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QUÍMICA GERAL PARA ENGENHEIROS OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM > Reconhecer a evolução da teoria atômica. > Apresentar a estrutura do átomo. > Diferenciar elétrons, prótons e nêutrons. Introdução O estabelecimento do modelo atômico é uma história que já tem cerca de 2.600 anos, iniciada a partir das primeiras propostas sobre a constituição da matéria. Desde então, muito se aprendeu a respeito do átomo, mas novos esclarecimen- tos são buscados permanentemente, o que demonstra como esse assunto é importante. Neste capítulo, você conhecer a evolução da teoria e do modelo atômico. Além disso, vai estudar a estrutura do átomo. Por fim, vai ver as partículas subatômicas compõem o átomo. Evolução da teoria atômica Os primeiros filósofos que pensaram na existência do átomo foram Leucipo e Demócrito, na Grécia antiga. Leucipo foi o primeiro cientista a propor que todo o universo era feito de partículas indivisíveis, e Demócrito deu continuidade a essa ideia, chamando essas partículas de átomos. A palavra “átomo” vem do grego (a, de não, e tomo, de divisão) e significa “indivisível” (BROWN; LEMAY; Evolução da estrutura atômica Julia Gascho BURSTEN, 2005). Durante anos, muitos cientistas tentaram definir o átomo quanto à sua forma, e então surgiram os modelos atômicos. Modelo atômico de Dalton Pouco depois dos anos 1800, o cientista John Dalton, a partir das leis da con- servação de massa e da composição definida, propôs a sua teoria atômica, também chamada de modelo da bola de bilhar. Segundo Dalton, o átomo pode ser imaginado como uma minúscula esfera maciça, impenetrável, indestrutível e indivisível, lembrando uma bola de bilhar (RUSSEL, 2001). A teoria atômica de Dalton se baseia em alguns pilares; veja a seguir (BROWN; LEMAY; BURSTEN, 2005; RUSSEL, 2001). � Toda a matéria é constituída por partículas fundamentais (átomos), que são permanentes e indivisíveis, não podendo ser criados nem destruídos. � Os elementos químicos são caracterizados por seus átomos. Todos os átomos de um dado elemento são idênticos em todos os aspectos. Os átomos de elementos diferentes têm características diferentes. � As transformações químicas consistem em uma combinação, separação ou rearranjo de átomos. Compostos químicos são formados de átomos de dois ou mais elementos em uma razão fixa. Por exemplo, na Figura 1, a razão entre o número de átomos do elemento X e Y é 2:1. Figura 1. Teoria atômica de Dalton. Fonte: Chang e Goldsby (2013, p. 39). Evolução da estrutura atômica2 Modelo atômico de Thomson Em 1887, o físico britânico J. J. Thomson estava pesquisando sobre raios catódicos e, em seus experimentos, demonstrou que os átomos podiam ser interpretados como um feixe de partículas carregadas de energia elétrica negativa (ATKINS; JONES; LAVERMAN, 2018). Segundo o modelo atômico de Thomson, um átomo poderia ser uma esfera carregada positivamente, na qual alguns elétrons estão incrustados. Esse modelo é chamado de pudim de ameixas ou pudim de passas. Além disso, Thomson afirmava que a remoção de elétrons dos átomos poderia ocorrer facilmente (BROWN; LEMAY; BURSTEN, 2005). Modelo atômico de Rutherford Em 1911, o físico Ernest Rutherford realizou um experimento de radioatividade e bombardeou uma fina camada de ouro com partículas alfa de um material radioativo. Nesse experimento, Rutherford observou que grande parte das partículas atravessavam a camada de ouro, demonstrando que o átomo tinha espaços vazios; uma parte das partículas chegava até a camada de ouro e voltava, apontando que o átomo tinha um núcleo denso; e uma pequena quantidade de partículas sofria desvio em sua trajetória, indicando que o núcleo era positivo, afinal as partículas alfa eram carregadas positivamente e se repeliam ao passar por