Prévia do material em texto
Estruturas Metálicas Responsável pelo Conteúdo: Prof. Dr. Antonio Carlos da Fonseca Bragança Pinheiro Revisão Textual: Esp. Sara Marques Oro� no Ligações Parafusadas Ligações Parafusadas • Apresentar as vantagens e desvantagens das ligações parafusadas; • Discutir os tipos de ligações com parafusos estruturais e os tipos de parafusos estruturais; • Apresentar o dimensionamento de ligações parafusadas. OBJETIVOS DE APRENDIZADO • Introdução; • Vantagens e Desvantagens das Ligações Parafusadas; • Tipos de Parafusos para Ligações em Estruturas de Aço; • Dimensionamento de Ligações Parafusadas; • Exemplos de Dimensionamento de Ligações Parafusadas. UNIDADE Ligações Parafusadas Introdução As ligações em estruturas são compostas pelos elementos de ligação e pelos meios de ligação (Figura 1). Figura 1 – Estrutura de aço com ligações parafusadas Fonte: Getty Images Os elementos de ligação são todos os componentes incluídos no conjunto estrutural que permitem ou facilitam a transmissão dos esforços entre elementos estruturais, como (Figura 2): • cantoneiras; • chapas de ligação; • consoles; • enrijecedores; • partes das peças ligadas envolvidas localmente nas ligações; • placas de base; • talas de emenda. Elementos de ligação em estrururas de aço Cantoneras Chapas de ligação Consoles Enrijecedores Talas de emenda Placas de base Partes das peças ligadas envolvidas localmente nas ligações Figura 2 – Elementos de ligação em estruturas de aço 8 9 Os meios de ligação são os elementos que promovem a união entre as partes da estru- tura que formam a ligação, dentre eles os parafusos estruturais. Figura 3 – Produção do aço laminado Fonte: Getty Images Os parafusos estruturais com cabeça sextavada, onde têm seu tipo estampado (Figura 3). Os parafusos estruturais são fixados por meio de porcas e arruelas de aço (Figura 4). Porca Arruela Figura 4 – Elementos para fi xação dos parafusos estruturais Fonte: Adaptada de Wikimedia Commons 9 UNIDADE Ligações Parafusadas A nomenclatura das partes componentes dos parafusos estruturais é apresentada na Figura 5. Rosca Porca Comprimento da rosca Fim da rosca Haste Raio Cabeça Comprimento nominal Comprimento da haste Figura 5 – Nomenclatura das partes componentes dos parafusos estruturais Fonte: Adaptada de Wikimedia Commons Os parafusos são fixados utilizando-se ferramentas como a chave inglesa, a chave estrela ou a chave fixa (Figura 6). Chave estrela Chave inglesa Chave �xa Figura 6 – Tipos de chaves para aperto de parafusos sextavados Fonte: Adaptada de Getty Images O aperto nos parafusos é dado por meio da fixação de uma chave na cabeça do mesmo, e da rotação de outra chave fixada na porca do parafuso (Figura 7). As ligações estruturais devem ser dimensionadas de forma que a sua resistência de cálculo seja igual ou superior à solicitação de cálculo, ou a uma porcentagem especificada da resistência de cálculo das barras que une. As solicitações de cálculo (forças e momentos) são calculadas por meio da análise da ligação, sujeita às ações respectivamente multiplicadas pelos coeficientes de ponderação e combinação específicos. Assim, as ligações devem ter resistência suficiente para suportar as ações atuantes e satisfazer todos os requisitos básicos apresentados na norma brasi- leira ABNT NBR 8800: 2008. A resistência de cálculo das ligações será determinada com base na resistência dos elementos e meios de ligação que a compõem. 