociais. Estes 
pacientes frequentemente não percebem seu comportamento alterado. 
Alguns destes pacientes com confusão mental, apresentam também agitação 
e agressividade. 
No outro extremo, o estupor e o coma são estados clínicos em que os 
pacientes têm capacidade de resposta prejudicada à estimulação externa e são 
difíceis de despertar. Os termos "estupor", "letargia" e "obnubilação" referem-se aos 
estados entre estado de alerta e coma. 
15.2 Etiologia 
As causas potenciais de alteração do Estado Mental sãomuitas, como 
doenças sistêmicas, intoxicações, abstinência de drogas, doenças psiquiátricas, 
doenças neurológicas, doença cerebrovascular, traumatismo crânio-encefálico, 
causas metabólicas, infecções e convulsões. 
No atendimento de emergência, a intoxicação ou abstinência de drogas e 
álcool são as causas mais comuns de alteração do estado mental, principalmente 
quando a agitação e agressividade estão presentes. Em idosos, as causas mais 
frequentes que causam confusão mental são doenças sistêmicas como infecções do 
trato urinário ou pneumonia. 
O mnemônico FIND ME (Funcional / isto é, psiquiátrico), Infeccioso, 
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248 
 
Neurológico, medicamentoso (Drug), Metabólico, Endócrino) pode ser útil para 
organizar uma busca diagnóstica da etiologia da agitação . 
 
 
Causas comuns de Alteração do Estado Mental 
Drogas e Toxinas 
Medicações controladas: opióides, sedativos, antipsicóticos, relaxantes musculares. 
Medicações não controladas: anti-histamínicos 
Drogas de abuso: etanol, cocaína, alucinógenos 
Retirada de Drogas: álcool, benzodiazepínicos 
Efeitos colaterais de medicação: hiperamoniemia do ácido valpróico, síndrome serotoninérgica 
Envenenamento: metanol, monóxido de carbono, plantas 
Infecções 
Sepse 
Infecção Sistêmica, febre 
Desequilíbrio Metabólico 
Distúrbio eletrolítico (aumentado ou diminuído): sódio, cálcio, magnésio e fosfato 
Distúrbio endócrino (aumentado ou diminuído): tireoide, paratireoide, pâncreas, hipófise, adrenal 
Hipercarbia, hipoxemia 
Hipo ou hiperglicemia 
Estado hipo ou hiperosmolar 
Erros Inatos do Metabolismo: porfiria, Doença de Wilson 
Nutricional: Encefalopatia de Wernicke, deficiência de vitamina B12 
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249 
 
 
Tabela 13 - Causas de alteração do estado mental 
Fonte: o autor. 
 
15.3 Diagnóstico 
a) história Clínica 
A avaliação do paciente no ambiente pré-hospitalar com alteração do estado 
mental baseia-se na história clínica. A suspeição clínica durante o atendimento é 
importante pois permite o tratamento precoce no pré -hospitalar e auxilia a conduta 
definitiva no intrahospitalar. É importante colher dados da história que indiquem ou 
não uma doença psiquiátrica, visto que o encaminhamento inadequado destes 
pacientes, para uma unidade não especializada em transtornos mentais prejudica o 
primeiro atendimento. Abaixo, algumas informações coletadas na história clínica que 
falam a favor de causas não psiquiátricas: 
- problemas médicos pré-existentes (diabetes mellitus, convulsão). 
- uso abusivo de drogas psicoativas (alucinógenos). 
Doenças do Sistema Nervoso Central 
Infecções: encefalite, meningite, abcesso cerebral 
Epilepsia: convulsão, estado convulsivo não epiléptico 
Traumatismo Cranioencefálico 
Encefalopatia Hipertensiva 
Doenças Psiquiátricas 
Doenças Sistêmicas 
Insuficiência Cardíaca 
Doenças hematológicas: trombocitose, policitemia, leucemia 
Insuficiência Hepática Aguda e Crônica 
Insuficiência Renal Aguda e Crônica 
Doenças Pulmonares: hipoxemia e hipercarbia 
Desordens Físicas 
Hipo ou hipertermia 
Queimaduras 
Choque Elétrico 
Trauma: síndrome da resposta inflamatória sistêmica, trauma de crânio, embolia gordurosa 
 
 
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250 
 
- uso de medicamentos prescritos com propriedades psicoativas (idosos). 
- idade tardia de início (> 40 anos). 
- presença de sintomas de início súbito e que flutuam de horas a dias. 
 
b) exame Físico 
- existe um nível diminuído de consciência? 
- existe um déficit neurológico agudo? 
- existe evidência de infecção ou outra doença médica aguda? 
Se todas acima negativas: pensar em etiologia psiquiátrica 
15.4 Diagnóstico Diferencial 
O algoritmo abaixo propõe uma abordagem para investigação etiológica: 
 
