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ESCOLA TÉCNICA EGÍDIO JOSÉ DA SILVA CURSO: TECNICO EM ENFERMAGEM Bianca Camila Diego Herix TOXICOMANIA TEÓFILO OTONI/ MG 2024 ESCOLA TÉCNICA EGÍDIO JOSÉ DA SILVA CURSO: TECNICO EM ENFERMAGEM Bianca Camila Diego Herix TOXICOMANIA Trabalho apresentado para obtenção de nota na matéria de Enfermagem Neuropsiquiatria. Professor: Daniel Soares TEÓFILO OTONI/ MG 2024 RESUMO A toxicomania é uma doença crônica caracterizada pela dependência de substâncias psicoativas, sendo elas lícitas ou ilícitas, que causam algum tipo de prejuízo ao indivíduo, como a diminuição de sua capacidade cognitiva, alterações de humor ou de consciência. Para tanto, apresentam-se diversas referências teóricas sobre o tema proposto, de modo a enriquecer o conhecimento e a compreensão a respeito do assunto. O termo “dependência química” é baseado em manuais de classificação de doenças, sendo mais utilizado em relatos de pesquisa; a palavra “toxicomania” é utilizada para abordar uma relação de consumo tóxica, tanto com uma substância psicoativa quanto com outro objeto. SUMÁRIO INTRODUÇÃO ............................................................................................................ 5 DESENVOLVIMENTO ................................................................................................ 6 CONSIDERAÇÕES FINAIS ...................................................................................... 10 REFERENCIAS ......................................................................................................... 11 5 INTRODUÇÃO O uso de substâncias psicoativas está presente em diversas épocas e culturas na história da humanidade. Há muito tempo, o homem busca alterar seu estado de consciência por meio do uso de substâncias, assim experienciando a sensação de satisfação e alívio, que lhe é proporcionada de forma imediata (SCHNEIDER & ANTUNES, 2010). A utilização de tais substâncias se modificou ao longo do tempo, acompanhando as condições e particularidades de cada cultura, transformando o tipo de droga mais utilizado, as motivações e padrões de drogadição. A toxicomania, termo referente ao uso abusivo de substâncias, foi designado a partir da duplicidade do termo tóxico, utilizado na antiguidade para designar tanto a substância mortal em que se banhavam as flechas de bárbaros, como para designar um fármaco ou um remédio que provia a cura de uma enfermidade (SCHIMITH, MURTA & QUEIROZ, 2019). A substância que é tanto remédio como veneno, agindo como droga maléfica e benéfica simultaneamente, permite analisar o uso de substâncias psicoativas em perspectivas opostas, como remédio para o desprazer e veneno para o organismo, considerando o propósito do uso na vida psíquica do sujeito (DOCKHORN et al, 2014). Ao limitar a compreensão sobre o uso de drogas apenas a dependência química, se restringe apenas à droga, que passa a ser mais importante do que o próprio sujeito, portanto opta-se pelo termo toxicomania no presente trabalho, uma vez que o termo compreende a relação do sujeito com o tóxico, relação a qual o consumo passa a ser uma necessidade de sobrevivência no mundo, suportando a dor de existir (DOCKHORN et al, 2014; SHIMOGUIRI, 2019). Atualmente, a duplicidade do tóxico, aludindo tanto ao remédio e ao veneno simultaneamente já não é mais considerada, tendo assim os tóxicos como substâncias a serem utilizadas em busca de prazeres, mesmo que sejam momentâneos. Por sua vez, a Organização Mundial da Saúde, (1993, p.69-82) define droga como qualquer substância de origem natural ou sintética que, ao ser introduzida no organismo de um ser vivo pode alterar uma ou mais de suas funções. Constatatou-se que existem diversas possibilidades de tratamento para a toxicomania, que visam abordar com o toxicômano o uso abusivo de substâncias, podendo ter como propósito cessar ou diminuir o consumo. 6 DESENVOLVIMENTO A palavra toxicomania nem sempre teve a acepção que apresenta hoje. Ela é derivada do termo toxicum, que guardava um duplo sentido: designava veneno mortal, ao mesmo tempo que também podia referir-se a um fármaco, ou remédio, com a potência de salvar a vida. A definição de tóxico, tal como usamos hoje, “como doença, como degenerescência, como amoralidade e como paixão”, teve origem apenas no século XIX (Bento, 2008, p. 132). Nesse mesmo momento, surgiu a ideia de ilicitude de algumas substâncias, como a cocaína e alguns de seus derivados. Como já vimos anteriormente, essas mudanças são atribuídas ao avanço da ciência, que faz do objeto droga mais um objeto de consumo (Santiago, 2017). Há certa consonância quanto à diferença entre usuário de drogas e toxicômano. O usuário é aquele que introduz a droga numa série de objetos, fazendo dela apenas mais um objeto de consumo (cerveja, cigarro, café, remédio etc.). O toxicômano, de outro modo, usa a droga como um objeto exclusivo que impede qualquer outro laço social, estabelecendo uma relação de exclusividade com ela (Pereira, 2008). O sujeito toxicômano é, ainda, aquele que segue a lógica hipermoderna, na qual o valor máximo é o consumo, sendo, portanto, compreendido como um bom consumidor (Romanini & Roso, 2012). Isso se aproxima da leitura realizada por Lipovetsky (2004), segundo a qual, nos tempos hipermodernos, o que é de fato valorizado são as experiências de consumo. De acordo com Pereira (2008), há uma relação entre os termos farmacodependência e dependência química; ambos seriam utilizados para designar a dependência estritamente biológica. Em contrapartida, o termo toxicomania designaria a dependência psicológica. Esse entendimento, porém, não encontra respaldo na literatura. Por exemplo, o conceito de farmacodependência estabelecido pela OMS (1974) abrange tanto a dependência física quanto a psicológica, por meio da interação entre o organismo e uma substância psicoativa. Há, na toxicomania, uma aposta de que é possível encontrar a satisfação completa, bem como libertar-se de certo mal-estar, com apenas um objeto: a droga. No entanto, entre o sujeito e sua droga, estabelece-se uma intensa relação de exclusividade, por vezes caracterizada pelos próprios dependentes como uma escravidão, que pode levar à perda de laços sociais (Belo, 2012; Romanini & Roso, 2012). Assim, a toxicomania porta uma busca por alívio para certo mal-estar; no 7 entanto, ela encerra um aprisionamento na relação com a droga. É notável que apenas sob o termo toxicomania tenhamos obtido relatos de experiência profissional, mais especificamente, relatos de casos clínicos. Entre eles, por meio de um caso de psicose, destaca-se a dificuldade em relacionar a toxicomania e a psicose, pois não é possível reduzir toda toxicomania à estrutura clínica da psicose. Apontam, ainda, a dificuldade em realizar o diagnóstico do toxicômano com base nas estruturas clínicas descritas pela psicanálise (neurose, psicose e perversão). No entanto, levantam a hipótese de que a diferença passa pela função que o objeto droga desempenha na neurose e na psicose: “enquanto, na neurose, a toxicomania é relacionada ao uso desregulado, sem limites e sem significação da substância tóxica, na psicose o uso da droga parece ter um caráter bem delimitado, relacionado a uma função bem específica” para cada sujeito (Lisita & Rosa, 2011, p. 263). Diante do que foi exposto até aqui, de forma geral, a toxicomania é examinada na perspectiva da relação do sujeito com a droga. O que causa a dependência química? De acordo com a OMS (Organização Mundial de Saúde) a dependência química pode ser considerada uma doença crônica e de características multifatoriais, ou seja, ela é causada por inúmeros fatores.Entre eles estão fatores genéticos, ambientais, sociais e psicológicos, que dependem, ainda, da frequência e quantidades ingeridas da substância em questão. Não há exatamente uma causa que leve o indivíduo a desenvolver dependência química, apesar de muitos serem os cientistas e estudiosos que se dedicam ao assunto. Pesquisas na área concluíram que filhos de alcoólatras, por exemplo, possuem 4x mais chances de desenvolverem o alcoolismo. Além disso, jovens, mulheres e idosos são mais vulneráveis aos negativos efeitos da bebida, enquanto homens são mais propensos a desenvolverem o vício por drogas lícitas ou ilícitas (como o fumo, maconha e cocaína, por exemplo). Por outro lado, existem algumas situações e características que se encaixam como fatores de risco para desenvolvimento de dependência química. São elas: Transtornos psiquiátricos; Fácil disponibilidade de substâncias psicoativas; Falta de atenção dos pais e/ou família; Fatores genéticos. Sintomas do vício Os principais sintomas de dependência química são: Desejo constante e cada vez maior de consumir a substância; 8 Perda de controle, fazendo com que não seja possível parar de consumir a droga depois de iniciado o ciclo; Maior tolerância do organismo aos efeitos da droga/álcool, fazendo com que o consumo tenha que ser cada vez maior ou frequente para que se atinjam os mesmos efeitos de antes. Já a abstinência (que ocorre quando não há o consumo da substância) tem como principais sintomas: Tremores; Ansiedade; Sudorese; Insônia; Irritabilidade. Tratamentos disponíveis para dependentes químicos Existem variados tratamentos para dependência química e escolher o que mais se adapta ao paciente vai depender tanto de seu padrão de consumo quanto de suas características psicossociais e pessoais. O paciente, em um primeiro momento, deve ser avaliado por uma série de profissionais da área de saúde: tais como psicólogos, médicos clínicos, terapeutas ocupacionais, psiquiatras, assistentes