10 11 Figura 7 – Aperto do parafuso Fonte: Getty Images Vantagens e Desvantagens das Ligações Parafusadas As estruturas de aço são constituídas por elementos de aço existentes no mercado, que são interligados para compor as estruturas. As ligações parafusadas devem ser utilizadas nas montagens em campo, isto é, nas obras. Esta solução tecnológica apre- senta vantagens, bem como desvantagens, que são importantes de serem estudadas de maneira adequada. Vantagens das Ligações Parafusadas A utilização de ligações parafusadas em estruturas de aço pode trazer várias vanta- gens em determinadas condições da construção civil. A utilização de elementos estruturais em aço que são unidos através de parafusos permite a construção de estruturas que podem atender concepções arrojadas de arqui- tetura em edificações, ou em elementos de infraestrutura. Como vantagens desse sistema de ligação, é possível citar (Figura 8): • Redução do tempo de montagem da estrutura: a utilização de parafusos nas ligações das estruturas de aço pode significar a redução no tempo de montagem que seria necessário se fossem utilizados processos de soldagem; • Facilidade de montagem e desmontagem da estrutura: o emprego de parafusos possibilita maior facilidade de montagem e desmontagem das estruturas de aço se comparadas às estruturas com ligações soldadas; • Facilidade de inspeção das ligações: a inspeção das ligações parafusadas é rápi- da, porque os parafusos são facilmente identificáveis se comparada às característi- cas das ligações soldadas; 11 UNIDADE Ligações Parafusadas • Economia de energia elétrica utilizada nas ligações estruturais: a utilização de parafusos nas ligações de estruturas de aço possibilita uma economia de energia elétrica se comparada às ligações soldadas; • Emprego de mão de obra não qualificada na execução das ligações: a mão de obra para a execução das ligações parafusadas é muito mais simples se comparada à empregada nas ligações soldadas; • Permite desmontagens para alterações e reparos: o emprego de parafusos nas ligações de estruturas de aço permite desmontagens estruturais para alterações de layout ou reparo; • Aumento da qualidade no processo e nos produtos: a utilização de parafusos em estruturas de aço possibilita um aumento da qualidade do processo e nos pro- dutos, uma vez que existe um grande controle em sua produção fabril, com maior precisão alcançada através da utilização de mão de obra qualificada, materiais de qualidade e equipamentos adequados; • Maior facilidade de transporte e de manuseio da estrutura: as estruturas parafu- sadas podem ser transportadas em elementos compactos para serem consolidados na obra. Vantagens das ligações parafusadas Redução do tempo de montagem da estrutura Facilidade de montagem e desmontagem da estrutura Facilidade de inspeção das ligações Economia de energia elétrica utilizada nas ligações estruturais Maior facilidade de transporte e de manuseio da estrutura Aumento da qualidade no processo e nos produtos Permite desmontagens para alterações e reparos Emprego de mão de obra não quali�cada na execução das ligações Figura 8 – Vantagens das ligações parafusadas Desvantagens das Ligações Parafusadas A utilização de ligações parafusadas em estruturas de aço pode apresentar algumas desvantagens em suas aplicações. Nesse caso, deve ser feita uma análise das condições de utilização de cada tecnologia e da relação custo-benefício de sua utilização. Como desvantagens desse sistema de ligação estrutural, é possível citar (Figura 9): • Custo global: dependendo do tipo e do planejamento de uma obra, a estrutura em aço consolidada por ligações parafusadas pode custar mais caro do que uma estrutura consolidada através de ligações soldadas. Esse custo engloba as atividades de perfuração e de montagem das estruturas; • Enfraquecimento das peças ligadas: as estruturas metálicas consolidadas por ligações parafusadas têm a redução da seção transversal no local da ligação, devido a perfuração para a passagem dos parafusos; 12 13 • Controle do tipo e da quantidade de parafusos: a utilização de parafusos de diversas categorias e tamanhos exige um controle do tipo e da quantidade; • Cuidado com o torque aplicado nos parafusos: a utilização de parafusos nas ligações necessita de controle do aperto feito em cada parafuso; • Fiscalização da aplicação dos parafusos nas ligações: a utilização de diversos tipos de parafusos exige um bom controle de sua aplicação nas ligações.Desvantagens das ligações parafusadas