Figura 168 - Diagnóstico diferencial 
Fonte: UpToDate 
 
 
 
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251 
 
15.5 Abordagem 
a) a abordagem do socorrista no pré-hospitalar baseia-se no auxílio 
diagnóstico, o que promove a possibilidade de um tratamento precoce e 
fidedigno e nas condutas básicas para adequada manutenção das vias 
aéreas, respiração e circulação. Também se faz importante o conhecimento 
de indicações de suporte avançado, para que o socorrista tenha o 
conhecimento da necessidade do socorro médico avançado. 
b) pacientes com Escala de Coma de Glasgow (ECG) de 8 ou menos 
requerem abordagem avançada para proteção as vias aéreas, seja com 
dispositivos supraglóticos ou intubação orotraqueal. 
c) a suplementação de oxigênio é necessária, quer seja ou não 
necessária ventilação assistida na presença de hipoxemia (saturação de 
oxigênio menor que 90%). 
d) na presença de hipotensão (Pressão Arterial Média menor que 70 
mmHg) tratar com solução cristaloide (soro fisiológico, ringer lactato). 
e) recomenda-se administrar 25 g de glicose (50 ml de uma solução de 
glicose a 50%) em caso de alteração do estado mental com glicemia 
sanguínea menor que 60mg/dl. A glicemia deve ser checada a cada 5 
minutos. 
f) a presença de hipertermia (temperatura axilar maior que 38,5 ° C) 
pode contribuir para dano cerebral, assim deve-se baixar a febre com 
antipiréticos e / ou cobertores de resfriamento devem ser administrados 
imediatamente. 
g) como a hipotermia tem efeitos neuroprotetores, apenas hipotermia 
extrema (temperatura axilar menor que 33 ° C) deve ser tratada com 
aquecimento ativo externo. 
 
 
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252 
 
15.6 Condutas em Pacientes Agressivos 
Sinais de violência iminente incluem: 
a) comportamento provocativo ou irritado. 
b) discurso alto e agressivo. 
c) postura tensa (apertando os punhos). 
d) alteração frequente da posição do corpo, estimulação. 
e) atos agressivos (bater nas paredes, atirar objetos, bater em si mesmo). 
15.6.1 Abordagem 
Sempre garantir a segurança da equipe. 
Pacientes que estão agitados, mas cooperativos, podem ser passíveis de 
técnicas de convencimento verbal. 
Pacientes que estão agitados, mas não cooperativos ou estão violentos, 
exigem contenção imediata. Pacientes que não entendem o que está ocorrendo ou 
são incapazes de se comunicar e estão violentos, também devem ser contidos. 
15.6.2 Técnicas verbais 
A abordagem deve ocorrer com um único socorrista como interlocutor, 
mostrando a sua intenção de ajudá-lo, para estabelecer um vínculo de confiança. Os 
demais deverão manter certa distância. Um tom de voz calmo e suave deve ser 
usado. É importante evitar aproximar-se do paciente por trás. Para sua proteção 
ficar a pelo menos dois braços de distância. Induzir o paciente ao óbvio ("Você 
parece zangado") pode ajudar o paciente a começar a compartilhar emoções. Se o 
paciente se torna mais agitado, é importante falar de maneira conciliatória e oferecer 
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253 
 
declarações de apoio. Algumas técnicas podem ser aplicadas a pacientes agitados. 
A filosofia do sim encoraja o clínico a responder afirmativamente ao paciente: "Sim, 
assim que", "Ok, mas primeiro precisamos" ou "Eu absolutamente entendo por que 
você quer isso, mas na minha experiência há maneiras melhores de obter o que 
você precisa." 
É fundamental que o socorrista escute a vítima com atenção e demonstre 
interesse para consolidar o vínculo, mantendo contato visual enquanto ele fala, não 
emita nenhuma crítica. 
a) informe a vítima sobre o que será realizado, mantendo sempre a cordialidade; 
b) jamais discuta com a vítima; 
c) não concorde com suas alucinações e delírios, porém não censure. 
15.6.3 Restrições Físicas 
Indicações para contenção mecânica incluem: 
a) dano iminente a outros 
b) dano iminente ao paciente 
Cabe ao médico regulador prescrever a contenção física/mecânica para opaciente agressivo ou agitado no atendimento de emergência. Na ausência do 
profissional médico, em situações de risco iminente para saúde do paciente ou da 
equipe, cabe ao enfermeiro prescrever tal procedimento 
 