sociais, educadores físicos e outros. A dependência química é uma condição que exige tratamento com acompanhamento do paciente de médio a longo prazo para que possa ser verdadeiramente eficaz. Ele é responsável por evitar tanto a progressão da doença, como principalmente, os momentos de recaída. O tratamento medicamentoso para a toxicomania parte da prescrição de compostos farmacológicos que se assemelham à substância psicoativa anteriormente utilizada, com a finalidade de diminuir a dosagem de forma gradativa, alcançando o nível igual ou próximo a zero, dessa forma conduzindo o toxicômano à abstinência de maneira lenta e decrescente, com a substituição do composto original (SWIFT & LEWIS, 2009; SILVA & CREMASCO, 2010). O tratamento terapêutico de viés psicanalítico pode ou não contar com uma abstinência imediata como forma de desintoxicação, ou seja, a interrupção do uso da substância sem substitutos. Aliado ao manejo clínico do analista pode-se identificar por meio da escuta ativa, as motivações do prazer obtido com a droga, e as estruturas psíquicas que foram perdidas durante a inércia provocada pela presença da 9 substância no organismo, além de auxiliar na mediação dos efeitos físicos e psicológicos da interrupção do uso da droga (VIANNA, JESUS & FEITAS, 2017; FERREIRA, 2019). A marginalização tem influência de tal forma que concretiza a patologia como principal e única identidade do toxicômano. A mudança da percepção da imagem do toxicômano é de extrema importância, pois permite a reconstituição do sujeito, não meramente diminuído à sua patologia, mas sim resgatando sua identidade, e garantindo que sua subjetividade seja preservada. 10 CONSIDERAÇÕES FINAIS Podemos dizer que nos permitir compreender o sujeito usuário de drogas a partir do entendimento da toxicomania, permite ampliar o olhar sobre esse sujeito que o ponto de vista da dependência química não nos proporciona. Uma das conclusões que a investigação teórica nos proporcionou é a possibilidade da escuta do sujeito da dependência, e não somente da dependência trazida pelo sujeito. É perceptível esta situação ocorrer de maneira freqüente na área clínica, pois profissionais atuando na área estariam mais preocupados em tratar o sujeito detentor de sintoma, que traz consigo uma bagagem de situações para que tenha dado apenas um ou vários sintomas, ou o sintoma do sujeito? Acreditamos mais em nos atentar à primeira alternativa, sabendo que ela reflete uma escolha existencial. Pois é possível considerar que um sintoma faz parte de um conjunto de fatores que contribuem para a formação deste, este seria apenas um dos sintomas. Conforme alguns teóricos utilizados no desenvolvimento do trabalho, há ainda uma certa preocupação por alguns em verificar, dentro do contexto psicanalítico 53 proposto por Freud, em relação as estruturas. O papel da família também se faz fundamental ao abordarmos tratamentos para a toxicomania. Sendo possível concluir que a participação da família pode incentivar a motivação para o tratamento, contribuindo com o comprometimento e adesão do toxicômano ao mesmo. Além do sofrimento também experienciado pela família do toxicômano, conhecer as características da doença pode contribuir para a compreensão sobre o tratamento a ser desempenhado com o toxicômano, possibilitando agir como rede de apoio. Sendo um desafio para os profissionais de saúde, é possível afirmar que o conhecimento e preparo da equipe acerca das especificidades da doença, e acerca da personalidade do toxicômano, pode favorecer a elaboração de um tratamento adaptado com maior chance de efetividade e adesão do toxicômano. Nesse sentido, ressaltamos a importância da qualificação na formação do profissional e do desenvolvimento de programas de treinamento das equipes de atendimento aos usuários de álcool e outras drogas. 11 REFERENCIAS: ARAÚJO, C. A. Educação permanente em saúde na enfermagem: revisão narrativa. Rio Grande do Sul, 2015. BARROSO, A. F. Um Lugar para o Sujeito em Tempos de Consumo do Objeto: Um Estudo de Caso. Psicologia: Teoria e Pesquisa, v.31, n.4, p.537-542, out-dez, 2015. CANABARRO, R. de C. dos S. TOXICOMANIAS E PSICANÁLISE: ALGUMAS CONSIDERAÇÕES. 2011. 108f. Dissertação (Mestrado em Psicologia Social e Institucional) - Setor de Psicologia Social e Institucional, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre (RS) 2011. COLLE, F. X. Toxicomanias, sistemas e famílias: onde as drogas encontram as emoções. Lisboa: Climepsi, 2001. GURFINKEL, D. A pulsão e seu objeto-droga: estudo psicanalítico sobre toxicomania. Petrópolis: Vozes, 1996. MARCELLI, D. Manual de psicopatologia do adolescente. Porto Alegre: Artes Médicas,1989. SILVEIRA FILHO, D. X.; GORGULHO Mônica. Dependência: Compreensão às Toxicomanias. São Paulo: Casa do Psicólogo, 1996.