Custo global Enfraquecimento das pecas ligadas Controle do tipo e da quantidade de parafusos Fiscalização da aplicação dos parafusos nas ligações Cuidado com o torque aplicado nos parafusos Figura 9 – Desvantagens das ligações parafusadas Tipos de Parafusos para Ligações em Estruturas de Aço Os parafusos para ligações em estruturas de aço podem ser comuns ou de alta resis- tência (Figura 10). Parafusos para ligações em estruturas de aço Parafusos de alta resistência Parafusos comuns Figura 10 – Tipos de parafusos para ligações em estruturas de aço As ligações com parafuso podem ser por contato ou por atrito (Figura 11). Tipos de ligações com parafusos estruturais Ligação por atritoLigação por contato Figura 11 – Tipos de ligações com parafusos estruturais 13 UNIDADE Ligações Parafusadas Ligações com Parafusos por Contato Nas ligações com parafusos por contato, o esforço é transferido através do cisalha- mento do corpo do parafuso. O estrago em ligações por contato submetida à força cortante pode ocorrer por: • Cisalhamento do parafuso: estado limite de ruptura por cisalhamento do plano de corte do parafuso; • Esmagamento da chapa pelo parafuso: esmagamento da parede do furo; • Rasgamento da chapa pelo parafuso: rasgamento entre dois furos consecutivos, ou entre furo e borda; • Flexão no parafuso. Ligações com Parafusos por Atrito Nas ligações com parafusos por atrito, o esforço é transferido através do atrito exis- tente entre as duas peças ligadas. A ligação por atrito é conseguida por meio de parafusos de alta resistência com aper- to controlado. • Parafusos comuns: Os parafusos comuns são fabricados em liga de aço carbono e designados como ASTM A307, ou apenas como A307. Estes parafusos são aplicados em elementos estruturais com pequenos esforços, como treliças e estruturas leves em geral. O custo dos parafusos comuns é baixo, assim como a sua resistência. Esse tipo de parafuso tem sua ligação sempre de contato; • Parafusos de alta resistência: Os parafusos de alta resistência podem ser de dois tipos: por atrito ou por contato. » Por Atrito (F – Friction): Esses parafusos são do tipo A325-F e A490-F. Neste tipo de parafuso (F), para ocorrer o atrito entre as chapas que serão liga- das, deve ser aplicada uma protensão em seu corpo. A protensão é medida pelo torque dado em sua porca. A protensão possibilita que as chapas ligadas pelo parafuso tenham grande resis- tência ao deslizamento. A proteção é aplicada por um equipamento denominado torquímetro (Figura 12); Figura 12 – Torquímetro Fonte: Wikimedia Commons 14 15 » Por Contato (N – Normal e X – EXcluded): Parafusos do tipo A325-N e A490-N (N – Normal). O parafuso tipo (N) tem a sua rosca no plano de corte, isto e, ela está no plano de cisalhamento do parafuso. Neste caso, a área da seção transversal do parafuso na região da rosca é menor que a área de seu corpo (Figura 13); Plano de corte Haste Rosca Comprimento Nominal Figura 13 – Parafuso de alta resistência por contato normal » Parafusos do tipo A325-X e A490-X (X – EXcluded): O parafuso tipo (X) tem a sua rosca fora do plano de corte, isto é, ela está fora do plano de cisalhamento do corpo do parafuso (Figura 14). Plano de corte Haste Rosca Comprimento Nominal Figura 14 – Parafuso de alta resistência por contato excluded 15 UNIDADE Ligações Parafusadas Métodos de Aplicação da Protensão em Parafusos A norma técnica ABNT NBR 8800: 2008, indica que o controle do aperto dos para- fusos pode ser feito mediante três processos (Figura 15): • Aperto pelo método da rotação da porca; • Aperto com chave calibrada ou chave manual com torquímetro; • Aperto pelo uso de um indicador direto de tração. Aperto pelo uso de um indicador direto de tração Métodos de aplicação da protensão em parafusos Aperto pelo método da rotação da porca Aperto com chave calibrada ou chave manual com torquímetro Figura 15 – Métodos de aplicação da protensão em parafusos Aperto pelo Método da Rotação da Porca (NBR 8800: 