 Como aplicar a contenção mecânica? 
 As restrições devem ser implementadas sistematicamente, idealmente 
usando um protocolo institucional aprovado. Em uma contenção mecânica, a pessoa 
que orienta deve ser a pessoa com maior experiência na implementação de 
restrições. Todos os membros da equipe devem remover os objetos pessoais, pois o 
paciente pode usar contra eles. Se for necessário usar a força para controlar o 
paciente, cada membro da equipe restringe uma extremidade pré-determinada, 
controlando em extensão a articulação principal (joelho ou cotovelo). Deve-se 
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254 
 
manter o contato verbal com a vítima durante a contenção, tentando acalmá-la, 
informando que tal medida é para protegê-la. Deve-se também, revistar a vítima em 
busca de drogas, armas ou objetos que representem algum risco. 
Utilizar quatro faixas acolchoadas com algodão ortopédico uma em cada 
membro na prancha longa fixar com tirantes e head-block. 
a) contenção física: Caracteriza-se pela imobilização do paciente por várias 
pessoas da equipe que o seguram firmemente ao solo. 
b) contenção mecânica: Caracteriza-se pelo uso de faixas de couro ou tecido, 
em quatro ou cinco pontos que fixam o paciente ao leito. 
Se as restrições torácicas forem usadas, é vital que a expansão adequada do 
tórax para ventilação seja garantida. A aplicação de um colar suave de Filadélfia no 
pescoço do paciente ajudará a evitar batidas na cabeça e mordidas. 
Recomendamos evitar a retenção e sedação química em pacientes que estão 
intoxicados com cocaína, anfetaminas ou outros estimulantes, pelo alto risco 
resultados adversos. 
 
 Monitoramento 
 Após a aplicação da contenção, o paciente deve ser monitorado com 
frequência e ter sua posição alterada para evitar obstrução circulatória, parestesias e 
rabdomiólise que está associada a contínua combatividade. 
Devem ser avaliados a cada 30 minutos: nível de consciência, sinais vitais, 
estado dos membros contidos e impressões do paciente. Em todos os 
procedimentos realizados, deve-se falar o que será feito, sempre num clima de 
cordialidade. 
 
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255 
 
16 ACIDENTES COM ANIMAIS PEÇONHENTOS 
16.1 Venenosos X peçonhentos 
 São animais que possuem, em sua maioria, glândulas que armazenam 
substâncias venenosas utilizadas para proteção contra a ação de predadores ou 
ainda que os auxiliam na captura de suas presas. 
 
Figura 169 - Animais peçonhentos 
Fonte: www.vitalbrasil.gov.br 
 
Animais venenosos: 
São animais que produze e armazenam o veneno, porém não apresentam um 
aparelho inoculador. Ex.: o veneno do sapo está em glândulas na sua pele. 
Animais Peçonhentos: 
São animais que produzem, armazenam e inoculam o veneno. 
 
16.2 Ofidismo 
Acidentes oriundos de picadas de cobra. 
 
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256 
 
a) características básicas das cobras: 
São animais predadores e se alimentam de peixes, moluscos, anfíbios, 
mamíferos, aves e até de outras cobras. Como não possuem braços ou garras para 
matar ou imobilizar suas presas, contam com o veneno para auxiliar nessa tarefa. A 
forma da boca das serpentes impede que elas mastiguem o alimento. Ao capturar 
uma presa, a cobra a engole inteira. O veneno serve para neutralizar esta presa e, 
assim, facilitar a captura da mesma, outra função do veneno é ajudar, a cobra, na 
digestão da presa abatida, facilitando a absorção dos nutrientes necessários para 
sua sobrevivência. 
 
b) Acidentes com animais de Importância Médica: 
No Brasil há cerca de 260 espécies de serpentes, sendo que cerca de 40 são 
peçonhentas. Essas espécies de serpentes são dividas em gêneros, dos quais 
estudaremos: Crotalus, Bothrops, Lachesis e Micrurus. O veneno de cada gênero de 
serpente possui composição diferente, consequentemente, irá provocar sintomas 
distintos, confira o esquema a baixo e entenda como cada grupo de veneno age no 
corpo da vítima de acidente com cobras peçonhentas. 
 
c) Identificação de ofídios: 
Se possível identifique o animal que ocasionou a ocorrência, esse 
procedimento é importante na medida em que: 
- Garante a liberação imediata de grande parte das vítimas picadas por 
animais não peçonhentos; 
- torna possível reconhecer as espécies de importância médica por região; 
- Permite a identificação do antídoto adequado a ser administrado; 
Apesar do diagnostico clínico ser importante, e servir para nortear a condita 
na maior parte das ocorrências, o animal causador precisa ser, à medida do 
possível, conduzidor para identificação por profissional. Pode se manter os animais 
mortos conservados, de forma precária, imersos em solução de formol a 10% ou em 
álcool, e devem ser acondicionados em frascos com as devidas identificações por 
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257 
 