ele. Essas informações eram incompatíveis com os modelos de Dalton e Thomson (RUSSEL, 2001). Segundo Rutherford, o átomo consiste em um pequeno núcleo rodeado por um grande volume, onde os elétrons estão distribuídos. O núcleo carrega toda a carga positiva e a maior parte da massa do átomo. Além disso, os elétrons são dotados de cargas negativas (ATKINS; JONES; LAVERMAN, 2018). Rutherford é considerado o pai do átomo nuclear ou planetário, pois foi o primeiro a postular que os elétrons orbitavam ao redor do núcleo, assim como os planetas orbitam em torno do Sol. Seu modelo também é chamado de modelo nuclear do átomo. Além disso, Rutherford previu a existência do nêutron, mas não a comprovou experimentalmente (BROWN; LEMAY; BURSTEN, 2005). Modelo atômico de Bohr O cientista Niels Bohr, em 1913, propôs que os elétrons estavam em movimento, percorrendo órbitas elípticas. Bohr, utilizando alguns conceitos desenvolvidos Evolução da estrutura atômica 3 por Planck e Einstein em diversos experimentos, propôs que apenas algumas trajetórias eram possíveis para o elétron. Essas trajetórias são as camadas eletrônicas que compõem a eletrosfera de um átomo (KOTZ et al., 2015). Bohr propôs um modelo que se baseou no de Rutherford, apenas o apri- morando, e postulou que os elétrons se movimentavam nas camadas ao redor do núcleo, e essas camadas apresentam valores de energia específicos e constantes para cada elétron de um átomo. Para ir para um nível mais externo, o elétron deve absorver energia; já ao retornar para uma camada mais próxima do núcleo, o elétron libera energia (RUSSEL, 2001). Modelo atômico moderno O modelo atômico atual é composto pela contribuição de três cientistas (De Broglie, Heisenberg e Schrödinger) e envolve mecânica quântica (ATKINS; JONES; LAVERMAN, 2018). � De Broglie (1892-1987): contribuiu apontando a dualidade do elétron. Por esse princípio, é possível afirmar que o elétron apresenta com- portamento misto de partícula e onda. � Heisenberg (1901-1976): contribuiu com a incerteza. Por esse princípio, é impossível, ao mesmo tempo, determinar a posição e a energia (ve- locidade) do elétron. � Schrödinger (1887-1961): contribuiu com as equações de onda. São equações matemáticas com fator probabilístico. Sua interpretação resulta no conceito de orbital. Entretanto, o modelo de Rutherford-Bohr ainda é amplamente utilizado em termos de diversas explicações para o modelo atômico, descrevendo um átomo como portador de um núcleo central, muito pequeno, mas que contém a maior parte da massa do átomo e é circundado por uma enorme região extranuclear contendo elétrons (partículas de carga elétrica negativa). O núcleo contém prótons (partículas de carga elétrica positiva) e nêutrons (partículas de carga elétrica 0), porém o átomo como um todo não tem carga, pois o número de prótons é igual ao número de elétrons. A soma das massas dos elétrons em um átomo é praticamente desprezível em comparação com a massa dos prótons e dos nêutrons (RUSSEL, 2001). Evolução da estrutura atômica4 Para saber mais, leia o artigo “A história do desenvolvimento da teoria atômica: um percurso de Dalton a Bohr”, de Ehrick Melzer e Joanez Airez (2015), que resume a história do desenvolvimento das teorias atômicas. Estrutura do átomo O átomo é definido como a unidade básica de um elemento químico, que pode participar de uma combinação química. Inicialmente, o átomo foi pos- tulado por Dalton como uma partícula muito pequena, maciça e indivisível. Dalton revolucionou o desenvolvimento da química, e seu estudo explicou as relações de massa observadas nas reações químicas. Contudo, muitos estudos posteriores demonstraram que os átomos têm uma estrutura interna e são constituídos por partículas ainda menores, denominadas partículas subatômicas, que são os elétrons, os prótons e