2008, item 6.7.4.3). Neste método, para aplicar a força de protensão mínima especificada na Tabela 1, deve haver um número suficiente de parafusos na condição de pré-torque, de forma a garantir que as partes estejam em pleno contato. Tabela 1 – Força de protensão mínima em parafusos ASTM db (mm) FTb (kN) ASTM A325 ASTM A490 16 91 114 20 142 179 22 176 221 24 205 257 27 267 334 30 326 408 36 475 595 Fonte: Adaptada de ABNT NBR 8800: 2008 A condição de pré-torque é o aperto obtido após poucos impactos aplicados por uma chave de impacto, ou pelo esforço máximo aplicado por uma pessoa usando uma chave normal. Após essa operação inicial, devem ser colocados parafusos nos furos restantes e, em seguida, também levados à condição de pré-torque. A seguir, todos os parafusos recebem um aperto adicional por meio da rotação aplicável da porca, como indicado 16 17 na Tabela 2. Tanto o aperto adicional quanto o torque final devem se iniciar pela parte mais rígida da ligação e prosseguir em direção às bordas livres. Durante essa operação, a parte oposta àquela em que se aplica a rotação não pode girar. Tabela 2 – Rotação da porca a partir da posição de pré-torque Comprimento do parafuso (medido da parte inferior da cabeça à extremidade) Disposição das faces externas das partes parafusadas Ambas as faces normais ao eixo do parafuso Uma das faces normal ao eixo do parafuso e a outra face inclinada a não mais que 1:20 (sem arruela biselada) Ambas as faces inclinadas em relação ao plano normal ao eixo do parafuso a não mais que 1:20 (sem arruelas biseladas) Inferior ou igual a 4 diâmetros 1/3 de volta 1/2 volta 2/3 de volta Acima de 4 diâmetros até no máximo 8 diâmetros, inclusive 1/2 volta 2/3 de volta 5/6 de volta Acima de 8 diâmetros até no máximo 12 diâmetros 2/3 de volta 5/6 de volta 1 volta a) A rotação da porca é considerada em relação ao parafuso, sem levar em conta o elemento que está sendo girado (porca ou parafuso). Para parafusos instalados com ½ volta ou menos, a tolerância na rotação é de mais ou menos 30º; para parafusos instalados com 2/3 de volta ou mais, a tolerância na rotação é de mais ou menos 45º. b) Nenhuma pesquisa foi feita para estabelecer o procedimento a ser usado para aperto pelo método da rotação da porca, para comprimentos de parafusos superiores a 12 diâmetros. Portanto, a rotação necessária deve ser determinada por ensaios em um dispositivo adequado, que meça a tração simulando condições reais. Fonte: Adaptada de ABNT NBR 8800: 2008 Aperto com chave calibrada ou chave manual com torquímetro (NBR 8800: 2008 – item 6.7.4.4). Neste método, as chaves devem ser reguladas para fornecer uma protensão mínima de 5% superior à protensão dada na Tabela 1. As chaves devem ser calibradas pelo menos uma vez por dia de trabalho, para cada diâmetro de parafuso a instalar, e devem ser recalibradas quando forem feitas mudanças significativas no equipamento, ou quando for notada uma diferença significativa nas condições de cada superfície dos parafusos, porcas e arruelas. Para demais condições, vide item 6.7.4.4.2 da NBR 8800: 2008. Aperto pelo uso de um indicador direto de tração (NBR 8800: 2008, item 6.7.4.5). A norma técnica ABNT NBR 8800: 2008 permite apertar parafusos pelo uso de um indicador direto de tração, desde que fique demonstrado, por um método preciso de medida direta, que o parafuso ficou sujeito à força mínima de protensão estabelecida na Tabela 1. Dimensionamento de Ligações Parafusadas Para o dimensionamento de ligações parafusadas, deve-se determinar a menor resis- tência na peça (região com e sem furos), bem como o cisalhamento no corpo do parafuso e a pressão de contato nos furos (esmagamento e rasgamento) (Figura 16). 