rótulos e com os dados dos acidentes e local de origem. 
Quando em campo, a diferenciação da cobra coral falsa da cobra coral 
verdadeira é impossível de ser executada, portanto, tratar todas como peçonhenta. 
CARACTERÍSTICAS COM PEÇONHA SEM PEÇONHA 
CAUDA AFINA ABRUPTAMENTE AFINA GRADUALMENTE 
FOSSETA LACRIMAL OU LOREAL APRESENTA 
(exceto cobra coral) 
NÃO APRESENTA 
PUPILA VERTICAL REDONDA 
ESCAMAS CORPO = CABEÇA CORPO X CABEÇA 
PICADA UM OU DOIS ORIFICIOS MORDIDA 
DENTES DUAS PRESAS PEQUENOS E UNIFORMES 
ATITUDE (PERIGO) LENTAS E ENRODILHA AGEIS E PARTEM EM RETIRADA 
Tabela 14: Comparativo de animais com peçonha X sem peçonha. 
Fonte: Manual de Diagnóstico e tratamento de acidentes por animais peçonhentos. 2ª edição. – Brasília: 
Fundação Nacional de Saúde, 2001. 
 
Existe um soro antiofídico genérico, ou seja, que serve para mais de um 
veneno. Contudo, as reações do corpo a ele são complicadas e podem deixar 
sequelas. 
 
d) ação do Veneno 
- necrosante: Destruição do tecido muscular no local da picada. 
- paralisante (neurotóxico): Paralisia dos músculos da vítima, impedindo a sua 
locomoção, ocorrendo em alguns casos à paralisia da musculatura respiratória. 
- coagulante: Promove um aumento significativo do fator de agregação 
plaquetária fazendo o sangue se transformar em uma espécie de “mingau”. 
- hemolisante: ompe a membrana das hemácias efetuando a “lise” (destruição 
das células). 
- sintomas no Local da Picada:Dor, hemorragia, equimose ou hematoma. 
 
 
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258 
 
GÊNERO ESPÉCIE AÇÃO DO VENENO SORO ANTIOFÍDICO 
 
CROTALUS 
 
CASCAVEL 
HEMOLISANTE E PARALISANTE 
(neurotóxico) 
ANTI-CROTALICO 
 
BOTHROPS 
JARARACA 
NECROSANTE E COAGULANTE ANTI-BOTHROPICO 
 
LACHESIS 
SURUCUCU 
NECROSANTE E PARALISANTE 
(neurotóxico) 
ANTI-LACHESICO 
 
MICRURUS 
CORAL 
 
PARALISANTE 
(neurotóxico) 
ANTI-MICRURICO 
ANTI-ELAPÍDICO 
Tabela 15: Comparativo gênero / espécie de serpente X ação do veneno. 
Fonte: Manual de Diagnóstico e tratamento de acidentes por animais peçonhentos. 2ª edição. – Brasília: 
Fundação Nacional de Saúde, 2001. 
 
e) condutas em ofidismo: 
- nunca tentar capturar a serpente, se possível, tente fotografar ou gravar na 
cabeça as características de cor ou barulho emitido pela cobra; 
- manter a vítima em repouso (a vítima não poderá efetuar nenhum tipo de 
movimento para não acelerar a metabolização do veneno); 
- realizar a assepsia do local; 
- retirar anéis e pulseiras; 
- imobilizar o local da lesão (se for necessário); 
- monitorar os sinais vitais; 
- não amarrar membros fazendo um garrote e nem fazer torniquete (isso 
poderá piorar as condições da vítima, pois concentrará o veneno em uma região e 
não impedirá que ele circule pelo/Fundação Oswaldo 
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- não fazer cortes e nem chupar o local da picada (isso não retira o veneno); 
- transportar a vítima, de maca, imediatamente ao hospital mais próximo, pois 
apenas o soro poderá agir contra os sintomas. 
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259 
 
16.3 Araneísmo 
Acidentes oriundos de picadas de aranhas. 
a) Características Básicas das Aranhas: 
Não são agressivas, abrigam-se sob folhas, troncos e árvores. Possuem 
hábitos noturnos. Tem oito patas, podendo ter garras nas pontas. Algumas espécies 
usam as patas dianteiras para capturar e/ou segurar suas presas. Na porção inferior 
do corpo, possuem órgãos chamados fiandeiras, que fabricam seda. São animais 
carnívoros e de costumes noturnos. 
Existem no Brasil três espécies de aranhas que tem importância médica, são 
elas: Phoneutria, Loxosceles e Latrodectus. Os acidentes causados pelas espécies 
caranguejeira e aranha-de-grama (lycosa), ocorrem com frequência elevada , porem 
são de baixa importância médica, apesar de serem muito temidas. 
b) Acidentes com espécies de Importância Médica: 
- Viúva Negra (Latrodectus mactans): 
De coloração bonita e tamanho minúsculo, são animais encontrados 
principalmente em áreas de restinga, e consideradas de grande importância médica. 
As ocorrências de picada por esta espécie de aranha no são frequentes em seres 
humanos e normalmente os ataques são realizados pelas fêmeas. O veneno desta 
espécie contém: fosfodiesterase, ácido aminobutírico, polipeptídeos, hialuronidase, 
além de proteínas como latrotoxinas. Tais substâncias nas terminações nervosas 
sensitivas, provocando dor intensa no local do acidentes no sistema nervoso 
autônomo. 
As manifestações clínicas, são: dor local de variada intensidade, que se 
assemelha a mialgia, evoluindo com sensação de queimação, após 15 a 60 minutos 
do acidente. Apresentam lesões puntiformes com uma ou duas perfurações de 1 a 2 
mm e discreto edema no local do acidente. Pode ocorrer hiperestesia no local, e 
infarto de gânglios. Normalmente há tremores, espasmos de membros, ansiedade, 
insônia, prurido, excitação, dor de cabeça, eritema de face e pescoço, dor na região 
torácica, hipertensão, taquicardia inicial e depois bradicardia, sensação de morte 
eminente. 
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260 
 