os nêutrons (CHANG, 2010). No século XIX, cientistas começaram a realizar testes experimentais cada vez mais precisos graças aos avanços tecnológicos. Os cientistas usavam informações descobertas por outros estudiosos anteriormente para desen- volver ainda mais o modelo atômico. Depois, as descobertas de um cientista eram substituídas pelas de outros.Os conceitos que estavam corretos per- maneciam, enquanto os que não eram reais eram dispensados. Essa série de descobertas da estrutura atômica até se chegar aos modelos atuais é o que chamamos de evolução do modelo atômico. Como vimos, as principais teorias atômicas estudadas nessa evolução foram as seguintes (Figura 2) (ATKINS; JONES; LAVERMAN, 2018; KOTZ et al., 2015). � Modelo atômico de Dalton (1803), ou modelo da bola de bilhar. � Modelo atômico de Thomson (1898), ou modelo do pudim de passas. � Modelo atômico de Rutherford (1911), ou modelo nuclear. � Modelo atômico de Bohr (1913), ou modelo de Bohr. � Modelo atômico quântico (1926), ou modelo da nuvem eletrônica. Evolução da estrutura atômica 5 Figura 2. Evolução do modelo atômico. Fonte: Designua/Shutterstock.com. Modelo de esfera sólida ou bola de bilhar J. Danton J. Thomson E. Rutherford N. Bohr E. Schrödinger Modelo do pudim de passas Modelo planetário ou nuclear Modelo de Bohr Modelo quântico A partir desses estudos, foi possível determinar características físicas das partículas subatômicas, como carga elétrica e massa. Conforme mostra a Figura 3, o núcleo do átomo é denso e constituído de nêutrons, partículas eletricamente neutras, e prótons, partículas eletricamente positivas. Apesar de muito pequeno, cerca de 10‒14 a 10‒15 metros de diâmetro, é no núcleo onde se concentra praticamente toda a massa do átomo. O núcleo é rodeado a uma distância de aproximadamente 10‒10 metros por partículas eletricamente negativas: os elétrons (SILVA; COELHO, 2018). Figura 3. Visão esquemática do átomo. Fonte: Silva e Coelho (2018, p. 17). Evolução da estrutura atômica6 Um átomo individual é identificado especificando o seu número atômico Z, que é o número de prótons presentes no núcleo, e a sua massa A, que é o número total de prótons mais nêutrons presentes no núcleo. Assim, o número de nêutrons no núcleo é igual a A ‒ Z. Um átomo específico é identificado pelo símbolo do elemento com o número atômico Z como um índice inferior e com o número de massa A como um índice superior. Assim, AXZ indica um átomo do elemento X com o número atômico Z e o número de massa A. Por exemplo, 16O8 refere-se a um átomo de oxigênio comum que tem número atômico 8 e número de massa 16. Todos os átomos de um dado elemento vão apresentar o mesmo número atômico, afinal todos têm o mesmo número de prótons no núcleo. Por isso, o índice inferior que representa o número atômico às vezes é omitido na identificação de um elemento químico (RUSSEL, 2001). Partículas subatômicas Nesta seção, vamos estudar as partículas subatômicas. Elétrons Durante seu estudo sobre a radiação, o físico Thomson descobriu o elétron, descrevendo os raios catódicos como correntes de partículas carregadas negativamente. Um elétron é uma partícula subatômica que se movimenta ao redor do núcleo de um átomo e que tem carga elétrica negativa. Cada elétron tem a carga ‒1. Por isso, quando dois elétrons se aproximam, eles tendem a se repelir. Por outro lado, quando um próton (carga positiva) e um elétron (carga negativa) se aproximam, eles se atraem (BROWN; LEMAY; BURSTEN, 2005). Os elétrons circulam em órbitas específicas e com níveis de energia bem definidos e não emitem energia ao percorrer essa rota. Apenas para passar de uma camada interna para uma mais externa ocorre a absorção de energia. Já para retornar para uma camada mais interna, o elétron libera energia. A quantidade de energia liberada depende do