17 UNIDADE Ligações Parafusadas Métodos de aplicação da protensão em parafusos Resistência na região sem furos Resistência na região com furos Resistência ao cisalhamentono corpo do parafuso Resistência a pressão de contato do parafuso (esmagamento e resgamento) Peça Furos Parafuso Figura 16 – Dimensionamento de ligações parafusadas Fonte: Acervo do conteudista As ligações sujeitas a uma força solicitante de cálculo, em qualquer direção, inferior a 45 kN – excetuando-se diagonais e montantes de travejamento de barras compostas, tirantes constituídos de barras redondas, travessas de fechamento lateral e terças de cober- turas de edifícios –, devem ser dimensionadas para uma força solicitante de cálculo igual a 45 kN, com direção e sentido da força atuante (ABNT NBR 8800: 2008 – item 6.1.5.2). Grupos de parafusos ou soldas, situados nas extremidades de qualquer barra axial- mente solicitada, devem ter seus centros geométricos sobre o eixo que passa pelo centro geométrico da seção da barra, a não ser que seja levado em conta o efeito de excentri- cidade (ABNT NBR 8800: 2008 – item 6.1.8.1). Nos casos de cantoneiras simples ou duplas e barras semelhantes solicitadas axial- mente, não é exigido que o centro geométrico de grupos de parafusos ou soldas de filete fique sobre o eixo baricêntrico da barra – nas suas extremidades –, para os casos de barras não sujeitas a fadiga; a excentricidade entre os eixos da barra e das ligações pode ser desprezada em barras solicitadas estaticamente, mas deve ser levada em conta em barras sujeitas a fadiga (ABNT NBR 8800: 2008 – item 6.1.8.2). Área Efetiva do Parafuso A área efetiva, ou área resistente, de um parafuso ou de uma barra redonda rosque- ada (Abe), para tração, é um valor compreendido entre a área bruta (Ab) e a área da raiz da rosca. A área efetiva é baseada no diâmetro do parafuso ou no diâmetro externo da rosca da barra redonda rosqueada (db) (ABNT NBR 8800: 2008 – item 6.3.3.2). 0,75be bA A= (Eq. 1) 20, 25b bA dπ= (Eq. 2) Onde: • Abe – área efetiva do parafuso; 18 19 • Ab – área bruta do parafuso; • db – diâmetro do parafuso ou diâmetro externo da rosca da barra redonda rosqueada. Área Efetiva para Pressão de Contato A área efetiva para pressão de contato do parafuso é igual ao diâmetro do parafuso multiplicado pela espessura da chapa considerada. Aef-contato = dbt (Eq. 3) Força Resistente de Cálculo a Tração A força de tração resistente de cálculo de um parafuso tracionado é dada pela Equa- ção 4 (ABNT NBR 8800: 2008 – item 6.3.3.1). , 2 be ub t Rd a A fF γ = (Eq. 4) Onde: • fub – resistência à ruptura do aço do parafuso à tração (NBR 8800: 2008 – Anexo A); • γa2 – coeficiente de ponderação das resistências à ruptura (NBR 8800: 2008 – Tabela 3). Força Resistente de Cálculo ao Cisalhamento A força de cisalhamento resistente de cálculo de um parafuso é por plano de corte para parafusos de alta resistência, quando o plano de corte passa pela rosca. E para parafusos comuns, em qualquer situação, é dada pela Equação 5 (ABNT NBR 8800: 2008 – item 6.3.3.2). , 2 0, 4 b ub Rd a A fFν γ = (Eq. 5) Se para parafusos de alta resistência o plano de corte não passa pela rosca, usar a Equação 6. , 2 0,5 b ub Rd a A fFν γ = (Eq. 6) Força Resistente de Cálculo à Pressão de Contato em Furos A força resistente de cálculo à pressão de contato na parede de um furo, já levando em conta o rasgamento entre dois furos consecutivos ou entre um furo extremo e a borda – no caso de furos-padrão, furos alargados, furos pouco alongados em qualquer 19 UNIDADE Ligações Parafusadas direção e furos muito alongados na direção da força –, quando a deformação no furo para forças de serviço for uma limitação de projeto, utilizar a Equação 7 (ABNT NBR 8800: 2008 – item 6.3.3.3). , 2 2 1, 2 2,4f u b u c Rd a a t f d t fF γ γ = ≤ (Eq. 7) Se a deformação no furo para forças de serviço não for uma limitação de projeto, utilizar a Equação 8. , 2 2 1,5 3,0f u b u c Rd a a t f d t fF γ γ = ≤ (Eq. 8) No caso de furos muitos alongados na direção perpendicular à da força, utilizar a Equação 9. , 2 2 1,0 2,0f u b u c Rd a a t f d t fF γ γ = ≤ (Eq. 9) Onde: • lf – distância, na direção da força, entre a borda do furo e a borda do furo adjacente, ou a borda livre; • db – diâmetro do parafuso; • t – espessura da parte ligada; • fu – resistência à ruptura do aço da parede do furo. Colapso por Rasgamento Para o estado limite de colapso por rasgamento, a força resistente é determinada pela soma das forças resistentes ao cisalhamento de uma ou mais linhas de falha, e à tração em um segmento perpendicular (NBR 8800: 2008 – item 6.5.6). , 2 2 0,6 0,6u nv ts u nt y gv ts u nt r Rd a a f A C f A f A C f A F γ γ + + = ≤ Onde: • Agv – área bruta sujeita a cisalhamento; • Anv – área líquida sujeita a cisalhamento; • Ant – área líquida sujeita à tração; • Cts – igual a 1,0 quando a tensão de tração na área líquida for uniforme, e igual a 0,5 quando for não uniforme. 20 21 Força Resistente de Cálculo à Tração e Cisalhamento Combinados Quando ocorrer a ação simultânea de tração e cisalhamento, deve ser atendida a Equação 10 (ABNT NBR 8800: 2008 – item 6.3.3.4). 2 2 , , , , 1,0t Sd Sd t Rd Rd F F F F ν ν + ≤ (Eq. 10) Onde: • Ft,Sd – força de tração solicitante de cálculo por parafuso ou barra redonda rosqueada; • Fv,Sd – força de cisalhamento solicitante de cálculo, no plano considerado do para- fuso ou barra redonda rosqueada. Força Resistente de Parafusos de Alta Resistência em Ligações por Atrito Nas ligações com furos alargados à direção da força aplicada, o deslizamento deve ser considerado estado limite último. Nas ligações com furos-padrão e furos pouco alon- gados, ou muito alongados com estiramentos transversais à direção da força aplicada, o deslizamento deve ser considerado estado limite de serviço. Nas situações em que o deslizamento é um estado limite último, a força resistente de cálculo de um parafuso ao deslizamento (Ff,Rd) deve ser igual ou superior à força cortante soli- citante de cálculo no parafuso, calculada com as combinações últimas de ações. O valor da força resistente de cálculo é dado pela Equação 11 (ABNT NBR 8800: 2008 – item 6.3.4.3). , , 1,13 1 1,13 t Sdh Tb s f Rd e Tb FC F nF F µ γ = − (Eq. 11) Onde: • FTb – força de protensão mínima por parafuso (NBR 8800: 2008, item 6.7.4.1); • Ft,Sd – força de tração solicitante de cálculo no parafuso que reduz a força de proten- são, calculada em combinações últimas de ações (NBR 8800: 2008, item 4.7 7.2); • Ns – número de planos de deslizamento; • γe – coeficiente de ponderação da resistência, igual a 1,20 para combinações normais, especiais ou de construção, e 1,00 para combinações excepcionais; • μ – coeficiente médio de atrito (NBR 8800: 2008, item 6.3.4.3); • Ch – fator de furo (NBR 8800: 2008, item 6.3.4.3). Além disso, as forças de cálculo no parafuso, produzidas pelas combinações de aços de cálculo, não podem ultrapassar as resistências de cálculo à tração, força cortante e pressão de contato em furos, as quais são as mesmas utilizadas para ligações por contato. 21 UNIDADE Ligações Parafusadas Espaçamento de Parafusos • Espaçamento mínimo entre furos: a distância entre centros de furos padrão não pode ser inferior a 2,7db, deve-se usar 3db, sendo db, o diâmetro nominal do para- fuso (NBR 8800: 2008 – item 6.3.9); • Distâncias mínimas de um furo às bordas: a distância do centro de um furo padrão a qualquer borda de uma parte ligada não pode ser inferior ao valor indicado na Tabela 14 da norma técnica ABNT NBR 8800: 2008 (NBR 8800: 2008 – item 6.3.11). Exemplos de Dimensionamento de Ligações Parafusadas Exemplo 1 Duas chapas de 204mm x 12,7mm de aço ASTM A36 (fu = 400 MPa) são ligadas através de duas chapas laterais de 9,5mm, utilizando parafusos comuns de aço A307 (fub = 415 MPa), com diâmetro d = 22mm (Figura 17). As chapas estão sujeitas às forças de tração: Ng = 200kN e Nq = 100kN, respectivamente derivadas de cargas permanentes e variáveis resultantes do uso da estrutura.Verificar a segurança da emenda no estado limite último para combinações normais. Não é necessária a verificação das chapas à tração, deve-se assumir que a deformação do furo para forças de serviço é uma limitação de projeto. As distâncias máximas e mínimas entre furos, bem como entre furos e bordas, atendem aos critérios da norma técnica ABNT NBR 8800: 2008. Dados: • γg = 1,4; • γq = 1,5. 