Recomenda-se a utilização de compressas mornas no tratamento da 
sintomatologia e analgesia. Em caso de dor de grande intensidade pode se utilizar 
morfina ou dolantina. A permanência deve ser superior a 24h para pacientes não 
submetidos a soroterapia. A aplicação de soro antiaracnideo(Antilatrodectus – 
SALatr), é indicado somente nos casos graves. A melhora do quadro e estimada 
entre 30 minutos à 3h após a aplicação. 
 
Figura 170 - Aranha Viuva Negra (Latrodectus mactans) 
Fonte: www.vitalbrasil.com.br 
 
- Aranha Marrom (Loxosceles): 
Os animais do gênero Loxosceles, comumente são conhecidas por aranhas 
marrons. Apresentam coloração amarronzada, em tons variados, e algumas com um 
desenho no cefalotórax, elas medem até 4 cm (o corpo medindo terço ). É 
encontrada por praticamente todo o mundo, na America do Sul encontramos mais de 
30 espécies. É a espécie que mais gera óbitos no mundo e tem o veneno mais 
tóxico entre as aranhas brasileiras. Encontradas em locais abertos e áreas livre, 
entre frestas de troncos, folhas secas, rochas, dentro de casa embaixo ou atrás de 
móveis, em galpões, etc. normalmente não agressivas, normalmente atacam o 
individuo como mecanismo de defesa, quando sem querer alguém toca nela. Muitos 
acidentes com este tipo de animal ocorrem ao vestir roupas e calçados ou quando 
coloca-se a mão em frestas sem observar. 
Não é dolorosa no momento da picada, porem após aproximadamente 14h 
aparecem os sinais, que são: edema e eritema, podem ocorrer prurido. 
Sua toxina é hemolítica, podendo causar problemas não só no local da 
picada, mas também em região visceral, causando febre, urina escura, sem o 
adequado tratamento pode ocorrer necrose do tecido na área atingida, insuficiência 
renal e óbito. 
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261 
 
O bombeiro não deve permitir que a vitima se movimente, pedir ajuda e levar 
imediatamente a serviço de atendimento médico, para que possa ser administrado o 
soro antiaracnídeo. 
 
Figura 171 - Aranha Marrom (Loxosceles) 
Fonte: www.vitalbrasil.com.br 
 
- Armadeira (Phoneutria): 
Espécie que não produzem teias para capturar as presas, utilizam o auxilio 
do veneno, que imobilizam a vitima. Caracterizadas pela disposição dos olhos em 
três fileiras (2-4-2), no abdome possuem manchas claras longitudinais, espinhos 
negros nas pernas. 
Tem como característica registrada, seu comportamento defensivo em 
posição ereta, com movimentos laterais do corpo e com as pernas dianteiras 
elevadas, o que da origem ao próprio nome popular. 
São encontradas distribuídas pelas Américas Central e do Sul, da a 
Guatemala até o norte da Argentina, pode ser encontrada no interior de residências, 
em bananeiras, folhagens, entre madeiras e pedras empilhadas. 
Estas aranhas possuem um veneno muito ativo em humanos, aliado ao seu 
sinantropismo, a capacidade de se adaptar aos locais urbanos, as tornam 
responsáveis por grande parte dos acidentes com artrópodes no Brasil. Em 
contrapartida, algumas de suas propriedades farmacológicas, aguçam os cientistas 
na busca de aplicações biotecnológicas dos compostos originados no seu veneno 
As ocorrências por Phoneutria acontecem durante todo, com maior incidência 
em de abril e maio, período que coincide como a época do acasalamento, tornando-
as mais ativas. 
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262 
 
Seu veneno causa retardo na inativação dos canais neuronais de sódio, 
provocando a despolarização das fibras musculares e terminações nervosas 
sensitivas, motoras e do sistema nervoso autônomo. Facilita a liberação de 
neurotransmissores, como acetilcolina e catecolaminas. Promove isolamento de 
peptídeos, podendo induzir a contração da musculatura lisa e aumento da 
permeabilidade vascular, isso independentemente da ação dos canais de sódio. 
O quadro clinico, são predominantes as manifestações locais. O sintoma mais 
comum a dor imediata local, poucos são os casos assintomáticos, em torno de 1% 
das ocorrências. De intensidade variada, pode haver dor local com i rradiação ate a 
raiz do membro afetado, os outros sintomas são: edema, eritema, parestesia, 
sudorese local, choque anafilático, priapismo e edema de pulmão. 
 