elemento químico em questão e da camada em que o elétron se encontra. Entretanto, é sempre múltiplo de uma quantia fixa: o quantum (CHANG; GOLDSBY, 2013). Após alguns estudos, foram descobertos os valores de carga elétrica e de massa de um elétron. Eles são, respectivamente, ‒1,6022 × 10‒19 C e 9,10 × 10‒28 g, que é uma massa extremamente pequena (CHANG, 2010). Evolução da estrutura atômica 7 Para saber mais sobre a descoberta do elétron, leia o livro Evolução dos modelos atômicos de Leucipo a Rutherford, de Ótom Oliveira e Joana Fernandes (2006). Prótons Logo após os elétrons serem descobertos, os prótons também foram reconhe- cidos. Afinal, se os átomos têm cargas negativas (elétrons) e são eletricamente neutros, isso significa que existe a presença de partículas subatômicas de carga positiva, que foram chamadas de prótons (BROWN; LEMAY; BURSTEN, 2005). O número de prótons no núcleo de um átomo é chamado de número atômico (Z) e distingue os elementos. Rutherford, por meio de seu experimento, propôs que todas as cargas positivas do átomo se concentravam em seu núcleo. Em estudos posteriores, cientistas verificaram que cada próton carrega a mesma quantidade de carga elétrica que um elétron e tem massa de 1,67262 × 10‒24 g, cerca de 1.840 vezes a massa de um elétron (CHANG; GOLDSBY, 2013). Nêutrons Os nêutrons foram descobertos pelo físico inglês Chadwik após o postulado de Rutherford. Essas partículas subatômicas mostraram ter massa ligeiramente maior do que a dos prótons (cerca de 1,67493 × 10‒24 g) e ser eletricamente neutras, por isso foram chamadas de nêutrons. O número de nêutrons do núcleo tem símbolo N, e o número total de partículas no núcleo de um átomo é chamado de massa atômica (A), sendo que A = Z (número de prótons) + N (número de nêutrons) (BROWN; LEMAY; BURSTEN, 2005). O Quadro 1 mostra as cargas e massas de um próton, um nêutron e um elétron. Evolução da estrutura atômica8 Quadro 1. Massa e cargas das partículas subatômicas Partícula Massa (g) Carga (C) Unidade de carga Elétron 9,10939 × 10‒28 ‒1,6022 × 10‒19 ‒1 Próton 1,67262 × 10‒24 +1,6022 × 10‒19 +1 Nêutron 1,67493 × 10‒24 0 0 Fonte: Adaptado de Chang (2010). A Figura 4 mostra a localização das partículas subatômicas no átomo. Existem outras partículas subatômicas, porém o próton, o nêutron e o elétron são os três componentes fundamentais do átomo (CHANG; GOLDSBY, 2013). Figura 4. Partículas subatômicas no átomo. Fonte: Chang (2010, p. 34). É importante entender que muitos estudos foram feitos para que pudés- semos compreender o átomo e a matéria do modo como entendemos hoje. Além de explicar a matéria em sua essência, a estrutura atômica é um assunto em constante evolução e que ainda intriga muitos pesquisadores. Evolução da estrutura atômica 9 Referências ATKINS, P.; JONES, L.; LAVERMAN, L. Princípios de química: questionando a vida moderna e o meio ambiente. 7. ed. Porto Alegre: Bookman, 2018. BROWN, T.; LEMAY, H. E.; BURSTEN, B. E. Química: a ciência central. 9. ed. São Paulo: Prentice-Hall, 2005. CHANG, R. Química geral: conceitos essenciais. 4. ed. Porto Alegre: AMGH, 2010. CHANG, R.; GOLDSBY, K. A. Química. 11. ed. Porto Alegre: AMGH, 2013. KOTZ, J. C. et al. Química geral e reações químicas. 9. ed. São Paulo: Cengage Learning, 2015. 2 v. RUSSEL, J. B. Química geral. 2. ed. São Paulo: Makron Books, 2001. 2 v. SILVA, R. B.; COELHO, F. L. Fundamentos de química orgânica e inorgânica. Porto Alegre: Sagah, 2018. Leituras recomendadas MELZER, E. E. M.; AIRES, J. A. A história do desenvolvimento da teoria atômica: um percurso de Dalton a Bohr. Amazônia – Revista de Educação em Ciências e Matemática, v. 11, n. 22, p. 62-77, 2015. OLIVEIRA, O. A.; FERNANDES, J. D. G. Evolução dos modelos atômicos de Leucipo a Rutherford. Natal: Editora da UFRN, 2006. Evolução da estrutura atômica10