38 mm 64 mm 204 mm Nsd Nsd Nsd Nsd 64 mm 9,5 mm 12,7 mm 9,5 mm 51 mm 70 mm 51 mm Parafuso → d = 22 mm 38 mm Figura 17 – Ligação do exemplo 22 23 Solução Esforço Solicitante de Cálculo: NSd = γgNg + γqNq = 1,4 × 200 + 1,5 × 100 = 430kN A ligação da Figura 17 está sujeita apenas à força cortante, sendo necessário verificar a ligação em relação aos seguintes itens: • cisalhamento nos parafusos; • pressão de contato na parede dos furos; • colapso por rasgamento (cisalhamento de bloco). Cisalhamento nos parafusos Os parafusos são do tipo comum, apresentam dois planos de corte, são de aço A307 (fub = 415 MPa) e a força é resistida por 6 parafusos. Para um único parafuso com um único plano de corte: Combinação normal para ruptura: γa2 = 1,35 (NBR 8800: 2008 – Tabela 3). ( ) ( )2 2 , 1 2 2 0, 4 0,25 0,4 0,25 2,2 41,50,4 1,35 b ubb ub Rd a a d fA fFν π π γ γ = = = , 1 46,74RdF kNν = Para 6 parafusos com 2 planos de corte cada: , , 1 6 2 46,74 12 560,91Rd RdF F kNν ν= × × = × = Assim: , ,560,91 430Rd SdF kN F kNν ν= > = Pressão de contato na parede dos furos Tanto as chapas de 12,7mm quanto as chapas de 9,5mm de espessura devem ser verificadas quanto à pressão de contato. A força que atua na chapa de 12,7mm é Nsd = 430kN, e a força que atua em cada uma das chapas 9,5mm vale Nsd/2 = 430kN/2 = 215kN. Para o cálculo de lf, é necessário considerar o diâmetro do furo padrão igual (furos realizados com broca – ABNT NBR 8800: 2008 – Tabela 12 e item 5.2.4.1a): dfuro = db + 1,5mm Assim, serão verificados os parafusos externos (mais próximos à borda da ligação) e os parafusos internos (mais distantes da borda da ligação). Também há o furo padrão e a deformação do furo para forças de serviço, que é uma limitação de projeto. 23 UNIDADE Ligações Parafusadas Para um único parafuso externo da chapa de 12,7 mm: dfuro = db + 1,5 = 22 + 1,5 = 23,5mm lf = distborda − 0,5d = 51 − 0,5 × 23,5 = 39,25mm , ,1 2 2 1, 2 1,4f u b u c Rd ext a a t f d t fF γ γ− = ≤ , ,1 1, 2 3,925 1,27 40,0 2,4 2,2 1,27 40,0 1,35 1,35c Rd extF − × × × × × × = ≤ , ,1 177,23 198,68c Rd extF kN kN− = ≤ , ,1 177,23c Rd extF kN− = Para um único parafuso interno da chapa de 12,7 mm: lf = distentre-parafusos – 2 x (0,5d) = 70 – 2 x (0,5 × 23,5) = 46,50mm , ,1 2 2 1, 2 2,4f u b u c Rd int a a t f d t fF γ γ− = ≤ , ,1 1, 2 4,650 1,27 40,0 2,4 2,2 1,27 40,0 1,35 1,35c Rd intF − × × × × × × = ≤ , ,1 209,97 198,68c Rd intF kN kN− = ≤ , ,1 198,68c Rd intF kN− = Como são 6 parafusos por ligação, 3 internos e 3 externos: , , ,1 , ,13 3 177,23 3 198,68 3c Rd c Rd ext c Rd intF F F− −= × + × = × + × , ,1127,73 430c Rd c SdF kN F kN= > = A chapa de 12,7mm da ligação atende ao critério exigido. Para um único parafuso externo da chapa de 9,5 mm: lf = distborda − 0,5d = 51 − 0,5 × 23,5 = 39,25mm , ,1 2 2 1, 2 2,4f u b u c Rd ext a a t f d t fF γ γ− = ≤ , ,1 1, 2 3,925 0,95 40,0 2,4 2,2 0,95 40,0 1,35 1,35c Rd extF − × × × × × × = ≤ , ,1 132,57 148,62c Rd extF kN kN− = ≤ , ,1 132,57c Rd extF kN− = 24 25 Para um único parafuso interno da chapa de 9,5 mm: lf = distentre-parafusos – 2 x (0,5d) = 70 – 2 x (0,5 × 23,5) = 46,50mm , ,1 2 2 1, 2 2,4f u b u c Rd int a a t f d t fF γ γ− = ≤ , ,1 1, 2 4,65 0,95 40,0 2,4 2,2 0,95 40,0 1,35 1,35c Rd intF − × × × × × × = ≤ , ,1 157,07 148,62c Rd intF kN kN− = ≤ , ,1 148,62c Rd intF kN− = Como são 6 parafusos por ligação, 3 internos e 3 externos: , , ,1 , ,13 3 132,57 3 148,62 3c Rd c Rd ext c Rd intF F F− −= × + × = × + × , , 430843,57 215 2c Rd c Sd kNF kN F kN= > = = A chapa de 9,5mm da ligação atende ao critério exigido. Rasgamento da ligação No diâmetro do furo, será adicionado 2mm para furos puncionados (NBR 8800: 2008 – item 5.2.4.1a): dfuro,ef = db + 1,5 + 2,0 = 22 + 1,5 + 2,0= 25,5mm Área bruta sujeita a cisalhamento (Agv): Agv = (70mm + 51mm) x t x n = 12,1 x 1,27 x 