 Os acidentes podem ser classificados como leve, moderado e grave: 
Leve: predominam as manifestações locais: dor, inchaço eritema da pele e suor na 
região da lesão, podendo aparecer a marca da picada; 
Moderado: além das manifestações locais, ocorrem alterações sistêmicas na vitima 
como taquicardia, hipertensão náuseas, vômitos e agitação; 
Grave: acontecem em sua maioria em crianças, apresentando sintomas como, dor, 
sudorese local, náuseas, vômitos intensos, ereção peniana involuntária persistente, 
diarreia, diminuição da frequência dos batimentos cardíacos, pressão sanguínea 
baixa, arritmia cardíaca, edema agudo de pulmão e choque. 
A conduta do Bombeiro é não deixar a vítima se movimentar, solicitar ajuda e 
levar, o mais rápido possível, a vítima para o atendimento médico para que possa 
ser administrado o soro antiaracnídeo. 
http://www.infoescola.com/doencas/arritmia-cardiaca/
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263 
 
 
Figura 172 -Armadeira (Phoneutria) 
Fonte: www.vitalbrasil.com.br 
 
- Aranha de Jardim(Lycosa erythrognatha): 
A aranha de jardim, também conhecida como aranha de grama (Lycosa 
erythrognatha), pertencente a família lycosidae. Esta aranha mede 5 cm de 
comprimento aproximadamente. De cor marrom-clara ou acinzentada, tem o 
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https://www.uptodate.com/contents/evaluation-of-abnormal-behavior-in-the-emergency-department/abstract/14
https://www.uptodate.com/contents/evaluation-of-abnormal-behavior-in-the-emergency-department/abstract/14
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- Manual Básico de Atendimento Pré-Hospitalr, 2º edição, atualizado 2018, 
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CORPO DE BOMBEIROS MILITAR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO 
 
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CORPO DE BOMBEIROS MILITAR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO 
 
27 
 
DEFINIÇÕES E CONCEITOS 
 
Para efeito deste manual, aplicam-se as definições específicas deste item: 
 
CBMERJ: Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro. 
ADP: adenosina difosfato. 
AHA: American Heart Association. 
AMLS: advanced medical life support. 
AVE: acidente vascular encefálico. 
BiPAP: modo ventilatório na ventilação mecânica (bilevel positive pressure 
airway). 
CPAP: modo ventilatório na ventilação mecânica (continuous positive airway 
pressure). 
CRA: centro de recuperação de afogados. 
CTQ: centro de tratamento de queimados. 
DEA: desfibrilador externo automático. 
DSE: Diretoria de Socorro de Emergência 
DPOC: doença pulmonar obstrutiva crônica. 
EPI: equipamento de proteção individual. 
FC: freqüência cardíaca. 
IAMCSST: Infarto agudo do miocárdio com supradesnivelamento do 
segmento ST. 
IAMSSST: Infarto agudo do miocárdio sem supradesnivelamento do 
segmento ST. 
IRPM: incursões respiratórias por minuto. 
LCT: lesão cerebral traumática. 
NAEMSP: National Association of EMS Physicians. 
NAEMT: National Association of emergency Medical technicians. 
NC: nível de consciência. 
OMS: Organização Mundial da Saúde. 
PAD: pressão arterial diastólica. 
PAM: pressão arterial média. 
PAS: pressão arterial sistólica. 
PCR: parada cardiorrespiratória. 
PCREH: parada cardiorrespiratória extra-hospitalar. 
PHTLS: Pre-hospital trauma life support. 
CORPO DE BOMBEIROS MILITAR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO 
 
28 
 
PLS: posição lateral de segurança. 
PTM: paciente portador de transtorno mental. 
SAMU: Serviço de Atendimento Móvel de Urgência. 
SAV: suporte avançada de vida. 
SBV: suporte de básico de vida. 
SCA: síndrome coronariana aguda. 
SME: sistema médico de emergência. 
START: simples triage and rapid treatmentprotocol– protocolo internacional de 
triagem de múltiplas vítimas. 
APH – Atendimento Pré-Hospitalar 
EMG – Estado-Maior Geral 
EPRA – Equipamento de proteção respiratória autônomo 
FEAs – Ferramentas, equipamentos e acessórios 
DSE – Diretoria de Socorro de Emergência 
HIV - Human Immunodeficiency Virus 
IAM – Infarto agudo do miocárdio 
NBR – Norma Brasileira 
NFPA – National Fire Protection Association 
PFF – Peça facial filtrante 
POP – Protocolo Operacional Padrão 
PQS – Pó químico seco 
PVC – Policloreto de vinil 
TAI – Tática de ação imediata 
WRO – World Rescue Organization 
EN – European Norm 
EPI – Equipamento de proteção individual 
EPRA – Equipamento de proteção respiratória autônomo 
HIV - Human Immunodeficiency Virus 
HTLV - Human T-cell Lymphotropic vírus 
NBR – Norma Brasileira 
NFPA – National Fire Protection Association
CORPO DE BOMBEIROS MILITAR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO 
 
29 
 
 
1 AVALIAÇÃO DE CENA 
 As informaçõesdeste capítulo foram retiradas, em parte, do Procedimento 
Operacional Padrão (POP) do Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de 
Janeiro (CBMERJ) de abordagem à coluna vertebral (POP APH 04, CBMERJ, 2018), 
de extricação veicular (POP APH 05, CBMERJ, 2018) e de Incidentes com múltiplas 
vítimas (POP APH 13, CBMERJ, 2018). 
1.1 Conceitos introdutórios 
 A primeira prioridade na resposta ao trauma, de qualquer natureza, é a 
segurança, e esta sempre considerada na seguinte ordem: 1º sua própria, 2º da 
equipe e 3º do paciente. 
 Por estabelecimento da segurança ou estabilização da cena, entende-se o 
conjunto de medidas de mitigação com o objetivo de controlar/reduzir o risco de 
exposição às ameaças para um nível aceitável. O conceito de risco aceitável, por 
sua vez, se baseia no fato de que nenhuma cena de emergência pode ser 
totalmente segura. Assim sendo, risco aceitável pressupõe que as ameaças hajam 
sido controladas o suficiente, frente ao nível de especialização, treinamento e 
recursos dos resgatistas envolvidos. 
 Dividimos as medidas de estabilização de cena em primárias (prévias) e 
secundárias (dinâmicas). A estabilização primária é a técnica(s) empregada(s) para 
permitir o início da atuação dos resgatistas na zona quente (vide adiante). 
Entretanto, uma vez estabelecida, é necessário seguir com a estabilização dinâmica 
(secundária), visto que os riscos da cena estão em constante mudança, inclusive 
induzida pela própria atuação dos resgatistas. 
1.2 Perímetros e zonas de trabalho em cenas de resposta a emergências 
Em qualquer emergência, temos três zonas de trabalho (Environmental 
CORPO DE BOMBEIROS MILITAR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO 
 
30 
 
Protection Agency-EPA) definidas segundo a presença da ameaça (ver figura 1): 
a) zona quente (de exclusão), onde a ameaça está ativa e não controlada; 
b) zona fria (de apoio), onde não há ameaça; 
c) zona morna (de redução de contaminação), onde a ameaça pode influenciar a 
todo o tempo, inclusive trazida pelos próprios resgatistas a partir da zona quente, 
porém procedimentos de estabilização e controle são mantidos, reduzindo o risco de 
exposição. 
O perímetro interno (linha quente) delimita a zona quente, enquanto o 
perímetro externo (ou de segurança ou de controle) visa o controle de acesso de 
pessoal, devendo idealmente ser uma barreira física estabelecida pelo CBMERJ ou 
por agentes de segurança pública em torno das instalações e recursos de socorro 
convencionais estabelecidos na zona fria. Encorajamos o uso de duplo cordão de 
isolamento do perímetro externo para o eficaz controle de pessoal. À zona quente só 
devem ter acesso profissionais especialistas no controle da ameaça em questão, 
com EPI adequado, e.g. produto perigoso (NATIONAL ASSOCIATION OF 
EMERGENCY MEDICAL TECHNICIANS, U.S., 2020). Usualmente, o mesmo ocorre 
na zona morna, destinada a procedimentos especiais de redução de risco (e.g. 
descontaminação de vítimas expostas a produto perigoso), bem como ao 
estabelecimento de ferramentas e recursos utilizados nas operações de resgate 
técnico desempenhadas na zona quente (tool drop zone)(NFPA, 2017). 
O perímetro interno varia de acordo com a ameaça, mas padroniza-se os 
seguintes parâmetros: 
a) suspeita de vazamento em veículo de transporte de produto perigoso: 
enquanto a ameaça é desconhecida, delimitar raio empírico de 100m, ajustados 
após a identificação do produto, caso esta seja possível (ver figura 1); 
b) incêndio em veículo sem o envolvimento de transporte de produto perigoso: 
200m, até a conclusão da mitigação, depois disso, reduzir a 2m; 
c) incêndio em veículo de transporte de produto perigoso: 800m, até a conclusão 
da mitigação, depois disso, reduzir a 100m. 
d) colisão veicular não complicada: 2m (ver figura 2). 
CORPO DE BOMBEIROS MILITAR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO 
 
31 
 
 
Figura 1 - A distância da zona morna é variável e detalhes fogem ao escopo das ações de 
primeira resposta, entretanto, em linhas gerais: sob suspeita de produto perigoso em torno de 100m; 
colisão veicular não complicada por produto perigoso ou incêndio 5m (e 2m a zona quente) e em 
suspeita de objeto explosivo, consulte a tabela (abaixo) para os parâmetros de isolamento. Área de 
concentração de vítimas compreende a estação de triagem e a área de tratamento. Este é o local onde 
a equipe de pré-hospitalar convencional deve permanecer. 
Fonte: Carmo Neto, 2018c; POLICE, 2012). 
 