2 = 30,7cm2 Área líquida sujeita a cisalhamento (Anv): Anv = (70mm + 51mm − 1,5dfuro) × t × n = (12,1 − 1,5 × 2,55) × 1,27 × 2 = 21,0cm2 Área líquida sujeita à tração (Ant): Ant = (38mm + 38mm − 2 × 0,5dfuro) × t × n = (7,6 − 1,0 × 2,55) × 1,27 × 2 = 12,8cm2 Cálculo da força resistente de cálculo ao colapso por rasgamento como sendo (NBR 8800: 2008 – item 6.5.6): , 2 2 0,6 0,6u nv ts u nt y gv ts u nt r Rd a a f A C f A f A C f A F γ γ + + = ≤ Cts = 1,0 (NBR 8800: 2008, item 6.3.4.3) 25 UNIDADE Ligações Parafusadas , 0,6 40 21 1,0 40 12,8 0,6 25 30,7 1,0 40 12,8 1,35 1,35n RdF × × + × × × × + × × = ≤ , 752,59 720,37n RdF kN kN= ≤ , 720,37n RdF kN= , ,720,37 430n Rd r SdF kN F kN= > = A ligação atende a esse critério exigido. Exemplo 2 Desprezando o pequeno efeito da excentricidade introduzida pela ligação, calcular qual é a força resistente de cálculo ao colapso por rasgamento para a ligação da Figura 18. Dados: • parafusos com diâmetro igual a 12,7mm de aço A307; • tirante de uma treliça de telhado constituído por duas cantoneiras 63 x 6,3mm conectadas à uma chapa de 6,3mm. NsdNsd # 6,3 mm 35 mm 29 mm Parafusos → d = 12,7 mm 25 mm 25 mm40 mm 40 mm 40 mm 40 mm Figura 18 – Ligação do Exemplo 2 Solução O rasgamento não pode ocorrer sobre a aba da cantoneira, pois este tem uma área muito superior à área do lado em que não há aba. Como a distância dos parafusos ao limite da chapa de 6,3mm não foi informada, ainda pode-se assumir que essa distância será tão grande que não representará a situação crítica da ligação. Assim, calcula-se para o caso crítico a área bruta sujeita à cisalhamento (Agv), a área líquida sujeita à cisalhamento (Anv) e a área líquida sujeita à tração (Ant), sendo (n) o número de vezes que a área se repete na ligação. 26 27 O diâmetro do furo deve ser utilizado em seu valor efetivo, acrescentando-se 2,0mm ao diâmetro real do furo: dfuro = db + 1,5 + 2,0 = 12,7 + 1,5 + 2,0 = 16,2mm Área bruta sujeita a cisalhamento (Agv): Agv = (4,0 + 4,0 + 4,0 + 4,0 + 2,5) × t × n = 18,5 × 0,63 × 2 = 23,31cm2 Área Líquida sujeita a cisalhamento (Anv): Anv = (4,0 + 4,0 + 4,0 + 4,0 + 2,5 − 4,5dfuro) × t × n Anv = (18,5 − 4,5 × 1,62) × 0,63 × 2 = 14,125cm2 Área Líquida sujeita à tração (Ant): Ant = (2,9 − 0,5dfuro,ef ) × t × n = (2,9 − 0,5 × 1,62) × 0,63 × 2 = 2,633cm2 Com esses valores, e sendo este um dos casos em que Cts = 1,0, calcula-se a força resistente de cálculo ao colapso por rasgamento como sendo: , 2 2 0,6 0,6u nv ts u nt y gv ts u nt r Rd a a f A C f A f A C f A F γ γ + + = ≤ , 0,6 40 14,125 1,0 40 2,633 0,6 25 23,31 1,0 40 2,633 1,35 1,35n RdF × × + × × × × + × × = ≤ , 329,126 337,015n RdF kN kN= ≤ , 329,126n RdF kN= 27 UNIDADE Ligações Parafusadas Material Complementar Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade: Livros Estática e Mecânica dos Materiais BEER, F. P. et al. Estática e mecânica dos materiais. Porto Alegre: AMGH, 2013. (e-book) Edifícios Industriais em Aço: Projeto e Cálculo BELLEI, I. H. Edifícios industriais em aço: projeto e cálculo. 3. ed. São Paulo: Pini, 2000. Estruturas de Aço: Conceitos, Técnicas e Linguagem DIAS, L. A. M.; GOODNO, B. J. Estruturas de aço: conceitos, técnicas e linguagem. 7. ed. São Paulo: Zigurate Editora, 2009. Mecânica dos Materiais GERE, J. M. Mecânica dos materiais. 3. ed. São Paulo: Cengage Learning, 2018. (e-book) Resistência dos Materiais HIBBELER, R. C. Resistência dos materiais. 10. ed. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2018. (e-book) 28 29 Referências FAKURY, R. H.; SILVA, A. L. R. C.; CALDAS, R. B. Dimensionamento de elemen- tos estruturais de aço e mistos deaço e concreto. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2016. (e-book) PFEIL, W.; PFEIL, M. Estruturas de aço: dimensionamento prático. 7. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2008. (e-book) PINHEIRO, A. C. F. B. Estruturas metálicas: cálculos, detalhes, exercícios e projetos. 2. ed. rev. ampl. São Paulo: Edgard Blücher, 2012. 29