 
 
 
 
 
Figura 2 - Perímetro interno 
Fonte: Carmo Neto, 2018c; POLICE, 2012). 
 
 
ZONA MORNA 
AREA DE 
CONCENTRAÇAO DE 
VITIMAS 
ZONA FRIA 
(APOIO) 
Considerar a direção do vento quando a ameaça for suspeita de produto perigoso. 
AMEAÇA 
100m 
ZONA QUENTE 
CORPO DE BOMBEIROS MILITAR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO 
 
32 
 
Descrição da 
ameaça 
Peso equivalente 
a TNT (trinitrato de 
tolueno) 
Perímetro 
interno 
(evacuação) 
Distância de 
proteção1 em 
c 
ampo aberto 
(zona morna) 
Bomba de cano 2,3kg 21m 259m 
Cinto suicida 4,5kg 27m 330m 
Colete suicida 9kg 34m 415m 
Mochila/pasta 23kg 46m 564m 
Sedan 227kg 98m 457m 
Van 1814kg 195m 838m 
Tabela 1 - Parâmetros de isolamento em suspeita de objeto explosivo. 
1 
Equivale à distância de exposição aos fragmentos propelidos pelo sopro da explosão. O ideal é a 
evacuação desta área, porém, na impossibilidade de evacuar, orientar a buscar abrigo atrás de 
estruturas maciças, longe de janelas. O isolamento do perímetro interno neste cas o, visa proteger 
contra a onda de choque. 
Fonte: modificado de POLICE 2012. 
 
 
1.3 Procedimentos inicias gerais 
a) proteger-se com os equipamentos de proteção individual (EPI), sendo no 
mínimo, luvas de procedimento (nitrila ou látex) e óculos de proteção/viseira do 
capacete. A viseira do capacete/óculos de proteção deve permanecer abaixada(o) 
até que se termine o atendimento à vítima ou manuseio de estrutura a qual possa 
liberar fragmento volantes (Silva Felix; Petrizzo Brandão De Assis; Madalosso et al., 
2016). 
b) em cenário de acidente veicular, o EPI inclui roupa de aproximação ou outro 
traje especificado em norma futura publicada pela corporação, capacete de 
salvamento veicular com viseira basculante, luvas de proteção termomecânica, luvas 
de procedimento e máscara PFF2 para proteção respiratória contra o pó produzido 
pela quebra controlada de vidros, o qual pode causar silicose (doença pulmonar 
crônica) (Carmo Neto, 2018b). 
CORPO DE BOMBEIROS MILITAR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO 
 
33 
 
Segundo Carmo Neto (2018b): 
c) das luvas de proteção: ao manusear a estrutura do veículo e 
quaisquer outros riscos mecânicos do cenário, o bombeiro deve calçar as 
luvas de proteção termomecânica (pode ser raspa de couro). Ao manusear 
a vítima, deve-se usar luvas de procedimentos para proteção biológica, 
evitando que fluidos corporais contaminem e inutilizem as luvas de proteção 
termomecânica. Esta alternância pode ser feita através da simples 
substituição das luvas ou calçando as de procedimento sob as de proteção 
termomecânica, de modo a ter estas últimas em pronto emprego assim que 
se descalce a camada externa das primeiras (Carmo Neto, 2018b). 
d) as luvas de proteção termomecânica devem oferecer às mãos proteção 
contra o calor, proteção mecânica contra a perfuração e cortes, além de ter baixa 
permeabilidade, isso tudo sem comprometer a agilidade e maneabilidade do membro 
da equipe de resgate. No que tange a luvas e roupa, salientamos que lesão 
funcional da pele (alteração da hidratação da alfa-queratina) se inicia já aos 40˚C, 
tornando-se irreversível a partir dos 75 a 100˚C, em poucos segundos, o que se 
manifesta por queimadura de 2˚ a 3˚ grau. Consultar POP CBMERJ/EMG/APH 05, 
2018: Extricação veicular, itens 9.3.2 e 9.3.4. Consultar ainda o Manual de 
Salvamento Veicular, item 5.1.6 (Carmo Neto, 2018b). 
e) dos capacetes: são de uso obrigatório em cenários de salvamento veicular, de

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